Episódios de salvei

EP 78 LETÍCIA ZAMBON | O ENIGMA ORIDES, ATLANTA, THE DESIRE QUESTION e mais

23 de julho de 20261h8min
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a nossa conversa é dividida em 3 blocos: o que estamos lendo, vendo e ouvindo. tudo isso com um convidado ilustre. recebemos Letícia Zambon, fotógrafa e pesquisadora audiovisual. clube de leitura GREAT BOOKS GREAT TITS e compre a camiseta do clube aqui.

pra salvar

extras: O DESERTO DOS TÁRTAROS, de Dino Buzzati; MINIGUIA: Rio de Janeiro.

assista o novo filme de Carla Camurati, RAÍZES DO SAGRADO FEMININO no streaming AQUARIUS.

extras: ep 1 do salvei; THE SWARM (série).

extras: episódio 71 do salvei; DTF ST LOUIS (série).

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Participantes neste episódio2
N

Nastacha de Avila

Host
L

Letícia Zambon

ConvidadoFotógrafa e pesquisadora audiovisual
Assuntos15
  • Euphoria e sua divulgaçãoPotencial desperdiçado e roteiro fraco · Sam Levinson · Representação de trabalhadoras sexuais · Petra Collins · Zendaya
  • Série AtlantaVivência negra nos Estados Unidos · Donald Glover · Crítica social e humor ácido · Retrato honesto e perturbador
  • Série GirlsLena Dunham e a voz de uma geração · Representação da mulher com nuances · Humanidade e vulnerabilidade feminina · Autocuidado e autoconhecimento
  • A impossibilidade de nomear o desejoRPG de Várzea · Desejar ou ser desejada · Pesquisa sobre desejo e erotismo · Anne Carson
  • Clube de Leitura Great Books Great TitsFormação e proposta do clube · Letícia Zambon · Mulheres e desejo · Intelectualidade e sensualidade
  • Filme BugôniaCrítica social e teorias da conspiração · Sono e Descanso · Jesse Plemons · Emma Stone · Crítica à vida robotizada
  • Samuel Beckett· CulturaSamuel Beckett · Samuel Beckett · Regar e esperar · Existencialismo no pós-guerra
  • Filme: Amarga NavidadPedro Almodóvar · Metalinguagem e autoficção · Crítica à falta de desenvolvimento · Necessidade de renovação criativa
  • Festa de Abrição do Seu EstreloImportância cultural da festa junina no Brasil · Saída de Bolsonaro da UTI · Homenagem aos 80 anos de Alceu Valença · Música de São João
  • Orides Fontella· CulturaBiografia de Orides Fontella · Orides Fontella · Poesia e vida em São Paulo
  • Série Juntas e SeparadasTerror psicológico comédia · Donald Glover · Fã obcecada e complexidade feminina negra · Billie Eilish
  • Viagens e PerrenguesRecomendações de viagem e cultura · Mini guia do Rio de Janeiro da Salvo · Valorização de cidades brasileiras
  • Produção de PodcastsEntrevista com Peter Sarsgaard · Série DTF St. Louis · Construção de personagem no audiovisual · Histórias de bastidores do cinema
  • Sagrado femininoInvestigação sobre o lugar da mulher nas religiões · Carla Camurati · Streaming Aquarius
  • Série Meu Querido ZeladorRecomendação de Amanda · Disponível na Disney Plus
Transcrição124 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
NDNastacha de Avila

Olá, este é o Salvei, o podcast de cultura da Salvo, com basicamente tudo pronto para você salvar.

LZLetícia Zambon

A gente lê muitas mulheres que falam sobre desejo, amor, Eros, Anne Carson, enfim.

?Voz C

E ele fez essa peça que quebrou assim até com a estética, eram dois homens, uma árvore no palco.

NDNastacha de Avila

Antes de começar, deixa eu te contar uma coisa importante: o Salvei faz parte da Salvo, uma plataforma de descobertas que explora literatura, cinema, arte e mais. Por aqui a gente transforma essas descobertas em vários formatos: podcast, newsletter, clube de leitura, eventos e cursos. Para que tudo isso continue existindo de forma independente, a gente conta com você. Quem apoia a Salve de forma recorrente ganha alguns mimos, mas mais do que isso, passa a fazer parte mais de perto desse universo.

A partir de R$25 por mês, você recebe a nossa tote bag azul, Associação das Conversas Interessantes, tem prioridade no Caixa Alta, nosso programa de incentivo de leitura com chance de ganhar um livro por mês e ainda acessa benefícios e surpresas ao longo do caminho. Você pode apoiar pelo Catarse, via Pix recorrente ou PayPal. Todos os links estão em salvaoconteudo.com.br. Ah, tem outras formas de apoiar também: indicando o Salvei para alguém, mandando sugestões de pauta, avaliando o podcast aqui no Estocador e comprando pela nossa lojinha da Amazon.

Tem uma curadoria incrível de livros e outros achados por lá. Pelo nosso link você apoia Salvo sem gastar nada mais por isso. Se qualquer um dos nossos produtos fez você pensar, descobrir ou anotar alguma coisa, considere apoiar. É isso que garante que essas conversas continuem acontecendo. Agora sim, bora pro episódio! Olá, começando mais um episódio e hoje temos aqui uma mulher ilustre. A Letícia Zambon atua como fotógrafa e pesquisadora audiovisual.

O trabalho dela transita entre imagem, pesquisa e narrativas sensíveis. Sempre atravessadas por um olhar atento às mulheres. É aí que tá. Há cerca de um ano, ela fundou o Great Books, Great Tits. Exatamente isso que você ouviu. Um clube de leitura que, à luz baixa, ele vem se transformando em um coletivo de narrativas femininas. E que em breve também se expande para um clube de cinema. Então, eu conheci Letícia por conta de uma amiga em comum, que é a Bia.

E eu vi que ela tava participando do clube. Aí eu vi que Great Books, Great Tits é uma camiseta que está pelo Instagram. Eu falei, deixa eu ver o que que é isso. E aí conheci o trabalho da Letícia, adorei, achei muito, muito massa. Quero até que ela fale um pouco sobre isso, mas primeiro, seja bem-vinda!

LZLetícia Zambon

Oi, gente, muito obrigada! Tô muito feliz, tô muito animada de estar aqui. Eu sempre fico emocionada ouvindo sobre o Great Books sendo falado na voz de outras pessoas, me deixa sempre muito emotiva. Então, prazer estar aqui, tô muito animada para a gente trocar um pouco sobre esse projeto, sobre mulheres, sobre cultura. Eu gosto muito do trabalho da Salvo, então tô bem empolgada.

NDNastacha de Avila

Muito bom. Antes de eu te perguntar o que que tu tá lendo, eu queria só que tu contasse um pouquinho como é que é esse clube, como que é essa camiseta.

LZLetícia Zambon

Eu falo que antes de tudo na minha vida eu fui leitora, eu sempre gostei muito de ler desde criança. Enfim, eu mudei para São Paulo fazem 5 anos esse ano e eu queria muito achar um ambiente de troca com outras mulheres, assim. Eu sentia muita falta disso, de ter esse ambiente que eu pudesse ter troca com pessoas que fossem fora da minha bolha, enfim, ter esse momento assim. E os clubes que eu achava, as coisas que eu achava, ou eram online ou era uma coisa um pouco super acadêmica, sabe, um pouco mais na livraria, que eu amo também, participei de vários, mas eu sentia falta às vezes de ter uma troca um pouco mais intimista com as pessoas, assim.

Aí eu abri no ano passado, bem no início do ano, uma enquete no meu Instagram perguntando se tinham mulheres interessadas em ter uma troca literária. Algumas meninas responderam. Eu na época frequentava muito uma livraria aqui do centro de São Paulo, que é a Ponta de Lança. Sou apaixonada por eles ainda. Comecei a ir lá, lá tinha vinhozinho, e aí a gente começou os encontros lá. E aí foi ficando um pouquinho pequeno, o clube foi aumentando, aí a gente passou para um ateliê de uma amiga que ele não tinha muita luz.

A luz baixa veio um pouco disso, assim, porque era um ateliê que à noite ficava bem escuro. E aí a gente começou a ligar os abajures e o clube rolava meio com todas sentadas ao chão. A gente foi entendendo que existia esse conceito da luz baixa e que ele foi virando algo que eu queria implementar intencionalmente quase no clube, assim, porque eu descobri que uma coisa de ter a luz baixa E de muitas vezes ter o vinho ou o drink que a gente tem, ele dá uma acolhida nas meninas e uma coisa de todo mundo sentar e sentir que tá numa roda de conversa mesmo entre amigas, que foi o que virou.

Hoje em dia a gente faz num bar aqui em São Paulo, que é o nosso bar fixo, que a gente fecha o bar para fazer. Virou uma grande mesa, da última vez agora com 60 mulheres, que foi agora no último que a gente teve, e que a gente senta para discutir sobre literatura, sobre a experiência de ser uma mulher juntas ali sobre vulnerabilidades e bebendo sempre um bom drinkinho e tendo esse lugar meio de quase ser um date, sabe? Assim, com 60 mulheres diferentes.

E é assim que o clube surgiu. E no meio disso eu fiz a camiseta Great Books Great Tits, que foi uma ideia que tava na minha cabeça de fazer uma camiseta pra usar um dia pra mim. E aí as meninas amaram quando viram, eu postei no Instagram e de repente A camiseta também virou algo, virou o nosso merch oficial, que a gente chama, e acabou virando o nome do clube também, que eu acho que conversa muito comigo, que é um pouco esse lugar de— eu sempre achei que a intelectualidade e você se sentir uma gata não deveriam andar separadas.

Então acho que Great Books Great Hits nasceu um pouco disso, assim, de misturar um pouco de sensualidade com o intelecto em algum lugar. E é divertido, assim, eu acho que a coisa que eu mais queria que o clube fosse em algum lugar é divertido, e ele é. E eu acho que isso é muito importante para mim.

NDNastacha de Avila

Sim, eu acho que é sexy ser inteligente, não é mesmo?

LZLetícia Zambon

É muito sexy ser inteligente. As mulheres mais sexys que eu conheci são inteligentíssimas.

NDNastacha de Avila

E enfim, bom, vamos aproveitar então e te perguntar o que que tu tá lendo.

LZLetícia Zambon

Eu tô lendo no momento O Enigma Orides, do Gustavo de Castro, que é o livro que é a biografia da Orides Fontella, que é homenageada da Flip esse ano. E porque eu comecei a Leteia, que é o livro de poemas dela, também tô lendo, tô em paralelo com os dois, e Rosácea. E enfim, eu adoro poesia e eu gostei muito da Orides. Eu conhecia muito pouco dela, acabei descobrindo mais pela Flip, e aí agora eu tô lendo O Enigma Orides. Que conta um pouquinho da vida dela aqui em São Paulo também, que ela viveu em São Paulo.

Vai explicando toda a história dela, toda a biografia dela, mas a coisa que me fascina muito é porque, enfim, eu faço 5 anos em São Paulo esse ano, né? Eu tô numa coisa no último ano de ler muitas mulheres que viveram em São Paulo, assim, porque eu sempre amei muito biografias. E aí eu tive muito a minha fase Pérez Smith da vida, de ler Chelsea Girls também, e aí leio Bebel Books e Joan Didion. E aí eu falei, cara, por que que eu tô fazendo isso de só explorar uma cidade que não é nem a minha, que não é nem onde eu tô morando, que não é— enfim.

E aí eu li a biografia da Lígia Fagundes Telles ano passado, fiquei muito obcecada porque a rua dela é muito perto da rua que eu moro, a rua que ela cresceu. E aí eu ficava passando na rua dela E aí, e o da Riche também, fiquei obcecada no passado. E aí, biografia, li o Fico Louca, Fico Besta Quando Me Entendem, que é o livro de entrevistas dela. E aí agora o que eu acho que tem diferente do Orydes é isso, para mim, no lugar pessoal, é poder ler uma mulher que andou e viveu também pelas ruas de São Paulo e poder me ver um pouco nisso, sabe?

Passar pelas ruas e falar, meu Deus, essa mulher passou aqui e tava aqui, foi isso. E Ela conseguiu escrever poesia no meio desse concreto todo. Então acho que eu também consigo, assim. Acho que é um pouco esse lugar.

NDNastacha de Avila

Muito bem. E tu, Carol, o que que tu tá lendo?

?Voz C

Cara, eu tô assim com quentinho no coração da Quatro Cinco Um de junho. Fazia muito tempo que eu não ia na livraria, comprava uma revista, pegava um café e lia assim, sabe? Fazia muito tempo que eu não fazia isso. Agora eu tô morando muito pertinho da Travessa, então fui lá e fiz esse roteiro que me deixa muito feliz, que, sei lá, quebra a rotina do dia de um jeito que pra mim é mágico. E tô muito apegada a essa revista, mas eu quero trazer hoje uma matéria específica que é o Espelho de Beckett.

Samuel Beckett, que é um irlandês, pupilo do James Joyce, né, ele tem uma peça muito, muito famosa. Eu sou apaixonada por teatro. Que é Esperando Godot, que foi num pós-guerra assim, né, numa Europa muito castigada dessa— desse conflito. E ele fez essa peça que quebrou assim até com a estética. Eram dois homens e uma árvore no palco, e era isso. E era esperando uma coisa que não chegava nunca, né. Fala muito sobre existencialismo, sobre o que tá por vir e pode ser nada.

Porque imagina uma sociedade que tava nesse pós-guerra descrente, né. Eu lembrei muito de um filme que a gente viu, A Mulher Alta, que é muito impactante, que também se passa no pós-guerra, né? E é isso, uma sociedade quebrada, né, destruída de sentimento, de esperança. E essa peça, Esperando Godot, é muito, foi muito nesse momento. Então é a matéria da Quatro Cinco Um, como esse ano seriam 120 anos, né, comemora 120 anos do nascimento de Samuel Beckett.

Que nascia numa sexta-feira 13, ele conta aqui na matéria como então são 120 anos do nascimento dele. A matéria é sobre ele, esse homem que escreveu essa peça interessantíssima, né, que passa aí décadas e décadas e já foi remontada inúmeras vezes. É tipo assim um marco do teatro. Eu amo teatro, já fiz teatro quando era mais nova, adoro imaginar quem foi que criou aquilo. Porque quando você escreve para o teatro, você não tá simplesmente escrevendo um texto, você tá dando vida a personagens mesmo, assim, fisicamente falando.

Porque quando você escreve um livro, cada pessoa que tá lendo vai criando em si esse imaginário, né, de quem é essa pessoa, de quem é essa personagem. Quando você escreve para o teatro, roteiro de teatro, você está descrevendo como essa pessoa é realmente, assim, você tá dando vida para aquela criação literária. Então eu me pega muito assim, como é que Beckett criou aqueles personagens, enfim. Então essa matéria coloca você um pouco dentro da vida do Samuel Beckett para você entender quem é esse cara, né, das fontes que ele bebeu, onde ele cresceu, em que momento, né, como é que foi ali a vida dele, a família dele.

Então tá muito, muito boa essa matéria, O Espelho de Beckett. E principalmente eu gostei de lembrar dessa peça, Esperando Godot, que é um marco do existencialismo, assim, é sobre tudo e é sobre nada, sabe? Então achei que tá assim muito, muito redonda, que vale a pena. Quem escreveu foi o Mateus Senati e tá assim, ó, um primor.

NDNastacha de Avila

Me lembrou um livro que a gente leu para o clube que eu adorei, mas ele é muito polêmico, porque nada acontece, mas para mim tudo acontece, que é O Deserto dos Tártaros. O personagem passa o livro inteiro esperando os tártaros chegarem no Forte Bastiani. Fiz uma associação com o Esperando Godot, não sei se tem a ver, porque nunca li o Beckett.

?Voz C

Pois é, Esperando Godot já foi montado várias vezes, né, no mundo inteiro. Aqui no Brasil também já foi, até na matéria ele fala sobre, sobre uma montagem Teve o Nanini, já encenou, já teve uma versão brasileira, né? Enfim, mas eu acho que eu queria muito ver de novo, fiquei com muita vontade de que ela fosse montada de novo aqui no Brasil para que a gente tivesse essa oportunidade de ver de novo, acho que com os nossos olhos de hoje. Enfim, queria demais. E você, Naná, o que que você tá lendo?

NDNastacha de Avila

Então vou trazer uma coisa meio diferente. Descobri recentemente que não só no app da Zara, mas no site da Zara, agora temos guias de viagem. Tem conteúdo também em português, dá para acessar. Não é só porque geralmente quando tem essas coisas só está em inglês, né? Os guias estão em português, tem guias de tipo vários países como Brasil, México, Áustria, Espanha, Japão, França, enfim, mas tem cidades específicas dentro destes países.

Do Brasil tem duas cidades, Rio de Janeiro e São Paulo. Do Brasil eu só vi o guia do Rio e eu achei interessante os lugares que estão indicados lá. Fora que o design deste guia de viagem tá muito maravilhoso. É mais, eu acho que é uma novidade até do posicionamento da Zara trazer um outro universo de marca que não é simplesmente o vestuário e fast fashion, né? Tipo, que ambiente as pessoas estão conectadas. E pessoas descoladas gostam de ler livros, viajar, né?

Fazer outras coisas, conhecer lugares novos. Então achei muito incrível que eles tiveram esse nessa ideia. E aí eu vou aproveitar, fazer um jabá pra própria Salvo, porque lançamos nesse mês, em junho, que a gente tá gravando, a gente lançou um mini guia do Rio de Janeiro. Por quê? Porque temos vários mini guias dentro do Substack da Salvo de outras cidades do mundo e tal, mas assim, por que não valorizar justamente o que a Letícia tava falando, né?

Por que ficar pagando pau para cidades estrangeiras quando a gente pode falar de cidades maravilhosas que vivemos ou conhecemos.

LZLetícia Zambon

Eu acho muito isso assim. São Paulo é— eu sou carioca, tá, gente? Eu sou a pior carioca do mundo, talvez, porque eu amo Rio de Janeiro mais que tudo. Mas é porque eu falo que São Paulo foi meu grande primeiro amor adulto, né? Eu mudei para cá, eu tinha 20 anos sozinha, bem para o centro assim, Caetano, aquela coisa, sabe? Avenida São João assim, foi isso, primeiro endereço. Então acho que esse lugar de você se apaixonar por uma cidade que tá aos seus pés, sabe?

Você flanar por ela e você descobrir, aí você ficar completamente maravilhada por aquilo e ficar pensando, cara, quem são as pessoas que passaram aqui? Ou enfim, só ficar como os flanantes, só ficar parada olhando e um milhão de coisas vão acontecer. Acho que tem muito disso. E é isso, às vezes a gente fica, esquece da nossa própria cidade, esquece de tudo que ela tem para oferecer para a gente.

NDNastacha de Avila

Pois é, esse guia foi feito às vezes mais para quem mora aqui e pode usufruir dos lugares e conhecer uns lugares novos e experimentar do que necessariamente para quem vai viajar. É óbvio que ele funciona para quem vai viajar, né? Mas eu digo, o próprio morador da cidade pode curtir. Então a gente fez esse mini guia do Rio de Janeiro, ele tá bem, bem recheado, tá? E a gente fez uma pequena série de Reels, a gente fez 3 vídeos visitando alguns desses lugares que estão no guia e tá no nosso feed, na Salve, bem, bem legal.

LZLetícia Zambon

Farei isso, eu vou para o Rio esse final de semana, já vou ver então o guia da Salve.

NDNastacha de Avila

É isso, gente. Então dose dupla de dicas, guias de viagem da Zara. E os guias da Salvo em geral no Substack, mas especificamente ou especialmente este guia recente do Rio de Janeiro. Em breve a gente vai fazer mais uma cidade brasileira, porque tem uma ouvinte nossa que se candidatou para fazer. Não vou dar spoiler qual é, mas enfim, ela já me mandou a lista dos lugares descolados que ela vai. Eu falei, nossa, incrível! E ela vai fazer esse, ela vai fazer um vídeo, gravar esse vídeo e tal e mandar para a Salva.

A gente vai editar e vai publicar. Então você aí que tá nos ouvindo pode fazer um guia de viagem de Porto Alegre, UOL, ou não sei, Curitiba. Enfim, envie para gente.

?Voz C

Olha só, e mas nesse guia da Zara, ela tipo assim tem uns lookinhos assim bonitos ou não? É só lugar mesmo?

NDNastacha de Avila

Não, é só lugar mesmo. Eles vêm com um papo que tu pode enviar o enviar os looks pros hotéis que eles indicam e tal.

?Voz C

Tipo, tu compra aqui, tu manda lá.

LZLetícia Zambon

Ah, entendi.

?Voz C

Você compra e manda entregar lá, isso?

NDNastacha de Avila

É, mas assim, eu acho que eles estão pensando em lugares, cidades evidentemente que tem loja da Zara, né? Tipo, é óbvio. Então tu pode consumir no lugar.

?Voz C

Nos lugares.

NDNastacha de Avila

Mas eu já achei um pouquinho avançado, sabe? Tipo, geralmente uma fast fashion não necessariamente vai trabalhar com cultura, ou enfim, ir para outros territórios que estão ao redor de quem gosta de moda, entendeu? Enfim, show.

?Voz D

Deixa eu te fazer uma pergunta que não sai da minha cabeça: quantas vezes você, mulher, já teve sua frase cortada por um homem? Agora imagina isso na escala do sagrado. É essa provocação de Raízes do Sagrado Feminino, novo documentário da Carla Camurati, roteirista, produtora cultural e cineasta que dirigiu clássicos do cinema brasileiro como Carlota Joaquina e Copacabana. Em Raízes do Sagrado Feminino, Carla atravessa as 5 maiores religiões do mundo, do hinduísmo ao islamismo, para investigar como textos escritos por homens há milhares de anos ainda definem o lugar da mulher hoje.

Tem entrevista com Maud Jacobi, Newton Mary Del Priore e Yvonne Gebhardt. Tem história, tem mito e tem uma frase que resume tudo: nós não fomos silenciosas, nós fomos silenciadas. E o mais interessante, não é um filme contra a fé, é um filme sobre quem conta a história e quem foi deixada de fora dela. Raízes do Sagrado Feminino estreia dia 24 de julho no streaming Aquarius. O link tá na descrição desse episódio.

NDNastacha de Avila

Vamos para o próximo bloco, o que estamos vendo? E aí eu vou perguntar para Letícia primeiro. Letícia, o que que tu tá vendo?

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NDNastacha de Avila

Ah, eu passei por essa ano passado.

LZLetícia Zambon

Sei lá, pela terceira vez, assim, eu faço... Quando esse podcast sair, eu já vou ter 26 anos. Mas eu tô nesse mês, eu faço 26 anos, gente. E eu acho que não existe série melhor pra uma mulher em formação nos seus 20 anos do que Girls, assim. E enfim, eu também tô lendo Same, Sick ao mesmo tempo. Então tá sendo, tipo, overdose de Lena Dunham, assim, na minha cabeça. Vendo todas as entrevistas dela, falando, cara, como pode? A voice of a generation mesmo.

Ela falou no primeiro episódio, né, que ela vai ser a voz de uma geração. E ela realmente foi. É uma loucura, assim. Eu fico— E eu acho que tem uma coisa de Girls, assim, pra mim, que é isso. Todas elas são maravilhosas e detestáveis ao mesmo tempo, em vários lugares. E eu amo essa liberdade de poder ser uma mulher com nuances. Que eu acho que pra época que ela lançou isso, enfim, a gente tinha muito pouco ainda da narrativa da mulher com nuances, né?

Não é maniqueísta, tá? Você não é boa ou má, você pode ser os dois, você tá ali no meio, você é um ser humano, você erra, você tá tentando, às vezes você vai se meter numas relações meio capengas, às vezes você vai ser a pessoa meio capenga na relação também, fazer algumas coisas que você não gosta tanto, às vezes você vai ser uma ótima amiga, às vezes você não vai ser uma boa amiga, e aceitar a sua humanidade assim, esse lugar assim, eu acho meio maravilhoso isso nela assim, e pensar que ela fez isso tão jovem, enfim, é muito vulnerável assim, é muito, eu sempre sinto que é um grande abraço, sabe, da série.

Pra mim é um, é talvez a minha série conforto da vida, então tô revendo, acho que enfim, é uma ótima série pra mim, pra mulheres em qualquer fase. Que estão se formando ou se redescobrindo. E é muito lindo você ver Girls e ver agora ela mais velha falando com tanta honestidade sobre a versão dela mais jovem, de como ela tava fazendo aquilo. E é de uma coragem muito grande como ela tá se expondo. E tem um lugar que eu acho muito bonito de tudo, que ela não Porque às vezes a gente vê, tipo, a gente passa por fases e fala assim, ai, mas eu não sabia nada naquela época.

E quase olhando com um lugar de desdém para aquela menina mais nova que você já foi. E o lugar que ela fala é muito bonito, de, enfim, óbvio que ela fala que ela sabia menos do que ela sabe agora, porque essa é a magia da gente envelhecer, né, e se formar. Mas ela fala num lugar muito, poxa, mas eu sou muito grata a ela porque ela foi muito corajosa em muitos lugares, e ela tava fazendo muita coisa boa ela tava tentando assim.

E acho que a gente aprendeu a olhar com carinho para todas as nossas fases. Acho que esse é isso que Girls tá trazendo para mim em 2026.

?Voz C

Cara, essa série é muito, muito boa. Engraçado que eu assisti há muito tempo, né? E eu lembro que quando eu assisti eu era bem nova e pensei assim, nossa, mas que absurdo que os pais dela vão parar de ajudar ela, como assim, né? Acho que a primeira Primeiro capítulo, assim, a primeira cena, os pais falam: olha só, a partir de agora, gata, se vira aí, parou mesada, vai trabalhar e vai se virar, que aqui, ó, fonte secou, não vamos mais te ajudar com esse dinheirinho.

E aí ela, quando ela começa a ter que se virar e trabalhar, e aí eu na época pensei: meu Deus, que absurdo! E hoje que eu sou mãe, eu falo: que coisa maravilhosa! O meu filho mais velho tem 4 anos, já tô esperando aqui quando é que eu vou dizer: ei, amigo, Acabou, acabou, vai se virar. Porque eu acho que isso é tão incrível, porque eu fico pensando na minha própria vida, de quando eu mesma tive que me virar, porque a vida impôs a mim que eu me virasse, e como foi incrível para mim, né, na minha maturidade, no desenrolar da minha vida.

Então é muito engraçado que quando eu revi essa cena, eu tive outro olhar assim completamente diferente assim, né, pensando, cara, como é importante assim, né, dar essa a vida empurrar, tipo assim, vai se virar, né? Chegar um momento que vai se virar. Eu acho que elas estão bem nessa fase, né, de descobrir o que elas desejam e bancar seu desejo, e bancar seu desejo, de saber que bancar o seu desejo tem coisa boa, tem coisa ruim, porque às vezes você deseja bem, às vezes deseja mal.

E é isso que você falou, né? Não é maniqueísta, né? O ser humano não é uma coisa só. E tem o chuchu do Adam Driver ali, né, novinho, que ele não imaginava que ele ia ser, que ele ia virar esse ator incrível, né?

LZLetícia Zambon

Porque eu acho ele um ator E pra mim até hoje não teve ninguém que usou ele tão bem quanto ela usa ele. E fazendo o Adam, que é um personagem que eu amo, que o nome dele é o personagem Adam também, que foi totalmente tipo coincidência, não era, não foi intencional. Eu acho que pra mim ninguém usou tão bem ele até hoje quanto ela, assim, no poder dramático dele, em tudo, enfim. Muito maravilhoso.

?Voz C

Mas até hoje eu ainda fico impressionada com como é que ela tão nova escreveu aquela série. Sério, eu ainda, eu fico muito impactada assim, muito, muito. Eu sempre que lembro eu falo, caraca, como é que pode, né? Que geniazinha!

LZLetícia Zambon

Muito bom. Uma geniazinha. E ao mesmo tempo é muito louco porque ela fala que, eu tô lendo o fanfic agora, né, gente, já dando spoiler, mas é porque eu tô muito obcecada, Renascença, Helena Dunham aí que tá rolando, tô amando muito. Mas ela fala muito sobre como, enfim, algumas coisas ela tava podendo só experimentar por meio da atuação, por meio na série. Ela tava escrevendo para ela fazer, porque enfim, como ela tava muito nova, muitas coisas da juventude dela ela viveu por meio da série, interpretando só, porque ela tava num lugar de tipo sendo uma showrunner aos 24 anos de idade.

Então ela não tava fazendo muita coisa que a Hannah em si, a personagem dela, tava fazendo. Então ela descobriu muitas coisas por meio da personagem dela. Então acho que é uma coisa muito louca de pensar esse processo da atuação também, dela escrever e atuar, né?

NDNastacha de Avila

Muito bom. Encomendei o Femmesick, lerei. E o Gustavo, que também apresenta podcast eventualmente, já tá lendo. Pretendo que a gente faça um tratado sobre o Femmesick em breve. Assim que o livro chegar e eu puder consumi-lo e tal. Tentei comprar audiobook e não funcionou, não sei lá por que não deu certo na Audible. Então vou consumi-lo em papel mesmo, vai chegar. E tu, Carol, o que que tu tá vendo?

?Voz C

Você sabe que eu me surpreendo comigo mesma assim muito, né? Porque bugônia. Foi um filme que todo mundo assim que a minha volta criticou. I believe every company should strive to form a diverse table, to empower people of different skills and assim do Yorgos Lanthimos assim todo mundo não é muito louco porque ele é muito louco e esse e tá mais louco ainda nesse filme e tal eu não vi críticas boas assim das pessoas que eu conheço das pessoas até que eu que eu confio no crivo, né, que dão para as produções.

E mais engraçado que aí eu fui tentar e eu falei, ah, vou ver só mais, só um pouquinho, só um pouquinho. E fui vendo e fui gostando, e fui vendo e fui gostando, e fui vendo, fui gostando, adorei. Eu falei, gente, não é possível! É igual aquele Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, né, que muita gente criticou e eu adorei o filme. Então Bugona eu também amei. Tá na Prime Video, tá disponível agora no streaming. Cara, eu achei sensacional.

Ele foi me pegando, que é o seguinte: são dois caras que vivem assim no lugar mais meio afastado da cidade, assim meio completamente à margem, totalmente à margem da sociedade. E um que é o cabeça da dupla começa a ter uns pensamentos assim totalmente descolados da realidade. Aquelas pessoas que ficam consumindo teorias da conspiração e vão acreditando cada vez mais. E aí quanto mais você vê, mais você fica recebendo. Né, pelo, seja pelo YouTube, pelo Instagram, enfim, pelas redes sociais.

Quanto mais você vê, mais você vai recebendo, e você vai entrando no looping. E você, quando você vê, está totalmente descolado da realidade, numa teoria da conspiração enorme. Então esse cara tá aí. E aí o Iorgos vai descrevendo quem é esse cara que tá suscetível a isso, né? Um cara que lutou com a mãe que tava muito doente, que não conseguiu tratamento para mãe, e a mãe também tinha alguns, alguns problemas que foi passando por esse filho.

Então esse filho que foi, que foi crescendo ouvindo ali da mãe uma teoria da conspiração também. E aí o Yorgos vai montando quem é esse cara que tá completamente assim vulnerável a qualquer coisa que digam para ele, e ele vai se pegar nisso loucamente. E então acho que é muito bem construído esse personagem, você vai entendendo muito Como é que ele entrou nesse buraco negro dessa teoria louca da conspiração. E aí ele, com a ajuda de um primo, os dois vão assim tecendo essa teia e eles conseguem sequestrar a pessoa que eles acham que é responsável por todas as mazelas do mundo.

E aí vai desenrolando o filme. Eu entendi o começo e o meio, entendi super, achei massa o que ele tava trazendo pra gente assim. É, acho que falei, poxa, poxa, arrasou, Iorgos! É isso aí, aí você falou tudo, é isso aí, é que tá acontecendo mesmo na sociedade, é isso aí, show, blá. O final eu fiquei, né, Iorgos, louco, blá lá, show, blá lá. Então o final eu não consegui entender bem o que ele quis me dizer, mas o jeitinho dele, é o jeitinho dele, é o jeitinho, fale, Naná.

NDNastacha de Avila

Não, eu assim, eu tenho um pouco de restrição contra, com relação ao Yorgos. Eu gosto muito de Pobres Criaturas, eu acho assim absolutamente genial, com milhões de camadas, sensacional. Mas tem muitos filmes, eu não sou aquela pessoa que engole esse weirdness, essa coisa que não dá para entender, de tão esquisita e tal. Eu tenho uma amiga minha, Isabela, ela ama Eu também, eu tenho restrições. Aí quando me disseram um pouco sobre esse filme, eu já falei, ai não, gente, eu nunca vi, não verei isso aí, vamos que eu não tenho tempo para isso.

Então assim, não sei, não sei se um dia vou ter coragem, mas como está no Prime, tá aí disponível.

?Voz C

Então, ah, então você não viu? Não vi, não vi. Ah, cara, é, pois é, é o seguinte, como você não gostou de outros dele O Lagosta é dele, né?

NDNastacha de Avila

É, não gosto.

?Voz C

Eu amo Lagosta também, amo Lagosta, amo, amo. Então assim, se você tem essas ressalvas com ele, não sei se vai valer a pena.

NDNastacha de Avila

Tem outro que eu amo, eu amo A Favorita. Eu amo A Favorita, gente, assistam A Favorita.

?Voz C

Então eu sou apaixonada por causa do Lagosta, por causa da Favorita, por causa de Pobres Criaturas. Só um que eu até coloquei na ressalva aqui que eu não gostei, que também são com os mesmos atores, né, que ele sempre usa os mesmos atores, que eu também amo, que são só atores bons. Qual Aquele que foi que ele lançou antes, aquele logo depois, não é? Tipo várias historinhas, criaturas. É um que são várias, são 3 horas de filme, eu acho, porque são 3 histórias.

Eu fui no cinema e fiquei tipo, aí são 3 horas porque são 3 histórias diferentes. Eu odiei. Gentileza, tipo gentileza. Eu odiei.

NDNastacha de Avila

Eu também.

?Voz C

Então foi o único dele que eu não gostei. Mas Lagosta, favorita. Pobres Criaturas, é. E assim, todos eu amei, todos, todos, todos, todos. E aí eu falei, cara, já que tá no Prime aqui, tá acessível, só dá o play aqui, vou tentar. E eu adorei, sério, tanto que trouxe aqui para indicar. Não sei, Naná, se você vai gostar, porque você não gosta de todos dele. Como eu gosto de todas as loucuras dele, tipo, eu gosto da loucura dele tanto de Pobres Criaturas quanto a loucura do Lagosta quanto a loucura da Favorita, porque são loucuras diferentes, é só tipo tudo louco, mas loucuras diferentes.

E eu amei todas as loucuras dele. A única ressalva foram, foram tipo gentileza, que realmente eu não gostei, mas o restante eu amei. Então, como com essa minha vida pregressa de Yorgos, então eu acho que eu fui me aventurar e amei. Você, já que você não gostou do Lagosta e tal, não sei se vale a pena, mas eu assistiria se fosse você para tirar a prova, porque, cara, é muito interessante. O Jesse Plymouth está incrível. Eu acho que está no melhor papel da vida dele e eu acho esse cara muito bom.

Ele está incrível. Eu já o vi atuando assim em vários gêneros assim diferentes, sabe? Assim, e dessa vez foi o papel para ele. Assim, ele brilhou. Então acho que vale a pena pela atuação dele. A Emma Stone é sempre maravilhosa e segue maravilhosa e não tem nem o que falar. A mulher É ótima.

LZLetícia Zambon

E ela e o Iorgo têm uma parceria criativa muito boa, né?

?Voz C

Ela embarca, né? Ela embarca naquilo.

LZLetícia Zambon

É muito bom.

?Voz C

E tem uma coisa que pode ser spoiler, então atenção, alerta spoiler, mas que eu queria falar antes, eu queria falar é que eu acho interessante que a nossa vida tá tão mecânica, a gente tá tão assim, é muito tipo assim, acordo, passo skincare, aí tomo água, Aí dou uma corrida. Aí, sabe assim, tá tudo tão assim robotizado, sabe? A gente faz tudo tão, né, tá tudo tão lá porque tem que fazer isso, aquilo. A gente vai fazendo, fazendo, fazendo, fazendo, fazendo, que tem uma cena no filme que pode dar um alerta para você de alguma coisa e você nem percebe, porque tá tudo tão robotizado mesmo, sabe, que você nem percebeu que de repente aquilo tava estranho, sabe?

Ele dá uma diquinha assim para você, ele joga assim um Sabe, joga um confeitinho assim, você tá olhando para o celular e aí você nem viu que ele jogou esse confeitinho, sabe? Tipo isso. Então eu achei, acho que ele fez uma criticazinha ali no começo do filme que eu fiquei refletindo depois que eu assisti. Eu falei, caraca, a gente nem percebeu isso aqui porque tá tudo tão robotizado mesmo assim. É tipo assim, a yoga entra no lugar, não é mais assim, ai, vou fazer uma prática de yoga aqui, uma coisa é até de uma vibe, uma pessoa diferente, né?

Aí o yoga virou tipo assim mais uma da tudo lixo que você faz, sendo que você não tem nem nada a ver com yoga, mas você bota yoga ali no meio, sabe? Tipo, é isso, é tipo robô, é uma rotina muito ruim.

LZLetícia Zambon

Otimizar a vida como se você fosse um app que tem que atualizar o tempo inteiro e ser essa versão mais otimizada.

?Voz C

E coisas que nem tem a ver com você, sabe? Assim, nem tem a ver, mas é porque ficou na moda e porque todo mundo tá fazendo. E aí todo mundo faz, então você vai fazer também. E quando você vai estar fazendo e nem é a sua praia, mas tá fazendo, sabe? Assim, essas coisas que viraram assim, que era para relaxar, que, né, que seria um momento ali, mas entra no seu, tá, tá, tá, tá, tá, né, na sua rotina. Então achei que ele deu uma pitadinha disso e eu achei legal.

Peraí, peraí, eu só queria falar uma besteirinha rápida, que na verdade o que eu queria indicar aqui também, além de bugônia, é Meu Querido Zelador. Gente, já foi falado aqui N vezes. A Amanda, que foi nossa convidada, falou, ela leva a bandeira.

NDNastacha de Avila

No episódio de abertura, piloto do Salvei, ela fala sobre Meu Querido Zelador.

?Voz C

Ela faz um tratado, ela levanta a bandeira desse seriado e tal e tal e tal e tal. E aí eu comecei a ver, eu tinha começado a ver lá atrás, mas não engatei. Aí tô revendo agora. Gente, é muito bom. Então só queria assim lembrar que quem quiser ouvir o episódio com Amanda, né, que foi o primeiro do Salvei, tá aí. E se você só quiser dar o play, dá o play, porque, cara, tá na Disney e é muito bom, é muito bom. Eu só queria—

LZLetícia Zambon

a Disney Plus—

?Voz C

eu só queria deixar esse adendo aí para vocês. E você, Naná, o que é que você tá vendo?

NDNastacha de Avila

Então, minha Recomendação também está na Disney Plus e na Netflix. Eu cheguei nessa nessa thread atrasada no hype. Não sei se vocês já assistiram Atlanta, a série.

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NDNastacha de Avila

Já, a Letícia já assistiu.

LZLetícia Zambon

Carol ainda não assistiu.

?Voz C

Caralho.

NDNastacha de Avila

Muito foda, estou assim chocada. Primeiro que eu acho, faria um comparativo dela agora que a Letícia tava falando de Girls. No meu universo, que eu sou uma mulher, que nos meus 24 anos eram muito parecidos com os da Lena, eu acho que ela marcou uma geração e ela consegue exemplificar muitas coisas que aconteceram comigo, enfim, com os meus amigos, eu consigo me identificar naquilo. Por isso que aquilo é tão valioso. Eu acho que Atlanta, da mesma forma, para um outro cluster, também é muito marcante.

Tipo, as piadas que ele traz no roteiro, as situações de contexto, é crítica social. É muito inteligente, é muito bom, cara. Vou explicar aqui porque pode ser que várias pessoas não tenham passado por isso, porque é uma série muito premiada, é uma série—

?Voz C

eu não tenho, eu não sei nada do que você tá falando.

NDNastacha de Avila

Vamos dar o histórico, pelo menos assim. Tem 4 temporadas, foi concluída em 2022, é uma série mais antiga, acho que começou 2016, se eu não me engano. Teve no total 26 indicações ao Emmy, ganhou 7 prêmios. É uma das mais originais da última década, assim, uma coisa que precisa assistir, gente. Tudo isso feito por um gênio. Então aqui, ó, comparação: Lena Dunham e o Donald Glover. Ele cria, produz, atua, dirige. Caralho, ele é muito foda!

Vamos lá, a série ela acompanha o Earn, que é um cara assim muito ferrado. Ah, peraí, peraí, a gente tem que fazer um recorte: ele é um homem negro. Então ele pega todo um contexto de— eu acho que é importante dizer isso, ele pega todo um contexto da vivência negra nos Estados Unidos. Então assim, não é simplesmente um cara sem dinheiro, sei lá, né? Tipo assim, ele tem outras camadas que estão relacionadas. Ele tem uma relação super confusa com a ex dele e tem uma filha pequenininha.

E aí ele tá meio que cansado de tudo, ele tem uns empregos meio nada a ver assim. E ele descobre que o primo dele de repente está bombando no YouTube como um rapper, um novo rapper, o Paperboy. E aí ele pensa, gente, eu vou agenciar este cara. Só que assim, o Earn, ele não é qualquer pessoa, ele é um cara muito inteligente, com humor muito esquisito, um timing muito bom. E aí ele chega pro primo dele, né, pra esse rapper, né, pro Paperboy, oferece pra ser agente.

E o primo dele fala assim, que porra, tu não sabe nada de mercado de música, de nada, né? Só que ele era uma pessoa que estudava em Princeton e não se sabe, pelo menos até onde eu estou no início da primeira temporada, não se sabe o motivo que fez ele largar. E ele não fala sobre isso, as pessoas perguntam e ele tipo assim não responde. Então ele é super, super maravilhoso, inteligente. E aí tipo assim, O Paperboy tem ali um envolvimento com tráfico de drogas, uma vivência muito confusa, todo mundo tá sem dinheiro, todo mundo tá batalhando pra resolver, pra viver a vida.

E assim, a série, eu acho que na superfície ela pode ser vista como uma série de comédia, tem um monte de situações absurdas. Tem um episódio que eu até gostaria de descrever. Que aparentemente ele não tem pé nem cabeça, mas ele, cara, é muito bom. O roteiro desse, do Donald Glover, é inacreditável. Ele é sinistro. Então assim, tem situações muito inesperadas, mas eu acho que o que ele realmente quer fazer é criar um retrato honesto e talvez assim perturbador, perturbador, porque mostra, por exemplo, ele, o Earn, que é o personagem principal, em determinado momento ele foi preso porque ele tava num, sei lá, junto com o primo dele que fez uma bobagem.

E aí, tipo, ele fica numa fila de espera pra entrar na cela. E aí ele fica horas, o episódio é aquilo, ele horas pra ser catalogado, pra entrar na, ser preso, né, pra cela. E aí, tipo, tem várias pessoas naquela fila de espera, parece uma fila de espera de hospital assim. E aí tem uma pessoa que é tipo como se fosse um, sei lá, um paciente psiquiátrico mesmo, sabe? O cara toda semana é preso. Porque, tipo assim, ele precisa de ajuda psíquica, né?

E ele é tratado de um jeito completamente animalesco, assim. Então, é muito perturbador o que o Donald Glover retrata, né? Enfim, esse retrato, tipo, do que é ser negro nos Estados Unidos hoje, sabe? Não tem um tom muito fixo, tipo... Os episódios, eles têm drama, mas tem uma comédia muito absurda. Eu não sei, eu não sei nem descrever como é inteligente, como é foda. Então é uma série que eu acho que super recomendada. Ah, tem um detalhe muito bom, os episódios são curtos, eles têm tipo 20 minutos, sei lá, 25 minutos, 30.

Então tipo, tu tá vendo um, dá, puta merda, não sei o quê, daqui a pouco começa outro. Mas assim, dá para tu encaixar antes de dormir ali, não é uma— porque hoje em dia a gente tá com, quando vai conseguir ver um filme? É melhor deixar para o final de semana, né? Tipo, e aí acaba optando pelo formato de série. Essa série ainda menor e ainda te entrega um conteúdo muito, muito incrível assim. Acho que faz sentido ela ter sido uma grande referência para muitas pessoas e eu acho que ela não é tão assistida. Então de repente pode ser uma boa dica aqui no Salvei mesmo.

LZLetícia Zambon

Eu amo muito essa série, eu amo muito Donald Glover. Eu acho ele, ele é o Childish Gambino também, para quem não sabe. Que ele é um ótimo músico também, né? Enfim, eu acho ele um gênio. E aí eu ia falar, falando desse humor ácido, uma outra indicação que é de 2023, que é Swarm dele, que ele escreveu, que é da Amazon Prime.

NDNastacha de Avila

Essa eu não conheço.

LZLetícia Zambon

É muito boa, fala sobre uma fã obcecada, é um terror meio psicológico assim, comédia.

NDNastacha de Avila

Sei que série é essa, eu não consegui assistir porque ela é meio creepy. O primeiro episódio é apavorante.

LZLetícia Zambon

Ela é bem creepy, mas ela também é escrita pelo Donald Glover. E é isso, assim, é muitas nuances, entendeu? Retratando também isso, tipo, ser uma mulher negra dentro dos Estados Unidos, muito complexo. Mas também essa personagem que é, que é isso, que vai entrando numa loucura, numa obsessão, e ele te leva a todos os espectros da humanidade. Enfim, eu acho ele gênio e Atlanta é genial.

NDNastacha de Avila

The Swarm, que é tipo o enxame, né? É uma fã, como se fosse uma fã obcecada da Beyoncé, porque fala, né, das abelhas e a Bey, né?

LZLetícia Zambon

Exato. Tem um elenco absurdo, tipo Tipo, aparece a Billie Eilish uma hora na série como uma dona de seita, assim, né? Uma loucura, assim. Eu acho que Donald Glover, ele tem isso, assim. Ele tem essa coisa de entrar e falar assim, vou fazer um humor muito maluco aqui, mas cheio de crítica social ao mesmo tempo.

?Voz C

O povo fraco gostaria de abelha, né? Porque Bugônia também tem toda uma questão com abelhas e tal.

NDNastacha de Avila

Vamos para o próximo bloco. O que estamos ouvindo, Letícia? O que que tu tá ouvindo? O que que eu tô ouvindo?

LZLetícia Zambon

Eu tô ouvindo The Desire Question, que é um podcast da Laura Frederico. Ela é uma sexóloga e psicóloga. Eu indiquei o podcast todo porque eu fiquei muito obcecada por ele. Porque ela entrevista várias mulheres artistas diferentes, várias pensadoras, escritoras. E ela começa, chama The Desire Question, porque todo início de episódio ela pergunta o que que a pessoa prefere, se é desejar ou ser desejada.

NDNastacha de Avila

Uau, que pergunta difícil!

LZLetícia Zambon

Exato, é uma pergunta muito difícil, tipo, nesse lugar. Você prefere desejar ou ser desejada? E aí as mulheres que ela entrevista respondem a partir dessa pergunta. E eu amo muito esse podcast, eu tô muito viciada, ouvindo muito, até conversando um pouco isso com do Great Books, porque o Great ele tem uma, ele entrou muito na minha pesquisa sobre desejo e sobre erótico. A gente lê muitas mulheres é que falam sobre desejo, amor, Eros, Annie Carson, enfim.

Eros eu falo que é a Bíblia do clube, que quando a gente leu Eros da Annie Carson Então, para mim, o desejo, ele é uma pauta bem latente na minha vida no último ano, uma coisa que eu tenho pensado muito. Inclusive, tatuei minha mão na última semana, desejo.

NDNastacha de Avila

Ouvintes, vocês não estão podendo ver, mas Letícia tatuou na palma da mão a palavra desejo.

LZLetícia Zambon

Um pouco obsessiva, um pouco obsessiva. Mas então eu fiquei muito obcecada pelo, por esse podcast. Assim, porque enfim, a partir desse momento, porque era uma coisa que eu nunca tinha parado para pensar exatamente, tipo, se eu preferia desejar ou ser desejada, não tava na minha cabeça. E eu comecei a questionar, será que muda o dia, o que eu quero? E é muito interessante ver mulheres de diferentes espectros, diferentes profissões, diferentes abordagens, falando a perspectiva delas sobre o desejo e sobre como muda.

E em algum lugar, por mais que mude, também tem uma coisa muito comum de como a gente deseja. Eu acho que isso tem uma coisa que me fascina um pouco, Didi. Você pode ser, é isso, o Iorgos Látimos e o Donald Glover, mas em algum lugar ambos desejam e ambos têm alguma coisa em comum sobre o desejo, né? Como um ser humano, no fim do dia, tudo que a gente faz— a Camila Souza Vilada fala que tudo que a gente faz é sobre o desejo, desejo de ser amado, de amar, de fazer, de enfim.

Então eu indico muito The Desire Question da Laura Frederico. Acho que tá em todos os players, todos os tocadores. Enfim, é maravilhoso, vale muito a pena ouvir. Os episódios têm 40 minutos assim, mas é super gostoso, a conversa é super boa, são mulheres inteligentíssimas. Aí você já fica obcecada pelas mulheres também que ela vai entrevistando, você já quer saber tudo delas. E vale muito a pena. É isso que eu soube.

NDNastacha de Avila

Vou ouvir, estou meio carente de novos podcasts. E enfim, no final do ano a gente sempre faz uma listinha, né, o Salva Awards. Ano passado tava meio fraco de série, esse ano eu tô meio fraca de ouvir novos podcasts para descobrir. Meio que acabo escutando os meus favoritos de sempre, né. Enfim, e tu, Carol, o que que tu tá ouvindo?

?Voz C

Então, a gente tá gravando em juninho, que é um mês assim que eu amo. Eu sou nordestina, eu sou de Natal, e lá a gente curte muito São João. Assim, é uma coisa— eu moro no Rio há 13 anos, adoro o Rio de Janeiro, mas sinto muita falta do Nordeste nessa época do ano, sabe? Assim, porque eu já até já fui algumas festas juninas aqui no Rio, mas desculpem, cariocas, me desculpe, mas não rola.

NDNastacha de Avila

Se tu for na festa junina em Porto Alegre, aí tu vai ver que realmente Eu fui aqui em São Cristóvão, na Feira de São Cristóvão, para uma festa.

?Voz C

Falei, aí vai ser bom, aí vai ser bom. E tocou Mamonas Assassinas. Aí não deu para mim, né?

LZLetícia Zambon

Não tem condição.

NDNastacha de Avila

Que vergonha!

?Voz C

É, não dá. E aí eu acho que tava pensando sobre, sobre a importância da festa junina, como é tão cultural do Brasil assim, que na escola dos meus filhos não tem festa de nada. Não tem Dia dos Pais, não tem Dia das Mães, não tem, não tem, não tem Páscoa, não tem nada disso. É uma escola completamente sem essas datas, sem, sem desapegada a essas coisas, né, por várias questões, enfim. Mas festa junina tem. E eu fiquei pensando, nossa, mas que curioso, que engraçado, né?

Não tem festa nenhuma, não tem Natal, não tem nada, não tem essas datas assim que tem a ver com religião, essa questão de mãe, de pai, assim, não tem. E aí eu fiquei pensando, nossa, mas tem festa junina. E aí eu fiquei refletindo sobre a importância, né, dessa, da festa junina cultura brasileira assim, né, do ritmo, da tradição, né, de como, de como é forte assim. Por mais que seja uma festa religiosa, né, porque é Dia de São João, tem São Pedro e tal, mas, mas ela vai para outro lugar assim cultural, né, para além da religião.

E eu acho talvez por isso que a escola tem essa festa, né, não tem essas outras festas também são religiosas, mas não tem, mas o São João tem. Né, a festa junina tem. E aí a escola ela é muito criativa assim, ela é muito estudiosa, sabe, ela se aprofunda em tudo. E esse ano o tema que eles escolheram foram os 80 anos do Alceu Valença. E eu fiquei pensando, cara, tem uma galera fazendo 80 anos assim na política. Acho que Lula vai fazer 80 anos, Trump tá fazendo 80 anos agora, e na cultura também tem uma galera fazendo 80 anos.

A Maria Bethânia tá fazendo 80 anos aqui, eu ia comentar. Pois é, aí também outras pessoas, tipo assim, Chico Buarque, 82, tem o Neymato Grosso, 85, né? Tem uma galera aí que tá nos 80, uma galera genial, né, que segue fazendo o seu trabalho, produzindo muito, né? Que maravilha, né? Que felicidade. E Alceu, que é esse rei que vai do Carnaval ao São João, assim, um artista, cara, incrível, né? Meu Deus do céu, como Alceu Valença tem uma energia Ele é assim, ele transborda arte, transborda cultura, e ele foi escolhido para ser homenageado nesses 80 anos dele.

Inclusive, ele mandou um vídeo para as crianças agradecendo a homenagem, um fofo, né? Tipo assim, eu achei, achei, ai, fiquei arrepiada quando eu recebi o vídeo dele. A escola mandou para os pais e tal, da felicidade de estar sendo homenageado por uma escola, né, com as crianças. Enfim, as crianças tendo acesso à música dele. Então acho que nesse mês de junho eu convido vocês a escutarem o Alceu cantando São João, que é assim um primor, assim um presente.

E é isso, assim, eu já, eu curto muito Alceu no Carnaval, né? Ele tem toda a casa dele que ele abre lá em Pernambuco, ele fica, né, na Marquise assim curtindo com a galera. Ele é super do Carnaval, mas é super do São João também, assim. Então é uma coletânea de música, de músicas dele nessa pegada, e é muito gostosinho, sabe? Assim, quero compartilhar porque tá muito legal. E também compartilhar da gente falar sobre um cara que tá com 80 anos produzindo a todo vapor.

Inclusive ele tá com uma turnê no Brasil, já passou pelo Rio de Janeiro, tá uma turnêzona desses 80 anos dele. E então vamos prestigiar, vamos consumir. Que felicidade a gente ter esses artistas com 80 anos produzindo tanto, né? Maria Bethânia tá aí, né, um chuchu incrível, com outro turnê agora. Enfim, que sorte a nossa de tê-los e tê-los em atividade. Então vamos celebrar, né, esses octogenários aí incríveis. E você, Naná, o que que você tá ouvindo?

NDNastacha de Avila

Então, minha dica rápida, como eu falei, eu tenho escutado os meus podcasts preferidos mesmo. Mas tem um destaque específico nesse episódio que eu vou indicar. A Marina Persson e Gustavo Rosa de Moura, ambos já participaram do Salvei em episódios anteriores, procurem. São episódios muito bons, inclusive. E eles têm um podcast de cinema que eu também já indiquei, chamado Nosso Podcast de Cinema, que eles voltaram recentemente a produzir conteúdo todas as semanas.

E aí tem uma surpresa recente, né? Saiu um episódio que é uma entrevista com o Peter Sarsgaard recentemente que eles fizeram.

?Voz C

Oi, eu sou Marina Persson.

LZLetícia Zambon

Eu sou Gustavo Rosa de Moura.

?Voz C

E esse é o nosso podcast de cinema, um podcast em que toda semana a gente fala sobre um filme ou uma série.

NDNastacha de Avila

E nesse caso, Peter Sarsgaard, vamos ver se vocês vão lembrar. É porque, bom, eles falam muito na abertura do episódio e falam durante a entrevista sobre a série DTF St. Louis, que é espetacular, é uma das melhores do ano, eu acho, até agora, que também foi indicada pelo Márcio Salem aqui no Salvei, no episódio 71. Vocês podem ouvir mais sobre ela nesse episódio. E aí a Marina e o Gustavo iniciam o episódio dando uma contextualização sobre a série DTF St.

Louis, até para tu entender a entrevista, né, as perguntas que que eles fazem, a construção do personagem do Peter Sarsgaard. Mas ele fez filmes muito famosos, como Boys Don't Cry, Brokeback Mountain. Tem vários na carreira dele. Ele é marido da Maggie Gyllenhaal, enfim. E ela é diretora, roteirista também, né, além de ser atriz. E aí essa entrevista tá muito boa, porque eles falam, como eles são todos do audiovisual, Gustavo é diretor de cinema, Marina também, Marina apresentadora.

Também atriz. E aí o que acontece é que se fala muito sobre o fazer do audiovisual, sobre construção de personagem, sobre como é trabalhar em colaboração com alguém que tu admira muito, mesmo assim a esposa dele no caso, ou grandes amigos antigos, atores muito bons, eles trazem algumas histórias de bastidores do cinema, tipo de filmes famosos. Cara, uma conversa muito gostosa. O Peter Sarsgaard é amigo de um amigo da Marina, e aí fez esse encontro.

A introdução do podcast tá tudo em português, a entrevista está em inglês, mas dá para ver no YouTube com legendas. Então o conteúdo acessível, só tem que assistir, né? Eu escutei, mas tem que sentar e assistir. Mas eu acho que vale cada minuto muito, muito boa. Esse cara é maravilhoso, admirei ele ainda mais. E o personagem dele, apesar de bem pequenininho no DTF St. Louis, é muito marcante. Quem assistir vai saber. Ele é o Modern Love. Vamos para as ressalvas?

?Voz C

Bora!

NDNastacha de Avila

Minha ressalva Reserva, nossa, Reserva é pesada, pesada. Pedro Moldover é meu, eu acho que é meu diretor preferido. Eu sou muito apaixonada por ele, doente. E todo ano que ele lança filme, para mim é um evento. E eu fui assistir Natal Amargo, que é o mais recente dele. Ai, eu fiquei meio decepcionada, porque basicamente Não vou mudar muito o sinopse do filme, mas eu vou dizer por que que eu fiquei decepcionada. Ele fala de um diretor que tá escrevendo o roteiro, e aí tu tem acesso ao conteúdo, o início do filme, né, e depois ao decorrer, o filme que este diretor está escrevendo.

E ele fala muito sobre metalinguagem, fala sobre autoficção, sobre tipo usar elementos da vida real, os amigos que tu conhece, pessoas dentro da ficção. E aí ele meio que faz todo um panorama, faz um filme dentro do filme pra chegar no final e trazer um grande insight, enfim, debater sobre o assunto. E aí o que que eu fiquei assim ao longo do filme, no final vai ter uma crítica sobre esse filme dentro do filme, né? Mas eu não conseguia parar de criticar o filme na minha cabeça, ficava assim, ó, gente, mas não faz sentido isso, esse roteiro.

E tal coisa, e por que essa personagem tá aparecendo agora, e nananã. E aí no final ele meio que, tipo, explica, né, ou sei lá, justifica por que aquilo foi construído daquela forma. Só que eu acho que demora muito! Tipo assim, imaginem, são 2 horas e pouco, 2 horas. Ele passa 1 hora e 40 pra chegar em 20 minutos de explicação. Eu acho que ele poderia ter feito, sei lá, 1 hora de abertura e 1 hora de desenvolvimento. Falta desenvolvimento, falta filme no filme, entendeu?

Falta, falta, tá faltando coisa. E me dá a sensação, e o filme fala sobre isso, né? Enquanto ele tá cansado de criar com 80 anos, tipo assim, ele ama dirigir, ele não quer parar de trabalhar, eu acho que é a vida dele, já deu entrevistas falando sobre isso. Mas ao mesmo tempo eu sinto que ele precisa de uma renovação, ele precisa. E ele já falou que ele quer trabalhar com outros roteiristas em parceria, coisa que ele nunca fez na vida dele.

Meu Deus, quero ver quem é que vai se inscrever para ser, né, trabalhar como roteirista, co-roteirista do Almodóvar. Mas eu acho que ele precisa de uma injeção de novidade, uma injeção de novas referências. E ele mesmo talvez esteja dizendo isso com essa obra, sabe? Mas para mim foi muito difícil. Eu assisti, fiquei tipo Ai, não, eu queria tanto ver um filme incrível, sabe? E fiquei decepcionada. Dei 2,5 estrelinhas no Letterboxd. Então é isso.

?Voz C

Ô, Naná, a Vivi, Vivi da Costa, escreveu sobre esse filme na news dela, na Vai Sem Tempo Mesmo, e ela fez toda uma análise sobre, sobre o filme e tal. Eu achei que ficou muito boa.

NDNastacha de Avila

Então recomendo a análise dela. Inclusive, ela, ela, eu escrevi assim: meu ídolo está cansado e ele sabe disso. E aí ela respondeu meu story falando justamente os argumentos dela de por que que ela gostou muito desse filme. Então assim, é um contraponto.

?Voz C

Eu recomendo esse contraponto. Assim, eu não vi o filme, mas eu vi que você comentou que seu ídolo tava cansado e sabe disso, e li a news dela. Acho que é um contraponto interessante.

NDNastacha de Avila

Eu acho que A news dela é Vai Sem Tempo Mesmo, no Substack, pra vocês acompanharem. Tem alguma ressalva, Carol?

?Voz C

Eu tenho. Cara, eu fui ver um filme na Prime chamado Socorro. É com aquela Rachel McAdams, que fez... Ai, que engraçado.

NDNastacha de Avila

Gente, no roteiro tá escrito Socorro. Eu achei que era tipo uma interjeição. Socorro, que filme ruim! Não, o nome do filme.

?Voz C

É o nome do filme, é. Mas é Socorro. Mas pode ser socorro também, o grito de quem tá assistindo. É com a Rachel McAdams, que fez Meia-Noite em Paris. Eu gosto muito dela, acho ela uma fofa assim, já vários, vários filmes e tal, enfim, muita comédia romântica com ela e outras também não, enfim, acho ela ótima. Mas cara, o filme podia ser ótimo, eu comecei a assistir porque ele parecia ser bom. É uma mulher toda desajeitada, toda assim, trabalha com, acho que é bem difícil o que ela faz, acho que ela é matemática, química, física, sei lá.

Trabalha ali toda com números, ela entende tudo de números. Então ela cuida, acho que da contabilidade inteira, sei lá, de uma firma assim. Então ela é o cérebro financeiro da firma, sendo que é isso, ela é totalmente, não tem uma vida pessoal, se veste super mal, come na empresa de qualquer jeito, meio nojenta assim. As pessoas têm meio nojo dela assim, mas ela é super, super inteligente e altamente dedicada ao trabalho. Assim, sendo que os homens que estão em torno dela são os caras que são promovidos, se vestem bem, são bem relacionados, né, comem só coisas saudáveis e tal, jogam golfe com patrão e tal.

Ela não faz nada disso porque ela só trabalha feito uma condenada, assim, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha, trabalha. Então a premissa eu achei, achei interessante assim, mas depois, meu Deus, se perde loucamente. Porque aí o que acontece é que eles vão viajar E o avião cai. E aí começa toda a história de você sobreviver ali naquela, depois daquele naufrágio assim.

NDNastacha de Avila

Então, doideira!

?Voz C

É, pois é, ainda acidente, né? Mas é isso, depois é porque é um acidente que vai cair numa ilha, enfim, você vai ter que ficar lá, tem todo sobreviver ali depois que cai no mato até chegar na ilha, enfim. E aí até aí ainda tava um pouco interessante porque ela sabe sobreviver bem, porque ela gosta de uns programas que é sobre sobrevivência e tal, não sei o quê. Então também tava meio interessante ali.

NDNastacha de Avila

Ela assiste Largados e Pelados.

?Voz C

Ela assiste, é tipo isso, sendo que é só de sobrevivência assim, não tem os pelados, são só largados. E aí ela gosta muito, enfim, então ela sabe todas as técnicas de sobrevivência e tal, não sei o quê. Então tava também, tava interessante, mas depois o filme se perde assim, tipo, ai meu Deus, você sabe, assim, vai embora para um caminho completamente tosco, mas tosco mesmo assim, tosco, tosco assim, muito tosco. Então essa é minha ressalva, tipo assim, tava tão legal, tava bonzinho, enfim, mas depois vai para um, se perde.

Então é 100% de ressalva assim, né? Acho que nem deva colocar o play, né? Por favor não assistam, é, por favor não percam seu tempo, só se tiver com muito tempo para perder assim. Ah, quero perder meu tempo, quero rasgar meu tempo.

NDNastacha de Avila

Não tem como, gente, com tanto streaming, tanta oferta de conteúdo, não dá.

LZLetícia Zambon

É, Letícia, a minha ressalva é Euphoria, terceira temporada.

NDNastacha de Avila

Entrou nas ressalvas já, porra, que coisa horrorosa!

?Voz C

Entrou assim, vocês são almas gêmeas então, porque as duas falaram sobre isso.

LZLetícia Zambon

Gente, que coisa horrorosa! É porque me dá muita tristeza Tanto potencial desperdiçado. Você ter um elenco daquele, você ter uma fotografia em película, você me dá, me dá agonia pensar no orçamento, sabe? Como uma pessoa do audiovisual também pensando assim, gente, tudo, as possibilidades, as possibilidades, os talentos que ele tinha. E aí vê simplesmente assim, assim, a segunda temporada já foi um caos de roteiro e coisa. Porque a primeira temporada, para quem não sabe, né, o Sam Levinson inclusive tem matéria disso, ele ripou o trabalho da Petra Collins, que é uma grande fotógrafa que eu recomendo muito o trabalho, que tem uma linguagem maravilhosa.

Não ripou, mas ela foi tirada do projeto. Ela desenvolveu vários mood boards, várias coisas, várias identidades, casting, só que ela era muito nova. E aí ela foi tirada do projeto, bem, porque enfim, a HBO achava que ela era muito jovem. E aí tirou ela do projeto, mas ele pegou muitas coisas que ela tinha feito, tanto que a gente tem inclusive a estética das maquiagens, toda estética. Tanto que a Petra, quando ela só foi mulheres sendo silenciadas, né, mulheres jovens, tanto que ela só foi à tona sobre isso uns 2 anos depois que a série já tinha sido lançada.

E na época que Euphoria lançou, todo mundo falava, nossa, é muito Petra Colley! Talvez porque era a estética dela, exatamente, ela tinha trabalhado no desenvolvimento da série. Ela é maravilhosa, tô muito ansiosa pelo momento que vão dar para ela alguma produção para ela fazer de fato, porque é isso, primeira temporada de Euphoria é maravilhosa. E aí você vê a primeira temporada e aí você chegar na terceira, você fica assim, cara, o que que aconteceu aqui?

Socorro! É socorro, não é ressalva, é o socorro, é o meu Deus, socorro, alguém, alguém aparece aqui me ajuda, porque o roteiro tá muito fraco assim, é muito ruim. A representação das trabalhadoras sexuais também terrível. Várias vieram falar como elas estão sendo representadas, que não é a forma, enfim, que elas vivem, não é a vivência delas. Porque ele, mais uma vez, Sam Levinson, não consultou ninguém para fazer o roteiro. Ele falou como homem: eu vou escrever isso aqui sozinho.

E escreveu o apocalipse completo e total, meio western vibes, baby. É muito, é muito terrível assim. Para mim, o que descreve a terceira temporada de Euphoria é a única foto feliz do Jacob Elordi na produção toda, é a foto que ele tá no caixão, porque ele sabe que ali acabou para ele, ele não vai precisar mais filmar aquela bomba.

NDNastacha de Avila

Então, inclusive, ele tem uma descaracterização, ele é o grande gostoso do universo, né? Hoje em dia. E na série parece que tem um, é o desmodel, tipo, ele perde todo, toda coisa sexy que ele tem e fica uma coisa totalmente descaracterizada e nonsense com aquilo que ele tinha construído. Cara, é um lixo completo.

LZLetícia Zambon

Não, todo mundo, as melhores, a melhor parte de Euphoria terceira temporada são os memes no TikTok. Que você vai ver das pessoas falando, vai ser a melhor parte que você vai ver, vai ver disso. Enfim, Zendaya impecável como sempre, a única parte boa para mim que salva, porque eu acho que ela realmente fazendo a Rue ela se transforma, ela vira uma outra coisa. Mas enfim, até ela nessa temporada sofreu muito.

NDNastacha de Avila

Tem uma grande preguiça de todos eles, não tem roteiro que salve.

LZLetícia Zambon

Enfim, foi isso que aconteceu com a Fórea, gente.

?Voz C

É um caos.

NDNastacha de Avila

Acho que temos um episódio. Ê, viva! Muito bom. Queria te agradecer, Letícia, por ter aceitado o nosso convite, estar aqui conosco.

LZLetícia Zambon

Muito obrigada a vocês, gente. Eu amei muito, amei muito, muito mesmo.

?Voz C

Obrigada, Letícia.

LZLetícia Zambon

E hoje inclusive eu vou começar o curso da Salvo, tô muito empolgada.

?Voz C

Que legal, que máximo!

LZLetícia Zambon

Um ótimo livro também, inclusive.

NDNastacha de Avila

Para os ouvintes que não sabem, hoje que a gente tá gravando, tá, vai rolar um curso que a Salvo tá promovendo em parceria com a Editora Relicário, que tem muito a ver sobre autoficção. É isso então, tchau! O roteiro desse podcast é da Nastássia de Ávila. A edição é do Nick Silva e da Caroline Holder. O intérprete e compositor da nossa trilha é o Eduardo Arndt. Até a próxima!

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