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22 Toneladas de erva no Mar: A Inacreditável História do Verão da Lata

04 de agosto de 202630min
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Você já ouviu falar do dia em que o mar do Brasil "entregou" 22 toneladas de maconha? No final dos anos 80, um evento bizarro parou o litoral brasileiro e mudou a cultura popular para sempre: o lendário Verão da Lata. 🌊🍃Neste episódio do Resenha Épica, Filipe Sampaio e Raul Trindade mergulham nos detalhes dessa história que parece ficção, mas aconteceu de verdade. Entenda o contexto do Brasil em 1987, a perseguição ao navio Solana Star pela DEA e pela Polícia Federal, e como milhares de latas seladas a vácuo foram parar nas mãos de pescadores e banhistas, desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul.Descubra por que a "maconha da lata" era considerada tão superior, o destino curioso do cozinheiro do navio que ficou no Brasil por amor, e como esse incidente bizarro transformou o termo "da lata" em sinônimo de algo excelente.🚀 Não perca nenhum detalhe dessa resenha histórica!📌 No vídeo de hoje:O contexto do Brasil em 1987 e a redemocratização.O mistério do navio Solana Star e a rota do tráfico.Por que as latas foram jogadas ao mar?A reação da polícia e a "corrida pelas latas" nas praias.O destino final do navio que hoje é ponto turístico.✨ Gostou do conteúdo? Inscreva-se no canal para mais histórias épicas e curiosas! Deixe seu like e comente: você já conhecia a expressão "da lata"?Capítulos :00:00 - Introdução: O que foi o Verão da Lata? 01:25 - O contexto do Brasil em 1987 03:25 - A dificuldade de fiscalização na costa brasileira 05:15 - O navio Solana Star e a rota internacional 07:10 - A operação da DEA e da Polícia Federal 10:45 - O descarte das 22 toneladas no oceano 11:55 - Por que a maconha estava em latas? 13:10 - A qualidade da "Thai Stick" tailandesa 15:35 - A chegada do Solana Star ao Rio de Janeiro 16:25 - O mistério do cozinheiro Stephen Skelton 19:55 - O valor milionário da carga descartada 20:35 - Relatos curiosos dos pescadores (Caiçaras) 22:50 - Como surgiu a expressão "da lata" 25:10 - Estatísticas das latas apreendidas 27:40 - O julgamento e o desfecho da história 29:40 - Onde está o navio Solana Star hoje?Siga o Resenha Épica: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/resenhaepica/ 🎙️ Spotify: https://open.spotify.com/show/0e6KSypVIVOw2yv9LyyAGR?si=0e137de218634c67#VerãoDaLata #HistóriaDoBrasil #ResenhaÉpica #SolanaStar #CuriosidadesHistóricas #Anos80 #RioDeJaneiro

Participantes neste episódio2
F

Filipe Sampaio

Host
R

Raul Trindade

Co-host
Assuntos5
  • Verão da Lata 1987Navio Solana Star · 22 toneladas de maconha · Polícia Federal · Terras raras brasileiras
  • A maconha 'da lata'Thai Stick · Embalagem a vácuo · Óleo de THC · Comparação com maconha paraguaia
  • Caso navio MV OndiosStephen Skelton · Cozinheiro apaixonado · Julgamento e Condenação · Caso navio MV Ondios
  • Relação Brasil-EUA e Eleições· PoliticaRedemocratização · Governo Sarney · Consumo de drogas · Hiperinflação
  • A expressão 'da lata'Eleições Rio de Janeiro · Sinônimo de qualidade · Popularização da maconha
Transcrição65 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
FSFilipe Sampaio

Em 1987, um navio jogou 22 toneladas de maconha no oceano para escapar da polícia.

RTRaul Trindade

Dias depois, o mar começou a entregar essas latas na praia. Então começou o conhecido Verão na Lata.

FSFilipe Sampaio

Eu sou Felipe Sampaio.

RTRaul Trindade

Eu sou Raul Trindade.

FSFilipe Sampaio

Bem-vindos ao Resenha Épica! Tipo de história absurda que só poderia ter acontecido no Rio de Janeiro. Não foi só no Rio, né, mas tinha que ser aqui. Eu até botei aqui, ó, uma camisa homenageando o nosso ícone aqui, ó, Zeca Pagodinho. É o ícone aqui do Rio de Janeiro para falar dessa história, cara, doida aqui, que a gente tava até conversando antes de gravar, né, que nem é ficção. Raul tava dizendo que nem a ficção conseguiria criar uma história dessa, né?

RTRaul Trindade

A ficção tem que ser surrealista, cara, pra chegar perto da realidade.

FSFilipe Sampaio

Foi isso mesmo, pessoal. De 87 pra 88, as pessoas iam para as praias do Brasil, principalmente no Rio e em São Paulo, para pegar maconha. Mas como isso aconteceu? Como quase 22 toneladas de maconha foram parar no mar aqui na costa brasileira? Pra gente entender como isso aconteceu, a gente pode fazer um contexto aqui, né, no que tava acontecendo, né. Isso aqui é o Brasil no ano de 87, na época da redemocratização, fim da ditadura militar.

E por que que isso é importante? No governo Sarney. Mas por que que é importante falar isso? A gente tá falando de um período de transição que ainda não tinha sido feita a Constituição de 88, que é o que rege a gente até hoje. A gente tava vindo de um governo de uma ditadura, né, com um aspecto mais moralista inclusive da sociedade de maneira geral. Exatamente. Então era um, o final dos anos 80 foi uma época assim de loucura total.

Se vocês procurarem os programas de televisão, por exemplo, você vê que assim é como, sabe, você já ouviu aquela expressão cavalo criado amarrado quando se solta se machuca?

RTRaul Trindade

Eu entendi o que você quer dizer.

FSFilipe Sampaio

É o brasileiro, é o brasileiro nesse momento. O que que aconteceu no final dos anos 80, cara, é que foram muitas décadas de assim, de um governo muito moralista e muito, com muita censura. E quando esse governo acabou, meu irmão, tudo era lícito, tudo era loucura. Então a televisão era doideira, era nudez para caramba, os programas maluco, o consumo de drogas nessa época foi para estratosfera. Entendeu? Isso ligado com um problema de hiperinflação também, entendeu?

Então assim, o consumo principalmente da maconha e da cocaína tava gigantesco no Brasil nessa época aqui. Aqui que vai ser a época também que vão começar os grandes traficantes de drogas, muito bem armados, como a gente falou no episódio lá sobre Cidade de Deus, né, por exemplo. Então isso tudo vai culminar numa população meio desregrada, cara, meio doida, entendeu? Principalmente aqui no Rio e São Paulo. E nesse período, nessa época aqui, tem um outro fator que vai propiciar essa história acontecer também, que era uma dificuldade muito grande dessa fiscalização na costa brasileira.

A costa brasileira é muito grande, cara. E são quase 8 mil quilômetros de costa, pô.

RTRaul Trindade

Pois é. E o mar, né, 300 quilômetros da costa, tipo, é longe para caramba, ninguém vê nada, né? Então rastrear o navio, né, acho que é isso que você tá querendo dizer, assim, você ficar de olho nas embarcações que passavam era complicado, não tinha satélite.

FSFilipe Sampaio

O Brasil sempre teve, sempre foi muito difícil a gente controlar o que chega aqui pela costa, né? Isso desde sempre, desde o início do Brasil, né? Como o Brasil é tanto que assim, o até pesar o clima agora, mas eu vou ter que falar, até o tráfico negreiro, né, o tráfico de pessoas escravizadas da África foi gigantesco aqui no Brasil por isso. Porque mesmo assim demorou muito tempo para ser proibido, e mesmo depois de ser proibido continua acontecendo.

Porque, cara, quem é que ia impedir um navio de chegar aqui, entendeu? É uma costa gigantesca.

RTRaul Trindade

Existia o comércio clandestino, existia o comércio de escravizados, que era fiscalizado, é contado, contabilizado. E existia a parte clandestina, os navios que chegavam aqui sem o controle da coroa portuguesa também.

FSFilipe Sampaio

Exatamente. Então isso já é uma característica do Brasil, de ter essa costa gigantesca que é difícil de patrulhar.

RTRaul Trindade

Isso até hoje, né, cara? Voltando antes ainda do que você tava falando, os franceses e os portugueses passaram um século aqui na disputando a costa brasileira, né, comercializando aí com os indígenas no Rio aqui, inclusive. É Rio-São Paulo.

FSFilipe Sampaio

Qual que é a estrela? Acho que a estrela é um bom nome para o protagonista dessa história aqui, é o Solana Star, que é um navio negreiro, um navio negreiro. Olha que loucura, embolou tudo na minha cabeça. Navio cargueiro que foi registrado lá no Panamá E ele já tinha, já tinha sido passado por vários registros, na verdade, né? O nome original dele era Fu Lang 3, mas ele nesse momento aqui nos anos 80, ele era o Solana Star, e ele estava sendo utilizado, meu amigo Raul, para transportar drogas lá do Sudeste Asiático para Miami, nos Estados Unidos.

RTRaul Trindade

Ninguém nunca provou nada, assim, suspeita-se que era isso.

FSFilipe Sampaio

É assim, fica difícil, fica difícil porque não pegaram no flagra. Mas assim, existia toda uma informação de a DEA, que é o órgão dos Estados Unidos que vai atrás de droga, e foi atrás do Pablo Escobar. Vocês devem ter visto no Narcos, né? Mas eu acho que é Drugs Enforcement É alguma coisa, esqueci o que que é. O Administration, é o pessoal que deixou o Wagner Moura triste lá na televisão. Isso aí era o pessoal, é a divisão da polícia americana lá que investiga tráfico de drogas, entre outras coisas, né?

E esses caras já tinham informações de que esse navio estava transportando, inclusive já tinha feito isso antes. É, mas assim, já tinha provas que tinha feito essa viagem antes, os caras iriam fazer novamente.

RTRaul Trindade

Mas, cara, esse argumento da defesa é muito bom, porque tipo assim, ué, cadê a droga então? Cadê? Tava transportando droga, cadê a droga?

FSFilipe Sampaio

Pois é, então, cara, é, vamos chegar lá, vamos chegar lá. Esse julgamento aí vai ser muito engraçado também. Mas esse, o que que aconteceu exatamente, a gente não sabe. Mas o que a gente sabe é que esse navio, ele foi muito provavelmente para Tailândia. E ele de lá, a Tailândia ou Singapura ou ambos, lá ele foi abastecido de maconha e ele iria fazer o caminho até Miami. Toda essa maconha ser vendida em Miami. Só que no meio do caminho ia fazer uma parada no Rio.

Isso era um caminho comum deles fazerem. Eu até vi uma entrevista de um agente do DEA falando sobre isso, né, que eles já tinham feito essa viagem antes, né, esse navio já tinha feito essa viagem antes, só que eles tinham ido pelo Pacífico, né, que é muito mais próximo, tinha dado a volta pelo Pacífico. Só que eles decidiram ir pelo Atlântico por dois motivos. Primeiro, Eles queriam vender na costa leste. Eles tinham vendido a primeira vez na costa oeste, lá na Califórnia.

Eles iam levar para Miami, na Flórida, né, naquela, na costa leste. A gente fala assim, ah, Estados Unidos, mas Estados Unidos também é gigantesco, né, literalmente vai de oceano a oceano. Então, além disso, tinha uma, existe, né, na verdade uma corrente marítima que é justamente a Corrente do Brasil, que ela facilita esse caminho, tá, de lá da África, do continente africano, até aqui a costa do Rio São Paulo. E assim eles sabiam que ia ser mais difícil serem rastreados.

Então eles falaram assim, ó, a gente vai, pega a Corrente do Brasil, para lá no Rio de Janeiro. A gente vai abastecer lá. Inclusive, existe a teoria de que uma parte ia ser vendida aqui, tá? Existe assim uma, fortes indícios de pessoas que já estavam prontas para comprar uma parte.

RTRaul Trindade

Havia mercado, havia interesse, com certeza.

FSFilipe Sampaio

E daqui eles iam partir para Miami. Só que a DEA ficou sabendo disso antes e eles pediram apoio à Polícia Federal Brasileira. Só que a polícia não tinha um barco, pô. A polícia foi falar com a Marinha, foi pedir para Marinha, cara, ó, a gente tem que pegar esse barco aqui. Aí passou o nome e tal, ó, tá vindo dia tal. Por sorte desses traficantes, eles tiveram alguns problemas e eles se atrasaram. Então a Marinha ficou tipo assim, tá, vai chegar na costa do Brasil. Porra, legal, me ajudou para caramba, é gigantesca.

RTRaul Trindade

Pode deixar que eu tô de olho aqui.

FSFilipe Sampaio

É, pô, tá, tá bom, né? Vamos ver. Aí o que que os cara fizeram? Pô, pegaram o navio e ficaram ali, ó, para lá e para cá. É, não tem navio, não veio, e é isso, meu irmão, não tem, não tem muito o que fazer. Só que aí a gente entra no campo da suspeita, né? Suspeita-se que Os traficantes perceberam que estavam sendo procurados, eles receberam informação disso, entendeu? Por isso eles, assustados, porque tava acabando combustível, estavam com vários problemas técnicos, tinham que parar no Brasil.

Os cara falaram, cara, não dá para mudar a rota, não tem o que fazer, a gente vai ter que descer no Brasil. Então o que que a gente vai fazer com essa maconha toda? Ok, vamos jogar no mar.

RTRaul Trindade

Imediatamente eu me lembro da tartaruga chapada do Procurando Nemo. Agora a gente sabe como que ela ficou chapada.

FSFilipe Sampaio

Exatamente, cara.

RTRaul Trindade

Ela chegou nessa lata, cara.

FSFilipe Sampaio

Com certeza, cara, não foi à toa aquela tartaruga. Ela não foi, não foi à toa que ela tava lá naquele filme. Mas então foi isso que aconteceu, cara. As latas foram jogadas no oceano, tá? Estima-se que eram de 13 a 15 mil latas, que eram latas de aproximadamente 1,5 kg, tá? Como se fosse uma lata de leite Ninho, mas daquela grandona, aquela de seleta de legumes, de mucilom, sim, aquela grandona. E elas obviamente vão boiar. Elas foram jogadas no meio do oceano, não foi na costa brasileira.

Só que elas entraram nessa corrente do Brasil e elas vieram parar aqui. Caraca, é interessante a gente falar também porque que elas estavam em latas. Essa maconha, ela ficou muito conhecida na época como ser, por ser uma maconha muito forte.

RTRaul Trindade

Até por isso que suspeita-se que seja lá da Tailândia mesmo, né? Porque era de melhor qualidade que a do Brasil, por exemplo.

FSFilipe Sampaio

Exatamente, é porque na verdade essa, assim, quem disse que veio da Tailândia foram algumas pessoas que analisaram, os especialistas analisaram e falaram, pô, isso aqui é Thai Stick, que era um graveto assim, ó, ela dava nos gravetos assim que são muitas, muitas flores juntas. E essa maconha, como é que ela foi guardada? Ela foi embebida em óleo de THC, ou seja, então o THC É o princípio ativo da maconha, tá? É o que dá onda, né?

Então aquilo ali era maconha seca embebida no óleo de maconha, ou seja, potencializando o efeito. E em vez dela ser prensada, ela era na verdade embalada a vácuo dentro dessas latas, porque como ela vinha por mar, a umidade ia estragar, ia dar mofo. Entendeu? Por isso que ela tinha que ser selada a vácuo, hermeticamente fechada. Exatamente, exatamente. Então, por que que ela era muito superior a que se usava no Brasil? A maior parte da maconha que chegava aqui no Brasil vinha do Paraguai.

E como que ela vinha do Paraguai? Era uma maconha prensada, seca, que tinha galho, folha, flor, tudo misturado. Vinha escondida em papelotes, passava por uma longa viagem dentro de papelotes e chegava aqui cheia de mofo. Tanto a qualidade da maconha, mas principalmente a armazenagem dela era muito superior. Então, ô cara, não tem uma, não tem uma prova de que veio realmente da Tailândia, mas assim, existem fortes evidências de que seja uma Thai Stick, né, pelas características dela.

RTRaul Trindade

Eu tenho que fazer um parênteses aqui, cara. Você já escutou uma música chamada Prensado do Brother, de um pessoal que chama Ego Éris, lá de Sergipe, se não me engano, do Nordeste?

FSFilipe Sampaio

Não.

RTRaul Trindade

Enquanto você está falando, aqui no fundo da minha mente eu escuto lá no fundo assim: Prensado do Brother. Deixa aí para galera, cara.

FSFilipe Sampaio

Eu conheço só aquela música Veneno da Lata, que é sobre isso, é sobre isso, é sobre esse evento. Inclusive, eu esqueci qual o nome da cantora na época, mas foi feito na época sobre isso mesmo. Vou botar escrito aí quem é. Era um nome composto, cara, dela. Esqueci. Não é música boa não, tá? Assim, para o meu gosto, né? Mas assim, é interessante, é interessante pela curiosidade. Mas aí então, cara, teve essa operação para pegar esse pessoal.

Isso foi em agosto de 87, tá, com o apoio da Polícia Federal e da Marinha para interceptar esse navio, que eles já sabiam qual era, sabia qual era o nome. Não conseguiram achar. O navio tava atrasado, por isso que ele não chegou aqui, né, na época que ele tava sendo procurado. Mas ele ficou sabendo que tava sendo procurado e descartou a carga no oceano.

RTRaul Trindade

Parece que eles tiveram esses problemas que você falou, né, de problemas mecânicos. Não sei, tiveram que pedir permissão para aportar no Rio de Janeiro para fazer reparos.

FSFilipe Sampaio

Exatamente. Aí eles realmente chegaram aqui no Rio de Janeiro. Eles chegaram, chegaram a portar, chegaram, botaram lá o navio para para consertar. Só que já sem maconha, né, já tinha descartado tudo. Eram 7 tripulantes. Eles chegaram aqui ainda em setembro, um mês mais ou menos depois que começaram as investigações, né. E eram 7 tripulantes, 6 deles eram americanos e um costarriquenho, né. Americano, quando eu falo estadunidense, logicamente, né.

E os caras falaram assim, meu irmão, vamos deixar esse navio aqui e vamos embora, vamos embora, porque, né, vai dar merda, os cara tão procurando a gente. Só que teve um cara que ele resolveu ficar. Esse cara se chamava Stephen Skelton. Esse cara ficou no Brasil, se hospedou aqui em Copacabana, tá, e ficou menos de um mês aqui antes de ser descoberto. Olha aí, esse cara foi preso. Inclusive eu vi uma entrevista com o advogado dele, até segundo o advogado dele, esse cara era apenas um cozinheiro. Quando ele foi preso, ele falou assim: ó, maconha? Como assim?

RTRaul Trindade

Naquelas latas?

FSFilipe Sampaio

Eu achei que era só pó. Não tô sabendo de nada, gente.

RTRaul Trindade

É, ele não sabendo de nada. Aí os cara do navio pedindo para ele fazer feijoada com iogurte lá, as paradas.

FSFilipe Sampaio

Eu acho, eu não lembro agora, cara, eu esqueci, mas eu acho que tava embalado como se fossem, se eu não me engano, eram uvas passas, um negócio assim. Não vou lembrar agora, mas era alguma coisa em conserva, entendeu? Tinha rótulo e tudo. A polícia, quando achou o navio, vasculhou o navio, viu alguns desses rótulos que foram utilizados nas latas e viu alguns restos da maconha utilizada. Parece que eles abriram, devia ter aberto uma lata para ir usando.

A viagem era longa, viagem era longa, era uma viagem ao cubo, né? Eles estavam viajando no mar e na maconha.

RTRaul Trindade

Falaram para os cara assim, tinha maconha aqui nesse navio. Aí os cara, será?

FSFilipe Sampaio

Será, meu irmão? Se não tá aqui, meu irmão, entendeu? Já dizia o Bezerra Silva, né? Quando a malandragem é perfeita, meu irmão, não tem— a fumaça vai direto para cabeça e não tem flagrante.

RTRaul Trindade

Mas porra, o que que eu penso dessa história, cara? Esse navio foi assim um azar do caramba que ele deu problema mecânico passando aqui por perto do Rio de Janeiro. Se não dá problema nenhum Os cara finaliza a operação e ir embora, tá ligado? O que não deve ter acontecido de viagem desse navio mesmo, de outros navios. Sim, isso era direto, né, cara?

FSFilipe Sampaio

Tem prova de que esse mesmo navio já fez isso antes, pô. Só que ele não passou pela costa do Brasil porque é um caminho muito maior e eles tinham que abastecer no meio. Esse que foi o problema, entendeu? Mesmo que não tivesse dado algum problema técnico, eles tinham que abastecer pelo outro caminho, pelo Pacífico. Eles iam direto, que era um caminho menor. Entendeu? Eles já tinham feito isso antes, era a mesma tripulação. Então, só que esse cara, o Stephen, ele manteve essa, essa história de que ele era um cozinheiro.

E ele ficou no Brasil, sabe por quê? Porque ele se apaixonou por uma brasileira. Olha só, cara, que que o amor não faz com o cara, né, cara? Cara sabia que podia ser preso a qualquer momento, mas ele não Vou embora não. Qualquer coisa, se me pegar, eu falo que eu tava cozinhando lá, não sabia de nada.

RTRaul Trindade

Mas porra, tem outra coisa que eu quero analisar, irmão. Tu já viu faltar droga, cara? Não falta, irmão. Essas 22 toneladas aí, a gente vê apreensão na televisão de toneladas e não sei o quê, mas não falta, cara. Mano, com certeza passou outros navios antes e depois desse aí, e essas 22 toneladas que não chegaram lá Eu sei lá, acho que nem fez falta.

FSFilipe Sampaio

Para você ver, cara, para os caras descartarem é porque assim, é muita grana, beleza, mas cara, não é um único tiro não, pô. Tipo assim, os cara pode fazer de novo, entendeu? Os cara tem bala na agulha para fazer de novo.

RTRaul Trindade

Você com certeza era altamente lucrativo, né?

FSFilipe Sampaio

É, pô. Ó, eu tenho uns números aqui. Na época, essa carga ela valia mais ou menos 90 milhões de dólares. Isso naquela época, em 87, em 87. Não lembro agora, mas eu acho que nos valores de hoje eu acho que seria mais de 200. Mas enfim, mas o principal da história, essas latas aí, que aconteceu, cara? Elas começaram a chegar na costa brasileira. As pessoas no começo achavam que era lixo, tá? Viram aquelas latas ali, muitos chutavam, jogavam fora e tal.

Só que principalmente Os pescadores começaram a pescar essas latas, ficaram curiosos, começaram a pescar as latas. Eles abriram, né? E eu vi relatos, vi vários relatos, né, de, cara, qual a palavra que eles usavam para esses pescadores, pessoal que vive na costa lá de São Paulo? Esqueci, tem um nome específico que eles usam para isso. Caiçara. Os caiçaras no começo, alguns eles relataram que eles achavam que era tempero. Olha aí, só o que nunca tinha usado achou que fosse orégano, entendeu?

Tem relatos de pessoas que acharam que fosse orégano ou chá, entendeu? E chegaram a usar, a comer. E assim, meu irmão, comer já dá um efeito maior do que fumar, e essa droga era muito forte. Então assim, cara, foi uma loucura. Alguns obviamente sabiam, né, o que que era. Então assim, começou uma corrida para pegar essas latas para poder revender, porque elas valiam muito. Então teve até uma falta de peixe nessa época, porque os pescadores estavam pescando lata, cara, tava jogando o peixe fora e ficando com a lata.

Para você ter noção, teve uma competição aqui no Rio de Janeiro de veleiro, né, Eu não, cara, não sei se tem um nome específico, mas assim, sabe essas corridas de barco pequeno? Regata? Não, não é regata, é remando, né? Tipo, tem uns que é com vela mesmo, barco a vela. Tava tendo uma competição e no meio da competição o pessoal começou a ver que tinha muita coisa boiando assim, brilhando para caramba. E já tinha começado essa história de que tava aparecendo lata, meu irmão.

Teve gente que largou a competição para ir pegar as latas. Acabou com a competição, acabou. Era quem não fumava queria, queria lata para poder vender, pô. Porra, cara, é muito bom, é muito bom. E a lata valia muito, cara, porque justamente ela tinha uma qualidade muito superior. Aqui no Rio de Janeiro surgiu essa expressão que é da lata. Hoje em dia Pessoal não fala mais isso, mas pessoal mais antigo falava. Na época surgiu essa expressão que assim, cara, quando uma coisa é muito boa, é da lata.

Pô, esse filme aqui é da lata, meu irmão. Então, resenha épica da lata, porque é uma parada muito boa, entendeu? Então a maconha da lata era a melhor maconha que tinha, entendeu? E cara, foi uma loucura, tá? Chegaram aqui no Rio, em São Paulo E lá no Rio Grande do Sul, as latas, muita gente, a polícia conseguiu pegar várias, né, lógico, a população, alguns entregaram, mas não, eles não conseguiam controlar todo mundo. Pessoal começou uma migração nessa época aí para as praias muito grande para poder pegar essas latas, e a polícia não tinha o que fazer, meu irmão, era muita gente, era muita gente.

Isso numa época que a maconha era extremamente criminalizada, né, era coisa de bandido. Mas essa história popularizou a maconha, porque virou— primeiro, o pessoal ia pela curiosidade para ver o que que é isso, o que que tá acontecendo. Toda hora aparecendo na televisão falando esse negócio de maconha, maconha, maconha, que até então era só coisa de bandido. Mas o pessoal aí começou a— pô, mas dá dinheiro, eu posso vender. Não, mas deixa eu ver como é que é isso aqui. Acabou que popularizou muito, todo mundo começou a usar.

RTRaul Trindade

É que nem a história lá do Cris, que ele tenta vender biscoito e ninguém compra.

FSFilipe Sampaio

Aí quando ele fala assim, não, caiu do caminhão de mudança, aí todo mundo quer. Como é que é? Não, me passa aqui. Porque, cara, isso aí tem muita, cara, o carioca é muito assim, cara. Isso aí é uma parada de carioca, porque às vezes você nem quer, mas se você acha que você vai estar levando vantagem com aquilo ali, aí você passa a querer. O carioca é muito assim, meu. Então mesmo quem não fumava, o cara não gosta de maconha, o cara não fuma maconha, mas é de graça, entendeu? Todo mundo tá falando disso, tá aparecendo na televisão, então eu quero.

RTRaul Trindade

Porra, ele conhecia um chegado ali que dava 500 conto fácil nessa lata para ele ali.

FSFilipe Sampaio

Exatamente. Anotei aqui a quantidade de latas que foram apreendidas pela Polícia Federal. 4 no Rio Grande do Sul, 755 no Rio de Janeiro, 2.533 em São Paulo. Um total de 3.292 latas.

RTRaul Trindade

Porra, cara, é uma fração, né, da quantidade que foi jogada no mundo.

FSFilipe Sampaio

No mínimo, 11.800 latas não foram apreendidas. Eu vi um relato, eu vi um relato que o cara falou assim, cara, eu peguei, a gente tava na praia, a gente viu essas latas, tá? Quando eu abri, eu vi o que era, eu levei para o policial, e o sorriso que o policial abriu quando ele pegou me fez sentir um idiota. O cara falou assim, cara, eu me senti um idiota de ter entregado, cara, porque isso aí com certeza o cara usou, cara.

RTRaul Trindade

Ele achou que era uva passa, pô.

FSFilipe Sampaio

O cara gostava de uva passa. Tipo, a grande maioria, a grande maioria das latas veio para o Rio de Janeiro, só que o maior número de latas apreendidas em São Paulo. O que que você, qual a conclusão que você tira disso?

RTRaul Trindade

Faz sentido.

FSFilipe Sampaio

No Rio de Janeiro só 755 foram apreendidas. Lógico, pô, lógico. O que a população não pegou, cara? Boa parte do que foi pego pela polícia foi desviado também, pô. Eu te garanto que, eu te garanto que assim, a maioria dessas latas chegou no Rio de Janeiro, te garanto isso, pô, porque ficou, foi uma febre aqui no Rio, em São Paulo também, mas aqui no Rio foi uma febre, foi uma parada louca, entendeu? E inclusive é chamado de Verão da Lata, apesar de tudo isso ter acontecido em setembro, que é primavera.

Por quê? Porque foram meses que as latas ficaram aparecendo. Entendeu? E no verão, justamente que aumenta o número de pessoas na praia, pessoal de férias, entendeu?

RTRaul Trindade

O verão, fala de época, sei lá.

FSFilipe Sampaio

Pessoal fez uma, fez a festa, pô, fez a festa. Não, ficaram até o verão do outro ano, cara. Foi de do final de 87 até o início de 88 pegando lata. Tem noção? Tinha gente que comprava barco para procurar as latas, pô. Loucura, cara, loucura. Parada que só podia acontecer no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. Mas assim, voltando aqui para o Stephen Skelton, ele depois do julgamento ele foi condenado a 20 anos de prisão. 20 anos.

Daí a gente tira que, cara, existiu uma pressão muito grande do governo americano para que isso fosse resolvido. E a gente entende que existia uma vontade muito grande do governo brasileiro em aparecer mundialmente como o governo que solucionou um problema internacional, tá? Então, como esse cara foi o único que foi preso, ele tinha que ser, tinha que ser condenado, entendeu? Foi justamente para inglês ver, porque como você falou, parece piada, mas tá.

Quais são as provas? Ah não, recebi, recebi um informante, falou que esse navio tava com 22 toneladas. Aí eles foram no navio, tava vazio, tinha algumas, tinha alguns resquícios de maconha, mas tava vazio. Aí eles falaram que, ah, mas a gente mediu o porão e tinha capacidade de armazenamento para 22 toneladas. E daí, que que isso prova? Que isso prova? O cara se apresentou como cozinheiro, qual que é a prova de que ele era traficante?

Não tinha. Então esse cara, ele foi preso, foi condenado a 20 anos. Só que isso na primeira instância, o advogado dele entrou com recurso, ele foi solto, simples assim. Então no primeiro momento, para poder dar a notícia, ah, aqui, ó, pegamos ele preso, 20 anos. Mas depois foi solto e voltou para os Estados Unidos, entendeu? Então foi só para inglês ver mesmo. E o que ficou foi a história, né? E muita gente aí que se deliciou com esse, esse malá vindo aí do oceano.

RTRaul Trindade

Pessoal que lembra ali do final dos anos 80, com a nostalgia, né? Só falta cair do céu, né, que o mar já trouxe.

FSFilipe Sampaio

O navio, ele ainda continua sendo usado depois, tá? Ele virou um navio e continua sendo usado aqui no Brasil, inclusive, né? Voltou de novo, mais 7 anos. Mudou de nome. O último nome dele foi Tunamar. Ele tá ali para sempre agora lá em Cabo Frio como um ponto turístico, porque foi lá que ele afundou. E agora você consegue visitar esse navio lá, que virou um ponto turístico ali na região aqui no Rio de Janeiro.

RTRaul Trindade

É isso aí, pessoal! Espero que assim como eu vocês tenham gostado dessa história. Se inscreve aí no canal do YouTube se você ainda não for inscrito. Segue a gente no Instagram, segue a gente também no Spotify, dá 5 estrelas lá que ajuda a gente para caramba. Um abraço e até a próxima, valeu!

FSFilipe Sampaio

Pera aí, chegou uma foquinha aqui. Cadê?

RTRaul Trindade

Ah, aqui!

FSFilipe Sampaio

É de gravatinha! Agora tá cheiroso, não tava fedendo pra caramba.

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