Resenha das Gurias #189 - Darlene, atacante do Inter
O novo episódio do Resenha das Gurias recebe a atacante Darlene, do Inter. Ela fala sobre o momento das Gurias Coloradas no Brasileirão e relembra o início de carreira como jogadora de futebol.
Carol Freitas
Nani Quemelo
Darlene
Lara
Valéria
- Carreira de RonyInício de carreira e oportunidades perdidas · Experiências internacionais (Áustria, China, Coreia do Sul, Portugal) · Passagem pelo Benfica · Decisão de retornar ao Brasil · Lesão de pubalgia
- Situação do técnico e comissão técnicaConfiança mútua e cobranças · Histórico de trabalho juntos (Flamengo) · Importância de Bari para o futebol feminino do Inter
- Rodadas BrasileirãoRetomada de confiança · Superação de negatividade externa · Importância do grupo unido · Objetivos maiores na temporada
- Formação de Jogadores na BasePotencial das jovens atletas · Orientação e dicas para as jogadoras da base · Contribuição para o time principal
- Liderança no elencoBrincadeiras e piadas · Cobranças e sinceridade · Inspiração para outras jogadoras
- Trânsito em Porto AlegrePreferência por ficar em casa e descansar · Opinião sobre o frio · Não experimentou chimarrão
Está no ar mais uma edição do Resenha das Gurias, o nosso podcast de futebol feminino da Rádio Gaúcha, da Zero Hora. Eu sou Carol Freitas e como vocês podem ver na imagem, hoje tem uma convidada super especial que vai estar comigo nessa entrevista que faremos. Então, antes de tudo, seja muitíssimo bem-vinda, Nani Quemelo.
Muito obrigada, Carolzinha, pelo convite. Estou muito feliz de estar aqui. Até porque vamos entrevistar alguém do meu time, né? Vamos falar de um assunto que tu manja demais, né? Talvez a maior especialista que temos de gurias coloradas no Rio Grande do Sul, no Brasil, no mundo. Calma, calma, calma. Para estar aqui com a gente hoje.
para falarmos um pouquinho sobre essa sequência muito positiva das gurias coloradas no Brasileirão Feminino. E aí, para não ser apenas eu e você falando, né, Nani? Temos aqui também a Darlene, atacante do Inter. Seja muito bem-vinda, Darlene, ao Resenha. Espero que tu te sinta em casa aqui com a gente, tá?
Obrigada, boa tarde. Estou muito feliz de estar aqui com vocês nessa resenha. Vamos ver o que vai virar. Para começar, queria que tu falasse um pouquinho para nós como é que está sendo para vocês, como é que foi e está sendo mesmo essa sequência positiva de retomada de confiança também no Brasileirão Feminino.
Está sendo muito importante, porque a gente já iniciou o campeonato, pessoas fora desejando muito mal, sendo muito negativo. Então acho que isso ajudou a gente a crescer também de alguma forma. Tivemos jogos difíceis aí que a gente poderia ter ganhado. Tivemos jogos...
fáceis que poderíamos ter ganhado, mas agora a gente teve, acho que, três jogos seguidos, se não me engano, e espero que segunda-feira seja o quarto. Estou muito feliz também por estar aqui no Internacional, esse grupo nosso é um grupo maravilhoso e eu tenho certeza que esse ano vai ter muitas conquistas e coisas positivas.
Esse do grupo ser maravilhoso, eu ouvi de algumas atletas já, que realmente o grupo esse ano está diferente. É um grupo muito unido, claro que tem seus grupos de amizade, como todos os grupos, mas que é um grupo que sabe diferenciar o momento da resenha e o momento de se cobrar também. O quão importante é isso para a temporada do Inter, para buscar um objetivo maior? É, exatamente. A gente brinca bastante. Eu sou, acho que, uma das que mais...
Brinca ali. É o que dizem. Mas ali dentro de campo eu sou totalmente diferente. Eu sou uma das que cobro. Sou uma das que falo bastante. Aceito que falam comigo também. Acho que isso é normal. E o nosso grupo realmente está muito legal em questão disso. A gente não está tendo como muitos grupos. Eu já passei por vários grupos, vários times. Que têm as suas vaidades. É normal. Acho que isso, como você falou, é normal.
E ali não, a gente está todo mundo unido mesmo, independente do que aconteça, como tem os seus grupinhos de amizade, também é normal, mas a gente está bem focadas mesmo, eu brinco bastante com o Bari, porque eu tenho já um passado com o Bari, eu falo que ele resgatou, ele conseguiu resgatar muitas meninas.
que hoje está aqui, que nos seus clubes anteriores não estava conseguindo mostrar o de bom que a gente tinha. Estava às vezes voltando de uma lesão, infelizmente, não tinha muitas oportunidades. E ele confiou em cada uma de nós.
Inclusive, eu acho que foi no jogo do Cruzeiro, eu falei, não sou muito de falar em roda assim, mas eu falei e agradeci de alguma forma, porque eu sou uma dessas. Porque eu saí de um clube que eu me entreguei totalmente, que foi a Ferroviária, mas não saí da forma como eu queria, entende?
E ele virou para mim e falou, não, eu quero você. E eu quero voltar a trabalhar com você como muitas outras, né? De vários outros motivos que possam ter acontecido com cada uma. E hoje a gente está aqui feliz, independente. E se a gente perder amanhã, a gente está erguendo a cabeça no outro dia, falando, não, a gente precisa ganhar, a gente vai ganhar, a gente vai contra tudo e contra todos. E vamos se fechar. E é isso que está acontecendo com a gente.
E eu acho que o ponto positivo é esse, né? De alguma forma. E a gente tem que continuar assim.
Porque também, infelizmente, tivemos algumas lesões que não é fácil também. Ele teve que subir algumas meninas da base, que está subindo completamente. As meninas da base entrou, já virou, falou, não, estou chegando para ganhar o lugar de qualquer uma aqui que esteja desde o começo. Então, assim, está bem legal, está bem legal mesmo. Espero que continue e a gente consiga ser felizes todo mundo junto.
E como é que vocês conseguiram usar também, Darlene, tu falou um pouquinho sobre isso, e eu acho que a gente pode usar então como algumas atletas eram subestimadas, talvez, né, e aí isso fazia com que as expectativas no elenco fossem menores do que vocês estão conseguindo atingir. E aí eu queria te perguntar como é que vocês conseguiram usar isso, essa expectativa que não era positiva, a favor de vocês, a favor do Inter, para que os resultados viessem e essa sequência fosse tão positiva rumo ao G4.
É, é porque, igual eu falei, ali eu sou uma das que mais brinco, falo besteira 24 horas, a Lara tá ali de prova. Mas assim, a gente brinca muito, né? Falar, a gente, como é que, tipo assim...
Eu não sei se posso falar também. Pode falar depois, a Lara manda mensagem, se não puder. Mas é assim, a gente fala algumas coisas que eu vou tentar achar uma palavra melhor aqui. Muitas meninas nos clubes não tiveram oportunidade não pelo seu futebol, entendeu? Muitas coisas, infelizmente, futebol ali é injusto. A gente tem que ser real em questão a isso. A gente sabe também que jogou, né?
Ah, mas eu realmente não tinha qualidade suficiente. Mas é injusto mesmo. É, infelizmente ele é injusto. Então muitas coisas aconteceram com meninas que hoje estão aqui e estão sendo titular absoluta, estão jogando muito, entendeu? E estão podendo mostrar o seu futebol feliz e jogando. Como em outros clubes, infelizmente não...
Tinha condições, mas não é por maldade, eu digo, talvez pode ser que sim, outros não, mas é porque é confiança do treinador, cada treinador tem as suas escolhas e eu acho que a gente tem que controlar a si próprio, não os outros, né?
E aqui hoje a gente leva realmente na brincadeira, na felicidade, porque independente de muitas, porque praticamente, se você colocar para analisar as 11 que vem jogando no nosso time, são praticamente 11 que não estavam jogando no ano passado, há seis meses. Estavam no banco.
Sim, completamente. E hoje, graças a Deus, mesmo com as situações negativas que nós estamos tendo em questões de lesões e muitas outras coisas, a gente está em quarto lugar, batalhando e tentando fechar o ouvidinho e ir para frente. Então, assim, a gente leva muito na brincadeira, muito na felicidade. A gente brinca muito em questão isso ali, mas não vou falar.
Não vai expor os bastidores? Não, mas assim, então acho que isso ajuda bastante. Aí a gente sempre coloca na lista ali, ó, fulano tal, time tal, esse.
Tem umas cartas marcadas, assim. Essa é a meta. É bom pra dar uma confiança maior, assim, né? Uma vingança. Foi um dos motivos que ali no cruzeiro, ali, a gente entrou de uma forma diferente. Por quê? Porque a minha mãe, ela tinha mandado um post de vários fulanos. Isso há 10 minutos antes da gente fechar.
E ela falou, Darlene, onde já se viu isso? Espero que vocês entrem e mostrem o diferente. E tinha nove votos todos no Cruzeiro.
todos. E nenhum em nós. Eu falei, agora é a hora de eu abrir a boca aqui nessa roda. Não vou muito falar não, mas vou falar. Deixa eu te contar um bastidor então. A gente ficou dias e dias eu e essa daqui, pensando mas meu Deus, onde é que foi isso? Cadê essa informação que a gente não tem? Olha, acho que demorou uma semana pra gente descobrir, né? É, aí eu peguei e falei, mostrei e falei o que tinha que falar. Foi onde eu citei o Bari.
Agradeci muito ele, independente de qualquer coisa, porque a gente tava realmente tipo assim...
Não tava muito legal os jogos que a gente tava fazendo, sabe? Não assim, desmerecendo ninguém, que a gente não precisa disso. A gente nunca falou, nunca vai falar de ninguém aqui. Mas a gente empatou com o Misto. Então o Bari tava... Era um treinador... Acho que o Granal também... Exatamente. Vocês vinham bem, aí chegou no Granal e aí acaba perdendo. Que era pra gente ter ganhado.
Então assim, e ele também estava bem abatido E querendo ou não, ele deu oportunidades pra todo mundo E confiou em cada um aqui que está aqui hoje E foi onde eu falei e foi onde eu mostrei Falei, tá vendo isso aqui? Isso aí mostrando na roda
Nós vamos entrar ali hoje, né? Daqui pro hospital, mas nós vamos ganhar hoje. E graças a Deus deu certo. E cala uma boquinha dos nove que colocou. Essa vitória com certeza é uma virada de chave, assim, né? Porque o Cruzeiro tava num momento melhor. O Inter gerando desconfiança. Vocês foram lá e venceram. E venceram bem, né? O Inter também teve possibilidade de ampliar o placar. Também teve possibilidade de tomar. A Gabi foi muito bem, né? Acho que a Gabi foi...
Uma das melhores em campo ali, defendeu muito. Mas foi um jogo que foi diferente, assim. E eu acho que também entra, Nani, no que a gente... Eu até conversei com o Maurício num pós-jogo desses sobre... Como no Grenal também foi uma falta de confiança depois do Grenal. De tipo, putz, a gente perdeu o Grenal. Talvez se o jogo do misto viesse numa sequência anterior. Se fosse primeiro o misto, depois o Grenal. Sim, exato.
Teria sido diferente, né? Porque a gente sabe, estando aqui, vocês já chegaram e eu acredito que vocês já tenham sido apresentadas a realidade da super rivalidade, Grenal, e tudo que vale esse jogo, né? Mas eu acho que, com certeza, isso que tu falou faz muito sentido, né? De vencer o Cruzeiro aí, deu uma confiança a mais pra agora, vamos mostrar pra todo mundo e pra nós mesmas que... É, é o que eu falei desde o início, né? Eu, de verdade, eu juro pra vocês, antes de eu fechar o meu contrato com o Internacional, eu escutava muita coisa.
Eu já escutava muita coisa. Ah, mas... Falei, gente, e o Baris o tempo todo conversando comigo. Na época era a Luísa, né? Confiou bastante em mim. Uma pessoa que eu tenho uma admiração também muito grande.
E eu falei, ah, meu, eu tinha outras propostas, eu falei, não, eu vou para o Inter. Eu vou para o Inter porque o grupo, já que desde o início que eu já estava vendo quem estaria vindo, eu tinha certeza que ia ser um grupo bom, um grupo tranquilo, que não ia ter problema nenhum, extra-campo e muito menos dentro de campo. Falei, não, vai ser ali.
O Barito cita ele várias vezes, né? E pro Inter ele é muito importante, porque ele é o grande técnico desde a retomada do futebol feminino no clube, assim, né? Ele que fez o Inter chegar numa final de Brasileirão. E quando ele saiu, eu sinto que o Inter ficou meio perdido, assim. O Inter até teve o Piscinato, que foi bem, mas depois do Piscinato, quando o Piscinato escolheu sair, ficou aquela coisa meio... A gente não sabe quem trazer e quem chega não entende o clube. E o Barito entende o Inter, assim.
Eu acho que é um casamento legal entre Inter e Bari. O que mais pode falar dele? Como é o Bari no dia a dia? Porque tu já trabalhou com ele antes, né? Eu brinco com o Bari 24 horas. A gente discute direto, mas é uma discussão positiva, entendeu? Eu sou daquela pessoa, graças a Deus, minha mãe me deu uma coisa muito maravilhosa, que é o caráter e a educação. Então, independente de qualquer coisa, eu não escondo nada de ninguém e falo tudo na cara.
E o Bari, ele me conhece, entendeu? E eu tiver que falar, eu falo na cara dele, e ele me xinga e manda eu, ah, vai dormir, tá tudo bem. E aí amanhã já tá ali brincando, conversando e falando besteira de novo. Então assim, a gente se entende muito bem, porque o Bari também, quando ele chegou no Flamengo, eu acho que, se eu não me engano, eu já fazia uns três aninhos que tava ali, e ele chegou numa fase da minha vida ali no Flamengo que eu não tava legal.
Eu não estava bem. E eu conheci o Bari já há muitos anos, porque, né, Bari, minha mãe está no mundo do futebol há muitos anos, eu... Mas eu nunca cheguei a trabalhar com o Bari. E quando ele chegou no Flamengo, no segundo dia, acho que ele pisou ali, ele se apresentou, ele não deu treino, no outro dia eu chamei ele para conversar.
Aí eu fui, troquei uma ideia com ele, falei tudo, tudo que estava acontecendo comigo, tudo que, sabe, eu falei para ele, não conta comigo para nada, porque infelizmente eu quero sair mesmo do Flamengo, meu ciclo já se encerrou, sou apaixonada por todo mundo aqui, sou apaixonada pelo Flamengo, mas nesse momento eu preciso sair. E ele gostou dessa conversa que eu tive com ele, porque eu fui real com ele, falei, olha, não precisa contar comigo mesmo para nada.
E ele falou, não, eu quero que você me dê, me ajuda, eu quero que você me dê uns três meses a quatro meses.
Falei, tudo bem. Aí eu fiquei ainda, eu acho que oito meses ainda, porque eu virei o ano, aí eu fui sair só no outro ano, em junho. Isso foi quando ele chegou em agosto. É, ele chegou na metade do ano. Isso. Aí só foi no outro ano, aí eu falei, Bari, agora não dá mais mesmo, não. Aí ele falou, não, agora eu vou te ajudar também. Então ele me ajudou, querendo ou não, bastante a sair ali do Flamengo. Não por nada, só, igual eu falei, não tenho nada contra, mas eu precisava, precisava já sair.
E aí, então assim, eu tenho uma relação com o Bari muito legal, muito boa. Quando ele veio conversar comigo,
Eu falei, perguntei tudo pra ele, falei, pô, Bari, mas eu preciso saber, entendeu, das contratações, todas essas coisas. Ele conversou, falou tudo bem explicadinho pra mim, então assim, tudo que ele falou pra mim tá acontecendo, entendeu? Ele é um cara que eu sempre falei pra ele, Bari, você meio que também parou no tempo.
Por você ter muitos anos de futebol, acho que chegou um momento que às vezes, eu acho que não só nós atletas, como os treinadores mesmo, eles precisam descansar. E o Bari, quando ele saiu do Flamengo, eu achei que ele ia fazer isso. Descansar. Aí ele veio para o Inter.
E eu falei pra ele, falei assim, muitas vezes a gente precisa muito mais de você. Você deixa de desejar às vezes. E ele sabe disso, porque eu não escondo isso de ninguém e sempre falei na cara dele. Falei, só que você precisa ser diferente também. Porque se você vai continuar sendo só o bari. Você não vai ser o bari.
E ele super, tipo, me entende, me xinga, me cobra. Quando ele acha que tem que chegar em mim e falar alguma coisa, ele vai me falar, eu vou escutar, se eu tiver que retrucar, eu vou retrucar. Então a gente tem uma relação muito boa, muito, muito boa mesmo. Eu gosto muito dele, é um cara sensacional, um ser humano que eu não sei nem te explicar. É um cara que o que você precisar dele, ele tá ali, mas se ele tiver que puxar a orelhinha também, ele vai te puxar, entendeu?
E em questões profissionais é isso. Tamo junto e vambora. Eu acho que isso que a Darlene falou é o mesmo que... É mesmo o sentimento que a gente tem sobre o Bari também, né? O Maurício, ele é um técnico que a gente trabalhando no futebol feminino convive diretamente com ele. E ele sempre é muito respeitoso, mesmo com a crítica, né? Porque às vezes a gente sabe que as críticas, elas não são muito bem aceitas. Mas o Maurício, não. Ele entende a nossa crítica, ele conversa. Se precisar, ele explica.
Explicar ele explica. Se precisar explicar dez vezes, ele explica dez vezes, ele ouve. Então temos também um carinho muito grande por ele, pela pessoa que ele é, pelo que ele representa também pro futebol feminino. Mas tu falou uma outra coisa ali que eu achei interessante e até tinha observado em algum jogo.
Que é sobre as meninas da base. Acho que foi no jogo treino que eu observei quanto tu orienta elas também ali, né? Tu dá umas dicas, chama pra conversar. Queria que tu falasse um pouquinho também sobre como é que é essa troca com essas gurias aí. Ah, igual eu falo, eu... Nossa, é que eu sou...
Eu sou muito diferente, porque eu brinco muito, mas na hora que eu tô ali no campo, eu tento conversar bastante com todo mundo, claro. E as meninas da base, principalmente do Inter, elas são diferenciadas, né? Não é aquelas meninas que você olha assim e fala pô, a gente tem que trabalhar. Não, se você pegar elas ali e colocar com a gente, elas vão.
Dá um jeito de ser melhor que nós. Isso eu tenho certeza. Então, assim, principalmente a Aninha, uma pessoa que eu converso muito, me escuta muito, entendeu? Que ela joga mais próximo de mim. Agora quem subiu foi a Mika, né? Que tá jogando com a gente. E a Mika foi uma... Eu nunca tinha me aproximado das meninas da base, né? Quando eu cheguei aqui no Inter. E a gente teve um primeiro amistoso. Não foi agora, esse último agora com elas. Foi um primeiro lá atrás. Acho que, se não me engano, foi na pré-temporada.
E eu vi a Mica jogando contra nós. Falei, gente, foi... Né? Essa menina quantos anos? Ah, 18, 19. Falei, não, mas por que essa menina não tá com nós no profissional? Isso resenha entre nós, né? Das meninas. Ai, também não sei, também não sei, não sei o que, não sei o que. E aí, eu acho que foi... Olha, até não gosto de falar essas coisas, mas dois jogos depois, aí eu acho que foi a Jordana se lesionou. Aí ela subiu, falei, o que você tá fazendo aqui? Brinquei com ela, né?
Falei, o que você está fazendo aqui? Ela falou, ai, subi, falei, então, agora, foguetes não dá ré, né, não desce mais não. Ela, não, não, não. Falei, então tá bom. Aí, assim, eu gosto de orientar elas bastante, não que vai ser bom ou ruim, né, não sei, mas eu converso bastante com elas e, graças a Deus, elas escutam bastante.
Então tá dando certo. Com certeza é bom. Então, vou te dizer que assim, numa das minhas últimas colunas, que foi depois do jogo contra o Santos, eu acho, eu coloquei que parece que tanto a entrada da Ninha quanto da Mika potencializou vocês, assim, Tua, Sole, né? Porque elas correm muito, né? Então eu acho que isso ajuda vocês também, né? Pra cobrir uma área do campo, que daqui a pouco vocês já não conseguem, né? Chegar o tempo inteiro, assim, nem elas. Pô, Ninha corre...
Nossa, gente, olha, ela tá correndo Então, dentro de campo, tu percebe isso também Ah, percebe, né Dá pra perceber Teve um jogo até que a gente brincou muito Acho que foi o Atlético Mineiro A Aninha, eu acho que entrou no segundo tempo, né E eu acho que ela entrou um pouco perdida Eu, Aninha, pelo amor de Deus, volta pra mim, filha Volta pra mim, porque eu não tô dando conta mais não Aí a Sole sentindo E eu com dor Aí ela, tadinha, tentando Aí depois, lógico, na hora ali a gente fica Não dá pra...
princípio, né? Mas depois que acaba, você dá risada, você brinca. Aí eu falei, ô Aninha, pelo amor de Deus, me perdoa, filha, porque ela, não, não tem problema não. Aí a gente ficou dando risada, brincando, mas aí a gente percebe bastante, porque assim, claro que, né, eu acho que tem idade pra ser minha filha, se for ver. Então, assim... Não, ainda não. É, só não. É, 25 aninha, eu dei verdade, esqueci. É, você falou que era 25. É, então, assim, e a gente vê que não só a Aninha, não só a...
A Mica, a Bianca, a Joana também. Não todas. A Sara, pra mim também. Nossa, bem pra caramba. A Alice, que eu chamo Alice Branca, né? A Lisona e a Alice Branca. Alice. Então, tipo assim, as meninas ali, todas elas que estão ali com a gente ali, é diferente, é diferenciada. Até as duas que subiram agora também, esqueço o nome, a pequenininha, a Stephanie e a Laura.
Tipo assim, são meninas que tá ali Não tá nem aí que nós somos o profissional E tá certa elas, né? Porque às vezes tem meninas que fica Ah, isso, tipo, não quer falar, não quer conversar Elas não é de falar muito E eu falo, vocês têm que falar, vocês têm que abrir a boca No jogo do Santos mesmo Eu cheguei na Aninha antes, falei Aninha, entra leve Entra como se você estivesse jogando na rua Na sua casa Meu, entra, faz o seu, deixa falar Se falou, entra no ouvido E aí
absorve, se não, se for coisa, você acha que é negativo, e outra, fala, abre a boca, Darlene, não, jogou muito, aí eu mandei uma mensagem pra ela depois no Instagram, falei, parabéns pelo jogo de hoje, porque se joga mal, eu falo também, se joga bem, eu falo também, eu falei, parabéns pelo jogo de hoje. A Lara falando no fundo, fala mesmo, fala mesmo. Falo, eixe.
Aí ela, não, dar brigada, tal, não sei o que, não sei o que. Então, assim, elas entram ali, cara, que eu não sei nem explicar. Eu acho que, tipo assim, eu já treinei, joguei com muitas meninas novas, mas muitas meninas que, às vezes, também, tipo assim, tinham um futuro brilhante, mas, infelizmente, deixou escapar. Muitas. Tem que ter cabeça, né?
Exatamente, e a cabeça delas é totalmente diferente, totalmente diferente. Aqui as do Inter, assim, de verdade, de todos os lugares que eu passei, eu acho que pra mim, não é porque eu tô aqui não, porque senão eu falava também. Realmente a cabeça delas é diferente. E acho que essa mescla também é muito, né, é muito importante, porque tem a experiência de vocês que já viveram o que elas estão vivendo agora, e daí como tu disse, podem dar umas dicas aí, e tem elas também podendo contribuir de outras formas também. E aí é a chave pra que elas dêem certo, né? E aí é...
É tudo muito nova e já muito... Experiente! A média é boa. A média é boa. É, não tem aquela, tipo assim, eu acho que não tem nem menino. Deve ter ali o quê? Os seus 25 anos. É de 25 pra cima, se eu não me engano. E de 20 pra baixo.
aí dá o equilíbrio faz a média, dá 25 tá dando certo mas Darlene falou uma coisa da tua família antes ali e é uma coisa que a gente tava conversando nos bastidores antes, porque eu tava falando pra Nani pô, tava assistindo um jogo do Inter esses dias e a Roberta Nina das Vibradoras falou não sei se vocês sabem, mas a família da Darlene, os pais dela criaram um time pra que as filhas jogassem
E aí eu achei essa história muito legal, fui pesquisar e estava compartilhando hoje com a Nani sobre isso, mas eu queria que tu falasse um pouquinho pra nós como é que é isso. Chicão é Doroté, é famoso, nossa senhora. Meu pai e minha mãe. Ah, meus pais, meu pai era jogador, né? Só que ele não teve, eu acho que, meu vô também, argentino, meu vô era argentino mesmo, legítimo, fala igual a sola assim, mas eu não a conheci.
E era jogador também, só que meu pai não teve a oportunidade de ser jogador profissional, porque logo em seguida ele teve minhas irmãs, mas bem cedo depois teve eu, então ele acabou não conseguindo. E aí eu desde pequenininha já gostava muito de futebol, gostava muito de bola, era um menininho, ficava brincando com tudo de carrinho, bola, essas coisas. E as minhas irmãs também, só que aí como minhas irmãs são mais velhas que eu, elas fizeram aqueles campeonatinhos escolares, que eu não lembro como se chama.
Eu acho que é jogos escolares. É, eu acho que é isso. E aí, começaram, aí chegaram no meu pai e falaram, pai, monta um time de futebol, monta um time de futebol. Meu pai falou, oxe, essas meninas estão ficando é doida. Aí meu pai falou, ai. Com o que que eles trabalhavam? Com o que que ele trabalhava? Nossa, minha mãe e meu pai, eu acho que eles vendiam, como fala, negócio de laje, assim, sabe? Negócio de construção. Tá. Antes. Tipo, nada a ver com... Nada a ver, nada a ver. E aí...
Eu já era novinha, já devia ter meus seis aninhos, sete aninhos por aí. E aí meu pai falou, uai, vamos aí. Aí meu pai juntou uns amigos dele também, tudo jogador, falou, vamos fazer um torneio de futebol feminino? E vamos trazer todas essas meninas lá da escola. Aí as meninas falaram, topou, meu pai fez um torneio. Começou a chamar de região, assim, timinho, sabe, de região. Foi campeão, menina.
Foram campeão com as minhas duas irmãs. Eu não. Aí já era o sinal. Ainda era muito pequenininha. Eu ficava lá brincando, né? E aí foram campeão. Aí eu acho que um vereador, se eu não me engano...
Eu também não lembro muito bem da história, mas assim, um vereador... Minha mãe tem livro, eles têm livro, tem tudo. Um vereador lá deu um churrascão lá, uma festa, falou, não, vocês têm que continuar. Porque, né, e tal. E minha mãe falou, aí, vamos embora. Minha mãe começou. Começou, aí começou, começou. Aí meu pai virou pra minhas irmãs, com o tempo, falou assim, ó, pode parar. Vocês não podem jogar bola mais não. Vai estudar.
super sincero que nem tu vai estudar, porque minhas irmãs tinham o dom, mas não, né não era aquele dom falou, é melhor você estudar só que ele já tava com o time, já era federado lá na época se eu não me engano já tinha sido campeão paulista que na época era paulistana não era paulista
Campeão paulistano Já tava bem assim E eu já tava também começando Aí eu falei, não, deixa só sua irmã, vocês vão estudar Aí minhas irmãs fizeram faculdade, pararam Ficou só eu Aí meu pai montou um time, foi montando, montando, montando Foi ganhando, foi bicampeão paulista E tu jogou nesse time? Brasileiro Não, aí que vem as histórias Aí eu saí muito cedo E aí L
Porque aí tu tinha o dom, né, no caso, de verdade. É, o pai do céu me deu esse dom aí, só que só me deu esse também, me deu pra estudar, não. Deixa os estudos pra ela, se as irmãs estudam, eu jogo. Aí eu, com 16 anos, eu fui pra minha primeira convocação, pra seleção, só que sub-20. E na época eu tava montando a seleção sub-17.
E eu falei, não, eu não vou, não vou, porque era do mato, né, molecona. Falei, ah, eu não vou, não vou, minha mãe, você tá ficando doido, você vai ir. Aí eu já, daí eu comecei a sair. Aí eu fui pra Itália, aí eu voltei, aí só que em 2000 e...
Eu jogava em outros Fora do país e voltava Porque eu era muito novinha, não tinha cabeça na época Mas graças a Deus eu tenho uma família muito estruturada Que me deu todo o suporte de ser quem eu sou hoje Porque senão talvez eu também seria Uma dessas meninas que eu comentei Há um pouco atrás que tinha perdido muita coisa na vida E eu tive muitas oportunidades Maravilhosas na minha vida Com 15 anos, 16 anos E não quis E perdi, mas talvez Conадададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададададад
também se eu tivesse tido essas oportunidades, também não estaria onde eu estou hoje. Então eu sou muito desassinada por acaso na vida, né? Então, e aí, eu comecei a ir, eu ia, eu fui, joguei na Áustria dois anos, fui pra China, fui pra Coreia, aí foi indo, foi indo, foi indo, foi indo. Aí eu fui, voltei, eu tava na seleção já principal, aí depois de 2016, né? Não, em 2006.
que eu tinha 16 anos, que eu fui na seleção sub-20, eu comecei a ir para a principal. Aí de lá, graças a Deus, eu não saí mais. Aí, em 2015, teve o draft.
Que era o Campeonato Brasileiro. E aí a mesma história, foi um dos motivos que eu quis... Eu nunca contei isso pra ninguém. Acho que só pro Bari. Um dos motivos que eu quis vir pro Inter também foi porque eu vi muito o time da minha mãe. Porque nesse ano de 2015...
A gente estava no draft com a seleção brasileira porque a gente ficava morando, né? Então a gente estava na permanente da seleção. E eles deram essa opção de a gente voltar só para as finais dos campeonatos brasileiros. Só que era sorteio. E minha mãe passou de fase contra a ferroviária, acho que no último minuto.
E quando foi pro sorteio, ninguém, ninguém, juro pra você como essa luz aqui, virou e falou que queriam ir pro Rio Preto. Não, eu quero o Rio Preto. Ah, ninguém, ninguém. Todo mundo queria, na época, São José, que era a Emily Lima, treinadora. São José bombava, sabe? E o Chil Santos, que era o modesto, né? Que era presidente.
Enfim, muita gente, muito timão, assim. E quem era o Rio Preto? O Rio Preto sempre foi um time batalhador, só com meus pais. Meu pai e minha mãe não tinham 15, 20 pessoas atrás de comissão, como hoje em dia os clubes todos têm. E minha mãe sempre batalhando, sempre lutando pra trazer. E nisso a gente já tinha sido campeão paulista. Em cima do Corinthians, eu acho. Que na época era Aldax, que era o Arthur. Exato.
Eu acho que foi alguma coisa assim, ou foi o Santos, não me recordo. E aí, eu falei, beleza. Aí eu liguei pra minha mãe na hora, desesperada, e falei, mãe, pelo amor de Deus, não tem como, porque naquela época eu não tinha ainda a mente de que eu podia jogar contra o time da minha mãe. Nunca na minha vida. Mãe, pelo amor de Deus, liga pro pessoal, liga pro pessoal da CBF, liga pra não sei quem, pra deixar, não fazer sorteio, que eu quero, eu vou jogar no seu time, mãe. Não tem como.
Aí na época teve ainda um burburinho, por quê? Porque alguns aceitavam que, tipo assim, nas reuniões, que realmente não fazia sentido eu jogar contra o time dos meus pais, naquele momento.
mas outros também não aceitavam porque na cabeça deles era profissional. E por um lado eu concordo também. E aí foi que era por sorteio, eu lembro que você fosse hoje, minha mãe mandando mensagem pra mim perguntando, Dar, nós vamos escolher duas pessoas. Se eu te escolher, quem é a outra? Eu falei, mãe, escolhe quem você quiser, porque ninguém tinha falado nada. Todo mundo, né? Nada, nada, juro mesmo. E na época eu era muito... Na época não, até hoje eu tenho muita amizade com a Luciana Goleira.
E a Luciana também, meio que não comentou nada comigo, nem com ninguém. E aí foi o sorteio. Minha mãe saiu em segundo. Primeiro saiu o América Mineiro. Lembro como se fosse... A gente estava todo mundo ao vivo lá. Saiu o América Mineiro, escolheu a Rafa. Minha mãe subiu. Na hora que minha mãe subiu no palco, todo mundo. Quem será que ela vai escolher? Não sei o que, né? Tirando onda. Aí ela foi e me escolheu.
Aí só que era, o sorteio, ele era tipo, o primeiro, o segundo, depois voltava. Então minha mãe ia se tornar a penúltima. Aí eu falei, meu Deus, e agora? E aí eu olhei assim, olhava, minha mãe olhava pra mim, fazia assim, e eu falava, meu Deus. Como que eu vou falar, mãe? Eu não podia falar, né? Um monte de câmbio, um monte de gente. Aí a Luciana virou pra mim e falou assim, manda sua mãe me escolher. Fez, tá falando sério? Ela, eu tô falando muito sério. Eu falei assim, então tá bom.
Aí eu olhei, só olhei pra minha mãe assim pra trás, que eles estavam tudo atrás. Aí eu olhei pra minha mãe e fiz assim, ó. A Luciana, minha mãe graças deu pra escolher a Luciana. Entendeu. Aí nós fomos. Pegamos o primeiro jogo, lembro como se fosse o Flamengo. Que eu acho que era o atual campeão, não sei.
Não sei se era tal companhia. 2016. Não, 2016 foi o Rio Preto, foi o time da minha mãe e Flamengo de novo. Não, mas antes, 2014, não lembro. Eu lembro se é o São José. Minha mãe foi, aí foi, nós 5x1 no Flamengo. E todo mundo falando, né, que São José, Sistimão e tudo, ninguém, ninguém é Rio Preto. Acho!
Depois fomos lá, ganhamos campeão em cima de São José da Emily. Olha só. Fomos campeãs. E assim...
Eu igual tô te falando, me via muito, me via assim muito no Inter, porque desde quando eu pisei aqui, muita gente falando coisas absurdas, né? E a gente, tipo assim, com muitas meninas ali também lesionadas, meninas novas, a gente não tinha muitas meninas que faziam troca, porque a gente jogava daquele jeito ali, com meu pai brigando, xingando, Deus e o mundo me xingando. E aí foi quando a gente foi campeão brasileiro, e eles foram bicam... Nessa época aí eu não pude jogar o Campeonato Paulista.
por outros motivos. Depois a gente conta. E aí, no outro ano, 2016, eu já não tava mais, eu fui pra fora do país, de novo, aí eu não voltei mais. Foi o último ano que eu joguei com minha mãe. Aí eu... Mentira. Aí eu falando besteira. Fui pra fora do país, aí eu voltei em 2017. Foi o último ano que eu joguei seis meses pra minha mãe. Foi quando eu fiz a cagada de cuspir na cara do árbitro. Peguei seis meses de suspensão. O que ele fez?
muita coisa. Mas de jogo, assim, tipo... Que foi na semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Corinthians. Várias decisões erradas, no caso. Ou ele falou alguma coisa assim que tinha... É claro que isso não justifica o que eu fiz, né? Porque igual eu falo, eu brinco, eu falo, gente, eu não sei nem fazer isso no dia a dia. Não sei chegar ali e fazer... Não consigo. Mas naquele... Juro por Deus, de verdade, não consigo cuspir. Não sei o que é isso. Nunca fiz isso na minha vida. E aí, aquele dia...
Nós e o Corinthians lá na Arena Barueri, nós tínhamos ganhado o primeiro jogo, o segundo jogo ele fez o que fez, eu falei, não, não é possível isso não. Aí ele veio, aí eu fui falar com a menina do meu time, ele virou e falou, o que você fez? Eu não posso falar com ela não. Então ele falou também. Não, ele já foi mandado, pronto, ele já entrou sendo mandado.
Tendo a carteirinha. As cartas marcadas. Isso, das meninas ali. E eu falei, eu não tô falando com você não. Aí eu discuti, mas ele vem e me deu vermelho, aí já virou merda. Mas aí eu tenho uma história positiva também, porque se eu não tivesse feito isso...
Talvez eu não tinha ido pro grande clube, que é o amor da minha vida, que é o Benfica. Entendeu? Que lá eu tive uma história maravilhosa. E o próprio treinador virou pra mim e falou, não só pra mim, como na roda, todo o grupo. E falou, eu só trouxe a Darnane porque ela fez isso. Eu não tinha trazido. Juro? Que loucura, né? De verdade. Ele falou desse jeito. Ele viu que coragem tu tinha. Ele falou, eu já queria você. Eu comprei uma briga contigo. Ele falou, eu já queria você. Quando eu vi isso, foi onde eu...
E a gente perguntar qual lugar fora do país tu mais gostou de jogar, então foi no Portugal. Lá eu tenho uma história muito linda. Que legal. E qual foi o lugar que tu passou mais perrengue? Tu falou vários países aí, mas eu imagino que nem todos esses idiomas aí tu sabia falar. Aí nem sei falar até hoje. Falar um coreano, um japonês. Não, eu tenho muitas coisas. Igual eu falei brincando, se fosse pra contar tudo aqui, a história é bonita. Mas assim, é...
Eu, perrengue, perrengue mesmo, acho que foi na China. Acho que foi na China. Comeu uma carne de cachorro na China? Mas tu diz de... Não sei. Tu diz, tipo, de estadia ou por conta da língua? Não, a gente tinha um tradutor. A gente tinha um tradutor lá, mas infelizmente tive um problema muito grave também com esse tradutor. A gente acabou saindo no pau lá. Me machuquei bastante. Aí...
Muitas coisas aconteceram, mas não só por isso, isso foi uma coisa mais à parte, que é uma coisa grave, mas uma coisa à parte. A cultura mesmo, o jeito, sabe? Coréia do Sul, eu vou te falar que não tem nada a ver. Eu voltaria lá 10 mil vezes. Que legal. 10 mil vezes. Eu me senti bem na Coréia do Sul, sabe? E já era mais difícil, porque eu não tinha tradutor, não tinha nada, não sabia falar nem português direito. E aí, eu ia lutando ali, né? Agora, na China, não sei explicar.
Não sei explicar. É muito diferente mesmo. Acho que na China foi... Complexo. Mas eu queria te perguntar também, como é que foi a tua decisão de... Acho que agora é o momento de eu voltar pro Brasil e continuar minha carreira por lá. Como é que foi esse estalo, essa decisão? Então, como a gente tava voltando a falar da minha família, minha família é muito unida, graças a Deus. Somos em três mulheres, meu pai e minha mãe.
E a minha irmã, ela engravidou, meu primeiro sobrinho, e eu sou a molecona, né, eu sou a mais nova. E eu nunca tive contato com criança, então assim, pra mim foi uma coisa assim que eu não sabia explicar. E aí isso mexeu bastante comigo, e eu tava no Benfica.
E aí eu já estava ali, eu converso muito com minha mãe, com minha família, nunca deixo de fazer nada assim, por mais que hoje eu tenha minha vida muito bem resolvida, mas eu não deixo de falar com a minha mãe, com o meu pai, meu pai ainda menos, porque meu pai não gosta muito de celular não, mas com as minhas irmãs, assim, de não de... Às vezes perguntar uma opinião ali faz... E eu comecei a questionar isso.
Aí minha mãe falou, não, não tá na hora ainda, bem fica, eles queriam me renovar ainda mais dois anos. E aí eu comecei a pensar, fui pensando, porque eu sou daquelas assim, eu acho que chega um momento...
na minha vida, que o meu ciclo se encerra, por mais que eu estou positivamente linda, maravilhosa no clube, eu não vou viver ali porque eu quero, porque eu estou bem, porque eu sou titular absoluta, porque eu ganho bem, independente de qualquer coisa. Eu sou aquelas que eu gosto de desafios na minha vida. Então ali eu tinha ganhado tudo, já tudo. O único campeonato que eu não tive a oportunidade de participar, que quando a gente foi...
pra lá que foi a Champions, eu tive que operar minha pubalgia. E eu tive que decidir se eu operava ou se eu iria pra lá. E foi onde eu decidi operar porque já fazia muito tempo que eu tava com essa dor. E pubalgia é uma lesão muito grave, uma lesão muito dolorosa. E nesse momento eu falei, não, pra mim já não dá mais.
pra mim já não dá mais, porque realmente eu tô deixando de participar de um campeonato que é um sonho de muitas atletas. E eu tô decidindo operar, por mais que eu tô com dor, mas eu já tô jogando um ano com dor, eu não posso jogar ali, né? Eu falei, não, pra mim já deu. E... e eu, assim, fui conversando, eu na época conversei com meu empresário, ele falou assim, não, você quer voltar pro Brasil? Tem certeza? Falei, aqui em Portugal, pra mim eu não vou em nenhum outro clube.
Eu já tinha jogado na Espanha, se tiver que ir para a Espanha de novo, se tiver que ir para outro lugar, então tudo bem. Ele falou assim, mas eu tenho uma proposta muito boa para você que vai mexer muito com você. Eu falei, qual? Aí ele veio para o Flamengo.
Flamengo, tal, aí mexeu, querendo ou não, meu sobrinho, eu fazia o quê? Eu fui conhecer o meu primeiro sobrinho com oito meses só, não tinha, porque minhas irmãs foram pra lá, minha mãe, né? Minha família foi pra Portugal, porque eu não tive contato, e até hoje não tenho, né?
Era mais fácil ver eles lá em Portugal do que aqui no Brasil, é verdade. E aí foi onde eu comecei a mexer bastante comigo. Eu falei, volto, não volto, volto, não volto, volto, não volto, não volto. E aí eu já estava um pouco cansada também, sabe, dali. Aí começou lá no Benfica ter umas coisas também que já não estavam muito me agradando. E aí eu falei, ah meu, eu não vou renovar mais dois anos para eu me arrepender.
Mas também se eu for me arrepender. Era uma decisão muito difícil. Era muito difícil. E aí eu não pensei duas vezes. Falei, não, pra mim já deu. Pra mim já deu. E valeu a pena? Tu acha que tu fez a escolha certa? Eu não sei. De verdade, hoje eu acho que eu tenho um arrependimento.
Mas pelo Benfica, não por ter vindo para o Flamengo, por ter voltado para o Brasil, não. Mas eu acho que eu deveria ter ficado mais, entendeu? E eles fizeram uma homenagem maravilhosa para mim, depois que eu não estava lá, colocaram minha assinatura, colocaram minha camiseta no museu, fui a primeira mulher.
Lá de ter, todas contando a minha história, que eu passei lá no museu. Então, assim, qualquer pessoa que vai lá hoje vê a Darlene lá. Claro que deve ter outras pessoas, né? E eu me emocionei muito na época, chorei muito. O vice-presidente foi na minha casa chorar, chorou. Então, assim, hoje, hoje, é um clube, assim, que muitas pessoas...
Me pergunto, você voltaria? É, era isso que eu ia te perguntar. Se tu daqui a pouco, mais pra frente, tem vontade de encerrar a carreira lá. Não sei. Eu acho que não, porque querendo não tem os meus pais também, né? Tem meu pai e minha mãe. Por mais que meu pai e minha mãe também... Meu pai já parou. Meu pai já parou já faz um tempo, já aposentou, já não quer mais saber, não. Ele tá lá, só ajuda bastante a minha mãe, né? Claro, mas a minha mãe também hoje ela já não quer mais. Ela tá cansada, mas eu acho que não é a hora também dela parar.
muita gente não quer que ela pare, porque minha mãe, independente de qualquer coisa, no futebol feminino no Brasil, ela é muito conhecida, minha mãe é, eu até brinco bastante, minha mãe é mais conhecida que a Marta, porque assim, os presidentes da CBF, os presidentes da CIDA da Federação, ele chamou minha mãe para trabalhar com ele, ele é apaixonado pela minha mãe, mas a minha mãe não quer. Então assim, eu acho que eu tenho dois clubes meu do coração, que é...
O Benfica, e claro, um é do coração e o outro é que me fez, que me criou. Então assim, eu não posso falar assim, amanhã eu volto para o Benfica para me aposentar. Mas tem um papai e mamãe ali também, né? Mas eu não sei, eu não sei. Muita gente me pergunta, é uma resposta que eu não sei dar.
Não posso falar assim, me arrependi também completamente, porque não é uma coisa que, graças a Deus, hoje, depois que eu voltei para o Brasil, fui muito feliz no Flamengo, fui muito feliz na Ferroviária, passei pouco tempo ali no Flamengo, no São Paulo, só fui a Libertadores, mas também fui muito feliz, estou feliz aqui no Inter, então, assim, ainda acredito que eu tenho bastante histórias para construir aí, principalmente, se Deus quiser, vai ser aqui no Inter. Então, é isso, mas eu tenho um carinho muito grande pelo Benfica e é isso.
Antes da gente encaminhar o nosso encerramento, agradecer aos nossos parceiros que estão sempre aqui no Resenha das Gurias. Então, Trilegal, com respeito e igualdade, a vida é Trilegal. Trilegal, porque apoiar o futebol feminino é Trilegal. E Universidade Fevale, referências impulsionam referências. Eu acho que tu tava certa quando tu disse que a gente podia ficar até as seis da tarde aqui. Mas infelizmente a nossa produção fez assim, ó.
Cinco minutos, Carol, por favor, vamos lá. Mas eu queria te perguntar então, Darlene, antes da gente encerrar.
Tinha de pedir, na verdade, pra tu nos contar quem que é a Darlene na resenha do vestiário do Inter. A gente já tem alguns spoilers, hein? Algumas pessoas já vieram aqui e já te citaram na próxima pergunta que faremos. Nossa! Não, eu... Mário, eu falo muita besteira. Eu brinco muito. Eu acho que assim...
Acho que esse é um lado muito positivo que ninguém, quem conhece a Darlene, né? Porque muita gente me julga de alguma forma, né? Assim, porque eu sou uma pessoa que eu cobro, que eu falo. E às vezes, infelizmente, a verdade dói, né? Então, e eu sou essa pessoa.
Gostando de mim ou não, vai escutar Só que eu sou completamente diferente Então todos os lugares que eu vou Eu apronto, eu falo besteira Mas não posso falar o que eu falo aqui Porque é muita coisa, né Lara? Você é inspirado pela Lara Nossa, aí eu brinco com os caras Coisa assim É umas coisas que você olha Você não tem noção que Uma atleta
Faz tudo isso, entendeu? Muito bom. Mas a gente ouve que tu é da resenha, tá? A gente ouviu bastante. Tu e a Valéria. A Valéria veio aqui, inclusive, e disse que tu era da resenha também. Não, os caras da comissão sofrem comigo também. Nossa, eu brinco. Eu faço muita coisa, muita besteira. Deixa eu te fazer uma última pergunta, então. Sobre a cidade de Porto Alegre, o que tu tá achando? O que tu tá achando frio? O chimarrão tu já provou? Gostou, não gostou? O churrasco daqui é diferente mesmo?
Se eu te contar, você vai chorar. Eu não saio. Não saio de casa. Eu sou muito tranquila, muito tranquila. Eu vou falar pra você que eu gosto de resenha, de churrasco, de...
Tomar uma refrigerante, uma água, um suco natural. O suco natural, mas eu sou muito tranquila, porque eu prezo também bastante o meu descanso. Então, eu até brinquei com a Lara, falei, pô, lá, três horas da time, a hora do meu soninho. De verdade, eu não deixo de dormir à tarde. Todos os dias eu descanso. Então, assim, do treino pra casa, da casa pro treino.
difícil mesmo, às vezes, claro, mercado, açougue, essas coisas normal, né, mas eu não saio, então assim, eu não consigo falar o que é o Porto Alegre, mas assim, de quem andava, né, 30, 40 minutos para chegar no treino, de onde eu moro, para o trabalho, para onde a gente treina, é bem tranquilo, o Porto Alegre está bem tranquilo, e eu já sei desse frio aí, porque eu sou uma pessoa que odeia o frio. Também. Odeia o frio, odeia assim, né.
É ruim, porque pra nós ele que treina, é pé, mão. Mas, assim, não tem o que fazer. Já passei perrengues no frio também. Mas provou chimarrão no treino? Não. Não tô bom ainda? Não, não tem graça. Eu sou viciada em café. É 24 horas café, café, café, café. Mas eu não experimentei esse negócio ainda. Eu até brinco com as meninas. Falei, eu vou tomar isso. No frio é bom.
O chimarrão é o quente. É, o quente. O tererê é o frio. Mas a gente não tem muito costume do tererê. Não, é. As meninas ficam com... É, aí eu até brinco lá. Falei, nossa, gente. Aí eu falo brincando lá com elas, mas não tomo. Mas eu vou experimentar. Muito bom. Pra fechar, eu quero te perguntar a nossa outra pergunta raiz do Resenha, que tu já foi citada aqui, que é quem é a mais resenha, então, do vestiário do Inter ali? Quem entrega bastante entretenimento, memes, risadas, dancinhas?
Não tem como, é eu. Sou eu, né, Lara? Não tem jeito. A Lara confirmou. É porque a Lara não posta, mas se ela postar tudo os vídeos que ela faz nossa ali, nossa, não ia dar certo isso aí não. É eu, Valéria, que fica mais... A gente já pega o som, já vai falando besteira, já chega gritando. O povo fala, Darlene, escuta esse lado de cima. Não é problema não, eu falo alto mesmo, grito. Acho que sou eu e a Valéria, porque tá ali comigo, arrasto ela também.
Foi sincera, do começo ao fim, se entregou no final, é sobre isso. Mas antes de agradecer a Darlene e liberar ela, eu queria ressaltar aqui então os nossos apoiadores, Trilegal com respeito e igualdade à vida é Trilegal, Trilegal porque apoiar o futebol feminino é Trilegal, e Universidade Fevale, a Fevale tem a pós-graduação feita para você, aqui proporcionamos conhecimentos técnicos e práticos para formar profissionais proativos.
E inovadores, reunimos todos os elementos para fazer a diferença na sua carreira, preparando você para os desafios do mercado de trabalho. Se você deseja se destacar em sua área de atuação, acesse pos.fevale.br e garanta sua vaga. Então, primeiro, queria te agradecer, minha amiga, por estar aqui. Estamos juntos, pode chamar que alguém, sabe? Contarei muito com você durante esses próximos anos. Agora que eu estou aqui, agora que eu estou aqui, eu estou aqui. Eu só descei o andar.
Só bater ali e te agradecer muito também, Darlene, por ter aberto o coração pra gente, contado várias coisas da tua carreira. Acho que foi bem uma resenha mesmo. Pelo menos a gente se divertiu bastante, então espero que tu tenha se sentido em casa. E também as portas do resenha estão abertas pra sempre que tu quiser voltar, pra contar mais histórias, que eu garanto que deve ter várias. Vixe, vamos embora. Eu até brinco, falo, eu sou tímida, não gosto, mas na hora que eu comer, não para também. Mas eu que agradeço vocês pelo convite e tenho certeza que a gente vai...
Conversar bastante. Valeu, muito sucesso no Inter. Obrigada. É isso, galera. Então voltamos na próxima semana com mais entrevistas, mais assuntos, mais futebol feminino, porque é isso, né? Vamos, beijo, tesgo. Música Música