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# 148 - A próxima fase é do outro lado do medo

01 de julho de 202620min
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Está pronto para atravessar ?

Participantes neste episódio1
M

Manu

HostPsicologa
Assuntos3
  • Medo e vulnerabilidadeAtravessando o medo para uma nova fase · Apresentando a nova versão de si mesmo · Aprender a ser sozinho e a maturidade · Superando a dependência de álcool · Ajudar os outros sem se prejudicar · A importância de construir a própria casa · Manu
  • Autoconsciência, autocompaixão e crescimento pessoalAprender com as experiências passadas · A capacidade de aprender como diferencial · A jornada de autodescoberta · A importância de cuidar de si mesmo · A transição para os 35 anos · Liberdade de aprovação e de resolver a vida dos outros
  • Legado PessoalAjudar pessoas como forma de autoconhecimento · A metáfora dos tijolos e da casa · A gratidão pelo estado e pelas pessoas · A carta para a Manu do futuro · A construção de uma versão futura de si · A importância de não repetir erros
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?Voz A

Oi, eu sou a Manu, tenho 34 anos, 5 irmãos homens e um monte de amigo babaca. Como é que você tá? Você tá bem? Como é que estão as coisas por aí? Eu estou arrumando as malas, terminando as últimas caixas, organizando as últimas demandas e resolvendo os últimos resíduos. Antes da nova fase. Quando você escutar esse episódio na quarta-feira, por volta das 6 horas da manhã, eu vou estar dentro de um carro pegando estrada e no meio do caminho para minha nova fase.

Então, se você está ouvindo esse episódio, sinta-se fazendo parte de uma nova fase. Me deseje sucesso quando chegar na minha nova casa. Nesse horário, às 6 horas da manhã, que é quando sobe o episódio, eu vou estar atravessando para o próximo nível da minha vida. E a nova fase, a próxima fase, próximo nível, é depois do medo. Então vou estar atravessando o medo e indo para o outro lado. E quando eu falo medo, não é que eu tô com medo da minha própria vida, é que o novo, ele nos apresenta uma versão da gente que a gente ainda não conhece.

Quando eu cheguei aqui no Espírito Santo, eu cheguei quem eu era, Manu da Bahia, risonha, brincalhona, simpática, comunicativa, gostava de tomar cerveja, bebia praticamente Todos os dias trabalhava muito, estava com os meus amigos numa frequência absurda, e todos os dias, ou praticamente fielmente, toda sexta-feira com os meus amigos pós-plantão, tomando uma no Bar do Seu Zé, em frente ao Hospital Regional, onde eu trabalhei por muitos anos.

Os meus almoços ainda era num restaurante chamado Bem Bolado. E eu fazia as minhas compras do mês no FAE. Quando eu cheguei aqui no Espírito Santo, eu ainda era a Manu que lavava o cabelo duas vezes na semana e não me importava tanto de ficar com ele preso e não bem arrumado. Eu ainda não me importava muito com roupa também, o negócio era estar confortável. Não me importava ter um computador bom e um microfone bom, porque para mim Tava ok todas as coisas.

Eu ainda tinha o hábito de não tomar café da manhã. Eu ainda tinha o hábito de ver os meus amigos com frequência e passar o domingo com eles e com a minha filha também. A Manu, que chegou aqui no Espírito Santo, ainda dormia com a filha na mesma cama todos os dias. Nunca tivemos um segundo quarto. Sempre nós duas. Mas aos poucos, a Manu que chegou no Espírito Santo dormia sozinha num quartinho improvisado, depois num Airbnb alugado temporariamente.

Muito grata à capixaba que me apresentou o Airbnb e me deu hipótese de apartamento. Eu não tô lembrando seu nome agora, mas moça, você foi incrível. Sabe, você realmente foi muito legal comigo. As outras duas capixabas que me receberam, eu sinto muito, vocês são pessoas terríveis e talvez vocês mereçam tudo que vocês passam. E eu fiquei sabendo das coisas que vocês passam. Eu não consegui sentir pena. Eu acho que cada um colhe o que planta.

A Manu que chegou aqui, ela chegou pronta para o novo, com coração aberto. E recebeu muita paulada quando chegou, para enrijecer e endurecer o padrão do que era. Assim eu criei hábito de tomar café porque eu não sabia que horas eu ia comer de novo. Assim aqui eu perdi a companhia da minha filha na própria cama e passei a dormir só. Aqui eu perdi a vivência com os meus amigos e aprendi que era bom ser sozinho. E me ensinaram que quanto mais sozinha, mais madura eu me tornava.

Não é verdade. Bom, aqui eu aprendi a beber menos, porque eu entendi que beber todos os dias da semana sozinha não era legal, era até bem depressivo. Só era legal beber todos os dias e todos os finais de semana porque eu tava com os meus amigos. E aí eu parei de beber e descobri outros gostos. Depois eu percebi que eu tava usando a cerveja pra dormir e descobri que não era saudável e parei de vez também. Essa é a Manu que saiu da Bahia e chegou aqui.

Mas a Manu que tá indo embora daqui é uma pessoa completamente diferente. A Manu que tá indo embora daqui ainda tem muito resíduo da Manu da Bahia. Hoje mesmo, enquanto eu arrumava algumas coisas, me lembrei de um carregador de computador que eu tinha aqui. E eu lembrei de um computador que eu dei para uma pessoa. Foi o meu primeiro computador e ele tinha a falta de algumas teclas, mas eu dei esse computador para essa pessoa por carinho, porque eu achava que aquele computador faria parte do processo dela.

Só que aquela pessoa tinha dinheiro suficiente para comprar um novo. O problema não foi eu ter dado o que eu tinha, foi o outro ter o dele e não saber recusar o meu. Eu entendi que agora, quando levou aquele computador sem me dizer a verdade de olha, mano, eu não preciso, eu tenho condições de comprar, seria diferente a sensação. Descobri que o outro tinha mais de 100 mil na conta depois de um tempo, me doeu. Não doeu porque eu fiquei com inveja, mas é porque eu tinha dado algo que fez parte da construção de uma pessoa que tava começando do zero.

O outro não tava começando do zero, mas recebeu como se tivesse. Talvez as ajudas que eu dei para muitas pessoas aqui morando no Espírito Santo faziam parte da Manu que eu era lá atrás e que buscava incansavelmente por um sonho. Encontrar pessoas que ajudassem ela. E foi isso que eu fiz aqui. Eu ajudei pessoas achando, muitas das vezes, que eu tava cumprindo um legado, que eu tava resolvendo uma pendência pessoal, eu tava realizando um sonho de uma coisa que eu teria e queria ter assistido comigo.

Porque quando eu dei aquele computador, na minha cabeça eu tava dando para mim mesma. Que queria muito ter ganhado um computador de alguém na época que fazia as atividades da faculdade pelo celular. É muito louco a gente parar para pensar dos resíduos que a gente se leva para a próxima temporada. Mas o que eu quero levar da próxima temporada é uma Manu ainda mais sadia, sem abandonar um dia sequer a versão que esteve na Bahia.

Eu ainda considero a minha versão na minha terra a minha versão preferida. Lógico que aqui moldou, estruturou alguns hábitos, mas ainda assim eu não me arrependo de onde eu vim, de onde eu sou, e muito menos para onde eu tô indo. Mas eu quero muito conhecer essa nova versão que tá indo para outro lugar. Eu quero muito conhecer a Manu que mora em Minas. Eu tô ansiosa para saber como ela vai se portar e como ela vai agir. As moças de Juiz de Fora que mandaram mensagem para mim no Instagram, confesso que eu ainda não consegui responder de forma amistosa, porque eu não sei mais responder de forma amistosa.

Tanto amor! Mas eu vou aprender, porque eu não sou boa em muita coisa como pensam, mas eu sou boa para caramba em aprender. Em aprender. Eu sou fera, eu sou a melhor, eu me considero. Eu não sou boa em quase nada nessa vida, tudo é aprendendo todos os dias. E aí eu sou boa em aprender, isso me faz ir para os próximos níveis. Enquanto eu tiver atravessando esse processo, que enquanto você vai estar escutando esse episódio que vai para o ar, eu queria que você soubesse que realmente a próxima fase é do outro lado do medo, e você vai ter que atravessar.

Você vai ter que atravessar, porque mais angustiante do que do que ir é ficar. Mais angustiante do que fazer essa viagem é nunca fazê-la, é nunca experimentar, é nunca sequer ver como você funciona dentro do movimento. Ontem uma pessoa compartilhou comigo que ela estava tentando ajudar uma amiga que tava passando por problemas, só que ela ainda tá resolvendo dos filhos dela. E eu pontuei para ela que todas as vezes que ela fizesse um movimento, viriam pessoas para ela carregar como bagagem.

E eu gosto de chamar isso de amizade de tijolo, porque eu vivi amizade de tijolo e caminho de tijolo. E quando eu falo dessa construção de amizades em tijolo, eu falo no sentido de: eu mal comprei os tijolos da minha casa E as pessoas já começaram a me pedir emprestado os meus tijolos. Moral da história: você acaba por nunca conseguir terminar de construir a sua casa porque você vai estar sempre emprestando seus tijolos. E quando eu falo de tijolo, eu falo sobre seus aprendizados, eu falo sobre seus medos, eu falo sobre coisas que você ainda tá tentando lidar.

E aí chega uma pessoa contando um novo problema e você deixa os seus de lado para resolver os dela. Acaba que você nunca consegue chegar a lugar nenhum com seus. Você mal pode ganhar um dinheiro que já quer compartilhar com todo mundo. Talvez você precisa amadurecer isso, como eu amadureci isso nesses 4 anos morando aqui no Espírito Santo. Morar aqui no Espírito Santo me fez curar. Uma Manu que precisava de ajuda, que precisava que as pessoas ajudassem.

Aqui eu me autoajudei enquanto ajudava pessoas, mas sem tirar de mim os meus méritos, os meus ouros e as coisas que eu estava fazendo. Enfim, só aqui sou muito grata a esse estado, independente das pessoas ruins que eu conheci. Ainda conheci muita gente boa aqui, E muita gente aqui me ensinou que eu posso orientar o outro enquanto eu não dou os meus tijolos, porque os meus tijolos são meus e eu lutei por cada um deles para construir minha casa.

E obviamente vocês sabem que eu não tô falando sobre casa e muito menos sobre tijolos. Eu espero que esse podcast desça e te atravesse de uma maneira emocionalmente adulta, que te faça olhar as coisas de uma maneira madura, ao ponto de você se visualizar nos recortes que eu tô entregando agora. Eu tenho costume de fazer cartas para uma versão minha que eu vou encontrar lá na frente, mas eu aprendi a fazer isso em episódios podcast.

Então aqui vai mais uma carta minha para Manu, moradora de Juiz de Fora. Oi Manu, esse é o último episódio que eu gravo aqui no Espírito Santo. Eu tô muito feliz que eu vou te conhecer. Eu dei o meu melhor Eu entreguei uma Manu na Bahia, em Espírito Santo, e agora eu acredito que tá na hora de eu entregar essa Manu em outro lugar. E eu deixei ela pronta. Então, quando você me vê aí em Minas, saiba que eu cuidei muito de você, eu cuidei muito do seu emocional.

Seu cabelo tá lindíssimo. Na Bahia você acabou com ele. Não sei como, mas eu consegui resolver isso para você. Então você tá aí com cabelo lindo, não se esqueça de mim, eu que fiz isso por você. Treinei também. Então se te chamarem de gostosa, acredite, eu me dediquei muito para que você fosse. Eu dei o meu melhor, sacrifiquei algumas horas, comi bem, me organizei e abandonei os chocolates. Por um período saudável, porque você gosta.

Eu sei que você gosta. Eu quero que você saiba que eu te respeito muito pelas decisões que você está tomando por mim. E Manu do futuro, me receba com muito carinho. Eu dei o meu melhor até o último dia no Espírito Santo. Eu nesses 4 anos fiz um trabalho excepcional. Eu consegui alunos. E olha, quando você chegou aqui, você tinha 3 mil seguidores. Tô te entregando uma versão com mais de 40 mil pessoas. Não me decepcione, a gente vai chegar muito longe.

E eu torço muito por você porque eu te preparei. Ah, não se esqueça, você vai fazer 35 anos morando em Minas Gerais. Faça isso ser um momento memorável. Eu torço por esse momento. As decisões que eu tomei até aqui foram para te ajudar a chegar aí. Eu espero que você tome boas decisões, porque a nossa versão dos 40 mal pode esperar para a gente fazer um toquezinho de mão e se liberar para a próxima fase. Tô te deixando também com uma menina de 15 anos.

É, acredite, você tem muito trabalho pela frente, mas eu construí muito para você. Enfim, tô te entregando para os 35, o tão temido 35 anos que você queria chegar, que a idade que você, que a sua mãe te teve, né, é a idade que sua mãe tinha quando você nasceu. Falta poucos meses para chegar lá. Eu tô te entregando antecipadamente, mas não é por falta de cuidado, é porque eu acho que você tá pronta. Sabe aquele período da escola que você acha que um aluno aprendeu o suficiente para você subir ele de série?

É exatamente isso que eu faço por você agora. Se doe para as pessoas certas, se cure da mania de tentar salvar as outras Manus que você encontrar por aí, porque ninguém salvou você e você fez um trabalho incrível sozinha. Se puder ser abrigo, seja, mas jamais seja a muleta de alguém de novo. Isso te dói, isso me dói por muito tempo, mas isso não vai ser uma dor da Manu do futuro. Porque ela se encerra nessa Manu que mora aqui.

Para você, novos desafios, novas fases, e não repita pessoas. Eu dei o meu melhor exatamente para isso não se repetir. Conto com você, você tá liberada para crescer de novo. Eu te amo, e se precisar me visitar É só ouvir esse podcast. Um beijo. Bom, essa é a carta para Manu do futuro. Espero que eu escute esse podcast em algum momento lá no futuro e me lembre quem era Manu e o coração da Manu dos 34, porque a gente lida com as nossas versões infinitas vezes.

E a gente precisa se lembrar que existe uma versão nossa esperando que a gente construa alguma coisa. Existe uma versão nossa que precisa que agora a gente faça os movimentos para que ela tenha uma vida melhor, para que ela consiga chegar no próximo nível. Para que ela se respeite mais, para que ela se ame mais. Não dá para resumir o resto da sua vida na realidade de agora, mas construa alguma coisa no dia 1 da realidade de agora para que a sua versão do futuro encontre você mais legal, encontre você mais saudável, encontre você mais feliz.

Existe uma versão sua ansiosa para o dia que você vai contar toda essa merda como uma história, mas não como sua realidade. Bom, espero que gostem desse episódio e não se esqueçam que a próxima fase, o próximo nível, você vai ter que atravessar E ele vai estar sempre do outro lado do medo. Você vai ter que atravessar. Um beijo. E provavelmente quando eu estiver lá na próxima quarta-feira, já vai estar quase no dia de gravar o próximo episódio, e o próximo episódio já vai ser gravado em solo mineiro.

Espero fielmente. Estar com uma voz menos impactada, com vontade de chorar. E eu torço muito para que a Manu do futuro seja ainda mais feliz que a Manu de agora. O curar uma Manu que queria ser salva já passou. Agora É uma versão livre de aprovação e livre de um processo intenso que foi resolver a vida dos outros, na ideia não de resolver a vida dos outros, mas resolver a vida de uma Manu que ninguém ajudou a resolver. Eu já tomei as rédeas e espero que chegue o seu momento.

E se esse for o teu momento, Me fala, sério, comenta no podcast, me diz que esse é o momento, compartilha comigo, manda no direct do meu Instagram @levantaeflui, manda aqui nos comentários desse podcast, me conta lá no TikTok, porque esse processo ele não é só meu. Eu tenho certeza que tem uma galera se despedindo de uma fase e a próxima versão Tá com certeza ansiosa para te conhecer, uma versão sua que teve coragem, tá muito ansiosa para bater esse papo com você, igual eu bati esse papo com a Manu do passado, que ainda sou eu, mas que eu vou conhecer a nova Manu, e esse episódio vai ser história, mas não a realidade. Um beijo e até o nosso próximo encontro em terras mineiras. Até lá!

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