Você é livre | Aqueldan Feldberg
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- Mulheres na BíbliaMulheres que cantaram, administraram e falaram em nome de Deus · Mulher sábia que negociou paz com Joab · Hulda e a descoberta do livro da lei · Evodia e Sintique, líderes em Filipos · Priscila ensinando Apolo · Mulheres protagonistas e invisibilizadas · Concubina do Levita · Bate-Seba · Tamar · Mulheres no ministério de Jesus · Maria Madalena · Joana, mulher de Cusa · Suzana
- Patriarcado e a realidade das mulheresPatriarcado como ideia mundana, não bíblica · Relação entre abuso e pensamento complementarista · Feminismo como resposta ao erro da igreja · Violência doméstica contra mulheres evangélicas · Abandono de mulheres com câncer por parceiros · Segunda chance para homens presos, não para mulheres · Mulheres não são vistas ou são descartadas se não são úteis
- Interpretação e Gênero na BíbliaDiferenças na relação de homens e mulheres com o texto bíblico · Bíblia escrita, lida e interpretada por homens · Maioria das igrejas e dos fiéis são mulheres · Primeiros 500 anos de cristianismo formados massivamente por mulheres · O que perdemos ao não contar a história das mulheres
- Complementarismo vs. IgualitarismoVisão complementarista: homens como liderança · Visão igualitarista: igualdade e dons não separados por gênero · Submissão mútua nas relações
- Influências externas na teologia cristãComplementarismo e sua ligação com neoplatonismo, budismo e hinduísmo · Hierarquia da criação em outras visões espirituais · Racismo e complementarismo andando de mãos dadas · Denúncias de abuso ligadas ao complementarismo
Esse é o podcast de Edson Munes. As séries que você encontra por aqui fazem parte das mensagens que acontecem todos os sábados em Um Lugar Comunidade, no Teatro UOL, em São Paulo. Venha nos visitar. Será um prazer te receber. Todo mundo é bem-vindo. Para saber mais ao nosso respeito, acesse nosso site www.unlugarcomunidade.com.br Espero que você goste do episódio de hoje.
Quero pedir desculpa a todas as mulheres que descrevi como bonitas. Antes de dizerem inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado como se algo tão simples como aquilo que nasceu com você fosse seu maior orgulho quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante, vou dizer coisas como você é forte ou você é incrível. Não porque eu não te acho bonita, mas porque você é muito mais do que isso.
Esse poema da Rupi, ele fala de uma mulher que fez coisas admiráveis, que tem uma vida muito interessante. O fato não é ser ou não bonita, mas o fato é que essa pessoa tem uma vida muito interessante. Isso me fez pensar se as mulheres da Bíblia de fato eram pessoas interessantes ou tiveram uma vida interessante, ou elas só foram um pano de fundo, um cenário para que a história dos homens fosse contada.
Afinal, quem eram essas mulheres? O que elas fizeram? Na Bíblia, hoje a gente passou por essa série, vocês ouviram, estudaram junto com a gente, o texto bíblico, onde a gente falou de várias histórias, mulheres que cantaram, mulheres que administraram nações, mulheres que falaram em nome de Deus.
Tem uma história que eu gosto bastante, que é uma mulher sábia, ela já é uma mulher mais velha, é uma anciã. E o líder de Davi de guerra, Joab, ele vai para invadir a cidade dela e ela negocia a paz. Ela é a pessoa mais capaz da cidade, ela negocia a paz, ela convence a cidade a entregar o inimigo de Davi, Seba, a Joab. Então eles cortam a cabeça de Seba e jogam pelo muro. História linda, pessoal. Tem Ulda.
O rei Josias, ele através do sacerdote encontra o livro da lei. E agora o que a gente vai fazer? O sacerdote não sabe, o rei não sabe, quem que sabe? Uda. Uda conta pra gente, Uda sabe o que fazer. No Novo Testamento tem várias mulheres, tem Evod e Sinti, que são líderes em Filipos, que trabalham lado a lado com Paulo.
Tem Priscila que fala do evangelho para um dos líderes muito importantes ali, que é Apolo. São mulheres protagonistas, mas parece que a gente sabe muito mais sobre a história de personagens que não são tão importantes masculinos, como Matusalém, por exemplo.
do que pessoas importantes, que são mulheres como Febe, as filhas de Felipe. Tem uma autora, a Lucy Pepeato, ela vai dizer que teve um exercício em sala de aula, que uma docente fez, que ela ficou muito tempo pensando, então esse exercício foi feito...
E na turma ali tinha metade homens e metade mulheres. E o exercício era o seguinte, você deveria escolher um personagem da Bíblia para representar. E ela falou que ela viu que várias mulheres escolheram homens para representar, outras mulheres escolheram mulheres para representar, mas nenhum homem escolheu representar uma mulher. E ela ficou pensando que as leitoras...
Elas têm uma facilidade muito grande de se identificar com a história dos homens, com a sua trama, de entrar na história, de viver aquilo. Já os homens não têm tanta facilidade de se identificar com as histórias femininas. Ela vai dizer que homens e mulheres se relacionam com o texto bíblico, com as histórias narrativas bíblicas de forma diferente. A Bíblia é um livro que foi escrito por homens...
que lido por homens, interpretado por homens, ensinado por homens, se uma mulher vai na igreja, muito provavelmente quem vai estar mediando a palavra ali é um homem. Ao mesmo tempo que a maioria das igrejas cristãs, a maioria é mulheres. É um quadro muito próximo, muito parecido com o que existia na igreja primitiva. O Rodney...
Stark vai dizer que os primeiros 500 anos de cristianismo eram formados massivamente por mulheres. E mulheres que não eram somente mulheres que não tinham tantos recursos, porque a igreja era pobre mulher, ou mulher pobre também. Mas tinham muitas mulheres influentes naquele tempo, que ajudaram com seus recursos a fazer com que o evangelho crescesse.
Diante disso, a gente se pergunta o que nós temos perdido quando a gente decide não contar a história das mulheres ou decide, quem sabe, deixar como se fosse uma nuvem, como se fosse só, enfim, um cenário. Várias mulheres aparecem na história, mas é importante olhar para essas histórias não somente quando elas são ativas ali na narrativa, mas quando elas são invisibilizadas ou quando elas...
são silenciadas. Então a gente vai ter a história, por exemplo, da concubina do Levita em Juízes 19, a gente vai ter a história de Batseba em 2 Samuel capítulo 11, a história de Tamar em 2 Samuel capítulo 13. São histórias dolorosas, histórias de abuso, que mostram como...
a realidade do mundo que abusa as suas mulheres. E isso também vai direcionar a gente para saber qual é a nossa responsabilidade diante de mulheres invisibilizadas, abusadas e esquecidas. O Ministério de Jesus vem apoiado e amparado pelas mulheres. No Evangelho de Lucas, por exemplo, sete mulheres são nomeadas.
Três delas têm voz profética ali, Ana, Maria, Isabel. E outras três são as que têm mais destaque, que acompanham mais Jesus. Maria Madalena. Madalena vem de Migdal, de torre. O nome dela significa torre. Algumas pessoas vão dizer que Madalena é porque ela vinha da cidade de Magdala, mas não existe nenhum manuscrito mencionando, por exemplo, o nome dessa cidade dentro da literatura da época.
Então, muito provavelmente, o nome dela significa torre. E pode ser que Jesus tenha dado esse apelido para ela, assim como Jesus deu o apelido para outros discípulos. Só que ela perde um pouco do destaque, porque a tradição associa Maria Madalena a uma mulher pecadora. Então, alguém que foi tão importante como testemunha da ressurreição de Cristo, ao invés de ela ser conhecida por isso, ela conheceria essa mulher pecadora. Temos outra pessoa importante, que é Joana.
Joana é mulher de Cusa, que era da corte de Herodes. Então, essa mulher era uma mulher rica, uma mulher que tinha bens, fazia parte ali da parte nobre da cidade. Ela era pró-roma e ela deixa todo o luxo, toda a fama, para viver o estilo de vida de Jesus.
E ela vai ser uma das testemunhas ali do túmulo vazio. A gente tem Suzana, que aparece só aqui nessa parte do texto bíblico, mas que acompanhou Jesus durante todo o tempo. O nome dela significa lírio. E ela acompanha Jesus tanto na paixão, morte, ressurreição. Ela está ali com Cristo. E o Evangelho de Lucas fala de muitas outras mulheres.
que aparece meio que um pouco diferente da visão que a gente tem de Jesus e os doze. Na verdade, era Jesus e uma comunidade de pessoas, de homens e mulheres que seguiam Jesus. Essas mulheres seguem Jesus no Evangelho de Lucas, elas estão muito ligadas à cura e à libertação. Jesus e as mulheres estão ligadas a essa definição de cura e libertação.
A tarefa de todo pregador e de toda pessoa que ensina a Bíblia é contar as histórias das mulheres. Contar também da perspectiva das mulheres. Isso é importante não somente para que meninas escutem histórias de outras mulheres, mas para os homens também. Porque os homens têm mães, têm esposa, têm filha.
E quando você começa a enxergar as mulheres do texto bíblico, você começa a enxergar as mulheres ao seu redor. Ao ver como Jesus, como Deus usa as mulheres das histórias da Bíblia, você vai começar a abrir a sua imaginação e a pensar como Deus tem usado elas hoje.
Existe uma visão tradicional dentro do cristianismo que enxerga os homens como uma cabeça, como uma liderança. Essa visão é o complementarismo. Diz que os homens acumulam poder e liderança, enquanto as mulheres não podem exercer essa função. Eles acreditam que isso foi estabelecido por Deus, de acordo com as Escrituras. As mulheres só têm um cargo de liderança quando supervisionado por homens.
Então, líder na sociedade, líder no lar, essa liderança masculina deve ser buscada. Em contrapartida, a gente tem a visão igualitarista. A Janet George vai dizer que a visão igualitarista entende que, através da escritura...
Os crentes em Cristo têm igualdade. Não que todas as pessoas sejam iguais, não que não existam diferenças, mas que todas as pessoas são livres para exercer os seus dons de acordo com o que o Espírito Santo lhes deu. Então, os dons não são separados por gênero. Esses dons aqui são das mulheres, esses aqui são dos homens. E o lar é um lugar de submissão, de revigoramento e de liderança mútuos.
É o que Paulo fala, de serem submissos uns aos outros. É troca, não é uma pessoa fala e agora a outra precisa concordar, precisa obedecer. E a gente tem algumas pessoas que comentam os desdobramentos.
Teologia é importante. O que a Bíblia diz? O que a Bíblia diz é muito importante. Eu gosto muito, dedico a vida fazendo isso. Mas existe, além do que a Bíblia diz, o que o texto da Bíblia diz, também existe o que a ciência da religião, que é um estudo que fala quais são os desobramentos, quais são os efeitos daquilo que você acredita que a Bíblia diz. Tem pessoas que estudam isso. O Alan Mayat.
Ele vai dizer que essa visão complementarista da Bíblia, que enxerga os homens da liderança e as mulheres seguindo os homens, ela não tem a ver com a cosmovisão bíblica. Ela pega emprestada essa visão de outras vertentes, como o neoplatonismo, como outras religiões, como o budismo e como o hinduísmo, por exemplo. Porque você vai ter...
Enfim, em outras visões espirituais, essa visão hierárquica da criação, que você é criado em uma hierarquia, ela é a base, por exemplo, para a reencarnação. Quando você vem ao mundo de novo, você pode encarnar em uma casta e você pode até mudar de nível. Então, eu não vou dizer que isso está mais relacionado também às religiões de matriz africana, porque você vai ter hierarquia das divindades. Então, veja bem.
Toda religião tem as suas riquezas, tem conhecimento, e muitas vezes a troca é boa. Só que no caso dessa troca não foi boa. Essa troca foi uma mistura danosa, que não tem a ver com o que Cristo diz ou com a vida da igreja primitiva, mas tem mais a ver com outras.
Coisas que não têm nada a ver com a escritura. A Christine Dumas, no seu livro Jesus e John Wayne, ela vai dizer assim, não é que todo complementarista, toda essa visão, a pessoa que tem essa visão dos homens na liderança, ele seja racista.
Porém, contudo, racismo e complementarismo andaram de mãos dadas durante a história americana. Então você vai ter ali vários movimentos de segregação racial aliados a essa visão complementarista. E além disso...
A gente vai ter várias denúncias, por exemplo, nesses últimos 20 anos, dos efeitos da visão complementarista. A gente vai ter várias mulheres denunciando o Bill Gotthard pelo instituto que ele fez e começou a pregar esse tipo de mensagem. Então várias mulheres que sofreram...
violência denunciaram. A gente vai ter a Sovereign Grace Ministries, que é uma organização que treinava pastores. Então eles foram denunciados com vários casos de pedofilia, de abuso sexual. Então mais de 700 mulheres nesses últimos 20 anos falam de casos que elas foram vítimas nas igrejas batistas do sul dos Estados Unidos devido a esse tipo de ensinamento.
Jesus fala, né, pelos seus frutos os conhecereis. Então a gente precisa começar a questionar um pouquinho dos frutos desse tipo de teologia. Algumas pessoas vão dizer que a Bíblia tem textos misóginos, que a Bíblia tem textos machistas. Mas eu acredito que muitas vezes a interpretação que é feita desses textos e o jeito que os crentes têm vivido a vida deles é um jeito misógino, não necessariamente o texto bíblico.
Por exemplo, são textos de vícios, tá, pessoal? Não é um contexto normal, mas, por exemplo, contexto de guerra. Não é um negócio ideal, certo? Porque, enfim, Deus nem guerra queria, a gente que foi inventar de seguir a serpente está aqui hoje, mas é um contexto de guerra, pense nisso. É um contexto de guerra. E agora, Deuteronômio capítulo 21 diz assim, se algum de vocês vire entre eles uma mulher bonita, vou ler um verso antes, né?
21, capítulo 10. 21, versículo 10. Quando vocês saírem para fazer guerra, seus inimigos e o Senhor Deus os entregaram nas suas mãos e vocês fizerem prisioneiros de guerra, se algum de vocês vir entre eles uma mulher bonita, gostar dela e quiser tomá-la por esposa,
Deve levá-la para casa, onde ela rapará a cabeça, cortará as unhas e trocará a roupa que estava usando ao ser capturada. Ela permanecerá na casa e ficará de luto pelo pai e pela mãe durante um mês. Depois disso, você pode tomá-la, você será o seu marido.
E ela será sua mulher. E se você não gostar mais dela, deixe que vá embora para onde ela quiser. Você não pode vendê-la por dinheiro, nem maltratá-la porque a humilhou. Então veja bem, esse daqui não é o ideal de Deus.
Porém, contudo, mesmo em meio a ideais que não são os divinos, Deus mostra a sua humanidade pelo meio das frestas da cultura. Porque o que é normal quando tem uma guerra? Até mesmo hoje, essas mulheres que estão na Ucrânia. Se o cara olhar para a mulher que quiser, ele vai e violenta, ele estupra. Mas o que Deus está falando aqui?
Tem as leis da guerra. Capítulo 20 vai dizer assim, a primeira coisa, você chega para uma cidade, você não chega tirando flecha do nada. Você primeiro vai oferecer a paz. A pessoa não quis paz, então tá bom, vai ter guerra. Teve guerra. Você olhou, gostou da mulher. Aí você olha assim, nossa, mas a mulher nem pode escolher. Mas, gente, estou dizendo que é diferente. Nem hoje a gente está podendo escolher muito, mas imagina aquela, não podia escolher.
Não pode. Ele olhou, ele gostou, ele não pode agarrar aquela mulher. Ela precisa, ela é uma mulher bonita. A beleza está muito ligada ao cabelo. Então, sabe aquele cabelo que você, enfim, dentro daquela cultura beleza, está ligado a esse negócio de cabelo? A beleza dela, você vai deixar ela raspar a cabeça.
porque essa mulher está em luto, e você vai ter que esperar 30 dias, porque ela vai chorar a morte dos pais. E depois disso, se você casou com ela, você não gostou dela, você não pode maltratar ela, e você não pode vender. Por quê?
Porque ela não é sua posse, porque ela não é seu objeto, porque ela é um ser humano que tem sentimentos e ela precisa chorar. Os pais que você matou na guerra que você fez. Essa mulher é um indivíduo. Apesar dela não ser mulher do seu povo, eu enxergo essa mulher. Daí você vai dizer assim, tá, mas e cadê o romance? Pessoal, nem hoje tem.
E você, cada um fica com o seu celular se comunicando por grunhidos. Não tem disso, pessoal. Não tem. Então eu sei, eu estou decepcionando vocês. Eu sei que vai ter gente assim, pastora, que triste. Eu acho que tem mais chance para mim se eu me alistar para a guerra, de encontrar meu grande amor. Calma, gente. Calma o meu coração.
Mas então, esses textos a gente vê que existe humanidade, que Deus se importa com a vida de uma mulher que nem é do povo de Israel. Ele se importa com ela, ele enxerga ela e ele fala, você precisa respeitar porque é uma pessoa. Agora vamos ter outros textos. Por exemplo, eu gosto muito de ler sobre vários assuntos, eu gosto de filosofia.
Tem um filósofo que fez um livro, não faz nem 300 anos. Eu falo não faz nem 300 anos, porque a Bíblia faz muitos mais anos do que isso. Mas o Schopenhauer escreveu As Dores do Mundo. E Schopenhauer foi um pensador importante, foi base, por exemplo, para Nietzsche, para outros pensadores. E ele fala nesse livro As Dores do Mundo que...
As mulheres usam um argumento biológico. Ele fala assim, um homem pode fazer vários filhos em um ano, agora a mulher não vai conseguir fazer tantos filhos em um ano. Então, a fidelidade no casamento é algo natural para a mulher e é artificial para os homens. Então, o adultério vai contra a natureza da mulher, mas ele é uma coisa assim mais, enfim...
mas aceitava para o homem. E você pensa assim, nossa, que bom que faz 300 anos e a vida mudou. Mas na verdade não. Porque dentro e fora das igrejas você vai ter um pensamento, por exemplo, de que é a natureza do homem.
Então é porque é o instinto, ele fez isso, ele fez essa loucura, não, porque é o instinto dele. Ele tem desejo, mulher não, mulher não tem desejo de nada. Agora o homem tem desejo, então a vida da igreja fica em cuidar para que o homem não peque, porque o pobre dos homens, culpados são as mulheres, ele tem um Cristo crucificado e crucificou as mulheres, porque é a roupa dela que fez ele pecar, porque ele tem esse instinto. Outro texto de Schopenhauer.
Ele vai dizer assim, que a mulher não foi destinada aos grandes trabalhos intelectuais. Ela vai dizer que elas têm uma razão débil, simulada. Elas são míopes intelectuais. Ele vai dizer que mulheres são crianças grandes. A mulher é um tipo de intermediário entre a criança e o homem. E daí você vai dizer assim, nossa, graças a Deus que isso passou. Mas homens, cristãos e não cristãos, eles se relacionam sexualmente com mulheres.
Mas eles são homoafetivos, eles só admiram outros homens. Você chega para o cara e pergunta assim, me fala aí alguém das artes, alguém de qualquer área que for, qual mulher que você admira? Não admira ninguém, ele só dá crédito, ele só dá valor. A opinião que importa é de todo mundo, menos da mãe, da irmã, da filha. Porque bons mesmo são os amigos dele. É para ele que ele dedica esforço, energia. Agora pergunto, tendo em vista toda essa série que aqui foi feita, o estudo de hoje,
Essa ideia de que homens nasceram para liderar e mulheres nasceram para obedecer é uma ideia bíblica? É uma ideia mundana? Está mais parecido com essas ideias de Schopenhauer do que da Bíblia. Então as pessoas que vêm com essas conversas para você.
não são bíblicas. Então a pessoa que chega assim pra você e fala assim, nossa, mulher tem que ficar calada na igreja. Daí a pessoa usa porque está escrito na Bíblia. A pessoa chega e te dá essa carteirada que está escrito na Bíblia e você vira pra essa pessoa, então, você relembra aquela história que eu falei de segundo Samuel 20, da mulher que cortou a cabeça do homem, e você fala assim, então, eu vou ser bíblica.
Tem a mulher de Juízes, capítulo 9, que é uma mulher que lança uma pedra de moinho na cabeça de Abimelec e racha a cabeça dele no meio. E tem outra história que o pastor Edson já falou aqui, de Yael, que também coloca uma estaca no crânio do homem. Então ela fala assim, as mulheres da Bíblia têm um grande apreço pelo crânio masculino. Você quer que eu seja bíblica?
Porque se você não parar com essa conversa, eu vou rachar isso que você chama de cara para eu usar a mesma hermenêutica. Nós temos que usar a mesma aplicação. As pessoas, elas se incomodam muito quando a gente fala sobre... Quando a gente usa a palavra patriarcado. Porque elas dizem assim, olha, isso daí é o jeito que a...
esquerda usa para difundir a sua ideologia. Mas assim, independente de qualquer espectro político que você resolveu aderir, qualquer um, pode colocar o nome que você quiser. Pode ser liderança hierárquica masculina, esquema pirâmide de Satanás. Qualquer nome que você quiser.
Não dá mais pra você dizer que essa ideia que você tem é um negócio de Deus, porque não é. Do jeito que os ensinos têm sido feitos, a gente está atrelando, a gente está vendo uma relação entre abuso e várias vítimas por causa desse pensamento.
Então, não tem como você dizer que você prega o evangelho se você não pisa na realidade, porque Jesus olhava, enxergava as mulheres, se preocupava com o que está acontecendo. Como você vai pregar a Bíblia se você não vê as pessoas, se você não vê a realidade? A gente liga a TV, só tem notícia ruim de mulher. Acontecendo com mulher. Não existe um desbalanço. Eu não estou dizendo que não existe mulher ruim. Existe. Na Bíblia tinha Herodias. Herodes tem medo de todo mundo. Ele tem medo de... Ele tem medo de todo mundo.
do que o povo vai pensar, do que os líderes amigos dele vão pensar. Herodias não tem medo de ninguém. Ela vai lá e a cabeça de João Batista está numa... Como é que é o nome? Na uma bandeja. Então, tem mulheres terríveis, mas não existe um desbalanço, não existe algo que está acontecendo nas igrejas, na sociedade. Tem crente que a grande luta da vida de alguns crentes é lutar contra o feminismo.
Não, porque o feminismo degrada a mulher. Então, a gente, ao invés de lutar contra o feminismo, seria o seguinte, você vê uma feminista passando na rua, você para aquela feminista e fala assim, perdão, porque uma em cada quatro mulheres sofre violência doméstica no nosso país. E adivinhem, 42% são mulheres evangélicas. Então, nós temos errado. O feminismo existe porque a igreja errou.
Daí precisou de um movimento social para pelo menos garantir alguns dos direitos das mulheres. Mas a vida da mulher da sociedade, ela não é ninguém, ela não é vista. Se ela não é útil, ela é descartada. Então você vai ter, por exemplo, 70% das mulheres que têm algum tipo de problema oncológico, que têm um câncer, elas vão ser abandonadas por seus parceiros. A mulher, em via de regra, a mulher continua cuidando do seu parceiro se ela adoece. Mas se...
É a mulher que fica doente, o homem não fica cuidando dela. Ele abandona. Então, mulher não pode ficar doente, mulher não pode errar. Você passa na frente de um presídio masculino, tem fila de gente lá para visitar a pessoa. Se a mulher é presa...
A sociedade não acredita na mudança, vai largar ela mesmo. O homem tem uma segunda chance, a mulher não tem. Mulher não é vista. Então, a grande coisa, não estou dizendo assim, agora você precisa sair queimando sutiã ou sendo ativista. Eu vejo, por exemplo, os meus pais. Os meus pais nos...
Nem sabe nada de feminismo. Se você chegar para o meu pai e falar assim, Seu Zilton, o que o senhor acha da terceira onda do feminismo? Ele vai dizer, mas o que é, praia? Ele não sabe disso. Mas se você perguntar para ele assim, e Gênesis 1 e como Jesus tratava as mulheres?
Ele sabe, minha mãe sabe, porque eles me criaram para ser livre. Quando eu era criança, eu gostava de brincar de barba e gostava de jogar bola. Meu pai nunca disse para mim assim, olha, não jogue bola, porque jogar bola vai aumentar a sua energia masculina. Ele só falava assim, minha filha, por favor, só não se arrebenta, porque já não existe mais espaço no seu corpo. Teve uma vez que meu pai disse assim, olha, teve uma vez que você gritou por socorro, eu não sabia se eu ria ou se eu te acudia, porque eu comecei a gritar, eu estava pendurada de cabeça para baixo numa árvore pela bermuda.
E meu pai escolheu essa criança. Eu fui uma criança livre. Eu cresci como uma mulher livre. Uma mulher que pode ter opinião, pensar por si mesma e escolher as coisas. Os meus pais não me enxergaram como uma extensão deles mesmos. Eles não teriam decidido algumas coisas.
Eles preferiam outras, mas eles me deixaram ser livre. Então, quando eu decidi fazer o curso de teologia, que é um curso essencialmente masculino, meus pais sentiram medo, porque você vai para um curso para onde, muito provavelmente, você não vai ter emprego depois. Mas eu pude estudar. Quando minha mãe, no meio da graduação, minha mãe teve uma doença autoimune rara, eu pensei em parar o curso.
Quando eu fui na UTI, vim a minha mãe, ela pegou na minha mãe e falou assim, filha, você promete uma coisa para mim? Eu falei, o quê mãe? Você promete que você não vai trancar o seu curso, que você vai até o final? Hoje eu sou feliz, sou feliz aqui. E eu me sinto amada por vocês, eu me sinto ouvida aqui. Eu posso falar no lugar, posso falar de Bíblia, posso viver tudo isso. Porque os meus pais foram até o final comigo. E eles me deixaram escolher. Porque eles entenderam através da escritura que eu sou um indivíduo.
que eu não nasci pra pensar igual, que eu posso pensar diferente, e ainda assim existe amor. Então, hoje, eu sou resultado do esforço e da energia dos meus pais. Eu sei a responsabilidade que eu carrego. Foi o amor deles que me trouxe até aqui. Eles não sabem de feminismo, mas eles sabem como educar uma mulher pra ser livre.
E eles me deram acesso a algo que é vetado às mulheres, que é o conhecimento teológico, que são as línguas bíblicas. Eu morei em Israel. Você imagina para uma mãe ter o seu filho lá na faixa de Gaza, eu não sei como é que o coração deve ficar. Mas eu fui livre para escolher, graças aos meus pais. E eu tenho que te dizer hoje que você, mulher, você é livre. Isso eu acho que uma palavra que poderia resumir essa série inteira para você é se ame, porque Deus te ama muito.
E pra você que é homem, enxergue quem está do seu lado. Valorize quem está do seu lado, ame quem está do seu lado. Trate como igual. As relações muitas vezes são mais jogos de poder do que troca. Então o amor está muito mais ligado com a vontade de Deus. A vontade de Deus nunca foi o patriarcado. A vontade de Deus sempre foi a liberdade, o amor.
E o amor, ele não controla, o amor, ele não abusa, o amor não subjuga, o amor liberta. Senhor Jesus, muito obrigada, Senhor, por todas as coisas maravilhosas que o Senhor tem nos ensinado, que tem nos proporcionado. Obrigada, Senhor, por viver nessa comunidade. Eu sou muito feliz. Sou muito feliz, Senhor, pelas bênçãos que o Senhor me deu através dos meus pais, Senhor. E eu sou muito grata a Ti pelas bênçãos que eu vivo hoje, Senhor, na minha comunidade. Uma comunidade que enxerga as mulheres, que ouve as mulheres.
Eu sei, Senhor, que nesse mundo de tanto mal, às vezes a gente desanima, às vezes a gente acha que não consegue fazer realmente nada. Mas, Senhor, nos ajude a acolher, nos ajude a ouvir, nos ajude a entender mais, Senhor, o lado feminino que dá a nossa comunidade, Senhor. O Senhor nos deu tantas histórias que falam dessas mulheres, o Senhor nos deu tantos exemplos, bons exemplos sobre sabedoria, generosidade, perspicácia, através dessas mulheres. Eles nos ajudem a enxergar...
Essas mesmas histórias de mulheres admiráveis da Bíblia que a gente possa enxergar entre nós, Senhor. Que a gente possa respeitar e valorizar outros de nós aqui. E que homens e mulheres possam conviver em paz. Vivendo através dos dons do Espírito Santo. E usando isso de maneira livre. Que o Senhor nos abençoe. Que o Senhor nos dê capacidade. Que o Senhor nos dê paciência. Que o Senhor incansavelmente continue com o Teu amor sobre nós. É isso que nós te pedimos. Em nome de Jesus. Amém.
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