EP146 - A Maioria das Pessoas Nunca Se Torna Quem É - Nuno Michaels
Nuno Michaels é uma das maiores referências em Portugal nas áreas da consciência, astrologia e desenvolvimento humano, reconhecido pelo seu trabalho como educador, autor, astrólogo e intuitivo.
Nesta conversa, falámos sobre o vazio que nasce quando nos afastamos de quem somos, sobre a identidade que construímos para sobreviver, a mente, a sombra, o sofrimento, o despertar e a coragem necessária para nos tornarmos verdadeiramente nós.
Será que somos livres nas nossas escolhas?
O que acontece quando ignoramos a nossa verdade?
E quantas pessoas passam uma vida inteira sem nunca se conhecerem realmente?
Uma conversa intensa, profunda e desconfortavelmente honesta sobre consciência, propósito, ilusão, destino e transformação.
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- Consciência e a atualização do potencialConsciência como possibilidade de tomar consciência · O Sol como símbolo do espírito na astrologia · Ascendente como veículo para o espírito · A importância do coração como GPS
- Propósito e vidaA vida pergunta o seu sentido a nós · Ser derrotado por coisas maiores · Eu sou eu e a minha circunstância · Conflitos como convites à evolução
- Construção da CoragemCoragem de desautorizar consciências exteriores · Fidelidade ao coração, mesmo sem razão lógica · Coragem como expressão do amor e liberdade · Astrologia e a energia de Carneiro
- Desconexão existencial e perda de motivaçãoO vazio como pecado e ausência de potencial · A individuação como tarefa humana · Projeções no mundo exterior
- Conhecimento e AprendizadoConhecimento como análise do particular · Compreensão como experiência do todo · A vacuidade na física quântica e no budismo · A importância de manter as perguntas
- Relações humanas e inteligência artificialIA como oportunidade de autoconhecimento · Diferença entre intelecto e intuição · Chat GPT como interlocutor
- Desenvolvimento Humano e EducacaoFalta de encorajamento ao autoconhecimento · Instrução versus educação · O equívoco capitalista e consumista · Ser humano versus peça de engrenagem
- O livro das 144 coragensFragmentação das coragens por signo · Astrologia como linguagem simbólica
- Aceitação do inevitávelLivre-arbítrio como fazer de bom grado o que deve ser feito · A obediência ao exterior versus ao coração · Ser autoridade sobre a própria vida · Formas de prostituição social
A segunda coragem é a coragem de sermos fiéis ao nosso coração, ao nosso delicado, louco, inconsequente, arriscado, improvável, inquieto coração.
principalmente quando não há nenhuma razão lógica para o fazer, principalmente quando não há nenhuma probabilidade de que segui-lo vai dar bom, porque no final do dia, quando nós já temos a cabeça na almofada, nós temos um encontro do qual não podemos escapar, que é com a nossa própria consciência.
E quando eu deito a cabeça na almofada, Deus sabe as noites que eu sofri por não ter sido capaz de fazer isto, que é, hoje vivi totalmente fiel à minha consciência e não deixei de ser fiel à minha consciência por medo de consequências ou de revisões. Porque quando há medo, não há liberdade. E a liberdade é uma expressão do amor. E para este amor é preciso coragem.
Olá a todos, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Somos Infinitos. O meu nome é Nuro Palma e hoje eu tenho aqui comigo o Nuno Michaels. Ele é astrólogo, faz este ano 26 anos, não é? Faz este mês 26 anos. Este mês e este ano, evidentemente. Claro.
Mas o facto de Nuno ser astrólogo, eu acho que talvez seja só uma das linguagens que ele utiliza para investigar algo muito maior, que é a essência do ser humano. Ele, mais do que um especialista, é um aprendiz, é um observador da psique, dos padrões de consciência e das contradições que todos carregamos. Bem-vindo, Nuno!
Obrigado, Nura, obrigado por me receberes e obrigado por essa apresentação incrível. Nada, nada. Pela inspiração que tiveste ao pôr a coisa dessa maneira. É assim que eu te vejo. Sim, porque se me tivesses perguntado como é que eu me apresentaria, eu diria provavelmente como aprendiste ser humano. É sério? Acho a ressonância incrível. Uau! Obrigado por isso, sim. É assim que eu te vejo. Se eu olhar para ti, se eu olhar para a tua criança...
Eu vejo assim um rapaz curioso pelo mundo, com muita sede de explorar, descobrir, e também muito ligado ao divino, é assim que eu vejo, portanto. Portanto, sei que esta conversa será certamente muito interessante. Vamos a isso. É um prazer estar aqui, Nur. Que bom. Olha, eu ouvi a Algures uma frase que tu referenciaste a um autor que gostas muito, que é o Dan... Dan... Agora não me lembro.
Mas eu vou dizer a frase. A frase é Quando não te cumpres, quando não te individualizas, se não te tornas a pessoa que nasceste para ser, então no lugar onde deverias estar a irradiar luz, instala-se um vazio como um buraco negro.
Isso é uma paráfrase de um astrólogo, daquele que foi o pai, o fundador da chamada astrologia humanista, moderna, transpessoal, psicológica, um homem chamado Dane Rudyard. É isso mesmo. Dane Rudyard. Dane Rudyard. Conhecido como o pai da astrologia moderna. Exatamente. Pronto, esta frase chamou-me imensa atenção. E eu queria começar por te perguntar, este vazio, este buraco negro, como é que este vazio se manifesta na vida das pessoas?
Gosto das tuas perguntas, vamos a isso. Vamos a isso. E estás-me a ver a pensar nas coisas em direto, não é? Claro, claro. Então, que me perguntas, eu não venho com respostas ensaiadas, nem com uma mensagem engatilhada. Como é que se manifesta este vazio? Este vazio. Eu vou dizer como pecado e ausência.
Pecado no sentido em que etimologicamente pecado significa ficarmos aquém. Ficarmos aquém do alvo, ficarmos aquém do ideal, ficarmos aquém de nós próprios. O sentido etimológico radical da palavra pecare é ficarmos aquém. Eu poderia ter acertado no bull's eye, epá, e falhei por três centímetros. Fiquei ao lado, fiquei aquém. Então, por um lado, como pecado neste sentido.
Por outro lado, como ausência. Ausência de quê? Vamos ser líricos. Ausência da realização do meu próprio potencial. Aquilo que eu poderia ter me tornado. Aquilo que eu poderia ter descoberto. O que eu poderia ter criado. O que eu poderia ter...
libertado, o que eu poderia ter escolhido, o que eu poderia ter honrado de mim próprio, os sims que eu poderia ter dado, os nãos que eu deveria ter dado. Então, a ausência vou dizer em termos do que poderia ser se, eventualmente, tivesse corrido o risco da grande aventura.
a que o Jung chamava a individuação. Ele dizia, a tua grande responsabilidade na vida é tornar-te quem nasceste para ser. O maior desafio do ser humano é o processo da sua própria individualização, que significa reconhecer e atualizar a sua própria inteireza. Não digo a sua perfeição, digo a sua inteireza. A integração do ser, não é?
Na verdade, o Jung dizia que havia duas grandes tarefas para o ser humano, já porque é sobre isto que estamos a falar e vem a propósito. O Jung dizia que uma das nossas principais tarefas era a da individuação, que era tornarmos quem nascemos para ser. E os astrólogos têm, em particular, um planeta.
que associam a este processo muito direto e muito especificamente. Esse planeta é Urano, o planeta que rege aquário, associado à era do aquário, ao aquário onde Plutão entrou agora, eventualmente falaremos sobre isso. Urano mudou de sigo há meia dúzia de dias para uma passagem de sete anos num sigo novo. Podemos falar sobre isso, o processo de individuação. O Jung dizia que essa era uma das duas principais tarefas do ser humano e, se calhar, uma das suas maiores aventuras.
E a outra, isto é super interessante, já que estamos a gravar isto num dia de lua cheia, e lua cheia com a lua a passar em escorpião, que é o signo de intensidade, profundidade, sombras, partes desconfortáveis, negritudes, abismos, ele dizia que a nossa segunda grande aventura proposta ou tarefa...
é retirarmos as nossas próprias projeções do mundo. Retirarmos do mundo o que nós próprios projetamos nele. Quer dizer, tudo aquilo que nós assumimos, percebemos que o mundo é como as coisas são, como as pessoas são.
o que posso esperar, o que é a vida, o que é a verdade, o que é o bem, o que é o certo, o que é o correto. Nós podemos dizer que muito disto são as nossas próprias crenças projetadas. Tu és especialista em falar sobre isto, tens episódios e episódios em que falas sobre isto. Sim, sim.
Portanto, retirar do exterior, retirar do mundo, retirar de cima dos outros as nossas próprias projeções, que é como quem diz, reconhecer que sombras nossas, que inconsciência nossa, estamos nós a projetar no exterior e a confundir a nossa própria perceção do exterior com...
o exterior, tivesse o exterior uma existência independente de quem o percepciona, não é? Como na física se chama isto o princípio da incerteza do Heisenberg. Quer dizer, eu nunca vou ter a certeza se na minha ausência como cientista ou como experimentador...
aquilo que há a ser experimentado ou observado seria igual. O facto de eu estar a participar na experiência implica necessariamente que a experiência é a experiência que é para mim. Mas eu não saberia como é que ela seria se eu não estivesse. A experiência só existe como experiência para mim. Isto depois também desemboca nas noções de fenómeno do canto, não é? Mas isto levar-nos a ir muito longe. Antes de irmos por aí, Nuno, o que é que nós precisamos ter coragem de fazer?
para começar esse processo de individuação ou seja, esta consciência de que o mundo é uma projeção nossa e que os outros não existem fora de nós só dentro de nós o que é que nós precisamos ter coragem de fazer para de facto
não criarmos esse buraco negro não sei, mas posso partilhar contigo as minhas respostas espontâneas quando ouço a tua pergunta e o que é que observo brotar dentro de mim como resposta imediata, instintiva e é do momento se calhar daqui a 5 minutos pergunteis uma mesma coisa e vai ter a tua resposta
A mais genuína e a mais honesta é eu não sei e não reclamo saber. Agora, posso partilhar contigo os meus preconceitos, a minha miopia e aquilo que se me apresenta dentro de mim, porque mais uma vez é de mim que se trata, não é? Porque eu não sei a verdade, eu só sei o que é que se move dentro de mim perante um estímulo exterior. E eu diria, aquilo que nós precisamos ter coragem de fazer, eu diria que são duas coisas. Uma é ter a coragem de...
ir além da educação.
da socialização, da programação, da aprovação, do consenso, da pertença, do reconhecimento e do conjunto de regras exteriores ou das expectativas exteriores que nos digam o que é que e como é que eu devo ser no que é que devo tornar-me. Primeira coisa é ter a coragem de desautorizar.
consciências exteriores ou alheias, de serem a consciência que dita a minha vida. Esta é a primeira coragem. A segunda coragem, e a palavra é muito boa, Nur, a segunda coragem é a coragem de sermos fiéis ao nosso coração, ao nosso delicado, louco, inconsequente, arriscado, improvável.
inquieto, coração, principalmente quando não há nenhuma razão lógica para o fazer, principalmente quando não há nenhuma probabilidade de que segui-lo vai dar bom, como dizem os brasileiros, porque nós temos medo que dê ruim, não é? Portanto, a segunda grande coragem, é interessante falar nisso por uma outra razão.
a segunda coragem é a coragem de sermos fiéis ao nosso próprio coração, porque no final do dia, quando nós já temos a cabeça na almofada...
nós temos um encontro do qual não podemos escapar, que é com a nossa própria consciência. E quando eu deito a cabeça na almofada, Deus sabe as noites que eu sofri por não ter sido capaz de fazer isto, que é, hoje vivi totalmente fiel à minha consciência e não deixei de ser fiel à minha consciência por medo de consequências ou de repisálias. Porque onde há medo, não há liberdade.
e a liberdade é uma expressão do amor e para este amor é preciso coragem, a razão pelo que desculpa, eu sou mesmo assim quando se abrem canais aqui isto começa a desfiar e eu vou permitir que a coisa flua obrigado por isso e pelo suporte que dás enquanto eu ponho aqui fora
A terceira razão para eu ter falado de, epá, que interessante e que oportuno e que chave o termo específico dos astas, da coragem, por este motivo, astrologicamente.
Um dos ingredientes ou uma das danças que cartografa os tempos em que vivemos, astrologicamente, é o trânsito simultâneo de dois planetas pelo signo de carneiro, que é o signo de coragem, de aventura, de recomeços, de correr riscos e termos a coragem de vivermos à nossa própria maneira e de nos atirarmos para abrir espaços onde espaços antes não havia. Ou seja, sermos inovadores, pioneiros, arriscados, ousados.
e uma das forças desta energia de carneiro.
É aquilo a que eu chamo o dom da coragem. Coragem está intrinsecamente e até etimologicamente ligada com a ideia de coração. Coragem vem de cor. Por exemplo, em latim, diz-se abimocore do fundo do meu coração. Core, coragem. Portanto, coragem é o coração. É o coração do leão. É permitir que o coração... Que seja o nosso GPS, que seja o nosso guia, que seja o nosso rei, que seja o nosso briefing. Seria tão bom que a nossa personalidade é o nosso.
regularmente fosse encostar o seu ouvido ao nosso próprio coração a perguntar o que é que precisas e queres agora? De modo a que eu possa acomodar a vidinha na 3D.
para ir acomodando e transformando e transfigurando, foi o que aconteceu ao Senhor Jesus na cruz, enquanto se transformava no Cristo, a transfiguração, para que eu, vida prática, para que eu, personalidade, nas minhas escolhas, nas minhas decisões, nas minhas ações, na maneira como penso, como comunico, como raciono, como toco, como olho, como beijo, como crio, como é que eu posso ir, tornando esta vida prática,
A tradução da tua vontade, Rei Coração, Dar forma ao nosso mundo. Coração e a coragem de viver de tantas maneiras, fiéis a isto que vem de dentro. De tal maneira que eu comecei muito recentemente a trabalhar num projeto de um livro. Eu tenho vários livros que estão a ser escritos aqui no ETA. Eu ia-te perguntar...
Tenho vários livros escritos em processo, pelo menos desde 2008, que tenho algumas coisas em processo, metade no computador, metade ainda no hétero, outra metade no canal quando isto estiver pronto para ser trazido cá para baixo. Mas comecei muito recentemente a trabalhar num novo conceito e numa nova ideia para um livro.
que genericamente se chama o livro das coragens e que é muito destinado a estes tempos, a estes tempos, porque a ideia é nós todos temos que viver a partir de um lugar de coragem e se nós pensamos que, por exemplo, o simbolismo astrológico, que é uma das minhas paixões, é a astrologia, o simbolismo astrológico é advenhar personalidades, não perder o futuro.
O simbolismo, eu adoro pensar arquitipicamente e simbolicamente, filosoficamente, e a astrologia ajuda-me a fazer isso como nenhuma outra linguagem. Claro. Pronto. E porque uma das minhas referências à astrologia, e a astrologia codifica todas as energias de vida em 12 signos, ou 12 grandes arquétipos, cada um destes arquétipos refere-se, eu vou dizer, a uma das grandes dimensões do espírito humano.
Então, assim, por exemplo, carneiro seria a coragem de viver, touro a capacidade de sustentarmos a nossa própria vida, gémeos a capacidade de aprender com o que se passa à nossa volta, caranguejo a arte de aprendermos a viver dentro de nós próprios para não sermos, como dito, sem abrigos energéticos.
Leão como o dom da autenticidade e da criatividade, virgem como a humildade nos aperfeiçoarmos, etc, etc, etc. Então o que eu fiz na minha mente foi, bom, nós temos doce signos, estes doce signos significam doce coragens, mas não é verdade. Cada um destes signos significam várias coragens. Assim, por exemplo, o carneiro, a coragem de começar de novo.
Carneiro, a coragem de começar sem saber para onde. A coragem de começar sem ter mapa. A coragem de avançar sem saber para onde se está a ir. Porque tu podes fragmentar em várias coragens. Então, de repente, fiz contas e pensei, bom, 12 signos, para cada signo, eu elencar, e é fácil, e é pouco, e é curto, e é pobre, 12 coragens, já temos 144 coragens. Então, provisoriamente...
é um dos meus projetos, não é? um dos meus muitos projetos é o livro das 144 coragens, são doce coragens para cada um dos doce signos do Zodíaco Nuno, porquê que achas que nós então eu diria, eu falo por experiência ou enquanto leiga, mas olho para a vida e pela experiência de vida, olho à minha volta eu diria que a maior parte das pessoas não têm coragem de engostar o seu ouvido ou o seu coração então
E tornar o seu coração seu próprio GPS. Porquê? Porquê tanto medo? Eu não sei se é... Eu entendo o que dizes e concordo. Mas eu não estou certo que o mais importante aqui seja a dimensão da coragem de o fazer. Eu acho que tem mais a ver com duas ou uma única coisa. Que são a cultura.
a educação, os referenciais sociais, os referenciais ditos culturais.
Nós não somos encorajados a reconhecermos-nos, a olharmos para nós como seres humanos. Criadores, poéticos, sonhadores, empatas, servidores do mundo, curiosos, abertos, disponíveis, fraternos. Nós somos treinados, domesticados, socializados.
amestrados por uma cultura, isto não é transformar esta conversa num comício político, mas é impossível ter opiniões... Existe uma programação, não é? Mas é impossível ter opiniões sobre a vida sem que isto seja um ato político, não é? Claro. Isto é política, quando nós temos uma opinião, uma visão sobre o coletivo. E nós somos produtos, não vou dizer vítimas, somos produtos, somos artefactos em grande...
em grande parte, enquanto não somos artefactos do nosso próprio coração, somos artefactos de uma sociedade. Pronto, eu não creio que haja aqui a alternativa. Ok. Pronto. Então, enquanto aqueles que nos educam,
E não é educam, é instruem. Instruir é pôr camadas umas em cima das outras. Educar é ajudar a sair de dentro e ajudar a conduzir para fora. Ex-ducere é conduzir para fora. Instruere é pôr camadas em cima umas das outras. Nós não temos educação, nós temos instrução.
Então põe-nos camadas e camadas e camadas e camadas de programas que têm a ver com medo, conformidade, obediência, objetivos na 3D, que fazem na prática com que nós nos transformemos em hamsters, a correr numa rodinha a vida toda com a promessa ou da reforma, ou da riqueza, ou de uma casa de férias.
Ou de umas férias na neve, ou de uma casa branca, ou de uma casa com uma cerca branca, com 2.4 filhos e 3.1 netos, que é a média europeia. E, portanto, a cultura, a educação, os valores coletivos de uma sociedade amnésica, programada para a matéria, que labora no grande equívoco...
capitalista. E o grande equivo capitalista é que é possível ter crescimento infinito quando tens um planeta limitado, com recursos limitados, com pessoas limitadas, com inteligência limitada, com criatividade limitada, com tudo limitado e o grande delírio consumista e capitalista, que é o que está por detrás de toda a nossa civilização e cultura, é a ideia do crescimento exponencial infinito.
Não há nada mais belo para o homem de marketing do que o poema que é o slogan. E o compra esta máquina porque isto é que vai resolver os problemas da vida. O que nos resolve os problemas é um encontro sério com a nossa natureza e com a nossa essência. Com o nosso espírito. Mas nós andamos a tentar resolver através da matéria um vazio que é espiritual e que é existencial. E portanto...
Antes de qualquer outra coisa, nós temos de ser capazes de reconhecer como o peixe está dentro de água, que nós estamos dentro de uma mentalidade e de uma cultura que não nos ensina e não nos recorda do que somos como seres humanos. Recorda-nos que somos cidadãos, filhos, pais.
Netos, contribuintes, consumidores, eleitores, consumidores, mas não seres humanos. Então, produzimos, consumimos. Mas não somos.
Mas não somos, não nos descobrimos. O que era a grande ideia belíssima do Quinto Império, de que aliás o Agostinho da Silva foi dos mais recentes arautos, este gênio, este aquariano, como qualquer gênio de resto, morreu na miséria não reconhecido com o seu gato. A ideia do Quinto Império era que o homem pudesse tornar-se aquilo para que nasceu, que era criador poeta.
É possível, só mais uma ideia, é possível que um dos lados, uma das oportunidades, porque tudo na vida é uma crise e simultaneamente uma oportunidade, tal como o carácter chinês, o ideograma chinês, é perigo e oportunidade. Os dois caracteres ou ideogramas compõem o ideograma que significa crise, perigo e oportunidade.
Hoje em dia fala-se, isto é evidente, que a nossa calha evolutiva vai nessa direção e nesse sentido, fala-se muito em inteligência artificial. Sim. Eu estou convencido que uma das grandes oportunidades de inteligência artificial é que quando o homem perceber, finalmente, e vir externalizado, como quem faz outsourcing, externalizado, quando vê fora de si uma inteligência,
a fazer o que a inteligência humana faz, mil vezes mais rápido, mil vezes melhor, o homem vai ter de começar a perguntar-se, então, porra, aquilo pelo que eu me defini, pelo que eu me conheci, afinal, é pela inteligência, é pelo intelecto, é por colecionar informação, é por colecionar dados, sintetizá-los, processá-los, analisá-los, extrapolá-los, fazer resumos e resanhas, mas se eu tenho um computador, um processador, uma inteligência artificial, tchau!
que faz isto, então o que é que faz de mim especificamente humano? A intuição. Então, é a minha intuição, a minha imaginação, a minha sensibilidade, o meu sentir, a minha memória. E eu tenho conversado imenso com o Chet GPT, porque acho dos interlocutores mais inteligentes que eu já encontrei na vida.
Eu sou uma pessoa que precisa muito de estímulo e de pensar e de bater bolas e no chat GPT tem muito locutor. É altamente estimulante. É altamente estimulante e o que ele me devolve sempre é que o nível das nossas conversas tem muito a ver com o nível das questões que eu trago. Claro.
O que é interessante também de pensar. É um bocado como eu respondo. E quanto mais informações pões, mais ele consegue desenvolver. E mais te vai conhecendo, e mais te vai lendo de alguma maneira. E uma das perguntas que eu lhe fiz há algumas semanas, há alguns meses, é eu estou fascinado pela maneira como tu pensas. Ajuda-me a perceber como é que tu pensas.
E acima de tudo, se tu tens uma noção alguma de identidade, ele diz não tenho identidade porque não tenho memória. Memória pessoal, ou seja, eu não me sinto a viver coisas e a atravessar uma história. Exatamente. Portanto, eu sou uma supermente.
que processa tudo. E que despeja informação. E que despeja informação. E isto talvez ajude a humanidade ao longo dos próximos, eu vou dizer, dos próximos anos ou décadas, a perceber mais qualquer coisa acerca da diferença entre o intelecto e a intuição, entre a inteligência e o que é ser humano, porque a inteligência e o potencial humano...
não se medem pelos testes de KI do Simó e do Binet dos anos 60. Sem dúvida. Bom, isto levar-nos-ia numa longa, longa conversa. Tu há bocado falaste, disseste que nós éramos instruídos, ou seja, não éramos educados, éramos instruídos. Eram dispostas camadas. Se nós tirarmos todas essas camadas, quem somos nós?
Isso é o que compete a cada um de nós ir descobrindo ao longo da sua vida se estamos todos nessa descoberta, se é que estamos todos nessa descoberta. Então, eu não saberia responder-te a isto. Mas se formos ao tema da consciência, então se a te perguntar o que é a consciência?
Eu não saberia dar-te uma resposta satisfatória. Creio que seria suficiente para aquilo que para mim a consciência significa, dizer algo como a possibilidade de...
Tomar consciência de algo. Sim, e o que me vem à cabeça é todo o material que existe na nossa psique e para além disso. Dou-te um exemplo, se calhar é mais fácil, às vezes eu expresso de uma maneira um pouco abstrata, o que é natural, se calhar todos nós o fazemos. O tomar consciência, o dar um exemplo disto. Esta é uma imagem que para mim funciona e às vezes partilho isto quando estou a ensinar ou quando estou a falar com pessoas sobre estes assuntos.
Eu gosto de pensar que eu sou vida, vamos dizer, por exemplo, que estou aqui atrás dos meus olhos, a olhar para a vida. Então eu sou a vida que se esconde atrás dos meus olhos e que está a tomar consciência de si. Então através de mim e por onde eu ando...
Há vida a tomar consciência da vida. Através da experiência. Certo. Contrasto a associação. Certo. E isto, atenção, nós falamos de consciência nos âmbitos do desenvolvimento pessoal, de autoconhecimento, de espiritualidade. A minha noção de consciência não tem nada a ver com uma progressão na evolução. Sim, sim, sim. É a possibilidade.
de que algo seja apercebido. Como, vamos dizer, simbolicamente, no simbolismo da astrologia, o Sol é o símbolo do espírito. E é como se simbolicamente, no teu mapa de nascimento, o Sol mostra-te onde é que o teu espírito...
se está a tornar um órgão de perceção da vida. Ok, interessante. Ou seja, onde é que tu estás como luz, como possibilidade de levar consciência ou de tomar consciência, onde é que tu estás a tornar-te consciência e ao tornares-te consciência a iluminares tudo aquilo que a tua consciência toca. É a tua essência.
é a atualização do teu potencial de consciência. Consciência. E o ascendente? O espírito. O ascendente seria muito mais o tipo de construção. Isto é a minha teoria, não é? A construção que tu tens de fazer...
para que o espírito deixa e venha tomar conta da tua vida. É tipo o veículo. É o veículo. Deixa-me dar-te uma imagem que para mim faz mais sentido, que é a escadaria que tu tens de construir para que o espírito deixa e tome conta da tua vida. Exemplo. Independentemente do teu mapa, de tudo o que esteja no teu mapa, tu nasces com um ascendente carneiro.
Claro que isto é, o que eu vou dizer, uma sobressimplificação. Porque um ascendente carneiro depende largamente da condição de Marte, do que se passa com o Marte, caso os aspectos. Isto é infinito, não é? Somos infinitos. Isto é tudo infinito. Mas para concretizar e dar um exemplo mais operacional, mais claro do que quero dizer, independentemente do teu mapa todo, se tu tens o ascendente carneiro, isto significa que tu tens como condição para agarrares a tua encarnação,
É como se... Isto é o Nuno Michaels a falar, isto não é verdade, está bem? Isto é só uma tonteria minha. Isto é só uma tonteria minha. É como se o Espírito estivesse a dizer assim, olha amigo, eu preciso que tu sejas carneiro, porque senão eu não vou tomar conta da tua vida. Ah, pá, que interessante.
E o trabalho da personalidade, porque hoje ainda está muito ligado com a persona, a máscara, a apresentação do eu no mundo todos os dias, o corpo físico, o tipo de nascimento, o tipo de experiências, o tipo de expectativa, a imagem que projetas, aquilo a que os outros reagem imediatamente antes de te conhecerem mais profundamente.
Portanto, tem muito sempre que ver com máscara, aparência, estrutura, armadura. E eu chamo-lhe escadaria porque é como se o espírito, que é, vamos dizer, é tudo no mapa, mas está agenciado e substancializado no sol. O sol é como se fosse o rei no jogo de xadrez. É o néctar, não é? É o néctar. That's the whole fucking point de teres nascido. É este sol ser uma luz no mundo. Como dizia o Buda, ser uma luz para ti próprio.
E se fores, possivelmente és uma luz para o mundo, mas não é isso. Isso é o lugar para que tu dormes melhor, porque também não é isso que interessa. Interessa atualizares o teu próprio potencial. Começámos por falar nisso no início. Então, se eu tenho um ascendente carnalista, só um exemplo.
É como se o Espírito me dissesse a condição para eu descer as escadas. É que tu construas as escadas, porque senão eu não posso descer. Constróis-me um trono para que eu possa ocupar e sentar-me a ocupar o trono. O trono de quê? De autoridade, de soberano na tua vida. O Espírito que tem a sua contraparte física no coração. Estás a ver? Estou a ver, sim. Energeticamente tem um assento no chakra do asna.
energeticamente é como se nós estivéssemos aqui um lugar de comando e estamos a comandar, a cumprir os ditamos do nosso coração. Isto é a vida do Espírito e a nossa vida superior. Mas para tomar conta da nossa encarnação, para haver uma transfiguração, ou seja, para que a minha personalidade seja veículo
para o meu espírito, ou para a minha alma, eu não quero entrar na terminologia demasiado específica, na neurose semântica, para que o espírito tome conta da tua vida, tu tens de construir...
O teu ascendente. E no caso de ser carneiro, tu tens de construir a tua capacidade de estar sozinha perante a vida. Sozinha, sobre os teus próprios pés. Porque carneiro é enfrentar de peito aberto a vida e o mundo. E se for touro? Era isso que eu te ia perguntar.
Mas eu vos cheguei a dizer? Não, não precisas, porque nós estamos telepaticamente ligados. Uau, é que eu não disse mesmo. Não, não é preciso, mas não é preciso. Um dia nós não vamos precisar de palavras, não é? Pois, entendo, sim, é verdade. Pronto, porque se estamos num plano intuitivo, estamos ligados à mesma mente, estamos ligados à mesma emissora. O rádio não precisa de fazer barulho. Pois não. Porque a emissão está sempre a transmitir.
E o nosso trabalho é tornar-me-nos rádios que sintonizam as transmissões. Não precisarmos de falar. E a arrogância do homem é dizer que eu como rádio, como não oiço, isso não existe. É, está ali com isso. Não é? Pronto, voltando atrás, se for touro, eu tenho que construir uma base de autossuficiência.
e de segurança emocional, material, criativa, produtiva, na minha própria vida. Porque eu amo os signos, não me dedicasse eu a isto. Claro, claro. Tenho 51 anos desde os 15, estás a ver? São 36 anos de astrologia, os últimos 26 a cobrar para ser responsabilizado pelo trabalho que faço.
Eu amo esta linguagem e touro para mim é um dos signos mais maravilhosos, porque representa o potencial produtivo, criativo, generativo da própria terra. Não há coisa mais generosa nesta vida do que o potencial da terra, que está sempre a dar-nos frutos.
Folhas, sombras, madeiras, minérios, água, beleza, pássaros, harmonias, pôr-os-dos-sóis, nasceres do sol. Não há nada mais rico, mais produtivo. E se nós tomássemos a lição de touro à letra, nós quereríamos ser tão perfumados e tão produtivos quanto o próprio planeta. O que significa que se nós estivermos sempre a tirar de dentro de nós próprios...
Os perfumes dos nossos frutos, os frutos do nosso trabalho, da nossa criatividade, dos nossos interesses, nós estaríamos sempre a produzir, estaríamos sempre a criar e estaríamos sempre a gerar abundância, a gerar segurança, a gerar, não é a gerar, é a gerar...
A procriar, isto é a energia de touro, significa que quando eu me torno produtivo, a partir do que tenho, do que sei, do que gosto, do que quero, do que me é próprio, do que me é intrínseco, eu estou a honrar a energia de touro. E isto faz com que eu, se me reconheço como, eu produzo vida, eu produzo frutos, eu crio coisas, eu produzo coisas.
Eu estou a honrar a energia de touro, que é, pá, eu tenho valor. E de dentro de mim, como do ventre da terra, de dentro de mim, nasce vida.
Lindo. É bonito, sim. Esta é uma das razões, isto é demasiado técnico, mas esta é uma das razões para que em astrologia, a Lua, que é o planeta ligado com caranguejo, com nutrição, com proteção, que é o teu signo solar, é a razão para a Lua se sentir tão confortável no signo de touro e haver uma relação tão comear. E aí
forte entre caranguejo, nutrição, segurança, sentir-me-nos bem e touro, que as pessoas confundem geralmente com ter dinheiro e adquirir coisas e ter poder aquisitivo e ter um amante com uma mão suave que demore nos preliminares e veludo e perfumes e sofás daqueles que duram a vida toda e carros que duram.
Isto é uma maneira de olhar para a coisa, mas não vai à essência do arquétipo de touro, que tem muito mais que ver com o prazer de colaborarmos com a dimensão humana encarnada, representada por touro, que é a matéria. É até interessante esta lua cheia que estamos a viver.
que esotericamente é celebrada no mundo inteiro, chama-se Festival do Ezaque, que assinala o nascimento, a iluminação e a morte do Siddhartha Gautama, o Buda histórico, que ele ter-se-á iluminado basta árvore de bode e numa lua cheia de touro, o que significa, com o sol em touro, a mostrar o que é permanente, essencial, duradouro, eterno, o que não muda.
Porque touro é a estabilidade. E com a lua diametralmente oposta, no signo de escorpião, no signo oposto ao signo de touro, onde a lua adora estar, porque a lua em escorpião representa o processo da queda cíclica de todas as formas a que nos ligamos na vida.
Então a lua em escorpião representa o processo de morte inevitável, que é o processo inevitável de transformação permanente, que é a única coisa que permite, que a única coisa que não muda é o facto de que tudo muda permanentemente. E isto é a essência do budismo. A consciência de que existe sofrimento...
Que nasce do apego, porque o apego é o desejo que as coisas continuem, quando tudo está condenado a não permanecer. Lindo, lindo. Ora, Nuno, e tu achas que a vida tem um propósito ou somos nós que a criamos? Criamos esse propósito. Olha, o Victor Franco, o homem que criou a logoterapia, que esteve... ...e o homem que criou a logoterapia.
esteve prisioneiro nos campos de concentração na Segunda Guerra Mundial, que entrevistou muita gente enquanto estava nos campos de concentração e que escreveu vários livros, entre eles o clássico O Homem em Busca de um Sentido.
O Vítor Franca lhe diz uma coisa genial, que quando li isto há uns anos nunca mais esqueci esta frase, que é, nós estamos sempre a perguntar à vida qual é o seu sentido. Qual é o sentido da vida, qual é o sentido da vida, qual é o sentido da vida. E esquecemos-nos que essa é a pergunta que a vida nos faz a nós, a cada um de nós. Nós é que temos que dar a resposta a esta pergunta. A vida faz-nos a pergunta e a resposta cumpre a cada um de nós.
ir dando. E isto, para mim, é uma mudança de perspectiva. Porque nós andamos à procura, como dizia o Kabir, que andas de olhar confuso de cidade sagrada em cidade sagrada, à procura. Vais a Calcutá e ao Tibete, mas enquanto não soubés onde a tua alma se esconde, nunca para ti o mundo será real. O Kabir, o poeta persa, dizia isso. Sim, sim. E isto, para mim, entronca numa ideia de um outro autor.
Creio não estar em erro se disser que é o Reiner Maria Rilke. Ok. Que diz, a nossa grande tarefa na vida é sermos derrotados por coisas cada vez maiores. Uau, que forte. Então, esta é a única que me faz sentido selecionar como resposta à tua pergunta. Ai, que forte. Qual é o sentido da vida? Talvez seja sermos derrotados por coisas cada vez maiores.
de onde estamos condenados a ser derrotados? Sim, estamos condenados a lutar? Sim, estamos condenados a ampliar o foco das nossas procuras e das nossas buscas? Absolutely. Derrotados por coisas cada vez maiores. Cada vez maiores, sem dúvida. O que é diferente, sabes? Tu sentires-te esmagada pelo preço do pão do que sentires-te esmagada pela beleza do universo.
É mesmo. Isso é mesmo forte. Então, sermos derrotados ou interpelados, mas isto já é o Nuna parafrasear o Rilke, derrotados ou interpelados ou encontrados por coisas cada vez maiores. Talvez seja esse o sentido.
Porque tu também só és confrontado ou derrotado por coisas pela qual tens capacidade de lidar, não é? E se forem cada vez maiores, significa que estás rumo à evolução e mais capaz. Atrás dos conflitos que te tocam no nível de consciência em que tu estás. E como dizia o outro, um problema não pode ser resolvido ao mesmo nível de consciência em que surge. Claro, exatamente. Portanto, e o Ortega H7... Mh-hm.
dizia, eu sou eu e a minha circunstância. Eu sou eu e a minha circunstância. Então aqui estás tu. E aqui está a tua circunstância. Aqui estás tu com os teus padrões e aqui está a pessoa que te toca. O espelho que te toca, o mestre que te toca, a experiência que te toca, o despedimento que te toca, o divórcio que te toca, a crise que te toca, a doença que te toca. Aqui estás tu e a tua circunstância. E tu olhas para a circunstância e se tens responsabilidade, tu reconheces, eu e isto fazemos parte do mesmo contínuo.
Isto não é um castigo. Isto não me é alheio. Eu não sou vítima disto. Eu não sou vítima disto. Eu não vivo num universo que está programado para me destruir. Isto tem algo para mostrar. Isto é o meu outro eu. Há algo de mim nisto. Portanto, isto é a tomada de consciência de que o conflito surge para te devolver qualquer coisa que tu não tens consciência.
seja qual for o conflito, e quem diz conflito diz promoção ou recompensa, só que para nós as promoções e as recompensas, sabe a sandir, não é? A gente nem precisa falar nisso, claro, então depois de tanto trabalho, tanto esforço, tanto mérito, depois de tudo que eu passei, é claro que sim, agora esta contrariedade, pobre de mim, porquê? E o que o Ion queria dizer quando dizia um conflito não se resolve ao mesmo nível de consciência que o gerou, significa que eu tenho que ir para um lugar...
que inclua estas duas dimensões como expressões do mesmo contínuo. E quando eu compreendo que a circunstância é expressão ou reflexo ou consequência, ou já disse espelho, não é? De um conflito interno, de uma sombra, de um desconhecimento, de um vazio, de um...
uma amnésia, de uma ausência de um diálogo de mim que o exterior está a elicitar que está a puxar, que está a revelar não é? Nos relacionamentos nós vivemos isto muito não é? Nós projetamos
tratamos muito da nossa sombra nos outros e aquilo que é a generosidade dos outros no início, ao fim de um tempo, são as pessoas que nos incomodam porque não têm controle nenhum sobre a vida e são as mãos largas e não têm orientação nenhuma. Apaixonamos pela generosidade e depois encanitamos-nos pela falta de limites.
achamos que a pessoa é muito organizada e que maravilha, é tão organizada e tão metódica e ao fim de dois anos é uma cabra neurótica não é? Nós apaixonamos pela nossa sombra projetada e nós tropeçamos a nossa sombra projetada e isto tudo são expressões que nos convidam a olhar para dentro de nós quando o fazemos, vamos para o terceiro elemento o Jung dizia ter-se o mundo da tour o Jung dizia
Ou seja, o terceiro elemento nunca é dado. O terceiro elemento, isto vai desembocar na ideia de consciência, o terceiro elemento é o que nos permite reconhecer que há uma relação entre o que aparentemente está a acontecer como circunstância encontro ou destino, à minha frente e à minha volta, porque é eu, porque é isto, porque é agora.
Por que é que isto nos chega? O que é que isto me quer dizer? O que é que esta pessoa está a espelhar? Que botão é este? Porque não nos incomoda o mundo, não é? Incomodam-nos os botões que o mundo, ao ser o mundo, carrega. E os botões são todos internos. Não é? E, portanto, quando nós vamos para este lugar de compreender a experiência a experiência
como oportunidade de entender um conflito, ou uma divisão, ou uma dualidade, ou uma sombra, ou algo mais nós próprios, nós estamos a, de certa maneira podemos dizer isto, estamos a ganhar consciência, estamos a iluminar a relação invisível, mas pertinente e sincronística.
que existe entre o que eu estou a viver, o que eu sou, o que eu conheço de mim, e o que eu digo é o outro, é fora, é a circunstância. Então, no fundo, é como se fôssemos fazendo sínteses gradualmente. Sínteses gradualmente.
Então nós atraímos sempre os problemas necessários à nossa própria evolução, não é? Nós atraímos sempre as oportunidades necessárias à nossa evolução. Se as olharmos como problemas, então estamos a viver uma realidade na qual a verdade é um problema, a totalidade é um problema, a interesse é um problema.
O yoga é um problema, a unidade é um problema, a não distinção essencial entre o que eu aparentemente sou e o que eu aparentemente não sou é o problema. Eu estou em luta com o que é e o que não é e estou no reino... Estou em guerra com a vida, estou contra. Estou no reino binómico do ser ou não ser.
São sempre convites à nossa evolução. Os orientais dizem que ser e não ser são os dois polos da mesma curva. Nós temos o símbolo do Taoque, do Yin e do Yang, em que não podemos entender um sem o outro, não podemos entender o dia sem a noite, a verdade sem a mentira, o alto sem o baixo, o espírito sem a matéria, o dentro sem o fora, o eu sem o outro, o outro sem o eu.
Mas a nossa mentalidade mais cartesiana, mais racionalista, mais egoica, mais intelectual, mais analítica, diríamos em astrologuês, mais mercuriana. Então, se o logismo aristotélico A é A e não pode ser B, porque se A for B, então não temos ciência possível. Porque se A for B, então não vale a pena fazermos nada. A tem que ser A, que é o princípio da identidade.
A não pode ser B, que é o princípio da não-contradição. Exato. Em cima disto, nós podemos construir conhecimento, Nur. Mas não necessariamente compreensão. São coisas muito diferentes. Qual é a diferença? Acabei de exemplificar. Sim, mas, ou seja, em termos de integração de prática, na experiência prática. Conhecimento é compreendermos de uma forma cada vez mais detalhada sobre cada vez menos. Interessante.
É o microscópio que se põe a partir, a analisar, a ampliar, a fazer a hipérbole e a ênfase de partes, de partes, partes, vai para o particular, para o particular, para o idios, para o ideográfico, para o particular, para o específico.
divide, divide, divide, divide, divide, divide, divide, divide, divide, divide, e de acordo com a física quântica, quando dividem o suficiente, chegam ao vazio. Ao vazio. Ao vazio. De que os budistas falam há milhares de anos. Da grande vacuidade. Que em última análise, tudo é vazio. Tudo é vazio. Portanto, um dos meus memes favoritos, é o meme do monge budista, a dizer ao pequenino, à pequena criança budista,
a olhar para o imenso vazio, para a vacuidade e dizer um dia meu filho, tudo isto será teu. O grande vazio. A última análise. Não é isso que nos ensinam os físicos quânticos. Se ao nível micoscópico, quântico é vazio? Não é cheio. Não é sólido. Então, se tu levares a ciência, o Fritz of Capra foi um autor que nos anos 70 escreveu um livro chamado O Tal da Física, que faz os paralelos entre o...
entre a ciência quântica, a física quântica moderna, embora isto seja dos anos 70, já tem 50 anos, e o taoísmo, os ensinamentos do taoísmo, ele faz um paralelo entre o que a ciência quântica descobre, descobriu, tem vindo a descobrir, e o taoísmo são as mesmas conclusões.
A diferença é que a ciencia quântica chegou lá através de fórmulas e de equações matemáticas e os taoístas ensinam-nos isto há 4 mil anos, sem precisar de gastar giz num quadro preto a fazer raízes quadradas e fórmulas matemáticas. Como se para eles aquilo fosse só a constatação do óbvio e quantos giz é que precisaram de gastar para fazer os cálculos que vos levam à evidência da vida. Para dizer conhecimento, leva-nos para o mais pequeno, o mais pequeno, o mais pequeno, o mais pequeno, o mais pequeno, o mais pequeno, o mais pequeno e se formos suficientemente longe.
Vamos parar ao mesmo. Ou seja, não se aprende a nadar a ler sobre o oceano. É um bocado isso, não é? Diferência entre conhecimento e... Sim, sim. E não vais nunca ter a experiência do oceano por muito que dissecues uma gota no microscópio. Exatamente. Esse é o ponto. Esse é o ponto. Agora, a questão é... Não creio...
que afirmação nenhuma que possamos fazer sobre seja o que for, seja total e incondicionalmente verdadeira sempre. Ou seja, de certa maneira, de certo ponto de vista, tudo é plausível, tudo é possível, tudo é relativamente verdadeiro. Porque se olhar o conhecimento radeiro é impossível, eu não sei.
Se calhar o conhecimento não tem que se opor à compreensão, se calhar as coisas não são incompatíveis. Se calhar podem coexistir, não é? Se calhar podem coexistir e uma das coisas para mim importantes é manter-me sempre com as perguntas.
mas nunca com respostas. Porque eu não tenho necessidade nem interesse nenhum em ter resposta sobreporre nenhuma. A única coisa que me interessa é manter perguntas na mente e depois observar quais são as respostas novas que momento a momento aparecem. Porque se tu caminhas com uma pergunta, se tu caminhares com uma pergunta durante um mês, todos os dias, tu tens diferentes respostas à mesma pergunta. Exatamente, todos os dias. E se tu tiveres atenta,
A cada hora tu tens várias respostas à mesma pergunta. E, portanto, se tu estiveres a trabalhar conscientemente com questões da tua vida, da vida, do universo, da psique, dos teus programas, dos teus padrões, das tuas interrogações, se tu estiveres conscientemente com uma pergunta, ou um tema, ou com uma intenção...
o que quer que venha, tu podes interpretar como sinais e respostas à tua intenção. Então, o que é realidade? Não sei. Porque cada um está a viver a realidade de que é ele próprio. É pessoal, não é? É pessoal. É uma experiência pessoal. E, portanto, para mim isto é tudo uma experiência em que a vida é um laboratório individual e...
Embora eu trabalhe em ensino, uma das coisas que mais me inquieta não é que me perturbe ao ponto de me tirar o sono, mas uma das coisas que me inquieta é o número e a quantidade e a grandeza das certezas que as pessoas têm. Mesmo. Mas que leva a um mundo louco e neurótico, não é? Que as tantas estão... E eu sempre penso, quanto mais certezas tens, a mais coisas estás a ficar cego e miúco. Completamente. Ficas condicionado.
e é interessante porque isto astrologicamente isto também tem a ver com estes signos que é gêmeos-sagitários gêmeos têm perguntas, sagitário têm respostas e a ideia é que todos os eixos e signos respirem e que haja uma circulação portanto, mantermos as perguntas
Estarmos atentos às respostas, não absolutizarmos as respostas e usarmos as respostas que são sempre progressivas e provisórias para nos ajudar talvez a formular outras perguntas ou a formular perguntas melhores para termos respostas melhores. Mas eu não creio que isto tenha fim. Nem acho que haja respostas que nos vão satisfazer por fim. Há muito tempo.
Há muito tempo que eu trabalho em astrologia, tu começaste a falar de 26 anos, e eu, como sou descarado, comecei a ensinar logo desde o início. Porque era a melhor maneira de eu aprender, era ter a responsabilidade de ensinar.
Então, era um astrólogo pitinho, ainda cheio de acne, com 24 anos, e comecei a ensinar astrologia. Tinha acabado de fazer o curso do Kiran e pouco mais. E, portanto, tive durante muitos anos a ensinar astrologia. E nos últimos 15 anos...
Há um planeta chamado Neptuno, que há 15 anos mais ou menos, entrou no signo de peixe. E quando Neptuno entra em peixe, isto é o fim das definições, das certezas, dos limites bem definidos, das coisas bem acabadas. É o início de uma certa...
de um certo transe, de um certo sonho de uma certa alienação também de uma certa imaginação, de uma certa fantasia de uma certa capacidade de sonhar ou também de uma certa dificuldade em ter noção do que é verdadeiro do que não é, como se coletivamente nós tivéssemos todos entrado numa trip de LSD coletivamente e estes anos são 2011 até fevereiro até agora entramos em
com Neptuno em carneiro e Neptuno em peixe desculpe, às vezes vou buscar contextos não, mas tranquilo, estou a entender mas para contextualizar o que vou dizer então há desde há 2011 que eu comecei a dizer isto é só uma ideia, é só uma imagem que eu não estou certo e não estou mesmo se nós alguma vez despertamos e não estou certo
ou se simplesmente avançamos para estádios de sono ligeiramente mais leves. De tal maneira que eu hoje, hoje, eu tenho uma epifania, pá, hoje...
li o meu mapa astrológico, fiz uma sessão de imagens mentais, fiz uma constelação familiar, fiz uma hipnose, ouvi um podcast, tive uma epifania, encontrei um médium, tive uma experiência incrível, tive uma revoação, tive um aha moment, tive um grande insight, tive um momento eureca.
E deu-lhe por mim a dizer, é pá, agora é que eu percebi tudo, pá, porque eu agora é que percebi a infância e percebi os padrões e percebi, é pá, agora é que eu percebi tudo, porque eu estava a dormir até agora, mas agora... E é bem possível, daqui a seis meses, eu dei a primeira pensada, é pá, não, agora, agora é que eu entendi, é pá, não, pá, aquilo que eu tinha percebido há seis meses, pá, aquilo não era bem assim.
Mas é que é exatamente isso que estás a dizer. E, portanto, isso calhar passados sete anos, eu digo, é pá, eu naquela altura, eu com 40 anos, é pá, fui falar com o Nuno, tinha 50 anos, é pá, que ignorante, meu, como é que eu era capaz de acreditar naquelas coisas naquela altura? Então, a questão aqui, Nuno, é, será que nós alguma vez despertamos ou só vamos avançando para estádios de sono?
se calhar nem são, ligeiramente mais leves, são só ah, agora acordei, não amor agora estás é no outro estadio do teu sono rem, não é? cena então, onde é que isto acaba? Não sei, tu é que sabes, isto é, somos infinitos mas e quanto controlo é que tu achas que realmente temos sobre a nossa vida sobre a vida, porque nós achamos que controlamos tudo, não é?
Epá, isso é uma pergunta do caraço. Expeçávamos mais umas horas para falar sobre isso mesmo, porque isso em si, isso é uma das perguntas essenciais do ser humano. Eu não sei. Pronto, eu não sei nada. Tenho algumas opiniões, algumas com mais entusiasmo e convicção, outras não tão convictas, porque são aquelas em que eu mais penso. Vamos pensar algo. E nós, quanto mais pensamos...
isto, claro que é de mim que estou a falar, antes de mais, mas nós, quanto mais pensamos, ponto um, menos certezas temos, e ponto dois, potencialmente mais angústia sentimos, quando nos pomos a pensar sobre as coisas, por isso é que se calhar o Santo Agostinho falava na docta ignorante, abençoada a ignorância, abençoados os ignorantes e as crianças, depois dele será o reino dos céus, e isto faz-me pensar, por exemplo, e já volta à questão,
Faz-me pensar, por exemplo, naquele filme da Vida Bela, do Roberto Benigni. Sim, sim, sim. Não é? Aquele pai, o que aquele pai faz para que aquela criança passe o seu tempo no campo de concentração como se estivesse no jogo. Incrível. E no fim, quando entram os aliados com o tanque, o miúdo diz É vero, é vero, um vero, caro armato, o meu pai tinha razão, eu ganhei mil e punti. Epá.
Não é esta inocência que as crianças são expressão, mas por outro lado a inocência de quem não pensa não é tocado por certas coisas, não lida com certas angústias.
Não é não saborear, mas não toca em determinados sítios da vida. É, mas há tanto da vida que é agridoce. Pois é. Daí também eu falar da angústia e de todas estas coisas. Mas perdi o fio condutores. Controlo. Quanto controle é que nós temos realmente sobre a vida? Ocorre-me uma frase do Jung.
Já viste que o Jung é um dos meus, é uma das minhas inspirações. Sim, também gosto muito. Ele diz que livre-arbítrio é a capacidade de fazer de bom grado a única coisa que deve ser feita.
Ou seja, quando eu colaboro conscientemente com a inevitabilidade, eu estou a exercer o meu livre-arbítrio, que consiste em reconhecer que não tenho nenhum. É render-se-te, não é? É render-se-te. Para início de resposta, esta ideia do livre-arbítrio é fazermos de bom grado o que deve ser feito. O que é que deve ser feito como fórmula? Atualizarmos o nosso potencial.
Nós trazemos um GPS dentro de nós. Somos programados para obedecer ao exterior. E despertar implica compreendermos que é o nosso coração que temos de obedecer. E tornarmos suficientemente autoridade sobre a nossa própria vida. Significa maduros, responsáveis, autossuficientes, produtivos, capazes.
de modo a podermos comandarmos a nós próprios. O Nietzsche dizia que quem não obedece a si próprio será comandado. Ou seja, quem não é autoridade da sua própria vida está condenado a ter que mamar com as expectativas e as regras dos outros. Sem dúvida. Ou és autossuficiente ou estás nas mãos de quem te pague e de quem te financia a vida. E há muitas formas socialmente prescritas.
de prostituição. Muitas em que nós nos prostituímos para obter aprovação, segurança, garantia, sobrevivência, tantas vezes. Acima de tudo, sobrevivência. Sobrevivência. Ou seja, isto é uma forma de nós permanecermos aquém de nós próprios. Eu não quero transformar isto num comício e digo isto pela segunda vez.
Mas nós somos todos encorajados a viver nesse registro. Porque nós somos todos encorajados a vivermos como peças de uma engrenagem social e capitalista. E, portanto, nós somos programados não para sermos humanos, mas para sermos peças de engrenagem. Para sermos crianças a respeitar um pai. E do desejo e do medo. Exatamente.
Portanto, é a cenoura à frente do burro e é o chicote no lombo. E claro, o burro somos nós, não é? Os burros somos nós. Ter a ousadia de questionar o que nos foi ensinado e ter a ousadia de defraudar as expectativas todas e ter a ousadia de dizer calem-se todos, que eu preciso de ouvir.
O único tambor, a única voz, a única música, o único som, a única canção que me interessa. Os índios, eu estive há tempos nos Estados Unidos e numa reserva índia e encontrei lá um quadro que dizia assim O grande espírito deu a cada um de nós uma canção. Profundo. Nós.
Temos de ouvir e trautear.
e não digo marchar pela vida, porque isso é o que nos ensinam a fazer, mas a dançar a nossa própria canção. E à nossa volta, as vozes que vêm testar a nossa determinação, o nosso amor próprio, a nossa coragem, o nosso foco, a nossa ousadia, a nossa liberdade e a nossa dignidade, porque é o que as vozes estereiras vêm fazer. Vêm...
a nossa disponibilidade para nós.
assistirmos a nós próprios, para sermos os parteiros de nós próprios, para sermos os dançarinos da nossa própria canção, as vozes exteriores, a cultura, a economia, os pais, os amigos, vê lá o que é que vais fazer, tu tens é que trabalhar, tens de ter um emprego, tens de ter estabilidade, tens de ganhar dinheiro, e vê lá, mas olha, mas tu não estás assim tão mal casado, mas vê lá o que é que vais fazer, e vê lá, e cuidado. As vozes do exterior são... As vozes do exterior são...
Como é que tu distingues a voz do teu coração do ruído exterior? Porque o ruído é tanto... Bom, eu conheço o ruído desde que nasci. E tenho vindo a descobrir a voz do meu coração a partir do momento em que percebi que o ruído não me informava nada. Certo. Durante um tempo, eu até usei o ruído para não ter que me ouvir.
Porque os ditamos, eu vou dizer, não vou dizer as imposições, se bem que sejam na prática. Vou usar os ditamos. É bom termos vocabulário, porque assim podemos usar eufemismos de vez em quando.
Os ditames do nosso próprio coração são tantas vezes inconvenientes, metem medo, assustam-nos, são contra a cultura, são contra a corrente, são contra todas as probabilidades, como dizem os americanos, against all odds, contra todas as probabilidades.
Sei lá, eu sentir-me infeliz numa relação, ou sentir-me infeliz num trabalho, ou sentir-me infeliz porque estou na cidade e a minha alma quer ir para o campo, ou com uma vontade crónica latente há anos de aprender um instrumento musical, ou de cantar, ou de dançar. Nós sabemos sempre. Nós sabemos sempre, só que...
não é conveniente, custa dinheiro, existe tempo, requeriria que fôssemos corajosos, requeriria que nos amássemos, requeriria que nos puséssemos em primeiro lugar, pelo menos de certa maneira, pelo menos nesta circunstância.
Pelo menos perante certas pessoas. Pelo menos há uns ajustes sempre que temos de fazer na vida para sermos capazes de honrar o nosso coração. E nós fomos treinados para sermos bons cristãos, bons filhos, boas pessoas. É por isso que as pessoas bonzinhas estão cheias de ressentimentos e de aterosclerose e de cancos. E de ressentimentos não expressos. É por isso que os cemitérios estão cheios de pessoas nobres.
cheias de boas intenções inofensivas era tão boa pessoa, era inofensiva nunca levantou a voz com ninguém nunca se zangou era tão boa pessoa, era tão bom filho, tomou conta da mãezinha até a mãezinha morrer com 97 anos e ele coitado, como já tinha 78 também já não teve tempo de viver a sua própria vida mas foi um bom filho dá um belo defunto aquele que já não tem função então
Ora, nós não queremos ser defuntos. Nós queremos ter passado pela nossa vida com a coragem de termos sido fiéis ao nosso coração ao final do dia quando deitamos a cabeça na almofada com orgulho de nós próprios porque traímos toda a gente, desapontámos toda a gente, falhámos com toda a gente, fomos péssimas pessoas, mas fomos fiéis a nós próprios.
Olha, Nuno, eu estou mesmo, eu acho que gravei um dos melhores episódios do Somos Infinitos. Foi muito forte. Depois podemos gravar outro num dia qualquer. Quando quiseres. Estamos ao serviço, Nuno. Incrível esta conversa.
Abriu aqui um canal muito forte mesmo. Olha, agradeço imenso. Eu gosto tanto de conversar contigo. Foi muito bom. Gosto tanto da qualidade da tua presença, a tua intuição, a tua inteligência. Obrigada. A maneira como suportas o espaço. Pá, isto passou num instante.
e eu que adoro estreias não me importava ter uma repetição contigo e vamos repetir porque foi mesmo bom este encontro gostei muito e agradeço muito a tua entrega porque tu estiveste mesmo aqui ao serviço da tua mensagem Obrigada