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#PodOlhar 101: Jéssica Riva diz que não tem vergonha do pai e explica decisão de entrar na política

07 de maio de 20261h13min
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Ela cresceu em uma das famílias mais influentes da política mato-grossense, construiu um negócio no mercado de alta gastronomia e agora decidiu entrar oficialmente na disputa eleitoral.No PodOlhar, a empresária e pré-candidata a deputada estadual Jéssica Riva fala sobre a relação com o pai, o ex-deputado José Riva, relembra o período das prisões e da delação, comenta os ataques sofridos pela família e afirma: “não tenho vergonha do meu pai”.Jéssica também detalha a criação da Suis Marie Cuisine, os desafios do empreendedorismo em Mato Grosso, o novo projeto Looft Club, a influência da deputada Janaina Riva em sua trajetória e explica por que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.#PodOlhar #JessicaRiva #JoseRiva #JanainaRiva #MDB #PoliticaMT #AssembleiaLegislativa #MatoGrosso #Cuiaba #OlharDireto #Podcast #Entrevista #AltaGastronomia #Empreendedorismo #Politica

Assuntos6
  • Entrada na política e trajetória familiarInfluência da família Riva na política · Pré-candidatura a deputada estadual · Relação com o pai, José Riva · Influência da irmã, Janaina Riva · Superação de traumas e estigma familiar
  • Empreendedorismo em alta gastronomiaCriação da Suis Marie Cuisine · Desafios do empreendedorismo feminino · Qualidade e excelência no serviço · Preconceito com profissionais locais · Memória afetiva em pratos
  • Participação política das mulheresNecessidade de mais mulheres na política · Combate à vulnerabilidade e feminicídio · Qualificação profissional remunerada para mulheres · Empoderamento feminino e empreendedorismo · Desafios da mulher na política
  • Projeto Loft ClubConceito de espaço de relacionamento e negócios · Exclusividade e interação entre empresários · Contraste com o mundo digital e exposição · Valorização de artistas e obras locais
  • Visão sobre polarização políticaCrítica à divisão ideológica extrema · Apoio a Flávio Bolsonaro como pré-candidato · Necessidade de união e foco nas necessidades do povo
  • Infância e padrões familiaresCrescimento em família influente e simples · Equilíbrio entre privilégio e realidade · Influência da mãe na formação de caráter · Lições de humildade e serviço
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Oiê, pode olhar. Eu sou Ayrton Marques e estou de volta para mais um episódio do videocast de entrevistas do Olhar Direto. E hoje, o nosso papo reto e direto é com a empresária Jéssica Riva.

Filha de uma das famílias mais conhecidas da política de Mato Grosso, Jéssica construiu um caminho próprio no setor empresarial, apostando em um mercado exigente, competitivo e ainda pouco explorado, o da alta gastronomia e das experiências exclusivas.

À frente da Suimari, ela consolidou uma marca voltada ao padrão elevado, que vai além da comida e aposta na construção de experiências. Agora, amplia essa atuação com o Loft Club, uma proposta que mistura curadoria, presença e exclusividade em um formato pouco convencional.

Em meio a esse movimento no empreendedorismo, Jéssica também começa a se colocar no cenário político como pré-candidata à deputada estadual. E para este episódio eu conto com a ajuda mais uma vez do meu amigo Rafael Machado, que escreve para o caderno de política do AD. Rafa, seja muito bem-vindo. Obrigado por ter aceitado mais este convite. Olá, Ayrton. Muito obrigado pelo convite. Vamos para mais um bate-papo.

Exato. Jéssica, seja bem-vinda. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite, falar sobre essa sua experiência como empresária, empresária de sucesso, né? E agora também começando esse novo caminho aí na política. Muito obrigado e seja bem-vinda.

Obrigada, eu agradeço vocês pelo convite. É o Matheus também, um grande amigo nosso. E eu fico honrada, gente, olhar todo esse... Eu ouvi todo esse portfólio, digamos assim, meu. Um resuminho da trajetória.

E me enche de alegria porque às vezes a gente não se enxerga dessa forma, sabia? Quando a gente começou o Sui Marie, eu não tinha a intenção de criar um lugar para alta gastronomia. E nem o Loft Club foi a intenção de criar um lugar exclusivo. A gente queria trazer aquele lugar para relacionamentos. E na alta gastronomia, falando do buffet Sui Marie, a gente queria trazer boas experiências. Experiências de qualidade.

Então, eu sempre gostei de comer bem. A minha mãe é uma cozinheira de mão cheia e aprendi a cozinhar com ela. E comecei sem intenção de começar, tá? A pedido de familiares, de amigos. E quando veio, ah, agora eu virei um buffet.

a gente não vê todo esse glamour, sabe? Porque não é bem assim nos bastidores. É trabalho, já teve evento que a gente ficou aí 24 horas sem dormir para fazer um casamento. Na verdade, sim, 24 horas ininterrupta sem dormir. Mas entre cochinas durante a semana. Se for falar durante a semana, sete dias aí sem dormir, na expectativa dos eventos, preparando e trabalhando.

Mas me enche de alegria ver esse reconhecimento hoje. Não é fácil empreender. Não é fácil ser uma mulher e trabalhar com a mão de obra. Porque eu sou empreendedora, eu sou empresária. Mas eu sou mão de obra, eu sou cozinheira também. E no evento eu falo que eu não sou nem cozinheira. Eu sou tudo. Eu estou conversando com você, eu estou recolhendo o copo aqui da mesa. Eu estou fazendo tudo que tem. Repou ali o bife. Exatamente.

Porque a qualidade do evento se resume num serviço que é muito mais amplo do que a própria cozinha. Então a gente faz assessoria. Não de forma que eu venda isso. Mas a gente acaba fazendo.

É um serviço completo e que não tem como não se meter, digamos assim, ou se interferir, se misturar com todo esse processo. Sim, é o que eu gosto de fazer também. É bom. Antes da gente continuar a nossa conversa, só um recado para quem está nos assistindo é que, além do YouTube, este episódio, nossa conversa, também está na íntegra e em formato de áudio nas principais plataformas de podcast. É só pesquisar, pode olhar, ou então estude ou ade no Spotify, no Deezer e no Apple Podcast.

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Jéssica, a gente até já começou a falar um pouco sobre a criação da Suí Marista, aconteceu lá em 2018, quando se oficializou justamente, quando se formalizou a criação dessa empresa. Mas como que foi todo esse processo e como que você se viu também empreendendo nesse setor? Você vem de uma família de políticos, mas que também tem um pezinho ali na administração, em empresas, né?

Mas creio que não era nessa área da gastronomia, principalmente da alta gastronomia. Como foi esse processo? Foi muito natural. Eu comecei a fazer para familiares, para fazer para amigos, a pedido deles. E, como eu falei, eu não tinha a expectativa de criar isso. Quando eu pensei em nome, eu falei, ah, eu não quero colocar meu nome. Eu sou muito católica e eu quis fazer uma homenagem à Nossa Senhora. Então, Sui Marie significa Sou Siga Maria.

que eu achei que era suave, achei que era elegante e foi isso. Quando a gente fala de alta gastronomia, a gente não está falando, eu gosto de explicar isso quando eu falo sobre o buffet, porque a gente não está falando necessariamente de foie gras, de caviar, de ingredientes mais onerosos. A gente está falando de uma comida com qualidade excelente.

De excelência, a gente está falando. O serviço com excelência. Então, quando eu brinquei aqui de recolher, disso, daquilo, é porque a gente quer fornecer o melhor para o cliente. E eu já tinha isso nos bastidores, na expectativa até da própria cliente. Eu era cliente. Então, eu sentia falta disso. Naquela época, não era tão comum, como é hoje os personagens-chefes, que eles fazem esse trabalho mais exclusivo, mais direcionado. Naquela época, tinha acho que dois em Mato Grosso.

E eles faziam outro tipo de serviço, eles não faziam o que eu queria me propor a fazer. É claro que a gente tem profissionais excelentes, mas a gente fala, olha, eu quero fazer uma fecheada, eu já sei qual personal chefe eu vou chamar, apesar de que o Silmarie também faz, e modéstia à parte é muito boa. Eu quero fazer uma feijoada, naquela época era conhecido assim, cada um tinha uma identidade. Cada um tinha um níngeo.

Exatamente, e daí eu quis fazer algo diferente Que era uma gastronomia sofisticada Até comecei a mostrar depois Para as pessoas que eu fazia, eu faço muito feijoada Eu faço muito peixada, comida coiabana Comida árabe, meu marido é árabe É uma das gastronomias que eu mais Aprecio e gosto de fazer também Muito conhecida no buffet, toda semana a gente tem O kit árabe, já vou vender meu pão aqui Tá certo, é o momento É um kit Que vem um pouquinho de cada amostra Da gastronomia árabe que a gente gosta de fazer E aí

E eu precisei trazer isso para as pessoas, entender que não era o que era caro. Porque o que é caro hoje? O cliente acha caro para pagar, mas assim, uma pessoa acordar 5 da manhã e voltar para dormir em casa 1, 2, 3, 4, 5 da manhã, como eu já falei para vocês, tem dia que a gente faz 24 horas. É caro você pagar 250 reais para essa mão de obra? Eu acho muito barato.

Porque a gente sabe da dificuldade que é para a pessoa sair de casa, para a pessoa trabalhar. Então, assim, a gente quer fornecer essa excelência, a gente quer trazer tudo isso para o nosso cliente, mas ao mesmo tempo a gente tem aí, eu sofro os gargalos dos empresários, dos micro empresários também, porque hoje tem 20 pessoas empregadas no Bife.

E não é fácil, mas a gente faz tudo o que a gente faz com muita qualidade, com muito amor. Por quê? Parafraseando o Júlio Valmórbida, que era dona da Flor Negra, meu tio querido, que a gente conviveu por tantos anos, ensinou muita coisa da gastronomia para minha mãe e, consequentemente, para a gente também.

É ingrediente, ingrediente, ingrediente. Então a gente precisa ter algo de extrema qualidade. Daí eu falo da alta gastronomia, para mim é isso. Roberta Saldibra colocou o quiabo em pé para a rainha Elizabeth. Então assim, quando a gente fala, a gente não está falando do custo. Mas o que é bom custa.

Então, uma coisa acaba... Não tem para onde fugir disso. Exatamente, não tem para onde fugir. Mas não é que era a intenção, não é que eu quis fazer algo, né? Enfim, é porque uma coisa está relacionada à outra. Então, por exemplo, quando a gente fala sobre mão de obra, para a gente ter um serviço de qualidade, eu tenho uma mão de obra que às vezes eu falo, meu Deus, esse pessoal faz evento aí com dois, três funcionários. E dá para fazer. Mas eu quero... Dá para fazer? Não, eu quero fazer maravilhosa.

bem, eu quero que todo mundo seja bem servido. Eu fiz um casamento aqui. Sem explorar nenhum profissional também. Não, eu quero ser honesta com o meu colaborador, eu quero que sejam honestas comigo, porque eu também sou uma colaboradora. Então, ano passado, eu falo, zerei a vida, porque eu recebi elogios que as pessoas falavam nossa, parecia que eu estava em São Paulo com o atendimento que eu recebi aqui. Isso pra gente em Mato Grosso, é uma coisa assim...

É o que a gente busca, a nossa referência é São Paulo. E os bufês que eu admiro, normalmente me inspiro, também são de lá. Só que o que eu falo, em defesa de todos os colaboradores aqui, em defesa de todas as empresas aqui, as pessoas vêm com a foto de São Paulo com o orçamento do interior, sabe? Então a gente precisa valorizar o que é daqui do Estado. Eu falo que muitas vezes as pessoas têm um serviço de excelência aqui e buscam fora.

Você acha que tem um preconceito também com profissionais e empresas daqui de Cuiabá, entre os próprios clientes mesmo, às vezes vai pensar num jantar para um casamento, para um noivado, para uma festa, e aí às vezes eles têm um preconceito de contratar empresas e profissionais daqui de Cuiabá, acho que tem que vir de São Paulo ou do Rio.

São duas vertentes. Eu acho que existe um preconceito, mas eu também acho que existe a realidade, que muitas vezes a gente não entregou, sabe? A gente, para sobreviver, aí eu faço meia culpa, para sobreviver às vezes a gente diminui e daí é o que a gente consegue entregar, sabe? Para sobreviver, para conseguir vender, para estar no mercado, não é fácil.

Para sobreviver e ter o seu lucro ali também. Exatamente, conseguir girar. Não é nem lucro às vezes, sabia? Só se manter. Às vezes a gente faz um trabalho para se manter. Para pagar a diária do colaborador, para o colaborador estar ganhando também, não é fácil. E essa questão de investir também na gastronomia, de cozinhar, de gostar de fazer isso, né? Vem da sua mãe, vem muito da questão da família também? Ou você era uma coisa pessoal e que você decidiu também se profissionalizar?

Não, é completamente da família. É da família da minha mãe e da família do meu pai também. Lá eu falo, você olha pros bracinhos, né? Todas por lá inteiras. Todas com bracinho gordinho. Todo mundo gosta de cozinhar, todo mundo gosta de comer. Meu marido cozinha, marido de Jonaína cozinha, meu irmão cozinha. Só minha cunhada, Loura, desculpa. Tem que ter uma exceção. É, não.

Ela tá na família certa, então. Tá, se deu bem no casamento. A minha mãe cozinha muito bem. Muito bem. Melhor do que assim, ah, é porque é comida de mãe. Não, não é porque é comida de mãe. Minha mãe faz uma comida sofisticada também, porque a comida que a gente gosta normalmente no nosso dia a dia é a comida caipira, né? Italo caipira. Mas a minha mãe faz uma comida sofisticada também muito bem. Eu adoro a história que minha mãe se casou.

Aí meu pai chegou em casa, foi jantar e ele falou assim, isso aqui tá muito ruim, não tem um pedaço de ervilha. Aí ela falou, que bom, porque é um creme. Tipo, minha mãe enjoara sem isso. Não é pra ter mesmo. Não é pra ter, que bom, acertei. É que assim, hoje é muito fácil qualquer um aprender a cozinhar e ter acesso aos ingredientes da comida, da gastronomia.

da alta gastronomia, da gastronomia sofisticada. Mas naquela época não era. Então eu falo que isso é muito dela, da essência dela, porque a minha avó, tanto materna quanto paterna, elas fazem essa comida Italo-Caipira, as duas. Muito gostosa, mas realmente rústica. Aí minha mãe sofisticou a comida dela, só que ela brinca. Não me peça para servir uma bandeja que decorada, porque eu não sei. E ela não sabe mesmo, ela serve na panela.

Na casa dela é assim. E não muda em nada o sabor e a qualidade da comida. Mas quando a gente vai entregar para um cliente, o cliente quer comer com os olhos. Então, aí que eu entrei. Porque eu ia lá e ajudava ela a finalizar. E eu comecei a ficar curiosa para aprender a fazer, porque eu comecei só a ajudar a finalizar. A servir, a empratar, a colocar o raminho de um manjericão do lado. E também sigo muita gente, viajo. E daí comecei a trazer essa referência para cá, esse olhar.

E depois veio a curiosidade de não aprender a fazer. Aí a mesma sistemática que eu tenho para decorar é para fazer. Inclusive, eu acho que eu faço muito melhor do que eu decoro. Hoje eu tenho chefes que trabalham comigo, graças a Deus. A gente tem quatro chefes de cozinha, fora eu. Que eles, assim, eu brinco que o Cláudio é um artista. O Cláudio é o chefe que trabalha comigo. Ele é o nosso...

Menino de Ouro lá pra decorar. Às vezes eu até tenho que falar, menos, Cláudio, tô parecendo um jardim isso aqui, uma floresta. Porque eu gosto muito de apresentar algo bonito, mas que você olha e você ainda tem a referência de que comida é. Não gosto de inventar muita coisa, né? Não gosto de coisas mirabolantes na gastronomia, na cozinha. Feijoada desconstruída. Não, feijoada, feijoada. Eu não gosto nem de servir separado, mas quando o evento é o dia todo, eu sirvo separado pra não ficar mexendo, não despedaçar os pertences, né?

Mas aí eu vim com a curiosidade de aprender a cozinhar mesmo, a pôr a mão na massa. E daí eu trouxe essa excelência, esse olhar que eu tenho para finalizar, esse olhar que eu tenho para tudo na minha vida, eu sou muito crítica.

E daí eu trouxe para a gastronomia, o que foi muito bom, porque eu não entrego nada mais ou menos. Se eu provo, está mais ou menos. Esse cliente exige também essa excelência, né? E é isso que também pode se diferenciar de todos os outros. Eu acho que é exatamente isso.

Quase 10 anos depois da criação da Sui Marie, Jéssica, qual é a principal dificuldade hoje? Eu creio que no início talvez fosse entender esse mercado também, o início de todo empreendimento, criar também esse mercado consumidor aqui, conseguir os seus clientes. Hoje, quase 10 anos depois, qual é a principal dificuldade que você enfrenta na Sui Marie?

É muito engraçado relacionar a 10 anos atrás, porque a gente normalmente não para para fazer essa analogia. E há 10 anos atrás as pessoas tinham dúvida se eu ia conseguir trazer isso. Eu tinha amigos que falavam para mim, coiabá não serve para alta gastronomia, você não vai conseguir vender, você vai fechar. Amigos que gostam de mim, falavam para o meu bem.

E eu falei um dia para um amigo meu, eu brinco, tudo bem, eu não tenho preguiça. Se não comprarem o filé, se não comprarem o bacalhau, se não comprarem o camarão, eu frito pastel. Não tenho preguiça e vou fazer algo de qualidade. Esse é o melhor pastel. E eu faço pastel no buffet. Só que na época eu quis fazer exatamente o extremo oposto, para ele entender que eu estava disposta a realmente trabalhar.

A dificuldade continua exatamente a mesma. A gente não tem incentivo. O microempreendedor, ele não tem, eu falo o seguinte, a gente ganha hoje em dia uma empresa como a minha, é incentivo ou do Estado ou bancário e a gente não tem nenhum. Então é um gargalo que não é fácil, principalmente quando a gente fala de um custo-benefício elevado, que é realmente...

Eu brinco, você vai hoje no mercado, uma sacolinha 300 reais, então está tudo muito caro. Você imagina eu fazer isso especificamente para cada pessoa, com o gosto daquela pessoa, serviço em travessas de prata, que é como eu faço, com o serviço de excelência, realmente não é barato. Então hoje esse é o nosso maior gargalo, a gente ter a rotatividade, porque as pessoas às vezes têm a imagem que o meu buffet vai ser um buffet que não faz um buffet por menos de mil reais, por pessoa às vezes não faz nenhum orçamento.

E claro, eu já fiz orçamentos de mil reais por pessoa, já fiz de 500, já fiz de 300, já fiz de 200 e já fiz de 100. Então existe hoje esse nicho de possibilidades dentro do buffet. Claro que tudo isso depende do número de pessoas, tudo isso depende de cardápio, tudo isso depende de horas de evento.

Mas, normalmente, a pessoa chega com um orçamento muito reduzido. Olha, esse é o orçamento que eu tenho. Aí, um evento pequeno, por exemplo, é mais difícil da gente mexer no valor. Eu preciso da rotatividade durante a semana para eu sustentar essa empresa, que não é grande, como eu falei aqui, mas que exige um nível de qualidade, um nível de material, de insumos muito elevados.

Jéssica, a gente viu, acompanhou no Instagram, e você até falou da questão da montagem ali do prato, e a gente vê, tem uma preocupação forte com a estética desses pratos e como que eles são apresentados, né? Hoje, na sua avaliação, o visual vende mais do que o sabor?

Eu acho que ele vende mais do que o sabor, mas é uma venda. É só uma venda. Você não consegue continuar se você só tiver visual. Já vieram para cá profissionais que entregaram uma estética excelente e que não conseguiram continuar trabalhando, porque não entrega. O serviço não entrega o sabor. Então, o que eu brinco do Silmarique, o diferencial é o lindo...

gostoso. Porque não adianta ser lindo e não ser gostoso. E não adianta também ser gostoso e não ser lindo, porque a pessoa não vai querer pôr no casamento dela. Pra ela comer, maravilhoso. Vão elogiar, vão... Igual a gente vai aqui em vários lugares que a gente sabe que é gostoso, mas pé no chão, uma delícia. Mas aí, você vai levar pro seu aniversário, pro seu casamento, pra batizada do filho?

Não vai. Então uma coisa tem que estar extremamente alinhada à outra. Pelo contrário, eu penso que é melhor nem ser bonito se não for gostoso. Porque daí a pessoa já sabe onde que ela tá indo, sabe? E não tem enganação, né? Então a gente só entrega aquilo que é...

bonito, que é gostoso e que é honesto. Honesto que eu falo para vocês em termos de serviço. A pessoa sabe o que ela está contratando, o que ela está recebendo. Muitas vezes você enfeita muito, tanto que eu tenho dificuldade nas palavras. Eu tenho um textinho desse tamanho que resume o meu cardápio antes de chegar nele. Nem da minha formação eu falo. Às vezes até reclamo, nossa, você tem que falar, você estudou fora, isso é um orgulho.

Mato Grosso, eu acho que deve ter o quê? Três ou quatro pessoas aqui em Mato Grosso que têm a mesma formação que eu.

Não é muito, né? É um privilégio muito grande. Mas eu não gosto de ficar prometendo porque eu quero que a pessoa receba entrega, sabe? Fique satisfeita com aquilo que ela recebeu. E às vezes a pessoa gera uma expectativa que não corresponde àquilo que ela recebe. Graças a Deus, ao longo desses anos, a gente não tem esse tipo de reclamação.

Eu até brinco. Já chegou de falar mal passado, já chegou de falar crocante quando não queria... Enfim, reclamações e problemas a gente sempre vai ter. É mão de obra, somos seres humanos. Mas nunca, nunca me orgulho muito disso. Alguém me ligou e falou que estava ruim. Nunca.

Mas já teve algum enviável que algum cliente pediu? Você falou assim, meu Deus, que desafiador entregar isso aqui, de corresponder a essa expectativa, por exemplo, de algo assim, um prato, ou uma organização completamente diferente daquilo que você se propunha a fazer? Sempre. Sempre, né?

Mas eu brinco que os desafios para mim, normalmente, eles não são a alta gastronomia, não é algo excêntrico, não é algo diferente. O desafio para mim foi quando um cliente, até queria lembrar o nome dele agora para falar, porque esse meu pavê ficou muito famoso.

Esse meu cliente me pediu um pavê, a esposa, na verdade, me pediu um pavê, porque ela disse que o marido dela tinha uma memória afetiva muito grande de um pavê que a tia fazia. Eu falei, tá, como era esse pavê? Jéssica, eu não sei dizer nada de amendoim. Pavê de amendoim. Não sabia dizer nada. Só isso. Só sabia dizer um ingrediente.

E a gente fez o pavê e ele falou, olha, exatamente igual da minha tia. A Patrícia Gondim, por exemplo, uma vez ela falou pra mim, olha, eu sou de Goiânia, eu amo mineirinho. Que é um pãozinho, tipo, um enroladinho de salsicha, mas dentro vem um queijo e vem doce de leite e coco.

E eu fico muito... Bem diferente. Eu fico muito receosa quando a pessoa tem uma memória afetiva, tem uma expectativa afetiva com o prato. Porque é a mesma coisa de eu chegar num lugar e falar olha, me surpreenda, eu quero comer um risoto de pancheta da Janete. Ninguém vai saber fazer, a receita é dela. Mas todas as vezes que foram solicitadas também foram correspondidas, graças a Deus. Essa questão de memória afetiva é igual quando a gente tem um desenho que a gente amava muito quando é criança, algum filme, alguma coisa, a gente vai reassistir de adulto.

A gente super decepciona, na maioria das vezes. Mas dentro desse... Dentro da gastronomia, o que é mais difícil? Por exemplo, é a mão de obra? É a questão de achar certos produtos? Por exemplo, aqui em Mato Grosso tem, por exemplo, frutos do mar. Olha, eu vou elogiar Mato Grosso. Como que dá esse mercado, essa questão de dificuldade dentro do setor da gastronomia mesmo? Zero. Em termos de insumos, tudo que eu quero, eu compro aqui.

Ah, eu preciso da flor tal. Eu peço com antecedência e vem pra cá. Quando não tem tempo, ah, eu preciso pra... Depois de amanhã alguma coisa, a gente traz. Mas, assim, normalmente os nossos fornecedores são maravilhosos. Frutos do mar, muitas vezes a gente tem frutos do mar melhor do que no Rio de Janeiro. Eu falo porque meu irmão morou uma temporada lá, às vezes eu ia comer pra camarão desse tamanho. E aqui, na Delícias do Mar, no Wagner também, que é nosso fornecedor, a gente tem camarão desse tamanho. Grandes, graúdos.

a gente tem muito essa percepção, você já falou, do que é bom estar em São Paulo, estar no Rio. Como que está a imagem de Mato Grosso na alta gastronomia, fora também do Estado? Como que, quando você chega em algum evento em São Paulo, na região sudeste ali, que todo mundo olha, o que eles falam de Mato Grosso e como que o Estado tem sido reconhecido durante esses últimos anos?

Olha, a gente fala de gastronomia em Mato Grosso, seria muito injusto eu não falar de Dona Leila Maluf e Ariane Maluf. Elas são mulheres com as quais eu me inspiro muito, e não é na gastronomia, que é também excelente, mas não é na gastronomia. Nas mulheres que elas são, sabe? No trabalho que elas têm, que é árduo. Você vai num buffet hoje, meia-noite, uma da manhã, duas da manhã, Dona Leila tá lá servindo. Você vê que aquela mulher ama o que ela faz.

E elas projetaram o nosso nome a nível nacional e internacional. Então, a gente tem que ser muito grato, sabe, e ter muito orgulho do que a gente tem aqui em Mato Grosso. Eu acho que falta. Claro, Mato Grosso tem o Marcelo Cotrim, tem outras pessoas que já se projetaram também a nível nacional, mas acho que falta. Pela qualidade de mão de obra que a gente tem, falta essa projeção. Mas muitas vezes é culpa nossa, porque a gente se ocupa tanto do ofício, eu falo, até me coloco aí nessa culpa. Falta tempo talvez para ir.

falta, porque a gente voltando aí aos gargalos, a gente tem sim uma dificuldade de mão de obra? tem, mas não de ter a mão de obra, a gente tem dificuldade em qualificar essa mão de obra sabe, porque a gente precisa trabalhar e qualificar tudo ao mesmo tempo, o tempo não para, a gente não consegue parar uma pessoa e deixar essa pessoa desassistida por aí um ano, dois anos, três anos estudando, que é o que a gente precisaria pra ter um nível que tem âmbito nacional, mas a gente tem profissionais excelentes aqui, quando a gente se dedica né

para ensinar, que é o que aconteceu no buffet. Hoje, todos os chefes que estão lá no buffet, eles são chefes excelentes. Mas o que qualificou eles? Até tem formação, tem estudo, tem pessoas formadas lá. Na verdade, acho que os quatro são formados. Os quatro são formados. Só minha mãe, que não é chefe formada de cozinha, mas ela gosta do título cozinheira, que ela fala que é a pessoa mais gostosa.

Mas o ofício deles, a faculdade deles realmente foi o Simaí. Porque esse olhar, de onde vai vir? Sabe? Então assim, eu trouxe esse olhar da França. Não, esse olhar é meu, é só meu. Ninguém me ensinou. O que minha mãe me ensinou foi cozinhar. Agora esse olhar é do cuidado, da decoração, do servir, de olhar o copo ali vazio e ter urgência para retirar. É meu. Ninguém me ensinou.

E aí, se não me engano, foi nesse final de semana que o Loft Club foi inaugurado? Foi. Como que surgiu essa ideia também? E explica um pouco pra gente também como que esse conceito é um espaço pra eventos, ele vai abrir todo final de semana, como que foi pensado e como que ele vai funcionar de fato.

Olha, eu até comecei dizendo que o loft não foi pensado para exclusividade. Mas, na verdade, ele foi pensado para exclusividade. Eu quis dizer que ele não foi pensado para ser algo inalcançável. Não é. É super viável. Mas a gente pensou em ter esse espaço mesmo de interação de pessoas e empresários.

Eu brinco que eu roubei do meu sócio Rafael Martinelli, e ele conta isso para todo mundo, o espaço dele, porque ele tinha uma agência, e dentro dessa agência ele falou, ah, vou criar um gourmet, porque os clientes dele, empresários, tinham dificuldade em trazer o cliente. Muitas vezes você convidava o cliente para ir para uma loja, você convidava o cliente para fazer um evento, e o cliente falava, olha, será, não estou corrido, vida, tarará, porque o cliente sabia que ele ia ser induzido a comprar.

e fica aquela coisa engessada, fica aquele compromisso profissional, né? Frio. Ele falou, eu quero trazer pra cá, porque os meus clientes vão trazer os clientes dele com mais facilidade, vão convidar pra um jantar, vão convidar pra um almoço, mas não como um espaço de evento, como um espaço de relacionamento. Aí eu cheguei lá e ele me convidou pra cozinhar. Ele tava achando que ele tava chiquinho, ele falou pra mim, chiquíssimo, né?

Chegou pra mim e falou, ô Jessica, eu quero que você cozinhe aqui. Eu quero exclusividade pro Simarie.

Falei, nossa, lindo, maravilhoso. Não estava como está hoje também, a gente mudou bastante coisa. Eu falei, mas está rico? Você vai fazer isso para os seus clientes? Tipo, não vai cobrar por isso? Não vai abrir para outras pessoas fazerem isso? Exatamente. Isso aqui é um lugar incrível. A gente tem que trazer as pessoas para cá. A gente tem que monetizar isso aqui. E a gente tem que criar um clube a partir disso aqui. Não existe hoje em Cuiabá.

Um lugar que pessoas, empresários, pessoas físicas, tem advogado, tem médico, possam se reunir para trocar ideias, para ter o seu público mesmo nichado ali. E um vai pegando o público do outro. Então é um público nichado? É. Mas quando a gente fala aí de 24 pessoas se relacionando, entre elas, cada uma tem o seu público. Então a gente abre esse leque aí para um clube fechado de relacionamentos. Ah, Jéssica, o que vai fazer lá?

Cada um vai fazer uma coisa, cada um dentro do seu ramo. O que une todos esses empresários, todas essas empresas, o que une esses relacionamentos é o conteúdo. Porque hoje a gente tem muita festa. Ah, festa para lançar isso, festa para abrir aquilo. E eu falo por mim, gente, eu sou convidada para evento todos os dias. Você tem três filhas, tem marido, tem a empresa. Tem a rotina do trabalho. É cansativo. Então o que a gente resolveu fazer?

Um lugar de trabalho. Nada mais é do que isso. De uma forma muito confortável, de uma forma agradável. A estética lá é maravilhosa. A gente tem obras de arte que contemplam o nosso estado, que contemplam artistas brasileiros. Então, a gente fala lá de Volpe, de Cavalcante. A gente tem Pádua. A gente tem várias coisas que... Tem clientes que chegam lá e falam, meu Deus, mas onde fica isso? Não sabe. Sabe que tem em Mato Grosso também.

Então tudo que tem lá é aqui de dentro, as obras que eu falei, a Ampo Nacional é da Galeria da Catrina, aqui é daqui. Então tudo prestigiando esses fornecedores, essas pessoas e contemplativo, que chega um mega empresário, chega um médico que fala, não, você não conhecia isso. Então é um lugar de conteúdo, é um lugar de relacionamento para agregar tudo isso.

Vai abrir de acordo com a agenda dos associados, porque o associado define a data que ele quer estar lá participando com os convidados dele. Então, você está passando na rua, você pode ir no loft? Não. Então, realmente é algo exclusivo. É algo exclusivo, mas não é algo inacessível.

Mas a questão de se associar está aberto também a empresários ou já está fechada essa questão dos associados? A gente fechou os associados porque a gente está fazendo assim, esse ano serão essas pessoas. Ano que vem a gente até teve associado que brincou, não, eu quero estar de novo.

Falei, ótimo, maravilhoso, você continua aqui. Mas a nossa ideia é trocar pra gente ir formando esses grupos de empresários e empresas e que a gente possa lá na frente ter, até brinquei lá dentro, também tô fazendo política, porque é relacionamento.

Então a gente tem mesmo esse leque de pessoas que tem um objetivo em comum. E daí também trabalhar políticas públicas para esse ramo, para os empresários, que como eu falei aqui, não é fácil. A falta de incentivo, os gargalos que todo mundo passa. Eu falo porque quando a gente brinca, uma empresa de sucesso, de alta gastronomia, as pessoas não sabem que passa pelos mesmos problemas que o seu João da padaria tem.

Então são os mesmos problemas, a gente só muda a magnitude desses problemas, mas são os mesmos problemas. Então a gente traz tudo isso nesse ambiente, com conteúdo, com qualidade no atendimento, na gastronomia, na música, a solução é um patrocinador master, a Strauss, a gente pensa na taça que ele vai tomar a água dele, porque muda o sabor, acreditem. O cristal tem esse... tem. Igual a gente gosta de tomar café no copo americano, não muda o sabor?

A cervejinha também no copo americano. Exatamente, no modo sabor. O refrigerante num copo de alumínio também faz total diferença. É isso, é isso. Então a gente pensa em tudo. O prato de mármore da Boutique Del Mármore que vai servir, que faz a estética junto com a mesa, tudo isso lá é pensado exatamente para o empresário chegar, poder fazer uma agenda e ter o conforto de não se preocupar com nada.

Nem com quem vai receber, nem com o arranjo de flor que vai estar lá. Eu falo porque eu mesma, como buffet, a gente estava falando agora há pouco sobre a projeção nacional da gastronomia. Eu já fui convidada por revista, por programa de TV. Eu sempre falava, estou sem tempo, não dá. Porque eu...

tinha que pensar na minha estética, na minha fala, no que eu ia servir, na lembrança, tudo, tudo. Parece pequena, mas assim, gira, esse mercado é muito grande e tudo isso gira um trabalho muito grande para o empresário. O empresário tem que chegar, é porque a gente demorou a ter a visão de que o empresário é uma pessoa pública. Então a gente tem que chegar e ter autonomia, para a gente só fazer o discurso, para a gente só se relacionar.

Mas não, a gente sabe que a pessoa que está por trás disso tem vários outros compromissos, várias outras agendas. Então eu brinco que no começo do buffet eu falava bem assim, eu tinha um celular financeiro, eu tinha o meu, que eu fazia atendimento comercial, e depois eu abri o celular comercial. Eu falava, ah, preciso mandar para o financeiro. Então era eu, financeiro era eu, comercial era eu, atendendo. Um grupo com você mesmo. Exatamente, agora eu tenho, graças a Deus, senão eu não conseguiria estar aqui.

Mas até no começo aí da campanha eu falava assim, gente, manda para o meu marketing, sou eu. É só para organizar nas minhas caixinhas aqui, na minha cabeça. Exatamente, porque não é fácil. E pelo que eu vi até no Instagram da Loft, tem um rolê, uma questão de não estar com o celular, não filmar, não tirar foto ali durante esses eventos, esses encontros, né? Como manter um negócio...

pensado nessa exclusividade no mundo que vive de exposição, de se expor. Eu imagino que o local é bem bonito, então como não fazer uma selfie ali e divulgar também, fazer esses vídeos desses momentos.

justamente indo contra isso. Já até briguei com o meu sócio, Rafael, porque ele é muito vaidoso, ele postou várias fotos dando spoiler de lá, eu não gosto. Eu acho que hoje a pessoa que quer se relacionar, ela quer ter essa liberdade, sabe? Ela quer poder tirar o sapato, quer poder tirar o blazer, quer poder ter o conforto para se relacionar e só pensar nisso. Aí eu volto na questão de chegar lá e ter tudo de excelência, mas de ter o conforto e a liberdade de fazer o que ela quiser naquele ambiente, de falar o que ela quiser.

Muita gente hoje não fala, não faz, não sai de uma certa forma pensando na rede social. Única e exclusivamente. Então a gente quer tirar essas amarras, sabe? Indo em contramão a um mundo tão exposto, a gente vê que já há algum tempo tem sido feito esse movimento. De pessoas indo para o offline. Offline, vírgula, se posicionando, como vocês viram lá. Tem o Instagram, só que não vai ter uma localização. Então você pode ir lá sabendo que você não vai ser visto.

Não é na rota popular da cidade, não é. Então, foge dessa rota. Um empresário que precisa fazer um negócio. Esses dias eu estava num restaurante e falava toda hora, tipo, sabe, tipo, a gente sabe que a gente não pode se expor. Então, esse é o lugar para essa pessoa fazer isso. E não só negócios, mas eles trazem colaboradores, eles trazem questões necessárias da empresa, do empresário, da rotina deles. Tem gente que está indo trabalhar lá.

Fala, Jéssica, trava agenda pra mim, segunda e terça, eu vou trabalhar aí. Porque, gente, parece que não tá em Cuiabá. Ficou muito legal. Ficou muito legal. Depois eu vou mostrar aqui pra vocês. Mostra, por favor. Ficou muito legal. Jéssica, com essa carreira de sucesso na Sui Marie, crescendo também, pensando em crescer com a Loft, o que que te fez parar e pensar? Não, eu vou também buscar essa...

seguir essa veia política da família e quero sim ser candidata, vou entrar numa pré-campanha para a Assembleia Legislativa. Primeiro você falou até da possibilidade de ser para a Câmara Federal, mas nos ajustes ali dentro do partido, colocaram seu nome como pré-candidata a deputada estadual. O que te fez pensar a seguir esse caminho também, dentro da família mais próxima, que tem seu pai, tem a sua irmã?

Janaína, mas que é algo que vem de seus avós também, né? O que fez você pensar nessa possibilidade? Na verdade, eu só pensei na possibilidade de ser candidata, né? Porque na vida pública, como a gente estava conversando, a minha vida toda a gente esteve. Eu estive tanto quando meu pai era deputado, quanto com Janaína. Estive e estou, sempre estou presente. As pessoas acham que eu me filiei ao MDB para ser candidata, mas eu me filiei no MDB faz 10 anos.

E já foi filiada em outros partidos também. Já foi filiada em outros partidos também. Sempre acompanhei a vida pública, sempre agi como agente público mesmo. Eu atendo pessoas, respondo por eles, como eu falei, e por mim também. Existem o meu grupinho ali, existe o meu grupinho de pessoas que já sabem que pode contar comigo. Sempre que precisa de algum amparo jurídico, alguma questão. Desde a escola está sem informar, as pessoas me chamam, sabe? Porque eu sempre fui essa pessoa muito acessível.

E é a saída da Janaína, eu não posso deixar de falar isso. Primeiro que a Janaína ser a única mulher entre os deputados já é uma vergonha, na minha opinião, para o nosso Estado. É um número muito irrisório e a gente não consegue falar de política pública para a mulher em meio a tantos homens. Eu quero estar deputada estadual, mas quero também outras deputadas lá comigo, que eu sei que existe chance nesse pleito agora.

E eu me coloco apenas como a pessoa que eu sempre fui, servidora. Eu sou uma pessoa que sempre servi, o meu prazer é esse, eu não me vejo fazendo outra coisa, tanto no loft, às vezes eu sento lá, vou ter uma conversa com algum empresário, com alguém, eu estou trabalhando o tempo todo, eles falam, menina, você não para, mas é o que eu gosto de fazer.

E a gente sempre fez. Então eu sei fazer. O que o político precisa, eu falo, é lógico que não é só isso, não é raso assim. Mas que pra mim não é raso, é a maior profundidade do ser humano, é saber se relacionar com outra pessoa. É gostar de outra pessoa. E parece óbvio, mas não é. As pessoas não gostam de se relacionar, as pessoas não gostam de pessoas, as pessoas não gostam de resolver problemas. Eu adoro resolver problemas, gente. Eu adoro.

Eu adoraria ser aquela pessoa de, não, vou ser uma empresária, vou ficar aqui, não. Vou cuidar do meu. Não, não, eu gosto de problemas, eu sempre fui essa pessoa. E eu acho essa pauta feminina de extrema urgência. Porque hoje a gente está falando da mulher lá, e Janaína fala muito, porque não tem como se omitir, né, ela é a única mulher.

mas da mulher vítima, da mulher morta, e eu quero falar dessa mulher antes disso. Pera lá, a gente tem que falar da mulher quando morreu? Vamos tirar a mulher desse lugar de vulnerabilidade? Como que a gente pode fazer isso? Aí a gente entra na minha questão de empresária também, porque eu tenho as minhas questões. É claro que eu quero dar uma continuidade à defesa do servidor, ao municipalismo, tudo isso que meu pai trouxe, que a Janaína trouxe, eu acho de suma importância, as pessoas nos reconhecem por isso.

Mas existe a Jéssica, a Jéssica é mãe, esposa, empresária, cozinheira. Então, para lá, vamos falar das empresas que eu venho trazendo aqui na nossa conversa. Vamos falar sobre horário de creche estendida, escola, porque as minhas funcionárias não têm paz, não têm tranquilidade para irem trabalhar. Vamos falar sobre a vulnerabilidade da criança, porque se a mãe vai trabalhar, ela vai deixar a criança na casa de uma família. Mas hoje a gente sabe que os maiores índices de abuso acontecem dentro de próprias casas de família.

O que mais? Vamos falar sobre a qualificação dessa mulher para sair da vulnerabilidade. A mulher vai se qualificar, mas você acha que essa mulher tem condição de sair de casa e estudar um ano, seis meses para se qualificar? Essa mulher não tem esse tempo. Vamos falar de qualificação remunerada?

Mulher pode ser uma pessoa, porque as pessoas, gente, elas acham que algumas coisas não são importantes. E às vezes se omitem nessa realidade, nessa necessidade do dia a dia. Mas o que é importante, a gente dá dignidade para a vida das pessoas. Então, por exemplo, uma mulher que ela tem o dom lá de fazer a unha, e ela só faz a sua unha, ou das suas amigas, ou da sua família.

A gente pode qualificar essa mulher remunerando, a gente pode tornar essa mulher uma profissional. Hoje tem pessoa que faz unha de gel que ganha seis mil reais. Então é digno para a mulher. A mulher tem que ser empoderada, ela tem que saber que ela pode ser poderosa. Hoje as nossas mulheres estão com a realidade que elas podem ser ou vítima de assédio, de estupro ou mortas. A gente tem que deixar essas mulheres acreditarem, porque é possível, que elas podem ser empresárias. Gente, eu cozinhava na cozinha da minha mãe.

Eu saí da minha formação com um evento contratado para 60 pessoas sem agenda. Eu saí, chamei uma pessoa para trabalhar comigo, que é o Claudio, que eu mencionei, e um garçom. E virei a empresa que eu sou hoje, reconhecida no mercado. Eu não sou uma grande empresa, mas tenho meu reconhecimento, tenho meu valor. Então, essa mulher, às vezes, ela acha que o empreender custa milhões de reais, que ela precisa ser rica para ela abrir uma empresa.

Tem gente que acha que eu abri empresa assim, deixa eu colocar aqui dois milhões.

Não foi assim. Eu cozinhava até com a panela da minha mãe, eu não comprei panela. Sabe? Eu comprei os ingredientes do primeiro evento, foi isso que eu fiz. Então é possível a gente trazer essa realidade pras pessoas. E eu sei que eu posso fazer isso, porque eu tenho esse olhar humano, porque eu sou acessível, porque eu sou uma mulher interessada, porque a pessoa me fala uma coisa que eu não sei, eu não sei tudo. Eu vou atrás de saber, eu vou atrás de resolver, eu gosto de pessoas e de resolver problemas. Então...

Acho que você também poderia se parar e viver dentro do seu próprio privilégio que a vida te deu. E aparentemente não, você tem buscado sair desse privilégio e entender também outras realidades, usando a sua própria experiência. Sim, Aiton, mas porque as pessoas acham também que é um privilégio que a gente nasceu nele, não foi, ele foi construído, entendeu?

Então quem conhece a realidade da minha família entende que nossa família é muito simples. Nós somos pessoas, eu sou nascida em Juar, que viemos do interior, eu vim para Cuiabá com menos de três anos, ok, mas eu tenho vó, eu tenho tia que mora lá, eu tenho os nossos amigos da vida pública, então constantemente eu estou por lá. Esses dias eu fui conceder uma entrevista, faz tempo que você não vem para Juar. Não, eu estive aqui esses dias.

Só que eu não estava pessoa pública. Então eu não fico falando sobre isso, sabe? E agora eu tenho falado, tenho tentado mostrar a pessoa, só que eu sou. Porque antes eu não mostrava, não me expunha. Até pelos traumas da vida, da superexposição. Eu evitava mostrar. Só que chegou a hora, gente. Eu tenho coragem, então vamos lá.

Como foi a recepção da sua família quando você decidiu, assim, esse ano, nessa eleição, nessa próxima eleição, eu vou construir um projeto? Já todo mundo comemorou? Como que foi essa conversa e falar assim, olha, dessa vez eu tenho um projeto, eu quero alguma coisa na Câmara ou na Assembleia?

Olha, assim como os nossos filiados, eu sou do MDB. Eu sou uma filiada. A gente tem a nossa líder política, que é a Janaína. A Janaína, a princípio, falou, não sei, sabe? Não que ela achou que eu não fosse capaz, pelo contrário, tá? Eu tenho muita gratidão, porque sempre que ela pode laminar o teste, ela fala que eu tenho as qualidades necessárias para chegar lá. Só que ela não sabia se era o melhor para o partido e para o grupo.

Quando ela resolveu isso dentro do partido, tanto que a gente falou, ah, federal, eu nunca cogitei isso, só que eu sou soldada. Então eu coloquei meu nome à disposição e falei para ela, eu topo qualquer parada, nosso projeto é o seu projeto. E daí coube dentro do partido essa pré-candidatura a deputada estadual.

E o meu pai, minha mãe, meu irmão, meu marido, né, todos os familiares, nós somos muito unidos. E até perguntaram esses dias para a Janaína, ah, seu pai fazendo campanha, gente, ele é meu pai, tem que lembrar que existe um pai, né, da mesma forma que minha mãe está fazendo, está reunindo os amigos dela, da mesma forma que meu irmão está fazendo. E é engraçado que cada um tem seu nicho, às vezes meu irmão traz uma pessoa que não estava nesse grupo daqui, e ele fala, meu Deus, o que a gente vai fazer?

Mas a gente encaixa todo mundo, porque nós somos pessoas políticas, sempre fomos. Então...

Na frente ampla. Exatamente. Então eu achei até estranho o espantamento, o estranhamento de algumas pessoas de eu lançar como pré-candidato, porque é algo muito natural para a família, né? Essa continuidade do trabalho, e claro, existe, como eu falei para vocês, as minhas questões, de mulher, de empresária, enfim.

Eles estão animados, estão me ajudando. E é isso. E assim, quando você chegou e falou para eles desse projeto, teve algum conselho que o seu pai te deu, que a sua irmã te deu, que estão mais expostos a essa vida pública?

Eles me deram e me dão todos os dias. Eu peço, né? Ele fala, ah, eu não quero interferir, eu não quero fazer, eu não quero te ajudar o meu pai. Eu falo, não, vai sim. Vai sim, se eu tenho um excelente professor, por que que não vai me ensinar? Por que que eu vou contratar outro marqueteiro, né? Se eu tenho aqui em casa. Não, a minha mãe me ensinou a cozinhar, agora é sua vez de me ensinar a fazer política. Só que a gente tem, como eu falei, a nossa líder, que é a Janaína.

E eu admiro muito a Janaína, acompanho ela, né? Desde que ela, desde a primeira candidatura dela. E me inspiro muito nela.

Como eu falei, eu tenho algumas diferenças, acho que isso é importante, inclusive. Grupo não é concordar com tudo, pelo contrário, acho que um grupo se faz das diferenças, mas é uma pessoa com a qual eu me inspiro muito. Eu vejo não como minha irmã, não como deputada estadual, uma mulher política âmbito nacional. A Janaína projetou o nome dela com todo mundo tentando inviabilizar, com uma força enorme contra a candidatura da Janaína. Você vê que a Janaína hoje precisa responder se ela é pré-candidata.

E os outros não. É uma coisa assim, estarrecedora que acontece com a Janaína. E também por isso eu me coloco como pré-candidata, porque eu vejo que a gente precisa de mulheres ocupando esses espaços. É, o espaço está ali. Se não for você, se não forem as mulheres, alguém vai ocupar. Claro. Normalmente não é alguém que está...

atenta a essas necessidades. Sim, eu falo o seguinte, não é a mulher. Eu estou falando porque a gente vem passando por algo horrível dentro do nosso estado, que é esse índice de feminicídio. Mas todo homem é filho ou marido de uma mulher. Então a gente tem esse olhar cuidadoso. Gente na rua, às vezes o homem fala pra mim, eu quero votar em mulher agora, só em mulher. Pode me dar candidato a sua mulher. Porque vocês são mais fiéis, comprometidas, e realmente, desculpa, homens, nós somos, né, nós somos esse olhar maternal, esse olhar feminino, esse olhar cuidadoso, porque a gente que cuida de vocês,

Então deixa a gente cuidar do Estado, que vai muito bem. Você falou que a gente está afiliada ao MDB já tem mais de 10 anos. O que você acredita que seja o fator principal para afastar mulheres desse campo político? Assim, é o medo de chegar numa reunião, de ter homens ali, não conseguir ser ouvida, não conseguir colocar o projeto dela na mesa. O que afasta, o que tira uma mulher de uma candidatura, por exemplo?

São diversos os motivos. Esse medo existe, é forte e falta um incentivo para essa mulher. Então eu vejo o seguinte, uma coisa, um feito que eu admiro muito que Jenaína fez. As mulheres, por falta de mulheres no espaço, não tinham o costume de votar em mulheres.

As mulheres não tinham, e pelo contrário, eu vejo que as pessoas tentam colocar, as próprias mulheres e homens, sempre a gente em lugar de disputa, de competição. Então tinha mulher que não gostava da junaína porque ela era bonita, tinha gente que não gostava da junaína porque ela era muito nova, tinha gente que não gostava da junaína, sabe, por diversos motivos. E não olhava para a capacidade, para a competência da junaína.

E daí ela se provou, ela precisou de três mandatos, precisou para se provar, porque no primeiro, foi porque o governo era Pedro e daí ela batia nele. Não, a Janaína é capaz, a Janaína é determinada. E eu falo com toda modéstia, minha mãe nos educou dessa forma, com a humildade para reconhecer o que a gente não sabe, mas com a capacidade de estudar e compreender todas as necessidades que o Estado precisaria. E a Janaína aprendeu a ser política.

A gente trabalhava já antes com meu pai, já era filiadas também a partida, já participava de movimentos partidários, mas não tinha o know-how que ela tem hoje. E eu não tenho o know-how dela, né? Ela tá 12 anos na frente. Então, eu falo que a mulher tem que entender que ela tem essa capacidade e ter um incentivo pra isso. Então, o que aconteceu agora com a Janaína na MDV? Não sei se vocês perceberam. Ela fez um movimento ali feminino. Ela fez uma filiação de mulheres que foi...

Tá aqui. Vocês falaram que eu não tinha candidata? Exatamente. E trouxe excelentes nomes pro partido. Então, hoje a gente tem um partido que os homens até adoram, né? Majoritariamente feminino, mas por conta desse incentivo, por conta desse olhar que a Janaína deu pra nós, a voz que a Janaína deu, ela falava pra mim, fica tranquilo, a gente vai costurar isso dentro do partido. Mas, ela é muito sábia, gente. Ela é muito doce. Eu falo que eu queria ser chique igual a Janaína, sabe? Ela fala baixo.

Ela é elegante, eu não. Eu falo alto, eu sou escrachada, mas a gente conseguiu com o jeitinho dela e com o meu jeitinho, um diferente do outro. E a gente está construindo um partido muito forte. Ela construiu um partido muito forte, que tem total viabilidade dessas eleições. Antes não acreditavam nessa capacidade dela, ainda mais por ser um espaço machista, é claro. Ela também assumiu o comando do partido depois de Carlos Bezerra, que ficou anos aí, que tinha...

Essa enorme capacidade também de construir candidaturas, de formar grupos, né? Então eu acredito que o desafio dela foi em várias questões para formar esse partido para essas eleições. Sim, eles não acreditavam, não. Eles não acreditam nela. Tanto que eles ficam fazendo as mesmas perguntas. Você acredita que só quando abrir as urnas que eles vão acreditar? Não, porque ela já abriu três vezes. É só porque ela é mulher mesmo. E eu não gosto de ficar fazendo essa fala.

Já falaram para mim, ah, isso é muito nichado. Gente, é a realidade. Já abriu a urna três vezes. O que a gente ainda precisa mais?

Vamos lá, eu acredito total na viabilidade da candidatura da Janaína. A Janaína está bem avaliada nas pesquisas. Ela precisa provar o quê? Ela não precisa provar mais nada, entendeu? A verdade é que as pessoas não estão satisfeitas e não vão ficar satisfeitas enquanto existir esse machismo enraizado na nossa cultura. É difícil mesmo, gente. Às vezes eu pego meu marido, meu pai, meu irmão, pessoas extremamente inteligentes, politizadas, falando frases machistas.

Isso é da nossa realidade. Então o que a gente precisa, nós como mulheres, vocês como homens, a gente trazer mesmo esse entendimento para os homens, os homens entenderem. Alguns já entenderam. Aí volta aquela falinha, sabe? Uma pegadinha, uma brincadeirinha com a aparência física da mulher.

É natural, é natural, mas a gente não tem preguiça, a gente tem coragem, a gente vai fazer esse enfrentamento e vai continuar fazendo. Eu acredito muito na Janaína. Eu acho que a Janaína vai nos surpreender, não só como senadora, mas com o projeto dela a nível nacional. A Janaína, ela hoje transita em todos os lugares. Às vezes ela deixava a gente lá em casa irritado, porque nós somos sangue-quentes. Então a gente falava, Janaína, mas você está falando com ciclano, cara, o cara está nem aí para você, a gente ferrou. Desculpa, pode? Pode.

Jéssica, eu estou construindo, tá ótimo, eu estou construindo, eu preciso dele. E engoliu o sapo, e não tá nem aí, ela quer trabalhar. Lembro da entrevista do seu pai ao Pode Olhar, ele falou que ele sempre foi base do governo, ele sempre esteve do lado dos governadores no período que ele foi deputado e presidente da Assembleia, mas que ele conversava com a Janaína porque ele não conseguia fazer tanto a defesa do governo como ela fez a defesa do Mauro Mendes, que ele achava e ele não conseguia.

Ela era base demais, defendia muito. Então ela tem esse perfil mesmo de até entender, de tentar pacificar, de ter um diálogo maior. Sim, ela tem, eu acho muito sábio isso dela, mas ela nunca se omitiu quando ela não concordou. Então eu lembro que eles até começaram a fazer esse afastamento dela porque ela questionava. Ela sempre questionou.

Ela não questiona aquilo que ela não acha necessário. Ela quer trabalhar em prol do Estado. E por que eu falo isso? Gente, o homem é mais vaidoso que as mulheres. As pessoas não acreditam, mas é. Então o homem não gosta de ser questionado, não gosta de ser enfrentado. E a Janaína sempre fez isso. E por que eu falo isso? O meu pai, como base, ele fazia esses enfrentamentos também.

Só que ele não sabia fazer com a doçura e com a leveza. Ela faz. Às vezes a Janaína dá um show na nossa cara e a gente sai achando que ela deu um sim. Porque ela é elegante. Mas ela faz. Ela é uma mulher muito corajosa. Inclusive, os maiores embates que Mato Grosso teve nos últimos tempos, quem fez foi a Janaína. Então, quer dizer, ela se posicionou. Sabe? Quando foi necessário, ela falou. Janaína te inspira muito, né? Muito. Você mesmo fala. Mas onde vocês são completamente diferentes?

Ai, olha, eu e a Janaína, a gente é aquariana. A gente é muito parecida. Duas são aquarianas. É, a gente é aquariana. E a gente é irmã de diferença de três anos, né? Ela é minha melhor amiga. Então, a gente é muito parecida. Quando eu falo isso, eu chego nos lugares e as pessoas me acham parecida com ela. Eu não me acho parecida com meu pai. Eu acho parecida, fisicamente. E a voz parecida também, as pessoas acham.

Então, assim, até difícil de explicar essa diferença, mas a Janaína realmente sempre foi essa pessoa mais polida, mais elegante. Eu sou muito do diálogo. Eu converso, te falei meu apelido, né? Deixa em off. Eu converso demais, mais do que ela.

Eu acho que ela tem essa maturidade que a vida pública trouxe, mas quando, na adolescência, ela era rebelde, tá? E eu era apaziguadora. Eu sou muito comunicativa, então o comunicador, normalmente, ele costuma se entender. Eu brinco que eu não tenho inimigos. Eu não tenho problema, tanto na empresa, quanto na vida pessoal, quanto na vida política, com ninguém.

assim dificilmente eu tenho embates eu tenho questões que eu ponder mas dificilmente você vai me ver aí criando uma rixa um problema de falta de diálogo não eu vou dialogar

Mas eu acho que eu tenho essa fala mais incisiva, essa fala mais bruta, rústica, eu acho. Digamos assim, do que é ela. E daí, lógico, quando tem uma pauta ou outra, eu lembro que um dia Joana falou bem assim pra mim. Não tem como, Jéssica, você passar meia-noite na igreja de hoje, que era no Natal, e nos ensaios da Anitta semana que vem. Ela falou...

isso tá incoerente. Aí eu falei, não tá nada. Eu sou católica e gosto da Anitta. Tá certíssima. Mas as pessoas não conseguem entender. Então, tipo, é coisa pequena, né? A gente sempre resolve no diálogo, a gente sempre conversa. Eu tentei explicar pra ela. Não sei se ela me entendeu. Vou perguntar pra ela. Mas ela falou que isso era incoerente no momento, entendeu? E assim, a gente sempre tem essas diferencinhas, sabe? É irmã e daí é a pessoa com a qual eu me inspiro. Daí eu questiono ela, eu ligo pra ela, Jana, você falou...

tal coisa de tal assunto, mas eu não concordo, eu não compreendi, daí a gente conversa e às vezes eu também não compreendo e tá tudo certo, sabe? Mas normalmente a gente acaba chegando num consenso ali.

Jéssica, você cresceu ali com seu pai no topo do poder político em Mato Grosso, presidente da Assembleia Legislativa por alguns anos. Que tipo de infância isso proporciona? Era um ambiente mais de privilégio, pressão ou normalidade para você? Como foi crescer nesse cenário?

Olha, eu dou graças a Deus todos os dias a minha mãe, ela vai ficar brava com essa entrevista que eu trouxe ela como uma pessoa eu tô trazendo ela como uma pessoa dura mas ela foi, e eu agradeço muito a ela que meu pai coração mora, acho que pai de menina é complicado, né, meu marido é pai de três meninas, chega lá em casa, popó, e derrete completamente, a bebê não fica falando mãe, fala pai, tá as mulheres são traiçoeiras nesse aspecto, viu todas me traíram com o pai delas

E o meu pai era doce, pra ele tudo bem, e acho que pela ausência dele também ele tentava nos compensar nos sims. Mas a vida é feita de nãos. E minha mãe, ela deu muito não. Então, não posso falar pra vocês que a gente não teve uma vida privilegiada. Claro que tivemos, eu estudei em escola particular, nunca estudei em escola pública. Minha irmã estudou e meu irmão também. Mas eu não. Então é uma vida privilegiada. Eu não utilizei da saúde pública, os meus irmãos sim, foi outro momento.

Mas a gente sempre, como eu falei, dos familiares, dos amigos, e até pela própria essência do meu pai e da minha mãe, que são pessoas extremamente simples, a gente nunca esteve alheio à realidade. Privilégio é uma coisa, alheio à realidade é outra. Então a gente vivia aqui o privilégio, mas no outro dia a gente estava no sítio dos meus avós, de pé descalço, entendeu? Alimentando porco, cuidando de galinha, ajudando na plantação, que meus dois avós trabalharam com a agricultura familiar.

Eu digo materno e paterno, né? Os dois casais de avós. E a gente tinha essa realidade muito humilde. Eu falo agricultura familiar, não acho que são hectares, tá? É um sítio muito humilde. Meu avô foi funcionário em fazenda, meu outro avô foi caminhoneiro. Então a gente sempre esteve perto da família para entender essa realidade. E a minha mãe também deixou por muitos anos a gente acreditar que a gente não tinha privilégios. Porque como eu não estudei em escola pública, eu não sabia o que era uma escola pública.

Eu chegava em casa, lavava a louça, ajudava a cozinhar, arrumava o quarto. Eu sei que isso que eu estou falando parece, nossa, que garota privilegiada. Mas não é. A maioria das minhas colegas hoje, das pessoas cujas quais eu convivo,

Não sabem fazer essas coisas. Então, assim, a gente tinha noção de que as pessoas não estavam lá para nos servir. Pelo contrário, nós estávamos lá para servir as pessoas. Humildade. E ter aquele pezinho no chão, lembrar de onde veio, estar sempre lá. É claro, foram anos, assim, quando eu falo do poder, que as pessoas falam para mim, meu Deus, como você não ficou...

frustrada, depressiva, enlouquecida quando aconteceu o que aconteceu com o seu pai por conta dessa realidade que eles sempre trouxeram para nós. Então eu sou muito grata a isso, porque nós não somos pessoas alheias à realidade, nós somos pessoas muito empáticas a outras pessoas e a necessidade de outras pessoas.

Você citou essa questão da, digamos, queda do seu pai. Ele deixou em 2014, se aposentou ali da vida política, deixou a carreira de deputado, tentou ir a uma disputa ao governo, não pôde. Logo depois disso vieram operações, seu pai ficou preso por um longo período. Como que foi isso dentro de casa, você como filha, vendo essa situação com o seu pai, e essa exposição também do seu pai de uma forma...

negativa, né? Creio que você já estava acostumado com a exposição do seu pai, mas em momentos bons, digamos assim, ele sendo sempre elogiado, enaltecido, ele participando dos grandes debates de Mato Grosso, mas como que foi esse momento dentro de casa? Você acredita que tem um antes e depois da Jéssica Riva também?

com esse momento do seu pai? Claro, existe sim, existe sim. Aí eu falo o seguinte, não fui acostumada nesses louros dele, não. Meu pai sempre foi uma pessoa extremamente criticada. Meu pai sempre foi uma pessoa extremamente apontada. É claro, pela força política que ele tinha no momento, as pessoas tinham que apontar, tinham que criticar.

prego que se destacava ali. Exatamente. Ele estava se destacando. Ele se destacou por muitos anos. Na verdade, ele é uma pessoa que se destaca, né? Quantos anos ele está fora da vida pública e não param de falar dele. Eu falo isso com muito orgulho. Mas foi um momento muito difícil. Foi um momento muito difícil. Aí eu volto a falar da Janete Dura e eu agradeço ela por isso, porque ela criou mulheres corajosas. Ela criou filhos corajosos. Então...

Momento nenhum abaixei a cabeça. Eu nunca entrei em nenhum lugar de cabeça abaixada. Nunca. Não vou te falar que eu nunca ouvi falarem do meu pai. Já ouvi e respondi. Dei a resposta que a pessoa precisava. Trouxe o meu lado. Gente, eu sou filha. O que as pessoas esperam de mim? Esquece. Eu não vou falar mal do meu pai. Se é isso que as pessoas esperam de mim, eu não vou.

Meu pai fala o seguinte, ah, a Janaína trouxe o CPF dela, você tem o seu, eu tenho medo. Sim, concordo com tudo isso, mas as pessoas ficam criando uma expectativa de uma redoma, de uma vida de privilégios, que não foi bem assim. Existiram sim os privilégios, a gente precisa reconhecer isso, mas existiu muito prego, viu? As pessoas bateram muito na gente.

As pessoas bateram muito na gente. Então, assim, a gente foi injustiçada. Colocaram o meu nome de Janaína, do meu irmão, como se a gente fosse parte de um grupo ali que deu um aval. Poxa, eu não era política no momento, entendeu? Eu não estava na vida pública. Eu não tinha nem entendimento disso. Agora, eu admiro o meu pai, eu admiro a força do meu pai. Tudo isso nos fortaleceu. Hoje eu falando, parece, nossa, passou bem. Não, foram dias horríveis.

anos, né, horríveis, porque foram, eu digo, para a nossa parte, perseguições mesmo que faziam conosco. Queriam nos intimidar, não conseguiram. Nós não temos vergonha da nossa história, eu não tenho vergonha do meu pai, eu falo isso com muito carinho, muito orgulho, todos os lugares que eu vou no interior, eu fico emocionada, interior e aqui na capital, mas mais no interior, de pessoas com relatos de que mudaram a vida através de ações dele.

Então, isso só vai me ajudar e agregar para mim nesse projeto político. E eu vejo que foi muito importante a gente ter passado por tudo que a gente passou. Ah, gostaria? Claro que não. Mas a gente passou de cabeça erguida, a gente passou com aprendizado. A gente teve um aprendizado imenso com tudo que aconteceu. A gente teve uma união familiar, que a gente sempre teve, mas mais ainda. Nesses momentos, se aproxima, né? Então, eu tiro como um aprendizado mesmo.

A gente vê, principalmente nas redes sociais, essa narrativa e esse discurso de que a família, num todo, se aproveitou, se beneficiou com esses erros do seu pai, com esses esquemas de corrupção.

quando fala da Janaína e até mesmo quando a gente começou a noticiar sua pré-candidatura, sempre há esse tipo de ataque, esse tipo de argumento de pessoas. Como que você vai responder a esses ataques nesses próximos meses, nesse período de pré-campanha e de campanha?

Então é só olhar para a nossa vida. Hoje tudo é muito transparente. Você não consegue ter alguma coisa que as pessoas não saibam ou fazer alguma coisa que as pessoas não saibam. Nós não somos milionários. Nós não temos terras. Nós não somos grandes empresários. Minha empresa é pequena.

Meu pai é corretor. Então, assim, a gente vive uma vida coerente, simples. Vai dizer que eu estou beneficiada pelos esquemas e cadê os milhões? Cadê o bife do Silmaria, o espaço físico?

Não existe isso, sabe? E a gente vai perder tempo respondendo o comentário de pessoa que parou lá. Poxa, eu vejo eu que trabalho, né? Tanto empresária como mão de obra. Eu não tenho esse tempo de ficar lá. A gente sabe o que são isso. A gente sabe que é encomendado, sabe? A gente sabe que lá é uma pessoa que ela decidiu que ela não gosta da gente. E ela está arrumando ferramentas, mecanismos, argumentos na cabeça dela, sabe? Existiu o que existiu? Foi feito um acordo? Foi pago esse acordo? Está sendo pago esse acordo?

o que eu vou trazer agora que vai agregar? Por isso que eu falei, meu pai foi e é uma pessoa visada no estado de Mato Grosso, porque eles estão falando dele até hoje. A gente já tem aí, depois disso, quantos problemas políticos no estado e eu não vejo as pessoas trazerem isso à tona. Então, realmente essas pessoas decidiram isso, é o pré-jogamento delas, elas têm direito de fazê-lo também, está tudo bem. Agora sim.

Não achem que vão me constranger, não achem que vão me parar. Eu tenho coragem, eu sei que eu posso fazer a diferença, eu sei que eu tenho a minha personalidade, eu quero sim dar continuidade naqueles trabalhos bons que eles fizeram, no municipalismo, na defesa do servidor público e tantos outros. Mas eu tenho a minha identidade, eu tenho a minha vontade e vou receber sim o apoio da minha família. E quero receber o apoio da minha família.

Jéssica, falando um pouquinho da trajetória da sua irmã, buscando um pouquinho de como você vai lidar. A Janaina, quando ela entrou na política, ela teve muitos comentários, muitos apontamentos de pessoas dizendo que ela só entrou ali por causa do seu pai.

que ela não tinha nenhuma personalidade política. Ao longo dos anos, ela foi construindo a sua história hoje em dia. Mais ou menos, não tem muito esse comentário. Foi o Riva pai que ajudou a Riva filha. Conseguiu calar a boca deles. Ela conseguiu criar sua própria história, sua narrativa, seu protagonismo dentro da política. Você acha que você vai enfrentar esse mesmo cenário, falando que você está ali, você está nessa campanha por ser filha?

do Riva e por ser irmã da Janaína? Olha, eu sou muito de atitude, eu não sou de ficar pensando tanto nessas coisas. Existe um viés agora que a gente está falando sobre isso? Pode existir. Pode existir a Janaína que colocou ela lá? Pode existir também. Falarem que a Janaína me colocou lá porque saiu ela, porque ela é mulher e falar do meu pai? Pode existir.

Mas a gente não consegue combater isso, a gente tem que mostrar isso. Então, por exemplo, eu não acho que a Juliana se provou ao longo desses 12 anos, eu acho que a Juliana se provou logo que ela entrou, poxa, ela entrou massacrada. Então quer dizer, ela entrou e ela mostrou a identidade dela. E aqui, o que eu estou fazendo hoje, eu não estou mostrando a minha identidade?

Gente, olha só, a gente tem candidatos maravilhosos, mas a gente tem candidatos que chegam aqui e não conseguem argumentar, não conseguem conversar. As pessoas conseguem ver isso no dia a dia, as pessoas conseguem sentir isso em mim. Eu estou andando pelo interior, as pessoas me abraçam, elas falam, cara, a gente precisa de uma pessoa como você, Jéssica, que bom que você não vai nos deixar desamparado, porque as pessoas sentem essa verdade, contrafatos, não argumentos, não tem como eu ficar aqui me justificando, eu vou ser isso, eu vou ser aquilo.

as pessoas vão ver, as pessoas estão vendo quem eu sou. É porque eu não mostrava, mas eu sempre fui isso. Seu pai falou sobre isso, e a gente falou basicamente, rapidamente, sobre isso também, sobre essa ausência dele nos momentos importantes também da família, que não só a questão empresarial, mas principalmente a política, cobra também essa atenção de estar nas bases, não ficar só aqui na capital, mas aproveitar o final de semana para...

visitar os municípios, conhecer as demandas também, né? Conhecendo toda essa realidade já de quem ficou em casa, vivendo essa ausência, o que que te faz querer também entrar nessa vida, assim, de talvez não ter tanto tempo para as suas filhas, para a sua casa, também ter que tirar um pouco do tempo que você hoje dedica para a sua empresa, que eu acredito que é algo que você ama fazer, para entrar na política. O que que te faz topar esse desafio?

Olha, eu acho que o Riva pesou a mão. Ele viajava demais. Dava pra ficar mais aqui, né? Dava, dava pra ficar mais aqui. Mas na época dele não tinha rede social pra ajudar nisso, talvez. Pode ser, pode ser. Não tinha WhatsApp, pode ser. Vamos tentar defender ele, mas eu acho que ele pesou a mão, tá? Ele poderia ter ficado mais em casa, sim. É paixão. É paixão. A paixão pela política é uma coisa realmente que move a vida dele. E move a nossa vida também.

Eu sei que eu vou ficar mais ausente, eu tive essa conversa com meu marido, ele está junto comigo nesse projeto, apoiando esse projeto, mas eu entendo, gente, que minhas filhas têm orgulho de mim. A minha filha, a mais velha, a Harissa, esses dias ela foi no loft comigo e como o buffet é uma cozinha, não tem um espaço físico que eu mencionei aqui brincando, é uma cozinha industrial, ela não entendia que eu era uma empresária, ela achava que eu era uma cozinheira, para ela isso, né, empresária muda todo o contexto.

muda o contexto, a maquiagem muda o contexto por isso eu falei, a gente tem que deixar as mulheres sonharem porque é possível eu não era cozinheira, eu virei empresária e daí ela foi lá no loft e ela achou muito chique, ela é muito bonita e ela fala pra todo mundo, você sabia que minha mãe tem uma empresa, minha mãe trabalha num lugar chamado Loved é, Loved e é chique e minha mãe é dona é, ela fala Loved

E ela fala, e é chique, é bonito, minha mãe trabalha. Então, eu quero trazer isso que minha mãe e meu pai me deram. Orgulho, referência, caráter. É humildade, é simplicidade, sim, mas é poder. A gente pode, porque a gente trabalha tanto, a gente pode, sabe? A gente tem direito, a gente tem merecimento. Então,

Eu sei que eu vou fazer um sacrifício. Eu vou fazer um sacrifício voltado para aquilo que eu amo, que é servir, que é estar próximo às pessoas. Mas é engraçado como uma coisa tem um peso para uma pessoa e outro para outra pessoa. Eu lembro que a Janaína sofreu muito com essa ausência do meu pai, muito. Ela cobrava muito isso, ela chorava. E eu era compreensiva, né? Tanto que eu te falei que mudou. Hoje em dia quem briga com meu pai sou eu, a Janaína é a compreensiva.

E isso tem um significado muito grande, muito poderoso. Não tem volta isso que aconteceu na vida dela. Esse peso pra ela foi outro. Pra mim, graças a Deus, foi mais leve. Eu era mais compreensiva mesmo. Então eu tenho entendimento que, até brinco, não estou inventando a roda. Toda mulher faz isso. Então a mulher trabalha, a mulher cuida do filho, a mulher cuida da casa, a mulher cuida do marido, a mulher cuida dela, da saúde dela, porque ninguém olha pra gente, é a gente que tem que olhar pra gente mesma.

é a mulher dar conta de fazer tudo isso. Eu gosto de falar isso, porque às vezes parece que eu estou num lugar muito inacessível, inalcançável para essas mulheres. E não é. Elas já fazem isso. Eu estou fazendo agora em outros ramos, outros setores. Mas isso é totalmente possível. A gente dá conta de fazer, eu vou dar conta.

o MDB tem aí uma chapa considerada muito forte, são três deputados, Dr. João, Thiago Silva e agora Eduardo Botelho, nomes fortes, já com base estruturada, além disso tem outros pré-candidatos também que não estão no mandato, mas que também tem uma base construída, a gente tem o exemplo, por exemplo, do Léo Bertolini, como...

entrar nesse partido, formalizar essa candidatura neste cenário, fazer com que você agregue a esse projeto também maior do partido e não crie um fragmento ali também, alguma coisa, uma ruptura, algum ruído nessa relação interna do partido e também como conseguir se destacar dentro desse cenário também, de grandes nomes dentro do partido.

Sim, eu acho que aí a gente entra com a política da Janaína e com a minha clareza, né? E quando a gente joga limpo, quando a gente fala a verdade, quando a gente conversa e traz isso pro grupo, eu acho que isso está bem resolvido. A gente tem aí uma expectativa que a MDB faça até cinco candidatos. Aí até brinco, um vai ficar de fora, espero que não seja eu. Resolva entre vocês aí, galera. Espero que não seja eu.

Eu tenho muita coragem, como eu falei para vocês, eu realmente não tinha vontade de ser candidata a deputada federal, porque eu quero estar próximo às pessoas e o deputado federal ele fica um pouco mais distante, né? Então eu tinha vontade de me colocar como pré-candidata a deputada estadual, mas eu faria sim esse enfrentamento. Da mesma forma que faço agora como pré-candidata a deputada estadual. Vou te falar que não dá medo? Lógico que dá, entendeu?

Mas a gente tem coragem. E diálogo, eu chego em alguns lugares, não, eu estou com um colega do seu partido. Eu falo, não, por favor, então fica com o colega do meu partido, me dá a legenda, me ajuda na legenda. Porque não adianta a gente querer tirar o espaço do outro. Eu falo, ninguém tira o espaço de ninguém. Então a gente está aí com uma mulher que fez mais de 80 mil votos.

a Janaína, e vai ficar um espaço. Ah, Jéssica, você está falando que são 80 mil votos seus? Não, claro que não. A gente tem vários colegas e a gente sabe que isso vai ser distribuído, mas existe o espaço. Então, eu não estou tirando de ninguém. Então, é claro que vai ser um desafio, né? Não vou falar para vocês que vai ser fácil, mas eu acredito na minha capacidade desse relacionamento com as pessoas, porque eu vejo que falta isso nos políticos.

Chesca, a gente até estourou o nosso tempo, mas uma última pergunta. A gente vê como inevitável essa questão da polarização ideológica que a gente vê nacionalmente na disputa presidencial, por exemplo, influenciar, acabar chegando a debates mais regionais, mais estaduais e muito provavelmente na disputa também pela Assembleia Legislativa. Dentro desse cenário, dessa polarização aí, extrema-direita, extrema-esquerda, essa necessidade que alguns também têm de...

identificar, não, você é de direita, de carimbo, não, você não é de direita nada, você é de esquerda. Como que você se posiciona e como que você se prepara também para fazer campanha nesse cenário?

Olha, eu não gosto disso, eu acho que isso não agrega a ninguém. Acho que o Flávio Bolsonaro já entendeu isso, tanto que ele pede no discurso dele que ele precisa de apoio de todos. O MDB em Mato Grosso, em vários outros 14 outros estados, por enquanto, que pode haver mais estados também, está com o Flávio Bolsonaro como pré-candidato a presidente.

Então essa é a minha posição, mas eu acho que isso não agrega, eu acho isso segreguista e que a gente acaba deixando de fazer política voltada para a pessoa, sabe? Quando a gente tenta colocar na caixinha, eu acho que a gente tem hoje uma dificuldade muito grande dentro da própria direita, que é o Flávio Bolsonaro, que estamos apoiando, em se unir.

E tem que lembrar, gente, que o presidente Bolsonaro perdeu a eleição. Então, o que precisa ser feito agora para o Flávio ganhar a eleição? Esse discurso dele está corretíssimo. É olhar para o povo e o que o povo precisa. Alguma vez você ajudou alguém e a pessoa perguntou se você era de esquerda ou direita? Nunca. Nunca um político ajudou alguém e essa pessoa perguntou se ele era de direita ou esquerda. Então, eu acho que a gente precisa unir forças. Se fez isso, fez errado, né? Com certeza.

Com certeza, mas eu não conheço, não existe registro disso. Então, eu acho que hoje a gente está em um projeto para unir forças, a gente quer sair com o MDB fortalecido, o MDB tem capacidade sim de fazer federal, nós temos nomes excelentes, o MDB tem capacidade de fazer cinco deputados estaduais e estamos com o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, que eu acho que tem sim possibilidade de se eleger. Mas para isso a gente precisa acabar com esses ataques, acabar com essa segregação e se unir.

Ótimo. Passou muito rápido, né, Rafa? Eu nem vi, quando eu vi aqui o cronômetro, já estava em 60 minutos e uma hora. Enfim, mas o papo foi... Foi agradável. Foi muito bom, né, Jéssica? Foi muito bom. Tranquilo, né? Agradeço vocês de coração. É um prazer estar aqui com vocês. É minha segunda entrevista, tá? É. Sou a Deinjoara, que é a minha cidade, né? Nasci em Joara.

E aqui em Cuiabá, que é também minha cidade. Eu brinco que eu não sou mais juarense, eu sou uma mistura de juarense com cuiabana. Porque eu estou aqui a minha vida toda. Então, eu tenho um carinho enorme. Eu trago esse olhar do interior, né? Então, eu tenho esse carinho enorme pelo interior do nosso estado, pelas vulnerabilidades do interior, trago esse olhar. Mas também, meu pezinho aqui na farofa de banana, que eu não abro mão. Obrigada. Ótimo, obrigado, Jéssica, por...

Se mostrar também, a gente conheceu um pouco mais sobre você, a gente não tinha essa possibilidade, a gente sabia só do lado empresarial.

das comidas ali bonitas e gostosas. Até teve um ano que Janaína mandou para a imprensa no Natal. Acho que foi um panetone da Suíma aí. Delicioso. Foi. Pode repetir nos próximos. Vamos mandar para vocês. Ó, o prazer é meu estar aqui falando das minhas empresas, que são minhas paixões. Você perguntou da gastronomia. Realmente é uma paixão que eu tenho. Que eu não abro mão. Tem cliente que fala para mim, eu não vou votar em você se você parar de cozinhar.

Vai fechar a empresa? Não. Fiquem tranquilos, eu não vou fechar o Simarim, porque eu não toleraria viver sem o Simarim, sem comer aquelas comidas maravilhosas. E o Loft é uma empresa nova, mas que já deu certo, tem tudo pra fazer sucesso, está fazendo sucesso, que também abrange totalmente isso que a gente tá falando agora, política, relacionamento, que é a minha vida, que é o servir, que é o estar com pessoas. Então agradeço esse espaço e a disponibilidade de vocês.

Ótimo. Rafa, muito obrigado e até uma próxima. Imagina que agradeço. E você acompanha a repercussão deste episódio no nosso portal, que é o olhardireto.com.br. Segue a gente nas redes sociais, que é só pesquisar Olhar Direto Oficial, já estava esquecendo, é arroba Olhar Direto Oficial em qualquer uma delas, e no Instagram a gente também está no estúdio.od. Eu vou ficando por aqui e volto no próximo episódio com mais um Papo Reto e Direto. Tchau, tchau.