Episódios de Somos Infinitos

EP145 - A Consciência Não Morre - Mário Simões

03 de maio de 20261h2min
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Uma conversa que não dá para ouvir de forma distraída. Neste episódio, sento-me com Mário Simões, psiquiatra, psicoterapeuta e uma das maiores referências em Portugal quando falamos de consciência, para explorar quem somos para além da mente, do corpo e da morte. Aqui não há respostas fáceis.Falamos sobre:– O que é consciência – A ilusão de viver em piloto automático– A diferença entre pensar, e observar os pensamentos– Porque vivemos tão ansiosos e desconectados de nós próprios– O impacto da consciência nas relações, no amor e no ego– O que acontece quando o corpo morre e o que a ciência já consegue (e não consegue) explicar– Experiências de quase morte e porque transformam tanto quem as viveSe estás pronto para questionar aquilo que sempre tomaste como garantido… carrega no play.

Assuntos9
  • Consciencia HumanaConsciência como totalidade da vida psíquica · Consciência como capacidade de avaliar e criticar pensamentos · Consciência do eu e a ilusão de identidade · Consciência cósmica e estados ampliados
  • Consciencia e MudancaPsicadélicos, meditação e hipnose como filtros porosos · Acesso a informações paranormais e coletivas · Vivências de parto, vida intrauterina e vidas passadas · Precognições e sonhos lúcidos · Psicotanque e deprivação sensorial
  • O observador escondido e a consciência divinaO eu que observa e critica pensamentos · Consciência como extensão do todo, absoluto, fonte · Acesso à consciência através de estados modificados · Memórias de espécie e criatividade artística
  • Benefícios de se tornar conscienteAutoconhecimento e situar-se no mundo · Consciência adaptativa e propósito de vida · Conexão com a consciência cósmica e sentido da vida
  • Estados modificados, alterados e ampliados de consciênciaSono e sonho como estados fisiológicos modificados · Diferença entre estados alterados (confusão) e modificados (acesso a outra realidade) · Enteógenos como estados ampliados com acesso ao divino · Vivências de animais, plantas e formação da Terra
  • Desconexão com a consciência na sociedade modernaAnsiedade, ruído e agitação como sintomas · Obsessão com imagem, corpo e performance · Busca por sentido e retiros espirituais
  • Reencarnacao Vidas PassadasVivência como índio americano e a busca por sentido · Vivência como curandeira indígena na Amazônia · Transferência direta de vivências passadas para a vida atual · Acreditar na verdade que faz sentir bem
  • Experiências de não dualidadeHarmonia interior e exterior · Experiências com psicadélicos (Cambô, DMT) · Vivências de unidade com o todo
  • Níveis experienciais de consciência e sonhos compartilhadosDiferentes níveis de percepção e comunicação · Realidade comum em estados modificados de consciência · Experiências de sonhos compartilhados (Instituto Maimonides)
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vivemos tão preocupados com a vida do dia-a-dia, com a sobrevivência do ego, que essa sabedoria que transportamos connosco, e aqui, desde que nós nascemos, há pessoas que dizem que não, que a consciência que foi produzida pelo cérebro, eu digo, não, não. Há uma consciência muito mais vasta, chamo-lhe Deus, o todo, o absoluto, a fonte. Eu posso ter acesso a ele através dos estados modificados ou ampliados de consciência. Coisas do futuro, coisas de um passado remoto, memórias da minha espécie, por exemplo. Então, eu vou ter acesso a ele, porque eu vou ter acesso a ele,

Mas só consigo lá chegar se eu transformar esse tal filtro mais poroso. Imagino com um filtro do café. Nós pomos água, café e vai pingando. Se o filtro for mais poroso, vão ter muito mais informação. Esses psicadélicos, a meditação, a hipnose clínica, torna esse filtro mais poroso.

Parece que acedemos a outro tipo de informação, não é? Que não é possível aceder quando estamos vigilantes. É aquilo que as pessoas contam quando a sua experiência é realmente tão ampliada, tão ampliada. Eu parece que deixei de ser eu, sabendo que ainda sou eu, mas eu sou tudo.

Olá a todos, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Somos Infinitos. O meu nome é Nur Palma e hoje eu tenho aqui comigo o Mário Simões, que é uma das maiores referências em Portugal quando falamos da relação entre ciência e consciência, e espírito, já agora. Ele é psiquiatra, psicoterapeuta, doutorado em psiquiatria e professor jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Ele dedicou décadas da sua vida a estudar aquilo que talvez tenhamos alguma dificuldade em medir, que é o mistério humano, é a consciência e a experiência de estarmos vivos. Bem-vindo, Mário. Obrigado, Nuno. É um honro também pelo seu convite.

Obrigada, obrigada. Gosto muito de falar consigo e aproveito também para fazer referência aqui ao livro do professor Mário Simões que acabou de ser lançado, A Consciência Não Morre, um título muito forte. Eu confesso que ainda não o li todo porque ainda não tive tempo, mas o lançamento do livro é já amanhã, dia 28 de Abril. Mas Mário, nós temos outros lançamentos, não é?

É verdade, quer dizer, na verdade, este é o primeiro lançamento, amanhã vai ser em Alfragida, aqui perto de Lisboa, na FNAC, e depois temos na Feira do Livro, no dia 30 de maio, entre as 14 e as 16, na Praça Amarela. No dia seguinte vou para Coimbra, para a FNAC Coimbra, portanto fazer a apresentação, e a 6 de junho será na FNAC Gaia, no Porto. No Porto, muito bem, muito bem. Eu estarei presente nos sítios que puder.

Ok. Amanhã, na Feira do Livro, talvez no Porto, vamos ver. Onde der para si esteja à vontade. Mário, nós vamos falar aqui sobre um tema que é a consciência. Nós já falámos várias vezes sobre este tema, mas nunca de forma tão aprofundada como hoje, porque acho que o seu livro traz uma perspectiva...

Muito profunda e também com uma linguagem muito acessível. E acho que quem nos está a ouvir tem certamente curiosidade sobre o tema e acho que o Mário é a melhor pessoa para falar sobre isso. Então eu começo por perguntar o que é que afinal é a consciência? Se é algo que nós temos ou é algo que nós somos?

E aí, pergunta difícil, como sempre. Eu lembro que um autor que eu tive que citar quando fiz a minha tese de doutoramento, e portanto já nessa altura, estamos em 93, o tema de Kappa era a consciência do eu, de eu ser o mesmo. Portanto, e curiosamente aí eu tinha que definir, e um dos autores, francês, diz assim, quem aborda este tema não sabe no que se está a meter. É um tema temível, era o termo mesmo que ele usava.

E, claro, que tinha que definir a consciência. Na altura era relacionada apenas com o eu, quer dizer, a minha personalidade, e que, na verdade, nós nunca pensamos nisso. Mas que quando uma pessoa está doente gravemente, com uma psicose, uma esquizofrenia, eu duvido que sou eu agora e há 10 minutos, tenho uma outra identidade. Duvido que o meu eu acaba aqui, portanto tem limites, muitas vezes eu fumo com as pessoas, por exemplo.

Ou que os meus pensamentos, que ficam só dentro da minha cabeça, não. Há uma difusão de pensamento. Portanto, a minha tese, logo na altura, vamos falar em 93, eu interessei-me pela consciência, neste caso só do eu. Este livro trata de uma consciência mais larga que já iremos falar. Uma definição que eu tive que fazer na altura, pragmática, é, digamos, a totalidade da minha vida psíquica neste momento.

E quando eu digo a totalidade, mesmo aquela de que eu neste momento não estou a ter consciência. Estou a falar consigo, estou a ter só consciência deste momento. Mas o meu passado, desde talvez o meu ano e meio, dois anos, porque para trás é difícil, tudo aquilo que eu estou, digamos, a programar para o futuro, mas que neste momento não está aqui presente, por exemplo...

e até a consciência de sonhos que eu tive, ou ainda do potencial que a minha consciência pode ter. Portanto, a consciência é tudo isso, é a totalidade da minha vida psíquica. Esta pragmática. Se eu quiser, digamos, ir mais fino na definição de consciência, eu diria, é isso, mas é também a minha capacidade de avaliar o que se passa, o que está na minha mente, o que está no meu futuro, elaborar respostas.

criticar muitos dos meus pensamentos. Portanto, a consciência é mais vasta do que só a consciência deste momento. Muita coisa que neste momento não está presente, mas que pode vir a estar até se eu alterar o meu estado de consciência.

Exatamente, e já lá vamos aos estados alterados de consciência Então o Mário disse que a consciência é a totalidade da minha vida psíquica estando eu consciente dela ou não ou não, exatamente Ok

E porquê que uma pessoa comum, com uma vida cheia de stress, enfim, com mil e uma preocupações, deveria sequer interessar-se pela consciência? Ou seja, qual o benefício, não é, de nós pensarmos sobre isto? Porque eu, desde pequena, que me questiono e olho à minha volta. Aliás, eu desde pequena que...

Eu tenho uma percepção um bocado, ou tinha antes, que parecia que qualquer pessoa com quem eu falava, eu achava que essa pessoa via o mundo exatamente da mesma forma que eu. Só que depois eu fui-me percebendo, à medida que ia falando com as pessoas, que algumas não percebiam aquilo que eu estava a dizer, ou entendiam de forma errada. Então eu aí comecei a ter consciência que nós, de facto, tínhamos percepções diferentes.

E depois comecei a conhecer pessoas que falam mais a minha linguagem e outras uma linguagem um pouco mais distante. Qual é que é a vantagem de eu, por exemplo, eu Nuro me tornar cada vez mais consciente ao invés de uma pessoa que tem mais que fazer e nem sequer se questionar?

Uma boa pergunta. Como disse, começamos logo pela consciência do eu, quer dizer, eu ser consciente de mim mesmo, dos meus pensamentos, dos meus desejos, dos meus propósitos de vida e, portanto, ter só uma consciência já de si mesmo já é uma mais-valia porque se pode, digamos, pôr em perspectiva entre aquilo que é o seu mundo interior, a sua consciência de si mesmo.

a consciência dos outros, do mundo à volta e do mundo que não é só outros, é a natureza, é a consciência do mundo animal, a consciência que tem daquilo que é a sua própria filosofia de vida.

E aí pode, de certo modo, um valor que eu diria importante é saber onde se situa, quer dizer, o que é que eu sou perante todo este conjunto de dados dos quais eu estou consciente, o que é que me motiva, o que é que dá propósito.

E se vamos mais longe, portanto, esta é a consciência pragmática adaptativa. Portanto, para eu adaptar. Mas há, parece que existe, e é o que eu digo no livro, uma outra consciência mais vasta do que essa que é adaptativa.

É uma consciência que eu atinjo, muitas vezes espontaneamente, mas que eu posso induzir o acesso a esse tipo de consciência, que é uma consciência mais vasta e que eu diria, portanto, que é uma consciência quase cósmica, que eu posso, digamos, ter acesso se eu modificar este meu estado de vigilo. Seria um estado alterado de consciência? Seria um estado alterado, um estado modificado ou um estado ampliado.

E muitas pessoas têm acesso a esse outro estado porque eu vejo o cérebro não como algo que produz consciência. Produz esta adaptativa, esta do dia-a-dia. E há uma outra à qual as pessoas têm acesso, por exemplo, em alguns sonhos, sonhos lúcidos. As pessoas têm acesso, por exemplo, quando praticam meditação.

As pessoas têm acesso quando tomam alguns psicadélicos, por exemplo. Têm acesso quando repetem certos sons, tipo mantras, repetidamente. E, portanto, há uma quantidade de outros meios de ter acesso a uma consciência onde vão buscar informação de modo que eu diria paranormal. Paranormal. Portanto, têm informação que não tem a ver com os nossos sentidos. E que não tem necessariamente a ver connosco, que é coletiva também, não é?

É muito coletiva, é muito coletiva, sem dúvida, mas aquela que vamos obter de início tem um bocado a ver connosco, mas estava oculta. Estava oculta. Por exemplo, sei lá, é possível, na minha clínica, é possível levar as pessoas a vivenciar até...

factos, acontecimentos para antes dos seus dois anos. Quase todos nós não conseguimos ir mais atrás com esta maneira de estarmos agora na vida. Podemos ir mais atrás. Ou pessoas que vivenciaram o seu parto e confirmaram. E confirmaram. Eu, aliás, falo um caso desses. Eu, aliás, no meu livro tenho vários casos que não são alguns pessoais, como também de pacientes que não se importaram de falar de si mesmo.

E podemos ir mais atrás e ter vivências intrauterinas. Há até um livro de um colega médico que fala sobre a vida do seu recém-nascido. Portanto, o que é que se passou antes? E pessoas que têm acesso, isso é que é curioso, às suas supostas vidas passadas, nesses estados modificados, ampliados de consciência.

Isto para dizer que é possível e depois pode ser, portanto, confirmado. Enfim, colegas meus trabalharam isso. Já se conseguiu confirmar? Sim, sim, sim. Por exemplo, esta série que houve há pouco tempo na TV. Da Bial, não é? Da Bial. Um colega meu, Ian Stevenson.

estudou milhares de casos, depois a pessoa ficou a trabalhar nisso, de pessoas que confirmaram dados de supostas vidas passadas, de identidades que tinham, de mortes que diziam crianças foram mortas assim ou assim, e ele foi investigar tudo isso, e portanto há dados. Portanto há uma quantidade de informação acerca do próprio que se pode obter ou noutros estados de consciência.

Então é possível que esta consciência carregue em si vidas passadas, não é? Por exemplo, eu digo supostas vidas passadas, porque nós temos evidências, não há provas. A prova, é difícil, mas há muitas evidências, uma maneira de falar, de provas circunstanciais que levam a acreditar nisso. E não só nesse aspecto.

as pessoas têm acesso a esse tipo de informação como mesmo informações sobre o futuro pré-cognições sonham às vezes com isso é tão interessante isso no outro dia estava a falar sobre isso porque eu tive o meu book club com a Sandra Gonçalves em que falámos sobre sonhos

e estamos a falar precisamente sobre isso de ter algumas previsões ou pregognições durante os sonhos e isso já me aconteceu imenso às vezes e há uma semana são coisas mínimas mas que eu sonhei que o meu avô esteve no hospital durante muito tempo e esteve assim num estado mau e voltou para casa e eu sonhei que entrei em casa dele e ele estava bastante mais jovem tipo 40 e tal anos e aí

E que abriu os braços e disse, Nur, olha, já consigo andar. E levantou-se e começou a andar e de repente caiu. Isto foi o meu sonho. E no outro dia acordo e mando uma mensagem à minha mãe para saber se está tudo bem. E ela vira-se para mim e diz, estou toda a tremer. Nós chamamos Naná, é indiana. Ela disse, estou toda a tremer, o Naná acabou de cair.

E eu tinha acabado de sonhar que isso tinha acontecido. E isto não foi uma coisa que me aconteceu. Isto já me aconteceu imensas vezes nos sonhos. Muitas vezes, exatamente. E portanto, eu não tenho dúvidas, ou seja, da minha experiência pessoal, de que, por exemplo, os sonhos são uma forma de ter acesso a uma consciência. Exatamente. Porque nós temos, de certa forma, ou seja, a nossa hipervigilância está totalmente desligada.

Exatamente. Aliás, agora até aproveito para dizer, porque é uma das falas que eu tenho aqui, que escrevo no livro, que uma das primeiras mapas ou cartografias da consciência é o famoso símbolo OUM. Que no fundo vê-se como se fosse um 3, uma virgulazinha à direita, depois um traço por cima desse 3 e depois um pontinho.

E essa é a primeira cartografia, o primeiro mapa da consciência. E diz-se que naquele som e naquele desenho está tudo aquilo que é a totalidade da consciência. A totalidade. Estou a voltar de novo à definição que há bocado me disse. Então temos, por exemplo, na parte de baixo dos sonhos, desse 3, seria a vida vigila, adaptativa, esta que eu estou aqui e que me lembro-te tudo, do dia-a-dia, não é?

A outra de cima seria, digamos, os sonhos, mas um sonho, um sono profundo onde também se sonha. Poucas pessoas sabem isso. Pensam que só na fase REM é que se sonha, mas não. No sono profundo também há sonhos, só que os sonhos são abstratos. Sobre a música, a harmonia, a paz, os sonhos são desse tipo. Não têm forma, não é? Não têm forma, são desse tipo.

E depois, naquela parte de trás, desse 3, não é? Vamos dizer assim, aí tem os sonhos habituais. Os sonhos habituais, portanto, que todos nós temos, que muitas vezes aí se mistura ou não com alguma coisa que capta informação de cima, do tal tracinho que separa o 3 do pontinho. E esse tracinho, para mim, na minha explicação, e que eu dou aqui, digamos, é um filtro.

É um filtro. É um filtro que, se viesse toda a informação dessa consciência cósmica para esta, nós não conseguíamos fazer a vida de dia a dia. E isso é o que acontece, talvez, quando alguém toma um psicadélico e não tem um ego estruturado e é demasiada informação. Ou seja, eu lembro perfeitamente de estarmos a falar sobre isto e do Mário me dizer...

Para desorganizarmos o nosso ego ou para o desestruturarmos, precisamos ter um ego estruturado. É verdade, um ego forte. E portanto é exatamente isso. Se nós tivéssemos acesso a toda a informação que existe na consciência, nós não tínhamos capacidade para agir dentro de nós. Impossível, impossível. E os sonhos são uma forma, através de símbolos, que quase que traduz o céu para a terra, não é?

É uma forma simbólica de traduzir, embora esses sonhos, como eu disse, são sonhos que na maior parte têm outro tipo de funções. Na maior parte, preparam a nossa atividade do dia seguinte, realizamos desejos insatisfeitos, organizam a nossa vida, é necessário até para aumentar a nossa imunidade, e de vez em quando há um sonho que...

que rompe aquele filtrozinho que eu digo e que vai buscar outro tipo de informação que está na grande consciência cósmica, que está acima dessa linhazinha, por cima do 3. E isso aí vejo o cérebro como um filtro. Imagino como um filtro do café. Nós pomos água, café e vai pingando. Se eu fizer uns furos, se o filtro for mais poroso, vão ter muito mais informação para baixo. E, portanto, o que é que fazem esses...

Esses psicadélicos, a meditação, a hipnose clínica, quer dizer, torna esse filtro mais puroso. Portanto, deixa entrar mais informação. E até o silêncio, não é? Eu acho que no silêncio, e quando eu digo silêncio não é estar um minuto calada, não é isso. É proativamente trazer o silêncio para a minha vida e ficar nesse vazio. Parece que acedemos a outro tipo de informação, não é? Que não é possível de aceder quando estamos vigilantes.

Isso que está a dizer, na verdade, já foi também feito em experiência, sobretudo naqueles psicotangos, pessoas que estão a navegar no escuro ou com uma luzinha vermelha pequenina, numa solução muito densa e a pessoa está a flutuar, portanto, não tem quase limite do corpo, está num silêncio total e aí tem acesso, lá está, esse sensory deprivation, a deprivação sensorial, fala, expande outra vez e vai ter acesso a outro tipo de informação. Portanto...

É o psicotanque? É o psicotanque. Portanto, há pessoas que têm isso em casa. Quer dizer, compraram, então têm um tanque, como se fosse uma banheira gigante, fecham-se lá dentro, claro, têm realmente a capacidade, uma janelinha para poder respirar, sem dúvida, mas estão ali a boiar, a boiar, em silêncio total, com uma luzinha vermelha só para não ficar na escuridão, e aí expandem e têm acesso a outro tipo de informação.

Uau, que incrível, quer experimentar. Há pessoas que têm cá em Lisboa. Vou-me informar sobre isso. Mário, nós, no entanto, vivemos num mundo cada vez mais ansioso, com cada vez mais ruído, agitação, inquietude. Será que isto pode ter a ver com o facto de estarmos cada vez mais desconectados da nossa consciência e de nós mesmos?

Eu diria que sim, sem mais nem menos, simplesmente dizendo já que sim. Nós estamos tão atentos ao mundo de fora que essa sabedoria que transportamos connosco, e aqui, desde que nós nascemos, há pessoas que dizem que não, que a consciência que foi produzida pelo cérebro, não, não. Não. Quer dizer, há uma consciência muito mais vasta e essa consciência que nós temos da vida do dia-a-dia é um bocadito dessa grande vasta com a qual nós já nascemos.

Portanto, estamos desconectados dessa outra sábia que nos faz igual praticamente na essência a toda a humanidade, até diria à natureza, na sua essência somos a mesma coisa. E porque estamos desconectados disso, vivemos tão, digamos, preocupados com a vida do dia a dia, com a sobrevivência do ego, do eu.

Daí que o outro grande, digamos, composto do que é a consciência mais vasta, quase não tem chance de se manifestar. E tudo o que ameaça este eu é aquilo que me preocupa, a minha adaptação ao dia-a-dia.

se eu me sentir ameaçado porque não realizei o que queria, porque se alguém me vem cobrar algo porque eu perdi um concurso ou algo assim. Portanto, eu vivo tão preocupado com a manutenção deste eu, do dia-a-dia, que o resto é uma desconexão daquilo que é mais vasto e que daria sentido à vida que não fosse só a manutenção do ego, do eu.

Exatamente, mas o Mário reparou que ao longo dos anos, tendo já mais idade do que eu, porque eu nasci mesmo antes da internet surgir, em 1991, mas não sei se observou isto, mas de facto parece que a nossa sociedade está a caminhar por um sítio de doença mesmo, esta obsessão com o corpo, com a imagem, ou seja, vive-se muito mais, de uma forma performativa. Eu lembro-me...

Já no início do meu podcast Entrevistar uma atriz, a Dalila Carmo E dela estar a dizer uma coisa muito interessante Que era Ela disse-me Quando eu quis ser atriz Eu queria simplesmente ser atriz Pela arte de ser atriz

Hoje em dia, uma pessoa quer ser atriz, uma criança quer ser atriz para ter fama. Ou seja, vive de uma forma muito mais performativa. Porque eu quero ser famosa, eu quero ter seguidores no Instagram, ou eu quero ser reconhecida. E parece que o mundo está a caminhar um bocado. Quando eu falo desta doença com o corpo e com a obsessão, com a imagem, com a aparência e com as plásticas e com o ser mais nova, isto é um caminho de alta desconexão com a nossa consciência também, não é? Será que... ...

que nós conseguimos encontrar um sítio de coexistência no sentido em que há imensa informação, há imensa tecnologia, mas continuarmos a viver centrados em nós?

digamos, note, nós somos bombardeados diariamente com tudo chega através do nosso telemóvel, informação disto daquilo, ficamos presos pela imagem ficamos presos por qualquer coisa que nos entretém e depois demos pelo tempo a passar de certo modo é muito difícil nós sairmos desta roda viva da solicitação do mundo à nossa volta. É apenas eu diria, quando alguém sente que o nível

É pouco. Isto, para mim, não está a dar um sentido verdadeiro à minha vida. E depois começamos a ver também, pelo outro lado, que cada vez há mais workshops, há mais retiros, há cada vez mais pessoas a procurar, digamos, algo que lhes dê sentido à vida.

E estamos a falar de sentido sem ser algo de espiritualidade ou qualquer coisa. O sentido, eu estou a lembrar-me de uma pessoa que me influenciou bastante, Victor Franco, o homem que escreveu Em Busca de Sentido, que foi o único que... Não o conheceu mais. Conheci, conheci. Conheci, ainda estive com ele em casa a tomar um chazinho. Que engraçado. Ofereceu-me um livro, com dedicatório, com desenho que ele próprio fez.

E aquilo ficou para mim, portanto, há muitos anos, em que ele dizia, portanto, não há assim nada de espiritual, apesar dele ser um homem muito espiritual, dizia que o que dá sentido à vida a qualquer pessoa seriam três coisas, amar e ser amado, está a ver. Se calhar está muita espiritualidade aqui nesta frase.

lutar por um ideal, ter um ideal e lutar por ele, ou ter uma tarefa, acabando esta, ter outra tarefa, quanto mais não seja pintar a casa, levar o neto à escola. Portanto, estas três coisas, veja, isso dá para ele, ele acha que foi isso que fez com que ele sobrevivesse ao campo de concentração.

idealizasse uma terapia que leva a que as pessoas sejam estimuladas nestes três sentidos, a logoterapia de Victor Franco e, portanto, cada vez mais nos últimos tempos está a haver uma oferta de retiros, de meditações, aprender meditação, mindfulness. A mindfulness já é ensinada na minha faculdade pelo Paulo Borges, portanto, passou a entrar lentamente também nas universidades.

Apesar de tudo, há, digamos assim, como se fossem duas correntes. E a outra, esta que estamos a falar, está pouco e pouco a ser mais solicitada. Portanto, eu tenho uma esperança grande. Eu também, eu também tenho esperança. Eu vejo que essa vai, de certo modo, deixar a outra correr, porque é assim, faz parte da vida, mas esta cada vez vai tornando mais...

interessante, vamos dizer assim e as pessoas a buscar algo que lhes dê mais sentido mais veracidade à vida Sim, porque nós na verdade não procuramos felicidade, nós procuramos significado Sim, pode dizer-se Eu acho que quando o nosso dia tem significado quando os nossos gestos têm significado nós estamos bem, estamos em harmonia com isso

E faz toda a diferença. Antes de irmos para as experiências quase-mortes, Mário, nós, ou seja, então no fundo, quando nós estamos a pensar sobre algo, nós somos a voz que pensa ou o observador que ouve essa voz ou que observa essa voz? Faz perguntas mesmo, difícil, Nuno. Olha, eu tentei perceber se eu tivesse de explicar isso em modos simples.

Há um observador que é o meu cérebro. Crie imagens ou ouço. Isso é tudo, digamos, captado pelo meu cérebro. Portanto, a minha vida do dia a dia pragmática vem dos meus sentidos. Ok. Mas depois existe um observador, que eu diria escondido, que está cá dentro. Esta é uma expressão de um homem que fazia por nós, o Hidden Observer, o observador escondido.

que observa aquilo. Então, eu poderia dizer assim numa frase, eu sei que eu vejo, eu sei que eu ouço. E este eu primeiro, esse é o observador escondido, é o que faz parte da tal consciência que...

geralmente não se manifesta, mas que critica muitos dos meus pensamentos, porque o meu cérebro produz pensamentos em esmo, milhares deles, ações, pensamentos, e rejeitam uns e dizem isso é par, porque é que estás a pensar isso? Então agora faço fonte isso pela ideia, esse primeiro eu, esse aí, esse é o que comanda, na verdade, este.

mas que o outro, esse primeiro eu, raramente se manifesta. É preciso eu estar com uma predisposição para eu me ligar a esse eu mais vasto, que está lá, que sempre esteve, que é uma espécie de representante da grande consciência.

Mas o Mário está a dizer, esse primeiro eu é a voz que critica? É a voz que critica. Mas depois há uma pessoa aqui dentro que observa essa voz. É mesmo, esse que critico já é, de certo modo, aquele que observa. Que observa. Que observa. E esse que observa é uma extensão da grande consciência. Ok. É esse que não morre. É esse que não morre. É esse que não morre. Esse primeiro eu. Eu estou a lembrar-me de uma pintura de Magritte, onde alguém se vê ao espelho,

e não vê a cara, vê-se de costas. Portanto, esse eu que observa, quer dizer, está a olhar para aquilo que está a fazer a vida. Portanto, é como se eu tivesse aqui alguém a dizer assim, ah, o rapaz está a dizer umas coisas engraçadas e tal. Exato.

E eu sou eu, só. Mas há um outro escondido aqui, que é uma expressão da grande consciência. E essa consciência, eu diria que é Deus, não é? Ou seja, não de uma forma religiosa, Deus. Ok, pode ser. Chamo-lhe Deus, o todo, o absoluto, a fonte. Eu dou esses nomes todos para que a pessoa sinta que, ok, Deus, Deus é a fonte. É o início, é o absoluto, é o todo. E esse eu que está aqui assim.

É uma partezinha, é uma centelha desse todo que depois eu posso ter acesso a ele, lá está, através dos estados modificados ou ampliados de consciência. E então posso ir para o lado de Bagdad, vamos dizer assim, posso ter acesso àquilo que nós já falámos, coisas do futuro, coisas de um passado remoto.

memórias de espécie, memórias de espécie. Eu trago dentro de mim memórias da minha espécie, por exemplo. Mas só consigo lá chegar se eu transformar esse tal filtro mais poroso. Então posso transformá-lo por posturas, pelo silêncio, pela meditação, pela hipnose, pelos psicadélicos. E aí posso ter acesso, por exemplo, à criatividade.

Eu acredito que um artista, pode ser um escritor, um pintor, um escultor, qualquer artista que muitas vezes diz a musa, a musa é ter passado o tal filtro e ir beber à fonte, portanto, onde tudo está. Muitas vezes essas memórias de espécie, outras memórias até eventualmente de outros artistas, estão lá todos nesse grande caldeirão que é o todo.

É, exatamente. E às vezes nem é preciso tanto, eu diria, ou seja, nem é preciso um psicadélico, nem é preciso ir a fundo na meditação. Eu estava-me a lembrar que agora na Ilha do Pico, quando eu estive a fazer o tal retiro, a organizar com o Journey esse retiro, eu fui para lá dois dias antes.

E eu estava num sítio rodeada de natureza, onde só se ouvia silêncio e a natureza. E eu estava cá fora, ali a um livro, assim com um setting maravilhoso. E a quantidade de informação que eu tive acesso dentro de mim, só pelo aquele momento, e aquele momento é o quê? É estar num ambiente assim e eu estar em harmonia, o meu mundo interior estar em harmonia com o mundo exterior. Eu acho que quando essa harmonia existe, essa coerência existe...

Nós temos muito mais facilidade a tocar nessa centelha divina. É aquilo que falou, é exatamente não só a coerência, é como se fosse um estado fusional. Exato. Quer dizer, eu sou, aliás, é aquilo que as pessoas contam, quando a sua experiência é realmente tão ampliada, tão ampliada, e na experiência de quase morto muitas pessoas falam disso, quer dizer, eu parece que deixei de ser eu, sabendo que ainda sou eu, mas eu sou tudo.

Quer dizer, esse é já, digamos, eu diria quase o supra-sumo de uma experiência fusional em que a pessoa diz, eu também sou tudo, o absoluto, Deus, a fonte. Aliás, é curioso, agora estamos a falar nisso.

amigos meus que experimentaram um dos psicodélicos pouco falado pouco falado, o Cambô já ouviu falar nisso, portanto digamos, tirar um certo venino, vamos dizer assim uma esquema de metiltriptamina um potente alucinogênio da pele do sapo de sonora. Ah, já sei, sim Chama-se Cambô?

é a técnica pegam naquilo, fazem uma espécie de uma instilação aqui assim, com seis pontinhos e em cinco minutos a pessoa cai e tem uma experiência de não dualidade, quer dizer eu já não sou eu e a natureza, eu sou tudo, tudo portanto, isto seria claro, a situação é preciso ter alguma

Arranjular uns conectos para Cambu. Não, ter alguém que esteja ali e que dê apoio. Sim, claro, claro que sim. A situação, mas amigos meus fizeram esse tipo de experiência da não dualidade. Portanto, já não sou eu que observo, eu e as coisas, não. Eu sou tudo. Tudo. Tudo. E na experiência de DMT também?

Sim, a dimetiltriptamina. As experiências são feitas aí, mais vulgar, seria, digamos, com a ayahuasca, ou então com uma outra substância que é a fumada, a Xanga. A Xanga também tem a dimetiltriptamina. Digamos, a diferença é que uma realmente é fumada e é mais rápida a atuar, dura 15 minutos, esta, a Xanga, não é? Mas que tem, na verdade, os mesmos compostos, e passado 15 minutos a pessoa está cá desperta.

A outra, enfim, leva umas duas horitas a atuar, vive-se ali mais duas horas e pronto. E depois vai uma segunda dose, uma terceira dose. Portanto, no fundo, para ter acesso a uma informação que a pessoa poderia ter, se calhar por outros meios, mas estes aqui não são controláveis por si. Exato. Põe aquele filtro muito mais poroso. E vai por aí. É isso mesmo.

Mário, há bocado falou em vidas passadas e sei que também já fez recursões. Sim, também. E eu gostava de lhe perguntar se tem algum exemplo de algum caso que possa partilhar aqui connosco que tenha conseguido aceder a uma vida passada de um paciente ou se pode partilhar alguma dessas experiências.

Eu até partilho uma no meu livro, que posso, por exemplo, para as pessoas que não leram ou que ainda venham a ler, uma experiência que eu fiz. Portanto, para fazermos esse tipo de regressão a supostas vidas passadas, tivemos de passar também por eles. Portanto, as chamadas didáticas. E uma delas, que eu me lembro e que refiro no livro,

em que eu tento perceber o que é que me traz aqui assim, quer dizer, qual seria, digamos, o meu fito de vida, o que é que eu estava a viver naquele momento. Portanto, eram situações que eu sentia de injustiça. E querias ver, será que isto é, digamos, o repositório de algo que eu já vivi, mas que desta vez tenho que dar uma resposta diferente? Era assim a minha pergunta. E o terapeuta não leva.

E a certa altura eu vejo-me como um índio americano, que, enfim, era um caçador, e que chego, digamos, à minha aldeia e está destruída. Está destruída e digo assim, Paulo Espão, o exército americano não cumpriu aquilo que tinha prometido, quer dizer, portanto, respeitar a paz, vieram cá antes de nos mandar para uma reserva. Eu fico assim, e fica uma dor tão grande, mas o terapeuta dizia assim,

Então, deixe vir a emoção, sinta isso. E eu estou a sentir. Então, chora. E eu disse, não, o índio não chora. E, na verdade, uma emoção fortíssima, mas eu não chorava. Estávamos naquilo e eu digo assim, então, mas isto é injusto.

Então, se eu preciso perceber mais alguma coisa disto. Então, andei a vaguear e vejo uma carruagem, um carro, que tinha 1876, ainda me recordo. Eu digo, 1876, foi nesta altura. Pois é, estavam a pôr os índios nas reservas, tudo isso. E fiquei com aquela ideia e pensei assim, deixa-me ver o que é que isto me vai trazer. Fui então.

A América, naturalmente, fui ao Museu do Índio, não é que encontro um livro de 1876. Na capa, na capa, e digo, enfim, tratava exatamente daqueles tempos, não é, em que eu digo assim, mas eu não sabia deste livro e aquilo que eu vivi está aqui assim. Impressionante, não é? E depois pensei assim, quando acabei a sessão, mas espera aí, eu quando era assim jovem, tinha os meus...

12, 14, 15 anos, eu colecionei muita coisa sobre o Velho Oeste. Cromes que colavam em cadernetas, eu lia muita coisa. Eu fazia coisas de cowboys, de índios, eu sabia tudo. Será que... a minha dúvida.

Eu, na minha adolescência, interessei-me tanto por isso que agora trago aqui para esta regressão, ou isto era uma memória, está a ver? Não tenho a resposta disso. E pronto, depois, mais tarde, eu encontro um colega meu, americano.

que era professor e que gosta imenso de mim e diz assim, vou-te levar à América, vais à minha universidade, vais fazer uma conferência, entras numa cena americana. E eu digo assim, mas este indivíduo, estou-me a lembrar que na altura eu andava a caçar com um branco também que ia comigo e pegava-me em peles para vender e digo assim, é a cara dele. E digo assim, mas espera, isso lá estou, foi aquilo que eu vi e agora estou a relacionar. Veja, fica sempre assim estas dúvidas.

Então o que é que eu faço quando alguém passa por uma vida destas, supostamente vida passada, e as pessoas dizem-me assim, eu agora percebo muito o que é que estou aqui a fazer, porque é que a minha vida está assim, fui lá buscar-me uma memória e durante a sessão nós perguntamos qual é o nexo, e as pessoas estabelecem um nexo.

E se eu tivesse de fazer um novo programa, o que é que aprendeu? O que é que aprendeu? Lidar com isto? E às vezes as pessoas ficam assim, abrem os olhos, quando eu os trago de volta, e dizem, professora, isto é real ou imaginação? Apesar de terem chorado, se terem abraçado, eu digo assim, o que é que lhe apetece acreditar? E a pessoa fica assim, apetece, apetece dizer que é verdade. Então se isso faz-se sentir bem...

acredito nisso. Portanto, eu não digo... A minha pergunta é o que é que lhe apetece? É intuitivo. Primeiro o apetece é a intuição. É a intuição. Apetece-me isto. É, apetece-me. E portanto há essa liberdade de coisa. Exatamente. E depois é o que serve àquela pessoa. Exatamente. A pessoa diz, apetece-me acreditar que é verdade. E isso, sim, porque isto dá-me sentido.

a tudo o que eu estou a viver, o que eu aprendi, aquilo que eu trago desta vivência. Portanto, eu não digo é verdade ou mentira. Que engraçado. Não posso. Eu uma vez estava em terapia com o Mário Reisende. Sim, também trabalho assim, com os mesmos métodos, claro.

Exatamente, e eu acedi, eu na minha experiência, a minha crença de que acedi a uma vida passada e que eu também era uma índia por acaso, se calhar é daí que nos conhecemos Ainda tem alguns traços Mas que eu era uma índia, uma senhora mais velha que estava num sítio tipo Amazónia

E que eu estava, eu era assim uma mulher, já devia ter, não sei, talvez quase 80 anos, cheia de rugas, uma mulher assim com presença. E estava a andar no meio da floresta e eu pegava em plantas. Eu tinha uma série de crianças à minha volta e pessoas mais novas. E eu cheirava às plantas.

E através do cheiro eu percebia o seu benefício e a função E eu ensinava isso às crianças Ia com elas e descobria a floresta e tudo mais E pronto, depois em terapia com o Mário fomos a outros sítios também muito interessantes Mas aqui a ponte disto é Eu em conversa com o Mário percebi Em toda a minha vida eu sempre mudei com pessoas mais novas E sempre preferi mil vezes relacionar-me com pessoas mais novas do que eu

e sinto-me melhor. Há aquelas pessoas que se dão melhores com pessoas mais velhas, eu sou o oposto. E eu sempre tive mesmo muito gosto em ensinar e em explicar a minha visão e em trazer coisas novas. Ou seja, aquilo que eu vivi nessa vida passada, eu consigo ver um transfer direto para a minha vida atual, mas neste contexto. Mesmo a questão do podcast, tudo, eu consigo fazer esse transfer.

Eu penso que é mesmo isso que está a fazer, quer dizer, aquilo que fazia naquela altura está a fazer hoje de outro modo, mais adequado, com outros meios, mas está a fazer, é como se fosse uma espécie de programa com o qual eu vou continuar, mas de outro modo. De outro modo, de outro formato, que é o formato da atualidade.

É curioso, agora deixe-me dizer que numa das minhas vivências, também de regressão, a certa altura eu disse, o que é que eu vim cá fazer? Uma sessão para o propósito, o propósito. E a certa altura eu digo assim, aquilo que está a aparecer, então eu vivenciar aquilo tudo, depois de ter feito algumas vivências.

Venho cá para ensinar. Eu disse, princesa, está uma estupidez, disse eu. Logo assim, estupidez, ensinar. Tudo aquilo que eu tenho para dizer está nos livros. Há para aí chamantes, há para aí mestres, há professores que sabem muito mais que eu. E, a certa altura, a terapeuta, uma pessoa com prática, diz assim, talvez de outro modo, ele diz assim, sim, mas, quer dizer...

Não venho dizer nada de novo. Talvez de outro modo. Bom, talvez. Quer dizer, por em termos simples, coisas complexas. É verdade. Aí eu disse, ok, concedi que fosse talvez isso. Sem dúvida. Muito verdade. Mara, então finalmente, o que é que são estados modificados de consciência? E todos nós temos a capacidade de os experienciar?

Temos, temos. Todos temos. Logo, dois, o sono e o sonho. É um estado modificado. Consciência que os dois, ambos fisiológicos, portanto, que são diferentes deste. Nós chamamos modificado em relação a este estado de vigilo.

Desde que se modifique deste, já estamos num estado modificado. Ou seja, um estado embriagado é um estado modificado de consciência. Completamente, completamente. Portanto, este é o estado, digamos, entre aspas, normal, mais frequente, e sempre que saímos deste, estamos num estado modificado, e os outros dois são, portanto, fisiológicos.

esses estados modificados de consciência sempre foram usados em contexto religioso, em contexto terapêutico também, em contexto divinatório, muitas vezes em tribos para verem o seu futuro. Portanto, sempre foram usados e quase todas as sociedades os usaram.

Atualmente, estes estados modificados de consciência começaram a tornar-se muito mais, digamos, usados, vamos dizer assim, para recriação. As pessoas começaram a utilizar as drogas de início e daí que veio a expressão inicial, ultra-states em inglês, estados alterados, porque as pessoas começaram com o axix.

o cannabis, fumavam em grande, e não era só, digamos, modificar, ficavam um bocado confusos, não sabiam bem onde estavam, portanto, não percebiam bem, até muitas vezes a realidade acerca deles próprios, e por isso chamou altered, estados alterados.

Há diferença, não é, entre alterado? O alterado é exatamente, é quando eu estou um bocado confuso, já não sei bem onde estou, qual é a realidade, aquilo que eu estou a ver, aquilo é real, não é. Portanto, eu próprio tenho dúvidas. Um estado modificado, eu continuo, digamos, a ser, saber que sou eu.

mas tenho acesso a outra realidade que eu digo, eu estou a vê-la, mas é apenas através dos meus outros olhos, não dos sentidos, salvo se eu tomar LSD. O LSD aí altera tudo. Estes olhos veem cores, veem todas as outras coisas, e, portanto, passaram-se a chamar modificados, porque já não ficava confuso.

E depois começaram a ver que havia outros psicadelos, como por exemplo a Ayahuasca e a Ketamina, passaram-se a chamar enteógenos, já é, portanto, estados ampliados. Ampliados. Passamos do alterado, modificado, ampliado. E deram-se até um subtítulo, enteógenos, que tem Deus com eles, Deus dentro. Portanto, fazem com que eu tenha acesso, então, à tal grande consciência que se quase identifica com o todo, com o divino.

com o absoluto, com a fonte, etc. E esse, portanto, passaram-se a chamar de estados ampliados de consciência. Que são diferentes dos estados modificados. É, talvez, é como se fôssemos expandindo, expandindo, expandindo, e este aqui amplia para um ponto em que eu posso perceber, como disse há pouco, ir para lá das minhas vivências pessoais e ter memórias de espécie, ter memórias até, eu diria, não só de espécie, mas há pessoas que falam...

de ter memórias da formação da Terra. Meu Deus, ao que isto chegou, são milhões de anos para trás. Portanto, muitas vezes, algumas pessoas, estranhamente, estou a dizer isso, porque houve pessoas que já foram para além daquilo que seria uma vivência humana, de espécie. Pessoas que tiveram vivências de animais, vivências de pântano.

Pessoas que se sentiram como se fosse um pântano. Pessoas que se sentiram como se fosse uma fruta. Isto é real, imaginário. Isto é metafórico. Mas quando a pessoa vivencia isto, para elas, aquilo é a realidade. É real, sim. É real. É assim, eu acredito que seja, porque como é que se experiencia ser uma fruta se nunca for? Só sendo, não é? Como é que eu tenho uma memória de pântano se eu nunca experienciei isso? Exatamente. Exatamente.

É porque provavelmente experienciei. É daí que se diga que quando estamos nestes estados modificados, ampliados de consciência, a realidade depende do estado de consciência em que nós estamos. Exato. E eu tinha uma pergunta para lhe fazer sobre isso, Mário, que é, existem vários níveis de consciência, ou seja, nós às vezes estamos a falar com uma pessoa...

Isto acho que já nos aconteceu a todos. E sentimos que aquela pessoa não está bem a ver aquilo que nós estamos a dizer. Percebe o que eu estou a dizer? Ou seja, não estou a dizer que um é melhor do que o outro. Estão só em sítios diferentes. Eu digo uma coisa, é como se um bicho da sede estivesse a falar com uma borboleta.

São níveis diferentes. É engraçado. São, são. São níveis, digamos, experienciais diferentes. Cada um tem a sua história de vida e, portanto, se não passarmos por experiências semelhantes, às vezes é difícil. Agora, quando estamos num mesmo estado, vamos dizer assim, de modificado consciência...

É possível, é possível que nós estejamos a partilhar uma realidade não comum para as outras pessoas, mas se tomamos o mesmo psicadélico, se fizemos o mesmo jejum, por exemplo.

Se fizemos o mesmo, estamos no silêncio, é possível haver uma realidade comum. E isso, por exemplo, foi estudado em alguns institutos que se dedicaram exatamente ao estudo dos sonhos, em que a pessoa pode entrar no sonho um do outro e ter sonhos em comum.

Pois é, ou seja, eu acordar e dizer a alguém, se tinha contigo isto, isto e isto, e outra pessoa, se tinha exatamente o mesmo. Eu também a mesma coisa, portanto, isso foi feito no Instituto Maimonides, estudos exatamente onde as pessoas, digamos, conseguiam, eu próprio fiz algumas experiências com algumas das pessoas que fizeram cursos comigo, dizer assim, eu vou-te aparecer em sonhos.

Mas, para ter a certeza, eu vou levar um objeto na mão, que tem que identificar. Está a ver? E é lindo. Então, claro, nós tínhamos de combinar algumas coisas, não é? Portanto, à mesma hora, tínhamos de certo modo, estávamos os dois numa certa sintonia, não era assim uma entrada sem mais nem menos. Portanto, combinámos a hora.

respirávamos fundo umas 10 vezes, estávamos de espírito aberto, e então, então, entrávamos, e então eu levava, como a lembrar uma vez, que levei um pequeno elefante na mão. E no outro dia fui-me a encontrar com uma das minhas alunas, e tal, e ela disse, olá professor, e começa a rir-se, e eu também. Então se rir de quê? Então, andar assim com coisas esquisitas, coisas esquisitas de quê?

Agora sabe bem o que é que eu estou a falar. Não, não preciso ouvir isso. Então levava um elefante. Eu disse, meu Deus, portanto, resultou. Incrível, não é? Resultou, resultou. Vou fazer esse texto. Portanto, lembrei-me dessa experiência, desse tal instituto onde se faziam experiências desse género e eu fiz essa experiência. Portanto, é possível...

E, na verdade, eu penso hoje que este filme, filmes vários com grande sucesso, o Pesadelo de Elm Street, não é? O Freddy Krueger que entra só e a pessoa não pode nem adormecer porque ele entra nos sonhos dela, não é? Alguém disse assim na altura.

Pois é, este filme tem 5, 10% de inspiração real, estas experiências, e o resto é transpiração. Portanto, é muito trabalho para pôr isto em cinema. Exatamente. Mas a ideia é exatamente essa. Alguém que entra no sonho da outra pessoa e pode aterrorizá-la. Mas para isso acontecer, o Mário estava a dizer, ou seja, combinaram e etc. Estas pessoas têm que estar...

proativamente conectadas, no sentido em que é combinado, olha, vamos dormir às x hora, eu vou entrar desta forma, ou seja, tem que existir uma comunicação. Não sempre, não sempre. E, por exemplo, eu digo que não, isto é sempre a termos, mais ou menos é garantido que iria resultar com uma prova exterior, que a outra pessoa não sabia. Mas há, assim, digamos, algum tipo de experiências, ou melhor, de situações que surgem.

em que a pessoa não combinou nada, não combinou nada, mas lançou assim para o ar, por exemplo, estou a recordar-me, uma pessoa que queria, enfim, estar com uma outra que há muito tempo não via, mas que gostava de conversar com ela, pôr em dia muitos assuntos, e fizemos uma sessão em que, nesse estado de relaxamento,

Eu digo, então faça esse programa e envie com muita ternura, com carinho para essa pessoa, um desejo que gostaria de falar com ela, de pôr coisas em pratos limpos e a pessoa fez aquilo. Eu disse assim, ok, então e agora, isto vai resultar? Eu disse.

a probabilidade está lá, não sei quanto. Então, mas como é que isso resulta quando estou a fazer isto de dia aqui assim, e, ah, sim, agora, lançou e pôs no ar, e isto está no Starlink. Portanto, vai andando à volta da Terra, não é? Essa mensagem vai andar assim nesse satélite, e quando essa outra pessoa, quem enviou a mensagem, estiver num estado semelhante ao seu, aí é como se ele captasse a informação que está a descer do satélite.

Porque é exatamente assim que funciona. É assim que funciona. Nós fomos como se fosse um rádio, não é? Com as antenas. Quando sintonizamos com o timbro do outro, conectamos ao outro e recebemos muito mais informação. É curioso. O que eu vou dizer é exatamente a explicação.

que Dan Brown dá no seu último livro, O Segredo dos Secretos. Portanto, é uma cientista que diz que o cérebro é uma antena. E que essa antena, pois, pode ser mudada, sintonizada, com mais silêncio, menos silêncio, com um psicodélico, com meditação, e vai fazendo, regulando, e, portanto, vai ter acesso a outro tipo de informação. E o que ela diz é interessante também, já agora que falou nisso, da ideia do rádio. Portanto, é como se houvesse...

muitas estações, como estão aqui neste momento, se ligássemos um televisor ou um rato, está cheio de vozes e imagens aqui. Portanto, temos de ter o aparelho para isso. Então, o nosso cérebro, afinado com algumas destas coisas, captaria essa informação que está aqui. Está aqui. E ela diz mesmo assim, se calhar, eu achei piada agora, estou a dizer isto, vai ficar no podcast, que...

Aquilo que nós vemos à volta dos santos, aquela aura, não é? Sim. Que nós dizemos assim, ah, pois, ele é um santo, portanto, as pessoas olhavam para ele e viam a aura dele, que é um homem santo. E ela diz, não, não, é ao contrário. Aquilo é, digamos, a irradiação que vem do todo e que não sai dele, entra nele. Entra nele. E o que as pessoas veem é a informação que ele tem uma antena fantástica.

Ele tem uma parabólica e nota à volta a informação que ele capta e por isso ele é sábio, por isso ele é santo, por isso ele ensina, por isso ele é capaz de curar. Que incrível! É curioso, isso faz tanto sentido. Ou seja, em vez de a nossa aura ser a energia que nós emanamos...

É o oposto, que é, existe a consciência. A consciência, tudo. O grande, grande. Nós somos um canal, um veículo de comunicação. De comunicação. Somos um rádio e, portanto, recebemos essa informação. E quanto mais puros, entre aspas, tivermos, ou seja, com menos ruído tivermos, mais informação entra. Exatamente.

É isso mesmo. É engraçado. Agora eu lembrei-me exatamente desse livro, O Segredo dos Crises. Muito interessante. Então, Mário, antes de terminarmos, há aqui uma pergunta que eu gostaria muito de fazer, uma ou umas, mas pronto, vou tentar ser rápida, que é, então, no fundo, o que é que acontece no cérebro quando o corpo está a morrer? Que eu acho que falar aqui da morte é muito interessante, da consciência e da morte. Sem dúvida, sem dúvida. Quer dizer, o que se sabe é que o cérebro vai, antes de, digamos, de...

desligar completamente, vai desligando, vai desligando. Isto não há um momento de morte logo. Portanto, vai desligando porque vai recebendo menos oxigênio, vai recebendo menos circulação e há áreas que vão se apagando, mas não apagam todas, digamos, ao mesmo tempo.

E, por exemplo, a última área a apagar-se, entre aspas, é a audição. Daí que vale a pena, muitas vezes, falar com uma pessoa que parece que está em coma, que não atende nada. Não, são pessoas que depois regressam do coma e recordam-se até de conversas que tiveram. Portanto, é o último a desligar. E depois, pensa-se que, mesmo que nós não captemos nenhuma eletricidade no eletroencefalograma,

naqueles momentos que antecedem a morte, pensa-se que na parte mais profunda do cérebro ainda haverá alguma atividade, mas que o eletroencefalograma apenas capta a parte externa, um terço do scalpe. E, portanto, talvez aí. Agora, o que se sabe é que...

quando o cérebro, digamos, está praticamente a desligar-se completamente, há uma subida total de energia cerebral, como se fosse uma descarga total, uma luz, o canto do cisne. Pois é. E, portanto, são pessoas que estavam já completamente apagadas, são capazes de abrir os olhos, ter uma conversa, despedir-se. Chamam-se as melhoras da morte, não é? As melhoras da morte, exato.

E então aí a seguir, acabou. Portanto, é a parte final. Isto é aquilo que em pouco termo, em termos, digamos, muito simples, seria de explicar. Claro que existem explicações ligadas exatamente, por exemplo, a neurotransmissores.

Por exemplo, o ácido gama-aminobotírico, quando a pessoa, digamos, se apaga e pode ter acesso a essa explosão final, é como se tivesse havido uma diminuição total do ácido gama-aminobotírico. Isso permite, permite. O ácido gama-aminobotírico é um neurotransmissor que inibe, de certo modo, a transmissão, vamos dizer assim, e que aquilo se diminuir, então, é como se todo o cérebro explodisse ao mesmo tempo nessa parte final.

e exatamente porque não se apaga, digamos assim, de um modo contínuo, é isso que deve ser tido em conta, por exemplo, antes de recolher órgãos. Temos que esperar pelo menos 5 minutos de silêncio cerebral antes de recolher, para ter a certeza de que não houve nada, e para alguns órgãos, temos 20 minutos para recolher órgãos, alguns deles.

Portanto, temos que ter a morte corporal, deixa de bater o coração, deixa de respirar e mesmo assim esperamos um silêncio cerebral num mínimo de 5 minutos para ter a silêncio e a pessoa ainda não regressa. E o que é que são exatamente experiências de quase morte?

E o que é que têm em comum os relatos de pessoas? Estão diferentes, mas que há sempre um comum. É verdade, é verdade. Algo em comum. É verdade. Exatamente, seja em qualquer cultura, seja através do tempo. Há relatos desde o século VI, um Papa Gregório, que fala também de situações semelhantes, experiência de quase morte teria tido.

Há aquele quadro de Hierónimos Bosch que representa exatamente uma experiência de quase-morte, ou ele teve ou alguém lhe a contou, portanto estamos aí em finais do século XV, não é só de agora, estas coisas de experiências de quase-morte, e depois os relatos são praticamente semelhantes, geralmente tocam em três aspectos, embora nem sempre se verifiquem os três. Experiência fora do corpo,

olha-se para baixo e diz assim, mas estão a falar de mim, estão a dizer que isto vai correr mal, a minha operação se calhar não me sabe o que é isto. Estou a ouvir isto. Portanto, há um outro eu, vamos dizer assim, que critica o tal eu que observa e que não tem a ver com o cérebro, porque o cérebro está muitas vezes já, eu diria, sem qualquer circulação, mas a pessoa continua a raciocinar e depois, isto é, fora do corpo.

E muitas pessoas ficam por aí. A experiência de quase-morte continua. Há simplesmente um tipo de experiência que é out of body experience. A experiência fora do corpo. Ficam por aí, viajam até a enfermaria ao lado, visitam alguém em casa e voltam para o corpo. Portanto, há muitos relatos deste. Incrível, não é?

Na sequência, a pessoa vê-se fora do corpo e sente-se atraído por algo e vê um túnel, vê um túnel, e sente-se não só atraído, como puxado, e vai para aquele túnel, a ser levado, e naquele túnel encontra pessoas que já faleceram, da sua família, que falam com eles telepaticamente, não há, digamos, voz falada.

Vem o seu animal de estimação que faleceu ali assim e vão continuando na sua via porque vem uma luz lá ao fundo e aí muitas vezes ficam assim, é uma atração grande e chegam perto daquela luz e sentem um amor incondicional.

não há julgamento, não há... Há uma amorosidade total e apetece ficar ali. E para algumas pessoas sentem o apelo estou-me a sentir tão bem, sem dor, sem julgamento, amor total, que me apetece ir para a luz. Então isso hoje é uma figura religiosa.

Ou um ente de família que já faleceu e diz, não chegou a tua hora, deves voltar. Se passas esta linha, já não voltas. Tens os teus filhos, tens uma tarefa, etc, etc. E as pessoas assim, muitas então decidem voltar. Outras gostavam de lá ter ficado. Em workshops eu vejo isso. Quando levo as pessoas a vivenciar e algumas ralham comigo, porquê que me trouxe? Estava lá tão bem? Enfim, não vale a pena entrar. Então.

Quando começam a regressar, fazem uma revisão rápida de vida. Afinal, não é aquilo como nós pensávamos, como se vê em algumas representações do Egito, em que põe o coração num prato da balança e uma pena do outro lado, e, portanto, o teu coração tem que ser mais leve do que uma pena. Não.

nos registros mais modernos, as pessoas veem as reações das outras pessoas e veem aquilo que eu disse, aquilo que eu fiz, o mal que eu provoquei, o sofrimento. Portanto, é através do outro que se julgam nos seus atos. Não há um julgamento exterior, é a própria pessoa que vê.

aquilo que provocou e está a ver o filme, sobretudo, como se o outro estivesse a sentir, como se a outra pessoa, o animal, uma árvore, um outro ser humano, reagiu quando nós fizemos certos atos ou dissemos certas coisas. E, portanto, trazemos uma espécie de autocrítica que nos diz assim.

Pois é, eu nem tive ideia daquilo que provoquei. Isso leva a uma mudança interior grande e depois a pessoa vem e acorda no seu corpo e volta a ter dor, com uma saudade grande daquele momento. E a partir daí, renova tudo o que era a sua maneira de ser, de estar, passa a ser mais, digamos, sensível.

A natureza muda a sua atitude em relação às pessoas, em termos de o que é que é mais importante também para ela, tem mais cuidado naquilo que diz, no que faz, os seus interesses não são tão materiais, passa a sentir-se mais espiritualidade, com uma outra atitude perante a vida, muitas vezes inclusivamente.

sem saber como parece que têm capacidades curativas, apetece pôr a mão. Uma dor aí, dá-me licença? Olha, passou a dor. Estranhamente têm esse tipo de capacidades curativas. Portanto, é uma mudança de emprego, muitas vezes.

É uma mudança de, eu diria, até mesmo de situações na própria família que estavam a suportar, que eram humilhantes. Não, não vale a pena. Sim, estas pessoas vêm sempre com relatos incríveis e depois vêm sempre transformadas. É. De tudo aquilo que eu já vi e ouvi, é muito isso que o Mário está a dizer, ou seja, há um impacto profundo.

um impacto muito profundo. Parece que começam a ter uma perspectiva muito mais ampla do que a vida. Muito mais ampla. E do propósito de estar aqui, não é? Do propósito de estar aqui, dizem, afinal, nós não morremos, isto aqui não é, digamos, a última realidade, depois de estarmos aqui, há uma outra que continua, porque essa tal minha essência, essa tal minha consciência mais alargada, mantém-se e continua a sua evolução.

Exatamente, isso é muito curioso Bom, nós continuaríamos aqui à conversa Mas também para percebermos mais sobre Experiências de quase-morte O Mário escreveu bastante neste livro A Consciência Não Morre E também vos deixo o convite de aparecerem No Porto, na Feira do Livro Em Coimbra Em Alfragido não, porque é já amanhã Portanto este episódio só sai no próximo fim de semana Mas gostei muito Mário É sempre muito bom falar consigo Muito obrigado também É sempre uma conversa muito rica E aí

Eu espero ter respondido, porque as suas perguntas quase sempre são realmente difíceis, fazem pensar, não dá para preparar respostas. É o momento. Ainda bem, ainda bem. A espontaneidade faz parte do processo. Mário, obrigada. Obrigado também, Núria. Obrigada.

EP145 - A Consciência Não Morre - Mário Simões | Castnews Index — Castnews Index