Episódios de Encontroverso Podcast

EV #172 – Reimaginando filmes que não sobreviveriam à tecnologia de hoje (feat. Júlio Macoggi – Histórias de Lava-Louça e Humberto Mota – Devaneios Marsupiais)

03 de agosto de 20261h33min
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Um celular carregado, um GPS funcionando e acesso à biometria seriam suficientes para acabar com metade dos filmes que amamos.

Neste episódio, discutimos histórias que simplesmente não funcionariam com a tecnologia de hoje. Afinal, quantos personagens deixariam de se perder com o Google Maps? Quantos disfarces durariam diante do reconhecimento facial? Quantos mistérios seriam resolvidos por câmeras, DNA, localização do celular ou uma simples mensagem no WhatsApp?

Para essa conversa, recebemos Júlio Macoggi (o maior podcaster das internets, host do recém-criado Histórias de Lava-Louça, além de co-host do Novelacast, Radiofobia e Bondcast ) e Humberto Mota, vulgo Coala, direto do Devaneios Marsupiais para garantir a segurança de todos ao emitir suas opiniões!

Dê o play e descubra quais clássicos do cinema acabariam em cinco minutos caso seus personagens tivessem um smartphone no bolso.

Música utilizada neste episódio sob licença Creative Commons:

Dance of the Sugar Plum Fairy, de Kevin MacLeod
http://incompetech.com
Creative Commons — Attribution 4.0 International — CC BY 4.0
Free Download / Stream: https://www.audiolibrary.com.co/kevin-macleod
Music promoted by Audio Library: Dance of the Sugar Plum Fairy – Kevin MacLeod

Participantes neste episódio6
S

Santiago

Host
F

Fernando

Co-hostJornalista
T

Tony Farias

Co-host
Y

Yara

Co-host
H

Humberto Mota

Convidado
J

Júlio Macoggi

ConvidadoPodcaster
Assuntos8
  • O cinema de antigamente vs. o cinema de hojeA Janela Indiscreta · Curtindo a Vida Adoidado · Jurassic Park · Titanic · Um Príncipe em Nova York · Pânico · Se Beber Não Case · Esqueceram de Mim
  • Midia e Tecnologia· TecnologiaGoogle Maps com IA · ChatGPT · Redes Sociais · Drones
  • Impacto da tecnologia na ansiedade· TecnologiaTelefone fixo · Conteúdo dos Celulares · Live streaming · Spam telefônico · WhatsApp
  • Tecnologia e a fuga da naturezaInternet via satélite · Sistemas de segurança · Drones · Google Earth · Satélites e inteligência espacial
  • Hobbies e tecnologiaTermômetro moderno · Instalação de câmeras em guaritas · Análise Técnica de Carros · Redes Sociais · Instagram
  • Navios e marinhaGPS de precisão · Câmeras térmicas · Piloto automático naval · Navios e marinha · Indústria naval moderna
  • Tecnologia e saúde mentalBooking.com · Avaliações online · Carro com GPS · Combustível
  • Periferia reprogramando tecnologiaOrelhões · Telefone fixo · Antenas 5G · Significado de Vigilância · Geolocalização por triangulação · iPhone 14
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SSantiago

Olá e bem-vindos ao Em Controversa, o podcast que não poderia existir nos anos 90. É verdade, aqui discutimos tudo que pode causar controvérsia ou não. Então sente-se, relaxe e prepare-se para se juntar à nossa conversa. Quer nos ajudar a criar uma pauta? Escuta as dicas da nossa assistente, que já nasceu com muita tecnologia ao redor dela.

?Voz B

Fala, galerinha do Em Controversa! Queria convidar vocês a escutarem o podcast do Encontro ao Verso, o melhor podcast da podosfera. Quem quiser sugerir um tema, é só mandar lá no nosso email ou então no site. E quem quiser apoiar Encontro ao Verso, é só entrar no site do iApoia.se, que é www.apoia.se/encontroaoverso. Você pode apoiar o nosso podcast a partir de R$2. Um super beijo, um Tá bom, podcast para vocês. Boa noite, tchau!

SSantiago

Eu sou Santiago e eu já pensei muitas vezes como é que eu escaparei de alguns filmes que eu já assisti, e hoje a gente vai discutir sobre isso.

TFTony Farias

Fala, meu povo, aqui é Tony Farias, e bicho, até tem coisa que eu acho que dá para adaptar ainda, viu?

YYara

Oi, pessoal, tudo bem? E hoje eu vou ficar devendo frase de entrada.

SSantiago

Tá bom. Fala, galera, aqui é Fer Kenobi, e quando chegar E hoje nós temos dois convidados de peso, dois marombeiros aí, um dos esportes marciais e outro dos esportes de vôlei. Mas nós não vamos falar sobre esporte ainda. Júlio Macoggi, direto de Salto, São Paulo.

JMJúlio Macoggi

Fala, pessoal! E olha, tem coisas que em filmes antigos um simples SMS, nenhum WhatsApp, um SMS resolveria.

SSantiago

É verdade. E aqui de Fortaleza, meu conterrâneo, meu amigo Humberto Koala do KoalaCast.

HMHumberto Mota

Salve, rapaziada! Koala aqui. E ó, se a gente for olhar direitinho, tem coisa de uns 10 anos atrás que se fosse hoje já não funcionava mais.

SSantiago

Bom, a gente tava aqui conversando offline, né, e pensando que filmes não fariam sentido com as tecnologias que existem hoje, e decidimos trazer esse papo aqui para você ouvir, caro ouvinte. Você está no Em Controversa, o podcast onde todos os temas se convergem. Como nós temos convidados, obviamente o microfone começa com eles. E aí eu deixo vocês decidirem, Júlio, Koala, quem começa, quem quer trazer aí para baila o primeiro filme que vocês acham que não se sustentaria com as tecnologias que existem hoje. Koala, vamos começar com clássico, né?

HMHumberto Mota

Já que para a gente já não começar assustando, vamos começar num clássico. Eu acho que o primeiro filme que eu queria trazer é A Janela Indiscreta, um dos meus filmes favoritos, que hoje eu acho que não faria sentido, né? A grande dificuldade do filme é a falta de tecnologia, a falta de materialidade nas provas, né, onde eles querem ali chegar a uma conclusão. E hoje, cara, um celular, o celular dos mais simples daria o zoom que eles precisavam.

Acho que meia hora de pesquisa na rede social e no ChatGPT traria para eles a resposta que eles precisavam, e Não precisaria, viraria um curta.

SSantiago

É, para quem nunca assistiu, né, trata-se de um filme de Alfred Hitchcock. Nós temos lá, eu esqueci o nome do personagem principal, mas ele é um fotógrafo. E logo, cara, esse filme, a introdução dele é um show de cinematografia, né? Ele conta várias histórias só enquanto a câmera passeia por dentro do apartamento dele. Sem falar nada, você descobre que ele é um fotógrafo, você descobre que ele é um fotógrafo ousado. Então ele tentou fotografar um carro em movimento vindo na direção dele.

Você descobre que ele conseguiu fotografar, porque tem lá a foto. Você descobre que isso não deu muito certo e ele está com a perna quebrada, né, e restrito ao ambiente familiar, sem poder sair de casa, né, por causa da cirurgia que ele fez lá da fratura na perna. E por estar entediado, como todo bom ser humano entediado faz, ele vai olhar para os vizinhos pela janela. Primeiro que assim, a tecnologia já mudaria, porque hoje ele ia ficar no Instagram e não ia se preocupar com a vida dos vizinhos, né?

HMHumberto Mota

Perfeitamente.

JMJúlio Macoggi

Não, primeiro de tudo, ele não ia nem fotografar o carro, não ia nem acontecer nada, porque um drone ia fazer esse serviço por ele.

SSantiago

Perfeito. Ou ele colocaria uma camerazinha microscópica ali para o carro passar por cima, é uma GoPro, o carro passaria por cima e aí ele teria aquela foto que ele queria, né? Então o acidente já não aconteceria. Os demais, já assistiu, Fernando? Já assistiu?

FFernando

Não, não assisti.

SSantiago

Não, Tony? Eu assisti há muitos anos atrás. Eu assisti também há alguns, alguns anos, deve ter uns 10 anos que eu assisti pela última vez.

JMJúlio Macoggi

Eu talvez mais.

SSantiago

Mas o que mais, Koala, que você acha que não se sustentaria? Além do fato de que provavelmente ele não estaria, mas suponhamos, suponhamos que de repente ele tivesse sofrido um acidente, estivesse restrito ao leito, o que que mudaria com a tecnologia de hoje?

HMHumberto Mota

Então aí é onde vem o ponto. O filme inteiro acontece por conta do tédio, né? Ele fica em casa e ele não tem distrações suficientes ali dentro da casa, né? Você tem que lembrar que o filme ele é de 50, 56, 54, 56. Então 54, 56, a gente tem que colocar aqui na balança que a quantidade ali de entretenimentos offline, né? O que que ele tinha à mão? Ele tinha uma revista, ele tinha um rádio, ele tinha talvez ali o início uma televisão, se muito, mas muito provavelmente um rádio, uma revista.

Então as opções de entretenimento dele ali eram extremamente limitadas. Então ele começa a utilizar das ferramentas que ele tem ali para curiar os vizinhos, para passar o tempo, né? Hoje a quantidade de entretenimento que ele teria não seria nem de perto o problema dessa recuperação que ele vai ter aí na perna, né? Ele tem, ele teria uns aplicativos de streaming Netflix aí pra ele assistir quantos filmes ele quisesse, ele teria um Spotifyzinho pra ele ouvir todos os episódios do Encontro Verso, ele teria uma série de outros jogos, ele poderia jogar Palworld se ele quisesse.

FFernando

Então, olha aí, opa, aí sim, aí tava entretido.

SSantiago

Agora suponhamos que ele teve essa internet cortada.

JMJúlio Macoggi

Mesmo assim, Santiago, mesmo com tudo isso, mesmo com Spotify, com streaming, com Instagram, com joguinho, uma hora ele ia ficar entediado, mas ia ser num volume muito menor, né?

SSantiago

Digamos que ele Sei lá, a internet teve lá aquela véia que a gente falou lá no filme, no episódio de pessoas burras. A véia foi cavar lá e cortou a internet dele, e ele ficou naquele momento sem a internet, e ele decidiu curiar a vida dos vizinhos. As tecnologias de hoje também facilitariam muito isso, né?

FFernando

Muito.

SSantiago

Primeiro que ele provavelmente, sendo um fotógrafo profissional, ele é muito provável que ele tivesse um drone. Então se ele queria curiar o vizinho, ele botava o drone na janela do vizinho. Eu tenho raiva de gente curiosa. Bom, conta o que que acontece no filme só o pessoal entender, o Koala.

HMHumberto Mota

Então ele fica, ele começa a olhar o comportamento dos vizinhos e ele começa a suspeitar que aconteceu um assassinato, né? E aí o filme ele meio que vai se passando com a observação dele pelas janelas, né? A movimentação que ele percebe dentro do apartamento pelas janelas. Só que aí ele fica com o equipamento dele de fotografia tentando registrar ali momentos e tentando entender a partir das fotos que ele vai revelando ali o que que tá acontecendo no ambiente, né?

Sendo que hoje Não precisaria. Hoje ele sobe o drone, chega lá na janela, ele olha ali por dentro. Vixe, beleza, tem um corpo caído bem ali. É, é, não é realmente um assassinato.

JMJúlio Macoggi

Vou tirar uma foto em high resolution, 4K, a nível NASA, né?

HMHumberto Mota

Tira uma foto ali numa resolução da NASA e aí manda diretamente, talvez até para polícia, manda no Zap do Ronda do Quarteirão que tá ali na região dele.

JMJúlio Macoggi

E aí na mesma hora manda via Bluetooth para o telefone, para o telefone dele. O drone manda via Bluetooth para o telefone dele em alta resolução.

YYara

E aí ele já pode fazer com essa foto foto o que ele bem entender.

HMHumberto Mota

E dali do drone mesmo, hoje eu não sei se vocês estão ligados, né, mas esses drones mais novos você vai aqui pilotando ele, tá aqui no oclinho, né, e tem um botão que ele já tá sincronizado com a sua rede social, pô. Você já vai upando a foto lá, já posta nos stories: aí, galera, o que que eu peguei aqui? Aí pronto, já viralizou.

SSantiago

Vocês já assistiram Paranoia? Bom demais! Com Shia LaBeouf, ele é mais ou menos uma versão moderna do Janelinha Discreta. Mas como quem foi que falou que 10 anos atrás já mudaria tudo? Foi tu mesmo, né, Pois é, o Paranoia é de 19 anos atrás, arredondando de 20 anos atrás. Então já mudou muita coisa, mas esse filme já dá para ter uma diferença assim. Se você assistir o Paranoia e assistir o Janela Indiscreta, você vai ver que eles já começaram a modernizar.

Então eu acho que dá para modernizar o Janela Indiscreta, obviamente sem querer alcançar o que foi Alfred Hitchcock, porque a gente tá longe. Júlio Macórdia, qual o primeiro filme que você vai trazer então para nossa audiência?

JMJúlio Macoggi

Olha, eu também vou trazer um clássico, não tão clássico quanto o que o Ala trouxe, né? Mas o filme que eu vou trazer está aqui em minhas mãos, inclusive, é Curtindo a Vida Doidado.

SSantiago

Ah, ladrão!

JMJúlio Macoggi

Curtindo a Vida Doidado. Este filme não se sustentaria por 5 minutos em tela.

FFernando

Eu acho que esse filme não sustentou nem uma semana depois que ele foi lançado, velho.

HMHumberto Mota

Não consigo gravar muito bem o que você falou porque você fala de uma maneira burra.

SSantiago

Nós temos aí um hater de Jurassic Park agora hateando curtindo a vida doidado.

FFernando

Não, cara, não é, não é que eu tô retirando, é porque ele é um filme baseado, ele é, a premissa do filme é que o cara tem um luck extreme power, cara. O cara é o senhor, o mundo roda em torno dele, velho.

TFTony Farias

O cara gastou a sorte da vida todinha no final de semana, em uma tarde na verdade, né?

SSantiago

Não, pô, mas você ali, você já sabe que o Ferris Bueller, o filme mostra isso pra gente, que ele já é meio que esse cara Malandrão que consegue ali se sair bem na escola.

JMJúlio Macoggi

Ele já é uma entidade dentro da sua, do seu ecossistema ali. Ele é uma entidade, né?

SSantiago

Como é o nome do filme em inglês, Fernando?

FFernando

Em inglês é, cara, como que é? O Ferris Bueller Day Off.

SSantiago

Qual seria a tradução literal deste filme?

FFernando

O dia de folga de Ferris Bueller.

SSantiago

Exatamente, cara. Então assim, é como se fosse um dia na vida dele Ou seja, se nós olharmos pelo olhar do Cameron, aquilo ali é mais ou menos o Cameron podendo viver como é viver na pele de Ferris Bueller por um dia.

FFernando

Sabe o que que parece para mim? É como eu falei, para mim o filme tinha que terminar com o Thor indo recuperar ele, velho. É como se fosse o Loki. É, ele é o Loki, cara. Assim, ele é o Loki curtindo a vida doidado, velho, num dia de folga.

SSantiago

Não à toa os nossos companheiros de idioma, os portugueses, traduziram como o rei dos gazeteiros, porque ele gazeteia faltar aula, né? Para quem sabe, gazetear é faltar aula, mas não é, a gente usa o, tem um termo aqui, matar aula, né? Tá, matar aula, é, seria matar aula, é gaziar.

JMJúlio Macoggi

Você sabe que eu ouvi uma teoria há uns dias atrás aí, coisa de uma semana, 10 dias atrás, né, que Ferris Bueller Day Off, Curtindo a Vida Adoidado, nada mais é do que o Ferris Bueller é um alter ego do Cameron.

SSantiago

Cameron. Eu vi essa paranoide, achei bem legal.

JMJúlio Macoggi

Ele é esquizofrênico, como Tyler Durden é no Clube da Luta, né?

SSantiago

Sim, é o Ferris Bueller. Bom, mas o Júlio, trazendo para o nosso tema, por que então este filme não se sustentaria? Quais seus argumentos para que esse filme não se sustente com as tecnologias que existem hoje?

JMJúlio Macoggi

Olha, primeiro porque a medição da febre que a mãe dele fez lá com termômetro mequetrefe hoje seria um termômetro muito mais moderno, aquele de aquele de apertar, aí ela ia descobrir que ele não tava com fé em porcaria nenhuma. Depois, sei lá, a câmera no bairro onde ele tava, por exemplo, poderia ter muitas câmeras, né? Câmeras até próprio da casa dele, né? E não precisava nem ser os modernos que tem hoje pela internet e tal, podia ser qualquer um, né?

Depois você tem a escola também, a escola com essa saída pífia da namorada, com a ligação dele fazendo uma voz mais grossa e etc., né? Isso passaria hoje por um critério muito superior. Aí você tem pela parte do Cameron, por exemplo, que era um cara que tinha uma condição financeira muito melhor, né? Teriam circuitos internos da casa dele, não só na parte interna, mas também na parte do carro, que era um bem que o pai dele cuidava assim com zelo incrível, né?

Sem contar que assim, né, o carro também teria um alarme com GPS, o pai ia saber no celular dele que o o carro tava em movimento, onde tava ele, né?

SSantiago

Suponhamos que ele é um colecionador e tem carro antigo, ele colocaria um GPS no carro do tipo?

JMJúlio Macoggi

Com certeza. Eu acho que hoje em dia os caras fazem isso.

TFTony Farias

Eu lembro de uma cena daquela série That '70s Show que o pai ele comprou um, acho que era um Camaro, era um Camaro, meu Deus, ou era um Camaro, um Corvette, eu não lembro. A história da série se passa nos anos 70, o Camaro era 50 e pouco, era 60. Ele, o que ele fazia para enganar, para dizer assim, para monitorar que o filho não pegou o carro, ele botava um fio de cabelo na alavanca da da marcha, câmbio do carro. Aí o moleque saía, aí zerava o odômetro quando dando ré, igual o Félix quis fazer.

Só que ele colocou um fiozinho de cabelo lá em cima da alavanca. Aí qual foi o vacilo que ele deu? Quando ele saiu com a menina, a menina ligou o som e mudou, se mudou a sintonia do rádio. Aí quando o pai dele foi sair com ele, que ligou o rádio, não era o rádio, a estação que o pai deixou.

SSantiago

Ele se tocou do cabelo, mas não se tocou do rádio.

FFernando

Foi, pois é.

SSantiago

Outra coisa, que esta, essa, esse filme cairia, lembremos que nós estamos falando de jovens. E provavelmente, o que que um jovem faria numa situação daquela?

YYara

Só faz merda.

SSantiago

Ele iria postar no Instagram onde ele estava a cada 5 minutos.

JMJúlio Macoggi

Tem esse detalhe, por exemplo, lá o Twist and Shout lá, que era aquela parada, e todo mundo ia falar aquilo, uma parada que tava no centro de Chicago aquilo ia ser fotografado, ia ser postado em tudo quanto é rede social. E ambos, pai e mãe dele, também teriam redes sociais, como os nossos pais têm hoje, né? E eles rapidamente veriam isso e veriam o filho lá cantando Twist and Shout.

FFernando

A irmã dele, cara, irmã dele com celular, era só tirar uma foto dele e acabou.

HMHumberto Mota

Isso aí a gente pensa, não, agora vai postar no Instagram e tal.

SSantiago

Mas 15 anos atrás eles estariam postando no Foursquare, né, que era aquela rede social de localização Então, pô, se o GG estivesse aqui, ele ia relembrar a história que ele contou, acho que no episódio passado, sobre o episódio que nós gravamos semana passada, né, do dia que o Thiago fez ele— o Thiago inclusive é o vencedor lá do bolão, o Cola.

HMHumberto Mota

Beleza.

SSantiago

O Thiago fez ele ter que se explicar com a Amanda porque ele disse que ia resolver uma situação. E aí o Thiago botou no Fosco é uma foto dizendo curtindo a praia. Aí ela disse, como é? Que história é essa?

HMHumberto Mota

Fudeu de vez!

SSantiago

Pois é, eu também acho, eu também acho que curtindo a vida doidado. Mas nós não fizemos isso no Janela Indiscreta porque eu sugeri vermos Paranoia. Mas se quiséssemos trazer para os dias de hoje, tem algum filme que você acha que poderia explicar mais ou menos o que seria curtindo a vida doidado nos dias de hoje?

FFernando

É, então deixar os teus telefones tudinho no local e ir para ilha.

SSantiago

Pronto. Ou então ele podia desativar as redes sociais dele por 24 horas, né?

JMJúlio Macoggi

Mas a dele só, o problema é dos outros, né? Não acho que a dele não ia dar muito certo, né?

FFernando

Eu acho que o curtindo a vida doidado hoje seria você ficar offline, cara. Você tá num canto offline, sem internet, é isso mesmo, o lugar offline. Isso eu tô falando todo mundo que tá naquele lugar offline, o lugar offline. O foda é que se fizesse isso ia cair no filme de terror, né? Que daí ia cair aquela galera, daí ia aparecer um que ia matando todo mundo e por aí vai, né?

SSantiago

Um curtindo a vida doidado hoje, o jovem, no caso o jovem em Ferris, ele teria que ir para outra cidade fazer o que ele fez, né? Porque na própria cidade dele seria muito difícil.

FFernando

Cara, curtindo a vida doidado hoje, essa galera ganhando farm, farmando alma. E aí eles estão curtindo a doidade, são tudo doido, velho.

YYara

Deus me defenderá aí.

TFTony Farias

Aura, pô, quem farma alma é tu, caralho.

SSantiago

É aura, é tu farma alma o tempo todo.

FFernando

Quando eu falei aura, pô, falei aura, farmando aura.

TFTony Farias

Você falou alma, eu também ouvi alma.

FFernando

Falei alma, eu também ouvi alma.

SSantiago

Eu também ouvi alma.

HMHumberto Mota

Ouvi alma.

SSantiago

Traga para a gente um filme que você acha que não resistiria às tecnologias atuais?

FFernando

Cara, eu tava pensando um aqui, eu não sei se seria tão bom assim, mas acho que eu vou trazer um, vou me afundar de novo aqui no negócio, mas vou trazer Jurassic Park, cara.

SSantiago

Eu não sei que vontade é essa que você tem de fazer merda.

FFernando

Eu acho que Jurassic Park

JMJúlio Macoggi

vamos lá, contextualize, defenda, que eu acho que eu vou pegar uma cerveja ali, que pode sair um bom negócio.

FFernando

Primeiro, Jurassic Park, a gente tem—

TFTony Farias

aguarda 2 minutos que eu quero escutar isso aí. Pera aí.

FFernando

Esperar o Tony voltar aí.

SSantiago

O Fernando foi lá para o Perspectivas Adulteradas falar mal de Jurassic Park. E detalhe, ele fez isso em nome do Encontro Avesso ainda.

HMHumberto Mota

E assim criou-se uma rivalidade.

FFernando

Nunca mais participei lá, velho. É claro, mas é porque eu li o livro, cara. Eu li o livro e, cara, depois que você leu o livro, o filme perde a graça total, cara.

SSantiago

Ele ousou falar mal.

FFernando

Assim, é como eu falei, a parte assim, os dinossauros, o negócio todo da tecnologia usada e tal, excelente, cara. Mas como filme, eu assisti de novo e achei bem fraco, cara.

SSantiago

Eu consigo separar uma coisa da outra. Eu concordo que o filme fraco mesmo, mas para mim o filme continua sendo 10 de 10 no que ele se propunha a ser. Eu acho impecável.

FFernando

Mas tu percebeu a cerquinha de fazenda para segurar os dinossauros, velho? Não tem como, cara.

HMHumberto Mota

Mas aí, aí é, mas não dá para a gente, não dá para a gente exigir racionalidade de um dinossauro. Aí é só a gente pegar aqueles vídeos que a galera botou uma vassoura na porta para prender um dogue alemão, e o dogue alemão não passa porque é uma barreira intransponível assim, ó, ele fica parado ali na frente. Mesma coisa, dinossauro, ele vê a cerca e diz, acho que perdi, galera, perdi daquilo.

JMJúlio Macoggi

E outra coisa, é a mesma história do elefante que fica preso preso desde pequenininho num toco de madeira, e quando ele cresce ele fica preso no toco de madeira, ele sabe que ele não consegue sair.

SSantiago

É outra coisa, né?

JMJúlio Macoggi

Ele não tem—

SSantiago

os dinossauros que estão presos por uma cerquinha são os dinossauros mansos, né? O T-Rex, ele tá dentro. Não, esses aí eles estão tipo num fosso, cara, um negócio lá embaixo. Tanto é que o Velociraptor ele escala.

FFernando

É, não sei, mas vamos lá, deixa eu explicar por que que não.

SSantiago

Mas vamos lá, por que você acha que Jurassic Park não resistiria com as tecnologias de hoje?

FFernando

Então, cara, primeira coisa que acho que ia ter naquela ilha era um sistema de internet via satélite, velho. Então qualquer problema que desse ali, você ia ter que conseguir falar com o mundo exterior, então mandar um SOS.

SSantiago

Tava tendo uma tempestade e tudo ali se passou em uma noite. Bom, então mesmo que fosse comunicado o mundo exterior, né, com a Terra, não tinha muito o que eles fazerem. O que que eles iam fazer? De manhã a gente mandar jogo.

FFernando

Outra coisa, sistema de segurança. Eu acho que teria um backup, não seria só aquele sistema de segurança fajotinho que tem lá, que o cara faz um, como é que fala, um Trojan ali, manda um Trojan ali, já queima o negócio todo.

SSantiago

É, aí de novo eu vou, vou ser aqui o advogado do filme, né, o advogado do diabo, vou ser advogado do filme. Lembre-se que a pessoa que fraudou era o responsável pela segurança. Então podia ser o melhor segurança, melhor sistema de segurança do mundo, se o cara responsável por ele quisesse desativá-lo, quisesse fazer ele falhar, ele faz. Tanto é que ele fez isso e ele sabia, ó, eu tenho tantos minutos até o sistema se reativar.

Ele faria a mesma coisa se tivesse uma forma dele burlar. Ele saberia, olha, eu consigo burlar e eu tenho X minutos até o sistema entrar no modo de backup, o modo de segurança, e reativar, né? Então isso aí também não concorda.

FFernando

Eu acho que tem isso aí, cara. Tem, teria, porque por exemplo, na hora que os que dá merda lá, né, o negócio sai, solta e tal, tudo mais, ainda não tinha começado a tempestade, né? Na hora que o Tiranossauro Rex sai e tal, ainda tava para começar Eu acho que sim.

SSantiago

É tanto que ele, quando ele ataca o Jeep, ele não tá, não tá chovendo. Inclusive, você vê as poças no chão, pô. Você vê a poça quando ele vai pisando, mas não tá tempestade ainda, né? Não tá pesado, né?

FFernando

Eu não sei, cara. Eu acho que o sistema de segurança da base em si seria melhor, mais resistente.

SSantiago

Não, concordo que provavelmente seria, mas ali tu tem que levar em consideração o seguinte, primeiro Primeiro, eles não imaginavam que podia dar merda. E aí é uma inocência. A inocência independe de tecnologia. Até hoje a gente vê seres humanos fazendo burrice porque foram inocentes ou burros, independente da tecnologia.

JMJúlio Macoggi

É verdade.

SSantiago

Então assim, ele achou que— exatamente, tivemos até um episódio sobre isso, cara. Porque ali, se você pensar, ele não estava ainda botando o parque para funcionar a pleno vapor. A ideia ali era só levar o— era um cara do seguro né?

FFernando

Era para conseguir investimento aí, liberar para ser feito o parque.

SSantiago

O arqueólogo, o matemático, né, para eles poderem avaliar se o parque era viável ou não para o seguro cobrir, ele poder inaugurar. A ideia basicamente era essa. Então não era ainda a ideia, provavelmente o próprio Raymond, né, o Raymond, o velhinho lá, Ramon, ele tinha planos talvez de realmente ter uma tecnologia mais robusta, uma segurança mais robusta, mas eu acho que não era o momento ainda de ele colocar em prática.

FFernando

Ali.

JMJúlio Macoggi

Eu vou pôr um ponto aqui, diga. Com as tecnologias atuais, não é dito no filme, pelo menos não que eu me lembre, né, que existia qualquer tipo de aprovação governamental daquilo que eles estavam fazendo. Ele tinha comprado a ilha, até aí tudo bem, ele comprou, ele milionário, ele comprou a ilha e ninguém sabe o que ele tava fazendo dentro da ilha. Com o advento dos drones, dos satélites, foto de alta resolução e etc., quando tirassem uma foto dali e vissem em alta resolução avistam dinossauros ou objetos estranhos, né, objetos estranhos, animais estranhos e tal, eles iam, eles iam perguntar, mas o que que tá acontecendo aí? O que que vocês estão fazendo?

SSantiago

Mas tu acha, cara, que o Elon Musk, tudo dele é fotografado hoje?

JMJúlio Macoggi

Mas veja bem, ele não é, o velho lá não era um Elon Musk.

SSantiago

É, tanto é que ele precisava de financiamento, né? Ele usava financiamento para as coisas que ele produzia, entendeu?

JMJúlio Macoggi

Então ele tá Para mim, ele tava fazendo tudo debaixo dos panos, e em algum momento, quando tivesse tudo em ordem, aí sim ele ia— vou usar a palavra aplicar aqui— para ter permissões, permanências, enfim, para ele poder operar um parque de dinossauros. Mas até então o governo não sabia nada de funcionamento, o alvará do Corpo de Bombeiros. O Corpo de Bombeiros ia lá fazer o auto de avaliação. E aí, na minha opinião, assim, é uma pesquisa.

Você imagina se hoje alguém faz alguma coisa nesse sentido. Se descobrem que um cara tá fazendo um negócio desse, né? Quer dizer, que governo não vai querer se apossar dessa, entre aspas, tecnologia, né, de criar dinossauros de novo, né? Então eu acho que por isso que nesse ponto, para mim, pega um pouco. Realmente a tecnologia de hoje não faria o Jurassic Park viável. Então seria anterior a inauguração do parque, muito, muito anterior, porque ia ser assim, assim, soltou os bichos na floresta, no mato, etc., atualizou o Google Earth, mas ia feder. Atualizou o Google Earth, fodeu.

SSantiago

Aí existe algum lugar que o Google Earth ele é bloqueado? Você consegue tirar foto daquele lugar?

JMJúlio Macoggi

Coreia do Norte, cara.

TFTony Farias

É assim, vamos lá, inclusive eu acho que só o fato de uma pessoa chegar ao ponto de comprar uma ilha daquela, pessoal, já ia, aquilo ali já colocou um ponto de varredura.

JMJúlio Macoggi

Ah, mas até aí pode ser uma excentricidade, né?

TFTony Farias

Mas aí mesmo assim, velho, se eu fosse bilionário também, talvez quisesse estar ali.

FFernando

Mas aí, ó, tanto de equipamento que tem para ilha, tanto de coisa que, de carregamento, excentricidade tem um limite.

TFTony Farias

Aí outra coisa, outro ponto, Júlio, é aquele estado, aquela história lá da Ilha das Rosas, né, ali perto da Itália, que o cara simplesmente fez uma ilha artificial que era alheia a qualquer país. Então assim, não, não o fato dele ter feito isso impedido o governo ir lá investigar o que tava acontecendo. Então vamos lá, se um americano chegar lá com um planeta no meio do nada, os cara vão descobrir o que é, vão ir atrás.

SSantiago

Ou não necessariamente. A gente tem hoje recentemente uma ilha em que um determinado sujeito, amigo de determinadas autoridades e pessoas famosas, fazia absurdo. E não necessariamente foi descoberto, né?

JMJúlio Macoggi

Mas é porque ele era amigo, né? Ele era amigo do amigo, né?

SSantiago

Exatamente. Mas esse é o ponto, ele poderia ser amigo do amigo e a ilha dele ficaria ali discreta, passaria despercebido. Bastava ele ser amigo das pessoas certas ou erradas.

TFTony Farias

Vamos lá, Jurassic Park. O cara sendo amigo das pessoas certas, ele vai precisar que alguém vai fazer uma varredura se pode ou não aprovar um empréstimo para ele.

SSantiago

Mas eu acho que ela era só para abrir, para ter um alvará, cara. Para falar assim, ó, pois é, bicho, o cara só o alvará, eu tenho muito dinheiro, sou amigo das pessoas certas, eu preciso também comprar o fiscal, né?

TFTony Farias

Pois é, eu compro igual o site lá da Origem, eu compro a companhia aérea que era mais fácil.

JMJúlio Macoggi

Compra a companhia aérea, é exatamente, é verdade.

SSantiago

Titanic. Titanic.

YYara

É verdade, é verdade, em dois aspectos. Na questão da prevenção da colisão, né, que hoje eu acho que não acontece.

HMHumberto Mota

Não, não acontece.

TFTony Farias

Não confie na burrice humana, que aconteceu um caso parecido e não deu impacto.

SSantiago

Porque a minha viagem favorita é cruzeiro, então eu preciso muito confiar nessa tecnologia.

YYara

Porque no caso, naquela época, era o cara que ficava vigiando lá em cima e código Morse apenas, né? Não tinha outro meio de comunicação. Aí a gente tem o GPS de precisão milimétrica, que é uma coisa que tem as câmeras térmicas também, que eu também não sabia, né, que eu fui falar tudo que poderia ter hoje que impediu diria, fica tranquilo, tá, Santiago? Isso aqui, ó, eles detectam massa de gelo a quilômetros de distância, tem mesmo na escuridão total, fica tranquilo, tá? E tem o piloto automático também, né, que ele calcula rota.

SSantiago

E tem uma outra coisa, hoje, né, eu não sei se foi por causa do Titanic, por causa de outros acidentes que houve depois dele, nenhum navio ele pode ter número de botes com quantidade suficiente para, tipo assim, menor do que o total de passageiro.

JMJúlio Macoggi

É, não é, e não é só isso, a tecnologia também trouxe tivesse uma indústria naval mais forte, mais robusta, e talvez o material pelo qual foi feito Titanic e que teve o rasgo no casco, né, talvez hoje não aconteceria porque ia ser muito mais resistente, né.

TFTony Farias

No meu ponto de vista, meu ponto de vista, o inimigo da história do Titanic hoje não seria tecnologia.

SSantiago

Pronto, era o que eu ia falar.

TFTony Farias

Porque teve aquele caso lá do navio, né, Costa Concordia, né.

SSantiago

13 de janeiro de 2012, na costa da de Giglio, na Itália, o Costa Concordia naufragou graças às peripécias do seu comandante, né? Então o ser humano, ele ainda é capaz de fazer o suficiente para derrotar a tecnologia.

YYara

Esse morreu alguém?

SSantiago

Eu não lembro. Morreram, infelizmente morreram algumas pessoas.

TFTony Farias

Não lembrava, ele não foi tão grave quanto ele não chegou a afundar, ele tombou lá tombado, ele não chegou aí para o fundo.

SSantiago

Até porque eram 32 passageiros e tripulantes. O que aconteceu? Que o capitão, o Yara Francesco Schettino, ele tinha gato-rei na ilha, quis se amostrar, aí foi dar um cavalo de pau, deu um cavalinho de pau.

TFTony Farias

Olha o que eu sei fazer.

SSantiago

Aí foi dar um cavalo de pau no raso, aí o navio tombou. Filho da égua burro, macho! Tudo por um gato-rei.

JMJúlio Macoggi

E o maior problema disso tudo, né, que não foi o caso do Titanic, né, que a máxima é de que o capitão é sempre o último a deixar a embarcação quando acontece isso, né. E esse Francesco Schettino saiu do meio da galera lá e falou, falou, Valeu, capou o gato logo no começo.

YYara

E até na pesquisa que eu tava fazendo sobre como, né, porque eu não entendo de como funciona o sistema naval aí, tá? Aí fala que tem um sistema que chama EPIRB, é baliza rádio de emergência via satélite, e o Protocolo Internacional de Socorro Marítimo, GMDSS, emitiriam alertas digitais e automáticos de SOS com as coordenadas exatas para todos os navios e guardas frente e traseira da região ao mesmo tempo. Não haveria depender de operador de rádio acordado, que foi o caso também de lá. Mas eu esqueci do Concorde, então assim, não é tão improvável assim não.

SSantiago

É, mas eu acho que nesse—

TFTony Farias

é, não, mas aí é como eu falei, não foi problema da tecnologia, foi da buitimana. Ou seja, com toda a tecnologia, o pessoal foi legal.

SSantiago

Uma ilha lá com Gato Rei na ilha para ele passar por perto, nós estamos seguros por enquanto.

YYara

É esse meu filme.

SSantiago

É, mas é um filme que seria realmente com as tecnologias de hoje, não é que eu acho que o filme não existiria, o acidente não aconteceria, né? Porque como eu falei lá no começo, por ser um filme baseado em fatos reais, o filme continuaria existindo porque infelizmente em 2012, né, em 1912, 2012 foi o posto da Concórdia, 100 anos depois, coincidência, né? Em 1912 a tecnologia naquela época de fato não permitiria que essas tecnologias fossem utilizadas.

YYara

Aquela parada também, né, se não fosse tão grave não teria melhorado tantas coisas, né? Então precisa parar.

JMJúlio Macoggi

É o famoso a mais que nem para bem.

SSantiago

Exatamente. A gente sabe que infelizmente a tecnologia ela impulsiona, ela é muitas vezes ela é impulsionada por tragédias, né? Vide o caso recente, né, de acelerarmos a velocidade de desenvolvimento de vacinas diante de uma pandemia que ceifou milhões de pessoas, né, milhões de vidas. Então isso, por exemplo, mudou muito a velocidade com que vacina vacinas são desenvolvidas e aprovadas. Então, às vezes, as tragédias, elas levam para esse, para essa direção. Tony Faria já trouxe o primeiro filme.

TFTony Farias

Tony, estraga-nos, cara. É dois que eu peguei aqui. Eu acho que os dois filmes, eles não existiam por conta de rede social. E o primeiro, que eu vou dar só na próxima rodada, né, é Um Príncipe em Nova York.

SSantiago

É, provavelmente todo mundo saberia quem é ele, né?

TFTony Farias

Pois é, a não ser que o cara fosse muito parecido, tipo dublê do Neymar.

SSantiago

Os príncipes do Grêmio, muito top, né, no Brasil. Cara, tinha que ser o Brasil.

FFernando

Eu não sei por quê, porque, por exemplo, eu não conheço quem é o príncipe da Arábia.

SSantiago

Mas o problema, Fernando, é que por mais que tu não saiba, cara, se tu chega na 25 de Março, na Avenida Paulista, e tu tá andando, não, você não vai reconhecer. Tu não, mas tu imagina que ali tem milhares de pessoas.

FFernando

Eu te dou um exemplo facinho, te dou um exemplo facinho, ninguém reconhece, velho. Te dou um exemplo facinho: Eric Cavill com a blusa do Super-homem andando na Times Square, velho.

YYara

O quê?

SSantiago

Não acredito!

FFernando

Não é possível!

YYara

É porque eu não tava lá.

FFernando

Ninguém, ninguém.

JMJúlio Macoggi

Eu garanto para você que deve ter um monte de gente que olhou e falou assim: é ele! Não é, é, não é, é, vou lá ou não vou?

HMHumberto Mota

Cara, se tu tá usando, imagina, o cara vai estar aqui, velho.

FFernando

Não é ele aqui, cara. Vai estar aqui? É, não vai.

TFTony Farias

Então é isso que aconteceu, cara.

HMHumberto Mota

Tu tá trazendo um exemplo de um cabra de Hollywood Pô, se a gente trouxer um exemplo mais recente ainda, o exemplo agora da final da Copa, que o rei da Espanha tava em cima lá do— ninguém sabe quem é, velho, em cima lá do tablado. E aí ele abraçando todos os jogadores e tal. É a Celina, minha mulher chegou e disse assim, quem é esse cara que tá abraçando todo mundo? Eu disse, é só o rei da Espanha.

SSantiago

Ele não é o príncipe, ele é o rei, né?

YYara

Mas é diferente, tá falando como se fosse a rainha Elizabeth, por exemplo. É como se é uma pessoa que todo mundo conhece em todos país, entendeu?

JMJúlio Macoggi

Eu vou pôr um ponto aqui, você pode ponhar. Eu entendo que se vier um príncipe da Arábia e for morar em Nova York, ele talvez não seja reconhecido e tudo mais, tá? Até aí beleza, concordo, tal. Mas vamos, vamos voltar um pouco para trás. Hoje, do jeito que a imprensa tá, do jeito que as redes sociais estão, os príncipes, você vê o príncipe, os príncipes filhos do Charles lá, eles têm imprensa atrás deles em todo momento. Tudo bem que aí é uma imprensa mundial, aí é Tudo bem que é uma imprensa talvez mundial, né?

Mas a imprensa do país onde a gente tá pensando no príncipe de Nova York, que sai do país dele, vai querer saber onde tá o príncipe hoje. Porque querendo ou não, ele é o herdeiro do trono. Ele pode ser um baita de um merdeiro. E as pessoas têm curiosidade em saber quem ele é. Então assim, o príncipe sumiu do país. Aonde tá o príncipe? Alguém vai vazar informação por dinheiro, falar assim: olha, pegou um avião, ele foi pra Nova York.

SSantiago

Aí vamos pra Nova York. E aí você já vai ter um filme, ele já vai ter um, como é que chama? Um correspondente lá, né? Procura o cara aí, ô Júlio, o nosso príncipe tá aqui, a foto dele. Fala aí com teu amigo Léo Dias, dá uma fiscalizada aí como é que vai ser a vida desse cara também.

JMJúlio Macoggi

Meu amigo, velho, acho que essa coisa, a única coisa que esse príncipe da atualidade ele ia ter, ele ia ter um gap até ele chegar e ter e ser reconhecido, ao contrário do príncipe Nova York filme, que ia ter todo o período até ele revelar ou até os pais chegarem. Ele ia ter um momento de, de um momento menor, mas ele ia ser reconhecido.

FFernando

Não, eu acho o seguinte, porque você pensa o seguinte, pega para um repórter, pede para um repórter achar uma pessoa em Nova York, o cara não vai achar, velho. Ele pode procurar o que ele quiser, ele não vai achar, cara. Se a pessoa for conhecida assim, alguém, velho, para a pessoa ser conhecida, a notícia corre, alguém tem que conhecer. E o povo, cara, o povão não vai conhecer, cara.

TFTony Farias

Mas é que tá, Fernando, hoje em dia, Fernando, no mínimo, no mínimo, eu acho que o que acontece é alguém vê ele, no caso a pessoa, a celebridade, e achar, parece com fulano, será que é? Aí quando juntar com a história de que ele tá naquela cidade, aí vai ser diferente. Tu já viu a entrevista do Mr. Bean? É que o cara, ele falando com, ele disse, com uma pessoa abordou ele, ele disse, você Você parece muito aquele cara do FBI. Ele não te faz, sou eu.

JMJúlio Macoggi

Você falou, ai, difícil encontrar. Óbvio que se você faz igual Santiago, ô fulano, põe, vai procurar o cara que ele tá aí e tal. A procura vai ser a seguinte: lá no país dele, ele já ia saber qual foi o voo que ele saiu, porque vazou a informação lá. Esse cara de Nova York, estamos usando Nova York como exemplo, né, ele vai chegar no aeroporto, ele vai encontrar alguém que vai, que vai falar para ele, ó, esse voo chegou aqui tal hora e na hora.

E o pessoal que tava dentro dele, ó, pera aí que você fala com outro fulano ali que ele sabe. Ó, o pessoal saiu aqui, pegou um táxi com o cara, placa do carro, ou então o motorista era fulano. Não, cara, informação, informação, o cara consegue.

FFernando

Não é tão liberado assim hoje não, cara. Você vê coisa, consegue, consegue.

SSantiago

Ela não é, Fernando, quando ela, quando ela é importante, ela não é tão rápida. Mas se for para fofoca, filho, é fofoca, move montanhas, bicho.

FFernando

Cara, eu não sei, acho que quem que não gosta de uma fofoquinha, o Primeiro a fofocar sou eu, cara.

TFTony Farias

É provável dele desembarcar e já tem uma galera esperando ele.

SSantiago

Eu lembrei agora de um fato de cobertura dizendo que, falando, a Inglaterra, né, ela criou o futebol, mas que eles não são os melhores no esporte que eles criaram. Aí diz que eles vivem criando esportes para ver se em algum deles eles tornam melhor. Aí eles assim, nem na fofoca eles não conseguiram. Eles criaram a fofoca, profissionalizaram a fofoca, mas aqui a gente é muito melhor. Aí eles até comentam, é, mas é porque lá eles não têm um Léo Dias para falar do marido da Rafa Kalimann, para falar.

FFernando

Você tem ideia, cara, eu conversei uma vez, cara, eu sentei do lado, cara, de uma atriz que tava na novela das 8, sei lá, no Brasil aí, cara. E bati mó papo com a menina, cara, mó papo, e conversei e tal, não sei o quê. Aí ela virou para mim e falou assim, ah, você não tá me reconhecendo não? Eu falei, nem ideia de quem você seja. Ela, ah, eu sou— ela era, cara, a irmã da Sol na novela América.

SSantiago

América, cara.

FFernando

Eu batendo mó papo com ela, eu tenho até foto com ela, cara, tirei foto com ela e tal, tudo mais, cara. Nem tinha a mínima ideia quem era, velho. E tava lá a mulher, tudo quanto é coisa.

SSantiago

Mas com certeza muitas pessoas nesse voo sabiam, Fernando.

JMJúlio Macoggi

Sabia.

SSantiago

Quem é, Júlio? A irmã da Sol em América.

JMJúlio Macoggi

Eu não lembro quem é a Sol, precisa pesquisar.

FFernando

Eu não, eu lembro que ela era bonita, viu, cara?

SSantiago

A Sol é a Débora Seco.

JMJúlio Macoggi

A Débora Seco é a Sol.

FFernando

Débora Seco era irmã da Débora Seco.

JMJúlio Macoggi

Camila Rodrigues. Nossa, bonita mesmo, hein?

SSantiago

Camila Rodrigues, famosa. Não lembro dela olhando para foto. Eu passaria pela mesma situação que o Fernando sentado ao lado dela. Eu tive a oportunidade de tirar uma foto, cara, com Puxa vida, esqueci o nome dela agora, que tava na novela da Audete Reutemann, Vale Tudo. Ô Júlio, quem era a mocinha do pra na Vale Tudo agora?

JMJúlio Macoggi

Mocinha do quê?

HMHumberto Mota

Do pra?

JMJúlio Macoggi

É agora?

SSantiago

Sim.

JMJúlio Macoggi

Ah, eu sei a cara dela, mas não lembro o nome. Ela tem o nome meio francês, não tem?

SSantiago

Alice Wegmann. Ela estava no mesmo voo que eu, inclusive durante a novela ela tava no mesmo voo que eu quando a gente foi para os Estados Unidos ano ano passado, só que a digníssima não deixou eu tirar foto com ela porque ela disse que era muito cringe.

FFernando

Muito cringe, cara. Pois eu sentei, cara, com a menina, bati mó papo com ela, cara, conversei, abracei e tal. Cara, eu tava aí, a galera ficava me olhando e falando assim: caramba, cara, você conhece ela? Eu falei: uai, conheci, ó, tô batendo mó papo aqui e tal. Aí o pessoal: como assim, cara, você tá conversando com essa mulher? Eu falei: o que que tem? Beleza. Eu sentei lá, ela falou: você também conhecendo ela, viu? O pessoal perguntando, né?

Eu falei: vai não, eu te conheço de algum canto. Ela: não, eu tô na novela, tal, não sei o quê. Eu falei: ah, desculpa, Desculpa, eu não assisto novela.

SSantiago

Assim, tudo bem que ele não está exposto a isso, as telas 24 horas, mas quem passou por isso recentemente foi o Garcia Júnior, que é o dublador do He-Man, né? Ele disse que tava num voo também e conversou com um cara lá o voo inteiro, e o cara não sabia quem era ele. Aí quando pousou foi que outras pessoas comentaram. E aí o cara, ele falou, ele perguntou com o que que ele trabalhava, foi, e ele disse que ele era dublador. E perguntou, dublador, mas você dubla quem?

Aí quando ele falou que ele dublava o He-Man, aí o cara tipo assim, caralho, acredito.

JMJúlio Macoggi

Pô, mas a voz dele é inconfundível, né?

FFernando

Seria muito, mas eu acho que ele imposta a voz também.

JMJúlio Macoggi

Eu sentei, eu tava em Foz do Iguaçu, tava voltando, eu tava voltando para São Paulo, eu fui pegar um voo em Foz do Iguaçu e eu sentei do lado de um cara. O cara tava com chapéu de boiadeiro assim, né? E aí eu comecei a trocar ideia com o cara, aí até que bateu uma, caiu uma ficha em mim. Eu falei, peraí, você não é o cara da novela Pantanal? Eu não sabia o nome dele. Eu sabia que ele fazia o Tibério, né? Eu falei assim, não, Tibério da novela Pantanal?

Ele falou, ah, eu sou. Falei, pô, legal, cara, novela tá boa para caramba, tal, né?

SSantiago

Tu ia ter feito jabá do NovelaCast.

JMJúlio Macoggi

E aí, não, na época não tinha, na época ainda não tinha. Eu, ele chama Guito, né?

TFTony Farias

Eu, você já tinha vindo, você já tinha vindo, né? Hoje é só podcast.

JMJúlio Macoggi

Eu não sabia qual era o filme mesmo que a gente tava falando, hein?

TFTony Farias

Um Príncipe Naval.

SSantiago

Me lembra a sinopse do Príncipe Naval, que faz muito tempo que eu não assisti, que eu não assisto deve ter uns mais de 20 anos, então não vou lembrar como é que ele escapa.

TFTony Farias

Não, na verdade, a forma resumida para ele não querer continuar, não casar com ela, é que ele queria vir fazer uma despedida de solteiro, vir não, e fazer uma despedida de solteiro em Nova York. Aí ele foi com o parceiro lá para ir curtir a vida doidado, só que ele não queria ter os luxos do trono, queria ter uma vida normal, porque ele não teve isso, teve uma vida convencional. Aí foi que ele foi começar a trabalhar e tal, que ele ficou feliz da vida porque tava varrendo o chão do cara.

SSantiago

Pois é, mas aí olha o tanto de tempo que ele ficou e isso, muito provavelmente alguém iria, como o Júlio falou, iria descobrir em algum momento quem ele era. Porque assim, tu imagina que o Neymar, por exemplo, tudo bem, vai lá para os Estados Unidos, e aí ele decide que vai querer viver uma vida normal, porque os Estados Unidos não é um país que o futebol é amplamente difundido e tal. Só que, cara, na hora que o Neymar entrar numa lanchonete para varrer o chão, vai chegar a porra de um brasileiro lá, vai ver, olá, o Neymar, e vai tirar foto dele.

JMJúlio Macoggi

Não, e por mais remoto que uma figura dessa possa ir, em algum momento momento alguém aqui vai falar: ué, onde tá o cara? E aí vai se criar uma rede de conexões que vai levar ele aonde ele tá. Isso é fato, a gente não tem como.

SSantiago

A não ser que ele seja o príncipe da Coreia do Norte, né, onde não há comunicação com o mundo externo.

TFTony Farias

Cara, eu posso estar me confundindo com o ditador, mas eu tenho quase certeza que alguém já reconheceu ele no filme. Eu tenho essa vaga lembrança, bicho, que aconteceu isso, que ele apareceu, é alguém viu ele disse que ele era um velho, não era um velho?

FFernando

Até que falou, não sei o quê dele.

TFTony Farias

Aí ele falou, era alguém, é, eu tenho quase certeza, mas eu concordo com o Tony. Ele fez igual, ele fez igual a Yara, ele fez igual a Yara, tio, filho da barriga.

SSantiago

Mas eu concordo com o Tony, eu acho que hoje com a tecnologia atual dificilmente ele conseguiria passar despercebido. Então é válida a escolha, Tony. Eu pensei em trazer um diferente, eu vou trazer aqui, cara, o filme que foi meio que me fez pensar justamente sobre isso, como eu falei quando estávamos lá na nossa viagenzinha, que é pânico. Era o primeiro pânico de 96, em que as coisas elas aconteciam por causa de uma ligação para um número fixo, né?

Ligavam lá para o número fixo e aí ligavam para casa da pessoa, aquela coisa toda. E aí eu fiquei pensando assim, cara, acho que hoje com as tecnologias atuais, não, ainda mais levando em consideração que nós temos aí filme, câmera câmeras nos celulares, ou seja, todo mundo está o tempo todo com uma câmera à mão. Você pode entrar numa live ali e filmar, então dificilmente as coisas vão acontecer com tanta discrição. Então não sei se pânico sobreviveria à tecnologia atual, mas jogo para os meus amigos de bancada. O que que vocês acham?

TFTony Farias

Meu ponto de vista, aqui no Brasil pânico não se criaria por conta de spam. Macho, quanta ligação de call center tu por dia.

SSantiago

É, eu não atendo.

TFTony Farias

Pois é, aí como porra, meu amigo, velho?

JMJúlio Macoggi

Quem atende, né? Quem é?

SSantiago

Número bloqueado, número desconhecido, número— eu já não ia atender. Então o cara ia ficar ligando, eu quero matar esse cara e o bicho nem para atender o telefone para eu matar ele.

TFTony Farias

Tu depender de uma ligação para ganhar dinheiro, velho, tu vai morrer pobre.

SSantiago

É verdade, é verdade.

FFernando

É isso mesmo.

SSantiago

Temos mais um ponto, eu nem tinha pensado nesse ponto ainda, Tony. Eu tinha pensado só na ideia do telefone fixo, né, que não está mais presente.

TFTony Farias

E assim, é, hoje a função básica do telefone não existe demais, né? Pessoal praticamente não usa mais o telefone para uma ligação convencional. Vai ligar, liga pelo WhatsApp, ou manda um áudio, manda uma mensagem de texto pelo WhatsApp ou qualquer outro mecanismo. Mas a ligação convencional dificilmente o pessoal faz, né?

SSantiago

Então assim, eu realmente, eu acho que— mas aí nesta mesma ideia eu assisti o Pânico de 97 e assisti o Pânico 5, né, que é o primeiro da Gina Ortega, que, cara, a meu ver é um um filme ok, que respeita bem o legado e tenta trazer um revival ali para franquia, né? Mas que é um filme que ainda padece do mesmo problema, porque a mulher tá lá recebendo ligação na casa dela. E eu fico pensando, cara, que casa hoje ainda tem telefone fixo? Vocês aqui, nós 6?

FFernando

Nenhuma.

SSantiago

Júlio, você tem telefone fixo em casa? Não. Fernando?

JMJúlio Macoggi

Eu tenho uma linha ativa, mas eu não tenho aparelho ligado.

TFTony Farias

Pera aí, eu quero Não, vamos fugir do ponto que eu quero entender o contexto aí.

HMHumberto Mota

Fala. Não, e eu por mim não tinha nem celular.

TFTony Farias

Tony? Eu não, mas eu quero entender a ideia do Júlio.

SSantiago

Nós temos um total de zero pessoas com telefone fixo em casa.

FFernando

Deve ser, deve ser, como é que fala, conjunto com alguma coisa.

JMJúlio Macoggi

É, o combo da minha internet me dá direito a um telefone fixo. E aí eu tenho esse telefone, eu tenho esta linha de telefone fixo ativa, mas eu não tenho nenhum aparelho ligado a ela.

SSantiago

Um dia desse eu encontrei um aparelho aqui que eu comprei quando as meninas eram pequenas, meninas têm 14, 15 anos, que é um telefone fixo. Ele é igual um telefone fixo, mas ele não usa aquele cabo. É o RJ2, é o que?

JMJúlio Macoggi

RJ45, né?

SSantiago

O RJ45 é o de rede. Ele não usa aquele cabo de telefone, ele usa chip, chip mesmo de que a gente usa no celular. Então ele é um telefone celular celular, só que o modelo dele é igual um telefone fixo. E aí eu lembro, eu tava, é para funcionar em casa, né? Exatamente, ele era para usar em casa. Então quando as meninas eram pequenas, eu queria ter um telefone fixo em casa para eu ligar na eventualidade eu precisasse ligar para cá, para casa.

E aí nós tínhamos esse aparelho, né? Então acho que o último resquício de telefone fixo que eu tive não era exatamente fixo, né? Porque ele era móvel, você podia levar para onde você fosse, bastava ter uma rede celular e uma tomada para ligar ele, porque ele não tinha bateria. Ele até tinha uma bateria própria, mas era aquela bateria que não resistia a ideia de deixar ligado na tomada.

JMJúlio Macoggi

Mas o mais importante era ter sinal, né, Santiago? Não adiantava nada levar ele para um lugar, sim, sim, para ele funcionar como um telefone fixo. Se não tivesse sinal, não funciona.

SSantiago

Mas eu digo assim, por exemplo, se eu fosse, sei lá, vou para casa de um amigo, vou lá para casa do Gegê tomar umas, e vou lá, eu podia levar o um telefone fixo, né?

JMJúlio Macoggi

Ou seja, ele não era bem fixo, era um celular afrescalhado, era um celular gigante, vamos dizer assim, aos moldes do que é hoje.

SSantiago

Era um celular não portátil, era um celular não portátil. Exatamente.

HMHumberto Mota

Eu acho que faltou a gente mencionar o seguinte: aqui no Brasil, por exemplo, o Pânico jamais sobreviveria, porque além da tecnologia, óbvio, do avanço do celular e tal, da gente não tinha demais telefone. Hoje a gente tem pega-ladrão, caco de vidro, cerca elétrica, alarme, 2 hotéis no quintal.

JMJúlio Macoggi

Esse cara nunca na rua de moto rodando.

TFTony Farias

É, o cara, cara, o caco de vidro é antes do filme. O cara já sabia onde entrar. Dentro de um primeiro filme, o pessoal já botava o caco no muro.

HMHumberto Mota

Pois é.

SSantiago

E outra coisa, cara, uma, uma, eu nunca entendi isso em filme americano, né? Inclusive vários filmes americanos que eu assisti, inclusive assisti ontem com a Maria, a minha caçula, ao Halloween de 1978. Então quem tá lá no grupo, todos aqui estão lá no grupo dos amigos. Eu até mandei uma foto lá de uma cena em que a Laurie Strode, ela tem uma boneca Annabelle, cara. A Annabelle é original, né, de quem que deu origem ao mito. É que eu esqueci o nome daquela, daquele modelo.

E aí tem uma hora que a, acho que a própria Laurie Strode tá tentando fugir do Michael Myers e ela fica tentando abrir a porta e tem um, como é o nome daquele que parece um garfo que é para cavar o chão? Rastelo. Pronto, tem um rastelo que tá segurando a porta e ela tentando abrir a porta e não consegue abrir a porta. E o Michael Myers tá se aproximando dela, só que a porta é de vidro, ou seja, basta ela quebrar o vidro, tirar o rastelo e ela consegue abrir a porta.

E aí quando ele está a 20 cm dela, ela decide quebrar o vidro e tirar o rastelo e sair correndo. Então assim, aqui no Brasil dificilmente você vai ver uma porta que seja com a finalidade de vedar a sua casa, que ela tenha um vidro que está diretamente ligado à fechadura, né? E lá nos Estados Unidos isso é extremamente comum, inclusive no próprio filme do Pânico, cara. Todas as portas são de vidro. Na Irlanda é assim, a porta é de vidro e a fechadura é do lado da porta.

TFTony Farias

Sim, cara, muita loja é assim, porra. Muita loja, a porta é só o vidro.

HMHumberto Mota

Mas geralmente a loja tem aquela portona de ferro que você vai É, exatamente.

TFTony Farias

Mas só que vamos lá, não tem muita casa que é, pô, só o vidro também, muita porta residencial.

SSantiago

É, mas geralmente aqui no Brasil todas as casas têm um muro ao redor, né? Geralmente, pelo menos, a não ser que seja um condomínio, condomínio residencial, elas têm um muro ao redor. Nos Estados Unidos não, cara, ela é uma casa aberta que não tem muro e tem uma porra de um alarme. Eles botam um sistema de alarme quando não sei o quê, e bota um vidro do lado da fechadura.

TFTony Farias

Cara, sabe o que é que eu acho? Porque vamos lá, basicamente, como é que vem em filmes e séries que eu já vi, o pessoal tem a liberdade de queimar quem entrar na casa, né? Então assim, ele tá colocando ali mais ou menos um negócio, ó, bicho, eu botei isso aqui porque eu acho bonito. Se você quiser arriscar que quebrar para entrar, você pode levar uma balada.

SSantiago

É, mas no caso do pânico, ninguém tem arma, né?

TFTony Farias

É porque filme, velho, tem que construir rede, senão acaba logo na primeira cena.

SSantiago

Faz sentido. É como a gente vê às vezes filme de terror, né? O cara tem um meme que eu vi que é muito engraçado. O cara entra, abre a porta, a família chegando, né? Olha, pessoal, é a casa nova que nós vamos orar. Aí de repente o teto rangendo assim. Aí, é, vamos embora dessa casa. Pronto, acabou o filme.

TFTony Farias

Aquele maluco, pô, aquele SMzinho jogando um jogo lá de terror que você tinha que ir para outro lugar, outro cômodo da casa. Aí ele disse, ele olhou assim para o corredor comigo, um escuro da porra. Disse o quê, meu irmão? Eu vou me sentar aqui, quando amanhecer um dia eu vou lá.

JMJúlio Macoggi

E eu tenho medo.

SSantiago

Não só no Brasil, mas no próprio, nos Estados Unidos, com as tecnologias de hoje, era possível aquela forma de matar do pânico?

TFTony Farias

Eu achei uma forma, eu achei uma forma. Qual?

FFernando

É só descobrir um pouco, né, o modo operante dele.

TFTony Farias

Mas é só descobrir um com os indivíduos que estão na mesma situação que eu, ou os que participaram das pegadinhas Silvio Santos, ou seja, desesperado por um emprego novo, e o cara consegue. Diga, olha, é aqui, é da empresa que você mandou o currículo, vou marcar uma entrevista.

SSantiago

Tô mandando entrevistador aí agora, abre a porta.

FFernando

Chegue mais.

SSantiago

Ele tá com a máscara esquisita, mas é porque ele é tímido. Bom, vamos para a segunda rodada e vamos seguir a mesma ordem. Quem começou foi Koala, né, trazendo Janela Discreta. E qual filme que você vai trazer em segundo lugar para nós, Koala?

HMHumberto Mota

Cara, eu ia trazer um de terror também, mas aí para não ficar muito igual, eu vou voltar para o humor, né. Eu acho que poucos filmes de humor escrachado funcionariam hoje por conta da tecnologia. Vou dar alguns exemplos, né, vou fazer um combo aqui, vou roubar, né. Porque, por exemplo, American Pie não teria tanta graça, né, porque, por exemplo, uma das grandes graças do American Pie é o fato do cabra usar a torta lá enquanto ele assiste um VHS de um pornô, né.

Hoje ele jamais assistiria um VHS de um pornô, né, ele iria procurar E, né, exatamente. Mas ele tava com o fone, né, e o fone tava preso lá no VHS, porque tinha isso, né, você tinha que ligar o cabo do fone na entrada do VHS se você quisesse ouvir. Então ele ficava com aquele negócio meio assim. E aí tem um outro, por exemplo, não, outro filme.

SSantiago

Deixa eu interromper só para contar essa história aqui, porque eu lembrei, cara. Não vou contar o pecador, mas vou contar o pecado. Senta que lá vem a história. Quando eu estava no internato, havia um certo sujeito que estava no internato conosco. Vocês não sabem o que é internato? Internato são os 2 últimos anos do curso de medicina em que nós temos somente prática médica, né? Então a gente fica dentro do hospital, a gente passa visita nas enfermarias, a gente acompanha cirurgias, a gente acompanha, enfim, é um médico que não recebe dinheiro.

Pronto, basicamente é isso. O interno, ele é um residente, né, que não tem bolsa. Então o curso de medicina, ele é dividido em ciclo básico e internato. E aí eu tava no internato, e no internato, suponhamos que nós, que 4 de nós somos de semestres diferentes, né, do curso de medicina. Então aí a área do I1, eu sou do I2, com a aula do I3, o Tony do I4. Não, I1 é o primeiro ano, o primeiro semestre do internato. São 4 semestres de internato, então ela e um ela tá no primeiro semestre do internato.

Se naquele sorteio, no mês de julho de 2026, eu fui sorteado para clínica médica, aí era clínica médica, qual a clínica médica? Eu tô em clínica médica. Mesmo que nós estejamos em semestres diferentes, pode ser que nós estejamos na mesma enfermaria naquele mês. E esse cara, ele era de outro semestre, eu não o conhecia, né, até aquele momento. Se eu não me engano, ele era de outra faculdade e ele tava passando 3 vezes aqui na UFC, né, e rodando lá nesse serviço.

E um dia a gente chegou no quarto dos internos para conversar e tal, no intervalo ali entre uma ronda e outra, e o cara tava sentado escrevendo num papel, tipo um caderno, com fone de ouvido, né, e aí fazendo as anotações relacionadas ao trabalho lá, coisas que tinha que fazer do trabalho. E aí, cara, a gente ficou curioso para ver o que é, tipo assim, será que o cara tá ouvindo alguma coisa? Isso nós estamos falando de 2007, 2008, quando ainda não havia internet, quando não havia internet ainda nos celulares.

Então internet era uma coisa que só se utilizava aos finais de semana ou depois de meia-noite, né? Então a ideia de ter um telefone com um celular não existia, aliás, um telefone com internet não existia, cara. Quando a gente chegou perto para ver o que que o cara tava fazendo, aquela curiosidade humana, como o primeiro filme que o Collor trouxe é Movido pela Curiosidade, nós fomos movidos pela curiosidade, fomos ver o que que o cara tava assistindo, cara, tá?

Ele tinha baixado num MP4 lá, um AVI desses aí com 320p, 240p, um filme pornô, e ele estava ouvindo com fone de ouvido enquanto ele estudava. O cara ficava ouvindo filme pornô enquanto estudava.

JMJúlio Macoggi

Isso é uma falta de respeito muito grande.

HMHumberto Mota

Fascinado pela história, pô. Fascinado pelo plot.

SSantiago

Mas eu fico até hoje, eu fico pensando, pelo som de plot, né? Mas eu fiquei assim, eu disse, cara, como assim? Porque essa era uma época em que havia já, quer dizer, já estava saindo inclusive de linha os MP3, né? Então por que que o cara, ele podia estar com MP3, uma sua playlist ali trocando Ávio Lavignini, né, ou alguma coisa assim? Coisas assim, né? Nada sem MP3, nada sem MP3, coisas nesse sentido. Depois, mas não, o sujeito estava ouvindo filme pornô.

HMHumberto Mota

Qual era o ano mais ou menos, Santiago?

SSantiago

2007, 2008, por aí.

HMHumberto Mota

Pelo amor de Deus, 2007, cara! 2007, um ano antes, 2006, lançou Limão com Mel acústico, aquele que tem a sinfonia tocando junto.

SSantiago

Pelo amor de Deus, já tinha sido lançado escutado o Aviões do Forró Volume 3, o melhor, o melhor álbum de forró de toda a história.

TFTony Farias

Vamos contextualizar. Quem garante que ele não escutou primeiro, ficou emocionado e botou o filme para imaginar como seria?

HMHumberto Mota

É verdade.

SSantiago

Quem sabe, quem sabe ele ficou lá: que tontos, que loucos somos nós dois estando com outra e nos amando. E aí de repente ele diz: é, ela está com outro, agora eu vou me vingar.

HMHumberto Mota

É verdade.

SSantiago

Mas no futuro, contada a história, pode voltar para o seu filme, Koala.

HMHumberto Mota

Pois sim, cara. Aí tava falando do American Pie, mas se a gente for botar no mesmo contexto, Eurotrip, por exemplo. Eurotrip é um filme que eu gosto muito, acho muito engraçado, mas a graça tá justamente no fato deles não conseguirem se comunicar e deles estarem perdidos, né? Assim, eles— a grande graça é a barreira linguística junto com a falta de noção geográfica, e tudo isso seria resolvido com o Google Maps, o Google Tradutor, que o cara ali fala com o Google Tradutor, fala com a pessoa, resolveu o problema, né?

E aí o Google Maps também, ah, pô, tô em Bratislava, o cara vai olhar, ah não, beleza, é Bratislava mesmo. Agora eu sei onde é que eu tô, sei o que que eu tenho que fazer, é rodoviária, beleza, tô salvo, tô livre.

SSantiago

Então, cara, esse é o filme do Vago, o Vago é doido por esse filme.

HMHumberto Mota

O ponto humor, ele ia se perder completamente com a tecnologia de hoje. Mas suponhamos que ele tivesse perdido Ah, pô, mas se eles tivessem, mas ainda ia ter alguém com celular, entendeu? Ainda ia dar para desenrolar alguma coisa.

TFTony Farias

O Eurotrip, eu acho que só se aquela galera ali cria essa proposta, não, vamos viajar às cegas.

SSantiago

E cidades do interior, né? Cidadezinha do interior, tipo assim, o cara batendo corda, o cara vem. Eu acho que até hoje algumas cidades, não são todas as cidades, mas algumas cidades aqui do interior do Ceará, o cara ainda conseguiria viver uma loucura daquela, tipo assim, que não vai ter um cara necessariamente, um coroa ali com Google Tradutor, né? Tu vai ter um barzinho com que o véio tá sem camisa, com uma flanela no ombro, provavelmente ele não vai ter um Google Tradutor ali à mão.

TFTony Farias

Não precisa ir tão longe assim, eu acho, para o cara ficar totalmente offline, que a internet morre, você não consegue sinal não. Por exemplo, aqui perto tem uma, tem uma cidade, a segunda cidade após a que eu moro. Aí tem um povoado lá, um povoado não, diz que é quase um bairro, só que é mais afastado da cidade. Bicho não pega não, internet lá de celular, pessoal só vai conexão cabeada, fibra, mas internet de torre não vai não.

SSantiago

Quala e Fernando vão saber do que eu estou falando. Se eu estiver indo da minha casa, eu moro na Parqueland, se eu estiver indo da minha casa para a Aldeota, basta eu chegar em frente ao shopping bem Bem Fica. E a Claro, beijo Claro, não vai pegar, cara. Se alguém me ligar, se eu tiver falando com vocês ao telefone, eu vou avisar, ó, pessoal, vou passar por uma área cinzenta agora, meu, minha ligação vai cair e daqui a pouco ela volta.

TFTony Farias

Em frente ao Shopping Bem Fica, vou entrar no túnel.

SSantiago

Exatamente, vou entrar no túnel, é passar em frente ao Shopping Bem Fica. Se eu passar em frente ao Shopping Bem Fica, a Claro, beijo Claro, patrocina nós, não vai pegar. Pegar, cara, não vai pegar.

HMHumberto Mota

Ela não pega depois desse relato.

SSantiago

Acho difícil.

JMJúlio Macoggi

Ele está apenas pontuando uma área cinzenta da cobertura da Claro, ele não está reclamando.

SSantiago

Exatamente. Mas eu sou usuário da Claro já há 4 anos, então isso não é motivo. Você tem 99% de cobertura, aquele 1% é ali, é ali, aquele 1% vagabundo, cara.

HMHumberto Mota

Mas fechando, fechando os filmes, no outro filme que eu acho que ia morrer assim nesse sentido de tecnologia era o próprio Se Beber Não Case, né? E eu vou te Vou dizer mais, o Se Bebê Não Case, o argumento dele sobreviveu por meses, assim, é questão de meses. Se ele tivesse demorado uns 3 meses a mais para lançar, o argumento inteiro do filme tinha morrido. Porque qual é o grande argumento do Se Bebê Não Case? Eles têm que reconstruir a noite da despedida de solteiro, certo?

Eles não sabem aonde eles foram nem o que eles fizeram, correto? Isso seria completamente refutado se eles tivessem pegam Uber, porque aí eles iam olhar todo o histórico de viagem da Uber e iam saber exatamente onde eles estavam.

SSantiago

Até, vamos aqui, vamos aqui, vamos ser tudo justo, né, que eles não roubaram um carro da polícia, que eles não roubaram um carro abandonado, mas eles iam saber pelo menos o ponto de origem, pô.

HMHumberto Mota

O ponto de origem eles iam saber da parada.

JMJúlio Macoggi

Então eu vou mais longe, eu vou mais longe. Eles podem não ter pego Uber, eles podem ter roubado o carro, roubado carrocinha, do que for, se qualquer um deles tiver um Apple Watch no pulso, eles sabem exatamente por onde eles passaram. Então, a noite toda, ou um Samsung vinculado com a conta Google. Pode ser.

HMHumberto Mota

Os dois também, né?

SSantiago

Completar mais aqui, todos nós estamos naquela, naquela faixa de idade que nós pudemos viver uma vida sem a internet na palma da mão, e provavelmente a nossa adolescência teria sido totalmente diferente se as tecnologias fossem atuais. E eu vou contar aqui um relato pessoal. Em algum ano aí do passado, né, estávamos lá em Aracati, eu e meu primo, que se Deus quiser, quando eu contar isso aqui, ele vai ter gravado conosco o episódio que vai ao ar antes desse aqui.

Então, episódio que foi ao ar antes desse. E, cara, a gente decidiu que queria, lá em Aracati no Carnaval, a gente decidiu que queria ter uma carroça. E aí tinha um catador de latinha que desceu para pegar as latinhas e deixou a carroça parada com o burrinho lá.

?Voz B

E a gente subiu e andando.

SSantiago

Já avisei que vai dar merda isso. E o cara saiu correndo atrás da gente, né? Assim, alguns quarteirões depois ele alcançou. A gente parou e ele alcançou. Então era mais ou menos isso. O Uber, por exemplo, né, a carroça não tinha GPS. Então se a gente tivesse debandado naquela carroça, a gente não teria sido rastreado pelo GPS. Mas com a tecnologia de hoje no pulso, né, no smartwatch, como disse o Júlio, a gente teria entrega até navio, né, Toninho?

TFTony Farias

Ali, é, ali se garante de uma vez. Mas bicho, essa história aí do cara, essas ideias aí, o cara faz essas viagens meio malucas. Lembrei de um caso de uma mulher lá americana, bicho, ela saiu para uma festa, ela acordou, parece que foi 2 dias depois, montado num jumento no México.

SSantiago

Como assim? Não entendi.

TFTony Farias

Ela não sabe o que aconteceu, ela simplesmente acordou, foi quando passou a cana, né? Aí acordou que nem aqueles cara que pega aquelas coisinhas formosas no fim de festa, quando passa o álcool no outro dia, o cara diz: eu nunca, nunca vivi isso.

SSantiago

O mentiroso Júnior Macórdi, qual filme você vai trazer para nós?

JMJúlio Macoggi

Olha, vou trazer um outro clássico aqui. Na verdade, assim, tem, são, eu tô com 3, 4 clássicos aqui que eu separei, 5, né? Mas eu vou, eu vou num dos maiores clássicos desses 5 aqui. Eu acho que eu vou no maior clássico deles, que é Dirty Dancing, Ritmo Quente.

SSantiago

Por que que esse filme não existiria?

JMJúlio Macoggi

A história se passa uma colônia de férias, a família vai, né, e vai todo ano, é uma coisa já batida e etc. E a menina tem lá, eu não lembro exatamente se fala a idade dela no filme, mas ela deve ter por volta de 16 anos, 16 a 17 anos, né. Hoje em dia as meninas não querem mais esse tipo de coisa, né, as meninas têm outros tipos de entretenimento. Minha filha mesmo tem os mesmos 17 anos, se eu falo para ela que eu vou fazer um negócio negócio que eu vou para um lugar que não traz nenhum tipo de interesse para ela.

E aí eu estou colocando toda aquela estrutura daquele, daquela colônia de férias, né? Eu tô passando para os dias atuais, por exemplo, onde você tem diversão, onde você tem jogo de bola, onde você tem arrumar cabelo, onde você tem aula de dança. Isso para elas hoje em dia, elas não querem, né?

SSantiago

As meninas de 17, 18, 19, provavelmente ela querer ficar lá o tempo todo dentro do quarto na internet, né?

FFernando

Eu acho que não.

JMJúlio Macoggi

Aí é que tá, tem duas possibilidades. A primeira é ela nem querer ir e querer ficar em casa, se não fosse obviamente um período muito longo, né? Fosse um fim de semana, por exemplo. Eu já fui viajar e deixei minha filha um fim de semana em casa aqui, né? Tudo bem, não aconteceu nada. Mas mesmo que ela fosse, ainda assim os entretenimentos que o lugar do filme Dirty Dancing dão para as meninas dessa idade. Hoje em dia as meninas não querem mais, as meninas querem rede social, querem foto. Se tiver lugares instagramáveis, talvez seja.

SSantiago

É, provavelmente o que aconteceria, suponhamos, Júlio, que ela dissesse assim: ok, pai, vou ceder aos seus apelos e vou para essa aula. Na hora que ela postasse a foto com o professor, alguma amiga dela ia Ah, já fui a bem, esse cara deu em cima de mim. E aí, não quero mais esse cachorro safado.

FFernando

É isso aí, pô, cara. Mas era, era o, como é o nome dele, pô? É Patrick Swayze, é Patrick Swayze, cara. O cara é bonitão, velho.

SSantiago

Era o Fernando Jovem.

FFernando

Eu abriria, eu abriria ali a exceção, falei, ah, deu em cima de você, meu filho, pior agora ele tá dando em cima de mim.

TFTony Farias

Você pegou, você pegou, mas você não tá querendo.

JMJúlio Macoggi

Então quem vai pegar sou eu.

YYara

Que demais!

TFTony Farias

É, cara, eu acho que não dá, eu acho que não dá para nivelar essa situação pelo perfil da pessoa.

FFernando

Eu acho assim, eu acho que o filme ele não ia funcionar na parte do esconder que ela tá grávida, aquele problemazinho por trás.

JMJúlio Macoggi

Nem ela era que tava grávida, ela parceira de criança do Johnny, né?

FFernando

Não, a menina, né? A parceira do cara, justamente. Então porque tinha que esconder, tinha que não sei o quê, que daquela. Hoje em dia o negócio tá muito mais liberal, cara.

JMJúlio Macoggi

Não é nem por questão de tecnologia, é mais porque a moça não ia tirar o filho igual ela fez no filme, né? Ela ia ter o filho, ia mandar o pai fazer um DNA e ia falar: atenção, ele é o pai da criança.

TFTony Farias

Mas, cara, eu acho assim, por exemplo, você, pera aí, você Vocês estão esquecendo uma fala que tem, tem pessoal tem usado muito ultimamente, que é aquela história: meu corpo, minhas regras. Então essa questão do aborto aí é um ponto que eu acho que não dá para generalizar. A gente tá dando uma hipótese, a gente tá dando uma hipótese hoje em dia. É assim, naquela época, vamos dizer assim, era relativamente normalizado. Hoje em dia o pessoal tá querendo esse direito acima de qualquer coisa.

É o que eu acho, eu acho que na atualidade não haveria esse ponto aí, é algo a ponderar Acho que não, cara.

JMJúlio Macoggi

Eu acho que não haveria o aborto.

FFernando

Eu acho que também não, eu acho também não. Mas eu assim, é questão, eu acho que o filme funcionaria ainda hoje porque é o seguinte, você só ia trocar o que que a pessoa tá deixando para ir para essa, para essa vida à parte da tecnologia, entendeu?

SSantiago

Vamos supor isso, se o pai meio que obrigasse ela aí, que fosse lá uma colônia que não tem, não pega internet, como o Tony disse, como algumas localidades ainda não pegam, talvez ela ia se ver obrigada a participar. Eu acho que tem muita adolescente que tem Wi-Fi vai lá, não tem.

JMJúlio Macoggi

Pega celular, não pega. Então não vou.

SSantiago

Mas você pode dizer que tem. Não, mas aí só vai descobrir quando chegar lá.

FFernando

Tem vários filmes da Lindsay Lohan lá desse jeito, pô, dela rebeldinha e tal, tudo mais. Ela vai para o acampamento, chega lá, todo mundo tá amando aquele lugar. Mas é isso que eu tô falando, ia ser a mesma coisa. Ela ia rebelde, ela não ia querer, ia chegar lá, ia se animar, ia ficar a fim do cara Patrick Swayze, garotão, gato gostosão, ia fazer a dança do Ritmo Quente. E manda ver.

SSantiago

E a vida que segue. E você, Fernando, qual o segundo filme que você vai trazer para nós?

FFernando

Deixa eu voltar para minha página de filmes aqui.

TFTony Farias

Calma lá, desprevenido um caralho.

SSantiago

A gente já tá com 1 hora e 40 de gravação e você ainda está desprevenido.

FFernando

Aí é foda, esqueceram de mim.

SSantiago

Esse eu queria trazer. Que bom que você trouxe, porque pelo menos eu posso trazer outro.

FFernando

Esqueceram de mim, cara.

SSantiago

Hoje em dia, cara, foi o que eu estava conversando com o Tony offline. Eu disse, realmente, esse filme não se sustenta nas tecnologias de hoje, de jeito nenhum, cara.

FFernando

Mas pior que ele não sustenta nada, cara, nem na dita daquela época.

YYara

Mas nunca que a minha mãe esqueceu um filho para trás, gente.

SSantiago

Podia ter 50, é porque tua mãe só tinha 2.

FFernando

Mas eu estou falando, poderia, poderia até.

YYara

Ela conta até as galinhas no terreiro, que tem umas 50, ela sabe qual que tá faltando.

TFTony Farias

Imagina os filhos.

SSantiago

Dona Ambrosina jamais seria a mãe do Kevin.

TFTony Farias

O filme seria possível exceto se fosse a mãe A Yara.

SSantiago

É, se fosse Dona Ambrosina.

FFernando

Mas eu acho que é o seguinte, não é questão nem dela esquecer. Podia até esquecer o menino, vai ficar, sei lá.

SSantiago

Mas ele ligar, né? Ele ligar, ó, você esqueceu de mim.

FFernando

Mãe, você me esqueceu, volta aqui para me pegar. Se não desse para ela voltar, ele ia no próximo voo. Então assim, cara, tem N coisas que poderiam acontecer para esse filme não sair.

JMJúlio Macoggi

Não, na verdade, hoje a mãe foi embora, ele se viu sozinho em casa. Obviamente, se ele não fosse uma cala-calquim querendo aproveitar sentar, né, e fala assim, eu vou esperar minha mãe chegar aqui, ou deixa ela me ligar, tal. Ele ia chamar um Uber do celular dele e atrás da mãe no aeroporto.

YYara

Outra coisa que me impressiona nesse filme, ele gostar de ficar sozinho. Eu ia cagar de medo, ia ficar chorando os 5 primeiros minutos que eu tivesse sozinho.

JMJúlio Macoggi

Imagina naquela belíssima casa abastecida. Ah, para de jeito nenhum!

FFernando

É porque é um filme de época, né, cara? Ele é um filme daquela época, aquela na época que a gente queria ficar sozinho.

TFTony Farias

Exato. Ô Júlio, pera aí, tu esqueceu um ponto. A Yara, eu acho que só podia ser por medo mesmo. Bicha, a Yara mijava na cama com um monte de gente em casa. É, e mais sozinha.

SSantiago

Ô Júlio, tem outro ponto que também não faria esse filme, ele não sustentaria, porque quando chegasse na hora de decolar, alguém diria: Kevin McCallister, nosso voo não será o mesmo sem você. Sem você, é exatamente como disseram para Miau táxi. Dois mineiros que quase perde o voo para o Ceará porque foram comer pão de queijo no aeroporto.

FFernando

Essa questão de ficar sozinho antigamente, cara, era um desejo de criança, porque antigamente tudo era compartilhado, cara, nada era seu. Hoje em dia a criança ela quer ficar sozinha, ela vai para o quarto dela porque tem tudo dela lá. Antigamente você tinha uma televisão, aí no próprio filme tem isso, né? Televisão, você tinha as regras, né, eram geridas os pais na casa inteira, uma televisão na casa, né, família? Então você tá sozinho, você estava, era o dono da situação ali.

Então você decidia qual canal, daquilo tudo, você usava aquilo tudo assim, era um desejo. Mas nossa época, poxa, ficar sozinho em casa, eu gosto.

SSantiago

Eu acho também que ele não iria ligar para mãe dele porque ele ia tentar aproveitar.

YYara

Mas você nunca tava sozinho, né, Fernando? Você não tinha esse problema.

FFernando

É, não, eu não tinha, não tinha. Você tava cagando de medo.

SSantiago

Mas na hora que realmente, na hora que o avião fosse decolar, a aeromoça ia perguntar pelo Kevin e a mãe dele ia dizer assim: desce agora, vamos, voa embora, não vou voar.

JMJúlio Macoggi

E ela não ia descer sozinha. Hoje em dia ela ia fazer todo mundo descer.

SSantiago

O que que você acha, Humberto?

TFTony Farias

Eu não vou, ninguém vai, cara.

HMHumberto Mota

Eu acho que, veja bem, a criança hoje ela está sozinha. Eu tiro isso pela minha sobrinha, certo? O fato dela estarem sozinhas, para elas é um livramento, pô. Elas estão assim numa situação— semana passada eu trazia aqui o vou desabafar. Semana passada, minha sobrinha mais velha, ela, meu irmão saiu para curtir a noite com a minha cunhada, e aí deixou a minha sobrinha mais velha e a minha mais nova em casa. E aí a mais nova chegou na babá dela e disse, vamos ao shopping, né?

E aí beleza, as duas com autonomia pegaram ali o Uberzinho, foram, e a mais velha ficou em casa, certo? E aí beleza, tecnologia, né, tecnologia, como foi dito aqui. Meu irmão puxa ali, meu irmão não, desculpa, a babá puxa ali no celular o o bip e descobre que ela não estava mais no apartamento, ela havia descido, né? E aí fomos juntar o A com B, né? Obviamente ela estava com o namoradinho dela do prédio lá embaixo. Então, momento que ela desce, que ela aproveita, os pais saem, aí ela volta para casa, ela tem o celular dela.

Ah, tô com saudade da minha mãe, liga para mãe. Ah, tô com fome, pede uma pizza.

JMJúlio Macoggi

É por isso que o Dirty Dancing também não se sustenta, é tudo junto aí, não se sustenta, não se sustenta.

SSantiago

É verdade. Então, Esqueceram de Mim não poderia existir fora dos anos 90. Concordo, concordo.

TFTony Farias

Tá fora, tá fora.

SSantiago

Quem falta agora? Yara já trouxe o segundo filme?

YYara

Yara, ainda não.

SSantiago

Pô, estraga-nos o seu segundo filme, minha querida.

YYara

Eu não posso falar que eu pesquisei porque mandaram eu não falar que eu pesquisei no começo. Ó, falei, foi mal. É porque eu preciso de embasamento para conseguir explicar, porque eu acho que eu vou apanhar aqui, que eu queria falar de Matrix. Aonde que ia ter a porra do orelhão para esses cara passar?

JMJúlio Macoggi

Não tem orelhão mais.

SSantiago

Faz sentido, na verdade tem fundamento. Concordo parcialmente. Eu concordo parcialmente também, porque assim, se eu considerar que aquilo é uma Matrix, ou seja, ela está sendo construída pelos computadores, eles podem construí-la na era vitoriana, eles podem construí-la na era dos anos 90 em que havia orelhão em Cara, você tira, ó, você tira telefone fixo por um, sei lá, um computador, aí conecta lá no cabo de rede, acabou, velho.

YYara

Ó, escuta só, nos anos 90 os agentes precisavam rastrear qual linha fixa tava sendo usado, certo? Por isso que precisava do fixo e dos orelhão. Hoje tem cobertura contínua de antena 5G, tem 1 milhão de câmera para tudo quanto é lugar que tem na face da terra. Qualquer ponto de acesso à rede teria geolocalização por triangulação e ping automático de centenas de milissegundos. Ou seja, os agentes iam achar eles e não ia dar tempo de correr não, velho.

SSantiago

Mas, Yara, nós estamos falando de Zion ou da Matrix?

FFernando

Não, Matrix, Matrix.

SSantiago

Então, mas na Matrix as regras são definidas por quem? Pelo arquiteto. Ou seja, o arquiteto ele pode mudar a regra para que existam orelhões e naquela Matrix não há a tecnologia que existe hoje.

YYara

Mas isso não é a proposta do tema que você pediu para trazer, não é o que você tá mudando o negócio, tá falando assim Como a gente conseguiria fazer funcionar agora? Não é essa proposta não.

HMHumberto Mota

É, tá vindo muito si aí, Santiago. Se minha vó tivesse ouvido, eu tinha dois avôs.

TFTony Farias

Aí virou agora para encarar a câmera, apareceu aquela figurinha que tu mandou quando a gente disse que não ia participar. O Jacinto, como é, meu amigo?

SSantiago

Como é, amigo?

FFernando

É porque eu acho que no Matrix 4 eles não usam telefone fixo, hein, galera?

YYara

Não, pode parar, pode parar.

SSantiago

Não, eles usam espelho.

JMJúlio Macoggi

Esse filme aí nem tem, esse filme aí nem tem.

FFernando

Não, galera, esse filme é bom, velho.

JMJúlio Macoggi

Esse filme, não vamos entrar nessa outra de novo.

SSantiago

Tá inventando filme, Fernando. Esse filme nem existe, tá inventando filme.

FFernando

Então, no 1 eu acho até interessante a questão de você falar isso. E é porque é o seguinte, o acesso deles pelo telefone é como se fosse um acesso que eles conseguiram para dominar aquele programa, né? É tipo assim, do mesmo jeito quando eles entram lá nos backdoors, né, que tem um chaveiro e eles entram nos backdoors dos programas, é onde eles conseguem ter acesso. E a linha telefônica ali fixa era como se fossem pontos de acessos que eles conseguiam burlar o código do—

SSantiago

é, são os hotspots ali que onde eles vão entrar na Matrix.

FFernando

Justamente, é. Então assim, eu acho interessante. Agora poderia ter outra coisa, como foi espelho no outro filme, poderia ser reflexo na água, como é a umbra, né, dos lobisomens lá, que é qualquer reflexo do seu smartphone. Pois é, seu smartphone.

YYara

Pera aí, poderia, mas não é. Poderia uma coisa igual que tem, eu não sei o quê, ele não tinha.

FFernando

Eu acho que se fosse no mundo de hoje, realmente teria um problema seríssimo. Eles iam ter, eles iam correr quarteirões e quarteirões até achar um telefone fixo, ia chegar lá, o telefone fixo não ia estar funcionando.

SSantiago

Se eles fossem usar essa tecnologia, eles iam penar.

TFTony Farias

Ó, eu acho que eles poderiam, se for para sustentar a teoria, a gente consegue dizer o seguinte, ó, para você escutar e sair de Matrix só através de um dispositivo específico, que era o caso do telefone, ou seja, um telefone específico. Aí o cara chega aqui, não, você só consegue entrar e sair da Matrix através de um iPhone 14. Pronto, a gente vai ter que localizar um. Quando tiver um aqui, a gente consegue entrar.

SSantiago

É exatamente, tu disse, ó, tem que ser uma tecnologia 3G. 3G. Pronto, tem que ser tecnologia 3G, não pode ser 4G nem 5G. Então ele tem que pegar algum telefone que ainda usar, operasse nessa tecnologia, não é isso?

JMJúlio Macoggi

Era só eles usarem o telefone daquela época lá, que daquela época quando muito tinha 3G.

SSantiago

É, mas aí o ponto é, eles tinham que encontrar pessoas que ainda tinham esse telefone. Do que a Yara tá trazendo é tipo assim, se atualiza para hoje, realmente não tinha como ser o telefone fixo. Mas o que eu quis dizer assim era difícil de a gente pensar nisso é porque uma vez que o arquiteto define o mundo, ele pode definir as tecnologias que existem naquele mundo. O problema do Matrix é que ele é muito roubado.

YYara

Você tá mudando as regras, entendeu? De novo, você quer— dá para fazer até um episódio disso: como que a gente faria tal filme funcionar nos dias de hoje? O que que mudaria? Ok, esse é um caso. A gente ia ter que ter outro meio e tal, mas na época, é, com aquelas regras, realmente não funcionaria hoje.

SSantiago

Eles iam ficar não ia nem entrar. Eles não iam entrar. Segundo, se eles entrassem, eles não tinham como sair, cara.

TFTony Farias

Então, prova de que de fato tinha que ser um ponto bem específico é que eles não conseguem entrar e sair da Matrix qualquer telefone fixo. E naquela época é só o que tinha, praticamente era telefone fixo.

FFernando

E não era qualquer telefone, e não é qualquer telefone fixo, tinha que ser um telefone que tivesse no range da Nabucco Donozor, porque a nave ela tinha que conectar com o frame lado real, né, para conectar, fazer essa conexão com o que tava dentro da Matrix. Então por isso que era numa região, né.

SSantiago

Ah, agora eu entendi, agora eu saquei.

YYara

A menos que fosse adaptado para a realidade de hoje, né, vamos fazer uma Matrix hoje com a tecnologia. Não, não daria para ser. Se fosse para ser adaptado para tecnologia de hoje, a gente poderia pensar um milhão de formas para fazer isso, mas concordo, da época não daria não.

SSantiago

Concordo. Passou, Yaro, você passou por média, sem recuperação. Tony Farias, qual o segundo filme que você vai trazer para nós?

TFTony Farias

Esse eu acho que também não conseguiria sustentar, também por conta de rede social, que é que vai ser até uma certa homenagem aqui, ó, ao Koala, que é o Show de Truma.

FFernando

Ah não, eu acho que poderia sim.

TFTony Farias

Vamos lá, ia vazar, pô.

SSantiago

Eu acho que não sustenta.

TFTony Farias

Entrando com alguma coisa, não, cara, ou então alguém entrando com celular.

HMHumberto Mota

Não, mas o Big Brother, o Big Brother é um ambiente muito mais controlado, pô.

JMJúlio Macoggi

Tu tá falando, menos gente também, menor do que era o show.

FFernando

A seriedade do negócio é um problema também. Não é que ele não ia funcionar por isso.

TFTony Farias

Aí tem outro filme, cara, que o outro filme que também não funcionaria hoje em dia é A Vila. Bicho, eventualmente aquela região ali ia passar por um GPS empresa é aquele lugar ali, é ok, hein?

FFernando

Um monte de tranquilidade. Nos Estados Unidos você tem direito de fazer um local lá onde você vai ter regido do jeito que você quiser.

TFTony Farias

É, pô, mas só que ao ponto de fazer todo mundo daquele local acreditar que a realidade é aquela, é uma coisa muito antiga.

FFernando

Não, mas não é todo mundo que acreditava.

TFTony Farias

Sim, só os anciãos, né? Só os anciãos que não sabiam.

FFernando

Mas é só você passar uma geração, cara. Você falsifica a informação por uma geração, a próxima vai acreditar nela.

JMJúlio Macoggi

Não, veja bem, eu vou, eu vou tentar. Primeiro queria falar que o Show de Truman é o meu filme top 1 da lista.

SSantiago

Então tu acha que ele escapa, o Júlio?

JMJúlio Macoggi

Não, eu não, eu pelo contrário, eu vou, eu vou, não vou defender não.

SSantiago

Eu vou defender a ideia do Tony, a premissa do programa, né?

JMJúlio Macoggi

A ideia do programa, na verdade não vou defender a premissa do programa, eu vou defender o filme, né? Falaram, ah, entra com celular, entra com não sei o quê. Primeiro que todas as pessoas que estão ali, elas são atores contratados. É verdade, são empregados, com contratos que inclusive podem ser regidos por processos criminais caso aconteça alguma coisa nesse sentido. Em relação a entrar com celular, se você faz uma revista de todo mundo que vai entrar dentro do estúdio, uma revista magnética, né, enfim, um raio-X, etc., você evita que essas coisas aconteçam.

Você tem o poder da palavra. Entendo o poder da palavra. Se você faz algum comentário, conta ou sai gritando que nem um maluco, você pode ter, você pode ser acusado de quebra de contrato. E isso teriam N possibilidades de que o Truman, por ser uma pessoa ingênua que tenha sido criado ali, ela tenha manipulado, ela seja facilmente manipulada para acreditar que aquilo tudo era uma completa maluquice, né? Enfim, então sem contar que assim, né, mas é a internet, não ia ter internet lá, né, gente?

SSantiago

Ele não é obrigado a saber que existe internet, né?

JMJúlio Macoggi

Não ia ter internet lá de jeito nenhum, né?

SSantiago

Então teria um intranet, né?

JMJúlio Macoggi

Um intranet em que o mundo era, e onde o mundo era aquilo ali, né? Inclusive para falar que aonde ele queria visitar, as Ilhas Maldivas, não, Tailândia, Fiji, ele foi Fiji, era terrível. Tudo que ele pesquisasse em casa no computador das Ilhas Fiji ia ser terrível, ia ser uma desgraça.

SSantiago

Saber que existe avião, por exemplo, né?

JMJúlio Macoggi

Sim, é tudo isso, né? É muita coisa que ainda se sustenta sem tecnologia.

SSantiago

Um caderno em branco, na época que o Truman nasceu lá dentro, então ele era um caderno em branco. Só é escrito ali o que o diretor Ed Harris queria escrever, né?

JMJúlio Macoggi

Exatamente.

SSantiago

Então se ele não escrevia a existência do avião, o avião nunca existiria, nunca existiu. Para ele. É, eticamente ele não existiria.

JMJúlio Macoggi

Se a gente for, se a gente for pegar características externas, eu concordo com você, mas internamente ele se sustenta.

SSantiago

Ele é, exatamente, ele é totalmente sustentável internamente, mas eu acho que externamente ele não é sustentável. É porque internamente entra no mesmo discurso que eu falei do arquiteto. O arquiteto ali, ali é uma Matrix, e o arquiteto é o diretor, o Ed Harris lá. Então o que ele quer que exista de tecnologia dentro do mundo do Truman é o que pode existir. Então, se ele dissesse assim, olha, o Truman vai viver no mundo, sei lá, na era medieval, ele poderia ter feito isso.

Ele, ah, se ele vai viver numa era vitoriana, vai viver, ele vai ver nos anos 30, vai ver nos anos 30.

TFTony Farias

Você tá argumentando quanto, por um lado, argumenta o ambiente criado dentro do—

SSantiago

inclusive, isso seria uma boa pesquisa científica, se nós puséssemos crianças dentro de um lugar vivendo como elas seriam criadas nos anos 1930.

TFTony Farias

Atenção, atenção, ouvinte, essa, a, a ideia do, a ideia do host é só dele, viu? A gente não concorda não. E olha que o cara é psiquiatra, velho.

SSantiago

Qualquer comitê de ética aprovaria uma pesquisa dessa, pô. Qualquer comitê de ética aprovaria isso, você privar crianças da liberdade e fazê-las crescer no mundo fechado.

TFTony Farias

Eu preferia privar auto-grupo. Mas já que você quer privar criança, é com você a sorte.

SSantiago

Não, mas, cara, mas trazendo aqui para nossa conversa, mas eu concordo, eu acho que realmente o mundo interno ali dele era muito difícil a gente mudar, porque o diretor ele manipula. Mas o que o Koala falou faz sentido, externamente haveria tanta pressão para libertarem Trump, porque teve aquele caso que inclusive quem quer, quem, se você quiser ouvir, caro ouvinte, vai lá no nosso episódio de reality shows, que a gente trouxe um caso de um reality japonês que o cara ficou preso por quase um ano, né? Em um ano, um ano teve mobilização.

FFernando

Você viu a notícia dessa semana?

SSantiago

O cara virou influencer nesse sentido de lutar contra isso. Imagina um cara que viveu décadas ali dentro, né? Ele viveu pelo menos duas ou três décadas, né?

TFTony Farias

Ele viveu ali.

SSantiago

É, se um ano, um ano já teve mobilização, imagina uma década. E nós estamos falando de criança, né? Então imagina uma criança privada de liberdade. Então de fato não se sustentaria. É claro, concordo, cara. Vou trazer meu último, né? E como eu falei, vamos lá de novo de Alfred Hitchcock, duas vezes aqui o pai do suspense povoando. Tô muito feliz dele estar presente em dois filmes aqui nesse nosso episódio, que é Psicose, cara, o filme lá do Bates, né, que tem um hotel chamado Bates Motel, é um hotel de beira de estrada.

E a Marion Crane, ela se hospeda nesse hotel dele. E hoje, cara, ela basicamente, ela iria olhar o Booking, né, ia dizer assim: olha, esse hotel aqui tem meia estrela e do lado tem um de 5 estrelas, então eu não vou para o de meia estrela, porque lá o cara é meio creepy, ele é meio esquisito, ele fica espionando os hóspedes enquanto tomam banho, a mãe dele não é muito amigável. Então Psicose é um filme, por exemplo, que nos dias de hoje não poderia existir. Alguém discorda?

FFernando

Só se o hotel dele fosse isolado, né? É só aquele ali, pronto, acabou. E fosse por necessidade, aí é, só tem ele.

TFTony Farias

Bicho, tu escolhe, ou dorme nesse mesmo aqui, ou arrisca, ou dorme no carro, ou arrisca outro daqui a uns 70, 80 km ou mais.

SSantiago

Exato. É, mas eu acho que a pessoa ia olhar assim, é, o meu meu carro tem 2 estrelas, esse hotel tem meia estrela. Então acho que o meu carro ainda é melhor.

FFernando

Pois é, se fosse esse o caso aí, beleza.

SSantiago

O problema é o combustível, né?

TFTony Farias

É, o ponto vai ser esse. Eu só se o plot partir daí, o cara, bicho, ó, o meu carro deu problema, ficou sem gasolina, tem que arrumar um lugar para dormir.

SSantiago

Aí ele chegava lá e diz assim, ó, só o caminhão que abastece aqui só vai repor combustível amanhã pela manhã, então você vai ter que passar a noite aqui conosco. O cara não podia deixar, porque tava muito frio no inverno, o cara não podia ficar dormindo ao relento. E aí ele ia se hospedar lá no Bates Motel. Se fodeu! Em Controverso, o podcast onde todos os temas se convergem.

?Voz B

Fala, galerinha do Encontro Verso! Aqui quem fala é estagiária Magenda do controverso e de toda a padossfera. Queria mandar um super beijo para todos os apoiadores: Caio Damiani, Michel Pereira, Camila de Holanda, Cristiana, Yara Halk, Ezequiel Noronha, Fernando Neco, Júlio Marcoghi, Lena Yusko, Evan Faria, Elton Alves, Ele fez o medo. José Antônio, Leandro Tovar e Prisciliane. Um super beijo e vamos apoiar o Encontro Verso para eu falar todos os nomes aqui.

SSantiago

O tempo já encerrou, não dá para a gente fazer mais uma rodada, né? Mas eu queria saber se os meus amigos, os convidados, queriam deixar alguma sugestão. E enquanto deixa a sugestão, já façam o seu jabá e deixe o seu recado final. Começando, já que respeitamos essa ordem no início, Koala, faça seu jabá. E se quiser mencionar algum filme aí, mas sem trazer para discussão, pode mencionar algum outro filme que você acha. Ou se quiser só fazer o jabá, faça Jabacoala.

HMHumberto Mota

Boa, beleza. Então vou começar fazendo a indicação. É, se você não assistiu ainda Silêncio dos Inocentes, assista. Filmaço, meu filme favorito de todos, e que eu também acho que ele não funcionaria nos dias de hoje porque seria fácil aí de encontrar Doutor Hannibal Lecter. Era só olhar as avaliações nele no Doctorália, né? Seria aí um grande guia.

TFTony Farias

Mas aí, mas aí, pera aí, você tá, você tá falando do final do filme, né?

HMHumberto Mota

É, tô falando do final do filme, tô falando depois que a gente já sabe que o cara é um maluco. É porque o cara faz tudo isso, aí quando vai—

JMJúlio Macoggi

o problema, Koala, é que os caras que se consultaram com ele não viveram para fazer avaliação no doutorado, para avaliar, né?

SSantiago

Pô, os que não gostaram não deram feedback, né? Os que não gostaram não deram feedback.

HMHumberto Mota

É verdade, é verdade, é verdade.

JMJúlio Macoggi

Ele gostou e eventualmente deixou vivo, fizeram uma boa avaliação dele.

HMHumberto Mota

Exatamente. Mas é isso, galera, é só agradecer. Muito massa tá aqui de novo. Para quem quiser aí me seguir, enfim, me acompanhar, eu sou @koalacaster em todas as redes sociais. Koala com K, caster com C. E eu tenho um podcast também, né, chamado Devaneios Marsupiais. Antes ele era semanal, agora ele é quinzenal. Então essa semana não vai ter, provavelmente quando lançar não sei se vai ter ou não, mas eu vou dizer que não vai ter episódio porque é mais fácil mais fácil do que ter.

Então é isso, 15 em 15 dias tô soltando episódiozinho por lá. De vez em quando eu apareço aqui, eu apareço no Perspectivas, eu dou uma aparecidinha aí em outros podcasts.

SSantiago

É isso, tá sempre por aí, né? Sempre pela podação. E você, Júlio Macórdi?

JMJúlio Macoggi

Então eu estou lá no Bondecast, já falei, né? Então pode que está parado porque o James Bond tá parado também, né? Tô lá no Radiofobia de 15 em 15 dias, tô no NovelaCast vez em quando. E comecei um projeto novo, no programa passado já falei, né, que é o Histórias de Lava-Louça, que é um podcast de relacionamento 45+. Eu e minha namorada Carla Lopes estamos lá. Amanhã estamos gravando uma segunda-feira, terça-feira, amanhã sai um episódio novo.

Já está editado, está passando pela avaliação dela, pela revisão dela. Se ela deixar eu publicar, aí eu publico amanhã, porque, né, a nossa palavra é sempre sempre a última, né?

SSantiago

Inclusive, vou fazer aqui um jabá duplo, né? Se você gostou do Histórias de Lava-Louça, é, Caro Ouvinte, você vai lá no Devanews, Massupiais, e tem um episódio massa que é o episódio de DR que o Koala gravou com a Celina falando sobre— aí, no caso, é um casal recém-casado falando sobre as discussões de relacionamento de um casal recém-casado. Então acho que é muito legal a ideia aí do contraponto das duas perspectivas.

JMJúlio Macoggi

Muito bom.

YYara

Que um dia vocês se juntam e faz aí o debate.

SSantiago

Aproveitando também o jabá, se você, se você tem perspectivas adulteradas sobre o seu passado, vai lá no Perspectivas Adulteradas, que é o outro podcast irmão nosso, e escuta também. Então aqui nós temos aqui uma rede podossférica enorme. Nós temos Em Controverso, nós temos Devaneios Massupiais, Histórias de Lava-Louça, NovelaCast, Bondcast, Perspectivas fruteradas. Nintendo Podcast, que o Fernando também tá por lá de vez em quando. Então é uma rede podosférica e bem, bem quebrando controle.

TFTony Farias

É também, deixa o cabeça de fora não, bicho.

SSantiago

Ah é, a Yara também tá lá no Elas no Controle, no Quebrando Controle, Cheiro Ezequiel. Bom, é muito, são muitos.

YYara

A Yara, só Yara.

SSantiago

É, de vez em quando eu tô por lá, bem quanto eu tô por lá. Para você que nos ouviu até agora. Muito obrigado! Deixa lá suas 5 estrelas. Não seja um arrombado que não gosta das coisas e deixa 4, 3, 2 estrelas. Se você não gostou, você comenta dizendo que não gostou, mas deixa 5 estrelas, porque o trabalho de dar 5 estrelas é o mesmo trabalho de dar 4, 3, 2, 1 estrela.

FFernando

Então assim, ó, depois que você deu a primeira, meu amigo, o resto é de boa.

YYara

Então dá 5, dá 4, é fácil, né?

SSantiago

Então assim, ó, você dá 5 estrelas, aí você depois é assim, ó, eu já que esses eu não gostei, eu vou sugerir melhoras. Aí você dá 5 estrelas, aí sugere as melhoras, e depois a gente vai melhorar de acordo com a sua sugestão.

JMJúlio Macoggi

Mas se você chegou até aqui, eu diria mais, Santiago, eu diria mais, dá 5 estrelas, e se não gostou, escreve no comentário: queria que esse podcast acabasse. O que interessa é dar 5 estrelas.

SSantiago

Exatamente. E outra coisa, comentar engaja, então comenta. E se você chegou até aqui, muito obrigado, valeu, foi bom, adeus!

FFernando

Valeu, galera!

JMJúlio Macoggi

Valeu, valeu, valeu! Esse episódio foi editado por Audionias Edições, a sua melhor opção em edições de podcast.

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EV #172 – Reimaginando filmes que não sobreviveriam à tecnologia de hoje (feat. Júlio Macoggi – Histórias de Lava-Louça e Humberto Mota – Devaneios Marsupiais) | Castnews Index — Castnews Index