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EP 170 | Viver e Trabalhar em Condomínio | Mister POD

04 de maio de 202656min
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🎙️ Episódio 170 – Mister PODVocê já parou para pensar se viver e trabalhar em condomínio é mais conveniente… ou estressante?Neste episódio, o apresentador Demilson Guilhem, CEO do Mister Síndico, recebe Roberto Viegas, autor do livro “Viver e trabalhar em condomínio” e especialista em gestão condominial, para um bate-papo direto e esclarecedor sobre a rotina real desse universo.💡 Vamos além da teoria e entramos nos bastidores:Os desafios do dia a dia na gestão de condomíniosAs vantagens que muita gente não enxergaOs conflitos mais comuns e como lidar com elesE o que realmente faz a diferença para viver bem nesse ambienteSe você mora, trabalha ou se interessa por condomínios, esse episódio traz insights valiosos, experiências práticas e reflexões que vão mudar sua visão sobre o tema.

Assuntos6
  • Experiência de morar em condomínioDesafios da gestão condominial · Vantagens da vida em condomínio · Conflitos comuns e soluções · Rotina real do universo condominial
  • Informações e comunicaçãoDificuldade de comunicação das incorporadoras · Importância de manter o cliente informado sobre prazos · Frustração do cliente com atrasos e falta de comunicação · Necessidade de transparência e lealdade
  • CondomíniosMotivação para escrever o livro · Falta de literatura sobre comportamento em condomínios · Experiência do autor em implantações · Expectativa do cliente na compra de imóvel na planta
  • Problemas estruturais em gestão de condomínioRegras de convivência e etiqueta · Desafios dos grupos de WhatsApp em condomínios · Importância de pré-assembleias informais · Dinâmica de votação em assembleias · O papel do síndico na articulação de interesses
  • Escolha de prestadores pelo condominioImportância da manutenção preventiva · Risco de perda de garantia por falta de manutenção · Comparação com a manutenção de carros · Papel da construtora na orientação de manutenção
  • Comunicação interna do condomínio via telasComunicação da construtora com clientes · Comunicação do síndico com moradores · Uso de cartilhas e comunicados didáticos · Importância de mostrar o dia a dia do síndico
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Olá, tudo bem com você? Estamos iniciando mais um Mr. Pod, o podcast da Mr. Síndico. E você sabe que aqui nós procuramos sempre ter assuntos importantes, relevantes e informar você de tudo o que está acontecendo no mundo condominial. Hoje, cada vez mais, as pessoas optam por viver em condomínios por diversas razões.

E nós precisamos entender como viver melhor dentro dos condomínios, desde a fase da aquisição do apartamento até as rotinas do dia a dia que fazem parte de uma vida coletiva. Hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre tudo isso que eu acabei de dizer com uma pessoa altamente qualificada, preparada e com uma vivência ampla no mercado condominial.

Nós temos a honra de receber aqui o Roberto Viegas. Seja muito bem-vindo, Viegas. Obrigado, Debeuze, pelo convite. Dei, que bom estar aqui com vocês novamente. É sempre bom poder falar sobre condomínio. Um programa que tem uma grande audiência, exatamente por conta disso. Acompanho sempre o seu canal. Muito obrigado. Porque eu sei que aqui você está discutindo os principais problemas. E melhor que isso, você está ajudando a refletir sobre os melhores caminhos para a gente seguir.

E é exatamente dessa maneira que eu penso também. Que legal. Tenho aqui a minha co-host, Dai Lopes. Estamos novamente aqui com muita honra. Boa noite a todo mundo. Uma honra estar aqui com o Roberto. Acho que a gente vai aprender bastante aí entre estresse e convivência, que a gente pode aprender hoje com isso. Não esqueçam de começar a curtir e compartilhar, gente. É muito importante para a gente. É isso aí.

Eu hoje vou começar um pouco diferente aqui, porque você, Viegas, já está conosco aqui pela segunda vez. Sim. Porque nós temos uma regra aqui nesse nosso podcast, que quem vem, volta. Que bom que eu voltei. E que ótimo ter você aqui novamente. E a gente está vindo num momento interessante e importante também da sua trajetória profissional, que na última terça-feira, na livraria do...

Livraria da Vila, na Avenida Paulista, foi lançado este livro aqui, pessoal, que eu recomendo a todos. É um livro muito interessante, muito bem escrito pelo Viegas, colocando muito de toda a experiência e toda a vivência que ele já desenvolveu ao longo da trajetória dele. E nós vamos ter oportunidade de falar um pouquinho também sobre este conteúdo.

E eu queria começar te perguntando, Viegas, por que surgiu a ideia do livro? Demilson, eu acho que no mercado condominial, e bem aí na cadeia do mercado imobiliário, a gente tem pouca literatura que tenta entender não só a parte técnica, a parte legal, as normas, o ordenamento...

jurídico, como funciona e tudo mais, né? Mas falta um pouquinho dessa leitura, um pouco mais do comportamento desses ambientes que são vividos pelo cliente que compra o imóvel na planta, que recebe esse empreendimento, essa unidade, três anos depois, e guarda uma expectativa tão grande nesse intervalo. E o que acontece nesse intervalo, Demilson? Eu percebi, depois que eu trabalhei durante muito tempo em incorporadora,

Fiz 208 implantações no Brasil inteiro, ou seja, vivi esse momento que é vital no condomínio, que é a implantação, várias vezes. Tivemos oportunidade de trabalhar numa implantação juntos. Verdade, verdade. E tinha momentos críticos lá também, né? Poxa vida, vivemos coisas importantes lá. E essa fase, Demilson, me revelou uma angústia muito grande. É como se fosse um movimento silencioso que está acontecendo, todo mundo está sentindo e ninguém fala.

Então eu tentei resgatar todas essas pontas nesse livro, tentando demonstrar exatamente isso. As pessoas vivem uma grande expectativa. Há incorporador, há construtor, e a gente está falando aqui de um universo de empresas que hoje cresceram demais, expandiram demais suas atividades. São empresas sérias, muitas delas tradicionais, de décadas, mas que têm uma dificuldade muito grande de se relacionar com o cliente.

Principalmente nessa fase. Nessa fase pior ainda, exatamente. E o momento crítico que a gente está vivendo hoje é que grande parte das empresas, por conta de inúmeras dificuldades de mercado, têm tido dificuldades para entregar as obras no prazo. E mesmo quando entrega no prazo usando a carência, não comunica o cliente que vai usar a carência.

Aí eu te pergunto, Demilson, você compra qualquer coisa pela internet. Você compra para receber daqui a três dias. Você recebe dez alertas de e-mail informando onde está a mercadoria, para onde foi no carro, foi para cá, chegou na portaria do seu prédio, já avisou que entregou antes do seu condomínio avisar que chegou. Verdade. E você compra um imóvel.

Fica três anos esperando para ele chegar, para você poder usufruir desse bem. E o que você recebe de comunicação para te manter aceso em relação a isso? Para reforçar na sua cabeça que você fez um bom negócio? Te dar argumentos para enfrentar aquela conversa de fim de semana, em que alguém fala para você, você comprou o apartamento da planta? De quem? Imagina, essa empresa, você é louco!

Que bairro que é? Nossa, aquilo nunca vai melhorar. E aí você vai ficando decepcionado com a sua própria escolha, mas você não pode voltar atrás. A regra de destrato hoje é absurda do ponto de vista do consumidor. Mas era necessária no momento que o mercado inteiro vivia uma crise gigantesca, as incorporadoras não sabiam o que fazer, precisavam criar uma trava para evitar que isso se repetisse. Então, eu estou contando para vocês alguns momentos que a gente está falando aqui, que revelam o que? Um cliente...

que está sozinho nessa parada. E por isso a gente percebe, Demilson, que na maioria das entregas de prédio, sempre o cliente, ao invés de estar feliz, comemorando, ele está rancoroso, desconfiado, pé atrás, ele tem a impressão de que estão fazendo alguma coisa para prejudicá-lo. Sim, sim, falta transparência.

Ele não sabe o que está acontecendo. A empresa pode ter feito tudo direitinho. Está a obra pronta, a documentação em ordem, o síndico, o administrador. Mas não, esse síndico foi mandado pela administradora, pela incorporadora. Vai proteger. Vai proteger, vai esconder as coisas. Exato. Gente, eu estava essa semana, nas duas últimas semanas, coincidiu com o lançamento do livro. Foi uma correria danada por conta disso.

Eu fiz um curso no Sinduscom São Paulo para cerca de 80 engenheiros. Bacana. Foi um curso online falando sobre vizinhos de obra, que é um grande problema que a gente tem hoje em São Paulo. Ou seja, não é um problema do vizinho. Vizinho é gente boa. O problema é a obra do lado do vizinho. E o vizinho fica incomodado. E de atendimento ao cliente para engenheiros, para eles terem uma abertura maior na hora de lidar com o cliente.

E eu percebi nessa conversa toda com eles que há um gap enorme nesse processo. Nem eles têm ideia do que estão fazendo, eles estão construindo, é uma obra. Mas aquela coisa que a gente gostaria de sentir, que é aquela emoção do cliente, do empreendimento que está sendo desenvolvido, eles não têm.

Pela pressão, pela correria, pela cobrança que eles sofrem. E eu estou, nesse livro, buscando exatamente reunir isso. Tanto é que, na hora de fechar o título do livro, a gente queria resumir da melhor maneira possível o que tratar. Tratar de quem? De quem vai morar em condomínio pela primeira vez, às vezes está morando no condomínio pela primeira vez numa implantação, que é bem diferente.

de gente que já mora em condomínio e sabe das transformações que nós tivemos ao longo dos anos em relação à configuração dos prédios, dos condomínios bistos, enfim, das opções que a gente tem de moradia e também em relação a quem trabalha.

Porque a gente tem que olhar para essas pessoas. O síndico, como o líder, que às vezes é um morador, mas hoje é muito tradicional a gente ter implantação com o síndico profissional, equipe, gente preparada, que sabe o passo a passo para fazer a entrega, uma coisa que a gente chama de passo a passo, que as pessoas às vezes atropelam. É igual a obra, ninguém faz a cobertura da obra sem antes fazer o alicerce. O síndico sabe em que momento tem que fazer uma coisa para depois fazer outra.

E às vezes ele é atropelado na implantação. Quantas vezes você não se reuniu com o conselho para tentar alinhar? Ó, gente, estamos na fase de implantação, nós temos isso, isso, isso para fazer. Isso aqui vai demorar um mês, isso aqui demora dois, esses três, mas temos que iniciar todos agora. Ou então, ah, não, nós queremos diferente, queremos fazer do outro jeito. Porque eles acham que podem acelerar alguns procedimentos.

E ao acelerar esses procedimentos, um grupo pequeno defendendo isso, eles prejudicam a grande maioria, porque vão ter que antecipar recursos para poder fazer mais caixa, para poder garantir mais investimento, fazer mais obra ligada à segurança, enfim, tantas coisas.

E essas pessoas que trabalham, que eu não falo, falo do síndico, falo de todo o pessoal de suporte dos condomínios, ou seja, há um desrespeito muito grande em relação aos profissionais que hoje trabalham em condomínio. Sim, sim. Você deve ter testemunhado isso já, né? O porteiro, o pessoal que faz a limpeza do prédio, o pessoal que cuida do jardim.

Tá cada vez pior, né? Às vezes a sensação é que, eu sempre falei isso, né? Eu morei em apartamento, acho que praticamente a metade da minha vida, né? Que pra mim, a senhora da limpeza, a senhora que trabalhava lá na limpeza do meu prédio, cuidava do rol do meu andeiro, era como se estivesse cuidando do meu apartamento. Claro.

Ou cuidava do hall de entrada do prédio onde eu ia andar. Era a minha própria moradia. Ali eu já me sinto em casa, na hora que estou entrando no prédio. Então, eu tenho que tratar bem as pessoas que estão trabalhando comigo. E a gente percebe que, no geral, a gente tem exceções. Tem condomínios que tratam até bem demais os seus funcionários. Estão quase entes da família. Mas respeitá-los significa dar o valor que eles têm.

Eu tive treinamentos recentemente em empresas de segurança relacionadas com zeladores. E essa comemoração dos zeladores foi muito bacana. Acho que tinha uns 80 zeladores. E eu gosto de falar com todo tipo de público. Eu tenho falado com incorporadora, com construtora, com síndico, com administradora. E com zeladores também, porque eles precisam ser valorizados.

Eles dominam a estrutura do prédio, o funcionamento do prédio, sabe onde liga, desliga, onde fecha, onde abre, para evitar qualquer problema. São aqueles que têm os contatos para acionar, que têm linha direta com os vizinhos que estão ali do lado, outros prédios, ou seja, é uma pessoa muito importante no funcionamento do prédio e, necessariamente, às vezes ele não é reconhecido. Às vezes as pessoas nem sabem quem ele é.

E às vezes maltratam esse zelador no prédio. Então, a primeira coisa que eu prego, e isso vale para a minha vida, eu uso isso e gosto de refletir sobre isso sempre, a gente tem que pregar a cultura da paz. Os condomínios estão muito em clima de beligerância, quase guerra todo dia.

Eu prestei serviço para uma administradora que falava nós não aguentamos mais os grupos de WhatsApp. O que a gente faz para lidar com isso? As pessoas estão desesperadas. A gente monta o grupo, eles escrevem a noite toda e de manhã querem que a gente tome as medidas. Mas, gente, a gente não pode tomar decisões pelo que está lá no grupo de WhatsApp. Tem que ficar juntando as informações. Multa aquele, multa esse, adverte esse, adverte aquele. Não, tem que formalizar.

Por quê? A gente não criou regras para usar esses mecanismos. E você não pode impedir que eles usem o grupo de WhatsApp, mas que se querem a participação ou do síndico ou da administradora para tomar as providências, alguém tem que ser encarregado de transmitir isso adequadamente.

Não dá para você ficar tomando decisões de... Ah, fiz uma foto aqui, o camarada botou todas as roupas na janela. Precisa multar. Aí manda a unidade. Ele erra o apartamento. Fala a unidade errada. Aí eu multo o apartamento errado. Ou seja, eu não posso me basear por isso dessa maneira. Tem que ter uma coisa muito mais clara. Mas eles querem que você tome a medida. Eles cobram você por isso. Mas enfim, eu estou contando aqui várias coisas que tentam mostrar o que a gente chama de...

Ambiente sensível. O que é sensibilidade nesse processo? É conseguir enxergar nesse movimento dos condomínios algo além do que simplesmente as brigas e como sair delas. Algo além dos problemas de construção, dificuldades da construção, problemas de relacionamento com a incorporadora, mas para o sentimento do cliente. Tem uma coisa que me incomoda muito, viu, Demir? Eu já falei isso em vários lugares e acho que sempre é bom repetir. Claro.

Quando a incorporadora atrasa uma obra, entra na carência, ela não tem ideia da frustração que ela leva para o cliente dela. Porque você calcula a sua vida a partir da data de entrega do empreendimento. Aí você programa, se eu entregar em setembro, eu vou terminar de ajustar o apartamento, decorar alguma coisa, até dezembro mudo, aí já transfiro as crianças de escola.

Aí, cancelo o aluguel, vou liberar, vou liberar o Natal, já não vou precisar mais daquela unidade, já vou estar morando em outro lugar. Resultado, a incorporadora necessita entrar na carência e às vezes nem comunica. Ele só vai saber quando o prazo estiver vencendo, o primeiro prazo. Aí ele vai fazer o quê? Vai reclamar para o Papa?

Está no contrato a previsão de adiamento da entrega da obra por mais 180 dias. Não tem nenhuma ilegalidade. Não tem ilegalidade, é simplesmente compartilhar a informação para que as pessoas possam se organizar. Elas possam planejar a vida.

E o duro é que as coisas acontecem de tal maneira que às vezes as empresas não comunicam, falando que eles já sabem que vai, porque a obra está passando em frente da obra e a obra não está pronta. Dá para ver que não está pronta. Mas não podemos deixar as coisas acontecerem dessa maneira, Neymar. Eu acho que a gente precisava muito ser mais leal, mais aberto em relação a isso. Na fase final de entrega de um empreendimento,

Há várias pressões em torno da incorporadora. Então, você tem o financiamento que ela adquiriu para fazer a obra, que ela tem prazo para iniciar o pagamento, que ela necessita fazer o repasse das unidades com financiamento imobiliário, quitação dos valores, para poder honrar esse pagamento com o banco. E, às vezes, por conta desse embrólio todo,

ela deixa de tratar de qualquer outro assunto que não seja entregar a obra. Então ela tem que acordar, porque não tem uma frente só. Existe mais de uma frente nesse processo. E essa frente significa o quê? Trazer o cliente para o seu lado, para compartilhar com ele, de fato, o momento que ele está vivendo. A empresa está trabalhando, está fazendo tudo direitinho, só que teve um contratempo.

E vai necessitar invadir mais três meses, dois meses ou seis meses da carência contratual. Mas ela não vai se omitir e vai entregar com qualidade. Porque depois que entrega, acabou. Agora entregar pela metade, o risco é depois você continuar trabalhando no prédio, fazendo manutenção, fazendo revisão de coisas. Pior ainda. Pior ainda. Agora, Viegas, voltando um pouquinho dentro do que nós estamos aqui pontuando.

nós temos esse problema dos atritos entre pessoas, as dificuldades de relacionamentos e assim por diante, é um problema da sociedade, certo? No geral. Basta você ligar um programa de notícias da televisão para você ver o cara que matou o outro no trânsito, o outro que fez isso com não sei quem.

Tudo por coisas assim, a maior parte delas coisas de menor importância. Como é que dentro do condomínio a gente poderia conseguir melhorar esta relação entre as pessoas? Uma vez que na rua você pode encontrar alguém que você nunca viu, agora no seu condomínio você vai encontrar pessoas que você vai ver, às vezes, várias vezes durante o dia ou durante uma semana. Mais uma vez. E aí

Como é que a gente pode melhorar isso? Demilson, as regras da vida, a legislação que rege a nossa vida, os limites que a gente tem em relação à convivência com outras pessoas, valem dentro e fora dos condomínios.

Mas as pessoas muitas vezes acham que só vale para o lado de fora, que dentro do condomínio pode fazer o que quiser. Graças a Deus, hoje, até pelo avanço da tecnologia, a gente tem mais câmeras filmando para a segurança das pessoas, tentando evitar controlar invasões e tudo mais, e está flagrando uma série de abusos.

De violência contra a mulher, contra a criança, brigas com funcionários, agredindo síndico. Quantas vezes a gente viu isso acontecendo? E aí é necessário que se tome providências. Mas o que eu falei no começo aqui, da cultura da paz, se a gente não inicia qualquer procedimento buscando criar um ambiente positivo, um ambiente de convivência que seja saudável, a gente está propenso a abrir espaço para isso.

Se o síndico que está iniciando um trabalho com o grupo do conselho, não estabelecer as regras do jogo, estabelecer como vai funcionar o trabalho dele, falar a disponibilidade dele e mostrar que ele vai estar sempre acessível, sempre com respeito, ele agindo com respeito, com educação com as pessoas, o que vai acontecer? As pessoas vão começar a agredir o síndico.

xingamento, provocações, insinuações, e ninguém tem prova disso. Isso vai acontecendo nos grupos. Se ninguém tomou a medida mais dura para coibir, isso vai tomando conta do condomínio e isso se alastra. E aí é um cargo maldito. Ninguém vai querer mais assumir um cargo numa situação dessa, num condomínio que tem um movimento dessa natureza. Eu percebo que as pessoas deixaram meio de lado essa história e passam a agir sem freios no condomínio.

Exatamente por achar que aqui eu posso fazer o que eu quero. Não só dentro do meu apartamento, mas na convivência com as pessoas. Eu vejo as crianças, às vezes, tendo um comportamento no condomínio como se fossem donas de qualquer equipamento, qualquer item da área comum. Quando eu falo que são donas, é porque os pais educaram elas. Isso aqui é seu. Exatamente.

Ao invés de falar, isso aqui é seu e de todo mundo que mora aqui, e todos nós temos o dever de usar de maneira adequada isso aqui para que todo mundo possa continuar usando. Ou seja, a gente está usando um egoísmo tão grande nesse convívio e fez a opção de morar em condomínio coletivamente.

Era melhor ter a sua própria casa fechada e aí você não precisa depender de ninguém. Mas essa é a solução que nós temos para habitação no Brasil hoje. É a melhor solução do ponto de vista para garantir moradia para mais gente. Moradia digna, a primeira moradia própria de muita gente.

E para isso a gente precisa começar bem a relação do condomínio. E quando eu falo na transição da incorporadora para a administradora, com o síndico, de fazer essa passagem de bastão de uma maneira mais serena, mais tranquila, exatamente para começar a semear esse momento que a gente está falando, das pessoas entrarem mais desarmadas para esse processo. Eu vejo reuniões pequenas, eu até escrevi um artigo sobre isso, uma reunião de poucas pessoas.

Você pega e reúne todo mundo num condomínio de casas, às vezes num village, né? Todo mundo senta à mesa, come, bebe, vota, aprove o que tem que aprovar e tudo bem. Por que a gente não pode fazer isso num condomínio com mais gente? Porque as pessoas não sabem respeitar a etiqueta da bebida e da comida? Não! É porque está todo mundo preocupado em fazer uma reunião, não se preocupa com quem vai para a reunião. Sim. Ou faz aquela pauta de 500 itens para votar.

E aí quando chega no segundo já está tudo exausto. Ninguém aguenta, né? As pessoas vão embora indignadas, mas não falam nada. Ou reclamam nos bastidores. Tudo isso que a gente está falando é o que acontece. A gente tem que pensar no que fazer para que isso não aconteça.

Prevenir, né? Prevenir, tomar medidas para... Eu tenho várias questões para delimitar no condomínio, para decidir com o condomínio. Vamos discutir essas questões com antecedência. Vamos abrir as informações para os condôminos poderem opinar. Quando chegarem na Assembleia, aí sim pode ser rápido. Eu vou votar sim ou não, sou contra o favor e pronto.

Nós somos a favor disso, nós temos procurado fazer essas pré-assembleias, que são informais, são tranquilas, colocam-se os assuntos e quando chega na assembleia propriamente dita, você tem muito mais chance de ter sucesso e fazer uma reunião produtiva.

O que normalmente a gente vê é uma pressão muito grande para aprovar com o grupo que tem. Então, se você vai esticando a Assembleia, vai esvaziando, só permanece o grupo que quer votar determinada matéria. E aí você aprova a matéria. Aí se você sai depois da reunião e fala, mas gente, votaram aquilo e aprovaram? Aprovaram. Porque tinha um grupo interessado, esse grupo continuou. Eu falo isso no livro. Ou seja, no condomínio, não é a maioria que vence, não é a maioria que aprova.

É o grupo mais articulado que se organiza para a Assembleia. Aquele grupo que não só busca procurações. Eu nem falo de procurações. Eu falo de trazer a presença das pessoas para defender uma tese e continuar até o final. E organizar até para estar na pauta. Até para incluir na pauta esse grupo com expressão. Esse grupo. O grupo que hoje quer a cobertura da quadra, quer o aquecimento da piscina.

É o grupo. É o playground. Então, um grupo quer ou não quer. Aquele que está mais organizado vai lá e viabiliza aquela cobrança. Geralmente aquele que quer algo mais particular, né? Sim. O benefício para si próprio, não para o todo. Agora, Viegas, quando essa estrutura começa capenga, estamos falando aqui de implantação. Eu sempre falo assim, tem quatro elementos chaves numa implantação. Você tem a construtora.

Você tem a administradora, você tem o síndico e você tem a mão de obra terceirizada. Para falar em colunas principais. A estrutura. A estrutura, exato. A construtora não pode ser demitida, certo? Não tem como, ninguém vai substituir a construtora. Então, quando essa engrenagem começa de forma equivocada,

sobra para a terceirizada, para o síndico e para a administradora. Então, se nós fizermos um estudo, eu nunca fiz isso, mas posso falar pela experiência nossa na trajetória de implantação e também de administração de outros condomínios, a chance de você ficar no primeiro ano numa implantação é muito baixa. É o herói quem fica, é o herói quem consegue superar essa etapa. É muito difícil, porque ele tem que achar...

ele tem que achar, de alguma maneira, um culpado, um bode expiatório para toda essa insatisfação. Demilson, você tocou num ponto muito importante. Na implantação, alguém sempre está buscando um culpado.

A verdade é essa. A gente tem essa percepção. Estão buscando um culpado. Às vezes não é nada errado, mas estão procurando um culpado. É como se houvesse uma suspeita batendo a porta de cada um dos entes que estão envolvidos nessa fase de implantação. O que eu percebo, Demilson? Que não existe, a entrega do prédio não encerra a relação da construtora e da incorporadora com o cliente. Ela inaugura uma nova fase.

E a incorporadora tem que deixar isso claro, porque dá a impressão de que a garantia, a assistência técnica é quase um favor. E não é. É uma obrigação legal dela. Eu tenho falado, hoje à tarde eu participei de uma reunião falando com o pessoal do Secob de São José dos Campos, para poder também divulgar o livro lá em São José, onde eu também trabalhei, falando exatamente dessa dificuldade. Olha só que interessante. Quando você entrega o prédio e não faz...

um trabalho preparatório para estimular o condomínio para ele se manter adequadamente, cuidar dos seus equipamentos, das suas bombas, portões, motores, toda a sua estrutura, você está fadado a correr o quê? Ao risco de que esse empreendimento vá se deteriorando em pouco tempo?

os problemas de manutenção vão aumentando e a cobrança sobre a construtora para que ela faça o serviço dizendo que isso aqui foi mal feito. E a perda da garantia também. Exatamente. Só que muita gente hoje, eu já participei de assembleias, que as pessoas na própria implantação estão questionando a verba destinada para manutenção.

A gente precisa reforçar a ideia para as pessoas de que se não mantiver direito, você vai estar arriscado a perder a garantia. Se você não conseguir provar que você fez as manutenções preventivas obrigatórias, é a norma 1770, você vai estar fadado a perder a garantia. E quem é isso? Ninguém. Aí a comparação melhor que a gente usa e as pessoas tendem ainda a relutar quando ouve e concorda, é a do carro.

Você compra um carro, zero, na concessionária e recebe lá o manual falando exatamente as revisões que tem que fazer. Experimenta não fazer uma revisão.

Ele vai lá reclamar para eles depois. Não tem garantia. A garantia só vale se você usar adequadamente, se você fizer a manutenção adequada, porque muita gente destrói. O problema, Rodemirso, nesse caso específico, é criar esse ambiente positivo, fortalecer a presença do síndico.

do síndico do prédio. Eu vou contar aqui alguns episódios que eu já vivi. Conta aí algumas experiências. Em muitos casos, na relação com a incorporadora, você tem que buscar, o síndico tem que buscar cobrar. Cobrar, é natural. Uma melhoria, às vezes, um ajuste, que não é necessariamente uma manutenção. Quantas vezes você pede para inverter uma porta de lado, abrir para cá, abrir para lá, fazer um degrau, mudar um degrau.

tá errado, mas de repente percebeu-se que no uso daquele equipamento, daquele espaço, a circulação não tá adequada, o fluxo não tá bom. E é um pedido simples que você vai fazer. Às vezes a construtora vai gastar um dia de trabalho e faz aquilo ali com tranquilidade. Tem equipe, tem material. E você vai e pede. Mas às vezes você tem uma série de coisas que são pedidas pro síndico cobrar da incorporadora, que ele próprio sabe que não pode, que é obrigação dele.

Mas ele pede, porque se ele não pedir, as pessoas vão achar que ele está negligenciando. Gente, ele tem que ter força para pedir o que de fato ele tem direito de pedir como uma coisa a mais, mas aquilo que é obrigação dele, ele sabe o que tem que fazer. E ele não pode deixar de ser fortalecido nessa obrigação dele. E a incorporadora entra onde nesse processo? Criando algum mecanismo legal que obrigue ele a fazer manutenção, fornecendo algum aplicativo, ou o que seja, que ele tenha que demonstrar isso. É uma das maneiras de você fortalecer o síndico.

Fala, gente, olha, está aqui o que eu recebi da incorporadora. Eu tenho que fazer a manutenção preventiva. As boas construtoras todas entregam para a gente com esse aplicativo de acompanhamento da manutenção. É. Agora, você tem, por exemplo, prédios construídos... A gente está falando de São Paulo. São Paulo é um grande mercado, as maiores construtoras. Mas você vê na borda da cidade...

na periferia de São Paulo, como cresceu também o mercado imobiliário. E são empresas menores, empresas pequenas, que necessariamente não têm esse recurso técnico, não adotam esse recurso técnico até para fortalecer o síndico. E muitas vezes, por conta dos programas de habitação popular, tem empresas que constroem e entregam pensando somente no faturamento daquele recurso.

Verdade. Ela não está preocupada necessariamente em criar uma relação duradoura com aquele cliente. Aquele cliente talvez não compre outro imóvel. Então, às vezes, ela não está nem preocupada em fazer essa transição. Eu já enfrentei situações assim também. Então, nos episódios que eu já vivi, eu me lembro de uma situação, há algumas intransigências que são impostas, cobranças necessárias, que passam para o sítio, você tem que cobrar isso aqui.

O síndico tem que ter força para poder falar, isso aqui eu posso, isso aqui é meu, eu tenho que fazer, isso aqui não adianta pedir. Se vocês querem que eu valorize uma determinada ação, que eu consiga alguma coisa, vocês têm que me valorizar naquilo que eu tenho que fazer. O que é obrigação minha, eu tenho que fazer. Eu não vou pedir coisas para o cara falar, isso eu não vou fazer que é seu. E perder tempo na negociação e perder força na negociação.

Hoje, eu sinto, você relatou agora há pouco a sua preocupação, o seu jeito de trabalhar. Sua empresa já tem mais de 15 anos. Então, ela está já plenamente consciente disso. Mas o mercado cresceu muito. Tem muitos síndicos jovens iniciando no mercado.

Que para poder fazer bem o seu trabalho, precisam ser apoiados nisso. E esse apoio, essa participação, vem nessa transição inicialmente da implantação do condomínio. Uma coisa que eu estava prestando atenção, desde o início, tudo engloba a comunicação. Desde a parte da construtora em comunicar aos moradores, comunicar aos clientes, de tudo que está fazendo, do andamento da obra até a entrega.

E também essa parte do síndico de mostrar a necessidade de ter a manutenção, a necessidade de expor quais são as responsabilidades de cada um, é justamente para comunicar para o morador, para ter essa conexão e o morador entender desde o primeiro dia, didaticamente.

quais são as responsabilidades do síndico, o que ele tem que fazer, por onde ele tem que começar, o que ele tem que cobrar e o que ele não tem. E tudo isso engloba a comunicação, fazer cartilhas, fazer comunicados didáticos, curtos, para as pessoas entenderem. Então, desde a construtora, que eu acho que as incorporadoras, elas deveriam ter uma área só de comunicação, durante a obra, para ir mostrando para aquele cliente como está a obra dele.

E quais são as previsões, se vai atender ou não. Então, acho que é uma dica aí para os nossos parceiros, né? E os nossos colegas síndicos também. Eu acho que falta muita comunicação, falta mostrar para o morador o nosso dia a dia, o que a gente está fazendo, porque às vezes a gente faz tudo o que precisa, mas não mostra e o morador acha que a gente não está fazendo nada.

Sim, Demilson, eu tomei a liberdade de tirar o fone. Não, fica tranquilo. Eu participei em 2022, acho que foi em agosto, de um evento com o Secov, o Demilson deve lembrar, que tentava buscar exatamente essa relação entre síndico.

administradora, incorporadora e construtora nessa cadeia. A primeira discussão grande que a gente ouviu no mercado, falando sobre como melhorar a passagem de bastão e tudo mais. E aquilo lá talvez tenha sido o meu primeiro gatilho, não do livro, mas do trabalho que eu tenho desenvolvido hoje.

que é sentindo essa dor nas administradoras, sentindo essa dor com os síndicos, tendo reunião com clientes e sentindo essa apreensão que eu relatei para vocês, sentando com incorporadoras e vendo a apreensão deles em como tratar, como se portar diante de certas cobranças que os clientes fazem, que o mercado, de alguma maneira, vai pressionando, tanto as incorporadoras em algum momento, que elas não sabem como lidar. Tudo isso, Demilson, significa o quê?

Está mais do que na hora da gente repensar a maneira de lidar com o que a gente faz hoje de implantação.

Tem empresas que já estão preocupadas com isso, já fazem uma comunicação com a Forçada. Tem administradoras que já estão preocupadas. Todas as administradoras, as grandes de São Paulo, tem o seu time próprio de implantação. Tem. Que é um time preparado para lidar com um volume maior de pressão, um volume maior de reunião, de e-mail de reunião, que tem expertise em fazer entrega, cotações, aprovações, atas. É um volume muito grande de coisas em um período muito curto. Sim.

E as administradores até falam que é o período que elas mais trabalham e depois, às vezes, saem do prédio e deixam o prédio pronto para outra administradora entrar e fazer já o feijão com arroz. O prédio já está implantado. Então, tudo isso que a gente está falando significa o quê? Todo mundo... E tem uma frase que eu adoro, eu uso muito nas palestras, que é uma frase do José Saramago, um escritor português, foi prêmio Nobel, que fala assim, para ver a ilha, a gente tem que sair da ilha.

Não é como a gente ver a ilha se estiver dentro da ilha. Com certeza. Então, a gente precisa sair desse mercado durante algum minuto, que vive um turbilhão de trabalho no condomínio, na administradora, na incorporadora, e olhar de fora e falar, gente, como é que eu estou agindo nesse mercado? Como estou me comportando em relação aos meus, vamos chamar, clientes diretos, aqui está parceiros que estão envolvidos comigo, e de que maneira eles estão agindo comigo e como eu posso melhorar essa relação.

E aí você vai perceber que não são atitudes tão grandes que você precisa tomar. São pequenos gestos, pequenos movimentos que já vão criar uma condição diferenciada. Eu vejo agora as assembleias, grande parte são assembleias digitais. E isso criou uma dificuldade maior para o síndico para poder estar próximo desses clientes. Minha maior experiência de vida, eu fiz muitas assembleias virtuais, mas a minha maior experiência está na assembleia física.

Porque ela te dá a oportunidade de ter empatia, de você identificar as pessoas, de você se reportar as situações que as pessoas trazem para você pouco antes da reunião, pouco antes da assembleia e você já devolve para ela essa informação. Então a gente precisa buscar que elemento a gente tem que fazer para colocar isso na assembleia digital.

Será que a gente tem que reportar, o síndico anotar os atendimentos que ele fez ao longo da semana, as pessoas com quem ele falou do condomínio, e citar na hora que ele está conversando? Olha, eu conversei com a dona Maria, que estava na unidade de tal, ela me trouxe um problema. Humanizar o processo. Porque daí eu consigo ouvindo, eu que não conheço o síndico, nunca pedi nada para ele, mas ele está atendendo as pessoas. Eu consigo me fortalecer, me valorizar e colocar a minha condição no condomínio diferente do que simplesmente ser cobrado.

A mesma coisa vale para a administradora Eu falo sempre, o síndico vai no condomínio O síndico profissional principalmente E não reporta os conselheiros que ele foi Parece que ele não foi As pessoas acham que você tem a obrigação de estar lá o dia inteiro Quando você vai, você não documenta que foi Não mandou uma foto, não botou uma informação no grupo Não falou nada, as pessoas não te reconhecem É uma maneira de você mostrar Eu tive uma reunião com o síndico profissional Que tem um grande volume de...

de empreendimento, talvez seja um dos maiores hoje de São Paulo, ele falou, eu não estou dando conta, é muito condomínio, eu não consigo participar de todas as reuniões. Eu falei, você não vai mesmo, porque vai aos seus prepostos. Mas se você mandasse uma mensagem para os conselheiros do prédio com a pauta que tem hoje, com o assunto que tem hoje, que você sabe qual é, você valorizaria o seu trabalho.

Ou seja, hoje à noite tem uma reunião importante, vamos fechar isso aqui, preciso muito da sua presença, o fulano vai estar lá, vai coordenar essa discussão. Ou seja, você fortalece. E é um carinho para as pessoas, as pessoas querem esse atendimento, essa atenção, de maneira particular. Elas não querem só ser tratados como um no milhão de gente.

É verdade. Olha, eu vou destacar aqui, a gente está recebendo uma porção de mensagens, a nossa audiência está crescendo, o pessoal está aqui conosco, mas eu vou destacar dois comentários aqui e deixo você à vontade para complementar. O Albélio é um estudioso das relações humanas em condomínios, você conhece, né? Ele está dizendo o seguinte, importante conhecer as obras de Roberto da Mata.

um dos principais intérpretes do Brasil, utilizando a antropologia para decifrar os dilemas e rituais da nossa sociedade. O Clóvis Salomão, que é um amigo nosso também, do Rio de Janeiro, diz o seguinte.

Tudo se resume à transparência nos fatos e empatia de todos os participantes do processo. E uma revisão nas atitudes dos jovens pais com seus filhos sobre a convivência em sociedade. Deveu, olha que interessante, né? Tudo que a gente está falando aqui parece algo abstrato.

e a discussão e a lembrança aí do Albelio sobre o Roberto da Bata, que é muito oportuna, os pensadores, as pessoas que estão analisando aí o comportamento do mercado, que estão analisando o comportamento das pessoas no dia a dia, eles demoram algum tempo para digerir isso e criar uma fonte de conhecimento que nos ajude a entender como agir.

tem coisas que são análises que vão valer para o resto da vida, as gerações vão passar uma para a outra. Mas o que a gente viveu depois da pandemia, que eu acho que é o grande marco de revolução no comportamento, a tecnologia invadindo uma velocidade extraordinária ao lado das pessoas, agilizando os contatos, pressionando as pessoas a se mobilizarem na direção dela, porque quem não for em direção à tecnologia vai ficar para trás.

Tudo isso que eu estou falando demora tempo. E se a gente não discute, a gente sabe que tem, todo mundo tem esse problema. Se a gente não discute e busca uma alternativa para ir tomando os primeiros passos, enquanto a gente está buscando consolidar uma tese mais adequada, que possa reportar isso, se a gente não envolver todo mundo, isso não anda, isso não funciona. E a questão que envolve a empatia e a transparência, que acho que também é fundamental,

ela tá na nossa conquista, você vai pegar, eu tava entrando aqui no prédio pra poder fazer o programa com vocês, né? E a recepção do prédio é o teu cartão de visita. As pessoas que me recebem ali é a maneira como eu vou ser acolhido na extensão, na sua sala. Como eu estive aqui no estúdio com a equipe que tava aqui me esperando.

Ou seja, tudo isso faz parte desse processo. Não é só eu entregar a chave e entregar o síndico, entregar a chave do apartamento quando eu vendi para alguém, e deixar você com o síndico e você não ter essa passagem. Para as pessoas entenderem, fui bem tratado no condomínio, fui bem recebido no condomínio. O síndico tem a visão de quem são as pessoas que entram no prédio dele.

que visitam o prédio, que frequentam o prédio. Teve um outro evento também para discutir essa transição, que falava muito que as incorporadoras estão utilizando muita tecnologia, inteligência artificial, para poder montar o que a gente chama de persona.

que é o perfil básico do consumidor de um determinado produto imobiliário. Então, para a hora de fazer o estande de venda, determinar o produto, determinar toda a campanha de marketing, que ainda se definir, então é um casal, um marido assado, tem não sei quantos anos, ela faz isso, ele faz aquilo, tem dois filhos, tem filhos, tem animal, não tem animal, hóstico de bicicleta, pratica esporte, não sei o quê, e monta um cenário.

Mas eles têm muito mais informação para poder entender esse perfil ao longo da obra, para ir trabalhando com esse cliente, para ir abordando esse cliente, para qualquer outra inserção interna envolvendo o apartamento, tipo fazer personalização, fazer financiamento quando couber, mas também para poder ajudar o síndico a planejar o prédio. E ser assertivo, né? Isso, exatamente. Aí alguém me falou, não, mas isso aí pode infringir a LGTB.

Eu não estou querendo dados de ninguém. Não é dados. Eu quero dados. Eu quero que você me ajude a dar um perfil do que são esses clientes que a gente tem. Aí você fala um perfil, às vezes eu entrego um empreendimento, falam, não, o perfil tem 80% são investidores. Mas investidores dá onde?

Que cidade eles são? São de São Paulo? São de fora de São Paulo? São Paulo também está vendendo muito imóvel para gente que não mora aqui. Muito, muito. Esses apartamentos, tipo estúdios, por exemplo, para investimento, adquiridos por muita gente que não mora na cidade. Os ZNRs, né? Exatamente. Isso que eu até queria perguntar.

Como que você lidaria com esse público novo que está surgindo agora, que são só investidores, querem ali puramente, compram várias unidades para investir, para ter um retorno financeiro rápido. Como lidar com esse tipo de público que não está ali no dia a dia, que não sabe o dia a dia do condomínio, não sabe o dia a dia de uma implantação, mas ele já chega com os dois pés?

na porta, exigindo várias coisas. Como que a gente poderia melhorar esse relacionamento com esse tipo de condomínio, que não é condomínio, né? Olha, quando eu comecei no mercado, acho que vocês vão achar que eu estou ficando velho mesmo, né? Acho que em 97, 98, as entregas de prédio aqui em São Paulo eram de torres únicas.

40, 44 apartamentos, área de lazer pequena, salão de festas, era o melhor show do... Quando tinha era um luxo. Era um luxo. E por quê? Porque as pessoas que adquiriam eram essencialmente para moradia, não era para alugar. As pessoas sabiam o valor do condomínio, ou seja, pagariam um valor maior, não discutiam isso porque sabiam. E para poder comprar um apartamento também já tinha uma condição diferenciada.

Era um investidor, um conversante, um empresário que tinha recurso. Ao longo do tempo, a gente foi, graças a Deus, tendo mais opções de acesso ao crédito imobiliário para mais gente e dando opções até para você comprar o seu imóvel e passar a ter mais imóveis para fazer esse investimento. Só que...

Às vezes o volume de unidades para investimento é tão grande, que a competição entre eles é tão grande, em plataforma, sem plataforma, que você tem uma discussão mais interna do condomínio que a gente tem dificuldade de lidar, primeiro.

O condomínio envolve interesses de toda a ordem, principalmente quando ele tem moradia normal, NR, tem lojas, tem garagem que tem operação, tem prédio comercial na mesma estrutura. E essa compatibilização de todos esses interesses deveria já estar prevista na convenção do condomínio.

Não falo compatibilizar interesse, mas dar equilíbrio ao funcionamento de tudo isso. Na prática, ele existe. Só que do ponto de vista, na teoria existe, mas na prática ela não funciona. Você pega, por exemplo, um prédio que tenha um volume maior de unidades, nessa característica que você descreveu, que é das NRs, unidades para investidores e tudo mais, eles querem gastar o menos possível para aumentar a rentabilidade, ter retorno. Claro.

E a gente tem que conseguir, se eles tiverem maioria de votos em relação aos demais, eles vão ganhar. Simplesmente é isso, é simples. Então, há um desequilíbrio natural nesse processo. O papel do síndico num condomínio é gerar equilíbrio nas relações das pessoas e nos interesses dela também. Só que, às vezes, no próprio funcionamento do condomínio, a gente encontra situações que contrariam o que estava previsto na convenção. Acho que você ainda deve ter pegado um prédio assim. Tem um que a gente visitou, né, o Cora, que é um...

Tem o hospital, tem a parte que são consultórios, tem a parte residencial, tem a parte de NR, e a parte de lojas embaixo e atuilaria. É tudo um complexo só. E um síndico, eu imagino como é que ele gere tudo aquilo. Esse síndico, por exemplo, ele tem que equilibrar na corda, na corda bamba, o tempo todo. Porque ele não vai conseguir agradar todo mundo e são interesses muito diferentes. Totalmente. Agora, quando eu falo do problema que isso causa, por exemplo, você tem, eu peguei um empreendimento que tinha...

a caixa d'água de um subcondomínio está instalada num outro prédio, ou numa outra divisão do prédio, que seria um outro subcondomínio, não tem medidor separado para essa unidade, e você tem que calcular ou instalar um equipamento específico para isso. Ou seja...

A previsão da convenção não se confirmou no projeto do empreendimento. Ou seja, eu sinto que com a expansão do mercado, depois da mudança do plano de diretor de São Paulo, a gente teve o quê? Um grande número de empresas fazendo produtos, tentando cumprir a lei, sem observar detalhes, nuances do que está previsto. Ninguém sabia direito o que era isso. Sim, sim. A própria concessionária de água não sabia como cobrar.

a água de cada tipo diferente de ocupação do empreendimento. Sim. Eu acho até que há um outro descompasso, que no passado era assim, você vai lançar o empreendimento, aprova tudo que tem que aprovar, a prefeitura, cartório e tal, já em formas concessionárias, para poder prever os projetos de adequação, de melhoria de instalação de água e de energia.

Hoje, você faz isso, demora três anos para entregar a obra e quando vai entregar, a ligação definitiva não está pronta. Acabamos de passar por isso. Eu peguei uma situação num prédio no Belém, é inacreditável, os moradores já estavam se rebelando.

de tanto ir na concessionária, pedir a ligação e não ter resposta, que estavam querendo fazer um protesto. Aí o síndico me ligou e falou do problema, eu intervi com um contato, fiz um contato com a área da ANU, que eu tenho um relacionamento, e avisei, olha, vocês estão prestes a ter uma crise.

Uma gestão de crise. Crise. Que é um... Entre tantas, que a companhia enfrentou. Foi um nosso. Enfim. E foi antes desse processo de chuva excessiva e tudo mais. E aí o que aconteceu? Eles mandaram dezenas de carros lá para fazer as ligações. E todo mundo ficou feliz. De uma hora para outra ligaram todas as unidades. Eu achei que estavam ligando tudo mesmo. Ligaram. Só que não tinha relógio.

Eles não tinham relógio. Foi uma fase crítica que ela enfrentou que não tinha relógio para fazer a instalação individualizada nas unidades. Ela ligou, já ampeou em tudo. Eles ficaram durante um ou dois meses ali instalados sem pagar a energia. Mas veja se nós estamos em uma cidade que não se organizou adequadamente para lidar com tudo isso, todos os entes envolvidos. Estou falando do poder público, das concessionárias de serviço, falando das empresas que estão envolvidas diretamente na operação.

Eu imagino a correria que a gente tem, duas a três implantações por dia em São Paulo. Aí você faz uma conta, você tem duas a três por dia instalações, você multiplica pelo número de anos quantas tem em obra. E por três, três anos, é quantas obras a gente tem andando na cidade.

É inevitável que vai ter transtorno para morar um vizinho de obra que a gente falou agora há pouco. E agora os canais públicos estão escancarando isso. A gente está vendo isso. Não é mais só reclame aqui, não. A gente já vê na internet direto reclamações sobre isso. Movimentos para não ter mais prédios em São Paulo.

porque está sufocando as pessoas, a maneira como as coisas estão acontecendo. E eu não estou falando nem que está certo, porque está errado no comportamento de ninguém. Estou falando que a gente tem que refletir sobre isso e buscar uma alternativa, um modelo de lidar com esse problema que não cause tanto, gere negócio, gere emprego, faça a economia andar, mas que a gente consiga fazer isso de maneira mais saudável. Não chegar a colapsar. Olha só, o Jandson.

Vieira aqui é um gestor predial, já trabalhou comigo em dois condomínios diferentes, agora ele está num outro. Ele está dando boa noite aqui, tema super importante. A qualidade da entrega por parte da construtora, tanto nas unidades e nas áreas comuns, facilita o trabalho da administradora e do síndico.

Está falando da qualidade construtiva. Sim, sim. A dificuldade da mão de obra é o principal argumento de contratação de mão de obra, é o principal argumento das construtoras para eventualmente atrasar a entrega, às vezes entregar o empreendimento e ainda falta fazer alguns serviços.

a área decorada não está montada ainda porque falta o acabamento, faltou entregar algum material de barcenaria, enfim, sempre tem alguma coisa. Quando você pega o prédio e ele começa a funcionar e nem tudo está no seu devido lugar, as pessoas se acostumam a usar...

do ambiente improvisado, e esse ambiente improvisado vai se arrastando e aquilo que era novo, que estava instalado, vai se tornando velho e sujo e ninguém percebe. Dá a impressão de que precisa trocar tudo, precisa fazer tudo de novo porque não está bem feito. Essa é uma sensação muito ruim.

Agora, também voltando a história do curso para os engenheiros Vocês reclamam tanto a respeito da falta de mão de obra E de fato tem E essa mão de obra às vezes não é direta da construtora São empresas terceirizadas que são contratadas para fazer instalação De elétrica, hidráulica, pintura Como é que vocês tratam os seus terceirizados?

Aqueles parceiros que vocês têm há quanto tempo trabalhando em obras de vocês? Vocês cresceram, evoluíram, desenvolveram, se organizaram tecnicamente a sua organização na sua parte contábil, na parte financeira? Vocês tentam entender como é que essas pessoas estão acompanhando vocês?

Porque o que a gente mais percebe é que essas empresas somem e desaparecem, porque elas não estão estruturadas para poder lidar com esse crescimento de volume grande de obras. Às vezes o profissional se perde. Eu já vi histórico de empresas que foram criadas para dar suporte a alguma atividade, aí daqui a pouco eu tinha 20 contratos, o camarada já comprou um carro importado, comprou uma baita casa, daqui a pouco caiu aqui um serviço ali, ele quebra. Ele quebra.

Então se você não tiver As pessoas que você Criou ao longo do tempo como fornecedores E acompanhá-los Não porque você vai ensinar a trabalhar Eu participei em algum momento Na minha vida de concorrências De prestação de serviço para órgãos públicos

Petrobras, você tem que ter uma série de requisitos técnicos para poder cumprir, para poder estar ali. Verdade. Desde organização, funcionamento, expertise de trabalho. E se você não atender aqueles requisitos, você não é nem contratado. Hoje a gente vê que tem muita coisa improvisada.

que a gente está vendo que está entrando para cobrir uma lacuna, mas não vai continuar, porque não está estruturado para continuar. E eu concordo com todo mundo que a dificuldade de contratar funcionários para trabalhar na obra, carregar massas, serviço pesado, está difícil. A base da pirâmide, né? Esse profissional que a gente tinha no passado...

Como até encaminhamento do pai, que era pedreiro, do tio, que era pedreiro. Insiste mais. Um outro episódio que eu vivi com um engenheiro numa obra, ele me falava, Vegas, antigamente, o ajudante, ele vinha, a gente sabia que ele ia ficar pouco tempo. Ele trabalhava, assim, uns seis a oito meses, aí juntava dinheiro e comprava uma motinha para fazer o serviço. Hoje ele nem vem para cá, ele pega, aluga uma moto.

Ele não precisa passar por isso. Ele aluga a moto e já vai fazer as entregas dele, porque ele quer ter uma vida diferente, não quer essa correria. Então, a indústria também tem que buscar a sua modernização. Claro, claro. Não dá para automatizar tudo, mas dá para melhorar, agilizar os processos em várias atividades. Eu acho que um benchmark interessante é com as montadoras de automóveis, que as construtoras podem fazer.

Porque elas trazem junto as terceirizadas para o mesmo padrão de qualidade que ela quer receber. Sim. E o produto sai bem feito. Sai bem feito. Você pode acessar. Gente, o tempo passou.

rapidamente. Muito rápido. Viegas, assim como você já voltou, você vai voltar mais vezes aqui, porque é sempre muito oportuno receber tanta informação e tanto conhecimento. Fala um pouquinho onde é que as pessoas podem obter o seu livro para vocês aprenderem um pouco mais e receberem mais informações bacanas, importantes.

através de uma pessoa tão qualificada como Roberto Viegas. Demilson, olha que bacana. Eu fiquei muito feliz com os amigos que estiveram comigo lá no lançamento do livro, lá na Livraria da Vila da Paulista. Pessoas com quem eu trabalhei ao longo do tempo.

tanto na incorporadora, na rádio, trabalhei em rádio em São Paulo, no governo do estado, na Câmara Municipal, foi uma alegria muito grande. Encontrei um vereador, foi lá na entrega do... Que bacana! A primeira pessoa chegou lá, era a vereadora Adriana Diogo, o vereador de São Paulo, inclusive escrevemos um livro juntos.

Ele teve a ideia de elaborar o livro da história da Câmara Municipal de São Paulo. Eu era secretário-chefe de imprensa da presidência da Câmara, no período que ele também era vereador, e a gente fez esse livro. Que bacana. O Viver e Trabalhar em Condomínio, ele está disponível.

para facilitar a vida de todo mundo, pela Amazon. Procurar na Amazon, escrever o nome do livro, botar o meu nome se quiser, aparece direitinho. Ainda tem a comodidade de receber em casa e tem desconto. Sempre tem uma promoção lá à venda. É verdade. Ou pedir direto na própria editora, que é a altabooks.com.br.

A editora também tem condições de fornecer e mandar pelo correio As grandes livrarias em São Paulo estão recebendo o livro a partir de agora Então, eventualmente, também vai encontrar nas livrarias em São Paulo Tá certo, muito legal Parabéns, Viegas, mais uma vez Muito obrigado aqui pela sua participação Eu que agradeço Receber os amigos sempre

Sempre é melhor. Obrigado, obrigado. Eu fico muito feliz de estar com vocês. Desejo mais sucesso ainda para o programa, porque eu tenho visto que você mudou o patamar do programa.

Não por minha causa, eu estou aqui honrado de estar aqui, mas eu tenho assistido aos programas e percebido a relevância dos temas que vocês têm discutido. Sim. E não tem outra maneira, Ademilson. A gente tem que tocar na ferida, tem que mexer, mexer. Mexer daqui a pouco, esse movimento está tomando conta de todo mundo, daí acontece alguma coisa. É isso aí. Antigamente chamavam isso de inconsciente coletivo. Hoje é plenamente consciente. É a pedrinha na lagoa, né? As ondas vão chegar até a beirada. Isso mesmo.

Você que está conosco sabe que aqui, todas as terças-feiras, às 19h, nós temos o nosso Mr. Pod. Espero você na próxima terça, neste horário, um programa sempre ao vivo. Um abraço.

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Mister Síndico

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