ep 56
ep 56
- Desenvolvimento de Produtos e Marcas· NegociosConfeitaria funcional · Equilíbrio nutricional e sabor · Ingredientes e rótulos · Índice glicêmico
- Criação da Moma· NegociosDor dos pacientes por doces · Doces saudáveis com sabor · Mercado de doces saudáveis
- Transicao de Carreira· EducacaoNutricionista para empresária · Bruno Guimarães · Criação da Moma
- Expansão da MomaCrescimento de unidades · Construção de fábrica · Logística e produção · Expansão para outros estados
- Gelado Santini e sabor de avelãGelato sem poliol · Desafios de desenvolvimento · Proteína no gelato · Gelado Santini e sabor de avelã
- Construção de Marca e Empreendedorismo· NegociosPosicionamento de marca · Momoran (corrida inclusiva) · Estilo de vida saudável
- Propósito e valores· SociedadeAbrir mão de faturamento por valores · Integridade da marca · Contratos e acordos societários
- Gestão e Liderança· NegociosDelegação de tarefas · Desenvolvimento de equipe · Gestão financeira · Terceirização de RH
Como foi deixar de ser nutricionista pra ser empresária?
Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que foco a gente só pode ter um.
Tem uma máxima no mundo empresarial que o que te leva do zero ao um não é o que te leva do um ao dez. Perfeito.
No início é isso, você faz tudo. Só que a partir do momento em que você vai crescendo, infelizmente esse contato direto ele precisa amornar.
Pra abrir a caixa preta agora.
Quer abrir a caixa preta.
Olá, meus queridos e minhas queridas! Eu sou Saulo Mikilis e esse é o Rainmakers, o podcast onde você aprende através de histórias inspiradoras de quem já fez chover. Hoje eu tô aqui numa edição super especial com a Bruna Garcia, idealizadora da Moma, uma marca de doces saudáveis com sabor incontestável. Já tem 5 unidades em menos de 5 anos de existência, mais uma fábrica. Hoje a gente tá gravando aqui na unidade da Asa Azul, para que vocês vejam um pouco do movimento, da beleza.
O sabor ainda não dá para passar para vocês, mas tenho certeza que se você ainda não conhece, vai querer conhecer. Bruna, muito bem-vinda!
Muito obrigada, Saulo. Tô muito animada para a gente poder bater esse papo e compartilhar um pouquinho da minha história, da trajetória da MoMA. Vai ser um prazer enorme.
Prazer é todo nosso. Quem é a Bruna?
Bom, hoje, antigamente eu falaria que eu era uma nutricionista empresária. Hoje, o meu coração, ele fala que eu sou filha de Deus acima de qualquer coisa, né? Então, hoje minha vida, ela é muito baseada nisso. Sou casada, pretendo ter filhos esse ano e tenho uma empresa de doces saudáveis daqui em Brasília. E acima de tudo, tenho valores que me guiam tanto quanto conduta pessoal, quanto baseiam também minhas decisões. Aqui na empresa.
Muito bom que você não falou que é nutricionista. É uma virada de chave grande, né?
Com certeza, com certeza.
Muito conhecida aqui em Brasília como nutricionista. Perfeito, a gente vai falar disso. Como é que nasce a Moma, essa marca já tão desejada aqui em Brasília e tão, cara, linda, maravilhosa e saborosa?
Saulo, a Moma ela foi criada dentro do consultório, como você mesmo falou. Sou formada em nutrição E passei a minha vida inteira me dedicando no conhecimento nutricional. Então passei a minha vida estudando, me dedicando, desde a escolha da minha universidade, que eu queria que fosse a melhor, até o tipo de curso que eu investia, o tipo de congresso que eu ia, o tipo de relacionamento que eu fazia, era tudo voltado ao conhecimento nutricional.
Então eu atingi, tive um consultório, tive uma clínica multidisciplinar. E nela, o centro sempre foi a nutrição. Então, nessa minha ideia do atendimento, eu tive sempre uma escuta muito ativa pra entender quais eram as dores dos pacientes. A maioria dos meus pacientes eram mulheres. Então, uma dor em comum, até minha, é a questão do consumo de doce, né? Que a gente quer comer doce todo dia, mas fica com a culpa de não poder porque faz mal, porque vai engordar, que não vai bem pra saúde.
E aí, foi nessa brecha, no atendimento, que eu fui percebendo o padrão na dor das pacientes. E aí percebi que não existia, principalmente aqui em Brasília, algo que pudesse suprir 100% a demanda nutricional entregando o sabor e qualidade de um doce tradicional. Foi assim então que eu comecei com a ideia da Moma.
Você já se enxergava como empresária enquanto nutricionista na clínica e tudo?
A gente passou, a gente eu digo porque eu tinha sócios na clínica, então a gente passou por um processo na base meio que da porrada, porque a gente até então sendo nutricionista só de consultório, a gente não tinha um conhecimento do que era ter uma empresa. Então quando a gente abriu a clínica, que era multidisciplinar, com CNPJ, que tinha que fazer sublocação, tinha funcionário, ali eu me deparei pela primeira vez com questões empresariais.
Ali eu tive que me considerar empresária e me deu um mínimo de uma bagagem para conseguir empreender aqui. Legal.
E aí você viu essa dor principalmente nas pacientes mulheres E ok, entre enxergar uma dor e tomar uma decisão de criar uma marca, que deve ser algo bem difícil, como é que foi o processo?
O processo, ele foi relativamente, Saulo, tranquilo. Não tranquilo, eu digo assim, porque eu tive muito um apoio do meu marido, né? Mas o apoio, eu digo, mais psicológico do que necessariamente mão na massa. No início ele me ajudou bastante, sim, porque o meu marido ele é chefe de cozinha, esteve até no podcast aqui com você recentemente, que inclusive ficou incrível. Vale muito a pena. O Paulo, ele é um empresário incrível com uma mente maravilhosa.
E na época, quando eu decidi que eu ia começar a encarar esse mundo do empreendedorismo em frente aos doces, eu falava assim, gente, eu preciso de ajuda. Ele falou assim, não, amor, você consegue sozinha. Então eu comecei a MoMA sozinha, e foi com essa fala dele que eu comecei. Então ele me deu o apoio no início, eu comecei a fazer os doces na cozinha dele. Então ele na época tinha um curso de culinária, ele disponibilizou todos os equipamentos dele, o horário dos funcionários lá para me ajudar também.
Então ele dava aula à noite, ao longo do dia eu produzia os doces sob demanda. Então, mas antes disso até eu passei uns 3, 4 meses estudando um pouco da questão da confeitaria mais funcional, que na época eu só me dedicava à nutrição, então não sabia tanto a parte da gastronomia em aplicar isso em alimentos. É uma área completamente diferente.
Foi mais fácil ou mais difícil?
Difícil, difícil, difícil, porque a minha cabeça de nutricionista, eu queria tudo perfeito, né? Só que você vai aplicar isso na prática, com equilíbrio em tabela nutricional. Então eu queria entregar um valor calórico ok, com uma proporção de ingredientes que não trouxessem pico de glicose no sangue. Então tinham vários conceitos por trás da minha cabeça que eu queria aplicar ali. Só que na prática existe uma alquimia, né? Uma engenharia química no alimento pra que ele traga maciez, estrutura, palatabilidade, textura...
Validade.
Tudo, exato. Então eu acho que o meu maior desafio foi balancear os dois. Porque quando eu comecei a fazer cursos, inclusive na parte da confeitaria saudável, que na época era pós-pandemia, então era tudo online, eu via que os ingredientes e as tabelas que estavam lá, o resultado final ele não era saudável de verdade. Ele só tinha rótulo do que era sem açúcar, sem lactose, sem trigo. Mas ter esse trio zero não necessariamente ele entrega saúde.
Eu obviamente sou ignorante em nutrição. Mas eu leio rótulos.
Perfeito.
E aí esses produtos eu pego assim, cara, a lista de ingredientes é desse tamanho.
Exato.
Isso aqui não pode ser saudável, né? E aí eu vejo, eu tava olhando aqui os teus rótulos, eles são bem, bem menores, a lista de ingredientes, né?
É, são na verdade os ingredientes que a gente necessita, né? A gente não adiciona nenhum conservante, nenhum aromatizante, nem nada que seja artificial para trazer um o que a indústria normalmente quer, né, que é essa maior durabilidade, uma textura maior, uma validade diferente. Então isso é um desafio hoje nosso, mas que a gente não abre mão pela proposta que a gente começou lá atrás.
E como é que foi esse não abre mão, mas tem que fazer um produto uma indústria, shelf life, esse tipo de coisa?
É, foi muito em conhecimento, investindo em técnica, né. Hoje a minha, eu tenho uma sócia, já faz quase 3 anos que ela tá comigo e ela é formada em gastronomia. Então ela tem curso na Le Cordon Bleu e ela fez uma especialização em gastronomia funcional. Então toda aquela minha dificuldade inicial que eu não tinha tanto conhecimento, ela veio para suprir, ela veio para suprir. Só que é engraçado porque existem, como eu falei, né, muitas, muitas bases da confeitaria, por exemplo, sem glúten.
Que ela não necessariamente é o que eu gostaria de entregar. Então, se você pega um mix de farinhas refinadas, né, então sei lá, farinha de arroz, fécula de batata, amido de milho, tudo isso, apesar de não ter o glúten, ele entrega uma energia muito rápida para o seu organismo. A sua glicose no sangue, ela vai aumentar tanto quanto um açúcar, tanto quanto uma farinha refinada, seja de trigo ou não. Então não adiantava você ser sem glúten e entregar isso para as pessoas.
Então, na confeitaria sem glúten, essa é a base. É um mix de farinhas refinadas. Aí a Raíssa, quando ela chegou, ela: Bruna, mas isso aqui vai trazer o bolo mais macio. Eu falei: Raíssa, mas não adianta maciez sem saúde, se o nosso primeiro pilar é a saudabilidade. E aí foi nessas nossas discussões que ela entendeu. E aí eu explicando por trás o que a nutrição embasava essa minha escolha. E aí ela foi entendendo a diferença.
Devem ter sido conversas interessantes vocês duas, né? Porque foi o que ela aprendeu também, né?
Exato.
E você não, tem pilares aqui que eu não vou abrir mão. E aí então a MoMA, ela é um pouco única nesse sentido ou você se inspirou em outras marcas que também tinham esses pilares?
Saulo, na verdade eu sempre fui de benchmarking, sempre fui atrás de ver referência. Mas eu percebo que falta ainda essa coerência nutricional nas empresas. Por quê? Porque eu acho que talvez não tenha esse foco nutricional como eu tenho. Então, se eu falo pra você, sei lá, que ela tem uma carga glicêmica controlada, os produtos, se é o que eu busco, né, dentro delas. Porque eu não consigo garantir, porque cada pessoa tem uma resistência à insulina individual, uma resposta glicêmica individual.
Mas, teoricamente, o que eu faço é pra fazer esse controle e entregar realmente saúde. Enquanto, às vezes, eu vou ver em outras marcas que não entendem a importância disso e só querem o rótulo. Então eu vejo que é um dos nossos maiores diferenciais, é exatamente esse conhecimento.
Mas eu vi que você fez uns vídeos com, acho que você consumiu o gelato e media o índice glicêmico.
Isso, isso.
Isso eu achei muito legal. Como é que foi isso?
Eu tô com o Libre aqui ainda, ele dura 15 dias, é um sensor de glicose para diabético. Então você plota ele no braço E ele mede a sua glicemia constante ao longo de 15 dias. Então tudo que você come, eu registro. E aí eu entendo como que aquele alimento, ele trouxe, ele traz uma resposta na minha glicemia. Então eu fui conhecendo não só a parte dos doces da MoMA, mas também a resposta de várias estratégias nutricionais que às vezes a gente acha que tá arrasando e no final das contas não trazem uma resposta tão legal, né?
Então o que mais importa pra mim É quando a gente vai decidir algum produto, eu meço isso na minha glicemia para ver se aquilo vai ser válido ou não. E aí sou eu e Raíssa, a gente discutindo qual que é o ingrediente que vai mais, qual que vai menos, e sempre batendo com a tabela nutricional também, para que não exploda em caloria. Porque quando a gente tira açúcar, é facilmente colocado mais gordura ali dentro, né? Então você tira, por exemplo, farinha de trigo também, você bota farinhas mais oleaginosas, castanha de caju, coco, amêndoas, que naturalmente elas têm mais caloria do que uma farinha só de carboidrato.
Então você tem que balancear também essas questões da gordura, do carboidrato, do índice glicêmico, da questão inflamatória. Não é um cálculo tão simples, é uma equação complexa, é bem complexa.
O que que você vai pedir para a gente comer aqui e mostrar o teu produto enquanto a gente conversa?
Sala, vou pedir para a gente— Andréia, você traz para a gente um gelato? Gelato foi um dos nossos produtos que mais Virou a nossa chave da MoMA, o nosso posicionamento no geral, porque a gente trouxe um gelato, além de ser sem açúcar, sem lactose, sem trigo, é sem poliol. O poliol é um tipo de adoçante que é usado nas gelaterias tradicionais para poder ser o sem açúcar deles. Só que os poliois é uma classe de adoçante que gera muita distensão abdominal.
Então a pessoa fica— pode ser na casquinha? Você prefere casquinha, copinho? Copinho, então vai ser copinho. Saulo, qual sabor você vai querer? A gente tem doce de leite, Ferrero Rocher, chocolate, cupuaçu com chocolate branco, torta de limão, temos Romeu e Julieta.
Como é que você faz um Ferrero Rocher sem as coisas que tem no Ferrero Rocher?
A gente usa a própria avelã, então faz uma pasta concentrada da avelã e o cacau.
Eu quero esse então.
Então pronto, vai ser um de Ferrero Rocher. A gente chama nome comercialmente falando, mas obviamente que...
Pra as pessoas entenderem o que é.
Exato, mas ele é avelã com chocolate. Maravilhoso! E ele é uma delícia.
Adoro avelã.
E o gelato, ele foi um dos nossos maiores diferenciais quanto marca, foi o nosso maior salto quanto posicionamento de empresa. Assim, uma coisa que mudou a trajetória da Muma foi a entrada do gelato.
É, eu vou querer entender essa trajetória empresarial, porque vocês têm menos de 5 anos, estão com quantos funcionários?
Em torno de 80, 85.
Em torno de 80 funcionários, 5 unidades, montaram uma fábrica que deve ter sido um passo significativo, né?
Sim.
Vamos entrar nisso, mas antes eu quero entender da marca. Como é que foi o processo da MoMA? Isso tem um significado? Como é que foi a criação? Quem que te ajudou?
Eu tenho uma, assim, eu contratei uma equipe de designs que ela nos acompanha desde o nascimento até agora, né? Então ele entende muito do que eu quero passar quanto proposta da marca. Aí, Saulo, espero que você goste. Você já provou esse aí, Saulo?
Não, esse aqui não.
Mas você já provou um dos nossos gelados?
Já, já. Ontem eu pedi o bolo no copinho desse aqui, porque minha filha também é intolerante e eu tô no jejum de açúcar. Então pedi para ela e pedi um para mim também.
Ai, que bom! E tava tudo certo?
Tudo certo, tudo certo.
Coisa boa.
Antes de eu provar, queria agradecer. Vocês estão vendo aqui toda essa superprodução A turma da 8 Bits tá aqui ajudando a gente nesse sentido. Então agradecê-los. E se você quiser ter um conteúdo aí digital de marketing de altíssimo nível, como tá sendo esse aqui, procura a turma lá, tá?
Perfeito.
Vamos provar. Eu tô me sentindo Ana Maria Braga aqui.
Ah, é? Ele é um dos sabores que a galera, que quando a gente tira, porque a gente acaba rotacionando os sabores alguns meses, esse aí é o que a galera Fica bem bravo quando não tem.
Ó, o gelato, ele é gostoso, não é bom?
Ele é muito maravilhoso.
E a textura, como é que você fez com a textura?
Tudo isso, o Saulo, é isso, é teste atrás de teste, alquimias. A gente tava fazendo até teste para ver uma mudança do que a gente ia fazer na fórmula do gelato. Aí a gente faz assim mais de 12 testes. Entendeu? Então é tudo a Raíssa testando proporção de ingrediente ou validando nutricionalmente. Então essas mudanças e essas texturas todas vêm pelo conhecimento da Raíssa em gastronomia, conhecimento que ela vem, pega, testa e valida.
E valida. Muito bom. Uma das coisas que eu gosto também é que assim, além de não ter aquele desconforto é que não é muito doce, né? Hoje o nosso paladar, o médio, ele ficou muito acostumado com muita coisa doce, né? Tudo é muito doce. Aí você perde a palavra das coisas. Por exemplo, esse aqui eu tô sentindo bem o avelã.
Perfeito, perfeito.
Muito bom.
O açúcar não rouba o gosto do alimento, né?
Exatamente. Vamos voltar lá para o começo. Então você começou testando, fazendo pedido sob encomenda na cozinha do teu marido, pós-pandemia. Via iFood. Como é que disso vira 5 unidades, uma com branche e tudo? Conta pra gente esse histórico.
Legal, Saulo. Eu comecei lá então sob encomenda. Isso, aproveite o seu momento. Mas eu comecei então lá atrás fazendo sob encomenda. De lá eu sempre investi muito em conhecimento, sempre foi uma base muito forte minha entender que o conhecimento, ele é como se fosse uma receita de bolo. Às vezes a gente fica querendo fazer a nossa própria jornada sem ter alguém para nos orientar, sem ter mentores, sem ter consultorias que já sabem qual que é o passo a passo, e a gente fica gastando dinheiro e tempo à toa.
Então essa base foi uma decisão que eu tive desde o início, de ter pessoas que poderiam me fazer pular etapas. Com conhecimento que até então eu não tinha. Então quando eu tava nessa fase, um dos consultores que me orientou, ele falou assim: Bruna, o que que você quer ser? O que que você quer com a MoMA? Eu falei assim: eu quero dominar o mercado de Brasília. Com a parte de— é baita pergunta, porque aí você tem uma visão, né? Você tem um ponto onde você quer chegar, diferente de muita gente que às vezes abre um negócio sem saber para onde quer ir.
Então, desde o início, mesmo quando eu não tinha nem um funcionário, esse foi esse cara, ele entrou pra me perguntar isso. E eu falei que eu queria dominar o mercado de Brasília na parte de confeitaria saudável. Então esse sempre foi o meu foco. E aí ele virou e falou assim, então o que você está fazendo na cozinha do seu marido? Aí quando ele me falou isso, eu falei, realmente, se eu quero ter algo que tenha um conhecimento a nível da cidade, eu não posso ficar no subsolo, escondida na casa.
Só que eu não tinha verba para fazer isso, né? E aí eu, pelo fato de eu atender naquela época, eu não retirava dinheiro da MoMA.
Então, no consultório de nutrição, exato.
Então eu tinha um consultório, eu atendia meus pacientes, era a minha principal fonte de renda e única, porque tudo que entrava na MoMA eu reinvestia nela mesma, que seja em compra de equipamento, que seja em melhorando as embalagens, que seja fazendo contratações em fazendo consultorias, nunca tive essa gana assim de ter que retirar o dinheiro dela rápido. E isso me trouxe muita tranquilidade em fazer reinvestimentos nela. Então a gente juntou um caixa.
Eu me lembro que minha mãe também na época me emprestou R$10 mil. Minha sogra me deu um fogão que ela tinha comprado nos Estados Unidos, tava parado. Um micro-ondas que ela tinha comprado nos Estados Unidos, tava parado. E foi assim que eu montei a minha primeira meu primeiro ponto de produção. E aí dali a gente teve uma portinha que as pessoas poderiam fazer o seu pedido também presencialmente, não só agora pelo WhatsApp.
Ele virou a primeira lojinha assim, primeira lojinha. Onde era?
Num subsolo da 308, da 108 Norte.
Mas era só ponto de retirada, não tinha mesa, nada?
Não, não. O Saulo, se você— era uma portinha, uma portinha. Tenho foto.
Vamos botar foto, viu?
Vou botar foto. Tem foto. Era uma portinha bem pequenininha, tá? E de lá as pessoas, eu também só fazia sob encomenda porque eu não tinha vitrine, eu não tinha estoque, não tinha disponibilidade ainda. Mas a pessoa poderia ir lá também retirar o pedido dela. Ok. E aí quando ela ia retirar o pedido dela, ela falou assim, ah, tem mais algum produtinho aí para eu levar? E aí que eu percebi que eu precisaria fazer um pouco além do que tava sendo encomendado.
E aí ali eu comecei a ter um ponto de venda, fiquei lá por 6 meses. E aí durante esses 6 meses eu tive o maior pico de faturamento na época com uma Páscoa. A Raíssa já tá, já tinha entrado para me ajudar, foi como eu encontrei ela na sociedade. Você vê como que ela entrou, Saulo. Eu sempre tive a humildade de entender que o meu ponto fraco ele era essa parte de produção. Nunca foi meu know-how, eu nunca soube fazer aquilo. Cada teste e criação de uma receita, ela era— eu acordava assim suando frio, porque eu sabia que era tempo, dinheiro que eu ia gastar, e que o negócio ele não ia sair perfeito porque não era da minha habilidade.
Então esse gap dentro da Monroi, eu sempre soube que eu ia precisar de alguém para preencher. Agora, nessa época da Páscoa, que foi na Páscoa de 2022, abril, Eu coloquei no Instagram. E aí, quando eu falo assim que Deus ama a Muma, e ele ama a Muma, é sério, é muito louco. E eu descobri isso recentemente, que Deus ama a Muma olhando para trás.
Ele ama todos nós.
Exato, exato. E querendo ou não, a Muma, ela é um braço meu, né?
Então acaba com propósito muito bacana.
Exato, exato.
Que as pessoas estão doentes, você tá trazendo saúde para as pessoas, com certeza.
E aí nessa época eu postei no Instagram que eu precisava de alguém para me ajudar na Páscoa porque eu estava desesperada, com alguém que tivesse uma experiência em chocolate. Eu ainda coloquei assim. E eu recebi dois currículos na época, um deles era o da Raíssa. Um currículo tava me pedindo algo que eu não tinha capacidade de pagar na época, então descartou. E aí eu mandei mensagem para Raíssa, eu falei, Raíssa, antes de qualquer coisa, eu não tenho capacidade de pagar.
Eu não tenho como te pagar pelo currículo que você tem, mas eu preciso muito da sua ajuda. Aí ela falou assim, Bruna, eu acabei de me mudar para Brasília, meu marido é militar, então faz uma semana que eu tô aqui. Não se preocupa, eu quero te ajudar, eu vou ir para a gente poder se ajudar, e no final a gente vê como que a gente faz.
Ela caiu de paraquedas.
Paraquedas.
Caramba! E isso era na Páscoa?
Na Páscoa, abril de 2022. E aí ela entrou Ela fez um mês de Páscoa comigo, aí foi nesse boom de faturamento que a gente teve, vendi vários ovos de Páscoa e aquilo ali nos trouxe um— me trouxe um respiro muito grande. Mas eu olhei pra Raíssa e eu percebi que eu nunca mais ia poder viver sem o que ela me ajudou ali. Porque por que que a gente faturou bem naquela Páscoa? Porque eu fiz o que eu era boa e ela fez o que ela era boa.
Maravilhoso, maravilhoso. Porque as pessoas acham, e aí lá no escritório a gente vê muito isso, né? A gente advoga só para empresa, então conflito societário é o que mais aparece. E aí vem a pessoa traumatizada e fala aquelas frases assim: não, sociedade é pior que casamento. Sim, não quero ter sócio nunca mais. E o que você tá trazendo é o lado positivo da sociedade, que a gente fala para os clientes. Cara, sociedade é igual casamento. Se você escolher a pessoa errada, vai ser ruim mesmo.
Perfeito.
Mas se você escolher a pessoa certa, vai ser maravilhoso. É, e ela super complementar então.
Super. E é isso, ela veio para somar. E eu falo que foi a melhor decisão que eu já tomei. Eu não estaria aqui sem a Raíssa, jamais, jamais. E é isso, igual a galera também fala mal de casamento, né? Mas que para mim foi a melhor decisão que eu já tomei na minha vida, foi também o meu casamento. Então é a gente saber escolher as pessoas certas, baseada principalmente nos valores que elas têm e não necessariamente na competência.
Porque competência, o que eu digo assim de experiência, né, não é nem competência, porque a gente precisa de pessoas competentes. Mas uma pessoa talvez com know-how tão grande, com valor diferente do seu, ela não vai te agregar tanto quanto uma pessoa que ela tá alinhada com seus princípios, com a garra que você tem, e no final das contas tá disposta a aprender eternamente com você. Porque é isso, hoje a gente tá no eterno aprendizado, todos os dias eu percebo o quanto que eu tô distante, né, da gente ter um conhecimento pleno do que é realmente empreender.
E essa humildade, ela nos coloca na posição de aluno o tempo inteiro. Que seja no aluno com uma conversa, com uma pessoa do nosso time mesmo a gente aprende, com o nosso fornecedor, com um amigo. Então, se a gente se coloca nessa posição de que a gente tem um mundo de coisas a aprender, A gente tá num processo de evolução constante. E é assim que eu e a Raíssa, a gente se relaciona.
Muito bom.
E foi assim que ela entrou e que hoje em dia a gente é uma dupla que não se desfaz.
Muito bom. Aí, pico de faturamento, uma portinha vira uma loja?
Vira uma loja. Foi a nossa coragem. A gente olhou uma hora uma pra outra, em 6 meses falamos, vamos abrir uma unidade. A gente tinha um caixa, como eu falei, né? Mas não foi suficiente. Foi onde a gente pegou um crédito no banco e fizemos a nossa unidade da Asa Norte. A gente inaugurou ela no final de 2023.
Tá, isso quanto tempo depois de começar?
Foi mais ou menos 2 anos.
Mais ou menos 2 anos.
Isso.
E aí essa unidade vira 5 como?
Vira 5 com o crescimento da própria marca. Então a gente foi criando visibilidade em Brasília. A loja da Asa Norte também em 6, 7 meses fica muito pequena, já não tinha onde estocar. Tinha produto que, meu filho, tinha caixa de chocolate na escada porque não tinha onde guardar.
Vocês ainda produziam na cozinha do teu marido?
Não, não. Aí a gente, quando abriu a unidade da Asa Norte, a gente produzia lá. Ela no subsolo, a gente fez uma cozinha de produção.
E aí ficou apertado em menos de um ano?
Em menos de um ano ficou apertada. E aí foi quando a gente tomou a decisão de vir para essa unidade aqui. Essa foi a nossa segunda unidade, foi a unidade que a gente fez o maior investimento, principalmente com a entrada do gelato.
Aqui nasceu o gelato?
Aqui nasceu o gelato.
Por que que você pensou em criar um gelato? O que que te deu esse estado?
Sempre foi a minha sobremesa favorita da vida. Eu sempre amei gelato. E eu nunca tinha passado realmente na minha cabeça a possibilidade de ter, até que em São Paulo eu vi que tinha uma que começou. E ali eu entendi que existia um potencial. Só que Saulo não era nutricionalmente o que eu queria novamente.
Entendi, era zero, zero, zero.
Mas tinha ainda poliol, tinha ainda alguns, aí tinha uns com opção com açúcar de coco, mas que querendo ou não continua dando uma glicemia alterada. Então eu acho que o foco principal na época era a questão do poliol, que é mais uma vez é o que é comum de se colocar. Então nessa época eu falei Vamos desenvolver, mas a gente vai fazer essa ruptura no mercado, vai ser sem poliol. Eu tentei contratar umas 3 pessoas antes de consultores pra desenvolver, antes de chegar em quem realmente me ajudou na ponta.
E ele me ajudou sem entender a seriedade que eu ia levar, o tanto os nãos que eu ia dar pra ele. Tem até um áudio muito legal que ele me manda assim, depois quando a gente conseguiu fazer o gelato da maneira que eu gostaria, sem essa parte de poliol, sem várias coisas, ele falou assim, Bruna, Agora você vai ter que pagar o transplante capilar do meu cabelo, porque de tanto que você me deixou louco ao longo desses meses aí no desenvolvimento.
Porque realmente tudo que ele queria botar, eu dizia não. Quero que trazia textura, palatabilidade, e eu falava não, porque isso aí não é saudável.
Ele era um consultor em gastronomia, em produção, em desenvolvimento de receitas de gelato.
Ele ajudou no desenvolvimento de inclusive marcas muito grandes daqui a nível nacional mesmo.
Entendi.
Para o desenvolvimento. Ele é um especialista em gelato, especialista em gelato, só que gelado tradicional.
Entendi.
Então tu deu uma bugada na cabeça dele, mas que hoje, querendo ou não, é o nosso maior carro-chefe.
E deve ter virado um case para ele também.
Com certeza, com certeza. Mas o meu maior ponto de satisfação quanto nutricionista foi trazer a proteína dentro do gelato. Porque faz um tempo já, ele não nasceu assim, mas era uma outra dor que tinha muito dentro do consultório. Para você ver o quanto que a minha carreira de consultório ela me trouxe base para empreender. Então nada é à toa nessa aula. A gente às vezes olha para trás e entende o quanto que eu levei a sério a nutrição para hoje ter a responsabilidade de tomar decisões e dizer vários nãos em relação a essa coerência da marca.
Não, sem a Bruna nutricionista, não teria, não teria base.
E é por isso que eu acho tão importante falar dessa história, né? Porque eu percebo que pessoas muitas vezes que são empresários mesmo, elas não têm pilares tão importantes, é, que nos embasam em tomada de decisão. Então essa responsabilidade nutricional, essa verdade que eu trabalho, a transparência, elas são valores da MoMA, mas que são valores meus, da minha carreira, da minha vida. Que eu transpus para a MoMA. E isso precisa estar claro não só para mim, para minha sócia, mas para o nosso time, para os nossos clientes.
Então é tudo isso que a gente tá falando vem de coisas internas nossas. Então se a pessoa ela não tem princípios, né, aquilo qualquer coisa vale. Eu te digo isso até um exemplo, por exemplo, na época que teve aquele morango do amor.
Sim.
Cara, o morango do amor, ele poderia, poderia ter vendido uma Páscoa vendendo morango do amor na época que a gente fez. Só que eu preferi não fazer porque eu ia ter que abrir mão de saúde para trazer a crocância daquela, daquela casquinha.
Entendi.
Eu poderia ter vendido muito, eu ia surfar uma onda, mas se eu fizesse, eu ia ter que colocar ingredientes que não condizem com a proposta que eu interpreto. Muito, não deu certo.
Não deu certo.
Não deu certo, não deu certo. Corante também, como que você traz aquela? Sabe, eu tentei com extrato de beterraba, tentei com hibisco, mas ele não ficava na cor de um corante.
E aí, todo empresário de sucesso você vai ver que ele tem negociáveis, ele tem valores, pilares muito fortes. Você se deparou com uma decisão difícil de ganhar muito dinheiro e abrir mão dos seus valores, né? E aí nem todo mundo tem essa força mental ou espiritual de manter isso. Mas do ponto de vista empresarial, é um dia, pode entrar, viu?
Isso tudo aqui é zero açúcar, pode entrar se você quiser, tá? Andréia, você dá um obrigada, viu? Seja bem-vindo.
Eu enxergo que é uma decisão também que você abre mão do curto prazo em favor do longo prazo. Isso, porque você fala assim, não, eu vou ganhar muito dinheiro aqui com essa trend, beleza, mas você vai trair os seus consumidores, que se você já deve ter muitos consumidores fiéis.
Exato.
E você vai perder essa base de consumidores que deve ter te ajudado e tá te ajudando no teu crescimento, né?
Exato, exato. Isso traz, isso mostra para quem tá consumindo confiança. Isso, eu acho que eu perdi ali uma oportunidade de faturamento, mas que eu ganhei numa confiança Que ela tem uma continuidade na marca que vai para muito além.
Aí é o valor da marca, né? É o que você tá construindo aqui na MoMA, é justamente isso. As pessoas vão começar, já devem algumas, entrar aqui de olho fechado, sem olhar rótulo mais, porque sabe, não, que tem na MoMA tem os valores que a marca tem, que a Bruna trouxe, eu posso comer sem peso na consciência, sem medo.
É isso, eu acho que esse é o mais importante, essa confiança que eu quis trazer, e por isso que eu demonstro pelo menos em mídia, o porquê que eu faço tantas coisas. Por isso que esses testes de glicemia, né? Então isso tudo é para mostrar o por trás da cabeça do que tá sendo desenvolvido.
Legal. Essa segunda unidade, isso. E a 3, 4, 5, como é que vieram?
As últimas 3 junto com a fábrica, elas foram no espaço de aproximadamente 8 meses.
Você tá brincando?
Não, foi tudo muito rápido.
3 e uma fábrica em 8 meses?
Em 8 meses. Foi, foi o nosso último ano inteiro e o início desse aqui na construção desse projeto de expansão. Por quê? Porque quando a gente tem essas duas unidades, a gente tinha uma a produzir aqui, produzia na Asa Norte também, e tinha uma logística inversa. Então aqui a gente tinha uma cozinha quente, uma cozinha fria, e na Asa Norte uma cozinha quente. Então lá faziam brigadeiros, os bolos, doce de leite, brownie, Fazia uma logística para cá, aqui virava isso em produto final, desenvolvia gelato e voltava também para a unidade da Azanorte.
Uma loucura então, uma loucura.
A gente também tava num boom muito grande, as duas unidades estavam pequenas. Se a gente fosse abrir uma terceira unidade, a gente não iria conseguir dar vazão ao lado industrial, não ia conseguir, não ia conseguir. Então, o que que a gente percebeu? Pra gente poder abrir outras unidades, a gente precisaria de uma produção. Pra fazer um centro de produção, que é um investimento alto, e não só alto, ele tem um custo mensal muito mais alto, porque ele é um— uma unidade é um ponto que não fatura, né?
Você não tem receita nele, mas é um custo igual de uma unidade. Então, pra fazer sentido a gente ter um investimento de uma fábrica, de um centro de produção, A gente precisaria diluir esses custos em outras unidades. Então a gente ainda conseguiu abrir o brunch, a gente teve que correr, que é a nossa terceira unidade no Lago Sul, que é um braço da MoMA, uma extensão dela, com café da manhã, com almoço, com saladas, com tochas.
É o meu café da manhã semanal com a minha esposa, é lá.
Nas quintas. Nas quintas-feiras. Nas quintas-feiras, exato. Então lá foi esse braço que a gente fez, como o foco ainda era muito salgado, A gente ainda conseguiu abastecer inicialmente os doces com essa logística de Asa Sul e Asa Norte. Mas a gente, logo depois que ele abriu, então setembro abriu ele, em novembro a gente inaugurou a fábrica. Então a fábrica, a gente teve que sustentar o custo dela dividido em 3 unidades por uns 3 meses até abrir Águas Claras em fevereiro e em março abrir o Brasília Shopping.
Entendi.
Então o estudo mesmo era pensar nessa fábrica precisaria ser diluído o custo dela em 5 a 6 unidades.
Caramba, deixa eu tentar traduzir. Então vá, o dilema que você viveu, que o teu dilema era o seguinte: eu tenho duas lojas no limite, estão me dando lucro, etc. Eu tenho uma visão de dominar o mercado de Brasília. Depois vou até perguntar se essa visão ainda continua. Imagino que ela deve ter expandido. Para eu crescer, eu não dou mais conta de crescer, eu preciso de uma fábrica. Sim, só que essa fábrica representa um custo fixo alto.
Né, que com as minhas 2 ou 3 unidades eu não consigo, porque eu tenho uma capacidade de produção muito maior e um custo fixo muito maior.
Perfeito.
Então eu tenho que abrir mais unidades para ter a fábrica, e para ter a fábrica eu tenho que abrir mais unidades.
Exatamente.
E aí, aí você olha para isso e fala assim: eu fico quietinha do jeito que eu tô, ou eu arrisco?
Exato. Mas a gente sabe onde a gente queria chegar, né?
Aí a importância da visão, da visão.
Exato.
Então, no final das contas, o que eu acho bacana da visão é que assim, na verdade, você não tinha um dilema, você só tinha uma opção, né?
Nunca tive dúvidas.
Nunca teve dúvidas porque a visão tava lá. Isso, gente, é uma lição assim absurda, porque ela não ficou em dúvida, porque um caminho não levava a visão dela, o outro caminho era o único que levava a visão. Então, ok, tá decidido.
Exato.
Mas deu frio na barriga também.
Não, muito. Deu muito frio e é uma decisão que, assim, ela tem que ter muito embasamento, principalmente financeiro. É conta matemática mesmo de entender quanto de caixa você tem pra sustentar uma fábrica com faturamento de 3 unidades. Então a gente pensou, sustentar isso foi dezembro, janeiro e fevereiro. E janeiro e fevereiro não é muito um mês maravilhoso para, enfim, para nenhum negócio aqui de Brasília, né? Férias e tudo mais.
Então a nossa maior questão foi essa, desses 3 meses de sustentar o caixa. Mas a gente então criando sempre um posicionamento legal, porque, Saulo, eu acho que se a gente foca só no produto, a gente tá brigando por concorrência.
Ah, é? Vira oceano vermelho.
Exato. Então, um ponto muito forte que eu fui trabalhando ao longo da MoMA e que me trouxe sustentação, inclusive ao longo desses meses, para ter um caixa legal e a confiança da galera, foi o posicionamento de marca que a gente desenvolveu, que vai para além do produto. Então, essa sensação de pertencer a uma comunidade, a um estilo de vida que a MoMA ela propaga.
Vocês fizeram até uma corrida agora, né?
Fizemos uma corrida.
Me conta aí essa estratégia Por quê da corrida, comunidade, o que que passou por trás dela?
O meu maior foco com a corrida foi realmente aproximar o público de um estilo de vida saudável que vai para além da comida, que a nossa missão ela é em primeiro lugar espalhar saúde. E aí vem com a tranquilidade no consumo de doces com o mesmo paladar e prazer que um doce deve ter. Então essa é a missão da Moma. Mas antes de tudo é espalhar saúde, é a nossa primeira frase. E eu entendo que a saúde em si ela vem da alimentação, mas que tem esse lado do exercício.
E que a corrida, querendo ou não, ela tá muito em alta. Muitas pessoas querem começar a correr, mas às vezes não se sentem tão pertencentes a esse mundo. Então a minha ideia com o Momoran foi abrir a oportunidade de pessoas que gostariam de viver um pouco dessa experiência e se sentissem incluídas. Porque ali a gente fez, além da corrida de 6 km, a gente também fez um trajeto de 3, legal, para quem quisesse correr e caminhar, para quem quisesse fazer os primeiros 3 km, para quem quisesse só caminhar.
Então, ao longo desses, a estratégia do Momoran não foi fazer 12 km, 15 km, não era uma prova de corrida, né, oficial. Bom Guruja, seja bem-vinda! E foi ser uma corrida inclusiva para poder estimular as pessoas que estavam nessa inércia a começar a se movimentar. E o quanto que isso foi maravilhoso, Saulo! Você não tem noção, quantidade de testemunhos e feedbacks desse propósito sendo cumprido.
Legal! Quantas pessoas foram?
Foram 400, 450 quase.
Então objetivo atingido, 100%. Essa visão de comunidade é Muito bacana, muito.
E é uma coisa que eu quero manter. Então eu tô fazendo ainda encontros. Esse final de semana teve um encontro do Momoran também no Eixão, porque eu não quero que seja um fogo de palha. Eu criei um negócio, não, se é um movimento que eu quero colocar, eu preciso dar continuidade nele. Então a gente juntou cerca de 80 pessoas no Eixão agora para fazer também uma corrida de 4 e 8 km. E aí a pessoa, ela, a inscrição, ela foi só o valor do vale gelado, do do Open Gelato.
Então levei esse Open Gelato, pessoa pagou, e o pós-treino dela era quantas bolas de gelato ela queria tomar.
Que legal, que legal! Quinta unidade, Brasília Shopping. Brasília Shopping, como é que é ter uma unidade no shopping? É diferente, né?
Ela é diferente, mas a minha experiência ela tá sendo incrível. Acho que a escolha do shopping que eu tive, que eu tomei, foi a melhor dos mundos, porque Eu já tive várias, assim, testemunhos de pessoas que tiveram experiência com shopping que não foi legal. Mas com a questão do Brasília Shopping em si, eles têm um cuidado com o lojista diferenciado. E eu tô vivendo isso na prática, sabe?
É, não, a rede do Brasília Shopping, ela é conhecida em Brasília, no meu meio, já fui lojista de shopping também, por ter um tratamento um pouco diferente com o lojista.
Exato. Lá eles foram extremamente acolhedores, extremamente compreensivos nesses nossos primeiros meses de operação, nos ajudaram em várias frentes. E o que eu mais percebo dentro do shopping é que eles conseguem nos unir a outros lojistas também, sabe, para fazer um ecossistema. Eles falam que ali é como se fosse uma cidade, é mesmo, sabe.
A tua ideia ali era obviamente faturamento, lucratividade, mas também uma escolha de posicionamento de marca?
Não necessariamente, Saulo. Eu acho que era mais uma, mais um ponto de venda, um ponto de venda. Exato. Que nesse nosso projeto, como eu falei, eram 5 a 6 unidades, né? A gente tem ainda em mente uma sexta, mas ainda estamos estudando o melhor tempo, melhor modelo e melhor formato para a gente poder abrir ela. Mas ainda queremos.
A visão se manteve ou ela expandiu?
Ela expandiu, porque eu sinto que essa visão eu consegui cumprir.
Tá, você já acha que tá dominando o mercado de Brasília?
Hoje eu sinto.
E aí, qual é a nova visão?
A nossa visão, ela é expandir para outros estados.
Já tem um plano? Já tem esses estados? Como é que tá isso?
A gente tá finalizando um estudo agora para entender o melhor modelo para essa expansão, porque não adianta a gente só pensar no estado, a gente precisa validar o formato, né? Principalmente se você expande em franquia, em sócio-operador, em que formato. E em qual modelo de unidade, porque a gente tem essa unidade que ela é maior, a gente tem uma unidade que é menor, uma unidade que é de shopping, o formato de expositora é diferente de cada uma, como é que o cliente, o consumidor se comporta melhor nela, você tem uma branch, um branch, exato.
Então assim, são vários formatos que a gente precisa olhar para eles, entender quais foram os melhores aceitos, criar uma unidade modelo, entender qual que é o custo produto dela, entender como que é a produção do local para poder implantar isso em uma outra unidade. Então é um processo que a gente tá fazendo de maneira bem responsável para não dar nenhum passo acima do que a gente poderia dar.
Você falou na história da fábrica que precisou olhar os números certinho, quanto tempo ia durar e tal. Você é a mulher dos números da empresa hoje em dia? Só teve que aprender, ou já tinha?
Zero naturalidade, tive que aprender. E eu vou te falar que foram várias pessoas que me ajudaram até essa visão. Então eu tive um bate-papo assim com a galera que fez o Caminito na Azul, sabe? E eles, tchau tchau, eles passaram uma manhã comigo assim detalhando uma DRE, entendendo a necessidade de um plano de contas legal. Aquilo ali me abriu tanto a cabeça que aí eu comecei a entender a distância realmente da gente ter dado para analisar, né?
Ou, Saulo, assim, esse processo de expansão que a gente teve nos últimos tempos, a gente abriu mão de muita coisa, inclusive do controle de dados, né?
Porque é natural, né? Você corre um pouco, depois vem arrumando a casa.
Claro, exato. Então assim, a gente expandiu isso tudo em, foi assim, num período de 6 meses, 7 meses, que a gente expandiu isso tudo. Então agora o nosso foco é o quê?
Organização.
A gente fez uma festa, deixou tudo bagunçado, minha filha. Agora é a fase de organizar e tá tudo certo. Todas as coisas que a gente deixou, a gente abriu mão conscientemente em prol do que aquilo tá. Aí agora é a nossa fase da estruturação para que a gente esteja forte o suficiente para dar o próximo passo.
Tem uma máxima no mundo empresarial, tem até livro sobre isso, que fala assim que o que te leva do zero ao um não é o que te leva do um ao dez. Você veio muito bem do zero para o um, agora você tá olhando para o 10, né? É outra jornada, outra completamente diferente. Não tô dizendo que é mais fácil, que é mais difícil, mas é outra. As habilidades são diferentes, as pessoas são diferentes, o planejamento é diferente. E se você não arrumar a casa aqui para o 10, e se você achar que é a mesma jornada, você vai falhar, porque é um caminho diferente e com as mesmas pessoas, né?
Às vezes a gente acha que a pessoa que nos trouxe até aqui vai ser a que vai nos caminhar até lá, e não vai, não vai. São habilidades diferentes, habilidade e maturidade. Eu acho que hoje a gente tá para— passei por um processo de amadurecimento quanto empresária muito grande, porque no início a gente tem aquela necessidade de agradar a todos, de ceder a todo tempo. E hoje a gente percebe que não tem, a gente não pode fazer isso.
E principalmente ser muito profissional no nosso dia a dia, em reuniões, em tipo de bate-papo, em disponibilidade de tempo. Porque no início é isso, você faz tudo. Então você tem acesso, todo mundo tem acesso a você, todo mundo tem seu WhatsApp, todo mundo marca uma reunião, todo mundo quer bater um papo, tirar uma dúvida. Só que a partir do momento que você vai crescendo, infelizmente esse contato direto ele precisa amornar, porque senão você gasta muito tempo tomando ou fazendo ajustes que outras pessoas poderiam estar fazendo.
Então hoje a minha agenda, e é essa maturidade que a gente falou do crescimento, ela é muito direcionada para a parte estratégica.
Isso que eu ia te perguntar, qual é a tua função hoje dentro da empresa?
Hoje eu sou a parte principalmente mais criativa na parte do marketing, do comercial. Então eu dito para onde a gente vai. E mais além disso, eu também cuido da parte toda da gestão financeira. Então hoje eu tenho um setor financeiro, né, eu tenho gerente financeiro junto comigo. Que ele é incrível, é meu braço direito dentro da MoMA. Mas quem cuida hoje de toda essa parte de número, de TRIAD, tudo, sou eu. Legal. E ao mesmo tempo, toda essa parte da criação do comercial, do marketing, do posicionamento.
A gente hoje terceirizou o nosso RH, que foi algo incrível, que foi uma tomada também assim de muita tranquilidade pra gente. Em ter alguém dentro do RH que possa escutar essas coisas do dia a dia com ferramentas e experiência para isso. Porque querendo ou não, sobra para o sócio, tá? O pepino, principalmente de funcionário, time, sobra para o sócio. Quando você tem um RH que ele é RH de verdade, especialista nisso, traz uma paz. Porque você joga para ele, meu filho, daí vá-se embora.
E vai resolver melhor que você.
Muito melhor, muito melhor, muito melhor. Então a gente abriu muitos setores, o que antes era muito unificado, hoje a gente tem departamentos muito definidos, com organograma também bem definido de liderança, de função, de linha de comunicação.
É fácil delegar tarefa?
Para mim hoje em dia é.
Mas o processo foi fácil ou não?
Não, na verdade, Saulo, como eu comecei atendendo e fazendo e trabalhando na MoMA, desde o início eu tive que dividir funções com meus funcionários, né? Então a Gislaine, por exemplo, ela foi minha primeira funcionária e ela tá comigo até hoje.
Legal.
Eu tenho, na verdade, as 3 pessoas que começaram comigo estão comigo até hoje, e cada um, e todos subiram. Hoje quem é a minha gerente de marketing foi a estagiária que começou fazendo doce comigo lá na cozinha do Paulo. E a Gislaine hoje toca todo o departamento de compras. Também começou sendo meu braço direito em tudo lá. E a Miriam também, ela esteve, mas ela ama cozinha, ela nasceu para cozinha, ela é a jato e ela continua na cozinha e é uma das nossas peças-chaves lá.
Deixa ela na cozinha, deixa ela na cozinha, e ela domina aquilo ali, é maravilhosa. Mas dentro da Monroi a gente traz muito dessa oportunidade. Para mim não vale crescer sozinha, todo mundo que tá comigo desde sempre tem essa oportunidade de crescimento, a gente abraça, a gente treina, a gente cria muita oportunidade para todo mundo evoluir e se sentir acolhido desde o início. Então foram essas maturidades de dividir as funções que hoje em dia nos capacita a pensar em crescer.
Porque se você tá muito preso dentro da operação, você não consegue ter essa novidade de visão, ajustar a rota. Ser criativo. Então hoje as minhas— eu devo muito às lideranças que a gente desenvolveu dentro da Monroi e esse organograma que a gente criou.
Como foi deixar de ser nutricionista para ser empresária?
Saulo, foi uma das decisões que eu vejo na minha carreira mais difíceis. A gente tava conversando um pouquinho antes daqui, né? Que foi uma quebra muito grande de identidade. Eu construí a minha vida, como eu falei, estudando nutrição. Meu sonho era clínica. Era ter paciente. Eu atingi isso, eu tinha um preço de consulta relativamente alto, eu tava muito bem posicionada. Mas se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que foco a gente só pode ter um, porque quando a nossa cabeça ela tá dividida em dois, a gente não dá o nosso melhor para nenhum dos dois.
Isso não é justo para nenhum dos lados, né? Óbvio que eu levei a maioria da minha jornada com essas duas, essas duas frentes. Mas teve um momento em que eu não conseguia ter paz no coração, sabe, de atender. Às vezes não era nem justo com o paciente que eu tava, que eu ia atender, porque a minha cabeça ela tava num outro lugar. E ao mesmo tempo, o tempo que eu estava atendendo, eu tava deixando de cuidar daquilo que era o meu maior sonho, que é a Moma.
Mas a minha maior virada de chave foi entender que na verdade eu expandi a minha nutrição exponencialmente. Hoje eu atinjo milhares de pessoas com o mesmo propósito que eu tinha.
Maravilhoso! É, tu expandiu a missão exponencialmente.
Antes atendia um a um, né?
Se esse insight aí não vale um comentário, uma curtida, uma inscrição, não sei mais o que que vale. Se você não comentou ainda, não curtiu até agora, esse insight é fantástico, porque de fora parece que você largou uma profissão e uma missão, transição, mas na verdade você cresceu exponencialmente, ela de uma outra forma, né?
De outra forma, atinge muito mais pessoas e com o mesmo coração e com o mesmo propósito, legal, só que no outro formato, legal.
E também esse processo ele foi necessário e útil, né? Como a gente falou, sem a Bruna nutricionista não existiria o Moma.
Exato.
Então é uma transição, porque a gente tende a olhar para tudo na vida como caixinha, né? Ah não, ou eu sou empresário ou eu nutricionista, ou eu faço essa faculdade, eu faço essa. Não, mas tudo é processo, a vida ela é meio borrada, não é separada assim. Então foi necessário, foi bom, mas chegou o momento que você teve que largar.
É, e Saulo, eu, se eu pudesse assim voltar atrás, eu jamais teria deixado de ter tomado essa decisão, mas eu acho que eu teria feito uma transição mais lenta, sabe? Como eu já tava muito saturada Foi conversando inclusive com um amigo nosso em comum, Gaspar. Ele, enfim, teve uma mudança que ele falou, Bruna, eu perguntei, como foi sua transição? Ele, Bruna, eu fiquei, não sei se meses, um período todo cuidando de toda a cadeia da transição, sabe?
Aquilo ali me trouxe um ensinamento tão grande, porque a transição ela é complicada não só para você, mas ela é complicada para os seus pacientes, é complicado para todas as pessoas que estão ao seu redor. E se às vezes você chega... Você deixa chegar a um limite em que você estoura tudo e quer jogar tudo pro alto, você às vezes pode romper de uma maneira que poderia ser um pouco mais leve. E eu sinto que isso aí poderia ter sido uma decisão minha um pouco antes.
Eu ainda não tinha o culhão. Eu acho que ia ser assim, eu precisei ter muito culhão pra tomar essa decisão. Mas se eu hoje olhasse pra trás, eu ia falar, poderia ter tomado uns meses antes e ia amadurecendo a cabeça de todos os meus pacientes. Finalizando ciclos da maneira correta. Então isso aí foi com certeza, eu acho que olhando para trás assim, um erro que eu faria diferente. Porque na trajetória da Moma, por mais que eu tivesse, eu tenha tido erros, eu não me arrependo de nenhum deles. Mas eu acho que desse aí foi um ponto que eu poderia ter feito diferente.
Eu vou fazer uma analogia que eu enxerguei muito com a minha realidade. A gente trabalha muito com empresas familiares, então sucessão de gerações dentro de uma empresa familiar, né? E o que a gente prega é essa, essa passagem de bastão, ela precisa ser lenta, ela precisa ser preparada. E muitas vezes não é, porque por um acidente, por uma morte inesperada e etc., e nunca é tão bom quanto poderia ser se fosse planejado, né? Então se você tivesse levado mais tempo, se preparado, preparado os stakeholders, conversado com todo mundo, se preparado mentalmente também, né, porque não deve ter tivesse sido fácil a decisão, seria mais fluido para todo mundo, né?
Claro, é isso aí. Foi um grande aprendizado para mim. E mas com certeza, se eu tivesse que fazer outra transição agora, seria diferente. E isso é uma coisa que eu também não me culpo não, sabe, Saulo? Porque eu sou zero da pessoa que fica me martirizando por coisas do passado, porque eu acho que isso não leva ninguém a lugar nenhum. Eu olho para trás e entendo que eu poderia fazer diferente Então, se eu tiver uma outra oportunidade, em uma outra transição, com certeza eu vou ter aprendido com esse erro. Eu não fico chorando por leite derramado.
Você acha que esse foi o maior erro da tua carreira ou tem outros?
Saulo, teve um assim... É porque erros, eles... É relativo, assim, né? Eu não acredito que tenha sido um erro, mas um deslize, né?
Então me conta um erro. Quero abrir a caixa preta agora.
Quer abrir a caixa preta? Eu acho que um erro, ele é até delicado de se falar, mas eu acho que é principalmente na parte contratual. Eu acho que muitas pessoas elas deixam para olhar contratos quando o negócio aperta, né?
Isso aí é música para os meus ouvidos, né? Você falar isso para um advogado.
Exato.
É a empresária que tá falando, gente, não sou eu que tô querendo vender meu peixe não, mas já vendendo e é Não, é verdade, é verdade. Esse é o maior erro do Abílio Diniz, você sabe, né? Ele fala isso, o maior erro dele foi não ter olhado o contrato com cassino na lupa.
Exato. Eu acho que o acordo societário, enquanto tá tudo maravilhoso, vai ser sempre a melhor decisão da gente fazer, né? Não que eu tenha— eu não sofri nada com isso ainda não, mas eu percebo— não vou sofrer não, é isso. Mas eu percebo que ao longo dessa trajetória tiveram pessoas que passaram na nossa história assim que a gente poderia ter amarrado melhor contratualmente, quando encontrar tudo bem, para que tenha clareza. Eu acho que esse é o mais importante.
Quando a gente não tem clareza, fica no escuro, e a sua expectativa não sei qual que é, e não sei, você também não sabe a minha.
E elas mudam ao longo do tempo. Exato, elas mudam ao longo do tempo. Eu aprendi duas coisas nessa 15 anos advogando para empresário. Primeiro, o brasileiro não tem a cultura de prevenção. Então é o que você tá falando, qual que é o momento de fazer um acordo de sócio? Quando tá tudo bem. Só que como tá tudo bem, ele acha que não tem que ligar para o advogado. Aí quando tá tudo mal, tudo ruim, aí ele liga para o advogado, né? E outra coisa que eu aprendi é essa: as expectativas.
Eu, a gente pode conversar aqui 2 horas sobre a nossa sociedade, eu nunca vou conseguir saber exatamente 100% que tá na sua cabeça, e vice-versa. Além disso, elas vão mudar ao longo do tempo. Por exemplo, se a gente tivesse feito uma sociedade fictícia aqui, os dois sem filhos, de repente os meus filhos nasceram, a minha vida mudou completamente. Sim, as minhas expectativas mudaram completamente, o meu tempo de dedicação mudou completamente para a sociedade.
Isso é natural, não é nem errado nem certo, é só porque as coisas mudam. Mas se a gente tem o hábito de sentar conversar e para olhar para o acordo sócio, pronto, documento que tá lá engavetado, ele foi feito para ser engavetado mesmo. É só, não, pera aí, quando começa uma rusguinha, não, pera aí, o que que a gente combinou lá? Assim, quando, ah não, é isso, beleza, engaveta de novo, resolveu. Mas a gente infelizmente não tem essa cultura, não tem, não tem.
Mas isso aí é uma coisa que a gente tá no processo de fazer.
Muito bom. Indique um livro para gente?
Um livro, eu vou indicar o 10x2, é melhor que 2x, é mais fácil que 2x, é mais fácil que 2x. É, esse foi um livro também que trouxe muito da mentalidade que eu e meu marido a gente tem hoje em dia.
Eu acho que ele recomendou esse também.
Foi?
Ele não, ele recomendou do cara que fala de hospitalidade, hospitalidade racional.
Do Big Data, né?
Exatamente, verdade. É porque o 10x tá permeando, tá muita gente recomendando, muita gente recomendando, muita gente recomendando.
É porque ele é uma quebra de paradigma. Eu assim, para ser muito sincera, eu não consegui ainda terminar ele. De toda vez que eu leio é um insight que vem, eu paro tudo, aí eu preciso escrever, eu preciso desenvolver. O Monroe, ele foi um 10x para gente, foi uma decisão baseada no livro. De posicionamento. E foi um 10x total, 100%. E assim, várias decisões que eu precisei fazer de abrir mão de coisas que ocupavam o meu tempo e que me tiravam do foco real.
De mais uma vez, o livro também fala disso, né, de você ter um foco central, que é aquele, aquela coisa que você vai buscar e que os quens vão te ajudar, vai encontrar pessoas que vão te chegar até lá. Mas que esse foco ele parece ser impossível no início, né? O Momoran para mim era impossível.
A ideia, uma das ideias centrais do livro que eu acho fantástico é essa: você tem uma visão e ela é uma visão 10x, né? Às vezes ela até te assusta. Só que a intuição é: beleza, então eu preciso me rodear de um monte de gente. É isso também, mas eu preciso me me transformar. Perfeito. Isso aí é muito disruptivo, isso explode a mente.
É a sua quebra de várias identidades. Eu te falo, né, eu—
desculpa, é a Bruna que precisa deixar de ser nutricionista e virar empresária.
Isso aí foi com certeza um 10x, porque você tem que abrir mão de muita coisa para poder alcançar aquilo que você tá querendo, e que não é uma abertura de mão com sofrimento, porque você tá tão focada no que você quer que aqueles nãos, eles na verdade são motores, né? Tem muita gente que fica focando no que tá deixando de fazer, de ter, de qualquer coisa. Só que se a gente fica sempre olhando na ótica do que tá deixando, tudo que tem, cada escolha que a gente faz, a gente tá abrindo mão de alguma coisa, né?
Então se a gente fica olhando sempre no foco do que a gente tá abrindo mão a gente vai ficar sempre andando para frente, mas olhando para trás. Eu não, eu não olho para as coisas que eu tô abrindo mão. Óbvio que eu preciso ponderá-las para entender se eu estou disposta, mas a partir do momento que eu tomo a decisão de que não, isso aqui eu vou abrir mão, eu olho só para frente.
Maravilha.
Eu passei muito tempo sendo também na rede social influencer, embaixadora de muita marca, e isso me trazia, óbvio, uma remuneração, isso me trazia mais posicionamento. Mas querendo ou não, Saulo, eu gastava muito tempo do meu dia criando conteúdo para outra marca ou gastando tempo fazendo conteúdo, que isso aí eu tô deixando de fazer para minha empresa. Então um passo para qualquer 10x é você abrir mão daqueles que ele fala, né, 80/20, do 80% que muitas vezes tá te atrapalhando ao longo do dia, que não tá te levando para o lugar que você quer.
Então eu abri mão de todos os meus contratos, eu finalizei todos os ciclos de todas as empresas que eu tinha para focar só na Moma. E eu mudei o meu Instagram para me posicionar como uma pessoa que tem um lifestyle da Moma.
E no mundo que a gente vive, a era do conteúdo gerado pelo dono da marca, né, o dono da marca é o conteúdo. Alguém lá no teu Instagram, você tá fazendo publi de diversas outras marcas, é uma coisa assim meio tipo, e aí, né?
Exato.
O que que ela tá me recomendando? É isso. É isso, aquilo, ou é a marca dela, né? No inconsciente, quem tá assistindo, realmente você tá espalhando foco. Exato, esse é o termo.
Mas na época eu achava ótimo porque parecia que eu tinha, sei lá, tinha uma sensação de que é da validação de outras marcas também para com a minha pessoa.
Não, e de novo, talvez tenha sido importante no momento, mas Que foi uma decisão incrível também.
A mesma sensação do, sabe, tirou coisa das costas. É, você abre mão de uma coisa, mas, cara, quando você vai ver o potencial que você tem na frente, é tão maravilhoso que você fica leve.
Muito bom. Obrigado, Bruna. Papo muito engrandecedor. Parabéns pela loja, pela marca. A gente tá fazendo belíssimas imagens aí. Obrigado pelo relato, foi muito bacana.
Que é isso, eu que agradeço, viu, de verdade.
Como é que o pessoal acha você e a Moma nas redes sociais?
O perfil da Moma é @adorumoma, @adorumoma, M-O-M-O-M-A, e o meu é @brunagarciantarso.
Se você chegou aqui, lembre-se de se inscrever, de curtir, compartilhar. Segue lá a Bruna, segue a Moma, e venha visitar, conhecer quais são as unidades. Deixa eu ver se eu lembro: Asa Norte, Asa Sul, Brasília Shopping, o Brunch no Lago Sul e Águas Claras. E Águas Claras, perfeito. Obrigado, gente. Até a próxima.
Tchau, tchau, tchau!