ROGÉRIO: 'VENCI A LIBERTADORES COM O PALMEIRAS. E HOJE NÃO POSSO ENTRAR NO CLUBE E NEM NO ESTÁDIO'.
Eram 36 minutos do primeiro tempo.
Morumbi lotado.
Final do Brasileiro de 2002.
36 minutos do primeiro tempo.
A partida entre Corinthians e Santos estava 0 a 0.
Robinho pega a bola e parte, pela ponta esquerda, para cima, com a bola dominada.
Era um contragolpe em velocidade.
Gingando ele dá oito pedaladas até ser derrubado, pênalti indiscutível.
A partir desse lance, Rogério ficou marcado.
"As pedaladas do Robinho não me definem. Nem a minha carreira. Sou um vencedor. Ganhei a Libertadores com o Palmeiras, Duas Copas do Brasil. Mercosul. Fui convocado para a Seleção Brasileira. Uma parte da imprensa foi muito maldosa comigo. Tentaram até me chamar de Rogério Pedalada. Enorme injustiça por tudo que fiz no futebol", desabafa Rogério. "Poderia ter dado um pontapé nele no início da jogada, mas nunca fui violento. O erro foi não perceber que ele já havia chegado na área. Demorei para dar o bote porque ninguém me avisou onde estávamos.Mas a jogada dele foi maravilhosa. Minha carreira seguiu e até melhor depois daquele lance."
E ele tem razão. Foi um excelente jogador. Tanto como lateral, como volante. Na goleada por 5 a 0 contra o União São João de Araras, Vanderlei Luxemburgo seu talento diferenciado. E mandou contratá-lo. "Foi uma grande felicidade. Cheguei no Palmeiras e me adaptei muito bem. Fui muito feliz com ele e também com o Felipão. O auge foi a Libertadores que ganhamos nos impondo diante dos adversários. Foi incrível."
Rogério, no entanto, não estava feliz. Ganhava muito pouco. Havia enorme diferenciação entre jogadores da Parmalat e do Palmeiras. ' Foram anos ganhando menos.Tive propostas de outros clubes, principalmente do Grêmio, para me pagar bem mais. Fui pedir um reajuste ao então presidente Mustafá Contursi. Ele me ofereceu pouquíssimo a mais. E falou que se não aceitasse, não iria jogar no Palmeiras e nem em lugar nenhum."
Rogério ficou muito magoado com a falta de reconhecimento. De consideração. Com a ameaça. Decidiu entrar na Justiça e conseguiu a liberdade.
E seu empresário o levou para onde? Para o Corinthians. "Eu estava sem ganhar nada há meses. Aceitei. Depois, quando cheguei e me vi no rival do Palmeiras pensei: o que estou fazendo aqui? Mas fui para lá, que também foi enorme honra jogar pelo Corinthians, empurrado pelo Palmeiras. Dei o meu máximo. Fizemos excelentes campanhas. Ganhamos uma Copa do Brasil, dois Paulistas e um Rio-São Paulo."
Rogério foi tão bem que acabou comprado pelo Sporting, de Portugal.
Lá viveu um drama enorme. 'Minha mãe foi sequestrada. Foi desesperador. Não sabia o que fazer. Foram momentos terríveis. Até que a Polícia conseguiu descobrir o cativeiro e prendeu os bandidos. A trouxe para Portugal. O nosso reencontro foi inesquecível. Abraçá-la de novo foi algo marcante. Inexplicável a minha felicidade."
Rogério acredita que o grande erro na carreira foi ter voltado para o Brasil. A direção do Sporting queria que eu ficasse. Mas fui convencido a jogar no Fluminense. Não cumpriram nada do que me prometeram. Perdi dinheiro. E ainda tive uma séria lesão. Foi o começo do final da carreira.
Rogério começou a carreira de treinador, não gostou da enorme pressão psicológica, cobranças. Desistiu.
Faz partidas exibições pelo Brasil.
Só tem uma mágoa no futebol. E não é com Robinho. 'Ser persona non grata no Palmeiras. Não posso pisar lá porque joguei no Corinthians. Houve a despedida do Marcos e a festa de 20 anos da conquista da Libertadores. Era titular e não fui convidado. Aliás fui avisado para não ir. Fico triste porque dei o meu melhor para o Palmeiras, como fiz pelo Corinthians. Se eu saí é porque não tiveram consideração comigo. Mas a vida segue. E eu estou muito feliz e orgulhoso pelo que consegui no futebol."