EP 164 | Propósito em Movimento: a história por trás do instituto muda | Mister POD
Aqui na Mister Síndico, acreditamos que propósito é prática, movimento e impacto real.Por isso, no próximo episódio do #MisterPod, vamos conhecer @alexandre_furlan_braz, fundador do Instituto Muda e CEO da @conectalirSe você não sabe como a logística reversa se transformou em um agente de mudança social e ambiental, não perca essa conversa!
Demilson Guilhem
Day Lopes
Alexandre Furlan Brás
- Instituto Muda e Logística ReversaCriação e evolução do Instituto Muda · Desafios da gestão de resíduos em condomínios · Parcerias com empresas e programas de incentivo · Logística reversa e Política Nacional de Resíduos Sólidos · Impacto da pandemia na geração de resíduos
- Projeto de Lei sobre ReciclagemFuncionamento e novidades da Lei de Incentivo à Reciclagem · Oportunidades para condomínios e administradoras · Captação de recursos para projetos de reciclagem · Conectalir como intermediária na lei de incentivo
- Empreendedorismo e expansão pessoalTrajetória de Alexandre Brás como empreendedor · Livro 'Never Give Up' e lições de empreendedorismo · A importância de ser exemplo em projetos socioambientais
Olá, tudo bem com você? Estamos iniciando mais um Mr. Pod, o podcast da Mr. Síndico. E você sabe que aqui tudo que é importante, relevante e que faz a diferença no mundo condominial é colocado em pauta e é colocado para que você possa estar sempre atualizado com tudo aquilo que tem maior relevância nesse segmento que não para de crescer.
Hoje nós vamos falar de um assunto muito importante em condomínios, que é a questão de como pode ser cuidado os resíduos sólidos, mais comumente simplesmente chamado de lixo.
como é que isso pode ser cuidado, qual a forma ecologicamente correta, para que não só no condomínio, mas também o seu destino final seja o melhor possível para que nós possamos, desta maneira, estar colaborando com o meio ambiente. E óbvio que, para falarmos deste assunto, eu tenho aqui uma pessoa que é...
extremamente preparada, tem muito conhecimento, já construiu coisas sensacionais no nosso mercado, que é o Alexandre Furlan. Alexandre, seja muito bem-vindo. Obrigado, obrigado, senhor Demir, obrigado, Dai. Boa noite a todos. É um prazer absurdo estar aqui, porque a gente tem uma parceria de muitos anos, uma amizade de muitos anos. É verdade.
conseguimos aí. Estou muito feliz. Obrigado pelo convite. Que bom, Alexandre. Nós é que estamos de poder te receber aqui. Viu? A Dai, nossa companheira aqui, a co-host de hoje. Né, Dai? Mais uma vez, com muita honra. Muito grata de estar aqui com vocês hoje.
E hoje teremos aí uma aula de vida, de inspiração e de parabenização por toda a trajetória do Alexandre. Vai ser um podcast muito inspirador.
Tenho certeza disso. Vou começar com uma pergunta, Alexandre. Fala um pouquinho quem é você, Alexandre. O que você já estudou, o que você já construiu na sua vida. Para o pessoal aí de casa poder conhecer um pouquinho melhor você. E depois a gente entra em projetos sensacionais que você já se envolveu.
Legal. Bom, me chamo Alexandre Brás, sou pai do Bento, um ano e meio, um menininho maravilhoso. Uma graça, eu vi outro dia nas redes sociais. Parabéns, viu? Obrigado. Hoje eu sou fundador da Conectalir, que é um negócio que conecta projetos da lei de incentivo da esclareza com empresas.
E eu comecei minha trajetória ali com 20 anos, né? Fui fazer faculdade de gestão ambiental. E na faculdade de gestão ambiental eu comecei a mudar a minha vida pessoal mesmo. Não tinha contato com toda essa temática. Na escola ninguém falava disso.
E aí comecei a implementar essas ações na minha casa, reciclagem, economizar água, energia. E aí eu fui implementar como um todo a coleta seletiva no condomínio, procurei organizações cooperativas, não achei, e aí eu fundei o Muda. Na época o Instituto Muda, que depois virou Grupo Muda, e em 2024 foi vendido.
E aí tive uma trajetória de muitos anos nesse mercado condominal, sou apaixonado até hoje. A gente vai falar também de lei incertidão da esclare, que os condomínios podem se inscrever, é bem legal. E em 2022 eu fundei a Abelore, que é a Associação Brasileira de Logística Reversa. Eu fui presidente durante três anos e meio. Hoje a Abelore...
sucesso, aí tem várias empresas no mercado da logística reversa que fazem parte, aí eu deixei a presidência no ano passado e hoje fiquei um tempo como conselheiro, não estou mais. Eu escrevi também um livro no início do ano passado, em fevereiro, foi best-seller, contando a história da minha vida, desses...
16 anos de empreendedorismo, sobre os perrengues, sobre toda essa dificuldade que todo mundo tem. Eu abri um pouco, expus isso de mostrar para as pessoas que realmente é muito difícil de empreender, mas o nome do livro se chama Never Give Up.
Legal, legal Nunca desistir, é isso mesmo Bom Eu tenho uma Uma trajetória aí de relação com o Alexandre De muitos anos Logo que você Fundou o Instituto Muda A gente teve a oportunidade de
implantar em um condomínio com muito sucesso. Realmente você foi muito feliz, muito cuidadoso da forma com que você fez e atendia plenamente os condomínios. E como é que nasceu essa ideia da criação do Instituto Muda?
Legal. Bom, lá em... a gente está falando de 2000, início de 2008. Então, imagina se hoje já tem... ainda é um desafio falar de sustentabilidade, de meio ambiente. 2008, poucos falavam nisso.
Comecei a observar que os condomínios quase não tinham esses processos como um todo, não só de reciclagem, mas de processo de otimização de economia de água, de eficiência energética. Mas eu percebi que realmente o maior desafio era na questão de gestão de resíduos.
Você já tinha uma profissionalização no mercado condominal, já estava começando, então você tinha já uma administração profissional, você já tinha as terceirizadas, você tinha já vários setores profissionalizando no mercado de condomínio residencial. Sim.
Mas quando você falava em gestão de resíduos, era sempre aquela realidade. Uma Kombi indo lá coletar alguns tipos de resíduos nos condomínios, caindo aos pedaços, destinando ninguém sabe para onde. Verdade. Ou alguém passando de carroça no seu condomínio, coletando alguns recicláveis, gerando um monte de problema para o condomínio e para a insegurança das pessoas.
Até a coleta, né, naquela época, eu lembro que eu separava tudo e deixava separadinho na rua, mas a prefeitura vinha e juntava tudo numa coisa só. Então, até a coleta mesmo do próprio município era complicado. Exato, exato. E aí foi isso, eu estava na faculdade de gestão ambiental...
Eu queria implementar, eu cresci num bairro de classe média alta, e no meu colégio não falava nada sobre isso, porque eu sempre gosto de falar isso, eu nunca passei pela problemática ambiental, nunca faltou água, nunca faltou luz, nunca deixaram de coletar resíduos, e na escola não se falava muito disso. Então, quando eu entrei na faculdade de gestão ambiental, realmente foi um impacto.
é conhecer um monte de gente que já não comia carne sabe de uma outra realidade e aí comecei a falar pô eu tô fazendo faculdade de gestão ambiental preciso implementar na minha casa
esse processo. E aí eu comecei a procurar, mas não tinha ninguém que fizesse, ou quem coletava falava assim, ah, não, eu vou coletar, só ela tinha. Ainda existe essa situação aí muito. Sim. E aí eu juntei com alguns amigos, um que fazia faculdade de administração, outro de direito, outro de comunicação, falei, cara, estou com uma ideia aqui de a gente transformar um condomínio num condomínio sustentável. Vamos começar pela coletiva seletiva.
E aí juntei, eram mais de 12 pessoas, 12 estudantes. Aí foi passado o projeto, a gente já criou a ideia do Instituto Muda, pensando na mudança de pensamento, mas na mudança que a gente promovia ali no condomínio.
E aí, esse projeto virou um negócio em janeiro de 2009. Nós abrimos a empresa e começamos a trajetória, focando a coleta seletiva em condomínios. O primeiro condomínio, obviamente, que implementei foi o condomínio que eu morava. Eu tenho a foto até hoje, eu fazendo uma entrevista, dando treinamento para o meu próprio pai. Eu falei, pai, vai ter que ser o...
Você vai ter que ser a cobaia. Você vai ter que ser a cobaia. Não tem o marketing, nada. Vamos tirar uma foto aí. Então, eu implementei, fui testando.
Ali até que a gente começou a implementar nos condomínios em 2010 e aí nunca mais paramos. Nenhum mês, desde acho que março de 2010, parou de entrar condomínio. E aí em 2025, quando eu saí do negócio mesmo, a gente já tinha chegado a 1.300 condomínios. E tudo na região metropolitana de São Paulo?
A empresa já expandiu para Campinas e para Recife. A empresa tem a continuidade de estar em Recife também. Sim, sim.
Não, muito interessante isso. E eu imagino, assim, me coloco no seu lugar, como é que foi isso lá atrás? Porque se hoje ainda é complicada a questão conceitual, a questão educacional ligada a esse segmento, imagino isso há 15 anos ou mais atrás. Era complicadíssimo. E quando eu lembro, quando eu abri a empresa...
Eu falo assim, cara, eu não vou conseguir vender isso se eu não falar de verdade. Eu vou parar de comer carne. E aí faz 17 anos que eu não como carne vermelha. Olha, sensacional. É, essa era uma coisa que eu falei, não, não tem como, eu não vou conseguir falar a verdade. Pô, eu vendo isso, vendo sustentabilidade, vendo um melhor. Então eu tinha que também mostrar o exemplo.
Mas, sério, nossa, foi muito difícil, né? Foram para a gente começar a realmente...
para a gente achar um modelo de negócio, demorou três anos. Em 2012, que a gente começou com o modelo de cobrança, da assinatura, da coleta, com os condomínios. Mas até 2012, a gente atirava da maneira que dava, fazendo. E aí, o seu condomínio foi o terceiro. Desses 1.300, foi o condomínio terceiro. Então, eu tenho muita gratidão.
deu um apoio absurdo na época, acreditou. Eu imagino, naquela época, como imaginei, eu tinha 20 anos, negócio novo, não é todo mundo que acredita, você acreditou em mim e deu certo. Sim, é verdade. E você sabe que quando eu levei o assunto para a Assembleia, para a aprovação,
Porque tinha um valor, eu lembro que o valor era irrisório, era dois reais por apartamento para aceitar o contrato com o Instituto Muda. E aí aparece aqueles espíritos lá de especiais e tal, né? Imagina, eu vou pagar, nós temos que receber em vez de pagar, não sei o quê, papapá. Aí levantou um cara lá na Assembleia.
ele era de origem europeia, não me lembro de que país, falava com português meio assim, com sotaque, ele deu uma aula de ecologia, de meio ambiente, de destinação dos lixos e assim por diante, e com aquela aula lá o negócio passou assim, quase que por unanimidade lá no condomínio.
Então foi sensacional, porque o que eu achava interessante no Muda, algumas coisas, uma, o treinamento constante. Você tinha uma equipe lá, umas jovens que iam lá no condomínio.
que treinavam as empregadas, treinavam os condôminos. Vocês mandavam quase que, acho que semanalmente, um folder para a gente colocar nos elevadores, explicando como é que devia ser feita a coleta, o que era importante, qual era o destino daquilo. Então tinha um processo todo.
por trás não só de você retirar a coleta, mas também de qualificar. E temporariamente, acho que trimestralmente, vocês mandavam um relatório qual tinha sido o nosso percentual de assertividade, vamos dizer assim, do lixo. Porque, claro, sempre alguma coisa errada no lixo seletivo.
E isopor, às vezes um lixo orgânico, né? E eu lembro que, além disso, você pode ampliar tudo isso que eu estou falando, tá, Alexandre? Além disso, você tinha parcerias com multinacionais, né? Empresas de renome mesmo, assim.
muito qualificadas, não só multinacionais, mas nacionais também, empresas como a Natura e outras aí que você pode mencionar, e os condomínios que tinham melhor índice ganhavam uma premiação dessas empresas.
E o nosso condomínio ganhou várias vezes Ganhou troféuzinho A Dolce Gusto A Dolce Gusto dava as cápsulas E ainda emprestava a maquininha Para a gente fazer o café, o chá Porque a Dolce Gusto tem uma variedade maior A Natura dava um kit com...
shampoo, condicionador e creme para o corpo. Então foi uma época muito bacana. Fala um pouco como é que você construiu essas relações e como é que essas empresas também acreditaram no projeto.
Então, Sr. Demilson, foi assim, desafiador é porque não tinha um outro modelo de negócio desse no mundo. A gente realmente não tinha no que se basear. Vamos comparar com esse daqui para fazer igual. Então a gente foi querendo tudo do zero. Então ao longo dos anos foi muito organicamente, sabe, essas ideias de troféu, das empresas e tal. Em 2013...
começou, a história da Natura começou assim, né? Era bem difícil a gente emplacar nos condomínios, porque o condomínio tinha que pagar tudo. O seu condomínio foi um caso desse, que você tinha que pagar a implementação, os containers e mais a coleta. Então, era difícil de emplacar. E aí a Natura tinha um projeto, porque em 2010 foi aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Uma lei, né? Até hoje, lei federal.
E ela obriga as empresas a fazer a logística reversa. E a Natura sempre foi pioneira nessa temática. E aí ela chegou para a gente e falou assim, a gente tem um projeto aqui...
Eu lembro até hoje, era perto do meu aniversário, que o consultor da doutora falou, meu, eu acho que a Natura, inclusive, vai comprar a tua empresa. Tipo, eu falei, o que? A Natura vai comprar a minha empresa? Cara, se isso for para frente do jeito que a gente imagina, tem chance. Eu falei, meu, sensacional, né? E aí eles falaram assim, Alexandre, se a gente pagar a estrutura inicial,
O condomínio paga a coleta? Falei, cara, sim, o condomínio já paga tudo. Se você pagar a implementação e os containers, vai ser muito melhor. Não vai precisar passar em assembleia, não vai ter toda aquela demora para implementar. E o que a gente demorava mais ou menos cinco meses para vender um condomínio, a gente vendeu cinco em um mês. Porque aí era muito mais fácil, muito mais prático. Não tinha investimento inicial, né?
Exato, e aí tudo começou com a Natura, então aí a gente falou, pô, adote um condomínio, então a empresa está adotando ali o condomínio, a gente criou essa marca que trouxe esse programa das empresas, porque aí as empresas precisam atender a logística reversa.
O condomínio tem um papel também até de responsabilidade compartilhada, porque a gente não junta as duas coisas. Então o condomínio tem um custo, mas a gente gera economia por uma série de questões e a empresa entra com investimento. E aí começou isso. Então uma coisa se foi batendo na outra, porque aí a Natura patrocinava os condomínios e falou, pô, eu posso fazer uma ação com os condomínios? Lógico, posso entregar um kit? Eles vão adorar.
E adoravam mesmo. E a gente... Nossa. O iFood entrou com a gente em muitos condomínios. A Nestlé era super apoiadora. A Ambev. Quem mais? A Vigor. Todas essas marcas foram crescer. A Tetra Pak era super parceira. A Tetra Pak acho que implementou com a gente mais de 400 condomínios. Olha.
É, muito legal. E aí, enfim, foram crescendo, mas assim, a ideia sempre foi, o valor agregado não era a coleta, né? E legal, na fala do senhor, que você realmente consegue expressar o que a gente tinha como objetivo, que era assim, cara, a gente vai levar um monte de solução para o seu condomínio. Tinha um aplicativo, né, que gerava desconto em vários produtos, né? Tinha educação ambiental, que...
Os moradores, a gente entendia lá que não é que eles querem ser especialistas em gestão ambiental, eles têm a profissão deles, um é advogado, outro é engenheiro, eles só querem participar, eles querem fazer, eles querem dormir à noite e falar assim, cara, eu estou fazendo um bem para o meio ambiente, eu estou separando meu resíduo. De ter essa mudança em casa, porque se não fica naquele negócio, meu, tenho que ajudar, mas 880 a pessoa acaba não fazendo nada.
Então a gente sempre de levar de maneira muito prática. Então no treinamento a gente não ficava explicando a teoria da reciclagem. A gente falava, cara, como você vai fazer? Qual é a prática? O que é reciclável? O que não é reciclável? Como você separar na sua casa?
E você fazer de uma maneira simples. E separar tudo junto, né? Porque era um problema a menos. Então, vidro, latinha, todas essas coisas iam todas juntas, né? Exato. E depois vocês é que faziam a separação.
Aí a gente sempre doou esse material para as cooperativas de reciclagem, que são organizações que dependem desse resíduo, e elas não têm estrutura de logística, mas elas têm a triagem, elas fazem separação em mais de 20 tipos. Mas o condomínio a gente tem de dizer assim, cara, quanto mais complexidade você levar, menos ele vai fazer. É, certo. Sabe a vida corrida? Sim, sim. É facilidade, praticidade no dia a dia.
Então, quando a gente implementou, desde o começo a gente colocou é reciclável e não reciclável. Foi muito mais fácil. E aí o condomínio participou muito mais. Ele ficava mais engajado. Agora, se colocava aquele monte de lixeira, ao invés de se achar que ia melhorar o processo, piorava. O morador ficava desengajado. O que é a embalagem longa-vida? Metal, papel ou plástico? Os três.
né então é por eu ter sempre morado em condomínio acho que eu entendi a dor do do condomínio acho que se eu tivesse morado em casa a vida então acho que o muda talvez não teria dado certo eu vivenciava a vida do do condomínio né quando eu fui implementar
Pô, meu pai, todo mundo... Não, você tem que fazer os treinamentos. Os treinamentos eram à noite, porque eu sabia que as pessoas não estavam lá durante o dia. Sim. Então, desde o início, o treinamento era aplicado às sete da noite e às nove da noite. Eu sabia que as funcionárias do lar, elas vinham de manhã.
Então a gente foi criando toda a realidade. O funcionário do condomínio tem que ser um treinamento. O das funcionárias, outro. O do morador, outro. Mas todo mundo é responsável. Agora, Alexandre, falando em características do lixo reciclável, é...
O que vale mais? Qual o percentual que aparece mais para as cooperativas? Fala um pouco como é que é composto o lixo reciclável. Legal, legal. A gente, inclusive, fazia o estudo de resíduos, a gravimetria, para entender a qualidade e a quantidade. E é muito interessante, porque o condomínio residencial, diferente de empresas, é uma constância.
muito parecido, tem um padrão. Então, nesses 17 anos, era mais ou menos a mesma geração para um condomínio de 100 apartamentos. Se a gente falar, é uma tonelada a mês de reciclável. E a gravimetria, a diferença desses tipos de recicláveis. Inclusive, independente do nível social do condomínio?
Sim, porque você muda a embalagem. Talvez ele vai comprar um café mais caro, um café mais barato. Mas a embalagem é mais ou menos a mesma coisa. Óbvio que... Sabe onde? Sabe quando foi a única vez que mudou isso na pandemia? Na pandemia... Modificou o perfil. Todo mundo foi para as suas casas. É, exato.
E aí a gente cresceu muito também. Olha que interessante, em 2019, sabe quantos condomínios a gente tinha? 150.
De 2019 para 2025, a gente saltou de 150 para 1.300 condomínios. Gente! Foi um absurdo, assim, de crescimento, né? Porque as pessoas ficaram em casa, geração de resíduos absurda. Claro, claro. O consumo de embalagens também cresceu, delivery, né? Então, te respondendo, pergunto assim, o que sempre ganhou, assim, muito papelão, muito vidro, 30%.
do resíduo do condomínio em peso é de vidro, tem muito vidro. Papelão também era bastante, uns 20% a 30%. Aí, plástico.
Plástico, você tem um milhão de tipos de plástico, mas o que ganhava era o plástico PET, plástico PAD, que é o do embalagem alvejante. E assim, a menor percentual, sabe o que era? Latinha. Em peso, né? Isso. Em peso e volume, sabe por quê? Em volume que amassava? Porque nem chega nem para o funcionário do condomínio a latinha.
Ela já fica com a funcionária do apartamento. Do apartamento. Olha que interessante. É muito interessante. Tem umas coisas psicológicas do resíduo muito interessantes. Realmente, se você faz o estudo de resíduos, você consegue entender tudo sobre uma pessoa. Tudo. Você faz a leitura, né? Leitura do consumo, das marcas que ela consome. Estilo de vida. Você consegue entender exatamente o que é a pessoa pelo resíduo dela.
E eu lembro também que tinha essa questão da coleta, que essas associações que recebiam eram homologadas, não é qualquer canto que vocês deixavam. Como que funcionava isso? Sim, a gente tinha o básico do básico, que era ver se não tinha trabalho escravo, se não tinha trabalho infantil, se a cooperativa tinha o mínimo das licenças. A gente, obviamente, visitava, conhecia.
E aí a gente cadastrava a cooperativa e aí a gente começava a destinar. Então assim, tinha várias cooperativas que a gente atendia muito legais. Tem uma, que até hoje existe, que é um exemplo, chama Recifran. Ela é perto ali do viaduto do Glicério. Ah tá, fica embaixo do Glicério ali? Eu moro pertinho ali.
É perto da sua casa, né? É muito legal, porque eles fazem um projeto social que o fim não é a reciclagem, é a reintrodução das pessoas no mercado de trabalho. Para você ter ideia, as pessoas chegam lá, moradores de rua, eles não têm o hábito de comer.
Eles não sabem comer com garfo e faca. Eles não sabem a quantidade de comida que eles têm que ingerir, porque eles não sabem qual é a próxima refeição. Impressionante. É um absurdo. São Paulo, tá? São Paulo. São Paulo, a cidade mais rica do país. Exato. Então, como que era? Eles faziam um programa que eles davam o abrigo para as pessoas, alimentação, três vezes ao dia, três a quatro vezes.
E a separação dos resíduos era um extra, né? Para eles saírem de final de semana e tal, né? Não era o fim. E aí ficava seis meses para a pessoa voltar, né? A sociedade, né? E aí eles se conectavam com empresas que já entravam no emprego. Então, esse projeto ainda existe, né? Esse projeto é bom. Tá.
Sim, funcionou. Você falou em termos de peso aí, né? Que você deu umas ideias para nós. Mas em termos de valores, de valor, o que vale mais no lixo? Ainda continua sendo a latinha. Latinha. A latinha, garrafa pet.
A garrafa PET vale bastante? Vale, vale. Tem alguns plásticos, né? Tipo aquele do alvejante também é um valor bom. Ah, sei. É, né? Tem um valor de mercado. E aí varia muito, né? De local para local o valor, né? Por exemplo, o vidro, até dos créditos, Lúdica Reverse, é um lugar que é mega ultravalorizado no Norte e Nordeste, porque...
Tem poucas recicladoras lá. Já no Sudeste, São Paulo, tem bastante vidro. Então, o valor do vidro aqui é muito baixo. Muito baixo. Você não vai ver nenhuma cooperativa ou catador querendo coletar vidro.
Então, todo mundo gosta de tomar no vidro. É verdade, é muito melhor. É muito melhor, mas é mais complexo de reciclar. E aquelas embalagens, por exemplo, as tetrapá, que é embalagem de leite, de outras coisas. Suco.
Sim, embalagem longa vida, tem valor. É também, obviamente, um resíduo que exige um cuidado, você tem que tirar o leite de dentro, tem que ter aquele mesmo cuidado que a gente falava há 16 anos. É a mesma história, porque a cooperativa que vai separar, se você deixar lá, a embalagem desvaloriza quem está mexendo naquele cheiro podre.
O mesmo cuidado que tinha lá há 16 anos é a mesma coisa, porque não evoluiu, você não tem uma tecnologia. Por exemplo, pensa aí, vocês são especialistas no mercado condominial. Você tem muitas tecnologias que você implementa e depois vai. Tipo, sei lá, aquecimento solar, energia fotovoltaica, mesmo captação de água de chuva, outras coisas. Você implementou a tecnologia, ela roda. A coleta seletiva, não. Você depende ainda das pessoas fazendo a separação.
Não tem uma máquina que você coloca uma mão ali. Então, mas só voltando, só para não deixar as pessoas confusas, o vidro é 100% reciclável. Na verdade, ele é um dos resíduos que você consegue reciclar mais vezes. Ele é matéria-prima para o próprio vidro de novo. Para o próprio vidro. Ele é reciclável infinito às vezes. Independente da cor. Independente da cor. O plástico, você tem um ciclo para ele.
Você recicla mais ou menos sete vezes na cadeia toda. Aí não dá mais. Não dá mais. Aí o final dele é o saco de lixo. É a última coisa que você consegue fazer. É a última etapa. É a última etapa é o saco de lixo. Agora o vidro não. Você pode continuar reciclando ele eternamente. É interessante, interessante. Tá. E assim, você falou... Eu vou falar um pouquinho da latinha, porque a latinha é um clássico...
do pessoal pegar na rua, né? Eu vejo o pessoal com uma sacolinha e um saco e vai olhando em tudo quanto é lixo, espera um final de feira ou um final de uma festa de rua para catar as latinhas e assim por diante, né? Depois eles pegam e amassam aquilo, né? Sim. Para dar menos volume e tal. Sim, sim. E quanto é que vale? Aquilo é comprado o quê? Aquilo?
Quilo. Nossa, agora tu pegou o quilo da latinha, sei lá, eu acho que deve estar a mais de 4 reais. Sabe um resíduo que é interessante, que é super valorizado? O raio-x. Ah, o raio-x por causa da prata. Da prata.
Ele é supervalorizado. É o tipo de resíduo que poucas pessoas sabem. E você tem vários outros resíduos que, por falta de tecnologia, não se reciclam, mas tem valorização. Por exemplo, isopor. Isopor é um problemaço, né? Problema, né? É um problemaço. Quase nenhuma cooperativa recebe.
É muito volumoso, é muito ar. Mas dá para fazer alguma coisa com... Dá. Só que sabe qual cooperativa que tem a máquina aqui nessa cidade? Você fala uma. Uma só. E aí, por exemplo, quando ela compacta, tem um valor muito bom de mercado, mas é só uma cooperativa. Então...
Não dá conta, né? Não dá pelo volume de... Agora, você tem uns resíduos, uns plásticos que quase ninguém recicla. Aquele BOPP, que é o de salgadinho, de café. Esse é quase 100% que não recicla. Não tem tecnologia, né?
Daí a gente viajando pelas estradas, a gente vê passar um caminhão lotado de coisa de reciclagem. O que acontece? Tem um trânsito nacional para levar o produto para ser reciclado? Como é que é isso?
A gente fala que não existe mágica. A partir do momento que você colocou o seu resíduo para fora, ele tem um caminho gigantesco. Se você não separa, ele tem um caminho um pouco menor, que é um caminhão coletar e levar para um aterro sanitário. Hoje, para vocês terem ideia, olha que dado alarmante, mais de 50% dos municípios brasileiros ainda tem lixões a céu aberto.
Não é aterro sanitário, não é uma estrutura de engenharia. Obviamente, em São Paulo, a gente não tem mais lixão a céu aberto. São aterros sanitários, projetos de engenharia. Mas ainda tem mais de 50% do município brasileiro que tem lixão a céu aberto. Nossa, é muito crítico isso. Era para ter fechado pela Política Nacional de Resistência em 2014.
e ainda você tem. Então, o caminho do resíduo é gigantesco. Quando você fala na reciclagem, que até um pouco depois que eu vou comentar da lei de sentido da reciclagem, ela passa por muitas etapas. O plástico, por exemplo, você separa, vai para a cooperativa.
Tem 20, na cooperativa brincando, devem ter uns 10 tipos de plástico. E eles entendem lá, na cooperativa? Entendem. Eu vi uma reportagem uma vez deles separando um plástico de determinada cor, ou o que é de garrafa PET é junto, separando os tipos diferentes de plástico, porque não dá para fazer a mesma coisa com todos juntos. Exato. Por exemplo, plástico PET. Você tem o plástico PET colorido, o transparente.
e o branco. Então, sim, só o PET tem um caminho gigantesco. Então, aí a cooperativa vai separar. Aí ela vai vender para um atravessador, porque normalmente ela não consegue vender para a indústria final. Então, esse atravessador compra de várias cooperativas, aglutina, e aí vende para uma empresa, por exemplo, que vai...
fazer a moagem né assim né passar uma máquina que tritura tudo uma empresa que faz a lavagem aí depois para uma empresa que vai fazer a extrusão e transformar nos granulos que aí uma indústria compra para fazer embalagens e
servir uma indústria final, por exemplo, a Unilever, o Anestlé. Então, é todo esse caminho gigantesco para, desde a separação da sua casa, passando para a cooperativa, até chegar de novo ali na indústria da ponta. Tá. Bom, nós estamos aproveitando você aqui, Alexandre, estamos te enchendo de perguntas aí. É realmente uma aula.
A garrafa PET é um produto e a tampinha é outro produto? Sim. A tampinha é o PAD.
E a garrafa pet, a garrafa pet. Então, você vê que... Eu até estava falando com um parceiro, o Márcio da Cargill, estava contando que algumas coisas o mercado vai associando. Então, a tampinha, por exemplo, ela está muito até vinculada com associações de pets. Os maiores programas para reciclagem da tampinha de refrigerante é com instituições que cuidam de pets. Caramba! É. A mesma história lembra da...
Da tampinha do refrigerante, que vai para associações, para cadeira de roda. Sim. Aquela chavinha ali, quando você abre a lata. Isso, isso. Que a latinha é de alumínio, mas aquela... O que abre ali a lata. Exato. É ferro, né? Ah, é metal, é ferro. Olha.
Então aí você tem esses programas, né? Então a tampinha é de PAD e a garrafa de PET.
Então é mais fácil a gente já deixar separado a tampinha da garrafa. Não necessariamente. Você chega lá e eles estão ficando estampando. Vou dar uma dica. A gente sempre falou isso. Imagina numa esteira, certo? Então, 10, 15 cooperados, chega aqueles bags, aquela montanha de resíduos. Joga numa esteira, em movimento.
imagina para ele pegar uma tampinha imagina para ele pegar um plástico desse tamanho a gente mais das mil dedos né então é uma dinâmica quem não conhece vá numa cooperativa vocês entender uma central de triagem é muito rápido então quanto menor o resíduo mais é difícil de separar a cooperativa lá separando garrafa então é se você separa a tampinha
dificulta nessa hora. Dificulta ali na hora, entendeu? A chance de ir pro rejeito é gigantesca. Então é melhor deixar ali junto com a garrafa pet. E aí, na hora, na segunda criagem, digamos, eles já fazem isso. Eles pegam a garrafa pet, já tiram a tampinha pra um lado, já jogam a garrafa pro outro, entendeu? Então essas coisas vão facilitar. Por exemplo, amassar ou não a latinha.
não vai importar muito sem amassar não vai de qualquer jeito agora fazer higienização importa a caixa de pizza se amassar ou não vai ser escravo do mesmo jeito né é só otimiza espaço então tem várias dicas que aí e se comentou né eu fazia já na minha casa entendi as dificuldades eu vi a minha mãe fazendo meu pai né então eu faço assim
Tá, vou mirar nisso para passar para as pessoas. Não adianta você ir em uma posição assim, pô, não vivencio aquilo. É, você nem sabe como desenvolver a coisa. Uma coisa que eu achava super legal, aqueles containers que a moda trazia para o condomínio, que também é de material reciclável, é feito do que aqueles containers?
Era de tubo de pasta de dente, tinha dois modelos, um de tubo de pasta de dente, mas há muitos anos a gente fazia a partir das embalagens longa-vida recicladas, até nesse programa com a Tetra Pak. Então, os moradores separam as embalagens longa-vida, vão para as cooperativas, aí tem empresas que compram a embalagem longa-vida e elas fazem as chapas de embalagem longa-vida, chapas de dois por um. E são super resistentes. Muito, é plástico e alumínio.
E aí a gente comprava a chapa e fazia os containers. Que legal. Olha só, tem aqui o pessoal interagindo conosco. O Gilmar Queiroz é um...
Ele é um gestor predial, foi gerente predial de um condomínio nosso, e agora ele está na área acadêmica, ele quis desenvolver isso. Ele fala assim, muito bom esse assunto. Nas aulas de marcenaria, ensino o pessoal a reaproveitar madeira jogada nas ruas e caçambas para fazer móveis para vendas. É uma forma de reciclar e empreender.
Perfeito, perfeito. É a economia circular. É o que falam da economia circular. Esse exemplo da chave, do que ele falou, é a melhor destinação que você tem para resíduo. Como você valoriza. Porque assim, tem a economia da reciclagem linear, que é separar um patch.
Você destinar ali para a cooperativa, ela vai vender e é aquele ciclo que eu falei de sete vezes. Certo. Quando você começa a dar encaminhamento, tipo a chapa, que eu falei, você valoriza o resíduo. Se você comparar, se você fosse vender a embalagem a longa vida...
normal, para um ciclo normal de reciclagem e para uma chapa, ela fica ali do condomínio. Quanto tempo duram os containers? Sim. Até hoje estou lá. Já há 15 anos. Entendeu? Então essa é a economia circular. A mesma coisa dos móveis. Você pegar e triturar simplesmente a madeira.
E você vai aproveitar aquele móvel, né? Tem muitos até artistas que colocam uma assinatura ali e vendem por 10 mil vezes. É, você falou bem. Olha só, a Ana Helena, minha esposa, está aqui assistindo o podcast. Beijo, querida. Ela está dizendo assim, hoje tem caixas para vidro pela cidade, são grandes e amarelas.
Boa. Primeiro, Renan, parabéns pelo seu marido, é um grande homem. Poxa vida, você é muito gentil. Obrigado, Alexandre. Como é que entra o poder público em tudo isso? Essa é uma questão. Quanto do lixo seletivo, por exemplo, na prefeitura de São Paulo, a prefeitura cuida?
Legal. Hoje, a coleta seletiva da cidade de São Paulo, os dados, mais ou menos 4% a 5% do resíduo é resclado. Ainda é muito baixo. Muito baixo. Muito baixo. Mas, nesses últimos anos, a coleta seletiva da prefeitura aumentou bem.
Estão ampliando a coleta, eles estão ampliando a educação ambiental, eles estão ampliando os PEVs nos locais públicos. Então, eu percebo uma melhora. A gestão de resíduos sempre existia. Como eu falei, não tem lixão, a céu aberto aqui. Mas é muito desafiador, é muita gente. Tem cada vez mais. Exato, até...
Um grande parceiro meu, o Mauro Haddad, que é da SP Regula, que faz a gestão, ele estava contando detalhes, o Davi também, contando detalhes como é desafiador. Não a coleta em condomínios, porque está dentro de condomínio, as pessoas têm um cuidado maior, mas a coleta e a varrição nas ruas.
assim, passou o caminhão, depois cinco minutos, já é um caminhão de pessoas que jogam resíduos na rua, e resíduos de... Estou falando de sofá, de móveis. Então é muito desafiador, né? É uma cidade, é uma das maiores que existem, né? Então é realmente a taxa é pequena. É cultural, né? É cultural. Mas aí que está, Adai. A gente percebeu isso, ao longo de todos esses anos, sempre falei isso.
Todo condomínio que a gente entrou, o síndico falava, não vai dar certo. Porque neste condomínio as pessoas não querem fazer, não gostam, tem raiva de meio ambiente. Eu sempre provei ao contrário. Falou assim, as pessoas querem sim fazer. A gente sabe que as pessoas querem. Mas você tem que dar os instrumentos para elas fazerem.
se você não coloca um container fácil se você não explica para elas o que é vamos fazer e aí a gente sempre implementava e dava certo a gente implementou em muitos condomínios de mais de 30% de moradores chineses que a gente colocava as placas em mandarim botava em mandarim a placa? tudo, mandarim, inglês e super funcionava olha esse exemplo teu aí eu acho sensacional, cara porque o chinês é meio desorganizado, né?
Exato, por quê? Ele está em outro país, ele não entende. E assim, se você dá a oportunidade de ele aprender, a gente contratava tradutor para ir nos treinamentos. Tradutor coreano, tradutor mandarim, tudo. Esse vídeo, inclusive, está no YouTube de um síndico de um condomínio gigantesco que a gente atendia no Ipiranga.
que foi um dos caras que eu sempre brinquei e falou, Alexandre, não vai dar certo isso, mas assim, não existe a possibilidade de dar certo. E aí deu certo, e aí ele apareceu numa entrevista na SPTV, falou, pô, aqui foi mal legal, deu certo, os contêineros tudo em mandarim. Eu falei, tá vendo? Ainda levou os louros. Puts, é que legal isso aí, sensacional, viu?
Hoje mesmo eu estava Reparendo, eu estava esperando o Uber para vir para cá E tem um local que eu espero perto da minha casa Que tinha uma árvore Que estava danificando os fios Cortaram a árvore e ficou o canteirinho ali Para resolver o negócio, cortaram a árvore Aí eu já, lamentando ali
a situação da árvore, eu sempre passo ali e fico olhando ali com aquela saudosa da árvore, né? E aí hoje estava entupido de bituca de cigarro, com o lixo ao lado. E aí eu fico pensando, né? Tipo, a questão da educação, essa questão cultural e essa questão das pessoas também. Se um pouquinho, cada um se importar um pouquinho, todo dia, as coisas vão mudando, vão melhorando, né? E lá em Liabela...
Uma coisa que eu gosto muito lá Que tem as bituqueiras pela cidade Pela ilha, né? E são bituqueiras de uma cooperativa Que eles coletam O filtro do cigarro Pra reciclar, né? Daria super certo isso aqui Se espalhar na cidade inteira Nos parques, porque ainda tem muito fumante Infelizmente, eu parei, tá? Não me junte Eu parei Que boa notícia Boa notícia dos dois aí Sim, sim
Então, assim, é outra situação também bacana pra gente olhar, né? Colocar essas bituqueiras, espalhar mais lixeiras, né? Pra pessoa ir se acostumando e se conscientizando. Eu acho que é mais uma dica aí pra gente tentar implementar. Mas sabe o que você falou? É a teoria da janela quebrada.
Ah, legal isso. É isso. Tipo, o cara jogou a primeira bituca, vai lá o outro, joga a segunda, a terceira, a quarta, a quinta. Se você cria cultura boa, é impressionante como as pessoas cuidam. Que nem você deu esse exemplo da Elia Bela. Contra alguém lá atrás, você vê essa ideia.
Tenho certeza absoluta que foi passando isso. Exato. De turista em turista, de morador para morador. E você tem hoje orgulho de falar, pô, que legal tem lá. Então é a mesma coisa que a gente fazia nos condomínios. Quando, por exemplo, o condomínio que a gente já implementava do zero...
condomínio estava entregando ali a chave tal é muito mais fácil né já tinha a cultura então todo mundo que entrava já no morado no condomínio com roupa opa que funciona assim de falar dessa maneira o gerente os eladores entregava cartilha ó aqui funciona dessa maneira não vai fazer errado tá andando bem então eu tenho aí tudo aí vai
É, gente, é um efeito dominó. E você acha, Alexandre, que Curitiba é a cidade mais ligada nesse assunto? É uma das referências. É uma referência, né? Eu morei um ano em Curitiba e eu via, inclusive, nas regiões periféricas, nas comunidades, eles davam vale transporte.
Em troca do lixo seletivo deles. Caramba. Olha que interessante. Passava o caminhãozinho, tinha um sininho, aí aquele pessoal da comunidade vinha, entregava lá, de acordo com o quilo que ele entregava, ele ganhava vale-transporte para andar no ônibus. Que legal. Então, são coisas assim, né? Se o poder público abre o olho para isso, ele pode contribuir. E, como você falou,
a comunidade vai responder. Exatamente. Como é no Japão, que ele comentou. Lá, além da cultura, porque muitos anos atrás não era assim, mas foi implementando ao longo dos anos com a cultura, com a educação vindo de casa, mas também do governo dando a mão para a sociedade, do governo impondo aquilo, porque eles são bem rígidos. Então hoje você vê uma pessoa jogar uma sujeira na rua e é multado.
Então é importante estar de mão dada o governo, as pessoas que comandam as cidades junto com a sociedade. E tem que dar o exemplo. Exatamente. E isso que é muito legal na lei de incentivo da esclagem. É isso que eu queria que você falasse um pouquinho. Como é que funciona? Que é uma novidade muito legal para os condomínios. Eu vou trazer aqui em primeira mão. Opa, olha aí, gente. Aqui, ó. Prister pode, hein?
Primeira mão, tenho certeza absoluta que ninguém falou isso em nenhum podcast de condominial. A lei da incentiva da reciclagem é uma lei que foi aprovada em 2021, regulamentada em 2024. Ela basicamente permite que as empresas destinem até 1% do imposto de renda jurídica para projetos de reciclagem.
ou até 6% do imposto de renda física para projetos de reciclagem. Quem são esses projetos? Pode ser uma startup de resíduos, igual a muda, pode ser uma recicladora, pode ser uma cooperativa de reciclagem, pode ser um condomínio, pode ser uma escola, até mesmo prefeituras conseguem se inscrever. Como que funciona?
projeto ali como proponente. É muito parecido com a lei de esporte, né? Até mais ou menos parecida com a lei Rouanet. Ela é bem mais evoluída que a lei Rouanet. A lei Rouanet já tem 30 anos. A lei da reciclagem, ela tem várias novidades. É federal. Federal.
E aí os projetos se inscrevem como proponente e eles precisam do recurso. Então, eu preciso de uma cooperativa, eu preciso de maquinário, uma indústria de esclarecer, eu preciso de maquinário, caminhões. Eu vou lá, inscrevo, eu estou captando um milhão de reais. Aí o Ministério do Meio Ambiente avalia, analisa, aprova. A partir disso, ela vai para o mercado fazer a captação.
E aí as empresas do lucro real podem destinar até 1% do imposto de renda jurídica para essas empresas. Ou seja, não sai nada do caixa da empresa. Hoje a gente tem 230 mil empresas no lucro real. Nós temos 500 bilhões de reais pagos de IRPJ.
A gente tem hoje 600 milhões de reais de projetos aprovados no Incentivo da Resclagem em captação. Então, é uma oportunidade gigantesca. A gente tem as empresas, a gente tem as demandas. E hoje a Conectalir, que eu fundei, conecta essas pontas. E qual é a novidade aqui para condomínios?
Lembra aquela história que eu falei, quando era difícil implementar uma administradora, um condomínio implementar porque tinha aquele custo inicial. Sim. Hoje, por exemplo, se uma administradora quiser, normalmente a administradora, até mesmo o síndico profissional tem 40 condomínios, 50, 200, tem 1.000, 2.000, ela pode inscrever um projeto na lei de incentivo da reciclagem. Então, por exemplo, se é uma administradora,
tem 500 condomínios, você escreve lá. Pô, você vai fazer com uma assessoria, a Conecta Elite também faz isso. Quanto que a gente vai precisar, quanto que vai custar para implementar o container, a coleta e tudo mais. E aí, escreve. Aprovando, vai captar com essas mesmas empresas que antes patrocinavam, você faz a mesma coisa, só que agora com o imposto delas. Ou seja, é muito mais atrativo para as empresas. E aí, detalhe.
com o imposto de renda física. Quantas pessoas moram nos condomínios e conseguem destinar esse imposto de renda física? Então, é uma baita oportunidade gigantesca para implementar, para expandir a colete seletiva em condomínios. E isso pode partir de uma administradora, de uma sindicata profissional, inscrever um projeto na LIR, a Lei de Sentimento da Reciclagem.
E aí a gente pode te procurar nessa empresa que você criou para você nos auxiliar nesse processo. Perfeito, perfeito. Então, aí o síndico profissional, o administrador entra como proponente, avalia em quantos condomínios vai querer implementar.
E aí, escrevendo, demora uns três meses para aprovar pelo Ministério do Ambiente e aí depois tem a captação. Então, para vocês entenderem o impacto da lei, ano passado a gente tinha aproximadamente 200 milhões de reais de projetos inscritos. Esse ano já vai chegar em 2 bilhões de reais de projetos inscritos. Olha só como evoluiu.
Absurdamente, porque você tem ganhos para as duas pontas, né? E na legislação está escrito isso, os condomínios podem ser proponentes. Por isso que eu falei que é uma novidade, porque ninguém ainda está falando disso. Sim, eu não vi isso em lugar nenhum. E 2025 foi o ano que começou de fato a lei, a operação. Os projetos começaram a ser aprovados, começaram a captar.
E agora está em pleno funcionamento. Então é... Principalmente para cidades pequenas que precisam implementar coleta seletiva. É um baita do incentivo para todo mundo. Que bacana. Vamos criar uns pilotos dos nossos... Vamos sim, com certeza. ...condomínios aí, Dai. Que eu acho que vale a pena. Legal. Eu sou um...
Sou fanático por tudo isso que você está falando, sou fã de tudo isso e admiro profundamente um cara tão jovem como você, ter desde lá de trás trabalhado, sempre voltado para...
pra isso aí. Sensacional. A gente precisa de pessoas como você, mais pessoas como você nesse nosso país. E quando eu viajo, que eu tenho oportunidade de viajar, é uma coisa que eu sempre presto atenção, como isso é diferente lá fora. Você não vê um papel na rua em muitos países, você vê toda essa parte do reciclável toda organizada.
tudo isso aí chama muita atenção mas é aquela coisa, a gente não pode esmorecer tem que começar e vai andando você começou lá com muito esforço um condomínio, dois, três chegou a mil e quatrocentos
Por quê? Porque acreditaram no projeto que você desenvolveu. Isso aí tudo eu acho muito importante. Alexandre, nós estamos nos encaminhando aqui para o fechamento do podcast. Nós temos uma regra aqui que diz o seguinte, que quem vem volta... Opa!
E nós queremos muito em algum outro momento te receber novamente aqui. Será um grande prazer. Nós demoramos 164 episódios para ter você aqui. Mas o importante é que você veio. E teve a oportunidade de dividir tanta informação, tanta coisa bacana com a gente. Eu só vou mencionar aqui algumas pessoas que...
que se manifestaram aqui, o Túlio Rocha, Alê Araújo Oficial, Devite, Cláudio Bispo, Fábio Silva, Emerson Cardoso de Melo, Marcelo Duarte, o Albélio, o Patrick, que é outro gestor nosso, que também gosta dessas coisas, está dizendo que foi muito produtivo isso aqui.
Então eu agradeço a todo mundo e especialmente a você. Muito obrigado, Alexandre. Obrigado, obrigado, Aê. Obrigado, seu Demilson. Prazerzado, foi ótima conversa. Espero aqui voltar. Muitas vezes, quem sabe você com o primeiro projeto de condomínios aprovado, além do incentivo da reciclagem. Vamos lá. O Ministério do Meio Ambiente está querendo, não tem nenhum ainda. Então vamos lá, vamos fazer esse projeto juntos aí. Legal. Obrigado, gente. Obrigado pela...
Pelo convite. Muito obrigado. Muito sucesso aqui ao Mr. Cíndico. Muito obrigado. E você que está sempre conosco, na próxima terça, às 19h, mais um Mr. Pode. Um abraço a todos.
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