As quatro dimensões da fidelidade 02
Meditação Católica
Voz da Meditação
- Relacionamentos e LealdadeCoerência como núcleo íntimo da fidelidade · A importância de cumprir a palavra · Amor como decisão e não apenas sentimento · Constância e permanência no tempo · A prova da duração da fidelidade
- Relacionamentos e CasamentoA fidelidade conjugal e a tentação · A fidelidade na vocação sacerdotal · A renovação do 'sim' diário · O amor como construção e decisão
- A Lenda do Flautista de HamelinA praga dos ratos na cidade · O acordo com o flautista · O desaparecimento das crianças · A lenda e seus registros históricos
- Legado de João Paulo IIA mudança de circunstâncias ao longo de seu papado · A fidelidade e a constância diante da doença · O exemplo de 'fiat' até o fim
- Oração e meditação cristãOração inicial e pedido de perdão · A importância do 'fiat' de Nossa Senhora · A oração do Ângelos e Regina Celi
Pelo sinal da Santa Cruz, e verai-nos Deus nosso Senhor dos nossos inimigos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meu Senhor e meu Deus, creio firmemente que estás aqui, que me vês, que me ouves. Adoro-te com profunda reverência. Peço-te perdão dos meus pecados e graça para fazer com fruto este tempo de oração. Minha Mãe Imaculada, São José, meu Pai e Senhor.
Meu anjo da guarda, intercedei por mim. Hamelin era uma cidadezinha da Alemanha.
que estava passando por um problema, que tinha sido invadida pelos ratos. E, de repente, apareceu um sujeito, um sujeito estranho, meio diferente, que se dispôs a resolver o problema, mas não dizia qual era o método, não dizia como ele ia fazer isso. E como eles queriam mesmo se livrar daquela praga,
barato, mas acabou aceitando, fecharam o negócio. E o método foi simples. Ele ia tocando uma flauta, uma música meio estridente, assim, e de repente em todas as partes saíam os ratos. Saiam os ratos, saiam os ratos, e eles ficaram como encantados pela flauta do músico lá de ramelim e foram seguindo pela rua.
com o focinho para o alto, assim, como se fosse um cortejo, até que, de repente, ele subiu num barco, e os ratos vinham e caiu na água, caiu na água, caiu na água, caiu na água, e a corrente foi levando, aquela alegria, tinham se livrado dos ratos, morreram todos afogados, e o flautista de Ramelim apareceu como herói. E na hora de receber,
o prefeito começou a renegociar. Falou, olha, veja só, nossa cidade é uma cidade pobre, o nosso povo é muito pobre, vai ser muito difícil eu conseguir pagar aquilo que a gente combinou. Aceita a metade. Além do mais, foi tão fácil, não é verdade? Foi só tocar a flautinha e os ratos foram embora. E o flautista não gostou. Ele falou, se eu fosse o senhor, eu cumpri a palavra.
E nesse momento o prefeito mudou, falou, você está pensando o que? Vai embora daqui, nós já se livramos, nós livramos os ratos, o que você pode fazer? Vai embora. Então não vai receber nada. E ele falou alguma coisa assim, tá bom, não é a primeira vez que vão deixar de cumprir um acordo comigo. Saiu da cidade e pegou novamente a flautinha, seu instrumento.
Só que dessa vez era uma melodia diferente, suave, envolvente. E os adultos começaram a rir dele. Era um doido lá. Tinha dado certo com os ratos, agora estava tocando uma outra coisa. Mas dessa vez começaram a sair as crianças. De toda parte começaram a sair as crianças. Das casas, dos parques, das escolas.
E foram seguindo. E, claro, os adultos, num primeiro momento, não perceberam. Hoje em dia as crianças estão muito mais fechadas, mas elas estão mais soltas. E ele foi indo na direção de uma montanha, e de repente se abriu uma porta na montanha, é uma lenda, hein? E entraram o flautista e todas as crianças e pum, a porta fechou e nunca mais se subiu. Quando os adultos se deram conta, já era tarde.
Só encontraram um menino, que coitadinho, ele tinha um problema que ele não conseguia andar direito, e ele estava chorando, e ele dizia assim, eu queria ter ido com eles, porque a música falava de um lugar maravilhoso, onde faz sol todos os dias, os passarinhos não param de cantar, as crianças não ficam doentes, eu corri, mas não consegui. O fato é que o povo de Ramelim procurou as crianças por toda parte, e não encontrou.
Então o prefeito começou a dizer, digo para aquele homem que eu dou todo o ouro de Ramelim para ele. Mas quem que ia confiar nele agora, na verdade? E as crianças não apareceram e diz a lenda que até hoje a gente de Ramelim não deixa de cumprir suas promessas. E é interessante, porque é uma lenda, mas se baseia num fato real.
Existem registros em Ramelim que em julho de 1284 um flautista conduziu realmente 130 crianças para fora da cidade e que elas se perderam em algum ponto. Muitos acreditam que elas foram sequestradas, raptadas. E por que eu contei essa história? Que acho que várias de vocês conhecem pelo menos pelo ícone, o ícone lá do flautista tocando, as crianças indo embora.
Porque esse conto nos serve para meditar nas duas dimensões da fidelidade que ficaram para essa meditação. Depois de pensar na busca e na aceitação, agora a gente deve pensar na coerência e na duração. São só as quatro dimensões da fidelidade. Então, essa dimensão, essa terceira das quatro, é a coerência.
E quantas vezes acontece na vida das pessoas o mesmo que nesse conto? Faltou coerência, claro que faltou coerência. Afinal de contas, uma promessa é para ser cumprida. E aquela promessa não cumprida, que parecia não ser nada, acabou tendo umas consequências duríssimas. Consequências inimagináveis.
E quantas vezes pode acontecer isso na vida de cada um de nós? Então, a pergunta que, aliás, vocês leram no exame, será que tem alguma área da minha vida em que eu não estou sendo coerente? Estou sendo incoerente? Incoerente com o que eu prometi a Deus? Porque, às vezes, a gente pode ser incoerente quase sem perceber. Aquele prefeito não era um homem mau, mas foi incoerente.
E foi incoerente por quê? Porque de repente ficou difícil ser coerente. De repente ele começou a calcular, ele falou, mas será que eu preciso cumprir a palavra? Eu já me levei dos ratos, se ele fizer pela metade. Não foi uma grande infidelidade, mas foi uma falta de palavra.
E sempre que uma pessoa falta com a palavra, vem consequências, às vezes consequências muito fortes, de que se arrepende amargamente. E não adianta depois prometer todo o ouro de ramelim, claro que não. Não é a história de muitos casamentos. Falta de coerência. Então, não sei, pode ser que o homem ou a mulher, de repente, comece a testar a própria simpatia.
que deixa crescer uma amizade que, alguma coisa já diz que é incoerente. Não é coerente essa amizade com uma pessoa que tem um compromisso, e de repente um casamento parece que vai por água abaixo. Mas vamos ler, nós estamos lendo as ideias do Papa São João Paulo II, lá no México, em 79, que ele falava das quatro dimensões. A terceira ele dizia assim, coerência é a terceira dimensão da fidelidade.
Trata-se de viver de acordo com o que se crê, de ajustar a vida ao objeto da adesão e de aceitar incompreensões, perseguições, antes de permitir rupturas entre o que se vive e o que se crê. Esta é a coerência. Aqui se encontra, possivelmente, o núcleo mais íntimo da fidelidade. Ou seja, como que fidelidade fundamentalmente é coerência. Ou seja...
É ajustar a vida àquilo que nós aderimos, o objeto da nossa adesão, e sabendo que vai ser necessário aceitar incompreensões, perseguições. Então, por exemplo, se eu tomo uma decisão na vida, isso me traz a incompreensão, perseguição, pouco provável.
e isso me abala, bom, então parece que eu não entendi bem que sou eu que tenho que me ajustar e não a vida que tem que se ajustar. Eu faria as coisas se todos fossem me cumprimentando, não é assim. Então a coerência é cumprir a palavra. Então, ao contrário de cumprir a palavra é relativizar o compromisso.
que fez lá o flautista, falou, mas espera aí, não foi tão difícil. E eu acho que aqui, por isso que o Papa falava desse núcleo mais íntimo da fidelidade, é aqui na coerência, onde a gente percebe que o amor deixa de ser sentimento e passa a ser decisão. O amor tem sentimento, claro que tem sentimento, mas tem muito de decisão. Então a coerência, que é esse núcleo íntimo, está feito de atos.
de atos de coerência, de realidade, de entrega, de belas palavras. Não, belas palavras não, belas palavras é fácil. Não, de ato, de entrega. Coisas simples, mas que são tão importantes, como dizia aquele homem que estava explicando a sua fidelidade, o seu matrimônio, e dizia assim,
Se eu saio sem a minha aliança, eu já comecei a atrair a minha esposa. Estou dizendo que todo mundo que não usa aliança, às vezes tem pessoas que não podem usar aliança pelo motivo que for, mas, claro, o que a aliança está dizendo? Que eu quero cumprir a minha palavra. Interessante que, no italiano, a palavra que designa aliança é a palavra fé.
A mesma palavra da virtude, fé, é a palavra daquilo que se leva no dedo. Não é que um anel, um anel é anelo, mas aquilo que se leva no dedo por ter um compromisso é fé. Tem muito de fé. Fé que é prática. Assim como a fé está feita de realidades de entrega, o amor está feito de realidades de entrega. Não de belas palavras.
Por isso que São José Maria dizia assim, contam de uma alma que ao dizer ao Senhor na oração, Jesus eu te amo, ouviu esta resposta do céu, obras é que são amores, não as boas palavras. Pensa-se por acaso, não merecerás tu também esta carinhosa censura. Então, às vezes a gente pode, pensando que os sentimentos são intensos, imaginar que o amor é verdadeiro. Não, o amor é sentimento, mas o amor também é o que é? O amor é decisão.
É coerência. É coerência, por exemplo, de não ficar medindo se vale a pena manter a palavra. Vale a pena uma pessoa manter a palavra, uma pessoa casada manter a palavra? Vale a pena eu manter a minha palavra, que eu prometi quando me ordenei sacerdote? Eu assumi o compromisso? Assumi o compromisso, agora vai ser assim? Não, é que é um compromisso de amor. Nos compromissos que a gente assume...
na vida, a gente assume diante dos demais. Um casamento tem uma dimensão pública, a ordenação tem uma dimensão pública, a vocação tem uma dimensão pública, de certa maneira, mas o íntimo, o núcleo íntimo é a nossa coerência com Deus. E a incoerência, ela traz consequências graves. No caso aí,
é dramático o final da história, porque de repente, por não pagar a desratização da cidade, todas as crianças morreram ou sumiram. A incoerência sempre traz consequências, para si ou para os outros. Se o soldado...
ele foge na hora do perigo, a cidade não dorme tranquila. Se o administrador desvia o que não é seu, o patrão vai ser obrigado a vigiar e vai ter que colocar um fiscal para vigiar o vigilante. Quer dizer, se o marido não está disposto a honrar o que prometeu diante do altar, ou a esposa, não existe paz na família.
Claro que não. De fato, é interessante de pensar que só se pode dizer fidelidade aquilo que é coerente. Existe o soneto da fidelidade, devia chamar o soneto da infidelidade, do Vinícius de Moraes, que diz assim, que o amor seja infinito enquanto dure. Nessa hora a gente já vê, isso não é amor. Esse amor já está mortalmente ferido, mesmo que pareça muito intenso.
intenso, até que a morte nos separe, ou qualquer outra coisa nos separe também. Até que uma loirinha nos separe, até que eu me enjure a sua cara, até que apareça alguém melhor. Repara, é muito forte isso. Um amor incoerente não é amor. E de alguma maneira, isso nos leva para a quarta dimensão.
só para a gente não se atrapalhar, é a busca, é a aceitação, a coerência. E agora, essa quarta dimensão é a permanência no tempo. Se a gente permanece fiel quando as coisas custam, ou a gente abandona quando passa o entusiasmo. O entusiasmo sempre passa, e qualquer coisa passa.
E então dizia o Papa São João Paulo II naquela ocasião, toda fidelidade deve passar pela prova mais exigente, a da duração. Por isso a quarta dimensão da fidelidade é a constância. É fácil ser coerente por um ou por alguns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. Fácil ser coerente na hora da exaltação. Difícil é ser na hora da tribulação.
E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. Simples, mas a fidelidade é uma coerência que dura ao longo de toda a vida. Não é o que acontece com o fiat, o facet de Nossa Senhora? Na anunciação, a gente pode pensar em um momento de plenitude, talvez um momento de sentimento. Claro que Nossa Senhora disse o seu facet, o seu sim, com muito sentimento.
Mas como depois esse sim, esse faça, esse vai se repetir, ao longo de toda a vida, até a cruz. Ser fiel, continuava o Papa, é não atraiçoar nas trevas aquilo que se aceitou em público.
Então, pensa um pouquinho. Pensa você na tua vida, na tua vocação, no discernimento da tua vocação. Se você guarda nas horas difíceis a decisão que você tomou diante de Deus. Poxa, mas agora já não é tão interessante, agora já passou o entusiasmo. Bom, eu trabalho também por amor, que é mais que entusiasmo. O tempo acaba revelando.
Se nós dissermos a verdade, o tempo revelou que aquele prefeito não era verdadeiro, não era um homem fiel. Então não é suficiente estar entusiasmado quando os ratos desaparecem. Puxa, está dando tudo certo. Qualquer coisa que a gente começa a fazer, vai chegar o momento que vai precisar passar por essa prova.
Não é que as coisas são ruins, é porque a gente se acostuma com tudo. Na verdade, algumas de vocês que já estão mais adiantadas na universidade, a gente entra na universidade no primeiro dia, nossa, a gente está entusiasmado, a gente quer comprar a camiseta da universidade, dormir com a camiseta da universidade, meu Deus, entrei na faculdade, que maravilha. Depois...
já chega uma hora que vai diminuindo, na verdade, vai diminuindo. A gente vê que as matérias não são exatamente como a gente gostaria, que às vezes tem... E isso é a vida como ela é. A fidelidade é coerente e constante no templo, porque a vida é assim. A gente precisa renovar o sim. O segredo não é que a gente imagine que vai ter um sim.
que vai ser para sempre. Vamos pensar no carro. Uma pessoa comprou o carro, talvez se comprasse o carro com o tanque cheio, fala que maravilha, esse carro vai para cima e para baixo. De repente, puxa, acabou o combustível. Claro, precisa encher, precisa colocar combustível. E boa parte do amor é essa renovação do amor. O amor não é uma coisa que acontece, é uma coisa que a gente faz.
ou talvez para usar uma expressão, pode parecer um pouquinho piegas, não sei, é uma coisa que a gente faz acontecer, a gente faz acontecer através da vontade. E por isso, na vocação, não se trata tanto de se sentir chamado, mas de permanecer chamado. Me sentir chamado, eu não sei, eu ouvi uma voz que dizia, permanecer, permanecer chamado. Então...
Cuidado com essa espécie de visão, mas é que se eu perdi o entusiasmo, eu já não posso continuar, eu continuaria se ainda achasse, mas eu tenho que ser leal comigo mesmo. Afinal de contas, qual o sentido de eu fazer uma coisa que eu já não sinto? Opa!
A gente tem que fazer muitas coisas que a gente não sente. É verdade. É próprio da fidelidade, é capaz de manter a palavra, mesmo quando as circunstâncias mudam. E esse é o bonito. O bonito é o seguinte, é que essa coerência, que é esse núcleo íntimo, como dizia o Papa, é uma coisa que não muda. As circunstâncias mudam. Circunstância, o nome diz, é aquilo que está ao redor de circunstare.
As circunstâncias mudam. Então basta pensar, uma pessoa diz o sim à sua vocação quando é nova. E o que acontece? Passa o tempo e a gente deixa de ser novo. Isso não tem dúvida. Então mudam as circunstâncias, mas o núcleo íntimo, a palavra, a palavra que a gente deu, quer dizer, o que eu posso te entregar? A gente fala, meu Deus, posso te entregar a minha palavra.
É outra coisa. Então, eu vou continuar. E não é continuar. Bom, não tem outro jeito. O que eu vou fazer? Ixi, que azar, na verdade. Então, às vezes a gente vê algumas pessoas no matrimônio que parece que dão essa impressão. É, azar, na verdade, que coisa. Não sei, eu estava com a cabeça quando eu casei, justo com essa mulher aí, que coisa. É a minha cruz, na verdade. Não é assim. Não é assim.
Então, para isso, para a gente entender essas quatro dimensões, sobretudo para fazer uma síntese para a nossa vida, e como eu disse na primeira meditação, isso vale para qualquer momento da vida. Talvez para algumas de vocês seja mais presente a primeira meditação, a busca e a aceitação, que é alguma coisa que se dá antes de a gente ter dito que sim.
Depois, talvez seja mais a coerência, a duração, a constância. Mas sempre a gente pode voltar para o faça-se, o fiat de Nossa Senhora. O fiat de Nossa Senhora não ficou naquele momento, ela começou ali. A descoberta da vocação, e isso vale para o celibato, vale para o matrimônio, é sempre o quê? É um ponto de partida, não de chegada.
Não de chegada. Para quem vai casar é tão importante. Isso não é um ponto de chegada. Então é só eu apontar no dia que eu vou casar e depois a minha vida vai ser como nas histórias. Viver um feliz para sempre. Não, não é assim. Quer dizer, precisa a partir daí construir. O amor é uma coisa que se faz, que se constrói, porque é decisão, não é só sentimento.
E Nossa Senhora, ela foi na mudança das circunstâncias, em Belém, no Presépio, no Egito, naquela insegurança da fuga, e Nazaré, Nazaré é a prova para o face de Nossa Senhora, era a monotonia dos dias iguais. Pensa, iam passando os anos, muitos anos, até quando Jesus tem 30 anos, que não acontece nada. E depois...
no Calvário, na cruz. E o que Nossa Senhora tinha dito, com os lábios, lá na anunciação, faça-se, faça-se em mim, ela ia confirmando com a vida. E era isso que São João Paulo II queria dizer. Que a fidelidade não é apenas começar bem, é continuar, é permanecer, e é recomeçar quando for preciso. Eu gosto de pensar.
que a vida dele, de alguma maneira, talvez por ele ser um homem do teatro, acabou tendo uma dimensão quase plástica disso.
Eu digo por quê? Porque quem acompanhou todos os anos, muitos anos que ele esteve à frente da igreja, foram 27 anos, se eu não estou fazendo a conta errada, foi de 78 até 2005, não chegou a completar os 27 anos, mas em todos esses anos houve uma mudança de circunstância impressionante.
Eu me lembro quando ele foi eleito, ele tinha 58 anos, ele esquiava, ele nadava, era um atleta. Por exemplo, quando ele veio no Brasil, ele veio no Brasil a primeira vez em 1980. E então ele esteve em várias cidades, esteve aqui em Fortaleza.
E quando ele foi no Rio de Janeiro à televisão, estava filmando todas as coisas, ele subiu as escadas lá do Corcovado, quem já foi lá sabe, uma escada empinada, subiu assim, numa boa, os jornalistas lá tentando acompanhá-lo, e depois o atentado.
Atentado. Em 1981 sofreu um atentado. E depois a doença. E nos últimos anos o Parkinson, que no caso dele deixou ele com muita dificuldade até de falar. Agora, interessante, ao invés de fazer o que muitos homens públicos fazem, ele esconde a doença.
não querem que se vejam, ele fazia o contrário. Ele não deixou em nenhum momento de aparecer, de falar, e, por exemplo, ele começou a ter um apoio de uma fonoaudióloga para falar, para poder falar, porque ele queria até o fim. Então, foi uma trajetória assim, e sempre fiel, sempre fiel, sempre cumprindo a missão.
Eu me lembro disso porque quando eu morei em Roma, no final dos anos 80, ele era muito jovem, muito forte, ainda esquiava. E depois eu só fui ver o Papa novamente, a última vez que o vi, foi em 2002 na canonização do São José Maria. Eu confesso para vocês que me deu um nó na garganta. E claro, quando eu vi o Papa, muito debilitado.
Ele já praticamente não andava, ele andava uma espécie de uma plataforma que empurrava. Mas era ele mesmo, era ele mesmo. O sim dele foi até o fim, foi até o fim. Até o último momento, quando ele no domingo de Páscoa, ele morreu naquela semana de Páscoa, na véspera do domingo da misericórdia, ele tentou dar a bênção e não saiu a voz.
Foi até o fim. Exatamente o que ele falou em 79, no começo do pontificado, foi a vida dele. Não basta amar no começo, no matrimônio, não basta amar no dia do casamento, amar todos os dias, não basta dizer que sim uma vez no celibato, é preciso dizer muitas vezes, cada dia. E é natural que seja assim, porque se a vida espiritual, a vida cristã, é uma amizade com Cristo,
A gente pode pensar que as circunstâncias mudam, mas esse núcleo íntimo, a coerência não muda. O amigo fiel é o amigo certo nas horas incertas. Então, a vida, as circunstâncias mudam. Mudam.
Mas o amor não muda, a fidelidade não muda. E é tão bonito isso. Quando a gente olha na vida de uma pessoa, na vida de um santo, estou pensando aqui exatamente no homem que falou dessas quatro dimensões, alguém poderia pensar, lá em 79 ele dizia mais como um grande filósofo, um grande pensador, um grande intelectual, mas disse a mesma coisa até o fim. E a gente pode olhar para a fidelidade de Nossa Senhora.
procurar, olhando para Nossa Senhora, renovar o nosso fássese. Você sabe que durante o ano, tirando o tempo pascal, a gente reza uma oração chamada Ângelos. O Ângel do Senhor é o Senhor Maria, Ângelos Domino, Seável e Maria. Que é exatamente lembrar esse momento. Depois, nesses dias, até Pentecostes, nós estamos rezando o Regina Celi. Rainha dos Céus, alegrai-vos, aleluia.
Então, boa parte do ano a gente reza o Ângelos. Então, quando a gente reza o Ângelos, a gente pode, sim, pensar que, olhando para a vocação de Nossa Senhora, olhando para as quatro dimensões da vocação de Nossa Senhora, a gente pode pensar na nossa. De alguma maneira, quando a gente não compreende plenamente os planos. A gente não compreende plenamente os planos. Não dá para a gente entender tudo.
Nossa Senhora não pediu que o anjo detalhasse, olha, quanto tempo vai demorar até que comece a vida pública, quantos milagres ele vai fazer, ele vai morrer, e como vai ser depois que ele morrer, vai ressuscitar. Não, faça-se em mim segundo a tua palavra. O fiat é esse colocar-se perfeitamente nas mãos de Deus. E vale a pena jogar o jogo de Deus.
Vou pedir à Nossa Senhora, nesse começo do mês de maio, que a gente pense na vocação. Mas a gente pense na vocação não simplesmente como uma decisão que a gente deve sim tomar, porque todo mundo tem vocação, todo mundo deve descobrir a própria, mas como uma imitação e como essas quatro dimensões, essas duas anteriores à decisão, à busca e à aceitação, que a gente vê na primeira meditação, que não é simplesmente bom.
Vamos aceitar porque não tem outro jeito. Não, é se tomar para si, aceitar. E depois a coerência, que o Papa falava que é um núcleo mais íntimo, é o fiat, é o face. E a constância, porque nenhum amor que merece esse nome deixa de ir até o fim. O amor que é eterno enquanto dura não é amor.
Pedir a Nossa Senhora que faça a gente entender tudo isso, e sobretudo que nos ajude a entender qual o amor da nossa vida e como nós devemos cuidar dele. Dou-te graças, meu Deus, pelos bons propósitos, afetos e inspirações que me comunicaste nesta meditação. Peço-te ajuda para os pôr em prática.
Minha Mãe Imaculada, São José, meu Pai e Senhor, meu Anjo da Guarda, intercedei por mim.