EP 81 LINA QUINTELLA | ESTUDOS DE CASO, O SOM DA QUEDA, ESCUTE AS MAIS VELHAS e mais
a nossa conversa é dividida em 3 blocos: o que estamos lendo, vendo e ouvindo. tudo isso com um convidado ilustre. recebemos Lina Quintella, professora, escritora, crítica interdisciplinar, mestra e doutoranda em Literatura Brasileira e estudos interdisciplinares pela UFRJ. idealiza e media o Clube Contempô, um clube de leitura presencial e gratuito da Blooks Livraria, dedicado à literatura contemporânea e ao encontro entre leitores.
pra salvar
lendo: BRING NO CLOTHES, de Charlie Porter; APNEIA, de Esther Faingold; ESTUDO DE CASO, de Graeme Macrae Burnet; MANIFESTO PELA LEITURA, de Irene Vallejo.
extras: FASHION NEUROSIS WITH BELLA FREUD (podcast); #62 – NÃO SOU MAIS O PEDRO - CAPÍTULO 1: ELETROCONVULSOTERAPIA (episódio do podcast RÁDIO ESCAFANDRO); EDUCAÇÃO DA TRISTEZA, de Valter Hugo Mãe.
vendo: SOUND OF FALLING (filme); ALPHA (filme); FÚRIA (série).
extras: DTF ST LOUIS (série); FLEABAG (série).
ouvindo: ESCUTE AS MAIS VELHAS (podcast de Sueli Carneiro e Neca Setubal); OS 100 MELHORES ÁLBUNS DE TODOS OS TEMPOS (curadoria da Apple Music); T13 EP. 4 EMBELLECER: ENSAYOS SONOROS (episódio do podcast MUJER INCÓMODA).
extras: ADMIRÁVEIS CONSELHEIRAS (podcast); O IDIOTA, de Fiódor Dostoiévski.
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roteiro: @nastachadeavila | edição: @carolineholder e @niksilva | intérprete e compositor da melodia tema: @eduardoarndt
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- O episódio Embellecer do podcast Mujer Incómoda e a beleza como ato políticoMujer Incómoda·Vanessa Rosales·Dua Lipa·Madonna·Susan Sontag·Walter Benjamin·O Idiota·Fiódor Dostoiévski
- O suspense psicológico Estudo de Caso e a crítica à psicanálise na Londres de 1960Estudo de Caso·Graeme Macrae Burnet·Todavia·Londres·Saúde mental
- O Manifesto pela Leitura de Irene Vallejo e a defesa do livro impressoManifesto pela Leitura·Irene Vallejo·Dublinense·Seiva·O Infinito em um Junco·Educação da Tristeza·Valter Hugo Mãe
- A série Fúria e a complexidade de personagens femininas em um thrillerFúria·Disney+·Elizabeth Meriwether·Amy Rossum·Lola Petticrew·Quincy Tyler-Bernstein·Jeffrey Epstein·DTF St. Louis
- A relação entre moda e literatura moderna e o livro Bring No ClothesBring No Clothes·Charlie Porter·Virginia Woolf·Bloomsbury Group·Fashion Neuroses with Bella Freud
- O filme O Som da Queda e a complexidade do universo feminino em diferentes geraçõesO Som da Queda·Masha Schillinski·Prime Video·Apple TV·MUBI
- A lista da Apple Music dos 100 melhores álbuns de todos os tempos e a curadoria musicalApple Music·Lauryn Hill·The Miseducation of Lauryn Hill·Thriller·Michael Jackson·Abbey Road·The Beatles
- O filme Alpha e a exploração do corpo humano para discutir questões sociaisAlpha·Julia Ducournau·MUBI·AIDS·Normandia
- O romance Apneia de Esther Fangold e o experimentalismo formal na ficção brasileiraApneia·Esther Fangold·Kozak·Rádio Escafandro·Eletroconvulsoterapia
- O podcast Escute as Mais Velhas e a importância de ouvir mulheres inspiradorasEscute as Mais Velhas·Sueli Carneiro·Neca Setúbal·Conceição Evaristo·Wiser Than Me
Olá, este é o Salvei, o podcast de cultura da Salvo, com basicamente tudo pronto pra você salvar.
E esse título que ele deu ao livro, ele vem de uma frase da Virginia Woolf, que sempre usava nas cartas que ela escrevia pros amigos, tipo: Embelezar é um verbo político, olha que doideira, tá?
Deixa eu te contar uma coisa importante. O Salvei faz parte da Salvo, uma plataforma de descobertas que explora literatura, cinema, arte e mais. Por aqui, a gente transforma essas descobertas em vários formatos: podcast, newsletter, clube de leitura, cineclube, eventos e cursos. Pra que tudo isso continue existindo de forma independente, a gente conta com você. O jeito mais direto de apoiar é assinar a Salvo News no Substack. Além dos conteúdos exclusivos, você entra no Caixa Alta, nosso programa de incentivo à leitura, que dá a chance de receber um livro em casa todo mês.
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É isso que garante que essas conversas continuem acontecendo. Agora sim, bora pro episódio? Olá, começando mais um episódio. E hoje temos aqui a Lina Quintela. Mais uma mineração que eu fiz pelo Instagram. A Lina é professora, escritora, crítica interdisciplinar e uma grande aficionada por literatura, moda e cinema. Ela é formada em português e espanhol, é mestre doutoranda em literatura brasileira e estudos interdisciplinares pela UFRJ.
Onde atua como professora convidada e pesquisa relações entre literatura e moda. Ela também é autora do livro experimento de poesia Sussurro: Cantos de Chuva, publicado pela Urutau, e do livro de ensaio A Roda da Corte, que será lançado pela Sete Letras ainda em 2026. No Rio de Janeiro, idealizou e tem o Clube Contemporâneo. É um clube de leitura presencial e gratuito na Blox Livraria, que caso vocês não saibam, fica ali no Belas Artes, no cinema, ali em Botafogo.
É um clube dedicado à literatura contemporânea e ao encontro entre leitores. Então, ó, temos mais uma clubista aqui, aficionada por literatura como nós. Seja bem-vinda, Lina!
Bem-vinda!
Ai, obrigada, queridas, obrigada! Muito feliz de estar aqui com vocês, muito alegre de dividir esse espaço e a gente poder conversar.
Muito bom! Então vou começar perguntando a coisa que, né, tu mais quer falar. O que que tu tá lendo?
É, na verdade eu sou uma pessoa que lê vários livros ao mesmo tempo, então é super difícil esse tópico para mim. Agora eu tô lendo coisas para finalizar minha tese de doutorado, que é sobre moda e literatura moderna. Então talvez seja a relação interdisciplinar que mais me empolga. Eu poderia ficar horas e horas falando sobre isso. E a gente tá vivendo um boom, né, dessa conexão entre literatura e moda aí nas próprias mesões, de leitura da Chanel, da Miu Miu, a Balenciaga patrocinando newsletter no Substack.
E aí eu reli um muito interessante agora para quem gosta do assunto, né, que é o Bring No Clothes do Charlie Porter. Foi lançado pela Penguin em 2023. E esse título que ele deu ao livro, ele vem de uma frase da Virginia Woolf que sempre usava nas cartas que ela escrevia para os amigos, tipo T.S. Eliot e tal. Quando ela convidava eles para passar uns dias na casa dela e para casa dela, ela sempre dizia, não leve roupas, não traga roupas, né?
Venha como você tá e tal. E o Charlie Porter, inspirado por essa provocação, por essa espécie de ordem, né, vai investigar a relação do Bloomsbury Group, que é o coletivo que a Virginia Woolf integra junto com Vanessa Bell e outros artistas pensadores, né, com as roupas, buscando o que que isso diz ali sobre a maneira como eles pensavam e construíam as trajetórias artísticas e políticas. E ele faz isso de um jeito tão prazeroso, sem transformar o livro numa coisa teórica, sabe?
Que a gente vai curtindo de ver como essa frase das cartas diz muito sobre esse movimento de vanguarda e de revolução indumentária e social que esse grupo vai elaborar. E sobre a própria relação controversa que a Virginia Woolf tinha com a moda, porque por um lado ela assumia uma espécie de antimoda, digamos assim, uma coisa muito própria também da postura daquele coletivo. Buscando meios de libertação artística, intelectual, sexual também, e desafiando ali as noções do belo, das convenções sociais da era vitoriana.
Ela usava, gente, umas meias assim laranjas, sabe, uma coisa assim totalmente inimaginável para a era vitoriana. Mas por outro lado, ela também se sentia muito atraída, né, pela moda. Então ela escrevia muitos livros com a temática, essa temática, tipo Vestido Novo, que é um livrinho bem pequenininho E tem aquelas famosas frases, resoluções, né, de Ano Novo dos diários da Virginia Woolf, que muita gente compartilha aí na virada do ano, em que ela escreve: quanto às roupas, comprar boas, né?
E esse é um livro que eu acho realmente ótimo, super recomendo, do Charlie Porter. Ele é muito bom para pensar o que que significa vestir. Mas como ele não tem ainda tradução para o português, infelizmente, o original em inglês a gente consegue na Amazon com valor mais acessível no Kindle. E eu digo isso com muito pesar, porque eu sou uma grande defensora das livrarias independentes, do livro físico. E aí eu acho que só para não ficar tão ruim para o meu lado, né, e divulgar mais a causa do livro físico, como eu disse que eu leio muitas coisas ao mesmo tempo, eu vou quebrar pontualmente aí o protocolo da Salvo e eu vou comentar mais uma leitura.
Porque no momento que esse episódio está sendo gravado, eu acabei de ler um livro de ficção brasileira contemporânea, que não tem a ver com meu doutorado, não tem a ver com moda. E eu li no contexto do meu clube de leitura, que é o Contempo, que acontece gratuitamente na Books Livraria em Botafogo, no Rio de Janeiro. E a gente vem lendo muitos latino-americanos, muitas mulheres brasileiras. A gente leu Aline Bey, Monique Maltier, Silvana Tavano, entre outras.
E esse último eu adorei descobrir, que foi o Apneia, da Esther Fangold. E foi um recebido da editora Kozak, né, da Kozak. Isso foi um recebido da Kozak, que essa editora incrível, né, que tá retornando aí ao cenário editorial triunfante com essas publicações de ficção contemporânea. E o Apneia é um romance de estreia, né, da Stea. É um livro, eu me arrisco dizer, até com certo grau de experimentalismo formal, que eu amo, eu amo.
Ela brinca com gêneros, com a forma dos capítulos, coloca listas e brinca com poema e fala sobre uma mulher diagnosticada com depressão severa e prestes a se submeter a eletrochoques como último recurso, mas esse procedimento tem o risco de perda de memória. Então, meio que correndo contra o tempo, ela vai tentar registrar para filha dela adolescente, numa espécie de caderno-testemunho, as memórias da vida dela, passando por gerações de mulheres da família, principalmente, avó, a mãe. E assim, é bem interessante, bem perturbador. Assim, eu adorei esse livro.
Interessante. Inclusive, vou fazer duas sugestões. Primeiro, o seguinte, é conectado com o primeiro livro que tu gostou. Eu acho que tu vai ser uma fã, se é que tu já não escuta o Fashion Neuroses da Bella Freud.
Sim, adoro!
Nossa, eu lembrei dele na hora. Eu indiquei no último Salvei. É, eu indiquei no último Salvei. E assim, você vai amar. Você já conhece?
Conheço, conheço. Eu assisti alguns, gosto muito do que ela entrevistou o Rick Owens, porque eu sou uma grande fã do Rick Owens. E mas é bem legal, bem interessante a proposta, né? Gosto muito.
Aí ela junta essas duas coisas mesmo.
E a outra coisa que eu ia falar é que o apneia, a questão da terapia com eletrochoque, tem um episódio assustador do Rádio Escafandro de uma pessoa sobre esse, sobre essa terapia, e de uma pessoa que teve perda de memória. Tipo assim, cara, é apavorante a narração. Se vocês procurem aí nos tocadores É surreal, tem muita conexão com esse teu livro. Bom, e tu, Carol, que que tu tá lendo?
Eu estou lendo o livro que me pegou, e assim, não tem nada que me faça mais feliz do que livros que me peguem. Então assim, sério, e quando eu sento e leio assim 80 páginas de uma vez, eu falo, uau, preciso indicar no Salvei! E eu estou encantada com Estudo de Caso Que foi publicado agora em junho de 2026 pela Todavia.
Ouvi falar que é babado, cara.
Esse livro é babado. Ele é do escocês Graeme Macrae Burnet, foi publicado lá no Reino Unido em 2021. Em 2022 foi indicado no Booker Prize. Ele é assim super, super famosão lá no Reino Unido, Escócia, enfim. Na Irlanda, babadão, e agora chegou ao Brasil. E é incrível esse livro. Do que que se trata? É uma menina, né, uma jovem, uma mulher que acabou de perder a irmã, que tirou a própria vida. E ela fica muito intrigada porque, segundo ela, pelas experiências que ela teve com a irmã, não faz o menor sentido a irmã tirar a própria vida.
A irmã é aquela, é aquela pessoa de luz assim, que todo mundo gosta, que faz tudo bem feito, que os pais adoram. E ela, a outra irmã, né, que tá viva, ela ficou muito intrigada porque ela sempre que foi a diferente, enfim. Então a irmã dela sempre foi tipo assim aquele ponto de luz. Então para ela não faz o menor sentido aquilo, não faz. Então ela vai, ela quer investigar, porque pouco tempo antes da irmã morrer ela começou a frequentar um consultório de um psiquiatra.
E um psiquiatra bem heterodoxo, assim, controverso, que já foi entrevistado várias vezes e que tinha opiniões muito divergentes da maioria dos psiquiatras da época. Isso se passa, gente, ali numa Londres de 1960. Então ela vai investigar, ela marca uma consulta com esse psiquiatra, óbvio, usando outra identidade e tentando não parecer normal para que o disfarce dela não seja descoberto. E ela começa a ter sessões com esse cara porque ela quer entender, quer conhecer o cara que para ela foi o responsável pela irmã ter tirado a própria vida.
Então é um suspense, mas tem umas pitadas que esse autor vai colocando que são muito interessantes. É uma sátira e ao mesmo tempo ele mexe com muitas coisas assim, mas o que mais me pegou mesmo é o suspense, é você saber se ela vai conseguir chegar lá nessa, nessa consulta, se ela vai conseguir convencer esse psiquiatra, né, de que ela é uma paciente. Então esse jogo, esse jogo vai, vai fisgando. E assim, eu sentei e li 80 páginas assim, ó, de uma vez só.
Ele, ele realmente consegue ter uma narrativa que prenda você na história. Então assim, eu indico de olhos fechados esse livro. Por favor, se alguém não gostar, escreva pra cá que a gente vai bater um papo pra eu entender por que que você não gostou.
Porque realmente alguém me indicou e falou desse livro e falou da sinopse. E aí eu fiquei, como é thriller, tipo, eu geralmente não leio livro de thriller, né? Mas eu fiquei pensando, nossa, deve ser bom. Inclusive porque é editado pela Todavia, né? Nossa. Editora amada de paixão. Tô curiosa, eu tenho, tô com ele aqui, só que ele é grandão, né?
Não, 300 páginas.
Ah, super dá, gente.
É super dá, Noel, 300 páginas. E é isso, flui mesmo assim, vai, porque como é um thriller, você quer saber demais. Só que o legal é que ele usa o thriller, que é um gênero que pega, eu acho que quase 10 em 10 pessoas, né? Tipo, todo mundo quer saber o que aconteceu. Você pode nem estar às vezes gostando da história, mas você vai indo porque você quer saber. Quem matou, quem, né? Você quer saber tudo, você quer descobrir, né? Eu acho que o ser humano tem uma necessidade pela descoberta, né?
A gente quer saber. Então ele usa esse gênero para te prender, mas para falar sobre saúde mental, né? Assim, sobre essa questão, você trouxe a questão da terapia com eletrochoque, por exemplo. Ele traz para discutir, para colocar na roda a questão da psicanálise, né? Da psiquiatria. Essa questão de você parece uma coisa e é outra, tipo assim, a leitura que as pessoas que convivem com você têm sobre você e a leitura que você mesma tem sobre você, ou que um especialista, né, que um psiquiatra, um psicólogo vai ter sobre você.
Então essas nuances, então ele usa, ele prende você porque é um thriller, mas ele quer falar sobre outras coisas, sabe? Ele quer colocar ali, quer levantar umas discussões, só que usando humor, usando a ironia pra falar sobre essas coisas. Então O psiquiatra da história, ele tem uma visão muito diferente sobre, sobre a mente humana, sobre o comportamento. E o legal é que o psiquiatra, ele é controverso e ele é famosão, né, porque ele pensa muito diferente.
Aquilo atrai a curiosidade das pessoas, então ele dá muitas entrevistas, ele escreve livros. Então ele faz um diário falando de cada paciente, detalhes de cada paciente, não coloca o nome. Dos pacientes para preservar a identidade. Mas ele detalha, ele fala, ele faz um diário das sessões, ele fala exatamente o que foi dito. E é assim que a irmã, ela foi ler os livros dele. E é muito engraçado que ela chega na livraria para comprar o livro dele e as pessoas olham meio torto assim para ela, tipo assim: oi, você quer ler esse cara?
E ela vai— e tudo isso é porque você vai sentindo quem é esse psiquiatra nessa Londres de 1960. E aí ele narra tudo e ela lendo aquele livro que ela conseguiu achar o capítulo que ela entendeu que é sobre a irmã dela e pra ela não vai fazendo o menor sentido algumas coisas, tipo assim, não, cara, mas minha irmã não era assim, não, mas isso não aconteceu desse jeito. E ao mesmo tempo quando ele usa umas palavras, umas frases, ela fala, putz, isso aqui foi a minha irmã que falou.
E aí eu acho que é esse jogo de você pensar, nossa, como eu não conheço essa pessoa, né? Como eu acho que conheço demais e não conheço. Enfim, você vai entrando na intimidade mental da pessoa, sabe? Então eu achei isso muito interessante e me interessa muito o que você coloca pra fora e o que você é pra dentro. Eu acho que essa dicotomia ou essa dissonância, eu acho que é isso que adoece as pessoas, né? A gente mostrar uma coisa pra fora e a gente ser outro pra dentro, você acha que isso adoece?
E aí o livro também coloca isso na roda, no meio desse thriller que você quer muito entender o que aconteceu. Naquele dia com aquela menina, enfim.
A descrição de Carol foi tão maravilhosa que eu fiquei curiosa pra ver, pra ler o livro, né? Foi incrível assim. E eu adoro também essa— eu não sou muito uma pessoa de ler thriller, mas eu adoro essas coisas de suspense, enfim, tem tudo a ver também com o que a gente tava falando sobre o apneia, né, como você lembrou. E eu fiquei muito, muito curiosa, amei.
Pois é, eu também não costumo ler, eu assisto muito, né, todo seriado, filme que tem thriller eu super me interesso, né, a Nátaly também super É, super indica aqui e tal, a gente adora. E tá sendo uma experiência massa ler um thriller por isso, porque o pano de fundo é o thriller, mas tem muita coisa, sabe? Tem muito papo bom que vai, que vai vindo na história. E ele foi traduzido pelo Bruno Colbaccini Matos. Todavia incrível, saiu do forno há pouco tempo no Brasil, aproveitem. E você, Naná, o que que você tá lendo?
Eu vou tentar ser breve na minha indicação, porque a minha indicação do que eu estou ouvindo tá comprida, tá longa. Então eu já tô, vou me economizar de tempo para, porque as dicas são muito boas hoje, gente. Eu bem modesta. Olha só, olha esse livrinho lindinho, mimoso, que está na minha mão. Para descrição, para vocês que não estão vendo, é um livrinho vermelhinho, pequenruxo, com pouquinhas páginas. Basicamente é o Manifesto pela Leitura, da Irene Valejo, editado em parceria entre as editoras Dublinense e Seiva, com a estética da Seiva.
Cara, muito lindo! Amo Seiva, sério, amo Seiva! Daniel já participou aqui do podcast há muito tempo, mas enfim, adoro. Traduzido pela Júlia Dantas. E aí assim, ó, é um livrinho. Quando eu digo livrinho, que ele tem 10,5 cm por 15,5 cm e 80 páginas. Mas assim, ó, é um primor de produção gráfica absurdo. É o projeto da Luiza Zardo, a capa da Giovanna Cianelli, é impresso em pólen. E aí vocês podem ver, olha só, tem uns degradês assim lindo, lindo, uma coisa, é um espetáculo.
É o tipo de livro objeto assim perfeito para ter à mão. Pra presentear, pra estar na bancada. E tem uma ironia bonita, né? Porque o livro se chama Manifesto pela Leitura. E tipo assim, o valor do livro impresso, que é ele mesmo um argumento material, físico, em favor do livro. Lindo, sério. E aí, bom, que diabos é isso, né? Da onde que veio a história? O texto foi encomendado a Valejo em 2020. Diante de uma constatação: o percentual de leitores espanhóis estava caindo e a Valejo é filósofa clássica, autora de O Infinito em um Junco, é um fenômeno editorial traduzido para mais de 30 idiomas, ganhou o Prêmio Nacional de Literatura na Espanha em 2020.
Ou seja, encarregaram na época, né, a maior defensora viva do livro de escrever— exagero, mas enfim— de escrever a defesa oficial da leitura. E aí o resultado é um relatório de política pública, né? Tipo, é um ensaio lírico erudito em 9 sessões curtas de por que ler, né? Manifesto pela Leitura, enfim. Aí eu vou ler um pedacinho para vocês, para vocês entenderem. Somos uma espécie frágil, particularmente frágil, nem muito forte, nem muito rápida, nem especialmente resistente à fome, à sede, ao calor ou ao frio.
Não somos adaptados para o voo ou para uma vida debaixo d'água. Nascemos completamente indefesos e nossa infância é mais longa que qualquer outro animal. Até um vírus minúsculo nos coloca em risco. No entanto, ventos de uma capacidade maravilhosa nos impulsionaram a um desenvolvimento inesperado, a um progresso imprevisível. Essa faculdade é a nossa imaginação, que, aliada à linguagem, nos permite sonhar o inconcebível, colaborar e fortalecer uns aos outros.
Somos a única espécie que explica o mundo com histórias, que as deseja, anseia por elas e as usa como cura. Enfim, é lindo, tá?
É um livro, eu fiquei apaixonada pelo ser humano. Apaixonada pelo ser humano, que maravilhoso, gente! Que maravilhoso!
É um presente lindo, gostoso de Natal, ó. Compre vários e dê para todo mundo. Eu escrevi sobre esse livro, botei lá no feed da Salvo. E aí eu acho que é interessante dizer que assim, o que distingue Manifesto de uma Oi, de assim, genérica literatura, é porque tem uma densidade das fontes, ela usa exemplos, né? Eu vou citar um exemplo. Tem um estudo de Raymond Barr, da Universidade de Toronto, de 2006, que estudantes leram A Dama do Cachorrinho, aquele clássico do Tchekhov, e aí os que leram pontuaram mais alto em escalas de empatia do que os que leram a mesma história reescrita em linguagem neutra, quase documental.
Então, qual que é a tese aqui? Não é o conteúdo que produz empatia, é a forma literária. Né? E aí, olha que lindo! Aí vou terminar para vocês fazendo uma citação, ó, que ela termina o livro: ler e escrever é se firmar contra o vento e a maré, a salvo da morte, das mudanças e da pressa. E fecha o manifesto com uma frase que parece ter sido escrita para a Salvo: não pode desaparecer aquilo que nos salva. Pronto, é isso, essa é minha dica, cara.
E quando você acabou de ler, que você falou sobre essa questão da forma, conteúdo, eu lembrei muito do que a gente da Salvo acredita, né? Que tipo o livro salva, que a literatura salva. Então por que que a gente espalha literatura por aí? Porque a gente acha que isso vai salvar o mundo, vai deixar o mundo melhor. A gente tem o nosso programa de incentivo à leitura que manda livros para casa das pessoas.
Por quê?
Porque a gente acha que aquela pessoa, depois de ler aquele livro, ela vai, ela vai ser um ser humano melhor para ela, para o outro, para o mundo, né? A gente acredita nisso. Então esse manifesto tem tudo a ver com a Salvo. Eu amei e eu estou extasiada. Porque eu conheci ao vivo o Walter Hugo Mãe, que nesse momento que a gente tá gravando ele tá passando uma jornada aqui no Brasil. Ele participou da Flip, participou da Feira Literária de Niterói, vai para feira também literária de Curitiba.
Então ele tá nesse momento no Brasil e ele foi entrevistado no jornal que eu trabalho pela Aline Midley, e foi uma entrevista incrível, a essência dele ali. E antes de começar a entrevista, eu conversei muito com ele, eu adiantei todo o meu trabalho que eu precisava fazer naquele dia para bater um mega papo com ele. Falei salvo. Falei, falei horrores. E foi um papo incrível porque eu senti isso, eu senti que é um cara que ele personifica a literatura, ele realmente acredita nisso que você tá falando desse manifesto.
Aí ele falou sobre o livro dele, Educação da Tristeza, que ele falou assim, cara, não queria ter escrito, mas a vida se impôs. Eu perdi essas pessoas e eu não tinha outra coisa a fazer senão escrever, que é o que eu sei, né, que é o que eu sobrevivo assim. E ele, ele vai falando sobre essa importância que a literatura tem de transformação mesmo assim pessoal do indivíduo. Então, Naná, que dica incrível! Já quero ler e acho que a gente tem que espalhar esse manifesto por aí mesmo.
Ai, gente, sim, comprem, dê de presente. É assim um chuchuzinho esse livro, maravilhoso, gente, muito maravilhoso.
E eu tô achando incrível como esse episódio tá muito redondo, né? A gente falando sobre vários temas e eles voltam a aparecer.
Muito incrível. Bom, vamos para o próximo bloco então. Vou começar pela Lina. Lina, o que que tu tá vendo?
Bem, eu por escrever crítico crítica de cultura e cinema, né, em especial para o Jornal Nota, eu acabo sendo solicitada para ver muita coisa. Mas quando eu tenho tempo para assistir as coisinhas que eu quero ver, eu sempre busco maratonar umas diretoras mulheres assim com obras ou filmografias ainda pequenas. E uma que eu realmente gostei muito de conhecer e que eu só assisti agora com algum atraso foi a alemã Masha Schillinski, que tem filmes que eu adorei.
Eu adorei esses filmes, e um deles é O Som da Queda. Quando eu tento me lembrar desse um verão, eu me pergunto sempre o que a Nelly viu por último. É um drama sensibilíssimo, ele é um pouco perturbador assim. Tem 2 horas e meia de filme, tá disponível na Prime Video, na Apple TV. Eu acho que tem algumas referências de exibição na MUBI, se eu não me engano. E ele lembra até em alguns aspectos aquele livro que eu mencionei, do Apneia, da Esther.
Porque ele é um longa que traz mais de um tema, são abordados todos eles por via de reflexões sobre o universo feminino com toda a sua complexidade e em várias gerações, porque são basicamente 4 meninas vivendo diferentes fases da vida, infância, adolescência, vida adulta, em diferentes épocas ou séculos, mas sempre no mesmo lugar, elas estão na mesma fazenda e elas são separadas pelo tempo o longa mistura essas temporalidades de maneira muito coerente, mas enquanto tudo vai mudando, a tecnologia, as vestimentas, os costumes, as vidas dessas mulheres vão ecoando umas nas outras, né?
Então, tipo, as experiências, as questões existenciais e tal, elas permanecem muito semelhantes. E aí eu lembro que quando eu dei uma olhada assim, né, para pesquisar um pouco sobre o filme, eu vi que ele venceu o Prêmio Júri em Cannes, mas me parece que não gerou muitos comentários assim para além disso. Parece ser um filme que dividiu um pouco o público, talvez pelo jeitão mais contemplativo, introspectivo. A narrativa realmente é bem digressiva, mas isso para mim são as qualidades dele, sabe?
Essa é a maneira muito particular assim com a qual ela conduz a gente de forma quase hipnótica, né, para dentro da subjetividade dessas personagens. E a gente acessa exatamente a sensação e todo o universo interior feminino complexo a partir de uma única imagem, um corte, que muitas vezes é para uma paisagem ou para as suas sonoridades. Só para dar um exemplo, uma das cenas que eu mais gosto, e não é um spoiler, ok, é quando uma das meninas principais, das 4 meninas principais da história, essa que tá cronologicamente mais perto da modernidade, né, ela passa por um momento ali de férias com a mãe e com a irmã na beira do rio que corta a fazenda.
E aí, com o cair do dia, elas vão se retirando dali para voltar para casa, né, daquele laguinho. Só que nesse momento a mãe e a irmã elas vão indo juntas e ela fica para trás para tirar areia do pé, se ajeitar e tal. E quando ela retoma a vista para frente, ela se dá conta de que a mãe e a irmã já foram, elas estão muito lá na frente e ela ficou para trás sozinha. E aí é nesse momento que ela se percebe assim no ápice de uma solidão, de um abandono fulminante na percepção de uma criança, né, mesmo que por alguns minutos.
Que rola uma espécie assim de integração absoluta de uma ordem maior, quase mística, totalmente melancólica, com aquela paisagem natural que tá em torno dela. Então é extasiante essa cena. É um filme realmente muito profundo à sua maneira, daqueles que crescem para gente depois da gente assistir, sabe? Mas que também se guarda um pouco direito de não se levar tão a sério assim, que eu particularmente acho muito interessante.
Ele está na minha lista totalmente para assistir porque ele foi indicado como um dos melhores filmes de Cannes do ano passado. Que se eu não me engano, o Chico Firman, que sempre faz as coberturas de Cannes com a gente, enfim, a gente faz episódio especial, falou desse filme bem. Então está muito na minha lista. E tu, Carol, o que que tu tá vendo?
Eu estou vendo a MUBI. Gente, MUBI da MUBI, né?
Pelo amor de Deus, olha só, cara, o saco da MUBI todo episódio agora.
Eu tenho que admitir, Naná, você tava certa o tempo todo, você tava certa, gente. Sério, a MUBI é incrível. Qualquer coisa que você dá o play ali é maravilhoso. É igual Salvei, tudo que você coloca do Salvei é maravilhoso porque é uma curadora incrível. Eu assisti a Alpha.
Cross his brother's fist. Esse filme que é o filme mais novo da Julia Ducournau, porque eu tava super desconfiada que era que era meio assustador. É porque ai gente aquele Titanic nossa senhora.
Então é é da Julia Ducournau que é do desse Titanic que ganhou Palma de Ouro enfim que teve todo um barulho agora ela lançou Alpha. Que ela mexe com essa questão, né, do corpo humano tá ali sendo explorado, é bastante. Mas é isso, gente, quando você junta as duas coisas, né, igual quando tá falando do thriller, você junta o thriller para falar de outras questões, é o que ela faz. Ela usa o corpo, sim, mas para falar, colocar outras coisas na roda.
Então o que que é a história? Alpha é uma adolescente, no filme ali tá na escola ainda, mas como tem umas cenas assim mais pesadas, até de nudez, a atriz ela é mais velha, ela é maior de idade, ela não é uma menininha tipo na série, ela é retratada como adolescente, mais jovem, 14 anos ali mais ou menos, mas atriz não tem essa idade. Ela tá ali jovem nos anos 80, ali na Normandia, na França, e tá tendo uma epidemia que a gente faz associação com a da AIDS, porque é sexualmente transmissível e tal.
Então tá tendo essa epidemia que vai assim destruindo o corpo, assim o corpo vai virando pedra, né? Você vai tirando tudo que tem é do corpo. Então tá nesse momento, tá nessa tensão, né, no auge dessa epidemia. A mãe da Alfa é médica, então atende a esses pacientes. E é uma família da Argélia, é uma família super unida, e tem uma relação que eu achei assim, me chamou muito atenção, uma relação fraterna que tem de amor assim profundo entre a mãe da Alfa e o irmão da mãe dela, né, no caso tio da Alfa.
Então a mãe tem uma relação assim de amor assim incondicional por esse irmão que pega a doença. Então tem esse, mano, porque esse irmão é viciado em drogas e tal, tá sempre à beira da morte, e a mãe salva ele várias vezes. O que também é interessante a gente ver essa nossa vontade de salvar as pessoas a qualquer custo, né? E essa, às vezes a pessoa não quer ser salva e a gente invade, né, esse espaço da pessoa. Então a mãe da Alfa faz muito isso com o tio da Alfa, né, que é irmão dela.
Então tem essa história. E a Alfa, ela tá ali querendo viver, né, uma adolescente, imagina, querendo aproveitar a vida ao máximo. E ela faz uma tatuagem com uma agulha que não está limpa, que também é uma forma de transmissão desse vírus, né, assim como AIDS. Então tem toda essa história: será que ela pegou a doença? Será que não pegou a doença? E a mãe dela fica desesperada, né, porque conhece bem, porque trata isso, né. A mãe dela é médica, trabalha com aquilo todos os dias.
E a mãe dela não, não pega doença assim, nunca, nunca pegou, trabalha com isso há muito tempo e nunca pegou. Então também tem meio que uma situação de culpa, tipo assim, poxa, eu não pego, né? Todo mundo tá aí pegando essa doença e eu não. Então sabe, a Júlia coloca várias, várias, vários questionamentos que a gente tem, né, do ser humano ali nessa, nessa história que é margeada por essa doença, que é o que tá acontecendo naquele momento.
Que ela cria, né, essa epidemia nos anos 80, que faz essa alusão à AIDS. E o legal é porque tem muito vai e vem no tempo assim, sabe? Você fica meio perdido assim. Eu demorei muito para entender esse vai e vem. Tem alguns pontos que você percebe depois que tem esses flashbacks, né, esse vai e vem no tempo, porque as cores que ela usa são diferentes. Então fiquem atentos às cores, que ela usa na imagem, elementos físicos, né, cabelo e tal.
Mas eu demorei muito para sacar, assim, não sei se eu estava meio lenta, mas assim, eu demorei muito para entender. E quando eu entendi, eu falei, putz, ai meu Deus, pera aí, volta aqui. E a história, ela vai viajando por esses personagens da família, por essa sociedade, Traz umas mazelas aí do ser humano, tem um suspense ali, você fica muito tenso no que vai acontecer, sabe? Tem umas cenas muito, muito, muito, muito bonitas de conexão, sabe, entre a Alpha e esse tio, né?
Imagina que é um cara que tá completamente alheio a tudo, né, completamente drogado assim, completamente fora de órbita, e como é que ele consegue por um fio ter essa conexão com essa sobrinha. E como é que a sobrinha entende mais ele do que a própria mãe dela, né, que é mais velha, que conhece o tio há mais tempo. Então assim, acho que é sobre muito mais do que essa questão que a Júlia do Corno usa com o corpo, é muito mais sobre coração, sobre sentimento assim. Então eu acho que vale muito, Alpha na MUBI.
Eu tava um pouco de preguiça de ver esse filme, mas já que tu falou bem, então tá.
É, eu fiquei com a mesma impressão também. Eu assisti o trailer, né, e aí eu fiquei com essa impressão de naná também. Mas sendo uma indicação de Carol, então eu vou arriscar.
Aí a fotografia é massa, é bonito, e acaba— e não tem um final fechado, pelo menos não entendi que tinha. Né? E depois eu li algumas, algumas críticas, e também fica aberto, cada um que entende é uma coisa diferente. Mas eu acho que a jornada começo, meio e fim do filme vale ser vista. E você, Naná, o que que você tá vendo?
Vou trazer um thriller para combinar com o que falamos. Cara, tá todo mundo falando dessa série, vocês precisam ver. Não sei se vocês já estão vendo Fúria na Disney Plus. Antes de eu falar de Fúria, só fazer um pequeno adendo. Eu assisti Widows Bay, eu segui. Alguém falou para mim, vai ver até o episódio 4, 5. Eu tava quase colocando nas ressalvas, hein. E de repente eu comi tudo, eu engoli a série. Entendi, entendi o hype, tá, gente?
Mas vamos falar de Fúria. É uma série de 8 episódios no Disney+, criada pela Elizabeth Meriwether. É a mesma do Dying for Sex, que foi uma série bem interessante do ano passado, e The Dropout. E depois dessas duas séries baseadas em histórias reais, aqui ela vai pra ficção. E aí, bom, a inspiração declarada dela é o filme A Viúva Negra, de 87. Só que basicamente a crítica disse que sobrou muito pouco dessa referência e virou uma outra coisa muito mais contemporânea.
Aí a criadora, né, ela assina os 3 primeiros episódios e o resto do roteiro é dividido entre 4 mulheres e 1 homem. E assim, a questão de ser escrito por mulheres tem tudo a ver, tá? Vamos pra trama. São 3 personagens femininas no centro. A Amy Rossum é a Alice Black, basicamente uma ex-policial da polícia de Nova York. Que denunciou o namorado, que também é policial, que espancou ela, enfim. E aí a corporação inteira masculina, né, os chefes, os colegas, todo mundo se vira contra ela dizendo que ela tá mentindo.
E aí ela resolveu pedir uma transferência, enfim, ir para o FBI trabalhar no Disque Denúncia. E ela tá tentando esperar, ela tá, né, cogitando uma vaga para trabalhar na unidade de crimes sexuais, que pior lugar para se trabalhar no planeta Terra. Enfim, mas ela quer. E aí a gente tem a Lola Petticrew, que faz a Katherine, que é uma assassina em série. Ó, essa é a diferença dessa série, na verdade, é grande. O primeiro ponto de diferença dela, na verdade, que é uma coisa muito raríssima, né, raríssima entre mulheres.
E a cena de abertura dela é muito boa, ela tá com uma uma máscara de gato no Halloween dentro de uma casa que ela invadiu. Depois tu vem a saber, dentro dessa casa tá o cara que ela drogou e que ela vai assassinar. Aí daqui a pouco toca a campainha, né, com uma criancinha dizendo, né, travessuras ou gostosuras, sei lá como é que eles falam. E aí ela fala, só um instante. Aí ela entra, corre, pega tipo assim salgadinha, eu acho, do chão bota num pote, numa vasilha, vai pra porta e oferece pra criancinha.
Aí a mãe da criancinha olha e fala, não, a gente não aceita nenhum doce que não esteja, nada que não seja empacotado, né, previamente industrializado. E aí ela olha pra mãe, pra criança, e fala assim, sua mãe é muito inteligente. Enfim, a criança vai embora, enfim, e ela termina de matar o cara. E aí, bom, enfim. E aí tem uma terceira personagem que pra mim é absolutamente a melhor, que é feita pela Quincy Tyler-Bernstein, que é a Nora Washington, que é chefe da unidade de crimes sexuais lá onde a Alice Black quer trabalhar.
E aí ela meio que vira uma mentora da Alice. E aí o que que acontece? Começa a rolar um monte de crimes com um modus operandi parecido de de suposta overdose, e sempre homens, né? E aí dá para ver que não são suicídios, né, que também não são overdoses acidentais e que são assassinatos. E aí a Alice começa a fazer uma investigação para tentar entender quem teria motivação para isso e cria uma teoria de que havia sido uma menina com tenha sido explorada de alguma forma, né, por esses homens, que tá perseguindo todos eles para matá-los.
Enfim, aí essa investigação leva uma rede de tráfico. Enfim, tem uma coisa, uma conexão com os arquivos do Jeffrey Epstein. É meio que como se uma das abusadas tivesse— não é isso, gente, mas façam uma associação, né— mas como se uma das abusadas tivesse resolvido matar todo mundo que ela viu participar das festinhas e coisas assim, e que, né, enfim, tava lá praticando crimes, estupro, enfim. E aí, qual que é o rolê que eu acho legal?
Não é simplesmente, ah tá, é uma serial killer mulher, ponto. Não é isso. As personagens são muito boas e são muito complexas. A assassina, ela tem uma motivação, tu tem empatia com ela porque ela sofreu, mas também não deixa de achar ela completa psycho, entendeu? Tipo, as cenas são pesadas, que ela pratica violência. Não é assim, ahahaha, não é. É assustador, de fato. A policial é muito fodida da cabeça, coitada. Nossa Senhora.
Tipo, esse relacionamento que ela tem com esse ex, que é a policial que batia nela, ela, nossa, é muito... Tem muitas questões pra falar sobre ela, mas é mais legal assistir do que eu descrever. E a chefe que eu falei da unidade de crimes sexuais é espetacular, personagem super sarcástica, vocês vão amar assistir ela. E no fundo eu acho que é bem um drama sobre traumas assim e como que eles causam reações diferentes em cada mulher.
Então é uma puta série, eu estou amando, espero que ela não destrua tudo, né, porque ela tá sendo liberada um episódio por semana todas as segundas-feiras, eu já assisti 5 episódios, são 8 no total. Por enquanto tá sendo uma das séries do ano.
E faz todo sentido quando você fala de ter sido escrita por uma mulher, porque realmente a gente não tá acostumado a ver uma serial killer mulher, né? Então assim, você pensa que vai para ser boazinha ou que a cena não vai ser tão pesada, e aí você tá trazendo, não, tipo, é, né? Ela consegue tirar os estigmas femininos, né, da mulher. Então assim, vai, deve ser interessante ver a mulher nesse lado. Me lembrou a DTF St. Louis, que é colocar o homem também numa vulnerabilidade que a gente não tá acostumado a ver, né?
Então é essa desconstrução, né, do que a gente tá acostumado. Acho que isso é importante, né, para o que a gente tá querendo construir de sociedade, né? Tipo assim, todo mundo pode ser qualquer coisa, pode ser tudo, né? Tipo, gostei, fiquei—
Nossa, eu adoro personagens sarcásticas, sabe? Quando as pessoas constroem personagens e femininas, principalmente sarcásticas. Eu adoro, adoro tipo Fleabag, essas coisas assim.
Vocês vão se apaixonar pela Nora Washington, ela é muito maravilhosa. Enfim, bom, vamos para o próximo bloco então, que eu tenho, temos muito a falar ainda. Ouvindo, o que que estamos ouvindo? Eu vou começar pela Lina. Lina, o que tu tá ouvindo?
Então, eu tava até falando com Naná esses dias, eu tive um probleminha também na córnea que me deixou forçosamente vamp, né? Então eu tinha bastante sensibilidade à luz. E aí, como eu não conseguia ler tanto e nem consumir muita tela por muito tempo, a única coisa que dava para fazer com tranquilidade era ouvir música e podcast. Então eu ouvi muito Salvo nesse período. Mas eu tô um pouco monotemática e aí eu tenho escutado qualquer coisa com temática mulheres 30+.
Não só produzidas por mulheres dessa idade, mas que voltem a esse tema, né? Eu acho que é porque eu tô me aproximando dos 30, então eu tô nessa vibe. E aí faz um tempinho já que o meu ritual é ouvir o podcast da Sueli Carneiro e da Neca Setúbal, Escute as Mais Velhas. Ele é autoexplicativo, né? Mas elas, a ideia é elas convidam mulheres que são muito inspiradoras assim para bater um papo.
A cada episódio nós buscamos conhecer e celebrar a trajetória das grandes representantes pelos direitos humanos no Brasil, sobretudo aquelas que trabalharam pelas mulheres.
E às vezes sobre coisas bem pessoais. Eu gosto muito, por exemplo, do episódio com a Conceição Evaristo. Acho muito incrível, ela fala coisas sobre relacionamento que eu nem imaginava que ela falaria, sabe? Então às vezes a gente se surpreende, eu acho bem bacana.
Não é muito parecido com o da Wiser Than Me?
É, eu acho que é uma pegada que, eu acho que é um movimento, né? Assim, eu acho que vários podcasts nessa pegada, né, de você ouvir. A Astrid fez uma série, né, tipo Saiba as Conselheiras, Sábias Conselheiras. Eu acho que tem uma pegada da gente ouvir pessoas mais velhas e, e porque Porque assim, o que que é uma pessoa mais velha? Uma pessoa que viveu muita coisa, né? Então imagina quanto tem para dividir com a gente assim. Então eu tô gostando desse momento.
E tu, Carol, o que que tu tá ouvindo? Já vi que a dica muito interessante, hein? Vou pesquisar isso.
Menina, veja bem, a Apple fez uma lista dos 100 melhores álbuns do mundo, mas não tem a ver com quem escuta mais, sabe? Não é você pegar ali a métrica no streaming de quantas pessoas ouviram aquele álbum e tal. Não é isso. Ela pegou especialistas, umas pessoas incríveis ali para fazer uma mega curadoria dos 100 melhores álbuns do mundo assim, e fez aí uma lista. A Rolling Stone já deu uma criticada que eu achei interessante essa crítica, porque assim, gente, só tem a maioria, a maioria é álbum americano, e ali um ou outro britânico, sabe assim?
Então teve esse probleminha, mas o Bad Bunny está lá. Eu acho que é o único, acho que é o único em língua espanhola que tá, né, o único não língua inglesa que tá nessa lista aí. E assim, eu gostei porque eu sempre, curadorias, né, a nossa pegada, né, a gente gosta de curadorias. Então eu gostei de dar uma passada ali pelos pelos 100 melhores álbuns na visão desses críticos que a Apple chamou para fazer essa lista. E aí assim, em primeiríssimo lugar está a Lauryn Hill com The Miseducation, que eu fui ouvir e realmente, cara, é muito bom. E assim, nunca, eu nunca tinha ouvido assim.
Esse é um dos álbuns da minha vida. Eu até fiz um, num dos episódios do Salvei, eu comentei sobre um dos episódios do podcast, tipo, eu não me lembro agora, mas é um que fala sobre os melhores discos de todos os tempos. Mas porque quando eu era tipo assim pré-adolescente, era o que eu e a Aline escutávamos, né, minha amiga, enfim, do colégio, o tempo inteiro. E eu sou, e tipo, até hoje eu escuto esse álbum para trabalhar, eu acho muito gostoso, é muito bom.
Eu nunca tinha parado, como ele ficou no top 1 ali, eu coloquei para ouvir o álbum inteiro prestando atenção, né, assim. E cara, realmente é muito bom. E é de 1998, assim, e eu, e né, tipo assim, década de 90. E como é bom, que música boa, que arranjos bons. Nossa, realmente acho que ele tá super bem ali na primeira posição.
Aí tem um trio, tá em primeiro lugar, né, tipo assim, porque é um puta de um álbum, mas o melhor álbum de todos os tempos é para essa curadoria da Apple mesmo.
É, pois é. Então eu achei, eu achei, eu achei que tem o óbvio, que é colocar Thriller de Michael Jackson assim, porque Thriller é aquilo, ele rompeu muitos paradigmas assim. O Michael Jackson com Thriller, ele criou o videoclipe, né? Assim, ele mudou completamente a parada. Então é um álbum assim eterno e no audiovisual também ele mudou tudo. Então assim, tem Thriller, tem o Abbey Road dos Beatles, que também é tipo assim clássico de estar nas listas, mas me chamou atenção, primeiro lugar, e eu achei sensacional e coloquei para ouvir.
E eu vi por causa dessa lista o álbum todo e achei assim, cara, realmente que delícia, e que eu tava perdendo a minha vida inteira porque eu nunca, diferentemente de Naná, nunca tinha ouvido aí na minha adolescência, e coloquei para ouvir agora. Então vale a pena dar uma olhada, dar uma checada nessa lista toda e ouvir de novo o que já ouviram ou ouvir pela primeira vez o que de repente a pessoa não viu. Aí tem Beyoncé, tem Stevie Wonder, tem assim, tem uma galera, são 100, né, gente?
Mas fica aqui a estatística que a Rolling Stone fez de que são 63 álbuns americanos, né, que dominam a lista, depois seguido pelos britânicos que aparecem com 22.
Então isso aí, a partir disso não sobrou mais nada.
Então tem, então tem isso. Esses críticos, eles, eles têm que ouvir aí um Caetano Veloso, eles têm que ouvir, né, um, tem que ouvir a Maria Bethânia, né. Assim, eles estão perdendo. Eu acho que a gente podia fazer a nossa lista e mandar para eles, que ia bombar.
O que que tem nessa lista? Será que entrou Led Zeppelin, entrou Pink Floyd, essas coisas? Fiona Apple tem que entrar, tem que olhar lá.
Então, sem, vamos ver.
Vamos ver. E você, Naná, o que que você tá ouvindo?
Então senta que lá vem história. Me guardei para esse bloco, gente. Vamos lá, eu já comentei aqui no Salvei sobre o podcast Mujer Incômoda, que é da Vanessa Rosales, que é uma escritora e teórica de moda colombiana. Mas aí trago mais um episódio novo dela aqui que eu achei absolutamente sensacional. Episódio Embexecer Ensaios Sonoros. Sobre o que diabos é isso, gente? Vamos lá. Ela pega e faz um formato ensaio sonoro, como se ela pegasse, escrevesse um artigo, mas é mais coloquial, é mais um pensamento, sei lá.
E aí ela parte de um ponto de partida e ensaia o próprio pensamento em voz alta. E esse episódio seria significa embelezar. E aí, o que que eu achei que era interessante fazer? Trazer um panorama do episódio para quem não tá acostumado a escutar em espanhol, não quer, enfim, porque os pontos dela são muito interessantes, né? Mas a tese central é que ele fala: no momento de direitização, de neofascismo, de machosfera, de bipolaridade cultural, a beleza não é nem luxo nem sem distração, é um lugar onde criar e sobreviver.
Tipo assim, embelezar é um verbo político. Olha que doideira, tá? Vamos lá, vamos, vamos para os 3 movimentos. Eu escutei mais de uma vez para tentar resumir o que ela trouxe. Primeiro, o percurso dela vai dividido em 3 movimentos. O primeiro movimento, ela traz exemplos concretos do que que é belo hoje, que eu acho que é a parte mais deliciosa do do episódio, talvez. E aí ela começa com exemplos assim muito palpáveis pra gente.
Ela fala da Dua Lipa, que eu acho uma diva, enfim. Fala do Papa, sendo que ela fala assim, cara, eu sou anticatólica declarada, mas eu encontro beleza num Papa que critica o capitalismo corrosivo. Ela cita a 5ª temporada de The Bear, ela fala da Madonna aos 68 anos lançando a sequência de Confessions on a Dance Floor. E outros exemplos. Em segundo lugar, ela traz um contraponto teórico: o que que o digital fez com a estética? Tipo essa coisa planície branca luminosa nas redes, todo mundo Botox, alisamento, clean look, clean girl, o bege, o tradicional, o conservador, a branquitude, o hiperconsumo de sinônimos de beleza, enfim.
E aí ela mobiliza uma série de pensadores para falar sobre isso. Como, sei lá, Emerson, Susan Sontag, que a gente já citou algumas vezes, várias pessoas já deram dica aqui, Simone Weil, Walter Benjamin, enfim. E o terceiro movimento que ela faz, ela faz um fechamento, ela fala sobre a beleza como aquilo que salva. Mais uma dica parecida, que eu achava muito bom. Como que salva? Literalmente ela lista o que que salva da beleza.
Aí, bom, Bom, algumas conexões que eu vi com a Salvo, né, tipo a beleza como valor. Quando ela fala da Dua Lipa, eu acho muito interessante porque ela fala assim, gente, dá para cultivar estética e intelectualidade.
Ô, Naná, e foi o que a gente conversou com a Elidy, né, que a gente teve um café da manhã maravilhoso, e dá para juntar as duas coisas, né? Totalmente. Há muito tempo a gente achou que tinha que excluir, ou você era belo ou era belo ou intelectual.
Né?
E a gente chegou na conclusão no nosso café da manhã, que temos que fazer mais, é que dá para unir, tá? E a Dua Lipa para que nos mostrando isso, uma grande representante.
E a Virgínia Ulf precisava ouvir talvez esse episódio do podcast, né?
Já que a gente tava falando sobre isso.
Lembrei da Virgínia quando você falou, é totalmente anti-moda, anti-belos, usando meia laranja.
Não, e aí ela fica, ela fala da Dua Lipa, mas porque Que nem nós, que nem nós. E a Lina do Alipa também tem clube de leitura, né? Enfim, ela fomenta a literatura de forma sustentada. Enfim, e a Vanessa também frequenta Botafogo, assim como nós. É verdade, é verdade, coisa em comum com a Dua Lipa. Puta merda. Enfim, e aí ela faz a piadinha, fala assim: ai, gente, eu e a Dua fazemos aniversário no dia 22 de agosto, e isso não é gratuito.
Enfim, adoro o que ela fala, tipo assim, de recusar essa separação entre gostar de uma coisa bonita e pensar sério, né? Aí ela fala também da Madonna sobre permanecer é a ousadia, que ela com 68 anos está resgatando o espírito de pista, de discoteca, de nightclub gay onde ela surgiu, espaço de subculturas, de desobediências de gênero. Encontro comunitário dela, cita o documentário Paris Is Burning, que é muito interessante, está na MUBI para quem quiser ver.
E aí ela fala sobre os procedimentos estéticos da Madonna, né? E ela fala assim, gente, vou recusar o moralismo fácil aqui. Muitas mulheres recorrem a intervenções justamente pelo peso que é envelhecer nesse mundo. E a própria Madonna disse que a grande ousadia dela é stick around, né? Tipo assim, permanecer. E o incômodo que isso gera nas outras pessoas pessoas. E aí ela fala que atenção verdadeira é um ato moral. A gente vive na economia de atenção, mais uma conexão com a Salvo, onde monetizam os nossos cliques, enfim.
E tu prestar atenção em alguma coisa tem algum sentido, né? Enfim, ela fala sobre a experiência do belo como uma despossessão do ego numa era de narcisismo exaltado. Valorizar a beleza não é futilidade, é treino do olhar para o fora de nós. Aí ela traz também outras coisas, ela fala sobre o fascismo e o belo ordenado. Isso eu achei assim, ah, excepcional, porque ela lembra, né, que a beleza serve ao controle, que a Susan Sontag chamou de fascinating fascism, tipo que a estética fascista ela pensa em corpos disciplinados, simetria, pureza formal, submissão coreografada a um líder.
E o Walter Benjamin fala que o fascismo opera na estetização da política, né, desfile, monumento, culto ao líder, e a beleza como instrumento se torna um poder irresistível e anestesia crítica. E aí ela conecta com a estética regressiva atual, a referência à branquitude, a tradição, Deus, pátria e família, a nostalgia a um passado ideal que nunca existiu, fala sobre a retropia de Bauman, Enfim, e aí ela termina o episódio, gente, ela é muito cabeçuda.
Eu recomendo vocês escutarem e explodirem a mente. Ela faz uma conexão com Idiota, basicamente meu livro preferido. Ela fala que o Dostoiévski— Carol, quer comentar alguma coisa?
É que eu tô chocada com essas conexões todas. Não acredito que ela termina com Idiota. Aí é o puro suco da Salva, é o puro suco da Salva.
Eu Eu ficava assim, ah, meu Deus, quanto prazer! É muito prazer mesmo. Ela fala que o Dostoiévski inspirou grande parte do episódio dela pela ideia de que a beleza salvará o mundo, né? Mas ela avisa que no romance isso é uma palavra de ordem otimista, tipo assim, é quase irônico, né? E aí tem uma questão que eu fiquei pensando, que a cena, uma das cenas fundadoras do do livro, o Príncipe Mitkin se encanta pela Anastácia Filipovna antes de conhecer ela, através de uma foto, quando ele tá no trem, né, que ele contempla a luz da janela e beija.
Tipo assim, o romance de— é muito antigo, né, de 1869, ele já era sobre se apaixonar por uma imagem. E aí, tipo assim, tem outras coisas no livro que também falam sobre a beleza, né, tipo que a beleza dela insuportável, ela não é uma coisa celestial. É um— eu acho que é uma das coisas que eu mais gosto no livro, na verdade, porque não é o belo como— é o belo como uma coisa assustadora até, né? É um altivez sem fim, desprezo, quase ódio.
Não tem nada de simplório. Ele fala: estranha a beleza, né? É tipo, a beleza é um enigma. Ele não julga a beleza da Anastácia, ele passa o romance inteiro tentando decifrar aquela personagem. Enfim, ela faz mil conexões sobre a beleza e eu, meu, eu fiquei brisando sobre o livro do Dostoiévski e o quanto tem a ver com o belo, né? E aí ela fala sobre como a beleza salva, que tem a ver com tudo que a gente tá falando aqui, basicamente.
O final do episódio, ela é uma lista em primeira pessoa, quase um mantra, né? Tipo, ela fala assim: ai, a mim me salvou o rock and roll a vida inteira, os solos de guitarra do Neil Young, me salvam. A insurgência da contracultura me salva. Me salva olhar as árvores em Cartagena. Me salva ver um documentário da Susan Sontag. E a definição final, né: embelezar é prestar atenção no que está quebrado, é sair de nós mesmos, olhar o outro e cuidar dele.
Então, tipo, eu achei muito, muito maravilhoso, muito belíssimo ela terminar o episódio dessa forma, falando tudo que salva a beleza não salva sozinha. E faz toda a conexão com todo o nosso trabalho, basicamente. É isso, eu recomendo vocês escutarem esse episódio.
E principalmente a beleza, é sair da beleza do que foi imposto como beleza, né? Que eu acho que é isso que também ela fala, é você olhar e enxergar, e enxergar as belezas, né? Porque quando ela fala do fascismo e tal, é tudo muito padronizado, né? A beleza é isso aqui. E no contraponto de uma sociedade mais democrática, a beleza é muita coisa, né? A beleza pode ser as árvores de Cartagena, podem ser os solos de guitarra, enfim.
É você enxergar essas belezas todas para além do padrão, né? Para além do que foi dito, que eu acho que talvez só isso que salve, né? Você, quando você conseguir sair do que alguém falou para você que é belo, é quando você conseguir enxergar com seus próprios olhos e achar beleza em outras coisas. E aí eu acho que a arte é fundamental para poder abrir essas janelas, né, da nossa visão.
Nossa, eu amei esse episódio, amei, amei essa sua indicação do podcast. Como é?
Mulher Incômoda.
Mulher Incômoda.
Ai, obrigada por resumir aqui para gente, sério, muito obrigada. Isso é um presente de Natal.
Não, é muito mais complexo do que isso. Eu tentei fazer um resumo, mas é porque ela cita muitos autores, ela não tipo tira do para falar, entendeu? E ela discorre, a estrutura de pensamento dela é muito interessante. E é isso que ela tenta fazer, tipo, ela começa com exemplos belos mais palpáveis e depois ela vai encontrando a beleza em outras coisas, né? E daí também ela fala sobre beleza em contextos que a gente não pensa, como na questão do fascismo, etc., mas ela termina dizendo o quanto é importante também ter beleza e como não necessariamente é uma— ser uma coisa estética não necessariamente não quer dizer que seja, que tenha pensamento, né?
Tipo assim, não são ideias opostas, elas são ideias que podem ser complementares. Enfim. Muito bom. Bom, terminando então o episódio, vamos para as ressalvas. Eu não tenho mais nenhuma ressalva, porque afinal eu falei, para um cacete, ninguém aguenta mais, chega. Não tenho mais, não tenho, sério. Essa semana eu não tenho ressalva. Meninas, vocês têm ressalvas?
Eu não tenho nenhuma.
Nem eu. Sem ressalvas ainda, gente. Sem ressalvas. Eu leio livros da Todavia, eu assisto a filmes na MUBI, não tem como ter ressalva. Brincadeira, mas eu não—
brincadeira, mas é sério, não tem. Então, olha só que sorte, não temos ressalvas essa semana, nada para reclamar ou para falar assim, ah, é meio menos. Enfim, mas amei esse episódio e eu adoro que às vezes acontece um alinhamento astral que a pessoa que é convidada não sabe, a gente não sabe as dicas uma da outra, enfim. E a conversa parece que ela tem uma teia e faz sentido. Eu acho que as coisas que a gente falou tem muita conexão, funcionou super bem, adorei, amei.
Total sinergia, salvo, beleza.
A primeira dica de Lina tem tudo a ver com a última dica de Naná, tipo assim, fechou bonito, que laço de fita.
Lindo, muito bom, adoramos. Temos episódio. Queria te agradecer, Lina, pelo teu tempo.
Eu que agradeço, meninas. Adorei, amei falar com vocês.
Encontramos uma nova amiga, viu, Carol? Ó, Lina, viu?
Ai, pelo amor de Deus, Lina, Lina, adorei! Que prazer, que conversa boa, que delícia, muito bom!
Aliás, sigam a Lina no Instagram, @quintella, com dois L's. Linda! É isso, gente. Então, tchau! O roteiro desse podcast é da Nastácia de Ávila. A edição é do Nick Silva e da Caroline Holder. O intérprete e compositor da nossa trilha é o Eduardo Arndt. Até a próxima!
KTO
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