Episódios de Mister Pod

EP 169 | Feminicídio e violência contra a mulher

04 de maio de 20261h2min
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Briga de marido e mulher, o síndico deve sim meter a colher.Neste episódio do Mister Síndico, recebemos Leandro Santos para um debate urgente e necessário: o feminicídio e a violência contra a mulher dentro dos condomínios. Qual o limite entre a vida privada e o dever de intervir? Leandro esclarece as implicações legais, os protocolos de segurança e como uma gestão humanizada pode salvar vidas. Dê o play e saiba como agir diante de sinais de abuso no seu prédio.

Participantes neste episódio2
D

Day Lopes

Host
L

Leandro Santos

ConvidadoEspecialista em segurança
Assuntos7
  • Violência contra a mulherFeminicídio como crime hediondo · Machismo cultural e sua influência · Violência doméstica e abuso psicológico · O papel do condomínio na prevenção · Medidas protetivas e denúncias · Reeducação e conscientização
  • Prevenção de Crimes EspecíficosEngenharia social e táticas de invasão · Efeito carona e falsos visitantes · Diferenças entre prédios pequenos e grandes · Portarias virtuais vs. presenciais · Importância do treinamento de porteiros · Tecnologias de segurança e investimento
  • Gestão de condomínio como responsabilidade empresarialEquilíbrio de preço em serviços de segurança · A importância do investimento em segurança · Engajamento dos moradores em treinamentos · Comissão especial da OAB na área condominial · Tecnologia de palavra-chave para emergências
  • Crise da MasculinidadeDesafio do poder e posse sobre a mulher · Vaidade masculina e discussão de relacionamentos · Exemplos de homens que compartilham tarefas domésticas · A importância da conversa entre amigos sobre machismo · Egocentrismo e a busca por status
  • Trajetória profissional de Leandro SantosInício no tênis e McDonald's · Transição para segurança e tecnologia · Desenvolvimento de habilidades de oratória · Consultoria condominial e criação de ferramentas · Experiência com a Lei de Acesso à Informação
  • Lei de proteção à mulher (voto polêmico)Aumento da representatividade feminina em cargos de poder · Segregação de gênero em transportes públicos · Aplicativos para solicitação de motoristas mulheres · Agressões e desrespeito em aplicativos de transporte
  • Desenvolvimento Humano e EducacaoImpacto da criação tóxica e carência paterna · Monitoramento de filhos e uso de tecnologia · A importância da educação para prevenir a violência · O papel dos pais na formação de caráter
Transcrição166 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, tudo bem com você? Estamos iniciando mais um Mr. Pod, o podcast da Mr. Síndico. E você sabe que aqui nós sempre estaremos preocupados em trazer tudo aquilo que é importante, relevante e atualizado que está ocorrendo no mundo condominial.

Sabemos que cada vez mais as pessoas optam por razões diversas de viver em condomínios. E, obviamente, viver em condomínios possui seus segredos, possui seus desafios e possui também as suas recompensas de viver nesses ambientes. Hoje nós vamos falar de um assunto que está na pauta de toda a sociedade. A questão da segurança, mas especialmente da questão...

do problema como as mulheres estão sendo tratadas na sociedade, inclusive redundando num número cada vez maior de feminicídios, que é uma situação que se agrava na nossa sociedade, e obviamente também dentro dos condomínios, e nós, preocupados com isso, estamos...

querendo colocar neste nosso fórum um debate, informações, para que de alguma forma a gente possa contribuir para que isso seja minimizado na nossa sociedade como um todo. E obviamente para nós falarmos sobre isso...

Nós temos aqui um especialista em segurança, é uma pessoa altamente qualificada, com vivência e experiência neste segmento e que poderá enriquecer o nosso podcast de hoje. Por isso, eu dou as boas-vindas e recebo aqui com...

muita alegria, o meu amigo Leandro Santos. Seja muito bem-vindo, Leandro. Muito obrigado, Dai, obrigado também pelo convite. É um grande prazer estarmos aqui. Eu sempre vejo vocês pela internet e agora fico mais feliz de estar aqui. Que ótimo, é muito bom mesmo ter você aqui. E temos aqui a Dai Lopes, minha companheira de lutas e desafios.

e também aqui de auxílio no Mr. Pod como co-host. Seja bem-vinda, Day. Sempre com muita honra. Muito obrigada pela oportunidade de estar aqui hoje com esse excelente profissional que vai nos trazer muitos esclarecimentos sobre essa questão de perseguição feminicídica que está tão atual e infelizmente no nosso meio condominial.

Eu acho o seguinte, Leandro, eu acho que é interessante para a gente começar. Tá. Falar um pouquinho quem é o Leandro. Tá. Não é? Como é que você chegou nessa área de segurança? O que você já fez na sua vida? Porque eu acho que isso cria uma afinidade com os nossos amigos que estão aí assistindo o programa. É verdade. Então, Leandro por Leandro. Que legal. Novamente, é um prazer estar aqui. Obrigado. Eu tenho 48 anos, três filhos.

Sou casado, eu comecei a trabalhar com 7 anos, 7 para 8 anos, pegador de bolinha de tênis. É uma profissão que hoje eu acho que não tem mais, parece que hoje tem a tecnologia que parece que consegue ajustar as questões das bolinhas quando treinam. Mas a nossa função era, enquanto o rebatedor jogava com o professor, as bolinhas iam caindo na quadra, nós pegávamos as bolinhas, colocavamos em volta num carrinho central e eles continuavam jogando.

Sete pra oito anos. Eu aprendi a jogar tênis por conta disso, porque enquanto intervalava, a gente ficava num paredão brincando com a raquete. Até hoje, um dos professores da época que eu pegava a bolinha pra esse professor, até hoje ele dá aula de tênis, que é o Dagoberto, que é um grande amigo lá do Butantan. Eu sou nascido no Butantan. Que legal. Depois eu fui trabalhar em alguma vidraçaria, já com dez anos, naquela época podia, né? E eu fui trabalhar no McDonald's.

Lá eu me trouxe tão bem que eu criei um manual regional. Eles tinham um manual específico e eu me envolvi um pouco mais para entender o procedimento. Falei, mas é muito grande esse manual. Eu virei treinador e falei, mas é muito grande para treinar. Não tem muito conteúdo, tem que ser coisa mais rápida. E aí eu criei um manual menor. E aí virou meio que um padrão na regional ali. Ou seja, Eldorado, Faria Lima, eu trabalhei no MEC daquela região.

E nas férias, na verdade eu não tirava férias, eu ia pro MEC de volta, né, porque eu sempre ficava trabalhando, vivia nisso.

Aí, certo dia, eu falei, poxa, eu preciso ir para o mercado de trabalho mesmo, em algum setor. Fui cursar engenharia e comecei a trabalhar na minha empresa para ser instalador de câmeras. Eu não era tão bom instalador assim, me colocaram para dentro da empresa. Para instalar, eu peguei aquela conversão do VHS para o digital. Então, eu comecei a instalar as placas de captura dentro dos PCs para transformar o antigo gravador em DVR.

Eu peguei toda essa conversão. Antigamente, para você visualizar uma imagem, por exemplo, a Dai fala assim, Leandro, eu preciso de uma imagem de ontem. Um sacrifício. Tinha que você assistir quatro, cinco fitas, perder cinco horas, seis, sete horas, para pegar um trecho de um minuto. Era assim, nessa época. E eu peguei toda essa conversão. Lá eu fui entender que eu gostava muito de tecnologia voltada à segurança, porque eu trabalhava na parte de implantação das placas, configuração e treinamento para o cliente da parte digital.

E aí eu comecei a cursar a engenharia, fui para uma outra empresa maior para trabalhar em projetos de segurança. Peguei um professor... Ainda estudando engenharia. Ainda estudando. Eu fui trabalhar com um projeto de segurança para o governo. Lá realmente foi a virada de chave, porque eu comecei a ler, a integrar projetos, a fazer a leitura de projetos.

E comecei a apresentar o projeto técnico, não comercial. E aí, de repente, eu não gostava muito de conversar com o público, só mais fechado no âmbito técnico, mais comercial, não. Aí o vendedor faltou, era o Marcelo na época, ele faltou, e era infra-ero, tinha marcado com toda a gestão. Leandro, você vai ter que ir sozinho, porque não tem nem como, vai ter que ir. E fui, suei demais para apresentar o projeto.

Mas apresentei. E dali eu tive aquela visão de trabalhar um pouco com a questão da fala, da parte mais comercial, porque eu entendi que eu precisava fazer isso. Por conta. Não tinha o que temos hoje. Hoje você tem aulas até na internet sobre como falar, enfim, algumas dicas importantes. Oratória. Não tinha muito disso, né?

Aí eu achei um curso de três horas de oratória, gratuito. Na época do YouTube, era novo ainda o YouTube. Começando o YouTube. E aí eu comecei a gerar trechos, visualizava alguns trechos e treinava algumas coisas. E comecei realmente a trabalhar um pouco essa questão. Mas até então você se considerava uma pessoa tímida? Tímida, totalmente tímida. Lembra que antigamente, não sei se hoje tem isso, nos empregos, você tinha uma dinâmica em grupo.

Claro, claro. Lembra que nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca nunca

Quando eles começaram a fazer uma mesa igual essa, tinham sete, oito pessoas. Isso. O primeiro lá. Eu sempre tentava me posicionar para ser o último. O último. Quando começava a chegar em mim, taquicardia, suor, era uma coisa assim terrível. Eu sempre fui muito tímido. Que coisa, vendo você hoje falar tão bem assim. Sempre fui muito tímido. Tá. E aí, o que me destravou...

Sempre foi na reação, nunca foi no planejamento. O que me destravou foi uma... Eu comecei a trabalhar na área de segurança e uma assessora de imprensa falou Leandro, preciso falar de... A primeira matéria minha foi sobre furtos de metais. Você fala? Eu falei, olha, não, mas eu posso pesquisar e entender. Faça isso. Eu pesquisei e entendi um pouco do que era, o porquê. E como eu gosto muito de dados...

Eu fiz essa primeira matéria, ruim demais até para falar. Eu guardo até hoje porque é uma experiência boa, mas eu não falei tão bem. Eu ficava girando a cadeira. Eu tentava jogar o nervosismo para algum ponto. E aí eu comecei a trabalhar a oratória e falei, olha, para eu ficar mais tranquilo, eu tenho que dominar o assunto. Porque nesse curso de oratória eles diziam assim, olha, o primeiro ponto é dominar o assunto para que você fique mais tranquilo com a sua fala.

Porque aí não vira um incômodo, menos um. Então eu comecei a estudar, eu ia na delegacia do DEIC, toda semana buscar dados de tudo, tanto de furtos de condomínio, de moto, de celular, para entender o porquê. E eles fornecem para o público?

Na verdade, existe uma lei de acesso à informação, que é o que eu uso hoje por sinal, mensalmente eu o envio, mas o delegado vai muito da questão do tempo. Se ele estiver na sala, ele vai delegar algum investigador para conversar com você. Não é comum. Não é comum. Sabe como é a correria da polícia. Porém, nessas idas e vindas, eu conheci o da Cunha, que ele era o titular da segunda delegacia do DEIC.

E ele falou assim, por que você faz isso? Ele é deputado agora? Federal, federal. Isso, exato. Eu assessorei ele por muito tempo. É mesmo? Eu conheço ele. É, o Lá Cunha é um amigo pessoal. Então ele começou a me fornecer dados estatísticos por meio da lei de acesso, mas eu ia até lá também para conversar.

com os investigadores, com ele. Aprender mais. Aprender mais. Porque eu queria fornecer informações por meio de dados. Quando eu entrei na área condominial, que eu fazia projeto de segurança, saí dessa área e fui para o condomínio por um convite.

Quando eu fui para a era condominial, eu me deparei com uma proposta que eu enviei. E o síndico, eu lembro até hoje, Silvio, o nome dele, ele falou assim, Leandro, sua proposta é muito boa porque tinha um formato de proposta igual da época da Infraero. Então era uma proposta técnica, não eram três folhas. Eram 12 folhas, 13, eu colocava a foto do condomínio. Eu colocava algumas câmeras já na imagem para entender o desenho, enfim. Coisa que hoje é normal, mas antigamente não era.

Só que aí eu chegava na folha de preço, o síndico falava assim, esse síndico falou assim, Leandro, legal sua proposta, mas tem um amigo meu que faz por metade do preço. E aí eu fui entender essa lei da metade do preço. Falei, não é possível. Se existe uma lei de equilíbrio, se eu compro uma pilha por tanto e o outro vende por meio tanto, eu tenho que entender o porquê. Não basta eu falar assim, ah, legal, vem cá.

Se eu disser, olha, Demir, você tem um celular aqui, um iPhone X, sei lá do que, que vale 20 mil, eu te vendo por 5, você vai te perguntar assim, por quê? E o síndico não tinha essa pergunta na época, por que é mais barato? Ele não perguntava, mas você aceita qualquer resultado, então, porque você consegue medir o resultado mediante o preço? Não, o condomínio quer o preço.

Aí eu falei, pô, eu preciso, na verdade, ensinar o síndico a comprar. Aí eu vendia como instalação, saí disso, vestia a roupa de consultor. Falei, eu vou ensinar o síndico a comprar. Eu comecei na delegacia, eu tinha essa relação, e eu pegava dados, informações, para dar palestras gratuitas para síndicos.

Então eu me juntava ali com um síndico e dizia, olha André, pega sete, oito, nove síndicos da sua região, pega o seu salário de festas, faz um coffee que eu vou dar uma palestra gratuita. Claro que eu tinha uma intenção de ir dali, trabalhar como cliente, mas eu não vendia exatamente nada que é o que eu faço até hoje. Eu tenho uma política de não vender, eu acho que a venda na segurança é por necessidade. Eu acho que é as duas pontas, né?

Eu mostro alguma coisa, faço um vídeo, o cara gosta, me pergunta alguma coisa, e aí sim eu trabalho com a venda.

Então eu fazia isso, eu fazia palestras gratuitas. E dali eu começava a pegar clientes síndicos. E foi onde eu comecei a entrar realmente no mercado de segurança, como consultor. Criei uma ferramenta chamada Condor Rating em 2016. Eu a lancei na Paulista.

E aí, foi engraçado que no cadastramento, o da Cunha também estava comigo, eu dizia, o da Cunha, estão cadastrados aqui, era para o síndico, o público-alvo, mas tem muita empresa de segurança se cadastrando. Aí ele deixa se cadastrar. Eles querem entender que ferramenta é essa.

Tudo bem. Aí falei, tudo bem. Então, deixamos assim. E aí foi onde a gente entrou realmente no mercado, primeiro a nossa ferramenta, que é a CondorRate. E outras empresas conheceram e começamos a criar essa relação com as empresas. Porque nós somos consultores, nós contribuímos com as empresas. O consultor, muitas vezes, para quem, às vezes, é um pouco distraído ou não conhece, ele é visto como um concorrente.

Muitas vezes que você chega no condomínio, ah não, consultor não, porque eu tenho minha empresa de segurança. Mas não, ele é complementar. Ele vem ajudar a empresa, criar cultura de segurança. É uma construção de cultura que a empresa está envolvida. Então a gente começou a criar essa relação. E hoje, depois disso tudo, o Dacuinha ficou comigo na consultoria há um bom tempo, foi para a política e eu continuei.

Então aí eu criei uma relação de treinamento, eu não gosto muito do comum do dia a dia, eu gosto daquela dor invisível, né? Então comecei a estudar o comportamento desse criminoso que invade o condomínio, que é o furto, essa molecada que invade. Comecei a estudar engenharia social, aí eu fui fundo nesse tema.

Fui para a delegacia, por um time de ocorrência, entendeu o que estava acontecendo. 90 e poucos por cento era um erro do condomínio, entre astros, mas era um ganho de confiança. E eu queria entender o porquê. Como a gente não conseguia travar isso por conta do furto, que não tem grave ameaça ou agressão, então fica preso. Então era uma engrenagem que sempre rodava. Eu queria entender o que estava acontecendo. E eu comecei a criar uma estratégia para dinamizar uma ação para bloquear a engenharia social, que é um treinamento que eu faço hoje. Que é bloqueio da engenharia social.

É a percepção, é a visão do criminoso, né? Ou seja, você tem que enxergar o cenário... Se colocar no lugar dele. Se colocar no lugar para você ver qual a ferramenta de ganho de confiança. Sim. Por exemplo, uma delas, eu tenho o teste de invasão, eu tenho jovens que fazem as invasões. Tá. Por meio de um trabalho evidentemente registrado. Vou lá, peço uma autorização do síndico, não é aleatório.

E o primeiro ponto que eu faço é enxergar qual a padaria mais próxima. Eu peço para ele comprar um pãozinho na padaria mais próxima. Roupa comum, sem chamar a atenção. Uma bermuda, um chinelo. Muitas vezes depende do perfil. Ou pode ser o mais velho ou o mais novo.

E ele faz com que o porteiro o veja. Eu tenho que fazer questão que no trajeto, eu procuro fazer com que ele vá de frente para a guarita para que o veja caminhando, porque a engenharia social começa aí. O ganho da confiança começa no andar, na forma de olhar, quando ele enxerga o saquinho de pão, que transmite uma normalidade. Então eu comecei a trabalhar com esse índice de invasões. Eu tenho 200 condomínios invadidos no teste.

A cada 10 testes, em 6 eu entro. Por meio da engenharia social. Então eu comecei a estudar essa linha de atuação. Eu não faço uma abrangência geral. Por exemplo, um porteiro novo, treinamento de procedimentos internos dele. Eu não faço isso. Eu sei, mas não faço. Eu vou na linha do combate às invasões. Eu até falo, tem cara muito melhor do que eu que faz essa linha. E eu não quero disputar essa linha. Eu quero trabalhar em cima do combate às invasões. Mas Leandro...

Desses de cada 10, 6 conseguem invadir, o que são as facilidades ou os erros que são cometidos que levam a ter esse alto percentual? Eu fiz um gráfico que eu até forneci para a SSP nessa época. 34% é o efeito carona.

O morador que está chegando, existe uma facial, muitas vezes. A facial tem um falso engano de controle. Muita gente fala assim, olha, agora meu prédio está seguro. Eu coloquei duas faciais, uma em cada portão. Como se eu estivesse dobrando a segurança. Mas a autonomia de acesso, quando eu tenho duas faciais, é do morador.

Então se ele coloca a face em um e a face em outro, o efeito carona, se ele vem, trabalha bem com esse morador, cumprimenta, quebra já aquela parede, ele já gera uma aproximação. Oi, tudo bem? Está chegando um cachorrinho e brinca com o cachorrinho, ele ganhou uma confiança involuntária que você nem percebe. E automaticamente ele transmite uma validação.

Para o porteiro. Dizendo, eles conversaram, estão juntos. Se ele não sabe realmente quem mora lá em prédios menores e tem a dúvida, nessa dúvida esse é o problema. Se ele vai apertar o botão ou não. É nessa dúvida que a gente trabalha. E o ganho de confiança age bem nessa dúvida. Porque ele joga uma emergência muitas vezes. Tudo bem, a mão no portão, quando ele chega, coloca a mão no portão, já é uma transmissão de normalidade. Dizendo, poxa, você não abriu ainda?

Então o porteiro tem que ser muito bem treinado e a regra tem que ser muito bem estabelecida para que ele não consiga entrar. Então o efeito carona é o que mais acontece. Depois vem o trabalho de ludibriação por chave de apartamento ou aquele que é o sobrinho parentesco de um condomínio. Um falso arquiteto que tem muito ganho de confiança em prédios de implantação. Exatamente, corretor também.

Agora que deu uma reduzida porque pegaram pesado na linha de procedimento. Mas ainda acontece. Falso policial. E aí você vai ordenando as estatísticas. Mas depois do efeito carona tradicional, vem o falso visitante. Aquele que mostra a chave que diz que é morador. Que normalmente é mais incomum esse tipo de acesso hoje. Mas ainda acontece.

Em portarias virtuais, em portarias presenciais, existe uma guerra, que eu até falo que é uma guerra boba, porque ao invés de você se focar na construção da segurança, porque depois na ponta, na entrega, se é remoto ou presencial é uma opção, mas a construção de segurança não está sendo vista, enquanto a guerra que entra em um e outro, não estão construindo segurança.

Aí você fica jogando um... Ah, esse é mais seguro ou esse é menos seguro? Aí você pega as estatísticas ninguém diz nada sobre isso. Não existe uma estatística lá dizendo a portaria remota é mais insegura ou é mais segura. Nem deu tempo de criar essa estatística da remota ainda. Não tem 3% dos prédios no Brasil com remota. Nossa, muito pouco. É muito pouco. Agora, é mito ou verdade que os prédios

menores, com menos unidades, são mais sujeitas à invasão do que os grandes condomínios? Existem algumas variáveis. O prédio menor, alto padrão, por exemplo, quando eu chamo de alto padrão, é um prédio um por andar, dois por andar. Isso, uma torre única. Normalmente, o algoritmo do criminoso, como a motivação é financeira,

exige uma análise, exige rapidez. A motivação do Brasil do crime não é ideológica, psicopatológica, ela é financeira. Então a motivação financeira exige esse planejamento. Se ele tem uma informação antecipada ou se ele tem o feeling

De que ali vale o risco? Então essas quadrilhas em prédios de uma torre, dois para andar, dois para andar, quadrilhas vão mobilizar a portaria, aí eu falaria mais do roubo armado, tá? Mobilizar a portaria, vão para as unidades.

privadas e depois vão embora com o veículo do morador, às vezes levando o morador. Isso quase que erradicou. Até 2015 era muito grande esse tipo de ação. Quase que erradicou porque a pena para cada unidade privativa vai ficando muito grande. Então ele mede assim, poxa, vale a pena eu pegar uma base de valor que eu sei que o dinheiro está lá, do que enfrentar o condomínio. Então é uma medição de risco. Agora.

Esse padrão de prédio para furto, normalmente, aí eu não estou falando de arma de fogo, nada, normalmente não é o perfil para o furto, porque por natureza é um porteiro orgânico que conhece um a um, porque tem menos moradores, então normalmente essa é uma estratégia importante.

Ou se for terceirizado, às vezes é muito bem treinado. Mas estou dizendo que é perfil de condomínio. O da minha mãe, por exemplo, é um perfil que tem duas torres, 80 apartamentos, que não é tão grande assim, não é tão pequeno, mas é um perfil que seria para o furto. Agora, tem prédios maiores também, que na teoria não são para roubos, porque aí exige uma logística melhor, mas que dependendo do que se tenha...

também eles geram esse enfrentamento. Então, para dar uma resumida, normalmente o prédio, menos apartamentos, com padrão bom, ele é um perfil mais para o roubo. Existe algum furto de um para o outro? Dependendo. Portarias virtuais normalmente também investem, porque como não tem o poder de reação de um porteiro que esteja lá...

Então, no mínimo, ele vai sair sem nada, mas, ao menos, não tem nenhum risco direto. Certo. Mas o perfil de prédios, quando é... O perfil do criminoso para o prédio menor é quando é para o roubo. Normalmente. Certo. Como o caso de Londrina, que nós tratamos um prédio que entraram e levaram um cofre com 1 milhão e 200 reais. Nossa.

Então, esse é um perfil. Mas aí, de repente, também tem informação específica de uma unidade. Por exemplo, aqui em São Paulo, os chineses que guardam dinheiro em casa. Exatamente isso. Não é isso? Aí o cara invade especificamente para ir em uma unidade. Uma unidade. Por exemplo, tem um prédio na aclimação.

onde 52% do prédio oriental, um prédio médio para alto padrão, 52% oriental. A maioria desses orientais, a maioria é comerciante da região central, que mexe com confecção, e eles foram morar nesse prédio.

descobriram, ou seja, foram sete invasões em três meses, porque descobriram. Depois descobrimos, eu fiz consultoria para esse prédio, não conseguimos identificar. Enquanto estávamos lá dentro na consultoria, houve mais um furto e não conseguimos identificar. Tivemos que colocar civil disfarçado de auxiliar de limpeza. Veja a invisibilidade da profissão.

O cara que entrava, ele se vestia de morador na portaria. Quando ele passava pela portaria, ele ia no andar e ficava à vontade se tivesse ou não o auxiliar de limpeza, a invisibilidade. Só que ele, um deles, percebeu e passou para o nosso disfarçado. Policial. Era um morador.

do 21A, o Gabriel, enfim, morador menor de idade, que liberava o acesso para outros. Por isso que foram várias invasores bem-sucedidas. Ele liberava o acesso. Então, como qualificou, não fica preso, mas como qualificou, ficaram seis meses presos. Depois voltou para o prédio, tentaram fazer um abaixo-assinado para tirá-lo do prédio. Conseguiram? Não conseguiu. Que coisa, né?

É isso. Leandro, agora a gente dando uma enviesada no assunto, essa questão da violência contra a mulher, e nós temos aqui uma representante dessa categoria. Algumas histórias. Exato. A violência contra a mulher, o feminicídio.

Nós temos dois casos aí recentes que são muito emblemáticos. O caso do tenente coronel que matou a soldado. E agora, para nossa surpresa, a chefe da guarda civil de Vitória,

foi assassinada também por um outro policial rodoviário. Era um namorado. Um namorado da Polícia Rodoviária Federal. Também. Também. Então, a gente vê que dentro da caserna, a gente ainda tem esse problema, que é um problema da sociedade. É. Agora, dentro do seu trabalho, dos seus estudos...

Como é que você tem identificado a evolução disso? Porque eu não sei se hoje falam mais ou se de fato as estatísticas estão crescendo. Muito bom a sua colocação. Veja, até 2015, toda a violência contra a mulher, toda a gravidade, homicídio, era um homicídio qualificado e não se qualificava como feminicídio, porque o feminicídio veio à qualificação depois de 2015.

Então, aí vem, esse número aumentou por conta da qualificação também, mas, segundo até investigações, por conta das culturas da própria sociedade em relação à visão da mulher. Nós vemos diversos portais, vemos diversos chats fechados.

que incentivam a agressão à mulher ou algum desafio sempre envolvendo a mulher. Se pega o jovem, por exemplo. E o trabalho eu vejo que é totalmente reeducação. Agora, a reeducação não acontece hoje. Então a gente precisa de freios emergenciais. Por conta disso, o feminicídio foi uma qualificação que entrou no crime hediondo.

O problema não é a pena, porque a pena existe. O problema é a propagação e a solidificação do processo até chegar à pena. Por exemplo, hoje uma mulher que é agredida na unidade privada, que é a maior porcentagem, por sinal, dentro de suas casas, com pessoas próximas. O maior número é esse. Veja, em condomínio...

Teve uma época que eu falei muito com o fornecedor da parte de tecnologia para tentar checar algo que tornasse esse alarme impessoal. O problema do vizinho falar é que ele não se coloca muitas vezes por conta de tornar pessoal. O que também não deveria existir isso, mas existe. Existe. Ele torna pessoal. O PL, que era a PL 2510, depois entrou a lei no condomínio, o síndico ter até 24 horas para gerar essa incidência, também torna-se pessoal, quer queira ou não.

Então há, quer queira ou não, há uma desmotivação da ação direta em ter que dizer, olha, estou ouvindo, está ocorrendo, chama mais dois aqui, vamos tocar o interfone para desescalar a ação, que é importante. Não vai bater direto na porta, mas o interfone, tudo bem que eu estou ouvindo um barulho aqui, já desescala a ação, não estou dizendo que vai resolver, mas vai desescalar a ação, é importante. Mas existe a psicopatia, que aí é aquele cara que...

Nada vai vencer. Mas a maioria esmagadora vai se sentir desmotivado por alguns processos. Isso cresceu muito. E eu associo realmente com a cultura, com a educação. Por exemplo, eu tenho um filho de 14 anos. Uma época com essa incidência do chat, do Discord, que é o principal chat.

Eu vi que ele tinha instalado na época, né? Já peguei pra ver que grupo, porque eles queriam salas pra discutir assuntos específicos. De todo tipo. É, de todo tipo. Eu e minha esposa vimos, graças a Deus não tinha nenhuma sala, mas assim, quem briga com quem é mais intenso é a minha esposa, né? Sim. Eu deixei, né? Evidentemente agir. Pra que ele não tenha nenhum tipo de motivação dessa.

Então, esse monitoramento, a gente monitora pelos nossos celulares, tem aquele Family Link, eu sei o que ele instala. Quando ele instala alguma coisa, vem para mim, eu vou lá e pesquiso o que é isso que ele está instalando, para entender, por exemplo, eles estão instalando agora, eu mexi muito com informática, eles estão instalando uma VPN, que é uma ponte, é um túnel da internet para sair do monitoramento. Então, você vai acessar portais sem ser rastreado.

Ou seja, em algum momento você pode descobrir, mas é mais difícil. Sim, é mais difícil. Então você foge de uma ação comum. E tudo isso direcionando o quê? Violência contra a mulher.

Olha que absurdo. Vem uma cultura antiga, meus pais, avós, do machismo encostado na nossa sociedade, desde sempre, da época colonial. Então, são esses dois pontos que eu acho que é mais importante, que impactam hoje diretamente na nossa vivência. Exatamente isso. É o machismo cultural do Brasil e de outros países, obviamente. Mas essa questão de que, acho que da minha geração para frente, é o machismo cultural do Brasil.

Os pais pararam de se preocupar com esse monitoramento. Exatamente isso. Com essa educação do filho. Exatamente isso. Eu tenho dois homens em casa. Tenho um de 16 e um de 11. Tá. E eu vejo o quanto eu sou rígida na educação deles por esse cuidado, por eu ter vivido isso. Exatamente isso. E eu falo, eu não quero meus filhos fazendo isso com outras mulheres. E a sociedade não vê isso. Não vê isso. E dentro do condomínio, principalmente, porque as pessoas têm medo de denunciar. Exato.

Aquele velho ditado, não é briga de marido e mulher Ninguém mexe com a mulher Exatamente, ficou para trás Mas lembro, abrindo um parênteses Eu vou usar até o exemplo Da Dai Nós temos alguns condomínios Que nós administramos juntos

Olha o que acontece muitas vezes. Ela me manda uma mensagem e fala assim, fala com essa pessoa, seja ele um condomínio, seja ele um prestador de serviço, porque ele não me atende porque eu sou mulher. Existe. Olha que situação. Aí eu prontamente falo, deixa que eu vou entrar no circuito e apoio aquela solução.

E é uma coisa boba, né? Uma coisa boba. Uma pergunta que eu fiz, você responde sim ou não? A pessoa não responde para a sua mulher. Não responde. Então, essa cultura que ela levantou, ela é uma cultura muito enraizada no Brasil. Ela é viva. Ela é viva. Isso que você comentou da Dai, eu tive um funcionário quando tinha empresa de instalação. O funcionário nosso, a minha esposa era minha sócia.

E tudo que era de pagamento, essas coisas, a minha parte é projeto, é rua. E ele veio falar comigo sobre uma questão de... Burocrata. É, burocrata. Falar com a Luciane.

Aí ele não falava com ela, ele mandava mensagem pra mim. Aí eu falei, Luciane, o João manda pra mim, mas não manda pra ti. Ele vai ter que falar comigo. Aí eu falo, não sou eu que resolvo. É com ela. Foi uma resistência tão grande, ele demorou mais de uma semana pra falar com ela sobre isso. Olha isso. É sobre isso. É isso. Essa é a questão. Mas aí, voltando, fizemos um parênteses aqui, voltando.

Você, como uma pessoa muito estudiosa, uma pessoa muito inteligente, o que aumenta esse gatilho do feminicídio?

Olha, o homem tem diversas variáveis, algumas que são mais diretas que a própria investigação, polícia, psicólogos e até o policiamento já identificou. Psiquiatras forenses. Psiquiatras, enfim. E outras que eu imagino. Primeiro, existe um desafio natural dos próprios homens em relação ao poder.

sobre a mulher. Poder e posse. Sobre salário, sobre os cuidados, sobre direcionamento do lar. Por exemplo, eu lavo louça. Eu que lavo louça em casa. Eu lavo meu banheiro. Pelo amor de Deus, eu lavo louça. Eu lavo banheiro.

E existe também aquela vaidade do homem em não gerar conversa sobre isso. Por exemplo, existe um grupo que eu estou participando agora, que eu vou iniciar o segundo encontro, homens que vão discutir sobre a relação do homem com a mulher. Homens que se encontram podem discutir sobre isso. Por que não? É fraqueza discutir isso? Importantíssimo. Mas se você vai num grupo do bar...

Ah, é um absurdo, né? É um absurdo. Quando eu tinha um bar em frente de casa, eu ia comprar... Eu voltava com sabão em pó. Oh, Leandro, o que é isso? Fala assim, ó. É pra mim. Eu vou lavar o banheiro. Eu falava diretamente. Sim. É pra mim. Eu vou lavar o banheiro. Ah, a mulher mandou comprar sabão. Não, eu que tô comprando porque eu que vou lavar. Eu fazia questão de falar. Porque eu nunca tive problema com isso. De dar o exemplo, né? Eu nunca tive problema com isso. Nunca. É zero pra mim esse problema.

Mas eu vejo que, infelizmente, é retrógrado. Eu acho que a sociedade em si, ela traz algumas questões enraigadas, como a Day comentou. O machismo, ele é a todo momento. Existe um machismo que é voluntário.

E existe aquele também que gera, que é involuntário, que não percebe e depois você conversa e ele fala, pô, não sabia. Existe isso também. Que eu acho que tem que ser trabalhado. Porque você vai propagando essa ação. Tem que ser trabalhado também. Esse cara, aquele amigo seu, você não tem que permitir que um amigo seu gere algum tipo de ação onde você não faria. Não é? Fala, não, preenca, vamos conversar. Não, assim não dá. Não é legal comigo, não.

Não é legal comigo, não. Exatamente. E eu acho que falta isso. Falta essa conversa entre os amigos.

de desescalarem os próprios amigos. Porque eles ouvem, eles se ouvem. Fala o jeito que tiver que falar com eles, eles se ouvem. Agora, a vaidade, o poder... É um egocentrismo mesmo. É um egocentrismo. Sempre se servir por cima. Todo mundo fala, mas não faz. Você vai na política mesmo. Qual o número de mulher hoje na política? Em cargos de confiança? Nossa, é o mínimo do mínimo. É, todo mundo fala, mas não faz. É, o STF, pô. Exato.

Carmen Lúcia, quando se aposentar, não vai ter mais nenhuma mulher. Mais nenhuma.

Então assim, a fala é bonita, é a boa música tocada. Mas na prática, cadê? Onde acontece isso? Eu entrei numa casa só com mulher. A minha esposa já tinha duas filhas, que ficaram minhas filhas. Eu entrei numa casa que morava minha esposa, a mãe dela e as duas filhas. E ela com uma cultura em relação a isso muito bem já arraigada, muito bem feita, muito bem escrita a Luciane, por vivência.

E quando eu entrei, pra eu entrar lá, ela teve que entender que é o Leandro. Quem é o Leandro? Pra pôr essa pessoa dentro da casa dela. Eu tô há 16 anos. Sim. Hoje as meninas, enfim. Mas ela precisou entender quem é o Leandro. Pra que eu entrasse numa casa só com mulheres. Quem é o Leandro? Precisamos tomar o dobro de cuidado. É isso. Exatamente. Agora, Leandro, uma coisa que às vezes, quando eu me deparo com esse tipo de situação, que...

que causa uma revolta e, ao mesmo tempo, uma impotência de ver tudo isso que está acontecendo, eu percebo que, às vezes, na maioria dos casos, o homem dá sinais de que ele pode fazer uma coisa maior. Muito bom.

Então ele agride, ele humilha emocionalmente. Começa com terror psicológico, né? Terror, isso. E ele vai indo. E a mulher às vezes fala, não, mas ele vai melhorar. Ou às vezes ela é agredida e ele volta lá com...

ramalhete de flores, me perdoe, eu errei, e ela perdoa. E daí da outra vez vem uma coisa até maior, até que chega no feminicídio. Quer dizer, eu percebo que é intrínseco da mulher essa característica da harmonia, de querer fazer as coisas darem certo, e às vezes ela não está percebendo que ela está do lado de um monstro.

Eu acho que é muito... Sinceramente, assim, né? Por minha vivência e pelas coisas que eu vejo nos condomínios nesses anos como síndica, a maioria das mulheres que passam pano, digamos, né? Pra esse tipo de atitude dos homens são mulheres que já tiveram uma criação tóxica. É, com certeza. Elas já têm uma carência paterna. O pai batia na mãe.

provavelmente, ou traía, ou nos próprios filhos, ou algum problema com o alcoolismo, sempre teve algum tipo de abuso na infância onde transforma essa mulher, quando adulta, com uma carência absurda que acaba... Faz sentido. Acaba acatando tudo o que quer. Faz sentido.

Tudo aquilo que acontece a ela. Eu passei por alguns relacionamentos ruins na minha vida e eu não compreendia justamente porque o meu pai foi maravilhoso. Meu pai é o meu herói. Ele sempre falou, André, jamais levantei a mão para as minhas filhas, jamais gritei com as minhas filhas, não tolero que nenhum outro homem faça isso com vocês.

Então eu tive esse tipo de criação e sempre fui muito defensiva quando eu via qualquer indício. Mas eu também passei por um relacionamento de 11 anos com um abuso psicológico que eu não percebia. Exatamente isso. Mesmo não tendo essa carência. Incrível, né? Então são dois pontos que você mesmo trouxe. Tem a psicopatia, que é aquela pessoa que é doente.

e que realmente gosta de manipular a situação e a mulher não percebe. Ou tem a mulher que é doente psicologicamente, tem essa carência, não sabe que tem, não procura ajuda e acaba catando esse tipo de coisa. E dentro do condomínio mesmo, passei por situações de casal mesmo, que eu sempre acabava ligando na delegacia para comunicar, para denunciar, e no dia seguinte estavam os dois lá.

flores de mão dada tá tudo certo nada aconteceu e a culpa era minha porque eu tinha anunciado como síndica veja que a doutora Cristine Raquel também fala muito sobre o feminicídio é uma espetacular outra ela falou uma coisa importante é a própria delegacia específica

ela tem maioria mulher por conta até da chegada da mulher, imagine ela chegar e vai ter que relatar algo, né? Então a maioria é mulher e os homens que tem são treinados a recebê-las, por quê? Tem um escrivão, em muitos casos anteriores, alguns casos também hoje acontecem, o escrivão, quando a mulher vai a segunda vez ou a terceira, ele fala porra, mas peraí, não, não tem esse peraí

Porque muitas vezes acontece isso, essa revalidação, essa aposta que existe, a manutenção familiar. Muitas vezes tem a dependência financeira. E muita gente fala assim, basta virar as costas e ir embora. Não é nem assim. Não é assim. Você fuma, fuma, para agora, basta para não fumar. Não é assim. Então, existem diversos critérios que tem que inclusive treinar os próprios policiais que atendem. Por exemplo.

Agora no feminicídio, quando ele chega numa ocorrência e vê uma mulher que foi morta por alguém, o primeiro ponto que tem que chegar é quem é, ela vive com quem.

E cadê o fulano e tal? Não está aqui, mas está onde? Ele tem que ir para essa linha, porque o primeiro processo hoje é esse. Não é ao contrário, porque o homicídio qualificado, que aí não envolve o gênero, não é homicídio qualificado. O feminicídio envolve o crime de ódio. É o crime que envolve o gênero. E ele tem que observar como primeira instância esse perfil, hoje.

Não sei se todos fazem isso, mas essa é a orientação. Deveria, né? Deveria. Nesse casal específico, por exemplo, chegou ao ponto dela atear fogo ao próprio corpo, induzida por ele. Dentro do apartamento. Dentro do próprio apartamento.

Eu autorizei os nossos rondas a arrombarem a porta, tivemos que apagar o fogo, pessoa nua, com álcool, queimando, e tivemos toda essa situação, porque não ia dar tempo da polícia e bombeiros chegar. Precisávamos salvar a vida da pessoa. E aí a gente foi processado pelo marido, porque a gente invadiu o apartamento dele. Ele não tinha autorizado a gente abrir a porta do apartamento para salvar a esposa.

E aí, depois de toda essa situação, eles resolveram se mudar do condomínio, porque toda semana a gente estava denunciando e estava complicado a convivência deles no condomínio, porque a gente denunciava os abusos. Então, assim, teve uma tratativa da polícia, inclusive, quando eu fui prestar depoimento, contra a minha atitude de denunciar. Então, faltou um treinamento nessa situação. Exato, exato. E pior, a polícia, na hora da ocorrência... Suficiência?

Ele foi totalmente contra a esposa, contra a mulher que estava naquela situação de surto, ao invés de ir em cima da pessoa, do abusador. Então é isso. É um ecossistema complexo que você tem que ir em todas as vertentes. Exato. E é algo que tem que ser intolerado. Por exemplo, o meu filho fez uma fala que eu achei confusa em relação a isso.

Na hora já intervém. O que você quer dizer com isso? Independente da idade. Independente. O que você quer dizer com isso? Entendi. Ah, não, entendi. É isso? Ah, tá bom. Corrige. Ponto. Eu acho que é isso que a gente vai criando as pílulas, né? Dentro desse processo. Igual aqueles meninos que pegaram a menina...

Ah, sim, lá no Rio de Janeiro. Lá no Rio de Janeiro. Sim, sim. E a entrevista do pai que eu achei que fosse... Estupro coletivo. Exatamente. Não, a entrevista do pai é revoltante. Absurda. Quer dizer, como que pode? Sabe, eu conversei com a minha esposa sobre isso. Eu falei, olha, Deus me livre e guarde. Graças a Deus que a gente monitora. Mas se fosse o caso, eu tenho que falar, olha, está aqui. Sim. Ué, para fazer o quê? Ah, é o coração seu que está indo? É, é o coração que está indo. É. Ué.

Está aqui. Porque é um absurdo. Não dá para você girar. Não dá para a mão na cabeça, né? Seletividade? É. Não tem? Não faz sentido. É. Não é? É verdade. E é muito grande. Veja, em condomínios, o ideal em condomínios, existe a medida protetiva hoje que ela pode, inclusive, pelo próprio SP Mulher, o aplicativo, em 24 horas ela está com a medida protetiva. Não precisa ir até a delegacia. Certo.

E estando com a medida protetiva, o ideal é que ela dê a cópia da medida ou converse com o gestor do condomínio dizendo, olha, ele não entra mais aqui.

porque ele tem uma validação legal, inclusive, para quando a pessoa chegar na porta, para não ficar pessoal, porque se ele não tem nada e não está informado, fica naquela disputa. E essa disputa da vaidade, ex-morador ou morador com portaria, aí vem aquela guerra que é difícil. Ou até com síndico, né? Ou até com síndico. Alguém tem que ceder, quem vai ceder? Então é difícil. Por esse motivo, tem que ter um treinamento muito específico, e assim, é radical nesse ponto.

Eu tenho a protetiva e ele não entra. Pode ser o papel na guarita, pode ser digital ou pode ser a fala. Não importa. Tudo o mesmo peso. Não entra. Eu peguei um caso, por exemplo, recente. Até comentei nesse vídeo que o síndico queria que eu postasse. E gerou um monte de gente conversando e discutindo ali. Um rapaz se separou da namorada.

E aí ele voltou no condomínio, ele sempre dormia lá. Ele voltou no condomínio, não tem clausura veicular, ele becou o carro e ficou parado com o carro lá pra liberar. Um carro de luxo pro porteiro liberar. O porteiro não liberou.

E ele colocou a mão pra fora com controle falso pra tentar dizer, olha, eu tô apertando e não tá dando certo. O porteiro não liberou. Eu até parabenizei. E chegou um outro morador com moto. Ficou ali aguardando. Aí ele ficou naquela coisa assim, pô, tô aqui na rua, o cara tá tentando entrar e não consegue. Aí fica aquela, você vê, fica aquela crise da segurança. O que eu faço agora? Ele foi lá e brincou a moto. Você vai entrar? Vou. Ele abriu e o rapaz entrou. Bateu na mulher e foi embora.

Veja, por sorte, ela está viva. Sim. E se matasse a mulher e fosse embora também? Aí a culpa seria o quê? Da portaria? Porque ele gerou o procedimento, mas não tem uma clausura para gerar uma reconfirmação. Ou seja, tudo é base da segurança. Veja, o feminicídio é base da segurança. Indicativos. Quando você vai em condomínios, quantos condomínios tem indicativos em todo lugar falando do feminicídio? 190, 180. 180.

Tem que falar para trabalhar... Pouquíssimos. Pouquíssimos tem. Porque, de novo, o trabalho da desescala da ação começa com a informação. Vai subir um elevador e ele vê ali. Por mais que ele diretamente não dê atenção, involuntariamente deu.

A todo momento ele está vendo. Violência contra a mulher é crime. Denuncie. 190, 180. Ele está vendo a todo momento isso. Já é importante para gerar aquela desescala. Aquele cara que não é o psicopata, normalmente, nesse meio, ele recebendo as informações, normalmente vai funcionar.

Ele fala, opa, aqui é monitorado Aqueles que estão ligados nisso O meu sonho seria o que a Itália fez Que colocou o crime de feminicídio Como prisão perpétua no código penal Olha só Prisão perpétua

Eu sou a favor da prisão perpétua, não sou a favor da pena de morte, porque eu acho que a pena de morte é uma coisa que você não tem como corrigir, num erro, porque a gente volta e meia vê erros sendo cometidos, mas a prisão perpétua para crimes hediondos, e nesse caso o feminicídio não tem como não ser qualificado como hediondo. Exatamente isso. Sabe? Exatamente isso. É a parte forte.

Oprimindo e extinguindo a parte fraca. É isso. É um absurdo isso. É um absurdo. Voltando nessa questão do treinamento, que é não só para os profissionais do condomínio, mas os moradores precisam muito participar. Fundamental. E entender, gente, vocês que estão nos escutando agora, que não é um treinamento que você faz uma vez na vida ou outra na morte. Exatamente. Tem que ser recorrente. Recorrente. Porque o tempo...

o tempo todo está mudando a criminalidade, no nosso país, na nossa região, não só no mundo, mas o tempo todo está mudando a criminalidade, as leis, que graças a Deus estão sendo atualizadas, e a forma dessas pessoas agirem também está toda hora sendo atualizada. Então é importante...

que os síndicos, os gestores condominiais, tenham isso em mente, de contratar especialistas para fazer esse treinamento, não só com pessoal de portaria, de ronda, de segurança, mas também abrir a cabeça dos moradores, trazer essa informação para o condomínio, para que todo mundo esteja protegido.

Concordo plenamente com você. Criar formas que a gente consiga engajar mais o morador. Quando eu faço a palestra de morador, para a segurança, no caso, envolvendo o morador, integrando o morador da segurança, depois da pandemia, eu comecei a criar uma palestra que eu gravo todas, porque o coro às vezes não é alto, eu gravo e mando um link privado para o síndico mandar para os moradores que não foram. Ah, interessante. Porque aí, psicologicamente, gera aquela coisa.

Reclamei disso, mas não foi na palestra? Não consegui. Você assistiu o link? Não. Aí já vira aquela cobrança psicológica pra ele. Mas você não viu o link, não foi na palestra, né? Tivemos todas as possibilidades. Porque isso vai gerando aquele senso de reconfirmação. Por exemplo, olha, eu tô treinando aqui, eu atingi um quórum menor, depois com o link atingi o maior. E eu vou subindo. É claro que você não vai conseguir unanimidade. Porém,

mais um que entra, depois mais um, mais dois, mais três, aí o outro conversa com... E vai se somando. Por isso que é importante o que a Day falou, que tem que criar uma recorrência disso. Não é um treinamento hoje e o outro daqui a dois anos. Porque você tem que trabalhar a memória muscular, né? Que é você fazer com que a pessoa pense na hora da crise.

É a memória muscular, aquela informação tem que estar pipocando, igual o aviso, não é? Você vai ali nas áreas onde os cachorros, no pet, por exemplo, por favor, recolha suas fezes, a todo momento ali tem uma plaquinha. Você vai num banheiro público urinar dentro da privada, né? Quer dizer, é óbvio, mas tá a informação.

O óbvio precisa ser dito. É isso, precisa ser dito. Agora, dentro desses estudos que você faz, etc., você percebe se o feminicídio escolhe uma determinada classe social com mais intensidade ou é linear?

Veja, Adem Wilson, na minha visão, eu não consegui separar estatisticamente, mas eu vou dar uma visão mais informal. Sim, a sua visão, a sua percepção. Olha, eu acho que ela atinge de forma diferente, talvez em termos de, levando a classe social, eu acho que ela ligeiramente acima.

por questão do poder financeiro, daquela liberdade que se tem, daquela coisa de eu tenho a grana, então eu faço o que eu quero. Então acho que isso avança um pouco mais a estatística em relação ao feminicídio, porém, na classe baixa, baixo padrão financeiro, ou até mesmo em comunidades, acontece, porém, é corrigido pela comunidade. Tem um outro fator, né? Mas acontece muito. Aí é uma questão da vaidade, normalmente, da mulher que ganha mais do que o homem.

normalmente nessa classe a mulher ganha mais do que o homem. Ela é mais envolta, dois empregos, às vezes o cara está em um só, o homem está trabalhando, enfim, então isso gera realmente um problema. Mas eu acho que o avanço, na minha percepção, eu acho que o avanço maior é ainda na alta sociedade.

Pela questão do poder. Eu acho que ela avança mais. Informalmente falando. Eu acho que ela tem um avanço maior. E aí, falando um pouco mais agora do resultado dos crimes ocorridos, quando esse homem chega no presídio,

ele é tratado de uma forma diferenciada lá dentro. Até por aqueles que podem, às vezes, de certa forma, não ser totalmente contrário a ele. Mas naquele momento, com certeza, a ação é totalmente reversa.

ele chega de uma forma que não é muito bem vista. Sim. Não é? Sim. Então o tratamento, com toda certeza, é isso. É, com toda certeza. Porque o preso, ele pensa, a esposa dele, o filho dele, isso é automático, né? Quando chega uma pessoa, ele cometeu um crime com uma mulher, com uma criança. Isso, também. Ele pensa na hora. Eu tenho filho, eu tenho esposa, eu tenho filha.

eu tenho um filho ou minha sobrinha, não importa, existe um gênero ali feminino que tem uma relação direta, amorosa, mais próxima com uma pessoa que associa. É na hora isso, é na hora. E para nós também, a gente vê um crime, a gente percebe um perfil de crime e fala mas eu tenho as minhas filhas, tenho uma com 25, uma com 23, e se fosse minha filha? Pois é. Não é? Isso é automático.

Não falam assim? A conversa homem com homem é uma coisa, não é? Ah, eu tô conversando aqui, vamos conversar entre nós aqui pra decidir. É uma coisa. Agora, quando entra na questão do gênero, é óbvio que você automaticamente pensa. Gera uma empatia, né? Gera uma empatia. Tanto que a gente tem percebido nos metrôs, a gente tem percebido ligeiramente um avanço em relação aos homens protegendo mulheres nos metrôs. A gente tem percebido já um avanço nesse tipo de situação.

mulher que está sendo incomodada muitas vezes aí vai um outro rapaz já para desescalar essa ação isso a gente tem percebido e existem os casos também de ter os vagões separados tem o vagão separado, tem horário específico e mesmo assim tem muitos homens nos vagões e que os fiscais quando vão eles reclamam eu sei que ele pode falar assim mas eu não sou um cara eu mesmo por exemplo, se eu estiver eu não vou no vagão, óbvio eu não vou no vagão

Mas se eu errei, e o cara falou, automaticamente, desculpa, vou sair. Desculpa, eu vou passar para o outro. Exato. Agora, aquele que resiste, eu sei também. Muitas vezes ele não é realmente um agressor a nada. E ele está falando assim, não, mas gente, eu não fiz nada, não faço nada. Mas a questão é, não é você. A questão é que existem pessoas que falam. Então, por segurança, vamos separar. Ponto. Existe. O Rio acabou de determinar 24 horas o metrô, os carros de mulheres.

O Uber. Não, os vagões de trem. É, porque também, eu ia te falar também, chegou em São Paulo, parece que já... O ônibus. O Uber também. A mulher solicitando o motorista mulher. Ah, isso é muito interessante. É, porque algumas cidades, que eu fui pra Sorocaba, já tinha. Porque eu peguei uma Uber mulher e ela falou, aqui já tem o aplicativo, a função mulher. E ela tava vindo pra São Paulo, parece que já veio, não sei se já chegou ou tá chegando. Não, isso é importante. A mulher solicitar o motorista mulher.

Olha, o que eu converso com as mulheres, o que elas são cantadas nesses números, é impressionante. É impressionante, é uma falta de respeito. É um absurdo. Sabe? É um absurdo. Não faz sentido. Agora, Leandro, você está lá na comissão especial da OAB, na área condominial. Isso. O que você está fazendo lá? O que é a proposta dessa comissão?

Coincidentemente, entramos no tema do feminicídio, onde a gente acaba ajustando, não sou somente eu, evidente, tem o delegado doutor Fabiano, tem o comandante Diego.

Tem o doutor Carlos, que representa o Consegue. Nós estamos contribuindo com ações que possam impactar o mercado positivamente na segurança. O feminicídio entrou no tema agora também, para criar algumas modalidades. Por exemplo, estávamos discutindo uma possível tecnologia.

que tem uma empresa... O nome pode falar? Pode. A Velichur, por exemplo, tem uma tecnologia que estão começando a trabalhar mais agora por palavra-chave. Porque a gente sabe que dentro da unidade privada, a mulher que está sendo agredida, o celular é o primeiro objeto que o cara vai tirar dela. Então, existem algumas ações que eles vão gerando. Por exemplo...

Quem percebe, às vezes gera um interfone, gera uma comunicação, olha, chegou uma encomenda, é algum recado interno, mas tem que estar muito treinado para isso, e eu vejo que o avanço é muito pequeno, mas é positivo, mas tem que estar muito treinado. Mas a palavra-chave seria o quê? Normalmente a mulher que está sendo agredida tem algumas falas diretas. Para, para, para, não, não, não, socorro, socorro.

E essa palavra dita algumas vezes vira uma coação para o sistema e ele intercepta diretamente o 90. O problema é, nós temos que dar o direito ou o poder para que o policiamento vá à unidade. Porque não adianta também, chega um evento, coação não vai ligar para a unidade, mas aí quando ele chega na porta tem que interagir com o apartamento, muitas vezes. E aí ele já desescala. Claro. Então...

está estudando algumas formas mais potenciais para gerar uma ação mais direta. Claro, também a conscientização, 190, 180, isso não foge, a conscientização tem que ser a todo momento, mas algumas ferramentas que possam gerar uma contribuição a mais.

Então esse é o tipo de discussão, por exemplo, fora também, saindo do tema feminicídio, fora as questões que envolvem os furtos hoje em condomínios, que é gritante, o baixo investimento do condomínio muitas vezes, às vezes a disputa é a empresa que está entrando no condomínio.

que reclama da equalização, quer dizer, o baixo preço, ele acaba entrando com aquele mesmo preço, algumas questões ele não consegue aderir por conta do custo, e aí o condomínio fica realmente desnivelado com segurança, e quando acontece um problema, ela que paga o pato, que é a empresa. Exato. A gente está discutindo formas de não regrar, mas de, talvez, boas práticas em relação ao equilíbrio de preço.

Porque o condomínio muitas vezes não investe em algumas ações e quando tem um problema, você acaba analisando, é o condomínio. Não tem diretamente problema com a empresa. Ela às vezes até ofereceu, o condomínio não quis. Por exemplo, eu tenho uma fechadura, o Eletroíma, de mil reais, de 200 quilos, mas tenho de 1.800, de 600 quilos.

E aí eu coloco também uma chapa para não ter acesso diretamente a ela, que é o que vem acontecendo muito. Eles estão abrindo essas fechaduras com chave de fenda. Exato. Ah, não. Não, coloca mais barata. Mais barata. Entende? Então, esse é um grande problema que está discutindo agora, que é a lei de equilíbrio. O condomínio é entender o valor do...

do investimento da segurança. Por exemplo, eu fui num condomínio uma vez, só para situar essa questão do custo, eu fui num condomínio uma vez, eu cheguei antes na Assembleia e eu ia apresentar a equalização de custo. Foram cinco empresas, a mediana ficou nesse custo, eu ia apresentar esse custo.

Só que eu cheguei bem antes e eles estavam conversando lá, os moradores, e é um prédio padrão alto na Lapa. E um estava falando que comprou um cavalo de um milhão para o filho, o outro comprou no seu... Enfim. E o projeto... Uma Ferrari, aquelas coisas assim. E eu pensei comigo assim, bom, o projeto deles aqui está dando quase 200 mil. Para dividir para os apartamentos está tudo certo. Quando eu fui apresentar, foi um sofrimento.

Aí, a minha cabeça estava naquela coisa assim, mas o cavalo que ele paga um milhão, ele paga sozinho os cinco projetos desses. Cinco ou seis projetos, ele paga sozinho. Mas você vê, ele discute o custo. Quando tem relação com ele, por exemplo, olha, a minha prótese é tanto, mas não dá para fazer para metade do preço? Aí fica, parece uma ofensa você dizer metade do preço. Mas por que a segurança pode ser metade do preço? Então, é essa a discussão que a gente tem que levar hoje para o mercado. Quem paga o preço?

Se o condomínio não quer pagar esse preço, assine aqui. Porque eu preciso ter essa sua assinatura para dizer, olha, essa ocorrência foi devida a isso. Não foi devido à segurança da empresa em si que ofereceu. Então, eu acho que é o grande desafio do mercado. É o grande desafio do mercado.

É você aderir ou conseguir propagar o custo ideal. Não estou dizendo que tem que superfaturar nada. Estou dizendo que existe uma lei de equilíbrio. É isso. Eu entendi. Quer dizer, um dos desafios que você tem na participação dessa comissão...

É criar as boas práticas para o segmento condominal no que envolve o conceito da segurança. É isso aí. Então a gente discute diversas ações para propiciar o melhor cenário. Por exemplo, o furto é um número alarmante hoje em condomínios? É, então vamos discutir.

E aí a gente discute lá e fala, olha, chegamos num cenário. O problema não é somente a empresa, a empresa também, bem treinada, qualificada. Mas o condomínio, quando gera o procedimento, o condomínio resiste ao procedimento por conta de ser algo pessoal, que ele não quer isso com o parente dele, por exemplo.

Então vira uma coisa mais pessoal. Como a gente pode fazer isso? Vamos gerar um comportamento importante, propagar esses ideias para o condomínio, incentivar por palestras, pela comissão, para mostrar a importância, de valorizar também o profissional, para fazer com que ele ratifique o procedimento, porque senão ele vai invalidar e todo mundo paga esse preço. Porque se um entrar, está todo mundo suscetível a esse invasor. Um que entra no condomínio...

você tem 100% das unidades vulneráveis. Um erro do morador. É a história do elo da corrente. Ela será mais fraca de acordo com o elo mais fraco da corrente. Exatamente. E eu vejo que não é difícil você gerar pelo menos esse consenso, porque quando ele vai numa loja comprar um celular, você tem 10 celulares apagados, um começa com o preço de mil, o outro 10 mil. Ele não chega para o vendedor e fala assim...

Veja, é tudo a mesma coisa porque está esse preço. Não, ele sabe que a especificação de um e de outro é diferente. E por que ele não pensa assim com a segurança? Essa é a questão. É simples. É pensar na segurança. Como sendo um investimento que é para ele importante. O filho dele está lá no parquinho brincando, jogando, enquanto ele está lá no online trabalhando. E ele está seguro com isso. Ele sabe que está tudo seguro. Então ele precisa realmente investir.

É o nosso pensamento. Leandro, o tempo passa voando aqui. Voando, voando. A coisa boa é a seguinte, Leandro, que quem vem aqui volta. Ah, mas eu vi eu. Com toda certeza. Eu fiquei muito feliz e gratificado aqui em receber você. Eu também, eu digo muito. A forma com que você... Eu nem consigo imaginar você uma pessoa tímida lá atrás. É, é.

Você hoje é um grande comunicador, tem as palavras certas, de uma forma assim tão tranquila, tão agradável da gente estar tendo essa interação. É didático, ele consegue trazer... É, eu era professor. Eu não era, viu? Eu não era. Eu misturava o tema, sabe aquela coisa de você falar rápido? Entendo. Eu tive que treinar um pouquinho.

para tentar melhorar. É o poder da educação, da gente buscar o conhecimento. É, exatamente. Eu gosto de dar informações. A minha rede eu uso para isso, por sinal. Eu dou informações. É isso aí. Nós aqui também com esse podcast, a gente quer passar informação. Sensacional. É isso. Eu falo que o podcast veio para suportar também o nosso setor. Isso é muito importante. Então, parabéns também.

e vocês nos darem informações. Muito obrigado e agradeço de coração a tua estada aqui conosco. Obrigado. Muito obrigado mais uma vez. E você que está aí conosco, se você gostou desse programa, indique para os seus amigos, para os seus colegas, para os seus familiares.

Curta o nosso programa, ative o seu sininho para você receber as informações. E na próxima terça às 19h, mais um Mr. Pod. Um forte abraço a todos e muito obrigado. Tchau, tchau. Isso aí.