Episódios de Mister Pod

EP 156 | Da implantação ao case de sucesso: aprendizados de 30 anos de trajetória

04 de maio de 202652min
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Se tem um universo cheio de histórias, é o dos condomínios.E no episódio de hoje do #MisterPod, vamos conversar com quem conhece cada detalhe desses bastidores: Mauro Pacifico, síndico profissional e autor do livro "Por trás dos muros - A vida como ela é em condomínios".Uma troca imperdível sobre convivência, conflitos, aprendizados e a vida real que acontece entre blocos e torres.

Assuntos6
  • Trajetória de Mauro PacíficoInício na hotelaria e transição para condomínios · Experiência em administração e terceirização · Venda da empresa de terceirização · Consultoria e mentoria para síndicos · Tornar-se síndico profissional
  • O livro 'Por trás dos muros'Inspiração e processo de escrita · Conteúdo e histórias inusitadas · Disponibilidade e aquisição · Projeto de livro colaborativo com síndicos
  • Histórias invisíveisO mistério do corpo no elevador e na Rio Santos · O caso do bolo de maconha nas camareiras · O morador que teve a geladeira violada
  • Experiência de morar em condomínioConvivência e conflitos entre moradores · A revelação das 'sombras' humanas em condomínios · Desrespeito às leis e regras · A necessidade de síndicos profissionais e administradoras
  • Futuro do TrabalhoImpacto da pandemia na valorização do trabalho · Desvalorização do trabalho CLT · Dificuldade em reter talentos e contratar · Possibilidade de importação de mão de obra · Necessidade de treinamento e valorização profissional
  • Produção de PodcastsDar voz ao mercado condominial · Compartilhar conhecimento e experiências · Retribuição e gratidão
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Olá, tudo bem com você? Estamos iniciando o Mr. Pod, o podcast da Mr. Síndico. E você sabe que aqui nós procuramos trazer sempre informações importantes, relevantes e as atualidades de tudo que acontece no nosso mundo condominial.

E olha, hoje nós vamos ter um programa aqui diferente, um programa que nós vamos passar do trágico para o divertido e nós vamos conversar com uma pessoa que tem uma vivência espetacular nesse nosso mercado, trabalhou em vários segmentos.

tanto de prestação de serviços como de atendimento através das administradoras que prestam serviço para condomínios. E eu tenho o grande privilégio de receber aqui hoje o Mauro Pacífico. Mauro, seja muito bem-vindo. Muito obrigado, Demilson. É um prazer estar aqui com você e poder contar alguma coisa da minha história.

Que bacana. Eu já tive a oportunidade de participar de Happy Hour com o Mauro e a gente já conversou bastante sobre tudo isso. E uma coisa muito legal, gente, o Mauro...

transformou muitos desses assuntos nesse livro aqui, tá certo? Por trás dos muros, a vida como ela é em condomínios. Isso aqui, se o escritor, como é o nome dele? O Nelson Rodrigues estivesse vivo, ele ia querer conhecer esse livro porque...

Ia ser interessante porque tem muito a ver com muitas das coisas que o Nelson Rodrigues escreveu, as crônicas dele que são muito famosas. Então muito do que nós vamos falar aqui hoje estará aqui dentro desse livro também. Mauro, para o pessoal já logo nesse início te conhecer um pouquinho, fala quem é o Mauro.

Então, o Mauro Pacífico é o pai da Letícia, esposo da Yolanda, empresário até esse ano e agora um consultor numa administradora grande de São Paulo. E a minha vida foi pautada, eu peguei o bichinho do condomínio, dizem que existe isso, né? Sim, sim. Isso em 1991, eu vim de hotelaria e aí fui chamado por uma multinacional para implantar alguns empreendimentos na área condominal e nunca mais saí.

E aí fui passando, como você falou, por várias áreas. Inicialmente, dez anos na área de administração, depois uma terceirizada que eu vendi, inclusive, esse ano. Também fui consultor e mentor de síndicos, porque quando eu ia vender a terceirizada...

O cara sempre tinha um abacaxi lá que falou, estou com problema, rapaz. Você não tem uma ideia para me dar? Isso. E aí eu percebi que isso era uma forma de eu vender até o meu serviço. Eu passei a ser um consultor de graça, inicialmente. Falei, faz assim, faz assado, tal. Indicava alguns fornecedores, tal. E resolvia, e resolvi muitos problemas de muitos condomínios. E aí o cara me contratava para eu prestar o serviço de terceirizada.

E depois entendi que isso poderia ser um negócio, passei a ser mentor em alguns síndicos. Bacana. Até virar síndico. Eu virei porque é uma coisa você falar, vá lá e faz. Eu queria sentir na pele e eu te falar, não é fácil. Parabéns para todos os síndicos que estão nos ouvindo hoje. É uma missão bem...

Bem complicada. Sem dúvida, sem dúvida. A gente sabe que é um grande desafio. E eu diria, Mauro, que não é só o síndico, é a cadeia toda. É a administradora, é a terceirizada, que tem toda essa importância dentro da prestação de serviço para...

os condôminos que fazem parte desse grande desafio, e eu diria da complexidade do segmento que as pessoas costumam minimizar, achando que é uma coisa simples trabalhar nessa área.

Inclusive, a autogestão existiu até um determinado momento, mas hoje é quase que impossível, com tanta complexidade assim, uma pessoa que não tem uma formação nessa área ou não tem uma estrutura que nem tem uma administradora, tocar um condomínio com exigências contábeis, legislação, que toda hora muda. Eu queria fazer um link para os síndicos para explicar por que eu escrevi esse livro, mas fazer um link depois dessa nossa área de síndico profissional.

Eu escrevi esse livro em três meses, porque eu vivi o luto. Hoje até consigo entender um pouco mais. O luto vem de cinco fases. A primeira é a negação, a segunda é a raiva, depois vem a negociação, a depressão e finalmente a aceitação. E eu estava partindo da negociação para a depressão.

Porque as perdas podem ser de diferentes coisas, não obrigatoriamente de um ente, mas era a perda de um projeto, porque eu vendi uma empresa de 22 anos.

E eu não sabia como ia ser a minha vida depois disso. Era como se tirasse um filho de você, né? Exatamente. E qual é o link que eu faço? Muitos síndicos acabaram indo para... Com todo o seu conhecimento de vida, de estrutura, alguns CEOs de empresa acabaram...

saindo do mercado e resolvendo partir para a função de síndico. E alguns deles trouxeram esse luto, porque eles deixaram uma vida que era totalmente diferente, complexa, para ingressar nesse mundo que tem as suas particularidades, muitas exigências. Você tem que ser...

Conhecedor de manutenção, de arquitetura, de engenharia, de psicologia. Psicologia, inclusive, está bastante... Opa! Hoje em dia... Então, não é fácil. Então, realmente, a pessoa que resolveu e saiu desse luto, é interessante passar por todas as fases, entendê-las e seguir em frente. Porque a gente... Eu...

Nesse mundo eu encontrei várias pessoas que estavam nessa situação. Então, é normal. Claro, claro. E aí, nesse momento da sua vida, nesse momento que você estava vivendo uma dessas etapas ligadas à depressão, desse luto, você falou, eu vou escrever o livro.

Então, eu sempre falo, Deus é bom. Sempre, sempre. E aí eu falei, como é que eu saio dessa? E aí começou a vir, de repente, na minha memória, esses 30 e poucos anos que eu tenho na área. E começou a vir as histórias. E elas vinham de uma forma incrível, porque elas vinham com bastante detalhes. Falei, nossa, o que está acontecendo? Porque ao longo desses 30 anos, todo mundo fala, poxa, amor, essa história você tinha que escrever um livro. Ela é muito boa. E eu fiquei ouvindo isso muitos anos.

E aí, de repente, veio e falou, vou escrever o livro. Sentei, e foram três meses escrevendo e saiu o livro. Olha só! E saí da depressão também. Que coisa bacana, né? Você sabe que eu tive o privilégio, você me presenteou com um livro, né? Eu já li parte do livro.

E cada história aqui é, gente, é muito especial. E já tem gente perguntando aqui no grupo do nosso programa, que ele é ao vivo, perguntando como é que faz para adquirir esse livro, Mauro. Está na Amazon.

Está na Amazon. Isso. Tá. Eu posso depois fornecer o link para poder entrar na Amazon, para poder. Tá. O livro está lá já. Tá. Então, pessoal, olha só. Mauro Pacífico, ok? Por trás dos muros.

Eu recomendo o livro, porque você vai lendo uma sentada esse livro, porque é assim, é coisas do cotidiano, e você vai falar, não, não é possível que isso aconteceu. E quem conhece o Mauro, eu não conheci ele há tanto tempo, mas a partir do momento que eu conheci, ele é uma figura humana, que a gente tem vontade de estar junto, de conversar, de escutar.

Porque é muita bagagem de vida construída e é muito bacana ter a tua companhia. E nós estamos aqui tentando dividir isso com os nossos amigos que estão assistindo no programa. A audiência está crescendo e isso é importante. Tem alguma história no livro, Mauro, que você diria assim, essa história é a minha preferida?

Tem, tem uma história que ela é muito inusitada. Tá. Ele me expre, lógico, proteger as pessoas que são os personagens dessas histórias. Eu mudei o local, o nome de condomínio, eu mudei tudo para preservar as pessoas.

Então, essa história que eu vou contar, ela ocorreu no litoral, não vou falar aonde, litoral norte, né? Certo. E foi uma cena muito interessante. Essa história, ela aconteceu o seguinte. É num determinado fim de semana...

O que é normal nos empreendimentos de praia, quando chega na segunda-feira não tem mais ninguém. Todo mundo vai embora domingo à noite, etc. No máximo segunda de madrugada, né? Exatamente. E nesse empreendimento existia um serviço de camareira, de governança. E a governanta chamou o Maluto e falou que estranho, o seu fulano de tal, né? Não foi embora, ele nunca fica aqui na segunda-feira.

Aí, como o empreendimento, porque tinha o serviço de camareira, tinha a chave mestra, falou, vamos lá ver. E foi lá ver, abriu, fechou e chamou o gerente do empreendimento. Falou, aconteceu alguma coisa grave.

Aí, quando chega, o gerente abre, tem um corpo desse morador caído e a cozinha totalmente ensanguentada. O que a gente descobriu depois? Porque veio a polícia técnica, veio o Rabecão, veio todo mundo.

que ele provavelmente foi tomar algum remédio, deve ter tido um ataque fulminante, e caiu assim, batendo a cabeça no chão, e por isso o motivo do sangue. Certo. Muito bem. É feito tudo, o rabecão chega, eles têm aquela, é uma maca de metal, né? Para poder levar os corpos, colocou, infelizmente, o corpo do morador lá, e foi descer o elevador.

põe o corpo no elevador, o elevador não mexia. Tirava o corpo, o elevador descia até o terra e voltava. Foi feito 13 vezes isso. Quando põe o corpo, o elevador não saía. Tirava o corpo e até entrava mais gente para entender se era peso. Não. O elevador funcionava.

punha o corpo dentro, ele não saía. Aí, infelizmente, eles tiveram que ir pela escada levando o corpo. Olha! Muito bem. Aí estava a polícia junto, eles puseram o carro, aquele carro que leva os corpos do IML. Do IML, exato. E estão indo lá, como a Litoral Norte, na Rio Santos, o carro da polícia na frente.

E o carro atrás. Aí, de repente, a polícia recebeu um chamado. Fiat Vermelho, com bandidos, não sei o que. E o Fiat passou. O carro da polícia, sem avisar, deu um cavalo de pau na Rio Santos para fazer a perseguição. E o carro do IML brecou muito forte. Quando ele brecou muito forte, abriu a porta e o corpo rolou. Ficou pelado no meio da Rio Santos. Meu!

E aí todo mundo falava, ele não quer ir embora. E depois descobrimos outras coisas que eu prefiro não falar, que o pessoal pode ler o livro para finalizar. Lá no livro o pessoal vai receber mais detalhes. Mais detalhes. Mas é uma história muito estranha, porque é um mistério, e a gente podia até ir para outras áreas. Por que o corpo não descia no elevador? No elevador.

E aí realmente foi uma cena quando aquele corpo caiu no meio da Rio Santos, nu, né? Porque ele só põe um lençol em cima, né? Sim. Então realmente foi bem esquisito. Puxa vida. Essa é uma história que quando eu contava o pessoal falou, escreve essa história, essa história é boa.

Essa é uma daquelas que falava, tem que estar no livro, né? Tem que estar no livro. Tem que estar no livro. E eu acredito, você até participou de um evento que eu entreguei livros para vários síndicos. Verdade. E todos eles chegavam para mim e falavam, ô Mauro, você roubou a minha ideia. Eu falei, por quê? Eu sempre quis escrever um livro porque eu tenho muitas histórias. E eu ouvi mais de 70 síndicos falando a mesma coisa para mim.

e surgiu uma ideia.

que inclusive eu quero te convidar aqui ao vivo e a cores, para fazermos um livro em conjunto. A minha ideia é reunir uns 50, 60 síndicos. Nós vamos escrever, eles vão escrever as suas histórias. Eu tenho um jornalista, o Ailton, que me acompanha. Legal. E aí nós vamos receber, vamos dar uma ajeitada para livro, da história, repasso depois, é isso aí. Põe o perfil.

um pouco, um mini currículo desse síndico. De cada síndico, né? E vamos lançar tudo junto no ano que vem. Um grande evento aí. Todo mundo escritor. E cada um com a sua história aí. Porque são muitas histórias. Eu sempre falo o seguinte. A sociedade...

ela é uma célula e as pessoas moram em algum lugar e algumas pessoas moram dentro de um condomínio. Então nós temos de tudo, tudo que imaginar. E por que por trás dos muros? Porque ao longo desses 30 anos eu vinha percebendo...

Que é uma coisa estranha. As pessoas parecem que ignoram algumas coisas quando estão dentro de um condomínio. Eu já vi muito juiz falar asneiras jurídicas, contador a mesma coisa. Se você pega os condomínios que tem ruas...

A lei de trânsito é nacional. Mas por que os jovens sem habilitação dirige dentro desses condomínios? Então parece que o condomínio tudo pode. Parece que é um lugar que é permitido fazer as coisas.

E a lei é muito branda, ela é uma bronquinha, talvez uma multa, se passou muito, mas é tudo muito brando. Então a gente percebe que as pessoas se revelam dentro dos condomínios, nas suas loucuras, paranoias, taras, etc.

Então, é por isso que gera tanta história, é por isso que o livro acabou acontecendo. Foi ao longo desses 30 anos que eu fui vendo histórias muito fora da realidade acontecendo. Eu falo, poxa vida, né? Então, é que realmente o ser humano tem muitas sombras, né? E essas sombras são reveladas dentro do condomínio. Caberia também um livro de psicologia em cima dos personagens.

Ué, quem sabe, juntamente nesse livro que você está querendo criar aí, que eu já aceito o convite, a gente vai colaborar com certeza, ter alguns comentários de psicologia junto ali, né? Sim, é porque a gente ia ter até um guia.

como lidar com aquela circunstância com aquele personagem dentro do condomínio que às vezes são totalmente inusitados fogem totalmente ao nosso controle sim, é verdade Mauro eu sempre falo que o

que o condomínio faz parte da sociedade como um todo, ele é um extrato da sociedade, uma micro sociedade, mas que ele representa a sociedade como um todo. Mas eu concordo também com o que você falou aí, e outro dia eu estava discutindo esse assunto com uma síndica profissional que também tem formação na área de humanas, eu falava para ela assim, mas o cara é médico.

No consultório dele, ele tem a postura dele, recebe o paciente, atende. Agora, quando chega aqui no condomínio, o cara arruma problema, discute na assembleia, não cumpre as regras. O outro é um auto-executivo de uma multinacional, ele tem que cumprir todas as regras da multinacional.

o budget da multinacional e por aí vai. Chega aqui no condomínio, quer que as coisas sejam de um jeito ou de outro, assim por diante. E ela falou uma coisa para mim que aquilo me marcou, fixou. Lá onde ele vai fazer o trabalho dele, se ele não cumprir aquelas regras, ele está fora.

No condomínio, ele faz o que quer e você não tem muitas maneiras de impedi-lo de fazer aquilo. Como você disse, você pode dar uma notificação, uma multa, etc. Mas ele é proprietário do apartamento. E até você incluí-lo como um condomínio antissocial...

Isso aí vai um período muito longo e ainda pode ser que a justiça não defira isso. Então existe realmente essa sombra que você falou, que naquele momento ele se traveste de uma outra pessoa e faz todas essas coisas tão diferentes.

Uma das histórias, quem lê o livro vai ver, é que as câmeras nos ajudaram muito. Obrigado pelas câmeras. Com certeza, com certeza. Só que as câmeras não é uma coisa tão... Se você pegar coisa de 25 anos, 30 anos atrás, era muito raro.

Os condomínios que tinham câmeras dentro do elevador, nas áreas comuns, era muito raro. E se tinha, às vezes tinha duas, três, né? Era muito caro. Muito caro. Mas uma das histórias, pela depredação que estava ocorrendo, o síndico enfiou no elevador a câmera, a microcâmera. Certo. E aí, eram duas coisas que aconteciam que ninguém imaginava quem poderia fazer. Uma era o xixi dentro do elevador.

Com as câmeras se descobriu que era um coronel do exército da reserva. Gente! Por que ele fazia isso, não sei. Depois que foi descoberto, até mudou.

E o outro aparecia todos os botões queimados. Quem poderia fazer? O cara falava, o síndico deve ser um jovem. Não. Depois, com as caras, se descobriu que era um comandante de uma empresa aérea, comandante que fazia os voos internacionais. A mulher dele era comissária de bordo. De bordo. E eles, quando entravam, ficavam com o isqueiro queimando.

os botões do elevador. Quando eles foram pegos, não tinham o que discutir, mostrar nas câmeras, eles fizeram uma retaliação porque em algum momento eles tomaram uma advertência, uma multa lá do condomínio e a resposta deles foi fazer isso. Lógico, tiveram que pagar toda a cabine, arrumar. Que não foi pouco, né? Então você vê, pessoas que a gente coloca num nível, né? Um coronel de exército, um comandante que leva uma aeronave. Nossa!

Fazendo esse tipo de coisa. Impressionante. Então, por isso que é impressionante. No livro tem essa história também. É verdade. É verdade. Agora, Mauro, na sua trajetória, né? Claro que aí, com uma vida tão rica, né? De momentos, experiências e...

etc. Como é que foi o momento em que você teve a sua empresa de terceirização? Porque a gente sabe que a terceirização é uma realidade, eu tenho certeza que a grande maioria dos síndicos apoia a terceirização, mas é um trabalho árduo porque lida com o material humano o tempo todo.

Como é que foi esse momento na sua trajetória de vida e como é que você estruturou sua empresa e qual foi o resultado disso?

Então, eu iniciei na vida condominial através de uma empresa multinacional, não vou falar o nome, mas que fazia as duas coisas. Administrava e fornecia a mão de obra terceirizada. Essa empresa é uma das maiores empresas do mundo, está em 70 países.

E lá eu me apaixonei. Falei, nossa, a terceirização é feita em diversos... E é sempre... Não é atividade fim, é atividade meio, né? Que agora querem mudar, mas sempre foi assim, né? Então, eu entendi que aquilo lá era um negócio. Porém, eu acabei ficando mais... Eu tenho uma formação, eu sou administrador hoteleiro, mas também tenho uma formação de administração de empresa pela PUC, né? Bacana.

Então, eu enveredei mais para a área de administração, e aí fiquei uns 10 anos. Só que a gente sabe que nem todos os sócios, às vezes, a gente acaba seguindo em frente. Casamento se desfaz, imagina a sociedade. Verdade, verdade. Então, os sócios, a gente entendeu que era o momento de cada um seguir o seu caminho, e vendemos a nossa empresa de administração para um grande grupo.

E, na ocasião, inclusive, foi quando eu fiz essa venda, eu até tinha um projeto, eu consegui implementar junto com a empresa, ganhamos até o Prêmio Master Imobiliário. Olha, poxa, que beleza. E o dono da empresa falou, Mauro, você tem muita experiência nessa área de terceirização, e você não tem perfil de funcionário, por que você não adquire uma empresa nessa área? Aí eu falei, uma boa ideia. Aí eu comprei uma empresa que tinha 5, 6 meses de vida só,

e comecei a, com toda a experiência que eu adquiri também na multinacional, comecei a desenvolver o trabalho. E foi aí que eu comecei a criar manuais. Como eu vim de hotelaria, a hotelaria era muito rica em manuais. Certo. Tudo que eu ia fazer, punha manual, punha foto, definia.

Na época, os eletrônicos não tinham tanta disponibilidade, hoje é muito mais fácil. E aí fui montando a empresa. Na ocasião, eu sempre brinco, fazer a fila de pessoas que queriam ter a sua carteirinha azul registrada, né? CLT. E durante todos esses anos, a empresa chegou a ter 400 funcionários.

Em São Paulo. Em São Paulo. Alimentei então essas 400 famílias ou mais, porque a outra nova, né? Mas o que eu descobri?

Depois da pandemia, as pessoas mudaram de uma forma. A gente tinha aquela ideia que o mundo ia ficar melhor. Verdade, todo mundo falava isso. Mas não ficou. Não, o efeito foi ao contrário. Quem é ruim ficou mais ruim e quem é bom ficou mais bom. E as pessoas começaram também a dar valor pelo seu tempo, pelo que faziam.

ou voltar para a sua cidade natal para rever os seus parentes. Então, nos últimos anos, depois da pandemia, a mão de obra está ficando escassa e o Brasil vai passar por um grande problema, porque ninguém mais quer trabalhar CLT. A CLT, hoje, você se aposentar é um...

É uma dúvida. Então as pessoas não honram mais ser registrado, que era uma coisa muito importante lá atrás. Acho que você, quando era novinho, falava faz a datiografia para arranjar um emprego para ser registrado. Era tudo o que eu queria. Eu fui educado dessa forma. Exatamente. Só que tudo isso mudou. Com o avanço também da internet, as pessoas ganham dinheiro com facilidade fazendo alguma coisinha.

Então, hoje as empresas de terceirização estão passando por um grande problema. É reter talentos e aumentar o...

o número de funcionários por causa dessa carência que está existindo. Não sei se o Brasil vai se tornar um Estados Unidos e começar a importar mão de obra. E eu já vejo em alguns lugares, você deve ter visto já também, em até mercados, lojas, que já tem pessoal de muitos países da África, haitianos, muita gente aqui da América do Sul.

Por quê? Porque está faltando mão de obra. Então, essa decisão foi tomada porque eu falei, chegou uma hora e falei, como é que eu faço? Eu vendo um contrato, você me contrata, você como síndico, falou, Mauro, vai pôr 20 caras lá, maravilha.

E para conseguir os 20? Porque hoje está muito difícil a mão de obra. Eu acho que vai ter que ter alguma mudança na legislação, alguma coisa para poder continuar atraindo essas pessoas. A questão de custo.

ela acaba ficando alta porque hoje inclusive cada hora inventa uma lei para poder a coisa ficar. Você vê essa assiduidade que fizeram agora há pouco tempo. Criaram esse ano. Ou seja, você paga para o cara ir trabalhar, um valor de 300 reais, um sindicato fechou. Tudo no desespero de conseguir a mão de obra. Então realmente ficou muito precário.

Eu acho que tudo tem um começo, meio e fim. Então eu entendi que estava na hora de voltar para a área de administração de condomínios, que eu sempre gostei, né? Então eu finalizei a minha empresa. Esse ano ainda ajudo o que eu posso, a empresa que comprou, tem um relacionamento excelente porque eu tenho síndicos de 20 anos, 22 anos. Olha só. Que são amigos, que se tornaram amigos, né?

Mas eu preferi voltar para essa área e tentar enriquecer essa área de alguma forma. Tá certo. Muito legal. Olha só, estamos aqui com a nossa audiência crescendo. Aqui a gente tem algumas pessoas. Maria Concebida de Araújo está sempre aqui conosco nos podcasts. Está dando boa noite.

desejando um ótimo podcast. Andréa Cristina Reis, dando um olá, queridos, boa noite. É colega de trabalho. Sua colega, é. É uma querida também. Juliana Gomes, de Condu Soluções. Boa noite, senhor Demilson, convidado sempre com excelência.

Eu já falei no início, pode ser que você entrou depois. Se você quiser adquirir o livro do Mauro Pacífico, é só você entrar no Amazon. Tá certo? Põe lá Mauro Pacífico, por trás dos muros, que você vai se divertir com muitas histórias. Vânia Nico. Tá dando boa noite. É minha irmã.

Sua irmã? Lado do sul. Opa, Vânia, prazer, que bom ter você aqui. Minha esposa Anelena está aqui assistindo, dando boa noite a nós. Boa noite a ela. Cris Jorge dando boa noite. O Túlio Rocha, que é o nosso anfitrião aqui, ele mandou uma mensagem especial para você, Mauro. Quero agradecer aqui publicamente pelo livro que eu ganhei de presente do Mauro Pacífico. Realmente ele é muito simpático.

Obrigado, Túlio. O Túlio que está aqui, esse estúdio maravilhoso, onde o Mr. Pod faz as suas apresentações. Nós estamos aqui há mais de três anos. Fomos o primeiro podcast a acreditar nesse estúdio.

E ele cresceu muito. Aqui tem dezenas de podcasts que acontecem aqui. E a gente fica feliz de ter todo esse apoio aqui do Túlio e de toda a equipe técnica aqui que está sempre à nossa disposição. Eu queria dar parabéns para você aproveitar. Porque você dá voz para toda essa classe, para todo esse mercado. É um mercado gigantesco.

E você dá voz, você dá condições das pessoas. A gente sabe que não existe tanto profissionalismo nesse mercado, ele está se desenvolvendo, ele está criando, evidente. Exato. Mas você facilita, você cria atalhos, você traz pessoas que são pessoas que estão há muitos anos na área e que podem contribuir muito. Fornecedores, prestadores de serviços, pessoas que batalharam muito.

para ter o seu negócio, para poder contribuir com essa área condominial e você dar voz para essas pessoas. Parabéns, porque isso ajuda muito para todo mundo que, inclusive, quer começar nessa área poder entender um pouco melhor. E essa voz é necessária.

Obrigado, Mauro. Essa sempre foi a nossa intenção, desde que eu pensei em ter o podcast. Eu já falei um pouco da minha vida aqui também, não é o foco hoje, mas eu só queria reforçar, eu venho de uma origem muito simples, muito humilde e tenho honra disso, não acho que é demérito nenhum.

E a vida e a sociedade me deram muitas oportunidades. E o podcast é uma forma de uma retribuição que eu tenho por tudo que eu venho recebendo ao longo da vida. Pelos amigos que a gente conhece, pelos trabalhos que a gente desenvolve. Então é isso que é bacana. E você já passou a ser um amigo querido nosso aqui.

Porque eu sempre digo também aqui, e falo para você, que quem vem aqui volta, porque nunca dá para a gente esgotar os assuntos, porque são tantos. Em outro momento você vai estar aqui com a gente também, podemos falar de outros assuntos, pode ter uma terceira pessoa aqui também participando. Mas é essa a nossa filosofia.

É, e é uma filosofia bíblica, porque a gratidão é a coisa mais importante que pode existir na vida. Sim, sim. Você recebeu e está devolvendo com gratidão o que você recebeu. Isso é importantíssimo.

É verdade, é verdade. Olha, o Túlio está mencionando aqui que é verdade que nós somos o primeiro podcast e foi uma bênção para o nosso estúdio. Parabéns, amigo Demilson. Muito obrigado, Túlio.

A Maria Cecília Pessoa de Queiroz está aqui, é minha sogra. Ela também sempre assiste os nossos programas. Ela mora em condomínios, mora num condomínio, então ela sabe como é a vida. E eu estou muito feliz que o condomínio dela é um condomínio que já tem alguns anos de...

de existência e estão cuidando do condomínio. Domingo eu fui lá e fiquei impressionado com o elevador todo atualizado, reformado. Muito bacana, é muito bom isso. Eu imagino aqui que o Ailton Fernandes...

Está dando boa noite, dizendo entrevista de alto nível. Seria ele o jornalista? Isso, o Ailton. Olha só. Ele faz parte desse trabalho aqui. Que legal. Ele ajudou muitas pessoas que queriam ser escritores a escrever o seu livro.

No meu caso, eu tinha já minhas histórias, mas eu conheci ele em um grupo de empresários e quando eu resolvi escrever, eu chamei e falei, você pode me ajudar? Ele foi maravilhoso e parte dessa conquista que eu posso dizer, eu devo a ele. Muito obrigado ao vivo e a cores aí para você.

Que legal, Ailton. Obrigado por você estar conosco aqui participando do podcast. Eu também já tive a oportunidade de escrever um livro, mas é um livro de família. Minha família, pela parte materna, veio da Itália.

E esse lado da família queria um livro para contar a história. Imagina, eu síndico, engenheiro civil, não sou escritor. Mas aí a minha mãe ainda estava viva, ela foi uma incentivadora, e ela era talvez a melhor memória oral que existia naquele momento.

E a gente conseguiu transformar esse sonho para toda a família. Fizemos o livro e distribuímos para todos os familiares. Então foi uma experiência muito gratificante a gente poder criar um livro. E agora a gente vai entrar nesse mundo condominial e temos coisas para fazer juntos. Vamos fazer e vai ser muito bacana, porque eu trouxe algumas das minhas histórias e agora eu vou compartilhar.

com muitas pessoas as suas histórias. A gente vai poder escrever, não digo nem a quatro mãos, a 300 mãos. Sim, sim, sim. E aí vai ser muito rico esse material. Olha, o Gilmar Queiroz, ele é um gestor predial, trabalha conosco num condomínio de alto padrão ali no bairro do Itaim. Ele está dizendo o seguinte,

A mão de obra está muito complicada. Os prestadores sem treinamento e nem dedicação ao trabalho, passando sempre dificuldade para manter os funcionários bons, até por salários baixos. Você quer acrescentar alguma coisa a esse comentário do Gilmar?

Eu concordo com ele. Eu acho que não existe um trabalho, às vezes, de treinamento. Eu que vim da área, eu sou oficial da reserva, do exército, e também fui hoteleiro, eu tentei juntar nessas duas atividades que eu tive, montar. Então, eu sempre montei treinamentos, material, colocando as principais coisas que aconteciam.

Porque hoje, com a inteligência artificial, aqui um pouquinho, talvez, algumas coisas sejam substituídas. Porque você tem que ter os dados...

de quem mora lá, as autorizações, e com isso você permite que aquela pessoa entre ou não. Isso hoje já é possível com a inteligência artificial. Então o que ele está dizendo é o seguinte, que se não houver um trabalho de melhora, em breve a gente vai começar a substituir as pessoas por robôs ou por algum sistema de inteligência, principalmente na portaria, que é uma atividade bem mecânica.

Verdade. A limpeza eu acredito que não, porque ela é física. Então, mesmo aquele robozinho, eu acho que não dá conta. Ele é incompetente para fazer o trabalho por completo. Exatamente. Mas eu concordo com ele. Falta bastante treinamento e o mercado tem que se preocupar nisso, em melhorar o que está entregando.

Agora, a mão de obra, o valor dela, eu acho, no nosso país, não é tão valorizado. É um serviço muito pesado. Você deixa em ordem a casa, porque...

Falando de limpeza, é saúde, né? Você tem um lugar limpo, você tem a ver com saúde. Claro. Porque existe o controle cruzado de uma bactéria que vai para lá, para cá. Nos hospitais é muito bem tratado isso, né? Então, no condomínio, idem.

Então, eu acho que essa mão de obra, em algum momento, ela tem que realmente passar a ganhar mais, porque é um salário muito baixo para tudo que tem que ser feito, tem que ser realizado. Então, eu acho que nós vamos ter uma mudança.

Como eu, no início, falei que trabalhei numa multinacional, e nós tínhamos pessoas no mundo inteiro, eu lembro que, às vezes, você vê, em 97, eles falavam que um limpador, lá nos Estados Unidos, em algumas áreas, ganhava 3 mil dólares. Olha!

E era assim, ia limpava. Se sujasse, era mais 3 mil dólares. Quer dizer, aqui nós estamos num sistema muito escravagista ainda. A gente tem que mudar isso. Sim, sim. Eu concordo. Concordo com você. O Fábio Silva...

está aqui conosco também, o Fábio trabalha numa grande empresa de terceirização, que talvez não sei se é a maior do Brasil hoje. Ele está dizendo, Demilson, excelente profissional, nas reuniões leva com muita tranquilidade, admiro.

Fábio, muito obrigado. A gente procura realmente respeitar a todos, porque eu acho que isso aí é essencial, independente da posição que as pessoas ocupam. Inclusive, nós estamos falando aqui dessas pessoas que fazem parte da base, da pirâmide. E para eles um sorriso, muito obrigado.

um perguntar como ele está, como é que está a família, tudo isso faz uma diferença muito grande. Então eu acho isso muito importante levar em consideração. Tem uma pergunta aqui.

do Devit, o Devit também, Devit Ferreira, ele é um amigo querido que está sempre aqui conosco nos podcasts, ele sempre é muito atuante, e ele está perguntando aqui, gravar, ele está se referindo às câmeras, gravar não invade a privacidade, a lei permite, há regras a respeito.

Então, a gravação, se é em lugar público, ou seja, são áreas comuns do condomínio, o que está se fazendo é uma manutenção de segurança e de conservação. O que não pode, e aí eu responderia para ele,

liberar por causa da lei do LGPD. O Big Brother, né? Isso para ser visto e mesmo liberar as imagens para qualquer pessoa. É sempre com solicitação judicial que você libera as imagens do condomínio. Então é muito normal o síndico receber pressão de algum morador que queria saber quem estava na garagem no dia tal. Infelizmente isso não é possível.

Você não pode, aí sim, você não pode invadir a privacidade da pessoa e fornecer essas imagens. Você pode até ver as imagens, dizer se estava ou não, mas não disponibilizá-la. Existe uma lei que protege, sim. Perfeito. Agora, monitorar as áreas, ela é necessária.

E não há nenhuma infração em relação a isso? Não. O cuidado é em relação à distribuição das imagens? Sim, é lógico. E a empresa que instala tudo, ela tem que ter um protocolo de LGTB também, para que não vazem essas imagens para terceiros.

Perfeito. Se você não sabe o que é LGPD, LGPD é uma lei geral de proteção de dados, às quais o condomínio está subordinado também. Não é só o condomínio, as empresas, todo mundo está subordinado a esta lei. Então, é importante saber que, às vezes, não é porque o síndico não quer liberar, é que, às vezes, uma determinada imagem pode comprometer...

outras pessoas, que não somente aquela que tem interesse nas imagens, e isso pode trazer uma série de problemas, inclusive judiciais, para o condomínio e para o próprio síndico. Um outro ponto aqui, que agora é o Ailton, que está levantando, ele está dizendo, e a segurança em condomínios? É um problema sério, não é? Digo um problema... é um problema sério.

Então, a segurança é uma coisa que é feita por várias mãos. O que a gente percebe é que o condomínio repassa toda a responsabilidade da segurança para os funcionários do condomínio, sejam eles próprios ou terceirizados. Porém, é um erro.

Eu, muitas vezes, em alguns condomínios, eu levava para a Assembleia como se fosse um regulamento de segurança para ser aprovado. E aí, poderia ser com qualquer quórum era permitido isso, para gerar as regras, os procedimentos. Ou seja, vamos brincar esse jogo? Qual é a regra dele? Porque é muito normal os condomínios, às vezes, criticarem.

pessoal que fica na portaria, mas chega lá, fica com a porta aberta, conversando com alguém lá fora, ou está entrando, existe todo um sistema de protocolo, de imagem, de leitura facial, aí ele lê a face dele e depois deixa qualquer uma pessoa pegar carona, quer dizer. Então, tem que ser um negócio cultural, ou seja, o condomínio tem que receber uma série de informações, seja do síndico, da administradora.

para criar uma cultura de segurança. Aí sim o condomínio fica seguro. Porque a corrente estoura sempre no elo mais fraco dela. E às vezes o elo mais fraco não são os funcionários que estão treinados, recebem isso. É o usuário, é o condomínio.

Sim, sim. Isso é muito importante. Eu sempre falo que a segurança é um tripé. É a parte da mão de obra, é a parte do condomínio e a parte da tecnologia. Tudo isso tem que estar funcionando e é muito importante para você que mora em condomínio, não só para você que é síndico, para você que mora, pedir para o seu síndico para que ele implante.

As regras que devem ser obedecidas especificamente para a parte de segurança do condomínio. É 100% garantido? Não. Nada é 100% garantido. Mas podem se minimizar muitos constrangimentos que eventualmente podem acontecer com relação à parte de segurança.

Mauro, nós estamos aqui encaminhando para o fechamento do nosso podcast O tempo passa muito rápido Obviamente eu gostaria que as pessoas buscassem o teu livro Porque realmente é uma informação muito ampla Todo mundo pode ler, não é específico para um nicho

Então eu queria te pedir, abusar um pouquinho de você, para você contar mais uma das histórias do livro, para a gente fazer o fechamento do nosso podcast. Eu vou contar a primeira história, que o pessoal acha muito interessante. Num condomínio na região de Moema...

que também existia, o condomínio tinha vários serviços que a gente chama de pay-per-use, ou seja, paga quem usa, de camareira, lavanderia. E era um condomínio, os apartamentos com uma metragem menor, para pessoas solteiras ou casal. E tinha essa estrutura de serviços. E por ter o serviço de camareira, as camareiras iam nos apartamentos. E um determinado condomínio, que morava na cobertura,

Tendo a sua geladeira de vez em quando violada pelas camareiras, que pegavam alguma coisa para comer, ele fez um ato que eu considero extremamente errado. E depois, mais para frente, eu conto como é que acabou isso. Ele fez um bolo de maconha e outros ingredientes tóxicos. Nossa! E deixou lá o bolo cheiroso em cima do balcão. E o que aconteceu? E foi para o shopping.

As camareiras chegaram lá, viram aquele bolo cheiroso, convidativo, cortaram um pedaço e comeram. Ou devem ter comido mais de um pedaço, talvez. E, de repente, a gente começa... foi avisado que estava acontecendo alguma coisa na unidade. Quando o zelador chega lá, as camareiras estão dando cambalhota no chão.

Uma estava apegada ao tapete porque ele era peludo, fazendo coisas assim. E o estranho é que uma era uma senhora, tinha na realidade uma mulher de 48 anos e outra uma menina de 18. As duas camareiras estavam lá, com idades totalmente diferentes, mas totalmente loucas, pulando em cima das coisas. E aí foi chamado o SAMU.

porque entendemos que estava tendo algum problema. Quando elas são levadas para o hospital... Até então, o condomínio não sabia de nada. Nada. Nem o condomínio, nem o condomínio que não estava lá. E aí, quando chega no hospital, o médico fala... Bom...

Elas estão drogadas. Aí, houve até a revolta de quem levou. Falei, como? São duas camareiras. Estão trabalhando? Estão trabalhando. Uma é uma menina, outra é uma senhora. Como é que... Quase bateram no médico. Ficaram indignados com o médico. E, no final, elas voltaram. Tiveram atendimento e tal. E ficaram, acho que, envergonhadas. Inclusive, pedindo aos contos, foram embora desse condomínio.

Tempos depois, o zelador encontrando o condomínio, o condomínio falou o que aconteceu. Mudou a camarera, falou assim, e aí ele contou tudo o que aconteceu. Aí ele pôs a mão na cabeça e falou, hum, rapaz, o que foi? Até então a gente não sabia.

Então, ele pega e conta que fez o bolo, por que ele fez, por que elas comiam e tal. Aí o zelador falou, eu não vou falar nada, porque elas podiam ter até morrido, né? Sim.

Mas foi um bafafá aqui no condomínio, né? Elas ficaram totalmente... E aí o cara ficou bem arrependido, falou, puxa vida, tá... Como é que não sabe, né? Você vai fazer um molho de maconha, né? Pois é. Mas hoje, na distância, a gente dá risada por tudo que aconteceu, delas estarem pulando lá.

que nem duas malucas dentro do apartamento, chegou a ser engraçado, né? E depois que a gente ficou sabendo que foi o morador que fez o bolo de maconha. Então, estamos ao ar. Não recomendo, se a camareira começar a comer alguma coisa, falar, não coma, mas não forneça nada que possa fazer com que elas façam isso. Ainda bem que o bolo não foi de chumbinho, né? Porque está na moda esses bolos de chumbinho aí. Também, né?

Você sabe que eu morei num flat, né? Os flats estavam em moda, né? Hoje praticamente nem tem mais flat, né? É verdade. E tinha serviço de camareira. Isso foi lá no Rio de Janeiro, na zona sul do Rio de Janeiro, né? A parte nobre da cidade.

E realmente a minha geradeira era assaltada constantemente. Mas comigo aconteceu o seguinte, um dia eu tive que voltar mais cedo do trabalho, por algum motivo, ou porque eu não estava me sentindo bem, ou porque eu ia viajar e tinha que me preparar. E aí quando eu entrei no flat, eu peguei a camareira lá dentro, se esbaldando lá com os itens da minha geladeira.

Eu confesso pra você que eu não falei nada pra ela. Eu falei, olha, isso aí não tá certo. Ela ficou toda constrangida, saiu. Mas são coisas que realmente acontecem e às vezes a gente nem tem como fazer qualquer tipo de pré-julgamento desse tipo de pessoa. Às vezes não tem o que comer realmente e ela tá passando ali por aquela situação. Mauro Pacífico, muito obrigado por ter estado aqui comigo.

Eu que agradeço. Enriquecendo aí as histórias, o teu conhecimento. Você é um boa praça, como se dizia antigamente. Um cara muito legal da gente estar sempre se falando. E esperamos que muito em breve você volte aqui conosco também para a gente conversar um pouco mais. Ou para a gente falar do nosso livro.

Opa, com certeza. Quem sabe nós vamos fazer um pré-lançamento aqui e depois fazer um lançamento um pouco mais grandioso, porque muitos vão participar. Isso. Mas, de qualquer forma, vamos colocar o livro à disposição de todos aí.

Muito obrigado pela audiência, obrigado a todos. E convido a ler o livro, que ele é um momento de relaxamento mesmo. Com certeza. Nós indicamos. O Mr. Pode indica. E você que está sempre aqui conosco...

Avise os seus amigos, seus familiares, seus colegas de trabalho, diga que este podcast pode trazer coisas importantes, relevantes, agradáveis e às vezes um pouco mais complicadas, mas que nós sempre teremos o compromisso de estarmos mantendo você atualizado de tudo que acontece no nosso mercado. Muito obrigado e até a próxima terça-feira, às 19h.

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