As quatro dimensões da fidelidade 01
Meditação Católica
Voz da Meditação
- Relacionamentos e LealdadeBusca · Aceitação · Valores transcendentes vs. imanentes
- Fidelidade de MariaAnunciação do Anjo Gabriel · O 'Faça-se' de Maria · Nossa Senhora de Guadalupe
- Vocação e discernimentoNão fugir das perguntas grandes · Diferença entre amar e divertir-se
- Papa João Paulo II e o beijo no chãoGesto de humildade e serviço · Viagem ao México
Pelo sinal da Santa Cruz, viverá em Deus nosso Senhor dos nossos inimigos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meu Senhor e meu Deus, creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves. Adoro-te com profunda reverência. Peço-te perdão dos meus pecados e graça para fazer com fruto este tempo de oração. Minha Mãe Imaculada, São José, meu Pai e Senhor.
Meu anjo da guarda, intercedei por mim.
Havia um gesto que se repetia sempre que o Papa João Paulo II chegava pela primeira vez num país. Ele descia do avião, naquela época sempre descia lá pela escadinha, se inclinava e beijava o chão. Beijava o chão desse lugar que ele estava chegando agora como Papa. E como vocês podem imaginar, na primeira vez que isso aconteceu,
que foi na viagem que ele fez para o México, esse gesto impressionou muito. Ganhou uma força inesperada. Por quê? De certa maneira, já era inesperado que o Papa viajasse. Antes dele, o último Papa não italiano fazia 400 anos. E depois os Papas praticamente não saíram de Roma.
O Papa Paulo VI, agora São Paulo VI, foi o primeiro Papa a viajar de avião. Ele saiu algumas vezes da Itália, ele foi à Terra Santa, depois visitou a Índia também, esteve na ONU, nos Estados Unidos. Mas o fato é que quando São João Paulo II, logo no início do pontificado, ele foi eleito...
em outubro de 78, ele anunciou que iria ao México, foi uma notícia surpreendente. O mundo ainda estava aprendendo a olhar para aquele novo Papa, que ia quebrando os esquemas, todos eles. E quando viu descer o avião, e antes de mais nada, antes de cumprimentar as autoridades, antes de todo mundo se ajoelhar e beijar o chão, aquilo tocou muito o coração de todos.
E não era só como se fosse um líder que chegava. Era um pai, um papa.
E esse gesto era tudo menos teatral. Aliás, é interessante que o Papa, que tinha uma vocação de artista, porque ele tinha sido um ator antes de enveredar pelo caminho do sacerdócio, mas foi o Papa menos teatral. Ou seja, tudo o que ele fazia, ele estava vivendo aquele momento. Então, aquele momento que ele beijava o chão do México, depois beijou o chão do nosso país.
Era um momento de reverência, de amor, era mais ou menos como se ele dissesse alguma coisa do tipo eu venho para servir, o Papa é o servo dos servos de Deus. E essa atitude de se inclinar, de reconhecer, é o contrário de quem se impõe, é a atitude de serviço. E foi nessa viagem que ele escreveu a virtude que nós vamos meditar hoje.
que não é o serviço, mas é a fidelidade. É interessante porque já se passaram quase 50 anos daquilo. Foi em 79, foi janeiro de 79. E numa missa na Catedral da Cidade do México, ele falou algo que eu acho que serve para a gente meditar agora com uma atualidade que é surpreendente.
Claro, ele estava no México, e concretamente na cidade do México, e ele utilizou como pano de fundo Nossa Senhora de Guadalupe. E ele disse uma coisa interessante, que pode nos servir para nós começarmos o nosso recolhimento de hoje sobre a fidelidade. Nós vamos meditar na fidelidade olhando para Nossa Senhora. Diz assim, dentre tantos títulos, tudo isso que eu vou lendo aqui é a humilha da missa.
Dentre tantos títulos atribuídos à Virgem Maria ao longo dos séculos, pelo amor filial dos cristãos, existe um que se reveste de um significado profundíssimo, virgo fidelis, em latim, virgem fiel. O que significa esta fidelidade de Maria? Quais são as suas dimensões? E para responder a isso, para responder quais são as dimensões que compõem...
a fidelidade, olhando para Nossa Senhora, o Papa fazia contemplar a cena em que Nossa Senhora recebe o anúncio que ela vai ser a mãe de Deus. Porque a fidelidade não é uma ideia abstrata.
É uma resposta concreta. Fidelidade é resposta. Fidelidade é sempre resposta da pessoa a Deus, a um chamado concreto de Deus. E a anunciação do anjo a Maria é o fato mais maravilhoso. É o mistério mais sublime das relações entre Deus e os homens.
e que dá origem ao acontecimento mais importante. A gente pode pensar o acontecimento mais transcendente da história da humanidade. Deus se faz homem. A partir daquele momento, quando Nossa Senhora diz que sim, o verbo se fez carne, se faz carne nas suas entranhas. E é interessante, a gente deve sempre meditar nisso, pensando até onde chegou a bondade.
a misericórdia, o amor de Deus por nós, por cada um de nós. Agora, repara que tudo se dá de uma maneira muito simples. A começar porque ninguém na Terra percebeu. O anjo, o arcanjo Gabriel, ele vem anunciar a notícia mais importante da história, e só Nossa Senhora vai saber.
Deus entra na história e Deus entra na história sem ruído. Isso é importante para a gente entender. As coisas de Deus se fazem assim. Ele entra sem ruído e ao mesmo tempo espera uma resposta. Uma resposta livre, uma resposta silenciosa. Mais uma resposta total. Então, vamos tentar ler essa passagem que a gente conhece tanto, na verdade?
Tentando entrar na cena com mais um personagem. E eu acho que uma pergunta, depois é uma pergunta que aparece no exame de consciência que vocês vão ler, é se a gente tem buscado sinceramente a vontade de Deus. Fidelidade começa por aí. Não fugir das perguntas que podem nos comprometer. A gente às vezes tenta fazer um pouco de média.
Então, não fugirmos das perguntas, porque Deus entra na nossa vida, entra na nossa história. A passagem é conhecida, a passagem do capítulo 1 de São Lucas, quando se diz que o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José da Casa de Davi. E o nome da virgem era Maria. Nossa Senhora era muito nova.
teria isso 14, 15 anos, e o anjo entra e diz umas palavras que são muito fortes. Ave cheia de graça, o Senhor é contigo. Literalmente, seria alegra-te, alegra-te cheia de graça.
É claro que se trata de uma alegria única, pela notícia. Não é como a gente diz, tudo bem, como é que você vai? Não, é que o anjo estava dando a maior notícia que os homens tinham podido receber, que Deus vinha, que Deus entrava, que Deus entrava na nossa história. E é interessante porque Nossa Senhora se perturba. Perturbou-se ela.
com essas palavras, e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. Claro, ave cheia de graça. O que significa isso? O Senhor é contigo? Não é perturbação do medo.
que a gente às vezes pode ter, por exemplo, quando a gente intui a vocação, intui que Deus pode pedir alguma coisa para nós. Aqui no caso, o que tira um pouco a paz de Nossa Senhora é a profundidade cheia de graça.
Maria não passa superficialmente pelas coisas de Deus. Essa é uma lição também importante para nós. A gente não pode passar superficialmente pelas coisas de Deus. Mais ou menos. Vamos nos concentrar. Então, por exemplo, essa passagem que a gente conhece tão bem, que eu acho que algumas de vocês talvez conheçam até as palavras, não digo de cor, mas quase. Vamos tentar entrar aqui no coração dessa menina ainda.
jovem, mas que entende a importância do momento e que se perturba. Não com a presença do anjo. Se aparecesse um anjo, a gente se assustaria. Mas ela fica surpresa, perturbada com aquilo que o anjo diz.
E o anjo vai dizer assim, não temas Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Isso, isso que você está vivendo, isso que está acontecendo com você, faz parte de um enorme plano de Deus. E é um momento importante, porque é o momento em que Deus vai revelar o plano que tem a respeito dela. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á filho do Altíssimo.
E o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Nossa Senhora, que era uma judia piedosa, que conhecia a sagrada escritura, que muitas vezes ouvia as explicações nos sábados na sinagoga, ela entendeu bem o alcance de tudo isso. Era o Messias esperado. Tinha chegado esse momento. E mais, tinha chegado precisamente para ela. Ela era a escolhida.
Mas havia uma dificuldade. E é interessante porque é importante a gente entender que nós ainda estamos vendo a entrada de Deus na história, na história da humanidade, mas agora na história de Nossa Senhora. A dificuldade é que ela tinha um projeto.
tinha um propósito de consagrar a sua virgindade, coisa que não era muito comum no mundo judeu, até porque todas as meninas pensavam em ser a mãe do Messias. Então ela se pergunta assim, como se fará isso, pois não conheço o homem?
Não é dúvida incrédula, não é dúvida de que não vai dar, desculpa, acho que o senhor errou, não é para mim. Mas ela quer compreender para entender o papel dela. Como se fará isso? Ou seja, isso se fará, não tenho dúvida de que se fará. Mas como se fará? O que eu devo colocar da minha parte?
o conheço, não conheço varão, se costuma explicar que é um presente com valor de futuro. Não conheço e não conhecerei. Porque se fosse simplesmente dizer que Nossa Senhora não conhecia naquele momento, conhecerá. Você, no matrimônio, vai conhecer. Você vai ter aquilo que dá origem a uma nova vida. Mas Nossa Senhora tem outro propósito.
Com certeza, São José, que a amaria muito, sabia desse propósito, e ele estava disposto a respeitar esse propósito de Nossa Senhora. Então, Nossa Senhora tem um plano muito bom. Isso é importante ter presente, porque a gente não pode imaginar que a vocação entra quando as coisas não dão certo. Bom, já que não deu nada certo, vamos ver o que eu posso fazer. Não, ela tinha um plano maravilhoso, um plano louvável.
Mas Deus tem um plano ainda melhor para ela. É o que responde o anjo. Como se fará isso? O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice. Esse filho é o João Batista. Isabel, a mãe do João Batista.
E já está no sexto mês aquela que é tida por estéreo, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria, eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela. Uma vez que Nossa Senhora conheceu o designio divino, ela se entrega à vontade de Deus totalmente, com uma obediência pronta, sem reserva. E aqui nasce a fidelidade.
A fidelidade nasce num sim que se dá na luz. Mas é um sim, e aqui a gente já vai vendo o que é a fidelidade, que vai atravessar toda a vida. Nossa Senhora tinha isso, eu falava 14, 15, nós não sabemos exatamente a idade, mas dizer que era uma virgem desposada significava que era muito nova. Tanto era assim que o casamento entre os judeus tinha duas fases.
Tinha uma primeira fase, em que já eram marido e mulher, mas ainda não coabitavam. E depois chegava um momento que a noiva, a esposa já, ia morar com aquele que era o seu esposo. Eu não sei se alguma de vocês se recorda de uma parábola que Jesus fala.
de uma moça que estava casando e convidou as amigas. Cinco virgens prudentes, cinco virgens nécias. Umas levaram azeite, outras não levaram azeite. Então, esse era o segundo momento. Então, Nossa Senhora estava entre o primeiro e o segundo. Nossa Senhora viveria ainda com seus pais, ainda não vivia com São José. Então, ela estava nesse momento, já seria uma pessoa madura, apesar da idade. Então, de repente, Deus entra na história dela.
E a gente tem que ter essa ideia clara, Deus entra na nossa história. E o que o Papa João Paulo II, São João Paulo II, falava da fidelidade, a partir dessa cena, desse quadro que nós conhecemos. Ele falava que a fidelidade tem quatro dimensões. Duas antes de a gente assumir o compromisso e duas que permanecem sempre. Eu pensava nessa primeira meditação.
Considerar as duas anteriores ao compromisso. As duas antes de dizer, faça-se em mim segundo a tua palavra. E na outra meditação, na segunda do recolhimento, vamos meditar naquelas que permanecem. A fidelidade é algo que permanece. Então, a primeira dimensão da fidelidade, o Papa explicava que é a busca. A busca é a gente, de alguma maneira...
encontra naquela pergunta, como se fará isso? Não é a pergunta, vai ser fácil ou vai ser difícil? Será que eu gosto, será que eu não gosto? Como se fará isso? Como se fará isso? Então eu vou ler aqui as palavras dele, que acho que são interessantes. A primeira dimensão chama-se busca. Maria foi fiel antes de mais nada quando com amor...
se pôs a procurar o sentido profundo do designio de Deus sobre ela e sobre o mundo. Ou seja, ela não ficou fazendo cálculos, contas, bom, se eu fizer isso vai custar aquilo, não. Ela quis procurar o sentido do designio de Deus para ela e para o mundo. Como adofia tistud? As palavras em latim. Como sucederá isto? Perguntava ela ao anjo da anunciação. Já no Antigo Testamento, o sentido dessa busca se traduz só que só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só só
numa expressão de rara beleza, procurar o rosto do Senhor. O Papa dizia isso aqui, citando, sem dúvida, um salmo. É o teu rosto, Senhor, que eu procuro. É uma coisa bonita, porque passaram anos, isso está acontecendo em 79, o Papa, em 79, era muito jovem, esportista, esquiava, e no fim da vida dele, já nos últimos anos,
Quando ele já falava do novo milênio que estava começando, ele morreu em 2005, e ele dizia muito essa expressão, procurar o rosto do Senhor. Você vê que era uma coisa que ele tinha no momento de juventude, e também já na maturidade, quando já havia muito próximo encontro com Deus. Mas essa busca, essa busca que tem beleza, ou seja, não se trata de curiosidade.
Quer dizer, Maria não está curiosa para saber como que vai ser, como que as coisas vão se organizar, não. Maria quer entrar no pensamento de Deus. Como se fará isso? Quer dizer, só se pode falar de fidelidade quando há busca, quando há uma busca, quando há um motivo para viver. Por isso que, sistematicamente, uma pessoa egoísta fracassa. E fracassa já nessa primeira dimensão.
porque ela não tem essa inquietação positiva. Ela só tem a inquietação de se vai ser interessante ou não vai ser interessante. Então, outra pergunta que vocês vão ler depois no intervalo é o que a gente procura. Será que a gente procura aquilo que é de Deus, o plano de Deus, aquilo que é alto, aquilo que dura, ou a gente se deixa guiar pelo que é mais fácil, pelo que é mais imediato?
Uma pessoa da tua idade, uma pessoa jovem, sente uma chamada para as coisas altas, para aquilo que vale a pena. Mas também a gente sente, em todas as idades, uma chamada para a vida cômoda, para a vida sem dificuldade, sem compromisso. E aqui que se joga muito do discernimento da vocação. O discernimento da vocação é não fugir das perguntas grandes.
Não fugi das perguntas grandes. Não sei se foi por isso que São José Maria escreveu no livro Caminho, logo nos primeiros pontos, o seguinte pensamento. Vira as costas ao infame quando te sussurra ao ouvido. Por que has de complicar a vida? Olha, sempre na história de qualquer vocação,
a gente vai ouvir uma voz, ele fala do infame aqui, do cão, do demônio, mas de muitas maneiras a gente pode ouvir esse, para que você vai complicar a tua vida?
As coisas já estão claras, estão certas, você já tem todo um projeto, você já planejou todas as coisas de agora até os seus 30, 40, você já sabe onde quer morar, o que você vai estudar, o que você vai se dedicar. Tem uma boa dose de ingenuidade nisso, porque depois da vida...
bagunça, é natural que a vida faça isso? Agora, o mais importante não é isso, é não fugir das perguntas grandes. Nós temos que nos perguntar, será que os meus valores são valores transcendentes ou imanentes? Essas duas palavras que é importante ter presente. Transcende aquilo que ultrapassa, aquilo que é grande. Imanente aquilo que...
fica fechado, permanece. Então, imanente é se vai custar, se eu vou gostar, se eu não vou enjoar. Veja, divertir-se é importante, mas é muito menos que amar. Amar é um conceito transcendente. Divertir-se é um conceito importante, a gente tem que se divertir, faz parte até da nossa condição humana, mas é uma coisa mais imanente.
Ganhar dinheiro é importante, claro que é importante. Em geral é uma consequência do trabalho, mas muito menos do que crescer profissionalmente. Então uma pessoa pode falar, bom, o meu sonho é ganhar X. Tá bom, e depois eu ganhar X, vou ficar o resto da minha vida. Ganhar dinheiro para quê? Não sei, talvez para pensar o que eu vou fazer quando ganhar um pouco mais de dinheiro. Então é um projeto, é uma coisa que transcende.
Acumular anos de vida não custa muito. Para a gente ficar velho é só não morrer antes. Mas dá sentido para a vida, é totalmente diferente. Então, a gente deve se perguntar...
e se perguntar não quando chega o momento de a gente ver alguma decisão mais importante, mas em todas as coisas. Quando Deus mostra um caminho, a gente acolhe com fé. E acolher com fé significa tentarmos nós nos adaptar aos planos de Deus e não fazer o contrário. Por quê? Porque a visão imanente de as coisas, são coisas que terminam. O transcendente não. Aquilo que transcende não passa.
E se a gente não busca essas coisas que valem a pena, porque a primeira dimensão é a busca, a gente vai sendo levado. Se uma pessoa, por exemplo, voltando àquilo que eu disse antes, coloca como ideal de vida, fica rica, o que vai fazer depois? Nadar no dinheiro, como o tio Patinhas, que joga as moedinhas, se dedicar a torrar. Agora, se coloca cultura, não quer ser uma pessoa culta, isso é um valor transcendente, porque nunca vai atingir.
Sempre vai ter novos desafios. Então, naquela ocasião, naquela missa, era o dia 26 de janeiro de 79, o Papa João Paulo II dizia assim, não haverá dificuldade, se não houver, perdão, não haverá fidelidade, se não houver, na raiz, esta busca ardente, paciente e generosa.
Se não estiver alojada no coração do homem uma pergunta para a qual só Deus tem a resposta, ou melhor, só Deus é a resposta. E a resposta que a gente procura é Deus. Então Nossa Senhora não estava dizendo que sim a um plano. Há planos que nos atraem mais e outros menos. Olha, você gostaria de fazer isso, aquilo, fazer um mestrado, fazer um doutorado. Não, mas aqui é diferente. Você quer entrar num plano de Deus?
Essa é a busca. Mas tem a segunda dimensão, que é a aceitação. A primeira é busca. A aceitação é aquilo que define a resposta. Faça-se em mim segundo a tua palavra. Repare que Nossa Senhora não diz assim, ok, deixa comigo, ok, eu vou fazer aquilo que esperarem de mim. Não, faça-se em mim.
A palavra aceitação, às vezes, não soa muito simpática. A gente aceita porque não tem outro jeito. Bom, aceita, o que eu vou fazer? Mas quando se trata dos planos de Deus, é exatamente o contrário. Deus chama, convoca para participar de uma coisa muito maior, uma coisa maravilhosa. Toda a vocação, a vocação ao matrimônio, a vocação ao celibato, ela nasce aqui, não com uma perda,
mas com a participação num plano. Agora, é importante a gente entender, claro, que o que é bom para nós vem de Deus. O grande problema que a gente tem, todos nós, e isso não só na juventude, não só quando se está discernindo a vocação, é que nós não sabemos o que é bom para nós. A gente não sabe.
E o pior é que a gente acha que sabe. Então, a gente tem uns planos para a felicidade. E com muita frequência, a gente olha para Deus simplesmente como alguém que vai nos ajudar a realizar esses planos. Então, quem é Deus? Deus é Pai, Deus é bondoso, e Deus me ama. Então, Ele vai me ajudar a realizar esses planos que eu tenho. Veja.
É o contrário. Deus tem os planos para a nossa felicidade. E está esperando que nós ajudemos Ele a realizar. Por isso que Nossa Senhora fala, faça-se em mim. Não somos nós quem vai melhorar os planos de Deus. Como que a gente olha para Deus? Será que às vezes a gente não olha, dá até um pouco de vergonha de dizer, como se fosse um ajudante da nossa felicidade?
Então agora o meu projeto é que eu quero comprar uma moto. Então eu vou rezar para Deus, meu Deus, me dá o dinheiro da moto, até, puxa, consegui, compro a moto. Como se fosse o artífice da nossa felicidade. Então, cuidado, será que nós somos coerentes? A gente diz que acredita. Mas será que a gente acredita de verdade nas coisas do dia a dia?
Talvez aqui a gente já faz como uma ponte para a segunda meditação, quando a gente vai considerar as duas outras dimensões, depois de ter aceitado busca e aceitação. Maria não tenta adaptar o plano de Deus para o dela, e olha que era muito bom o dela. Ela adapta a vida a um plano de Deus, ela entra no jogo de Deus. Os planos dela eram maravilhosos, mas os de Deus são melhores ainda.
Repara, o Papa João Paulo II, ele tem uma história de vida muito especial, e perdeu o pai, perdeu a mãe, estava naquele momento da guerra na Polônia, a Polônia estava como que imprensada entre o nazismo e o comunismo, e ele tinha uma grande paixão pelo teatro.
Não é que tinha feito uma peça no terceiro fundamental. Ele tinha talento também. Tanto que quando ele falou para aqueles que trabalhavam com ele, naquela companhia teatral, que ele ia ser sacerdote, o pessoal falou, não faça isso. O padre está cheio de padre, você tem talento. Mas ele percebeu que Deus estava entrando na vida dele. Tchau, bis.
Ele lembrasse disso quando disse na Humilie o seguinte, é o momento, estava descrevendo essa segunda dimensão da fidelidade, aceitação, em que o homem se abandona ao mistério, não com a resignação de alguém que capitula em face de um enigma, de um absurdo.
tudo bem, vai lá, ou vai ou racha, não, mas com a disponibilidade de quem se abre para ser habitado por alguma coisa, por alguém, com maiúsculo, maior que o seu próprio coração. Esta aceitação cumpre-se em última análise por meio da fé, que é a adesão de todo ser ao mistério que se revela. É uma história que começa, é uma história de amor que se abre,
e que faz parte dessa segunda dimensão da aceitação. De fato, como às vezes as palavras nos enganam, a gente pensa, aceitação, vamos lá, vamos aceitar, tem outro jeito? Não, vamos lá, então a gente aceita. Não, é que aceitação é fazer nossa toda essa realidade. Então repara, o faça-se em mim, segundo a tua palavra, Nossa Senhora, não fecha uma etapa, abre uma vida, uma vida inteira.
que é o que a gente vai ver na segunda parte. Mas eu quis lembrar isso para vocês por um motivo muito simples. Sempre é importante a gente pensar na fidelidade, estejamos em que momento nós estivermos da nossa vida, se a gente já sabe, claro, o que o Senhor espera de nós, ou não sabemos se já tomamos uma decisão ou não, mas também porque nós estamos começando o mês de maio, o mês de Nossa Senhora.
E não é interessante olhar para Nossa Senhora nessa ideia central? Ele poderia pensar na devoção à Nossa Senhora, mas por que não olhar naquilo que faz toda a diferença, que é o faça-se em mim? Em latim se diz fiat, olhar para o fiat de Nossa Senhora. Uma vez falei isso, uma pessoa que não sabia muito o latim, pensou que era um fiat, um carro fiat. Nossa Senhora tinha um fiat. O fiat, faça-se. Olhar para o fiat.
profaça-se de Nossa Senhora. Talvez isso nos ajude a viver melhor o mês de maio, o mês de Nossa Senhora, e também pensar um pouquinho como nós nos situamos nesse mundo da resposta, porque é sempre uma chamada de Deus e uma resposta humana.
Dou-te graças, meu Deus, pelos bons propósitos, afetos e inspirações que me comunicaste nesta meditação. Peço-te ajuda para os pôr em prática. Minha Mãe Imaculada, São José, meu Pai e Senhor, meu Anjo da Guarda, intercedei por mim.