EP#147: Instituições econômicas brasileiras no século XIX, com William Summerhill
No episódio, Ana Frazão conversa com William Summerhill, Professor de História da UCLA (University of California Los Angeles), Visiting Fellow na Hoover Institution, Brasilianista e Autor dos livros Order Against Progress (Traduzido para o português com o título “Trilhos do Desenvolvimento: as ferrovias no crescimento da economia brasileira, 1854-1913”) e Inglorious Revolution.
Na conversa, o professor Summerhill explica por que desafia muitas das conclusões da historiografia tradicional brasileira, mostrando como uma economia atrasada na metade do século XIX conseguiu iniciar seu processo de transição para o crescimento econômico, sendo as ferrovias o fator mais importante desta transição. Dentre os pontos abordados pelo professor, encontram-se os fatores impediam o crescimento econômico brasileiro antes do investimento em ferrovias, os benefícios deste investimento, o papel do governo na atração dos investimentos internos e externos e como foi estruturada a associação vantajosa entre Estado e capital estrangeiro, viabilizando o contrato institucional que tornou o projeto possível. Uma das tônicas da conversa são as razões pelas quais o papel do Estado foi fundamental não apenas para atrair o investimento estrangeiro, como também para proteger consumidores brasileiros, assegurando o compartilhamento dos benefícios com o mercado nacional. Assim, o professor defende que o caso das ferrovias é realmente um exemplo de como o direito pode transformar um investimento socialmente desejável, mas inviável do ponto de vista privado, em uma meta realizável, determinando quem se apropria – e em que medida – dos ganhos.
Outro tópico da conversa é entender como o Brasil realizou uma proeza extraordinária, tornando-se, em pleno século XIX, um dos mais confiáveis devedores soberanos da periferia internacional, ao mesmo tempo em que não conseguiu grande êxito no tocante às finanças privadas, mantendo o sistema bancário concentrado, restringindo a constituição de sociedades anônimas e conservando o crédito privado caro e escasso. O professor explica esse paradoxo, dialogando com o argumento de autores institucionalistas, como North, no sentido de que boas instituições produzem desenvolvimento. Para o entrevistado, a relação é mais complexa, ou seja, que instituições que podem ser excelentes para um mercado – o da dívida pública – podem ser ruins para outro – o do financiamento privado.
Ao final, o professor ainda aborda os problemas do capitalismo de camaradagem e da concentração econômica.