Episódios de TMO EPM / Hemato H9J

89 - Azacitidine–Venetoclax or Induction Chemotherapy for Acute Myeloid Leukemia (PARADIGM, N Engl J Med 2026)

29 de setembro de 202635min
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Discussão do PARADIGM (Fathi AT et al., N Engl J Med 2026): ensaio randomizado de fase 2 que

comparou azacitidina + venetoclax com quimioterapia de indução intensiva em 172 adultos com

leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada e **elegíveis à indução** — ou seja, justamente a

população em que o esquema menos intensivo ainda não era padrão. A idade mediana foi de 64 anos e

72% tinham doença de risco adverso pela classificação ELN 2022.

Com seguimento mediano de 21,9 meses, a sobrevida livre de eventos foi de 14,5 meses com

azacitidina-venetoclax contra 6,2 meses com a indução (HR 0,57; IC 95% 0,39–0,84; p = 0,002). A

sobrevida global foi de 21,5 contra 18,0 meses, sem diferença estatística (HR 0,82; IC 95%

0,52–1,28). O braço menos intensivo teve menos toxicidade: infecção grau 3 ou maior em 28% contra

41%, hemorragia grau 3 ou maior em 2% contra 12%, mortalidade em 30 dias de 0% contra 3%, nenhuma

admissão em UTI contra 10%, e 12,5 contra 27,3 dias de internação no primeiro mês. Chegaram ao

transplante 60% contra 40%.

O ponto que rende a discussão é o desenho: é um estudo de **fase 2**, com alfa unilateral de 0,10

e sem controle de erro tipo I para os desfechos secundários — então a diferença no acesso ao

transplante é um achado descritivo, não uma comparação testada. Some-se um crossover de 68% entre

os que falharam a indução e fica claro por que a sobrevida global não separa. Discutimos o que

esses dados mudam (ou não) na prática, e o que ainda depende de uma fase 3.

Artigo: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2602804

Apresentação: Lucas Salviano

Discussão: Carol Marques, Paula Cividanes, Rafael Faust, Luiza Miranda, Israelita Sussuarana,

Pedro Moraes e Vinícius Molla

Capítulos:

00:00 Introdução

00:17 Apresentação do artigo

19:53 Discussão