NÃO VENDEMOS COMIDA, VENDEMOS EXPERIÊMCIA | Rainmakers 52
🚨 O QUE FAZ UM CLIENTE VOLTAR SEMPRE? NÃO É SÓ A COMIDA.Neste episódio do Rainmakers, Saulo Michiles recebe Paulo Tarso, chef, empresário e fundador do Tarso Restaurante, eleito um dos melhores restaurantes do Brasil.Mas esta conversa vai muito além da gastronomia.Paulo revela como construiu uma empresa onde hospitalidade, cultura e experiência do cliente são mais importantes do que qualquer receita. Você vai entender como pequenos detalhes criam clientes apaixonados, equipes engajadas e um negócio que cresce de forma sustentável.Da decisão de abandonar o curso de Direito para estudar gastronomia nos Estados Unidos, até a criação de um restaurante premiado em Brasília, Paulo compartilha os erros, aprendizados e princípios que moldaram sua trajetória como empreendedor.👉 Neste episódio você vai aprender:O verdadeiro significado de hospitalidade e por que ela vai muito além do bom atendimento.Como transformar clientes em verdadeiros promotores da sua marca.A diferença entre prestar um serviço e criar uma experiência inesquecível.Como construir uma cultura empresarial que encanta clientes e colaboradores.O motivo pelo qual Paulo prefere contratar pessoas pela atitude, e não pelo currículo.Como formar equipes de alta performance investindo em jovens talentos.A estratégia utilizada para abrir um restaurante premiado com apenas R$ 10 mil de investimento.Os desafios de empreender na gastronomia e como criar um negócio lucrativo sem abrir mão da qualidade.Como criar experiências que fazem o cliente lembrar da sua empresa para sempre.As principais lições de liderança, gestão e empreendedorismo que qualquer empresário pode aplicar no seu negócio.🎙️ Aperte o play e descubra por que os negócios mais memoráveis não vendem apenas produtos ou serviços: eles criam experiências que permanecem na memória das pessoas.Nos acompanhe nas redes sociaisRainmakersInstagram: https://bit.ly/podrainmakersSaulo MichilesInstagram: https://bit.ly/saulomichilesLinkedIn: https://bit.ly/saulolkdnAcompanhe Paulo TarsoInstagram: https://www.instagram.com/paulotarsochef/Instagram do Tarso Restaurante:https://www.instagram.com/tarsorestaurante/
- Trajetória de Paulo PezzolanoDecisão de abandonar o Direito · Estudo em Nova York · Experiência em restaurantes internacionais · Volta ao Brasil
- Empreendedorismo em alta gastronomiaSer mais empresário do que chef · Desafios de abrir um restaurante · Importância da paixão vs. motivação · Risco e investimento inicial
- Experiência em restauranteComeço com baixo investimento · Operação inicial com aulas de culinária · Reconhecimento e crescimento · Foco em menu degustação
- A jornada do cliente e a experiência invisívelDefinição de momentos da verdade · Análise e otimização de cada ponto de contato · Exemplos: chegada, atendimento, guardanapo · Impacto na formação da opinião do cliente
- Crescimento EmpresarialDiferença entre negócios de escala e valor agregado · Margens de lucro e estresse operacional · A importância do boca a boca · Marketing orgânico e construção de marca
- A hospitalidade de BharadwajAplicação em diversos tipos de negócio · Foco em agregar valor e aumentar faturamento · Abordagem personalizada por empresa · Próximo projeto pessoal de Paulo Tarso
- Falhas empreendedoras e aprendizadosPerda de interesse e desistência de negócios · Culpar fatores externos em vez de assumir responsabilidade · A importância da persistência e do 'tesão' · Quebra de negócios (Rubio, Naya)
- Recomendação de LivrosHospitalidade Irracional (Will Guidara) · 10x (Grant Cardone) · Impacto na vida pessoal e profissional
- Nomes para o Bebê de Neymar e Bruna BiancardiEscala e tamanho das operações · Foco em saúde e comunidade (MoMA) · Valorização das pessoas e cuidado com a equipe · Bruna como figura central e humana
Qual que é o diferencial do Tarso?
Hospitalidade e experiência do cliente, né? Serviço é preto e branco, hospitalidade é cor.
Mas explica pra gente o que que é isso.
Todo mundo da equipe tá o tempo inteiro vendo situações onde a gente pode surpreender o cliente. O nosso marketing é a nossa noite e a nossa operação. Toda noite a gente tem que entregar o melhor que a gente pode.
Qual que foi o maior erro que você cometeu na vida e que lição que você aprendeu? Olá, meus queridos e minhas queridas, eu sou Saulo Mequiles e esse é o Rainmakers, o podcast onde você aprende através de histórias inspiradoras de quem já fez chover. E eu tô hoje aqui com o principal chefe de Brasília, o cara que é dono de um dos melhores restaurantes do Brasil, eleito pela revista Exame, tem uma extensa formação lá fora. Vou ler aqui um pouco.
Ele formou no The Culinary Institute of America em Nova York, Trabalhou, estudou também Maryland, depois trabalhou em diversos restaurantes na Flórida, em Nova York, em Washington, no Peru, e voltou para Brasília.
Exato.
Tô aqui com Paulo Tarso, o chefe do melhor restaurante de Brasília. Vai falar um pouco aqui para gente sobre o que é o business de restaurante, mas mais ainda sobre hospitalidade, que é um assunto que tá em voga. Obrigado, meu irmão.
Eu que agradeço, muito obrigado pelo convite, Saulo. É isso aí, tô ansioso para esse bate-papo.
Vamos lá, eu sempre começo com a mesma pergunta: quem é o Paulo Tarso?
Cara, enfim, existem alguns Paulo Tarso na minha trajetória, né? Mas eu hoje assim, eu sou uma pessoa muito ávida por impactar a vida das pessoas de diferentes formas. E eu falo isso assim na maior honestidade do mundo, é uma coisa mesmo que a gente busca nas nossas operações, tanto interna quanto para cliente. Hoje a gente não faz nada sem propósito. Então acho que é isso, eu sou uma pessoa assim. Eu costumo dizer que eu sou muito ruim com palavras, etc.
O meu, minha linguagem do amor é muito serviço, né? Até em casa com a Bruna e etc. Então hoje tudo que a gente faz, a gente faz genuinamente tentando impactar vidas. Às vezes por uma memória, às vezes por um impacto genuíno, e por aí vai. Então acho que eu sou essa pessoa hoje, sabe?
Já casou muita gente no teu restaurante? Já teve pedido de casamento? Como é que é isso lá?
Já teve, teve até recente. Pedido de casamento já tiveram alguns, né? E ela, cara, tem muita história legal que acontece no restaurante.
Conta pra gente.
Ele é um restaurante pequeno, um restaurante pra 16 lugares. A gente abre 4 vezes por semana. Então a gente é limitado de público, é um lugar reservado, um lugar escondido. Mas é isso, é uma cozinha, até por ser uma cozinha especial, uma cozinha de menu degustação, um restaurante de um valor um pouco mais elevado. Que as pessoas escolhem muito jantar no Tarso para momentos de celebração, né? Então a gente costuma se denominar uma cozinha de celebração.
Então é muito comum, toda noite a gente tem algum aniversário, algum aniversário de relacionamento, enfim, alguma promoção e por aí vai.
Então toda noite é uma noite especial.
Toda noite é uma noite especial, né? Assim, para pelo menos parte do salão. Outros estão indo só para jantar, mas a gente sempre tem alguma celebração acontecendo e A gente teve um casal, por exemplo, casal novinho, que você via que assim, eles estão começando a vida. Então não sei como eles são financeiramente, mas provavelmente estão começando a construir uma vida financeira. E o Tassio é um restaurante caro, e eles decidiram jantar lá, tiveram a vida deles impactada de alguma forma pelo que a gente faz.
Nada especial, mas pelo que a gente faz, isso impactou eles. E aí, sei lá, meses depois eles mandaram uma mensagem para a gente no nosso business Dizendo que iam casar e que aquela noite tinha sido uma das melhores noites da vida deles e que eles queriam fazer o ensaio de casamento dentro do restaurante. Caramba! Casal assim de 20 e poucos anos. E aí a gente abriu o restaurante numa segunda-feira, que é um dia que a gente não abre, para eles fazerem esse ensaio, sabe?
Então isso foi uma memória que marcou, marcou a gente também. Depois eles compartilharam com a gente esse ensaio fotográfico. Mas enfim, todo dia acontece alguma coisa assim lá.
Só abrir um parêntese, você mencionou a sua esposa Bruna, que é dona do MoMA. Bruna, você tá convidada também para sentar aqui com a gente, viu?
MoMA Doces Saudáveis.
É, eu tô lá toda quinta-feira no MoMA brunch com a minha esposa, a Lina Six. Fantástico, muito bom. Como é que começou essa história da culinária?
Cara, engraçado assim, eu sempre gostei de cozinhar desde pequeno, né? Uma paixão que eu sempre tive. Eu sempre fui muito das artes assim, sempre gostei de desenhar. Inclusive, por muito tempo Meus pais achavam que eu ia fazer alguma coisa relacionada a desenho na minha vida, que eu desenhei desde pequeno. Então eu sempre fui meio artístico. E cozinhar sempre foi uma paixão. Meu pai é cozinheiro de final de semana. Tá. Ele não tem nada a ver com a profissão dele, mas ele cozinhava final de semana e eu cresci com essa memória.
Minha mãe não era de cozinhar, meu pai que cozinhava. E eu cresci com essa memória assim.
Mas ele cozinhava dia a dia assim ou só final de semana?
Não, não, não. A gente sempre tem alguém em casa pra cozinhar. Final de semana reunia a família, os amigos.
Aí um prato mais especial, aquela coisa assim, tá.
Aí sempre teve uma época que era pizza que ele fazia todo final de semana. Aí teve época que era yakisoba, época que era bacalhau e por aí vai. Ele tinha um... Prato da época assim. Mas eu cresci com essa memória. Então a gente não costumava sair muito de casa no final de semana, a gente costumava receber e meu pai cozinhar, né? E aí quando eu virei adolescente, eu comecei a fazer isso para os meus amigos. Então não era muito de balada nem nada disso.
Então eu chamava os amigos do colégio para minha casa e eu fazia alguma comida e a gente tocava um violão, enfim. Então sempre tive essa paixão, mas nunca na minha vida passou pela minha cabeça, cara, vou viver da cozinha. E meu pai, ele é delegado da Polícia Federal, aposentado. Sempre escutei as histórias e aí meu sonho era ser da Polícia Federal também.
Ah, para um menino ouvir essa história do pai delegado deve ser aquela coisa, né?
É, não, e na época assim, ele fala, porque a polícia hoje tá muito mais tecnológica, na época tinha muito trabalho de rua, então eu escutava as histórias e eu falava, pô, é isso que eu quero. Então esse sempre foi o plano A, B e C, né? E aí assim que acabou o colégio eu entrei para o direito. Fiz direito até o— tava indo para o 7º semestre. Então esse era meu plano mesmo.
Quase que você vira meu colega, olha o tanto que a gente ia perder se esse cara virasse advogado.
Pois é, eu fico imaginando assim. E foi isso, eu fiz direito, já tava indo para o 7º semestre. Aí meu pai, como eu disse, sempre gostou de cozinhar, ele comprou uma aula para ele assistir de culinária. Era uma aula que acontecia num restaurante que fazia para grupos. E aí ele comprou, no dia ele teve inquérito, não pôde ir. E já tava paga a aula, eu fui no lugar dele, eu e os amigos dele. Fui assistir essa aula e me apaixonei.
E descobri que esse restaurante ele tinha alguns cursos que eles davam mais aulas. Aí cheguei em casa, falei para minha mãe: ó, tem um curso assim de 3 meses, uma vez por semana, queria fazer. Tá bom, pode fazer, cara. E aí deu um mês fazendo, eu falei: putz, é isso aqui.
Isso era adolescente?
É assim, eu tava no 7º semestre do direito, 20 e poucos anos. 2021. Aí eu falei assim, putz, é isso aqui, eu quero isso para minha vida. No sétimo semestre, sétimo semestre de Direito. E aí eu falei, cara, é isso que eu quero fazer.
Então difícil, né, porque já tá quase formando.
Eu, na verdade, eu vejo tanto hoje, né, eu vejo na época o tanto que eu fui maluco assim, porque foi uma emoção que bateu em mim e eu não pensei. Eu acho que se eu tivesse pensado, racionalizado, talvez eu não tivesse tomado a decisão. Mas eu lembro que eu cheguei em casa, chamei minha mãe no quarto, falei assim, ó, vou largar o direito, vou fazer gastronomia.
Putz, e ela?
Não, então, graças a Deus, assim, meus pais sempre apoiaram eu e meu irmão em tudo.
Legal.
Então nunca teve drama lá em casa, nunca teve. Meu pai, assim, ele apoiou, mas ele achava que eu tinha que terminar o direito também.
É, eu acho que o raciocínio mais normal seria, ok, termina, pega o diploma, faz a prova da OAB, guarda a carteirinha, aí beleza.
Mas aí eu bati o pé, enfim, foi isso, né? Graças a Deus, hoje a gente sabe que deu certo, sim, mas assim, foi complicado. E aí foi assim que eu entrei para gastronomia.
Caramba! Mas aí desse, você entrou, né, você gostou ali da aula e tal, mas daí para falar assim, cara, realmente quero virar um profissional disso, virar chefe ou abrir um restaurante, já foi ali naquela primeira aula também?
Isso é engraçado porque assim, eu hoje como profissional e já por estar tanto tempo na área, então eu já tô quase 20 anos na área, eu vejo muito isso nos alunos. Até na época que eu estudava gastronomia, né, muita gente gosta de cozinhar e fala: vou fazer gastronomia ou vou abrir um restaurante. E não entende todo, sabe, tudo que existe por trás disso. Então eu entrei na gastronomia porque eu tava apaixonado por cozinhar.
Sim.
E assim, dei certo, mas podia ter dado muito errado.
É, inclusive eu faço analogia com muita frequência. Pô, eu advogo para empresário há 15 anos e volta e meia eu falo assim: bicho, saber cozinhar ou ser chefe é diferente de ter um restaurante. Uma coisa é um negócio, é uma empresa, outra coisa é uma arte. E normalmente quem tem uma habilidade não tem outras.
Não, eu falo que hoje em dia para você abrir um restaurante você precisa ser muito mais empresário do que chefe, porque o chefe você contrata, tem vários. Agora você vai contratar um cara para tocar o restaurante, é muito mais difícil. Então assim, quando eu entrei, eu entrei pela paixão de cozinhar. Então eu acredito hoje que eu entrei pela motivação errada. Ok. Porque essa não devia ser minha motivação. Minha motivação devia ser assim, cara, eu quero empreender nessa área, eu quero fazer minha vida nessa área. Mas eu tava cego, eu tava com uma paixão e essa paixão me guiou.
Mas se teu filho fizesse a mesma coisa, tu impediria ou—
Pô, é difícil dizer, né?
Pois é, por isso que eu tô perguntando, porque você tá falando assim, acho que eu entrei pela motivação errada, e eu entendo o que tu tá querendo dizer.
Não, mas deu certo. Eu acho que como pai, assim, vendo como meus pais fizeram, eu acho que eu deixaria, sabe? Eu acho que para o bem ou para o mal, a gente tem que deixar o filho construir o próprio caminho. A gente guia, mas assim, a gente tem que nessas horas acolher, sabe? Não é uma decisão nossa, mas assim, nem filho eu tenho ainda, a gente tá no processo de tentar ter. Então vai, quando chegar a hora eu vejo. Mas assim, eu vejo muito isso na gastronomia, das pessoas que entram porque gostam de cozinhar E foi engraçado porque quando eu entrei foi um choque assim.
Eu sempre tive o sonho de ser próspero. Isso eu falava desde pequeno. Meu pai me perguntava: "O que você quer fazer da vida?" Eu falava: "Cara, não sei, mas quero ganhar muito dinheiro." Esse era o que me motivava. E quando eu entrei para gastronomia, com 1, 2 anos na área, eu falei: "Cara, já era.
Aquele plano de ganhar dinheiro deu errado." Entrei pela paixão, agora não vou ganhar dinheiro.
Porque eu olhava a realidade de quem estava no mercado E até quando eu trabalhei no Four Seasons, eu olhava o chefe que tava 10, 20 anos na minha frente, eu falava: "Cara, não é isso que eu quero pra minha vida." Em termos de prosperidade, em termos de saúde psicológica, tudo, sabe? Eu falava assim: "Deu errado." Mas assim, por que que eu acho que eu dei certo? O tempo inteiro eu amei meu trabalho. Então, mesmo quando eu fazia o trabalho de cozinheiro, lavar louça, eu fui garçom, tudo isso eu fiz, né?
Era completamente desgastante, às vezes 60, 70 horas por semana, mal alimentado, desnutrido, sabe?
Pressão, né?
Pressão, porque era uma alta culinária, mas eu amava aquilo, eu ia trabalhar todo dia feliz da vida.
Entendi.
Então, das duas, uma: ou eu ia ficar quebrado, mas ia ser feliz no meu trabalho, ou eu ia atingir um resultado, enfim, e ser bem-sucedido. Mas eu acho que essa questão da motivação e entender que existe muito mais coisa que cozinhar, é um elemento pequeno dentro da gastronomia, sabe? Eu acho que isso importa muito na hora de você tomar essa decisão.
E quando que você saiu de chefe para virar dono de restaurante?
Pois é, eu quando eu voltei para o Brasil, voltei para o Brasil em 2014.
Passou quantos anos nos Estados Unidos?
5 anos.
E aí depois foi para o Peru?
Depois fui para o Peru, morei 1 ano no Peru. E aí voltei em 2014, se eu não me engano, para o Brasil, né? Eu voltei e aí foi o primeiro negócio que eu tive mesmo. Até então era funcionário sempre, fui cozinheiro por muito tempo, etc. Meu irmão, ele tava com uma ideia de abrir uma franquia de sushi em Brasília. Tá, isso pré-iFood. O iFood não existia ainda. E aí eram uns amigos dele no sul que tinham uma, 3 lojas de sushi lá em Floripa, que vendia muito, só delivery.
Ok, eles tinham plataforma própria, é uma plataforma incrível. Então você pensar que naquela época você tinha que pedir por telefone tudo que você fosse pedir, porque não existiu iFood. Você tem uma plataforma online super fácil de usar, fazia a venda ser muito melhor.
Com certeza.
E aí eles que criaram sistema. Enfim, aí meu irmão conseguiu conversar com eles para abrir essa franquia e ele me pediu ajuda para tocar essa parte da cozinha. Eu tava no Peru assim, eu tava ainda nessa fase de aprender, de acumular conhecimento, mas não ganhava dinheiro ainda, precisava da ajuda dos meus pais. Eu já com quase 30 anos ainda precisava de ajuda dos pais. Eu voltei para ajudá-lo nesse negócio, né? E aí foi quando eu tive meu primeiro negócio.
Mas assim, eu ficava ali na cozinha do sushi, ninguém me conhecia, eu não conhecia ninguém, 24 horas por dia cuidando daquele negócio. Eu que ia no mercado, comprava as coisas, era teu irmão É ele que tocava. Eu cuidava dessa parte de cozinha, compras e etc. Enfim, o sushi deu super certo, isso é uma outra história. A gente acabou vendendo ele, né? A gente ficou um ano com sushi. Mas aí quando... Nesse meio tempo, uma amiga, na verdade, queria muito que eu ensinasse ela a cozinhar.
Esse é um momento de transformação na minha vida, assim. E eu tinha uma cozinha de produção nesse sushi que eu não usava ela à noite. E aí eu falei: "Ah, tá bom." Então ela insistiu muito, eu nunca tinha ensinado ninguém a cozinhar, nunca tinha dado aula nem nada.
Rápido, deixa eu fazer um parênteses para turma ter uma noção. Quanto que custa uma cozinha dessa?
Ai, na época assim, para a gente montar o espaço inteiro, que era o espaço do sushi, custou na casa de uns R$300 mil. Só equipamento? 2014, né?
2014, só a parte da cozinha.
É, a obra de maneira geral, mas de uma loja pequena de 100 metros quadrados.
Entendi.
Hoje seria muito mais caro esse valor, mas a gente tá falando de 2014, aí 13 anos atrás.
Perfeito, é só para turma ter noção. Nada é barato, do equipamento que vai, etc.
Nada é barato.
E aí, aí vocês venderam sushi e uma amiga pediu para você ensinar.
Pediu para ensinar e a gente tava nesse processo de venda do sushi e eu tinha uma cozinha de produção que eu não usava à noite. Aí eu falei, tá bom. Nunca tinha na minha vida também, outra vez, pensado em dar aula para ninguém, né? Nunca tinha pensado em cozinhar, depois nunca tinha pensado em dar aula. Aí ela insistiu, chamei ela mais uns 4, 5 amigos, ensinei eles a fazerem um prato à noite. Foi isso. Aí a galera amou. Pô, vamos fazer semana que vem de novo?
Eu falei: vamos. Aí fizemos na outra semana. Aí: pô, posso chamar uns amigos? Pode. Aí com 3 semanas eu vi o business aí. Eu falei: cara, tem um negócio aqui.
A galera amou. E tu amou também?
Amei. Não, e eu vi que eu levava jeito para dar aula.
Isso aí a gente compartilha.
Eu amo dar aula. Pois é, mas eu não sabia, entendeu? Porque assim, foi uma coisa que uma amiga pediu. É o conhecimento técnico que eu tinha por toda a minha bagagem educacional. Fora do Brasil, mas eu nunca tinha precisado transmitir isso para ninguém e deu muito certo. Enfim, resumindo a história, eu montei um curso de culinária, tipo aquele curso daquele restaurante que eu fiz daquela vez, montei o meu nessa cozinha de sushi que a gente não usava à noite e com menos de um mês eu tava com todos os dias da semana lotados, cada dia com uma turma de 10 alunos.
Nasceu um business.
É, e aí assim, é quando a minha vida como empresário começa a mudar, até financeiramente.
Isso, 30 e poucos anos.
Eu tava para fazer 30, tava com 29 para 30 anos de idade. E o curso foi a mudança de chave na minha vida. Fiquei com curso 10 anos, né? Eu parei de dar aula oficialmente mesmo ano passado. Caramba! Eu fiquei 10 anos dando aula. E aí tudo que eu construí foi por causa da aula. Até meu nome em Brasília veio por causa da aula.
Mas aula nesse formato, não em graduação?
Não, nesse formato. Era sempre no meu curso, só eu dava aula no meu espaço. Inclusive hoje, onde o Tarso existe, onde o Tarso acontece, foi o espaço que eu criei para dar aula. Então esse espaço eu tenho ele há 11 anos, né? Foi quando eu comecei a dar aula, logo eu construí esse espaço. Mas ele, o Tarso, tem só 3 anos de vida, entendeu?
Desses alunos, quantos por cento eram profissionais e quanto era muito pouco era profissional?
A grande maioria eram entusiastas da gastronomia. A gente teve profissionais, mas a grande maioria— e eu acho que isso foi um nicho que a gente soube atacar também.
Sim, sim.
Então a pessoa que quer muito, médico que quer desestressar, que quer não sei o quê, enfim, Foi um ambiente agradável e de fato para aprender a cozinhar. Chegava em casa e conseguia, né?
É porque você falou bem também, né? É uma linguagem de amor, né? Tem muita gente que— eu mesmo não cozinho nada, mas eu gosto de às vezes chamar os amigos em casa e tentar arranhar um prato. Você se sente bem. É cansativo pra caramba, mas ao mesmo tempo você se sente bem, né?
Então a gente conhece muita gente assim, a gente tem muitos amigos que adoram cozinhar. Eu era essa pessoa adolescente, meu pai era essa pessoa, entende? E eu comecei a ensinar essas pessoas.
É, e você falou dessa ligação com teu pai, etc. e tal. Eu vejo meus filhos pequenos, eu fico pensando nisso, cara, podia começar a fazer pizza, mesma história, né? Porque se eu juntar meus filhos para fazer a pizza, fazer aquela bagunça, aquela coisa, comer, isso é uma memória afetiva fantástica, né?
Qual é o momento com filho, né? Seja ele qual for. Eu até brinco com a Bruna assim, hoje em dia eu não cozinho mais nada, né? Muito raro. Em casa eu não cozinho, só no restaurante às vezes. Mas a minha vida hoje é muito mais de empresário e criativo, né? Então eu que crio os menus, enfim. Mas eu brinco com ela que quando a gente tiver filho, aí eu vou voltar a cozinhar muito.
Legal.
Que aí eu vou fazer questão de cozinhar em casa para eles ou com eles.
Legal, legal. E como é que nasce o Tarso?
Cara, o Tarso... Pois é. Eu sempre tive a vontade de ter um restaurante de alta gastronomia, né? Nesse percurso do curso, a gente teve alguns restaurantes. Então eu tive o Mosaico, que foi restaurante de duas edições do Casa Cor, duas fora. A gente era um restaurante itinerante, a gente teve o Rubio, que a gente deu a infelicidade de abrir ele 3 meses antes da pandemia. Nossa. Então acabou não dando certo. Então eu já arriscava ter restaurante como dono, né?
Mas restaurantes maiores. E aí depois eu foquei no curso, era o que eu fazia bem assim, era o que eu sabia administrar, o que dava certo. Mas eu sempre fiquei com esse sonho assim de fazer um restaurante de alta gastronomia, de menu degustação. Mas em Brasília Isso sempre foi muito difícil. Os poucos que tentaram não deram certo, né? Brasília ainda é uma cidade que tem os— que a clientela tem os seus restaurantes favoritos e vai sempre neles, e por aí vai, né?
As pessoas aqui, elas ousam um pouco, elas não são tão arrojadas igual quem vai em São Paulo e tenta: "Ah, hoje eu vou provar isso, hoje eu vou provar aquilo." E tá tudo bem, né? O estilo da cidade. Então era arriscado. E aí o Taço, como eu disse, eu tinha um espaço já, que era o espaço onde eu dava as aulas, né? Então eu falei, é a mesma coisa do sushi, que eu já tinha o espaço e resolvi começar a dar aula. Esse eu tinha um espaço que eu dava aula e resolvi abrir um restaurante.
Eu gosto muito, até um conselho que eu dou para empresários assim, de sempre quando você tem dúvida num negócio, você começar ele com o mínimo de risco possível. Começa pequeno e escala, né? Eu vejo muita gente às vezes, cara, vou montar um restaurante, eu vou montar não sei o quê, e você gasta aí milhões É, você tá doido. E abre, pum, na primeira semana você vê que deu errado. Sim. Então o Tarso, eu falo assim, o Tarso a gente gastou para abrir o Tarso R$10 mil, porque eu já tinha um espaço.
Sim.
E aí o que eu fiz? A aula era a minha principal fonte de renda.
Ok.
Então eu só tirei 1 ou 2 dias da aula e comecei a abrir o Tarso 3, 4 vezes no mês.
E os clientes do restaurante vinham de onde?
Então aí eu divulguei, né? A gente já tinha uma base de mais de 2 mil alunos ao longo da história, todos empresários, médicos, enfim. O Taço começou também, a gente tava testando a ideia, começou num preço muito mais acessível do que é hoje. Mas a gente abriu ele muito simples assim, foram R$10 mil pra comprar toalha de mesa, umas lumináriasinhas, umas coisinhas assim pra dar cara de restaurante pro espaço, que era um curso. E abrimos, e foi isso, eu divulguei, a gente abria 3, 4 vezes por mês, porque eu não podia tirar muito das aulas.
Sim.
E aí nesse ritmo, com 8 meses operando mais ou menos assim de 3 a 4 vezes só no mês, A gente ficou entre os 100 melhores restaurantes do Brasil pela Exame. Caramba! Aí eu falei assim, cara, o povo tá levando a gente a sério. Isso aqui é porque meio que até no fundo assim era um restaurante, mas eu sentia que a gente tava brincando ali, era como se fosse um evento.
Na tua cabeça ainda não tinha aquela seriedade.
Exato. Aí quando bateu o prêmio, eu falei, meu Deus, isso aqui realmente. Aí foi quando a gente instituiu dias fixos para o Taço abrir. Então a partir de agora o Taço abre toda sexta e sábado. E aí eu tive uma viagem para China que eu fui com a Bruna, e aí foi a primeira vez que o Tarso funcionou sem a minha presença. A gente treinou a equipe, foi uma, é aquela coisa que você tem que arrancar o band-aid.
É, mas indo tá na China, meu irmão, se não se der alguma coisa errada, você precisa dar o passo, entendeu?
Assim dói, dói, mas você precisa dar o passo e funcionou.
É, eu Eu assisti a palestra dele, gente, por isso que eu convidei aqui. E uma das coisas que me pegou assim, que eu sei que é um desejo de 99% dos empresários, que você fala assim: cara, hoje a minha agenda é minha, ela é livre.
É, é, exato. Mas assim, você entende que eu construí isso?
Sim, claro.
Eu falo porque muitas vezes a pessoa ela quer ter liberdade de agenda, mas ela tá esperando isso cair no colo. Então todos os negócios que eu tive Eu sempre tive na linha de frente implementando um negócio. Então a gente tem uma rede de estrogonofe delivery. Sim. Cara, eu no início do estrogonofe, na pandemia, eu comprava a carne, eu picava a carne, eu que embalava tudo, eu que, entende? O sushi é a mesma coisa. E aí você vai construindo.
O Tarso, ele só funcionava se eu tivesse lá. Eu tava cozinhando e fechando a cozinha todo dia com os meninos, lavando louça, fazendo tudo, né? E aos poucos eu vou deixando a operação de um jeito que eu acredito que ela funciona sem a minha presença física.
Mas você faz isso de maneira intencional?
Intencional, 100%. Então assim, hoje se eu tiver viajando ou tiver qualquer outra coisa, não muda nada da vida do Taço. O Taço funciona. Agora sempre que eu posso eu tô lá, né? Então assim, eu sempre tô presente. A minha questão é se eu vou estar presente fisicamente, mas o meu dia hoje é cuidar do Taço.
No começo os clientes tinham uma expectativa que você estivesse lá fisicamente?
Eu acredito que sim, assim, poucos verbalizam isso, Né? Mas, principalmente no início, como eu tava sempre, existia isso da pessoa às vezes perguntar se eu ia estar ou não e por aí vai. Hoje em dia, já tem várias noites que eu não tô no restaurante por qualquer motivo. Às vezes eu até tô em Brasília, mas tem uma reunião ou tem um evento. Enfim. E aí eu não tô no restaurante. Então, tem gente que já foi 3, 4 vezes no restaurante e nunca me viu.
Mas, quando eu tô no restaurante, eu sempre vou em todas as mesas. Eu faço parte do serviço do atendimento. Então eu gosto muito dessa relação com o público, né? Então acho que hoje as pessoas já estão mais acostumadas de eu não estar lá, mas eu sempre tento estar.
Eu tô te perguntando isso porque essa é uma dor de todo prestador de serviço, principalmente de alto nível. Eu vivi isso na advocacia, né, cara? Eu converso com o cara, faço relacionamento, ele me conhece, é como se ele tivesse me contratando, não contratando o escritório, né? E assim como o meu escritório, o teu restaurante é o teu nome. Então assim, tem essa expectativa, mas É humanamente impossível. Você tem que criar o negócio para ter esse desmame, né?
E assim, depende da gente provar para o cliente que ele vai ter a mesma entrega sem a gente estar lá, entendeu?
Exatamente.
Porque eu entendo isso. Eu realmente, assim, se eu te contratasse, eu com certeza eu ia esperar o seu atendimento. Mas se você provar para mim que eu vou estar muito bem com fulano e que você tá ali, precisa dar o suporte, entendeu? Então assim, tem muita gente que me conhece pessoalmente e vai no Tassi e eu não tô. Mas eu tenho um cuidado, eu mando fazer um tipo assim, ah, Leva uma taça de champanhe na mesa, leva não sei o quê, então a pessoa vê que mesmo eu estando ausente eu tô presente. E ela se sente acolhida, entendeu?
É uma questão também de você falar, de provar e de tempo, né? Que aí com o tempo as pessoas vão se acostumando, vão ver que a qualidade do serviço tá lá em cima.
E tem essa ver assim, tá falando de restaurante especificamente, a gente viaja o mundo, a gente vai em vários restaurantes, é raro você ver o chefe no restaurante. Porque, cara, às vezes o cara tem um monte de coisas para fazer. É até engraçado assim, eu ainda sou um chefe que tô muito presente no taço e sempre que eu tô, como eu disse, eu vou às mesas. E teve uma pessoa que deixou uma avaliação, não sei se foi no Google Reviews ou TripAdvisor, a pessoa super feliz porque eu tinha ido à mesa, como se assim, na cabeça dela é impossível isso, você tá no restaurante, o chefe vai à mesa, e a pessoa agradecendo o meu tempo de ir à mesa, sendo que é uma coisa que eu faço toda noite quando eu tô lá, entende? Então o público já percebe e já entende que às vezes o chefe não vai estar lá.
Entendi. Qual que é o diferencial do Tarso?
Cara, assim, sem dúvidas nenhuma, hospitalidade e experiência do cliente, né? Assim, nossa comida é maravilhosa, a gente cuida disso, a gente nunca se acomoda, né, na parte da comida. Desde o início, quando a gente abriu o Simplesinho, a comida sempre foi o nosso número 1. Mas chega uma hora que você tá tão bem ordenado, com a equipe, com tudo, com os insumos, fornecedores, que você sabe que a sua comida ela vai sempre entregar o que você busca.
Então é aí que a gente começa a explorar outras atmosferas do restaurante. Então a gente muda o menu a cada 3 meses, então a gente tem um público recorrente muito grande, porque a cada 3 meses mudou 100% dos pratos.
Aí é você que muda?
Eu que mudo, não, toda parte criativa do Tarso eu que faço. Ok. Então assim, eu vou semana que vem agora, eu vou entrar na semana de produção e criação do novo menu, que daqui um mês muda. Então eu crio todo o menu, eu vou pra cozinha com a minha equipe, a gente treina todos os pratos e a partir daí a equipe começa a produzir sozinha e eu fico só supervisionando, né? Mas todo o menu do Tarso sou eu que crio. Então assim, essa parte da comida é legal, mas o que faz diferença é como a gente acolhe o cliente, é como a gente aplica mesmo do início ao fim da jornada nele, às vezes até antes, às vezes até depois. A hospitalidade, sabe? Então enfim, aí a gente tem dezenas de casos.
Vamos lá, conta para mim o que é hospitalidade, porque a primeira vez que eu ouço o termo hospitalidade no contexto de restaurante foi da tua boca, né? E aí na tua palestra a gente conversando, eu entendi o que você quer dizer e faz todo sentido. Mas explica para a gente o que que é isso.
Primeiro tem uma definição que ela, que é engraçada, que o Will Guidara, que hoje é o nome referência em hospitalidade no mundo, é um americano Ele disse que serviço é preto e branco, hospitalidade é cor, né? Então é bem tênue a linha assim. Então o que que seria o serviço? O serviço é, no caso do restaurante, a gente levar o prato na mesa na hora certa, é a comida tá quente, é os talheres estarem bem postos, é você pegar o pedido na hora.
Enfim, é tudo que é protocolar, que já se espera que seja feito, né? Isso vale para qualquer business. Tudo que se espera daquele serviço feito com qualidade, isso é serviço, né? O que que é a hospitalidade? A hospitalidade é quando a gente traz vida para isso, né? Então é quando a gente percebe coisas que talvez outros não perceberiam. Então você tem vários casos, tipo assim, talvez você vê que uma mesa tá num papo legal, não sei o quê, e aí você escolhe aquele momento de ir ou não à mesa, entendeu?
Às vezes você vê que o cliente, enfim, tá comemorando alguma coisa, a gente faz alguma coisa especial por ele, né? Eu posso dar exemplos depois, mas a gente tem vários exemplos onde a gente conta pra gente. Então assim, eu vou dar exemplos dos mais bestas, né? Teve um casal que foi jantar no Tarso e eles estavam jantando assistindo uma final de tênis, acho que era o US Open, não sei, uma final de tênis no celular. Jantar e jantando, só que assim, os dois botaram o celular aqui e jantando, né?
Só que o Taço, ele é uma experiência. A gente vai à mesa, a gente explica cada um dos pratos, a gente— e claramente a gente não ia conseguir fazê-los viver essa experiência daquela forma. E aí, o que que eu vou fazer? Eu vou falar para o cliente: olha, desliga o celular e presta atenção no quê? Entende? Não dá, né? E aí, o que que eu pensei? Eu fui na cozinha, a gente tem um iPad grande, que é um iPad nosso de produção, iPad bom mesmo.
E aí botei o jogo no iPad, levei para eles na mesa, botei e falei: vocês poderiam assistir o jogo mais à vontade, né?
Caramba, que massa!
Entende que é uma besteira, mas o que que isso mostra? Que a gente tá sempre atento.
É uma besteira em termos de equipamento, de custo, de serviço, mas em termos de atenção, é isso.
É atenção. Porque muita gente não pensaria. Eu pensei: como que eu converto isso? Porque eles vão sair daqui, eles não vão ficar felizes porque vai chegar a conta É caro e vai sentir que não valeu o tempo inteiro.
É, vai sentir que não valeu porque não viu a experiência.
Como o foco era o jogo, podia servir uma pizza para eles, tanto fazia o que eles estavam comendo.
Se o jogador que eles estavam torcendo perdesse, então tu tava lascado.
Então, tanto que depois eles comentaram em alguma rede social como que isso marcou eles, entendeu? Outro exemplo assim, um cliente foi no Taça um tempo desses, esqueceu o case de vinho deles. Né, isso acontece, vira e volta, cliente esquece. Aí esse cliente, ele me conhecia, mandou uma mensagem: pô, Paulo, preciso buscar. Falando: me manda seu endereço, a gente vai mandar entregar para você o case. Isso a gente sempre faz quando o cliente esquece, que já é por si só uma hospitalidade de mandar entregar na casa do cliente o case.
O normal é: não, achei, tá aqui, tá guardado aqui, procura fulano.
Não, a gente manda entregar. Aí eu botei uma garrafa. Esse cliente, ele levou um vinho de dezenas de milhares de reais, um vinho de R$20.000, R$30.000, que ele levou para tomar. Botei um vinho, não foi um vinho caro, um vinho, sei lá, de R$100, R$200. Botei um vinho dentro do case, a gente escreveu um cartão que esse case nunca fica vazio e mandou devolver esse vinho para ele, entende? Então assim, para ele não importava ali o valor daquele vinho, é o gesto, é a atenção, é o cuidado, é o carinho, né?
Então tudo isso é hospitalidade. Então a gente tem um segurança hoje no Taço que fica na porta, né, fechado. Esse segurança, ele acompanha todos os clientes até seus carros ou até o Uber. Entendi? Isso é hospitalidade. Enfim, aí a gente tem, né, mas de onde que vieram essas ideias, cara? Isso sou eu, é o que eu falei para você no início, quando você perguntou quem é o Paulo. Tipo, nada disso é treinável, porque você não sabe se o cliente vai querer assistir um jogo de tênis. Você não tem como treinar sua equipe.
Todo dia é uma surpresa.
Todo dia é uma surpresa. O que que é treinável? A nossa atenção e a disposição em fazer aquilo ser impactante para o cliente. Então a gente está sempre buscando essas oportunidades.
Mas esse nível de serviço você viu nos restaurantes em que você trabalhou lá no—
Não, que eu trabalhei não, eu já vi em restaurante que eu fui.
Que você vai como consumidor.
Como consumidor, já vi em um ou outro, mas assim, não na complexidade do que a gente faz no Taço, porque isso realmente virou filosofia e cultura nossa. Então hoje toda a equipe busca essas oportunidades.
Conta um pouco dos valores de vocês, que eu vi aqui no site tem, na palestra você fala também.
Saulo, assim, é... Deixa eu achar aqui os valores.
Eu lembro que um é excelência. Deixa eu achar aqui.
É porque é muito institucional isso, né?
Tá, mas fala da tua cabeça então.
Não, mas é porque assim, é... Pra gente assim, é muito o valor do ser humano.
Inclusividade, excelência, criatividade, acolhimento, qualidade, frescor. Mas na tua palestra tu fala em outras coisas.
É, mas assim, é porque o site a gente fez, mas eu acho que traduz bem o que tá aí, acho que traduz bem. Mas hoje assim, o que que é cultura nossa, principalmente depois que eu comecei a palestrar, foi muito essa coisa da hospitalidade mesmo. Então assim, é o que a gente mais bate na tecla. E aí virou, é engraçado porque assim, virou cultura dos funcionários. Então um dia desse eu fui jantar no Taço que às vezes eu vou com amigos.
Hoje inclusive eu vou jantar no Taço com alguns amigos. Legal. E aí tava eu e a Bruna, e a gente no final foi surpreendido pela minha equipe com uma surpresa que a gente faz para todos que jantam no Taço.
Fantástico.
E aí eu lembro que a Bruna, que já jantou no Taço várias vezes, ela ficou surpresa com aquilo, ela ficou emocionada. E é uma coisa que eu já sabia que acontecia, porque a gente faz para todo mundo que janta, mas eu não tava esperando que fosse feito com a gente. Então assim, isso virou realmente cultura da empresa. Todo mundo da equipe tá o tempo inteiro vendo situações onde a gente pode surpreender o cliente.
E como é que você treina essa equipe para chegar nesse nível?
Não, isso aí é assim, eu falo que é muito por exemplo, ok, tá? Porque mais uma vez, não tem como você treinar para situações específicas. Então é dia a dia, cada dia a gente é melhor nisso. Então lá atrás a gente era muito pior. Mas eles veem o tanto que eu busco isso o tempo inteiro. Eu falo, gente, vamos lá, o que que a gente tem de reserva hoje, tá? Tá comemorando alguma coisa, tá não sei o quê, você já tentaram achar o Instagram dessa pessoa?
Já tentaram isso? Então assim, eles veem que eu tô o tempo inteiro buscando e cobrando essas coisas. Então chega a reserva, eles vão atrás de saber quem é a pessoa, Instagram, conseguir tudo que a gente puder de informações, porque às vezes tem alguma informação ali que vai permitir a gente surpreender aquela pessoa. E fazer algo diferente, entendeu? Então a gente tá sempre buscando, é isso, a busca ela é incessante. E aí, como eu disse, virou cultura.
Todo mundo da equipe, cara, do segurança ao garçom, tá o tempo inteiro procurando essas situações para a gente fazer alguma coisa diferente, sabe?
Mas o que que você olha na pessoa? Não sei se você faz as entrevistas ou recrutamento, tem alguma coisa, uma característica, cara?
Que eu tava conversando com você um pouco mais cedo, né? A gente, parece óbvio, mas a gente contrata pessoas, não funcionários, né? Eu gosto muito de treinar a minha equipe porque eu acredito que o que a gente faz pouca gente faz. Então é difícil, com certeza, é difícil eu conseguir esse tipo de funcionário pronto, né? Então hoje eu realmente contrato pessoas do ponto de vista total, né? Exato, total, 100%. Então assim, eu contrato realmente pessoas do ponto de vista de que eu sento com elas e vejo se bate.
Cara, eu brinco assim, eu não tenho RH, vai enlouquecer, né? Eu falo assim, cara, não tem. Eu não olho currículo muitas vezes, não olho mesmo, cara. O currículo, se vier, às vezes tem um restaurante de algum amigo, aí eu entro em contato com o amigo para ver, mas no máximo isso. Mas o currículo em si não me diz nada, né? Eu chamo a pessoa, converso com ela, e vejo o que que eu acho, porque todo o resto eu treino, não tem problema, né?
Você vê hoje o nosso sous-chef, ou seja, a pessoa abaixo de mim na cozinha, né? Ele tem, completou agora há poucos meses, 18 anos de idade.
Mentira, né? Aí toca cozinha, que tá hoje entre os melhores restaurantes do Brasil.
E o meu sous-chef, ele começou comigo com 16 anos de idade, entrou estagiário, né? A mãe dele lava nossa louça. Mentira, mas assim, é uma pessoa que o Taço foi o primeiro restaurante que ele trabalhou.
E o que que tu viu nele?
Então, vontade, que para mim é o que importa. Vontade, tipo assim, trabalhar bem, ser responsável. Então tudo isso ele tinha lá do início, mesmo por formação dos pais. Então ele tinha esse nível de responsabilidade. Então eu peguei, aí todo o resto eu treino. Eu treino em fazer ele ficar melhor na cozinha, eu treino em ele ter mais cobranças, em ele ser mais responsável. Tudo isso eu treino, entendeu? Hoje a minha métrica, que é a Nayara, que o povo vai lá e adora o jeito que ela atende, a gente recebe muitos elogios dela, também entrou no nosso estagiário.
Entendeu? A gente tá pagando um curso pra ela agora, bem caro, de sommelier. Tá treinando ela pra isso. Então a gente, se o ser humano é quem a gente espera que seja, a gente treina ele pra isso. Então todo mundo que tá no Tarso começou com pouquíssima bagagem. É engraçado que assim, eu tenho hoje 4 cozinheiros na cozinha. Só um deles tem mais de 30 anos. Todos os outros têm um de 18, um de 19 a 20 e outro de 21, 22.
Que loucura, cara! Que fantástico isso!
É isso.
E a galera do salão também é jovem assim?
Não, o salão a gente tem um garçom só, que é o Arthur, que ele tem, sei lá, seus 30 e poucos anos. A Nayara, que ajuda no atendimento, né, que é a maître. E assim, os pratos, a mesa, por exemplo, se eu tô lá, eu levo vários. Então existe um esforço coletivo no salão, né? Então o salão, ele às vezes, o próprio Rafa, que é esse menino de 18 anos, ele leva algum prato, ele explica. Então o Arthur, ele cuida mais da parte serviço e menos da parte hospitalidade, que é levar comida, tirar comida, toda essa parte.
Do ponto de vista de negócio, hoje a gente vê muito, primeiro assim, o Brasil no mercado da culinária, como é que ele se posiciona, tanto em termos de negócio quanto em termos de qualidade da culinária dos chefes?
Cara, se a gente falar de Brasil, acho que a gente se posiciona muito bem, né? Assim, infelizmente existe ainda um eixo, né, que é Rio e São Paulo. Apesar do Brasil ser um país continental, ainda tá focado nessas duas cidades. São Paulo agora tá com dois restaurantes três estrelas Michelin, né, os únicos dois da América Latina. Que tem 3 estrelas. Então assim, a gente tá muito bem representado de gastronomia de norte a sul, né?
Tem vários cases aí de restaurantes incríveis, desde restaurante de comida muito simples, né, como Mocotó do Rodrigo, enfim, que fazem aquela comida genuinamente boa, bom custo-benefício, a Casa do Porco é um exemplo, até restaurantes como o Tujú, que é um 3 estrelas Michelin. Então a gente tá muito bem representado, né? Enfim, o país é enorme. Em termos de negócios, cara, aí é difícil assim. É a realidade, eu acho, que de qualquer empreendedor de qualquer área, né? Você tem um percentual pequeno que vai dar certo ao longo de muitos anos.
Sim, né? Mas eu, como leigo no assunto, o que eu vejo de mercado é assim: cada vez mais redes, cada vez salões maiores, cada vez mais aquela cozinha que parece uma linha de produção. E o teu restaurante é completamente diferente. Me conta um pouco do racional do negócio ali.
Cara, porque você tem que entender o que te move assim. Obviamente, se abrir um restaurante de 600 lugares, ticket baixo e etc., você vai ganhar, né? Enfim, eu tenho um restaurante que eu conheço—
Pra ganhar assim, encher aquele salário.
Assim, eu não vou citar nomes porque eu não posso, mas assim, eu conheço gente de uma rede de restaurantes do Brasil que tem centenas de— não sei se centenas, mas muitos restaurantes no Brasil inteiro Um restaurante que fatura, não sei, sei lá, muitos milhões, só que a margem deles é 3%. Então, se você vê o nível de stress que isso gera—
É uma margem de um atacado, cara.
É assim, você vê o nível de stress que gera para o empresário você ter, sei lá, 6, 7 mil funcionários, uma operação assim, entendeu? É algo que eu nunca quis para mim.
E eu imagino que os insumos eles façam assim, né?
O preço dos insumos, o negócio é ter uma margem desse tamanho. Então, por exemplo, o salmão. O salmão que a gente consome no Brasil vem do Chile, né? Tem uns anos, teve um problema lá no Chile, uma doença, não sei o que foi, que a gente ficou algumas semanas com escassez de salmão. O salmão, de um dia pro outro, dobrou de preço pra gente. Então, imagina, você tá pagando, sei lá, R$40, R$50 no quilo, passou a valer R$100, R$110, R$120, né?
Então, você não consegue dobrar o preço do seu prato na mesma proporção. Então, você tem que rezar pra baixar, ou senão você só vai conseguir aumentar ao longo dos meses. Então isso acontece muito assim, eu nunca gostei dessa coisa atacado, né? Eu sempre fui muito da experiência, mesmo no curso de culinária, tudo que eu fiz. Então eu pensei, como que eu agrego valor para conseguir ter uma margem melhor, né? E um trabalho prazeroso.
Então hoje, se você, muita gente perguntar, Paulo, quer abrir outro restaurante? Cara, não quero ter restaurante grande mais, não é minha meta, né? Então assim, eu tenho o Tarso, eu tenho o Stroganoff, que é uma rede mais que eu não toco. Vira e volta eu ainda dou umas aulas culinárias. Se eu fosse montar outro projeto, seria com certeza algo pequeno, pensando em valor agregado.
Em termos de premiação, a referência é Michelin?
É, assim, no mundo é, né? O Michelin, ele só avalia Rio e São Paulo no Brasil. Ok. Então, tanto que quando tem a premiação chama Guia Michelin Rio e São Paulo. Então, assim, você vê hoje Cê tem dois rankings hoje que são as referências, que é o Michelin, que não é um ranking, ele é um guia, né? Ele não distingue: ah, esse é o primeiro, esse é o segundo.
Ele dá um, dois ou três estrelas.
Isso. Então assim, cê vai ter vários três estrelas em algum lugar. Não existe um melhor, um pior. Ok. É três estrelas. E cê tem um ranking mesmo, que é o 50 Best, que é um ranking também que tem no mundo inteiro, né? Então, 50 Best, aí sim, ele rankeia, ele elege os 100 melhores restaurantes do mundo, por exemplo. Hoje o melhor restaurante do mundo tá no Peru, por esse ranking. Mas esse restaurante não tem estrela, porque o Guia não avalia o Peru.
Entendi. Entende? Então é o nosso caso. A gente podia ser o melhor que fosse, a gente atualmente não tem condições de ter estrela porque Brasília não é avaliado.
Isso é um sonho teu, um objetivo?
É, sem dúvida, sem dúvida. Na verdade assim, ele não move a gente, a gente não faz nada pensando nisso. Mas eu acho que qualquer premiação, de um ranking simples a um ranking super premiado, ele é aquele carimbo, né, de que, enfim, uma corroboração do que você tá fazendo, você tá no caminho certo. Mas a gente tem isso já dos clientes, então é uma coisa que não tira o nosso sono, mas obviamente assim seria muito legal assim, eu acho que para a gente, para equipe, sabe.
Então a gente tava agora 2, 3 semanas, o melhor prêmio do Brasil é o prêmio da Prazeres da Mesa. E a gente, pelo segundo ano, a gente concorre a Restaurante do Ano Centro-Oeste, né? Ok. E aí tem uma premiação em São Paulo, enfim. Aí eu fui, levei dois cozinheiros da equipe para assistir a premiação. A gente não ganhou, né? Mas foi bem legal assim. E você vê que isso impacta muito na equipe, mais até do que em mim. Cara, a gente tá concorrendo aí, sabe?
Tipo, você tinha me comentado que você trabalha com foco na hospitalidade para equipe também. Conta um pouquinho para a gente disso.
É assim, a gente cuida muito do ser humano de maneira geral. O que que eu penso assim? Quanto mais o seu funcionário, mais uma vez, qualquer área, tiver feliz, mais ele vai entregar para o seu cliente em termos de qualidade de serviço, de hospitalidade, de tudo isso, né? Eu até brinco assim, você vai, por exemplo, no Detran, você liga num call center, cara, esse funcionário ele apanha o dia inteiro. "Porque é só reclamação, tanto dentro quanto fora." Aí você vê que o cara já tá mal-humorado na hora que fala com você.
E você tá puto, entendeu? É uma relação assim que ela se desgasta muito rápido. Então se eu faço um ambiente que a minha equipe tá sempre muito feliz, as chances do meu cliente sair feliz é muito grande também. Então a gente faz esse troço aí. Alguns exemplos. Deu final do ano agora, o passado. Aí eu resolvi fazer uma confrada da empresa, né? Levei todo mundo para pular de paraquedas. Então a gente faz coisas que são irracionais assim.
Se você for, se tivesse alguém, eu não tenho sócio, né, o restaurante é 100% meu, mas acho que se tivesse alguém dos números, alguém do financeiro, ia falar: "Paulo, isso aqui a conta não fecha não." Mas você trabalha com experiência, experiência ela é irracional, né? E o que que eu acredito assim, que quando você investe esse dinheiro, você nunca vai olhar uma DRE ali e ver esse dinheiro, tipo, a gente investiu tanto no bem-estar do nosso funcionário e voltou tanto. Você não vai ver isso porque não tem como você metrificar isso.
Não, você mandou um vinho de R$600 para o teu cliente, não é sobre se essa conta fecha ou não.
Mas assim, mas ela fecha, esse é o ponto. Ela fecha e ela traz muito mais dinheiro para o restaurante.
Mas tu não faz por isso, mas você não consegue rastrear, né?
Não consegue, né? Mas isso muda. Então ontem teve o jogo da Copa, em vez de eu ir assistir com os meus amigos, eu preparei o taço, a gente alugou um telão E eu fui para lá, eu, a Bruna, minha esposa, com os meus funcionários e seus familiares, e a gente viu o jogo lá. É muito bom, cara. Tem vários casos aí. Nessa premiação eu levei dois funcionários que se destacaram para São Paulo para ver a premiação com a gente. Paguei hotel, paguei passagem de avião deles, nunca tinha viajado de avião.
Aí paguei um restaurante Michelin para eles conhecerem um restaurante Michelin de fato, nunca na vida, entendeu? Então a gente faz sempre. E enfim, aí tem vários casos, mas a gente a gente sempre cuida do funcionário para ele ter, sabe, um momento marcante, alguma coisa. Teve a Corrida da Momo agora, para quem quis eu paguei para se inscrever e a gente foi correr juntos.
Legal.
E aí você tem vários casos aí que a gente, e a gente cuida muito do ser humano assim mesmo, então de entender, ah, tô doente, eu tô não sei o quê, sabe, tipo a gente, e eles passam também a respeitar muito isso, não abusar da boa vontade, sabe. Então não é um funcionário que fica tentando meter atestado. Tinha um funcionário que tava com 30 dias de atestado, teve um problema, foi lá no médico, médico baixou para 15 dias, ele voltou a trabalhar. O funcionário faz questão de entregar para você porque ele é bem cuidado.
Tem muita gente que vai falar assim: "Não, cara, vai ser bonzinho assim, não sei o quê, vão te enganar e tal." Mas é isso, é como você trata. E eu acho que a tua técnica de entrevista, de bater, tu vai fazer um filtro ali na pessoa. Mas imagino também que você já tenha tido que demitir gente porque contratou e não teve fit.
É uma coisa também que você vai ver muito lá fora em livros sobre empreendedorismo, que ele fala assim: contrate devagar e demita rápido. E é isso.
E você segue isso?
Sigo. Assim, graças a Deus foram poucas vezes que eu precisei demitir, principalmente no Taço. Mas teve gente que eu precisei demitir. É engraçado que na hora que você mandou a pessoa embora, teve uma pessoa que eu mandei embora e aí não fui eu que comuniquei a equipe do restaurante que essa pessoa tinha sido desligada, foi uma outra pessoa que comunicou. E eu tava olhando nas câmeras E tinha gente da equipe fazendo dancinha, como agora, porque essa pessoa foi desligada.
Cara, já vi algumas pessoas aqui conversando comigo no podcast, alguns clientes contarem a mesma história. Tem uma pessoa na equipe que às vezes ela é até boa de performance, de venda e tal, mas ela contamina e aí prejudica o desempenho de todo mundo. Quando você demite aquela pessoa, todo mundo melhora.
E é engraçado que às vezes a pessoa é boa Né? E você pensa assim: "Cara, mas o que eu vou fazer se eu mandar essa pessoa embora?" Tipo: "O que eu vou fazer? Vou ficar sem..." Entende? Aquela pessoa que faz aquela função que você fala: "Não vai dar jeito." Mas dá, sempre dá.
Sempre dá, é.
Sempre dá. Você só precisa ter coragem. Entendeu? Só precisa ter coragem. A equipe... Hoje, graças a Deus, a gente tá numa equipe assim maravilhosa assim, em termos de sintonia mesmo entre eles, uma equipe sem atritos, que isso é importante porque, cara, é um Big Brother, né?
Então é, e deve ser um ambiente estressante, por mais que você como dono, como empresário, né, tente deixar leve.
É, isso é uma coisa assim, até que você falou assim, ah, de ser bonzinho às vezes da galera, é uma coisa assim, porque eu sou muito bonzinho no nível de cuidado que eu tenho com eles, mas eu sou muito firme, né, muito firme mesmo assim com a minha equipe, tipo, não tem espaço para para nada fora de contexto, sabe, para folga, nada assim. Tipo, eu chego, o nível de respeito que eles têm por mim é muito grande. Então assim, é saber diferenciar as coisas, é você tratar bem.
Acho que é como um pai faz, né? É você cuidar com carinho, etc., mas mostrar que você é firme naquilo.
Cara, excelente analogia, porque nível de qualidade altíssimo de exigência, né, de respeito, de firmeza, mas trata como um ser humano, com muito carinho, né?
Que uma coisa não anula a outra. Então assim, você não é bobo, né? Mas você cuida e você é firme. Então isso é muito importante.
Deve ter gente que vai ouvir a gente, vai falar assim: ah, esse cara só consegue fazer essas coisas para os clientes dele porque ele cobra caro, tem uma margem alta. No meu negócio não tem como fazer isso. Que que você responderia?
Que assim, é porque a hospitalidade ela pode ser cara, mas ela pode ser barata também, né? Então, e acho que uma coisa puxa a outra.
Você deu dois exemplos, um que foi de graça e um caro, né? O vinho e o iPad.
E aí tem vários outros, mas é isso. Tem vezes que a gente vai gastar mais, tem vezes que a gente não vai gastar nada, a gente só vai ter a ideia, né? No livro do Will Guidara, que é esse cara, ele escreveu um livro chamado Hospitalidade Irracional, uma leitura que eu acho que vale para todo mundo.
Hospitalidade Irracional, vamos botar no link da descrição.
Esse cara é referência assim em hospitalidade. E ele fala de uma regra que ele chama de 95/5. Então ele diz o seguinte: 95% do negócio, principalmente negócios que não tem um orçamento muito grande, né, não tem uma margem muito alta, 95% do negócio você rastreia os centavos. E aí ele fala: 5% você guarda para gastar de forma irracional.
Ele fala interessante, né?
E aí esse racional, cara, você pode viajar, pode ser com um cliente, pode ser com a sua equipe. Né?
Então muito bom isso aí.
Então assim, pode ser eu comprar um vinho para dar para um cliente, pode ser eu levar minha equipe para pular de paraquedas, entendeu? Assim, no Taço, o que que acontece? A gente tem uma margem boa. Então eu não faço controle 95/5, mas eu sei quando que eu posso, quando que eu não posso fazer alguma coisa assim diferente, né? Mas esse 5%, se bem utilizado, ainda que racionalmente, ele gera muito retorno financeiro.
Com certeza, cara. Todo mundo ou já vivenciou ou já viu uma foto. Por exemplo, eu tava pensando que alguma coisa de graça de um hotel que você vai ou de um cruzeiro, que você chega no quarto e tem uma toalhinha dobrada em forma de um animalzinho, né, cara? Isso aí, a primeira vez que eu como adulto vi, eu já fiquei impactado. Quando você tem um filho, alguma coisa assim, cara, isso aí é de graça. A camareira deve fazer aquilo ali em 3 minutos, né? Só que faz toda a diferença para tua experiência.
Um exemplo que a gente faz no Tasso que tem um impacto emocional enorme Né? Não é sempre que a gente faz, mas sempre que possível é feito. A gente hoje no Taço, nosso menu, ele é entregue através de cartões ilustrados, né? Então cada prato que você recebe vem um cartão junto com uma ilustração ou do prato ou de algum insumo, etc., e atrás uma breve história do prato. Então é um colecionável, você vai acumulando, no final a gente dá um envelope, você leva pra casa aquilo, né?
E sempre que a gente consegue, principalmente quando é alguma comemoração, a gente imprime uma foto do casal, alguma coisa do tipo, no mesmo modelo dos cards ilustrados, a gente faz essa ilustração. E atrás um bilhete escrito à mão, né? Fulano e fulana, cara, prazer que você veio aqui comemorar 20 anos casado, não sei o quê. Espera que, cara, isso é impressionante o impacto que gera na mesa. Quem acompanha as mídias sociais do Taço e vê a gente reposta, quase tudo que a gente reposta tem uma foto dessa, porque é um momento que o cliente posta, mas como aquilo marcou a noite dele, e aquilo custa zero para gente, né?
E eu falo para minha equipe assim, cara, a gente não pode deixar de fazer isso. O nome da pessoa é muito poderoso para ela. Então você recebe pelo nome. Então o nosso segurança que fica na porta, ele já tem a lista das reservas e provavelmente, se possível, ele já tem as fotos de quem vai chegar. Então você chega com a sua esposa para jantar, se tudo, se a gente tiver conseguido todas as informações, você não vai precisar falar: ah, eu sou o Salo, eu tenho uma reserva. Ele já vai te receber pelo seu nome, o segurança, entendeu?
Só isso aí já impacta o restante da noite.
Tem uma coisa que a gente aprende na faculdade, aprendi na faculdade lá em Nova York, chama o momento da verdade. Momentos da verdade são todos os momentos que você tem a oportunidade de formar opinião do seu cliente sobre o seu negócio, para o bem ou para o mal. Então, é, ele, no nosso caso, o cliente tentou fazer a reserva, entrou no site, foi fácil, foi difícil, deu problema, não sei o quê, papapá, tentou contato com a gente, conseguiu falar, não conseguiu, chegou no restaurante, foi difícil de achar, foi fácil de achar, enfim, aí você vai, né?
Então, no Taço, uma vez eu cataloguei, a gente tem acho que 20 e poucos momentos desse, né?
Certo.
E aí, o que que você faz? Agora você fez os momentos e você tem cada um deles. Ataca cada um individualmente e vê como que a gente faz esse momento ser inesquecível, esse momento ser inesquecível, esse momento.
Tenta lembrar pra gente, pra quem tá ouvindo tentar pegar o que é do teu negócio e levar pro negócio dele. Alguns desses momentos de verdade. Então, a chegada é um deles.
É, chegada, eu diria desde o início, né? Desde que a gente tentar achar a gente, fazer reserva. Todo mundo já tentou fazer reserva em algum lugar ou não conseguiu ou foi difícil ou não sei o quê, enfim. Esse é um. A chegada, como que ele foi recebido pela segurança, né? Segurança pode, ah, só um minuto, deixar o cliente do lado de fora esperando e checar sem reserva? Não, ele já pode receber, acolher e botar para dentro, entende?
Porque é uma porta fechada, né? E aí esse cliente, quando ele entrou no restaurante, quem foi receber ele para levar à mesa? Ok, isso foi feito como? Aí o cliente sentou à mesa, ele ficou muito tempo ali esperando alguém ir lá conversar com ele, oferecer alguma coisa, etc., ou não? Imediatamente alguém já foi lá oferecer uma água para ele. Aí tudo isso, sabe, é detalhezinho. Então assim, o cliente levanta para ir ao banheiro, que é comum, é uma experiência que dura 2 a 3 horas.
Então o cliente vai no banheiro durante essa experiência. Na hora que ele levanta, ele pega, a gente pega o guardanapo de pano dele que tá em cima da mesa e coloca um guardanapo novo, entendeu?
De graça.
Você já viu quantas vezes você vai no restaurante que o guardanapo cai da sua perna e cai no chão? Cara, os guardanapos de restaurante são muito pequenos. Você mexe a perna, ele cai. O nosso guardanapo é gigante, você cobre a perna com ele. É um guardanapo de 60cm, é isso aqui. Todo mundo elogia o nosso guardanapo porque ele é grande, ninguém deixa cair no chão.
E foi tu que pensou nisso aí?
Tudo eu que pensei.
Cara, essa tua cabeça aí, ela dá umas viajadas boas, né?
Tudo eu que pensei. Então assim, você vai analisando, tipo assim, é isso, isso é o momento da verdade. Você pensa assim, cara, eu vou em restaurante, toda vez o guardanapo cai no chão. O que que eu posso fazer para isso não acontecer? Vamos fazer um guardanapo maior.
É, e aí se tu tá preocupado com DRE, tu vai falar assim: não, mas esquece. Você falou um negócio que aí eu me lembrei da história da DRE, que assim, você traz tanta experiência para o teu cliente que eu imagino que a quantidade de postagem marcando é absurda. Então quem cuida da tua mídia social, de orelha a orelha, né? É você. É só ficar postando lá. Porque é o, como é que eles chamam, é o client content alguma coisa, né, que é o conteúdo que o cliente que gera, que é o melhor conteúdo possível.
Então tá ali um negócio indireto que volta para tua DRE, porque a geração de conteúdo tá ali orgânica e infinita, né.
Aí o mais importante, você tá, porque a gente tem muito cliente que vai no TASC, que é super privado, né, que é um cara que mídia social fechada, enfim. Mas o mais importante para a gente é o boca a boca. Eu falo muito isso para minha equipe. Um negócio como o Tarso é muito difícil a gente gastar dinheiro em marketing. Porque você não vai fazer patrocinado de um restaurante desse. Você não vai fazer panfleto, você não vai botar outdoor, entende?
Então a gente nunca gastou um centavo em marketing no Tarso. O nosso marketing é a nossa noite e a nossa operação. Então eu falo muito com a minha equipe, é um trabalho de formiguinha. Toda noite a gente tem que entregar o melhor que a gente pode. Porque esse cliente vai sair, eu tenho certeza que ele vai ser impactado e ele vai impactar outras pessoas para virem no restaurante. Então a gente sempre trabalha, o Taço ele completou agora 3 anos, né?
Então a gente tá sempre nessa construção de cada vez mais impactar mais pessoas para fazer mais pessoas voltarem ao Taço. Então a gente não tem, a gente, para dizer, a gente fechou agora, vai começar mês que vem uma assessoria de imprensa que até então a gente não tinha. Então esses 3 anos foram 100% de construção orgânica.
Não tem nenhum cuidado com os reviews de Google, de TripAdvisor?
Cara, a gente tá 100% 5 estrelas.
Mas não tem aquela coisa no final, ah, QR code?
Não, nada.
Comenta lá.
Para mim isso aí, putz, não, jamais faria.
Ontem eu fui no restaurante, por coincidência, que eu me senti um pouco constrangido assim, que acabou e tal, o cara veio com QR code, fala assim, posso te pedir um favor? Faz a revisão da gente no Google e menciona o meu nome, diz que eu te atendi bem, se eu te atendi bem, se não, tudo bem. Mas acho um pouco demais.
Tanto que assim, se você for olhar nossas avaliações, apesar de serem 100% 5 estrelas, eu acho que tem uma só que não é 5 estrelas, mas se você for olhar essas avaliações, você vê que a gente tem muito pouco comparado a grandes restaurantes em quantidade.
Entendi.
É porque a gente nunca fomentou isso. Eu acho que não tem nada a ver.
O cara vai lá, valia porque ele quer.
E eu desafio qualquer um que estiver assistindo aqui, de qualquer cidade do Brasil, etc., ou de fora, abrir o TripAdvisor, ver quem é o restaurante. Eu não sei quem é hoje o restaurante número 1 em Brasília no TripAdvisor, mas veja da sua cidade qual é e pense se ele é realmente o primeiro, o melhor restaurante da cidade. Não cai, entende?
Tem um case, né, um documentário que um cara fez, né, que ele, não sei se você já viu isso, acho que foi na Inglaterra. Ele inventou um restaurante e hackeou o TripAdvisor no quintal da casa dele e tal. Eu vi esse documentário na Netflix, não sei onde. É isso, o cara fez um— e não é hackeou que ele entrou no sistema TripAdvisor, ele fez o— ele hackeou as pessoas, né? Ele foi gerando uma expectativa nas pessoas, as pessoas foram reservando e avaliando só para dizer que elas tinham ido, mas elas não tinham ido.
Não existiu restaurante.
Aí depois ele inventou, ele fez o restaurante.
Uma noite no quintal da casa Tá vendo comida de fast food porcionadas assim, todo mundo amando.
Nossa, que gostando e tal. É, então é isso, é o que você tá falando, cara. Eu queria te fazer uma pergunta que me veio aqui, que eu vou fazer a mesma para Bruna quando ela vier. Qual que é a diferença do teu negócio para o Momo? Aí eu explicar, né. O Momo é o negócio da esposa do Tarso. É melhor você explicar do que eu.
É, a Momo, ela é uma empresa, enfim, a Bruna é nutricionista por formação, ela atendia consultório. E ela sempre teve a premissa da saúde na vida dela. Ela é uma pessoa muito saudável. E aí a Moma nasceu com essa ideia, chama Moma Doces Saudáveis, né? Então a Moma começou vendendo só doces saudáveis, e saudáveis gostosos, né? Porque eu sempre fui aquele cara contra comida saudável porque eu sempre achei ruim.
Sim, eu também.
Mas ela falou assim, não, então, tanto que muitas coisas que eles testam eu provo para ver, não, isso aqui tá top, etc. Então a Moma nasceu isso, né? Mas a Moma, enfim, virou uma gigante hoje aqui, cresceu muito.
E aí eu vou fazer essa mesma pergunta para Bruno. Qual que é a diferença do teu negócio para a Momo, em termos de negócio?
Cara, acho que é bem diferente, mas ao mesmo tempo tem grandes similaridades. A Momo é uma empresa muito maior do que o Tarso é, em termos de tamanho mesmo.
E eu estou com 4 unidades?
5 unidades, uma fábrica, tá beirando 100 funcionários. Então assim, a Momo é mesmo gigante em tudo, em termos de faturamento, de gastos, de dor de cabeça, de tudo. É uma empresa muito grande. Então acho que o que diferencia ela principalmente do Tarso é esse tamanho. Mas o que assemelha ela no Tarso, e aí, enfim, a Bruna desde que ela abriu a Momo a gente já tava junto, então é uma coisa que a gente se apoia muito como empreendedores, cada um no seu negócio, né?
É essa coisa dela olhar para as pessoas como a gente faz. Isso é uma similaridade nossa.
É, isso eu percebi.
É, e aí tanto mais uma vez, interno quanto externo, né? Então a Momo hoje Ela tá criando uma comunidade, né? Então essa semana passada a gente teve o MoMA Run, que foi uma corrida da MoMA com 500 pessoas inscritas. Enfim, uma tremenda entrega. E é isso, é uma empresa de doces fazendo uma corrida, né? Então a MoMA ela virou algo que é um case que eu gosto muito de citar sempre, né? Você tem várias marcas que são assim no mundo, onde a marca ela fica mais forte do que o produto que ela vende.
Por quê? Porque você cria fãs da marca. Então, um exemplo, Harley-Davidson, né? A Harley, ela é muito famosa, mas assim, ela virou uma identidade. Tem gente que não tem Harley e vai usar camiseta da Harley, né? E aí você tem vários, a Ferrari, Rolex e por aí vai, que são marcas que é hoje a marca é muito mais forte que o produto. Então a MoMA, ela cuida muito disso assim, sabe? De ter uma comunidade de fãs que genuinamente amam e defendem a marca.
Legal.
Então acho que isso se assemelha muito ao Tasso. Isso e o cuidado, tanto com a equipe quanto com os clientes. A Bruna é extremamente humana, a Bruna é muito mais humana até do que eu, eu ainda sou mais pragmático. Então assim, a Bruna se vem alguma coisa negativa da Moma, etc., ela vai atrás, ela quer conversar com o cliente, ela vai, sabe? Então assim, ela se entrega ali 100% para a Moma.
E as diferenças você acha que está no tamanho então, na escala?
É, a principal diferença é escala assim, né? Escala é a Moma É uma empresa que ela tá obviamente focada mais na venda do produto, só que ela agrega valor por vender saúde. Então é uma margem um pouco menor do que o Taço, porque o Taço vende experiência e experiência até quanto você pode precificar, isso depende de quem tá vivendo. Mas eu acho que o principal diferencial nosso hoje é isso, né? A Momo é uma empresa muito grande que aí, por ser grande, já demanda uma série de atenções diferentes, né?
Então assim, não dá pra ela fazer com a equipe dela o que eu faço com a minha equipe, que é uma equipe de 10 funcionários, entende? Então isso muda um pouco as decisões.
Qual que foi o maior erro que você cometeu na vida e que lição que você aprendeu?
Nossa, essa é difícil, essa aí você tinha que ter me passado antes.
Essa eu nunca passo, eu sempre, sempre vai assim, cara, de bate-pronto.
Eu já, eu já quebrei alguns negócios, né, na gastronomia assim. E cara, que que seria meu maior erro?
Eu tô tentando identificar assim, eu acho que eu sempre tipo, ou a maior lição que você pode não ter sido o maior erro, mas cara, eu aprendi essa lição aqui e leva para o resto da vida.
Não, assim, eu acho que um erro que eu cometi assim, quando tá aí, é isso, tipo assim, eu sou uma pessoa, eu sou muito do criativo assim, né? Eu tenho muito interesse em começar negócios acima de tudo. OK. Isso tudo na minha vida, assim. Eu lembro quando eu fazia direito, eu estagiei no escritório de advocacia. Aí eu entrei nesse escritório, aí tinha lá uma pilha de processos gigante que o estagiário precisava resolver. Aí, cara, eu bolei um sistema no computador.
Isso, nisso, pouco computador. Eu bolei um sistema, em duas semanas eu tinha botado o que o estagiário demorava meses, eu botei em ordem.
É a veia empreendedora.
Mas assim, eu tenho essa coisa de iniciar. Aí deu a terceira semana, começou a chegar mais processo. Aí a quarta, aí eu falei, cara, é a mesma coisa, não tem mais, é sempre isso. Aí deu mais duas semanas, tava o mesmo tanto de processo que tava antes, que aí eu perdi o tesão na coisa, né? Então acho que esse é um erro que eu cometi nos meus negócios lá atrás, assim, eu começava, por qualquer motivo, sei lá, não virava do jeito que eu tava esperando, ou então não me dava um retorno financeiro que eu tava esperando, e eu perdi o tesão e eu deixava aquele negócio de lado.
Eu tinha sócios na época, Às vezes sobrecarregava o sócio e o negócio quebrava. E assim, e eu não enxergava isso. Hoje eu enxergo. Na época eu sempre culpava alguma coisa. Quebrou por causa disso, quebrou por causa daquilo. Assim, não foram vários negócios, né? A gente teve que quebrou o Rubio, que foi o da pandemia, né? E teve um sushi que era o Naya, que eu abri no Mané Mercado logo que o Mané abriu. Foram os dois negócios que quebraram.
Mas ambos os negócios, um a gente teve a pandemia, o outro eu entendo que não era um fit para o mercado. Então realmente tem justificativas, mas eu tenho certeza que se eu tivesse dado o meu melhor e não deixado de lado, aquilo talvez tivesse virado, sabe?
E foram coisas que eu relaxei assim, e se perdeu aquele tesão, aquela energia, a força.
Tipo assim, que tinham pessoas por trás, que tinha sócio, que tinha funcionários, que tinha, sabe? E meio que eu deixava e o negócio ia morrendo, e eu arrumava uma desculpa para culpar aquilo por ter dado errado, sabe?
E nessa linha então, qual que é o próximo projeto?
Pois é, assim, eu, de em termos de empreendedorismo, agora minha cabeça tá voltada para hospitalidade, conforme a gente conversou, né? Então uma coisa que eu posso adiantar, eu tô estruturando, mas eu vou abrir uma consultoria em hospitalidade para todo tipo de business, não é focado em restaurante. Muito bom. Então é uma coisa que eu quero tocar pessoalmente, então não é algo que eu pretendo escalar. Eu imagino que eu vá fazer, e aí sim, junto com a minha equipe, mas eu quero encabeçar isso uma empresa por vez.
Então a nossa ideia é entrar na empresa, entender tudo que a gente pode aplicar ali de hospitalidade interna e externa, porque eu tenho certeza que a partir do momento que você começa a agregar hospitalidade no negócio, por mais preto no branco que o negócio seja, você consegue aumentar muito o valor do negócio e faturamento. Então isso é uma coisa que eu pretendo tirar do papel esse ano ainda. E eu não tenho intenção agora de abrir mais restaurantes ou coisa do tipo.
A minha intenção agora, ela tá voltada em fazer mais pessoas e empresas de qualquer ramo fazer o que a gente faz no Tarso.
Quem quiser jantar no Tarso, como é que faz?
Cara, reservas pelo site restaurantetarso.com. É isso, não tem muito mistério. Abre lá, tem todas as informações, você consegue. Momentos da Verdade, você consegue fazer reserva com facilidade, tá? Não tem problema. Se precisar, tem o nosso WhatsApp lá, só entrar em contato.
restaurantetarso.com. E a gente tava conversando aqui antes de começar a gravar de fazer uma experiência maluca. Também gosto de fazer coisas malucas, de gravar um episódio lá. Vamos montar, vamos ver se a turma da 8 Beats aqui do estúdio tem coragem. Eu acho que não tem coragem não. Já aceitou, tá fechado então.
Vai ser um prazer enorme.
Meu irmão, para a gente finalizar, você já mencionou um livro. Tem algum outro livro que você queira recomendar, que você recomende, seja o livro da tua vida, que mudou a tua cabeça, teus negócios?
Cara, eu leio muito, né? Sempre li desde pequeno. Mas assim, eu tenho dois livros atuais que me mudaram como pessoa, como empresário, e por aí vai, que é esse Hospitalidade Racional. Então é uma coisa que eu já vivi, já fazia, mas o livro trouxe.
Isso é fantástico, né? Quando você tem um feeling de alguma coisa, você faz, aí de repente você vê que alguém que documentou aquilo escreveu, aí você fala assim: é isso!
Então esse livro, cara, Hospitalidade Racional, vale para todo mundo. E o 10x, né? 10x é mais fácil que 2x. São os dois livros que eu li que mudaram assim. A gente vê vários livros, né, que te dão insight, que te dão não sei o quê, mas esses dois mudaram a minha vida. Muito bom.
Vou deixar aqui para você o link na descrição para você comprar esses dois livros. Se você acha que a gente deve gravar um episódio lá no Tarso, comenta aí, fala para a gente, que aí a gente vai lá. Quero te agradecer demais pelo papo, pelos ensinamentos, por ter aceita o convite. Já repasso o convite lá para Bruna.
Perfeito.
A gente vai gravar com ela também.
E suas palavras finais, gente. É isso. Eu olho para algum lugar?
Pode olhar para aquela câmera ali.
É isso. Muito obrigado a quem assistiu, de verdade. Conheçam o Taço, vejam um pouco do que a gente falou aqui, né? Vocês vão ver que não é da boca para fora, que a gente realmente vive e transpira isso todos os dias. E foi um prazer enorme participar disso, até comentei com o Saulo, meu primeiro podcast.
Mandou muito bem.
E legal assim, legal compartilhar essas histórias assim, porque a gente realmente ama muito o que faz.
E se isso aqui faz sentido para você, acrescenta a você, lembra de curtir, de compartilhar com quem é empreendedor, com quem gosta de culinária, seja profissional ou seja como linguagem de amor, como a gente colocou aqui. Se inscreve no Spotify, se inscreve no YouTube, espalha para um monte de gente e deixe seu comentário aqui, o que que você mais gostou desse episódio. E se você quer que a gente vá gravar um lá no Tarso, que aí dependendo da quantidade de comentários a gente vai lá gravar. Valeu, obrigado, meu irmão. Abrazo.