#155 - Quando as coisas desacontecem, tem eu nesse nós?
- Recordando episódios antigos, revivendo relatos e entendendo os recortes que ficam do lado de dentro, mas que fazem parte exatamente do que sou agora.
Tem beleza em coisas que desacontecem.
- O questionamento 'Tem eu nesse nós?'Combinado comigo·Expectativa
- Aceitação do descontroleControle sobre tudo·Humanidade
- A sensação do 'nós'Planejamentos pessoais·Projeto do outro
- Permitir que as coisas aconteçamCoração partido·Deixar acontecer
- A vida é para quem está vivoMedo de viver·Controle
- A beleza do não acontecerPlanos e objetivos
- Frustração com expectativas alheiasOlhar individual·Casais
- Reflexão sobre o destino e o acasoJulgamento das coisas·Casais
- O fim como recomeçoTristeza e vazio·Perda de vida
- Apego ao que desfarelaNada mais acontecer·Paçoca
- Cuidado pessoal e saúdeBruxismo
- O 'nós' fiel e o futuroEu do passado·Eu do futuro·Solidão
Oi, eu sou a Manu, tenho 34 anos, 5 irmãos homens e um monte de amigo babaca. Como é que você tá? Você tá bem? Eu não apareci na semana passada. Porque eu precisei tratar, eu precisei cuidar de mim, porque o bruxismo acabou voltando e acabou machucando um lado aqui da minha bochecha. E eu não tava conseguindo ali lidar bem porque tava doendo. Então eu tive que escolher entre fazer atendimentos, gravar podcast. E o podcast, ele precisa que eu fale sem parar.
Por 30 minutos quase, né? Então ia consumir muito de um tempo onde poderia machucar, eu poderia morder, enfim, e acabar me machucando. Mas essa semana que eu fiquei sem gravar, ela me trouxe mais uma vez a sensação de quando as coisas desacontecem, a sensação de De que as coisas não sairiam exatamente como eu queria todas as vezes, e que isso não deveria ter um peso infinito na vida. Isso inclui as relações, isso inclui amizades, isso inclui os planejamentos.
Quando eu mudei para Juiz de Fora, eu imaginei a minha vida exatamente como ela está agora, mas eu não imaginava que tantas outras coisas além das que eu queria também aconteceriam. A ideia de ter o controle sobre tudo me assusta hoje mais do que a ideia do descontrole, porque quando as coisas desacontecem, eu lembro da minha humanidade, de não ter controle sobre o outro, de não saber como que as coisas vão se resolver ao longo dos anos.
Isso não quer dizer nada sobre não ter planos. Ter planos e projetos faz parte de você, da sua criação. A ideia de objetivos é algo totalmente estruturado por você. Objetivo de vida é projeto. O que eu tô falando é sobre a ideia de que tudo vai sair exatamente como eu planejei. E eu preciso falar que a beleza nas coisas não acontecerem como eu planejei, porque na quarta, na terça-feira, que eu não consegui gravar o episódio que subiria na quarta-feira, eu descansei, eu dormi.
Eu me cuidei, eu me permiti começar a assistir um novo filme, uma nova série, e eu capturei novamente uma sensação do nós. E quando eu falo a sensação do nós, eu quero trazer para vocês quantas vezes vocês colocaram outras pessoas em planejamentos pessoais, depois se feriram por descobrir que o projeto do outro, pensamento do outro, não era o mesmo querer que o seu. Eu lido com isso diariamente porque o nós dos outros me inclui.
Às vezes a decisão do outro de uma viagem, de estar feliz, de um encontro, me inclui mais do que eu imaginava e queria. Mas eu me lembro de todas as vezes que incansavelmente eu incluí as pessoas no meu nós. Eu tenho episódio gravado falando sobre esse tema, mas agora eu vou trazer ele ainda de um modo mais expansivo. Enquanto uma pessoa fazia planos de que talvez em algum momento seríamos um nós, eu perguntei: tem eu nesse nós?
Qual foi o combinado comigo? Não há combinado comigo feito na cabeça de outra pessoa. Assim como não há um combinado para o outro se ele foi feito na minha cabeça. Essa pergunta do tem eu nesse nós, ela vem para amizades onde o outro te inclui como se você fosse igual. Por decisão do outro, agora vocês têm a mesma cabeça. Talvez por decisão sua os outros deveriam pensar igual a você. E há um distanciamento, e é por isso que as coisas desacontecem também.
Algumas relações que eu tive na minha vida, eu incluí alguém num nós sem que o outro soubesse que ele fazia parte de um nós que tava na minha cabeça. Em outra parte da minha vida, algumas pessoas me incluíram no nós delas, achando que eu teria a obrigação de suprir a expectativa e caminhar igual. Agora, todas as vezes que eu faço novos vínculos, seja de amor, de paixão e de amizade, eu tento entender se existe um eu, eu, Manu, dentro daquele nós que o outro me inclui, que o outro decidiu que eu faço parte.
De uma personalidade que o outro decidiu que eu tenho. Eu tô numa nova cidade, eu tô no novo processo, e logicamente vai ter gente me incluindo no nós, me fazendo caber sem eu pedir, sem eu querer. Vai ter eu tentando fazer isso em alguns meios. Eu já fiz, talvez sem perceber, tentando fazer as pessoas pensarem igual a mim, agirem igual a mim, simplesmente porque eu achava que era o certo. O que acontece no meio desse turbilhão, desse turbilhão de coisas, é que nem sempre vai existir um você existindo exatamente como você é na cabeça de outras pessoas, e vai ser frustrante.
Eu acompanho muitos casais e como é difícil fazer as pessoas se olharem do jeito que elas são individualmente, antes delas impregnarem o que elas esperavam que o outro fosse. Na vida a gente faz isso por diversas vezes, incansáveis vezes, com nós mesmos. Às vezes a gente se enquadra, se inclui, se coloca como pertencente numa unidade, numa peculiaridade que nem mesmo existe. A nós mais fiel e convicta seria eu de agora, eu do passado e eu do futuro.
A do passado criou um nós de uma realidade que hoje talvez não seríamos compatíveis. Eu a respeitei, mas não a segui. Havia planos feitos. Para um nós que não ia caber as mesmas pessoas. Agora existem planos para o nós do futuro, porque é humano criar coisas, mas eu nem mesmo sei se o nós que eu planejo agora será algo que vai acontecer lá na frente. O fato é que talvez se eu tivesse gravando esse episódio há 3 anos atrás, eu diria que o nós seria eu sozinha numa varanda grande e alta tomando um vinho.
Eu não quero mais esse nós para mim. Eu quero outro nós, o nós que inclua mais alguém além de mim e minha solidão, que eu chamava de solitude tempos atrás. O modo que as coisas desacontecem fazem com que você reflita campos da sua vida que você nunca precisou entrar em contato. As amizades que desacontecem, as suas mudanças que não acontecem, os seus medos que acontecem vão fazer parte de um significado gigante da tua vida e que você não faz a menor ideia até quando isso vai durar ou acontecer.
A gente ainda tem a petulância de julgar as coisas que desacontecem como o destino não quis ou que não era aquela hora. Até mesmo nesse momento eu entendo que casais que não são nós agora serão nós depois. E casais que são um nós agora não serão um nós depois. Isso porque talvez a internet venda para gente a decisão de definir quem o outro será na nossa vida, com a petulância e a exigência da perfeição que nem mesmo a gente tem.
As coisas vão desacontecer na tua vida, e eu espero que você não veja isso como algo ruim. Assim como aquele dia que você decidiu não sair, mas saiu mais tarde, encontrou alguém incrível. Sobre o dia que você poderia ter ido dormir chateada, mas aceitou o convite de uma amiga para ir no pagode lá no quintal. E aí uma coisa que tava acontecendo no seu coração parou de acontecer e começou a acontecer outra coisa. Eu me lembro da última vez que isso me aconteceu.
Eu tava com o coração partido, ferida, tentando entender os motivos e as razões do porquê não estava acontecendo um nós que eu tanto queria, tentando entender o que tava acontecendo. Mas na verdade, o que de fato era, era só as coisas desacontecendo. E aí eu aceitei que estavam desacontecendo, e aí eu deixei acontecer outra coisa, deixei acontecer outras pessoas, deixei acontecer outras histórias para que outras deixassem de desacontecer ou começassem a desacontecer para que eu conhecesse o que tinha que acontecer.
Tem muita coisa que vai precisar desacontecer para que outras coisas aconteçam, e é importante que você permita. Todas as vezes que o nós te gerar cansaço, te gerar dúvida e medo, é importante que você tente descobrir se você está incluído naquele nós Todas as vezes que você colocar o outro no seu nós, antes que as coisas desaconteçam, é preciso saber o que acontece. E caso as coisas comecem a desacontecer, lembre-se que tudo é começo.
Tudo é começo. Não importa quanto o fim agora pareça uma coisa bizarra para você e extremamente dolorosa. Não importa o quanto você tenha chorado numa quarta-feira o dia inteiro, as coisas estavam desacontecendo, mas por outro lado haviam coisas que precisavam acontecer. Eu queria que toda a tristeza e o vazio que te ocupa por relações que não funcionaram te fizesse abrir um leque gigante para as coisas que podem funcionar. Eu me lembro das vezes que perder coisas me deu uma sensação de perda de vida, quando na verdade não ia caber, não ia dar certo, não ia funcionar.
E só aquilo desacontecendo, as outras coisas aconteceriam. Precisavam que fosse daquele jeito, precisava que doesse muito, precisasse que incomodasse, precisava acabar com meu dia. Para aquele brilho do olhar desacontecer, para que acontecesse o brilho para outras coisas, para que acontecesse uma versão de mim melhor, mais estável, mais feliz, talvez arrasada por um período. E eu queria que você colocasse agora prazo de validade nessas coisas que estão desacontecendo.
Porque a ideia de olhar para sempre para as coisas que foram tira o brilho total das coisas que estão por vir. A mania chata e irritante de olhar para trás para as coisas que desaconteceram vão te fazer desacontecer o dia de amanhã. Aquele dia que você não saiu, aquela pessoa que você não conheceu, Eu ainda trabalho os meus ainda bem, mesmo que eu não saiba o futuro. Mas sinceramente, ainda bem que eu aceitei um convite para sair, para ir para um pagode, mesmo com coisas desacontecendo do lado de dentro, mesmo com coisas que eu não queria que desacontecesse.
Aconteceram outras. Que bom que eu aceito sair, que bom que eu conheço pessoas. Que bom que eu não acho que a minha vida acabou todas as vezes que eu me decepciono. Eu só lembro que havia uma razão a qual as coisas me decepcionassem, e que talvez o nó que eu criei na minha cabeça não existisse na cabeça do outro. Então que bom que acabou o quanto antes. Então que bom que acabe, acabe para você também. Eu sinceramente torço para que desaconteça todas as coisas que atrapalham as coisas que são para você acontecer.
Eu sinceramente torço de todo meu coração que todos os nós que você acredita existir entre você e alguém sumam de cena. E eu quero de verdade que hoje você reflita junto comigo, porque eu passei quase 2 semanas para poder gravar isso. Para poder explicar para você que todas as vezes que eu fiquei para baixo, eu perguntei: tem eu nesse nós? Se tem eu nesse nós, por que que tá doendo em mim? Quando tem eu no nós, tem amor, tem cuidado, tem paz.
A menos que dentro daquele nós tenha só eu e uma versão do outro que eu criei. Quando há o nós completo, tem diálogo, Tem paz, tem carinho, tem conversa, tem paciência. Às vezes as pessoas confundem casais felizes com casais que não brigam. Brigam. E eu vejo diariamente na terapia casais que quebram o pau, conversam sobre tudo, trazem todos os temas do mundo para mesa, mas separar não. Deus me livre passar o resto da minha vida sem essa pessoa.
Tem casais que fazem questão de acontecer, fazem questão de não desacontecerem, mas quando existe só um no nós, desacontece. Então, sinceramente, eu torço do fundo do meu coração que todas as coisas que estejam para te desacontecer comecem a desacontecer, para que o que é para você comece a acontecer Urgente, para ontem, para já, e de verdade. O tempo que você perde no nós que não pertence você faz você gastar energia, tempo e vida, coisa que você vai se arrepender muito de perder depois.
Eu torço de todo meu coração que todas as coisas que você coloca um nós, seja no trabalho, num relacionamento, numa amizade, num projeto de vida, numa viagem, aconteçam porque você tá inteira, inteiro, não pedaço, não imaginário. O nó que funciona bem é você e a vida. Parece que quando você ri para a vida, ela, ela ri para você de volta. Houve um dia da semana que estava desacontecendo algumas coisas E eu pedi para uma amiga me levar para dar uma volta.
Ela me levou, me levou no Bar do Abílio aqui em Juiz de Fora. E aí o que eu chorei o dia inteiro por ter desacontecido aconteceu assim que eu saí na porta do Bar do Abílio. Aconteceu coisas diferentes. Eu não sei quando essas coisas que estão acontecendo vão desacontecer, mas o fato é que eu não posso passar pela minha vida com medo de viver a minha vida. Eu não posso passar a vida com medo de viver as coisas só porque eu não sei por quanto tempo elas vão durar.
Eu não posso passar a vida colocando a vida numa régua, numa metragem, numa linha reta, numa, num cálculo infinito, só porque eu não quero que dê errado. Eu prefiro que as coisas desaconteçam do que fiquem desacontecendo comigo lá dentro desse nós, com a minha saúde mental, com os meus sentimentos, com a minha falta de respostas, com a falta de respostas do outro. Eu sei lá quantas vezes esse desacontecer precisou te encontrar, mas eu Ainda prefiro que o que tiver que desacontecer, que desaconteça.
O que você não pode é deixar de viver as coisas na sua vida só porque você não sabe quanto tempo elas vão durar. Só porque você não tem o controle, talvez você não queira viver. Só porque você tem medo da exposição do afeto e do amor, talvez agora você desaconteça coisas que já deveriam estar acontecendo, mas você quer ter controle do outro e de você. Você pode permitir que as coisas aconteçam na sua vida. A gente já tá em agosto, tá na hora de deixar as coisas acontecerem e tá na hora de deixar que outras coisas simplesmente desaconteçam.
Não há uma bola de cristal de cristal para te convencer que tudo vai dar certo. Mas eu acho que você sabe bem as coisas que já estão dando errado. E como sabe? Eu sei, você também deve saber. Incantáveis vezes a gente já sabia que tava dando errado, a gente já sabia que não existia um nós. Não precisaria da bola de cristal, e mesmo que tivesse um outdoor Gritando na rua que aquilo não era para você. O nós que você criou na sua cabeça foi o desapego mais difícil que você teve para tirar.
Promete para mim que da próxima vez, quando você assistir as coisas acontecerem, você vai se lembrar que para coisas acontecerem, algumas precisam desacontecer. Houve um tempo que se eu soubesse que a felicidade estaria do outro lado da porta, eu não passaria. Simplesmente porque eu teria medo. Hoje bastou um novo acontecimento na minha vida e eu entendo: a vida é para quem tá vivo. E eu não vou passar por aqui sem entender o que é para mim.
E se tudo chega até mim por algum modo, uma porta que abre, sai alguém por aquela porta, por um lugar que alguém decide me conhecer, por uma rede social que alguém te adiciona, eu sei lá o que que é que vai acontecer. Sobre as coisas que vão acontecer você não tem uma bola de cristal, mas sobre as coisas que estão desacontecendo você sabe. Eu sei também. E eu espero que esse episódio te encontre com dúvidas, mas repleto de clareza, que talvez agora, juntando as coisas, você consiga saber o que fazer.
Porque talvez o teu apego sobre algumas coisas na vida, voltando, seja relacionamento, amizades e relacionamento e trabalho, enfim, seja só porque você acha que não tem mais nada para acontecer. Então você se agarra com todas as forças naquilo que tá desfarelando igual paçoca. Você já sabe que tá desacontecendo, mas você tem tanto medo de que nada mais aconteça Que você se agarra no que tá acontecendo. Você sonha com nós, mesmo que nem seja mais talvez esse nós que você queira.
Pode ser a carreira, pode ser um relacionamento, pode ser uma amizade. Eu nem sei se alguns nós eu quero sentar novamente como amigas. Eu não sei se algum nós eu quero novamente como empresa. Eu não sei se algum nós novamente eu quero como relacionamento, mas a certeza que eu trouxe hoje para você é que as coisas acontecem, e para que as coisas aconteçam, algumas coisas vão precisar desacontecer. Bom, esse episódio de hoje é uma junção de dois episódios meus desse podcast.
Um deles se chama Quando as Coisas Desacontecem, e o outro é Tem Eu Nesse Nós. Espero que você consiga pegar a junção, porque agora eu inicio uma temporada dos 7 anos do Levanta e Flui, e eu tô fazendo um compilado dos episódios que já existem gravados em 2021, 2022, 2023, com a Manu de 2026. E sim, eu ainda acredito nas coisas que desacontecem, E eu ainda reflito se tem eu no nós que eu crio com as pessoas e que elas criam comigo também. É isso, um beijo e até o nosso próximo encontro.