Reflexão do Evangelho. 6° Domingo da Páscoa. Ano A. Frei Mário Sérgio.
Neste 6° Domingo da Páscoa e também dia das mães, nosso confrade Frei Mário Sérgio, diretamente de Sergipe nos traz uma profunda reflexão sobre o Evangelho deste final de semana. Rezemos com o frei e partilhemos com outras pessoas esta riqueza espiritual. Visite nossa central de podcasts dos Capuchinhos do Brasil na sua plataforma de áudio preferida: CAPCast. Paz e bem!
Frei Mário Sérgio
- Reflexão do EvangelhoEvangelho de João 14:15-21 · Amor a Jesus e observância dos mandamentos · A promessa do Espírito Santo · O Espírito como defensor e consolador · O mundo e a mentalidade contra o reino · Jesus Cristo como a verdade · O Espírito Santo habitando em nós · Não ser órfão · Comunhão com Deus e os irmãos
- Dia das MãesMemória das mães · Gratidão às mães
Paz e bem, meu irmão. Paz e bem, minha irmã. Eu sou o Frei Mário Sérgio, capuchinho da província de Nossa Senhora da Piedade, de Bahia e Sergipe, reitor do santuário São Judas Sadeu, na cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe. Foi uma alegria poder partilhar com você o evangelho desse sexto domingo no tempo comum.
Memória também que nós fazemos das nossas queridas mães, que nos deram, nos geraram no seu ventre e nos deram a luz para que esse mundo pudesse ter mais brilho e mais gosto.
Eu quero te convidar a meditar comigo o Evangelho que está em João, capítulo 14, versículos de 15 a 21. Pegue sua Bíblia ou me acompanhe através de algum aplicativo. Mas é muito bom que você esteja com o texto, com as Sagradas Escrituras em suas mãos. Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos, se me amais, guardareis os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, ele vos dará um outro defensor, para que permaneça sempre convosco. O Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei ófãos, eu virei a vós.
Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá. Mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós. Quem acolhe os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei.
e me manifestarei a ele. Palavra da salvação. Nós estamos, eu diria que, no coração do discurso da despedida de Jesus. De certo modo, nós somos um pouco averso a despedidas. Nós temos uma dificuldade muito grande.
De deixar o outro ir, seja qual for a circunstância da partida da ida. Não é diferente no coração dos apóstolos. Os homens, com seus sentimentos, seus apegos, suas fragilidades, seus medos, sobretudo de uma orfandade espiritual, somos tão carentes de líderes.
de condutores, de pastores. Lembra que não é diferente no tempo de Jesus. Mas ele diz, se me amais, guardareis os meus mandamentos. Veja que para Jesus o amor está nesta categoria, não apenas de um sentimento, mas de uma decisão concreta.
depois de tudo que Jesus ensinou, deixou no coração dos seus apóstolos, plantou cuidadosamente a semente da palavra, mostrou por obras, por gestos, por atos, quem ele era e o quanto amara aquela comunidade. É hora agora de retribuir esse amor com gestos concretos.
hoje de modo muito particular, com a liberdade de quem entendeu qual é a sua missão e não tem medo de assumir o projeto de Deus. Então, esse amor, atitude, é condição para o seguimento de Jesus. É preciso superar o amor sentimentalismo para o amor que se traduz em gestos concretos.
Mas Jesus vai dizer, eu rogarei ao Pai e ele vos dará um outro defensor. Veja que o retorno de Jesus ao seio da trindade inaugura um novo tempo na vida da igreja. Inaugura um novo tempo na vida do mundo. Virá um outro defensor. Jesus já antecipa a promessa do Espírito Santo.
E agora esse Espírito é consolador, esse Espírito é quem reza em nós, esse Espírito é quem nos faz compreender as coisas, não agora apenas com esforço da inteligência humana, mas Ele próprio agindo dentro de nós, agindo em nossa inteligência.
E ele permanecerá sempre convosco. Que promessa maravilhosa, meu irmão, para mim e para você. Saber que Jesus aqui teve uma passagem, passou por esse mundo fazendo o bem, morre, ressuscita, vai subir aos céus, mas não deixará nenhum de nós órfãos.
Mandará o defensor, que é o Espírito Santo, para permanecer conosco até o fim dos tempos. Ou seja, nós somos abandonados. Não somos órfãos. Nós somos o Espírito do Senhor que agora age no mundo, age na igreja e age no coração de cada um de nós. O Senhor vai dizer que é o Espírito da verdade.
O mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. É interessante esse antagonismo entre conhecer o Cristo e conhecer o mundo. Ou se perder o mundo e não conhecer a Cristo. O mundo aqui é uma mentalidade contra a vida. O mundo é uma mentalidade contra o reino.
O mundo é uma mentalidade cujos valores não se harmonizam com os valores do Evangelho. O mundo é também o espaço da mentira, ou seja, da antítese do projeto de verdade que Jesus veio estabelecer no mundo, e mais ainda, verdade esta que ele disse ser ele mesmo. Então, para nós, a verdade não pode ser negociada.
A verdade para nós tem rosto. A verdade para nós tem nome. A verdade para nós assumiu a nossa carne. Jesus Cristo é esta verdade. Jesus Cristo é a verdade que o mundo insiste em não querer conhecer. Que bom, meu irmão. Que bom, minha irmã, que você...
abriu o coração, abriu a inteligência para aderir à verdade que é Jesus. Verdade essa que o Espírito nos faz reconhecer e adorar. Vós o conheceis porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. O Espírito está junto de nós, mas em Pentecostes, batizados que o serão, agora estará dentro. Ou seja, onde quer que nós estejamos.
Batizados, ali estará o Espírito do Senhor. Acaso não sabeis que sois templo do Espírito Santo? Pergunta o apóstolo. Esta consciência da corporidade como portadora do Espírito deve estar sempre presente aos nossos olhos. Deve estar sempre presente à nossa frente. Não vos deixareis órfãos.
Eu virei a voz. É belo isso. A orfandade deve ser uma experiência muito dolorida para o ser humano. As referências de pai, de mãe, de amor, de cuidado, de proteção, estão inseridas na figura da proteção do pai e da mãe. O Senhor vai dizer, ninguém ficará abandonado. Ninguém ficará descuidado.
Ninguém ficará para trás. Eu não vos deixarei órfãos. Veja, para os discípulos que estavam tão angustiados, tão feridos, tão machucados, com a possível ausência de Jesus, ele vai dizer, não se perturbem os vossos corações, eu estarei no meio de vocês. Por quê? Porque onde está o Filho, está o Pai e o Espírito.
E onde está o Espírito? Está o Filho e também está o Pai. Ele vai dizer, eu virei a voz. Eu virei a voz. É no Espírito agora que faremos essa experiência da presença de Jesus, que nunca, jamais abandonou nem abandonará as suas ovelhas e a sua igreja. Pouco tempo ainda e o mundo não mais me verá.
Mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Jesus agora está falando do seu retorno para a casa do Pai. Mas ele já prometeu que virá o Espírito. O mundo não mais o verá. Agora o acesso ao Cristo ressuscitado não se dará mais pelos olhos físicos.
o acesso ao Cristo ressuscitado, vivo, presente em nosso meio, dar-se-á pelo Espírito Santo. Por isso que, ao celebrar depois a ascensão do Senhor, ao celebrar posteriormente Pentecostes, celebraremos então a grande festa do Espírito Santo.
É preciso que haja dentro de nós, todo dia, todo instante, um novo Pentecostes. É o Espírito que, habitando em nós, nos fará reconhecer plenamente quem é Jesus. E essa verdade nós celebramos em cada Eucaristia.
Quando o padre diz, o Senhor esteja convosco, a comunidade litúrgica responde em tom vivo, com a certeza de que é uma presença constante, nós dizemos, Ele está no meio de nós. Não há dúvida no coração da comunidade, o Senhor está em nosso meio. Não há dúvida de que Ele não nos abandonou, não há dúvida de que é Ele que nos congrega, não há dúvida de que nós não somos órfãos.
a um Deus Pai, de coração também muito maternal, que nos ama e que nos acolhe. Naquele dia sabereis que eu estou no Pai, e vós em mim, e eu em vós. Veja, essa comunhão plena que nós queremos atingir, esta união perfeita que nós queremos atingir, enquanto peregrinos essa terra. É claro que essa perfeição não existirá.
mas um dia seremos um no todo. Nossa vida já está escondida em Deus. Esta vida eterna, essa eternidade em Deus, que nós queremos cada dia viver e experimentar, na força dos sacramentos, na força da palavra.
experimentar um pouco desse céu, um pouco dessa unidade em nossa vida. O Evangelho termina no versículo 21. Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Veja, a condição para amar Jesus é observar os seus mandamentos. Ele vai dizer quais são. Amar a Deus sobre todas as coisas. Amar ao próximo como a si mesmo.
Não podemos absolutamente fugir do amor a Deus, relação vertical. Mas não podemos fugir do amor aos irmãos, nessa dimensão horizontal. É na verticalidade e na horizontalidade da nossa fé que nós entramos em comunhão plena com Deus e com os irmãos. Então, queiramos viver esse amor, passar do sentimentalismo para a atitude que transforma e que gera a vida.
Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele. Esse é o nosso grande desafio. O desafio da nossa vida é exatamente esse. Amar a Cristo com todo o coração, com toda a alma, com toda a força, com todo o entendimento.
E aí sim, amar a Cristo é ser amado por esse Pai. E eu o amarei e me manifestarei a ele. Então, se quisermos usar alguns verbos que nos ajudam a compreender o Evangelho de hoje, amar, obedecer...
acolher, acolher quem? Acolher o Espírito Santo, viver, viver o que, Efraim? Viver na presença de Deus e testemunhar esta vida. A grande promessa é esta, não estamos sozinhos, Deus habita em nós. Mas a grande exigência também é, esse amor precisa se tornar vida. Não pode ser um amor absolutamente egoísta nem contrário à vida.
que o Espírito Santo nos ensine a amar, não apenas com palavras, mas que o Espírito Santo nos ensine a amar com a nossa existência inteira. Eu deixo para você um exercício a partir da palavra de Deus. Se perguntar verdadeiramente, eu amo no mais profundo do meu ser, da minha essência, o Cristo, e esse amor me dá algumas certezas?
sobretudo de que eu não estou só, de que eu não sou órfão, de que Jesus me ama e por isso o Pai me ama também tão profundamente e que eu não posso jamais esquecer de amar concretamente aos meus irmãos. Quando amo aos irmãos, é o Cristo que eu estou amando. O Senhor te abençoe, te proteja nesse domingo.
Uma excelente semana para você. Parabéns a todas as mamães que também nos assistem. Partilha conosco o Evangelho desse dia. O Senhor te abençoe e te proteja. Ele que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Paz e bem. Continue aqui conosco meditando o Evangelho do domingo.