A Pornografia Derrubou um Império!
Você sabia que a Revolução Francesa não foi feita apenas de ideais iluministas de liberdade e igualdade?
Neste episódio do Resenha Épica, falamos sobre o submundo da literatura clandestina do século XVIII para mostrar como a pornografia e os contos eróticos foram armas políticas letais para desmistificar a monarquia e derrubar o absolutismo francês.Vamos explorar figuras controversas como o Marquês de Sade, entender como a "literatura proibida" educava o povo enquanto o entretinha e como a vida íntima de reis e rainhas, como Maria Antonieta, virou alvo de ataques que mudaram o curso da história.
Prepare-se para uma aula de história sem censura sobre o poder da comunicação e da subversão!
📌 Neste vídeo, você vai aprender:
- O papel da prensa na democratização da leitura (até a proibida!).
- Como os filósofos iluministas, como Diderot, usavam o erotismo para criticar a Igreja e o Rei.
- A história bizarra do Marquês de Sade e sua influência na queda da Bastilha.
- Por que a reputação sexual da nobreza custou o trono de Luís XVI.
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🕒 TIMESTAMPS (Capítulos do Vídeo):
00:00 - Introdução: O segredo erótico da Revolução Francesa
01:28 - Clube do Livro: Conheça a Trinca Literária (Cupom de desconto!)
03:03 - Aviso Importante: O contexto das obras e o disclaimer
06:50 - A invenção da prensa e a popularização da leitura
09:12 - Literatura Clandestina: Como ideias proibidas circulavam
11:58 - O erotismo como arma contra o Rei e a Igreja
13:58 - O caso Maria Antonieta: Boatos que geraram revolta
15:53 - Os gastos excessivos e a luxúria de Luís XV
16:56 - Diderot e "As Joias Indiscretas": Putaria com filosofia?
23:33 - Teresa Filósofa: Educação sexual e anticlericalismo no século XVIII
27:12 - As Anedotas de Madame du Barry: Expondo a vida íntima da corte
29:22 - Quem foi o Marquês de Sade? Nobreza, crimes e perversão
31:18 - Sade na Bastilha e o megafone de vaso sanitário
36:09 - Conclusão e considerações finais
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Felipe Sampaio
Raul Trindade
- Homero e suas ObrasNobreza e comportamento sexual desviado · Prisão na Bastilha · Os 120 Dias de Sodoma · Sadismo
- A Revolução Francesa e a ruptura com a féSubmundo da literatura clandestina · Crítica ao Antigo Regime · Maria Antonieta · Luís XV
- Verdades Incômodas e Crítica SocialCirculação de ideias proibidas · Crítica à monarquia e Igreja · Diderot
- Diderot e 'As Joias Indiscretas'Erros de tradução e significado · Crítica política e moral · Sexualidade como ferramenta política
- Importância da LeituraInvenção da prensa · Popularização da leitura · Reforma Protestante
- AnticristicismoLiberdade sexual feminina · Contracepção no século XVIII · Crítica à Igreja Católica
Liberdade, igualdade e fraternidade foram as ideias iluministas que fizeram a Revolução Francesa e derrubaram o Antigo Regime.
O que pouca gente sabe é que a literatura erótica também foi responsável para ajudar a derrubar o absolutismo francês, e que figuras bem controversas como o Marquês de Sade também fazem parte desse contexto.
Eu sou Felipe Sampaio.
Eu sou o Raul Trindade.
Bem-vindos ao Resenha Épica!
Philips, rapaz, eu tenho que avisar aqui o pessoal para tirar as crianças da sala.
Ih, é pesado? É mais 18?
Rapaz, é bem intenso. Falaremos aqui de literatura erótica, de contos com conteúdo sexual explícito, mas que misturavam também ideais filosóficos que serviam para criticar o Antigo Regime, a moral da aristocracia francesa. E que levaram de alguma forma à queda do absolutismo francês. Vamos discutir um pouco esse contexto histórico. E eu tenho—
mas a gente não vai tirar a roupa, eu prometo. Isso é só no OnlyFans, tá? Vocês podem assinar. Não, tô brincando, cara.
Ficar tanto tempo sem tirar a camisa, eu imagino que seja realmente difícil para você.
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Aê, cara! E eu tenho que já começar fazendo um disclaimer aqui gigantesco, porque, cara, muitas dessas obras que nós vamos falar, principalmente as do Marquês de Sade, trazem temas que são muito problemáticos: incesto, abuso e por aí vai. Então eu preciso deixar bem claro que nós não apoiamos ou não achamos aceitável muitos dos temas que são abordados nessas obras. No entanto, falando de um contexto ali da época do reinado do Luís XV, dentro ali do século 18, essas obras elas tiveram um papel histórico, social, político que tem aí uma certa relevância e desperta um interesse, né, mexe com a nossa curiosidade.
Então, de maneira nenhuma gostaria que ficasse parecendo aqui que nós apoiamos, né, o conteúdo de alguma dessas obras, porque eu fui dar uma lida, cara, em algumas coisas e sinceramente me incomodaram assim bastante, cara.
Mas assim, eu não conheço, tá, a história do Marquês de Sade. Eu sei quem ele é assim por alto, tô aqui para aprender junto com o pessoal, né. Mas assim, também por outro lado, é, a gente não concorda e não incentiva nada que seja não consensual e nem nada que seja contra a lei. Mas eu sei, também por outro lado, a gente não condena sexualidade nem preferência de ninguém. Então assim, eu não sei muito bem, mas eu sei que quando a gente fala de Marquês de Sade A gente pode estar falando alguma coisa de sadomasoquismo, talvez, né, por aí. Não quero dar spoiler.
A palavra sadismo vem do nome dele e significa você ter satisfação em promover sofrimento a outra pessoa, né?
Então, assim, falando assim é muito bizarro, mas é, falando assim pode parecer muito bizarro para a maioria das pessoas, mas pode parecer que eu, pode parecer que eu tô defendendo demais, né? Eu acho que eu tô me estendendo muito. Não que eu curte essa parada, é que eu tô querendo dizer, me resumir ouvindo aqui, é que eu não julgo, eu não tô aqui para julgar quem gosta desse tipo de coisa e pratica consensualmente. Porque tem gente que gosta, cara, tem gente que gosta de sentir dor, tem gente que gosta de ser humilhado.
Aí se você que tá ouvindo gosta desse tipo de coisa e pratica, se for consensual, eu não te condeno de nenhuma forma, entendeu? Também não tô aqui para condenar preferência de ninguém não.
A questão que me preocupa não é nem essa, mano, é porque tipo as obras são extremamente machistas, tratam as mulheres de maneira extremamente objetificada, assim, é um nível muito baixo, né? E também assim, os relacionamentos entre pessoas adultas e menores de idade entra assim por um lugar muito, mas muito obscuro, sabe?
Aí já passa dos limites que eu falei aí de consenso e do que é previsto em lei, né? Do que é crime e o que não é.
Então assim, falando do Marquês de Sade, eu vou até deixar para falar dele por último, É um cara que conseguiu ser preso no século 18 por delinquência sexual. Século 18, um cara da nobreza que foi preso por causa da atividade sexual. Então assim, esse cara, ele era um pervertido, né? Enfim, mas eu gostaria de deixar a história dele um pouco mais para o fim, para a gente ir traçando assim uma espécie de linha lógica, né, narrativa.
E aí eu queria falar um pouco sobre a questão da leitura. O Felipe Sampaio, eu sei que você, claro que você como amante da história, o que que foi fundamental assim para disseminação da leitura no contexto europeu ali?
Ah, principalmente para, você diz a disseminação geral, né, e restrita, né, assim a popularização da leitura, né. Então a gente tá falando da invenção da prensa de tipos móveis, né, que democratizou a coisa, né, porque até então os livros eram muito caros, difíceis de serem copiados, que eram escritos à mão. E a partir da criação da prensa de tipos móveis começaram-se a criar livros com mais facilidade e mais baratos.
E nós devemos pensar não somente em livros, mas também folhetos. Algo que era curto, rápido para ser lido. Alguém que não dominasse plenamente a leitura podia ler, ou poderia ser lido rapidamente em voz alta por alguém enquanto passava pela rua, né? Então sim, com certeza. E tem também um outro evento histórico ali do século 16 muito importante, que é a Reforma Protestante, que pregava a leitura reclusa, a leitura individual ali da Bíblia.
Sola Scriptura, né?
É o quê?
A ideia de Sola Scriptura, né? Que somente a Escritura Sagrada poderia trazer a salvação, né? Então isso fez com que os fiéis lessem muito mais a Bíblia, porque é o contrário do que a Igreja Católica fazia, né?
Que a Bíblia era lida na presença de todos ali, às vezes em latim, na missa, né? Então é o contrário disso. Então uma, assim, a leitura que foi disseminada nada para que as pessoas, também por causa do protestantismo e dessa coisa das pessoas lerem a Bíblia, ela leva lá na corte do Luís XV, lá já no século 18, as pessoas a praticarem hábitos de leitura, né, hábitos de leitura mais solitários. Mas esses hábitos também levavam à literatura clandestina, a livros, a produções literárias que eram proibidas pelo absolutismo pelo governo francês.
E tô vendo onde isso vai levar aí.
Pois é, é claro que nós estamos falando da literatura erótica, mas os livros dos filósofos iluministas, os mais conhecidos, o Diderot, Rousseau, Montesquieu, eram proibidos também. Esses autores também já tiveram que fugir para não ser presos. E esses livros, eles circulavam no mercado clandestino de literatura E foi assim que as pessoas foram tendo acesso. Páginas eram escondidas entre livros que eram permitidos, ou caixas de outras mercadorias eram usadas para esconder livros no fundo.
Os editores, como é que fala o pessoal que faz os livros, as tipografias, né, o pessoal ali que fabricava os livros fazia isso à noite, às escondidas. Então já haviam estratégias para divulgação dessas ideias iluministas, elas já tinham uma certa permeabilidade na sociedade, mas eram ideias filosóficas, né, bem elaboradas, assim, muito até rebuscadas para o grande público, para o público comum, semi-letrado, né, semi-letrado ainda tateando ali na alfabetização.
E um outro tipo de literatura de interesse popular, que era a literatura erótica, vai aproveitar essa clandestinidade para ser divulgada. E isso é— e essa literatura, ela vai ser ali também marcada pela crítica social ao Antigo Regime, aos excessos da nobreza, e também a moral que era difundida pela Igreja e também pela monarquia francesa. Não dá para dizer que foi essa literatura de cunho sexual que derrubou o Antigo Regime. Claro que não.
A insatisfação popular, as más colheitas, né, aquelas explicações clássicas que a gente tem para Revolução Francesa explicam muito mais o fim do absolutismo na França. No entanto, a gente não pode negar que boa parte dessas ideias relacionadas à crítica à monarquia foram disseminadas por literatura erótica, cara. Tu sabia disso?
Negativo, nunca soube. Então, no caso, era uma forma mais popular, né, de disseminar as ideias ali nas camadas mais pobres, né? Então, porque, cara, a comunicação ela sempre, sempre levou ao erotismo em algum momento, né?
Porque tem grafite lá no Egito antigo, lá numa caverna, né? Grafite erótico.
Tem Roma antes de Cristo, já tinha desenho de pênis nas ruas de Roma, entendeu? Então assim, isso, isso é uma coisa que é comum a todos nós em todas as épocas, né?
De fato, mas a sociedade francesa do século 18, a corte do Luís XV e XVI, não só essas, né, mas é porque basicamente os autores que nós vamos falar aqui hoje, as histórias, elas vêm desse contexto histórico e é o contexto também do finzinho ali do absolutismo na França, né. Essa era uma corte que tinha uma imagem, né, que tentava propagar uma imagem moralista que era preciso ter práticas religiosas, né, castas, que colocava a figura do rei como sagrada, como alguém ligado à majestade divina, né, de fato um escolhido pelos deuses.
E esse tipo de literatura pornográfica, não tem outra palavra, tirava o rei desse aspecto religioso, desse aspecto moral, criticava duramente esse moralismo da monarquia e da Igreja Católica. Porque os personagens dessas histórias eram padres, bispos. A própria vida íntima do rei foi muito explorada por essas histórias. Inclusive, a rainha não tinha sossego, né? Usaram a figura da rainha para tudo quanto é tipo de história. A própria, como é que chamava?
Meu Deus, me fugiu o nome da esposa lá do Luís XVI, a Maria Antonieta. Isso. Nossa, Maria Antonieta, escreveram centenas de histórias, né, sobre ela. E essas histórias, elas tinham como base—
a gente gravou um episódio sobre a Maria Antonieta, você tava falando aí, eu lembrei. E realmente, cara, uma das coisas que fez ela ficar muito impopular foram esses boatos de que ela era muito promíscua, né. Teve aquele caso lá que ela que ela foi acusada de ter relações com um arcebispo, não teve? Teve. E eu lembro que realmente existia na época, existiam vários panfletos que eram disseminados de desenhos debochosos dela, dela tendo relações com outros homens, entendeu?
De textos maliciosos ali acusando ela de ser promíscua, acusando ela de incesto com o próprio filho. E esse tipo de coisa. Então realmente o que você tá falando faz todo sentido, porque isso é uma arma muito forte, né, de, para gerar revolta na população, né, disseminar esse tipo de conhecimento, cara.
E o problema é que de fato a corte francesa, ou mentira, né, pode ser também, que a corte francesa realmente tinha um comportamento sexual muito, muito complicado, muito questionável. O Luís XV construiu lá um palácio, né, um palacete dentro do território do Palácio de Versalhes, que era o Petit Trianon, Petit Trianon, que era para sua principal amante, principal amante, não era a única, que era a Madame de Pompadour. Acho que é esse o nome dela, agora deu assim um certo branquinho.
E que depois foi utilizado como residência da sua outra amante, após a primeira morrer, que era a Madame de E aí, esses, assim, o rei já tinha um comportamento sexual bastante conhecido, né, principalmente entre a nobreza, no sentido de ter várias amantes, de, enfim. E isso representava um gasto de dinheiro excessivo, uma luxúria que custava caro aos cofres públicos. O que começou a ficar insustentável foram os gastos da nobreza, esses privilégios absolutistas.
E as pessoas começaram a ver que o rei na verdade era desonesto, era incompetente, e que essas histórias que o ridicularizavam também sexualmente colocavam ele como uma pessoa baixa, como uma pessoa que não devia ser respeitada. Então isso fez com que, de maneira geral, as pessoas comuns passassem a não se importar mais com a figura do rei. Se o rei está doente, e daí? Se o rei morrer, e daí? Então, quando se desmistifica essa aura que a nobreza tinha, é onde surge o espaço para a Revolução Francesa.
Afinal, isso seria impensável antes, né? Então, é nisso que essa literatura interfere aí na queda do absolutismo. E aí eu queria falar de alguns casos específicos. Você já ouviu falar no Diderot? Não, o Diderot é um dos principais filósofos do Iluminismo. Ele é um dos, é atribuído a ele a ideia da criação do enciclopedismo, né? A ideia das enciclopédias mesmo. É o pai do Google, né? Se a gente for pensar bastante, da Barça. Quem, eu acho que todo mundo que acompanha a gente aqui sabe o que que era enciclopédia, né, cara?
Mas Eu acho que a molecada mais jovem assim da escola não sabe não, porra, mano. Antes de existir o Google, existiam uns livros que eles eram organizados com verbetes de informação sobre tudo, sobre tudo que você imaginar. E aí tinha de A a Z, cada livro tinha ali, sei lá, de A até o C, aí o próximo livro do D em diante. Enfim, era livro para caralho, dava 20 livros. E quando você precisava fazer uma pesquisa na escola, em vez de procurar no Google, você ia lá na enciclopédia. Eu cheguei a fazer pesquisa utilizando enciclopédia ali.
Agora até o Google já tá ficando, já tá ficando para trás já, né, pessoal? Nem precisa mais pesquisar, só pergunta para IA.
É verdade, aí já faz essa pesquisa, né? Enfim, o Diderot tinha essa ideia porque ele acreditava que o conhecimento ele precisava ser disseminado, que aquela ideia da luz, né, do Iluminismo E que era assim que as pessoas iriam conseguir se autogerir, né? Enfim, o Diderot escreveu uma dessas obras de literatura erótica, cara. Então assim, percebe que as coisas estavam ali entrelaçadas, né? E se misturavam, cara. Para os escritores era complicado assim se manter nesse mercado literário francês, né?
Pequenos escritores tinham muita dificuldade de vender as suas obras, até você se tornar famoso, ainda mais obras que eram consideradas clandestinas. Então, obras ou romances que talvez tivessem um apelo popular maior eram muito tentadoras para certos escritores. E também isso mostra muito ali das características pessoais, né, da subjetividade desse autor. Ele escreveu um livro que, num francês assim completamente deturpado, que eu vou tentar expressar aqui agora, Seria Les Bijoux Indiscrets.
Eu não faço ideia como seria isso em francês, de fato, que seria algo como As Joias Indiscretas. E aí, cara, eu vou fazer um exercício muito divertido para mim, vou te perguntar sobre o que que você acha que é esse livro.
As Joias Indiscretas?
Exatamente.
Não, agora eu só vou conseguir imaginar que é alguma coisa sobre sexo. Não vou conseguir imaginar outra coisa. Então provavelmente, será que tá falando de órgãos genitais? Sim, cara, será que essas são as joias?
Exatamente, tipo, matou a charada. Só que tem mais. De fato, a joia era como se fosse uma gíria para partes íntimas femininas, mas a história é sobre um cara que tinha um anel, uma joia que tinha um poder mágico de fazer com que as partes íntimas femininas falassem. De Diderot, o cara do Iluminismo, escreveu esse livro. E aí, através do desenrolar da história, críticas à moral, né, que eu já falei antes, as questões políticas, ao esbanjamento da nobreza, a vida sexual da corte francesa são trabalhadas ali nas obras.
Então a pessoa que tá lendo isso por entretenimento, ela acaba sendo educada politicamente. Isso não é muito doido?
Sem perceber, né? Ela tá ali só pela putaria.
Exatamente.
E acaba, acaba sendo consciente politicamente.
A sexualidade das pessoas sendo usada como instrumento de mudança política, de revolução política. Eu não sei se isso acontecia de propósito, eu acho que sim, Mas isso não é muito doido de se pensar?
Será uma boa ideia, cara, uma boa ideia. Poderia voltar a ser feito, inclusive. Imagina, cara, uma, sei lá, uma professora de ciência política fazendo um OnlyFans.
Calma lá, cara, calma lá, tá indo longe demais.
Uma aula de filosofia, professor fazendo aula de filosofia pelado, talvez, talvez despertasse aí a curiosidade de algumas pessoas, pô.
Cara, isso não, mas eu acho que às vezes falta a gente trazer aspectos humanos de fato para aula de história.
Você não tá trazendo esse tema aqui para sugerir nada não, né? Você não tá sugerindo aqui fazer conteúdo adulto no Resenha não, né? Pelo amor de Deus.
Eu já sugeri isso faz muito tempo, cara. Você não lembra a época que o Bruno tinha um livrão assim?
Eu falava que o OnlyFans do Resenha era ele só com livro, ia tampar ele todo.
Mas enfim, dentre esses escritos, né, essas obras, lembrando que isso circulava sempre de maneira clandestina, e tinha a figura ali do vendedor ambulante de livros, o cara que botava uma cestinha aqui no braço, no ombro, e saía caminhando vendendo vendendo livros, chegava nos interiores, nas áreas rurais, ia disseminando essa leitura. E como eu falei no início, não era só livro mesmo, mas também folhetos, né, cartazes, e que tinham um apelo popular muito maior, porque da mesma raiz aí da literatura de cordel tinha imagens, cara, para as pessoas lerem.
Então tinha a intenção de informar de maneira muito didática muito assim direta e também de ridicularizar, de satirizar essas figuras proeminentes, a rainha, o rei, pessoas da corte, pessoas da igreja.
Ou seja, já tinha charge naquela época, basicamente, né?
E pensa, cara, isso assim, a profundidade social que isso poderia ter, né, entre as camadas mais populares. Enfim, dando sequência, falando aqui de uma outra obra, né, essa do Marquês d'Argens, enfim, Jean-Baptiste Boyer, o nome dele. Ele também escreveu uma das obras mais famosas, que é Teresa Filósofa, ou Thérèse Philosophique. Cara, diretamente falando de filosofia no próprio título, né. Então é literatura erótica, mas também é essa, essa coisa de divulgar esses ideais filosóficos.
E aí a gente traz a questão da figura feminina, da liberdade sexual ali da mulher. É claro que essa obra ela é muito machista, ela é completamente objetificada, né, a mulher é muito objetificada nesse livro, mas há discussões entre a tal da Teresa e mulheres mais velhas sobre como evitar a gravidez, por exemplo. Isso para a sociedade cristã ali do século 18 é algo, porra, é controverso demais assim.
É algo que não, até porque assim, para o cristianismo católico e também para algumas vertentes do protestantismo, né, algumas religiões evangélicas também, né, algumas igrejas evangélicas, melhor dizendo, eles consideram que você tentar se prevenir de uma gravidez é um pecado, né, que você não poderia tentar impedir uma gravidez, né. Tanto que, por exemplo, até há métodos contraceptivos, tipo a camisinha, teoricamente não poderiam ser usados, né.
Eu acho que dentro da Igreja Católica a gente tem essa visão assim de, a gente fala muito sobre católico não praticante, né. Então assim, existe É essa figura da pessoa que é católica, que acredita, que tem fé naquilo, mas ela não segue ao pé da letra todos os dogmas. Ela, ela, né, pensa sobre aquilo ali, reflete e utiliza o que é melhor para ela. Mas em teoria, se a gente fosse radical, a Igreja Católica não permite nenhum método contraceptivo.
Pois é. E se esse tema ele já é áspero hoje, né, para religiosidade, imagina para uma sociedade ali do século 18. Exatamente, é para uma sociedade fortemente ligada à religião, cara. E isso representa a Teresa Filósofa, né, o anticlericalismo do Iluminismo, que é essa ideia de criticar as estruturas da Igreja Católica, no caso da França, né, da igreja de maneira geral. E a Teresa Filósofa, lá nas histórias que estão nesse livro, ela vai ter ali longas discussões filosóficas com os personagens que ela encontra.
Além também de longos trechos de erotismo puro. Então não é só, cara, além de muita safadeza, de putaria para caralho. Pois é, libertinagem. Ai, meu Deus. E pô, foi o best-seller da época sendo clandestino, né? Tipo, era uma parada que ninguém podia ler, mas que todo mundo tinha. E é assim que, por exemplo, a gente explica como é que muitos desses livros iluministas Eu falo os filosóficos mesmo, sem conteúdo adulto, chegavam aqui no Brasil, por exemplo, era clandestino, cara, mas o pessoal dava um jeito de disseminar essas ideias.
Isso aí tava circulando entre as pessoas. Tipo assim, são retratos, né, de uma época e mostrando que ideias contrárias ao status quo, regime vigente, existiam e ganhavam força ali sem que ninguém percebesse, né. Um outro autor que eu também quis destacar nesse episódio é um cara chamado Mathieu François-Pied-de-Zan-Mariobert, que também escreveu uma obra muito interessante, que numa tradução livre aqui seria As Anedotas de Madame Comtesse de Beauhéry, que como eu disse agora há pouco era a segunda amante do Luís XV.
E anedotas nesse caso não quer dizer necessariamente história engraçada, Inside quer dizer histórias ocultas, né, histórias escondidas, secretas. E ele vai expor, cara, a vida sexual do Luís XV e das suas amantes, as tramas, vai explanar a parada, vai botar no livro e publicar as tramóias ali da corte, os excessos das cortesãs, os luxos que eram pagos com dinheiro, né, do governo francês. E vai ainda expor aspectos ali da vida íntima do Luís XV, que acredita-se que é uma obra literária, mas que tem ali um fundo na realidade mesmo.
Inclusive, cara, não é gratuita. O Luís XV, ele teria morrido— isso é uma história ainda que é meio obscura— em função da sua perversão sexual. Ele teria se engraçado por uma jovem camponesa, jovem mesmo assim, sei lá, 18, 19 anos. E aí a mulher tava doente, mas alguém ligado inclusive à Madame de Bourghy, se não me engano irmão, cunhado dela, ofereceu uma grana para essa jovem se deitar com o rei. E essa jovem estava com varíola, mano.
E aí o rei teria contraído varíola e morreu. Logicamente essa não é a versão oficial da morte do Luís XV, mas ele teria morrido, mas é muito provável. Se não me engano, 1774 que ele morre, e aí se torna rei o Luís XVI, já muito próximo ali ao momento da Revolução Francesa, né. Bom, e como eu deixei por último, né, tinha avisado aí a galera, vamos falar agora do Marquês de Sade. Cara, o Marquês de Sade é interessante porque ele vem da nobreza, ele não vem da burguesia.
Enfim, ele era um nobre que alegava ali uma descendência dos francos, o que era bem questionável, né, para nobreza da época. E ele tinha um comportamento sexual completamente desviado e também foi um autor de livros que foram assim considerados horríveis, né, em sua própria época. É muito do que se sabe a respeito do que ele escreveu foi porque depois, anos após a sua morte, foi recuperado. E muito do que ele escreveu foi queimado, foi destruído, porque era completamente inaceitável para época.
E aí tem uma história engraçada dele, né, que enfim, ele tinha esse comportamento que para época já era considerado criminoso. E aí não foi a primeira vez que ele foi preso, mas ele teria sido preso por algumas práticas realizadas com prostitutas, por ele e por um servo, por um criado. E aí, cara, essas práticas envolvem, raparigueiro, raparigueiro para dizer o mínimo. Aí essas práticas envolveriam o que eles chamavam de sodomia, de torturas, Enfim, ele foi acusado de coisas bem escandalosas para época.
E aí foi preso na Bastilha, que era a prisão dos presos políticos do Antigo Regime, né? Então, como eu disse, para ele chegar a ser preso nessa época é porque o cara realmente fazia coisas muito, muito cabulosas. E na cela tinha um cano de metal que era usado ali para as fezes serem descartadas. Ele usou esse cano de metal como megafone e começou a gritar na janela da cela para quem passava pela rua. Imagina isso! Pois é, que os presos estavam sendo degolados lá dentro, que tava acontecendo umas barbaridades.
Aí levaram ele para um asilo lá de loucos. Ele acabou sendo importante assim para—
ficou gritando no vaso, na privada.
É tipo isso, né? Para chamar atenção para as pessoas.
Desculpa te interromper, mas isso me lembrou, cara, uma coisa. Eu tava assistindo, eu gosto muito de ver, é assim, umas séries documentais, né, de sobre criminosos, né, sobre prisioneiros e coisa assim. Uma dessas séries assim, diria que é quase um reality show assim, mas é uma dessas séries documentais que eu tava vendo era sobre a vida, né, de alguns presos nos Estados Unidos. E isso que você falou me lembrou, porque é a prisão que eu vi, se eu não me engano era em Nova York, ela era um prédio assim, eram vários, vários andares de cadeia.
E tipo, em cima ficavam os homens e embaixo ficava a cadeia feminina, e eles conversavam entre si pelo vaso. Eles descobriram, eles descobriram uma forma de esvaziar, tirar aquela água da privada, né? Eles fechavam o registro da descarga, tiravam toda a água da privada e falavam ali pela privada, que tipo assim, a voz ecoava pelo esgoto, entendeu? E eles ficavam conversando como se fosse um telefone, os dois, os dois assim com a cara no vaso assim. Aí você falou isso, me lembrou agora.
Olha aí, referências. Mas pô, tipo, a Revolução Francesa, qual foi assim, qual é o marco da Revolução Francesa? É a queda da Bastilha, quando os revoltosos vão lá e destroem a Bastilha, né? Só que o Marquês de Sade já não tava mais preso lá justamente por causa desse episódio, já tinham mandado ele para um hospício. E depois que a Revolução Francesa acontece e eclode Ele acaba até tendo ali um cargo no governo revolucionário do período do Terror.
Ele até apoia alguns excessos, né, desse período do Terror. Mas por fim ele acaba sendo considerado inimigo da Revolução Francesa e tem seus últimos dias aí entre idas e vindas num hospício. E o maneiro é que ele organiza umas peças teatrais lá nesse hospício com as pessoas internadas. Para a aristocracia francesa. Assim, o pessoal ia lá e achava graça. Lembrando também, principalmente para quem deu uma lida aí em Foucault, esses hospícios não eram necessariamente lugares para pessoas que tinham algum tipo de doença ou comprometimento intelectual.
Muitas pessoas que não tinham problema nenhum eram mandadas para lá por não se adequarem às normas sociais, a moral da época, né.
Então, pessoas diferentes, né? Isso aconteceu por muitos e muitos anos, né? Até aqui no Brasil a gente tem o caso aí, entre aspas, recente, né? Foi literalmente um holocausto que teve aqui lá em Minas Gerais. Mas assim, não vamos estender muito nisso não, mas é um assunto muito interessante. A questão de saúde mental na história, né, muito interessante.
Então, a história do Marquês de Sade e das obras que ele escreveu são mais um desses exemplos de como essa literatura libertina serviu para questionar os excessos da monarquia e para explicitar os escândalos que aconteciam ali dentro e talvez ninguém ficasse sabendo. O Marquês de Sade era o que ele escrevia. De fato, ele tinha esse comportamento muito questionável. Uma das suas obras mais famosas é Os 120 Dias de Sodoma, Que eu não recomendo a leitura.
O nome é sugestivo, mano.
É pesado, irmão, é pesado, é pesado. Eu fui dar uma olhadinha assim para tipo, porra, nunca li essas obras, cara, eu tinha que dar uma lida, né, para falar e tal. E não vale a pena não, irmão, é melhor ler a crítica mesmo que foi feita. Enfim, é isso a minha opinião. É claro que cada um tem a sua, tá? Alguns consideram Marquês de Sade como se fosse uma espécie de Shakespeare. Da literatura erótica. O fato é que de alguma forma esses autores contribuíram para o fim do Antigo Regime.
E quem diria, né, que esse tipo de literatura estaria relacionada aí uma das maiores mudanças políticas da história. Para você que ficou até aqui, muito obrigado! Se inscreve aí no canal do YouTube, deixa um like no vídeo, segue a gente também no Instagram, também estamos no Spotify. Deixa aí nos comentários o que que você achou, se você sabia dessas histórias que a gente comentou aqui hoje. E aquele abraço e até a próxima. Valeu!
Tá escutando uma gritaria? Parece que tá havendo uma certa comoção por aí. Tô ouvindo, tem alguém gritando chupa Alemanha! Será que a Alemanha foi eliminada da Copa?
Ah, caraca, é isso mesmo!
Será que foi embora e o pessoal tá comemorando a eliminação da Alemanha? Caraca, feridas aparecem nesses momentos, né?
Não acho estranho não, cara. Depois daquele 7 a 1, não dá para a gente esquecer nunca.
Ai, meu Deus, uma criança na janela gritando chupa Alemanha! Esse moleque tinha nem nascido se brincar de 2014.
Trinca Literária
Clube de assinatura de livros trimestral