Introdução às Parábolas | Parte 9 | Luz para os meus passos | Novo Testamento | #95
Qual parte mais te marcou?
Fregilson Barração do Monte
José Francisco Falcão
- A Parábola do SemeadorIlustrar o Reino de Deus · Anúncio da Palavra · Pedagogia de Jesus · Adaptação à mentalidade do povo
- Parábolas BíblicasPor que Jesus fala em parábolas · Dureza do coração humano · Sabedoria divina vs. sabedoria humana · Sabedoria terrena, humana e diabólica · Sabedoria que vem do alto
- Exegese Evangelho JoaoO vento e o Espírito Santo · O esposo e o amigo do esposo · Semeadura e colheita · Relação entre Pai e Filho
É com muita alegria que estamos começando mais um programa Luz para os Meus Passos, Novo Testamento. Deus te abençoe, estamos aqui fazendo uma caminhada bonita. É um programa que antes tinha o nome Força de Deus, mas agora Luz para os Meus Passos. E aqui na Canção Nova você encontra Luz para os Meus Passos, Antigo Testamento, Luz para os Meus Passos, Novo Testamento, que é o caso deste programa.
É uma alegria ter você aqui, estamos fazendo uma introdução à Sagrada Escritura, estamos no finalzinho, agora estamos numa introdução às parábolas, porque daqui a pouco, em breve, a gente vai estudar todas as parábolas de Jesus Cristo, o que significam cada uma das palavras, das parábolas. Quero acolher você que nos acompanha pelo canal do YouTube.
Fregilson Barração do Monte, canal do YouTube de Dom José Francisco Falcão. Que bom que você está aqui conosco. Lembrando que através do canal do YouTube você pode assistir quando quiser e pode também compartilhar com seus amigos. Esse conteúdo tão rico da Palavra de Deus.
Estamos naquela questão, por que Jesus fala em parábolas e percebemos que é por causa da dureza do coração do homem? É uma linguagem obscura, é uma linguagem que exige abertura de coração. Quem quer entender, quem tem um coração simples vai compreender, mas quem tem um coração orgulhoso, quem tem um coração fechado, não vai conseguir compreender.
A própria resposta de Jesus, que nós já vimos, por que ele fala em parábolas. Depois nós vimos tantas realidades do endurecimento do coração com o faraó, no livro do Êxodo.
depois tantos padres da igreja nós vimos. Então nós estamos no finalzinho desta realidade. E é muito importante você que quer ver os programas passados, que você possa acessar tudo pelo canal do YouTube. Antes de a gente continuar, eu quero convidar e agradecer a presença, mais uma vez, de Dom José Francisco Falcão. Sua benção.
Salve, Fregilson. Deus abençoe sua vida. Que bom estarmos juntos mais uma vez. Dom José, eu creio que nós estamos chegando ao final desta realidade do endurecimento do coração. Eu gostaria que você abrisse a sua Bíblia em Mateus capítulo 11, versículo de 25 a 27. Mateus 11, 25 a 27.
Por aquele tempo Jesus pronunciou estas palavras, Eu te bendigo Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim Pai, eu te bendigo porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai, ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho, aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.
Essa palavra, Dom José, parece que ela resume bem tudo que nós compartilhamos nos programas passados e traz aquela realidade que o Senhor falou também já para nós. Ao mesmo tempo Ele esconde e ao mesmo tempo Ele revela. Esconde aos soberbos, esconde aos endurecidos de coração e revela aos humildes. É verdade.
Esse texto precisa ser inserido no discurso do endurecimento do coração. No programa anterior, tanto Vossa Reverendíssima como eu falamos sobre essa palavrinha sábio e essa outra palavrinha entendido.
Todos os substantivos, ou quase todos os substantivos, não só na Bíblia, mas na nossa convivência, dependendo do adjetivo, ele pode se tornar um substantivo bom ou mau. A sabedoria enquanto tal.
Ela procede de Deus, mal usada, porém, ou deturpada, ou combatida, etc. Ela faz surgir, ela permite que aflore uma realidade parecida com ela, quando na verdade não é autêntica a sabedoria. Especificamente, eu cito Tiago capítulo 3, versículos de 15 a 17.
Porque ali nós temos a sabedoria humana, terrena e diabólica, e a sabedoria que vem do alto. Isso para que ninguém satanize a sabedoria, digamos assim, a sabedoria boa, a sabedoria dos intelectuais, dos cientistas, a sabedoria que é própria dos profissionais de uma determinada área. Isto é...
Não é nesse sentido. É preciso enxergar. Quando o texto da Escritura não é claro,
Nesse versículo a gente tem que buscar a resposta em outro versículo. E acho que Tiago, capítulo 3, versículos de 15 a 17, ajuda bem esse texto. A gente entender, aqui temos claramente as duas sabedorias, a boa e a má. A que vem de Deus e a que vem do diabo. A que é divina e a que é diabólica. Por favor, Tiago 3.
versículos de, vamos de 13 a 17. Quem dentre vós é sábio e inteligente, mostre com bom proceder as suas obras, repassadas de doçura e de sabedoria. Mas se tendes no coração ciúme amargo e gosto pelas contendas, não vos glorieis nem mentais contra a verdade.
Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é uma sabedoria terrena, humana, diabólica. Onde houver ciúme contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios.
A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade nem fingimento. Pronto. Então veja, se olharmos para o versículo 15, nós temos a sabedoria da terra, a sabedoria humana, a sabedoria diabólica.
E quais os adjetivos terríveis dela? É só olhar para o versículo 17 e encontrar os antônimos. Porque a sabedoria do alto, a que vem de cima, é primeiramente pura. Logo, a sabedoria terrena é impura. A sabedoria que vem do alto, ela é pacífica. A sabedoria do mundo, ela é litigante.
Ela gosta de briga. A sabedoria do alto, ela é condescendente, isto é, ela se inclina diante da miséria e a acolhe e a compreende. A do alto não quer saber disso. A sabedoria do alto é conciliadora. Ela busca, de todas as formas legítimas, uma composição.
encontrar a paz, superar as divisões. A do alto não quer saber disso.
A sabedoria do alto é cheia de misericórdia e de bons frutos. E os bons frutos são aqueles da carta aos gálatas, os frutos do espírito. A sabedoria do alto é exatamente o oposto. Ela se compraz em brigar, em agredir, em ofender, em guerrear, em disputar, em separar, em dividir, em arruinar.
E a sabedoria do alto é sem parcialidade. Isto é, ela é bem objetiva, ela não toma partido por uma pessoa, mas toma partido pela verdade, por aquilo que é certo, por aquilo que é justo. E a sabedoria do alto não tem fingimento, a da terra é dissimulada, é cínica, é teatral, é perigosa.
A pessoa que a demonstra, de fato, é uma pessoa extremamente nociva, é uma verdadeira víbora. Age por conveniência. Sim. Pronto. Então, eu creio que Tiago 3 ajuda a gente a entender de que sabedoria Jesus está falando em Mateus 11, quando diz, escondeste estas coisas dos sábios e entendidos. Sim.
não tem nada de sabedoria dos intelectuais. Existem muitos intelectuais santos, existem muitos cientistas piedosos, tementes a Deus, muitos conhecedores da área da sua profissão, profissionais liberais, gente brilhante, etc. Pessoas que são de Deus, mas a questão não é essa, não é padrão social, não é condição financeira, não é sucesso profissional, não é capacidade de entender, de dominar línguas e de...
ser versátil num determinado assunto. São comportamentos morais. Sim. Que lindo, que lindo. Ou seja, a sabedoria verdadeira, ela se traduz em atitudes, né? Sim. Em atitudes.
Então José, já quase no final deste tema das parábolas, da introdução às parábolas, eu ainda pergunto para o Senhor qual seria a finalidade das parábolas? A finalidade das parábolas é ilustrar um tema que foi muito caro para Jesus, o reino de Deus. Muitas parábolas começam com essa expressão, o reino de Deus ou o reino dos céus é semelhante a...
Lógico que você já percebe que a finalidade da parábola é ilustrar, digamos assim, o assunto que é colocado logo no começo. Vamos ver Marcos capítulo 4, versículos de 26 a 27. Não vamos entrar na explicação da parábola, porque senão vai perder a graça mais para frente. Mas o que nos interessa está logo no começo. Por favor, Marcos 4, versículo 26. Só o versículo 26.
Dizia também, o reino de Deus é como um homem que lança semente à terra. Pronto, aí segue, segue, segue, segue. Então, a finalidade da parábola é ilustrar o reino. Na verdade, toda pregação de Jesus pode ser sintetizada nessas três palavras, reino de Deus. Quando o assunto é especificamente o reino de Deus, aí Jesus utiliza as parábolas.
Pronto, a finalidade das parábolas é exatamente isso. Maravilha. É claro que nem todas as parábolas começam assim, logo.
Como essa parábola que não sinta explicitamente o reino de Deus, etc., etc., o semeador saiu a semear, enfim, que vai ser a primeira parábola que vamos estudar. Independente de aparecer ou não esta expressão, está implícito, porque em outras parábolas Jesus diz o reino de Deus é semelhante a. Aí vem a história, aí vem a parábola. Nós estamos em Marcos 4, em Marcos...
4, 33, Jesus diz assim, a palavra diz, era por meio de numerosas parábolas desse gênero que ele lhes anunciava a palavra. O que o senhor falou, a primeira finalidade é o anúncio da palavra, conforme eram capazes de compreender.
Aí está a beleza da pedagogia de Nosso Senhor, conforme eram capazes. É muito difícil você, num público tão heterogêneo, do ponto de vista social, do ponto de vista intelectual, você dizer...
Aqui eu estou diante de um público com uma capacidade de compreensão mais ou menos igual. É impossível. Quanto mais pessoas, mais imprecisa é essa afirmação em se tratando de emitir um juízo de valor sobre a intelectualidade daquelas pessoas. Mas...
Você pode até dizer, não, hoje a missa vai ser numa comunidade bem simples, de pessoas muito humildes, etc. E lá tem o quê? 500, 600 pessoas, aquela comunidade bem pobre, etc. Você pode emitir esse juízo. Mas atenção, não subestime a capacidade das pessoas. Achar que pelo fato de elas serem pobres, de elas serem analfabetas, que elas não compreendem, aí é que entra...
A distinção de Tiago capítulo 3, a sabedoria do alto e a sabedoria diabólica. Porque se ali estiverem pessoas cultas mais fechadas a Deus, pessoas com mestrado e doutorado mais arrogantes, etc. O problema não é o mestrado, o problema não é o doutorado, não é o HD, o PHD, não é os títulos que ela tem, a posição social ou o destaque na sociedade, na sua comunidade.
ou a quantidade de dinheiro que elas ganham, o sucesso profissional. Nada disso, nada disso. A questão é saber se a capacidade de compreensão delas é exatamente isso. Mas eu me compraso com o pobrezinho que treme ao ouvir a minha palavra, diz o profeta Isaías. Então, é muito, muito, absolutamente muito relativo. E eu diria até indevido, perigoso até, você associar...
limitação social, dificuldade financeira, categoria sociológica com capacidade de compreensão. Nada disso. Deixai via mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus. Se vocês não se tornarem como as crianças, vocês não entrarão no reino dos céus. Bem, então, Nosso Senhor, o público que acorria a Nosso Senhor, era um público bastante heterogêneo.
Se vossa reverendíssima me perguntar sua opinião, doutor José, sobre o nível intelectual da imensa maioria das multas e da grande quantidade de pessoas que seguia Jesus, eu me clinaria um nível intelectual, do ponto de vista da fé, imenso, aberto a Deus, dócil a Deus. Mas nosso Senhor, com esse texto aqui, conforme eram capazes de compreender.
Isso significa que ali também havia pessoas simples. Se Jesus usasse uma linguagem rebuscada, palavras difíceis, a rebimboca da parafuseta ou sei lá, qualquer coisa que eu nem sei o que é isso, e uma linguagem refinadíssima de um português, no caso, um português dificilíssimo, eu diria culto, etc., purista.
um pouco as pessoas compreenderiam o que ele disse, que palavra foi aquela, que expressão é aquela, que verbo é aquele. Igual aqueles documentos de advogados que você lê, lê, às vezes não entende nada do que está escrito. Com os termos técnicos. Com os termos jurídicos, sim.
Mas, veja, a capacidade de compreensão deles. Jesus, na sua imensa sabedoria, na sua incrível pedagogia, se adequou, por assim dizer. E, ao mesmo tempo, essa linguagem tanto servia para que eles, os simples, compreendessem e os duros de coração não compreendessem. Veja o paradoxo.
usava as parábolas com uma finalidade, para esses isso é veneno, para esses isso é remédio. Então, conforme eram capazes de compreender. Então, mas veja, os opositores de Nosso Senhor, quanto à literalidade das palavras, eles compreendiam.
Sim. É um semeador saiu a semear. Ele sabe o que é o semeador, ele sabe o que é a semente, ele sabe o que é a terra, ele sabe o que são os pássaros, ele sabe o que significam os espinhos, ele sabe o que significa 100 por 1, 30 por 1, 60 por 1, no caso da parábola do semeador. Sim, sabe o conteúdo literal, as expressões, o significado no mundo, enfim.
pagão, na convivência. Agora, a mensagem é que permanecia inacessível para eles. Mas por causa da dureza do coração. Porque a mensagem é acessível a quem é aberto a Deus. Dou-vos graças porque revelaste aos pequeninos. Aos pequeninos.
E tudo que Jesus falava, ele estava revelando quem ele era, né? Ou seja, que ele era Deus, e eles não queriam aceitar isto, né? Ou seja, estavam fechados a isso. A revelação da divindade de Jesus muito dificilmente se encontra nas parábolas, a não ser que você pegue aqui um indício, aquele outro indício e assim por diante. Por exemplo, eles mataram o filho do...
Do dono da vinha, não é? Lembra que o dono da vinha arrendou a vinha aos vinhateiros? Esse é o filho, vamos matá-lo para ficar com herança, lembra disso? Sim. Aí Jesus depois acrescenta a pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular, lembra disso? Lembro. Isso é a obra do Senhor e que sabedoria ele fez aos nossos olhos. Sim, claro, a leitura cristã, a gente vai ver que no arremate, na lição da parábola, nós temos um indício que, juntamente com outros indícios,
Vai, esse indício vai apontar para a divindade de Jesus. Mas a finalidade das parábolas não é falar da divindade de Jesus, mas do reino de Deus. Claro, claro que o reino de Deus se evidencia na pessoa de Jesus, que é Deus, certo. Mas a temática principal das parábolas é o reino de Deus é semelhante a. Entendi.
Então, a parábola é um meio catequético adaptado à mentalidade do povo judaico daquela época. Exatamente, e é o que deixa transparecer esse versículo 33 de Marcos, capítulo 4. Então, com a parábola Jesus instrui...
com uma linguagem simples, direta, utilizando experiências do seu tempo e do tempo do seu povo, realidades com as quais os seus ouvintes tinham contato, não é? Peguemos a mulher que pega três medidas de farinha. Lembra dessa parábola? Toda cozinheira sabe disso.
A parábola do pastor que deixa as 99 ovelhas e vai ao encontro da que se perdeu. Todo mundo tinha essa experiência do campo, ainda que morasse em cidade grande, como Jerusalém, Cafarnaum, Betsaida, as cidades maiores, né? Mas não é preciso ir muito longe, sai um pouco da cidade, você já vê pastores ali cuidando do rebanho, etc., a semente.
sei lá, a parábola do filho pródigo, enfim, todas essas imagens eram conhecidas, eram, eu diria, muito familiares para as pessoas do seu tempo. Para nós, talvez tenha um efeito oposto.
numa cidade grande, não digo efeito oposto, mas um jovenzinho que nunca saiu da cidade grande. O bom pastor dá vida pelas suas ovelhas. Essa aqui a gente vai ver uma alegoria. Mas a parábola do pastor que deixa as 99 ovelhas. Mãe, o que é pastor? Mãe, o que é ovelha? Lógico que é preciso, mas também com isso hoje não é muito difícil você ilustrar. Tem tantas parábolas ilustradas aqui com imagens, com sons, etc. Mas...
Temos que nos remontar ao tempo de Jesus. Jesus, então, utiliza uma linguagem simples para os do seu tempo e para os de todos os tempos. Convenhamos, não tem nada de difícil. Digo, materialmente falando, linguisticamente falando, de realidades contidas nas parábolas que sejam coisas do outro mundo. Não, são simples demais, são fáceis demais, são conhecidas demais. Sim.
Que beleza tudo isso que o senhor está falando. Rodão José, agora uma pergunta muito importante. Quantas parábolas existem nos Evangelhos?
A resposta não é unânime entre os biblistas, entre os exegetas, etc. Há exegetas que propõem que são 27 ou 30 parábolas e já outros que chegam a defender que são 95, 100 parábolas. Por uma questão simples, há uma distinção na língua grega entre parabolé e paroimia.
E a gente vai ver daqui a pouco, não é agora, não é agora. Parabolé, literalmente falando, parábola. Paroimia é aquilo que nós, numa tradução mais lata, chamamos de alegoria.
Todavia, as traduções para a língua portuguesa, várias bíblias traduzem paroimia como parábola. Isto é, na prática, parabolé e paroimia são palavras idênticas. Mas a gente vai ver a sutileza um pouquinho mais para frente. E é exatamente por causa disso. Não, eu não vejo diferença essencial entre parabolé em grego e paroimia em grego.
De sorte que todas as alegorias vamos considerá-las como se fossem parábolas. Aí o número das parábolas aumenta. Se você, se um exegeta não concorda com essa identificação, insiste não. Parabolé é uma coisa, paroimia é outra coisa. Tem outras diferenças, digamos assim, que não vamos tratar agora, que são de menor monta. Mas não há unanimidade entre os estudiosos da Bíblia.
sobre o número das parábolas. Repito, há quem defenda, há exegetas que defendam, que não passam de 30 as parábolas, e outros dizem, não, isso chega perto de 90, 100.
E o que é que, como nós precisamos estipular um número, eu escolhi, eu tenho que escolher, eu não posso ficar aqui em cima do muro, porque a finalidade é estudar as parábolas. Se vamos estudar as parábolas, temos que saber quais vamos estudar. E eu vou seguir a linha exegética de não poucos exegetas, seguida pelo meu professor do tempo de seminário, que Deus o tenha na glória, Dom Estevam Bittencourt.
meu professor de vários livros da Bíblia, ele segue uma linha segundo a qual são 40 ou 41 parábolas. Depois eu vou explicar por que 40 ou 41, porque tem a parábola dos talentos e a parábola das minas, lembra disso? Alguns dizem que a parábola das minas, ela é uma outra redação para a parábola dos talentos.
E Dom Estrema vai discordar, eu também vou discordar. Todavia, há uma discussão. A parábola das minas é a mesma parábola dos talentos. Nesse Evangelho se fala de talentos, nesse outro Evangelho se fala de minas. São a mesma realidade, portanto, é uma só.
Ou são duas parábolas diferentes? Eu vou me inclinar por duas parábolas diferentes. Bem, então, a resposta à pergunta de vossa, Reverendíssima, eu precisei citar essa não-unanimidade que existe no mundo dos exegetas.
Mas, como eu preciso dizer para a vossa reverendíssima o nosso roteiro, 40 a 41. Mas isso não é unanimidade. Falta um minuto para terminar.
Meus queridos, alegria estar aqui com vocês. O programa de hoje está bom demais. Vocês estão sentindo que em breve a gente vai entrar em cada parábola. Então, no próximo bloco, estamos indo para um intervalo, um pequeno intervalo. Já iremos apresentar para vocês o número de parábolas, quais parábolas nós iremos estudar daqui para frente. Vai ser um estudo maravilhoso.
Eu tenho certeza que vamos compreender parábola por parábola de nosso Senhor Jesus Cristo. Um breve intervalo e até daqui a pouco.
Estamos de volta ao programa Luz para os Meus Passos, Novo Testamento. Estamos estudando as parábolas, fazendo uma introdução às parábolas de nosso Senhor Jesus Cristo. No bloco anterior, vimos que Dom José optou pela opção de que existem nos Evangelhos 40 ou 41 parábolas. Então é sobre isso que a gente está conversando e é sobre isso que eu vou continuar perguntando a Dom José.
Então, José, ficou claro que o senhor vai adotar a postura de 40 ou 41 parábolas. O senhor poderia nos apresentar quais são essas 40 ou 41 parábolas? Com muito gosto. A tabela vai aparecer aí e vocês vão logo perceber, caríssimo Frejilson, vossa reverendíssima vai perceber.
que as parábolas, vamos considerar, a linha exegética de vários exegetas que julgam que as parábolas no sentido estrito, o parabolé, portanto, elas só aparecem nos sinóticos. No quarto evangelho, essa palavra no original grego não aparece. Sim. Aparece paroimia.
Portanto, o estudo das parábolas vai centrar suas atenções nos Evangelhos segundo Mateus, segundo Marcos e segundo Lucas. Outra pontuação é que determinadas parábolas aparecem nos três Evangelhos. Outras parábolas aparecem apenas em dois Evangelhos.
E outras parábolas só aparecem em um evangelho. Então, tem parábolas que só aparecem em São Mateus e não em Marcos e não em Lucas. Tem parábolas que aparecem em Marcos e não em Mateus e não em Lucas. E tem parábolas que não aparecem nem em Mateus nem em Marcos, mas somente em Lucas. Vamos ver? Vamos. Muito bem, muito bem.
Primeira parábola, a parábola dos amigos do noivo. Ela aparece em Mateus, Marcos e Lucas. Segunda parábola, a parábola da veste nova. Ela também aparece nos três evangelhos. A parábola do vinho novo. Ela também aparece nos três evangelhos. A parábola das crianças que brincam.
Ela aparece só em Mateus e em Lucas. A parábola dos dois devedores. Ela só aparece em Lucas. A parábola dos reinos de Deus e de Satanás. Ela aparece nos três evangelhos. A parábola do semeador. Ela aparece nos três evangelhos. A parábola do joio e do trigo.
Só aparece em São Mateus. A parábola do bom samaritano, só em São Lucas. A parábola do amigo inoportuno, só aparece em São Lucas. A parábola do rico insensato, só aparece em São Lucas. A parábola da semente que germina por si, só aparece em São Marcos. A parábola da figueira estéreo.
Só aparece em São Lucas. A parábola do grão de mostarda aparece nos três evangelhos. A parábola do fermento aparece em Mateus e em Lucas. A parábola do tesouro escondido no campo, só em Mateus. A parábola da pérola de grande valor, só em Mateus. A parábola da rede lançada ao mar, só em Mateus.
A parábola da construção da torre, só em São Lucas. A parábola do rei que parte para guerrear, só em São Lucas. A parábola da pureza do rito e do coração, só em São Mateus e São Marcos. A parábola da ovelha desgarrada, só em São Mateus e São Lucas.
A parábola da dráquima perdida aparece somente em São Lucas. A parábola do filho pródigo só aparece em São Lucas. A parábola do administrador infiel só em São Lucas. A parábola de Lázaro e do rico só em São Lucas.
A parábola do devedor implacável, só em São Mateus. A parábola dos servos inúteis, só em São Lucas. A parábola do juiz iníquo e da viúva, só em São Lucas. A parábola do fariseu e do publicano, só em São Lucas.
A parábola dos trabalhadores da vinha, só em São Mateus. A parábola da figueira amaldiçoada, só em São Mateus. A parábola dos dois filhos, vai trabalhar, não vou, e depois ele foi. Vai trabalhar, eu vou, mas depois não foi. Dos dois filhos, só em Mateus.
A parábola dos vinhateiros homicidas, nos três evangelhos. A parábola do banquete nupcial, lembra da veste nova? A veste, como é que você entrou aqui sem a veste? Em Mateus e em Lucas. A parábola dos abutres, aqui é a única vez que Jesus elogia um urubu e nos compara com um urubu. Sabia disso? Não. Sabia não?
Pois vossa reverendíssima, para ir para o céu, tem que parecer com o urubu. Não sabia não. A parábola do urubu. Não me recordo muito dessa. Ah, sim, sim, sim. Onde está o cadáver, aí se reúne os abutres. Sim, sim, sim. Isso é uma parábola. Mas é uma difícil compreensão dessa palavra. É fácil. O senhor vai nos ensinar. Com os padres da igreja é tudo fácil. Fique tranquilo.
A parábola, sim, então, a dos abutres, a parábola do Urubu, em Mateus e em Lucas. A parábola da Figueira, nos três evangelhos. A parábola do proprietário ausente, nos três evangelhos. A parábola do mordomo, em Mateus e em Lucas. A parábola das dez virgens, somente em Mateus. E a parábola dos talentos e das minas. Aí aqui está. Se você considerar...
A parábola dos talentos, como a das minas, aí você tem 40, mas se você distingui-las, como eu fiz aqui, considerando a proposta dos exegetas, seguidos por Dom Estevão, então você tem em Mateus e em Lucas.
Bem, claro. Então, 41 parábolas. 41 parábolas, eu vou considerar. Mas há quem discuta, há quem ache que essas duas são uma só, então seria 40. Não vamos brigar por causa disso, vamos considerar 41.
E, D. José, eu, de fato, nesse esquema não vi nenhuma parábola no quarto evangelho, como o senhor já havia dito. Então, por aquela diferenciação no grego que o senhor estava explicando, não é? É assim, o quarto evangelho não utiliza, veja, para que esses exegetas não considerem
O quarto evangelho, como contendo nenhuma parábola, a razão é na letra, é no original grego, porque essa palavra parabolé, isto é, parábola, não aparece no quarto evangelho, mas aparece paroimia. O que é paroimia? Na vulgata seria o quê? O provérbio, que também pode se traduzir como figura ou também pode se traduzir como parábola.
Vamos dar uma olhada em João capítulo 10, versículo 6. Vamos dar uma olhada em João capítulo 10, versículo 6. João capítulo 10, versículo 6.
Ah, o Dom José está seguindo o pensamento de alguns exegetas que consideram que no quarto evangelho não tem parábola, mas eu estou olhando aqui na minha Bíblia, se você tem a Bíblia Ave Maria, veja, João 10,6, por favor. Jesus disse-lhes esta parábola, mas não entendiam do que ele queria falar. Pois é, aqui é a tradução de paroimia, só que paroimia não é parabolé.
Há uma distinção, essa distinção é sustentada por vários exegetas. Isso aqui é uma coisa, parabolé, paroimia é outra coisa. Então, como no quarto evangelho dizem esses exegetas, não tem parabolé, então... Aqui entra a questão de tradução, então, a dificuldade de ser fiel ao texto original, encontrar a palavra que a gente entenda. Exato.
existem traduções, digamos assim, muito rigorosas, muito fiéis ao texto, ao texto original, mas também no original grego tem palavras que permitem uma ou outra tradução. E aí, na hora de traduzir, o tradutor, no caso aqui, excelente tradução, mas também a Bíblia de Jerusalém tem uma excelente tradução, a Bíblia da CNBB, etc., e tantas outras aqui.
no Brasil. Aqui é da Bélgica, né? Dos monges beneditinos da Bélgica. Da Bélgica, sim. Então, veja, optamos seguir a linha desses exegetes. Aqui poderia ser a tradução, então, Jesus tornou a dizer eles, em verdade, em verdade vos digo, não, cadê aqui? O versículo, aqui 6, né? Jesus disse-lhes essa alegoria, mas não entendiam do que ela queria falar. Alegoria podia ser? Podia. Podia ser.
Porque, veja, como eu disse, é provérbio, é figura, é parábola.
Agar é figura da Jerusalém livre, a escrava representa a antiga aliança, representa, é figura, enfim, sim. Sim. Está bem. Então, é isto. No estudo das parábolas que aparecem em dois ou três evangelhos, eu proponho à vossa reverendíssima que os dois textos sejam lidos.
E se a parábola aparece em três evangelhos, que nós leiamos os três. E vai ser interessante, porque a narrativa dessa parábola num evangelho, às vezes omite uma palavrinha que aparece naquele outro, e essa palavrinha, porque foi dita por Jesus, não pode deixar de ser comentada.
Muito bom. Então, eu proponho exatamente isso. O senhor poderia dar algumas, já que a gente percebeu que em João não temos parábolas e foi explicado o motivo na questão da tradução, algumas alegorias no Evangelho segundo João? Bastante, tem. Mas eu posso propor 12?
Pode. Primeiro, vamos falar aqui. Seguimos o pensamento de vários exegetas que afirmam que no quarto evangelho só existem alegorias, não existem parabolas. Mas há exegetas que pensam diferente. Vamos nos inclinar pelos exegetas.
que levam bastante, consideram a distinção entre parabolé e paroimia. Mas antes de nós tratarmos das alegorias, vamos ver o que é uma alegoria. De novo, Gálatas capítulo 4, por favor, porque ali tem um verbo, ali tem um verbo que ajuda a gente a entender qual é a finalidade da alegoria. A palavra alegoria está no versículo 24 e o verbo...
que identifica, que explicita qual é a finalidade da parábola, da alegoria, está também no versículo 24, representar. Mas vamos ler de novo, versículos de 21 a 24. Dizem-me vós que quereis estar sujeitos a uma lei, não ouvis a lei?
A escritura diz que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. O da escrava, filho da natureza, e o da livre, filho da promessa. Nestes fatos há uma alegoria, visto que aquelas mulheres representam as duas alianças. Uma do Monte Sinai, que gera para a escravidão, é H.
O Monte Sinai está na Arábia, corresponde a Jerusalém atual, que é a escrava com os seus filhos. Mas a Jerusalém lá do alto é livre e esta é a nossa mãe. Então, é correto você dizer, é correto você dizer, Sara é a nova aliança? É correto.
Mas isso é uma alegoria. Sara é uma mulher de carne e osso. E a aliança foi um pacto que Deus fez. Em Jesus Cristo, esse é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança. Então, ali são duas alianças. Na verdade, são duas mulheres. Mas essas mulheres, cada uma representa uma aliança. E é exatamente isso a alegoria.
Ficou claro, ficou claro. Então, alegoria e representar, representação. O versículo 4 é muito importante para a gente entender. As alegorias que vamos ver agora no quarto evangelho, ok? Maravilha. Vamos às doze alegorias. Doze alegorias no evangelho segundo o João. Mas tem mais, viu? Tem mais. Só vamos ficar com doze, porque senão a gente não termina de estudar as parábolas daqui a 40 anos.
Quarto evangelho. Primeira alegoria. João capítulo 3, versículo 8. O vento sopra onde quer, ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito. Então você tem o ruá, palavra que em hebraico tanto significa sopro, vento, como também significa o Espírito.
aqui Jesus utiliza uma alegoria, ele joga com o duplo sentido da expressão ruar. O espírito sopra onde quer, o vento sopra, está falando do vento?
Ninguém consegue monitorar, ninguém consegue prever, ninguém consegue dizer qual é a direção do vento. Se abrirmos ali aqui no estúdio aquela porta, o vento circula por aqui, mas ele sobe, faz isso e aquilo outro. Ou seja, imprevisível.
É o Espírito Santo de Deus que se assemelha. Ele não é o vento. Ele não é o vento, exatamente. Mas o vento remete à pessoa do Espírito Santo como Sara remete à nova aliança e H remete à antiga aliança. No sentido de liberdade, como o vento é livre e o Espírito Santo é livre.
Exatamente, o Espírito sopra onde quer, ninguém sabe de onde vem nem para onde vai, ninguém pode monitorar o Espírito Santo e dizer que ele só age numa pessoa e dessa forma, que ele só dá um carisma para essa pessoa e não dá para outras e que ele está atrelado às pessoas, às condições, às contingências, às limitações humanas, não. Tanto é que Jesus, no capítulo 10 de São Mateus, não se preocupe não com a...
quando vocês forem levados aos tribunais, etc. E não se preocupem nem em preparar a defesa de vocês, porque o Espírito Santo vai auxiliá-los, etc. Uma coisa que também me vem ao coração, antes de que o senhor continuar, em Atos dos Apóstolos, se eu não me engano, capítulo 4, ele vai dizer que... Cadê aqui? Atos dos Apóstolos, capítulo 4, versículo 13, vendo eles a coragem de Pedro e de João,
E considerando que era um homem sem estudo e sem instrução, admiravam-se. Então a Bíblia está dizendo que João era sem estudo, sem instrução. O que eu fico encantado, por exemplo, você olha, aqui está traduzido para o português, mas um português impecável, como é que esses homens sem estudo, aí que eu vejo que era a inspiração do Espírito Santo, né? Homem sem estudo, João.
tão português, tão rebuscado, diríamos um grego tão rebuscado, né? Exatamente. Então, é o Espírito Santo mesmo, né? Eu não tenho dúvida. Claro, um racionalista pode dizer, não, mas certamente desde quando Jesus os chamou, eu acho que eles se sentaram para estudar o grego, etc. Tiveram tempo para isso? É.
Não está excluída essa possibilidade e você pode até admitir que isso tem acontecido. Não fere a escritura e a fé da igreja dizer que eles se sentaram para alguém dar uma aula de grego. São Lucas, o senhor que é médico, vem aqui, teve a formação na acadêmica, vem aqui dar aula de grego para São Paulo. Está bem. Agora.
Problemático é você dizer que aquilo que está no quarto evangelho não foi escrito por São João. Isso fere a fé da igreja. Foi São João quem escreveu o quarto evangelho e escreveu inspirado pelo Espírito Santo. E outra, um grego clássico.
Um grego impecável, da mesma forma São Pedro, todos os 27 livros da Bíblia, alguns dizem que o Evangelho segundo Marcos, ele tem, digamos assim, alguns vestígios, não é de um grego imperfeito, não.
mas de um grego mais popular, dizem alguns. Em todo caso, todos os escritores escreveram inspirados pelo Espírito Santo. A sua afirmação procede. Deus se utilizou de homens sem cultura, sem instrução.
Tome, escreva. É incrível. Por exemplo, a gente vê Paulo, que era um grande estudioso, inteligentíssimo, você percebe que o jeito dele falar e escrever era gigantesco, o próprio Pedro reconhece isso. Mas João aqui, o Evangelho de São João, é um grego muito clássico, muito profundo. E eu acrescentaria as três cartas dele, que também é o Apocalipse. Exato. Claro que a obra mais extensa dele é o quarto Evangelho.
que aliás tem 21 capítulos se não me engano e o Apocalipse tem 21 também 22 mas parece que quanto a
quantidade de versículos, parece que o quarto evangelho é um pouquinho maior do que o Apocalipse, mas eu não digo com certeza. Em todo caso, são duas obras extensas e nelas você encontra um grego original. Impecável, impecável, sim. Vamos para mais uma alegoria no Evangelho segundo João. Sim, capítulo 3, versículo 29.
Aquele que tem a esposa é o esposo, o amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria que agora se completa.
Bem, aqui nós temos João Batista falando, não é Jesus. Aí alguns dizem, não, está vendo isso aqui, é uma parábola, porque lembra a parábola, podem os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo lhe será tirado e então jejuarão. Ah, está vendo aqui? Aparece também, então é uma parábola.
Mas isso já é discussão entre os exegetas. Outros dizem, não, aqui estamos diante de uma alegoria e nós já vimos em programas anteriores que tem parábolas que tem alegorias. Lembra disso? Sim. Então, todas as alegorias estão incluídas em muitas parábolas, mas a parábola não se identifica exatamente com uma alegoria. Mas isso são...
de extinções, disputas entre os exegetas. Não vamos entrar nessa seara. Ok. Agora, próxima alegoria. A alegoria da semeadura e da colheita João 4, de 35 a 38. Será que é o diálogo com a Samaritana? Sim. 4, de 35 a 38. Por favor. Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo, levantai os vossos olhos e veja os campos, porque já estão brancos para a ceifa.
O que ceifa recebe o salário e junta fruto para a vida eterna. Assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão. Porque eis que se pode dizer com toda a verdade, um é o que semeia, o outro é o que ceifa. Enviei-vos a ceifar onde não tem destrabalhado, outros trabalharam e vós entrastes nos seus trabalhos. Muito provavelmente São Paulo ouviu de alguém essas palavras de Jesus à Samaritana.
São Paulo, o senhor fala? Não, São Paulo. São Paulo, porque no começo da primeira, os Coríntios, ele diz, é Paulo que semeia, outro rega e outro colhe. Mas é Deus quem faz crescer. É Deus quem faz crescer. Então, a gente percebe, ah, São Paulo certamente se inspirou nas palavras de Jesus no diálogo com a Samaritana. Uma alegoria.
Vamos agora ao capítulo 5 do mesmo evangelho. Capítulo 5, de 19 a 24. É muito longa, mas vale a pena, por favor.
Jesus tomou a palavra e disse-lhes, em verdade, em verdade vos digo, o filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma, ele só faz o que vê fazer o pai, e tudo que o pai faz, o faz também semelhantemente o filho. Pois o pai ama o filho e mostra-lhe tudo o que faz, e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que fiqueis admirados, com efeito, como o pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida.
Assim também o Filho dá vida a quem Ele quer. Assim também o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o julgamento ao Filho. Desse modo, todos honrarão o Filho bem como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida.
Aqui, Jesus está mostrando a relação dele com o pai. Mas a lógica que ele utiliza é uma lógica que todo mundo compreende. Jesus, enquanto Deus, não é menor nem maior que o pai. Eu e o pai somos um. Mas no momento em que o filho assume a natureza humana, ele se torna obediente ao pai. O pai é maior do que eu. Lembra dessa frase?
Frase que muitas pessoas deturpam dizendo que Jesus aqui, isso é uma prova de que Jesus não é Deus, de forma alguma. Há dezenas de passagens que confirmam a divindade de Jesus. Jesus é igual ao Pai, segundo a natureza, segundo a essência, segundo a substância. É Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
mas na sua condição de verbo encarnado, ele é inferior ao pai, ele é obediente ao pai. E ele utiliza a alegoria da relação entre pai e filho, entre nós, entre nós. Então, ele parte de realidades que não são alegoria. Pai eterno não é alegoria.
Filho eterno não é alegoria, mas ele utiliza uma história, uma comparação de algo que toca os seus ouvintes e todo mundo sabe que na convivência humana, lógico, na mentalidade judaica.
A estrutura hierárquica da família. O filho é obediente ao pai. O filho faz aquilo que o pai manda. O filho obedece a ordem do pai. Aqui nós temos uma implícita, uma implícita alegoria. Mas falta um minuto.
Que alegria estar aqui com você. Estamos terminando este programa, um programa que foi uma bênção. Eu tenho certeza que você está aprendendo muito e está ansioso para começar os estudos das parábolas. Está mais perto do que nunca. Eu acredito que no próximo programa é possível que a gente já comece o estudo da primeira parábola.
Então, Deus te abençoe. Lembrando que este programa fica gravado no canal do YouTube para você assistir mais uma vez e enviar para quem você quiser. No próximo programa a gente continua falando das alegorias no quarto evangelho. E assim nós vamos seguir o nosso estudo das parábolas. Até semana que vem, se Deus quiser. Vamos pedir a benção de Deus. Abençoe-vos Deus Todo-Poderoso, Pai e Filho do Espírito Santo. Amém.