Episódios de Joguei no Grupo

#149 - Me Passei, Mas Levantei Questões feat. Samira Close – Joguei no Grupo

04 de junho de 20261h37min
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*Conteúdo patrocinado por Dédalos Bar*

Junho é mês de PAURRAIÁ no Dédalos Bar São Paulo! 🌽🔥

No dia 25/06 rola a segunda edição da PAURRAIÁ.

Se você é homem cis ou trans, já pode separar o chapéu de palha, a camisa xadrez, deixar as camisinhas e a PrEP em dia e se jogar nessa quermesse +18. Vai ter barraca do beijo grego, beijoquete e, claro, quentão até o sol raiar!

Para deixar tudo ainda melhor, a queen das noites paulistanas, Silvetty Montilla, comandará o concurso A MAIS BELA ESPIGA DE SÃO PAULO.

Vai perder? Duvido.

Saiba mais em: https://www.dedalosbar.com.br/

Olha como ela tá jogando…

Enquanto uns pedem desculpas, outros se honram por terem gerado um debate social.

Neste episódio, recebemos Samira Close pra falar sobre aquele momento em que você percebe que talvez tenha se passado um pouco… e então percebe que na verdade os outros é que não estão sendo muito woke.

Assuntos13
  • Personalidade online vs presencialExpectativas Online · Realidade Pessoal · Comunicação Digital · Química Real
  • O Desalinhamento do Sistema de Saúde BrasileiroExames de Fezes · SUS · Coleta de Urina · Fissuras Anais · Proctologista
  • União homoafetiva no BrasilHomofobia · Estigma Social · Interiorização · Discriminação · Comunidade LGBTQIA+
  • Medo, Culpa e Vergonha no SexoPrimeira Vez · Culpa Cristã · Intimidade · Comunicação no Sexo · Desejo Sexual
  • Reconexão com o Desejo e a Sexualidade FemininaDesejo Sexual Feminino · Pressão Social · Cultura do Estupro · Relacionamento Monogâmico
  • Relacionamentos Abertos e PoligamiaAcordos de Relacionamento · Traição · Monogamia Cultural · Relacionamento Aberto · OnlyFans
  • Traição e ComaTraição Emocional · Quebra de Acordo · Confiança · Lemonade
  • Arte e Expressão PessoalTransformismo · Identidade de Gênero · Maquiagem e Figurino · Mary B · Delacao Beto Louco
  • Infância e juventudeInfância Tardia · Compras Compensatórias · Nintendo Switch · Overcooked · Nintendo 64 · Pokémon Stadium
  • Liberdade Financeira e OportunidadesBarreira Financeira · Alpinismo Social · Capricho · Édouard Louis
  • Imediatismo em RelacionamentosCiúmes de Ficante · Possessividade · Karol Conká
  • dificuldades em relacionamentosCarencia Afetiva · Busca por Relacionamento · Apps de Namoro · Hospitalidade
  • Impacto das Redes SociaisVício Digital · Compulsão Digital · Redes Sociais · Elon Musk · Mark Zuckerberg · Twitter
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Voz A:Amiga, chegou junho! Junho é mês do quê?

Samira Close:Dica zica?

Voz A:Não.

Samira Close:Dica então? Não. De correr elegante?

Voz A:Também não. Junho é mês de pau raiar.

Samira Close:Pau raiar?

Voz A:Minha gente, sabe a Daedalus? Aquele bar cheio de experiências pra homens cis e trans maiores de idade curtirem?

Samira Close:Ai, a Daedalus, aquele bar que tem jogos, cabines secretas e vários shows em São Paulo e agora também tem no Rio.

Voz A:Pois é, a Daedalus decidiu transformar junho em um grande arraial +18. Além da padaria LGBT LGBT que vai acontecer agora, no dia 7 de junho, neste domingo, que promete lotar a Dédalus de São Paulo.

Samira Close:Aí, no dia 25/06, vai ter a segunda edição do Pau Rallar.

Voz A:Vai ter barraca do beijo grego, vai ter barraca do beijo cat. Claro que não pode faltar o clássico Quentão Até o Sol Rallar.

Samira Close:Olha a cobra!

Voz C:Cadê, cadê?

Samira Close:No Dédalus Bar!

Voz A:E não para por aí. A queen das noites paulistanas, Silvete Montilla, vai comandar o concurso A Melhor Viga de São Paulo.

Samira Close:Que é uma celebração da agricultura, do neoruralismo, ex do Rural.

Voz A:Ai, que chique, gente.

Samira Close:Então já sabe, dia 7 de junho, que é um domingo, tem after da Parada LGBT na Daedalus Bar de São Paulo. E dia 25 tem pau raiar!

Voz A:Que delícia, que kermesse boa, gente! Que kermesse boa! Então prepara o xadrez, prepara o chapéu de palha. E também tenha a prep em dia, viu?

Voz C:Olha como ela tá jogando!

Voz A:Muito obrigado por ter entrado no grupo, Daedalus!

Voz C:Eu joguei num grupo, tá?

Samira Close:Mesmo respeito ao trabalho do seu marido. Eu sei que não parece o trabalho, eu sei que parece besteira.

Voz A:Eu não tenho o meu momento, eu não tenho o meu local em casa. Eu não tenho o meu espaço.

Voz C:Ai, não. Gays sem local? Gente, chega!

Voz A:Bolsa local já!

Voz C:Bolsa local já! Eu preciso de local pra sobreviver.

Voz A:Eu pago aluguel num lugar que eu não tenho local.

Voz C:Tem um que tem local, gente. Um gay sem local, meu Deus, é um gay sem expectativa de vida.

Samira Close:E a gente tá falando de gay velho. O Y, ó, já tá perto dos 40. Não tem local 40 anos.

Voz A:Agora eu tô mais perto dos 40 também.

Voz C:Mas ela fica com essa skin, ela é igual eu. Enche o negócio aqui cheio de boneco com a infância tardia, né, de quem não teve quando era criança e comprou depois de velha. É igual ela também, fica passando de twink de 40 anos.

Voz A:Eu comprei um Nintendo Switch esses dias pra mim, porque eu parecia... Olha aí, gente. Eu mereço, né.

Samira Close:Mentira, sério?

Voz A:Comprei. Amiga, tá empoeirado. Porque eu comecei a jogar Overcooked, fui jogar com o Brendo. Comecei a brincar. Aí eu já falei assim: "Vai ter uma crise de relacionamento, não dá pra jogar Overcooked." Casamento por um fio, amiga.

Voz C:Pode ser, amiga. Ai, eu tô namorando, gente, eu tô namorando, viado!

Voz A:Ah, vou fazer 10 anos agora, em agosto. Sou casada!

Voz C:Gente, mas o que aconteceu?

Voz A:Ai, sou casada!

Voz C:Você é casada, amiga? Depois de 10 anos, né. Você conhece todos os furúnculos na pele da pessoa.

Voz A:Conhece.

Voz C:Aí tem que...

Voz A:Gay, depois dos 2 anos 10 anos, tem que começar a abrir. Aí vem apimentar a relação.

Voz C:Ah, o seu namoro é aberto?

Voz A:Aí a gente pega junto umas pessoas assim, de vez ou outra, assim.

Voz C:Ah, o seu também é assim?

Samira Close:Não, não, não, né, Samira? Vocês estão querendo nos chegar nos héteros aí.

Voz C:Nem se for pras irmãs, não dá pra abrir pras irmãs do Corpo de Louvor.

Voz A:Daqui uns 20 anos chega nos héteros isso daí, entendeu?

Samira Close:Exato. Mas você acha que o Michael quer carcar as irmãs, Samira? Pensa nisso. As da minha igreja, eu não acho muito tentadora não. Eu não acho maçãzinha, não.

Voz C:Aquele meme do pica-pau levantando assim o véu, só o capeta debaixo.

Samira Close:Levanta o cabelo comprido, que não corta. Aí bota as botas.

Voz C:Fecha, fecha agora esse relacionamento. Acabou de fechar, tá trancado.

Voz A:Imagina, vocês resolvem abrir, chamam uma marmita, ela vem até sua casa. Quando você abre a porta, vê que é uma gay feminata, aí eles: "Ai, não quero mais abrir não, fecha de novo o relacionamento, por favor".

Voz C:"Ai, o senhor criou a monogamia, eu peço a brava e o pobre." "Ai, eu não quero mais abrir, eu não quero mais abrir." "A porta se afundada, ai, tô morta." Deus pode até abrir as portas, mas essa aqui eu vou fechar, amor.

Voz A:Ai, não. Ai, acho que é um sinal, amor. Acho que é um sinal pra gente não abrir.

Voz C:Não, mas eu não namoro ainda, mas eu tô sentindo que eu tô quase. Tô fazendo bastante terapia pra tirar as loucuras da minha cabeça, os traumas. Aí agora eu tô pra chegar aí num relacionamento. Mas a gente... Não sei se compete para os héteros também. Mas eu falei dos brinquedos ali, das coisas, né. Mas a gente que é gay, a grande maioria, acredito eu, tem meio que uma adolescência tardia.

Voz A:Será? Tem, né?

Voz C:Esse negócio de realizar as coisas que não pôde quando foi jovem, assim. Tipo, eu digo... Comprar boneca, porque a mãe não deixava ter boneca. Enfim, né? Você vê a casa do Digo Depressão, parece um antiquário. Cheio de cacareca. É um exemplo, assim. Brincadeira, gente.

Voz A:Ele... Ai, senhora!

Samira Close:E, gente, eu acho que isso me passa. Gente, mas tá bonitinho isso daí, né?

Voz C:Porque eu não tive acesso. Mas você tem 40 anos, gente. Olha aqui.

Samira Close:"I like to go gay man ham." Olha aqui!

Voz C:Que isso?

Voz A:O que é?

Voz C:Não, isso aqui é Maria Padilha. Não!

Samira Close:É a Nati Hills? Você tem o fundo da Nati Hills? Que isso?

Voz C:Isso aqui eu ganhei, ganhei de presente. Olha o tamanho desse pé.

Voz A:Gente, mas é linda essa boneca. Mas é encomendada, encomendada.

Voz C:Eu joguei um sal, botei de cabeça pra baixo, joguei um sal, senti uma vela.

Voz A:É o Santo Antônio das gays, né, essa daí. Mas eu acho que a adolescência tardia, ela não vai só nessas coisas. Mas muitas gays não namoraram durante o período que era pra namorar na adolescência. Então, tipo, na adolescência você tem as paqueras, você é infantil, você é besta, você se ilude, você é intenso. Você vive aquilo, você tem que viver. Por isso que muitas gays começam a viver mais tarde. Porque elas vão lá, vão pra faculdade, começam a pegar. Então ela começa a viver aquilo que era pra ter vivido bem antes, né. Ficar na faculdade antes. Se tem gay aí que com 30 anos é muito emocionalmente instável, é muito.

Samira Close:Mas não só, meu amor. Não só o gay, o pobre. Juro, gente, aquela pessoa que a adolescência foi a secura.

Voz A:Foi, sim.

Samira Close:Entendeu?

Voz C:Foi só o bife em dobro.

Voz A:A amargura da pobreza. Sim, eu tive essa infância pobre, inclusive.

Samira Close:Só roupa de doação, a blusinha, a calcinha, o sapato.

Voz A:Igual o Dr. Ray, igual o Dr. Ray, assim.

Voz C:Butterfly.

Voz A:Pois é.

Samira Close:É, amigo. Ai, como que não fica biruta e gasta fortuna com boneco?

Voz A:Gente, a primeira peça de roupa que eu comprei muito cara na minha vida, tipo assim, que eu falei assim: "Gente, eu vou investir muito dinheiro nessa camiseta e é muito cara". E eu estou passando um... "Nossa, ai, finalmente sobrou um dinheiro legal". E aí eu comprei uma camiseta de R$400, da La Garçonne. E aí, gente, aquilo pra mim... Foi uma realização, tipo, de gente de... E que louco pensar que tem gente que R$400 não é nada. Que já sempre deu, que cresceu num ambiente em que R$400 não era nada. Que não dá esse valor ao dinheiro trabalhado, conquistado. É muito bizarro, gente.

Voz C:É muito louco quando... É muito louco assim, né? É meio óbvio. Mas quando a gente para pra pensar de fato e analisar as entrelinhas, os pontos menores, é muito louco como a questão financeira, ela vai meio ditando as coisas que podem acontecer na sua vida, né? Não que necessariamente por ter ou não dinheiro vão acontecer exatamente algumas coisas. Mas o fato de você não ter dinheiro, algumas coisas não vão acontecer de qualquer forma, né? Então, por exemplo, essa questão de: "Ai, quando eu era criança, eu queria muito ter um videogame. Eu não pude ter porque a minha família não tinha condições, né? A gente era tudo lascado." Aí quando você fica mais velho, você compra um videogame quase que pra dar pra aquela criança interior, sabe? É um babado, né? A questão financeira, ela vai determinando meio assim mesmo algumas questões.

Voz A:É, eu falei isso na terapia, que eu comprei o Nintendo Switch e a única coisa que eu instalei nele, além do Overcooked, é um emulador do Nintendo 64, porque meu sonho era ter o Nintendo 64.

Voz C:O Sega, meu povo, o Sega, o Dynavision, amigo, sabe o Dynavision? Aquele que era aquele que tem a pistola que você apontava pra televisão de tubo e ficava—

Voz A:ai, meu Deus, é o videogame do pobre. Esse foi o primeiro videogame joguinho do pobre, gente, que vinha Bomberman, vinha um cara do circo que você ia pulando assim, um tigre dentro de um círculo de fogo. E aí eu baixei o Nintendo 64 pra jogar Pokémon Stadium. Gente, eu que tive infância pobre no Brasil, meu sonho era jogar Pokémon Stadium. Baixei. Que porcaria que é aquilo, gente? Que merda chata, que lixo. Acabou com a minha infância.

Samira Close:Não é pra você, não é pra você, era pras crianças de 20 anos atrás, pro teu estilo.

Voz A:É o YTV, de novo.

Voz C:É daqueles que tinha diferença hoje em dia, meu amor! Hoje em dia se o jogo não piscar, fazer zoada, explodir e ter aposta, tem conteúdo de putaria, sacanagem, tem uns bagaçamento total, explodiu celular, não serve porque é tanto estímulo que já tá ficando tudo louco. Esses dias eu tava na minha casa, da minha avó, e aí eu tenho 4 sobrinhos— É? E aí os 4 ou são 5, nem lembro mais, enfim. E aí eles botaram umas coisas da televisão, desenhozinho de criança. Shit, que barulheira aqui! Que moleque com crepe! Por que ele E eu falei: "Gente, que loucura, essas crianças estão assistindo". Na minha época, a gente assistia era o quê? Era o Pequeno Urso, era o Rupert, Cocoricó.

Voz A:Gente, era a coisa mais A-list, a coisa mais classe A da TV Cultura. Era Babar, o Rupert e o Pequeno Urso. Era as coisas mais classe A.

Voz C:Nossa, lindo o Zezinho Calmo. Aí as crianças ficam tudo colocadas assim na sala, tudo doido. Eu falei: "Gente, essa criança tá colocada".

Samira Close:Não, Samira, se na sua época esses desenhos zen 'Ah, e você nasceu, você cresceu e virou essa tecada aí, mas eu sou sua sobrinha, vai dar trabalho, tá?' Amiga, muito remédio, acho que a mãe tomou muito remédio para eu sair antes.

Voz C:Ai, que horror. Eu acho que a mãe é a favor, louca.

Voz A:Mas você tá falando isso porque eu li, já falei aqui dele, Édouard Louis, várias vezes, gente, né? E ele fala sobre essa questão de como o Édouard Louis, ele quer fugir. É uma gay do interior da França, que ele quer escapar daquele lugar que é muito homofóbico, etc. e tal. Só que ele percebe que depois que ele consegue se transformar, ocupar outro lugar e virar um grande fenômeno literário do mundo, aquela parte ainda tá dentro dele. Tudo que ele viveu, ele carrega dentro dele. E ele fala uma questão do dinheiro que eu acho que é muito foda, que assim... Há uma barreira e que você não passa, por mais que você estude, por mais que você vá para os melhores lugares, mas você frequente, por mais que você, você tá sempre atrás de quem já tinha todas as possibilidades. Tanto que tem gente que tem um livro dele que ele meio que absorve tudo de uma menina, ele chega e começa a copiar tudo dela, absorve tudo dela, suga, e depois vai para outro lugar. E todo mundo, ah, ele é um aproveitador, ele é um alpinista social. E eu não acho isso, gente, porque de verdade ele fala até Que tudo foi passado de família por família, para menina, para menina, ela tinha direito a isso. Por que ele não tem direito de receber isso? Porque ele não é da família. Por que que ele não tem direito? Porque não tem sobrenome. Porque se eu estou disponível para aproveitar disso, por que não? E é isso, a gente vê, gente, quando eu entrei na Capricho, quando eu via que as pessoas viajavam para Europa, e foi quando minha cabeça começou a crescer. Se a gente não começa a ocupar locais que as pessoas viajam, que as pessoas consomem. É, você não começa a sonhar, você não sonha, você não tem a capacidade de sonhar por conta do dinheiro, gente. É bizarro isso, é verdade.

Voz C:Eu acho que 11 horas da manhã, acabei de tomar um café com pedaço de bolo, né? Revolução, meu amor! Tem que sugar mesmo essa vagabunda burguesa safada, desgraçada! Acaba com ela! Suga mesmo!

Samira Close:Nossa, sabia? "Veio aqui, me pintou de Anna Mary, ó, pau!" Nossa, meu Deus do céu.

Voz C:No meu caso, foi terrível. Eu fiz com a Bianca, caiu, foi a minha imagem. Eu achei muito assombroso. Eu acho que eu tenho que descer pintada por outra pessoa.

Voz A:É, a Bianca não tá funcionando.

Samira Close:Com a Ana Mary, você ia ficar mais bonito do que ficou com a Bianca, fala a verdade.

Voz C:Ai, meu Deus. E eu não duvido.

Samira Close:É, isso que é triste, isso que é triste.

Voz A:Mas eu queria dizer pra vocês que eu estou em jejum.

Samira Close:Do quê?

Voz A:Porque eu vou ter que fazer exames, fiz exames de sangue, ó. Já tirei aqui, ó, uma coisa.

Samira Close:Ai, que fofo!

Voz A:E à tarde eu vou ter que fazer ultrassom do abdômen. Então estou em jejum, tive que comer por último às 8, 9 da manhã. E, gente, eu queria falar sobre o sistema de saúde do Brasil.

Voz C:Ah, achei que era gravidez.

Voz A:Não SUS, mas de exames. Qual foi a última vez que vocês fizeram exame, colheram fezes?

Voz C:Acho que essa noite colhi bastante. Fiz uma colheita farmal.

Samira Close:O mar estava além da gente nessa vila.

Voz A:Como?

Voz C:Eu não vou entregar pro médico, mas a colheta foi feita. Gente, vou contar uma coisa pra vocês sobre o exame de fezes. Não sei por quê, mas o assunto fezes é muito engraçado pra mim. Você viu? Me dá muita vontade de rir. Eu não sei por quê. Acho que é uma coisa da minha casa. Eu lembro que lá em casa, quando alguém peida, todo mundo acha graça. Lá na casa da minha mãe, né? Enfim. E aí eu lembro de falar um exame de fezes quando eu morava lá na favela do plástico. Aí tinha que fazer o exame de fezes. E às vezes, quando a gente é criança, não tem como a gente forçar uma vontade. Sabe o que que a minha mãe fazia? A minha mãe pegava aquelas latona bem grandona de água, enchia d'água, mandava a gente se acocar, ficar de cócoras assim em cima de um pote, e botava a lata d'água na cabeça da gente.

Samira Close:Será que pra fazer peso, tipo a bigorna, o desenho vai descer na bosta?

Voz C:Eu não faço ideia de onde que ela tirou isso, mas ela botava uma latona d'água na cabeça da gente pra fazer força, pra se espremer "É isso que eu vou fazer antes de ir nos eventos, pra ir com a barriga tapada." É isso que eu vou fazer, meu amor.

Voz A:Antes de fazer ensaio de foto, as famosas faziam tudo isso, amiga. Todas elas, Sabrina Sato, Sophie Charlotte, todas elas.

Voz C:Tinha toda uma técnica. Também tinha que tomar uma colher de óleo, botava o óleo na colher pra poder escorregar. Gente, era cada coisa. Olha, na favela existe conhecimento que é da favela. Assim como tem o conhecimento indígena, também tem um da favela, que são coisas que só aprende morando lá.

Samira Close:E você repara, a cabeça dessas mulheres aí, tudo meio assim, ó. Tudo bem assim, para acomodar a lata. Exatamente.

Voz C:E a gente que é cearense acomoda até caixa d'água, né, que a cabeça já é um pouco maior. A gente acomoda já uma caixa d'água, uma cisterna. Uma cisterna!

Samira Close:Porra nenhuma, porra nenhuma.

Voz A:Mas é horrível, gente, horrível fazer exame de pés. Eu fiquei super desconfortável, fiquei revoltado.

Voz C:Por quê?

Voz A:Acho desnecessário. Ai, gente, que coisa feia. Que coisa feia! Como que... Eu queria que me sedassem, que eu tenho muito nojo. Tipo assim, eu queria ser sedado. Anestesia geral e alguém vai lá dentro de mim e colhe. Não pode ter contato com água, não pode ter contato com vaso, não pode ter contato com pinto, não pode ter contato com nada!

Voz C:Põe a mão lá dentro e tira. Você faz assim, ó.

Voz A:De luva ainda!

Samira Close:Pega uma colher e rapa!

Voz C:É igual gelo no congelador, quando a gente raspava assim na parede.

Voz A:Tipo isso!

Voz C:Você faz assim: "Amor, temos como você fazer isso?" chamam de fez ali.

Voz A:Claro, só um minuto, agora, agora dá o pote.

Samira Close:E eles mudaram o potinho porque esses dias o Dimiso, e eles mudaram total agora, tipo, veio um caldeirãozinho assim com uma boquinha. Aí você mija num pote maior e já que ele tem uma boquinha, você joga ele numa pipitinha desse tamanho, você leva duas gotinhas de xixi. Na nossa época a gente mijava direto no redondinho, né?

Voz A:Galão. Quando eu fui fazer cirurgia de galão assim, enorme.

Samira Close:Gente, e daí minha mãe falou: não joga fora, eu vou levar para Sabina pôr na cabeça, que ela traz para cá, traz para cá.

Voz C:O que a gente fazia lá na favela, o pessoal fazia como há muito tempo. Gente, às vezes eu vou no podcast só contar mazelas, né? Mas enfim, vem, né, do subconsciente. É porque essas coisas, ela realmente muito terrível, era muito pobre antigamente. Esse negócio de dar pote, eu acho que, não sei se era em todos os hospitais, elas começou só depois dos anos 2000, não lembro. Mas quando a gente tinha uns 7, 8 anos, eu lembro que a a gente levava um monte de cocô naquelas coisas de sorvete da Kibon, bem grandão assim, ó. Era um potão de cocô.

Voz A:Quando eu era criança, eu tinha essa referência também, que era um pote, que era de casa, que você tinha em casa, tá falando.

Voz C:Pote de manteiga, aqueles da Delícia, bem grandões, cheio de merda. Bota numa sacola e chegava, quando era o dia de entregar, tinha um monte de senhora, o Hospital Pouja, e as velhas cheias de sacola de merda e mijo.

Voz A:E as velhas, não precisa encher o pote de margarina, mas as pessoas precisam.

Voz C:Gente, o pessoal levava garrafa garrafa pet, metade da garrafa pet de mijo. O bicho já tava já preto, já parecia Coca-Cola.

Samira Close:Gente, deve misturar tudo com as coisas, né? No exame dá: ai, tem vários conteúdos de margarina, ele mija margarina. Que as coisas lavam tão bem assim, o pote de gordura de margarina.

Voz A:A mulher lá analisando a coisa: ué, tem margarina, tem porra aqui também, que mais que tem?

Samira Close:Extrato de cebola.

Voz C:Extrato de cebola.

Samira Close:Que guardou a cebola picada antes no potinho de delícia.

Voz A:E cheiro de geladeira nessa merda. Tem cheiro de geladeira.

Voz C:Ai, cada coisa, gente. Mas aí depois que eu fui descobrir que é realmente só um pouquinho, né. Que não precisa levar um troço, 1kg de bosta pra médica.

Voz A:Hoje ela me deu 2 potes. Ela me deu um pote grande e um pote pequeno. Eu não entendi. Agora eu não vou fazer minha culpa. Eu fui mal orientado. Tinha um pote grande, ela falou assim: você faz nesse pote grande, você acoca ali, vai. E aí você pega com uma colher um pedaço e coloca nesse pote menor, que tem um líquido dentro desse pote. E aí você tem que pegar— ai, que dor, Júlio! Aí você pega e coloca ali e tampa. E aí tem um outro saquinho que você coloca assim, super higienizado, porque você tem que deixar na geladeira. Esse que é coisa nojenta também.

Voz C:Por isso que a gente não pode fazer isso agora. Você tem que deixar na geladeira, você não pode deixar ali fora, é nojento.

Voz A:E aí ela falou que tinha que levar o pote de 500 gramas.

Samira Close:500 gramas! Eu tô horrorizada, amigo.

Voz A:Amiga, é assim, a medicina brasileira não avançou o suficiente para não ter pessoas que cagam 500 gramas.

Samira Close:Não defenda o SUS mais! A gente fica dando nosso rosto para defender, e olha o que o SUS faz.

Voz A:Mais diagnósticos, muda! Muda mais diagnósticos!

Voz C:Mas eu vou falar, eu não sei se eu tenho tanta vergonha disso. Eu acho que Você não tem tanta vergonha? Eu tenho mais vergonha. Você já fez? Já foi? Eu acho que qual que é o médico que cuida do cu da gente?

Voz A:É urologista, né? É urologista, né? Do pinto.

Voz C:É proctologista. Eu já fui na proctologista porque uma vez eu fui dar o meu furico e aí eu fiquei com fissuras anais.

Voz A:Ai, amiga, dizem que é horrível para tratar.

Voz C:Você nunca teve, né, Y? Mais de 10 anos de casada no cu todo dia, não vai ter, né, vida? Não acontece contigo. Mas eu já tive, eu já tive. Era uma lata, Coca Latão, foi uma coisa babaca. E aí, minha filha, quando entrou, ficou parecendo, sabe aqueles fuxico que a vó faz, que faz uma cortina de fuxico? Ficou com o cu beiçudo. Aí eu falei: ah, meu Deus do céu, preciso ir ver.

Voz A:Acabou, não tô exagerando.

Samira Close:Explica tipo pro Lapsinho, porque eu achei que tipo fissura ficava tipo deserto.

Voz C:Eu tô indo lá, menina, eu tô, eu tô fazendo.

Voz A:É uma mulher muito miúda. Eu vi na Yara, no vídeo de agora.

Voz C:A fissura é interna, a minha era interna. Porque realmente a gente fez um sexo e aí machucou. Só que de boa, era só uma única. E aí era super de boa de tratar, foi bem rápido, inclusive. Mas o babado é que, por exemplo, quando eu fui fazer o exame, você tem que ficar de ladinho. A mulher bota o lubrificante no dedo, empurra no cu assim, faz assim. E aí fica ela, e geralmente tem uma moça bem jovem que é assistente. Geralmente as assistentes são bem jovens, só aprendendo. Aí fica a médica cutucando a bicha no teu cu e fica a outra funcionária olhando pro cu assim, ó. E você lá fingindo que tá morto assim, ó.

Voz A:Tem que cedar, gente. Esses exames com sanjedores tem que cedar, tem que ir pra cadeia.

Voz C:É pra terminar, pra ficar mais babado, ela tira uma foto do cu, aí ela vai lá no computador, bota numa tela gigante e fica apontando mostrando o seu cu pra você, dizendo o que é que tem nele.

Voz A:Ó que arrombado, ó!

Voz C:Olha aqui como é que é.

Samira Close:Esse aqui foi o ator Fagundes, esse daqui foi o Pedro Fagundes, esse daqui o Esteiro Garcia, o Esteiro arrasa.

Voz A:Gente! Francisco Cuoco aqui, olha, um pouquinho.

Voz C:Esse aqui é mulher da Life Fox.

Samira Close:Essa foi a Bianca Della Penna. Ô gente, eu sou muito preconceituosa com quem escolhe ser urologista, assim, eu falo: por que que a pessoa quer? É, eu sei que eu tô errada, mas eu falo, nossa, vai ver cu o dia inteiro. E tipo, não é quando no aspecto legal, né? Você não vai ver o cu legal que as pessoas gostam, você vê o cu merda, você vê o cu doente, você vê o cu com muita merda, o cu não vai com suquinho ali, você vê o cu com fissura.

Voz C:Eu acho que será que ela teve escolha? Será que ele foi o que sobrou no curso? É tipo aquele vestibular que você coloca a primeira, é tipo quem faz o técnico. Por que que a pessoa—

Voz A:brincadeira, eu quero Medicina, segundo turismo, terceiro hotelaria.

Voz C:Então ali, ó, a medicina, moda, os caras, você quer fazer medicina, moda e urbanismo.

Samira Close:Que pode ser verdade que o meu irmão tá fazendo medicina e tipo, ele já tá no final, ele tá começando a pensar nas especialidades, né? E daí eu falo, e aí, o que você quer? Eu queria uma chique, né?

Voz A:Eu queria dermatologista, né? Tem que ser cardio, abre a bolsa, Minhas vidas, meu irmão faz neurotoráquico. Não, meu irmão vai fazer meu botox, meu irmão vai fazer meu rádio S na minha cara, meu bioestimulador.

Samira Close:E aí ele falou: "Ah, eu quero as que dá para passar a residência." Aí eu tô entre psiquiatria, que até ok, porque todo mundo é louco hoje em dia mesmo, né? E aí medicina do trabalho, umas coisas assim glamour.

Voz A:Eu falei: "Nossa." Mas é muito bom medicina do trabalho.

Voz C:Medicina do trabalho é tipo atender quem se acidenta no trabalho?

Voz A:Não, é você dar alta, tipo, e é um médico que tipo assim eu fiz no meu, gente, não estou generalizando, perdão aqui essa classe médica, mas quando eu fui, eles nem olharam para minha cara porque eu fiquei vários anos no mesmo trabalho. Eles não olham, você é demitido, basicamente você tem que entrar, você entrou andando, você tá apto para tipo assim ser demitido sem nenhuma indenização.

Samira Close:Eu virei para o meu irmão e falei assim: "Jancar, meus pais estão velhos, estão pagando faculdade de medicina particular para você, você não vai dar um retorno? Você vai pegar a residência?" que dá menos dinheiro e eu vou ter que bancar sozinha os nossos pais, é o mínimo você dar uma ajuda também, sabe? Ou vira alguma coisa que dá dinheiro, que salva a vida. Inferno! Medicina do trabalho, não dá nem para fazer plantão essa merda aí. Nossa, fiquei nervosa, querendo. Gostei de lembrar.

Voz C:Vai virar um procto, vai ver o cu do povo que ganha mais.

Voz A:É, é, é.

Samira Close:Aí todas pensadas, cadê o meu nome?

Voz C:E é caro, tá, para ver a pessoa ir lá mostrar foto do teu cu. É caro, meu amor, não é baratinho não. Exatamente, você viu lá o cu, menina. E é uma coisa, né, porque assim, até quando você tá dando, você não vê seu corpo, porque vê a pessoa. Mas você e mais duas pessoas vendo o seu cu e comentando sobre ele, gente, é um retrato da vida. Passa a sua, você vai vendo cada preguinha ali tem uma história.

Samira Close:Júri do final, tá, gente? Mas cuidado, gente, que vocês fazem vida. Porque o juízo final é disso pra baixo, tá?

Voz A:Mas, gente, sabe que tem um método de leitura que é pelo ânus, né? Que a pessoa consegue ver seu futuro, tudo certinho, pelo ânus.

Voz C:Não, isso aí já é coisa de quem vai nascer. Que história é essa?

Voz A:Existe essa leitura que a pessoa vai lá e consegue ver.

Voz C:Tem a leitura pela borra do café, essa aí é pela borra do cu, né?

Samira Close:Pela borra da bosta, né?

Voz A:Carimbo aqui. Vem aqui, vem do meu lado e carimba aqui que eu vou ler essa porra.

Samira Close:Ai, que nojo!

Voz A:Ai, tá muito baixo esse podcast de hoje, vamos aumentar o volume.

Voz C:Gente, o próximo convidado é o Gusttavo Scatti, pode entrar. Ai, meu Deus!

Voz A:A quiromancia, que a gente também acolhe, entendeu? Mas o tema do dia...

Samira Close:É a especialidade que o meu irmão quer fazer, porque tem fuga com o coelho, sabe?

Voz C:Ele quer fazer quiromancia.

Voz A:Ai, cara, eu tenho muita!

Voz C:Temos poucos médicos no Brasil Só esse.

Voz A:Na escola de bruxaria: "Ai, tarô é muito concorrido, eu vou fazer curo-mancia, que é mais garantido." Tem Hogwarts, né? A residência de curo-mancia, amiga, é muito mais de boa. O Chapéu Seletor: "Você vai fazer curo-mancia." Exato.

Samira Close:Meus pais passaram fome, meus pais sempre vieram pro retiro dos artistas porque foi botar lá lendo pódico. Não falava nada, gente. Não, trabalha, grava podcast, Jennifer. Porque só você, só você sobrou pra olhar pelos teus pais.

Voz A:Vai fazer essa porra.

Voz C:Restou pra você, meu amor. Agora você vai ter que toda semana, uma maquiagem nova. Uma mais complicada que a outra.

Samira Close:Asa drag, asa drag pra me maquiar hoje.

Voz C:Nossa Senhora.

Voz A:Vai ter que fazer vídeo de Cana Maior B. Mas o tema do episódio de hoje é: "Me Passei, Mas Levantei Questionamentos". Que é quando a gente, em determinados momentos momentos e situações a gente se passa. Mas é importante falar que a gente não se passou gratuitamente, a gente levantou algumas questões, que a gente nunca é nada à toa, nada de graça. Nunca é, nunca é, nunca é, gente. Carol Conká ensinou isso pra gente no BBB dela e a gente vai passar aqui. Então assim, a ideia é vocês contarem alguma situação que vocês se passaram e falar a questão que vocês levantaram ali, trouxeram, botaram luz naquele tópico o que sempre geralmente é sensível, gente. Alguém quer começar?

Voz C:Quando eu morava na favela. Ai, meu Deus, quando era pobrinha, quando era pobrinha. Tá muito riquíssima hoje, né? Mas enfim, hoje eu tava vendo um negócio de fazer seguro de vida para tentar me aposentar.

Samira Close:A previdência privada.

Voz C:Previdência privada, porque, meu amor, eu vou ficar botando drag na peruca, na cabeça, já não tô colocando hoje em dia maquiagem. Eu boto óculos Colo uma peruca na cabeça e vou pro lugar gravar. Eu tenho um pico de paciência de sair de drag no meio da rua. Ai, atuar, qual é o abuso já? Não, eu gosto de fazer drag, mas já faz mais de 10 anos, né? Eu fico chocada com a galera que faz, tipo, há 30, 40 anos. É muita força de vontade, viu? É muito babado, meus parabéns, porque eu não consigo.

Samira Close:A própria Mary B, né? Porque ela, pra se montar, ela demora umas 2 horas. Eu fico pensando, porque ela nunca aparece com a cara limpa. Ela não tem o privilégio de Samira, de ousar acordar e falar: "Vou gravar o podcast assim." Todo lugar que ela vai, ela tem que estar montada. Eu não ia aguentar, eu não ia ter essa força. Gente, não ia.

Voz A:Eu ia ficar em casa, eu ia ficar depressiva em casa, não ia mais sair.

Voz C:Uma hora eu ia falar: eu gosto de me montar, mas eu gosto de montar para coisas específicas que me dão vontade de me montar. Tipo, nesse evento aqui eu quero estar montada, mas quando eu não quero ir montado, eu simplesmente não vou.

Voz A:Period.

Voz C:Aí eu vi, a bicha me mandou um vídeo, eu nem respondi, né, que eu faço sonsa. Mas é um bicho, mandou um vídeo falando assim, ai, que uma drag americana, ela tava falando para Bob, a Bob the Drag Queen, falando que ela não gosta que algumas drags depois que ficam famosas para de se montar porque são famosas demais. Meu amor, se chama preguiça. Estou com preguiça, 11 horas da manhã, fui dormir ontem mais de madrugada fazendo live, vou botar peruca na cabeça aqui não, porra.

Voz A:E dá trabalho, eu não vou nem fazer.

Voz C:É, eu vou entrar no grupo, eu vou acompanhar!

Voz A:E dizem que começa assim, desacuendar. A drag acuenda tudo bonitinho, fica ali uns 5 anos. Aí depois começa a desacuendar. "Ai, não vou acuendar não, vou dar trabalho." As drag box já são desacuendadas. Elas são desacuendadas, faz volume nos vestidos delas.

Samira Close:Então já tá, ó, já tá maravilhosa.

Voz C:Fica só a perninha do bebê marcando ali embaixo. Meu, tá saindo uma merda, tá saindo uma merda!

Voz A:Aquele da Pabllo assim: "Que volume é esse?" Uma criança perguntando que volume é esse.

Voz C:Não, mas fazer drag, de verdade, agora falando sério mesmo, fazer drag é uma coisa que é muito legal, é muito divertido, mas é muito cansativo também. Pra mim que não faço, por exemplo, que eu não faço montação pra ir pra um show e tal, que requer muito mais, aí mais cansativo ainda. É que no meu caso, por exemplo, eu me montei muitos anos para trabalhar em casa. Então você vê, o pessoal fala: "Ah, Pablo, a Pablo não se monta todo dia, não é todo dia que ela vai comprar um pão de drag queen", né? Então tipo assim, eu faço live todo dia praticamente. Então tipo, não tem como, chega uma hora que você fica exausta e a cara fica toda espatifada de tanto fazer maquiagem.

Voz A:Mas enfim, é, vamos lá. Tem que falar isso, que também a peruca, porque as gays são muito críticas. O que mais tem de gay que não manja nada do universo drag, mas que é super crítica, você acha assim?

Samira Close:Mulheres héteros também.

Voz C:Mulheres héteros também. Por isso que a Ana Mero que tá certa. Inclusive, eu acho que ela tá revolucionando, ela tá criando um movimento das feias, de tipo assim: vamos ser bem horrorosa mesmo. Porque se a gente aparecer bonita, é: "Ai, que luxo!" Mas se você já aparecer feia, já é esperado. Então qualquer coisa que você bota na cabeça vai dar certo. Eu acho esse movimento totalmente anti... Sistema, anarquismo total, amiga.

Samira Close:E ser feia é um statement, você vira uma bandeira.

Voz A:A Alexandra já falou isso lá atrás, gente, pelo amor de Deus.

Samira Close:Exato, me deu direito. A Maíra Medeiros fala direto, ela fala: eu sou feia e essa é minha bandeira, entendeu? Ela afirma: sou feia.

Voz A:E tem gente que fala que gente feia— ai, você é feio, você não pode falar que fulano feio. O feio tem local de fala, meu amor. Pode falar assim, pode. É o que mais pode falar, na verdade, que a pessoa é feia, porque ele tem local de fala, entendeu?

Samira Close:Bonito, se ele tá falando que o outro é feio, ele tá como é que oprimindo. Agora o feio só tá enxergando outro igual.

Voz A:Exato.

Voz C:Tá falando: vem comigo, estamos juntos, estamos juntos, você parece comigo, eu gosto de você.

Voz A:O a face sua é tipo minha face parece com a sua, então somos, entendeu? Gente, vem daí! O a face sua é isso.

Voz C:Você tem esse direito de ser feia assim, seja feia, não precisa ser perto de mim, mas se for gata também, mas se for você é feia, é feio.

Voz A:A tia Xanda já me ensinou, já me liberou, e tô super contente, tô super à vontade com isso, gente. Então olha, eu vou começar com uma história minha. Começa, enquanto isso eu vou pensar umas Eu já tive, mas eu quero falar que é um local aqui de acolhimento também, né, gente. Esse daqui faz tempo. Mas eu acho que vocês já sentiram. Vocês já sentiram ciúmes de ficante?

Samira Close:Já? Lógico!

Voz A:Normal, né. Até aí, normal. Estamos na mesma página, feiçoadas aqui.

Voz C:Não demonstrei, porque eu acho que é outro lugar. Mas senti.

Voz A:Eu demonstrei! Minha história é essa. Então assim, eu estava ficando com uma pessoa. E eu estava num show, inclusive, da Karol Conká. Que é quem criou essa pauta. E aí eu estava lá com ele, eu estava ficando, não podia fazer nada. E tem aquele momento que se você vai para uma balada com uma pessoa que você está ficando, outras pessoas podem chegar nela e você não tem controle.

Voz C:Preciso falar que tá na minha mente aquela música da Karol, já que é pagona. Já tá, a Jane postou no Twitter que tava burrona.

Samira Close:Sabia, eu forcei tanto, não aconteceu, não aconteceu, mas não foi por falta de eu bater a perna.

Voz A:Você tentou, amiga, você tentou.

Voz C:Desculpa, tava na minha cabeça, precisava sair.

Voz A:Os memes da internet falou: "Parem, quando vocês deixaram o Gunnar morrer", entendeu? Não foi mesmo, gente.

Samira Close:E eu aqui, ó, porque eu lutei, eu lutei.

Voz A:Linha de frente, amiga, você foi. E aí eu estava lá e chegou uma bicha, Luque, então hoje é seu marido. E aí a bicha chegou e começou a dar em cima dele. E aí, nesse momento que você está sofrendo, você entrega para Deus, você começa a orar na sua cabeça e fala assim: Deus, se ele beijar na minha frente, eu não posso fazer nada. Você só fica assim: Senhor amado, Senhor, Senhor, por favor, que esse homem não me humilhe mais. Senhor, leva, Senhor, que Eu faço um incêndio aqui agora, mato todo mundo, mas que ele não fique com alguém na minha frente, porque eu amo ele. E aí eu estava lá, e aí ele falou assim: não, eu tô de boa. Aí a bicha insistiu. Aí a bicha falou assim: ai, não, é que você não tá entendendo, não sou eu, é meu amigo. Aí ele disse, reforçou: não, é tudo bem, mas eu tô com ele. Aí ele, a bicha virou e falou: não, mas você não está entendendo, meu amigo é muito bonito.

Voz C:Ou seja, Você tava segurando a bandeira das feias.

Voz A:É, ele me chamou de feia na minha cara. E aí, eu que cresci infância periférica, tutor de cachorro braquicefálico idoso. Na época eu não era idoso, né, mas eu, tutor de cachorro braquicefálico periférico de Diadema, Terminal Piraporinha, escola pública, vida inteira.

Samira Close:O outsider no meio da capricho, né, o caipira da capricho.

Voz A:O caipira da capricho, o pobre da capricho. Bicho, entendeu? Que tentou fazer CE, não conseguiu passar nem no CE, porque não tinha várias questões ali. Eu tinha várias bandeiras levantadas comigo, entendeu? Escoliose, dor de dorso, tinha lugar construir barraco, não tinha computador em casa, ia no projeto navegar para poder ficar cronicamente online e me informar. Tinha CadÚnico, entendeu?

Samira Close:Entendeu?

Voz C:Desgraçado, desgraçado!

Voz A:Eu ali, diante de todos esses meus recortes, tive que me impor. E aí eu fui para cima da bicha, passei por aí na escola. Eu já ensinei isso aqui, gente, como brigar. Empurra, quando a pessoa volta para não cair, você dá um soco, que a pessoa tá dando impacto, seu mu, e o impacto da pessoa voltar triplica a força do soco. E aí meu, então na época ficante, que hoje é meu marido, começou a me segurar e tal, não sei. Enfim, gente, me Passei, me passei. Porque começou a vir gente, começou a vir questão de segurança. Eu passei vergonha, demonstrei que eu estava com ciúmes. Demonstrei que eu estava com ciúmes de ficante, que eu era possessivo. Me passei, me passei mesmo, gente.

Samira Close:Mas casou.

Voz A:Mas casei. Então assim, mas eu levantei questões muito importantes ali. Que se alguém te chama de feio, você tem o direito de bater. Se alguém te chama de feio, a pessoa não sabe da sua história, do seu background.

Voz C:Tem que cair no cacete com essa puta vagabunda.

Voz A:Gente, eu sou contra a violência.

Samira Close:Tá, e tipo, ah, tá me achando feio agora? Beleza, imagina antes, entendeu?

Voz A:Aqui, aqui eu tô muito melhor do que eu já era antes. Hoje eu saí de casa pela primeira vez em tempos e me achei bonito para você vir aqui me humilhar. Então assim, eu levantei uma questão muito importante que é justamente do impor da pessoa feia, periférica, sendo gay, LGBT, afeminado, que usava óculos mas não tinha dinheiro para comprar lentes e ficava sem óculos na balada. Então nem sabia com quem tava brigando direito.

Voz C:De fazer uma pergunta, é a bicha, né, que é o seu esposo hoje, ele falou para outra bicha que tava com você, que tava acompanhado?

Voz A:Falou, você não precisa.

Voz C:Então eu acho, então eu acho, mulher, assim, do meu ponto de vista, eu acho que aí não era nem sobre se passar de porque você demonstrou ciúme era colocar alguém no lugar dele, sabe?

Voz A:Não, me passei, né?

Voz C:Porque tipo assim, tudo bem, uma coisa é a pessoa não saber, né? Porque por exemplo, às vezes eu vou, boyzinho fala que menina do Instagram deu em cima dele, ai, já quero ir mamar, quero engolir teu cacete, eu já mando logo, ó. Tem que ser elegante, eu já vou, não sei o quê. Ai, não sei o quê, Caca, amo você, tudo pra mim, mas não tem nada a ver. Aí eu já falo pra pessoa, ai, você é um gatinho, não sei o quê, não sei Não sei o quê, te achei, te vi, te achei muito lindo, você é solteiro? Aí a pessoa fala: Oi, meu amor, muito obrigado, mas eu namoro. Aí eu já falo: Tá, eu tô resguardado pela dúvida, eu não sabia. Aí eu peço perdão, meu amor, peço perdão, realmente não sabia. Aí geralmente a pessoa fala: Imagina, não tem problema nenhum, que de fato eu não sabia. Mas nesse caso, a pessoa chegar e falar: Ai, tem um amigo meu que eu quero te apresentar ali no rolê. E a pessoa falar: Não, muito obrigado, eu tô acompanhado. E ainda assim a bicha insistir, aí ela já é muito cretina, né? Muito desaforada, tem que levar um cacete gente mesmo.

Samira Close:Se fosse tão bonito assim, o amigo dele, ele mesmo tinha vindo. Exato, tava se gigolando em show de Karol Conká, meu amor.

Voz C:Exato, exato.

Samira Close:Que nojo dessa história aí!

Voz A:Jamais! Jamais, gente, jamais, jamais. E era porque pro meu marido humilhar ele, ele não humilhou meu ficante. Era pra ele ficar lá, tipo assim, humilhar, xingar. Mas eu já avancei pra cima também, me passei, que eu sou contra violência.

Voz C:Mas talvez a bicha, teu marido se apaixonou por ti por essa atitude.

Voz A:Eu não acho que é, me destaquei. Que fica, sabe, de cadeia.

Voz C:É isso. Se você tivesse ficado lá quietinho, ah, não sei o quê, ah, isso mesmo, talvez ele falasse assim: "Ai, essa bicha aqui não tem personalidade." Ele era um tapa na minha cara e o homem na minha frente. Nossa, olha aí, viu, gente.

Samira Close:Às vezes eu vou ler aqui. E o que o seu marido sentiu quando você tipo foi frágil, mas foi forte? Ela é um filme de ação com vários sinais. Ela é política aplicada e conversas banais. Se ela tiver muita fim, seja eficaz. Ela não vai deixar claro, então entenda os sinais. Meu amor, você foi uma contradição. E quem não se apaixona por uma complexidade? Base, por alguém que é frágil.

Voz A:Mas meu amor, é uma guerreira do K-pop, inclusive teve, vocês me lembraram de outro momento que eu me passei com meu marido, que ele viu que eu não era frágil. Uma vez a gente tava jogando em casa e eu tenho um problema que eu gosto de jogar para me divertir com os meus amigos, mas se eu tô jogando com pessoas que não estão se importando da mesma maneira que eu, que eu odeio perder, eu começo a ficar irritado. Então tipo assim, o jogo que é para ser prazeroso mimoso, começa a me irritar. Então assim, eu não gosto. Então quando eu tô ali, gente, a regra do jogo é essa e tal, não sei o quê, o povo tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, já me dá raiva, já não quero jogar, já fico puto. Eu sou competitivo. E aí a gente tava lá, eu tava sendo muito humilhado no jogo, gente, perdendo toda hora. E eu que tinha comprado o jogo, pior ainda. E aí chegou o momento que meu celular antigo, 5S, iPhone 5S, gente, eu comecei a namorar nessa época, 5S, tava já todo fodido, tela quebrada e tal, o carregador não tava funcionando. Então eu ia lá e tipo assim, tentava pegar, tava com uma O carregador tava com fissura, tava funcionando. Tinha que levar na Proto, na própria Proto Place. E aí, na hora que eu tava lá tentando colocar, tava lá meia hora, tava acabando a bateria, desligando e ligando e ligando. Eu peguei meu celular, joguei no chão, bati tá tá tá tá tá tá tá tá, e joguei pela janela do então segundo andar.

Voz C:Mulher, mas aí já é um ataque de nervosismo, né?

Voz A:Me passei, me passei.

Voz C:Bem, aí já, a gente já passou.

Voz A:Mas eu quis levantar uma questão muito importante, que é do consumo. Consumo. Vocês vivem sem celular? Quem nunca pensou em tacar o celular na parede? Quem tem essa possibilidade? Eu tenho um carcaço de celular até hoje, querem ver?

Voz C:Manda, traz aí, cadê? É, já que tá se passando aí, né, já que tá se passando com provas agora. Eu não, meu amor, é muito caro para ficar jogando pela parede, não dá certo não.

Samira Close:Não, ele era isso, a Mira, era um fodido, veio do nada, veio do lixo jogando iPhone. Fone. Por isso que, olha, por isso que não dá para ter nada, Samira.

Voz C:Por isso que não dá para dar nada para gente assim, falo mesmo. Tem que usar o Nokia tijolão, que quando já jogar pela janela, fica uma bomba igual uma bomba na rua.

Samira Close:Bom, exato. Tava cagando em pote de delícia há 2 anos atrás, agora acha que pode ficar jogando celular.

Voz A:Olha aí, tá focando, tá focando.

Samira Close:Parabéns, parabéns para você.

Voz C:Nossa, você é louca mesmo, né? Cuidado com ela.

Samira Close:Ai, vou ter que gravar de capacete.

Voz C:Ela é perigosa mesmo, tá?

Voz A:Gente, mas é que ela vai fazer isso? Não, gente, não. Eu levantei uma questão muito importante que é do consumo, o vício digital, as compulsões digitais como estão hoje em dia. Os filhos do Elon Musk, os filhos do cara do Facebook, de todos esses lugares, não usam redes sociais, que eles não deixam, que sabe que é viciante. Então foi um protesto. Eu levantei uma questão ali de que é possível você quebrar seu celular agora, gente, ouvinte, quebra agora para você ver como que você se sente.

Voz C:Só não esquece de assinar aqui, ó, depois você quebra, depois você quebra, depois você faz o que você quiser, vai te lascar, esmegalhaça.

Samira Close:Mas tá aí o apoio dado, né? Oi, Y. E eu jogo, eu também tenho questões do tipo, eu não gosto de perder porque daí eu vou sair cedo do jogo, eu vou ficar outro se divertindo, eu vou ver outro assim, eu vou me sentir mal. Eu tinha aquilo, eu era garotinha meio gorda, né? Volta, gatilhos, eu não quero ser excluída novamente.

Voz C:Então o dedinho pequeno segurando o controle assim, parece assim, né?

Samira Close:As linguiças, sabe?

Voz C:Volta aqui, meus amigos.

Samira Close:Eu tenho motivos para ser esse monstro que Me emocionei. Então, quando eu tinha uns 19 anos, minha mãe comprou um banco imobiliário e a gente tava jogando em família. Meu irmão tinha uns 9 anos e minha tia, né, que para mim era um baluarte de inteligência, de maturidade, ela começou a me destroçar no jogo, sabe? Eu caía nas casinhas dela. Eu criança, 19 anos, gente, as crianças do Amigo, aí eu caía nos lugares dela, eu tendo que pagar o aluguel inteiro.

Voz A:Eu não tava acostumada.

Samira Close:Meu Deus, eu não tava acostumada com gente que segue as regras assim, fica destruindo parente. Então comecei a chorar com 20 anos jogando Banco Imobiliário na frente da minha família, porque eu pensei: por que minha tia está me massacrando? Eu não entendi aquilo.

Voz C:Não tem rede de apoio, não tinha rede de apoio.

Samira Close:Eu falei: por que que ela quer que eu saia cedo do jogo? Eu só quero me divertir com eles aqui, dar risada, vou ficar olhando de fora. E eu chorei, tá? E daí o meu irmão, ela começou a massacrar meu irmão também, que tinha 9 anos. E daí meu irmão pegava os dados com a mão mole assim, em protesto, e jogava assim, pá. E daí caía tudo no chão, os dados, porque ele fazia mão de golo. Aí pode ser se passado, pode, mas por que para uma mulher de 60 anos era tão importante as regras e eu pagar o aluguel inteiro de dinheiro de mentira para buscar freire?

Voz C:Talvez ela Ela tava protestando, por exemplo, que ela não tinha casa própria. Ela tinha casa própria?

Samira Close:Tinha duas!

Voz C:Ah, então é... Você tava protestando... Então, aí é uma questão mais do mercado imobiliário.

Voz A:Especulação. Você levantou uma questão muito importante, que é da especulação imobiliária.

Voz C:Minha casa, minha vida.

Samira Close:E a gente, triplicação. Porque, veja, né, tia velha com duas casas, eu e meu irmão crianças chorando sem teto. E ela arrancando tudo.

Voz A:Tirando tudo! Você entendeu como que é ser locatária? Amiga, você levantou uma questão muito importante. Que sua família ignorou, que são os locatários.

Voz C:Como o áudio dela tá subindo durante a pandemia, acha que tem um teto, mas a verdade a gente tá na rua.

Samira Close:Exatamente, amigo. Amigo, a hora que o Kito andar e falar: "Jenny, não existo, para onde eu vou?" Ah, meu amor, vou lá para o estúdio para variar, botar o fogãozinho ali. Eu no camarim 2 da Dia TV lá, que é o maiorzinho, que é o que dá para dormir.

Voz C:É lá que eu vou ficar.

Samira Close:Entendeu? E olha se o Rafa Dias falou alguma coisa, aí estou chorando, estou sem teto, o Rafa Dias me jogou na rua, na chuva.

Voz A:Não foi aqui, né? Foi o Rafa Dias, entendeu? Porque eu acho que você levantou uma questão muito importante, amiga. Levantou, se passou chorar no Banco Imobiliário, se passou. Mas você levantou questões importantíssimas e que são assim estruturais da sociedade.

Voz C:Olha, eu Eu vou trazer uma questão assim bem difícil. Quando eu morava na— a questão é a seguinte: jogava videogame todo fodido e jogava o celular pela janela. Eu também sempre fui uma criança muito carente. Eu passei pelo abandono paterno, aquela coisa toda. Hoje eu entendo muito isso na terapia. Eu amo quando a pessoa fala Eu entendo muito essas questões, várias questões. Olha, nordestina, pobre, eu nasci já com os dentes, problema nos ossos, tive que tomar ferroso, os dentes caíram. Minha mãe gavete com sal, que não tinha o que comer, bebia água do pote quente. Se eu começar a contar as mazelas aqui, o podcast vai ser até amanhã.

Voz A:Mas enfim, aí você pode fazer o que você quiser, você tem a liberdade de fazer o que você quiser.

Voz C:No pote de clay bowl, seu parente quis, Samira, você pode colocar na geladeira para virar sorvete, era uma coisa maravilhosa. Maravilhosa sobremesa.

Samira Close:É o que tinha.

Voz C:E aí, quando eu nunca tive também uma vida sexual ativa, porque eu vim aqui para São Paulo com mais ou menos 19, 20 anos, e aí eu só trabalhando com a peruca na cabeça, meu amor. Pessoal tem até medo de chegar perto de você, não sei, nesse morde. E aí não tive muita vida sexual e tal. E aí eu também não baixava aplicativo, porque aplicativo tipo de sexo, porque primeiro que quando eu fiquei, comecei a ficar um pouco mais conhecida, as bichas já vinha: mãezinha, mamãe, ai madre. Aí eu falei, gente, como Eu não vou trepar com uma pessoa que me chama de Madrid, mano, não tem condição.

Samira Close:Que é como se chama uma freira, que é o basúrbio do Senhor. Você transaria com uma freira? Nem pode, né?

Voz C:Nem pode. Aí eu falei, aí fiquei fora, né? Parei com isso. Só que aí de vez em quando surgia alguém para a gente transar. No aplicativo? Não, às vezes no Instagram, do Instagram e tal. Aí o que que acontece? Como era muito difícil receber alguém para transar em casa em casa. Quando marcava com a pessoa, gente, eu faxinava a casa com escova de dente. Eu deixava assim, eu deixava a casa um brinco assim, tudo muito cheiroso, muito perfumado. Comprava vela aromática, comprava vinho, fazia um jantar assim, comprava um jantar para deixar ali se a pessoa quisesse. Isso para ela vir para minha casa só transar, gente. Eu juro, parecia que eu tava assim, vou receber ela no hotel. Aí a pessoa—

Samira Close:será que as pessoas não te achavam otária, sabia? Porque é gente que já corre, que transa em cima de caçamba normal.

Voz C:Então, exato. Aí a pessoa vem e tal, aquela coisa. Aí eu gostava da alíquota, muito carente, né, queria ter alguém ali, não necessariamente namorasse, mas pelo menos fosse um PA, sabe, aquele pause.

Voz A:Mas é mais seguro também, gente, ficar pensando em gente nova é perigoso, né, se expõe.

Voz C:E aí o que acontecia, geralmente a pessoa Aí eu falava, gente, mas eu fiz tudo tão maravilhoso.

Voz A:Aí as minhas amigas falaram para mim, nossa, meu trivago não tá valiando meu local.

Voz C:Então, gente, meu Airbnb tá tão luxo, não tô entendendo. Eu ofereci até um Play 5 para ele jogar ali no sofá com meus gatos, galera. Tinha balinha por tudo quanto é lugar, pétalas de rosa no caminho até a cama.

Voz A:É, nossa, tem que ter uma avaliação do local.

Voz C:Eu juro para você, trocar colocava aquele cheiro de coxa de cama. Meu quarto ficava com cheiro da minha avó.

Samira Close:Aquele monte de almofada assim, vocês iam transar e, ó, almofadas, almofadas.

Voz C:E aí no final, na última almofada, era aquele coração com os bracinhos assim, te amo. E com chocolate de geladeira em cima, te amo. E a toalha no formato de ganso assim, ó.

Voz A:Gente, a hospitalidade, o cuidado. "Existe afeto em SP, tá vendo?" Então, eu fazia.

Voz C:Mas aí a minha amiga falou assim: "Amiga, mas aí é que tá o erro. Isso assusta. As pessoas não estão acostumadas com esse tipo de coisa." Então, tipo assim, eu falei, aí eu pensei entre várias questões, né. Primeiro, as pessoas não estão acostumadas a serem tratadas bem. Ou as pessoas já se acostumaram a não tratar as outras pessoas bem?

Samira Close:As duas coisas, Rosamira. É porque essa geração aí, a nossa e a que tá chegando gostando, eles acham cafona você dar carinho, você, você ser desejado. Você vê todo dia no Twitter alguém posta um print de um xaveco como se fosse a coisa mais nojenta do mundo, e é só uma pessoa chegando nela. Aí eu só penso assim: vocês vão morrer solteiro, e se alguém quiser vocês, vai ser uma pessoa que trata vocês que nem lixo. Porque é isso que vocês estão buscando, a pessoa toda garantidinha, toda fofinha, entendeu? Parecendo chocolate com pimenta, e vocês tirando para merda.

Voz C:Nossa, mas eu concordo, é isso, porque tipo assim, parece quanto mais indiferente você for, quanto mais aquela coisa de tipo assim, chegou, mamou, leitou, chutou para fora. Tipo, nada contra quem gosta assim. É, então, mas parece que se você não fizer assim, você, nossa, mas que emocionada, que carente, que cafona. Eu adoraria chegar na casa de uma pessoa e saber que ela pensou em tudo para me receber.

Samira Close:Eu acho o máximo.

Voz A:Eu também acho, eu sou total desse time, porque Eu acho que por não ser algo, por ser algo casual, não significa que precisa ser impessoal. Porque tem gente que não pergunta. Uma vez eu fui na casa de um cara e, gente, eu preciso saber o nome, pelo menos a idade, pelo menos que ela faz alguma coisa dessa pessoa para eu ter interesse em transar. Não importa que ele é bonito, que ela é gostosa, que eu conheci no Guarani. Eu preciso conversar, uma troca básica que seja.

Samira Close:E você é publicitário, você quer saber a persona dele.

Voz A:E eu fazia crônicas por conta ali, eu precisava saber, né, da pessoa para poder criar ali pessoa, né? E assim, eu acho que as pessoas estão assustadas com isso. Assim, por exemplo, eu não consigo tomar, mesmo hoje quando a gente chama uma marmita para casa, eu não consigo beijar porque eu acho que é uma situação estranha. Está na minha casa, eu e meu marido, uma pessoa. Eu já cheguei, eu não sei se a pessoa tá à vontade, que também é uma situação que na minha cabeça, por mais que ela veio, tenha vindo, a gente trocou foto, deu com nude, eu sei que ela quer, eu não consigo chegar já beijando, porque eu acho que pode ser uma situação que são dois homens e uma pessoa. Eu acho estranho, então eu quero que a pessoa também fique à vontade, faça o que quiser. E nisso eu queria que vocês tivessem essa atmosfera.

Samira Close:Às vezes a gente na foto, pô, senti atraída, aí vai pessoalmente, não gosta da voz ou não gosta de alguma coisa, a gente não gosta tanto. Então tipo, vou ser respeitoso, entendeu? Porque vai chegar beijando, você não sabe a vibe que a pessoa tá, né?

Voz C:É.

Voz A:E aí a bicha meio que deu uma reclamada, falou assim, ai, quando que vai beijar e tal, não sei o quê, deu uma Eu acho importante só falar, por exemplo.

Voz C:Digamos que... Aqui eu tô apertando calorelay, tá? Calorelay ativa, 25 cm.

Samira Close:Eu não sei o que tá rolando, porque a Lorelay é uma excelente corrente.

Voz C:Ai, que delícia! Ai, que não sei o quê! Ai, que maravilhoso! Ai, vem aqui que a gente vai fazer um lero-lero. Beleza, eu chego na casa dela. Eu... Ah, pelo que eu estou vendo aqui, eu acho que tá tudo certo.

Voz A:Vou lá, chego.

Voz C:Se quando eu chegar lá ela não gostar, não tem como eu saber, ela tem que falar. Então tipo assim, exato, tem que falar. Porque por exemplo, tá, se tá tudo certo, uma delícia, cheguei lá, vou beijar a pessoa e tal. Se ela não falar, não vai ter como eu saber, entendeu? Porque às vezes pode rolar isso também, de tipo assim, por exemplo, de você— é, já aconteceu comigo. Tipo, por exemplo, troquei nude com a pessoa, falamos que delícia, maravilha, nossa, adorei, não sei o quê, não sei o quê. Cheguei lá, e aí quando eu cheguei lá, começamos conversar, e aí eu eu já estava, né, pelo que eu já tinha tido ali, eu já tava com aquela coisa tipo assim, eu acho que tá tudo certo, eu acho que a gente já deixou tudo claro que é para que a gente vai rolar isso. Aí a pessoa falou, quando eu fui beijar, a pessoa falou, ah, então pera aí, vamos com calma e tal. Mas eu fiquei até mal porque tipo assim, eu não sabia assim, sabe? Eu achava que tava tudo bem, mas não tem problema também. Mas é que eu sou uma pessoa que eu gosto tudo muito esclarecido, sabe?

Voz A:E eu acho que as pessoas não estão claras. Para mim, ou a pessoa é muito exageradamente clara, que também Ela já começa a criar até uns cenários ali que não existem. Ou ela se precipita muito, ou ela não é. Porque esses dias eu tava conversando com uma amiga, e ela: "Ai, tô gostando desse cara". E aí ela tava no Instagram vendo stories, passou e viu dele com, sei lá, 27 segundos. E ela ficou mal! Ela: "Ai, vi muito cedo". "Ai, vi muito cedo".

Voz C:"Ai, não devia ter visto".

Samira Close:Ela ficou muito puta!

Voz A:Aí eu falei assim: "Mas você tá afim dele e tal, não sei o quê". "Não, ai, que vergonha". "Ah, ele vai achar que eu tô obcecada". Não sei o quê. Ai, mas você não dá like em todos os conteúdos dele? Ah não, tem uns que eu não dou, tem só eu que eu não— tipo, é tudo muito estranho assim, tem que demonstrar, mas não muito, amigo.

Samira Close:Mas tipo, mulher heterossexual, entendeu? Elas que não pode parecer emocionada mesmo, senão o homem, meu amor, ele aí que ele corre mesmo.

Voz A:O lobo é o homem do homem, né?

Voz C:Eu ia falar que tipo assim, eu acho que o que acontece também muito é que eu acho que hoje em dia a gente vive muito no celular, no celular. E aí, por exemplo, no celular você é muito mais babadeira, mais fogosa, muito mais atriz pornô. Ai, quando você chegar aqui, a gente vai transar em cima do fogão, meu amor, a gente vai transar ligado, vai estar ligado, vai ser um sexo com piromania, mas assim, sei lá como chama, pirotecnia, vai ser uma coisa maravilhosa e tal. Então aqui é muito, só que quando você chega, você ainda tá conhecendo conhecendo a pessoa. Porque uma coisa é você conhecer a pessoa pelo internet, aqui, né, no celular. Que aí, antes de você— porque, por exemplo, quando você tá falando, muitas vezes— eu acho que alguém me falou isso, acho que foi agora quando eu fui em Fortaleza. A gente, quando a gente conversa pela internet, a gente pensa antes de mandar a mensagem. Geralmente, quando a gente tá falando, a gente pode até pensar antes de falar, mas é muito mais rápido. Então, tipo assim, aqui na mensagem você fala pra pessoa algo que, tipo assim, nossa, se eu falar isso ela vai ficar com tesão, né, vai ficar deliciosa, ela vai Onde ela vai estar e tudo. Mas quando chega, uma vez eu cheguei, aconteceu isso comigo, tá? Uma vez eu cheguei pro cara falando: não, eu aqui em casa a gente vai transar na sacada, vamos transar na lavanderia, vamos sair com a live ligada, você vai sentar aqui, eu vou estar aí, joga, joga, joga, vai ser uma coisa babado. Quando ele chegou aqui, aí eu dei o pé, ofereci uma água, queria lanchar alguma coisa, aí eu coloquei os filmes do Studio Ghibli, sentei no sofá, a gente fui assistir. Aí depois ele falou assim para mim: você é muito diferente pessoalmente.

Samira Close:Você não me comeu na live, eu fico vendo o Totoro, meu amigo Totoro.

Voz C:Falei: ué, não entendi muito bem. Então falei: esperava conhecer bichinho e rir?

Samira Close:Totoro?

Voz A:Não entendi. Ai, o túmulo dos vagalumes, que isso! Mas eu acho que a gente se passa isso também. Na hora da putaria eu me passava muito por mensagem. Ai, não sei o quê, que é isso, é isso, não sei o quê. E eu acho que chega na hora...

Voz C:Ah, é, você quer, então. Porque como eu falo, é muito mais fácil você escrever do que fazer de fato, né. Então, por exemplo, de você falar que... Ai, sei lá, vou ali na sua casa com o seu marido, vamos fazer DP. Ai, que delícia! Fazer DP, meu amor, o cu vai ficar largão! Você fala, fala, fala. Mas é isso, tipo assim, o tete a tete, o pessoal, ele é muito mais difícil, né? Porque você tá olhando pra outra pessoa, você tá lidando com a outra pessoa. E aí, tipo, não tem uma tela de celular pra esconder tuas inseguranças. Com teu corpo, com teu rosto, com... Enfim, várias questões.

Voz A:E tem uma química que é do agora, do real. Que é tipo assim, quando você senta com a pessoa, vocês sentam, tipo assim, é muito bizarro. No real, quando alguém vai pra sua casa ou você vai pra casa da pessoa. No meu caso, assim, quando vem pra casa, onde a pessoa senta e onde eu sento é uma coisa muito bizarra. Porque às vezes a pessoa senta onde eu costumo sentar e aí eu fico meio procurando um lugar. Aí eu acho que é uma coisa muito diferente, assim, da química da internet pra química real, gente. É uma coisa que é muito bizarra. E por isso que eu acho que é interessante esperar. E aí eu acho que tem pessoas que ou querem fazer essa coisa muito automática porque acham que é igual nas redes, que acham que o digital é a mesma coisa, não consegue iniciar, enquanto outras têm essa coisa que não tem um toque mais, um tato melhor.

Voz C:É, uma vez cheguei, chamei um bofe no outro apartamento que eu morava, acho que tem uns 5, 6 anos. Eu chamei um bofe para casa, era uma das primeiras pessoas que eu, que eu também tinha muito medo de usar grinder por causa de questão de assassinato, né? Tem muita gente louca pelo mundo, então ficava muito assustado, muito com medo. E aí eu não chamava de forma nenhuma, mas aí numa madrugada eu tomei coragem, chamei um cara, ele chegou lá em casa. Aí ele entrou, eu ofereci um copo d'água, perguntei se ele queria vinho, não sei o quê, não sei o quê. Sentei no sofá, ele só no sofá. Aí comecei a conversar com ele, onde ele morava, a idade. Ele olhou para mim e falou assim: mas tu me chamou para cá para ficar conversando ou para trepar? Nem 5 minutos que ele tinha entrado na minha casa. Eu falei: não, a gente pode transar, mas eu queria conversar um pouquinho antes, né?

Voz A:Não sei o quê. Estranho, já cruzei com gente desse jeito, é muito assustador para mim, tipo, gente Gente, é muito para mim também. Eu sou, eu realmente sou essa pessoa cafona, eu realmente sou essa pessoa que não acha que é uma conversa que você não ia ficar uma hora conversando, mas assim, é uma conversa para a gente saber com quem eu estou transando. É uma coisa que parece que é bizarro, tá ouvindo, tá?

Voz C:Traz um pote para a gente depois ver como é que tá.

Voz A:Eu acho que vai passar, hein? "Ah, amiga, bota na balancinha. Não passa esquentas não, que eles humilham." "Ai, tem até a tampa?" Não era até a tampa não, minha filha. Tem o marcador. Até a boca. Passa uma faca.

Voz C:E aí, enfim, mas aí é isso. Tipo assim, eu já tentei não ser essa pessoa. Tipo assim, ser essa pessoa mais putona. "Ai, que você é prostituta mesmo, você é a Lilith, você é a mãe da prostituição." Você é uma coisa assim...

Samira Close:A Salomé, a Salomé.

Voz C:"Mas não consigo, não consigo." Quando a pessoa chega aqui, tipo... Às vezes eu fico pensando assim, né. Cara, a pessoa tirou a roupa dela, ficou deitada pelada comigo. A gente transou, sabe? Orifícios anais, a gente se beijou, a gente se abraçou. Tipo, é muita intimidade pra não dar um pouquinho de carinho pra essa pessoa, sabe?

Voz A:Não é? Eu sou extinto.

Voz C:Eu acho. E não preciso amar ela, não preciso querer ela amanhã na minha casa. "Não, mas assim, um pouco de cuidado, perguntar se tá tudo bem, se ela quer alguma coisa, se ela quer tomar um banho, separar uma toalha pra quando ela precisar ter". Sei lá, essas coisas assim que eu acho básicas, sabe?

Voz A:Uma vez eu fui pra casa de uma bicha, e aí eu peguei e falei... Foi uma que eu me passei na putaria também. Que, gente, na putaria... Gente, eu me passo às vezes na putaria.

Samira Close:Ah, você é escritor, né, meu amor? Você é...

Voz A:Amiga, eu sou ghostwriter, assim. Então eu fui... Eu escreveria o fanfic do Watch Party. Perto do 50 Tons de Cinza assim. Então eu fui, e aí esse cara, ele, nossa, o nome dele era Mateus, lembro até hoje, e ele só falava putaria.

Voz C:Ele é assim, não, tia, tudo dele era putaria.

Voz A:Tudo dele era putaria, tudo, tudo, tudo, tudo assim, tipo, ele nunca abaixava a guarda da putaria, tipo assim, aí tá tudo bem, tô com tesão, aí, aí, como que você tá? Aí, voltei da academia, tô tesão, tipo, é sempre isso assim. Então falava, e teve um dia que eu me passei muito na putaria, tanto que ele pegou um Uber, que na época não era Uber, na época era táxi, e ele foi até minha casa, que eu tava com local em Diadema, e ele chegou e a gente transou horrores.

Samira Close:Ele tava no tesão, amiga.

Voz A:Ai, muito fofa, catita! Esse é o Gabiru. E aí eu fui pra São Caetano outra vez encontrar vai encontrar com ele. Quando eu cheguei na casa dele, transamos e tal, e aí ele, eu vi que ele já começou a ficar inquieto, inquieto, inquieto, e ele falou assim: ai, eu tenho que, eu tenho uma festa daqui a pouco. Aí eu falei: ah, beleza. Falei assim: ah, você tem uma toalha? Ele: para quê? Aí eu queria me lavar, né?

Voz C:Eu tô assim, ó, como é que eu vou entrar no transporte público todo chacada de gala aqui no meu pau. Eu tô aqui no bucaque, eu fiz o bucaque.

Voz A:Eu admiro essas gays depósito, porque o que que elas fazem? Elas levam depósito para onde elas estão indo, elas vão no chuveiro e tiram, elas levam um pote com ela. O que que elas fazem com esse depósito?

Samira Close:Elas adoram.

Voz C:O que significa que eu vejo às vezes cocô De o que que é isso com o cold?

Samira Close:É o que o Whindersson era, que ele gostava de descer de ciclada.

Voz A:Que gosta de— essa história tem uma história bizarra que eu vi na internet, eu acho, é no Twitter isso, que uma gay saiu com um cara que ele tinha relacionamento aberto, casado, ele conheceu no Instagram e tal, não sei o quê. E aí ele estava lá com o cara transando horrores assim, tá, tá na cama, e no quarto tinha uma varanda, e aí tinha a porta de vidro, e aí ele E o marido do cara estava batendo uma na varanda, vendo os dois. Isso é cuckold? É cuckold, assim, que ele vai lá e tira a calça do cara.

Voz C:Eu pensei que era cuckold, é tipo assim, cu hold, que segura a porra no cu. Cuckold.

Samira Close:Ah, você tá fazendo dualíngua no cuckold?

Voz A:Ele segura o pau porque ele passa vontade. Tipo, você tá segurando porque ele tá passando vontade.

Voz C:Ah, gente!

Voz A:E aí, o cara tava olhando de longe, só que assim, ó... A bicha que fala: "Você é cocô de Jane?" Não.

Voz C:Você é cocô de Jane?

Voz A:Do grupo, acho que a Jane é a mais cocô.

Samira Close:Gente, não, não, essa é uma menina.

Voz C:Você fica burrona, segurando o tesão, Jane?

Voz A:Ai, tem uma coisa de hétero que eu queria perguntar pra você, que aconteceu com uma amiga minha. Essa minha amiga, eu acho que ela se passou um pouco. Mas você, como mulher hétero, pode falar.

Samira Close:Pode perguntar que eu vou responder. Você como uma voz, uma repórter embaçadora, não é? Fala comigo, me manda, me manda.

Voz A:Uma amiga minha, ela é casada há uns 4 anos, e aí ela ligou para mim chorando porque eu fui padrinho de casamento. E aí ela assim, ai, tô pensando em separar. Eu falei, mas o que aconteceu? Ela, ah, eu acho que ele tá me traindo. Mas você pegou? E ela assim, ai não, mas eu vi que ele estava num um grupo de WhatsApp de vários caras amigos dele, e os caras ficavam mandando putaria. E aí ela descobriu que tinha esse grupo, que os caras mandavam putaria, e ela pegou um dia ele batendo uma vez no pornô.

Samira Close:Eita, que traição!

Voz A:E aí ela queria terminar tudo, ela se passou, gente, saiu de cá, pediu para ele sair de casa, pediu para ele ficar no hotel, não sei o quê, pediu senha dele, se passou total.

Voz C:Ela esperava o cocô.

Voz A:Sim, passou também.

Voz C:Ela esperava um cocô e recebeu um gu, né?

Samira Close:Ficava gunando com as fotos da Daraújo.

Voz A:Gunando, meu, com umas meninas tipo de que não tem um perfil dela, meninas muito diferentes dela assim, tal, tipo, enfim.

Samira Close:Eu acho que isso que pegou ela, porque tipo ver ele desejando, porque na maioria das vezes, gente, tipo o Michael nunca me deu muito problema com essas coisas. Ele bate punheta tudo escondido com Não, não, assim, para mim tranquilo. Eu acho que cada um, cada um, entendeu? Quem nunca? Eu também. A questão é que, tipo, eu acho que machuca a gente ver uma mina muito gostosa, muito plastificada, e a gente aqui tudo slime. Eu acho que isso que pegou ela. Se ele gosta tanto daquilo, mais melocotom, né, amigo? Chega em casa, a gente levanta a blusa, a gente vê, a gente sente a temperatura lá do chão. Aí, será que o cara gosta mesmo? Eu acho disse que pegou ela. Mas amiga, ô querida, bota os dedinho para trabalhar aí também. Ai, nossa, que traição! Traição para mim é gozar dentro de outra e beijar também. De resto, olhar, nada a ver.

Voz A:Eu também acho isso, mas eu entendo que pega num lugar que a gente, quanto gay, num casal, relacionamento gay, não é tão forte isso assim, sei lá.

Samira Close:Mas pensem assim, é que no relacionamento aberto aí não pega tanto, porque não pega.

Voz A:Mas agora, no fechado, no monogâmico, Por exemplo, se seu marido, ou Samira, você tem um namorado, ele é assinante de um OnlyFans de um cara ou de uma mulher, no caso da Jenny, e ele paga ali, sei lá, R$90.

Samira Close:Ah não, otário, otário.

Voz A:Vocês iam ficar putos com isso?

Voz C:Eu ia ficar, porque é melhor a gente comer, né, ir para um lanche, comer um lanche. Gente, vai entrar naqueles grupos vazados.

Voz A:Telegram, seu burro, né?

Voz C:R$90, sabe? Tipo, tem um lanche maravilhoso aqui que é R$45, dá 2 lanches incríveis, um jantar maravilhoso, a gente enche a barriga. E aí fica os dois burrão aqui, ó, com a barriga cheia, sabe? O meu negócio é essa questão aqui, assim, para mim é a questão da traição, ela é mais profunda, né? Então tipo assim, a traição para mim é muito sobre— não é necessariamente necessariamente está envolvido, mas não é necessariamente sobre o ato sexual, o beijo, não é necessariamente. Comigo é sobre tipo assim, sentimento, é o sentimento, é tipo responsabilidade, o acordo que a gente tem, sabe? Você não tá traindo porque você meteu num buraco ali de outra pessoa, você tá traindo porque você tá me enganando, que é um acordo que a gente fez. Então, por exemplo, se você falar para mim: eu não fico com ninguém se não seja você, eu Tá, tá, tá, tá, tá. Se você quiser fazer isso, eu prefiro que você me fale. E me fale assim, de forma aberta mesmo. Por mais que eu fique mal ou chateado, no fundo eu vou falar assim: "Mas veio me contar.

Voz A:É uma pessoa que se preocupa comigo, com tipo assim, no fato de..." Respeita também, né?

Voz C:De respeita, é. Porque assim, gente, vamos... Eu posso estar muito querendo generalizar, mas eu fico pensando muito assim: Eu acho que desejo... Eu acho que o ser humano em si... Eu não sei se o ser humano não nasceu pra ser monogâmico. Eu acho que a monogamia é uma coisa muito mais cultural. E aí eu não tô falando de homem ter 10 mulheres, não. Tô falando da mulher também, porque mulher também tem. Eu sempre falo isso com as minhas amigas lésbicas, né. Eu fui criado só com mulheres. Então, pra mim, demorou muito eu entender que mulher também tem desejo sexual. Porque mulher, pra mim, estava no lugar de vó, de mãe, de tia que cuida, que ajuda, que cria.

Voz A:Que se sacrifica pelo lar.

Voz C:Exato. Mas aí, conversando com as minhas amigas, as minhas amigas lésbicas, héteros, enfim, todas elas. Pessoas no geral fala assim: não, a gente sente tesão direto, a gente também quer transar direto. A diferença é que para mulher tem tanta questão de tipo assim cultural, que aí você vai dar para qualquer uma vagabunda, ou então tipo tem a cultura infelizmente também do estupro, que é muito mais perigoso para uma mulher se colocar nesse lugar, né? Mas a mulher também tem muito desejo sexual. Então tipo assim, para mim, eu acho que o ser humano, o que faz a monogamia é esse acordo mesmo assim, sabe? Não é Tipo, não é o casei, parei de desejar, o mundo ficou, sumiu o mundo, ficou só eu e você, sabe? Não, tipo, a gente sente desejo pelas outras pessoas, a gente sente vontade, a gente vê uma novela, um filme, uma coisa, ai que delícia, que gostoso. Só que eu acho que tipo assim, a traição para mim tá mesmo nesse lugar de tipo assim, você traiu a minha confiança, você traiu o que a gente tem, o acordo que a gente tem, sabe? Eu acho que é isso assim. Agora, com relação a meter e tal, eu acho que hoje em dia talvez eu tivesse um relacionamento aberto, eu só precisaria de Ao mesmo tempo aberto, para mim não funciona assim.

Voz A:Para mim funciona juntos, mas pode ser que daqui uns anos— não, mas eu acho, eu não me incomodo, eu me incomodaria. Olha como que a cabeça é, eu me incomodaria muito. E para mim isso seria uma traição. Tipo, sexta-feira, ai, vamos assistir um filme, assistir uma série, que é um programa nosso. Ele, ai, marquei um date. Isso para mim me mataria, gente. Eu não tenho esse psicológico assim.

Samira Close:Eu preferia também. Não consigo, velho. Tipo, por que você tá preferindo? Você queria partir pra esse lugar, por que você tá gostando?

Voz A:É, e vai preferir. Você tá num relacionamento de 10 anos. Tem uma coisinha nova ali pra você sair, flertar e tal. Você vai preferir, é dele, normal. E eu acho que ele tem que se divertir. Então é um paradoxo na minha cabeça que eu não sou preparado pra isso agora.

Voz C:Eu me pergunto muito assim, por exemplo. Assim, bem preto no branco, assim, né. E se rolasse uma traição, acabaria o relacionamento?

Voz A:Hoje eu acho que depois do Lemonade, eu enquanto mulher negra, caribenha... Latina, ameríndia, periférica de Diadema. Eu acho que é tudo muito conversável. O que eu acho que a traição que eu não suportaria seria se fosse de tempos. Tipo assim, meu, ficou um mês, dois meses, três meses, tipo assim, num caso. Eu acho que isso aí eu ficaria mal, entendeu?

Samira Close:Escondido, né.

Voz A:Eu acho que isso. Agora, foi conversado, entendeu?

Voz C:Tem uma amiga minha que é casada, ela tem filho já também. A gente falou sobre isso uma vez. Ela falou que tipo assim: "Olha, eu não descobrindo, tá ótimo. Só não deixa eu descobrir quem é o bokê." 'Não deixa ele pensar nisso, só não deixa eu descobrir, porque aí se eu descobrir eu vou ficar pensando nisso, vai me dar ansiedade, vai me dar não sei o quê, não quero ir para escola, fica, faz bem escondido que aí eu vou fazer minhas compras, faço minhas coisas', sabe? Ele dá o suporte financeiro para ela, ela tem as coisas tudo e tal. Ela falou que tanto faz.

Samira Close:Mas aí, ó, aí eu acho que no relacionamento hétero monogâmico é diferente mesmo, porque no meu caso eu acho que eu terminaria assim. E tipo, a tua amiga, ela que ela trouxe. Ai, ele me sustenta. A minha relação de poder no meu casamento é muito diferente. Eu sou a que ganha mais dinheiro, né? A gente é casado há 10 anos, a gente é casado de família.

Voz A:Eu amo a Rimo.

Samira Close:E a gente nunca teve problemas com monogamia, assim, tipo, de nenhum dos dois lados. Então, caso ele me traísse, ia ser uma ofensa tão gigante, que assim, a gente esteve junto desde o começo, nunca apareceu um problema, a gente só transar entre si, nunca nunca reclamou, nunca eu reclamei. Eu não acho um grande sacrifício. Eu acho que tem muito a ver com a personalidade, com a criação também, né?

Voz C:Sim.

Samira Close:Então assim, se ele escolhesse, porque querendo ou não é uma escolha, né? Você vai baixar as calças, é uma escolha. Se ele escolhesse, ó, eu vou aqui, eu vou transar com ela, eu vou criar um sentimento com outra pessoa, mesmo a minha mulher, será aquele mulherão todo em casa, e não no sentido de beleza, porque eu sei que não é esse, eu não ia conseguir perdoar, eu não ia, gente. Agora, se você, ai, o nosso cu, nosso corpo—

Voz C:para você ia cair no lugar, para você ia cair no lugar, tipo assim, sentimental ou ia cair no lugar de tipo assim, ah, é porque eu já não sou mais tão bonita para ele, já não me deseja mais, ou nos dois assim? Não, acho que não, porque assim, depois do Monjaro, ah, meu amor, tá tudo ficando tudo durinho, não é?

Samira Close:Cresceu um pouco de autoestima e tipo dá para ver, dá para ver que ele quer mais.

Voz A:Acho que a traição pela história mesmo assim, né?

Samira Close:Eu penso isso, tipo, valeu a pena você jogar fora, ser um negócio tão bonito, sabe? E tipo, você nem me trouxe antes desse papo, sabe? É muita coisa, sabe?

Voz A:É porque ele poderia ter adiantado, tipo assim, ou tipo, ai, tem um casal de amigos meus que é hétero e eles fazem uma coisa que eu acho muito legal. Uma vez por ano eles fazem uma viagem de férias, os dois, e eles vão para países muito exóticos, África do Sul, Europa, algumas coisas assim, mas leste europeu, umas coisas bem bizarras assim. E aí eles, um dia, um dia de Aí eles vão para Orlando, gente, muita. E aí um dia da viagem, e aí eles, um dia da viagem, os dois estão livres, tipo, não vou fazer, eu não vou perguntar o que eu vou fazer. Olha, e vamos vamos nessa.

Samira Close:E aí eles fazem, gente, ela sentando nos pigmeus lá da aldeia. Não, arrasaram! Tipo, eu acho isso é meio cante, que nem aquelas festas da chave que eu só vejo seriado, gente, que nossa, as ficção, né, as obras trata como se aquilo fosse algo super comum. Cadê? Me convidaram, mas para quem não sabe, todo mundo coloca a chave do carro num potinho, os casal, e daí você perder a chave dos homens e quem sair você tem que dar um pouco pro cara, entendeu? E não, eu acho super engraçado, nunca faria, mas é super legal.

Voz C:Eu sempre tive, como eu também fui criado na igreja, ainda mais a Pentecostal, sexo para mim sempre foi uma coisa muito demonizada, principalmente depois que eu descobri que eu era gay. Então tipo assim, sexo para mim assim era demonizado no sentido de que existe o sexo correto, né, que era aquele sexo de marido e mulher, é para procriar, a Guaymanade fala, Ela fala: "Na cama é só papai e mamãe".

Voz A:Eles não falam de prazer, né? É só reprodução, né?

Voz C:Exato, exato. Então, tipo assim, pra mim, todo pensamento de, tipo assim... Alguma amiga minha falava assim: "Ai, menina, acabei de chegar ali, eu fui dar o cu na caçamba de lixo". Eu achava, assim, um abismo. Eu falava assim: "Gente, você é louca, mulher? Como é que você faz isso com você, o seu templo do espírito? Você é louca, garota?

Voz A:Você depositou...".

Voz C:Então, às vezes, amiga, fazendo porta aberta, eu—

Samira Close:você deixou um pênis no meio das suas tetas, amiga, não é para estar aí, não é para estar aí, é no meio das pernas.

Voz C:Eu lembrei de uma história que tinha uma menina que falava— aí eu fiz uma terapia com isso, porque tipo assim, eu, eu, gente, quando eu ia transar, meu coração acelerava tanto, tanto, tanto, tanto, tanto, porque você cresceu com isso, né? Exato. Eu lembro quando era mais novo, quando transava pouquíssimo, mas quando eu ia transar, quando eu terminava de transar, dava vontade de chorar. Era uma coisa terrível. Às vezes ficava assim muito mal, ficava tipo assim, era terrível. E aí levei para terapia isso. E aí hoje estou bem mais tranquilo. Hoje em dia faço porta aberta, fico burrona. Hoje em dia eu tô me permitindo ser um pouco mais normal assim, entre aspas. Quando eu falo isso é tipo assim, ai, a minha terapeuta fala, ai, todo mundo gosta de trepar, meu amor. Tu acha que as pessoas as pessoas vão ficar falando, né, porque não tem intimidade. Mas vocês acham o quê, que as pessoas, o casal, quando tá em casa, fazer o quê? Ficar sentado jogando videogame com o dedo no cu do outro? Tipo assim, sabe, essa coisa. Porque para mim era uma coisa muito assim, meu Deus, ai, o que que a minha mãe vai achar? Minha avó, minha tia.

Voz A:E é muito nesse lugar, sabe? Que isso é muito comum em gay, sabia? Muitos gays no começo da vida sexual são desse jeito, muito muitos mesmo assim. Eu não tive, eu fiz crise na catequese, mas eu não fui obrigado assim. Eu fiz muito porque meu pai era e ele falava para eu fazer e eu fazia. Então a religião não foi, não teve impacto tão forte na minha vida, mas mesmo assim eu sentia culpa cristã. A primeira vez que eu transei, eu fiquei assim, olha, eu fiquei tipo incrédulo, fiquei com nojo de mim.

Samira Close:A pessoa na cama e você assim olhando que nem olha sobre a viagem.

Voz A:Eu assim, Janela assim, olha, ela com o cu cheião assim na janela, meu Deus, vazando pelas pernas assim. E eu assim, igual aquele pato assim, olha, de lado vazando assim, horrível, assim espelhando ele pegar uma toalha porque gozou em cima de mim. Eu assim, olha, tipo morrendo de nojo. E tipo, depois sexo dá um nojinho também, depois eu entendi isso, mas eu me sentia sujo.

Samira Close:Depois da punheta, todo mundo sente, né?

Voz C:É, eu me sentia sujo. Isso é normal, acho que todo mundo tem isso depois Você é um sexo mesmo.

Voz A:Aí depois você fica tipo assim, ai, não olha para mim, não olha, não chega perto.

Samira Close:Todo mundo tem um pouco, eu acho.

Voz A:É, não dá não.

Samira Close:Agora vira para o lado.

Voz C:Ai, calha a boca, rapaz!

Voz A:Uma história muito boa que você tá falando disso. Ah, meu Deus do céu, templo, como que não sei o quê, depósito. Aí teve um dia que uma menina da minha sala, ela foi uma das primeiras a perder a mesma idade. E ela começou a contar pra gente, todo mundo, eu bicha no meio de todas as meninas assim, eu muito atônita, atento. Só que eu tava já pensando no boy que ela pegava, que o boy era um gostoso skatista assim da escola, e eu me fantasiando ali que eu já era gay e tal, não sei o quê. E aí ela falou assim: gente, ele fez uma coisa comigo que eu achei muito bizarra e muito bom. E aí todo mundo falou: o quê? Aí ela: ele chupou meu cu. E aí as meninas ficaram horrorizadas. Na escola, amiga, no primeiro colegial, não era nem segundo e terceiro.

Samira Close:Amiga, gente, eu sou 18 anos, você é uma mulher, você só usa sapatênis curto.

Voz C:Ah não, não, tá com sacanagem isso aí.

Voz A:Eu fiquei em choque, eu lembro até hoje. A minha amiga Maiara, sabe, a minha amiga Maiara falou assim: "Ai, coisa de vagabunda." Amiga, ela engravidou, ela engravidou ou não?

Samira Close:Fala para mim, fala para mim. Eu tenho certeza que ela engravidou cedo.

Voz A:E a mãe dela era professora na escola.

Samira Close:Ai, que diva! Ela foi louca, gente.

Voz A:A primeira vez que eu ouvi falar, tipo, olha como que é, de chupar cu, primeira vez ouvindo na minha vida. E aí, de uma mulher, olha isso, de uma mulher.

Samira Close:Aí você fala, beleza, tem mulher que é escrota, tem mulher que é homofóbica, mas ainda assim a comunidade mulher e gay sempre andou no meio dos maldados.

Voz A:Junto, amiga, sempre unidas. Eu cresci com muitas mulheres também. Eu comecei a ter amigo gay agora depois de velho, gente.

Voz C:Depois dos 30 anos. Minhas amigas também eram todas mulheres também, todas. E aí tinha um negócio também que a gente andava, quando eu ia lá na escola que eu andava lá na favela que eu estudava, só andava as afeminadas juntas.

Voz A:Na favela onde eu nasci.

Voz C:Ah, sim! Era só as afeminadas. Então a gente andava, parecia uma festa de parabéns ambulante. Todas as palavras: "É, meu amor, pois é!" Parece que existe uma festa itinerante assim, que ia passando até chegar em casa, nas portas dos outros, batendo palma. E aí a gente só andava. Tanto que, gente, para você ter noção, eu comecei, as pessoas me chamavam de gay quando era assim criancinha, porque eu achava que era porque eu falei isso até no programa da Camila Freire lá com a Jona Rosa, porque eu brincava de boneca. Eu não sabia nem o que que gay fazia. Eu era gay porque eu brincava de boneca, brincava de fazer a roupinha para as bonecas, costurava roupa para vestir as bonecas da minha irmã, das vizinhas. Aí depois que eu fui saber ali no, lá no, com 14 anos, o que que tava acontecendo.

Samira Close:Aí eu falei, sabia, eu nem sabia.

Voz C:Aí só que aí eu só vi, para na minha cabeça era tipo assim, o gay é a mulher que não deu certo, só que a gente tem que ser, fazer o que a mulher faz. Como a mulher tem xereca, a gente não tem, então a gente dá o cu. Então eu achava isso, né, isso aí. Tipo assim, eu achava que todo gay tinha que ser passivo, e aí a gente dava "Isso, eu com o Catochus." Porque na escola, na escola não tinha os gays machinhos na escola. Os que eram machinhos eram tudo incubados. As que eram mais... Era, não tinha os gays machinhos pra gente paquerar. A gente paquerava com os meninos que eram héteros.

Voz A:É, e o pornô era só com homens muito masculinos que eram héteros assim.

Voz C:Então a gente era as mulheres da nossa época, nós éramos as mulheres.

Samira Close:Socada, socada.

Voz A:A primeira vez que eu saí com um cara... Eu já contei essa história aqui, que eu perdi a virgindade. Esse cara, ele era a pessoa... O primeiro gay masculino que eu conheci. Tipo assim, ele era... Ele não parecia... Gente, até hoje, o nome dele era André, assim. Ele não parecia alguém gay, assim. E aí, eu acho que eu me atraí por isso. Porque o pornô, na cabeça do gay, que ele cresce com essas referências, assim. Então eu preciso amar esse cara, porque ele não parece... 'Esse gay.' Então, e eu afeminadíssima, bicha, bicha, e eu amava esses homens que eram fora de sigilosos, discretos. Demorei muito construir isso, demorei muito.

Voz C:Total. E a gente, eu cresci assim, a gente saía, olha o nome das minhas amigas: Boi, Flor.

Voz A:Boi, eu amo, da passabilidade, da homofobia.

Voz C:Oziel era a outra, era não sei quem, Denise, o nome das bichas, Denise. São as coisas assim: "Quem é, Gabiru?" E aí... É Lorelay. É Lorelay.

Voz A:É bunda com bunda.

Voz C:Não tinha essa coisa. E aí, tipo assim, pra mim, a gente eram os gays que eram tipo as mulheres. E aí, a gente ia atrás dos homens, entendeu? Pra mim, o que era gay era isso. Aí, depois que eu vim entender... Gente, olha, eu transei... Assim, eu perdi a virgindade com 19 anos.

Samira Close:Ó, que puta! E aí... Hoje eu tô nesse lado de você, meu. Eu sou toda sua fã.

Voz A:"Você já chupou o cu quando perdeu a virgindade?" É coisa de vagabundo.

Voz C:Imagina, velho! Não dá isso, pula! E aí, minha filha, eu sei que depois eu vim transar muito tempo depois. Porque era um evento, assim, transar. Porque a gente era super... Assumia, batia no peito.

Voz A:Até achar um homem, era difícil achar um homem naquela época. Era muito difícil!

Voz C:Era todo um babado. Não tinha. E aí, como a gente era moda... Os homens ficavam assustados assim com a gente, tipo assim: "Se começa a bicha, todo mundo vai saber".

Samira Close:Porque ela é muito... Gente, e eu fui no podcast da Bianca e eu fiz um statement tão lindo sobre LGBT no interior, né, que sofre, né. Que é sempre: "Ah, o gayzinho ali, né, o conhecido da cidade". E daí, um monte de gente veio me lacrar nos comentários, falando: "Ah, hoje em dia é diferente, tem a turminha dos gays". Mas, gente, na nossa juventude...

Voz A:É, a gente foi discriminado. Estigmatizado, gente. Era o gay da cidade.

Samira Close:Exato. E se ele ia na UBS, meu amor, no outro dia já tava todos os pastor contando no sermão: "Ó, o gay que pegou HIV." Gente, era isso. E o cara estava com gripe, juro, virava história de sermão, tá? Então era muito estigmatizado. E tipo, eles nem sabiam diferenciar alguém do trans, entendeu? Então assim, gente, hoje Hoje em dia, eu acho muito fofo que já tem a turminha dos gays do interior que bota o terror, entendeu? E faz o bullyingzinho, e todo mundo conhece. Mas, gente, na nossa infância... Nossa!

Voz A:O meu marido é do interior, e ele tinha uma turma de gays do interior. Então é muito mais de boa pra ele, assim. Ele cresceu no meio de um montão de bicha. E todas as bichas da cidade eram um grupo que era muito fechadinho e tal. Então foi muito certo. Mas existem contextos que eram muito diferentes. Na minha época... Gente, em Diadema... Diadema não é... Não é interior, tipo assim, é do Grande ABC, é uma cidade grande até, comparada com outras cidades. E tinha o gay do dia a dia, irmão.

Voz C:Na minha família, assim, não, né. No bairro, na escola, também era a mesma coisa. Eu lá na escola era, tipo assim, uma penca de menino. Era, tipo assim, tinha acho que umas 1.000 crianças. E, tipo, tinha 3 bichas. Era eu, a Gerlã e a Boiola. Então, tipo assim...

Samira Close:A Boiola é a moda, a Boiola tá sempre...

Voz A:É, a Boiola. Boiola. Boiola.

Voz C:Aí é de boi, aí chama só boi.

Voz A:É uma passabilidade, amiga, porque ela não tá sofrendo homofobia.

Voz C:E aí, tipo assim, a escola inteira conhecia a gente, era todo um babado. Aí os bofinhos que a gente queria pegar não queria sair, não queria estar perto da gente, porque se você tá perto dos viados, você é eles também. Exato, que eles não queriam. Era todo um babado, era todo. Aí tinha que mandar uma amiga nossa, uma A mulher ia lá falar com ele, pra ver se ele queria, pra arrumar o lugar de trás da quadra, não sei das quantas. Quando tocar o sino, pra 6 horas da noite, pra todo mundo sair embora.

Voz A:Gente, horrível. Mas era uma delícia. Gente, tinha um menino da minha escola, na Etec, que ele me olhava. E Samira deve saber disso. Quando você olha pra um homem que ele é hétero, você sendo gay, afeminado e tal, não sei o quê, ele te atravessa. Ele não liga pra você.

Voz C:Nossa, mas é tão rápido assim?

Voz A:É, se ele é homofóbico, ele não liga. Se ele é homofóbico, ele se incomoda, que ele pode ser homofóbico. Mas assim, o homem hétero, ele atravessa, ele não tá nem aí. Tipo assim, ele de boa e tal. Agora, o homem que é gay enrustido, ele fica em pânico quando uma gay afeminada olha pra ele. Ele fica em pânico.

Samira Close:Ele não quer ser reconhecido.

Voz C:Não quer.

Voz A:E aquela história da frase do Clodovil. "Oi, preto, reconhece, oi, preto". Então assim, a gente batia o olho. Tinha esse menino, que era o William, na minha escola. Que eu bati o olho, ele ficava em pânico. E a gente ficava trocando olhar. Nada e tal, não sei o quê, até que fizeram um esquema.

Voz C:Ela vinha assim na escola, ó, olhando para todos assim, ó, gata.

Samira Close:Gente, e ó, mais uma vez eu vou trazer a irmandade da mulher com gay, porque ao mesmo tempo que a Zabapô arrumava, né, defendia também, não, e não só, tipo, eu também Sabe quando tinha vergonha de chegar em algum menino? Tinha o meu amigo, né, que achava que era bi, depois se descobria gay da faculdade, que chegava no menino e falava: "Ó, aquela ali quer ficar com você." O cara: "Quem?" "Aquela ali." Aí o cara: "Ah, tá bom." Entendeu? Sempre teve esse facilitador do FBI.

Voz C:Uma era cafetina da outra.

Voz A:A gente cafetinava. Não, e tinha amiga minha que ela falava assim: "Ai, se você beijar minha amiga..." Eu tinha uma amiga que ela falava: "Ah, você beijou a bicha." Então eu não gostava muito de sair com ela. Ela falava assim: "Ai, você beijou a minha amiga, eu tenho que me beijar também." Eu falava assim: "Bicha, para com isso, menina! Você é louca?" "Você é tonta!

Voz C:Quer beijar homem gay?" "Para de se palhaçar!" E também tem as bichas também que cafetinam. Mas essa é uma cafetinagem do mal. Que elas fazem o quê? Elas oferecem à amiga se beijar a bicha.

Voz A:É, como teste. Eu já fiz isso, gente, não me julguem, me passei.

Voz C:Tipo assim, por exemplo, ó, eu vou arrumar um homem pra gente. Entende? Por exemplo, aí tá numa festa da faculdade, sei lá. Aí tá lá, eu falei: "Ei, Antônio..." Não, ele fala assim pra mim, ele fala... Que geralmente acontecia, os caras héteros chegavam na gente bem rapidamente e falavam assim: "Arruma lá uma das suas amigas pra mim, pra gente lá. Arruma lá uma das suas amigas pra nós, pra mim. Quero ficar com aquela tua amiga lá. Ai, aquela tua amiga lá é bonitinha, arruma lá ela pra mim." Aí eu falava assim: "Tá certo. Mas pra você ficar com ela, a gente vai ter que beijar também." É isso, tinha umas coisas assim.

Voz A:"Ah, quer aproveitar comigo ali no banheiro?

Voz C:Vou te dar um beijo, depois vou embora." E já tinha o contrário também, que tinha amiga que, tipo assim, acho que ela tinha um pouco de pena, dó, não sei, que ninguém queria. Ela falava assim: "Deixa o meu amigo chupar um pouquinho também." Só uma lambidinha. "Oi, passa a bola lá." Aí você vai falar: "Não, viado não, viado a gente não quer não." "Ah, não, deixa ele só um pouquinho." O que eu fazia, eu usava algumas amigas também.

Voz A:Se eu chegava num cara que era meio bi, bicho assim, para eu chegar nele, eu fazia assim, era uma tática minha, falava assim: olha, minha amiga tá a fim de você. Aí se ele fosse hétero, ele pegava. Se ele fosse gay, você: ah, eu não gosto. Eu falava assim: ah, você é gay? Aí beijava. Funcionava muito isso, gente.

Samira Close:Ai, você é gay, já vira, passa.

Voz C:Gente, do nada, meu Deus, que nossa!

Voz A:Eu entro no darkroom das bichas, ou uma amiga minha, ela falou até "Tem um namorado em você".

Samira Close:Ele tira da boca e fala: "Quê?

Voz A:Eu?

Voz C:Amiga?" Mas sempre tinha. Eu também tinha uma amiga que era maravilhosa, que ela ficava com uns caras, gente... Ela é bem bonita. E ela ia pra umas baladas, ela ficava com um barman pra gente ganhar comanda de graça.

Voz A:Ai, que delícia!

Voz C:Tem sempre essa amiga maravilhosa que faz essa boa. Aí a gente bebia a noite todinha. E aí o barman ficava: "Cadê lá aquela gatinha lá?" "Ah, tua amiga?" "Ai, gente, vou já lá, vou já buscar ela. Tem uma caipirinha pra mim, não?" Eu acho ela a melhor, a melhor amiga. "Vou achar, vou dar uma caipirinha, que eu saio daqui igual um foguete procurando ela".

Voz A:Ai, gente, eu estou com a sensação de dever cumprido. E vocês?

Voz C:Demais, cumpridíssimo, cumpridérrimo.

Samira Close:Ai, só falamos coisas importantes, nossa.

Voz C:Mas às vezes... Então, mas às vezes é dessa... Esse momento que pode não parecer importante, que as pessoas estão buscando um momento para desestressar, que se torna super importante.

Voz A:Sim, o Joguei começou desse jeito. A gente pensava muito em conceito. Ai, mas tem que ser diferente, tem que ser um podcast assim, tá? Não, gente, rir é muito importante. E hoje em dia tá difícil, sabe?

Samira Close:Não é verdade? Ainda mais ver os podcasts por aí, gente.

Voz A:Se é um podcast motivacional, se o que te motiva é rir, e muitas vezes Mas a única coisa que motiva, que dá para fazer, é rir.

Voz C:Então essa é a nossa missão. Teve um tempo atrás que eu precisei parar um pouco assim de estar na internet, porque eu estava viciado em pesquisar guerra no Irã. Eu tomava café falando sobre as mortes no Irã, guerra no Irã, e gente, eu tava tipo assim, passava o dia inteiro assim com ansiedade, um mal-estar, não sei o quê, uma coisa. E eu ia ver a guerra, não sei, da Não sei aonde explodiu a bomba nuclear.

Voz A:Eu pegava o Uber, eu ia falando sobre isso com o Uber da Guerra do Irã. Ah, não, tem que dizer no VR.

Samira Close:Nossa, quando desce, fala: nossa, aquele gay lá trouxe uns negócios, uns esquema foda mesmo, nossa.

Voz C:Aí, minhas amigas: aí, mulher, tá bom de falar disso, pelo amor de Deus. Na praia, eu lembro que eu tava em Fortaleza indo pra praia falando com homem sobre bomba nuclear. Aí a minha amiga: bicha, A gente tá indo pra praia, mulher. Que história é essa?

Samira Close:Ai, que gay sabido, Uber.

Voz C:Nossa!

Samira Close:Caramba, a gente tirou o tempo à merda mesmo, né, senhor?

Voz A:A geopolítica tá toda ali, ó. Mas Samira, você já participou do Joguei e tal, não sei o quê, várias vezes. Todo mundo já te conhece, quadrilha cativa. Mas quer deixar suas redes sociais pras pessoas te encontrarem? Tem alguma nova?

Voz C:Gente, tenho. Minha rede nova que é o Privacy. Não, gente, é a mesma de tudo, me procurem. Hoje em dia eu não uso praticamente mais Twitter, parei tem um tempo por causa da minha saúde mental.

Samira Close:Por causa das bombas, né?

Voz C:Por causa das bombas, muita notícia do mal. Esses dias, eu não sei o que foi, que eu tava vendo uma notícia, era alguma coisa, acho que era da Beyoncé, o pessoal tava super criticando ela porque tinha passado Photoshop. Tava com a cor branca na foto. Falei: "Ai, gente, que não precisa dessa rede social não, eu acho".

Voz A:Tá bom, pessoal, fica.

Voz C:As coisas, às vezes você vai rolando o feed assim, aí tem tipo assim, os pessoal se matando porque a queda do CD da Katy Perry. Tipo assim, ai, gente, já tô tão velha.

Voz A:Esses dias você viu a da gay? Que a gay falou assim: "Sofri gordofobia no Grindr". E postou uma foto dele de corpo assim. E sim, bonito ele, corpo bonito.

Samira Close:Aquele que tem o rosto magro, corpo gordo?

Voz A:Não, não, é outro, é um que ele é meio gordinho assim. E aí você fala assim: "Gente, me chamaram de gordo e tal, sofri gordofobia. Logo eu que sou parrudo". E aí, gente, os comentários são horrorosos, assim. Tipo, pelo amor de Deus. O Twitter não é um lugar de conseguir acolhimento, não é. Mas eu acho que as pessoas estão se passando e não estão levantando nenhuma questão ali, sabe. Estão só humilhando e fazendo essas palhaçadas.

Voz C:Tem um tempo, às vezes... Eu tava vendo umas coisas. Eu converso com as minhas amigas e falei: "Gente, tá liberado mesmo, né, lá?" Tá liberado mesmo! Liberou geral, que rolou.

Samira Close:Não, você posta qualquer coisa, você: "Nossa, tô com soninho." Aí vem alguém, pega tua foto de perfil, posta na resposta também, uma baranga do nada. Você: "Nossa, gente, virou isso, o Twitter virou isso, tá?" Virou.

Voz C:Mas é isso, gente. Samira Close nas redes sociais. Eu quero aproveitar e avisar aqui, né. Acho que a primeira coisa, nem pensei nisso. Nem pensei nisso, mas veio no coração. Acho que é sobre isso. Em breve, eu já tô escrevendo as músicas. Em breve eu vou lançar meu primeiro EP. Ainda não tem nome, ainda não tem nome. Mas a gente já... A gente, eu. Falar a gente pra ficar chique. Os produtores, a gravadora, a gravadora, a produtora. A gente tá aqui com 20 produtores, a gente trouxe aqui a CIA, todo mundo. Já escrevi músicas, tô trabalhando com a Melodia, com algumas amigas. E em breve a gente vai voltar com esse EP, que é uma coisa que eu quero muito, né. E aí, agora também passei um tempão pra fazer sobre isso, pra voltar pra isso. Mas de verdade, eu acho que— sempre tô falando isso. A terapia nos últimos meses, onde eu entrei assim, de cabeça, de corpo e alma, assim. Inclusive, super indico, gente, a terapia tem salvado a minha vida. Salvado a minha vida, assim, de verdade, tipo, salvado a minha vida. Porque é muita coisa acontecendo, é muita, muita loucura, né? E aí esse fato de estar me conhecendo cada vez mais vai, acaba, acaba desacelerando, entre aspas, acaba desacelerando algumas coisas que não são tão importantes assim, para a gente olhar para algumas que são cruciais para a gente continuar bem, viva, seguindo o caminho, né? Então, tipo, só deixando Esse adendo que se você puder, faça terapia. Faz um bem danado. E sobre o meu EP, em breve, esse ano, vou lançar esse EP. Pretendo lançar aí pelo menos umas 5 músicas. Vou colocar Madrugada pra não flopar, já começar com streams lá no alto, alguns 16 dias atrás.

Voz A:Ai, que lindo!

Samira Close:Todo mundo faz isso, seropósico.

Voz C:Exatamente, vou fazer. Vou fazer igual a Lady Gaga, colocando o app 3 álbuns. Vou fazer a mesma coisa.

Voz A:A Lady Gaga deve desmaiar e não vai estar no meio, hein, não.

Voz C:Ai, os números... Vai, amor, tá aí a ocasião. Vai estar, meu amor.

Voz A:Vai estar, óbvio que vai.

Voz C:Então é isso, gente. Muito obrigado, amo vir aqui conversar com vocês.

Samira Close:Imagina, amor, obrigada a gente que você aceitou.

Voz A:Oxi! Vocês querem? Então é isso, gente. Um beijo. E aí, seguem esse conselho da Samira. Bota luz onde tem que ter luz. Não bota luz onde não precisa, tá bom, gente?

Samira Close:Yes!

Voz A:E bora se passar. Um beijo.

Samira Close:Beijo, moço.

Voz C:Bora se passar.

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