Pé de Meia: tudo sobre o novo Desenrola 2.0
O novo Desenrola Brasil, programa para a renegociação de dívidas, foi lançado recentemente pelo governo federal. Em um cenário em que a inadimplência bate níveis recordes, a nova versão do programa promete descontos de até 90% sobre a dívida antiga, com taxa de menos de 2% ao mês. O jornalista Jeziel Carvalho explica tudo sobre o novo programa, que visa reduzir o endividamento e regularizar a vida financeira das pessoas.
Gisele Carvalho
Pedro Henrique Vasconcelos
- Dívida Pública BrasilDesenrola 2.0 · Renegociação de dívidas · Descontos de até 90% · Juros limitados a 1,99% · Uso do FGTS para quitação
- Críticas ao Desenrola 2.0Efeito recompensa para inadimplentes · Não resolve a raiz do problema financeiro · Risco de endividamento recorrente
Pé de Meia. Seu dinheiro no mundo dos investimentos.
Olá, investidoras e investidores, bem-vindos ao Pé de Meia, seu programa de finanças pessoais da Rádio Senado. E olha, o assunto de hoje interessa muita gente. O governo federal lançou o chamado Desenrola 2.0, uma nova fase do programa de renegociação de dívidas. E a promessa é ajudar quem está com o nome sujo, pagando juros absurdos ou simplesmente sem conseguir respirar financeiramente.
Mas afinal, o que é esse programa? Quem pode participar? Como faz para entrar? Vale mesmo a pena? Se ajeita aí, pega o seu café sem açúcar e bora entender tudo isso de um jeito simples e direto, sem enrolação.
O Desenrola 2.0, chamado oficialmente de Novo Desenrola Brasil, foi lançado pelo governo federal agora, nesse mês de maio, e o objetivo, igual aconteceu no primeiro Desenrola, lá em 2023, é ajudar brasileiros endividados a renegociarem suas dívidas com descontos que podem chegar a até 90%.
Na prática funciona assim. A pessoa que está devendo o cartão de crédito, o cheque especial, o crédito pessoal ou até o Fies pode procurar o banco e tentar renegociar essa dívida pagando menos juros, parcelando em mais tempo e em muitos casos conseguindo um baita desconto.
O programa foi criado principalmente para quem está inadimplente há bastante tempo e não consegue mais sair daquela bola de neve. Sabe aquela sensação de você pagar, pagar, pagar e a dívida nunca diminuir? Então, é justamente esse público que o programa quer alcançar. Agora atenção, não é qualquer pessoa que pode participar.
O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros que ganham até 5 salários mínimos, o que hoje dá cerca de R$ 8 mil por mês. Além disso, as dívidas precisam ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026 e estão atrasadas entre 90 dias e 2 anos.
Entre as dívidas que entram no programa estão o cartão de crédito, o cheque especial, o CDC, o crédito pessoal e também dívidas do FIES em algumas modalidades. Uma novidade dessa nova versão é que o governo vai permitir usar até 20% do saldo do FGTS para ajudar na quitação das dívidas, ou seja...
A ideia é facilitar ao máximo a renegociação para tirar a pessoa da inadimplência. E como é que faz para participar? Diferente da primeira edição do Desenrola, em 2023, agora a renegociação será feita diretamente com os bancos e instituições financeiras onde a pessoa tem dívida.
Então o caminho é entrar no aplicativo do banco, ligar para a central ou procurar os canais oficiais da instituição financeira onde a sua dívida está. Esse programa vai ter uma duração de 90 dias, então quem quiser aproveitar precisa correr porque o prazo não é muito longo.
E as condições anunciadas pelo governo incluem descontos de 30% a até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e prazo de cerca de 30 a 35 dias para você começar a pagar. Agora vamos falar dos pontos positivos desse programa. Primeiro ponto positivo, ele dá uma chance real de limpar o nome. Pra muita gente...
Ter o CPF negativado vira uma prisão financeira. A pessoa não consegue crédito, financiamento, aluguel e às vezes até emprego. Então, renegociar com desconto ajuda a recuperar a dignidade financeira. Um segundo ponto positivo é que os juros ficam menores. Quem já entrou no rotativo do cartão sabe o tamanho do estrago. Tem dívida que dobra ou triplica em pouco tempo. Com os juros limitados, esse pagamento fica mais possível, digamos assim.
E o terceiro ponto positivo é que o programa pode ajudar a economia como um todo. Quando milhões de pessoas saem do sufoco, elas voltam a consumir, a organizar a vida, a movimentar o comércio. Então, existe também um impacto econômico positivo nessa coisa toda.
Mas, claro, existem também críticas e pontos negativos. Primeiro ponto negativo, isso pode incentivar o chamado efeito recompensa para quem não pagou. Muita gente que sempre fez esforço para manter as contas em dia, acaba sentindo injustiça ao ver descontos enormes para quem ficou inadimplente. Inclusive nas redes sociais, se você ver...
Já existem debates sobre isso. Algumas pessoas dizem até que programas recorrentes podem passar a sensação de que vale a pena esperar o próximo perdão.
O segundo ponto negativo que eu vejo é que renegociar não resolve a raiz do problema. Se a pessoa não mudar os hábitos financeiros, ela pode sair dessa dívida e entrar em outra dívida logo depois. Esse programa ajuda no alívio imediato? Ajuda. Mas ele não substitui educação financeira.
E o terceiro ponto negativo que eu acho é que existe o risco de continuar preso ao sistema de crédito. Alguns especialistas criticam o fato de que o programa ainda mantém certas modalidades de empréstimos consideradas caras e perigosas, principalmente para aposentados e pessoas vulneráveis. Então,
É importante olhar para a renegociação como uma oportunidade de reorganização e não como uma licença para voltar a gastar sem controle. E aqui entra a minha reflexão final desse episódio. O Desenrola pode ser uma grande oportunidade para quem realmente precisa recomeçar.
Não dá para ignorar que muita gente entrou em dívida por desemprego, por doença, por emergência, por juros abusivos mesmo ou simplesmente falta de educação financeira. Mas, ao mesmo tempo, nenhum programa resolve a vida de forma definitiva se a relação com o dinheiro continuar desorganizada.
No fim das contas, a liberdade financeira não nasce de desconto em dívida. Ela nasce do hábito de aprender a gastar menos do que ganha, de montar uma reserva, mesmo que pequena, de fugir do crédito fácil, de entender que o parcelamento infinito não é aumento de salário e, principalmente, de parar de usar o cartão como extensão da sua renda. Ele não é uma extensão da sua renda.
Porque depender sempre de um programa desenrola. 2.0, 3.0, 4.0. Significa que o problema nunca foi realmente resolvido. Então, se você vai aproveitar esse programa, aproveite também para fazer um combinado com você mesmo. Essa precisa ser a última vez que a dívida controla a sua vida.
E é com essa reflexão que a gente encerra o episódio de hoje. Esse programa te ajudou? Compartilha com alguém que está precisando entender melhor o Desenrola 2.0. E até a próxima!
Por hoje é só. Esse foi o nosso Pé de Meia de hoje, com produção e locução de Gisele Carvalho e trabalhos técnicos de Pedro Henrique Vasconcelos. Lembrando que você pode ouvir de novo esse programa na página da Rádio Senado na internet ou no seu agregador de podcasts preferido. Pé de Meia, o seu programa de finanças pessoais da Rádio Senado.
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