Episódios de Pontes para a Literatura

PL - 37 (NACIONAL) Evangelho das Feras por Daniel Freitas

30 de junho de 20261h19min
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Olá criaturas da noite. Bem vindos a mais um episódio do podcast Pontes para a Literatura, neste episódio o host ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Matheus Pontes⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠ recebe o escritor Daniel Freitas (e sua gata Amy) do Podcast ⁠Papo na Estante⁠ para falarmos de felinos, de brigas de animais, de coisas nerds e de seu livro Evangelho das Feras!

Imagine um universo sombrio e implacável, com uma luta de classes violenta, além de constantes investidas e tomadas de poder por um ou outro grupo. Agora, imagine tudo isso acontecendo entre clãs de animais. Este é Evangelho das Feras, também conhecido como “um Game of Thrones” com gatos.

Composto por uma narrativa principal, a novela Canção das Adagas, e complementado por contos e poemas, este livro se apresenta como uma fantasia sombria que fará você torcer por seu clã favorito e até mesmo odiar alguns gatos…, mas eu prometo que eles são bem malvados.

Edição: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠Aluaplove⁠⁠⁠⁠⁠⁠

Instagram: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠Pontes_Literatura⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

E-mail: pontesparaaliteratura@gmail.com

Podcast de games 3Continues: ⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠3Continues⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠⁠

LINKS DO EPISÓDIOEvangelho das Feras - Diário Macabro

3Continues 68 - Trilogia Dark Souls (episódio do 3Continues com Daniel Freitas).

Papo na Estante 82 - Games e Literatura (episódio do Papo na Estante com Matheus Pontes).

TRABALHOS DO HOST - MATHEUS PONTES

(AJUDE O PONTES PARA A LITERATURA)

Participantes neste episódio2
M

Matheus Pontes

Host
D

Daniel Freitas

ConvidadoEscritor
Assuntos6
  • FGTS e DívidasGatos como protagonistas · Luta de classes entre animais · Fantasia sombria com animais · O conto 'As Quatro Adagas' · O conto 'Oração do Caçador' · O conto 'Santa Ceia da Podridão' · O conto 'Cinco Passos de Você' · O conto do cachorro 'Limiar'
  • Personagens e clãs do Evangelho das FerasSombra (protagonista felino) · Sir Duncan (gato caçador rival) · Bastet (líder do clã das Quatro Adagas) · Presa Vermelha (líder do clã da Daga Vermelha) · Sphinx (líder do clã da Daga Vermelha) · Titã (cachorro gladiador) · Suspiria, Tenebra e Lágrima (filhas de Bastet) · Paul (líder dos corvos)
  • Regras e Coerência no WorldbuildingCriação de mundos sombrios · O conceito de 'edgy' · O 'Grande Ciclo' como ordem natural · O 'Banquete Maldito' como pós-vida para assassinos · A Legião (baratas como entidade)
  • Literatura de fantasiaBloodborne (jogo) · Série Souls (jogos) · Dark Crystal (filme e série) · Labirinto (filme) · A História Sem Fim (livro e filme) · Willow (filme e série) · Soul Reaver (jogo) · The Witcher (livros e jogos)
  • Processo de escrita e organizaçãoPrimeiras tentativas de escrita · Retomada do hábito de escrita na pandemia · Publicação de poesias e contos · Participação em concursos literários · O conto 'As Quatro Adagas' vencedor do Pó de Letras
  • Comparações com outras obrasO Portais Quebrados (antologia) · Apoteose (space opera) · Deu Entropia (sequência de Apoteose) · Canção das Adagas (novela) · Dossier Macabro Insetos (conto)
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MPMatheus Pontes

Fala, criaturas da noite! Bem-vindos a mais um episódio do Pontes para a Literatura. Aqui é Mateus Pontes, o host desse cast, e hoje estamos aqui com mais um episódio nacional, aqui episódio de entrevista com uma pessoa que eu já gravei um outro podcast, já esteve comigo já lá no 3 Continues lá da trilogia Dark Souls. Tô aqui com Daniel Freitas e seu livro Evangelho das Feras. Fala, Daniel.

DFDaniel Freitas

E aí, Matheus, obrigado por ter me chamado aqui. Aqui é Daniel Freitas e eu tô lendo Os Crias e a Favela de Ouro, da Michele Sorosini M'bengo Kre Kayapó.

MPMatheus Pontes

Nossa, esse é o nome inteiro dela?

DFDaniel Freitas

É, ela, como fala, ela adotou, ela foi atrás da ancestralidade dela, né, fez uns testes, tudo, e aí ela foi atrás dessa ancestralidade nativa e adotou esse nome da tribo, né. Bem legal. Só que assim, eu tô com ele na mão porque eu não ia conseguir falar se não fosse. Mas é a Michele Sorosini, tá na coleção fantástica, né, dos nossos amigos aí do Primeiro Ato, né? E livro muito bacana aí de ficção fantasia e ficção científica.

MPMatheus Pontes

A gente divulgou lá no Instagram lá dois livros recentemente dessa coleção lá. Quem quiser ver lá nossos posts lá de Pontes para Parceiros, que divulgamos dois livrinhos lá, né? E, né, conheça a coleção fantástica.

DFDaniel Freitas

Foram quais?

MPMatheus Pontes

Foi o do Rafael Yuki e da Caraca, Hortência! Foi o do Rafael Yuque, da Hortência.

DFDaniel Freitas

Ah, da Hortência eu já li, do Juca ainda não.

MPMatheus Pontes

É, o da Hortência eu já tinha divulgado.

DFDaniel Freitas

É muito divertidinho.

MPMatheus Pontes

Eu já tinha divulgado uma vez quando eu falei de romances.

DFDaniel Freitas

É, inclusive foi minha, eu acho, né, pelo menos que eu me lembro, minha primeira experiência de romances. Eu gostei, gostei bastante. Só que pelo que dizem, ele é bem, vamos dizer, pouco apimentado para o romances que tá fazendo sucesso atualmente, né? Mas a A Hortência escreve também o Mais Apimentado e ela manda muito bem.

MPMatheus Pontes

Se bem que eu falo, eu sou mais fã de romance do que de picante. Eu tenho um enorme problema com, até hoje, com cenas de sexo em tudo. Para mim parece que todo local que eu vou tentar consumir cenas de sexo, eu posso estar sozinho no banheiro, aparece as almas dos meus ancestrais nos meus ombros lendo o que eu tô lendo. Então nunca parece que eu tô—

DFDaniel Freitas

Às vezes é meio constrangedor, né?

MPMatheus Pontes

Isso, isso. Até em jogo, porra. Balder's Gate 3 agora. Mas enfim, eu tô terminando, por minha vez, estou terminando de ler o livro da coisa. Falta 9 páginas que eu parei para poder gravar esse cast. Eu terminei de ler também recentemente um outro livro que é o How to Create Dark Worlds, que é de uma série de livros de worldbuilding, e esse volume é focado explicitamente em criar mundos de fantasia sombria, que possivelmente esse livro vai ser o livro que eu vou trazer no especial nosso de fim de ano, se nada der errado.

E falando em fantasia sombria, eu também tô lendo o Belblatt, que é um mangá famosinho, geralmente para quem gosta de Berserk que o Beyblade já vi umas 3 listas como a segunda recomendação para quem curtiu Berserk e quer ler outro mangá. Primeiro costuma ser Claymore. Eu tô lendo o Beyblade, eu tô achando uma grande porcaria, tá ruim para caralho. Nossa, eu nunca tinha ouvido nem falar o Beyblade. Eu já tinha sobre um elfo aí, dark fantasy, tem sexo, mas é tudo feito de forma barata, chula.

Nossa, nada, em nada chega perto de Berserk, nem na arte, nem na história, nem nos personagens, nem nas lutas, nem mesmo nas coisas mais sérias.

DFDaniel Freitas

Às vezes, é, eu não sei, às vezes perde um pouco a mão, né, no anime, no mangá, quando eles querem fazer um negócio dark, ou eles vão demais, ou eles, sei lá, meio que descambam um pouco para um cômico meio. Mas só que eu acho que é bem aquela sensação que você falou da, de constrangimento da cena de sexo, porque você falou desse nome, é, nossa, eu lembrei na hora do Bastard, que também é um anime mangá de fantasia. Eu acredito, daria para dizer que é fantasia sombria, mas ele Nossa, ele é muito vergonha alheia, cara. Esse, meu Deus do céu.

MPMatheus Pontes

Não, o Bill Blatt, ele começa, ele tem logo de cara uma cena de abertura de sexo do personagem tão gratuita que assim, cara, parece que foi uma cena de sexo feito para alguém que nunca fez sexo, nunca sequer viu alguma obra que trabalhasse isso, sabe? Foi, é muito vergonha alheia, muito fraco.

DFDaniel Freitas

Boa não indicação, obrigado.

MPMatheus Pontes

Nada, eu vou terminar de ler ainda esse mangá para falar com propriedade se tem algo de bom. Mas enfim, né, hoje a gente tá falando aqui de Evangelho das Férias, até falando em dark fantasy, né. Evangelho das Férias é meio que, pelo menos tem uma cara de dark fantasy, não sei se você considera. Eu, para mim, me parece um dark fantasy, só que o diferencial deles, né, é uma obra de fantasia sombria focada em gato. Não, não gatos antropomorfizados, né, mas sociedades de gatos e outros animais habitando na sombra de domínios humanos, treinando como assassinos em guerras contra outros clãs ou espécies.

Não é tipo assim, recai para fantasia sombria. Então não é uma guerra, não é uma batalha mais fantástica à la Hobbit, não. É algo mais violento e visceral mesmo, mas com animais. E acho que, cara, ganha um peso forte aqui, principalmente por ser, porque tem cachorro também. Então todo mundo que tem contato com pet consegue ver uma, ter uma visceralidade maior até nessa obra, né. Mas enfim, bora para o cast.

DFDaniel Freitas

Pontes para a Literatura.

MPMatheus Pontes

Criando caminhos entre você, grandes autores e suas grandes obras. Bom, aqui, ó, vamos começar então. Como de costume, gosto de fazer umas primeiras perguntas aqui para o entrevistado. E Daniel, queria que você falasse um pouco para nós do seu background, de como você começou a se interessar por escrita, por sobre o background de infância, de influência, de como você foi para o Dark Fantasy.

DFDaniel Freitas

Sabe uma coisa que eu acho que eu nunca falei em lugar nenhum, inclusive, né? O pessoal que tá me ouvindo aqui não conhece, eu sou membro integrante, né, da bancada fixa do Papo constante. Então eu tô toda semana eu tô falando sobre literatura aí no, nas plataformas, né, principalmente no Spotify. E uma coisa que eu não acho que comentei em lugar nenhum, que a minha primeira tentativa de escrita de um romance, ele foi meio que um dark fantasy.

Ele era uma, é aquela, não, eu vou escrever uma história de fantasia, era mais inspirado, vamos dizer assim, ele era mais inspirado em Final Fantasy, né. Mas isso eu tinha uns Ah, sempre 16, 17 anos quando eu comecei. Eu devo ter escrito acho que 3 capítulos dele. Ele chamava Cross Blade. É aquele, sabe quando você faz aquele personagem no RPG? Isso que eu nem jogava RPG, né? Mas é aquele personagem com background de veterano de guerra e quebrado, seu mundo que ele, que ele é meio, meio distópico, só que é fantasia também, com coisa.

Ele era meio que para ser um Final Fantasy, só que mais violento. E assim, pensando nisso, é, foi minha Primeira tentativa de dark fantasy ali, né? Mas assim, escrever para valer mesmo, né, teve esse passado aí. Eu escrevia na adolescência, parei, né? A vida, a vida adulta e o capitalismo me fez parar e correr atrás de uma carreira de verdade. Mas aí depois, na pandemia, eu retomei o hábito, né? Mas assim, vamos dizer, por diversão mesmo.

MPMatheus Pontes

Sempre, sempre, sempre.

DFDaniel Freitas

E aí comecei a publicar umas poesias, algumas coisas assim. E depois fui para os contos, e desde então tô por aí, né, participando de editais. Eu tô com o meu— eu não considero que sejam dois livros, né, mas eu tô com quatro livros publicados, né, que são: a primeira é uma antologia, O Portais Quebrados. O segundo é o Apoteose, é uma space opera. Terceiro seria o Canção das Adagas, né, que ele é parte do Evangelho das Feras. E o quarto— o quinto seria Deu Entropia, que é a sequência de Apoteose.

E depois veio o Evangelho das Feras, como esse compilado, que contém o conto que deu origem à Canção das Adagas, e mais alguns extras, mais algumas delícias aí desse mundo aí, desses bichinhos fofos.

MPMatheus Pontes

Aliás, perguntinha rápida: qual Final Fantasy que foi sua influência na escrita?

DFDaniel Freitas

Ah, cara, com certeza o 7, né? Mas esteticamente, eu acho que esteticamente o 8 sempre me chamou mais atenção, sabe? Que eu achava o, vamos dizer que os dois eles são meio que fantasia com quase cyberpunk, né, porque eles têm muita tecnologia. Só que o 7, ele é quase que um cyberpunk mais puxado para o steam, e agora o 8, ele já é quase que um cyberpunk à la Nouveau, né, cara.

MPMatheus Pontes

Ele é um—

DFDaniel Freitas

tudo é bonito, é cheio de coisa, não sei o quê. Nossa, eu me amarrava demais nessa estética do Final Fantasy 8, né. Mesmo o jogo em si, eu gostava bastante dele, mas sempre eu achei ele muito— eu achava ele muito complicado. Tanto para a jogabilidade quanto a história dele. Eu terminei, né, na época, mas mesmo assim eu ainda fiquei meio, porra, por que que tá que eu entendi o que que tá acontecendo? Na época eu não tinha o inglês tão bom, né, mas assim, entendia, mas assim, estranho isso.

Que que esse cara, esse cabeludo, é pai de todo mundo mesmo? Por que que eles estão juntos? O que que tá acontecendo? Mas a estética desse Final Fantasy, eu acho uma das, até hoje eu acho uma das estéticas mais bonitas Final Fantasy. E era mais, eles, eles, essa tentativa, né, de livro aí foi bem inspirada assim na parte da história, até por ser um cara que por mais que era jovem era um veterano de guerra. Então foi mais aquele negócio do Cláudio, né, de ter que, pelo menos na cabeça dele, né, tem o passado de ser um veterano, soldier, né.

Mas foi meio nessa inspiração. Talvez eu volte um dia, cara, acho que hoje, cara, com o background que eu tenho hoje, com mais experiência mesmo, talvez eu consiga fazer alguma coisa legal sair disso. Mas vamos tentar, muito Provavelmente eu não usaria esse título, né?

MPMatheus Pontes

Usaria uma coisa mais, menos, menos brega, sei lá, menos brega, menos é fantasia nos noventista, né?

DFDaniel Freitas

Nossa, demais, cara!

MPMatheus Pontes

Cross Blade é totalmente isso. Ah, porque comigo foi Final Fantasy 9, no caso.

DFDaniel Freitas

9 é lindo, cara, puta, eu gosto demais de Final Fantasy 9.

MPMatheus Pontes

É, na época, engraçado que Final Fantasy faz sucesso no Super Nintendo, mas eu nunca tive Super Nintendo um bom tempo da minha vida, nunca vi Final Fantasy vendendo para ele, só no Play 1 que eu lembro que minha, aliás, não foi minha primeira tentativa. Minha primeira tentativa foi um quadrinho que eu fiz, que era o Guerreiros dos Talismãs, que acho que era o quadrinho mais longe que eu fui. Não gostava de livro na época, então era difícil escrever.

Mas minha primeira tentativa de escrever, e eu juro, eu não lembrava direito disso, só fui lembrar porque você falou, foi quando eu tinha, peguei coisa do Final Fantasy 9, porque eu não zerei. O meu irmão zerou na época, eu acompanhei ele zerando, que ele não deixava tocar no jogo dele. Eu só zerei de anos para cá Final Fantasy 9, mas juntei isso com minha primeira vez vendo Senhor dos Anéis. Eu lembro que eu criei também outro nome breguíssimo que era o Crash Evil.

DFDaniel Freitas

É muito bom, cara. Podia fazer o crossover, Crossblade Crash Evil, Crossbrega Evil, Crossbrega brega Evil. Deus me livre, cara.

MPMatheus Pontes

Ai, cara, Jesus. Mas faz parte, né?

DFDaniel Freitas

Crossbrega clichê horrível, total. Mas assim, da hora.

MPMatheus Pontes

Uma coisa que eu ia fazer uma pergunta, é, eu vi até aqui no background do seu livro você falando de cachorro também, que você teve cachorros. E o que fez você ver lá o seu protagonismo mais para gatos em vez de cães?

DFDaniel Freitas

Porque na verdade tudo começou com o conto, né, com As Quatro Adagas. Porque agora também pensando nisso, eu não, eu assim, se você considerar, nem sei se consideram, né, Mas se você considerar o Martin como dark fantasy, né, A Canção de Gelo e Fogo como dark fantasy, assim, eu li isso de dark fantasy. Mas eu não li muita coisa de dark fantasy. Eu consumo por outras mídias. Mas ler mesmo dark fantasy, eu não li muito. E eu sempre tive aquela imagem, principalmente quando você vê memes da Sarah J.

Maas, da Vi, daí esses... E agora com romantasia, com dark fantasy. Dark Romance aí também, sempre tem esses personagens que são mega misteriosos e perigosos. E tipo que o gótico adolescente que não toma acima do peso.

MPMatheus Pontes

Ah, sei, o edgy. É, tem um termo para isso que é o edgy. O edgy, para quem não sabe, cara, a definição do edgy é o Shadow the Hedgehog, o Orius.

DFDaniel Freitas

Boa!

MPMatheus Pontes

Ele é a definição do edgy. Só que o edgy, ele é aquele que é um negócio que que quer ser levado a sério e que você não vai levar ele tão a sério quanto ele quer ser levado. Tipo, é tipo adolescente que deixa o cabelo espetado e uma touca na cabeça, ele acha que ele tá abafando, que ele tá passando a aura de sinistro, a aura de Sasuke do Naruto. Não, ele tá passando misterioso, é, ele tá passando a aura do esquisito, ele, ele não foi, ele tá passando do cebinho que não toma banho, né?

Isso, isso, ele que geralmente, ai, cara, é o que acha que é Sasuke, mas não funciona na vida real. Isso é o Ed.

DFDaniel Freitas

Mas personagens são esses personagens. Mas assim, se você pensar até no Shadow, vamos dizer, o personagem Ed mesmo, né? E você tem muito desses caras nas histórias. Eu imagino, né? Eu não li, mas imagino nas histórias da DreamWorks sempre tem esses caras sombrios, misteriosos. Nossa, eu li aquela, puta, Bardugo, que aquele, o Sombriossos, que tem o cara que é heróico. Essa porra não é, acho que é mais young adult, né? Ele não é dark fantasy, mas ele se vende como um dark fantasy.

MPMatheus Pontes

Um de adulto dark.

DFDaniel Freitas

E ele tem o cara que é o nome do cara é Darkling. Então assim, esse cara aí, com essas coisas da cabeça, assim, eu tinha a minha cachorrinha, né, a Júlia. Ela é homenageada no livro, inclusive. Mas assim, depois dessa época eu já tinha adotado a Emmy, né, que é a minha gatinha. E assim, você observar qual que é o comportamento de um gato, como ele se move, como ele é todo Pô, tem hora que você tá, por exemplo, sentado na mesa, na cozinha, alguma coisa, ele vem no corredor, a forma que ele vem andando, você claramente, você vê que ele acha que ele é um tigre, que ele é um predador animal, predador assim, sabe?

A cabeça baixa e vem meio que rebolando. E aí eu pensei assim, pô, esses Ed, esses caras meio darkzão, que eles acham que eles são assim, né? Então assim, o Quatro Adagas, ele partiu dessa brincadeira de falar assim, cara, eu vou escrever um personagem desse "Ele acha que ele é o assassino perfeito, que ele é o caçador implacável. E eu não vou revelar até o final que na verdade ele é um gato de rua". E essa era a grande brincadeira, né, de Quatro Adagas.

E claro, né, quando eu mandei esse conto pro pessoal do Pó de Letras, ele venceu, inclusive, o Som das Adagas. Ele foi publicado primeiramente por causa disso, né. Porque essa brincadeira era muito divertida, né. Porque conforme você vai vai lendo, você vai pensando: "Pô, o que que esse cara é? Ele é um vampiro? Ele é um super-humano? Por que que ele tem os sentidos tão aguçados? Por que ele é tão rápido? Por que que ele é tão violento?

Por que que ele se acha tanto? Por que que ele se comporta desse jeito?" E assim, eu vou aumentando essa estranheza com esse personagem. "Nossa, mas ele, pra um cara tão sério assim, por que que ele fica tão empolgado com um peixe?" peixe que ele ganhou? Por que que, nossa, ele nunca comeu um peixe? Por que que ele larga os cadáveres no meio do hall de entrada para as pessoas verem?

MPMatheus Pontes

Ah, isso tem tudo a ver.

DFDaniel Freitas

Se comporta dessa forma. Aí no final você entende o que que o Sombra era, né? O Sombra é o Shadow aí.

MPMatheus Pontes

Então até no nome, cara, é o pior que a brincadeira funciona. Porque assim, você, né, quando ele foi publicado isolado, sem a pessoa saber, hoje o conto ele tá na abertura do livro e ele é parte integral da história. Ele é quase como se fosse um capítulo que é um capítulo isolado e fechado, mas que, né, a sombra desse capítulo vira a história, né. Não dá para chamar que ele é o prólogo da história, porque a história tem seu próprio prólogo e que funciona como prólogo, mas ele cria uma sombra, um eco que é toda a história.

E assim, por pegar o livro, o produto, você já sabe que é, mas você sugere a brincadeira de tentar ler ele fingindo não saber que animais, e funciona, vira um twist interessante. Eu lembro que teve um conto de um conhecido meu que eu fui pegando um twist similar, eu nem lembro o quanto não era tão interessante, mas o twist, a surpresa era no final você chegar no final da história e você perceber que o protagonista era um centauro.

DFDaniel Freitas

Ah, que legal!

MPMatheus Pontes

Só que aí tinha menos nuances, né? Esse tem várias nuances assim que você percebendo o personagem como um felino e os personagens como animais muda tudo, né?

DFDaniel Freitas

E eu achei legal que a primeira vez que eu mandei, até antes, né, de mandar para o Pó de Letras, né, foi do primeiro concurso do Pó de Letras que ele ganhou, e Eu mandei para os meus amigos, inclusive do primeiro ato, para lerem e tal. E foi legal de ver quando que as pessoas entendiam o que que esse cara era. E a Karine, antes da metade, já tinha entendido. Falou: "Daniel, isso aí é um gato, não é?" Falei: "Não sei, leu o conto até o final." Aí o Juque, ele não pegou.

Eu não sei se no final ele tava empolgado, não viu que ele fala que ele é um gato de rua. Aí ele falou: "Não, tá a hora tal." Eu falei: "Cara, você entendeu que é um gato?" "Não, você tá de sacanagem." Eu falei: "Não, é isso aí." Aí falou: "Nossa, como é que pode?" E esse conto, até por ele ser tão esquisito assim, eu não conseguia definir muito o que que era, né? Porque dava para ser uma fantasia sombria pelas temáticas, mas ele tem essa brincadeira, tudo tal.

Então eu fiquei muito tempo com ele sem mandar para lugar nenhum, né? Daí, como era tema livre no Pode Letras, eu falei: "Ah, vamos lá, né?

MPMatheus Pontes

Quem sabe?" A obra, inclusive, ela teve duas obras, na verdade teve três obras que me lembrou à medida que vendo ela. O conceito Ela me lembrou duas obras, que é o Mouse Guard e o Redwall, que acho que ambos são coleção de livros, que geralmente são ratos guerreiros. Tem até um jogo meio que um Souls-like de ratos que saiu para o Play 4, só que é um Souls-like 2D de— não lembro agora o nome, cara. Um Souls-like 2D com ratos que é inspirado nessas obras. É o Tales of Iron, que é Cavaleiros Ratos enfrentando Cavaleiros Sapos.

DFDaniel Freitas

E é mó Eu já vi falar tanto no Mouse Guard, eu já vi muitas vezes assim artes dele, que eu acho lindíssimo as artes do Mouse Guard, mas nunca li. E também depois, putz, depois de ter publicado até o Evangelho das Feras, não fiquei sabendo que tem uma coleção que acho que chama Gatos Guerreiros, assim, que eu nem sei qual que é a temática, se ele também é igual, que tenha, que é essas, vamos dizer, essa sociedade secreta de felinos e outros animais no meio da sociedade humana.

Humana, ou se é só um mundo que é só gatos. Eu nunca tive interesse, e provavelmente também não vou ler mais. Mas eu achei depois, falei: "Pô, talvez alguma hora alguém que leu vai vir e vai dizer que eu, sei lá, que eu plagiei, que eu tive a ideia." Mas sinceramente, nunca li. Teve até um rapaz, o Moacir, que ele foi no lançamento do Evangelho das Feras, ele falou que ele se interessou muito porque ele tinha lido, né, Os Gatos Guerreiros.

Eu acho que foi até por causa dele que eu tive noção que existia, né, essa coleção de livros. Mas achei Legal.

MPMatheus Pontes

Ah tá, a minha pergunta é se algumas dessas obras às vezes era inspiração. O Mouse Guard e o Redwall, até para quem não conhece, ambos são séries de livros, se eu não me engano. O Mouse Guard ficou mais famoso pelo RPG. O Redwall, eu acho que além da série de livros, ele teve um desenho animado, não sei se teve RPG. Ambos você tem ratos guerreiros. A diferença é que o Mouse Guard, os ratos são tamanho de ratos, e o Redwall já são tamanho de humano, são ratos e outros animais antropomorfos.

Antropomórfico. E um outro animal, em outra obra, essa tem gente no Brasil que deve conhecer, mas acho que só a gente dos anos 90 vai lembrar dessa obra que passou na TV Cultura, que é Os Animais do Bosque dos Vitens. Não sei se você já viu esse desenho que passava na Cultura.

DFDaniel Freitas

Esse eu digo que ele tem inspiração.

MPMatheus Pontes

Ah, porque o Animal dos Bosques dos Vitens, sim, porque ele era, ele não tem nada de animais antropomórficos, mas são animais falantes e e trama séria com morte, tudo mais. É um desenho, cara, um desenho que passava na cultura. E tipo, sabe, parecia que assim, cara, era um desenho de tom meio que educativo social, só que era um bando de animais fazendo uma migração. E cara, não era episódio tipo só isolado com trama fechada, eles estavam numa jornada e ia morrendo algum dos animais, ou isso morria atropelado quando eles iam passar pela estrada.

Tem uma parte que não sei qual ameaça que eles tinham, que a cobra, que era o aliado mais arisco, acabava quase se vai sacrificando, passava um deles, mas outros morre.

DFDaniel Freitas

Tipo, cara, o líder era uma raposa, né, uma raposa. Tinha o, vamos dizer, baixinho, tipo conselheiro, mas que era o cara mais sábio, né, que era meio conselheiro dele, era um texugo, cara, e era um texugão ancião. Putz, esse desenho era muito bom. E era muito esquisito porque realmente quem na cultura programou ali para ele passar não deve ter prestado tanta atenção Não, deve ter lido a premissa e falou assim: ah, legal, vou botar aqui junto com Babar e Rupert.

MPMatheus Pontes

Momento nerds fazendo e falando de nerdice. Nossa, adorava Rupert, adorava.

DFDaniel Freitas

Rupert muito bom. As histórias do Pequeno Urso assim, tipo, também, também faz sentido pôr junto, né? E, cara, é totalmente outra pegada. Não é que seja realmente um desenho adulto, não é. É um desenho infantil, só que ele aborda realmente temas mais sérios e principalmente essa, como essa sociedade desses animais e esse, esse meio, esse código que eles seguem, sabe? Eu acho que isso foi uma das coisas principalmente que inspirou o pessoal do BOSK, né?

O que tem ali, os animais mais silvestres, né? Que também Eles são importantes na história ali, né?

MPMatheus Pontes

Não, é, os Animais do Bosque dos Vitens, é.

DFDaniel Freitas

Agora você falou do Redwall, eu não conhecia.

MPMatheus Pontes

É, tinha todo esse— o Redwall ele é um pouco menos conhecido que o Mouse Guard. Eu lembro que um amigo meu que até fez ilustrações extras pro Segundo Canções de Bruxas, ele falava que ele queria fazer ilustração pra uma obra estilo— ele tentava lembrar o nome do Mouse Guard e quando ele não lembrou eu achei o Redwall e falei pra ele. Foi desse jeito basicamente que eu descobri sobre o Redwall. Mas o Animais do Bosque dos Vitens, inclusive, uma das memórias da minha mente é que o dublador da raposa era o mesmo dublador do Kakashi o Shiryu.

DFDaniel Freitas

Aí eu não vou lembrar, mas é, eu acho que eu nunca reparei que o dublador do Kakashi era o dublador do Shiryu.

MPMatheus Pontes

Mas imagina o Shiryu falando com o Naruto e você vai sacar que é o mesmo dublador.

DFDaniel Freitas

Não, agora faz todo sentido, que eu não lembro exatamente, eu não assisti muito Naruto, né? Mas agora pensando aqui, a voz do Shiryu, a voz de todos os cavaleiros, principalmente dos principais é muito icônica, né, cara? Sim, ele é uma voz ali que é de todos eles. Se você escuta no outro e outros, em outros desenhos, outros filmes, você acaba reconhecendo. Mas do Kakashi eu não tinha reparado, mas agora que ele tá—

MPMatheus Pontes

uma perguntinha, uma perguntinha: você conhece um anime chamado GetBackers?

DFDaniel Freitas

Eu conheço, assim, ele passou naquele Animax, o canal que veio Ele é um que o principal, ele era um cara que ele tinha poder elétrico, não era?

MPMatheus Pontes

Isso, isso. É ele e um outro maluco com força sobre-humana e que tinha um poder de ilusão no olho. Tem um maluco nesse desenho, cara, Dr. Chacal. Eu ouvi várias vezes a voz dele, cara. Era tipo um assassino, um psicopata que aparecia direto. Daora pra caralho, mega estiloso. E eu falava: "Cara, a voz dele é muito foda, mas da onde eu conheço essa voz?" Eu demorei tempo pra cacete pra descobrir que era o dublador do Seiya, porque você não reconhece que é o dublador do Seiya.

É porque o Seiya, ele faz uma voz de tonto, né? É, e aí ele com, ele com, eu vou ver se eu procuro um trecho dublado e coloco nele e coloco aqui para o povo ouvir. Talvez seja simplesmente o que você chamaria de princípios empíricos, instintos estranhos que vêm de anos de experiência. Se eu estivesse usando a velha armadura, eu estaria morto agora, mas esta nova armadura é ótima, ela é perfeita, não sofreu nenhum arranhão.

DFDaniel Freitas

Esse desenho era maneiro. Baitaço, cara. Ele era muito legal, velho. Ele tinha uma vibe de desenho dos— e ele não era um desenho muito antigo, né? Eu até dou uma olhada aqui. Não, não, é o mangá, ele é de 99. Agora, o—

MPMatheus Pontes

ele tem cara de— ele tem uma cara de anos 90, meio Yu Yu Hakusho, só que ele é mais cool, ele é mais frio. Ele, tipo assim, ele é menos shonen do que Yu Yu Hakusho e Jujutsu Kaisen, por exemplo. Ele é ele é mais contido e ele é da hora. O pessoal, né, trama urbana com poder.

DFDaniel Freitas

É, adaptação é de 2002, ela é quase, quase anime nos dois, né? Ele tem uma certa carinha de anime do Togashi também, né? Ele tem. Eu tô vendo a coisa que você falou do Yohakusho, também pensei no Hunter, né? No Hunter x Hunter.

MPMatheus Pontes

É bem, cara, vamos focar aqui no livro, senão a gente foge muito da trama. A gente já tá indo.

DFDaniel Freitas

Esses dois amigos principais, eles eram muito casal, né, cara?

MPMatheus Pontes

Porra, os cara disfarçava, né? Total. Mas sim, uma pergunta que eu ia falar: o que que você acha que muda dessa dinâmica de você trocar, tipo, vou trabalhar, ao invés de trabalhar com personagens humanos, eu vou trabalhar com animais? Tipo, além das nuances de animais, que eu sei que cada animal da obra vai, pode trazer nuance específica para o personagem, dependendo da espécie.

DFDaniel Freitas

Eu acho que tudo acabou sendo a consequência do conto, porque mesmo o começo, e se você perceber, é claro, ao longo da história, da história da Canção das Adagas, né, que que é o, vamos dizer, a parte mais romance ali, que a história é maior, é principalmente os primeiros episódios, primeiros capítulos, episódios, né, eles são, eles são muito fechados neles mesmos. Você vê que você tem, sim, é principalmente se você pega a apresentação do Guardião, né, do Titã, e a apresentação da Raposa, eles seguem mais ou menos a mesma brincadeira das Quatro Adagas.

Você tem ali um bicho e você vai tentando entender entender ao longo daquele capítulo o que que esse bicho é. É porque a minha ideia era escrever toda essa história em contos autossuficientes, né, como se fossem cada um desses contos um capítulo importante dessa história, uma batalha importante, tudo mais. Eu já tinha começado, né, alguns deles. E aí quando eu venci o concurso do Pó de Letras, os meninos falaram: pô, seria muito legal, né, se a gente publicasse a história, né, completa desse "O que acontece depois?

O que mais aconteceu nesse mundo?" Eu falei: "Ah, beleza, né?" Agora, pra realmente escrever uma história direta, eu tentei manter. Tanto que cada capítulo de Canção das Adagas é um narrador diferente, né? Só tem um narrador que ele repete. E eu tentei manter ao máximo isso, até uma hora que eu falei assim: "Ah, também não dá, né? Se eu ficar muito com isso também, o livro vai ficar meio..." A brincadeira, uma, que não vai ter mais, porque a maioria dos personagens "O que foi apresentado, né, não vai mais funcionar a brincadeira." E também pra fluir melhor mais pra frente.

Por mais que os capítulos sejam separados, ele ainda acaba pegando um ritmo mais contínuo dessas histórias, né. Então assim, foi meio... Escolher esses animais aí pra contar essa história foi meio que uma consequência do conto. Só que uma coisa que eu também mudei ao longo do... Do decorrer, né, da história. Que se eu comecei o Quatro Adagas com essa pegada mais do dark fantasy, vamos dizer, personagem fodão ali, cumprindo a missão dele, se sacrificando, sendo o Ed.

Ao longo de Canção das Adagas, eu vou caminhando mais pra intriga política do Martin também. Eu vou mais ali no... As alianças que esses clãs vão fazendo entre outros clãs. Eles fazem com outros animais e as traições que um faz com o outro. E como esses personagens ali, praticamente ali você não tem nenhum personagem que é, que dá para você se alinhar com ele e falar assim: não, esse aqui é o, esse é o gato bom. Não, esse gato ele é bom, mas ele é um psicopata.

Ah não, esse outro gato ele é bom. Não, esse gato é bom, mas ele é um eugenista. Então assim, não dá muito para se alinhar com ninguém porque todos eles tomam decisões assim bem questionáveis, né?

MPMatheus Pontes

Ai, cara, não, mas é tipo, os personagens eles têm aquele caráter duplo, né? Aquele caráter duplo, aquele caráter tenso. Alguns são convencidos, alguns personagens são mais faustianos, eu diria assim, são até sensuais a seu modo. E isso é muito de, eu acho que de nuances românticas, né? Nuances românticas, eu diria que até um pouco de nuances góticas, embora a obra tem seu quê trágico até, não vou dar spoilers evidentemente disso, mas acho que isso cai muito um envolvimento que você faz deles.

Porque, cara, até para quem não sabe, o livro, ele é isolado, né? A história termina aqui e ele é pequeno. Ele tem, eu tô abrindo minha versão aqui, ele tem 200 páginas. Ele, ele é quase um pocketbook de certo formato. Eu li um dia, eu sentei, aliás, deitei aqui na cama com meus cachorros numa tarde fria aqui, li ele inteiro. Sim, só parei para poder beber água, não beber essas coisas, mas ele funciona muito bem, os personagens funcionam bem, é antiga, política e social, tudo funciona.

E ela é objetiva, por conta do livro ser mais, do livro ser mais condensado, ele ser uma experiência condensada, você não se perde nisso. Eu acho que ele funciona muito bem.

DFDaniel Freitas

Um ponto dele ser realmente curto e ser muito direto também, isso foi uma coisa que eu comentei até quando esse livro teve uma leitura coletiva no Clube Escuro Medo, né, da Erika Barrios. E a gente foi conversar a respeito e eles falaram assim: ah, pô, legal, eu gostei para "Ah, caramba, eu achei tão rápido, eu queria ler mais, eu queria, assim... Eu queria estar mais nesse mundo, né". Eu falei assim: "Mas isso também é uma consequência desses personagens serem animais".

Eles... O tempo deles é mais curto. Eles percebem, eles... Coisas que pra, vamos dizer, pra um humano são importantes, pro bicho, ele não vai ser importante. Não importa muito pra ele uma mega descrição do cenário. O que importa? Importa que tem tal coisa, importa que existem ossos pendurados ali na... Vamos dizer, naquele altar, né, que é um palco de teatro, né, que é o esconderijo dos Quatro Adagas, né. Então assim, são pontos meio que sinestésicos que são importantes pra um animal, né.

E ao mesmo tempo que assim, eles não têm muito tempo pra muita conversa, né. Um gato, ele não vai ficar debatendo muito tempo ali com outro gato no telhado. Ele vai dar umas miadas e ele vai ou sair na porrada com ele, ou os dois vão fazer sexo. Que geralmente o gato vai fazer no telhado, né? Então assim, não tem essa dinâmica desse livro ser tão curto assim, também tem um pouco disso, né? Fala, cara, eles vão honrar, né, vamos dizer, os antepassados dele por esse orgulho que eles têm da linhagem sanguínea deles, né?

Mas eles não vão ficar contando as histórias de como na Terceira Era o gato lendário que veio mato, tocou o terror na vila que virou a capital, sabe? Isso não, para eles não é muito interessante, não é, não é importante, né? Que importa eles é dizer que não, eu sou descendente dos leões e eu mando aqui, sabe? Então é mais ou menos isso, né?

MPMatheus Pontes

Assim, gente, é para dar um pouquinho, um gostinho do que é a história, a gente vai entrar agora no conto de abertura do livro, né? Livros nacionais nem sempre a gente trabalha aqui, obviamente, integralmente com spoilers. A gente vai contar só literalmente o primeiro conto aqui, vou entrar num bloco só para isso. Então quem não quiser nem spoiler disso, é, dá um pause aqui, compra o livro, depois que chegar você lê e termina de ouvir podcast.

Vai ser rápido, experiência de uma semana possivelmente para você fazer tudo isso. Mas a gente vai entrar com spoilers aqui e depois eu vou falar um pouco mais do restante do livro sem spoiler, beleza? Oração do Caçador. A mesa está posta à minha frente. Nela o banquete é infinito. Nela a caça é eterna. E de meu cálice transborda sangue fresco. Ao seu redor gerações de bestas Aqui se sentam os mais nobres assassinos ancestrais, apenas aqueles que partiram trazendo morte e ruína.

Eis que eles me saudam, pois sou esperado, sou recebido no banquete maldito como um rei entre as feras. O conto, né, o Quatro Adagas, assim como todo livro, ele é em primeira pessoa, né? Ele é o próprio protagonista narrando. A gente começa com esse protagonista misterioso que a gente não sabe, né, a princípio, né, da natureza, da forma que você escreveu. A gente não sabe que ele é um gato, né? A gente tem esse protagonista misterioso, não sabe nem o nome dele, só sabe que ele é um caçador que tá sendo convidado para um serviço na mansão Long John, que aparentemente Long John é um clã nobre da região, mas você não sabe os detalhes desse serviço e tudo mais.

Mas ele tem que dar cabo de seres que são chamados saqueadores. Ele quando chega nessa mansão, ele sente a presença de um outro caçador ali, que é o Sir Dunk, que é um caçador maior e mais velho que ele que tá ali, e que alerta para ele que aquilo ali é seu território, e não de um caçador do clã Clã das Quatro Adagas, né, que é citado aí ser o clã do protagonista e ser o maior e mais violento clã da região. Ele estranha até pelo porte e tamanho do Senhor Duncan, né, porque até uma certa parte que ele testa as habilidades do Senhor Duncan e vê que ele é habilidoso.

Ele é maior e mais rápido que o protagonista, mesmo sendo mais velho. E aí ele vai fazer o trabalho dele de lidar com esses saqueadores, ele vai até o mezzanino de onde ele acaba detectando esses seres. E aí ele entra em combate, até descreve que segundo o estilo de luta do clã dele, ele luta com 4 adagas em cada mão. E tanto, né, é um combate que tanto corta quanto arremessa adagas dependendo da necessidade. E ele acaba liquidando um dos saqueadores rapidamente.

Ele cercado por outros 4, ele acha nojento e acha eles bem maior do que os saqueadores geralmente são. Ele acaba tendo problemas, sendo segurado, mordido por um deles. Até cita que as presas deles são, ele chama de veneno, mas dá para você entender que na verdade não é veneno literalmente, seria uma infecção, doença que as mordidas desses saqueadores têm. Mas ele acaba matando todos os saqueadores, né? Ele faz justamente o que você falou que gatos fazem, que é arrastar os corpos para exibir para os outros, né?

E aí ele arrasta o corpo desses saqueadores para o lado mais para o centro, para mostrar para esse Sir Duncan ali e debochar do Senhor Duncan da incapacidade dele de fazer serviço. E aí tem até o momento depois que ele reflete, falou assim: poxa, mas o Senhor Duncan, ele quer essas habilidades. E falou, cara, o Senhor Duncan, ele podia ter acabado esses saqueadores com facilidade, ele é melhor do que eu, tipo, por que não fez isso?

Mas ele guarda para isso, para você, para ele mesmo, né? Ele é bem um protagonista assim, orgulhoso, esse protagonista. A gente até descobre numa conversa depois que o Sir Duncan, que o nome do protagonista é Sombra, né? Ele até tem uma discussão ali com o Sir Duncan. E aí quando ele tá numa passeando por jardim, posteriormente, né, ele ouve sons de outros saqueadores que tem na mansão e fala até para debochar do senhor Duncan: não, vai ter mais serviço aqui, então vou ficar "Ah, aqui você não precisa se preocupar não, que eu vou dar conta disso aqui, isso daqui vai ser meu lar, né?" E aí ele se depara com uma ninhada, uma verdadeira ninhada de saqueadores.

Ele vê um monte de olhos na escuridão olhando ele e vê que, cara, que tem tanto saqueador ali que nem o clã inteiro dele daria conta desses saqueadores tudo junto. É muito saqueador. E aí ele fica com medo, mas ele tenta focar mais no orgulho dele de caçador do que do medo, e ele busca fazer a missão dele. Ele vai procurar localizar o refúgio deles. Ser Duncan até adverte ele de que ele só vai trazer a morte se ele tentar enfrentar esses saqueadores.

Ele até fala que ele vai morrer se ele tentar enfrentar a verdadeira senhora da Mansão Long John. E aí ele caga pro senhor Duncan, né, ele faz uma prece à mãe de armas dele, ele cita que a Bastet, que vai ser uma personagem do livro, ele fala da Bastet e das três filhas dela, e ele parte para caçada. E aí ele encontra, né, essa toca dos saqueadores, ele mata alguns saqueadores ali nos confins da Mansão Long John, até que ele é cercado por uma turba gigante de saqueadores, né, um monte deles, e a líder deles, que é ela é descrita como uma enorme massa pustulenta carregada por diversos saqueadores, sendo que cada um desses saqueadores que carrega ela já tem mais do que o dobro de tamanho dele.

Então ela é bem maior, tudo comparado a ele. E aí essa mãe desses saqueadores, que é apelidado na história de deusa da peste, né, ela manda, é uma criatura gigante, ela comanda essa turma para atacar o Sombra. E ele entra numa batalha contra todos os saqueadores ao mesmo tempo, né. Ele até descreve que foi um tornado de cortes e lâminas dele atacando e matando o máximo possível. E ele e fica todo cagado, todo cortado. Ele perde as duas orelhas, você perde o rabo.

Aqui a primeira menção que a gente ouve que ele tem um rabo, né? Mas fala que ele perde as duas orelhas, o rabo e um olho, além de ficar sentindo a doença, né, o veneno desses animais saqueadores nele. E aí, antes dessa deusa da peste aí, que essa mãe dos saqueadores deixar as crias dela matar e devorar o Sombra, ela debocha, ela faz um deboche final. Fala de uma outra personagem que vai aparecer no conto, que a Mãe dos Bosques, e ela fala: olha, nem a Mãe dos Bosques interfere aqui.

E aí o Sombra, né, ele tá todo moribundo, mas ele se vê no ponto máximo de orgulho de caçador, pronto para morrer. Ele ataca a Deusa da Peste, ele não tem mais adaga nem nada, ele pula e gruda no pescoço dessa Deusa da Peste. E com as próprias presas, ele pega de surpresa ela, até sem os demais saqueadores conseguir reagir, e arranca a cabeça dela. E nessa hora, quando cai no chão, que a gente ganha a descrição que é uma rata gigante.

Saqueadores são todos ratos. E essa deusa da peste é uma rata gigante, acho que não tem nem braços nem pernas, mas é quase uma divindade rata que ele mata. Aí quando ele faz isso, os saqueadores em volta começam todo grunhir, parte com raiva, parte em medo, parte em tristeza, parte em ódio dele. E aí ele mostra as presas, e ali todo moribundo ainda, cercado de ratos, ele mostra as presas. E aí que é o ponto que ele fala, né, que termina, que ele falando que ele não era mais um gato de rua. E aí que é o ponto que você saca que os caçadores, né, não são humanos.

DFDaniel Freitas

É isso aí, né? Não, essa história é muito divertida, mas é que assim, você pensar em toda essa pompa, cara, é muita palhaçada. Porque não é que o Sombra, ele é um gato, só um gato de rua. Ele não é muito mais que um filhote. Ele também, assim, ele tá assim, ele saiu do— ele se faz como, como: ah não, porque eu sou um veterano, eu cresci gatos de ruas e não sei o quê. E ele foi realmente treinado pelos Quatro Adagas, né, que é esse clã de gatos de rua.

E— mas ele fica um pouco mais claro ao longo da Canção das Adagas que ele é bem jovem. Então assim, esse é um dos motivos dele— por mais que ele perturbe, ele tente atacar o Sir Duncan, ele tá atacando um gato adulto, né, e um gato de raça. Imagine um Maine Coon, desses gatos bem opulentos, né. E assim, é lógico que esse gato é mais forte que ele, mas ele consegue atacar ele. Inclusive, esse último diálogo, né, que ele tem com o Sir Duncan antes de descer, né, realmente pro ninho dos saqueadores ali, é de onde nasceu a ideia do livro, né.

Por causa que na hora que ele desce ali e tal, e o Duncan ataca ele, e eles quase se batem ali, ele consegue ferir o Duncan, pro Duncan fugir. E ele fala: "Não, então vai. Você quer mesmo descer lá? Vai lá e morre e tal. Vai lá e vira comida deles e não sei o quê". E ele fala: "Não, eu vou lá e eu vou morrer afogado no sangue deles. Enquanto você vai ficar aqui na vergonha da covardia que você tá fazendo, eu vou ser recebido no banquete maldito como um rei entre as feras." Aí eu falei: "Caralho, o negócio ficou... ficou...

O que que é isso? O que que é esse banquete maldito? O que que significa pra um gato ser um rei entre as feras, né?" Aí que eu falei: "Não, tem mais história pra contar aí, né?" Que aí que eu comecei a escrever. Ver os outros, né? Mas é, mas é isso aí, isso aí é 4 adagas. Eu acho que só um ponto que você falou do dele atirar as adagas. Não, ele não, ah, tipo, ele não atira porque as adagas são as unhas dele, né? Eles não—

MPMatheus Pontes

ah, se eu pensava que ele realmente usava adagas.

DFDaniel Freitas

Não, as 4 adagas são as 4 unhas na pata do gato. Então, ah, eu pensava isso que eles falam. Não, porque são as minhas adagas e não sei o quê, e eu tiro elas para fora. Não é que ele tá colocando ela na mão, ele tá fazendo aquilo que o gato faz de projetar as unhas para fora as patas, né?

MPMatheus Pontes

Ah, poxa, então eu realmente entendi. Eu podia se bobear, eu tava muito com a cabeça no, nos coisas ali, nas inspirações, Mouse Guard, Hedgehog, pensando em animais com armas brancas.

DFDaniel Freitas

Não, eles não usam nada de armas. Eles, todas as armas que esses gatos usam são as armas que eles têm neles, né? A única coisa que acontece é que você vê logo no começo que depois que o clã vai lá terminar de fazer o massacre ali com saqueadores que sobraram, né, depois Depois do Sombra matar aquela rata gigante, aquela deusa, né, eles recuperam uma das unhas do Sombra, o resto de pedaço que eles acham.

MPMatheus Pontes

Ah, isso pode ter ajudado, isso pode ter ajudado eu a pensar que era uma adaga, uma adaga de verdade.

DFDaniel Freitas

Não, é uma unha do gato que eles acham lá e falam: não, eu vou, isso é a relíquia, né, do santo ali, né, a relíquia do mártir. Então eles recuperam uma unha, o crânio, né, da rata gigante, e também a unha para fazer esse troféu, né, que eles colocam no ponto mais alto do altar deles ali, né, que é o teatro. Se esse teatro abandonado, esse lar desses gatos de rua aí, também é meio que metafórico, né, por causa que eles se consideram artistas, né.

Eles sempre estão falando ali que aquela violência deles é uma dança, Aquela matança dele é pra ela ser aterrorizante, mas é pra ela ser bela também, né? Ele sempre fala que: "Não, agora a gente vai dançar sob a luz da lua e vamos pintar tudo com sangue", né? Então eles têm essa pira de se considerar artistas, né?

MPMatheus Pontes

Ah, então... Aliás, uma pergunta: que ano que você escreveu o conto mesmo e que ano que você foi escrever o livro? Só pra mim ter uma noção de tempo aqui.

DFDaniel Freitas

Eu acho que o conto foi 21, 22, e o livro... Eu acho que foi em 24 que eu fui terminar ele mesmo. Ah, foi quando eu passei no Pó de Letras, né?

MPMatheus Pontes

Ah, não, então foi coisa de 2 anos depois.

DFDaniel Freitas

Mas é isso aí, o conto ele ficou mais ou menos uns 2 anos parado, vamos dizer assim, né?

MPMatheus Pontes

Ah, não, bom, para entender, no caso, então, gente, agora aproveitando que a gente já tá até citando aqui, eu vou entrar um pouquinho em detalhes dos livros, do livro no caso aqui, mas sem dar maiores spoilers, principalmente do final e afins, até porque o livro é curto, né?

DFDaniel Freitas

Poxa, qualquer spoiler acho que pode paga a experiência.

MPMatheus Pontes

E acho que é o tipo de obra que qualquer um consegue ler e comprar, né? Mas o livro em si, ele parte justamente do ponto do final aí. No caso, a gente vai conhecer outros personagens, mas a gente vai descobrir que o Sombra morreu mesmo. Ele morreu ali no final, devorado pelos ratos. E pouco depois disso aconteceu um massacre na mansão Long John. Depois do que foi ouvido da luta do Sombra contra essa deusa da peste, o clã dele foi lá em maior número e fizeram um massacre, traçina contra esses ratos e tudo mais.

Isso daí levou, tipo, foi o prólogo de grande episódio, porque o Sombra, por ele ter matado, por ele ser um filhote, ele tem matado uma coisa que é praticamente uma entidade, nessa, essa deusa da peste, essa rata, ela, ele se tornou um mártir. E isso elevou a moral do clã, né? Porque você tem os, você tem o clã, né, o clã que é o das Quatro Adagas, né, que é considerado o maior e mais violento clã Cazadores, sendo que a líder é uma personagem, é a tal Bastet que ele menciona no conto, né.

E você tem um clã rival que é o clã da Daga Vermelha, que é o segundo maior clã, que é um clã mais tático, que o líder é o— Presa Vermelha, é Presa Vermelha, da Daga Vermelha. Presa Vermelha, que o segundo maior clã, que é mais tático, né, que o líder é o Sphinx, né. E que é um clã que eles possuem uma certa aliança ali com a floresta. Mas daí a gente vai, né, conhecer outro, vai ter outros personagens que são apresentados, e inclusive a gente vai conhecendo outros termos, a a gente conhece o Paul, que é um, né, logicamente, que é um corvo branco, que é o líder de um grupo de corvos.

Você tem a Bastet, que é a mãe felina, que ela é chefe do clã dessas 4 adagas, que ela é conhecida como Retalhadora. A tal mãe, a tal mãe dos bosques, que também é chamada de Bruxa da Floresta, é uma raposa, né, que acho que o nome é só Feiticeira, né?

DFDaniel Freitas

A Feiticeira, só chama ela de Feiticeira.

MPMatheus Pontes

É, Feiticeira é uma raposa, né? Aliás, até citando ela, é diferente de uma, um dark fantasy, de uma fantasia Sombria, é, o sobrenatural aqui ele é um negócio muito sutil. Você usa muito pouco do sobrenatural, você deixa para violência animalesca e trama e plot e desenvolvimento de personagem falar mais pela história, pelo mundo, do que o sobrenatural. Tipo, você não tem magos, por exemplo. Você tem algo mais próximo com ela, com a bruxa da floresta, mas assim, ela parece que usa muito mais de subterfúgios e ilusionismo, tipo Merlin do Bernard ali, ao invés de magia de verdade.

Mas de fato chega no final, pelo menos no meu entendimento, no final tem algo realizado ali literalmente místico, literalmente sobrenatural. Mas eu não vou dar spoilers, mas acontece no final da obra. Mas por muito, a obra parece um Assassin's Creed com animais, com gatos. A obra tem muito essa cara. Então tem um sobrenatural sutil, você tem uma violência animalesca, né, porque os personagens eles lutam com— porque não tem só gatos, né?

Eu até achava que o gato adaga. Aí você falou, e agora faz mais sentido. Mas os animais, eles lutam com garras e presas. E como não são só gatos, você tem outros animais usando suas outras armas. E é muito mais violência, estilo violência, rinha de animal, né, cara? É violência real, né? Violência tipo de bicho de briga de rua. E aí você soma isso com esses caráteres taciturnos, sombrios dos personagens, orgulhosos, cheios de si, cheio de falha de caráter, né?

Como eu falei, faustiano. E E aí dá toda uma cara esse mundo, por mais breve que seja a leitura, é super funcional e dá um tom único. Mas você tem esses outros personagens, tem o Titã, que é um cachorro que aparentemente é descrito, né, ele é dito como um gladiador e não sei se eu acertei, mas ele na verdade é um animal de rinha de cães, eu tô certo?

DFDaniel Freitas

É, ele é um cão bem grande, né, eu imagino sempre ele um daqueles, sei lá, como é que é o nome daqueles cães, mastim, aqueles cães muito grande mesmo, sabe? Porque ele é um cachorro de briga que ele luta num coliseu, né, e ele é um cachorro que você desde de cara você entende que ele enfrenta outros animais muito maiores que ele, né. Ele chega a lutar ali com animais selvagens naquele coliseu, né, sim, ele com pessoas, e ele é um realmente um animal de briga ali, né.

MPMatheus Pontes

Então ele é marcado de machucado, até ele fala que ele sente acho que uma dor no quadril dele. E ele é um aliado da, né, ele é um aliado da Bastet, né, da líder do clã das 4 Adagas. Ela até conta que ambos tiveram o mesmo dono, e aí ela até uma hora vai chamar ele para pro grupo dela, para um certo plano que ela tem, né, que vai precisar de ajuda.

DFDaniel Freitas

Você viu, você percebeu que eles foram do mesmo dono? Eles só, na verdade, ela disse que eles são, eles têm o mesmo sangue por eles serem assassinos, mas ela, a Bastet sempre foi de rua.

MPMatheus Pontes

Eu tinha entendido que por causa que parece que ela fala alguma coisa, não, que o dono ali do local, antigo dono deles, tinha uma certa, como é que fala, uma certa consideração por ele, um negócio assim. Eu tinha entendido isso.

DFDaniel Freitas

Não, não, ela sempre foi de rua. E ela tem, né, a gente mais para frente na história tem até flashbacks, mostra um pouco ela mais jovem, as coisas que ela fez. E o Titã, ele tem essa coisa por causa que ele foi realmente um cachorro de um, você entende, de um magnata, de um rico assim, de alguém, um conde, algum, alguém, um nobre, né. E ele perdeu, meio que teve um incêndio nessa casa, tanto que o Titã, ele é cego, né, ele é quase praticamente cego, e ele perdeu a visão dele nessa, nessa, nesse incêndio, né, tentando salvar os donos dele, né.

Então assim, por mais que ele não é— e tem um lance desse incêndio ter sido causado porque ele achou que era o dono dele e tudo mais, então ele também, ele acaba simpatizando, né, com a Bastet depois de um tempo, né, porque ela se entende que ela faz tempo que ela vai ali pedir para ele: "Não, você tem que vir para o nosso lado porque você é violento." gato, você pode ser 4 adagas e tudo mais e não sei o quê, né? Então ela quer ele ali porque ela sabe que ela tá mexendo com quem ela tá mexendo, provavelmente vai vir coisa que talvez o gato não encare. Então ela precisa de um tanque ali, né, para enfrentar o que que vai vir, né?

MPMatheus Pontes

É, e você tem as filhas dela também, que é que é mencionado no conto o fato dela ter 3 filhos, mas não é dito os nomes, mas elas aparecem no livro. Inclusive, ela tá as 3 na capa, as 3 filhas dela, que é a Suspiria, que ela é uma gata amarela que tem uma disposição mais de encarar com os oponentes, sendo no caso a mais piedosa, apesar de ser meio sarcástica. Tu tem a Tenebra, que ela é a mais séria e competente, é uma gata negra.

E tu tem a Lágrima, que é a de, que é a assassina mais imprudente, que ela é mais, como posso falar, a porradeira, né? É, ela é mais doida, ela gosta da briga. Isso, isso, ela é mais doidaça. E você tem ainda ali do lado do clã da Presa Vermelha, você tem um dos personagens que é o Calico, que ele é um gato macho, que ele é filho do líder, e o Sphinx, que é o líder, né, que também é conhecido como Ceifador, né. E são tipo assim, são os personagens-chave dessa história, pelo qual você— ou eles vão protagonizar em primeira pessoa um capítulo, ou eles vão aparecer no capítulo de outros.

Além de ter também a Annabeth, que é a irmã da Bastet, que você vai descobrir só ao longo do livro a importância dela. Não vou dar spoiler do papel dela, mas assim, você constrói toda uma teia de termos também que ajuda a formar um microcosmo, assim, esse microcosmo de guerra dos personagens que Você não tem só os clãs, né? Você tem um negócio, você tem esse banquete maldito que você citou, que é utilizado pelos felinos durante a história para um termo pós-vida.

É quase algo no estilo Valhalla, algo para os melhores guerreiros, né? Só que para os melhores assassinos.

DFDaniel Freitas

Exatamente.

MPMatheus Pontes

E você tem, você tem, acho que uma das coisas que eu mais gosto, que é o termo do grande ciclo. Que é o grande ciclo, essencialmente a ordem natural das coisas. E o que acontece, é parte integral do plot esse negócio do grande ciclo. Por qual o pormenor aqui, dando um pequeno spoiler da obra. A Bastet, que é a líder dos Quatro Adagas, ela tem um grande plano para seguir em frente. O porquê desse plano também é spoilers, que eu não posso dar aqui, mas é uma grande carnificina que ela está planejando de ser desenfreada contra não apenas contra inimigos, né, mas contra os humanos, né.

E esse plano dela que ela tá pondo, né, que ela tá fazendo se desenrolar, é uma grande ameaça para esse, para essa ordem natural. E outros personagens, como por exemplo o pessoal da floresta a bruxa, a feiticeira, a raposa, são animais que preservam o grande si. E aí você tem também, você tem os termos que é utilizado para poder se referir aos animais de papelizo. Eu já falei que eles têm os ratos que são os saqueadores, você tem os gatos são chamados de caçadores, também tem o termo que é enjeitados. Enjeitados, eu vi o termo e eu não entendi, seriam gatos que não...

DFDaniel Freitas

Eles são os gatos, vamos dizer, que o clã acolhe, né?

MPMatheus Pontes

Ah, só acolhidos pelo clã. É que eu vi enjeitados.

DFDaniel Freitas

Então são os gatos São abandonados ou ali que são encontrados, eles são os gatos que não nasceram no clã, né? Eles são encontrados ali, inclusive o Sombra mesmo, ele não nasceu, né, no clã das 4 Adagas.

MPMatheus Pontes

É um enjeitado.

DFDaniel Freitas

Ele é encontrado ali, ele tá no meio do cemitério, né, que é onde também tem os renegados, né, que são os cachorros de rua. E ele tá ali quase que um filhote recém-nascido enfrentando 2, 3 cachorro ali. Ele tá os nando mostrando as unhas, ele não vai arregar desde que ele nasceu, né?

MPMatheus Pontes

Tem esse, você tem os renegados como os cachorros, e você também tem os Guardiões, que são os cachorros que trabalham com os humanos, né?

DFDaniel Freitas

Aí são os cachorros de dono, né?

MPMatheus Pontes

Isso, isso que aparece os donos. Mas você tem outros, você tem os vultos, que são os corvos, no qual que o Paul é líder. Inclusive o capítulo que uma das personagens vai confrontar os corvos, tem uma parte que ela derruba um ovo do ninho, aí depois na hora de ir embora ela dá uma outra patada de Derruba outro ovo, ela fala: "Ah, mania de caçador." Essa parte é muito de gato, o gato que dá tapa nas coisas aleatoriamente só para derrubar, cara.

Mas você tem os gigantes, que são os ursos, você tem os vampiros, que são mencionados, que são os morcegos, os humanos, que são a raça dominante, embora não tenha nenhum personagem humano. Tem os carniceiros também, que eu não entendi o que são.

DFDaniel Freitas

Posso te confessar uma coisa? O quê?

MPMatheus Pontes

Pode. Que os carniceiros são mencionados 2, 3 vezes e não fiquei sabendo o que seriam.

DFDaniel Freitas

Legião, mas eles são ali algum animal que realmente decompositor, que come carniça, moscas, é, pode ser qualquer coisa.

MPMatheus Pontes

E os meus favoritos são Legião.

DFDaniel Freitas

A Legião é incrível, cara.

MPMatheus Pontes

A Legião, é, a Legião são os melhores. O que que é a Legião? A Legião são as baratas, né? Elas não, e assim, elas não são personagens individuais aqui e acolá, é uma unidade, elas agem como uma entidade. Uma hive mind praticamente acima das demais formas, né, de vida. E elas entendem e cumprem um papel no grande ciclo. Elas são tipo assim as baratas, né, que volte e meia mencionam lá, Legião aqui, Legião acolá. Elas são, dá para falar que elas são um personagem, mas elas são o personagem assim talvez mais misterioso e com mais tom de sobrenatural, né, nessa obra, na minha opinião.

Eu acho que é por isso que eu gosto muito deles. Inclusive para efeito final da obra, elas têm um papel também importante. E você tem outros que são só mencionados, tipo os werinos, que são os lobos, que tem uma hora que correlacionam, né, os cachorros a eles. Mas eu gosto muito de como isso cria um tom mítico para obra, né, cria essa teia de elementos.

DFDaniel Freitas

A Legião, né, ela não só é uma, esse personagem, eles, eu pensei eles para ser essa coisa meio, meio, é quase que o espírito, né, da, um representante vivo do Grande Ciclo, por elas terem aquela questão delas serem meio que elas são perenes, né? É aquela velha história, né? Depois que estourarem todas as bombas e tal, e não sobrar mais nada, ainda vai ter sobre o último cadáver do ser humano, vai ter barata andando em cima. E elas realmente, elas se veem dessa forma, né?

Elas, a gente observa, a gente não interfere, porque a barata vai interferir em muita coisa, né? E elas estão ali para ser. E por elas serem também carniceiras, né, por elas serem decompositoras, né, elas têm um papel muito importante, né. Mas aí é delas meio que vem essa, essa magia, né, que a bruxa invoca, né, que é bem uma necromancia que ela faz ali, né. E assim, esse tipo de encantamento, esse tipo de força que ela tá mexendo para qualquer animal seria o o... vamos dizer, o pecado mais grave, né.

Porque pra um animal, a divindade, o deus é o ciclo. É a ordem que as coisas têm que acontecer, é o início e o final da vida. Tanto que pros Quatro Adagas, eles louvam tanto esse final da vida. E eles têm quase esse pseudo Valhalla deles, né. Morrer pra um animal é muito importante, né. Então assim, quando você brinca com isso, você tá cometendo um pecado muito grave.

MPMatheus Pontes

Interferindo, né?

DFDaniel Freitas

Porque você pode ver que todos os animais, por mais que, vamos dizer, o Quatro-Adagas, ele tem o credo deles, que é o banquete maldito, né? E ele tem essa coisa com os ancestrais. Já a Presa Vermelha, ela louva muito realmente a morte em si. O negócio deles é a deusa da morte, é trazer a morte para os outros, né, como uma bênção. E outros, o Guardião, ele tem juramento dele e tudo mais, mas todos eles têm em comum o respeito pelo Grande Ciclo, né?

Então assim, é meio que a coisa que a Bastet quer fazer, ela é tão grave que o outro lado ele meio que precisa cometer um pecado quase tão grave quanto para tentar anular aquilo que ela quer fazer, né? Então essa realmente seria a parte, vamos dizer, um pouco sobrenatural que tem ali, né?

MPMatheus Pontes

É assim, tanto que o capítulo das baratas elas, né? Você tem um, elas têm capítulo próprio delas, e o capítulo delas é o mais legal porque é um capítulo da primeira pessoa de uma hive mind, basicamente, né? Isso é muito maneiro. Eu acabei de falar de hive minds, de formas criativas de você usar hive mind, como tem na Fundação, né? Nos podcasts recentes da Fundação que a gente tem, Gaia. Isso daqui também é uma forma criativa, na minha opinião, de usar uma hive mind, mas Mas você até tem um pouco de expansão também desses conceitos até no Universo Expandido, que são dois contos que tem ao final, né?

Você tem um conto que é protagonizado por um cachorro e um conto que é protagonizado por porcos também, expandindo um pouco, no caso saindo daquele cenário principal, mostrando outros núcleos de animais com outras histórias, mas no mesmo universo, que conversam com essas questões universais dos animais.

DFDaniel Freitas

Em outras— em outras— outras épocas, né, em outros... Você entende ali que o que aconteceu na cidade foi há muitos anos quando você lê o conto dos cachorros, né. Também o poema, né, o poema A Santa Ceia da Podridão, que é um poema da Legião, né. Eu tô tentando lembrar, mas teve uma moça que fez uma arte assim, uma escultura, né, inspirada nesse poema da Legião, da Santa Ceia da Podridão, ficou muito, muito muito legal. Eu vou ver se a gente consegue colocar depois o link dela, que ela faz umas artes assim, eu acho bem bacana.

MPMatheus Pontes

Depois, se der para, pode mandar, pode mandar para mim, que depois no Telegram que eu posto aqui.

DFDaniel Freitas

É, mas só para citar que teve bastante gente que gostou muito da Legião assim, né? Achou muito maneiro.

MPMatheus Pontes

É, Legião é mais da hora. Santa Ceia da Podridão. Observamos e aguardamos desde que a vida se arrastou lá dentro, solta em seu nariz, testemunhando teus pensamentos sem fiada freadas, ansiosas, indomáveis, rogando com os pés e pateros que é nosso que vemos encarregados de guardar. Enquanto seus pés estão presos e parados abaixo do monte de Deus, observamos, sabemos, a única verdade, cedo ou tarde você colherá o que colherá e colherá e colherá.

Mastigará seus ossos e virá a virar pó. Observamos, pois sabemos, não há sentido na vida Na caça! Caça! Caça! A linha de chegada é apenas uma ilusão— só um arrastar montanhas por trás... A infinita virtude do bendito ciclo é apenas uma mentira— tudo que existe dos anjos aos diabos são apenas farsas mesmas da Terra. Observamos do lixo da moral os estragos da sociedade: todas as grandes conquistas e empresas batidas na barriga O grande castelo de pedaços rasgos no céu.

Rimos da pretensão de petrificar a eterna escuridão, buscando rescanços, sendo que ela está, que é tudo que existe e não existe, é a mesma coisa. Então não mais que somente a mesma estagnação que assola o solo, cria as experiências sólidas da inteligência que tudo gera e aquilo devora. Observamos e contribuímos com suas vidas e com seus sonhos e dos sonhos, do dragão colossal que comeu a terra, da onça esquecida, do batraco, do homem primitivo, homem caçador, dragão, deus, não mais que nós, a grande argila terrestre.

E nós, seus trabalhadores avançados, observamos e avaliamos, e tudo que existe existe, e nós, eles, eles existem. Observamos, observamos, pois temos força, pois somos a legião.

DFDaniel Freitas

Não, é legal pra caramba ouvir esse poema. E uma coisa que se você leu e gostou da Legião, e você também do poema, é claro, eu cito a Legião de novo em um outro conto meu, que é o conto do Dossier Macabro Insetos, né, que foi o Dossier da Diário Macabro, que eu fiz a seleção dos contos, né? Eu fiz organização junto com Rafa de Sushi. E esse conto chama Cinco Passos de Você, e ele é um barata-apocalipse. E eu cito a Legião, e eu tive um ponto ali que ele é um conto, ele é bem o terror que eu gosto de escrever, né?

O horror com muito asco e um toque de comédia, né? Mas tem uma hora que a coisa fica séria, que as baratas elas começam a falar igual a Legião, assim. Então é bem— depois teve gente que leu assim, falou: nossa, você falou deles aqui de novo, né? Ou leu um primeiro, leu o outro depois e falou assim, às vezes a gente— é mania de escritor, né, de fazer, citar seu próprio universo ali dentro das obras, né.

MPMatheus Pontes

Agora eu não sei por que, me lembrei daquele inimigo das Meninas Superpoderosas, que é um monte de barata lá, que é um homem, que na verdade é um robô controlado por um monte de barata. Lembrei desse inimigo agora.

DFDaniel Freitas

Nossa, eu não conhecia esse inimigo, eu quero ver o robô.

MPMatheus Pontes

Mas assim, eu queria aproveitar que você citou aqui, eu não vou entrar mais em spoilers dos livros, a gente já tá fechando o programa, mas eu queria perguntar, é assim, além do de tudo que tem aqui no tomo do Evangelho das Feras e desse conto aí, é se tem mais alguma coisa desse universo, ou então intenção sua de expandir esse universo futuramente. Que assim, né, o universo não é porque você fale agora, ah, não tenho intenção, que sua intenção não pode mudar, né. O universo sempre tá aqui estabelecido, você voltar.

DFDaniel Freitas

Olha, vira e mexe eu me vejo pensando nessa história e pensando em outros animais, em outras situações que de repente poderia ser escrito, né. E também muita gente depois que leu, né, inclusive acho que agora a gente deve estar fazendo mais menos um ano do lançamento do Evangelho das Feras, né? Então vira e mexe alguém lê e fala assim: putz, que legal, por que você não faz com pombo?

MPMatheus Pontes

Eu falo: olha, eu preciso pensar, mas assim, cara, o pombo você tem que, cara, pombo para mim não tem como, ele é um animal burro, você tem que escrever algo na cabeça dele que tipo assim, ou a mente dele vai ser muito opaca, ou você tem que escrever algo nível tipo horror cósmico na cabeça dos pombos entender ele como entidades que querem ser mortas porque estão com um plano maior. É só isso que vem na minha cabeça de pombo. Pombo é um bicho—

DFDaniel Freitas

Não, eu já tinha outra, eu tinha uma outra imagem do negócio assim mais do pombo mega capaz, do pombo é do pombo-correio, sabe, do entregador, desse sentido, né. Só que aí outro também, outro livro que eu li bem depois de ter escrito o Evangelho das Feras, que foi o Fernão Pelo Gaivota, não sei se você já leu.

MPMatheus Pontes

Eu já ouvi falar, mas eu não sei nada do nome. É familiar, mas não sei nada.

DFDaniel Freitas

É, então, por incrível que pareça, é um livro sobre gaivota. Os personagens são gaivotas. E assim, é muito legal, cara, é muito legal mesmo. Assim, eu falo, cara, como eu pensava que era um livro mega infantil, ele tem, ele é um pouco infantil, só que nossa, ele tem hora que ele vai para os conceitos muito maluco, cara. Eu acho que uma criança não entenderia sobre o que essas gaivotas tá falando aqui. Coisa de viagem temporal, de multiverso, uma coisa bem maluca mesmo.

Caralho, mas é bem legal. Então assim, eu falei, pô, eu não vou conseguir escrever uma história com aves mais legal que essa, mas sei lá, né, quem sabe um dia. Mas assim, eu não, vira e mexe assim, eu não vou prometer que eu não vou citar esses personagens e outras histórias, né. Puts, o meu próximo livro, né, que tá pronto aí, eu logo no começo do livro eu faço uma brincadeira, né, que eu tô escrevendo, né, porque que os humanos que eles subiram, né, ao topo da coisa, da pirâmide ali, né, que eles são, vamos dizer, a raça dominante do planeta.

Eu sinto que assim, é porque os humanos, ele é o único animal que ele mata por, ou por esporte, ou por tédio, ou por prazer, ou por tédio. Daí eu falo assim, é, na verdade os gatos também, mas essa é outra história, né. Então tem essa citação, né, dos gatos, né. Mas assim, continuar realmente essa história da do que foi a Bastet, a tragédia que aconteceu no passado dela, como foi a guerra ali da capital, né, que é essa cidade que eu— você entendeu que é uma cidade meio gótica, né, uma cidade meio—

MPMatheus Pontes

sim, sim.

DFDaniel Freitas

Isso eu achei legal que teve gente falou: não, eu pensei que era uma cidade normal. Falei: caramba, legal.

MPMatheus Pontes

A imagem que eu tenho da cidade, até pelo teatro e pelo cenário meio de igreja, é algo até tipo assim fim da Idade Média.

DFDaniel Freitas

Sim, é uma coisa começo ali, fim da Idade Média, começa na Renascença ali, é um negócio meio Paris, meio— na verdade, a cidade que mais me vem à cabeça é Paris, a Paris, vamos dizer, a original, né, que é aquela Paris ali, começou na ilha ali onde tá a Catedral de Notre-Dame, né, que é só uma ilha no meio do rio, né, e meio que ela, para mim, ela é uma cidade bem com essa cara ali dessa Paris do comecinho ali, quando era mais uma vila do que é uma cidade, né?

Mas ela é nesse passado, ela se passa meio que nesse local aí. Então assim, se eu realmente fosse escrever, eu ia escrever alguma coisa mais em outro tempo, com outros personagens, talvez continuar a história dos cachorros, né? Que ela é meio que um faroeste, ela é um dark western, né? Weird western, né? Ali com aparições ali que pode ou não tá acontecendo, né? Mas eu tenho outro conto que ele é um proto-conto nesse sentido, que ele é com cachorros também.

E ele é o conto que fecha o meu primeiro livro, que é o Portais Quebrados, é o Limiar. Ele tem— agora vocês vão saber, né, porque ele foi a primeira vez que eu fiz essa brincadeira de você não entender o que que o personagem é até o final, né.

MPMatheus Pontes

Serve de sugestão para futuras histórias de animais, ou não sugestão, apenas menção. Eu tenho medo de golfinho macaco.

DFDaniel Freitas

É, o golfinho, ele é sacanagem, cara.

MPMatheus Pontes

Então, golfinho macaco, eu tenho medo. E minha namorada tem medo de caracol. Mas aí vai da sua criatividade o que pode trabalhar com isso.

DFDaniel Freitas

É, o asco, o asco, medo ali, ele anda meio junto, né? Esse conto que eu escrevi do Barata Apocalipse tem uma mulher com a courofobia, acho que é courofobia, eu não lembro, que é a fobia de barata, né, no conto.

MPMatheus Pontes

É, até eu tô ligado qual que é a fobia de barata.

DFDaniel Freitas

Mas é, golfinho é complicado, você falou também Macaco, macaco, macaco é sacanagem, cara. Macaco, ele tem que ser macaco, joga cocô na gente, cara. Não, macaco, ele é traíra demais. Ele nesse, os macacos nesse mundo, cara, eles tinham que ser tipo uns contrabandista, uns meio que aquele personagem do Trickster, né, do Total, do que rouba no jogo.

MPMatheus Pontes

Macaco não é de confiança.

DFDaniel Freitas

Não, tinha que ser, tinha que ser.

MPMatheus Pontes

Quanto mais próximo do o homem pior, só aprende a parte ruim. Mas, cara, assim, eu quero fazer aquele fechamento do programa.

DFDaniel Freitas

Eu quero—

MPMatheus Pontes

o livro é sensacional, eu adorei ele. Eu apoiei no Catarse, né? Ele tá à venda, né, na Diário Macabro? Tem unidade à venda lá ainda?

DFDaniel Freitas

Tá à venda na Diário Macabro e tem à venda comigo também. Tenho bastante unidade ainda. Quem tiver interesse, eu já mando com um brindezinho extra e assinado e autógrafo.

MPMatheus Pontes

Ah, sim, não, é que o meu eu consegui via Catarse, meu foi apoiado no Catarse, até meu nome tá no final lá do livro. Eu queria, eu queria agora que as gostasse, para que o ouvinte, é uma recomendação de uma obra de fantasia sombria, ou obra em tom, sei lá, similar, uma recomendação sua de leitura para quem gostar, tirando seus livros, algo do gênero que você recomendaria. Você, e também um momento seu pra já, base, considerações finais aqui.

DFDaniel Freitas

Bom, algo parecido com o que eu escrevi aqui, vai, como eu falei, eu não li, por incrível que pareça, muita coisa de fantasia sombria, né, acabei consumindo mais por outras.

MPMatheus Pontes

Pode ser, pode ser. Aliás, não precisa ser livro não, pode ser obra de outra mídia também.

DFDaniel Freitas

Vai parecer loucura, mas uma coisa que eu sempre, sempre recomendo, e é uma coisa que esteticamente, principalmente a parte da localização, da geoficção desse conto, é muito, muito inspirado no Bloodborne. Bloodborne, né, que é o jogo que a gente ama. E até os gatos chamarem caçadores é uma referência direta a Bloodborne. E eles têm essa coisa do sangue, e o sangue ser muito importante para eles, e ter essa fúria, é que eles meio que entram numa fúria de sangue e tudo isso.

Ele tem muita inspiração de Bloodborne, que acho que é uma das— se você pegar, né, que toda série Souls, ela é muito— ele é para mim a minha porta de entrada de verdade similaridade com o Dark Fantasy, né, é a série, todos os souls-like, né, da From principalmente, né, sempre ter esse cenário opressivo, obscuro, sempre ter essa coisa meio decadente. Depois eu fiquei sabendo que tem muita gente que considera Dark Fantasy também esses, é, os filmes meio de fantasia da década de 90, né, coisas como o Dark Crystal.

MPMatheus Pontes

Assim, o Dark Crystal foi um dos primeiros que eu vi. Ele é totalmente dark fantasy. É que assim, o dark fantasy nem sempre ele vai ser essa fantasia mais apocalíptica no sentido de devastado, que é o mundo. Por exemplo, você tem, você quer um que é devastado e é dark fantasy, que foi um dos meus primeiros contatos, e você que teve Play 1 talvez você lembre, conheça, mas Soul Reaver. Soul Reaver é um dark fantasy.

DFDaniel Freitas

Ah, é? É, caramba! Eu pensei que ele tava muito mais no beirando horror, principalmente por ele ter a grande questão com vampiros, né?

MPMatheus Pontes

Mas ele é, ele é um dark fantasy com severos elementos góticos. Mas o antecessor dele, que é o primeiro jogo que pouca gente se lembra, o Blood Omen, ele é um dark fantasy menos apocalíptico. Witcher é um dark fantasy menos apocalíptico também.

DFDaniel Freitas

É, Witcher eu li, eu acho que eu li 3 livros da série, tem um bom dark fantasy. O, mas citando nos filmes, né, principalmente os filmes, vamos dizer, ali com animatrônicos e, ah, assim, ó, o Dark Crystal total. Falei o Labirinto, eu gosto muito, muito da História Sem Fim também, mas nunca que eu consideraria um dark fantasy até ler o livro. Eu acho o livro bem dark fantasy. Não sei se você tem que ler, é muito bom a História Sem Fim, cara, é um baita do livro, porque a gente tá, pô, a gente que assistiu, né, o tanto o primeiro quanto o segundo, Segundo você fala assim, ah, bacaninha, mas o primeiro muito legal.

Só que aí você vai ler o livro, nossa, o livro ele é bem mais assim, ele é bem mais pesado, ele é bem mais, é muito mais imaginativo, muito mais até metalinguístico, cara. Ele é muito legal o livro. E o outro que eu gosto muito dessa época também é o Willow, né?

MPMatheus Pontes

Willow teve até a série agora, né, da Disney. Acho que a série não fez muito sucesso.

DFDaniel Freitas

Eu achei bacaninha a série, não achei ruim não. É que eu acho que assim, pô, também o pessoal, muita coisa o pessoal já vai muito com, principalmente coisa quando A coisa quando vai mexer com nostalgia, cara, ou o pessoal vai muito de coração aberto ou o pessoal vai totalmente de má vontade. Assim, uma série bem bacaninha, viu? É bem divertida.

MPMatheus Pontes

O Dark Crystal também teve uma série na Netflix bem feita para caramba, mas assim, tipo, também não vingou. Acho que é muito caro produzir, aí cancelaram na primeira temporada.

DFDaniel Freitas

É por causa que ele mistura não só o puppet ali, como com stop motion, com não sei o quê. Não é fácil fazer não, né? Fazer um filme já sai caríssimo, né? Imagina fazer uma série, né? Mas assim, essas são as minhas Pode considerar tudo, é indicação, recomendação, e também muito do Dark Fantasy que eu consumia ao longo do, ao longo da minha história assim, né, cara.

MPMatheus Pontes

Mas é isso, é, obrigado, cara, obrigado pela oportunidade de aparecer aqui, né, novamente, segundo podcast que a gente tá junto, na verdade terceiro, porque se eu não me engano eu tive no Papo na Estante, eu não lembro se episódio do Papo na Estante que eu tava, você tava lá, cara, eu lembro que se eu não me engano eu participei, ah, que eu já tinha entrado, cara, eu tô tentando me lembrar, que eu acho que eu participei de um episódio do Papo na Estante, você tava lá, que você participou comigo do episódio do Dark que o show dos três continue.

Mas, cara, muito obrigado por ter vindo aqui. E eu queria que você deixasse o jabá de falar aí para a gente todas as suas obras e onde a galera pode te encontrar.

DFDaniel Freitas

Cara, rede social eu cancelei todas menos o Instagram. Então assim, só Instagram, @freitad, Freita sem o S com D no final, Freitad. Daniel Freitas, né? Ali no próprio Instagram tem o link para todas as minhas obras. Ou gostou, achou interessante aí o Evangelho das Feras, como eu falei, eu tenho algumas unidades ainda e eu tenho um monte de brindes aqui para você vai ganhar também junto, então compra comigo. E as outras minhas obras, praticamente tudo físico já tá esgotado, eu só tenho os digitais, né.

Então basicamente na Amazon você vai encontrar tanto Portais Quebrados quanto o Apoteose e Entropia, né, que é minha space opera aí. Eu gosto muito dessas duas histórias, ela é uma space opera com respingos de com uma boa dose de horror cósmico também, né. Então assim, é uma história que eu gosto muito. E claro, recomendar o Papo na Estante. Aí a gente tá toda semana, toda quarta-feira, saindo um episódio novo. Eu, Sotratti e a Karine ali, falando...

A gente às vezes fala de literatura. Se bem que esse ano a gente tá bem aplicado na literatura mesmo, né. Devido a épocas aí que a gente não tava conseguindo casar os três, ler os mesmos livros. A gente comentar, né? Mas a gente tá numa sequência boa aí, que tá os três conseguindo ler os mesmos livros, a gente tá debatendo bastante literatura. Daqui a pouco, não sei como é que a Ninguém reclamou ainda que a gente não tá fazendo mais tanto episódio de palhaçada, com uma desculpa literária para falar de palhaçada.

Mas é, vai ter umas coisas legais, vai ter Copa do Mundo, vai ter quiz, vai ter notícias na estante. Então é, acompanha aí, papo na estante. A gente tá sempre falando, a gente tá sempre chamando os amigos aí também. E bom, acho que é isso das minhas obras, de onde me encontrar, é bem isso aí mesmo.

MPMatheus Pontes

Tá certo, cara, muito obrigado, Daniel. É um prazer ter você aqui. E gente, é isso, é, ficamos por aqui. Os links vão estar na descrição, até o link da rede social do Daniel. Vocês podem comprar lá os livros e vocês podem ajudar o Pontos para Literatura divulgando, dando 5 estrelas, jogando nas redes sociais que você tá ouvindo a gente, seguindo a gente no nosso Instagram, nosso Instagram Instagram, volta e meia tá lá tratando de um monte de tópicos da cultura pop, de literatura e de criação de história, né, de storytelling.

Então às vezes tem gêneros literários, gêneros de narrativas que estão lá, às vezes não, que nem por exemplo esses dias eu falei do Black Prolatation, e é uma coisa que você não tem livro, mas tem muito filme e tá fazendo sucesso, se puxa agora. Então dê uma olhada lá, sigam nossos links, e qualquer dúvida mande mensagens pra gente, pode ser pelo Instagram, pode pode ser direct, pode ser no nosso email que vai estar aí no corpo da descrição.

É isso, galera, ficamos por aqui. Muito obrigado, Daniel, muito obrigado, ouvintes. Até mais!

PL - 37 (NACIONAL) Evangelho das Feras por Daniel Freitas | Castnews Index — Castnews Index