#245. Resgatando memórias da cidade (com Hévila Ribeiro)
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CRÉDITOS:
- PARTICIPANTES: Luan Alencar, Vamille Furtado, Carol Aninha e Hévila Ribeiro
- EDIÇÃO: Luan Alencar
- TRILHA ORIGINAL: Victor Oliveira
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- Memória e NarrativasProjeto de resgate da história e cultura local · Foco em arquitetura e patrimônio cultural · Início como hobby no Instagram · Transformação em trabalho e empresa · Colaborações com o Budejo Podcast
- Locais Históricos do RioEstudo sobre o Centro Histórico de Juazeiro · Fotografia de fachadas de casas antigas · Casas abandonadas e deterioradas · Derrubada de prédios históricos para estacionamentos · Importância da preservação do patrimônio
- Memórias e IdentidadeMemo Bag com referências culturais e arquitetônicas · Parceria com o designer Ícaro Landim · Identidade visual para eventos e projetos · Pirataria de arte e apoio ao produtor local · Potencial para criação de uma Memo Store
- Turismo em RoraimaValorização da cultura e história local · Rolês históricos e experiências imersivas · Importância de conhecer o próprio território · Impacto da universidade na região · Êxodo caririense e a busca por sucesso fora
- Araripe ArquitetosEscritório de arquitetura com identidade caririense · Inspiração na região, clima, história e cultura · Projetos como Café da Estação e recepção do BNB · Parceria entre Évila Ribeiro e Arthur
- Carnaval e Escolas de SambaEvento de carnaval de rua em Juazeiro · Sucesso e crescimento do evento · Potencial para se tornar um evento tradicional
- Cacimbas e Poços em Casas AntigasPresença de poços em casas históricas de Juazeiro · Necessidade de fechamento devido a riscos · Tradição de cacimbas em quintais antigos
Sejam bem-vindos e bem-vindos a mais uma edição do Budejo. Eu sou o Luan Lenkar e estamos por aqui mais uma semana, mais um episódio. Então você já sabe, siga o Budejo no seu tocador de podcasts, deixe uma classificaçãozinha, um comentário. E também siga a gente lá no Instagram, nós somos arroba Budejo Podcast. E se você gosta de verdade desse programa, vá lá em orelo.cc barra Budejo.
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Vai ser um negócio gigantesco e é tudo organizado lá no grupo de apoiadores. Então não fique de fora dessa, porque além desse passeio, ainda vai ter o pau da bandeira, né? Então, orelo.cc barra bodejo se torne apoiadora e venha pro Carili curtir esse momento aí com a gente.
E quem nos apoia também recebe cheiro aqui no começo dos episódios. Então hoje eu quero mandar aqui um cheirão para Lisete Dalmas. Espero ter pronunciado seu sobrenome corretamente, Lisete. E Camila Silva, um cheiro à menina.
E ó gente, no episódio de hoje, eu, Vamili e Caroninha batemos um papo com Évola Ribeiro, que toca o Memórias de Juazeiro, um projeto sensacional que resgata e valoriza a arquitetura e a história dos centros urbanos aqui da região do Caliri. É uma iniciativa que nasceu no mesmo ano do Budejo e finalmente a gente trouxe Évola pra budejar aqui. Então, sem mais delongas, bora budejar!
Évila Ribeiro, seja muito bem-vinda ao Budejo. Como é que você tá? Oi, gente. É um prazer estar aqui. Queria agradecer o convite. Finalmente meu momento chegou. O Budejo. E tô muito feliz de estar participando desse episódio. Tô certeza que vai ser muito legal.
Nossa, eu acho que esse deve ser o episódio que a gente mais moscou pra fazer, assim. Porque era óbvio que tinha que ter sido feito há muito mais tempo, né? Mas, enfim, pelo menos estamos fazendo. Uma collab que demorou muito pra ver, mas finalmente veio. É que o momento era agora. É.
Mas eu lembro, assim, a gente já se conhecia quando tu começou o Memórias. E eu, sei lá, eu vi o projeto engateando, assim, quando tu conciliava com várias outras coisas. E hoje eu imagino que o nível de prioridade que o Memórias tem na tua vida é bem maior do que naquela época, assim. E, nossa, eu vi muito de fora, né? E o salto que deu lá do comecinho, quando eu te conheci pra agora, é muito impressionante. A gente citou o Memórias no episódio passado do Budaixo, então acho que esse episódio tá bem orgânico, assim, com o fluxo de pensamento. Deu um link total.
Mas, Évila, para quem ainda não está entendendo o que a gente está falando, quem está desavisado, contextualiza, explica por que você já tinha que ter vindo aqui há mais tempo e o teu trabalho com o Memórias. Meu nome é Évila Ribeiro, primeiramente sou caririense, nascida e criada em Juazeiro do Norte, sou arquiteta, pesquisadora, faço doutorado, estou doutoranda em arquitetura.
Pesquisa é principalmente voltada para a área de patrimônio cultural, com foco em arquitetura, por conta da minha área também. E, além de tudo isso, ainda tem o Memórias de Juazeiro, que é um projeto que começa no Instagram, nas redes sociais, de uma forma realmente ali como um hobby.
E hoje se tornou um trabalho, uma empresa, um sonho. Então hoje ele se tornou várias coisas. E também o que me faz estar aqui participando da entrevista com vocês, né? Do Budejo. Inclusive já fizemos collab do Memórias com Budejo. Sim, foi maravilhoso. Lá em Nova Olinda. Isso, em Nova Olinda. E Casa dos Pássaros com Bob. Casa dos Pássaros, lá em Potengi. E são dois vídeos muito legais que eu gostei de ter feito, assim. Enfim, de ter vivido também a experiência junto com vocês na época. Foi muito legal.
E agora eu tô aqui, né? Presencialmente, conversando no botejo. Chiquérrimo. Conta pra gente, assim, de onde é que surgiu a ideia, né? Porque pra quem também ainda não se ligou, que é o Memórias em si, né? Esse projeto começou no Instagram, mas hoje tem várias outras ramificações. Mas acho que tu... Não sei se tu encontrou uma linguagem ali de falar da nossa região, né? Também acho que começou com o Juazeiro, mas hoje se fala bastante das cidades vizinhas também e tal.
Mas acho que tu encontrou uma linguagem muito incrível, assim, pra falar de uma região que é mais tradicional, da cultura popular, mas de um jeito... Bonito, lindo, né? E que dialoga com o que tá sendo feito hoje, assim, né? Exatamente. É muito moderno, de um jeito que mostra muito da nossa cultura, resgata bem nossas memórias, mas também traz pra uma comunicação muito moderna. Exatamente. Então, de onde é que surgiu, assim, a tua ideia inicial pra fazer o Memórias?
É, eu tô falando memórias, né, mas pra quem não conhece, já procura aí no Instagram, arroba memórias de Juazeiro. Apesar das vezes o pessoal chamar de memórias do Cariri, mas eu ainda sou Juazeiro, porque eu brinco que eu não tenho como cobrir 29 cidades, né? Aí se eu botar memórias do Cariri, vão me cobrar que eu faça das 29 cidades. Então, por enquanto, eu sou memórias de Juazeiro. Mas aí eu vou tentando pegar uma coisa ou outra das outras cidades da região do Cariri, porque é uma região muito grande, né?
Mas, enfim, o Memórias, ele surgiu em 2019, na verdade, quando eu finalizei a minha graduação em arquitetura, e eu fiz um estudo sobre o Centro Histórico de Juazeiro, porque me chamava muita atenção, eu sou da primeira turma de arquitetura da Unifap, né, então sou das primeiras turmas de arquitetura que se formaram em Juazeiro, na região do Cariri.
Então, durante o processo de graduação, eu via sobre outras cidades, conhecia sobre outras cidades, inclusive do Nordeste também, Recife, João Pessoa, mas eu não conhecia sobre a minha própria cidade, né? Tipo, a gente não estudava sobre a cidade. Porque, inclusive, meus professores também não eram daqui da região, então eram... Não tinham muitos arquitetos, a gente não tinha esse contato com arquitetos como a gente tem hoje. A gente consegue ter amigos arquitetos, enfim.
E isso me chamava muita atenção, por eu não estudar sobre a minha cidade, e eu andar na rua e olhar aqueles prédios antigos, que eu já achava bonito desde criança, e não saber a história deles, não saber quando eles foram construídos, ver muitos também abandonados, então isso me chamava muita atenção.
E aí eu comecei a pesquisar sobre esses prédios, né? Comecei a tentar entender o que era um centro histórico, porque a gente conseguia ver em Barbalha, mas não conseguia ver aqui em Juazeiro, né? Juazeiro tinha um centro histórico. Então, foi nesse processo de descoberta do que seria esse centro histórico que eu começo memórias, porque no meu TCC eu fotografei mais de 800 casas, fachadas de casas, né?
Que massa. Tudo em Juazeiro? Todos no centro de Juazeiro. Eu peguei da área ali da Praça da Matriz até a Rua Santa Luzia, mais ou menos. Inclusive, foi engraçado, porque quando eu tava fotografando, o povo me parava e perguntava, é a prefeitura, é? Quando era casa antiga, né? O pessoal já ficava com medo, né? Se é a prefeitura, não, eu tô só fazendo um estudo, né? Tô só fazendo um trabalho.
E aí quando eu finalizei a graduação e apresentei meu trabalho, foi muito legal, eu já acompanhava alguns projetos que publicavam as fachadas das casas, né? E como eu tinha muita foto, eu disse, ah, vou inspirada nesses outros projetos, eu vou começar a postar essas fotos que eu tenho também, porque acabaram se tornando um processo de documentação informal dessa arquitetura.
E aí eu fui começando a postar essas fachadas, eu colocava o endereço, geralmente tipo rua e o número. Acabou que foi ali crescendo, né? Até que chegou a questão dos reels, dos vídeos, e eu comecei a publicar esses vídeos. E eu publicava realmente mais assim, por exemplo, eu ia muito no centro da cidade, né? Então eu via alguma cena que me chamava a atenção e eu gravava. Geralmente era um velhinho sentado no banco.
Tô brincando. Mas foi um dos vídeos que chamavam a atenção, que eram cenas do cotidiano, mas que muitas vezes passavam despercebidos, né? E a partir disso fui crescendo. A questão dos vídeos ajudou muito na divulgação. Depois, por terça-feira, também um pouco mais acadêmica, comecei a participar de algumas palestras nas faculdades de arquitetura, né?
Depois comecei a fazer uns tours, né? Uns passeios guiados, assim, na cidade. Justamente pra tentar aproximar as pessoas daquilo que eu também enxergava, dessa beleza que eu enxergava, né? Que eu tentava colocar ali nos vídeos, nas fotos.
E aí foi crescendo. E hoje a gente já tem produtos, né? A Memo Bag, que foi citada no episódio anterior. A gente tem a questão dos passeios guiados. A gente já tem um evento, que é o Memórias de um Carnaval. Muito bom. Inclusive, bicho, parabéns.
Nossa, a gente não tinha isso, assim, na nossa geração não tinha carnaval de rua muito marcante em Juazeiro, e o que vocês estão fazendo, eu fui, o ano passado eu fiquei nossa, me deu o maior fomo da minha vida porque eu não fui, e aí eu vi nos stories, eu fiquei, caralho, eu perdi isso, porque eu achei que não ia, não sei não me organizei e tal
Aí esse ano eu vou e, nossa, cara, incrível, assim. Porra, que delícia ter isso aqui. E que dá certo, encaixa, né? Tipo, acho que tem uma coisa meio de achar que, ah, não vai rolar, não vai ter gente suficiente. Mas tem, né? Pô, parabéns, assim. Obrigada. Foi muito legal o carnaval desse ano. Eu espero que ano que vem seja melhor ainda, né? Porque a meta realmente é se tornar um evento tradicional.
E aí é isso, eu tenho inúmeras ideias na minha cabeça, assim. Minha cabeça está em constante pensamento. Tem uma obra, eu acho que a gente vai acabar falando da obra. Tem uma obra, foi uma outra loucura aí, da minha cabeça. Eu sou seguidora há muito tempo, eu adoro todos os conteúdos, engajo bastante em tudo.
O que eu acho legal também é... Por exemplo, eu vi hoje que tu postou lá o teu diploma de técnico, né? Em guia... Guia de turismo. Guia de turismo. E aí é legal porque até outra... Já desenvolveu até uma nova profissão. Pois é, hoje eu peguei meu diploma de guia em técnico de turismo. Um diploma que eu nunca imaginei que eu teria.
Mas hoje eu tenho. Eu acho que eu tô me inspirando um pouco em mestre Aécio. Porque ele tem 73 profissões, vai 72. Hoje eu acho que eu tô querendo ser só uma coisa. Mas eu ainda tô pra decidir o que eu quero ser. É papo de terapia aí já.
E o que é mais legal, assim, que eu percebo, principalmente na questão dos rolês históricos, né, que você começou a organizar, eu acho que traz para a população como um todo, né, estudantes, universitários, professores, é um novo olhar para a cidade. Eu acho que você está construindo isso, você está realmente trazendo, assim, um pouco das memórias da nossa cidade e fazendo um movimento muito legal da gente revitalizar, conhecer.
conhecer a nossa história, conhecer os prédios, a arquitetura, a cultura também, né? Dos mestres, das rezadeiras. Pra mim já é um movimento. O Memória já é um movimento, assim, de, assim, reconstruir um pouco o nosso olhar sobre a nossa cidade, né? Tanto hoje como ontem. Eu acho isso extremamente genial. Sou muito fã, de verdade. Mesmo, mesmo.
É, o rolê, eu acho que algumas pessoas podem não conhecer, mas os rolês são experiências imersivas. Geralmente, a gente faz uma caminhada em determinadas áreas de algumas cidades, geralmente nos centros históricos. E, apesar de a gente estar falando sobre turismo, é bom frisar que a maior parte dos meus rolês são feitas... Quem participa são pessoas do Cariri, porque a minha intenção, principalmente, não é ter turistas no rolê.
Mas, na verdade, é trazer essas pessoas da própria região para conhecer a sua própria cidade, seu próprio território, os mestres, a cultura, enfim. Porque, às vezes, a gente está imerso também num cotidiano de trabalho, né? Enfim, que a gente acaba não conhecendo sobre o nosso próprio lugar.
Então, a partir do momento que a gente tira um tempo, conhece, eu acho que é justamente onde isso a gente vai preservar, né? Onde a gente vai conseguir ver, né? Vai conseguir... Ah, não, isso aqui é... Eu me identifico com isso. Isso aqui é importante pra minha comunidade. Então, se eu não conheço, como é que eu vou preservar, né? Como eu vou identificar aquilo? Não que só por, tipo assim, ah, não, eu fui no rolê dela, conheci aquela casa, vou defender aquela casa com exigência. Não, tem que realmente ter um processo de identificação e tal.
Mas é um começo, né? Eu acho que eu brinco que o meu trabalho é um pouco de formiguinha. Sim. Aos poucos eu vou conseguindo chegar e espero um dia isso ter algum reflexo, né? Tu falou mais cedo sobre o lance de ser a primeira turma de arquitetos que se formou aqui, né? E o quanto que isso muda muito a relação das pessoas daqui com o lugar, né?
Foi até um papo que a gente teve um pouco com o Charles no episódio passado, falando um pouco sobre esse lance da identidade visual de algumas coisas, né? Tipo do Pau da Bandeira, que agora tem uma arte da Expocrata e tal. Que eu também tenho a impressão que são coisas que a nossa região está começando a dar mais importância agora e talvez meio influenciada por isso, né? Porque agora a gente tem toda uma geração que se formou nessas áreas, em publicidade, em design e tal. E aí isso vira uma coisa, né? E eu acho que tu faz, né?
com essa parte da arquitetura, é muito incrível, assim, porque, sei lá, você e, né, seus contemporâneos, assim, da arquitetura que tem esse trabalho mais na comunicação, acho que trazem tópicos que a gente não presta muita atenção. Eu lembro, sei lá, no comecinho do Memórias, tu falava muito sobre as casas do centro de Juazeiro, casas históricas que estavam sendo derrubadas para virar acionamento, por exemplo, né?
E foram várias, né? Aconteceu isso. Muitas, acontece tudo isso, né? Muito triste, é. E, pô, isso é uma coisa que assim que a gente vê alguém falando sobre isso e mostrando a casa como ela era e ela sendo destruída e virando o que vira depois, choca, né? Mas quando a gente tá só no dia-a-dia e não é dessa área...
Passa despercebido, né? Tipo assim, não é uma coisa que a nossa cabeça tá pronta pra prestar atenção. Precisa vir alguém que é da área. E de preferência com uma comunicação acessível pra o que a gente consome, né? Então isso que eu acho muito foda, assim. Tipo, o lance do Memórias Teste, essa parte visual. A edição é sempre impecável, assim. E o estilo de vídeo é sempre muito chamativo. O que tu fez lá quando a gente foi conversar com o Donadinho e lá em Bob, os videozinhos. Ah, foi triste.
Eu lembro que eu disse assim, olha Clarice, olha que lindo aqui o vídeo. Ai, eu conheço ela. Minha sobrinha adolescente na época, ela diz assim, ela faz uns vídeos muito astéricos. Eu achei muito interessante a geração Z. Então, eu percebo que agrada a todas as gerações. E é essa beleza, eu acho que é você realmente despertar um olhar.
Porque você não tá mostrando, você não tá filtrando nada. Você tá mostrando algo que a gente não tava sensibilizado pra ver a beleza. A beleza no prédio histórico. A beleza de um artista, né? De um artesão, de um mestre, de uma mestre de cultura. E, poxa, como é bonito, né? Como é bonito a nossa região. Como é bonito a nossa cidade. E eu acho que você realçou uma beleza e realmente traz esse movimento da gente prestar atenção. Da gente buscar.
Da gente gostar, da gente buscar conhecer mais sobre arquitetura. Cara, e o impacto da universidade na região, né? Muda muito, né? Não, e assim, eu acho que... Um curso de arquitetura aqui na região, poxa, mudou muito. Mudou tudo, né? Eu acho que tanto tem essa coisa de mostrar pra fora, né? Só que o mais legal mesmo é o que tu falou, de tipo... É mais interessante que isso seja um movimento pra cá.
Tipo assim, pras pessoas daqui entenderem que essa região é muito foda e que a gente tem que estar mais atento, né? Eu tava esses dias na terreira da Cearense, lá do Junu, no Cangaço. E aí eu vi um cena que eu fiquei muito, sei lá, muito feliz, assim. Tipo, era uma menina muito novinha, assim, devia ter, sei lá, no máximo 18 anos, com um visual muito alternativo. Com certeza ela era muito ouvinte de Anandel Rey ou Mary Stiles ou sei lá o que é que o jovem escuta hoje em dia.
Só que toda vez que começava a tocar um coco, ela dançava coco, sabe? Tipo, a menina com um visual todo alternativozinho dançando coco, assim. Eu fiquei, porra, eu acho que isso tem muito a ver com o que a gente tá falando aqui, sabe? Tipo, é uma geração daqui, da região, que tá conectada com, né, com todas as referências que a gente tá, mas que também já tá inserida num ambiente, assim, num ecossistema de valorizar o que a gente faz aqui, né? Da nossa cultura, da nossa arquitetura, enfim.
E aí eu acho que o teu trabalho tem muito disso também, né? De, acho que, educar mesmo as pessoas, tanto a gente mais velha, quanto o povo mais novo, né? Que, enfim, é que consome mais isso aqui que a gente tá fazendo, né? Eles gostam bastante, assim, de... Eles gostam muito, né? Desses vídeos, né? Desse estilo de vídeo, que é incrível.
E tu sente que trabalhar com isso também fez tu descobrir coisas do Cariri que tu não conhecia pra, enfim, produzir teus conteúdos? Como nativa, né? Eu sou outra pessoa depois do Buda. Eu conheço a região, coisas que eu nem imaginava que a gente tinha e que foi o Buda que me fez ir atrás. Sensibiliza o olhar, né?
Essa questão da universidade eu acho que também é um marco. Porque, pelo menos eu sou de uma geração em que o sucesso era ir embora daqui. Não sei se vocês também... O sucesso era a gente passar na Universidade Federal fora. Campina Grande. Campina Grande, Recife. João Pessoa, Recife. Fortaleza. Fortaleza nem tanto. Eu acho que o pessoal falava mais... Recife.
Então, tipo, eu sou dessa geração que o sucesso é você passar na universidade fora e fazer o curso e exercer, talvez voltar, em alguns casos, voltar pra cá, né? Mas se você voltasse, já era, hum, não deu certo lá, né? Não deu certo lá.
E aí quando vem a universidade pra cá, a gente começa realmente ali a produzir o pensamento sobre o nosso lugar, sobre o nosso território, né? E a debater sobre ele, né? Então, inclusive isso faz com que a gente tenha mais acesso a essas informações. Tem vários estudos importantíssimos que foram desenvolvidos na URCA, na área de geografia, de história também, né? Que são cursos mais antigos, mas que acabam que muitas vezes fica ali na academia e não sai.
Entendeu? Então as pessoas acabam... As pessoas não acessam, né? É, não acessam, não conhecem. E eu acho que é justamente a importância dessa comunicação. E enquanto comunicadores, a gente tem que ter muito cuidado, inclusive, com as informações que a gente coloca. E aí, sobre essa questão de...
Eu conheci muito, inclusive eu acho que as pessoas me seguem memórias e acham que eu conheço tudo, né? Eu devo ser assim, uma enciclopédia no Cariri, mas eu não sou, gente. Infelizmente ainda não sou. Queria muito ser, mas todo dia eu descubro um pouco. E eu acredito que minha função é isso, de pegar aquilo que às vezes eu vivenciei, experienciei, transformar numa linguagem um pouco mais fácil, com a ajuda do vídeo, da imagem, né? E passar isso pra outras pessoas. Pegar até um gancho do que...
Luan tinha comentado sobre aquela questão que ele falou que tu fazia aquela... Mostrava, né? Como era a casa e como ficou agora que é transformado em estacionamento, né? Que você foi lá e literalmente interviu numa situação dela. Mulher, casa das memórias. É um sonho e ao mesmo tempo é um pesadelo às vezes, sabe? Tu foi lá e comprou uma casa antiga. Foi assim como foi.
Então, né? Eu fazia esse processo de tirar as fotografias das fachadas, né? Sempre gostei muito de fazer. E um belo dia eu pensei, ah, quanto é uma casa no centro? Que tudo, velho. É, tipo, quanto é? Nunca tenho dinheiro, né? Mas assim, o primeiro é o sonho, depois é o processo. Aí eu comecei a pesquisar as casas no centro de Juazeiro. Porque assim, pra quem não é daqui de Juazeiro, o centro tem muita casa à venda, né? Muita. Tem quarteiros que é tipo...
Deserto, né? Isso. Tem casa... Tem quarteirão que é longe de 10 casas, a venda dessas casas mais antigas. Isso vem de um processo porque, tipo, a maioria dessas casas eram pessoas mais velhas que tiveram seus filhos. Os filhos, muitas vezes, já têm sua casa própria ou nem moram aqui mais na região, nesse processo que a gente tava falando, desse êxodo caririense, né? Vamos dizer assim. Sim.
E aí, eles não têm interesse na casa e querem vender a casa. Então, tem muita casa à venda no centro. Isso acaba também prejudicando muito... A própria vitalidade dessa área vai se tornando mais abandonada, mais violenta. É tanto que a gente passa em ruas do centro e a gente tem medo. Lembra na São Francisco, tinha uma época que tinha placa de cuidado, zona de assalto.
E eu amei isso, porque era uma rua cheia de casamento. É perigoso isso, gente. Até hoje a rua São Francisco é cheia de casamento. Quando eu era criança, eu morava no bairro de Juventus Santana, né? Conhecido como Malvas. Aham. Abaixo ali do... Histórico Malvas, né? Nas Malvas. Foi criada nas Malvas, ali embaixo do São Miguel.
E minha família materna sempre morou aqui, ali no bairro Socorro, que é onde eu moro hoje. Mas por muitas vezes eu transitava a pé das malvas até o socorro ou das malvas até o centro. E durante o dia era tranquilíssimo, mas não tinha quem fizesse eu fazer esse trajeto à noite. Era impossível, dava 5 horas da tarde, era o último momento que eu podia passar por ali.
Fazer esse trajeto. E final de semana, impensável. Sábado, meio-dia, era o último momento. No domingo, não. Em nenhum horário. Porque não dava, gente. É assim, é apavorante. A rua do Tô Floro... Eu tenho pesadelos constantes, tipo, literalmente. Eu tenho pesadelos que são... Consiste em eu estar no meio da rua São Pedro à noite a pé.
E é isso, pesadelo. A rua São Pedro, beleza, porque acabou e encerrou esse pedente. Começa. Mas aquela rua do Dr. Floro é apavorante. A rua do Cruzeiro. Tu já morou ali, né? Eu moro nas duas. Eu moro lá, tá vendo? Foi embora e deixei lá abandonado. Nossa, que tristeza.
Mas o doutofloro, pelo menos na Romaria Fica ótimo, né É uma época que dá pra transitar A noite, assim Mas é muito isso É muito isso mesmo que você falou Realmente, as pessoas mais velhas vão Vão morrendo e os filhos
Vão vendendo as casas, né? E a gente também perdeu muito essa cultura da calçada, né? De ficar sentado na calçada. Hoje a gente tem celular. Hoje a gente tem medo de estar na calçada, muitas vezes, por conta... Com o celular. Com o celular. Então a gente acaba ficando dentro de casa. Hoje a gente tem acesso a outras tecnologias, televisão. Então isso foi se perdendo muito, né?
E aí no centro justamente tem esse processo de abandono por causa do comércio, das casas à venda, enfim. Muitas casas também ali deterioradas que traz esse clima pesado, né? Mas enfim, fui nessa questão de, ah, vou ver quanto é uma casa no centro.
e comecei a ligar pras placas de Vente, Vente e tal, tal, tal. E, gente, é caríssimo. Isso é outro problema, porque essas casas estão abandonadas. Porque, tipo assim, geralmente são muitos herdeiros, e todo mundo quer seu pedacinho ali. Então, tipo, eles botam valores exorbitantes, que isso prejudica, inclusive, pessoas, por exemplo, da nossa cidade, às vezes, tem o interesse de comprar uma casa antiga numa área melhor, porque o centro ainda é muito... E não são, assim, casas maravilhosamente. São casas, assim...
precárias, só que com o valor lá em cima porque ou eles pensam na questão do gestacionamento, né, como a gente já conhece, ou porque eles pensam em transformar em ponto comercial. E isso, eu acho que tudo dá certo. Inclusive, eu acho que dá um episódio casas do centro. Nossa, tá, tá. Porque são todas iguais, né? Eu acho que aqui no Juazeiro a gente tem uma característica muito...
Corredorzão, né? Corredor, os quartos O banheiro, às vezes no meio ou lá no final A cozinha, a garagem na frente Às vezes o banheiro Os quartos são interligados Essas casas mais antigas, os quartos são interligados E são lotos pequenos, né? Geralmente é 5 por 25 5 por 30, enfim
E aí, porque o pessoal tá cobrando 300, 500 mil reais, às vezes. Meio milhão, gente. Uma casa. Isso. Que não é uma... Que tá imaginando uma casona, né? Não é, gente, não é. Você vai fazer um monte de coisa se você comprar. Sim, com certeza.
E aí, enfim, fui nessa minha busca, né? Até que eu arranjei, vi lá uma casa em frente ao Café Refúgio, né? Que era ali na... que é na Rua da Conceição. E eu não queria qualquer casa. Eu queria uma casa que tivesse as janelinhas altas. Tipo uma varandinha. Meu sonho era aquele tipo de casa. Que linda de conhecer. Eu não queria outro tipo de... E é um tipo assim que é mais difícil de encontrar, né? Eu queria aquele tipo de casa.
Aí liguei pro dono, perguntei quanto era, né? Ele botou 300 mil reais. Aí eu disse, tá bom, obrigada. E desliguei. Enfim, passou o tempo, né? Não consegui o dinheiro, mas eu consegui um doido pra negociar, que era o meu pai. Nossa!
Enfim, acabou que a gente conseguiu chegar na proprietária da casa, através do corretor, né? E teve todo um processo de negociação, então eu consegui comprar por um valor muito abaixo do que tava sendo colocado ali. Não foi de graça, não. Mas razoável, vamos dizer assim, né? Foi só de tirar o corretor da parada, tu já...
A gente teve que pagar o corretor porque ele ajudou aí nesse processo de conversa, né? Mas o paguinho falou bem abaixo do que estava sendo cobrado, né? E também eu tinha a sorte porque era só uma única dona. Os irmãos dela já tinham falecido, então praticamente... Ainda tem isso, né? Porque como são casas de ali, são casas de herança, ainda tem as brigas dos terrenos da família.
Mas enfim, ela também foi uma pessoa muito boa. Desde o início eu disse a ela, minha intenção é preservar a casa. Eu não quero demolir sua casa. Faz toda a diferença. É, só quero preservar, vou reformar. Porque assim, o que acontece também no centro é que muitas vezes a pessoa compra o terreno. Você não tá comprando a casa.
Pra lucrar em cima, né? É, você vai demolir pra construir ou um comércio, ou uma casa nova, enfim. Então, muitas vezes, realmente, você tá comprando só o terreno. Ela diz, ó, eu vou preservar a casa, eu não quero derrubar e tal. Acho que isso tocou um pouco no coração dela.
E acabou que a gente conseguiu fazer a negociação. Mas assim, a casa tava em estado deplorável, né? Inclusive, eu cheguei a fazer no Instagram o ensaio sobre o esquecimento. Que foi um vídeo que bateu mais de um milhão de visualizações. Que eu chamei o Enita, que é uma fotógrafa daqui.
E aí eu disse, ó, eu quero um ensaio da casa do jeito que ela tá hoje. E aí ela fez. E aí realmente a gente mostra as rachaduras, mostra o piso, mostra esse processo de abandono mesmo, né? Esse esquecimento. Inclusive, quando eu quero terminar, eu quero fazer agora um ensaio sobre a vida, né? Que massa. Nossa, vai ser muito lindo. O antes e depois vai ficar tudo. Vai ser muito lindo. Vai, vai. Gente, eu estou sonhando. E nós também, que vai ser muito massa.
tipo assim, tomou uma proporção que eu não imaginava então eu passo na rua e o pessoal eu pergunto, e a casa, né? e aí as vezes eu fico até sem jeito assim, eu disse mulher, eu vou terminar tem que começar a passar o QR Code com toda a chave tipo isso, me ajuda aqui o Esmolinha acompanha pela casa 50 reais pra eu comprar um saco de cimento tipo o berrado assim só que é com saco de cimento e dá soco
Gente, pra quem não sabe, é o Beato que tá falando. É, é o Beato? Ele sempre pede dinheiro, é um Beato franciscano, hein? Ele não pede dinheiro, ele pede 50 reais pra comprar um efeito. Ele pede 50 reais, ele pede 20 pra cima. 50, amiga. E ele ainda é patrocinado. A bata dele tá toda patrocinada.
E aí, eu sou arquiteta, né? Fiz o projeto. Que massa. E aí, eu fiz o projeto pensando realmente como se fosse uma casa. E minha intenção foi... Eu parto da pré-existência da casa, do edifício, né? Então, a minha intenção era...
Intervir o mínimo possível. Tipo, demolir pouquíssimas paredes, né? Mas uma coisa que a gente sofre muito com as casas no centro é ventilação, iluminação. Então eu tentei trazer mais aberturas e criar um jardim, que é uma coisa que a gente também não tem nas áreas do centro. Sim, é verdade. Então eu tentei criar essa ventilação, iluminação, jardim no fundo. Tem uns vídeos lá no Instagram, quem depois quiser ver. Gente, acompanhem que é maravilhoso.
é casa das memórias, Cariri, o Instagram da casa específico, né? E aí eu fui documentando todo esse processo, né? Da casa, da demolição, das intervenções que eu fiz, fui explicando o projeto. Porque assim, a minha intenção também com a casa, para além da construção em si, é mostrar as possibilidades que uma casa antiga ainda tem.
Tipo assim, não é porque Eu comprei uma casa antiga Que eu preciso demolir Eu posso intervir de uma forma Que eu consiga chegar Nas minhas necessidades Mas ainda preservando esse passado É claro que eu sei que Às vezes existem muitas limitações Por exemplo, eu abdiquei de uma garagem Não tenho garagem Até porque o que você já queria de início Que é a varinha Já não é linha Já
Já anula toda a possibilidade de uma garagem, né? E já anula a possibilidade de uma garagem. Mas eu pensei, pô, tem um estacionamento do lado da minha casa, entendeu? Vou ter que pagar talvez ali um estacionamento. Fala com Cecília e fica botando o carro no refúgio lá dentro de noite.
Mas se a vizinha está sendo a mesma, ele vai roubar o contrato, não vai ficar... As pessoas compram apartamento e pagam condomínio, né? Exato, não podem pagar uma mensalidade, uma garagem. Ô, Évila, eu acho muito interessante isso, porque eu acompanhei muito e eu não entendo nada de arquitetura, mas eu amo arquitetura.
E, assim, tudo isso pra mim foi muito legal de acompanhar. Então, eu sigo vários arquitetos, inclusive você, né? Arquitetos aqui do Nordeste mesmo. Arquitetos que falam sobre periferia, sobre cidade. Então, assim, é uma coisa extremamente bacana. Então, é mais um aprendizado. Em conhecer mais. Você falou muito sobre os tijolos. Sobre a questão do piso que você escolheu. Aí tu falou da garagem. Só um parênteses aqui. Uma pergunta aqui pra arquiteto. Tu já viu umas casas ali?
Na rua ali perto... É a rua São José. Perto do antigo. Que tem umas garajinhas embaixo, que é bem baixinha. Tu já viu. Eu acho aquelas casas muito surreais. Que deram um jeito de botar umas garagens.
Numas casinhas de janela. Eu fico até me perguntando como foram essas casas. Mas porque elas são mais antigas, né? Bem antigas. Eu imagino que talvez elas tenham sido algum depósito. Alguma coisa assim. Porque como são casas altas, né? Devia ter algum depósito, alguma coisa. Depois eles foram transformando numa garagem. Realmente assim. Porque pra intervir depois, pra furar. Eu acho bem mais difícil. Então já tinha alguma coisa ali.
Depois foram adaptando. Sim. Ah, eu tava tirando minhas dúvidas. Ali perto do antigo cangaço. Não sei se vocês lembram. Sim, cangaço. Já vi.
que eu já vi. Que ali já foi o Capes também, ali já foi. Ali eu acho que tem uma energia pesadíssima, assim. Nossa, eu achava muito bad vibes. É, apesar de ser um edifício histórico, assim, e lindo, é, mas ele tem uma vibe pesada, assim. Nossa, eu lembro, eu lembro que tinha um corredor lá, que era uma luz meio amarela, avermelhada, que toda vez que eu, e era muito estreito, assim, eu passava ali e ficava...
Pois eu ficava assim muito bem. Não sei se é porque lá foi um CAPS. Eu gosto da energia assim. Do tratamento. Tratamento, saúde mental. Eu tive muitos momentos felizes. Quando eu comecei a postar sobre a casa. Só comentavam. Deve ter fantasma aí.
Não, o povo fala muito disso É bom benzer Comprou os fantasmas Alguém já te assustou, sabe? Mas tu benzeu? Desculpa Mulher ainda não, mas assim Graças a Deus nunca senti nenhuma energia negativa A sua casa é maravilhosa Quando eu fui comprar a mulher Foi muito engraçado A gente foi no cartório fazer a escritura Aí ela sentou assim do meu lado Olha, você não perguntou, mas eu vou lhe dizer Ninguém morreu lá
Pode ficar tranquila, porque ninguém morreu lá. E eu fiquei assim, né? É uma casa super antiga. Ela, ela... E o povo antigamente morria dentro de casa. Exato. Morria e fazia o velório. Porque o velório era na sala da casa. Muita gente ainda faz isso hoje. O povo nascia nas casas. Morria nas casas. É, esqueceu de perguntar se alguém me nasceu lá. É, eu já não sei.
Aí trazia essa questão do fantasma, da botija, inclusive... A botija! Inclusive eu queria muito ter achado a botija. Pra terminar logo a... Teve nenhum sonho não, né, Vila? Pra terminar logo a construção. É, pra terminar logo a construção, é verdade. E aí o povo via a botija e tal, e eu aproveitava e travava uns vídeos, dizendo, ah, eu não achei a botija dessa vez e tal. Mas eu achei muitas... Como se fosse cacimbas. Não é cacimba, né?
Enfim, eram poços realmente assim dentro da casa. Cacimba, o povo chamava cacimba mesmo. Tinha várias cacimbas assim dentro da casa que eu tive que fechar tudinho assim. Inclusive era por isso que tinha uma das paredes cedendo. Nossa. Então tem muito isso nessas casas do Juazeiro também, né? Tem muita cacimba. Tinha muita cacimba nos quintais, né? Antigamente. Eu era muito fascinada por cacimba. Minha mãe morria de medo que eu ia olhar logo, saber o que tinha lá. Naquela casa lá no socorro...
Eu acho muito legal. Que é aquela casa que tem os negócios do Padre Cícero. Que tem uma cacimba lá também, né? Eu acho muito genial aquilo. Sim, cacimba. E tem instinto das casas daqui que a gente tinha. Mas hoje a gente já tem a rede de água e esgoto. Não precisa mais, né?
Mas aí, enfim, continuando, comecei a reforma, fui minha própria cliente, que eu acho que é um processo, assim, importantíssimo na vida de um arquiteto, se eu sou o próprio cliente, porque eu aprendi muito, assim, é muito diferente quando você tá ali num processo de obra e...
E é pra você, né? E é pra você e também os gastos, porque pesa muito no bolso você tá ali e tal e também foi muito legal documentar todo esse processo, sabe? Viver apesar de eu ainda não ter terminado, estou mais próximo do que eu esse ano, se Deus quiser, sai. Tá em quantos por cento assim? Amigo, se nada der errado mais uma...
Eu digo que eu... Deu muito. É. É errado, então. Deu. Assim, não sei, sabe, se era o esperado, porque por ser minha primeira obra, que é minha mesmo, sabe? Que eu não tô ali vivendo. Às vezes acaba com o processo de frustração também ali. É muita energia, gente. Assim, quem já passa por obra, acho que sabe como é. Principalmente quando você não tem aquele recurso pra você tá ali. Ah, não, isso aqui é uma besteira. Às vezes não é uma besteira, sabe? É...
Quantos por cento? Sim, quantos por cento da casa? Eu acho que eu estou em 75%. Ah, boa. Vai ter um grande lançamento. Tem que ter uma entronização também, porque aí já aproveita e já reza. A primeira renovação é a entronização. Aí já traz um padre, aí já depois já traz outro chefe de outra religião também, Benzi também. Tem que cortar, bota um laço, corta. Bota um laço desse tamanho.
Fazer a casa do Papai Noel. Vocês foram pra casa do Papai Noel, né? Ah, que coisa mais linda. Quando era lá na casa dos Bizerra. Nos Bizerra. Nos Bizerra, nos Salários de Bizerra. Não sei se eu vou conseguir, né? Mas vai aqui. Botar um laço lá, tu coloca. Que linda. Que linda. Aí faz um laço assim, vermelho de bolinha. Já faz remeta a benigna. Faz toda coisa assim, abençoada. É, marqueteira. Produção de avetos, meu filho. E aí, tipo, tá faltando o quê?
A fachada da casa. Porque, pra mim, é a parte mais importante. Onde eu não quero que tenha nenhum tipo de erro. Não.
e banheiros, falta terminar, falta todos os móveis também, gente, mas... Alô, Donas Marcas, vamos aí entrar com parcerias. Mas quando me perguntam o que vai ser lá, eu digo, quando ela crescer, ela vai dizer o que ela vai ser, né? Porque assim, eu comecei realmente com a ideia de uma casa, vai ser uma casa, ok.
Só que, tipo assim, foram tomando tantas proporções, tantas possibilidades, que eu já não sei se ela realmente vai ser só uma casa. Minha ideia é que ela seja mais um espaço flexível, que talvez eu consiga fazer eventos, porque hoje também eu já tenho a questão dos eventos. Então ela pode ser... É o carnaval sai de lá, né? É o carnaval. Isso, e a ideia é que seja um espaço flexível e que ele seja muitas coisas, né? Assim que eu possa realmente trazer como espaço de cultura, de arte, mas também de vivência. Então, de encontros...
inclusive quando eu comecei a apostar o povo eu já tô imaginando eu tomando um café nessa varanda pode ser que seja um café ali não, café não, porque é uma concorrencia uma concorrencia muito boa na minha frente, que inclusive também é minha parceira de várias coisas que é o Refúgio Café, né
Que tem uma linguagem também muito parecida com o que eu acredito. Então, hoje a casa aí tá nisso. E realmente foi um processo, assim, muito doloroso. Em alguns pontos. Principalmente na questão financeira, gente. Que não é... Doeu muito. A gente que não é inteiro, né? É um negócio assim...
É sofrido. E mexe com sonhos, né? Mexe com expectativas. E por eu compartilhar, não é só minha expectativa. É a expectativa de outras pessoas. Minha mãe, inclusive, todo dia ela diz, meu sonho é ver tua casa terminada. Aí tu imagina aí, tua mãe tá dizendo isso, eu tô todo dia.
Aí a pessoa fica assim... Mal sabia da pressão que você tá ganhando. É, justamente. Nossa, mas você e todos os seguidores. Mas eu entendo ela, porque realmente é uma coisa que eu compartilhei com as pessoas. Não me arrependo de ter compartilhado. Eu acho que, inclusive, isso me fez ter forças e me anima, assim, pra continuar, pra finalizar, né? Essas pessoas. Tem gente que, tipo, eu acho que faz mais de mês que eu publiquei o último vídeo sobre a casa, né? Que eu tô no processo de pintura.
Eu acho que semana passada uma pessoa comentou, e a casa? Tá ligado? Tipo assim, as pessoas não esquecem. E tem tudo a ver com o público que você construiu, né? Tipo, você ter feito esse trabalho esse tempo todo e agora tá construindo sua casa desse jeito, né? A gente tá acompanhando a casa do centro de Juazeiro. Você desenvolver um relacionamento.
E eu quis sempre ser muito verdadeira também Durante o processo Não quis mentir também Por isso a maior parte das coisas que eu compartilho São as alegrias Mas também acho que é importante compartilhar As frustrações
inclusive, enfim, durante esse processo passei por altos e baixos, mudou um pouco também da minha vida enquanto pessoa, né, o Memórias também foi se transformando, então tudo isso faz parte do processo, e são histórias que eu quero contar quando eu for receber alguém lá na casa, quer dizer, ah, não, isso aqui, é isso aqui mesmo, aí outra coisa que não é, por que que isso aqui? Não, porque deu errado, e isso é o processo, né, também.
Por que tem um piso aqui que é todo lascado? Não, porque eu tirei o piso todinho antigo da casa, o cara passou um mês lixando e botou aqui de novo. Aí eu vi, eu acompanhei. Então isso é um processo, isso é uma história a ser contada. É. Né? É, até meio... Eu tava falando hoje sobre umas coisas que tinham dado errado, aí uma pessoa falou pra mim, e na casa das memórias? Não dá memória.
Boa ou ruim, mas é bem, mano. É, mas enfim, eu acho que falta muito isso também de mim, né, no caso, de entender o processo, entender essa questão, dai, eu quero que esteja pronto, quero que esteja pronto, realmente eu quero. Acho que lá vai ser um centro cultural, né?
E aí perguntaram, tu que tá com aquele casarão? Aí eu disse, não mulher, não casaram não. Casinha? Casarão. Minha casa só tem 4 mais por 25. 4 por 25? Nossa.
Mas é longão, né? É assim... É comprido, é um corredor de aula. É, tipo essas casas do centro... Ela é pequenininha, então, tipo assim, são pequenos espaços e grandes sonhos, sabe? Mas o que a gente vai fazer dá certo. Então, a casa, hoje, ela tem uma sala principal de entrada, que é onde tem as janelinhas, as varandas, aí depois tem um quarto.
Um banheiro. Na verdade, a casa eram três quartos, né? Um seguido do outro, como é aqueles que a gente entra, casa corredor. Aí eu peguei um dos quartos do meio e transformei em dois banheiros, porque a casa só tinha um banheiro bem antigo. Então, aí eu aproveito um desses quartos e transformo em dois banheiros. Então, eu tenho duas suítes, né? Uma cozinha grande, um lavabo e um jardim. Que a parte que eu mais gosto é o jardim. Ai, faz um grande Airbnb.
Olha aí, eu pensei isso no início, a ideia era essa, mas eu acho que eu saio um pouco desse meu papel social também, às vezes, sabe? Então eu vou tentar juntar um pouco de tudo, assim. Vai pensando. Eu tenho inúmeros pensamentos, todo o tempo.
A casa é sua. Acima de tudo, a casa é sua. Às vezes é nossa. Mas chame a gente pra inaugurar. Não, vocês vão ter que ir nos rolês, viu? Tem aí. Eu tô toda pra ir no rolê. Rolês. Casa das Memórias. Carnaval já foram. Sim.
Ah, eu nunca consegui ir. A Nia não foi. Se você conseguir arrastar a Nia para um carnaval, aí realmente esse chagra não vai voar. É, eu ligar que sua casa vai ser o menor do seu desafio. Se a Nia for para o carnaval. Pois ela tem que ir para o carnaval também. E fico convida também para todos os ouvintes, né? Sim. Nossa, gente. Para participarem.
É, Bula, cara, eu acho que é isso. Nossa, assim, fica mais uma vez a recomendação pra todo mundo que tá ouvindo que se não segue ainda o Memórias, siga. E a casa tem um Instagram próprio, né? Tem, tem. É, casa das memórias Cariri. Acho que é casa das memórias underline Cariri. Vocês podem seguir. Mas tá lá na bio, né, do Memórias. E assim, pra além dos Instagrams...
Tem tudo que você faz também que vale muito a pena acompanhar, né? De novo, essa é a Eco Bag, cara. Eu acho... Memo Bag, que ela tem o nome próprio. Tudo eu tento colocar memórias, né? Então é Memo Bag, Memo Casa, Memo Mãe. Memórias de um Carnaval. É, Memórias de um Carnaval, porque acaba sendo... A marca, pô. A marca, né? A tua cachorrinha, eu não sei se ela tá vivo ainda, mas ela chamava Memórias também, não chamava? Não, não.
Não, é Malu, mas eu chamo de Malu Memórias, que é o sobrenome dela. Inclusive, eu fico pensando, será que eu posso depois colocar um filho nos fulano Memórias, entendeu? Porque vai aqui, né? Eu fundo a primeira família Memórias no Juazeiro. É verdade. É possível. Maria Memórias. Maria Memórias.
Enfim, a Memo Bag foi justamente nesse trabalho de trazer essas referências da nossa cultura, principalmente da arquitetura, né? Então foi um trabalho autoral que eu desenvolvi em parceria com o designer Ícaro Landim, né? Que inclusive a gente tem as três bolsas, Kratos, Azeiro e Barbalha, né? E aí todas têm essa mesma linguagem.
E foi um processo muito legal. Icaro também já fez diversos trabalhos pra mim. A identidade do carnaval, a identidade do meu escritório de arquitetura, do Memórias também ele participou. Então, acho que é importante a gente estar dentro dessa mesma linguagem, né?
As memo bags são um sucesso, assim. Inclusive, às vezes as pessoas perguntam, ah, tu tem pra vender? Nem sempre eu tenho. Nem sempre eu tenho. Porque realmente, assim, geralmente eu faço por uma demanda, né? Dos eventos. Ou de alguma ação específica que eu vou fazer. Mas, quem sabe, eu não tenho uma linha aí também de produtos.
ligados à nossa identidade. Memo Store. Ah, Memo Store. Memo Store. Como Memo Design, né? Uma coisa mais, assim, ligada realmente ao Cariri. Porque, assim, apesar da gente ter muito artesanato, muita cultura e tal, falta, às vezes, algum produto diferente, né? Que a gente queira trazer. E eu acho que estão surgindo várias marcas legais também que agora estão...
E é muito legal, é muito presenteável. Isso. O pessoal que vem pra cá... Tu tem que fazer uma linha toda dessa, mulher, agora, na época do pau da bandeira. Tem, já já a gente vai ter pau da bandeira. Pois é. A nossa discussão esse ano tem 30 pessoas na lista, então o cliente vai ter... Não, tem 30 só que tá fechada pro rolê. Do rolê, da discussão. Porque é pra ela só que tá fechada pro rolê. Pois a gente vai ter um... Tem mais gente por fora. Nem o bag.
E barbalha, viu? E é belíssima de barbalha esse ano em curso de bala. Não, gente, todas são belíssimas. A gente tá aqui com a do Crato. Ai, que coisa mais linda, minha gente. Comentem aí, nossa senhora. A gente falou isso em off, né? Mas conta pra mim, é o selo de sucesso que tu percebeu que tá acontecendo com a Recobeg. Sim, é. O selo de sucesso. Eu fui pirateada já, gente.
É, teve uma pirataria lá no Crato, só podia ser no Crato, né? Só no Crato mesmo, né? Que aí, eu não sei como a pessoa fez, não sei. Ela pegou a arte da Memo Bag, do Crato, ela tipo imprimiu num tecido e colou em cima de um Eco Bag e pronto. Ficou diferente da minha, mas era a arte do Memo Bag. Tirou teu arroba? Tirou, tirou meu arroba. É, tirou meu arroba.
Tirou meu arroba assim E só descobriram Inclusive quem descobriu foi meu designer O Ícaro, porque ele tava andando no crato E ele só disse aqui Aí ele perguntou E a mulher disse, não sei o que faço não Enfim, acabei que eu nem fui investigar Muito assim Safado dessa Mas eu fiquei assim, pô Case de sucesso Gente, não compre Inclusive, não procure Então
ela é feia a minha é mais bonita o produto original tem o arroba apoia o produtor local original e comentem aí quem quer produto do memória agora na época do Paulo da Bandeira é providenciar
Você falou que nem sempre produz pra vender, né? Mas quando tem, é pelo Instagram que tu anuncia? Isso, eu vendo pelo Instagram mesmo, lá no Memórias. E geralmente vende bem rápido, assim, porque é produto... São poucas unidades que eu faço, né? Mas é bem legal. Muita gente procura também, principalmente pra presentear. Inclusive, quando eu tenho momentos especiais como esse, eu também uso para presentear.
Gente, mas é lindo Não é lindo normal não, minha gente Olha, o povo do Crato Tem um negocinho do Filhó em São José Tem aquele negocinho Aquele prédio do cassino Tem a Bárbara de Alencar É surreal de bonito É tipo você ver sua cidade ali O Cratinho Sou do Juazeiro, mas é um Cratinho Tá muito bonito, gente
Eu acho que, de novo, assim, eu acho isso incrível que é traduzir numa linguagem de hoje em dia esses elementos da cultura popular, né? E tornar isso acessível e agradável aos olhos, assim, né? Sim. Não é que a gente quer comercializar a nossa cultura, mas eu acho que ter uma identidade visual tão bonita quanto essa, as pessoas se interessam mais, né? E isso é uma coisa muito recente, eu tô meio fascinado por isso.
Não, eu tô muito fascinada. É porque é muito... É muito bom. Eu amo a beleza, assim. Obrigada por formarem, assim, tantos arquitetos massas, juazeirenses, cratenses, designers, porque, assim, essa galera faz um trabalho muito belíssimo aqui. Nossa, tem profissionais muito incríveis, assim, na nossa região. Acho que a gente nem precisa, às vezes, estar procurando coisa fora, né? Inclusive, fico muito chateada quando valorizam os de fora e não valorizam os nossos...
Super. Profissionais daqui, né? Sim. Total. E que é isso? Acho que pra finalizar, além do Memórias, tu falou do teu escritório também. Deixa a rouba do teu escritório também. Vou fazer uma casinha aí. Ela é doutora, doutoranda. Em breve, doutora em arquitetura. Então assim, contrate ela pra fazer a sua casa, seu projeto.
Inclusive, o nome do meu escritório tem relação com o Cariri também, é Araripe Arquitetos, né? Onde a gente traz aí essa identidade do nosso território, do Cariri, pra nosso saber fazer também arquitetura, né? Muito inspirado na nossa região, no nosso clima, na nossa história, cultura também, nas casas históricas, né? Então, a gente tá aí com vários projetos legais, a gente fez o projeto da casa...
do café da estação, na refleta de Juazeiro. Ai, gente, é lindo. Lá é muito lindo. Recentemente, a gente fez o projeto da recepção do BNB, do Juazeiro. Eu vivo tirando foto lá, porque eu amo. Eu vivo tirando as fotos astérix lá, porque eu acho lindo. Ficou muito legal. E são projetos muito importantes pra gente. A gente também tá fazendo algumas casas, né? Enfim, tamo aí nos corres. Sou eu e Arthur, né? Meu companheiro.
É isso, minha gente. Eu tô muito feliz realmente de ter vindo. Foi um papo muito legal, assim. Tô muito feliz porque o Budês também é uma iniciativa caririense, né? De pessoas do Cariri que falam sobre a nossa cultura, falam sobre a nossa história, que estão no corre também, né? Todos os dias, né? Que partiram desse sonho, desse hobby e hoje estão trabalhando com isso, né? E crescendo, trazendo 30 pessoas para o Pau da Bandeira, né? 30 pessoas.
Pra excursão. Só pra excursão. Fora. Aí vocês vão ter que fazer o camarote, né? De vocês depois. Tô brincando. É a camiseta, né? É a camiseta do... O camarote é em cima do pau. Eita.
A gente devia fazer uma camiseta, né? Mas é muito legal. Eu participei de dar uma excursão, né? De uma primeira, assim, que foi mais com a visita técnica, vamos dizer assim. Foi. Foi o projeto do... Foi. Foi. Mas é muito legal. Fico convido para todos conhecerem o Cariri.
Que não são do Cariri Mas venham conhecer o Cariri Quem é do Cariri também, aproveite para conhecer o Cariri Partiu dos rolês Partiu de outras áreas Turiste na sua própria cidade Valorize sua própria cidade Sua própria cultura, sua identidade Porque no final
É o que a gente é, né? A gente não é outra coisa de fora. A gente que constrói essa cidade e essa cultura todos os dias. Se a gente não preserva, não faz aquilo todo dia, vai se apoiar, querendo ou não. Exato. E muito obrigada, minha gente. E vida longa ao Memórias. Vida longa ao Budejo, ao Memórias. A Casa das Memórias. A Casa das Memórias.
Depois tem que ter um episódio Vamos fazer depois um episódio lá na Casa das Memórias Vamos Vamos Vamos botar um estúdio lá Uma coisa que a gente já vai falar Bota um quarto lá, deixa pra tu alugar Pros podcasts regionais e gravarem lá Vou fazer um café pra vocês E a gente vai lá na Casa das Memórias A segunda episódio Então amiga, brigadão Semana que vem estamos de volta Um cheiro Um cheiro
Obrigado.