Episódios de Há sempre uma saída

145. Escolhe as tuas batalhas

04 de maio de 20267min
0:00 / 7:04
Neste episódio, falamos sobre a importância de escolher as batalhas certas. Muitas vezes, não são os grandes problemas que desgastam as relações, mas o acumular de pequenas irritações do dia a dia.
Vamos ver como distinguir o que realmente importa daquilo que é apenas uma preferência pessoal — e como comunicar com firmeza, sem atacar.
Uma reflexão prática para relações mais leves, saudáveis e próximas.
Participantes neste episódio1
M

Mena Santos Galvão

HostPsicóloga
Assuntos2
  • Escolha de BatalhasPequenas irritações diárias · Cansaço relacional · Distinguir o importante do preferência · Assertividade elegante
  • Comunicação em RelacionamentosGerir conflitos interpessoais · Impacto da comunicação na proximidade
Transcrição18 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Há pequenas coisas que te irritam todos os dias? A toalha mal pendurada? O comentário fora de tom? A maneira como alguém faz algo que não é como devia ser? A pergunta deste episódio é simples. Estarás a gastar energia a lutar batalhas que nem valem a pena?

Bem-vindo ao podcast Há Sempre Uma Saída da Lisboa Counseling. Sou Mena Santos Galvão e todas as segundas-feiras te venho trazer ferramentas práticas para te ajudar a lidar com os teus desafios de forma mais eficaz.

Hoje quero falar-te sobre uma competência que muda relações, saber escolher as batalhas.

Há algum tempo uma cliente minha chegou à sessão muito cansada. Não era cansaço físico, era cansaço relacional. Ela dizia-me, parece que ando sempre a corrigir alguém. O meu marido, os meus filhos, colegas de trabalho, tudo me incomodam. E quando começámos a olhar com calma, percebemos que ela não estava zangada por causa de grandes problemas. Era o acumular de pequenas coisas.

A loiça que não foi arrumada como deve ser, o tom de voz, a roupa deixada fora do sítio, aquela tarefa feita com pouco cuidado. Qual era o problema? Ela sentia que se não dissesse nada estava a deixar passar e que ia ficar tudo completamente num caos. Mas o efeito que estava a ter era exatamente o oposto daquilo que ela queria. Em casa criava-se desconforto, pequenos conflitos.

A tal guerra fria que não explode, mas afasta. E a proximidade que ela tanto desejava ficava cada vez mais longe. No trabalho, acontecia o mesmo. Pequenas implicâncias dela geravam amouros, baixavam a leveza da equipa, criavam atritos desnecessários. Às vezes, até parecia que os outros estavam a fazer de propósito só para a chatear. E sem se aperceber, foi criando o...

Isto é mesmo muito desgastante. Desgasta quem ouve, mas também desgasta quem está sempre atento, sempre em alerta, sempre a corrigir, sempre a ralhar. A interação fica insuportável para ambas as partes.

Como é que é possível mudar este tipo de dinâmica? Como é possível deixar de estar sempre a implicar, sem que isso signifique passar o tempo todo a engolir sapos? Uma das coisas que nós trabalhámos foi a ideia de que nem tudo o que incomoda merece confronto. Porque há coisas importantes e há coisas que simplesmente não gostamos.

E é diferente. E quando começas a fazer esta distinção, consegues vir e agir de maneira muito diferente.

No caso desta cliente, o que é que mudamos? Ela não se tornou permissiva? Não começou a engolir tudo, nem deixou de ter critérios? O que mudou foi o discernimento. Ela começou a perguntar-se, isto é realmente importante? Isto vai fazer diferença daqui a uma semana? Isto toca um valor essencial? Ou tem apenas a ver com a minha preferência?

E estas perguntas fazem toda a diferença. Porque nem todas as diferenças são más. As pessoas são diferentes umas das outras e isso é bom. Nem tudo o que é diferente está errado. Há algumas diferenças que são neutras. Outras podem até enriquecer a relação. E há diferenças que precisam mesmo de ser trabalhadas.

não ignoradas nem permitidas sem limite. A maturidade relacional tem a ver com saber distinguir estas três coisas. Há diferenças que são só diferenças e está tudo bem. Há diferenças que acrescentam e isso é bom. E há diferenças que precisam de ser abordadas e aí talvez precises de te tornar mais habilidoso nessa gestão.

Mas é fundamental perceberes. Escolher as batalhas não significa permitir tudo. É perceber o peso real das coisas. É perceber o que é que vale a pena mexer. E é perceber, no fundo, o que é que te está a dirigir. São os teus valores? É a importância da relação? Ou é apenas o teu modo de impulso?

E mesmo quando decides que faz sentido dizer alguma coisa, ainda há outra competência essencial, a forma como dizes, aquilo a que eu chamo assertividade elegante, ou seja, dizer o que precisa de ser dito, mas sem criar anticorpos no outro, porque às vezes não é o conteúdo que afasta, é a maneira como se diz.

Uma frase como, tu deixas sempre as coisas por fazer, fecha a comunicação, cria resistência. Mas uma frase como, podes ajudar-me com isto, por favor, mantém a comunicação aberta.

E quando conseguimos comunicar sem sentir nem causar insegurança, a mudança torna-se realmente possível. Por isso, a ferramenta prática que te deixo para esta semana é, durante os próximos dias, sempre que alguma coisa te irritar, faz uma pausa mental e pergunta-te, isto é importante? Ou é apenas algo que eu não gosto? Se for só algo que não gostas, experimente a deixar passar.

Não porque não importa nada, mas porque talvez não importe o suficiente para pagar o custo que vai ter para a relação. E se concluíres que é importante, então acrescenta uma segunda pergunta. Como é que posso dizer isto de forma firme, mas sem atacar? Este exercício simples pode começar a mudar o ambiente em tua casa, no teu trabalho e dentro de ti. Porque viver e lutar todas as batalhas cansa.

mas escolher bem as batalhas aproxima. Se este episódio te fez pensar, subscreve este podcast e continua a seguir-me, porque episódio a episódio vamos construindo uma vida mais leve, mais consciente e mais saudável. Obrigada por continuar desse lado. Bom treino e até segunda!

145. Escolhe as tuas batalhas | Castnews Index — Castnews Index