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Gerdau lança a linha NewEco, uma solução de aço com baixa emissão de carbono | Minas S/A

02 de maio de 202656min
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Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, é o convidado de hoje da temporada Minas S/A Legados, em todas as plataformas de O TEMPO. Com 125 anos de história e quase R$ 70 bilhões de receita líquida em 2025, a maior empresa brasileira produtora de aço moderniza suas operações em Minas Gerais — com investimentos bilionários em uma plataforma de mineração sustentável e o lançamento da linha New Eco, uma solução de aço com baixa emissão de carbono desenvolvida para apoiar clientes que buscam avançar em suas jornadas de descarbonização e fortalecer sua competitividade em um cenário de transição para uma economia de baixo carbono. O executivo analisa o avanço da Inteligência Artificial no setor e a relevância crescente da operação norte-americana nos resultados da companhia. O CEO da Gerdau também aborda a importância de uma gestão humanizada como a “última fronteira” da eficiência empresarial.

Assuntos7
  • Empreendedorismo e burocracia no BrasilPerda de participação da indústria no PIB · Carga tributária e ambiente de negócios difícil · Competição desleal com aço chinês · Necessidade de um plano de Estado para a indústria
  • Investimentos e competitividadeFoco em competitividade e redução de custos · Plataforma sustentável de mineração em Minas Gerais · Comparativo de investimentos Brasil vs. EUA · Retorno sobre investimento e escrutínio criterioso
  • Impacto Ambiental da MineraçãoProjeto Itabiritos e mina de Miguel Burnier · Redução do tráfego de caminhões com mineroduto · Certificação IRMA como selo de qualidade · Transição do Quadrilátero Ferrífero
  • Lançamento da linha New EcoSolução de aço com baixa emissão de carbono · Demanda crescente por produtos sustentáveis · Produção com sucata e energia renovável · Redução da pegada de carbono
  • Cultura e Longevidade da GerdauGestão humanizada e foco no cliente · Superação de desafios históricos · Cultura de dono e cuidado com colaboradores · A importância de aprender com erros e acertos
  • Inteligência ArtificialAumento da lacuna de performance · Otimização de processos e tomada de decisão · Potencial criativo humano insubstituível
  • Energia RenovavelCusto elevado do gás natural no Brasil · Descontinuidade da produção de aerogeradores · Investimento em parques solares e New Wave Energia · Desafios regulatórios na energia renovável
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Minas S.A. Temporada Legados. Oferecimento Fê Comércio. Juntos por quem faz acontecer. E Gerdau. O futuro se molda. Realização. O tempo.

Olá, tudo bem? Hoje na temporada Minas S. Alegados, eu converso com Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, a maior produtora brasileira de aço. Tem 125 anos, 30 mil funcionários. Teve um resultado, uma receita líquida, em 2025, de quase 70 bilhões de reais, mais de 11,6 milhões de toneladas de aço vendidas. E agora acabou de lançar uma linha de produtos.

de baixa emissão de carbono, a New Eco. A gente vai conversar muito sobre isso aqui. Eu, hoje aqui, estou na sede da Gerdau, em Belo Horizonte. Gustavo, muito obrigada por nos receber novamente aqui. Tudo bem? Eu já estava com saudade de vocês, né? Já tinha um tempo que vocês não vinham aqui, né? Como vocês estão cada vez melhores, né? Estava aguardando aí a oportunidade da gente se encontrar de novo. Sejam muito bem-vindos, né?

E sempre um prazer enorme, né? E uma admiração profunda que a gente tem por vocês. Ah, que bom, Gustavo. É, a gente sempre é muito... É aquele jeitinho mineiro de receber, né? O pão de queijo, o cafezinho, uma boa conversa. E tem coisa melhor, né? Não tem, não, né? A qualidade de vida de Minas. Ô, Gustavo, essa linha de produtos, eu tô doida pra saber, assim...

tem de diferente, né? New Eco, o que é? Você consegue performar, ter preço, porque cliente reclama muito, né? Ah, esses produtos mais sustentáveis, eles são mais caros. Mas dá pra ter tudo isso? E baixa emissão de carbono ao mesmo tempo? Muito se fala que essa temática de ESG, de sustentabilidade, ela recrudeceu, ela desapareceu, tá? Na verdade, ela desacelerou um pouco, mas esses sistemas continuam vivos, né?

Então, esses produtos que a gente batizou de New Eco, eles são produtos de baixa pegada de carbono que visam atender uma demanda crescente dos nossos clientes por comprarem produtos, não só para a construção civil, mas em vários outros segmentos, que possam contribuir para essa estratégia dos nossos clientes de cada vez mais.

comprarem produtos de baixa pegada de carbono para que ao longo do tempo, não só a Gerdau, mas outras empresas que também já produzem produtos semelhantes, possam contribuir para essa redução da emissão de gás de efeito estufa ao longo do tempo.

nasce por uma demanda dos nossos clientes. Os setores automotivo, industrial, eles são muito construção civil, eles demandam aços cada vez melhores, com menos emissão de carbono. É o cliente que está exigindo isso, cada vez mais. E na história da Gerdau a gente sempre teve muito conectado com essas demandas, presentes e futuras dos nossos clientes.

Então, a Gerdau tradicionalmente já é muito competitiva na produção de aços com baixa emissão de CO2, ou baixa emissão de gás de efeito estufa. Porque nós temos uma produção de aço à base de sucata. E a sucata é um coproduto infinitamente reciclável.

Então, a gente lançou esse produto e ele tem uma pegada de carbono ainda mais baixa do que a média dos outros produtos que a Gerdau fornece para os nossos clientes, porque ele é produzido com 100% de sucata reciclável e também com energia renovável. Então, de fato, esses produtos têm uma pegada de carbono muito baixa.

Eu estava olhando os índices, vocês conseguem diminuir cada vez mais, era 0,89, agora é 0,85 toneladas por CO2, equivalente por tonelada de aço produzida, eu guardei o número que eu achei tão abaixo, muito abaixo da média mundial. Exatamente, isso é menos da metade da média mundial?

E o que é bom dizer é que a gente tem um plano de longo prazo de seguir reduzindo essas emissões. Dá para reduzir mais ainda? Dá para reduzir mais ainda. A gente fez, dentro de uma metodologia bastante conhecida globalmente, a gente criou um plano de 10 anos que leva em consideração as tecnologias disponíveis, a viabilidade econômica.

O que significa que o nosso plano é um plano auditável, transparente, e que a gente tem a absoluta convicção que a gente vai conseguir cumpri-lo ao longo dos anos. A gente nunca gostou, na história da Gerdau, de prometer aquilo que a gente não pode cumprir. É, essa transparência no mercado, né?

Em relação aos outros players, essa linha de produtos é muito extensa, ela está sendo fabricada em várias usinas da Gerdau aqui no Brasil, esse produto está fora também do Brasil? Sim, ela pode ser produzida na grande maioria...

de nossas plantas industriais, e ela atende não só o mercado de construção civil, mas também o mercado automotivo, ou seja, é uma gama de usinas, uma linha completa de produtos. Perguntou anteriormente como é a questão de preço, que a gente olha claramente que muitos clientes não ainda conseguem pagar um prêmio adicional.

para esse produto, mas eu tenho um ponto de vista que é questão de tempo. Então, essa jornada de transformação, de redução de emissão, no nosso ponto de vista, ela está muito menos relacionada a preço, a um viés econômico e muito mais relacionado ao propósito que nós na Gerdau temos, os nossos clientes também, de ao longo do tempo a gente poder contribuir com ações concretas.

para que a gente tenha um planeta melhor, para que a gente possa ser protagonista nessa grande transformação ambiental pela qual o mundo precisa passar. É, cada vez mais, né? E a produção dessa linha de produtos, ela vem mais outras linhas aí? Vocês estão preparando produtos para transformar o portfólio da Gerdau cada vez mais em produtos com baixa emissão de carbono? O que que... Né?

Essa é uma jornada contínua que está na Gerdau ao longo do tempo. Então tem esse viés de sustentabilidade, de cada vez produtos com menor pegada de carbono, mas também a gente vem produzindo, como exemplo, o nosso segmento de aços especiais, aços cada vez mais leves, cada vez mais tecnológicos, porque existe uma demanda também dos nossos clientes no setor automotivo.

de reduzir o peso do automóvel. Esses veículos híbridos que convivem com um motor a combustão tradicional com uma bateria, isso exige que os aços sejam mais leves para reduzir o peso completo de um automóvel. Então a gente está hoje no estado da arte em algumas usinas nossas, aqui no Brasil, mais especificamente nossa usina em Pindamonhangaba, em São Paulo.

e nossa usina em Monroe, no Michigan, são usinas hoje que estão no que há de mais importante em termos de tecnologia, e a gente tem conseguido, inclusive, estar à frente dos nossos clientes no que diz respeito a aços mais leves, aços mais resistentes, aços mais tecnológicos. Então, essa jornada de transformação para atender a demanda dos nossos clientes, ela sempre esteve presente na história da Gerdau e certamente vai continuar ao longo dos anos.

É um caminho sem volta, Gustavo. Principalmente na indústria automotiva, que precisa... O que vem agora é carro híbrido mesmo e essa nova era. Sim, a empresa não pode existir para ela mesma. A empresa tem que existir continuamente para criar valor para os seus clientes. Então essa cultura de sempre pensar no cliente, de sempre entender à frente do mercado o que os clientes vão precisar no futuro, isso...

Sempre teve presente assim no nosso meio. Então, o cliente no centro de tudo, o cliente no centro das nossas decisões de negócio, ele é um ponto cada vez mais importante numa cultura que já é consolidada de muitos anos na nossa empresa. Tem que se reinventar sempre para poder continuar esse tempo todo. 125 anos são pouquíssimas empresas no Brasil que têm essa idade.

E com muito trabalho, com muito esforço, a gente chega nos 125 anos, que a gente recentemente completou, no último mês de janeiro, mas um momento muito importante. A gente chega em 125 anos, bem preparados, muito fortes, com o nosso balanço muito saudável, para a gente poder seguir trabalhando duro e pavimentar.

essa história dos próximos 100 anos na companhia. Porque é incrível sempre ver a trajetória de uma fábrica de pregos até uma companhia produtora de aço com 125 anos fazendo tantos produtos inovadores sempre.

Não é fácil, tem que estar com caixa bom, resultado interessante. Eu estava vendo os números aí, quase 70 bilhões de receita líquida e 11,6 milhões de toneladas vendidas no ano passado.

A gente já teve, quando eu fiz entrevista com você pela primeira vez, em 2023, você estava comemorando aquele resultado recorde de 82 bilhões de receita líquida. É possível voltar esse número? Você está sempre buscando esse número novamente? Quer dizer, você já performou uma vez?

O que depende agora para o próximo século? Certamente é possível. Uma história centenária como a nossa, a gente precisa tomar muito cuidado, porque ela vai trazendo ao longo dos anos aspectos positivos da cultura e aspectos negativos também.

Então a gente tem que ir tentando eliminar esses aspectos negativos da cultura, trazendo novos atributos da cultura, mas ao mesmo tempo mantendo aqueles que foram e seguem importantes. Então um foco muito relevante nos nossos clientes, o trabalho duro, o trabalho com uma gestão muito bem feita. Essa é uma cultura da Gerdau que esteve presente e continua.

Então, essa busca contínua por resultados de excelência, por cada vez fazer melhor, por bater os nossos recordes, isso é muito presente no dia a dia, o que nos traz a certeza, em todos nós que trabalhamos na Gerdau, que a gente pode conquistar novamente recordes já conquistados e superá-los. Então, isso aí está muito presente no dia a dia. Porque tem um aspecto também importante dessa cultura de 125 anos, a gente...

não cair na armadilha de achar que os desafios que nós temos agora são maiores que os desafios que a gente teve atrás. Imagina uma empresa como a nossa, que viveu a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, tantas dificuldades no Brasil, planos econômicos, conseguimos superar todos os desafios. Então a gente tem na cabeça que os desafios do momento, eles não são iguais, são diferentes.

mas podem ser superados como os nossos antepassados já fizeram. Então a gente está muito otimista e positivos, apesar das dificuldades que o mundo passa, que a gente pode seguir se superando, entregando resultados melhores e deixar a empresa muito preparada para o que vem pela frente.

É, e outras guerras virão, outras crises, não tem como. Outros desafios. Outros desafios, não é? A gente estava conversando aqui um pouco antes e você falando da IA, como que ela tem ajudado também uma companhia produtora de aço. É uma revolução também? É uma coisa que veio para ficar também no aço?

Acho que chamar de uma grande revolução não é uma terminologia equivocada, porque a busca contínua por excelência, utilizando as metodologias tradicionais, depois de muitos anos fazendo isso...

O gap ou a lacuna que a gente chama, aí relembro o professor Falcone, que foi professor de muitos nós de gestão aqui de Minas, depois de muitos anos utilizando as metodologias tradicionais, a sua lacuna de performance vai ficando pequena. Então a transformação digital e a inteligência artificial, ela pegou a tua possibilidade, a tua lacuna de performance, ela cresceu assustadoramente.

o lado positivo que a gente olha é que resultados que a gente não conseguia alcançar com metodologias tradicionais, hoje com inteligência artificial, a gente tem sim a possibilidade de alcançar. Então, as possibilidades que se criaram no presente, no futuro, para a gente melhorar a nossa performance, elas são incalculáveis. Então, a gente está muito animado, muito otimista, com essa grande transformação que vai vir pela frente, e a gente quer ser, mais uma vez...

protagonista nessa transformação, um exemplo de uma empresa industrial, no setor tradicional, mas que utiliza com muita intensidade a inteligência artificial para levar a companhia a resultados superiores. A gente tem que torcer para ela não substituir a gente, não é, Gustavo? Não, eu acho que ela vai...

Ela vai ser assim, vai nos suportar, vai nos ajudar, mas a capacidade humana de analítica, de interpretação, até de emoção, a maneira como a gente trata as coisas, a intuição, isso é insubstituível. Mas vai ser, de fato, um elemento muito importante para a gente...

melhorar como seres humanos, como líderes. Ter mais tempo para fazer outras coisas, porque eu acho que ela otimiza o tempo, com coisas burocráticas, às vezes de contrato e tudo, que a pessoa gastava horas com aquilo ali, às vezes dias, e vai para frente. Esse é o lado, talvez, mais de curto prazo, a gente deixar de fazer a parte burocrática, transacional, que já no dia a dia nosso, na Gerdau, já está substituída, mas vem um lado, talvez o lado mais...

O mito da inteligência artificial, como é que tu pode pegar uma enormidade de variáveis, de dados, tu interpretar aquilo e ela de fato te ajudar a tomar uma decisão relevante de negócio. Então ela apoiar a tua estratégia, ela apoiar os teus movimentos futuros, às vezes de alocação de capital, de investimento. Então eu acho que a grande beleza da inteligência artificial, ela ainda vai acontecer nos próximos anos.

Vamos falar de investimentos já publicados pela Gerdau. Ano passado foram mais de 6 bilhões de reais investidos, esse ano 4,7 bilhões. Não sei se já mudou esse número. Esse volume está sendo investido basicamente em quê esse ano?

Olha, eu acho que a grande mudança que nós tivemos no patamar de investimentos dos últimos anos para esse de agora é que a gente está muito mais focado nos nossos investimentos em buscar competitividade, em reduzir custos, inteligência artificial faz parte disso, do que investimentos para a gente crescer em tamanho. Então a gente está sendo muito criterioso, tendo um escrutínio enorme de ter certeza de que qualquer...

dólar que a gente investe na Gerdau, ele vai trazer o retorno esperado pelos nossos acionistas. Então o nível de escrutínio, de critério, de tecnicidade, ele cresceu muito. E para nós, assim, é uma certeza de que apesar das dificuldades que a gente enfrenta, a Gerdau segue apostando no Brasil, segue apostando nos Estados Unidos, são nossos principais mercados.

Então, o patamar de investimentos na ordem que a gente divulgou para esse ano é o que a gente imagina para frente, mas eu acho que a grande mudança é isso. A gente é muito mais criterioso hoje, a gente tem que ter muito mais segurança de que cada dólar que a gente investe vai trazer o retorno adequado. Um grande exemplo da busca de competitividade é esse investimento, que é o maior investimento da história da Gerdau, na moeda reais, que é o que nós estamos fazendo aqui em Minas Gerais, uma plataforma sustentável de mineração.

Essa plataforma não é para a gente comercializar minério, é diferente de investimentos que outras empresas fazem, mas ela tem como foco principal entregar um minério de baixíssimo custo para o Ouro Branco, porque o Ouro Branco é a nossa maior usina e a gente quer continuar tendo o Ouro Branco como uma plataforma de produtos de altíssima qualidade, mas também muito competitiva em termos de custo.

Ouro Branco, a usina lá é linda. Fui lá no passado, naquela inauguração da expansão, parece que você está numa mini cidade, limpa, tem uns canos lá, prateados, o que é aquilo? Parece que passou escovão em cima, Guilherme. Coisa linda que é. E é uma usina da década de 70. Como que ela foi sendo modernizada? Altíssimos investimentos para fazer isso. Uma área preservada também, de mata. Eu fiquei maravilhada.

Tem investimentos, mas também tem muita cultura de dono. Então, isso faz parte da história da Gerdau. Cada colaborador entra ali e se sente dono daquilo. Então, a cultura do cuidado, da preservação.

ela é muito presente no dia a dia, porque a gente quer que os nossos colaboradores tenham esse sentimento de dono, mas ao mesmo tempo a gente quer que eles olhem para a empresa e digam assim, a empresa está me devolvendo o mesmo valor que eu entrego para ela. Então essa relação cada vez mais humanizada, equilibrada.

de os dois lados sentirem que está havendo criação de valor ao longo do tempo, que a gente está conseguindo melhorar a vida das pessoas e, consequentemente, da empresa. Isso é muito presente no nosso dia a dia. Então, é menos investimento e mais o cuidado, porque se a gente tem cuidado com as coisas, a gente pode preservar por muitos anos. Agora, você falou aí da visão estratégica em relação à usina de Ouro Branco. É a principal operação da Gerdau no Brasil.

E ela agora vai estar interrogada com a mina de Miguel Burnier, o projeto Itabiritos da Gerdau, que está ficando pronto, está em construção.

Esse mineroduto que vai levar o minério, qual é a capacidade dele? Ele já está sendo feito para ter uma capacidade para ter expansão nos próximos anos? Como é que está isso? E a gente sabe que o mineroduto tem uma série de critérios, de intervenções, e está sendo tudo feito de uma maneira super sustentável.

Eu acho, Aline, que tu toca em alguns pontos importantes quando tu fala do mineroduto. Em primeiro lugar, são as dificuldades crescentes que a gente tem tido para fazer empreendimentos de mineração. Infelizmente, as boas empresas, as empresas que fazem as coisas de forma correta, elas acabam pagando um preço.

por aqueles que não fazem de forma correta. Coloca todo mundo no mesmo balai, vou chamar assim. São vilanizadas, né? Então, é uma pena, porque deveria separar, sim, as empresas que querem fazer as coisas de forma correta, com boa gestão, com tecnologia, certificadas por normas internacionais, como nós somos nessa mina. Poucas empresas no mundo são certificadas, um carimbo de qualidade. É uma das 11 só com rima, né? Exatamente. Uma das 11 do mundo que eu estava pesquisando.

Exatamente, com o Irma, uma das 11, o que é um carimbo de qualidade muito relevante. Então, a pena é que o nível de dificuldade para a gente implantar investimentos, ele tem crescido porque a gente acaba pagando o preço, o pênalti, por aquelas empresas que não fazem tão bem. Mas a gente segue investindo, e uma decisão que a gente teve que tomar nesse investimento, como é que a gente ia transportar o minério da mina até a ouro branco?

a decisão mais fácil seria colocar num caminhão e levar esse caminhão para Ouro Branco, tira da mina, vai para o caminhão. Só que nos incomodava muito o fato dessa quantidade enorme de caminhões trafegando nas estradas. Então a gente tomou a decisão de investir um pouco mais. Investimentos como esse, muitas vezes, eles não têm um retorno econômico e financeiro, mas é um retorno do ponto de vista ambiental. Então nós resolvemos construir um mineroduto de 13 quilômetros.

que ele pega o minério e transporta, sem caminhão, da nossa mina para Ouro Branco. Com essa decisão, nós estamos tirando diariamente 400 caminhões da estrada. Então, o mineroduto de tecnologia, sim, do que há de mais importante no mundo, e vai trazer um retorno muito relevante, porque as pessoas que convivem ali nas estradas, que convivem no dia a dia em Ouro Preto, em Ouro Branco, em Itabirito, elas vão, a partir da partida desse mineroduto,

observarem menos caminhões circulando no dia a dia. Então é bom para todo mundo, é mais seguro, o impacto ambiental é menor. Então a gente está muito feliz com a decisão que a gente tomou, foi uma decisão muito acertada. E o volume, a expansão é para atingir a produção de cinco.

5,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, vai ser tudo pellet feed? Como é que está esse entendimento? Porque é um minério de mais alto valor de ferro e ele tem uma descarbonização melhor também, para o cliente, todo mundo quer esse minério.

Então, exatamente assim. A gente fez um investimento agora, um módulo inicial, existe possibilidade de crescer essa produção no futuro. Ela está sendo preparada para outras expansões, se ela tem condições. A gente vem estudando assim, de uma maneira...

eu diria mais tranquila se a gente pode ou não no futuro ter a mineração como um negócio adicional de criação de valor para a Gerdau. A gente não quer ser um grande player de mineração, mas a gente entende que nós temos direitos minerários muito importantes.

E pode ser que no futuro a gente explore um pouco mais economicamente esses direitos minerários. Você já tem qualquer reserva lá? No momento adequado a gente vai dar escrutínio mais para o mercado, mas primeiro a gente é muito pé no chão, vamos estudar com o mais calmo que a gente tem, para quando a gente anunciar alguma coisa a gente ter certeza que nós vamos cumprir aquilo que a gente prometeu. Então esse mineroduto vai transportar 5 milhões e meio de toneladas de minério de ferro, pellet feed, dessa mina para ouro branco.

Eu acho que é importante, até para esclarecer ou para mostrar para o nosso público, que Minas Gerais vem passando por uma transição muito grande do ponto de vista do quadrilátero ferrífero. O que se chama de hematita, que era aquele minério mais rico que estava ali na flor da terra. Esse minério foi sendo tirado ao longo do tempo. E o que tem ficado é um minério mais abaixo da terra, que é um minério menos rico de ferro.

Então, para esse minério ser enriquecido, ele virar um pellet feed de 63%, 65% de ferro, ele exige processos um pouco mais robustos, com um pouco mais de tecnologia. Então, os investimentos necessários para tirar esse minério e transformar no minério que ele possa ser utilizado diretamente no alto forno, numa pelotização.

ou até exportado, ele exige um nível de investimento como esse que nós estamos fazendo. Então, uma transição do quadrilátero ferrífero, mas que Minas Gerais seguirá sendo muito relevante, não só no Brasil, mas globalmente, como um grande fornecedor, um grande supridor de minério de ferro para atender a produção de aço global.

Eu vi também, adoro número, né? Então eu fico vendo lá os números, como que um investimento desse pode performar também para o resultado da empresa. Quando ela já estiver, a mina, em total operação, com a capacidade toda dela...

ela pode gerar um bi e cem de reais no EBITDA da empresa? Traduz isso para a gente, Gustavo. O impacto econômico de um investimento desse é muito relevante, até porque ele precisa trazer um retorno de um investimento que também é relevante do ponto de vista do capital que a empresa coloca.

O que eu tenho, assim, a gente enfrenta um pouco a dificuldade hoje no Brasil, e comparando o que a gente passa aqui com outros países como Estados Unidos, é a dificuldade que a gente tem de reunir os interesses coletivos, os interesses públicos, privados, para a gente acelerar a implantação de um investimento como esse.

Porque jamais uma empresa como a Gerdau faria um investimento para trazer retorno econômico se ela também não trouxesse consigo um retorno ambiental, um retorno social. Então, eu gostaria muito de ver a sociedade convergindo mais rapidamente para entender que esses investimentos criam valor.

para a sociedade, para o cidadão como um todo. Então, muitas vezes eu vejo o debate social, o debate ambiental, até o debate econômico, não sendo colocados no mesmo nível. Então, a pena, porque a decisão das empresas de investir um capital muito significativo, a variável que talvez mais impacte isso no Brasil é o retorno desse investimento no tempo.

Como o licenciamento demora muito, como os debates demoram muito, como o consenso demora muito, então o empresário deixa de investir, porque quando ele calcula todo esse tempo que demora para o seu capital voltar como ebítida, ou voltar como lucro, ele passa a não valer a pena mais.

Então deveria no Brasil ter uma união de esforços, municipal, estadual, as comunidades, os públicos interessados, que a gente pudesse ser mais célebre em tomar decisão. Porque se a decisão traz retorno econômico, mas traz também um retorno muito significativo, do ponto de vista ambiental, do ponto de vista social, não tem por que não fazer esses investimentos.

nos Estados Unidos é muito mais rápido de acontecer do que no Brasil. Então eu gostaria muito de ver isso aí. Se esse negócio acontecesse no Brasil, se projetos como a gente tem, por exemplo, aqui no Estado, a gente pudesse acelerar esses debates, pudesse conseguir licença mais rápido, pudesse conseguir aprovação mais rápido, certamente a quantidade de investimento que a Gerdau faria no Estado de Minas Gerais seria muito maior do que ela faz atualmente. Então isso é um ponto que a gente precisa melhorar.

Precisa avançar nesse debate e ter uma coalizão de forças para que caminhe melhor essa questão, para ter mais investimento. O investimento traz emprego, traz renda, traz desenvolvimento do comércio, agricultura, indústria. Não é só para a empresa que cria esses dividendos todos.

E talvez uma hora testado de que a gente merece esse crédito, porque se ao longo dos 125 anos a Gerdão não tivesse equilibrado bem as coisas, certamente a gente teria ficado para trás em algum momento do tempo e a gente não teria essa licença social para operar. Então se a gente está aqui até agora...

É porque todo mundo que a gente convive, desde ali do cidadão que está, o município que a gente opera, o poder público, a sociedade como um todo, a gente foi capaz de criar valor para todo mundo. Senão a gente não teria existido e não estaria nesse momento tão forte quanto a gente está. Então a gente precisa melhorar o equilíbrio dessas coisas no Brasil.

É, para mesmo com o ambiente do jeito que está, esses conflitos geopolíticos mundiais, a empresa continuar funcionando e retomar essa força aqui no Brasil de investimento.

Sem dúvida, e aí traz uma outra preocupação, que ela transcende esse debate nosso aqui da mineração, Minas Gerais, que é o Brasil perdendo a sua indústria. Isso me traz muita preocupação, porque tu olha ao longo do tempo, a participação da indústria no PIB vem se reduzindo ano após ano, ano após ano. É impossível uma economia jovem como a brasileira, uma democracia que ainda está em formação, ela poder evoluir se não tiver uma indústria forte.

Então, a carga tributária é cada vez maior, o ambiente de negócio é cada vez mais difícil, mais difícil de exportar, os mecanismos de defesa comercial não funcionando. Então, eu olho com muita preocupação, porque a indústria brasileira tem uma participação absolutamente relevante na arrecadação de impostos federais, ela é muito relevante no ponto de vista de arrecadação previdenciária. O Brasil não pode sobreviver sem indústria.

E ao mesmo tempo, tudo que vem acontecendo, entra ano, sai ano, ele só desestimula o empresário a investir na indústria. Então, independente de qual governo está naquele determinado momento, se a esquerda, se a direita, deveria ter um plano de Estado e não de governo que pudesse incentivar os empresários brasileiros a investirem mais e mais na sua indústria. Senão, a tendência ao longo do tempo é a indústria acabar.

E aí a gente fica refém da indústria de outros lugares e vem crises como a pandemia, estamos na mão de outros players. É porque o que eu tenho muita dificuldade de imaginar, e eu acho que isso não fica claro para a opinião pública, é que muitas vezes se traz um produto chinês competindo de forma desleal.

com o produto brasileiro e se pensa, vamos colocar um produto barato, é bom para as pessoas, vão ter acesso a um produto barato, consumir coisas que não consumiram. Aí vem a pergunta, mas como é que ele vai pagar por isso? Se ele não vai ter mais emprego, que a indústria vai acabar?

se ele não vai ter mais essa fonte de benefícios do Estado, porque o financiamento disso acaba sendo o pagamento de impostos das empresas que não vão mais existir. Então isso pode trazer um benefício de curto prazo, mas os nossos filhos, os nossos netos, certamente viverão num país muito pior, porque se não tiver indústria, não tem desenvolvimento e não tem futuro. Então a minha preocupação não é com agora, não é com o ano que vem, não é com os próximos 10 anos.

É com conhecimento de quem já está há 125 anos, é a preocupação com as gerações que vêm depois da gente. A gente está deixando um país melhor ou estou deixando um país pior? Nesse momento eu te diria que a gente está deixando um país pior, mas ainda dá tempo de virar o jogo. Gustavo, você falou da questão de energia.

de como que a empresa também está criando essa nova fonte de investimento com a New Wave Energia, que ela tem, a Bernal tem 40% do capital dela, vi lá que ela quer produzir até 2,5 gigawatts. Já começaram os investimentos, já tem uma energia solar aqui, uma usina aqui.

em Minas Gerais, agora inaugurou recentemente em Goiás. Como que está esse plano para expandir isso? Isso faz parte também de um aço mais sustentável? Como é que está? Olha, Linice, eu te diria que se tem um tema no Brasil que é um misto de sentimentos, de alegrias e tristezas para mim, é o tema da energia. Tem dias que eu acordo muito empolgado, aí no dia seguinte eu já desempolgo, já fico frustrado. Então deixa eu explicar um pouco.

Energia, para nós, sempre foi um elemento muito significativo, porque nós somos uma empresa elétrica intensiva. Para pegar a sucata, a bicicleta velha, o fogão velho, e para derreter aquilo no forno e ele virar um novo produto, que possa sair de um avião a um hospital, a um trator, a gente precisa de energia elétrica. Então, a energia elétrica e o gás natural são dois insumos energéticos muito relevantes para o nosso processo produtivo.

Então, começar pelo gás natural, a gente historicamente paga um preço pela molécula de gás natural, paga um preço pelo milhão de BTU, muito acima do que a gente paga nos Estados Unidos, quatro vezes a mais.

Estados Unidos a gente paga por volta de 3,5 dólares, 4 dólares, 1 milhão de BTU, aqui a gente paga 16. Então a gente já começa com uma falta de competitividade no gás natural muito grande. E a gente não vê movimentos significativos do governo federal de ampliar a oferta de gás natural e colocar de fato todos esses debates teóricos em decisões práticas que consigam reduzir o preço ou o custo do gás natural.

A energia elétrica é outro debate sem fim. Quando iniciou toda essa questão de energia renovável no Brasil, nós tomamos uma decisão de negócio, da gente ter um portfólio completo de produtos de aço que pudessem colocar uma usina de aerogerador totalmente operando. Então, desde o vergalhão para a fundação...

a bobina quente poder fazer o corpo do aerogerador, até o eixo daquela pá, aquela pá grande, esse eixo era importado. Nós criamos uma nova empresa no Brasil chamada Gerdau Summit, lá em Pindamonhangaba, para poder fornecer esses grandes forjados. A gente falou, essa é uma decisão estratégica do Brasil que ela vai para frente. Anos depois...

o Brasil parou de produzir aerogerador, a energia eólica está praticamente descontinuada. Então, esse investimento que nós fizemos de milhares de dólares, em Gerdau Summit, em Pindamonhangaba, esse investimento está praticamente parado hoje. Então, uma decisão de negócio, um capital importante, que você investe acreditando no Brasil, e as coisas mudam, e a gente está com esse capital hoje praticamente parado, não trazendo retorno.

A energia renovável de parques solares tem sido, nesse momento, o principal investimento nosso. A gente resolveu fazer isso através de um veículo chamado New Wave Energia. E ele tem como objetivo principal ampliar o nosso portfólio de geração de energia renovável para utilizar parte dessa energia renovável dentro da Gerdau.

para a gente ter possibilidade, por exemplo, de lançar esses produtos de mais baixa pegada de carbono e energia que sobra a gente comercializa. Só que aí vem outro problema, de novo o mix da alegria e da tristeza. A hora que esses parques solares gigantescos estão construídos...

estão operando, aí vem o operador do sistema e começa a cortar a nossa energia dos parques solares, como está acontecendo com outras empresas no Brasil. Um mecanismo que se chama de containment, que o mercado todo já conhece, ou seja, então como é difícil para o empresário no Brasil tomar uma decisão de negócio e ter o retorno. Então essa estabilidade que a gente vê de o dólar investido, você saber que daqui a 10 anos ele vai estar de volta gerando ebítida, isso para nós é muito mais óbvio, é muito mais simples nos Estados Unidos.

dificilmente nos Estados Unidos a gente não tem o retorno daquilo que a gente investe, porque é um país muito mais focado, muito mais simples de fazer negócio, o ambiente regulatório e jurídico é muito menos complexo, o ambiente tributário é muito menos complexo. Aqui no Brasil, atualmente, a gente tem 130 pessoas, CLT, colaboradores próprios na área tributária.

Eu vi uma entrevista sua que era um 120 lá nos Estados Unidos. Ah, mas aí a gente teve que colocar mais gente, porque agora nós vamos conviver com dois sistemas tributários durante um período de tempo. Tem a reforma tributária. Então a gente vai ter que conviver com isso, o que implica, mais pessoas trabalhando. E eu sigo com dois nos Estados Unidos. E operações de tamanho diferente.

Então aí traz sempre a decisão de empresas como a nossa, de empresários como nós somos. Vale mais a pena investir lá nos Estados Unidos ou vale mais a pena investir aqui no Brasil? Então são perguntas que são corretas. O investidor que está colocando dinheiro na Gerdau, o acionista, ele quer ter mais tranquilidade, mais certeza de que o investimento, o dinheiro que ele está colocando vai trazer retorno.

E nesse momento é mais simples a gente trazer retorno de investimentos que a gente faz nos Estados Unidos do que aqui. Essa previsibilidade que você fala lá dos Estados Unidos, que tem, isso é muito maior, essa questão. Porque a segurança pressupõe previsibilidade, tudo na vida.

o investidor quer previsibilidade. Não sei que ele esteja envolvido assim. Até mesmo um acionista, como vocês estão fazendo agora. Vocês estão fazendo recompra de ações. Fizeram ano passado, esse ano também estão fazendo. Para melhorar o preço da ação. Na verdade, a gente acredita tanto na nossa performance. A gente acredita tanto que a Gerdau está muito bem preparada para o futuro. A gente acredita que o valor da empresa está subvalorizado nesse momento.

que para nós um investimento que a princípio deve ter um retorno mais significativo do que outro é a gente recomprar o próprio papel da companhia. Na certeza de que a recompra desse papel, ele cria valor não só para o acionista controlador, mas para todos aqueles 100 mil brasileiros que investem na Gerdau e na Bolsa.

E atrai novos acionistas também, em busca de dividendos melhores. Isso aí é uma movimentação de mercado que é pontual. Depende de como está o mercado. O balanço da Gerdau, como está muito saudável, nas possibilidades que tem de investir, tu olha o preço da nossa ação, isso nos parece um investimento muito lógico.

da gente fazer, que é recomprar o próprio papel da companhia. Então, esses programas de recompra têm sido uma realidade ao longo dos últimos anos e ele comprovadamente tem trazido retorno para os nossos investidores, para os nossos acionistas.

Explica uma coisa, Gustavo, essa tomada de decisão, assim, por ir para esse caminho sustentável no Brasil, com minério, com alto teor de ferro, energia renovável, isso agora vai ser, esses dois pilares, eles vão sustentar a empresa para os próximos anos? A tendência é essa? Olha, a gente fez investimento nos últimos anos, né?

nem todos os investimentos trouxeram o retorno que a gente gostaria que trouxesse. Então, isso faz com que a gente seja ainda mais criteriosos, mais seletivos nessa decisão de alocação de capital. Até porque quando a gente olha os investimentos que a gente tem feito nos Estados Unidos...

O retorno desses investimentos tem sido muito mais palpável, muito mais realista. Então, essa decisão a gente convive o tempo todo. Colocar mais dinheiro aqui, alocar mais capital aqui, fazer mais investimento aqui ou fazer mais investimento lá. Porque, a parte toda a questão política, acho que ela não cabe aqui quando a gente está falando dos nossos negócios, o momento de demanda de aço nos Estados Unidos é muito sólido.

Então, um exemplo prático é essa questão de data center. A gente falou um pouco de inteligência artificial. A inteligência artificial está baseada em um acúmulo muito grande de dados, então o crescimento de data center nos Estados Unidos é assustador.

O consumo de energia para data center, que era por volta de 5%, ele vai chegar a 10%. Então a quantidade de aço que a gente tem vendido na construção de data centers, já é no momento e vai continuar, então ela tem impulsionado muito os nossos negócios de lá. A própria questão de energia renovável, que continua ativa nos Estados Unidos, apesar da administração atual ter comentado que ela ia reduzir, ela continua muito forte dentro do nosso backlog. Então para nós, o momento que nós estamos vivendo...

de demanda de aço nos Estados Unidos no presente e nos próximos anos, ele é muito mais significativo, traz muito mais retorno do que nós estamos enfrentando agora no Brasil.

E o Brasil não tem um grande problema nesse momento de demanda de aço. Tu olha o setor automotivo com pouca dificuldade, mas ele tem tido uma demanda relativamente estável, o setor de construção civil. Nosso problema no Brasil não é a demanda, nosso problema no Brasil é a penetração de uma forma impensável de um aço chinês, que ele entra aqui numa competição desleal.

comprovada por N análises, e o que eu espero é que o governo federal agora seja de fato celere e seja correto de implantar os mecanismos anti-dumping para que de fato todos esses danos, essas perdas que nós tivemos...

nos últimos anos, elas possam ser compensadas através de uma competição de igual para igual, uma competição isonômica, porque a gente é muito competitivo, Elenice, eu faço essas contas todos os dias. Eu sei exatamente quem eu sou, eu sei exatamente com quem eu compito globalmente, eu sei qualquer diferença de custo, mas não dá para competir quando a competição não é leal.

Então trazer todo mundo para uma competição isonômica, a gente consegue muito bem. Mas é o que não está acontecendo agora no Brasil. Então o Brasil não tem um problema de demanda. O Brasil tem um problema de falta de mecanismos de defesa comercial, não para proteger, mas para poder suportar uma competição que ela seja isonômica, que ela seja igualitária. Por isso que eu chamo de defesa, não é proteção. A gente não precisa de proteção. Precisa ser defendido contra uma competição desleal.

Isso aí já tem tempos que a gente discute essa questão no Brasil, da China. Exatamente. E aí o voto aos Estados Unidos, o voto ao México, o voto em outros países onde a gente opera. A Gerdau está no mesmo patamar que qualquer outro player mundial.

Em termos de custo, não tenho a menor dúvida. A nossa produção via sucata é muito competitiva. A produção também via altos fornos é muito competitiva. A gente segue muito forte na nossa gestão operacional, na nossa performance industrial, mas não dá para competir quando a competição é desleal. Olha que a gente compete de igual para igual, mesmo considerando essa enormidade que é o custo do Brasil. É muito mais fácil tirar um produto e deslocar nos Estados Unidos do que no Brasil.

Aqui eu tenho problema Né, Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né Né

de infraestrutura de rodovia, tem problema de porto, tem problema de energia, problema de todas as naturezas. E mesmo assim a gente consegue encontrar alternativas para sermos competitivos. Agora, quando ela vai para deslealdade, o que está acontecendo, aí não dá para competir. A indústria vai morrer.

A operação dos Estados Unidos já responde por mais do que o Brasil no resultado financeiro da Gerdau? Tu me perguntasse há quase nove anos atrás, quando eu comecei nessa posição atual. Uma das coisas que mais me surpreendeu ao longo desse tempo...

foi o deslocamento da geração bruta de caixa da Gerdau do Brasil para os Estados Unidos. Esse patamar de EBITDA que nós estamos gerando lá, proporcionalmente ao Brasil, ele não era esperado, ele nos surpreendeu muito, que ao mesmo tempo que a gente foi muito bem e continua indo, por fatores externos, mas também por buscar alternativas de ter uma performance muito diferenciada, a gente opera muito bem na América do Norte.

mas a queda do Brasil, então ao mesmo tempo que subiu lá, desceu aqui, então essa distância entre as operações, ela me surpreendeu muito, eu não esperava. Eu fico na tristeza quando você fala que os Estados Unidos estão aqui, o Brasil estão aqui. É muito, porque a gente vê um país desse tamanho, com essa riqueza toda, essa diversidade da economia.

Outra vertente muito sustentável que eu acho na Gerdau, e eu quero saber se vocês vão continuar investindo, no carvão vegetal. A Gerdau é a maior produtora de floresta certificada da América Latina, praticamente. 230 mil hectares, tem 90 mil hectares de área preservada. Vai continuar assim nessa toada, usando cada vez mais o carvão vegetal?

É interessante que muito se liga o eucalipto, a floresta replantada, ao negócio de papel e celulose. É a ligação mais direta que tem. E muitas pessoas não ligam a plantação de eucalipto reflorestado com o negócio de produção de aço.

Mas existe uma rota que praticamente o Brasil tem, alguns poucos países como a Índia também tem um pouquinho disso, que é a produção de aço através do carvão reflorestado, do carvão vegetal, o bioredutor, que na verdade é o eucalipto.

Então essa rota é muito consolidada no Brasil. Então assim como se produz aço nos grandes altos fornos, em altos fornos de menor tamanho, usando minério e usando carvão vegetal, se produz um aço bastante competitivo no que tange à emissão de gases, de efeito estufa, ao CO2, mas também competitivo em termos de custo.

E florestas para nós é muito representativo. A gente tem mais de 250 mil hectares de área relacionada à floresta, parte preservada, parte produtiva. Então, segue sendo um negócio muito relevante para nós.

Isso tudo em Minas Gerais. É incrível. Por isso que a gente é mineiro de coração. Nosso coração pulsa muito forte aqui, porque tudo que a Gerdau tem, você pode falar, tem uma parte daquilo em Minas Gerais. Impacta muito a economia mineira. Ainda bem. O Gustavo já está terminando na entrevista. Nossa, é tanto assunto que a gente vai... Tem que voltar mais. Tem que falar mais. Atualizar esses números sempre para mim.

30 mil funcionários, entre homens, mulheres, estava vendo que 16% já desses 30 mil tem até 30 anos de idade. Como é que está essa diversidade na Gerdau? De mulheres, do pessoal LGBTQIA+, como que tem sido essa jornada também, que é desafiadora?

Olha, um foco muito forte nas pessoas sempre foi parte da nossa história. A gente sempre viu as pessoas como um ponto central da nossa estratégia, do nosso futuro. Então, a gente tem uma gestão cada vez mais humanizada, mais focada nas pessoas, que sejam nossos colaboradores, nossos clientes. Ela tem feito parte muito intensa do nosso dia a dia, das minhas preocupações, das minhas ações.

Então esse tema que cresceu muito na temática de ESG, de diversidade, equidade e inclusão, ele já vinha de anos anteriores na Gerdau. E a gente sempre conseguiu conectar toda essa temática em performance operacional, em fazer a empresa ser melhor. Por isso que quando esses temas desaceleraram, infelizmente eu vi muitas empresas que falavam que o tema era importante, mas depois da desaceleração pararam de falar.

para nós segue muito vivo no dia a dia, né? Porque a gente de fato acredita que a diversidade, a inclusão, ela faz com que as pessoas sejam melhores, ela faz com que a sociedade seja melhor, ela nos permite entender melhor dos nossos clientes. Então segue muito forte para nós esse foco nas pessoas. A grande temática para nós, nesse momento, é o que algumas pessoas chamam de felicidade, mas internamente a gente chama de bem-estar.

Lá na América do Norte, os nossos colegas chamam de WellBeam. Como é que a gente entende o ser humano na sua integridade, entendendo que o Brasil evoluiu naquilo que tange a saúde mais física, mas existem oportunidades enormes de a gente tratar esses temas que estão muito latentes, especialmente no pós-pandemia.

É depressão, é ansiedade, é remédios controlados. São as novas gerações que estão entrando no mercado de trabalho em que a gente precisa ter uma compreensão melhor das diferenças. Não é pior, é melhor, são diferentes.

Então, para nós, no fundo, o que a gente observa é que no mundo empresarial atual, quase tudo é copiável. Você pode comprar uma tecnologia, todo mundo pode comprar, pode comprar uma fábrica, mas o que não é copiável é a cultura, é o envolvimento das pessoas. E eu sinto muito de ver que as empresas ainda não conseguiram.

capturar o potencial ilimitado criativo que o ser humano tem. Então, para nós isso é muito relevante, porque a gente quer ter aquelas pessoas trabalhando com a gente, que elas cheguem de manhã e elas se sintam cuidadas, e elas tenham um ambiente de segurança psicológica, onde elas possam trazer os seus problemas.

e a empresa possa devolver para elas, num cuidado muito ativo na vida delas e das suas famílias, todo aquele potencial criativo que diariamente eles doam para a gente. Então essa relação mais humana nas empresas, ela não só cuida melhor das pessoas, mas ela vai trazer um nível de performance.

que nenhuma das empresas conseguiu capturar ainda. Outro dia me chamou muita atenção. Você estava recebendo uma medalha aqui e você falou de como a pessoa que entra na empresa tem que se sentir acolhida. Ser chamada pelo nome, cumprimentar o estagiário, a faxineira, até o auto-executivo.

E isso são coisas que a gente tem visto em outras empresas que têm virado uma coisa muito fria, não é? Com a internet, todo mundo ali na rede social, e acha que isso é normal, né? Entrar no ambiente, não olhar para a cara de ninguém. E isso você faz questão de fazer, do dia a dia. Porque isso é o correto de fazer, isso tem um potencial de performance não capturado. E não estou inventando nada. Isso o Peter Drucker falava há quase 100 anos atrás.

a importância das pessoas para as organizações. Passado quase 100 anos, a gente não conseguiu entender ainda e implantar ações concretas, menos ainda. Então, esses dias eu estive em uma das nossas usinas, e aí a gente dá muita importância para sistemas de segurança e meio ambiente. E quando eu vou nas operações, a gente tem por hábito de fazer um almoço com aqueles colaboradores, aquelas colaboradoras que são os destaques em segurança.

Então a gente faz um almoço, um bate-papo muito em aberto, e um colaborador me disse, Gustavo, eu gostaria de te agradecer muito, porque vocês salvaram a minha vida.

Aí ele começou a chorar, né? Eu falei, me conta um pouco mais, assim. Ele falou, eu estava enfrentando um problema muito grave de depressão com a minha filha. Eu não sabia o que fazer. E a Gerdau tem um programa, assim, chamado Mais Cuidado, que quando a pessoa enfrenta desafios dessa natureza, ela liga para esse telefone e a nossa equipe manda especialistas para poder ajudar as famílias a resolverem problemas como esse.

Ele falou, liguei para esse telefone, tive coragem de relatar meu problema, porque eu tenho certeza que vocês acolhem os meus problemas, de uma forma muito transparente, muito correta. Vocês imediatamente me enviaram auxílio, me enviaram apoio. A minha filha está tratada, está muito feliz. Então, eu queria te agradecer, porque vocês salvaram a minha vida.

um depoimento desse te dá tanta energia tanta vontade de tu entender que as pessoas às vezes entram pra trabalhar com vocês e a gente estão enfrentando problemas dificuldades assim que elas não tem coragem de falar vamos abrir nossos corações, vamos ter mais empatia vamos tratar esses problemas

E a devolução que essas pessoas dão para nós em termos do seu potencial criativo, de engajamento, de garra, de vontade, ela é limitada. Então, para mim, isso é uma grande fronteira de gestão empresarial que a gente precisa vencer nos próximos anos. É um desafio diário esse, né?

mas temos que ter mais empatia pelas pessoas é, também acho acho que a gente está perdendo um pouco isso todo mundo meio robô nas instituições isso é péssimo, porque a pessoa para de se sentir parte da empresa, ela fala pra que eu existo? Aí começa daí que vai o gatilho e aí às vezes a gente evolui e a gente está evoluindo andando pra trás

Você tem mais de 20 anos de Gerdau. Estava vendo lá que você entrou em 2004. Desde agora como CEO já há nove anos. O que você tem a falar para essas pessoas que entram nas empresas e acham que depois de dois meses não aconteceu nada, estão indo embora e querem tudo muito rápido?

E a gente vê que é uma rotina. Eu tenho conversado com vários empresários e eles falam a vida é uma rotina, você tem que trabalhar aquilo sempre para ir ficando cada vez melhor. Qual que é o conselho que você dá para todo mundo? É muito difícil a gente traçar regras para a vida, até porque a vida não pode ser empacotada em uma única regra. Mas eu pessoalmente aprendi ao longo dos anos a enxergar a vida mais como uma maratona do que como uma corrida de 100 metros.

Então, essa história que eu tenho de mais de 20 anos na Gerdau, ela me permitiu aprender com os meus erros, aprender com os meus acertos, viver outras histórias onde eu pude melhorar aprendendo com os erros anteriores.

Então, acho que é muito importante a gente ter um pouco mais de longevidade para que a gente possa ir melhorando ao longo do tempo. Porque se a gente fica pouco tempo em uma empresa, a gente faz um projeto, a gente faz uma ação, e a gente não espera o retorno daquilo que acontecer, como é que a gente vai aprender?

E muitos de nós temos escutado ao longo dos anos, a gente tem que ter um propósito, qual é o propósito da sua vida. E as pessoas ficam se debatendo atrás de um propósito e tal. O que não foi diferente comigo, eu morei na Índia, trabalhando pela Gerdau, e lá eu fui muito estimulado, nos locais onde eu passei, um ambiente de muita religiosidade, a buscar o meu propósito também.

E eu fui encontrar o meu propósito de uma maneira muito simples, em coisas que Aristóteles já falava 350 anos antes de Cristo, que a vida que vale a pena mesmo ser vivida, aquela vida onde você consegue trazer plenitude para as coisas que você faz, é buscar diariamente a excelência em si mesmo.

não importa os recursos que você tenha, não importa o que você faz, todo dia você olhar para dentro e perguntar o seguinte, eu fiz o meu dia ser melhor do que o dia de ontem? Então, essa jornada contínua para buscar excelência dentro de nós mesmos, o que ela acaba se refletindo na maneira como a gente enxerga o próximo, na empatia, ela traz essa simplicidade e essa vontade de continuar construindo um legado. Então, para mim, estar na Gerdau há 22 anos é um motivo de absoluto orgulho.

tenho procurado melhorar não só como profissional, mas especialmente como ser humano, aprendendo muito com os erros do passado e muito motivado a transformar esses erros e aprendizados que possam impactar não só a minha vida, mas as vidas de milhares de pessoas que convivem com a gente diariamente.

Que bom. Olha, quero te agradecer a entrevista, mais essa conversa, e sempre esperar que você tenha felicidade, que é uma coisa que você fala tanto no dia a dia para as pessoas, busca tanto isso. Não é fácil, como você falou, tem dias que é muito difícil remar contra a maré, mas que você continue com essa força toda.

Seguiremos, porque os desafios estão aí, mas quando tu consegue melhorar a vida de uma pessoa, aquilo traz uma motivação, uma energia incalculável. Então, o Gerdau continua acreditando no Brasil, seguiremos juntos. Minas Gerais é um estado muito relevante para nós. Então, ter vocês aqui, nossos parceiros de tantos anos.

As empresas têm dificuldade de contar histórias, né? Acho que a gente produz histórias, mas a gente é muito ruim de contar. Então, acho que oportunidades como essa, assim, né? Trazem o benefício de usufruir do brilhantismo de vocês, de contarem as histórias que a gente produz ao longo do tempo. Então, parabéns. O trabalho de vocês é admirável.

A gente é que agradece, Hugo Sávio, de ter aí empresas como a Gerdau acreditando em Minas, acreditando no nosso trabalho aqui para a gente continuar fazendo esse trabalho. O processo é intenso, mas a gente que continua. Obrigada. Parabéns.

Parabéns a você também, Gustavo, por ser tão inspirador para as pessoas no dia a dia. Obrigada. Vocês que inspiram a gente. Obrigado. Obrigada, viu? Gente, então, hoje eu conversei com o Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, aqui na temporada Minas SA Legados, em todas as plataformas de O Tempo. Muito obrigada pela sua audiência, mais uma vez. Tchau.

Minas S.A. Temporada Legados. Oferecimento Fê Comércio. Juntos por quem faz acontecer. E Gerdau. O futuro se molda. Realização. O tempo.

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