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Os dividendos dos acionistas estrangeiros no PSI e a taxa sobre lucros extra na energia

08 de maio de 202612min
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A guerra no Médio Oriente fez disparar os custos da energia e, com eles, os potenciais ganhos das empresas do setor. Portugal quer avançar com uma taxa sobre os lucros extraordinários depois de Bruxelas ter aberto a porta a esse cenário. Trata-se da recuperação do imposto adicional criado depois da invasão russa da Ucrânia, e que entretanto já terminou sem que se conheça a respetiva receita fiscal. Neste episódio explicamos o que está em causa. Na segunda parte analisamos os dividendos dos acionistas estrangeiros das empresas do PSI. Com Diogo Mendo Fernandes e Patrícia Vicente Rua numa edição de Hugo Neutel.
Participantes neste episódio3
H

Hugo Neutel

HostCoordenador de Empresas
D

Diogo Mendo Fernandes

ConvidadoJornalista
P

Patrícia Vicente Rua

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Resultados Financeiros de Empresas de EnergiaRecuperação de imposto adicional · Definição de lucros excessivos · Empresas de energia e distribuição alimentar · Arrecadação de receita
  • Investimento de capital externoValorização do PSI · Principais acionistas estrangeiros (Angola, China, EUA) · Participações relevantes (BCP, Galp, EDP, REN) · Investimento da China Tree Gorgeous na EDP · Fundos internacionais (BlackRock, Vanguard, Norges Bank) · Acionistas portugueses (famílias, OptiMise)
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Bem-vindos à Soma dos Dias, um podcast do Negócios. Eu sou o Hugo Neutel. Neste episódio, o regresso à taxa extraordinária sobre o setor da energia. Depois, os dividendos de mil milhões de euros e os acionistas estrangeiros vão receber de empresas do PSI. Comigo está a Patrícia Vicente Rua e o Diogo Mendo Fernandes. Esta é a Soma dos Dias.

É um efeito da guerra no Médio Oriente e um dos mais sentidos por empresas e famílias em Portugal e de resto por toda a Europa e por todo o mundo. Bruxelas quer certificar-se que as empresas do setor da energia não ficam a lucrar com a situação e por isso...

quer avançar com uma taxa sobre os lucros extraordinários. Portugal já disse que vai avançar. Na verdade, é a recuperação de um imposto adicional que já foi utilizado na sequência da guerra na Ucrânia e cujo resultado, em termos de receita, nunca foi divulgado. Comigo está a Patrícia Vicente Rua, que acompanha temas de energia. Olá, Patrícia. Qual é o ponto da situação em relação a este tema? O que é que já se sabe sobre esta taxa?

Olá, Hugo. O que se sabe é muito pouco ainda. Sabe-se que o Ministro das Finanças disse recentemente em Bruxelas que quer recuperar esta taxa. Aliás, ele tinha escrito à Comissão Europeia, juntamente com outros colegas das finanças de outros países, outros quatro países para além de Portugal, querem recuperar esta taxa, uma taxa que não é nova para Portugal. Já a conhecemos em 2022 e como tu referiste na sequência.

da guerra da Ucrânia, portanto, da invasão da Ucrânia pela Rússia, os preços da energia dispararam, a inflação também tocou máximos e naquela altura o governo de António Costa resolveu aplicar esta taxa, uma taxa de 33%.

que na altura foi aplicada às empresas de energia, nomeadamente nos combustíveis, empresas que atuavam nesta área, mas não só, também às empresas da grande distribuição alimentar. Como referiste, os valores em termos de arrecadação de receita ficaram muito aquém daquilo que era esperado. Na altura, o governo de António Costa estimava alguns entre 50 e 100 milhões de euros, o que se sabe.

é que em termos de a grande distribuição alimentar pagou cerca de 8 milhões de euros. A Galp, das empresas de energia, foi aquela que pagou cerca de 32 milhões de euros em Portugal e em Espanha. Eles não divulgaram os números desagregados. Mas isto foi naquela altura.

Para já ainda não temos muitas novidades, ainda não se sabe, são mais as perguntas do que as respostas em relação a esta taxa. O ministro disse que vai avançar, vai propor ao Parlamento esta nova taxa, mas vamos aguardar por mais pormenores por parte das finanças. Não sabemos ainda se só se aplica ao setor da energia, se vai para além disso e o valor será novamente os 33%. E o dinheiro é o dinheiro.

aplicados naquela altura no governo de António Costa, será uma taxa diferente, temos que aguardar por mais por menos. Sendo que, nesse processo, a Galp contestou sempre a existência desta taxa, como seria de resto de esperar, as empresas de energia criticaram sempre a existência desta taxa. Agora, no centro da discussão está este conceito de lucros excessivos. Afinal, como é que se define o que é que são lucros excessivos?

Na altura, o que foi definido eram lucros que eram 20% acima da média dos lucros dos últimos quatro anos, por isso é que foram aplicadas, neste caso, à Galp e também a algumas das empresas de grande distribuição, nomeadamente à Sonaia e também à Jerónimo Martins, mas era sobretudo este valor que era de 20% acima da média dos lucros dos quatro anos anteriores.

Volto a referir, nós não sabemos pormenores desta nova taxa, não sabemos se vai ser na mesma dimensão da outra, a única coisa que posso dizer é que naquela altura foram estas as justificações para esta taxa e a mecânica desta taxa era assim.

Sendo que é obviamente uma questão polémica porque as empresas podem sempre argumentar que um aumento de lucros não se deve a esse fator, pode dever-se a outros. E portanto é difícil distinguir quando há um aumento de lucros o que é que se deve a uma situação, o que é que se deve a outros fatores que nada têm a ver com ela. Agora, o que te pergunto é quais são os próximos passos, o que é que vai acontecer?

O que esperamos que aconteça é que, de facto, o Ministro das Finanças defina rapidamente o que é que quer, que taxa é esta, de quanto, o que é que quer e a que empresas e setores é que vai ser aplicada. Temos, como já disse, muitas perguntas, são mais perguntas do que respostas nesta altura.

Cá estaremos para fazer essas mesmas perguntas e para esperar pelas respostas do Governo sobre esta matéria. Obrigado, Patrícia. Patrícia Vicente Rua e a taxa sobre os lucros extraordinários na energia e agora os dividendos dos acionistas estrangeiros em empresas do PSI.

Os investidores estrangeiros em empresas portuguesas cotadas vão encaixar mais de mil milhões de euros em dividendos. O principal índice da Bolsa Nacional disparou quase 30% em 2025. Foi a maior valorização desde 2009. As cotadas do PSI e do PSI geral vão distribuir mais de 3 mil milhões de euros aos acionistas e cerca de um terço vai para investidores estrangeiros. Comigo está o jornalista Diogo Mendo Fernandes, que analisou este tema, passou-o à lupa. Diogo, viva!

Angola e China surgem sem surpresa no topo desta lista. Sem surpresa nenhuma, são grandes acionistas, principalmente de duas grandes empresas, aqui o BCP e a Galpa em grande destaque no caso de Angola, através da Sonangol, mantém as suas posições no caso da Galpa, até através de uma intermediária da Amorim Energia, mas têm os dois a receber cerca de 59%, 60% dos dividendos que vão para os estrangeiros.

Uma fatia muito significativa, só para as pessoas terem uma noção, falamos de 633 milhões de euros que vão para esses dois países. E depois a China, aqui já com mais posições, também na EDP, na REN, aqui na Motengil também com um valor mais pequeno, mas também a arrecadar aqui uma grande fatia. Deixa-me só ressalvar que estes números nós temos em conta apenas participações superiores a 2%. Os relevantes. Exatamente. Os fundos divulgam à Bloomberg, às vezes, alguns dados que estão abaixo de 1% ou mesmo até acima de 1%.

mas por questões de, até porque essas posições podem ser vendidas ou compradas de um dia para o outro, mas para questões de análise usamos a fasquia dos 2%, então é uma fatia muito significativa que vai aqui para Angola e China, e depois também aqui grande parte vai para os Estados Unidos, para os grandes fundos, que já falámos a seguir, como a BlackRock e a Vanguard, mas aqui a China e a Angola a levarem uma fatia muito significativa.

Os acionistas chineses, de resto, já desde há vários anos que têm posições relevantes em várias empresas em Portugal, incluindo também no setor da banca, claro, com a posição da FOS1 no BCP, que vamos ver o que é que lhe acontece nos próximos tempos. Mas existe essa posição fortíssima. No caso ainda dos acionistas chineses de OGA, a questão específica da China Free Gorgeous e da posição que tem na EDP, fala-me disso.

Exatamente, foi uma posição que foi inicialmente em maio de 2022, em 2012 aliás, na altura do processo de privatização da empresa, em que foram investidos cerca de 2 mil e qualquer coisa mil milhões, agora não tem aqui o valor certo comigo, mas desde 2012, com aumentos de capital e com reforços, foram investidos 2,8 mil milhões de euros. Nós basicamente pegámos nestas contas e vimos quais é que foram os dividendos que a EDP foi pagando desde essa altura.

Portanto, a conta que fazemos é, em 2027, a EDP terá pago só em dividendos todo o valor que a CTG, a Shana Tree Gorgeous, investiu ao longo dos últimos anos na EDP. Isto deixa de fora, obviamente, a valorização muito expressiva das ações. Para termos uma ideia, o market cap, ou seja, a valorização da EDP em 2012 rondava os 9, qualquer coisa mil milhões, agora são 19 mil milhões. Portanto, também tem esse ganho.

Obviamente, só ganhará esse dinheiro quando retirar a mais-valia, mas até lá tem os dividendos que para o ano deverá chegar a esse fula. Para isso, basta apenas que a EDP pague um dividendo, algo altamente provável, tendo em conta que a empresa tem mantido uma remuneração, até tem vindo a aumentar pelo menos desde 1997, e depois que pague acima dos 12 cêntimos por ação. Este ano, só para termos uma ideia, são 20,5 cêntimos, ou seja, a probabilidade é muito alta de que isso venha a acontecer. Seria preciso uma grande redução.

na remuneração acionista para vir para baixo dos 12 cêntimos. Exatamente, há resultados muito negativos para que isso não acontecesse. Portanto, tudo se encaminha para que só através de dividendos a China Tree Gorgies consiga recuperar aquilo de dinheiro. Um investimento muito bem feito. Vamos ver, Diogo, ligando à primeira parte do nosso podcast, se a taxa sobre os lucros extraordinários de energia não vai acabar por estragar a festa.

Agora, diz-me uma coisa, Diogo. Também há, apesar de tudo, outros casos relevantes sem ser destas duas geografias.

Ah, sim, principalmente dos fundos internacionais norte-americanos, que já te tinha falado. Por exemplo, temos aqui uma tendência interessante, que é o Norgers Bank, que é tipicamente um grande acionista da Bolsa de Lisboa. Por exemplo, em 2023 tinha muitas participações, era o maior fundo internacional com participações na Bolsa, mas, interessante, já se desfez de grande parte dessas participações.

Ou seja, nós fazendo esta análise dos dividendos que ficam cá e que vão para fora, o que se nota mais este ano de diferente face aos anos anteriores é que as pequenas participações de fundos internacionais que havia em empresas de pequena dimensão, aqui falo por exemplo das papeleiras, diminuíram e portanto o valor que vai para fora, no caso do Noges Bank, só tem a participação na EDP, creio que ronda os 5% e portanto é um valor ainda bastante expressivo de 48 milhões de euros.

mas no caso de outros fundos, são menos os fundos que vão levar dinheiro das cotadas do PSI. Por exemplo, temos aqui em grande destaque sempre a BlackRock, que continua a ser uma pequena acionista de várias grandes cotadas da Bolsa de Lisboa, a BCP, a EDP, a Galpys, a Jornal e a Martins, ainda leva mais de 100 milhões de euros para casa, e depois também a Vanguard, que tem vindo aqui a aumentar algumas posições que tem mantido nas cotadas do PSI, aqui nas grandes cotadas, mas também com grande destaque aqui para os CTT e para a REN.

que remuneram menos, mas compõem também esse bolo de cerca de 50 milhões. Ou seja, no fundo é possível dividirmos isto entre acionistas angolanos, chineses, que têm as maiores participações, norte-americanos, e depois o resto dividido entre as famílias da Bolsa e os restantes acionistas, que nunca sabemos se são nacionais ou não, não temos forma de dividir, mas esse...

Ou seja, essa porcentagem do valor que vai para fora é mais baixa, mas como o montante total a distribuir é mais alto, vai mais para fora do que comparado ao ano passado. Também fica cá mais para as grandes famílias da Bolsa, que também arrecadam um valor bastante significativo, de cerca de 750 milhões, não chega aos tais mil, ou seja, vão mais para fora do que fica por cá, mas apesar disso ainda são valores significativos. E para terminar, Diogo, neste quadro, Portugal, no sentido de acionistas portugueses, há alguma coisa relevante a assinalar?

Sim, temos as famílias da Bolsa e temos também, há aqui um facto curioso, que é há uma gestora de fundos portugueses, a OptiMise, que aparece este ano como recebendo um valor até bastante significativo, devido às participações que foram acumulando, creio eu, numa ou duas cotadas. Por cá, pelas famílias, ficam 755 milhões de euros, é cerca de 24%.

do total. É um valor que tem vindo a crescer, também fruto de aumentos de dividendos por parte das cotadas e aqui com grande destaque sempre para as maiores empresas. No caso da EDP não tem famílias, mas temos, por exemplo, a Galp com um valor muito significativo, a Corticeira Amorim, CTT, ou seja, outras grandes empresas que os principais acionistas são portugueses e também o caso das empresas do Psi Geral.

estão a remunerar os acionistas, são a maior parte das vezes também portugueses, e portanto também recebem por essa via. Cá continuaremos a acompanhar esse tema. Obrigado Diogo, Diogo Mendo Fernandes, e os dividendos dos acionistas estrangeiros das empresas do PSIA. Se terminamos mais um episódio da Soma dos Dias, marcamos encontros para de hoje a oito, porque há sempre histórias para contar. Obrigado por ouvir. Até lá.

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