Os apegos da alma | Parte 1 | Pregação | Quaresma 2026 | #21
Qual parte mais te marcou?
- Ascensão do Monte CarmeloUnião com Deus · Privação dos apetites · Pecado mortal e venial · Apego às coisas materiais · Perfeição espiritual
- Importância da faltaNecessidade de mortificação · Apetites desordenados · Rigor na vida espiritual
- A visão de São João da CruzPecados e imperfeições · A vontade de Deus · A natureza humana
- Fazer tudo com excelênciaRenúncia e sacrifício · A busca pela santidade
- Alimentação EspiritualApetites naturais · Liberdade da alma
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendita é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Nós vamos dar sequência ao nosso livro, A Subida do Monte Carmelo, parte 1, de São João da Cruz. Nós já estamos no capítulo 11, você que tem este livro, nós estamos na página 121. Página 121. Essa pregação será dividida em três partes.
E veja, São João da Cruz está chegando ao final do que ele quer dizer.
O que é o intuito deste capítulo? Como se prova ser necessário para chegar à união divina que a alma se prive de todos os apetites, por mínimos que sejam. Então, o que ele quer resolver? Ele quer provar a você, provar a mim, de que nós precisamos chegar à união com Deus. A união é a subida do Monte Carmelo. Lá no topo, você encontra o estado de perfeição. Você encontra a união com Deus.
Mas, ele já tem nos mostrado isso, a gente vai precisar passar pela noite escura, nós vamos precisar passar pela privação dos nossos apetites, os nossos apetites desordenados. Romanos capítulo 6, versículo 12, Romanos capítulo 6, versículo 12, não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais a seus apetites.
A palavra de Deus está dizendo, não ofereça o teu corpo aos apetites. Não obedeça aos seus apetites. Não obedeça aos seus apetites que te levam ao pecado. E São João da Cruz, então, ele entende o seguinte. Ora, para chegar à santidade, eu não posso obedecer meus apetites.
para chegar à santidade, não posso obedecer aos apetites. Agora, detalhe. É então preciso que a alma se prive. Se eu não posso obedecer, logo eu tenho que me privar. Como está em Colossenses 3, versículo 2, o que está escrito aí? Colossenses 3.
Colossenses 3, versículo 2, porque estáis mortos e a vossa... Colossenses 3, versículo 2, afeiçoai-vos as coisas lá de cima e não as da terra. Veja, este não significa privação. Não aos apetites desordenados. Não.
não aos apetites que nos tiram de Deus. Então, essa palavra é fundamental. Eu faço essa pequena introdução para que você entenda. Para que você entenda a importância dessa palavra.
Vamos ver, eu estou com vontade de ir no início desta... Vai dar um trabalhinho aqui, vamos ver se vale a pena, mas vale a pena. Vamos ver se eu acho com facilidade aqui, porque na pregação de ontem...
Vamos ver se eu acho com facilidade. Romanos 13, de 11 a 12. Preciso decorar essa citação. Romanos 13.
de 11 a 12. Eu achei tão bonita essa mesmo. Eu achei tão bonita essa citação que eu li ontem para vocês, na pregação anterior, porque ela também diz muito. Romanos 13, versículo de 11 a 14. Isso é tanto mais importante porque sabês em que tempo vivemos. Já é hora de despertar-lhes do sono. Já é hora.
de a gente despertar do sono da fé, do sono de uma vida medíocre, do sono de uma vida, sabe, levando com a barriga as coisas de Deus. É hora de despertar disso. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé. A noite vai adiantada, o dia vem chegando, despojemos-nos. Veja, todo este capítulo de São João da Cruz é mostrando que a gente vai ter que se privar.
que é o que a Bíblia está falando, minha gente, despojemos-nos, privação das obras das trevas. Então vai ter que ter um despojamento das obras das trevas. E vistamos-nos das armas da luz. Comportemos-nos honestamente como em pleno dia.
E São João da Cruz está dizendo que a alma se prive de todos os apetites, por mínimos que sejam. E aqui eu também quero que você entenda o seguinte, o que João da Cruz hoje vai nos mostrar é que nós vamos ter que nos libertar de todo e qualquer apetite desordenado, por mínimo que seja.
Ah, mas é só um pouquinho. Será que isso vai fazer mal? São João da Cruz vai nos ensinar. Será que uma coisa pequena é capaz de me prender? Eu não estou querendo subir o monte? Quero subir o monte, sim ou não? Quero. Quero a união com Deus? Quero. Quero a perfeição. Será que uma coisa pequena é capaz de me travar nesse processo? É essa a resposta que ele vai te dar. Mas veja o que a Bíblia diz no versículo 13. Comportemos-nos honestamente como em pleno dia. Nada de orgias. Veja, nada.
Mas nem um pouquinho? Não. Nada de orgiaço. Nada de bebedeira. Nada? Nem um pouquinho de bebedeira? Pode? Nada. Nada de desonestidades, nem de soluções. Mas nada? Nem uma pequena desonestidade? Não. Nada de contendas. Nada de ciúmes. Mas nem um pouquinho de ciúmes? Não. Nada.
Ao contrário, revestivos do Senhor Jesus, e não façais caso da carne, nem lhe satisfaçais aos seus apetites. Terminologia que São João da Cruz usa, apetites. Pronto. Isso é uma pequena introdução para você entender aonde São João da Cruz quer chegar. Lembrar que quando um santo escreve, ele está baseado na palavra de Deus. Parece que há muito tempo,
ou melhor, parece que há muito, o leitor deseja perguntar se é necessário que para chegar a esse alto estado de perfeição tenha procedido mortificação total em todos os apetites, pequenos e grandes. A pergunta que pode surgir, ok, eu entendi que eu tenho que me privar dos apetites, mas a pergunta agora é,
Eu tenho que me privar só dos grandes ou também tenho que me preocupar com os pequenos? Lembre-se que a meta é alta. Mateus capítulo 5, versículo 48. Mateus capítulo 5, versículo 48. Abra sua Bíblia. Portanto, sede perfeitos, assim como o vosso Pai Celeste é perfeito. A meta é alta. O nosso modelo é um padrão alto.
Então a Bíblia não está dizendo, olha, sede perfeitos como Moisés e grande Moisés. Sede perfeitos como Abraão, o grande Abraão. Não, mas não é. É sede perfeitos como o vosso Pai Celeste. É perfeito. Então.
É preciso que haja modificação em todos os apetites, pequenos e grandes, e se bastará modificar algum deles e deixar outros, pelo menos aqueles que parecem de pouco momento, porque parece coisa rigorosa. Ah, alguém pode começar a pensar, mas é muito rigoroso. Ah, esse negócio que a gente tem que abandonar tudo, a gente tem que abandonar as coisas do mundo, a gente tem que abandonar os apetites, a gente tem que abandonar os prazeres. Parece coisa rigorosa.
Isso aqui é muito comum. Quando a pessoa está muito envolvida no mundo, quando ela está muito envolvida nos apetites da carne, e se chega alguém falando com a palavra de Deus, porque aqui todas as pregações foram com a palavra de Deus, agora mesmo eu estou falando para você. Vamos lá, voltemos para Romanos capítulo 13. Romanos capítulo 13.
versículo 13, Romanos 13, 13, nada de orgias, nada de bebedeiras, nada de desonestidades, nem de soluções, nada de contendas, nada de ciúmes. Aí alguém olha para o Frei e fala assim, mas Frei, isso aqui é muito exagero. Primeiro que não é uma palavra do Frei, é a palavra de Deus. Por que é exagero? Lembre-se, quando a palavra de Deus te pede, ela está querendo o seu bem.
Se ela está dizendo que nada de orgias, é porque a orgia não te faz bem. Se ela está dizendo nada de bebedeiras, é porque a bebedeira, o excesso de bebida, não vai te fazer bem. Nada de ciúmes, é porque a Bíblia sabe que o ciúme não te faz bem. Nada de desonestidades, porque a Bíblia sabe que a desonestidade não te faz bem. Só que muita gente vai enquadrar tudo isso como parece coisa rigorosa. Como se...
Ouvir a palavra de Deus agora é uma palavra rigorosa. Não é que é rigorosa, é que a gente está tão afastado dela, que quando ela pede algo simples, a gente acha que é rigor. E não se espantem, o nosso mundo chegou nesse patamar já, viu? Há muito tempo. O nosso mundo tem se afastado tanto da palavra de Deus. Tanto, mas tanto, em todas as esferas da nossa sociedade.
E agora, uma coisa simples, nada de orgias, nada de bebedeira, isso daqui, rigoroso demais, rigoroso. A palavra de Deus não é rigorosa, é que a gente se afastou demais.
E agora, claro, você vai ter que fazer muito rigor com você mesmo para voltar à sua essência, a voltar à verdade, a voltar àquilo que de fato faz bem à sua alma. O problema não é o rigor da palavra de Deus, o problema é que nós nos afastamos demais. Para quem está perto dessa palavra, para quem está vivendo essa palavra, não tem rigor nenhum.
Para quem entendeu essa palavra, nada de bebedeira, ótimo, muito melhor para a minha saúde, muito melhor para a minha família, e está tudo tranquilo, graças a Deus. Não tenho esse vício, não tenho essa coisa que me atrapalha. Para quem está dentro da palavra, para quem está perto dela, para quem colocou ela no coração, não existe rigor. Agora o rigor é para quem está muito longe. E se vê muitas vezes preocupado de como fazer.
para renunciar a tudo que se enfiou para se acordar com essa palavra. Então, muita gente olha para tudo isso e fala, porque parece coisa rigorosa e muito dificultosa para chegar. Ah, mas ninguém disse que seria fácil. Ninguém disse que seria fácil. Mateus capítulo 7, quem falou para você? Jesus nunca mentiu para nós? Mateus capítulo 7, versículo 14.
Ou melhor, versículo 13 a 14, Mateus 7, de 13 a 14, Entrai pela porta estreita, porque largue a porta e espaçoso caminho que conduz à perdição, e numerosos são os que por aí entram. Entrai, porém, estreita, porém, a porta, e apertado o caminho da vida, e raros são os que encontram. A porta do céu é estreita. Nunca ninguém mentiu para você? Jesus não mentiu? Mateus 24, Mateus 24,
Versículo 16, Mateus 24, ou melhor, Mateus 16, 24, desculpa, Mateus 16, 24, em seguida Jesus disse a seus discípulos, se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Ele não mentiu para nós? Quer me seguir? Você quer me seguir? Você não é obrigado, você quer? Outra coisa que o mundo precisa entender, ninguém está obrigado.
Ninguém está obrigado. Quando eu prego a palavra, eu não estou obrigando você. Eu estou pregando para quem quer abrir o coração, eu estou pregando para quem quer.
Quando Jesus fez a sua pregação, ele não obrigou ninguém. E por que agora nós estamos na Semana Santa? Por que agora o mundo está bravinho com a palavra de Jesus? Por que agora o mundo ficou enfesado com a palavra de Jesus? Por que esses fariseus e esses hipócritas agora querem prender Jesus, querem matar Jesus por causa da sua palavra? Ele não está obrigando ninguém. Agora quem está seguindo ele é porque quer.
E qual que deveria ser a lógica? Quem quer seguir Jesus, siga Jesus. Quem não quer seguir Jesus, não segue Jesus. As pessoas têm a liberdade para não seguir, mas deveriam ter a liberdade para seguir. Jesus não enganou ninguém. Se você quiser, você não é obrigado. Jesus não está falando aqui, olha, você é obrigado a estar comigo, você é obrigado a fazer minha vontade, se não isso, se não aquilo. Não, se você quiser, vir comigo.
Mas se você quiser, renuncie-se a si mesmo. Então, parece coisa rigorosa, muito dificultosa para chegar a alma, há tanta pureza e nudez. Nossa, como é que eu vou conseguir me desprender de tudo isso? Como é que eu vou conseguir uma vida tão pura, sem que tenha vontade e afeição a coisa alguma? Meu Deus do céu, mas como é que eu vou agora viver Colossenses capítulo 3, versículo 2?
Colossenses 3, 2, Afeiçoai-vos as coisas lá de cima e não as da terra. Como é que agora, do nada, eu tenho que me afeiçoar pelo que é de Deus, pelo que é do alto, pelas coisas que é do céu, sendo que eu moro nesta terra? E a palavra de Deus está dizendo não as da terra. 1 João 2, 15, Não ameis o mundo e nem as coisas do mundo.
Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai, porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, a soberba da vida, não procede do Pai mais do mundo. Meu Deus, mas como é que eu vou fazer isso? Tiago capítulo 4, versículo 4, Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus, todo aquele que quer ser amigo do mundo, constituir-se inimigo de Deus, você tem que querer. Você não é obrigado. Você não é obrigado.
Se você quiser, se alguém quiser, sabe o que acontece? Se você quiser, Deus vai te dar uma graça para você alcançar. Agora a graça não é derramada sobre aquele que não quer. Deus vai dar uma graça, vai desperdiçar a graça na pessoa que não quer? Não, se você não quer, você não quer. Agora se você quer, pronto, aí Deus vai te dar uma graça. Porque ninguém é santo por si mesmo, ninguém consegue fazer tudo isso por si mesmo, mas pela graça de Deus.
A isso eu respondo primeiro, que embora seja verdade que nem todos os apetites são igualmente prejudiciais e nem atrapalham igualmente a alma, todos se iam de mortificar. Nem todos os apetites são prejudiciais de igual modo.
Nem todos atrapalham igualmente a alma, é verdade. Mas João da Cruz já começa a responder. Mas eu tenho que te falar que você vai ter que modificar todos. Vamos ver se eu acho essa palavra. Se eu não achar eu peço ajuda. Essa palavra é importante. Eu acho que eu preciso de ajuda. Aqui.
1 João 5, versículo 16. 1 João 5, versículo 17. Há pecado que é para a morte. Há pecado que é para a morte. Porque se a Bíblia está dizendo que há pecado que é para a morte, há pecado que não. Que não é para a morte.
Há pecado que é para a morte. Versículo 17. Toda iniquidade é pecado. Mas há pecado que não leva à morte. Como assim? Romanos capítulo 6, versículo 23. O salário do pecado é a morte. Mas há pecado que não leva à morte. Gente, é simples. A igreja católica, e aconselho você ler no Catecismo da Igreja Católica, lembra do Catecismo da Igreja Católica?
Esse livro que todo católico tem que ter na sua casa, busca aqui o que é pecado venial e o que é pecado mortal. Leia aqui. Lição de casa para você. Não tem um livro? Compra. Todo católico tem que ter.
Isso aqui é obrigatório. É igual Bíblia para católico. Claro, Bíblia é uma das fontes da nossa revelação. É uma das fontes, só que aqui nós temos o magistério. Então, o católico também tem esse livro aqui. Lembrando que aqui é o magistério da igreja. Ou seja, é o magistério que te ajuda a interpretar a palavra de Deus. Então, compra o livro se você não tem.
O que é pecado venial e o que é pecado mortal? Procura no índice, você vai achar e leia a diferença. Pecado venial, um pecado leve. Resumindo, resumindo, resumindo. Se você morrer em estado de pecado leve, é pecado, é pecado. Mas você não vai perder o paraíso por causa de pecados leves.
A igreja aqui também ensina que pecados leves são perdoados, se você está arrependido, são perdoados na hora da missa. Olha que bonito. Pecados leves. Por isso que a Bíblia está dizendo, toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte, pecado venial. Agora, pergunta aqui para o catecismo, e o pecado mortal? Ah, esse pecado, olha a palavra, mortal, leva à morte. Que eu sempre falo para vocês, precisa ter três coisas para ser pecado mortal. Falta grave.
consciência de que isto é um pecado grave, e liberdade para fazê-lo. Ou seja, ninguém me obriga, mesmo assim eu faço. As três têm que estar juntas. Se faltar uma delas, não é pecado mortal. Se as três estão juntas, é um pecado mortal. Esse pecado leva à morte. Há pecado que é para a morte. Pecado mortal.
Então São João da Cruz está reconhecendo isso no ano de 1500 e pouco. São João da Cruz é do ano 1500 e pouco. Ele está reconhecendo isso. Nem todo pecado tem um peso igual. Há pecados mais leves. Há pecados mais graves.
E aqui a igreja sempre deixou isso claro. Então quem quer aprofundar? Aconselho você. Ah, não tenho catecismo, mas quero aprofundar. É só buscar na internet, catecismo da igreja católica, parágrafo que fala sobre pecado venial, parágrafo que fala sobre pecado mortal. E você vai entender. Leia com calma. Eu creio que não é uma leitura difícil para você compreender. Ok? Então São João da Cruz está reconhecendo isso.
Nem todos os apetites são igualmente prejudiciais. Não está falando que não prejudica, mas não são igualmente prejudiciais. Nem atrapalham igualmente a alma. Não está falando que não atrapalha, mas não atrapalha igualmente. Todos se hão de mortificar. É tanto que atrapalha, qualquer pecado atrapalha, por isso que ele está falando, todos têm que se mortificar.
Falo dos voluntários, porque os apetites naturais pouco ou nada impedem a alma para a união, quando não são consentidos nem passam de primeiros movimentos. Opa! São João da Cruz, ele está bem centrado aqui agora. Falo dos voluntários. Ou seja, falo daqueles que eu tenho consciência.
Falo daqueles pecados que de fato eu quero. Porque a coisa... Gente, é verdade ou não é? Tem coisas que a gente faz que a gente nem... A gente não pensou naquilo, a gente não queria fazer aquilo. E é um processo da nossa fraqueza e fragilidade humana. Então não houve um ato, eu quero pecar, eu quero fazer esse pecado. Não. Do nada você cometeu algo que você nem se percebeu. Você nem se percebeu.
E de repente, como é que você peca? Como é que esse pecado pode ser igual ao outro que é voluntário? Ou seja, eu quero fazer. Eu sei que é errado, mas eu vou fazer.
Então, os apetites naturais pouco ou nada impedem a alma para a união, quando não são consentidos nem passam de primeiros movimentos. Então, há situações na nossa alma que são primeiros movimentos. Um pensamento errado é um primeiro movimento. Opa, veio um primeiro movimento. Calma. Até aí você não pecou. O que é o pecado? É você consentir com esse pensamento errado.
O pensamento errado chegou. Calma, você não pecou? Por hora é o pensamento errado? Por hora é a tentação? Por hora é a sua fraqueza? Se você consentir, aí é o pecado. Eu consinto, eu gostei desse pensamento, eu vou alimentar esse pensamento, eu quero pecar com esse pensamento. Aí sim, mas não, eu não quero.
Eu renuncio a esse pensamento, eu não quero esse pensamento. Ou então, eu não quero esse sentimento. Eu estou começando a sentir isso que eu sei que não é bom. Eu vou lutar contra isso, eu vou me dedicar contra isso. Pronto? Esse é um primeiro movimento, mas não foi consentido. Aí São João da Cruz está dizendo, isso não vai te atrapalhar. A união com Deus.
Então você imaginar que os santos não tiveram combates na mente, você imaginar santos que não tiveram combates emocionais, não, todos tiveram combates, tentações. Mas esse é o primeiro movimento, o movimento não foi consentido. O pecado está em consentir. Todos aqueles em que a vontade racional não teve participação, ou seja, você não teve participação, você não quer aquilo.
Nem antes e nem depois. Então você não queria aquele pensamento nem antes e nem depois. Ou seja, antes eu queria esse pensamento? Não. O pensamento chegou do nada. O sentimento chegou do nada. E você não controla isso. Agora, você consentiu? Não. Nem antes eu queria esse pensamento. Eu não queria esse pensamento. Eu não queria esse sentimento.
E depois, aí chegou o pensamento, chegou o sentimento, depois continuou não querendo. Então está tudo bom. Então cuidado para você não achar que você não pode ser tentado, que coisas ruins já são pecado. Não, o pecado não é a coisa ruim que chegou, não é a coisa ruim que você viu, não é a coisa ruim que você ouviu. Então você pode estar num ônibus e ouvir coisas terríveis.
Você pode estar no seu ambiente de trabalho e ouvir coisas terríveis. Calma. Você não queria ter ouvido aquilo. Você não buscou aquelas conversas. Mas elas chegaram. Então, eu não queria elas. Mas elas chegaram. Só que depois que eu as ouvi...
Pode acontecer que o pecado venha. Nossa, mas eu gostei dessas conversas. E aí você fica na curiosidade. Depois você alimenta o que não deveria alimentar. Então, aí você pode se entregar ao pecado. Mas, João da Cruz está dizendo, olha, você não consentiu com isso, a sua razão não consentiu, nem antes você queria. E depois que chegou esse fato a você, nem depois você quis também. Então está tudo ok. Isso não vai te atrapalhar a união com Deus.
Nossa Frei, mas mesmo que venha tanta coisa ruim, tantas coisas ruins, não, porque você não consentiu.
Todos aqueles em que a vontade racional não teve participação, nem antes, nem depois. Porque tirar estes, que é mortificá-los totalmente nesta vida, é impossível. E São João da Cruz está reconhecendo. Você quer então ter uma vida onde não venha nenhum pensamento ruim. Nada de ruim para você ver, nada de ruim para você ouvir, nada de ruim para você sentir, nesta vida não é possível. Isto é possível no céu.
Mas nesta terra nós vamos enfrentar situações difíceis.
E estes não impedem de maneira que não se possa chegar à união, ainda que não estejam totalmente mortificados, como digo. Ou seja, calma, esses pensamentos ruins, esses sentimentos, aquilo que falam ao seu redor, aquilo que você vê no mundo que a gente vive, nas ruas, em tantos lugares, calma, não foi você que buscou. E depois que chegou até você, você não alimenta isso. Não vai impedir sua união. A natureza pode bem ter esses apetites.
E a alma está, segundo o Espírito racional, muito livre deles. Olha outra coisa importante. Frei, mas a questão é o seguinte. No fundo eu sinto que minha carne gosta disso. Minha carne gosta. Frei, o senhor leu. Já vamos para Gálatas capítulo 5, versículo 19. Gálatas 5, versículo 19.
As obras da carne são estas, fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superdição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Frei, a questão é a seguinte, não é os outros que trazem essas coisas para mim, mas eu percebo que a minha carne gosta.
Ela gosta de fornicação, sexo fora do casamento, impureza, libertinagem. A minha carne gosta de idolatria, de superstição. A minha carne gosta de brigas, inimizades, ciúmes, ódio. Eu sinto que eu gosto do amor ao dinheiro, ambição, discórdias, partidos. Eu sinto que eu gosto de invejas, de bebedeiras, de orgias.
A natureza pode bem ter esses apetites. Veja, não é problema você ter o apetite. Eu ter o apetite pela fornicação? Sim, minha carne quer, ela tem apetite pela fornicação. Ela tem apetite pela impureza. Ela tem apetite para a inimizade, para a briga. Calma.
A natureza pode bem ter esses apetites e ao mesmo tempo a alma estar segundo o espírito racional livre disso. Meu Deus do céu! Então, a tua carne quer esses apetites, mas a tua mente, o teu coração em Deus diz não. Vai passar fome. Você está com apetite de fornicação? Vai passar fome. Você está com apetite de impureza? Vai passar fome.
Então não é porque você está tendo o apetite que você já está em pecado. E Deus permite que você tenha apetite, porque esse apetite vem da nossa concupiscência corrompida em Adão e Eva. E hoje nós temos uma natureza decaída, uma natureza frágil.
que Paulo depois vai dizer, o bem que eu queria fazer eu não faço, o mal que eu não queria eu acabo fazendo. Veja, uma natureza decaída, uma natureza frágil, e você tem sim, muitas vezes, apetite pela fornicação, apetite pela impureza, pela divertinagem, pela animizade, pela briga, pelo ciúme, pelo ódio, pela ambição. Você tem esse apetite. Agora, isso não significa que você vai perder sua união com Deus, porque basta você dizer para o apetite, está com fome? Está com apetite? Está com fome? Vai passar fome.
Então, ao mesmo tempo que a tua carne está fervendo, o teu espírito racional está livre. Então, quem são os livres? Não são aqueles que não têm mais esses desejos, mas livres são aqueles que, tendo os desejos, tendo os apetites, não se rendem a eles.
Gálatas capítulo 5, versículo 24. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Então quem são os livres? Os livres são aqueles que têm a capacidade de crucificar a carne e a concupiscência.
Pois até acontecerá às vezes que a alma esteja em elevada união de oração, de quietude na vontade, enquanto esses mesmos apetites residem, de fato, na parte sensitiva do homem, sem que a parte superior que está em oração tenha neles participação. Às vezes você vai estar em altos graus de oração, às vezes você vai estar entregue a Deus, você é uma pessoa agora que reza, você agora é uma pessoa que busca missa, você busca comunhão diária, você busca adoração, você busca oração.
Mas você ainda percebe dentro de você movimentos de apetites carnais. Calma. Quem disse que você ia ficar livre deles? Nesta terra não é possível. Quem disse que santidade não é eu mais ter desejos e apetites? Santidade é a pessoa que, tendo os apetites, não realiza, não alimenta.
Romanos, capítulo 6, versículo 12. Não reine, pois, o pecado em vosso corpo, ao de modo que obedeçais aos seus apetites. Não está falando que você não vai ter apetite. Está falando para você não obedecê-los. Então, para não obedecer, significa que você tem. Significa que eles pedem. Significa que eles mandam. Lembra? Lembra daquela passagem que eu li em outras pregações? Em provérbios?
O pecado é aquele sempre que pede, dai-me, dai-me, dai-me. O pecado que é como uma sanguessuga. Não sei se eu decorei, decorei, decorei, consegui achar. Provérbios 30. Assim é o pecado, né?
A sanguessuga tem duas filhas. Dá, dá. Então dentro de você tem esses apetites gritando. Dá, dá. Dá o quê? Dá fornicação, dá briga, ciúme. Gálatas 5, 19 e em diante. Dá, dá, dá. Há três coisas insaciáveis, quatro menos, quatro mesmo, que nunca dizem basta, o pecado nunca diz basta, o apetite sempre quer mais. A habitação dos mortos e seio estéreo, o solo que a água jamais sacia e o fogo que nunca diz basta.
Então assim é o pecado, é uma sanguessuga que sempre quer sugar a vida de Deus dentro de você, mas você não precisa obedecer. Os apetites estão dentro de mim, estão na minha carne. Mas o que é a santidade? Eu não vou obedecer. Vai passar fome.
mas todos os demais apetites voluntários, agora dos voluntários, aqueles que você quer fazer, sejam de pecado mortal, que são os mais graves, vai depois estudar o catecismo, se eu colocar isso aqui agora, vai ficar muito longa essa pregação, sejam de pecado venial, que são os menos graves, olha, São João da Cruz em 1500 já tinha essa visão de pecado grave, pecado leve.
sejam somente de imperfeições. E aqui ele traz outra coisa. Existe o pecado grave, existe o pecado leve, e existe algo que são apenas imperfeições.
que são os menores. Aí sim, imperfeições são os menores. Todos devem ser esvaziados e a alma deve privar-se de todos para chegar a essa união total, por mínimos que sejam. Esse João da Cruz está resolvendo uma coisa muito importante para nós. Ora, mas se só o pecado mortal leva à morte? Como nós lemos em 1 João, capítulo 5. 1 João, capítulo 5, versículo...
capítulo 16, 17. Há pecado que é para a morte. Então, se só o pecado é para a morte, pecado mortal, toda iniquidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte. Então, eu não deveria me preocupar só com o pecado grave e os pecadinhos eu vou cometendo? Porque eles são leves, são pecadinhos leves. Se você quer a santidade, se você quer a perfeição, se você quer a união com Deus, não. Então, quem quer a união com Deus? Vai se preocupar.
com o pecado mortal, com os pecados leves. Porque não é porque é leve não deixou de ser pecado. Vai te atrapalhar. Então, vou me preocupar com o pecado mortal, vou me preocupar com o pecado leve e vou me preocupar com as imperfeições. Ah, mas é tão pequenininho, não chega nem a ser pecado venial. Opa, mas é imperfeição, não é? Então, quem quer a santidade maior possível nesta terra? Porque João da Cruz começa o seu livro falando isso.
Eu vou indicar para vocês um caminho para quem quer alcançar a maior perfeição possível nesta terra. Então, se você quiser a maior perfeição possível nesta terra, vamos eliminar da nossa vida. Não vamos obedecer os apetites do pecado mortal, do pecado venial e das imperfeições. Ele vai dar exemplos aqui. Por mínimos que sejam.
E a razão é que o estado dessa divina união consiste em alma ter segunda vontade com tal transformação na vontade de Deus. Olha o que São João da Cruz está falando. Por que que para atingir a perfeição eu tenho que me preocupar em não obedecer os apetites voluntários, voluntários do pecado mortal, do pecado venial e das imperfeições? Porque se você ainda está preso a isso.
Se a tua vontade está presa nisso, significa que a tua vontade não está na vontade de Deus. E o que significa a união que nós estamos propondo aqui? A transformação na vontade de Deus. João, capítulo 6, versículo 38. João, capítulo 6, versículo 38. Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
A gente poderia dizer a mesma coisa. Eu nasci não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Quando eu obedeço aos meus apetites, eu estou fazendo a minha vontade. Eu estou fazendo a vontade da minha carne. Eu estou fazendo a vontade dos meus apetites. E Deus está te chamando para um estado de união perfeita com Ele. Onde você não vai fazer a tua vontade, mas a vontade dEle.
De modo que não haja nela, em você, coisa contrária à vontade de Deus. Vamos tentar evoluir a um ponto tal, que agora em você não exista mais nada que é contra a vontade de Deus. Veja, na tua carne sim, mas não no seu querer. A sua carne pode ter vários apetites, como eu já falei. Tem vários apetites aqui. Faz isso, faz aquilo. Não, não, não. Porque a única coisa que eu quero é a vontade de Deus.
Gente, isso aqui é maravilhoso. Agora, o Frei Gilson já chegou nessa condição? Não. Tem vezes que eu escolho o pecado, tanto é que eu vou me confessar. Frei Gilson se confessa. Todo mês eu estou procurando aí me confessar. Todo mês tem pecado para falar. Por quê? Eu tenho horas que não escolho a vontade de Deus. Escolho a vontade da carne, escolho a minha própria vontade.
Então o que é a santidade e a união com Deus? Transformação na vontade de Deus, de modo que não haja nela, em você, coisa contrária à vontade de Deus, mas que em tudo e por tudo o seu movimento seja somente a vontade de Deus. E aí você começar, o que São João da Cruz está propondo aqui é Gálatas capítulo 2, versículo 20. Abra aí sua Bíblia, Gálatas capítulo 2, versículo 20. Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim.
O que São João da Cruz está propondo é isso. Você agora vive uma vida tão em Deus, que agora não é mais você que vive, é Cristo que vive em você. E a pergunta é, se Paulo está dizendo, eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim? Então imagina, Cristo vivendo em mim, mas assim, vivendo de verdade, querendo em mim. Você acha que Cristo em você vai querer o pecado?
Mortal, venial ou as imperfeições? Não. Cristo em você quer santidade. Quer fazer... Cristo quer continuar em você fazendo a vontade do seu Pai. Esta é a causa pela qual neste estado dizemos que a alma se fez uma só vontade com Deus. Oh, meu Pai eterno.
Frei Gilson tem uma vontade. Vou até colocar a Bíblia para ser a Deus aqui. Frei Gilson tem uma vontade. E Deus tem a vontade dele. Não vai dar certo eu chegar à união com Deus se eu quiser ter a minha vontade diferente da de Deus.
O que vai precisar acontecer? Deus não vai renunciar à vontade dele? Ou você acha que você vai falar para Deus renunciar à vontade dele? Não tem como, né? Deus não vai renunciar à vontade dele, né? Até porque a vontade dele é boa, agradável, é santa. Quem tem que renunciar é você. Se alguém quiser me seguir, negue-se a si mesmo. Então tá bom, eu vou ter que renunciar à minha vontade se você quiser. Senão é obrigado. Se você quiser.
Mas eu quero ser santo, eu quero chegar... Ah, então você vai precisar renunciar à tua vontade, porque aqui tem uma vontade. Aí você vai precisar fazer com que a tua vontade seja a vontade de Deus. Então já não são mais duas vontades, é uma só. Só que é a vontade de Deus acima da tua. Não pode fazer isso aqui. Eu decido e Deus me abençoa. Não. Deus fala e você segue.
uma única vontade. Agora, o que eu quero, Deus quer. O que Deus quer, eu quero. Isso é a união com Deus. Gente, mas para a gente chegar nisso daí, tem que ralar muito. Temos que ralar muito. 1 Coríntios 6, versículo 12. 1 Coríntios 6, versículo 17.
1 Coríntios 6, 17. Pelo contrário, quem se une ao Senhor, torna-se com ele um só Espírito. Olha que bonito, comprovando João da Cruz. Um só Espírito com Deus, uma só vontade.
Pois sua vontade é a vontade de Deus, e essa vontade de Deus é também a vontade da alma. Olha que bonito. A vontade, minha vontade, isso é uma pessoa santa. A vontade dela, na verdade, é a vontade de Deus. Ela se adequou tanto à palavra, ela se adequou tanto a Deus, que agora tudo que eu quero, Deus fala assim, essa é a minha vontade. O que você quer está agradável a mim.
E o que Deus quer, eu também quero. Então, sua vontade é a vontade de Deus e essa vontade de Deus é também a vontade da alma. Ora, se essa alma quisesse alguma imperfeição que Deus não quer, se essa alma quisesse alguma imperfeição que não quer Deus, não seria feita uma só vontade com Deus. Então, se você quer uma coisa e Deus quer outra, pronto, não tem como unir. Pois a alma tinha a vontade do que Deus não tinha.
Logo, está claro que para vir a alma a unir-se com Deus perfeitamente por amor e vontade, por amor e vontade, duas coisas importantes, amor e vontade. Só vai seguir esse caminho aqui quem ama. Não pode ser uma imposição.
Vontade, livremente, ninguém está obrigando ninguém a seguir Deus. É livre, livre, livre. Hade primeiro, privar-se de todo apetite voluntário. Você tem um apetite? Livre-se de todo apetite voluntário.
Porque existem aqueles que repetirem, já falei disso, aqueles apetites que eu tive, que eu nem notei que eu tive, eu não quis isso, eu não projetei isso, simplesmente fazem parte da minha natureza. Mas apetite voluntário, por mínimo que seja, isto é, que a divertida...
E conscientemente não consista com a vontade em imperfeição e venha ter força e liberdade para resistir a ela assim que a perceba. Então, assim que eu percebo esse apetite chegando até mim, eu tenho que agir. Então, tem coisas que eu não percebo. Tem coisas que eu faço que eu nem percebo que eu errei. Tem coisas que eu faço que eu não percebo.
Por exemplo, vou dar um exemplo. Pode acontecer que eu esteja andando na rua e esteja alguém do meu lado, em algum lugar ali, e tinha alguém do meu lado que estava morrendo de fome. Morrendo. Morrendo. Eu vou dar um outro exemplo, até que já aconteceu comigo. Vou dar um outro exemplo que já aconteceu comigo. Eu me lembro que um dia eu estava de missão com um sacerdote.
E na avenida, de repente esse padre parou. A gente estava em uma avenida, para o carro, para o carro. Eu não estava vendo nada, eu não vi nada. Achei estranho, o padre pediu para parar. O padre viu uma pessoa que tinha caído da moto. E ele quis socorrer essa pessoa. Estava de noite.
Eu não estava vendo nada. Ou seja, como é que eu posso pecar? Como é que eu posso negar? Porque veja, podia ser naquele caso, naquele caso poderia ser uma omissão, eu poderia ter ajudado e não ajudei. Mas como é que eu vou ajudar se eu nem sabia que alguém precisava de ajuda? Como é que eu vou ajudar se eu nem vi quem precisava de ajuda? Você está entendendo?
Existem coisas que acontecem na nossa vida que a gente não vê, a gente não percebe. E São João da Cruz está deixando isso bem claro. Você não é obrigado a vigiar sobre aquilo que você não percebeu, sobre aquilo que você não viu. Como é que você vai ser imputado sobre algo que você nem viu, você nem percebeu? O padre viu. O padre percebeu. Parou o carro.
Quando viu o homem estava de moto, tinha tido uma cólica renal, e por isso que ele não conseguia andar de moto de tanta cólica renal. E Deus colocou aquele padre na vida daquele homem, porque levou ele para o hospital para sará-lo daquela dor que ele já não conseguia dirigir sua moto de tanta cólica nos rins.
Eu dou esse exemplo para dizer o seguinte, de um lado a gente tem alguém que percebeu a situação, que viu o homem, que viu uma moto caída, que viu alguém se recontorcendo no chão. Do outro lado, alguém que não viu, não percebeu. Então,
Privar-se de todo apetite voluntário, por mínimo que seja. Isto é, que advertir de conscientemente não consinta com a vontade e imperfeição e venha ter força e liberdade para resistir a ela assim que a perceba. Eu só posso resistir aquilo que eu percebi. Eu só posso resistir aquilo que eu sei que me ofende a Deus. E digo conscientemente.
Porque sem advertir e conhecer, ou sem estar em sua mão, bem cairá em imperfeições e pecados veniais e nos apetites naturais que dissemos. Então vai ter coisas que você vai fazer de errado. Que você não decidiu por isso, você não escolheu por isso. São João da Cruz está falando, ei, não estou falando dessas coisas. Estou falando de coisas que você escolheu, que você quis. É claro que...
Existem falta de conhecimento que é culpa nossa. Isso aqui é outra coisa importante. Tem coisas que eu não sabia que era errado, mas tem coisas que eu não sabia também por culpa minha, porque eu não quis saber. Então também tem isso, mas não é o caso aqui. Porque de tais pecados não tão voluntários,
E em inadvertidos está escrito que o justo cairá sete vezes ao dia, no dia e se levantará. Veja, Provérbios capítulo 24, versículo 16. Porque o justo cai sete vezes, mas ergue-se, enquanto os ímpios desfalecem na desgraça. Ora, como é que pode cair sete vezes e ainda continuar sendo justo? Aí São João da Cruz aplica isso. Veja.
Caiu sete vezes, mas não de uma forma voluntária, não de uma forma consciente. Caiu sete vezes, no sentido de que a fraqueza humana é frágil. A fraqueza humana, enquanto vive neste mundo, não é possível se libertar de tudo. Mas conscientemente, eu não me entrego ao pecado. Não porque o justo cai sete vezes, mas ergue-se.
Primeiro é João, capítulo 1, versículo 8. Se dizemos que não temos pecado, enganamos-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Ora, ninguém aqui está pregando uma vida onde você não peca mais nunca. Foi, aliás, o tema do Rosário de hoje, a gente aceitar as nossas quedas. Vamos cair.
consciente ou inconscientemente, então vão ter coisas que eu deveria ter feito, mas não fiz porque não percebi, porque não... Não foi um ato consciente, mas não foi perfeito. Outras horas vou cair de uma forma consciente.
Aquele que diz não ter pecado engana-se a si mesmo e a verdade não está em nós. Portanto, o que nós estamos entendendo? Que o processo dessa união com Deus vai ser um processo diário. O que eu estou começando a entender? Tem coisas que eu não vou ter controle.
Mas naquilo que eu tenho controle, naquilo que eu percebo, naquilo que eu tenho a capacidade de decidir fazer ou não fazer, está nas minhas mãos. Eu tenho que escolher ou obedecer os apetites ou não obedecer os apetites. São João da Cruz está te propondo, não obedeça os apetites para fazer a vontade de Deus.
Não está dizendo que você não vai ter apetites, não está dizendo que você não vai ter tentações, não está dizendo que você não vai ter vontades contra a vontade de Deus, mas eu submeto a minha vontade à vontade de Deus. Não faça aquilo que eu quero, mas o que tu queres. Mas quanto aos apetites voluntários, que são pecados veniais conscientes,
Então existem pecados veniais, pecados leves, mas conscientes. Ainda que sejam de coisas mínimas, como disse, basta um hábito que não se vença para impedir a união da alma com Deus. Ah, mas é só um pecadinho. É, mas se você faz isso consciente, é uma pequena mentira. De fato, não é uma mentira grande. Não é uma mentira grande. É uma mentira pequena. Mas você faz a mentira pequena consciente.
É possível que você minta sem nem mesmo saber que você está mentindo. Você mente e na verdade não é nem mentira. Mentira é quando você quer enganar alguém, né? Você nem quis enganar, mas você falou algo para alguém que na verdade era mentira porque você às vezes achou que sua fala estava correta, mas na verdade era uma mentira. Veja, agora existem mentiras pequenas, que aí é o pecado venial que está falando aqui, que é aquela mentira que você sabe que é mentira.
Ah, mas é pequenininha. Mas é mentira. E o pai da mentira é quem? É o diabo. João 8, 44. Portanto,
Mas quanto aos apetites voluntários, que são pecados veniais conscientes, ainda que sejam de coisas mínimas, como disse, basta um hábito que não se vença para impedir a união da alma com Deus. São João da Cruz está dizendo, é, se você quiser viver em pequenas mentiras, eu acho que você não vai chegar à união com Deus, não, porque em Deus não há mentira, por mínima que seja.
É consciente, veja, você não está fazendo alguma coisa e você não sabe o que está fazendo, você sabe que está mentindo. Você quer mentir. Ah, mas é pequena. Mas você não vai conseguir desse jeito a união com Deus. Digo.
não mortificando tal hábito, o hábito de mentir pequenininho, porque alguns atos, às vezes de diferentes apetites, ainda não fazem tanto quanto os hábitos que já estão mortificados, embora também esses atos hão de se vencer, porque também procedem de hábito de imperfeição, mas alguns hábitos de voluntárias imperfeições que nunca acabam de se vencer, estes não somente impedem a divina união, como também o progresso na perfeição.
Eu não quero vencer essa pequena mentirinha? Não, não quero. Então vai atrapalhar você chegar à união com Deus, à perfeição com Deus. Porque conscientemente você não está querendo tirar um pecadinho. Ninguém está falando que você vai perder o paraíso por causa disso. Eu disse no meio da pregação que a gente não vai perder o céu por pecados veniais, por pecados leves.
Mas você vai perder um estado de santidade mais perfeito nesta terra. Porque conscientemente você ficou com mentiras pequenas. Pequenas. Ah, uma mentirinha pequenininha, pequenininha. Faz mal para ninguém faz. Toda mentira faz mal. E toda mentira, pequena ou grande, é do demônio. Então como é que eu quero ter união com Deus se eu quero ainda ter como pai o pai da mentira?
Para a gente já terminar, essas imperfeições habituais são, e agora João da Cruz começa a falar, pecado mortal, já expliquei para vocês, é o pecado que leva à morte. É o pecado que pode levar à segunda morte, que é o inferno. Pecado mortal. Falta grave. Tenho consciência que é grave. E tenho liberdade para fazer. Ninguém me obriga, eu quero fazer. Eu quero fazer.
As três juntas, não faltando nenhuma, pecado grave mortal. Pecado venial, falta leve. A pequena mentirinha, pequenininha. Mais um do da Cruz está falando, além de se preocupar com o pecado mortal, esse sem dúvida, se preocupar muito com ele. Mas também com os pecados veniais. Até essa mentirinha, vamos tirar essa mentirinha? Vamos.
De fato, é uma mentirinha muito pequenininha, que passa muitas vezes despercebida. Então, ok, mas vamos tirar essa mentirinha? Se você quer se unir com Deus, vamos? Tira essa mentirinha. E as imperfeições, que não chega a ser nem pecado mortal, nem pecado venial, mas são imperfeições da nossa natureza. E São João da Cruz dá alguns exemplos. Essas imperfeições habituais são um costume comum de falar muito.
um apegozinho a alguma coisa que nunca acaba de querer vencer, seja apego a pessoa, seja apego a vestido, a livro, a cela, a comida, bens materiais e outras conversazinhas e gostosinhos em querer saborear as coisas e saber e ouvir e outras coisas semelhantes. Ih, aqui a gente poderia falar muita coisa, aqui são as pequenas imperfeições. Meu Deus do céu, costume comum de falar muito.
É, porque a Bíblia diz, veja, o falar muito não significa que você está pecando. Você pode falar muito, o dia inteiro você fala, o dia inteiro você fala, o dia inteiro você fala, mas você pode ter falado só coisas boas. Então não é porque você falou muito que você pecou. Mas a Bíblia diz, no muito falar não faltará pecado. Quem muito fala está em mais risco de pecar.
E eu quero que você abra a sua Bíblia, Mateus 12, 36. Mateus 12, 36. Eu vos digo, no dia do juízo, os homens prestarão contas de toda a palavra vã que tiverem proferido.
No dia do juízo, eu vou prestar conta de toda palavra vã. Claro, palavra vã, palavra que eu não deveria ter falado. Mas então, para São João da Cruz, uma pessoa que quer chegar à perfeição, ela tem que tomar cuidado com muito falar, porque no muito falar não faltará pecado. E aí você pode escrever, meu irmão, minha irmã. Todos os santos que chegaram a esse estado de união foram pessoas silenciosas, foram pessoas que sabiam o momento certo de falar, o momento certo de calar, eram pessoas de silêncio, porque entenderam isso. E aí
Esse falar demais pode ser uma imperfeição. Veja, ninguém está falando, João da Cruz não está falando que é pecado mortal, não está falando que é pecado venial, está falando que é uma imperfeição. Não para de falar, não para de falar, fala muito. E aí a Bíblia, não muito falar não faltará pecado. João da Cruz entende isso. Então isso pode ser uma imperfeição.
Então vamos corrigir, ué. No muito falar não faltará pecado? Aliás, vamos abrir a Bíblia? Só para você achar que não é cabeça do freio. No muito falar não faltará pecado. Vamos ver onde está isso na palavra de Deus? Se eu não me engano, provérbios, isso.
Provérbios 10, 19. Provérbios 10, 19. Para você não achar que o Frei está inventando, São João da Cruz está inventando 10, 19. Não pode faltar o pecado num caudal de palavras? Quem modera os lábios é um homem prudente? São João da Cruz entende essa palavra, minha gente. Veja, não é pecado mortal. Claro, as minhas palavras podem ser pecado mortal? Podem.
Se eu falo, por exemplo, uma calúnia e arruinei a vida de alguém, pode ser um pecado mortal. As minhas palavras podem ser calúnia. Veja, calúnia é quando você fala ainda algo que a pessoa não fez. Você está caluniando. Então, pode ser um pecado mortal? Pode. As minhas palavras podem ser um pecado venial. Causei uma pequena mágoa. Não é uma grande mágoa, mas uma pequena mágoa eu magoei alguém hoje com uma palavra minha.
É uma pequena, talvez um pecado venial. Através das suas palavras grosseiras, você machucou alguém. E você sabia que podia machucar. Mesmo assim você falou consciente. Agora, imperfeição. A língua, a língua
Provérbios 10, 19. Não pode faltar o pecado num caudal de palavras. Então, eu começo a falar um monte de coisa, uma orota escorrega. Quem modera os lábios é um homem prudente, tá vendo? É um homem prudente. Quem modera os lábios, quem... Então, São João da Cruz está preocupado com isso também. Marcos, capítulo 10. Marcos, capítulo 10.
Versículo de 21 a 22. Marcos 10, de 21 a 22. E Jesus fixou nele o olhar, amou e disse, veja, aqui nós estamos diante de um jovem rico que pergunta o que faz para ir para o céu. Aí Jesus fala para ele, observa os mandamentos. Ele fala, observar os mandamentos. Eu estou observando desde minha eternidade. Observe os mandamentos. Ora. Só que Jesus fala para ele, ainda te falta uma coisa. 21.
Marcos 10, 21, uma coisa te falta. Como assim? A pessoa obedece todos os mandamentos, ainda falta alguma coisa? Vai, vende tudo que tens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me. Ele entristeceu-se com essas palavras e foi-se todo abatido porque possuía muitos bens. Se queres ser perfeito.
Então, João da Cruz não está pregando aqui para quem simplesmente quer ir para o céu. O que eu faço para ir para o céu, jovem rico? Obedece aos mandamentos. Ah, eu já estou observando os mandamentos. Então pronto. Se você está observando os mandamentos, significa que você não está cometendo nenhum pecado mortal. E se você não tem nenhum pecado mortal, não há pecado que vai te levar à morte eterna. Está no céu.
Só que São João da Cruz não está preocupado só, já é grande coisa, já é grande coisa ir para o céu. E o que eu faço para ir para o céu? Obedeço os mandamentos, não cometo pecado mortal, consciente. Pronto. Mas Jesus faz uma proposta para o jovem rico, perfeição nessa terra. E qual é o teu problema? Eu percebo que você está apegado às coisas materiais. Percebo que você está apegado às coisas materiais.
Vamos tirar esse apego? Por isso o tema dessa pregação é os apegos da alma. A partir de agora nós vamos ver que os apegos, eles vão nos privando de uma perfeição. Qualquer dessas imperfeições é que tem a alma apego. Então você é apegado. Olha o jovem rico aqui. Apegado aos seus bens.
E há hábito, apegados a qualquer dessas imperfeições, a que tem a alma pego e hábito, causa tanto dano para poder crescer e ir adiante em virtude que se caísse cada dia em outras muitas imperfeições e pecados veniais soltos, que não procedem do costume ordinário de alguma má inclinação habitual, não lhe impediriam tanto quanto ter a alma pego a alguma coisa. São João da Cruz estava falando, olha, parece que não, mas essas imperfeições, como elas são hábito na sua vida?
elas às vezes prejudicam mais do que o pecado venial que você cai uma vez ou outra. Porque às vezes o pecado venial, você caiu uma vez ou outra. Porque o pecado venial é aquele pecado consciente, aquele pecado pequeno, mas uma vez ou outra eu caio nisso. Agora, a imperfeição, por ser só uma imperfeição, eu comecei a fazer dela um hábito de vida. E ela pode te atrapalhar às vezes até mais do que aquilo. Por quê? Porque se tornou um hábito.
Veja o jovem rico, saiu entristecido, abatido, porque era um hábito.
Então, qualquer dessas imperfeições a que tenha a alma, apego e hábito, causa tanto dano para poder crescer e ir adiante em virtude, que se caísse cada dia em outras muitas imperfeições e pecados veniais soltos, que não procedem de costume ordinário, de alguma má inclinação habitual, não lhe impediriam tanto quanto ter a alma, apego a alguma coisa. Porque enquanto tiver, é inútil que possa a alma ir adiante à imperfeição, ainda que a imperfeição seja muito mínima.
João da cruz não alivia. Quer ser perfeito? Vai, vende tudo que você tem, dá para os pobres. Em outras palavras, abandona tudo. Todos os nossos apegos, pecado mortal, pecado venial. Ter dinheiro é problema? Não. Jesus não está falando que o problema dele é ter o dinheiro. Mas eu quero que você venda o apego que você tem a isto.
o apego que você tem a isso. Então, para quem quer atingir a santidade, a perfeição, a união com Deus, vai ter que livrar-se do pecado mortal. E esse jovem rico, se ele diz que está obedecendo todos os mandamentos, está livre do pecado mortal. Pecado venial, já não sei, a palavra não revela. Imperfeições. Imperfeições.
Queres ser perfeito? Vai e vende tudo que você tem. Vende a sua vontade, vende o seu querer, vende tudo. E se você quiser ser perfeito, vende tudo. E deixa agora a minha vontade agir na sua vida. Vem e segue-me, se você quiser. É por isso que São João da Cruz não é um santo muito lido. Porque agora vocês estão começando a chegar.
Aqui é só o primeiro livro dele, aqui está as obras completas de São João da Cruz, é só uma pinceladinha. Muita gente não vai gostar de ver isso aqui não, porque São João da Cruz prega para quem quer ser perfeito nesta terra, o máximo possível. E aí, meu amigo, é purificar tudo. Pecados mortais, pecados veniais e imperfeições. Ah, mas parece duro demais. Não. Primeiro porque não é uma obrigação.
Segundo, porque ele só está fazendo a gente enxergar a lógica da vida espiritual. Não tem lógica você achar que vai se unir completamente a Deus, não querendo purificar o que Deus não gosta. Como é que eu vou gostar do que Deus não gosta? Como é que eu vou querer o que Deus não quer? Aí, se eu não, não tem lógica isso.
Você quer ser perfeito? Vai me dizer que é possível ser perfeito querendo o que Deus não quer? Gostando do que Deus não gosta? Não. Eu reconheço que nós temos apetites, mas não vamos obedecer os apetites. E a partir desse momento que eu não obedeço os apetites, eu começo a não gostar do que Deus não gosta. Eu começo a não querer o que Deus não quer. Pronto. Aí vai acontecer na união. Pronto. É simples. Ao mesmo tempo, colocar em prática não é tão simples.
Essa é só a primeira parte dessa pregação. Esse capítulo 11 será dividido em três pregações. Então, espero você na próxima. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.