Episódios de Hora H do Agro

Desenrola Rural, acordo Mercosul-UE e moratória da soja

09 de maio de 202659min
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No Hora H do Agro de hoje, apresentado por Mariana Grilli, o destaque é o lançamento do Desenrola Rural pelo governo federal. A nova fase do programa deve beneficiar cerca de 800 mil produtores da agricultura familiar, com foco na renegociação de dívidas e na retomada da capacidade de investimento no campo.

O programa também analisa os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre as cadeias do agronegócio. Diferentes setores avaliam de maneiras distintas os efeitos da parceria entre os blocos econômicos, que promete abrir mercados, mas também gerar novos desafios competitivos.

Outro tema em debate é a volta da discussão sobre a moratória da soja no Senado. Questões como a soberania do Código Florestal brasileiro e a possível formação de cartel no setor estão no centro das discussões.

Confira essas e muitas outras notícias do mundo do agronegócio nesta edição.

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Assuntos8
  • Endividamento RuralRenegociação de dívidas para agricultura familiar · Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) · Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) · Ministro da Fazenda, Dario Duringan
  • Acordo Mercosul-UEImpactos nas cadeias do agronegócio · Redução de tarifas para exportação de produtos · Agregação de valor e investimento europeu no Brasil · Oportunidades para frutas e café · Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin · Presidente da Abrafrutas, Valdir Promícia · Lei Antidesmatamento da União Europeia (UDR) · Coalizão Brasil · Fernando Sampaio (Coalizão Brasil)
  • Safra Recorde SojaDebate no Senado sobre o acordo privado entre tradings · Cumprimento do Código Florestal como lei soberana · Investigação de cartel por parte das tradings · Presidente da ProSoja Brasil, Lucas Beber · Superintendente-geral do CADE, Alexandre Barreto de Souza · Secretário do Ministério do Meio Ambiente, André Lima
  • Subsídio ao DieselPrograma de subvenção para conter alta dos combustíveis · Subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado · Subvenção para o biodiesel e redução de tributos · Ministro da Fazenda, Dario Durigan
  • Biodiesel e BiocombustíveisCrescimento do PIB da cadeia produtiva · Queda na remuneração (PIB renda) do setor · Aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel · Expectativa de aumento da mistura para B16 · Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (ABIOV) · Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CPEA) · Pesquisadora do CPEA, Nicole Renaud · Diretor da BIOV, Daniel Furlan Amaral
  • Mudancas ClimaticasGeadas no Sul do Brasil · Chuvas no Centro do Brasil · Impacto da falta de chuvas na produção de milho safrinha · Projeções sobre El Niño e o ano mais quente · Marco Antônio (previsão do tempo)
  • Cuidados com PlantasDia das Mães como principal data para o setor · Projeção de crescimento de vendas de 10% · Principais flores presenteadas: rosas, orquídeas, antúrios, lírios, calanchos, crisântimos · Diretor do Instituto Brasileiro de Floricultura, Renato Optis
  • Tecnologia agrícola com IA para gado
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Olá, bem-vindos a mais um Hora H do Agro. Eu sou a Mariana Grilli e nós estaremos juntos na próxima hora falando sobre as principais notícias do agronegócio. No programa dessa semana, falaremos sobre a segunda fase do desenrola rural que busca reduzir o endividamento de produtores rurais. Também traremos informações sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, o mercado de biodiesel e a movimentação do setor de flores para os dias das mães.

Então, não sai daí, porque o Hora H do Agro está só começando. E esta semana, o governo federal anunciou o lançamento da segunda fase do Desenrola Rural, que integra a iniciativa para a reorganização financeira dos brasileiros. Cerca de 800 mil produtores, sobretudo aqueles enquadrados no PRONAF, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, devem ser contemplados. 800 mil produtores.

Na coletiva de imprensa sobre o Desenrola, o ministro da Fazenda, Dario Duringan, falou sobre a iniciativa voltada ao campo. A gente trabalhou com o Ministério do Desenvolvimento Agrário para uma linha que funcionou muito bem no Desenrola versão 1 de 2023 e que muitos pequenos agricultores, presidente, vieram ao MDA dizer que não tiveram oportunidade naquele momento, porque o prazo foi curto, de aderir.

ao programa do desenrola rural. Então aqui nós estamos reabrindo o prazo até dezembro desse ano para que esses mais 800 mil agricultores, via de regra sentados da reforma agrária, possam pleitear essa reprogramação do seu pagamento, de modo que a gente feche o ano com 1,3 milhão de pessoas atendidas aqui também no desenrola rural.

O ministro reforçou que a interlocução do programa foi feita com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O desenrola rural também tem um efeito imediato, assim que a gente publica os atos, mas ele pega aqui um universo de pequenos agricultores que tem sido coordenado pelo MDA a interlocução com esses assentados agricultores, de modo que eles também resolvam as suas condições creditícias.

Também esta semana, o ministro da Fazenda falou sobre a renegociação de dívidas para produtores rurais afetados por fatores climáticos, como secas ou enchentes.

Nós abrimos uma linha, por medida provisória, em agosto do ano passado, de 12 bilhões de reais para os agricultores do país. E o que a gente pediu? Duas coisas. Como o agricultor que está com uma dívida fora do comum, ele precisa mostrar que ele está numa área que teve calamidade pública, então o seu estado e o seu município teve que decretar calamidade pública. E dois, ele tem que comprovar...

por algum documento, que ele teve uma perda de mais de 20% da sua safra. Ele teve uma perda efetiva e, portanto, ele merece uma ajuda para renegociar a sua dívida. Nós consumimos 7,5 bilhões de reais de dinheiro público para fazer essa ajuda aos agricultores. Os bancos, aproveitando esse momento de comunicação, de mobilização, fizeram mais de 30 bi.

de renegociação por conta própria. Segue havendo, como você mesmo colocou, demanda para que a gente ajude na renegociação. Tenho liderado o debate com a senadora Tereza no Senado, com o senador Renan Calheiros, para a gente abrir, reabrir uma linha para os agricultores de média e maior renda, para a gente de novo tratar de quem não conseguiu entrar na última linha de 7,5 bens.

Durante a gravação do programa Bom Dia, Ministro, o ministro Dario Doria, então, também falou a respeito do programa de subvenção ao diesel, criado para conter os impactos da alta dos combustíveis. Para evitar que o aumento internacional do petróleo chegue ao bolso do caminhoneiro, do produtor e do consumidor, afinal, o programa prevê uma subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado. Metade será paga pela União.

E a outra metade pelo estado aderente. Porque eu preciso ter disponibilidade de diesel, por exemplo. Você imagina no momento em que a gente colhe a safra do país.

e é um país que depende do transporte de caminhão, rodoviário, você ter falta de diesel, aí você teria um problema grande que está acontecendo em outros países. No Brasil, não, em razão dessas medidas que nós estamos adotando. Além disso, e eu vou aqui dizer que agora, formalmente, todos os estados aderiram agora com formalização, assinaturas, menos um estado, que é um estado que a gente teve muita dificuldade de dialogar, o estado de Rondônia.

Dario Durigan ainda abordou a subvenção para o biodiesel, cuja matéria-prima é a soja.

Uma segunda subvenção que já foi feita e já está pronta para rodar é a subvenção do diesel para o produtor nacional. O produtor nacional, a gente, de um lado, incentiva a importação de diesel para que a gente tenha diesel no país. Dois, aí olhando para preço, para a gente não fazer como o presidente Lutem pedido, a gente não pode deixar que a guerra, que é uma guerra distante, fora do nosso controle,

machuque a vida do brasileiro, impacte a vida do brasileiro. Então, essa subvenção para o produtor nacional, aí sim, é para ela mitigar o aumento do diesel no país. Mas nós não paramos por aqui, porque o biodiesel, que tem que ter um tratamento igual ao diesel, afinal, o nosso país é um país do combustível verde, do combustível renovável.

O mesmo benefício que foi dado ao diesel foi estendido ao biodiesel. Então a gente tirou o tributo tanto do diesel quanto do biodiesel, de modo que a gente não está onerando do ponto de vista federal, participamos com os estados para tirar o ICMS, fizemos subsídio de importação no diesel e agora um subsídio nacional.

Vamos então continuar a falar do biodiesel. A Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, a ABIOV, divulgou dados em conjunto com o CPEA, que é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, sobre a cadeia do biocombustível, na realidade com dados do complexo soja.

O PIB da cadeia produtiva da soja e do biodiesel cresceu 11,72% em volume, o que significa 691,9, quase 692 bilhões de reais em 2025.

No entanto, o PIB renda, que significa a remuneração de fato que o setor gerou no período, ou seja, no ano passado, caiu 0,55%. O motivo está nos preços dos produtos da cadeia da soja, que recuaram mais do que o avanço físico.

Essa queda na renda é a quarta consecutiva, estamos falando aí do quarto ano consecutivo de queda. E mesmo assim, a cadeia da soja deve continuar crescendo, conforme afirma Nicole Renaud, que é pesquisadora do CPEA.

É possível e esperado que haja, sim, algum impacto em termos de planejamento diário, mas, pelo menos olhando para o histórico, em geral, a cadeia cresce, ela avança. A gente pode ter um aumento um pouco menor e mais tímido do que ele seria num cenário mais favorável, mas a tendência...

Eu não vejo isso mudar, pelo menos aqui no curto e médio prazo, é que a gente continue tendo avanço na soja. Falando de PIB e de emprego...

ele tem um potencial, até como eu mostrei para vocês no multiplicador, de alavancar demais o crescimento da cadeia. Nós temos visto isso sistematicamente, não só aqui no acompanhamento, mas tem alguns outros estudos mais acadêmicos, que a gente tem feito para a Biob também, ainda não estão divulgados, logo estarão.

mas que eles mostram essa potência do biodiesel de estimular o esmagamento, o que por sua vez também gera farelo e estimula a indústria de rações. Então ele tem um potencial multiplicador aqui da geração de PIB muito interessante e um potencial também de ajudar nesse cenário de preços.

Junto com o desempenho da soja no campo, o produto interno bruto gerado pelo biodiesel subiu 8,51% no ano passado. O crescimento foi impulsionado pela elevação da mistura obrigatória no diesel de 14% para 15% em agosto de 2025.

O Daniel Furlan Amaral, que é diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da BIOV, falou a respeito da expectativa de aumentar a mistura para 16%, o chamado B16. Do ponto de vista econômico, faz todo sentido ter o B16, porque é um biocombustível hoje competitivo em relação ao diesel importado.

Do ponto de vista da segurança energética, mais ainda, nós estamos falando de uma redução das importações num contexto internacional extremamente complexo. Do ponto de vista técnico, aí a questão, ela precisa ser um pouquinho mais, a resposta vai precisar um pouquinho mais de elaboração.

Quando a gente fala da questão da aprovação de testes completos, que é o que está sendo pensado para o B20, ou seja, aprovado o B20, todos os demais percentuais de B15 a B20 estariam também automaticamente aprovados, isso está passando pela discussão que o setor tem com o Ministério de Minas e Energia.

para a realização de todo esse ciclo de ensaios que vão ser feitos em laboratório. Então, isso já está em curso e a gente espera resolver o mais rápido possível.

Para cada tonelada de soja que foi produzida no ano passado, houve a geração de R$ 1.862,00 de PIB. Só que depois que essa soja foi processada, foi gerado R$ 5.746,00 de PIB por tonelada.

Por isso, processar a soja para óleo, farelo, rações, é muito mais benéfico para o país do que exportar o grão em commodity, conforme afirma novamente a pesquisadora Nicole Renaud.

considerando a dimensão que essa cadeia já tem, e que uma boa parte, a maior parte do grão, ele vem sendo exportado e poderia, com muitas condições, inclusive uma demanda pelos produtos. Poderia estar sendo processada, o potencial da gente ampliar a geração de PIB pela cadeia é muito grande. Eu não mostrei aqui, mas em termos de emprego, o número é muito parecido, um pouco mais de 4.

Então, quando a gente também gera mais cível, a gente multiplica também o potencial de geração de empregos e por consequência de renda do trabalho, de renda do trabalho no interior do país. O Dia das Mães é a principal data para o setor de flores e plantas ornamentais no Brasil. De acordo com o Renato Optis, que é diretor do Instituto Brasileiro de Floricultura...

A projeção de crescimento de vendas para esse ano é de 10% a mais em relação a 2025.

A produção veio com boa qualidade, o tempo ajudou e as pré-vendas já foram feitas para justamente facilitar e abastecer esse mercado. Os produtores não só investiram na qualidade das flores, mas também em embalagens com informações, com dicas, com curiosidades, em embalagens especialmente elaboradas para o Dia das Mães. Então, com isso tudo, o mercado está prevendo um crescimento de 10%.

nessa data que é a mais importante do ano, que representa por volta de 18% de tudo que é vendido no mercado. E dentro dessa realidade, as principais flores que são normalmente usadas e presenteadas pelos consumidores mesmo, acabam sendo as rosas, as orquídeas, os antúrios, os lírios, calanchos, crisântimos.

E agora nós vamos falar da previsão do tempo para diferentes regiões do Brasil em mais um Por Dentro do Clima. Por Dentro do Clima

Nosso parceiro Marco Antônio já está na área para nos trazer os destaques para os próximos dias. Inclusive isso inclui geadas no sul e chuvas no centro do Brasil. É isso, Marco. Obrigada pela disponibilidade de sempre e bom sempre tê-lo aqui conosco.

amplas ficaram restritas às regiões mais altas, ou seja, nas regiões serranas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, bem como também nas regiões frias do Paraná, como o Sul e Leste. No entanto, não descarta a possibilidade que na região mais sudoeste, ali na região de Castabel, ou pós-Iguaçu, aquela região mais de fronteira com...

como Paraguai e Mato Grosso do Sul, possam ocorrer alguns pontos isolados, alguns pontos de geadas, porque as temperaturas nessa localidade mais sudoeste do Paraná estão variando entre 2 e 4 graus. São temperaturas lineares para geadas, então a gente sabe que nessas localidades existem aqueles bolsões que acumulam no frio, baixadas.

E isso pode ocasionar geadas, mas está longe de ser geadas amplas, que possam realmente trazer problemas para a produção de milho. Então, as geadas vão ficar mais restritas ao sul, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em regiões mais ao sul do Paraná. Não chega às regiões mais norte do Paraná, sul do Paraná.

essas regiões apenas, vamos ter um frio da época, né, Mariana? Já estamos em meados de maio e essa é a primeira onda de frio um pouco mais forte. E depois, como você bem disse, depois dessa onda de frio, no próximo final de semana, aí sim, vem a tão sonhada chuva.

São Paulo, norte do Mato Grosso do Sul e até mesmo algumas regiões mais ao norte, como Bahia, Tocantins, Pará, que podem receber essas chuvas, só que aí seria mais para o final dessa próxima semana, mais depois do dia 15 de maio. No entanto, para algumas regiões, mesmo com o retorno dessas chuvas, elas estão chegando muito.

e o safrinha, principalmente nas regiões sul e sudoeste de Goiânia, ou que vão ficar mais de 40 dias sem chuvas. Isso vai realmente trazer preas bastante significativas à produção de milho safrinha, principalmente no Goiás, Cerrado Mineiro e interior de São Paulo.

Interessante isso que você traz, porque eu até me lembro que quando era fim de março, mais ou menos, você já tinha falado aí de chuvas, já tinha dado um spoiler, a gente ainda brincou, não, mas maio está longe e passou rapidíssimo, né? Queria entender um pouco como que você...

O quanto que isso de fato, o que a gente falou há meses atrás, quanto que está se concretizando, quanto que você já vinha falando isso para os seus clientes também, quanto que você acredita que os produtores, de alguma forma, já estavam monitorando isso e já estavam contando com isso, sobretudo olhando para essa safra de milho, Marco? Olha, Mariana, bem lembrado, a gente já vem falando, não só aqui com vocês, mas...

grande das chuvas ocorrerem entre o dia 10 e o dia 20 de maio. Está aí as chuvas agora do dia 16. Então, realmente, tínhamos essa previsão de retorno às chuvas em maio, elas estão se concretizando. Então, é só agora esperar até semana que vem para realmente ver se elas ocorrem, a probabilidade gigante delas ocorrerem. Mas eu acho que o que faltou, Mariana, foi as chuvas da virada do mês.

Se houvesse ocorrido chuvas ali entre os dias 20 e 30 de abril, a situação do Minas e Safrinha seria outra. Mas não ocorreram, as temperaturas continuaram muito altas e as chuvas agora vão ocorrer no próximo final de semana, por volta do dia entre os dias 15 e 17 de maio. Então, a gente...

Está acertando a previsão, mas infelizmente essas chuvas vão chegar muito tarde para várias áreas. Então, principalmente as lavouras do Goiás e Minas Gerais vão sofrer um impacto gigantesco, com quebras gigantescas. A gente já está prevendo uma produtividade média para o estado de Goiás abaixo de 70 sapos por hectare. Normalmente a gente tem em anos... Vérim...

e poucos por cento, né? É, é uma perda bem agressiva, inclusive fica aqui pra nós, como lição de casa, inclusive trazer mais informações e entender a realidade desse pessoal de Goiás e Minas no próximo programa. E agora, eu queria também ouvir você, óbvio, trazer de novo o assunto do El Ninho, até porque saiu recentemente aí que tem projeções internacionais mostrando que liguei

O El Ninho pode provocar o ano mais quente do Brasil em 140 anos, falando entre o segundo semestre de 2026 e, sobretudo, 2027. Você tem acompanhado isso? O que você diz a respeito? Está um pouco alarmista demais ou é de fato isso? O que você pode contar, olhando, claro, para a realidade rural do Brasil?

Ai, Mariana, esse assunto tem hora que me tira o som do brinco, né? Eu olho as notícias e eu falo, vou perguntar lá no programa, porque a nossa fonte é confiável. Eu já estava esperando por isso, mas eu estava aguardando essa tua pergunta aqui, porque continua bombando esse assunto. Até pessoas que não têm nada a ver com o agro já me perguntam, me abordam, até me dizem que não têm nada a ver. Como é que é verdade que nós vamos ter o calor? Pessoal, então vamos lá rapidinho.

porque o nosso tempo aqui é curto, Mariana, mas nós temos, de fato, a vinda de um aninho, de fato, um aninho de forte intensidade. Se ele vai ser o mais forte dos últimos anos, não sei. Não temos dados suficientes de 140 anos, nós temos dados apenas de 74 anos para ver se esse aninho é o mais intenso ou não da história.

Esse papo de 140 anos, para mim, eu não sei de onde estão tirando esses dados, porque não existe dados oficiais de Alninho ou de Laninha, né, do fenômeno. Mais do que, vai, 80 anos. E se a gente vai ter uma temperatura tão alta, como você disse, eu acho muito prematuro ainda para falar isso. Realmente, ele está se aquecendo, o Oceano Pacífico está se aquecendo muito mais rápido do que a gente imaginava.

Porém, quando você pega as projeções de longuíssimo prazo, aí estou falando dezembro, janeiro, fevereiro, os modelos sinalizam algo totalmente diferente do que é o on-line. Está colocando muitas chuvas nas regiões centro-norte do Brasil, está colocando até temperaturas abaixo da média. Então, eu fico muito...

não com o pé atrás, acho que o corpo inteiro atrás, para ver se a gente realmente vai ter um leoninho tão poderoso quanto estão falando, tão grande ou tão intenso quanto estão falando. Porque a gente nunca viu um aquecimento tão forte nesse momento. Será que ele vai se manter nesse ritmo de aquecimento até o verão de 27 ou não? Mas o fato, independentemente da sua intensidade final,

e o agricultor que está nos assistindo agora, ou quem trabalha com agronegócio que está nos assistindo agora, tem que saber, realmente, vem o Aninho, será de, no mínimo, de forte intensidade, algo parecido com 23, 24, no mínimo.

Pode ser até mais forte, não tiro essa probabilidade, mas por enquanto os modelos, a gente trabalha ainda com aninho de fora de densidade. Vai ser quente, vamos ter grandes ondas de calor, que é normal em anos de aninho. Se você pegar todos os anos que ocorreram ali, são anos muito quentes, com períodos secos, que possam ocorrer em outubro, novembro.

O verão pode ser um pouco mais seco, podemos ter excesso de chuvas no sul, que atrapalhe o andamento de algumas culturas, como a fase de inverno. Isso vai trazer uma safra, impactos negativos à safra de grãos, de café, de cana-de-açúcar. Então, anos de alninho são anos problemáticos de safra no Brasil. Ponto. Se ele vai ser mais ou menos, aí vamos ver no decorrer.

do ano, no decorrer dos próximos meses. Mas fazer todo esse alarmismo, trazer todo esse caos, isso só gera cada vez mais problemas. Entendeu? Ou mais desespero. Calma, não é assim que a gente trabalha. Tudo bem, alertar faz parte, mas não no grau que está sendo feito. Porque tem muita gente já nem querendo plantar mais.

Sim, sendo que é a atividade principal da pessoa, né? Falando aqui, claro, do agro. Então, é sempre... Por isso que a gente sempre traz essas perguntas para você. Eu gosto muito de ter esse tipo de preocupação, porque a gente vê na rede social, né? Muito em rede social, isso ganha projeção. Porque eu separo e falo, vou perguntar, porque é importante a gente esclarecer. E esclarecer, claro, com essa ótica do agro, que é o que move o país. Marco, te agradeço mais uma vez.

Por favor, pode... Eu acho que é muito anonimismo para muito cedo. Então, tome muito cuidado, continue se planejando. A gente tem jeito de mitigar alguns efeitos. Porque isso não está me preocupando demais, porque tem muita gente não querendo mais plantar, Mariana. Sabe? Então, eu acho que o seu serviço aqui está sendo fundamental e importante.

O nosso, o nosso. A gente conta contigo exatamente para ter esses esclarecimentos, esse didatismo. Obrigada pela participação mais uma vez. A gente continua contando com a sua participação aqui nas próximas semanas, Marco. Obrigada, viu? Eu que agradeço. Até mais. E agora nós vamos fazer um breve intervalo e na volta seguiremos falando do acordo Mercosul e União Europeia. Então não sai daí porque é rapidinho.

Hora H do Agro Hora H do Agro

Estamos de volta com o Hora H do Agro e o acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor neste mês de maio e isso tem implicado diferentes efeitos nas cadeias produtivas do agronegócio. É o que nós vamos conferir agora na reportagem especial de Natália Calisto e Daniel Lian.

Duas décadas de negociações e finalmente está em vigor o acordo entre União Europeia e Mercosul. Diversos setores da economia serão beneficiados e o agro é um dos que puxam a fila. Enquanto o café avança com cronograma e exigências ambientais, as frutas ganham espaço com maior celeridade no velho continente. De um lado, as oportunidades que o mercado oferece. De outro...

os efeitos que vão variar conforme cada área. No caso do café solúvel, o acordo prevê um cronograma de desgravação ao longo de quatro anos. O diretor-geral do C-Café, Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Marcos Matos, destaca que haverá compromisso com integração econômica através de parcerias sólidas de longo prazo. Existe uma expectativa muito grande.

que esse acordo vai promover uma integração econômica. Então, na verdade, nós estamos falando de fluxos de investimento, fluxos de decisões e de parcerias de mais de longo prazo. Obviamente que, se a gente olhar para o café especificamente falando, nós temos hoje zero tarifas para exportar o produto Natura, que é o café verde, porém os produtos industrializados são taxados. O torrado em rio com 7,5% e o solúvel com 9%.

Ele prevê a injeção de investimentos europeus no Brasil. A possibilidade de gerar essa integração econômica, os europeus podem investir em plantas industriais, fazer parcerias com industriais brasileiros, promover mais investimentos no Brasil.

Marcos Matos projeta um crescimento robusto para os próximos anos, que deve compensar as perdas com o mercado norte-americano. A gente exporta com o bloco europeu 7 bilhões de dólares no café em geral, que é majoritariamente de cafés verdes. Cerca de 200 milhões são de cafés solúveis. A gente exportava 30% a mais há 15 anos atrás, então a gente pode recuperar e crescer mais 35%.

nos próximos anos. Então veja que é importante para o solúvel, porque a gente ainda está sofrendo com o solúvel nos Estados Unidos. Então as coisas estão correlacionadas. Para o diretor, haverá um salto para o agro-brasileiro. Para nós, vai ser muito importante o viés de agregação de valor por meio do investimento.

Vai ser possível trazer investimentos, ampliar parques industriais, promover grupos e parcerias entre grupos brasileiros, empresas globais, cooperativas, fazendo investimentos para, obviamente, pensar num mercado conjugado, porque nós estamos falando agora dos dois blocos combinados de mais de 750 milhões de pessoas. Um PIB combinado gigantesco.

Então, essa possibilidade do Brasil se especializar, obviamente vai sempre produzir suas comodidades, exportar suas comodidades, isso é estratégico, principalmente em termos geopolíticos, mas a agregação de valor sempre possibilita mais segurança, mais margem nas operações.

Atualmente o bloco responde por aproximadamente 20% das exportações de café. E como os europeus também vão sair ganhando, a ideia é ampliar os acordos. Isso também dá uma segurança para o empresário europeu, que tem suas dificuldades de fazer ampliações industriais em custos mais elevados.

Então o Brasil tem a produção, tem as condições ambientais, tem a infraestrutura que é carente, que isso sim pode ser mais um viés que vai beneficiar o agronegócio, a gente poder abrir mais para o investimento e o acordo europeu é apenas o primeiro. Nós queremos mais acordos comerciais, a gente quer mais integração econômica.

O governo brasileiro comemora o fortalecimento da relação comercial entre os blocos. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, diz que novos postos de trabalho serão criados com a elevação das exportações em diversos setores. Vai significar novas oportunidades de empregos para todos. Depois de 25 anos de negociação e dedicação pessoal do presidente Lula.

colocamos de pé o maior acordo comercial entre blocos do mundo. A partir de hoje, mais de 5 mil produtos, linhas tarifárias brasileiras, entram no mercado europeu com isenção total e imediata de tarifas.

abrindo oportunidades importantes para as nossas exportações, aumentando a competitividade e postos de trabalho. Além das frutas como abacate, melão, melancia, uva, maçã, também ganha o mercado pescados, a carne bovina, carne de aves, máquinas e equipamentos.

Produtos químicos, plásticos, borracha, calçados, entre outros. A Europa se abre ao Mercosul e o Mercosul à Europa. Vamos criar um gigantesco conjunto de oportunidade de negócios.

O mundo quer made in Brasil. Na fruticultura, por exemplo, o impacto será imediato para alguns produtos como a uva de mesa, enquanto outros seguirão cronogramas de redução, podendo chegar a 10 anos devido a desafios relacionados às exigências sanitárias e à logística. O presidente da Abrafrutas, Valdir Promícia, enumera aquelas que serão beneficiadas ao longo dos próximos anos.

A primeira fruta que vai sentir imediatamente, aliás, já está sentindo desde o primeiro de maio agora,

É a uva de mesa. Com esse desgravo, vai beneficiar muito o abacate, que vai ganhar também ao longo do tempo. Não vai ser imediato, como a uva, mas vai ser ao longo do tempo, em quatro anos, sete anos, vai ser zerado o imposto deles. O limão também, ele cai para zero em sete anos. O melão e a melancia, é outra fruta que também vai ser beneficiada. E a maçã.

A projeção é que os lucros dos produtores e exportadores aumentem ao longo do tempo. Mas um alerta, quem tem que ser o maior beneficiado é o consumidor final, que é tido como um termômetro do mercado.

Ah, mas então o exportador de uva vai ganhar já de cara 11%? Não é assim que funciona. Quando você tem um desgravo, quando você tem um custo menor por algum produto, nunca fica só na mão do exportador. Esse lucro é dividido.

Esse lucro vai um pouco para o produtor que exporta, vai um pouco para o importador que distribui, vai um pouco para o consumidor final. A nossa vontade é que vá mais para o consumidor final do que para os outros players, porque é ele que vai dar a métrica de você aumentar ou não as exportações.

Valdir Promícia enfatiza ainda que o Brasil já era competitivo, mesmo sem o imposto zerado. Nós competimos de igual para igual na comunidade europeia com outros países que também exportam as mesmas frutas que nós e são beneficiados de imposto zero desde muito tempo atrás. E mesmo assim a gente tem dominado mercados grandes, como o mercado europeu.

Apesar das vantagens, o acordo não elimina todas as barreiras imediatamente e exige adaptação dos produtores. O benefício não garante a venda automática, mas abre a janela tarifária.

Dentro deste contexto do acordo entre os blocos, vale lembrarmos da UDR, aquela Lei Antidesmatamento da União Europeia. Ela já foi postergada duas vezes, ainda não entrou em vigor. E agora, vale então acompanharmos se o acordo entre Mercosul e União Europeia deve influenciar as regras, não só sobre desmatamento, mas também rastreabilidade.

E é sobre isso que nós vamos conversar agora com o Fernando Sampaio. Ele é co-líder da Força Tarefa de Rastreabilidade e membro do grupo estratégico da Coalizão Brasil. Bem-vindo, Fernando. Sempre bom conversar contigo, contar com as suas análises setoriais. Primeiro eu te peço para você explicar rapidamente o que é a coalizão.

para o pessoal que está nos assistindo e não conhece o trabalho da coalizão. E, claro, qual que tem sido, então, o trabalho central a respeito do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Obrigada de novo pela participação. Oi, Mariana, obrigado pelo convite para estar aqui com vocês. Bem, a coalizão, ela reúne setor privado, sociedade civil e academia, então é um grupo multissetorial. Obrigado.

em torno de uma agenda de desenvolvimento sustentável baseado no uso racional da terra. O que a coalizão se propõe a fazer são propostas de políticas públicas, instrumentos financeiros, para ajudar o Brasil a andar numa agenda de desenvolvimento sustentável. E a gente faz isso em algumas forças-tarefas, que é onde esse debate acontece. A gente está...

Tem forças, tarefas dedicadas a, por exemplo, desmatamento, implementação do Código Florestal, finanças verdes, mercado de carbono, mas tem uma também voltada ao tema da raciabilidade, onde a gente está olhando principalmente raciabilidade nas cadeias da soja, na cadeia da carne, da pecuária, e onde a coalizão tem, obviamente, contribuído ali para...

propor políticas e instrumentos que ajudem na raciabilidade dessas cadeias de comodos.

E aí, a gente até viu na reportagem anterior o foco das cadeias de café e frutas, mas a gente sabe, como você mesmo disse, que também se olha muito para a cadeia da pecuária. Você trabalha há muitos anos com esse setor. Como que a rastreabilidade, então, entra nesse contexto? Como que vocês estão enxergando que, de fato, o acordo pode aquecer a exigência de rastreabilidade? Vai, de fato, vocês enxergam que vai, de fato...

aumentar uma exigência de rastreadibilidade, como que isso se aplica, não só ao Brasil, mas eu queria entender um pouco dessa leitura de Mercosul mesmo. Tá. Bom, aí você tem duas coisas distintas, né? Uma coisa é o acordo Mercosul-União Europeia. Esse acordo, ele entra em vigor, ele gera vantagens para o Brasil em termos de acesso ao mercado, porque tem uma redução de tarifas para vários produtos, inclusive carne.

mas ele não invalida as exigências da UDR, que é uma outra legislação europeia, essa de controle do desmatamento, e não invalida também os requisitos sanitários. Então, o Brasil continua tendo que atender requisitos sanitários e a questão de demonstrar a ausência de desmatamento nessas cadeias produtivas.

Quando a gente fala da UDR, tem algumas commodities que são afetadas, além da carne, da soja, tem o café, tem cacau, tem madeira, papel e celulose. Mas a gente está falando de uma legislação que foi desenhada para os importadores europeus. Então, esse importador, quando ele coloca algum produto no mercado europeu,

ele vai ter que demonstrar que ele fez uma checagem nessa cadeia de suprimentos dele, que a gente chama de processo de devida diligência, e ele tem que demonstrar, primeiro, que esse produto seguiu a legislação do país de origem, então não tem nenhuma ilegalidade envolvida, e segundo, que ele veio de áreas de produção que não tem desmatamento depois de 2020.

Quando a gente olha para uma cadeia como a da carne, por exemplo, então o importador levou um container que chegou em algum porto europeu, Popperdã, Urbo, né? Esse importador, ele submete uma declaração dizendo que ele fez a devida diligência e ele tem que fornecer a geolocalização de cada fazenda onde aquela carga foi produzida.

E para ter isso, obviamente, ele vai demandar aqui para o exportador que forneça as evidências para isso. Hoje, um frigorífico exportador, por exemplo, ele sabe de onde ele está comprando, as fazendas ali de onde ele está comprando. A complexidade, no caso do gado, é que esse boi pode ter passado por duas, três, quatro fazendas antes de chegar no abaixo. Então, a gente tem que chegar na rastreadibilidade desde o nascimento.

Essa informação precisa ser reunida e você precisa fazer essa verificação, tanto da legalidade como da ausência de desmatamento depois de 2020. No caso de grãos é a mesma coisa, é que para grãos você tem um outro tipo de complexidade, que é o grão vem numa fazenda só, mas ele se mistura em caminhão, em silo, em armazém, e aí você tem que ter...

uma segregação ali da produção que atende a esses critérios da UDR para poder mandar esse produto lá para a Europa. Então é um problema muito mais logístico do que de raciabilidade em si.

Interessante. Agora, é isso que você colocou bem no começo da sua resposta, né? São questões diferentes, mas que, de fato, eu me lembro muito de uma expectativa até do setor de que, até pelo viés diplomático...

O acordo Mercosul-União Europeia talvez pudesse flexibilizar a UDR ou até mesmo abrir pelo menos um espaço maior de diálogo para entender como que isso se aplicaria, para que não haja também nenhum tipo de penalidade quando a gente está falando de pecuária aqui no Brasil, sobretudo olhando para essa questão de desmatamento legal e ilegal, que muitas vezes para o gringo isso não é muito claro.

Como que vocês enxergam isso dentro da coalizão? De alguma forma, com um acordo que já começou a ser implementado agora no mês de maio, esse assunto da UDR, ele está sobre a mesa de diplomaticamente conversar mais, afinar a sintonia da UDR? Porque a gente sabe que...

Se eu não me engano, me corrija se eu estiver errada, mas a primeira expectativa era que a UDR entrasse em vigor em dezembro de 2024, passou para dezembro de 2025 e até agora não foi implementada. De alguma forma, o acordo entre os blocos pode provocar um retorno, uma avaliação da Europa, desses importadores? Como vocês têm acompanhado isso?

Então, a lei da IUDAR, a implementação dela, de fato, já foi adiada duas vezes. Então, ela está prevista para entrar em vigor no final desse ano. No final do ano passado, quando ela foi adiada pela segunda vez, a Comissão Europeia ficou de revisitar a IUDAR para ver o que poderia ser simplificado ali. Já houve uma simplificação, então ela ficou menos burocrática.

e a comissão acaba de vir com uma proposta onde tem poucas mudanças ali. Então, assim, eles estão dizendo que não vai ser adiada de novo, ela entra em vigor, de fato, no final deste ano. Uma mudança que foi proposta ali foi a retirada do produto ouro, da lista de produtos que a Ildiara afeta, mas a carne de outros produtos continua.

E assim, a raio de ar é uma legislação que vale para todo mundo, não é só para o Mercosul, ela vale inclusive para os países europeus. Então, se ela fosse alterada, ela teria que ser alterada para todo mundo. Não dá para os europeus alterarem isso só para os países do Mercosul, porque isso geraria um conflito comercial com todos os outros países que não são do Mercosul.

Então, isso não vai acontecer. O que o acordo Mercosul-União Europeia tem, ele tem um capítulo sobre desenvolvimento sustentável. E ali, a ideia é que os países se comprometam com proteção ambiental, que não haja retrocessos em relação à legislação vigente.

E tem também algo sobre cooperação. E a cooperação é como apoiar, por exemplo, os países do Mercosul em atender esses requisitos ambientais. Pode ser um viés de cooperação. Mas ele traz um risco também, vamos supor. Se o Brasil decide, sei lá, alterar o código florestal, retroceder em algumas questões...

Isso dentro do acordo gera margem para suspender os benefícios que se tenha. E do lado de lá também. Então é preciso prestar muita atenção nisso. O fato do acordo existir não vai alterar aí o diário. Perfeito. Mas pode trazer um viés de cooperação, mas tem um risco também que prevê que em caso de retrotesto, se suspendam ali o próprio acordo, fica em risco.

É, agora, pelo que a gente está conversando aqui, o ponto é, de fato, acompanhar os dois temas simultaneamente, porque é isso, uma coisa não anula a outra, mas pode, inclusive, complementar via cooperação. Qualquer notícia que você tiver a respeito, inclusive, é só entrar em contato com a gente, que é do nosso interesse continuar acompanhando esse assunto. Fernando Sampaio, que é membro da Coalizão Brasil, obrigada pela sua disponibilidade, pelo didatismo. A gente conta contigo em outras oportunidades.

Obrigado a vocês, é um prazer.

E ainda sobre pecuária, essa semana foi apresentado um balanço sobre o confinamento no Brasil. Ao longo de 10 anos, 11 milhões e 700 mil animais em 300 confinamentos foram avaliados. A partir desses dados, é possível então projetar tendências desse segmento. Quem explica para nós a finalidade deste levantamento é Felipe Bortolotto, que é gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal.

Ficou nítido que a pecuária, através do confinamento, ela tem mantido o uso de tecnologias. A gente mostrou aqui que 95% do público que participou do benchmark usa software de gestão de confinamento. 40% ou mais usa automação de trato, que, ou seja, captura informação do que acontece todo dia no confinamento de forma automática, abandonando o papel e a caneta. A automação, você não precisa mais ter papel e caneta no confinamento.

O que você jogou no coxo vai diretamente para dentro do computador. Então, 40% da nossa base já usa esse tipo de tecnologia. Mostramos o que os top 10 clientes estão fazendo de diferente perante a média. Então, esses clientes que têm os melhores resultados, eles têm a energia da dieta mais alta.

Ou seja, usam mais concentrado, usam dietas até sem volumoso. Eles têm mais metro quadrado por animal, é importante isso, para o bem-estar animal. Se eu dou mais condição para o animal performar, está mostrado através de dados do nosso benchmark que quem tem mais área performa melhor do que quem dá menos área para o animal. Mostrou também que essa questão de gestão de dados, quem tem só gestão de dados...

performa melhor, porque consegue gerenciar melhor seus ativos. Então, isso que a gente discutiu um pouco aqui, e com certeza a tendência para o futuro, é essa, é cada vez aplicar mais tecnologia dentro do confinamento para melhorar a performance. E um exemplo que a gente deu aqui também, que é mais recente, é o uso da inteligência artificial. Nós falamos um pouco do drone aqui.

do Carju, que é a Tovê, onde através de uma foto de drone a gente consegue dar um inventário animal, falar de comportamento animal, para ver se tem animal em pé, animal teitado, perto ou longe do coxo. Então, são esse tipo de tecnologia que a gente apresentou e mostrou que quem está usando performa melhor e o confinamento que performa melhor faz mais dinheiro.

Vamos falar agora novamente de tecnologia, agora sobre os drones. O uso dessas máquinas voadoras tem crescido no campo e feito companhias como a chinesa DJI investirem mais no mercado brasileiro. É o que a gente confere agora na reportagem do Matheus Lopes.

Por muito tempo, os insumos agrícolas foram aplicados de forma igual nas lavouras, ignorando as diferenças do solo e das plantas. Isso pode até resolver a proteção do cultivo ou a falta de nutrientes, mas a aplicação dispersa também pode poluir o ambiente e gerar prejuízos de recursos, inclusive financeiros. O solo não é uniforme. Existem áreas com características e necessidades diferentes.

A preocupação ambiental, a redução de custos e a busca por alimentos mais baratos incentivam novos métodos de manejo. Assim, a agricultura de precisão com GPS e sensores vem crescendo. Quando um drone agrícola levanta voo sobre uma lavoura brasileira, para cuidar das plantações com exatidão, isso vai além de uma máquina no ar.

Representando um novo jeito de manejar as culturas, buscando mais produção, melhor aproveitamento do produto, otimização de mão de obra e ganhos ambientais importantes, como economizar água e reduzir a emissão de gases poluentes.

A DJI, maior fabricante de drones do mundo, começou a investir na agricultura em 2012. Hoje, a companhia trabalha para que produtores rurais tenham acesso à tecnologia de ponta e se tornem mais sustentáveis e eficientes. Como explica Eunice Young, gerente de canais Brasil da DJI Agriculture.

Quando o drone agrícola voa, quando ele precisa de fazer pulverização, ele já sabe em quais pontos ele precisa de pulverizar mais, em quais pontos ele não precisa de pulverizar tanto. Então nesse caso podemos liberar os produtores desses trabalhos, caso não tenha esse...

Agricultura de precisão. Eles precisam de percorrer na fazenda o dia 12 para achar, para encontrar quais culturas, em qual lugar, que eles precisam de boberizar mais ou boberizar menos. A participação do setor agropecuário, incluindo a agroindústria, foi de 25,13% no PIB do Brasil em 2025, sendo responsável por um terço de todo o crescimento econômico do país.

Em exportações, o agronegócio brasileiro bateu o recorde. 169,2 bilhões de dólares embarcados, representando 48,5% de tudo que o Brasil vendeu ao mundo no ano. A DJI, que chegou no Brasil em 2020, enxerga os números como oportunidade.

Até hoje, tem mais de 20 mil drones em uso no Brasil. E nós também, no Brasil, temos mais de 20 mil pilotos certificados. Temos também fazendeiros. Eles têm uma fazenda grande e eles querem comprar o drone para fazer pulverização.

Porque com drones agrícolas isso ajuda a aumentar a produtividade e também reduzir, tipo, por causa de trator, às vezes causa amassamento. Ou seja, depois de chuva forte o trator não consegue entrar e para a agricultura essa janela é muito importante.

Uma pesquisa da Universidade de Brasília, divulgada em 2024, mostra de maneira detalhada a adoção de tecnologias no campo em todo o Brasil. O estudo revela que mais de 90% dos produtores rurais utilizam tecnologias para manejo agrícola. Mais de 27% drones com a finalidade de mapear vegetações ou gerir culturas e 14% sensores de vegetação.

A adoção crescente da agricultura de precisão também tem feito as montadoras de máquinas e implementos agrícolas investirem no desenvolvimento de drones. A New Holland, por exemplo, vem apresentando alternativas aos tratores como drones de aplicação, destinados principalmente para pequenos e médios produtores. O uso pode complementar ou até substituir pulverizadores, oferecendo versatilidade ao agricultor.

Embora haja discussões sobre o aumento do desemprego no campo com a modernização das lavouras, a agricultura de precisão abre um grande mercado para a operação de drones. A mão de obra qualificada exige treinamento e profissionalização de trabalhadores rurais, principalmente para o manuseio de drones e a interpretação de dados gerados por sensores, GPS e programas de computador.

A moratória da soja voltou ao centro do debate político e jurídico no Brasil após uma audiência pública realizada na última quarta-feira na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Parlamentares, representantes do governo federal e entidades do agro discutiram os impactos do acordo privado firmado entre as tradings.

Foram mais de duas horas de audiência e eu assisti na íntegra para entender a complexidade desse assunto que vai e volta há muitos anos no Brasil. Eu destaco aqui dois pontos principais. O primeiro é a necessidade de cumprimento do Código Florestal como lei soberana à produção da soja no país.

E o segundo ponto é a investigação de cartel por parte das 30 tradings participantes da moratória. São coisas diferentes e complementares. A alegação do setor produtivo, representado pela Federação da Agricultura de Mato Grosso, a FAMATO e também a Associação dos Produtores de Soja, a ProSoja,

É de que mesmo os produtores que respeitam os limites de desmatamento impostos pelo Código Florestal estão sendo penalizados com a possível continuidade da moratória da soja. É o que nós vamos conferir agora na fala do Lucas Beber, que é presidente da ProSoja Brasil e falou durante a audiência pública.

Nós temos que considerar que essas empresas que impõem a moratória da soja, esse acordo privado acima da nossa legislação, constituem aproximadamente 90% do mercado comprador, não dando espaço para esses produtores produzirem.

e poderem comercializar a sua produção de soja, já que esses estados aqui, principalmente a região tropical brasileira, tem uma grande vocação para a produção de soja, fazendo com que seja uma das sojas...

as sojas mais procuradas do mundo por conta do seu alto teor de proteína e a sua qualidade. E a moratória da soja tem atacado a função social da terra. Mais de 30 milhões de brasileiros hoje vivem na Amazônia e nós não temos um projeto de desenvolvimento econômico que melhore a vida dessas pessoas e é a agricultura que tem tornado...

mais digna a vida delas e tem também proporcionado que o Brasil e essa região amazônica possam se desenvolver. A formação de cartel por parte das tradings continua sendo investigada pelo CAD. Na audiência pública, quem falou a respeito foi o superintendente-geral do órgão, Alexandre Barreto de Souza. Posso resumir de maneira bastante simples dizendo que...

A moratória da soja, do ponto de vista da organização das traders, é um acordo entre concorrentes? Sim, isso não se discute. É um acordo privado? Sem dúvida é um acordo privado. A competência do CADE é justamente investigar acordos privados, para saber se acordos privados podem ser prejudiciais à livre concorrência ou não. Um cartel é um acordo privado. Todos os cartéis investigados e condenados pelo CADE são acordos privados.

A livre iniciativa, ela existe na Constituição, ela figura na Constituição, lado a lado com a livre concorrência. A livre iniciativa, ela é regulada pela livre concorrência. Reafirmo, não sabemos, não podemos concluir ainda que o caso em investigação se trata de um cartel, mas eu posso garantir às vossas excelências que o fato de ser um acordo privado, por si só, não legitima...

uma perpetuação de ações que possam prejudicar a livre concorrência e a sociedade brasileira.

O setor produtivo cobra medidas do governo federal sobre a intervenção da moratória da soja na comercialização da commodity aqui no Brasil. Mas como vimos na fala do CAD, este é um assunto entre a iniciativa privada. Na audiência pública, André Lima, secretário do Ministério do Meio Ambiente, falou sobre a definição das porcentagens mínimas de desmatamento consideradas no Código Florestal.

A moratória é uma ação, como colocou aqui o meu colega Silvio, do Ministério da Agricultura, é uma ação estritamente privada, um acordo entre empresas, traders, organizações da sociedade civil, estabelecer um pacto de não aquisição de soja oriunda de desmatamento.

Isso é um pacto privado, o governo apenas faz aquilo que a lei determina e toda essa política está toda ela lastreada em legislação, recursos, planejamento, orçamentário, um plano aprovado em lei, faz parte da lei de política nacional de mudança climática. E termino dizendo só um outro ponto que eu acho muito importante nesse debate. Quando se diz que a moratória da soja descumpre a lei, está se fazendo uma leitura equivocada do Código Florestal. Ele diz o seguinte no artigo 12.

para quem ainda acha que a moratória é ilegal. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura vegetal nativa a título de reserva legal, sem prejuízo da aplicação de normas sobre APPs, observados os seguintes percentuais.

mínimos, percentuais mínimos em relação à área do imóvel. Aí fala de 80% na Amazônia, 30% no Serrário, 35% no Serrário da Amazônia, 20%, ou seja, a lei estabelece um percentual mínimo. Princípio constitucional da reserva legal que é o seguinte, o privado pode fazer tudo aquilo que não é proibido por lei.

No fim, o que está sendo discutido é que a moratória pode não ser ilegal, mas o setor entende que é imoral, pois deixa na mão das tradings e de um possível cartel a comercialização da commodity. As tradings foram chamadas para audiência pública, mas não compareceram.

O nosso programa fica por aqui, mas você continua conectado nas nossas redes sociais e ligado na programação da Jovem Pan. Muito obrigada pela sua companhia. Eu agradeço a todo mundo que faz o programa comigo e a gente te espera na semana que vem. Até lá. Hora H do Agro

A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação. Realização Jovem Pan

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