Cristiano Silveira | Café com Política
No Café com Política, a jornalista Letícia Fontes entrevista o deputado estadual Cristiano Silveira (PT), que analisa o cenário eleitoral em Minas Gerais para 2026.
O parlamentar comenta a possível candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo do estado, os planos do PT caso o senador não entre na disputa e o fortalecimento do partido em Minas. Silveira também fala sobre alianças políticas, o papel de Marília Campos na corrida ao Senado e possíveis composições com outros nomes, como Alexandre Kalil.
Durante a entrevista, o deputado faz duras críticas ao governo Romeu Zema e à gestão de Matheus Simões, abordando temas como segurança pública, educação, uso da máquina pública e denúncias recentes envolvendo secretarias do estado.
Letícia Fontes
- Críticas ao Governo LulaGestão da segurança pública · Gestão da educação · Uso da máquina pública · Denúncias envolvendo secretarias do estado · Privatização de escolas · Escolas cívico-militares · Proteção às mulheres vítimas de violência · Inclusão e autismo
- Cenário eleitoral na BahiaPossível candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo · Planos do PT caso Pacheco não seja candidato · Fortalecimento do PT em Minas Gerais · Candidatura de Marília Campos ao Senado · Alianças políticas e composições · Candidatura de Alexandre Kalil
- Votação da PEC de Segurança Pública no CongressoAvanço da PEC na Assembleia · Uso eleitoreiro da máquina pública por Matheus Simões · Denúncias de crimes eleitorais · Protagonismo na pauta de segurança · Lideranças na defesa da segurança
- Pré-candidatos a Governador de MinasCandidatura de Cleitinho · Comparação entre Cleitinho e Matheus Simões · Projeto político de Cleitinho
- Contexto político de Minas GeraisRetirada da candidatura de Cristiano Silveira · Pacificação da situação do PT · Divisões internas no PT · Unidade do partido em defesa de Lula
- Planos futuros de Cristiano SilveiraReeleição como deputado estadual · Contribuição para a pauta da inclusão · Possibilidade de voos maiores no futuro
- Pré-candidatos ao Senado Federal por MinasLiderança de Jarbas Soares · Reconhecimento entre prefeitos e vereadores · Competitividade de Jarbas Soares
- Veto à criminalização de movimentos sociaisProjeto Compor do Ministério Público · Lava Jato e seus impactos · Presunção de culpa para gestores públicos
Olá, seja muito bem-vinda aqui ao canal de O Tempo no YouTube. Eu sou Letícia Fontes, editora de Junta de Política, e hoje o nosso convidado aqui do Café com Política é o deputado estadual, Cristiano Silveira. Deputado, obrigado por estar aqui com a gente hoje. Obrigado, eu que te agradeço. Quero já começar abordando com o senhor a questão das eleições e essa expectativa sobre uma definição aí do senador Rodrigo Pacheco, se vai disputar ou não aqui o governo de Minas, né? Até quando que o PT vai aguardar essa resposta do Pacheco?
Eu acho que o partido tem que ter, como diz, alternativas dentro do seu planejamento eleitoral, caso o Pacheco não seja candidato. Agora, pelos movimentos que o senador Pacheco tem feito, acho pouco provável que ele não seja. Ele está fazendo todo um movimento de organizar o PSB, de ter aliados em outros partidos dentro do Estado. Eu acho que quem não está disposto a participar das eleições não estaria movimentando. Se o caminho do Pacheco fosse sair da vida pública, como chegou a anunciar...
acho que ele estaria mais acomodado nessas movimentações. Então ele tem posto aliados em pontos estratégicos, em partidos estratégicos aqui dentro do Estado. O senador Rodrigo Pachuc é muito estrategista, então ele não atua muito, vamos dizer assim, no tablado. Ele também é um cara de muita articulação de bastidor. Então eu ainda acredito que o movimento dele é de ser candidato, o presidente Lula tem sinalizado nesse sentido. Ele tem participado de agendas aqui no Estado, quando o presidente está. Até quando essa resposta seria ideal, Vim?
Mas eu acho que a gente não tem que ter pressa também, não. Eu acho que até o nome das convenções, acho que o prazo limite é o prazo que a própria justiça estabeleceu, das convenções. Para o Pacheco não está ruim, está jogando o que a gente brinca, está jogando parado. O nome dele está colocado, está circulando, se posiciona entre os principais candidatos. Então eu acho que nós, é aguardar. Eu acho que vai dar certo até o final.
E, em um caso de uma negativa, Pacheco não vier a ser candidato, dá tempo do PT pensar em candidaturas competitivas para o governo? Eu tenho duas teses, sabe, Letícia? Eu tenho a tese de que, se for para a gente ter uma candidatura que ela possa terminar melhor do que ela vai começar, vale a pena o PT pensar o nome. Eu mesmo já defendi lá atrás o nome da ex-reitora Sandra, da UFMG, como candidato.
Qual que é o problema? O PT tem dificuldade de apresentar o nome para a disputa do governo dos nomes nossos mais tradicionais, vamos dizer assim. Mas quando você trata, por exemplo, de um nome novo, você tem toda uma dinâmica, né Sandra? E essa dificuldade de trazer os nomes tradicionais por conta do desgaste do Pimentel?
Também, mesmo que eu não concorde com os argumentos e que eu não creio que tenha sido justo, mas a gente sabe que eles construíram uma narrativa eficiente que criou um desgaste nessa questão do PT ter governado o complemento pelos problemas que ocorreram.
E isso ainda perdura de alguma maneira, ainda permeia. Então, acho que se o PT não tiver um candidato aliado do centro, que vai estar junto com o presidente Lula, que é competitivo, eu acho que o PT tenta usar esse espaço para a construção. E eu não acho que é prejuízo do presidente Lula, não. Porque eu falo assim, ah, e o palanque do Lula em Minas? Vamos ser honestos aqui. Você acha que o Lula precisa de alguém para dar palanque para ele?
O Lula é o palanque em Minas. A candidatura da Marília do Senado pode ser suficiente? Não, pode, claro. Eu quero chegar nesse ponto.
O palanque em Minas para o Lula é o próprio Lula. O Lula tem mais votos do que qualquer liderança nossa dentro do Estado de Minas Gerais. Ao contrário, não é o Lula Marília que ajuda Lula. É Lula que ajuda Marília. Então eu não tenho preocupação com essa coisa de a gente organizar a campanha do presidente Lula. Mas se puder ter, trazendo aliados, outras forças, outros partidos, melhor ainda. A campanha a gente vence trazendo gente, trazendo pessoas.
Então eu penso que nesse sentido, o melhor dos cenários, Pachecco sendo candidato, numa aliança bastante ampla, trazendo outros atores.
E um cenário mais difícil, quem sabe uma candidatura própria, como eu já havia defendido lá atrás, da reitora Sandra, se não for ela um outro nome, para construir um nome novo, futuro. Qual que é o portfólio dela? Pô, foi reitora aí das maiores universidades, todo mundo conhece o FMG, é uma mulher, uma mulher com grande capacidade intelectual de gestão, então acho que não seria ruim também não.
E também outra tese, que a gente estava conversando mais cedo, que se você também não tem candidato ao governo, o palanque da Marília pode ser o palanque do presidente Lula. Por que não? É uma candidatura majoritária. Prioridade nossa, eu entendo que do PT, portanto, a gente não tem candidato ao governo. Primeiro, a reeleição do Lula. Segundo, ampliar as bancadas, deputado federal, deputado estadual e senador. Para isso, eu acho que nós estamos indo bem.
Então, bem, você não perde o que você não tem. Ah, o PT vai perder a disputa do governo de Minas. Não, não governando em Minas, quem vai perder é o Matheus, que está dado aí que ele vai perder a eleição. Então, a turma do Zeme e o Matheus vai perder o governo. Nós temos que ganhar onde nós governamos, que é com o presidente Lula, as bancadas, e pela primeira vez na história a gente vai ter uma senadora que vai ser Amarilha. O cenário do PT em Minas Gerais, contrário de que muita gente diz, é um cenário muito interessante.
Nós não vamos disputar uma eleição. Ah, o PT tem dificuldade para o governo. Opa, nós estamos disputando cinco eleições.
Governo, Senado, deputado estadual, deputado federal e presidente. Se você fizer uma análise do conjunto, o PT é competitivo. Marília vem liderando essas pesquisas ao Senado. Uma candidatura fraca que o PT apoie ao governo de Minas, ou até uma candidatura própria do PT fraca, pode atrapalhar o desempenho da Marília?
Também não acredito. Eu acho que não são coisas que estão intrinsecamente ligadas. Nós tivemos aí na primeira eleição do Zema, quando ele foi eleito governador, senadores que não foram eleitos junto com ele. Nós já tivemos várias eleições que não estavam vinculadas.
O pessoal fala assim, quando você não tem uma candidatura forte ao governo, você impacta a eleição de deputados e deputadas. Na última eleição o PT não teve candidato, apoiou o Calil e elegeu a maior bancada de deputados federais e a maior bancada de deputados estaduais. Então há também um capital político daquela liderança que está se apresentando. Em Marília tem um grande capital, prefeito de umas maiores cidades, tem um reconhecimento na metropolitana, já foi deputado estadual.
Então, a Marília, o ponto de partida dela é o capital político dela e do Partido dos Trabalhadores. Depois nós vamos agregando em diálogos com outras forças.
E aí a aposta do PT vai ser em uma única candidatura do Senado, apoiar um segundo nome para um segundo voto de uma candidatura? Como estão essas conversas? Essa discussão ainda está em aberto. A partir de uma construção de uma ampla aliança, o PT pode fazer concessão da segunda vaga para trazer os nomes competitivos, para estar em apoio ao Pacheco, que é o Lula, natural. Na ausência, então, desse cenário, o PT pode também apresentar um segundo nome. Eu acho que isso ainda está em aberto para a gente conversar.
E já são discutidos quem poderiam ser esses nomes?
Ainda não, a gente ainda tem um prazo, acho que a gente vai amadurecer, ver como que a gente trabalha isso. Se você perguntasse, Cristiano, sua opinião, minha opinião era que, por exemplo, a gente pudesse ter aí, por exemplo, eu sei que o Calil é pré-candidato ao governo, respeitamos, mas o Calil poderia ser um segundo nome para o Senado, trazendo o PDT na aliança com o Pacheco, junto com a Marília, junto com quem mais, olha que movimento interessante que ficaria isso para Minas Gerais. Muito responsável com o Estado, inclusive.
Eu ia falar justamente do Calil, a gente viu algumas tentativas do presidente nacional do PT de ter conversas ali com o Calil, como está essa aproximação? Porque o Calil faz críticas públicas ao PT, ainda é possível ter o Calil em uma mesma chapa?
Eu não vejo dificuldade que seja tão intransponível, não. Calil, às vezes, quando eu falava, você que é candidato governador, eu vou escolher com quem eu vou conversar, e não sei se eu quero apoio do PT, também não estou morrendo de amor para apoiar. Agora, se estiver dentro do projeto que entendemos que a eleição do Lula é mais importante do que a volta do Bolsonaro, com o Bolsonarinho, né?
E entendendo que a eleição do Pacheco é mais importante do que a vitória dos outros candidatos, e se o Calil estiver nesse projeto, não vejo dificuldades também não.
Mas já teve alguma conversa aí de Calil para o Senado, pelo menos do PT? Não, não. Aí é uma decisão do PDT, evidente. Eu estou te dizendo assim, na minha cabeça, o que seria um cenário interessante. Se Calil viesse ao Senado, apoiando o Pacheco, trazendo o PDT. Com muito respeito, eu sei que eles podem amanhã falar assim, é a opinião do Cristiano, não é do PT, é a opinião de um cenário que eu acho que seria interessante. Calil está junto nessa aliança com o Pacheco, junto com a Marília.
estão dizendo que o Aécio vai apoiar o Pacheco, eu não vejo problema, se o Aécio quiser apoiar o Pacheco e se o Pacheco for a base do palenco para o Lula, não vejo problema. Ah, mas é contraditório? Depende aí, a política é feita de conjuntura. Muita gente falou, o Halk me vice do Lula não é contraditório? E deu certo, a política é dinâmica, tudo muda, as pessoas mudam, como diz a filosofia, você nunca entra no mesmo Rio duas vezes, porque você não é mais o mesmo e nem o Rio.
A gente está acompanhando essa sabatina do Jorge Messias ao Senado. O senhor acredita que com a aprovação, caso haja essa aprovação do Jorge Messias para o Senado, isso facilitaria o caminho para o Pacheco aceitar esse convite para disputar o governo de Minas?
Eu estou achando até que esse assunto já está superado. Eu acho que o Pacheco já vem tendo um diálogo a respeito da política em Minas, já em paralelo ao que vem sendo construído na questão do Jorge Messias. A gente viu inclusive uma fala do Alcolumbre, que parece que a coisa já começa a ficar um pouco mais pacificada. Então eu acho que é porque eu não tenho mais informações a respeito, mas leitura de cenário, para mim, esse assunto já virou.
É, caso haja aí uma reviravolta, o Pacheco de fato não seja candidato, o que muito tem especulado é que o PSB pode lançar um candidato que poderia ser o ex-procurador Jarba Soares. Nesse cenário ali, como que o senhor avalia o nome do Jarba, se poderia receber o apoio do PT também?
Não, eu acho que o Jarbas é uma liderança hoje no nosso estado que se consolidou à frente do Ministério Público. O Jarbas tem um reconhecimento, inclusive, de muitos prefeitos no nosso estado, de vereadores. Eu me recordo que ele fez um projeto muito interessante na época no MP, que era o Compor.
que trazia ali prefeitos e trazia os promotores para um diálogo, para uma composição, para não ter que o prefeito ficar ali respondendo tudo quanto é processo. Não estou falando que todo prefeito é santo, não. Mas a gente chegou num momento nesse país de muita criminalização da política. Partiu-se da presunção de que só de ser gestor você já era bandido.
Então tinha prefeito que depois deixava o mandato, tinha 20 processos para responder, já não tinha mais a procurador do município para poder estar defendendo. Então eu acho que a criminalização da política foi ficando um problema. A Lava Jato mostrou muito isso. E o Jarbas, naquele momento, eu acho que ele teve essa leitura e tentou construir um novo ambiente.
eu vejo qualidades nele para poder também contribuir com a vida pública. Agora, a questão da gente estar apoiando é uma discussão que passa pelas gerações dos nossos partidos, pelas viabilidades eleitorais, mas eu acho que pela biografia é o nome que há de ser considerado, caso queira ser candidato, e mostra que tem competitividade. Deputado, agora falando um pouco de Assembleia, como que avalia esse início aí dessa gestão do Matheus Simões e também dessa relação do governador agora com a Assembleia? Mudou alguma coisa do que era do governador Romeu Zema?
Nada ruim. Quem é a base? É base numa condição de ter o apoio da máquina do Estado, porque a eleição vem aí e precisa às vezes da emenda extra, precisa às vezes do apoio do Estado. E nós que somos oposição, as pautas são péssimas, péssimas. Eu acho que a vida do Matheus está uma vida mais complicada. A vida mais complicada. Você vê o caso do secretário de Educação, né? O cara saiu aí numa acusação de um esquema de mais de 300 milhões. É horroroso.
Então, acho que isso começa um pouco a arranhar a imagem do governo. Você viu a última pesquisa da Quest, que a avaliação do governo começa a cair, o Matheus não melhora o desempenho. Porque, te falo honestamente, os deputados lá não têm boa relação com o Matheus, nem os da base. Tem deputado da base que fala que o Cristiano é autoritário, é arrogante.
é professor de deus né ele sabe de tudo é gente tudo o cara consegue arrumar confusão tribunal de justiça consegue arrumar confusão tribunal de contas agora o euro preto em chute abriu uma deselegância com o joelho oswaldo eu acho que a vida dele muito complicada e ele também agora passa ser herdeiro problemas que eles vão ter que responder porque esse governo letícia um governo que não tem política por exemplo a proteção das mulheres minas gerais
Eu propus lá na Assembleia a gente criar um auxílio transitório para a mulher vítima da violência. Foram lá e vetaram na alta. E o Estado é um dos Estados onde a mulher mais morre nesse país. Nós propusemos lá que a servidora do Estado, em situação de violência, pudesse ter o direito de remoção. Ah, mas aí, deputado, você está criando um negócio para ela poder ter transferência mais fácil.
Não, ela não vai para onde ela quer, ela vai para onde tiver vaga. Ela pode falar, eu sou de Belo Horizonte, nasci em São João do Rei, mas aqui, eu sou de Belo Horizonte, mas trabalho em São João do Rei, mas eu só tenho vaga lá em Unaí. Se você quiser ir, enfim, a vaga é lá, mas você vai ficar longe do agressor para salvar sua vida. Vetaram, foram contra.
Debate de inclusão. E eu falo muito sobre autismo, vocês me acompanham, sabem muito sobre autismo. Vamos propor centros regionais de autismo? Vetaro. Vamos propor o cuidado de quem cuida, das mães cuidadoras, não só de autismo, pessoas com deficiência, idoso? Vetaro. Vamos propor aqui criar curso de TO e Fono, não Eng, não Unimontes, porque você só tem faculdade pública na FMG, no Triângulo? Vetaro.
Não tem uma agenda da inclusão, nós vamos trazer isso à luz. Então, é um governo que é muito bom e generoso para os empresários, que aí os benefícios fiscais chegam a 22 bilhões, dobra recursos de publicidade, 7 milhões para os banquetes, mas na hora que você precisa de um dinheiro, para a mulher vítima da violência, para as mulheres que são cuidadoras, para cuidar das pessoas com deficiência, não tem uma pauta. O Matheus é herdeiro disso tudo.
Falando um pouco sobre o secretário, esse escândalo que aconteceu, dessa demissão do secretário, a gente teve demissão de dois secretários em um curto espaço de tempo. Isso preocupa a Assembleia? Esse governo está mais imprevisível? Imprevisível, mostra que não tem planejamento, mostra que não tem continuidade das ações, porque o governo só faz planejamento.
E aí o que você percebe é o seguinte, que as ações estão sendo descontinuadas. O governo tem revés, quando vinha falar lá da privatização das escolas, que vocês acompanharam, teve um revés. O governo agora um revés nas escolas cívico-militares, tem revés também, um ambiente muito ruim para essa discussão que eles estão tentando bancar. Virou a grande pauta do Estado, grande bandeira de Matheus Simões para Minas Gerais, escola cívico-militar, gente.
Cuidado das escolas que nós temos, né? Tem muito problema nas escolas do Estado, que atende as pessoas em cada pequeno município. Então, veja bem, o vice-governador, ele está mais preocupado em vender um imóvel do Estado, onde funciona uma, ou a UENG, para, sei lá, 100, 200 milhões, mas não está preocupado com o escândalo que tirou mais de 300 milhões lá das cartilhazinhas do secretário de Educação. Então, vejo que o governo está extremamente perdido, descontinuado, sem organização e sem planejamento.
Eu ia apertar justamente isso, como que o senhor viu essa denúncia contra o secretário de Educação? Se acredita que o governo sabia já há mais tempo dessas polegas? Já havia precedentes em outros lugares do qual o secretário tinha passado, já havia elementos. Então, como diz, eu acho que faltou do governo certo zelo em cuidar da nomeação que estava fazendo. Vira e mexe nesse governo, você tem alguém envolvido com algum rolo. Outro dia era um conselheiro, um diretor da Copaz, teve rolo.
Aí secretário de educação. Aí na hora que você vai puxando, vai vendo ali, sempre tem alguém ali participando de alguma coisa. Aí depois naquela época tinha alguém do COPOM, lá do meio ambiente, envolvido lá na operação rejeito. Então vai futicando que vai achando. Então se o governo não tem participação nesses rolos, ele é altamente negligente e omisso com a relação que tem acontecido.
Mas nesse caso aí do secretário de educação, o senhor acredita que o governo agiu corretamente a demití-lo? Não tinha jeito, ficou insustentável. Como é que segura e justifica a permanência? Ali não foi opção do governo enquanto um governo que combate as irregularidades ou possíveis irregularidades, não. Ali foi repercussão que pegou muito mal, que eles ficaram sem condição de mantê-lo. Aí, qual que teve que ser a resposta? Não, saiu, né?
Falando agora um pouco da PEC, da segurança, a polêmica em torno dessa PEC, acredita que essa proposta tem chance e tempo também, chance de avançar na Assembleia?
Tudo vai depender de construção de acordo dentro da casa. A Assembleia tem os ritos regimentais, que você pode cumpri-los e, dependendo das possibilidades, se alonga e dilata muito tempo, ou você pode abreviar isso a partir dos acordos de líderes, acordo entre governo e acordo entre Assembleia. Então, eu acho que vai depender muito agora da capacidade das negociações. É possível? É possível. Mas ela vai precisar seguir um caminho de mais diálogo e menos resistência.
O senhor acredita que o governador Matheus Simão está usando essa questão aí de forma eleitoreira para poder conseguir o apoio dos PMs? Acredito.
Pontual, porque agora nesse momento, depois do governo ter ficado oito anos, o uso da máquina hoje do governo está algo escandaloso na pré-campanha do Matheus. Ele utiliza todas as viagens que ele faz para transformar a cidade que está sendo visitada em capital do estado naquele momento para fazer algum tipo de anúncio. Então, eu acho que vale o Ministério Público Eleitoral investigar o uso da máquina nesse sentido.
Além do que ele está tentando pautar, para tentar se tornar a bandeira dele, a escola cívica militar, a PEC da segurança, não sei o que mais, vale também a investigação e opurar o uso da máquina administrativa nesse momento. Em minha opinião, ele está cometendo muitos crimes eleitorais.
A oposição, principalmente, olhei na Assembleia e estuda, alguma denúncia, alguma representação em relação a esses atos que vocês consideram como campanha antecipada? Sim, o próprio Partido dos Trabalhadores, a presidente Lerinha, tem feito já vários tipos de denúncias que vêm acontecendo e entendo que vai caber mais algumas que virão institucionalmente, quanto partido, ou então os partidos que compõem a nossa federação, vai ter sim representação, porque nós vamos fiscalizar.
Eu acho que quem quer vencer a eleição tem que vencer na moral, como dizem, tem que vencer na regra do jogo. Agora, no abuso e uso da máquina como o Matheus tem feito é um absurdo.
Sobre esse tema da PEC da segurança, o senhor acredita que pode acontecer retaliação a deputados que representam a categoria, dando a outras lideranças protagonismo nessa negociação? Eu acho que tudo vai depender da dinâmica do processo. No caso da segurança, o que eu vejo?
Você tem lideranças da segurança que são consagradas, que já estão há muito tempo defendendo a pauta, que têm reconhecimento. Ainda que um outro deputado trate algum assunto da segurança, eu não vejo que há impacto político na base desses parlamentares da tradição da luta da segurança. Por exemplo, o Sargento Rodrigues. O Sargento Rodrigues é o mais longevo dos deputados lá em defesa da segurança.
Você pode, por exemplo, lá em São João do Rei, minha cidade, na época o Pimentel era governador, foi instalado lá o Colégio Tiradentes. Nem por isso segurança votou em mim, no Pimentel, votou todo mundo no Rodrigues. Então acho que alguns ali já têm um voto consolidado, sabe? E essa disputa de protagonismo só por ações pontuais não serão suficientes. Uma que o Matheus está tentando fazer é livrar a...
A barra dele, porque a aprovação deles do governo nas áreas de segurança é muito ruim. Inclusive, pediu o reforço para a Nicola ver se consegue tentar ajudar nessa interlocução. Nesse sentido que eu acho que também não é ruim, ainda que no impacto do ponto de vista eleitoral e segurança tradicionais, mas eu acho muito legal a briga entre eles de protagonismo da pauta. Para nós é ótimo.
O senhor fez críticas a essa gestão do Matheus Simões, mas a gente, falando de eleição, a gente também tem aí uma possível candidatura do senador Cleitinho. O senhor, como que o senhor avalia o senador? Acredita que pode ser o nome menos pior do que o do Matheus Simões?
O problema é o seguinte, qual é o projeto Cleitin para Minas? O Cleitin foi colega nosso lá na Assembleia. Pessoalmente não tem problema nenhum com o Cleitin. Mas do ponto de vista político, eu acho que o Cleitin às vezes é muito confuso. Porque o Cleitin construiu a sua liderança política, sua imagem, sendo um cara que faz denúncias na internet de problemas que estão acontecendo. E quase que sem responsabilidade nenhuma de ter que resolver.
Se ele virasse governador, ele vai virar governador de oposição ele mesmo? Ele vai gravar um vídeo contra o governador, do qual governador é o próprio Cleitinho? Eu não entendo como é que isso fecha. Então, acho que para você ser governador, primeiro, você tem que conhecer o Estado, você tem que saber do ponto de vista da situação econômica do Estado, os indicadores sociais do Estado, sabe? Você tem que ter um diagnóstico. Em cima de um diagnóstico, você apresenta uma proposta para Minas Gerais. Eu não conheço qual que seja o Cleitinho.
Por que eu quero ser governador? A pergunta que ele tem que responder é essa, por que eu quero ser governador? Ele fala, ah, a questão do IPVA. Eu, se eu for governador, vou baixar o IPVA em mais de 50%. Pô, bom pra caramba. Mas ele sabe qual é a fonte de receita para ele poder adotar essa medida, para compensar? Vai faltar para a saúde? Vai faltar para a educação? Vai faltar para algum lugar? Não vai não? Então ótimo. Mas ele tem que explicar como que faria isso, por exemplo. Então eu acho que o Cleitinho, ele...
É um cara complexo. Mas se você me perguntar entre Cleitinho e Matheus Simões, é isso que você me perguntou, né? Se eu tivesse que optar entre Cleitinho e Matheus Simões, Cleitinho. Por quê? Caso o Cleitinho se eleja, ele é possibilidades. Por bem e por mal. O Matheus já é certeza que é por mal.
Agora falando um pouco sobre esse processo de eleição do diretório do PT, passada essa eleição do diretório, o senhor inclusive retirou a candidatura do senhor, o senhor se arrepende de ter retirado a candidatura e agora a situação do PT está mais pacificada?
Ah, você fala da presidência do PT de Minas? Não, não, foi uma decisão muito tranquila que eu tomei, sabe, Letícia? Eu já tinha ficado o meu mandato e o mandato foi prorrogado, então, mais quase dois anos, seis anos. Nesse período eu coordenei uma eleição municipal, uma eleição nacional, outra eleição estadual, municipal, aliás, municipal.
E eu acho que minha missão foi cumprida. Eu peguei o PT, tinha um pouco mais de diretório, comissão provisória, entreguei mais de 800, quase no estado todo. Aumentamos em mais de 30 mil novos filiados. Na eleição de presidente, o único estado sul-sudeste que o Lula venceu foi em Minas. Nós coordenamos esse processo. Passamos de 10 deputados estaduais para 12, passamos de 8 federais para 10.
Então acho que tivemos bons resultados. Na eleição municipal agora, nós reelegemos prefeituras, ampliamos o número de pessoas governadas pelo PT, ampliamos o número de prefeitos, ampliamos vice e ampliamos vereadores na nossa gestão. Então eu acho que eu entreguei o PT muito melhor do que eu havia encontrado.
aprendi muito e o que eu quis fazer? Contribuir com o PT nacional. Aí eu falei, gente, eu estou deixando aqui o PT estadual, mas eu gostaria de contribuir na direção nacional do PT. Portanto, hoje eu estou na executiva nacional do nosso partido, acabei de coordenar o grupo de trabalho do partido que construiu as diretrizes para o programa de governo do Lula agora, para o presidente.
O nosso congresso aconteceu nesse último fim de semana, o oitavo congresso, então eu tive lá o momento da apresentação dos nossos resultados, da apresentação para todo o congresso, o nosso trabalho foi aprovado pelos delegados, mais de 600 delegados, e agora esse documento vai para a coordenação da campanha do presidente Lula. Então é uma honra para mim ter sido a pessoa que coordenou.
em nome do PT, as diretrizes que vão ajudar a orientar a construção do nosso programa de governo, caso um próximo mandato do presidente Lula. Então, muito feliz, acho que foi uma decisão muito correta para o PT, bom para o PT, oxigênio PT, põe para gerar também, ninguém para ficar encastelado a vida toda na estrutura do partido, e eu com o acúmulo que eu tive aqui, consegui contribuir, e é que estou começando agora, com o PT nacional.
Mas durante a campanha do Diretório Estadual, a gente teve ali divisões entre o grupo das deputadas, Dandara e Leninha. Esse mal-estar, essa divisão, isso aí já conseguiu ser superado? Já. Pode ter algum resquício aí para as eleições? E para quem acompanha a gente fora, às vezes fica assustado. Nossa, o PT rachou, agora acabou. PT tem 46 anos. Isso está no gênio do PT. Quando você olha o nosso estatuto, o nosso estatuto prevê existência de correntes internas.
Porque o PT se organiza em correntes. Eu, por exemplo, na época que eu fui presidente, eu fui presidente com representantes de 11 chapas. Então é normal. PT nacional tem isso, tem disputa. PT estadual tem disputa. Agora o PT tem essa característica. Passada a disputa, salvo raras sessões.
tem a capacidade de falar, agora vamos sentar e ter responsabilidade com o partido, né? Que se der errado, vai dar errado, é para todo mundo. E num ano como esse, de reeleição do presidente Lula, que para mim é prioridade absoluta, não tem nada para mim que seja mais importante a gente discutir dentro do PT nesse momento do que a unidade do partido em defesa do presidente Lula. Passificado. Deputado, já caminhando para o final, queria saber planos futuros para o senhor.
O senhor pretende a reeleição, o senhor falou muito aí da construção das bancadas, né? Tanto a nível estadual quanto federal.
O senhor pretende tentar a reeleição a nível estadual ou alçar a voos maiores? Não, ainda nessa eleição eu ainda fico como deputado estadual. A gente tem que tomar decisão diante do cenário. É claro que eu não descarto no futuro de disputar outros espaços, seja deputado federal, seja outro espaço na política, porque a gente quer contribuir, quer construir.
Mas ainda tem um trabalho a ser realizado aqui na Assembleia, acho que ainda tem coisa que eu preciso entregar aqui, inclusive na pauta da inclusão, que eu tenho lutado muito, questão dos autistas, pessoas com deficiência, então ainda tenho uma missão aqui, mas no futuro, no descarto, está disputando outros processos não. Até porque eu acho que tudo que eu estou vivendo e o exercício de cada mandato é um amadurecimento, é uma cúmula, é uma construção, então no futuro mais preparado para, quem sabe, novos desafios.
Novos desafios? Câmara? Presidência da República? O Lula não pode ser mais candidato, por que eu não posso pôr o meu nome para ser presidente da República? Estou brincando, eu falo que na vida, Letícia, todos os cargos que eu exerci nunca foram objetivos. Eu nem quis ser vereador, eu fui vereador lá em São João do Rio, tinha 22 anos, nem vereador não queria ser. Fui como consequência de um trabalho que a gente fazia no movimento social, falou, pô gente, tem que ter alguém para nos representar lá, porque aqui é o nosso teto.
Aí a galera me chamou, era o movimento estudantil, né? Tem que eleger um cara do movimento estudantil. Quem que nós vamos votar? Não, Cristiano, nós vamos votar no Cefs. De jeito nenhum, eu sou nervoso, brinco. Aí fiz um mandato legal com o vereador. Como consequência, projetou, virei vice-prefeito. E aí, como consequência do meu mandato do vice-prefeito, fui projetando, disputei a prefeitura, não ganhei, mas me construí politicamente.
E continuei militando. Então, todos os mandatos que eu exerço, eu vejo que sempre é construção da política.
Já que eu nunca sonhei nem ser vereador lá no passado, também não duvido até onde a gente pode chegar, tendo isso como uma visão. Deputado, queria agradecer a presença do senhor aqui hoje. Sempre muito bem-vindo também, volta mais vezes. Brilhante sim que você convidar, só chamar que eu venho. A gente fica por aqui, mas você acompanha esses e outros conteúdos aqui no canal de O Tempo, no YouTube e também no portal otempo.com.br. Até mais.