Episódios de Hipótese Nula

#22 Abril 26 - V TAPERimpério (TAPER-V) e Apitongaxabano (COBRA)

27 de abril de 202630min
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Participantes neste episódio1
M

Mariana

Co-hostMillennial
Assuntos4
  • Estudo COBRAApixaban · Rivaroxaban · Tromboembolismo venoso agudo
  • Esquema de VancomicinaClostridioides difficile · Recorrência de infecção
  • TeatroDeath of a Salesman
  • Filmes recomendadosValor Sentimental · Hamnet
Transcrição70 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Free audio post-production. By alphonic.com Olá, bem-vindos de novo ao vosso podcast de eleição, Hipótese Nula. Uhul, mais uma vez, confiamos. Pelo menos o teu podcast de eleição. Já sabes que tivemos um comentário no Spotify. Não, Bernardo, me contaste, isso é mega novidade.

Foi a Maria Inês, a interna. Ela é dos centrais, agora é da minha equipa de banco. E então, o que é que a nossa ouvinte mais fiel? Ela disse que nós devemos ter comentado os nossos dois ou três ouvintes e ela disse, dois ou três ouvintes, mas bons, eu não sei o que, e fiéis. Portanto, obrigado pelo teu apoio. É que bom, tem a mensalidade para continuar. Eu não acho que são só sete bots a ouvintes.

E tu também já tiveste comentários a perguntar quando é que se falava sobre certos temas, ou não? Ah, é verdade, para irmos para comentar as guidelines do TED. Não sei se falamos disso no último.

acho que comentámos muito raspão comentámos e depois aquilo foi abaixo e eu por acaso, olha, peço já desculpa aos ouvintes não editei porque não tive muito tempo e ficou assim meio cortado a meio com uma música por trás mas mas havemos de falar acho que vamos comentar provavelmente o iPad e os outros dois ensaios, que na verdade houve mais dois mas pronto, este mês não, este mês vamos comentar de outros dois muito importantes, sobretudo um deles assim, muito importante obrigado obrigado

Outro talvez um bocadinho menos, mas pelo menos relevante. E portanto, estes dois ensaios que escolhemos são, um, o Cobra Trial, que comparou finalmente, o primeiro ensaio a comparar, dois NOACs, dois anticogulantes de nova geração. Comparou o Apixabano com o Rivaroxabano. E depois o outro ensaio, é um ensaio assim, que à primeira vista parece assim, um bocadinho estranho, mas depois vai-se perceber melhor, que foi um ensaio que...

estudou um esquema de vancomicina oral no colostridium difícil, aliás, colostridium diodes, que agora mudou de nome, colostridium diodes difícil, e estudou um esquema de vancomicina longa com desmame, e já falaremos melhor sobre ele. Portanto, se calhar melhor começamos pelo COBRA trial, não é, Mariana? Que é um assunto mais impactante. Portanto, vamos começar pelo COBRA, que se chama Bleeding Risk with Apixaban versus Rivaroxaban in Acute.

Venus Thromboembolism Cobra, publicado no New England Journal of Medicine, ou também conhecido como... Não, no fundo é só... New England, não é? Não é conhecido como New England. E foi um ensaio que estudou a população de tromboembolismo venoso agudo sintomático, portanto não era só TEP, era tromboembolismo venoso agudo sintomático, podia ser TEP, ou tromboembolismo venoso profundo proximal.

era esta a grande população. E os dois braços de comparação foram, num lado, o apixabano, 100mg, duas vezes por dia durante 7 dias, e transição no oitavo para 5mg, duas vezes por dia, doce clássica do apixabano no TEP, não não lembro do nome do ensaio, mas desde o ensaio que estudou isto, comparado com o riva-roxabano, também na doce clássica no TEP, para a qual foi estudar. São os 15mg durante 21 dias, e depois transição no 22º para 20 dias. Uma coisa cada vez...

mais habitual, quase diariamente no serviço de urgência, pronto, no trauma-militivoso profundo, aí há menos dúvidas, mas mesmo no TEP, no TEP sem grande risco, pessoas que achamos que vão ter guadizão terapêutica, etc., já é lícito e afetamente estudado, e com bons resultados, começaram a fazer anticoagulação oral, e eles decidiram comparar um com o outro. Na verdade...

tanto nesta população de tromboembolismo, mesmo na fibrilação auricular, nunca um antico agulante oral tinha sido comparado em ambiente de ensaio. Eles aqui tiveram números impressionantes. Portanto, 2.760 doentes, um ensaio aberto, mas com o desfecho oculto, portanto, o desfecho era oculto para os investigadores. Um utilicêntrico internacional em 32 centros entre Canadá, Austrália e Irlanda. Não é verdade?

apenas pela explosão anglo-saxónica, mas pelo menos foram três países diferentes, em continentes diferentes, com duração de três meses. E com isto eu ainda não ouviço disso. Os resultados, os resultados foram bastante favoráveis a... imagine-se em favor do Apixaban. Já seria assim, segundo a minha prioridade pré-teste, o meu antigo agulante entre os estudadores da eleição e, na verdade, os fechos primários escolhidos foram dos fechos de segurança, que é o que faz mais sentido de estudar, não é? Era muito estranho.

ou pelo menos um bocadinho de estrangeira, que a eficácia fosse muito diferente. E o desfecho escolhido foi a hemorragia clinicamente relevante após 3 meses e houve uma grande redução com o apixabano de quase 4 pontos percentuais em redução de risco absoluto, com um number of interest rate de 26. Portanto, 3% de hemorragia do lado do apixabano contra 7% do lado do rivaroxabano, daí os 4% de diferença.

26 doentes para tratar para diminuir uma hemorragia clinicamente relevante, e depois, dividindo em major e não major, houve redução de ambas. A não major foi reduzida de 0.4, aliás, de 2.4 para 0.4, uma diferença de 2%, e o não major, uma diferença de 3%, portanto, de 3% para 5%. Portanto, tudo isto a favorecer o apixaban, e a eficácia foi, houve muito, muito poucos eventos, na verdade, portanto, isto também não.

acho que não se tira grandes as conclusões daqui, mas houve igual e raríssima morte por qualquer causa, um contra 4%, igual a recorrência a tromboembolismo venoso e iguais eventos adversos graves não relacionados com a hemorragia, também não havia assim grandes outros eventos adversos relacionados com os dois fármacos. E é isto, Mariana, o que é que tens a dizer? Ainda não falei das características da população, mas não sei se queres comentar, se queres ir falando. Sim, posso dizer se eu comentei isso.

Então, de facto, primeiro é levar esta tentativa de fazer este estudo. Pronto, é sempre bom. Aqui o que é que eu acho? Por um lado, até são... Eu não vou ter impressionantes os resultados, mas... Sei lá. Ok, aqui uma diferença significativa, muito bem. Parece ser relativamente relevante, mas eu diria que também...

Não sei, temos de tratar 26 doentes para prevenir um evento de hemorragia clinicamente significativa e eu acho que isto se pode aplicar sobretudo a doentes que nós já achamos que pode soltar um risco hemorrágico do aço. Isto porquê? Porque eu acho que, apesar de tudo, a polícia da antemopresiologia menos cómoda, porque se mantém duas vezes por dia. Mas neste caso… Jovem João!

Mas olha que neste caso tens aquele esquema duas vezes por dia durante 21 dias, não é? Não faz inicial 21 dias. Ah, está bem, mas esta pessoa depois, mas as pessoas que tomam o Rio de Janeiro, tomam três semanas, 22 vezes a dia, mas passam para o meio vez dia. Sim, sim. Para uma pessoa jovem, apesar de tudo, eu acho que é mais cómoda a pedologia. Às vezes, é o único que o medicamento tomam. Importante, eu acho que isto para jovens, sobretudo aqueles jovens que têm um risco hemorrágico bastante baixo, eu acho que isto...

Sinceramente não traz grande vantagem. Pode trazer mais vantagem. Pode nos dar mais segurança nas pessoas um bocadinho mais velhas. Ainda que aqui a população tenha tido uma idade média de 58 anos. Portanto, também não estamos a falar de uma população velha. Ou seja, isto também tem aqui a sua relevância numa população adulta média. Mas...

Mas pronto, tem de se pesar aqui, ou seja, se é uma pessoa que lhe é completamente indiferente, tomado duas vezes por dia um fármaco durante algum tempo, ótimo. Se for relevante, eu acho que é tranquilo passarmos para o Rio de Janeiro e não pensarmos ai, vai ter mais hemorragia. Não, tudo é um em cada 26 que se poupa como hemorragia. Mas pronto, vai na linha daquilo que eu acho que já era uma impressão das pessoas, que a Pixabane tem um bocadinho menos de risco hemorragico.

E ótimo que se fez este estudo e que parece confirmar essa impressão. Pois, eu percebo a tua cautela, mas eu acho que apesar de tudo é relevante. E ainda por cima, se isto acontecer nesta população jovem de 58 anos, com débil filtrado do número lastimado, em 95% dos casos acima dos 50.

portanto uma população com baixo risco hemorrágico, mesmo assim houve esta redução na maioria dos eventos que nós costumamos tratar se calhar a redução ainda é mais relevante, é claro que a adesão é uma coisa muito importante a ter em conta eu aí digo que eu na verdade normalmente só uso dois anticoagulantes ou a pixabana ou a edoxabana se quer privilegiar a adesão, etc uso a edoxabana, o problema da edoxabana no caso do tromboembolismo venoso é que não couve nenhum ensaio e tem que se fazer aquele ponto com a enoxaparina e portanto...

É isso. Mas na verdade, até eventualmente pode fazer a ponte com a Pixabane e depois passar para a Oxabane. Na verdade, como temos de fazer um ponto na mesma com a River Oxabane, que é duas vezes por dia, não sei se percebes o que eu estou a dizer, não vejo assim grande vantagem em privilegiar a adesão neste caso. Sim, no limite. Se bem que nunca foi estudada essa história de começar com a River Oxabane e depois mudar para a Oxabane.

Sim, sim, pois não, pois não, mas foi estudado pelo menos a ponte com a Noxaparina. E portanto, enfim.

Sim, é isso. Se eu ia extrapolar um bocadinho, pronto, há coisas piores, mas mesmo assim estaríamos a extrapolar. É isso. Se calhar comentava só que, por acaso, a única coisa que me passou ao lado é se isto são teves provocados ou não provocados, ou todo o tipo de teve.

A maioria é não provocado, a maioria são TEVs não provocadas, portanto, 80%, 50% TVP isolada e outros 50% mais ou menos TVP. Não esqueça que estas pessoas vão ter de manter estes pármicos, não é? Muito poucos faziam anti-plectários prédios, portanto...

ainda assim, 3% pode ter o seu impacto, por acaso agora não sai o balanço entre os dois braços, mas com tantos doentes deve ser parecido o que eu tenho aqui a dizer é mesmo, por acaso nunca tinha pensado nisto mas foi o Mandrola que pensou e pode ser um ponto relevante é que o Rivaroxabano, a dose de carga em trás do Rivaroxabano é feita durante 21 dias, ao passo que a da Pixabano é feita durante 7 dias e são fármacos com o tempo de sua vida parecidos portanto isto, realmente eu nunca tinha pensado bem sobre isto mas isto é estranho, acho que isto é estranho, acho que isto é estranho

é exato, eu não sei porque é que no River Oxalene decidiram fazer 3 semanas, no PIX decidiram fazer 7 ele teve uma contra-resposta de um cardiologista a dizer que foi os estudos originais e que isto não devia ser chamado dose de carga mas pronto, eu acho que é uma contra-resposta a ser um bocadinho demasiado dialética percebe-se a ideia eu concordo com a ideia que é como o River Oxalene é feito mais dias 3 vezes mais dias numa dose alta pode explicar por si só Tá certo

os maiores eventos hemorrágicos a 3 meses, que apesar de tudo não é assim tanto, é uma curta janela que pode dar para explicar ou ser explicada por isto isso faz sentido, eu acho que também seria interessante alguém se calhar comparar a nível de segurança e recorrência de TEB aos 3 meses apenas o Uppixabane 7 dias e o Rio-Aroxabane 7 dias nas suas doses de carga não é? Porque quem sabe são iguais estou aqui a ver se há curva de Kaplan-Meier para vermos Tá tudo certo?

Não, mas de facto, pois, eu acho que até o Mandrol até falou sobre isto. Ou então foi eu que fui ver na altura. Mas de facto as curvas começam-se a separar logo no início. Portanto, eu acho que se houvesse a ser uma grande separação a partir do dia, entre o dia 10 e o 21, não é? Aliás, entre o dia 7, o Pixabane é no dia 7, não é? Portanto, entre o dia 7 e o 21. Mas eu agora vendo aqui a curva, parece que isto começa logo a distanciar. Sim, a separar logo nos primeiros 7 dias. Sim, sim. Ui, é questionável, sim.

Ou seja, fica muito a dúvida. Eu acho que fica a dúvida ainda. Mas olha, eu fiquei pelo menos contente por pelo menos, finalmente, eles terem sido comparados. Porque se foram comparados aqui, porquê que não são comparados na FA? E é isto. E é claro que isto foi... Lá está, é uma coisa canadiana, fundada... Nós hoje por acaso trouxemos dois... Sem combinar, trouxemos dois ensaios de iniciativa canadiana. Sim, sim, eles são de boa investigação. E pronto.

Sim, só se salvar que isto é aos três meses, quem sabe as diferenças podem se atenuar mais tarde, mas pronto, diria que não, mas atenção, é uma avaliação a curto prazo. Ok. Pronto, olha, agora passando para o próximo ensaio. Deixa-me lá aqui, estou aqui a abrir. Portanto, o tal ensaio que eu vos tinha falado, do tal esquema da vancomicina, exato. Initial vancomicina taper for the prevention of...

Recurrent Clostridioides Difficile Infection, TAPERS 5 ou 5, em numeração romana, publicado no JAMA Network Open. Ah, pronto, é isso, o ensaio é mesmo, bem parecia, o ensaio é aberto, porque o JAMA Network Open é sempre aberto. Portanto, isto foi um ensaio na população de adultos com o primeiro episódio ou a primeira recorrência de infecção por clostridios difíceis, portanto, um ao outro.

e que já tinham feito um esquema inicial, eu escrevi aqui 10 dias, mas agora há bocado está a valer, acho que é duas semanas. Ah, ok, acho que já percebi. Portanto, na população, para serem incluídos na população, eles tinham de estar a melhorar no décimo dia de antibioterapia, pelo menos.

porque eles começavam logo a fazer vancomicina neste centro, se calhar é o que está instituído neste centro, não devem fazer fidexomicina, começavam a fazer vancomicina 125mg 4 vezes por dia e para serem incluídos no ensaio tinham que estar a melhorar no décimo dia, acho que era isso. E depois eram aleatorizados para dois braços, num braço. Aliás, ambos os braços terminavam o ciclo até 14 dias.

Todos os doentes faziam vancomicina durante 14 dias. Num dos braços parava-se logo a vancomicina e no outro braço fazia-se um desmame mais lento em que começavam por fazer duas vezes por dia durante 7 dias e depois passavam a fazer uma vez por dia durante 7 dias, por fazendo um total de vancomicina de 4 semanas. No fundo é comparar 4 com 2 semanas.

Tem algumas nuances, como nós já vamos discutir, depois deixo para a Marina discutir isso, mas posso só dizer já que o desfecho primário escolhido foi a recorrência entre o 15º e o 56º dia, portanto, entre as duas semanas e dois meses.

Pronto, foi isto que foi escolhido. E a diferença foi de 14,8% para 17,7%. Portanto, houve aqui uma redução absoluta de 3% de recorrência. E eles fizeram um ensaio também com características baesianas e, portanto, encontraram uma probabilidade de superioridade de 74%. Eu não sei bem como eles fizeram isso, confesso que tenho alguma dificuldade.

Não tenho muita experiência em interpretar. Tem ensaios baysianos para conseguir interpretar isto tudo bem, mas foi isto que eles obtiveram. Posso só dizer que era um ensaio com 265 doentes, mas foram avaliados 2.190 doentes no início. Portanto, rastreados mais de 2.000 doentes para só serem incluídos 265. Portanto, isso pode haver aqui um grande viés de seleção. Houve muito poucos doentes incluídos para os rastreados.

multicêntrico também no Canadá, em 12 hospitais do Canadá, esta parte é boa, duplamente oculto, esta parte também é boa, portanto, a parte de ser duplamente oculto se calhar elimina um bocadinho o viés, mas pode ter havido viés não só na pós-eleitorização, mas no pré-eleitorização, portanto, na alocação, e como houve muito poucos incluídos, pode realmente ter havido esse viés. Foi o Bayezene, como eu já tinha dito, e aí está, em termos de feitos secundários também houve menos recorrência até o dia 38, sim,

6.7 para 15.4% e não houve diferenças em segurança relevantes, pelo menos tudo muito parecido. De facto, até parece haver aqui houve um aumento numérico para mais mortalidade de 3 para 1.5% aos 90 dias, mas sem diferença estatística. Não sei se isto é relevante ou não. Enfim. Mas pronto, nada disto com relevância estatística. Mariana.

então como estávamos a falar ainda antes de me estarmos a gravar qual é que é a relevância deste estudo é que há bastante recorrência de Glosteridium, houve já um estudo a tentar engajar outros fórmacos nomeadamente a fideaxamicina para ver se era superior a prevenir a recorrência e aparentemente sim problema maior é o custo portanto obrigado obrigado obrigado

provavelmente já é uma pergunta em muitos clínicos que é não temos dinheiro, nem temos acesso a fitaxamicina, mas temos estes doentes todos a recidivar, o que é que fazemos? Portanto, houve aqui quem pensasse que fazermos mais lento da comicina pudesse prevenir recorrências e parece haver essa tendência tal como tu, não sou aqui nenhuma experta a interpretar intervalos de credibilidade beijanjo

mas a verdade é que confio muito nesta equipa de investigação que os nossos ouvintes, não sei se sabem nós somos grandes fãs da Emily McDonald acho que é assim que se chama e o Todd Lee que fazem parte da equipa e que são de facto muito bons sempre pareceram muito intelectualmente honestos Tu já foste com a autora até com eles não sei se ambos participaram nas Wikiguitelines de infecção urinária não sei se eles participaram no grupo, não sei se participaram nessa em específico sim, acho que

Acho que sim, acho que estavam lá provavelmente um bocado mais desfia. Claro. Mas pronto, aqui vamos confiar e tentar interpretar de forma simples uma probabilidade de superioridade de 74%, o que acaba por ser relevante, não é? E por isso eu diria que isto aqui são boas notícias. A maioria dos hospitais poderá tentar fazer isto, passar a tentar fazer isto.

Que tipo de doentes são estes? É uma evolução não muito velha, eu acho que estou com 63 anos de mediana de idade e não sei que tipo de população, com doente, em que tipo de unidades, provavelmente essa parte não interessa. Eu posso ir vendo isto. Como tu disseste... Mas a esmagadora maioria era o primeiro episódio, 92%, portanto, isto é sobretudo o primeiro episódio. Pois.

Pronto, lá está. Porquê é que eles excluíram tantos doentes? Ou porque foram, de facto, um bocadinho restritos demais? Não sei, isto aqui agora também não estou tão por dentro dos efeitos, dos critérios de elegibilidade. Mas pronto, eu acho que acontece. Só bem trata muitos destes doentes, que se calhar vale a pena ir ver se a população que trata é parecida com a população deste trabalho.

E depois, se calhar chamávamos a atenção para esta história da Vancomicina, 14 dias, porque o que está recomendado na maioria das guidelines e up-to-dates e sunford é 10 dias, mas estes investigadores, depois disso, foram ver a evidência original que apontava para 14 dias. E eu acho que daí teriam usado esta dor. Portanto, só para sabermos...

Temos sempre questionado onde é que vêm as coisas e se alguém decidiu se cá que era 10 dias, tu é que estiveste a ver isso há um bocado, parecia ter a ver com os primeiros estudos até em ratinhos ou os primeiros estudos clínicos, não necessariamente os de fato 3. E se cá, por isso, só porque sim. Foi só porque sim. Sim, pois é isso. Nós estávamos a discutir isso que me deixou...

Desde logo quando li pela primeira vez o ensaio, deixou-me logo dúvidas o braço de controle, não ser pelo menos a intervenção que eu acho que está instituída, que eu fui ler up-to-date as guidelines que eu uso no meu hospital normalmente. Acho que quase toda a gente, pelo menos em Portugal, usava a vancobicina, 125 miligramas de 6 em 6 horas, 4 vezes por dia, durante 10 dias. Acho que é assim o básico.

E eles próprios, acho que na introdução, reconhecem mais ou menos isso, porque no tal ensaio que a Mariana já tinha falado, de 2011, do New England, da FIDAC-Fomicina, comparada com a Vancomicina, também usaram a Vancomicina nos tais 10 dias. Eles depois sustentam-se em que, acho que em subanálise e outros estudos mais observacionais, em que as recorrências, ou seja, nesse tal ensaio houve mais recorrência, a cura clínica foi igual, mas houve mais recorrência com a Vancomicina.

E daí a Fidaxomicina, em muitas guidelines e sítios, ser recomendada a primeira linha, apesar de ser muito mais cara. Mas eles depois aqui dizem que a recorrência parece ser sobretudo nas primeiras duas semanas de Fidaxomicina. Portanto, eles dão a entender que talvez usando a Fidaxomicina... Desculpem, nas primeiras duas semanas de Vancomicina. Portanto, eles dão a entender que usando a Vancomicina mais do que duas semanas, se calhar, aí a recorrência já é igual ou pelo menos não assim muito inferior à Fidaxomicina.

que não é bem isto que eles demonstram neste ensaio eles só demonstram que fazendo duas semanas pelo menos vão com a omicina a recorrência é inferior se fizermos mesmo as quatro semanas, só que eu acho que há muitas perguntas preliminares para isto, não é? Primeiro, se 10 comparado com duas e quatro semanas é melhor ou igual ou pior, depois comparar com o FIDAC-O-O-Micina também

pronto, não sei tenho algumas dúvidas, mas lá está é como tu, eu confio muito nesta equipa de investigadores mas eu acho que deve ter vir aqui coisas administrativas que nós não sabemos que os levaram a escolher estes estes fechos, porque eu acho estranho que eles não saibam tudo isto que eu estou a dizer eles devem saber tudo isto Eu sabia, eu estava aqui a despertar outra vez os comentários deles de limitações e eles reconhecem esta própria limitação de todos

de certeza tinham, quase certeza tinham conhecimento disto. Quer dizer, não, então não. O perceberam-se depois mais tarde e discutiram nas limitações. Pois, já agora, visto nas limitações porque é que foram tantos doentes excluídos. Porque eu estava a ver, os critérios de exclusão não são assim nada do outro mundo. Só se, só se for doentes de rastrear, só se eles se calhar tinham um programa de rastrear doentes assim demasiado sensível, não é? Pois, é isso.

Se calhar, não sei, era importante que os ensaios dissessem sempre os principais critérios de não inclusão dos doentes, que por acaso é uma coisa que eu estou tentando estudar no ensaio do qual sou o investigador.

Isto é uma parte, mas acho que é uma coisa muito informativa. Nós conseguimos perceber porque é que foi. Foi por critério de exclusão? Foi por falha da equipa? Porque isto pode nos levar a conclusões diferentes. Mas eu não sei. A minha intuição é que o principal critério de exclusão foi estar a melhorar ao décimo dia. Porque eles dizem que os critérios para estar a melhorar ao décimo dia, eles tinham que ter... Como é que é? Não podiam ter mais de três digestões.

por dois dias e pronto, e claro que não podiam ter mega colantóxico, isso claro. Mas, sei, o doente pode ter três rejeições por dia e não ter assim um colostridium gravíssimo e estar a melhorar, não é? E mesmo assim não seria considerado estar a melhorar. Não sei, digo eu, pode ser aqui uma coisa importante, porque depois o resto é tudo coisas mais ou menos, a não ser que tenham decidido fazer fidaxomicina, porque aí eram excluídos.

Se a equipa lá deles decidiu, pode ter sido um grande critério de exclusão, não sei. Mas eles depois nem falam disso nas limitações. Depois, as características basais. Há bocado estava a ver a tabela mariana e... Bem, não parece haver assim. Portanto, por acaso, a maior parte dos doentes nem sequer era do hospital. Portanto, a maior parte dos doentes foi incluído no serviço de urgência ou mesmo a ambulatória. Foi mais ou menos um terço cada.

Os hospitalizados é um bocadinho mais de um terço, entre 30% e 40%, por acaso com um grande desequilíbrio entre o grupo de intervenção e o controle. Não sei se isto... Agora, as comodidades. Havia mais 5% doentes com cancro no grupo de placebo, cancro sólido. Hematológico, por acaso, até havia mais 3% no grupo de intervenção. Muito mais da sepulenta intestinal no grupo de...

de placebo, portanto pode ser uma população mais imunodeprimida, eu acho que isto por acaso é uma grande limitação. É que é uma diferença de 6 para 16%, doença inflamatória intestinal. Mariana? Pois, sim, por acaso nem discutiram isso, ainda que isto tenha sido lá está, isto é um RCT, não é? E eu acredito que isto logicamente até parece forte. Agora, porquê que haverá essa discrepância tão grande? Azar? Deve ter sido um grande azar, não sei.

Pois, eu acho também que a amostra é muito pequena, não é? A amostra é muito pequena e isso depois gera... Pois, pois é pequena, mas sim, para os doentes que foram eventualmente abrangidos ao início, sim, mas... Não, é de 65 doentes, ou seja, não é pequeníssima, mas é pequena e pode gerar estas diferenças entre os grupos. Por exemplo, existem uma série de fatores de risco para a clostridium inicial e recorrente. E, por exemplo, estes...

esta diferença de 6% de doentes com doença inflamatória intestinal podiam estar muito mais imunodeprimidos, não é? Imunodeprimidos, como que eram, portanto... Sim, mas apesar de todos esses doentes, a maioria calhou no grupo placebo e apesar de tudo o estudo tendeu para positividade, portanto... Pois, sim. A gente ainda seria melhor. Muito mais doentes com antibióticos no grupo placebo também, a diferença é de 10%, de 15% para 25%.

Mas acho que todas estas discrepâncias fariam que os resultados fossem na tendência de não haver diferença. E apesar de todos encontram uma tendência de superioridade. Mas pronto. Não, mas para inferioridade também. Não é tendência também para inferioridade. Ou seja, superioridade do braço de intervenção. Não achas? Não.

Porque à partida, se o grupo de você é mais frágil, ele tenderia a ter mais recidivas. Ah, claro, exatamente. Então tem um bom braço de intervenção. Claro, claro. Deixa eu ver para a palavra ao contrário. É isso, é isso. É isso que eu estou a dizer. Pois, pois, pois, pois, concordo. Por cima... Olha, quem sabe aqui uma oportunidade para escrevermos uma carta ridícula. Muito obrigada. Podemos escrever. Ou então perguntar-lhe só. Não sei. Ou então, exato. Via Twitter. Está bem.

Muito bem. Vou falar em cartas para o editor, não sei se sabias, Dicti, e para os nossos caros ouvintes, que vão chegar duas cartas ao editor, eu por acaso participei em ambas. Uma sobre a disputa recente entre a ATS e a ITSA, nas novas guidelines da pneumonia, que eles até se separaram a meia. Pronto, depois podem ler. E outro é um tema mais... É um grande subtema, mas também foi uma ideia que surgiu dentro do grupo das Wikigodelines, que é...

que é uma questão em relação a uma recomendação para se fazer a ERTA-prima num tratamento de infecção por grano-negativos, infusão estendida, que é uma coisa que não tem assim grande evidência, que pode sujeitar os doentes a estarem no hospital mais tempo, etc. É uma coisa que pelo visto é recomendada como grande força de evidência, strong recommendation, e é muito estranho porque não há evidência para o dizer. E portanto, é isso.

Muito bem. Olha, eu estou aqui um bocado limitada, por isso... Ok, claro. Já estamos aqui à meia hora e acho que já foi bom, já falamos sobre muitos ensaios. Nunca mais falámos das recomendações culturais. Queres falar de alguma assim muito rápido? O que é que me ocorre assim? Coisas que tens visto, que leste...

Olha, tive a sorte recentemente de uma viagem a Nova Iorque e fui ver a peça do Arthur Miller, Death of a Sailor Man, e que recomendo muito. Se alguém tiver uma oportunidade de ir ver, de passar por lá, de ler o livro, o que quiser. Ok. Mas é só em Nova Iorque ou também? Neste momento há peça a decorrer em teatro em Nova Iorque, mas se calhar, quer dizer, é uma peça que é lê-la, estar atento a ver se surge alguma outra oportunidade em Londres, ou cá, Lisboa, ou Porto, pronto. Pode ser que surja.

Muito bem. Eu se calhar falo em dois filmes que gostei muito. Não são os melhores filmes que eu vi, mas cada vez eu gosto mais de filmes internacionais. Um deles não é internacional, que é o Hamnet. Mas gostei muito do Hamnet e do valor sentimental. Ouvi algumas críticas ao Hamnet que não entendi muito bem.

Enfim, porque aquilo não fala sobre personagens imperfeitas, fala sobre personagens imperfeitas e, portanto, não percebo muito bem essas críticas. E é isso. Mariana. Bem, está bem. Até à próxima. Até à próxima. Obrigado pela tua participação e fiquem caras no seu trabalho. Até bem.

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