A Mulher "Virtuosa" | Edson Nunes
REDES SOCIAIS: 📱 INSTAGRAM: / umlugarcomunidade PEDIDOS DE ORAÇÃO: A live de oração acontece todas às terças, às 21H, no nosso Instagram - @umlugarcomunidade COMO CONTRIBUIR FINANCEIRAMENTE? Banco do Brasil Agência: 3039-2 C/C: 24901-7 Pix: pix@umlugarcomunidade.com.br Igreja Um Lugar Comunidade PODCAST: 📱 DEEZER: https://www.deezer.com/br/show/5409607 📱 SPOTIFY: https://anchor.fm/edsonnunes-jr WEBSITES: 📱 Comunidade: https://umlugarcomunidade.com.br E-MAILS ÚTEIS: 📧FALE CONOSCO: contato@umlugarcomunidade.com.br 📧TESOURARIA: tesouraria@umlugarcomunidade.com.br ⛪️Teatro UOL Terraço do Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618.Horário: Sábado às 11:45
Edson Nunes
- Mulher sábia e virtuosaTradução e significado de 'eshet hail' · A mulher como guerreira e poderosa · Independência financeira e administração da casa · O papel do marido e sua estima · Liberdade de ir e vir · Força, dignidade e valores · Metáfora para a sabedoria · Paralelismo com Salmos 111 e 112 · Ambiguidade do texto: metáfora e descrição real · Progressão de solteira para casada · Ausência de conotação sexual e submissão ao marido · Relação com o marido vs. ser mulher · Relação com os filhos · Ensinamento da Torá de Chesed (Lei da Graça)
- Identidade e Valor da Mulher em DeusTaxas de feminicídio no mundo · Reação masculina e ressentimento · A série 'Adolescência' e a machosfera · Documentário sobre a machosfera na Netflix · Machismo, homofobia e teorias da conspiração · A cultura do mundo na igreja · Textos bíblicos sobre feminilidade
- Sexo como construção social e intimidadeMasculinidade tóxica e o 'homem John Wayne' · Jesus como figura de força vs. amor · Construção da feminilidade: boazinha, quietinha, domesticada · Pseudociências: frenologia, darwinismo social, teoria ariana · Eugenia e Nazismo · Feminismo: igualdade e multifacetado · Vitimização e 'mimimi' · Depressão como invenção para controle mental · A Bíblia e a humanidade em Cristo · Igualdade em Cristo: homem, mulher, escravo, livre
- Trabalho social da IgrejaCombate à cultura do mundo na igreja · Homens e mulheres em Cristo · Transformação de violência e opressão em amor · Conserto e transformação do coração · Perdão para mulheres · Música sobre sofrimento e conserto
Esse é o podcast de Edson Munes. As séries que você encontra por aqui fazem parte das mensagens que acontecem todos os sábados em Um Lugar Comunidade, no Teatro UOL, em São Paulo. Venha nos visitar. Será um prazer te receber. Todo mundo é bem-vindo. Para saber mais ao nosso respeito, acesse nosso site www.unlugarcomunidade.com.br Espero que você goste do episódio de hoje.
Bom dia, boa tarde, boa noite para você que está em casa, ou no carro, no trabalho. E bem-vindo a você que está aqui no Teatro All, no Shopping Pátio Genópolis. A gente está na série Feminilidade Bíblica, tratando sobre algumas questões importantes. E quando eu estava montando o calendário das séries desse ano, tinha uma estrutura, tinha todo um caminho.
E obviamente que a gente é impactado pelas coisas que acontecem ao nosso redor. E ano passado foi um ano de diversas notícias muito ruins em relação à vida das mulheres no Brasil. As histórias muito bizarras e a gente era impactado constantemente. E esse ano parece que começou pior, né? Então a série parece que fazia sentido e faz mais sentido ainda. E essa semana eu estava lendo...
uma postagem de um historiador que eu gosto muito, chamado Ibram Kendi, um historiador norte-americano que fala sobre a história do racismo. E ele falou um dado, ele apresentou algumas ideias que eu não sabia, falando que as taxas de feminicídio cresceram no mundo todo.
Não foi só no Brasil, a gente acha que as coisas ruins estão acontecendo só aqui. Mas ele colocou que as taxas de feminicídio cresceram no mundo todo, em números alarmantes. E ele apresentou um dos motivos disso estar acontecendo, a concepção dele, mas eu achei muito interessante. Ele disse que esse aumento tem a ver com uma reação masculina.
no que essa galera chama de guerra contra os homens. Nas pesquisas dele, ele identificou que os homens sentem que a sociedade está numa guerra, numa cruzada contra eles. Então, todos esses movimentos de direitos humanos das mulheres, desde a década de 60 e 70, mais recentemente as denúncias do Me Too e tal, isso transformou muitos homens em poços de ressentimento.
Então eles entendem que há uma guerra sendo travada contra eles Pelas mulheres, pela sociedade e assim por diante É muito interessante que uma série que fez muito sucesso recentemente Todos vocês devem ter ouvido falar A série Adolescência
retrata um pouquinho de uma influência que esse universo da machosfera, dessa comunidade que se chama Red Pill, e se chama Red Pill justamente pelo filme Matrix, que tem duas pílulas, uma azul e uma vermelha, e uma das pílulas mostra a realidade que está oculta por trás dos olhos. Então é meio que uma teoria da conspiração de que existe uma guerra oculta sendo travada nos bastidores contra os homens.
E recentemente, eu não sei há quanto tempo exatamente, mas eu assisti essa semana para preparar esse sermão, lançaram um documentário na Netflix sobre a machosfera. Eu não sei quem já assistiu, mas é bem assustador. Se você tiver estômago, assista.
É bem assustador você ver algumas coisas interessantes que você imagina na sua cabeça, mas que as pessoas falam realmente abertamente sobre isso. E aí você percebe que esse machismo não caminha sozinho. Esse machismo caminha junto com homofobia, ele caminha junto com teorias da conspiração das mais diversas, caminha junto com antissemitismo, com racismo e assim por diante. Essa ideia...
Ideia de que existe uma guerra entre homens e mulheres e tal, caminha junto com todo esse pacote maravilhoso de ideologias que a gente vê por aí. E, obviamente, o que a gente faz? Como é que a gente reage? A reação, obviamente, é a gente estudar a Bíblia, porque essa cultura, e eu vou usar uma expressão que quem é de igreja, raiz, vai entender, essa cultura do mundo.
Entrou na igreja. Não só entrou na igreja, como fez uma morada na igreja permanente. E aí a nossa teologia começou a caminhar junto com a cultura do mundo. Então, esses conceitos de masculinidade e feminidade foram trazidos para dentro da Bíblia e para dentro das nossas igrejas.
Como é que a gente reage? Voltando para a Bíblia. E é isso que a gente fez nessa série. No primeiro episódio, a gente falou dos textos de Gênesis, tão importantes para combater essa ideia. Depois a gente falou dos textos de Paulo, também extremamente importantes para combater essa ideia. Depois a gente viu uma série de textos do Novo Testamento, do Antigo Testamento, mulheres das mais diversas, como elas aparecem, como elas não aparecem. E a gente retratou tudo isso. E hoje a gente vai falar de mais um texto.
que talvez seja uma das cerejas do bolo, porque é difícil a gente pegar uma cereja do bolo. E esse texto está lá em Provérbios, no capítulo 31. Então, se você tem a sua Bíblia, pode abrir em Provérbios, capítulo 31. É o último texto de Provérbios, é o texto que fecha o livro de Provérbios, é um texto muito famoso, muito conhecido. Capítulo 31, a partir do verso 10.
E eu vou ler para vocês o texto, diz assim Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede de finas joias O seu coração, o coração do seu marido, confia nela E não haverá falta de ganho Ele lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida
Ela lhe faz bem e não mal todos os dias da sua vida. Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. É como um navio mercante, de longe traz o seu pão. Ainda à noite ela já se levanta e dá mantimento à sua casa, à tarefa, às suas servas. Ela examina uma propriedade e adquire. Planta uma vinha com a renda do seu trabalho. Singe os lombos com força e fortalece os seus braços.
Ela percebe que o seu ganho é bom, a sua lâmpada não se apaga de noite, estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. Abre a mão aos aflitos e ainda estende aos necessitados. Quanto à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. Faz para si cobertas, veste-se de linha e de púrpura, seu marido estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra. Ela faz roupas de linha e o fino e as vende.
Ela fornece cintas aos comerciantes, a força e a dignidade são seus vestidos, e quanto ao dia de amanhã não tem preocupações. Fala com sabedoria e a instrução da bondade está na sua língua. Cuida do bom andamento da casa e não come o pão da preguiça. Seus filhos se levantam e a chamam de bem-aventurada. Seu marido a louva, dizendo, muitas mulheres são virtuosas no que fazem, mas você supera todas elas.
Verso 30, enganosa é a graça e vã formosura, mas a mulher que teme ao Senhor será louvada. Dê a ela o fruto de suas mãos e que de público as suas obras a louvem. Esse é um texto muito famoso, muito conhecido. A tradição judaica é extremamente importante dentro do relacionamento no lar.
E aqui a gente tem um problema muito clássico, que é um problema de tradução. A gente conhece esse texto como a mulher virtuosa. Mulher virtuosa, uma ideia de uma virtude. Só que a expressão, no hebraico, eshet, hail, eshet é mulher, e hail é um termo que aparece com uso militar.
Ao longo de vários textos na Bíblia, aparece com uso militar. É a expressão que é traduzida quando homens são adjetivados com essa palavra. É uma expressão que é traduzida como poderoso, valente.
Mas quando é mulher é virtuosa Ou seja, é uma expressão que aparece para descrever homens que vão para a batalha Que são poderosos, que são valentes, que são corajosos Mas quando é usado para traduzir a mulher, essa expressão miraculosamente vira virtuosa Ou seja, o impacto da palavra é totalmente perdido no que o texto está querendo dizer O texto começa declarando que essa mulher tem uma força e um poder militar Obrigado
E quando a gente lê o verso 17, que a gente lê, diz assim, singe os lombos com a força. Essa expressão, singir o lombo, tem a ver com sair para a guerra. Ou seja, essa mulher, ela não é uma guerreira naquele sentido metafórico, ah, você é uma guerreira. Ela é literalmente uma mulher poderosa e valente, ela é corajosa. Ela está preparada para toda e qualquer guerra.
Ela não é uma donzela frágil que usa vestidos longos e caminha como uma camponesa indefesa pelos pastos por aí. Geralmente com decotes, né? Porque os homens gostam de retratar assim as camponesas, né? Ai, as flores do jardim estão lindas e tal. Não. Essa é uma mulher que sai pra guerra, meu amigo. Ela tá singida. Ela tá preparada. Ela é raíl. Ela é forte.
Ela é valente. E quando o texto continua descrevendo essa mulher, é muito interessante que vai dizer assim, ela compra, ela vende, ela é mercadora, ela não tem submissão financeira. Que virou, inclusive, um negócio muito interessante na machosfera.
que os caras falam com certo orgulho, que eu acho maravilhoso esse orgulho, eu não troco fralda do meu filho, eu não sei o pediatra dele, o telefone, eu não sei nada dos meus filhos, mas a minha mulher não sabe quanto gasta nessa casa, quanto é uma fralda, porque eu comando as finanças, porque isso é o papel de um homem, é um papel bíblico.
E aqui em Provérbios 31, essa mulher sabe tudo. Ela vende, ela compra, e o que o marido dela faz? Se reúne com os amigos. Na porta da cidade para bater papo e falar da vida dos outros. Eu estou exagerando, mas ele está julgando. Ele faz parte do juízo da cidade. Mas ele está lá sentado e ela está fazendo tudo. E é interessante que o texto diz assim.
Que foi um verso que a gente leu O seu marido é estimado entre o juiz E o texto ele deixa subentendido Que essa estima que ele tem Essa moral que ele tem com os outros É por causa dela, do que ela faz Porque ela faz um monte de coisa E ela não está restrita a uma esfera doméstica Aqui em Provérbios 31 Ela está em tudo Ela está fora de casa, ela está dentro de casa Ela participa de um monte de coisas
faz um monte de coisas, não tem submissão da parte financeira, pelo contrário, é ela que administra as finanças da casa, é ela que manda na casa no sentido de no geral. Aqui é o marido que não sabe o que tem, o que não tem, que não sabe o quanto ganha, o quanto custa, porque é ela que faz tudo, ela não está restrita. E outra, ela é livre para ir e vir. Não é o marido que decide o que ela vai fazer e o que ela não vai fazer.
É ela que faz. Ela sai e faz. Ela não precisa de autorização para sair, para voltar, para entrar. Ela é livre para viver a vida dela plenamente, fazendo 300 mil coisas ao mesmo tempo.
E é óbvio que quando é para falar da mulher em casa, recatada, eles adoram usar esse verso aqui, que diz assim, a força e a dignidade são seus vestidos. Não, está vendo? A mulher não está preocupada com vaidade da aparência e etc. Ela está preocupada com valores. Uma mulher feminina, biblicamente, é uma mulher preocupada com valores, não em mostrar o seu corpo.
Essa mesma galera vai falar da aparência das mulheres o tempo todo. Mas isso é um parênteses. Voltando. É o que me irrita, mas enfim, isso é uma outra parada. Eu fico nervoso.
Mas aqui eles usam esse verso para falar da humildade, da pureza. São mulheres púdicas. Elas estão preocupadas não com aparência, mas com valores. Mas aí quando você usa para falar, mas essa mulher aqui de Provérbios 31, ela compra, ela vem. Não, não, mas veja bem. Esse texto, isso vocês vão ler em vários lugares, inclusive nos comentários do recorte do Instagram.
Ah não, mas esse texto é um poema metafórico sobre a sabedoria. É verdade. A sabedoria em provérbios, no livro todo, ela é uma metáfora da mulher. A mulher é usada como uma metáfora da sabedoria, na verdade. Porque a palavra sabedoria é uma palavra feminina. Hormá. Então, em diversos momentos, a mulher realmente vai parecer...
como uma metáfora para a sabedoria. E quando você vai comparar, principalmente provérbios 1 a 9, com provérbios 31, capítulos 1 a 9, depois provérbios 31, 10 a 31, você vai perceber que existem pontos de contato mesmo, é real. Então, por exemplo, a sabedoria, em provérbios 3, 15, ela está adornada de joias. Em provérbios 8, do verso 18 até o 21, ela tem joias também, as joias são parte desse adorno da sabedoria.
E aí em Provérbios 31, já no verso 10, diz que a mulher virtuosa, a mulher poderosa, ela está vestida de joias, está adornada com joias. Então tem esse paralelo. Você tem outro paralelo que é justamente essa imagem de que a sabedoria está personificada e de que ela faz muitas coisas. Muitas coisas. Ela é multivalorosa, ela está em diversos segmentos. Realmente você tem esses pontos de contato.
Em especial quando você considera a abertura do livro de Provérbios, capítulo 1, no verso 7, que diz que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria. E aí você considera a Provérbios 31, o último verso que a gente lê, o penúltimo verso, que diz que a mulher é aquela que teme ao Senhor. Então todos os estudiosos vão dizer assim, ah, isso daqui é um paralelismo moldura, ou seja, uma inclusão. Começa falando do temor do Senhor e termina falando do temor do Senhor.
Então, aqui, nitidamente, a mulher é metafórica, é uma metáfora para a sabedoria. Beleza, isso é real. Só que você tem outros pontos para considerar. Por exemplo...
Quando você lê Provérbios 8 e 9, principalmente, quando vai falar da sabedoria, você percebe nitidamente uma tonalidade meio hiperbólica. A sabedoria estava com Deus no princípio de todas as coisas. A sabedoria não sei o que lá, tal, tal. E aí você tem várias, vamos dizer assim, vai um temperinho, né? Você tem um temperinho hiperbólico em Provérbios 8 e 9 que você não tem em Provérbios 31. E além disso, a linguagem de Provérbios 31, do verso 10 até o 31, lembra muito e aí você tem um temperinho.
a linguagem do Salmo 111, no finalzinho, o último verso do Salmo 111, e do Salmo 112, que vem na sequência, que fala do homem que teme ao Senhor. E esse homem que teme ao Senhor, lá em Provérbios 112, é muito parecido com a mulher que teme ao Senhor, de Provérbios 31. Ou seja, o passo que você tem realmente ligações que parecem indicar que é um poema metafórico...
Você também tem ligações que fazem esse poema não ser metafórico. E é por isso que a esmagadora maioria dos bons estudiosos de provérbios vão dizer o quê? O texto é ambíguo. Ele é ambíguo por um motivo. As duas coisas são possíveis. As duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo. É uma metáfora para a sabedoria, mas ao mesmo tempo é uma descrição da mulher. Que mulher? Qualquer mulher.
Tem um autor, que é esse trecho do comentário dele de Provérbios 31, é fenomenal, que é Thomas MacRish, ele diz assim, de Provérbios 1 a 9, é uma mulher, barra sabedoria, que ainda é solteira, e está em busca de um relacionamento. Então ela oferece o valor dela, as joias, as coisas que ela tem a oferecer para as pessoas, para ver quem vai querer. E em Provérbios 31, é essa mulher já casada.
Ou seja, é como se houvesse uma progressão do que é sabedoria e do que é mulher no início do livro de provérbios e isso fosse caminhando até o final. Está entendendo? Ao invés de ser apenas uma moldura, é uma progressão que começa e culmina. E aí vem um detalhe que eu queria apontar para vocês.
O primeiro, que é parte do que me irrita muito. Em Provérbios 31, não existe uma linha dessa mulher poderosa servindo ao marido sexualmente.
Não tem nenhuma linha, não há nenhuma tonalidade sexual em Provérbios 31. Então esse discurso da feminilidade bíblica, entre aspas, de que a mulher precisa estar em casa e servir sexualmente ao seu marido, porque afinal de contas, se ela não servir, ele vai sair e vai arranjar outras, porque ele é homem, homens são assim. E a gente vai chegar nesse ponto, isso não aparece em Provérbios 31. Outro detalhe, segundo aspecto, interessante.
Infelizmente, muitas vezes, numa leitura de teologia feminista, vai ser muito pontuado que ela está sempre aqui nesse poema em relação ao marido. E aí você tem também um paralelismo moldura, ou seja, começa e termina da mesma maneira.
Falando disso, no verso 11 diz que o coração do seu marido confia nela. E lá no finalzinho, verso 11 é no início, e lá no finalzinho diz que o marido, no verso 28, o marido a louva. Então começa dizendo que o marido confia e termina dizendo que o marido louva. Aí vão dizer assim, está vendo? Essa é uma mulher ainda oprimida, porque tudo que ela é em relação ao marido. Primeiro detalhe.
Primeiro detalhe, aqui nesse Provérbios 31, o marido é dela, não o contrário. Então sempre é seu marido, o que é uma inversão clássica do que aparece em vários outros momentos na Bíblia. Ou seja, só essa ideia de ser seu marido já é um texto bem progressista em relação ao resto de várias literaturas. O segundo ponto que eu gosto de apontar, ficou bom, né?
É que antes de falar do marido, o texto fala no verso 10, mulher virtuosa quem achará, o seu valor recebe o de finas joias. E no verso 29, depois de falar que o marido a louva, diz que a mulher virtuosa faz tudo.
E aquela mulher supera todas as coisas. Você supera todas as mulheres virtuosas, todas as mulheres poderosas. Ou seja, o verso 11 e o verso 28 falam da mulher em relação ao marido. Mas o verso 10 e o verso 29 falam dela somente como mulher, não como esposa. Ou seja...
A relação dela com o marido é parte do que ela é, não é ela toda. Estão entendendo? A relação dela com o marido é parte do que ela é, não é ela toda. Inclusive, a relação dela com os filhos aparece em um verso. A relação dela com o marido em três versos e a relação dela com os filhos em um verso. Ou seja, esse é um poema que fala de todas as possibilidades de existência de uma mulher.
Ela enquanto mulher, mulher. Ela enquanto esposa e ela enquanto mãe. Ou seja, isso é um texto que inclui, que engloba tudo que a mulher... A mulher é mais do que apenas esposa. Ela é mais do que apenas mãe. Ela é mulher. E como mulher, ela pode ser esposa. E como mulher, ela pode ser mãe. E como mulher, ela pode comprar e vender. Ela pode ser CEO.
E como mulher, ela pode ser professora, porque esse é o último detalhe que eu quero apontar para vocês. No verso 26 diz, ela fala com sabedoria e a instrução da bondade está na sua língua. Sabe qual a expressão aqui para a instrução da bondade? Em hebraico é Torat Chesed. Torat está num construto, um substantivo construto.
De Torá. Torá é o quê? Vocês sabem? Lei. É a lei da graça. A lei da graça, Torá, Tchésed. A lei da graça, a lei da misericórdia, a lei do amor. Está onde? Na língua dela. E ela ensina. Ela ensina. E aqui nesse verso não está dizendo que ela ensina em casa. Não está dizendo que ela ensina só para os filhos. Não está dizendo que ela ensina só na escolinha sabatina ou na escolinha dominical. Está dizendo simplesmente que ela ensina.
Estão entendendo? Ela ensina o que? A Torá da Graça. Ela ensina a lei. Ela ensina a religião. Ela ensina sobre Deus. Para quem? Para quem quiser ouvir. Para quem quiser ouvir. Essa é a feminilidade bíblica. E entender essa feminilidade bíblica é extremamente importante para a gente entender as nossas relações e a sociedade na qual a gente vive. Porque a gente foi ensinado.
A ser homem e a ser mulher. Óbvio que ser homem e ser mulher tem o ingrediente biológico, tem o ingrediente químico, mas tem uma tremenda parte que é o ingrediente social. É o que a gente aprendeu. E vocês que cresceram em igreja foram ensinados a ser homens e mulheres de certo jeito. E a gente não aprendeu só na igreja, a gente aprendeu com os nossos coleguinhas na escola, a gente aprendeu nos filmes, a gente aprendeu a construir o que é ser homem e o que é ser mulher.
E o que é ser homem e ser mulher vai mudando. Vai mudando por quê? Porque a sociedade vai mudando. Durante a pandemia,
Dois livros foram lançados. O primeiro em 2020 e o segundo em 2021. Em 2020 foi lançado um livro de uma historiadora chamada Christine Dumas. Ela lançou Jesus and John Wayne, que já está traduzido para o português Jesus e John Wayne, publicado pela Thomas Nelson. E nesse livro ela fala do que é a masculinidade tóxica.
Uma masculinidade que, segundo ela, ela vai mostrando documentos e histórias, etc. Como essa masculinidade sempre existiu, mas parece que depois da Segunda Guerra ela aflorou. O homem é o forte. O homem é o John Wayne. É o cara que mata todo mundo, é o provedor, é o cara que é o herói, é o cara que é o provedor, é o cara que é forte, etc. Esse é o homem. Esse é o homem. E Jesus? Ah, Jesus com esse papo de amar todo mundo. Amor.
Jesus é muito florido, ele parece um hipster, um cara lá, um hippie, um riponga e tal. Não, Jesus agora não vai ser o cara do amor, ele vai ser o cara da espada. É o cara da espada, é o cara da guerra, é o cara da força. Porque o Jesus dos evangelhos é muito frágil, mas o Jesus de apocalipse é o cara que vem, mata todo mundo e destrói todo mundo. Ele tem uma espada, a língua dele é uma espada.
Jesus e John Wayne. E em 2021 foi lançado um outro livro de uma outra historiadora, Beth Allison Barr, A Construção da Feminilidade Bíblica, que também já está traduzido em português, também lançado pela Thomas Nelson. E nesse livro ela vai mostrar como a feminilidade foi construída. A mulher tem que ser boazinha, quietinha, não pode falar. Ela tem que ser domesticada.
Ela não pode pregar, ela não pode trabalhar fora de casa, ela tem que ser mamãezinha, ela tem que fazer crochê, pintar os livrinhos e tal, porque afinal de contas ela não tem, né? Muita inteligência, muita perspicácia, ela só é boa praquilo.
Vamos restringir. E se você ouviu o discurso da galera da feminilidade bíblica e da masculinidade bíblica, você vai perceber que tem uma mistureba muito interessante de algumas pseudociências. Por exemplo, frenologia. Negócio de medir cronometria, negócio de medir cérebro. Já viram isso daí?
Não, o tamanho do cérebro do homem é maior que o tamanho do cérebro da mulher e por isso o homem tem isso, isso, isso, porque o cérebro... Está vendo? Ciência. Só que é uma pseudociência. Não sei se vocês sabem disso. Outra pseudociência, Darwinismo social.
que é uma corrupção da teoria de Darwin. Os homens são mesmo mais fortes que as mulheres, e por isso é que eles mandam. E é isso, um homem historicamente tem várias mulheres, então a monogamia é um conceito ultrapassado para os homens, porque tem muita virilidade, ele tem que extravasar essa virilidade. Por isso, se a esposa não dá para ele, ele tem que sair para pegar mesmo. Um darwinismo social adaptado, corruptela.
Tem uma teoria ariana também adaptada. O homem é o eleito de Deus. Ele é superior, ele é o sacerdote de todas as coisas. Então ele tem características mais importantes do que a mulher. Ele é mais santo, ele é mais puro. E o pecado original está aí para provar isso daí. Quando você vai espremendo o suco dessa machosfera, dessas teorias... ...
de que os homens são assim, as mulheres são assados, isso está na Bíblia. Você vai percebendo esses ingredientes interessantíssimos, fenologia, darwinismo social, teorias arianas adaptadas, teorias da conspiração várias, e você vai falando assim, nossa, tem um déjà vu aqui, eu já ouvi isso em algum lugar, parece que tem a ver com um negócio chamado eugenia.
Que existem diferenças de raça, existem raças que são superiores e raças que são inferiores. Porque a eugenia bebeu de todas essas fontes. E onde é que a eugenia termina? Qual a expressão máxima dessa pseudociência que é a eugenia que bebe dessas outras pseudociências? No nazismo. Quando você assiste essa galera, a Red Pill, essa machosfera, você pode ter certeza que todas essas pseudociências vão aparecer em algum momento.
Elas estão lá. E você está consumindo sem perceber. E aí junto com o seu... Ah, eu sou assim, né? O Poliana, né? Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vou morrer... Não, Gabriela, né? Desculpa. Poliana é o jogo do contente. Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vou morrer assim. Tem todas essas pseudociências juntas. E aí junto com o seu machismo, é esse feminismo, o feminismo é o ódio aos homens, o feminismo é o que lá. Tem algumas correntes, o feminismo não é um bloco monolítico.
Não é uma coisa só, é multifacetado. E, obviamente, tem coisas que a gente não concorda. Eu não concordo. Mas a essência da igualdade está lá. E é importantíssimo. Mas quando você combate isso, aí junto com isso vem esse negócio de... Esses homens que ficam se vitimando. Ai, os pretos se vitimizam tanto. Pô, já passou. A escravidão já acabou. A gente não tem culpa. Negócio de mimimi. Ah, não sei se vocês sabem. Esse foi um negócio que eu fiquei assustado.
Eu não sabia Nesse movimento Red Pill e... Aliás, curiosíssimo Esse movimento Red Pill da machosfera Depressão não existe Depressão é uma invenção do governo, dos poderosos Para controlar as nossas mentes
Então, você fazer terapia não existe Não existe O que é extremamente interessante Explica muito do porquê a mente das pessoas Está tão bagunçada Se você não faz terapia Você veio de um lar destruído Você teve uma família complexa, uma vida complicada E não faz terapia Você vai direcionar os seus problemas para um lugar E onde é que é esse lugar? As mulheres
Os pretos, os gays, os pobres, os que se vitimizam e assim por diante. E como é que a gente combate isso? Como eu falei, o que é o homem na Bíblia? O que é a mulher na Bíblia? E quando você vai estudar os homens da Bíblia, como é que eles são?
Cada um é de um jeito. Tem o que fala, tem o que é calado, tem o que é da casa, tem o que é caçador, tem o que é poeta, tem o que vive reclamando, ah, Senhor, está todo mundo contra mim, escreveu milhares de salmos desse jeito. Estão todos contra mim, estou me sentindo injustiçado e perseguido. Tem o que não liga pra nada, tem o violento, tem o bonzinho, tem todo tipo de homem na Bíblia. Os bons e os ruins, e obviamente a maior parte deles é tudo misturado.
E as mulheres? Como a gente viu até hoje, a mesma coisa. Porque a Bíblia não constrói uma ideia de masculinidade e a Bíblia não constrói uma ideia de feminilidade. A Bíblia fala de humanidade e o exemplo máximo é Jesus Cristo. E uma pincelada, Gálatas capítulo 3.
No reino de Deus, no reino do Messias de Cristo, não existe homem e mulher. Não existe escravo e livre. E a gente vai falar a próxima série exatamente sobre Gálatas. A gente vai estudar Gálatas e Efésios na sequência. Porque a Bíblia fala de uma humanidade. E essa humanidade se resume em Cristo Jesus. Ele é um modelo. O Cristo Jesus dos Evangelhos. Que ensina a gente a como viver mais parecido com Ele.
Nós precisamos deixar de ser uma igreja adoecida porque a sociedade está adoecida. Com ideias 100% equivocadas e pseudo-científicas do que é ser homem e do que é ser mulher. E parar de trazer, desculpem o termo, essa imbecilidade para dentro da igreja. Parar de trazer esses conceitos completamente equivocados para dentro da igreja. E entender que aqui nós somos um em Cristo. E você que é homem, pense.
Reflita. O problema é seu. De verdade. E você que é mulher, perdão. A gente manda mal pra caramba. A gente erra completamente. E nossos pais erraram. E nossos avós erraram. E os avós, os avós, o bisavô, o tataravô. E assim por diante, vocês entenderam onde a gente chega. Erramos. Erramos feio. E não tem como a gente consertar. Porque todos nós precisamos ser consertados. Todos nós precisamos ser transformados.
Especialmente nós homens. Especialmente nós homens nesse assunto. E você, mulher, que chora, que sofre, que tem a sua voz restringida, as suas ações restringidas, que é julgada pelo que você veste, pelo que você fala, por como você se comporta, parece que as coisas não estão funcionando e não estão mesmo. Está piorando. Mas a gente precisa construir um espaço, esse espaço.
uma comunidade de fé, uma comunidade religiosa, em que, vou usar de novo, a cultura do mundo não entre. Que aqui seja realmente um espaço de segurança para todos nós. A gente vai terminar com uma música, que é uma música que fala um pouco desse sofrimento.
Diz assim, quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso. Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa. Quando você sente, você se sente tão cansado, mas não consegue dormir. Parece que as coisas todas estão prendendo a gente em marcha ré. E as lágrimas vêm escorrendo pelo seu rosto. Quando você perde algo que não pode substituir. Quando você ama alguém, mas é em vão. O que pode ser pior?
Nada, né? Então as luzes vão guiar você até o caminho em casa. E vão aquecer os seus ossos. E a gente vai ser consertado. Você vai ser consertado. Eu vou consertar você. Que essa seja uma oração pra gente. Pra que Deus conserte o nosso coração como homens.
que Deus conserte o nosso coração, ou melhor, console o nosso coração como mulheres. Eterno nosso Pai e nosso Rei, Senhor, não é fácil a gente ser confrontado com o que a gente pensa, com o que a gente construiu a nossa vida toda, com o que a gente aprendeu de gerações anteriores.
Não é fácil a gente ser confrontado com as nossas limitações. Mas, Senhor, o Evangelho é pra isso. É pra transformar a nossa violência, transformar a nossa opressão em amor. Por isso, Senhor, o nosso pedido hoje é que o Senhor conserte o nosso coração. Que o Senhor transforme o nosso coração. Que como homens a gente entenda os erros que a gente tem cometido historicamente. Que como mulheres, Senhor, a gente tenha a capacidade de começar a construir perdão. É o que a gente implora em nome de Cristo. Amém.
Obrigada por ter ouvido até aqui. Se você gostou, seria muito pedir que avaliasse esse podcast. Isso é importante para a distribuição do conteúdo. Caso queira contribuir financeiramente, nosso Pix é pix.com.br. Somos muito gratos pela contribuição, seja ela qual for. Esses recursos mantêm nosso trabalho.
Ah, você nos encontra nas principais plataformas e redes sociais. É só procurar por um lugar comunidade.