Ep#61 - Música Pra Fazer Pensar Feat: Lucas Guerra (Colid/Bullet Bane)
Faaaaaaala ai Pessoas!!!
Dessa vez nosso convidado já passou por esse e pelo meu antigo podcast, Lucas Guerra volta pra falar sobre os desafios de ser Vocalista e Compositor do seus dois projetos Colid e Bullet Bane e aproveitamos pra dar uma brisada na filosofia e nos mistérios da vida. Bora??
- Colaborações MusicaisRitmo de trabalho e prioridades das bandas · Processo de gravação do novo disco do Collide · Trabalho coletivo e colaborações no disco do Bullet · Exploração vocal melódica no Bullet · Diferenças sonoras e conceituais entre as bandas
- Monetização da arte e carreiraA natureza da fama e o que ela realmente significa · Felicidade versus sucesso profissional · A importância de fazer arte com o coração · Equilíbrio entre autenticidade e rentabilidade · Validação de comportamentos através do sucesso
- Atuação e diversificação artísticaDesafios de ser vocalista e compositor · Transição de Colid para Bullet Bane · Coragem e maturidade na evolução pública · Decepcionar expectativas ao crescer
- O Papel do ArtistaO palco como relação de espelho · Dilema entre manter público e ser verdadeiro · Críticas à conversão de artistas · Egoísmo do fã em querer o artista estagnado
- Processo CriativoResponsabilidade pela escrita das letras · Importância do feedback da banda · Dificuldade em separar temas entre bandas · Conceito do disco do Bullet sobre transformação · Letras do Collide com carga emocional mais pesada
- Identidade e TradiçãoContraposição aos rótulos e a complexidade humana · A busca pela identidade e o papel dos grupos · O que você pensa que é, você é · Constru
Toda voz é uma arma, uma arma que nasce de um conflito, antes de virar música, antes de virar palco, antes de virar coro coletivo.
Ela nasce de uma pergunta que não encontra resposta fácil. Nosso convidado de hoje construiu sua trajetória transformando inquietação em som. À frente da pence, sua voz se tornou abrigo para muitos. Um espaço onde dor, fé, dúvida e resistência podiam coexistir. Mas, quando uma voz se torna símbolo, ela também pode se tornar prisão.
A identidade pode virar armadura. Existe um momento em que continuar é mais confortável do que mudar. E ainda assim, mudar é inevitável, porque continuar repetindo a própria história dói mais do que reescrevê-la. A transição para o Collide e depois para Bullet Bane não foi apenas uma mudança de banda, foi uma ruptura interna.
É sobre coragem, sobre maturidade e sobre o preço de evoluir em público. Porque crescer às vezes significa decepcionar expectativas, inclusive as próprias. Hoje a gente conversa com alguém que escolheu atravessar o desconforto para continuar evoluindo. Com vocês, Lucas Guerra, no Quem Você Pensa Que É.
Quem é você?
Tive a chance de ver outras formas de vida, mas com essas aqui me faz ser alguém melhor. Fala aí pessoas, eu sou o Ricardo e esse é mais um episódio do Quem Você Pensa Que É, podcast. Um podcast de personalidade. E hoje, cara, hoje...
Eu tô aqui com um convidado que já teve comigo no meu podcast anterior, que falava sobre livros. Ele já teve aqui nesse podcast logo no comecinho, um dos primeiros episódios.
E a gente tá sempre trocando umas brisas de filosofia através do rolê da música, de banda, que é a parada dele. E a gente colocando essas viagens nossas de refletir as coisas assim, né? Eu acho que vai ser um episódio maneiro, porque ele tá com uma pá de coisa nova aí, duas bandas e...
som novo e disco saindo, eu acho que vai ser uma conversa muito louca, velho. Eu falo hoje com o Lucas Guerra. Fala aí, Lucas. Satisfação demais, Ricardo. Eu lembro também que gravou aquele nosso primeiro papo lá atrás. A gente participa de muito podcast, entrevista.
E, mano, muitas vezes todo mundo fica em umas perguntas meio óbvias, assim, né? E eu acho legal do seu papo que ele vai para um lado mais filosófico e tal. Então, eu acho que sai um pouco do óbvio e a gente entra em alguns assuntos mais interessantes, que é só aquela coisa clichêzona de toda entrevista, sabe? Aí, ó. Está no lugar certo. E eu gosto, assim, de tentar para trocar ideia com quem gosta de brisar, sabe? De viajar na maionete. Isso aí é...
É comigo mesmo. Tá no lugar certo, então. Como você já sabe, Lucas, é que a gente tem duas perguntinhas iniciais, mas sobre você mesmo, só pra dar uma... Não start na conversa, né? Só pra dar uma esquentada pra gente seguir pro tema. Eu dei uma renovada, fiz umas perguntinhas diferentes. Uhum, beleza.
Tá, primeiro, eu queria saber uma coisa que você, até pra você mesmo, você assume assim, que tipo, cara, se isso aqui vocês botarem na minha mão, vai dar ruim, tá ligado? Nisso aqui eu sou ruim mesmo, tá ligado? Você compartilha com a gente. Mano, eu acho que tirar foto eu sou ruim. É mesmo? É, eu não sou muito bom assim de...
tirar foto, sempre que eu tiro foto sai um pouco torto, assim acho que eu não tenho muita noção não tenho muita noção, mano
Pode crer da hora. Outra coisa que eu sou ruim, dançar. Mano, sou quadrado, hein? É dois, é dois. Nossa, eu sou quadrado. E minha esposa, ela dança muito, ela tem a mãe. E ela tem até uns projetos de dança, não é? Ela treina, ela faz aula, ela dança vários estilos diferentes, grava vídeo. Então, tipo assim, o contraste é absurdo.
Pode crer, velho. Eu já, já... Acho que a minha mulher quase desistiu, velho, desse rolê de eu dançar, porque eu sou quadrado também, bicho. O negócio é tenso.
A outra pergunta é o oposto disso aí, eu quero saber uma coisa que você pode falar, cara, joga no peito do pai aqui, que isso aqui é comigo, que eu resolvo, tá ligado? Cara, acho que coisas que eu gosto de fazer, né, acho que todo mundo, o que você gosta de fazer e você faz muito, eu acho que acaba ficando bom.
Não que eu tenha começado bom. Então, pô, essa parte de música mesmo, cantar, é uma coisa que eu gosto, que eu treinei muito. Então, eu acho que eu faço bem, assim. Modéstia à parte, eu acho que eu faço bem. Não sou perfeito, não acho que eu sou o melhor do mundo, mas eu acho que 20 anos com banda, eu consegui aprimorar legal, assim. E eu olho pra trás, no início, eu era muito ruim. E é interessante que a gente vai tendo noção do tanto que a gente era ruim. Porque quando eu comecei a tocar, eu não achava que eu era tão ruim assim.
Aí depois de anos eu vi um vídeo de um primeiro show e falei, caramba. Mas é legal, porque você vê que, mano, dá pra melhorar, né? Às vezes você é ruim em alguma coisa, igual eu falei, eu sou ruim em dançar. Claro que eu acho que dançar ia demorar uns anos, assim.
quiser aprender treinando, eu acho que pelo menos bom você fica. Talvez você não fique excelente, mas bom você fica. E é muito esse rolê que você falou de gostar, né, velho? Porque o que você gosta, você treina passa mais rápido. Você não percebe o tempo que você tá ali em cima desenvolvendo, né?
É, e eu acho que o lance de gostar, você começa a deixar de lado o fato de você ser bom ou não, porque você faz o que você gosta. Então, independente se você não é muito bom, não importa, cara. Se você, sei lá, não tem reconhecimento, pensando em banda, né? Na minha primeira banda, quando eu era bem novo...
A gente não se importava Na verdade era uma banda que Nem pretendia fazer show A gente tocava dentro de estúdio só Na casa do amigo, tocava as músicas que a gente gostava Isso é legal porque Tira também um pouco dessa coisa do peso De nossa, eu preciso ser muito bom Cara, se você gosta de fazer
qualquer coisa que você gostar de fazer, você vai fazer repetidamente, independente de você ser bom ou não, e isso vai te fazer ficar bom, porque vai ser algo que vai te dar combustível para repetir, treinar, enfim.
Isso me leva a várias discussões, que são, tipo, por exemplo, eu tava vendo agora antes de... Um pouquinho antes aqui de entrar, eu tava assistindo aquele documentário do Raimundos, que saiu faz pouco tempo na Globoplay, contando história deles tudo e tal, tá ligado? Sim.
Ele entra naquele rolê que todo mundo discute a vida toda, que é a ideia de, cara, será que a fama é o que as pessoas acham que é mesmo, tá ligado? Que é o rolê do, basicamente, assim, não querendo dar spoiler pra ninguém, mas basicamente fala que o Rodolfo chega lá e quando chega lá em cima, a fama no auge na maior banda de rock brasileira, ele fala, putz, isso aqui não é pra mim, isso aqui não tá rolando, tá ligado?
E aí que rola aquela parada toda dele sair, faz Rodox, depois sai também, vai pra igreja e tal, né? Então tem essa... É isso que você falou da ideia do reconhecimento, né? E da ideia de, tipo, cara, será que é necessário? Tipo, se você gosta do negócio que você faz.
Que nem você falou, eu estou desenvolvendo aqui, mas de repente não estou tendo um reconhecimento. Será que é necessário e será que é o lugar que vai te trazer o que você está procurando esse lance do reconhecimento?
Sei lá, eu já vi essa discussão N vezes com outras bandas que falam Ah, cheguei lá e lá era ruim, tá ligado? É, isso acontece com muita frequência, né? Não só na música, mas tem muitas pessoas que são bem-sucedidas do que fazem e que chegam ali no topo e não estão felizes, né? Que eu acho que não é sobre isso. Eu acho também que a gente tem que tomar cuidado, porque assim, não que seja ruim, né? Eu acho que você ser bem-sucedido é algo excelente.
Mas não é... Essa não é a resposta, né? Acho que a fama não é a resposta. Acho que é você fazer uma parada de coração que você acredita mesmo. E a consequência disso pode ser o reconhecimento, pode ser a fama, pode ser o dinheiro. Mas quando essas coisas estão em primeiro lugar, então você deixa de fazer algo...
que você acredita, você deixa de fazer algo sincero ali pra você principalmente no caso da arte, isso aí gera uma frustração muito grande e talvez você pode jogar o jogo e ser muito reconhecido que você vai estar vazio porque não vai estar sendo algo verdadeiro então eu acho que o lance da fama, cara, eu acho que
Sempre tem que ser secundário, assim. Sim. Pra quem toca, pra quem trampa com arte, até outros tipos de arte, assim. Você tem que fazer o que você ama mesmo. É claro que, assim, o cenário muda um pouco também quando você é um profissional da área, né? Sim. Uma coisa é eu lá, adolescente, que tinha banda só pra curtir, outra coisa é eu hoje, que eu vivo de arte. Então, tipo, eu preciso de fazer um negócio também.
que dê algum tipo de retorno. Porque também aí não faz sentido, né? Dedicar o dia todo, todos os dias, pra o que não dá um retorno. Mas é sempre esse equilíbrio aí entre, tipo, você fazer algo verdadeiro e pensar em como alcançar mais pessoas, pensar em como fazer essa arte que você ama, que você acha que faz sentido, como transformar isso em algo rentável.
Ou seja, venda de show ou streaming. Enfim, jogar o jogo nesse sentido, né? Saber comercializar algo que você faz com o coração. Acho que esse é o grande segredo. Pode crer. E é aquela frase, né? Toma muito cuidado com o que você deseja, porque isso pode se tornar realidade, né? Total. E às vezes as pessoas não têm noção do preço daquilo que ela está desejando.
E quem olha de fora, tudo sempre é mais fácil, mais bonito, porque as pessoas não estão vendo o que está por trás daquilo. Eu sou muito grato de poder trabalhar com música e tal, mas tem o outro lado que as pessoas não veem, tem um preço.
pra isso. E eu acho que fama em larga escala, igual você falou do Raimundos, é algo que vem com outras camadas de problemas, assim, é mais pesado, é mais complexo, então lidar deve ser muito difícil, né?
Tem uma coisa que ele fala no documentário que me fez ficar pensando um tempo, porque pra mim tem muito esse lance do rolê de... É meio filosófico até que ele diz, que o Raimundos, quando ele estourou, do jeito que estourou, ele meio que afirmou tudo.
tudo pra ele, que tipo assim, todos os comportamentos dele. Foi meio que uma validação dos comportamentos. Então tipo assim, ele começa numa banda que o comportamento dele era fumar maconha, era se drogar, era noitada, era pegar geral, sabe?
desandar mesmo no rolê e assim, a resposta pra isso pra ele é sucesso então tá validando meio que tipo o sucesso vem validando o estilo de vida dele, tá ligado? e ele fala que tipo assim, que chega um momento que mano, tá validando só o que só que fez mal pra mim, tá ligado? sim, interessante esse ponto aí eu não assisti, eu até tentei eu, cara a minha Globoplay que é muito bugada é mesmo?
eu fiquei tentando dar o play no stream e não foi, mas eu tô afim de ver esse documentário aí, porque é interessante
Tá bem legal, eu gostei. Eu tô no finalzinho, falta acho que um ou dois episódios, mas tá bem legal, bem feito, todo mundo trocando ideia, falando assim, é bem maneiro, eu gostei, indico. Sim. Como eu tava falando, tem esse... A gente vai pra esses lugares da discussão sobre a arte, porque ela, quando envolve fama, ela tem esse negócio de...
ir pro, sei lá, o rolê de formar opinião, por exemplo, de de repente você tá cantando uma parada te arrasta uma galera, meio que pensando igual você, levando a filosofia do que você falou como se fosse uma lei, tá ligado? E de repente você falou num momento que nem você tem certeza do que você falou, tá ligado? É, acho que a relação de público e do palco é uma relação de espelho mesmo, né?
Então, igual você falou, tipo, quando você coloca suas ideias na música e faz um show, você vai estar atraindo por esse show pessoas que se conectam com a música e com a mensagem. Então, está atraindo aquele espelho. O complicado, eu acho que é quando você começa a mudar o ponto de vista e você tem esse dilema, né? Então, eu vou perder meu público e vou ser verdadeiro comigo ou vou continuar?
que eu imagino que foi o caso do Rodolfo. Vou continuar falando sobre algo que não me faz bem, que eu não acredito mais, porque eu já tenho uma base de fãs gigante. E o negócio é uma bola de neve, né? Que quanto maior a base de fãs, maior o alcance.
Você lança uma música e tem um milhão de pessoas querendo ouvir aquilo ali, imagina o potencial pra espalhar essa música e essa mensagem, né? E eu acho que por isso ele foi muito criticado também, né? Quando ele se converteu e tal, eu lembro que muita gente odiou. E assim, mano, eu não conheço muito, assim, Rodolfo, as ideias e tal, mas eu já vi algumas entrevistas, e assim, a minha sensação é que fez muito bem pro cara.
E assim, se você gosta de um artista E quer ver ele bem, né Acho que é meio egoísmo Você querer que o cara continue num lifestyle Tá acabando com a vida dele Só pra, sei lá Você continuar escutando um som que Você acha da hora, não sei, mano Acho que isso é meio complicado, né Mas enfim, cada um é cada um É complicado porque é É muito pessoal, né Mas assim, cara
Se você vê, igual essa ideia que você falou, tá fazendo mal pro cara, eu vejo a relação de fã como um negócio que é muito passional, né? É muito tipo, vai pra além do entendimento só. Às vezes a pessoa simplesmente não tá entendendo que...
aquele rolê tá fazendo mal pro cara e que ele tem que ir pra outro rolê, né? E que assim, às vezes até o cara não conseguiria mais, será que no exemplo do Rodolfo, será que se ele opta por continuar ele conseguiria continuar produzindo alguma coisa que fosse tipo do gosto dessa galera?
Mesmo ele estando em outra vibe, tá ligado? É, eu lembro que ele lançou o Rodox, né? Eu escutei Rodox um tempo, eu achei bem bom, assim, o som. Achei a mensagem bem melhor também. Mas por algum motivo ele não continuou, né? Parece que voltou agora, eu não sei, mas... Enfim, acho que o caso dele também, ele teve uma mudança radical na vida dele, né? Na forma dele ver o mundo e tal. Então, é um caso diferente, né? É.
É, por muito tempo eu achei que, assim, eu gostava bastante de Rodox. Eu fui em show, tudo e tal. Tô até querendo ir no show que vai ter agora de retorno deles, tá ligado? Sim. Mas é... A impressão que eu tinha é que, assim, é que o... Ele começou meio errado com o rolê do Rodox, porque ele chamou uma galera que não tinha nada a ver com a igreja.
Tipo, meio que na ideia de de repente todo mundo no meio do caminho vai entender também e vai vir comigo no rolê, tá ligado? Entendi. E aí, tipo assim, começou a contrastar do mesmo jeito o comportamento dele, porque os caras não se converteu. Os caras estavam lá no rolê deles, que era banda, bebê, pegar geral, não sei o que, né?
E aí ele já começou a ter um conflito parecido com o do Raimundos, né? E teve também esse lance de que eu acho que quanto mais tempo você tá dentro de um ambiente religioso, mais você vai ficando com a cara dele, né? Então teve esse rolê da mudança radical que você falou. Eu acho que ele ficou muito mais crente do que ele era na época do Rodox, tá ligado? E aí não tem como bater mesmo, né? Aí não vai.
Mano, mas falando de você, a gente tá falando aqui de Raimundo, de Rodox, vamos falar de Lucas, né? Ah. Eu queria saber esse rolê do Bullet aí, mano, que você entrou como vocalista e tal, né? Tava focado no Collide. Eu vi esses dias aí um post do Charlinho que vocês estão preparando pra gravar, né? O som novo do Collide aí, né? É o CD todo?
Então, a gente começou a fazer as gravações do novo disco do Collide. O Collide é uma banda que, assim, ele é uma banda profissional, mas ele é secundário na vida de todo mundo. Todo mundo do Collide tem outras coisas, outras prioridades, trampa com outras coisas, então é uma banda de ritmo lento. Quando a gente pega pra fazer um disco, a gente se dedica e quer fazer o melhor e vai gravar da melhor forma possível, mas não é uma banda de estrada.
O Collide, sei lá, no ano deve ter tocado cinco vezes, por exemplo. Toca pouco, né? E a proposta do Collide sempre foi isso, desde o início, né? Uma banda que a gente fizesse um som que a gente curte no tempo que caiba na agenda de todo mundo. Eu também, na época que eu estava com o Collide, eu tinha saído bem, tinha fechado...
o sujo tinha ido pra outra área. Então eu passei os últimos quatro anos fazendo outra coisa, tava na área de TI e tal. Então assim, quando eu entrei no Bullet, aí eu saí do tram que eu tava, e voltei a produzir. Enfim, o Bullet é uma banda de estrada, né? Uma banda que tá tocando sempre, e essa é a proposta do Bullet. Então essa foi a forma também que eu consegui de conciliar de ter duas bandas, né?
Se você tem duas bandas de estrada, estão em todo final de semana tocando, aí a agenda entra em conflito, né? Então, como o Collide tem outro ritmo, eu consegui entrar pro Bullet e também voltar a ficar 100% focado em música também. Então, hoje eu tô no Collide... E voltou a produzir também. Voltei a produzir, tô mixando, enfim, voltei a fazer várias coisas que eu tinha parado.
Pode crer. Mas aí coincidiu, né? Tanto o Bullet quanto o Colid estão em processo de gravação. O Bullet, na verdade, essa semana terminou já. A gente deve ter mais uma diária de estúdio só pra finalizar algumas coisinhas de voz, mas já terminou o disco e o Colid começou a gravar, né?
Então, como o Collide tem um ritmo um pouco mais lento, provavelmente esse material vai sair mais pra frente, mas vai sair. E tá bem interessante, assim. Eu tô gostando muito da proposta que a gente teve pra esse disco do Collide, porque tá um disco bem experimental e meio sem regras, assim.
umas músicas muito pequenas, outras músicas muito grandes, tem muita experimentação, muito arranjo diferente. Então acho que vai ser bem interessante, pra quem curte umas coisas mais fora da caixa, vai ser um disco muito interessante. E já o Bullet também eu tô gostando demais do resultado, a gente já terminou as gravações, e foi o trabalho mais coletivo que eu fiz, tanto com a banda, com todo mundo ali construindo, fazendo as coisas juntos.
como outras pessoas participando, né? A gente teve outros produtores que fizeram algumas coisas, teve o Jota, teve o Camada, criaram uns stems, teve o Caio do Bad Love que...
criou algumas melodias de voz também, me ajudou a criar melodia de voz. Esse disco do Bullet é um disco que eu explorei um pouco mais, um vocal melódico um pouco mais grave, porque eu tinha o costume de cantar sempre no agudo, sempre rasgado, e não tinha tanto costume de cantar em outras regiões. Então foi legal que esse álbum do Bullet eu explorei esse outro lado de voz também, de melodia de voz. Teve participação do Rodrigo Dead Fish, teve participação do Teco.
do Rancore, então é um disco que ele tem várias pessoas envolvidas, então isso tá muito interessante maneiro hein cara uma galera então né eu queria saber o teu papel nos dois projetos, porque eu acho que aí o que eu quero perguntar pra você vai a partir daí tanto no Collide quanto no Budget você tá na posição de compor as letras também ou é só vocal, como é que funciona
Nas duas bandas, qual que é a pegada? Então, nas duas bandas, eu sou responsável por escrever as músicas, as letras, né? Então eu escrevo todas as letras. Como em toda banda que eu participo, apesar de eu escrever as letras, eu gosto de saber a opinião das pessoas, de saber se todo mundo...
concorda com aquilo ali que eu escrevi, que eu também não quero cantar uma coisa e o membro da banda, tipo, pensar o contrário, assim, acho que não faz tanto sentido. Então, eu sempre apresento pra banda o que eu escrevo e sempre tem contribuições legais, assim. Às vezes, putz, essa parte aqui, não sei se ficou legal, o que você quis dizer com isso? Porque tem muito isso também. Quando você escreve, você tá entendendo 100% o que você escreveu, porque tá saindo do seu cérebro. Mas a pessoa que escuta...
Ela não é você, então ela escuta e às vezes ela não entende o que você quer dizer com aquilo ali. Então passar isso para os outros caras da banda, eu acho que é importante por causa disso. Você tem esse filtro aí, o que a pessoa está entendendo do que você escreveu? E às vezes entende outra coisa. Às vezes isso é bom, porque às vezes é legal a música ser abrangente e não ser fixa em nenhum tema, mas às vezes também é perigoso para a pessoa interpretar algo que você não queria dizer mesmo.
Então, tem esses dois lados, mas nas duas bandas sou eu que eu escrevo as letras, e aí tem um filtro, assim, do pessoal da banda, com sugestões, com críticas. Tem algum... aí estamos brisando mesmo pro rolê da filosofia aí, ó. Tem algum lance de, tipo, conceito pra cada uma? Tipo, você tem letras que você falou, tipo, cara, essa daqui seria uma letra pro Bullet, e essa pro Collide?
Ou então, tipo assim, isso aqui não tem como eu cantar no Polyd, ou isso aqui não tem como eu cantar no Bullet. Como é que funciona pra pessoa que tá compondo? Eu pergunto até num lance de, tipo assim, de ser um tanto quanto limitado, porque a minha experiência com banda, quando eu toquei, eu tocava a bateria, mas eu fazia as letras também, né? E assim, pra mim, fazer letra não parto, bicho, tá ligado? É difícil. Eu fazia letra porque ninguém conseguia fazer, tá ligado?
É, não é fácil, não. Mas era um parto. E aí eu pensar, tipo, de repente você tá fazendo em duas bandas e tem que, tipo, tem que ter um... De repente uma pegada, tipo, essa música é música bullet, total. Essa aqui é colímpio, tá ligado? Como é que funciona isso daí, velho?
É, isso aí foi uma preocupação que eu tive também. Quando eu entrei no Bullet, eu pensei, cara, como é que vai distinguir uma banda da outra? Só que em relação a tema, eu não consigo separar, porque são temas ali de coisas que eu tô sentindo, que eu tô vendo, que eu tô vivendo, que eu tô observando no mundo. Então não tem como separar. Mas o que eu defini é fazer as coisas...
cada um de uma vez. Então, por exemplo, eu escrevi as letras do Bullet, as gravações do Collide é tudo com rascunho, é tudo com lá lá lá, as vozes de guia, né? Só o instrumental que tá pronto. Então agora que eu tô finalizando o Bullet, eu vou escrever o Collide, que eu acho que escrever pras duas bandas ao mesmo tempo aí ia ter essa confusão. Mas de tema...
Eu não costumo fechar num tema para o disco, não. Eu acho que isso acaba acontecendo de maneira meio natural. Depois que você escreve as letras, você vê que elas têm um gancho entre elas. Então, por exemplo, nesse disco do Bullet, é um disco que fala muito sobre transformação, porque foi um momento na vida de todo mundo e é impressionante como que isso coincidiu.
Eu tava mudando totalmente, saindo de uma área, o Lee tava mudando o estúdio dele, os caras tinham saído o vocal e o batelho, tudo tava mudando junto na vida de nós cinco, e nós cinco a gente se encontrou naquele momento e começou a fazer algo novo do zero. Então é um disco que fala muito sobre isso, sobre esse processo de transformação, esse processo de procurar uma direção, um guia mesmo, pra entender o que a gente...
quer estar trazendo naquele momento. É um disco que traz várias metáforas sobre luz, sobre fogo, que é algo que metaforicamente comunica muito com essa energia que a gente está sentindo, com essa vontade de fazer, de criar, de mudar. Então eu acho que esse disco do Bud está voltado nesse conceito, mas não que eu tenha pensado vou fazer um disco sobre isso. Não, isso acontece
de forma natural. O Collide tem algumas letras que eu tinha escrito já há muito tempo atrás, antes de entrar no Bullet, mas agora que eu tô terminando a gravação do Bullet, eu vou começar a mergulhar nas ideias que eu quero trazer pro disco do Collide. Então, assim, eu tento não escrever exatamente as mesmas coisas.
Mas acho que naturalmente elas saem da mesma fonte, né? Então elas vão ter alguma similaridade ali. Mas o que eu acho que me deu um alívio, assim, foi sentir que existe uma diferença sonora muito grande entre as duas bandas. E assim, eu acho que até por causa disso, eu também não quis ficar palpitando tanto em arranjo, nesse momento com o Bullet e com o Collide, e brisar mais na voz mesmo. Porque eu não queria que ficasse...
As duas bandas ali sonam parecidas. Então, o Polfeiro, o Dan, que cria muito arranjo, o Gabriel, que cria muito arranjo, eles não sabem o que o outro tá criando, entendeu? Então tá saindo coisa diferente. Olha que da hora. Então é isso, acho que a diferença vai ser mais sonora do que conceitual, talvez.
Mas você consegue, por exemplo, acho que tem a ver com a ideia do que você falou sobre o ritmo e sobre o estilo ser bem diferente de uma com a outra. Sei lá, será que rola pra você, de repente, um negócio de fazer tipo um vibe, bullet, vibe, colide, tipo assim, tá ligado? Essa aqui vai ser muito vibe, bullet, tocar isso aqui, cantar isso daqui, parecer rolê do que colide, tá ligado?
Eu acho que mais na parte da sonoridade. Eu acho que na parte de letra, uma coisa que eu penso é que o Bullet, trocando ideia com os caras, eu acho interessante que eles fazem muita questão que a letra seja fácil de entender, que a pessoa escute o som e entenda o que eu quero dizer. Então várias vezes eu dei uma lapidada nas letras para elas ficarem mais óbvias.
O que eu acho que é positivo, porque atinge muita gente. O Collide, já que ele tem uma vibe mais experimental, eu também me sinto na liberdade de ir mais profundo em umas ideias que talvez a pessoa vai precisar de um background para entender. Também vai ser experimental. Cara, eu vou falar de umas coisas que pouca gente às vezes ouviu falar.
E é isso aí, vão ser dois tipos de comida, né? Um vai ser o Doritos ali que você comeu, é bom. O outro vai ser aquela coisa que você tem que degustar e tal.
E pra você, você acha que, até como o compositor tem esse rolê de tipo da diferenciação de comidas igual você falou, de como que eu explico? Uma ideia que eu exploro muito aqui no meu podcast é um jeito de explicar, que eu tô meio viajando mas vou explicar do jeito que você entende. A ideia que eu tenho aqui no Quem Você Pensa Que É
Eu sou totalmente contra o rótulo, sabe? É uma ideia de você olhar pro cara e falar assim, cabeludo, é roqueiro. Acabou, é isso, você é isso aqui. Tá ligado? E aí, não. Todo mundo é tipo cara, você é uma coxa de retalho amulante, de referência, né?
Tipo, eu, quando o cara fala, olha o cabelo lá, me imitando no roqueiro, cara, eu sou o cara que lê filosofia, eu sou o cara que devora livro, eu sou o cara que faz podcast, eu sou o cara que desenha, que toca bateria, que gosta de nadar, sabe? Eu sou um milhão de coisas, sabe? Só um não me define, né? Nesse ambiente, falando de duas bandas...
E falando de você no papel de compor para as duas, tem uma ideia de tipo assim, esse Lucas aqui é o Lucas que fala, ou essa coisa do Lucas aqui que aconteceu com o Lucas fala com o Bullet e essa coisa aqui ela fala com o Collide. Puts, é, acho que eu não consigo fazer essa separação de banda no sentido de me dividir.
Porque eu acho que, é o que eu falei, sai da mesma fonte, né? Mas eu acho muito legal isso que você falou e eu concordo 100%. Porque hoje em dia, não sei hoje em dia, né? Talvez antigamente também, não sei. Mas eu acho que as pessoas têm a mania de colocar tudo em caixinhas, sabe? Ah, ele é isso. Mas assim, são números de caixinhas.
minúsculos. E principalmente pelo efeito da polarização, quase que existe só o cara de direito e só o cara de esquerda. É quase que só existisse dois tipos de ser humano no planeta, né? E ser humano é igual cada um é tão complexo, né? Tão cheio de características e a gente fica reduzindo as pessoas a conceitos, assim, super rasos, né? Ou o cara é isso ou o cara... É, limitados. Acho que a palavra certa é limitado, não é nem raso.
É aquele lance, quando você nomeia uma coisa, você anula todas as outras coisas que essa coisa poderia ser, né? Você fala que algo é isso, então algo é isso. Algo não pode ser nenhuma outra coisa além disso, né? Mas realmente a gente é muito complexo, tem várias camadas. É difícil você classificar as pessoas. E é um trampo, né, mano? Eu acho que é um trampo pra gente, assim, pra mim.
É uma coisa que parece que tem a ver com construção de sentido. Como quando você fala, tipo, cara, eu vivi uma vida que valeu a pena, tá ligado? Tipo, a minha vida valeu a pena, tá ligado? Eu vivi a minha vida bem. Pra mim, ela tá muito relacionada com essa ideia de você conseguir expressar essa coxa de detalhe, tá ligado? Você vai...
Não só expressar uma coisa, se você ser só uma coisa a vida inteira, você expressar tudo isso que você... Você conseguir, tipo, falar, não, eu sou o cara que gosta disso aqui também. Você tem como expressar isso aqui, aquele outro, aquele outro gosto, mostrar, tipo, a tua multiplicidade. Pra mim, isso aí tá diretamente relacionado com...
como a construção de sentido da vida mesmo, sabe? Tipo, o meu sentido da vida é esse aqui. É conseguir mostrar quem eu sou de, sei lá, de todas as maneiras possíveis, ou do maior número de maneiras possíveis, né? É, eu acho que é muito o lance da identidade também, a busca pela identidade. Como ser humano, a gente nasceu e não tem manual de instrução, né? A gente não sabe por que a gente está aqui, não sabe por onde que a gente vai. Então eu acho que talvez os rótulos, os grupos...
Muitas vezes eles nos dão uma direção, né? Principalmente ali na adolescência, isso é muito evidente, né? Nas tribos e tal, pessoas, às vezes, aderem a algum tipo de ismo e segue aquilo ali à risca, porque aquilo ali dá uma direção, né? Eu acho que essa direção, ela traz um certo conforto, assim, nessa sensação de não saber mesmo, assim, o que a gente é, né?
no fundo, quem somos nós, né? É igual o nome do seu podcast, né? Quem você pensa que é? E acho que a gente acaba, o que a gente pensa que a gente é, a gente é. Você acha que você é alguma coisa, você é aquilo ali, até você deixar de acreditar que você é aquilo ali, né?
Isso faz todo sentido, velho. Faz todo sentido, porque se eu parar pra olhar pra minha vida mesmo, sabe? Tem um background de TDAH aí que mexe com a ideia da minha cabeça também, que é mais difícil de explicar, mas eu tenho esses momentos que eu consigo definir muito bem na minha vida, tipo, esse momento eu fui o cara que só curtia nightskate, esse momento eu fui o cara...
passava o dia lendo. Nesse momento eu fui o cara que só tocava a bateria. Tá ligado? Hoje eu sou o cara que só grava e edita podcast. Tá ligado? Então faz muito sentido essa ideia que você falou de, tipo, quem você pensa que você é, você acaba sendo. Porque é o que você se ocupa ali. Até o momento que você fala, não, isso aqui não tá me resolvendo mais. Então...
Vamos pra outra. Vamos tentar outra coisa. Exato. Eu acho bem louco isso, velho. Brisar nessas ideias de sentido da vida, de caminhada e tal. Eu acho bem louco isso daí. É.
Você falou que tá pra lançar já um som, parece, né? Do Bullet tá pra lançar. E vai ser o primeiro single que faz parte do álbum. Depois ele provavelmente já vai vir um álbum inteiro, que aí vai completar os três primeiros singles. E ele vai vir com um clipe também que a gente gravou recentemente.
e é isso é um som que a gente curte muito e acho que é um som também que traz um pouco da cara do álbum, apesar de ser um álbum que vai ter várias faces, não vai ser um álbum que vai seguir só um estilo específico não. Acho da hora esse momento da banda que é o momento que você curte demais ainda a música, não sei se quando ela é nova pra você, ou quando ela tá pronta, ou quando acabou de sair do forno não.
E, tipo, você fica num rolê meio apaixonado pelo... Nossa, gosto demais desse som. Quero ficar tocando ele um milhão de vezes, coisa assim, tá ligado? Eu acho massa isso daí. Eu gostava pra caramba quando eu... Quando eu tocava, mano, era treta pra construir a música, né? Era um ensaio pra construir a música.
O estilo da banda que eu tocava era muito fragmentado. Não tinha aquela construção padrãozinho de entrada, aí a letra, aí uma ponte, refrão, letra. Não tinha esse tipo de coisa. A gente ia fazer um negócio meio...
metalcore, que aí era ir remendando um trecho no outro, trecho no outro e às vezes tinha um refrão no meio, tá ligado? Então era trabalhoso, velho. A parte de compor era trabalhosa. Mas a parte, tipo, que tava pronta, que quando você ia mostrar pro pessoal, e aí, tipo, você viu uma galera curtindo...
Mano, isso era foda, velho. É legal, né, ver o feedback. Eu sempre falo com os caras, eu queria ter o superpoder de esquecer totalmente da música e ouvir ela como se fosse a primeira vez. Porque o problema da gente se autoproduzir, né, é que a gente fica tantas horas ouvindo repetidamente e testando coisas diferentes.
que é muito comum chegar num momento onde você perde a referência e a música para de bater porque você ouviu muitas vezes ela. Aí às vezes você não sabe se tá legal, se não tá legal, se uma parte devia ser de um jeito ou de outro. Mas eu tenho o costume de... Eu acho que deve rolar também com banda que tá muito sempre tocando a mesma música, né? Sabe, chega...
O momento que a plateia tá pedindo, toca aquela lá, e aí todos os caras dão, nossa, mano, não aguentam tocar esse som, tá ligado? É, como eu sempre produzi, gravei, mixava as músicas das minhas bandas, eu tinha esse problema, assim, quando a música ficava pronta, eu já tava saturado dela. Então o que eu normalmente faço é, a música ficou pronta, eu vou ficar um mês ouvindo outras coisas pra dar play no álbum.
Quando ele sai ali no Spotify, nas plataformas, que aí eu tenho essa sensação de estar ouvindo pela primeira vez. Aí é da hora. Mas tem que dar essa descontaminada. Tem que ficar um tempão ouvindo outras coisas. Total, total. E falando do Bullet, que tinha um... Cara, tinha um chão já, né? Uma banda que já tem uma estrada ainda, né, velho?
Você acha que bateu legal as ideias, assim? Tipo, tá dentro? Você conseguiu continuar? Porque querendo ou não, acho que a banda, ela tem um core dela, assim, sabe? Um rolê, tipo assim, essa banda, a linha dela é essa aqui, ó. Ela vai por esse rolê, né? E aí quando muda, geralmente um membro dela... Pode ser qualquer um, mas eu acho que o mais significativo, geralmente, é o vocalista. E o cara que compõe, né? Porque aí vai bem na essência mesmo, né?
Da banda, né? Você acha que bateu legal, assim, a ideia de vocês? No sentido de, cara...
Tá dentro da proposta do que o Bullet sempre foi e tal? É, eu acho que mudou a proposta, principalmente dos últimos álbuns. O Bullet teve o Vitor e o Arthur como vocalistas, né? Os dois são grandes vocalistas. Eu, particularmente, me identifico mais com as letras que o Vitor escreve, porque o Vitor tinha essa pegada filosófica também, então tem muita música legal que o Vitor escreveu, que eu acho que é bem interessante.
O Arthur já vai para outro lado, mas o Arthur é muito bom tecnicamente como vocalista. Então cantar as músicas dele também foi muito legal e foi um aprendizado para mim também. Ele explora outras regiões. É que nem eu te falei, antes eu cantava muito na mesma região vocal.
E era sempre alto, com drive. E o Arthur, ele tem muitas partes melódicas, né? Ele criou muitas melodias bonitas também. E foi legal, assim, ter essa experiência de cantar as músicas que o Vitor compôs, a melodia de voz que o Arthur cantou, porque são pessoas diferentes e eu acho que ter tido essa experiência agregou, pra minha experiência como vocalista, acho que deu uma ampliada na cabeça, assim, de possibilidades melódicas que dá pra cantar em cima.
legal isso aí, experiência, né? mais ferramenta pra caixinha, né? com certeza e quando a gente fala, tipo, de fã a recepção foi show também? porque às vezes rola esse lance do puta, saiu o meu queridinho o vocalista era meu queridinho e ele saiu e agora tá entrando um que eu não conheço como é que você percebe a recepção do show que você...
já fez com o Bullet aí? É, isso é normal, né? E eu acho que não tem problema, assim, a pessoa se identificar mais com outro vocalista. Tem pessoas que inevitavelmente elas vão preferir ou o Arthur, ou vão preferir o Victor, mas eu me senti muito bem acolhido, assim, pelos fãs do Bullet. Acho que a galera...
tem dado um feedback muito mais positivo do que negativo, na maior parte. E algo que é interessante também, você falou, é que nos shows que a gente fez, cantando as músicas antigas, todas as fases da banda, eu percebi que o Bullet tem públicos distintos no mesmo rolê. Então, a gente cantava música antiga, mais hardcore, mais da época do Vitor, e eu via uma galera cantando.
E aí quando eu vi as músicas mais recentes ali do álbum BLLT com o Arthur, eu vi outra galera cantando. Então a nossa missão com esse disco também é estar sendo juntar essa galera. E a gente acredita que dá, apesar de serem fases diferentes, a gente acredita que dá pra unificar e a gente já fez as experimentações nos dois singles.
O último single, que é o Ponto de Vista, ele tem uma pegada high-de-pod, mas ele tem toda essa parte moderna também dos últimos álbuns. Tem os VS, que a gente chama, os sintetizadores, rolando ali de cama. E nesse disco a gente está tentando criar essa solução, de juntar as diferentes fases do bullet, uma nova fase, que é algo também que não vai ser só...
a repetição do passado, né? Vai ser o DNA do passado ali com a linguagem nova também, com o meu DNA, com o DNA do Henrique, também nós dois entramos e trouxemos mais uma linguagem pra banda, né? Mas a gente tenta tomar esse cuidado de também não ficar algo totalmente distinto daquilo que já existiu, porque, pô, a banda tem uma base de fãs ali, que gosta, e o Bullet, que vem muito dos caras, né? Do Rafa, do Dan e do Fê.
O DNA dele está presente em todos os álbuns, por mais que são fases diferentes, existe um DNA ali. E no Collide você não tem mais, não tem essa mesma...
Talvez a preocupação, porque o Colidio está no processo de construir o público dele. Sim. É, não tem nem um pouco essa preocupação, né? É outro rolê, assim. Eu acho que a gente, com o Colidio, a gente nem sabe quem que é o público do Colidio, em potencial. Claro que tem muita gente que vem por causa de...
por gostar do meu trabalho, do Charlin, do Cris Compense, mas é outra proposta, né? Totalmente outra proposta. E eu acho que vai pegar uma galera que é que nem você falou, uma galera que não tá tão rotulada ali, tão inserida num nicho específico, porque realmente é um som mais experimental, mais aberto, que a gente tá explorando mais outras sonoridades, tá tão fechado ali, não é hardcore, não é metalcore, é até difícil de definir o que é.
eu fiquei curioso, eu gosto dessas coisas assim, sabe a ideia do tentar algo novo porque assim acaba que dentro de uma banda tentar algo novo às vezes é um negócio meio limitado porque tem todo esse lance de outras pessoas outras influências
a linha que a banda segue e tal, né? E aí, tipo, de repente no Poli, como ele tá no começo, é meio que o momento que você consegue tentar algo novo de verdade, né? Aqui a gente pode experimentar. Sim, você tem total liberdade, né? Você não tem ninguém pra frustrar porque você não construiu nada antes daquilo que a gente já tá fazendo, né? Nesse sentido, tem uma liberdade. É legal, é legal porque te dá uma liberdade criativa muito grande.
E aí deixa eu te falar, falando um pouco de Lucas agora, aí como compositor também, né? Cara, eu percebia no Pense um lance bem mais filosófico mesmo, na ideia de existência, na ideia, né? Questionar pensamentos e tal, né? E o que eu percebo no Collide?
no Bandit ainda não tem uma amostra significativa, mas no Collide me pareceu mais visceral no sentido de ser uma coisa sobre questionamentos do Lucas. E assim, o do Pence me parece até que, tipo, você consegue engavetar ele na ideia de questionamentos filosóficos universais. Principalmente o...
realidade, vida e fé, você consegue botar ele numa caixinha de tipo, isso aqui é questionamento filosófico de todo mundo que parou pra pensar na vida, na existência.
E o que eu percebo no colégio é que tem mais questionamentos tipo assim, de você com a tua vida, com a tua realidade, assim, né? A partir daí, saiu o primeiro CD do... Que eram as músicas mais antigas que você falou, já tinha escrito e tal, né? A partir daí, você tem uma noção mais ou menos de o que que tá batendo mais no sentido de escrever as letras, se você volta pra um rolê desse de...
filosofar a existência mesmo? Ou, tipo, isso aqui é uma experiência que eu tô pensando nela e tal, e isso aqui que tá batendo pra mim, não? É que eu acho que depende muito da fase da vida, né, que a gente tá. Eu acho que muitas das letras do Collide, eu gosto muito das letras do Collide, mas elas, se você comparar, se você for analisar, tem muita letra que ela é mais... ela é mais pesada emocionalmente, porque teve letras ali que eu escrevi que eu não tava muito bem.
Então, pô, teve a pandemia, aconteceu um monte de coisa. Então tem umas letras que elas trazem um pouco mais esse lado de angústia, assim, meu. Que talvez no Realidade de Vídeo de Fé tem um pouco disso também, mas é que nem você falou, é mais uma...
um disco existencialista ali, né, o grande quem sou, né, o que tá acontecendo, que são questões filosóficas que sempre existiram. Um Collide eu acho que tem um pouquinho disso, mas eu acho que tem esse lado emocional mais carregado. Eu, felizmente, agora eu tô numa fase muito boa, assim, que eu tô me sentindo muito bem, e eu acho que isso...
inevitavelmente vai refletir nas letras também. A questão da filosofia vai continuar existindo porque é algo muito que eu carrego desde muito novo, essas ideias de questionamento, tem até uma letra do bullet.
tô tentando lembrar a parte específica, mas ela é exatamente falando sobre isso, assim, sobre eu não conseguir, mesmo estando bem, mesmo estando numa fase boa, eu não conseguir não ficar pensando no porquê que a gente existe porquê que eu existo, qual foi o sentido da vida mano
É uma pergunta que fica me perseguindo, saca? E por mais que eu tente me distrair, ela vem atrás de mim. Então tem uma letra que ela fala muito sobre isso. O refrão dela é exatamente isso. Eu quero ficar de boa ou não. Ela fala assim, às vezes eu só queria me distrair dessas viagens sem ter que ficar pensando tanto no que está dentro de mim ou no que está fora de mim. Ela fala sobre isso. Mas eu acho que é isso. Reflete o momento de...
vida, né? Então, se você tá num momento ali mais denso emocionalmente, você escreve coisas mais de angústia. Se você tá mais de boa, você vai escrever coisas mais leves, mas o fundo ali desse questionamento sempre tá presente. Eu acho que essa pergunta você falou que ela te persegue, mas eu acho que assim, pra qualquer pessoa que tenta entender a vida, o significado de você...
tá aqui nesse momento em específico, né, na história e tal, eu acho que não tem como se livrar. Todo mundo vai ter essa pergunta, tipo, atrás de você o tempo todo. A resposta que mais me agrada, mas aí talvez ela pode ser muito aberta pra outras pessoas, tem muito a ver com aquilo que eu falei um pouquinho que eu tenho.
um pouquinho atrás aí, que foi esse lance de construir o meu sentido, eu mesmo, tá ligado? De, tipo assim, tentar demonstrar o máximo de quem eu sou, construindo sentido nesse processo, tá ligado? Mostrando aqui. E aí entra o rolê relacional, né, que é, tipo, se relacionar nesse tempo que você tem de vida, né, de amizade, de amores e tudo mais e tal. Mas...
É a resposta que mais me agrada, tá ligado? A que faz eu esfriar um pouco a cabeça nesse sentido de, meu, por que eu tô aqui, tá ligado? E eu imagino que é uma coisa que te move também, né? Porque se é você que vai construir o sentido, então isso te dá uma voz ativa também, né? Então o sentido vai ser esse, até não ser mais e virar outra coisa. É, total.
acaba sendo um, assim, tem dois jeitos de olhar pra isso, né? Ou te dá ânimo pra você arregaçar a manga e ir pra cima, ou você, tipo, tá lascado, mano, depende de mim, ferrou, tá ligado? É que às vezes é mais fácil você já receber ele pronto, né? É, entendeu? Bom, o sentido é esse aqui, ó, pum, toma. Desse jeito.
Mano, é um padrão aqui no quem você pensa que é. A pergunta final é a mais filosófica e a gente meio que falou um pouco assim no comecinho que é a pergunta que dá nome pro podcast. Eu quero saber quem o Lucas pensa que ele é. Nossa, difícil essa, hein? Essa é. Igual eu te falei, eu ainda não sei. Essa pergunta fica martelando até hoje. Eu acho que eu vou na linha daquilo que você falou, que eu acho que é...
Aquilo que você está é aquilo que você é, né? Você tá assim, então... Sim. Você tá fazendo isso, é isso. Tanto é que é a coisa mais normal, né? Quando, sei lá, você vê, tipo, um jornalista, ele tá na rua, ah, quem é você? Ah, eu sou fulano de tal, sou padeiro, eu sou motorista. A pessoa, ela normalmente, ela fala aquilo que ela faz. Porque meio que é isso, né? O que a gente faz é o que acaba definindo a gente.
É, faz sentido. Mas não é exatamente o que é, porque também isso não é a sua profissão, né? Só isso, né?
Eu acho que isso acaba sendo uma resposta muito liberal, muito capitalista até. Eu sou o que eu faço, só. E o que está por trás disso? E o ser humano que faz isso, quem que ele é? Pois é. Então, é total. Mas assim, eu não sei, mano. A minha resposta para você é, eu não sei e no dia que eu descobrir eu te conto.
Pode crer. Eu vou falar pra você que eu tava gravando um episódio aqui sobre anime, velho. Sobre desenho japonês. Que eu peguei uma psicóloga aqui pra falar sobre os desenhos japonês que tinham...
matemática psicológica, né? E ela me deu essa resposta que eu falei, cara, essa aqui ficou bateu na cabeça e ficou ali, que é tipo cara, eu tô em desenvolvimento o tempo todo, é isso eu estou, né? Eu não posso dizer que eu sou porque amanhã talvez eu não seja mais, né? Eu achei maravilhoso bicho, maravilhoso, pra mim é uma resposta que responde bem, tá ligado? Porque acaba sendo isso a nossa experiência, né?
Exato. Mas, ô, mano, curti demais, velho, essa conversa. Eu já vou deixar um convite pra gente voltar, porque já tem um tempo já, né? Voltar também a trocar ideia de novo, tá ligado? Assim que...
futuramente, assim que possível, né? E deixar um espaço pra você falar aí, você falou que tá soltando o som, falar onde o pessoal encontra aí as suas redes e tal, pra gente finalizar. Boa, quem quiser me seguir, eu normalmente atualizo meus trabalhos no meu Instagram mesmo, então é lucas__m__guerra, lá eu sempre tô postando do...
As coisas do Bullet, do Collide, produções que eu faço. E tem também as redes das bandas, né? Então, BulletBand, só jogar no Instagram, no YouTube. É também as plataformas que a gente mais usa, o Instagram e o YouTube. E o Collide também. Collide com D mudo, né? C-O-L-I-D. Pode crer. E esse lance de produzir, você tá fazendo só pra tua banda? Ou você vai começar a abrir pra...
produzir geral também de novo. Não, não, eu produzo geral. O que eu mais faço, na verdade, é mixagem e masterização. É o trabalho que eu mais tenho feito, pegar e fazer. Mais rola também produção, gravação. Tenho feito pra várias bandas, de todos os estilos. Então, quem tiver banda também, tiver interesse, me dá um salve no Instagram que a gente conversa e combina. É isso, pessoal. Assim, eu...
Espero que vocês tenham gostado do mesmo tanto que eu gostei dessa conversa, que acho que o Lucas gostou também. Por hoje é isso. Um abraço. Tchau, Zulu. Valeu, satisfação, Ricardo. Obrigadão pelo papo. Que da hora.