Episódios de isso não se diz

ep.154 com Rui Lopes

03 de maio de 20261h1min
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ep.154
Assuntos5
  • Dicas culturaisFilme 'It Was Just an Accident' · Livro 'O Africano na Gronelândia'
  • CondomíniosDisputa sobre sótão · Administrador do prédio · Advogada da senhora francesa · Viagem do administrador
  • Experiência em restauranteConceito de 'comida da avó' · Menu em QR Code
  • Venda no OLXRelógio à venda · Negociação com comprador
  • Gelado Santini e sabor de avelãMudança na receita de avelã · Feedback dos clientes · Visita à fábrica Santini
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Ai, vocês, vocês, malas vossas merdas, malas vossas coisinhas, mal os vossos dramas, situações. Sei lá eu, sei lá eu. Como é que vocês estão ao dia de hoje? Sentem-se bem? Sentem-se rijos? Sentem-se esperançosos? Sentem-se, sei lá, religiosos, espirituais?

Acordaram espirituais? Acordaram agnósticos? Acordaram ateus? O que é que vocês acordaram? O que é que vocês são? Como é que eu estou? Pergunta cerca de ninguém. Não estou grande merda. Pois não estou grande merda. Uma boa bandeira amarela porque é a vida, não é? Porque é a vida e depois também o tempo.

De repente está a chover, estava calor ontem, hoje está a chover e está frio, estou a gravar isto no sábado, está a merda, não sei, não estou a curtir. Não era isto que eu queria e pronto, e há semanas que é foda-se, há semanas que é foda-se.

Pronto, ia aceitar, ia lidar, ia trabalhar em cima disso. Não é agora ficar tipo piso, virado para cima e a esperar que a vida se resolva. Bom, o que é que eu tenho para vos dizer ao dia de hoje? Então, várias coisas. Primeira das quais é que fui...

Uma reunião de condomínio da minha mãe, lembram-se? Aí é com caralho ao tempo que eu não vos falava disto. Uma reunião de condomínio do prédio da minha mãe, que é sempre uma animação. É sempre uma animação, porque é uma pequena bolha de um mundo que já... Não é que já não existe, é um mundo que está a tentar voltar a existir, que é aquele mundo em que...

Uma democracia afinal não é. Estão a ver esse mundo? Pronto. É um homem, que lá está, ainda, vai sair, graças a Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, e é um homem que não entende o conceito de votos, de votação.

E então diz as coisas tipo, não, não, essa agora não vai à votação. Não, não, isso está a ser, o cara... E toda a gente está a dizer, não, oh, meu senhor, é que não funciona assim. Não, mas não vai, você... E então, era para discutir várias coisas. Entre elas, uma senhora, pá, desgraçada, que comprou um último andar lá do prédio e o prédio tinha um sótão.

Mas o sótão, tal como o terraço da minha mãe, tal como as zonas de terraço e de escadas, são zonas comuns. Ou seja, isto é considerado, quando uma pessoa compra uma casa, que de repente tem lá um sótãozinho, um último andar, normalmente isso é do prédio.

com o usufruto único e exclusivo dessa pessoa que vive ali. Portanto, é ali uma zona meio cinzenta, porque aquilo é do prédio, mas por outro lado só a pessoa é que pode usufruir. Pronto, e a senhora comprou aquele andar.

E aquilo há 20 anos que já tinha a abertura feita. Pá, é uma senhora francesa que foi para lá há 2 ou 3 ou 4 ou 5, ou foda-se, não sei. E quando chegou lá, viu aquilo e comprou por causa daquilo e reaproveitou, tipo, ok, então as escadas eram merda, vou pôr umas escadas boas, a vela que se estava podre, vou pôr uma vela que se boa. Pá, e há registros disto, de Google Earth, há registros na câmera, de drone, de tudo, de quando aquilo foi feito. É pá, há 20 anos.

E o homem decidiu que não, que foi feito agora. Pronto, decidiu, sozinho. Não, foi feito agora. E então pôs um processo à mulher. A desgraçada da mulher tem um processo em cima para repor tudo como estava. E ela pergunta só, como estava, como? Mas como estava é assim. Como estava o quê? Põe a janela velha e põe as escadas velhas. Não, tapar, tapar tudo, aquilo não é seu. Não, mas aquilo já estava assim, homem.

Pá, pronto, então é uma discussão sem fim. Sem fim porque trata-se de um homem que não quer ouvir. E então, como a maior parte das pessoas estava completamente a cagar para isso, não é pá? Ninguém vai usar aquele sótão. A senhora comprou a casa já com aquele sótão. É pá, é o que é. Não vale a pena. Há guerras que não vale a pena ir. Mas o homem está furioso.

Porque ela está usufruída de um sótão. E então queria que nós puséssemos um processo à mulher. E nós, na última reunião, dissemos todos não, não queremos pôr um processo à mulher. Isto foi há um ano. Resultado, ele cagou, pôs na mesma, enquanto administrador, que se foda, está com tempo? E então pôs, mas veio-se saber que o processo era de 2023 ou 22. Portanto, o homem ainda pôs antes.

ainda pôs antes. Houve um dia que ele pensou, não, isto chegou ao fim, acabou, estou farto desta merda. E depois, como pessoa, e toda a gente a dizer-lhe, tipo, ouça, você não pode fazer isso, você não é o dono do prédio, o administrador é o representante dos condóminos, condónimos, condónimos, e, portanto, você não pode decidir por si. E ele decidiu, tipo que se foda.

Tipo que se foda. E olhem quem é que era o próximo administrador do prédio. Adivinham? Estavas a cheirar. Era eu. Era eu. E então é medito na reunião. Até foi na outra. Então e aqui o Bruno vai ser o próximo administrador. E eu, e é? É o próximo. Está aqui na lista que é o próximo.

Não, não, eu não vou ser o próximo. Não sei se está na lista, mas eu não vou ser o próximo. Não tenho nem talento, nem capacidade, nem... Epá, interesse, tempo. Pois, mas tem que ser. E eu, pois, mas eu não vou ser. Epá, e esta semana, nesta reunião, por sorte dos deuses, estava uma advogada minha, minha, minha, minha...

E então a advogada era a advogada desta senhora francesa que estava com o problema do sótão. E a advogada ia só para falar do sótão. É para isso que ela está a ser paga. Mas perante esta loucura toda, de repente foi uma animação. Vou-vos dizer só isto. A reunião começou às nove da noite, acabou à meia-noite e dez. Não sei se tem algo a dizer sobre isto. Numa garagem. E a advogada perante isto começou a perceber. Não, estes gajos vão ser comidos vivos.

E então começou só a fazer perguntas. Diga lá, então e agora isto... Mas pronto, aqui este senhor está a dizer que não vai ser administrador. Vamos ter que sair daqui. E, portanto, ele não é obrigado a ser administrador. Diga-me aqui onde é que... Não, é obrigado. Está bem, então, mas diga-me qual é a linha aqui no regulamento do condomínio que diz... Oh, oh, oh, oh, a minha senhora. Oh, você acha que está com os seus colegas do tribunal? Isto aqui não é...

colegas de tribunal, não, estou-lhe só a perguntar onde é que está aqui na administração, no regulamento, a dizer que... Não, é pá, é pá, ouça, você, não, é sério, para já, quando quer, pois ele... Estamos a falar de uma pessoa que não está bem. Começava-lhe a dizer coisas tipo...

É assim, olha, olha, olha, é assim. Para já, quando quer falar, põe-me no ar. Está a perceber? Tipo escola. Tipo escola. E então a mulher, às tantas disso, começou só, epá, a cilindrar. Houve uma altura em que eu até tive pena do senhor, que é tipo, aí foste-te meter...

Não podes, não podes, estás a ver? De repente está aqui uma advogada que sabe a lei, já não dá para brincar a isso. E então ficou votado que o homem vai sair. Porque o homem disse, é pá, pronto, então, mas... Eu não posso propor para ficar mais um ano, um homem que já está há 570 anos, mas se for a vontade de todos, eu quero só dizer que estou disponível. Toda a gente, não, não, está bom.

Tá, pronto, então eu fico mais um ano e depois passa-se para o outro. Não, não fica mais um ano. Pronto, então quem é que vota? Seis meses, quem é que vota a favor? E aí houve uma pessoa que votou a favor dos seis meses. E ele, pronto, então fica aí registado. E ele, não, não, ouça. Não, você tem que propor outra data, porque nós queremos três meses. Em três meses, arranjamos uma empresa que tome conta disto, uma empresa de condomínios.

E você vai à sua vida, pronto, muito obrigado por tudo o que fez, mas está a fazer. Não, três meses não dá. Três meses não dá, para quê? Não dá, não dá, não dá tempo, não dá tempo, porque há coisas que estão a decorrer, não sei o quê, e não dá tempo. Mas coisas estão a decorrer o quê? E então, resumindo, qual era a coisa que estava a decorrer? É, vou viajar. Vou viajar para longe e só venho em agosto.

Ah, está a decorrer uma viagem sua. Ok. Então pronto, fica para agosto. Está bem. Então em agosto apresentamos aqui e eu apresento aqui as três empresas de condomínio que eu acho que... Não, não, não é você que apresenta. Somos todos. Todos nós vamos apresentar. Ok, no máximo três. Não, não é o máximo três. Mas quem é que decide que há o máximo três? Foda-se.

Lá está a sua mania. Não, não é o máximo de 13. Se forem 10, são 10. E apresentamos e cada um explica porque é que trouxe aquela empresa. Pronto, e as coincidirem mais, se calhar chegamos ali a um cruzamento e, olha, houve 6 pessoas que trouxeram esta empresa. Bora, vamos para esta. Epá, está bem. Pronto, epá, ok, ok. Pronto, é isto.

E em relação ao condomínio, alá ao Sotam, o que indignava o... Apá, foda-se, isto é hilariante tudo. Porque aquilo está a acontecer e está toda a gente com a mão na cara, ou pelo menos duas pessoas a ouvir-o com a mão na cara a pensar e é com caralho. Está toda a gente a ouvir isto.

Está toda a gente ouvindo. E depois começou a dizer que foi para a guerra. Oh, só já estive na guerra, pá. Era caçador, pronto. Mas já estive na guerra. E toda a gente a pensar. Contou outra vez a história de um homem que se matou. Porque tinha feito também um sótão. Não, não sei o que é um sótão. Ele fez um sótão. E disse, epá, estou muito feliz. Fez um sótão. Resumindo, matou-se.

o ambiente do caralho naquela garagem pronto, e então o homem quer porque eu percebo, há ali um ponto que é de facto quando se está a fazer coisas no sótão, que é do condomínio, normalmente negocia-se com o condomínio tipo, olha, eu pago x e pronto, mas é quando aquilo foi feito pela primeira vez não é desgraçada da mulher que lhe caiu aquilo no colo e agora pronto e então a mulher comprou aquele apartamento por não sei quanto e quer vender agora por quase o dobro yes

E o homem quer uma parte desse dinheiro. Ah, e o caralho, eu quero uma parte desse dinheiro. Diga lá como é que vai fazer, como é que vai fazer, como é que nos vai dar aqui, não sei, mas isto tem que ser resolvido. Pá, e nem consegue vender a casa porque está este processo a decorrer. Pá, coitada, um quadro de miséria, pá. Um quadro de miséria. E sobretudo uma pessoa fica a pensar que há pessoas que têm mesmo muito tempo livre.

Há pessoas que escolhem que o objetivo da vida delas é não, agora vou levar isto até ao fim.

E atenção, começa a reunião muito calmamente a dizer o que é importante é as pessoas entenderem-se, ok? Porque nós pretendemos um bem-estar aqui no condomínio e pretendemos que haja uma boa convivência, não é? E depois corta para... Isto não é o tributário, não está cá a falar com os seus colegas.

É isto. Pá, é de louco. Uma pessoa não acredita. Tipo, contado, vocês nunca vão estar à altura do que aconteceu. E pronto, foi esta. A minha sexta, quinta-feira, quinta-feira foi isto. Quinta ou quarta? Quinta, acho que foi quinta. Foi uma boa quarta ou quinta-feira. Que eu entrei às nove da noite numa garagem e saí à meia-noite. Parecia que tinha estado a levar forte no cu. Era a mesma sensação.

Não sei, quer dizer, tenho uma ideia. Também há aqui um gajo agora no LX que eu gostava que se ele tivesse ouvido fosse para a corna da mãe dele. Pus aqui uma coisa à venda no LX. Pronto, eu pus um relógio à venda que tinha ali, pá, era uma coisa antiga sem grande importância. Ele disse Olá, meu nome é José. Queria comprar o relógio. Podes entregar em mãos.

depois diz o sítio, depois diz onde é que fica o sítio e diz 11 horas. Mandou-me esta mensagem às 9h53. 11 horas. É aquele que tem a braçalete tal, tal, tal, tal. Outra mensagem. Estou todo dia no restaurante onde trabalho. Fico ao lado de não sei de onde. Por trás de não sei do quê. O restaurante chama-se não sei o quê. Estou aqui até às 21h.

Às 10h52. Olá, vem? Sem ponto de interrogação. Tipo, olá, vem. E eu, simpático, educado, evoluído. Boa tarde. Hoje já não consigo. Pode amanhã ou segunda? Se for hoje, só consigo entregar sem pilha, porque era um relógio que estava sem uso há algum tempo. E ele respondeu posso amanhã, às 16h. Passado 4 minutos. Já não quero. Obrigado.

e eu tinha várias opções, tipo, vai tapar a cona da tua mãe, era a primeira, e disse só, obrigado, e até qualquer dia. Foda-se, fiquei tão contente. Pensei, Bruno, que sonho de homem. Tipo, tu foste um sonho de homem agora, só. Consegui, eu dá-me vontade de mamar-me na minha própria boca, que não é brincadeira.

Outra coisa, pá, fui a um restaurante, ali na ajuda, não interessa qual. Pá, e cheguei e eu tinha marcado o restaurante, tinha-se marcado o restaurante, aliás, e eu quando cheguei, aquilo era um bocadinho, um bocadinho mais sofisticado do que aquilo que eu esperava. Estava a esperar que fosse assim uma coisa mais, menos sofisticada, estão a ver, menos armada ao pingarelho. Pronto. E cheguei ao restaurante, pá, é daqueles restaurantes que são grandes, todos design e têm, pá, aí três pessoas. E nós, ok.

Ok. Bora lá. Let's go's. Let's go's. Epá, e teve uma coisa hilariante. As pessoas, de facto, são hilariantes. Porque as pessoas querem fazer um revivalismo, não é? Que isso está na moda e também vende. Que é a comida da avó, a tasca que era uma tasca, o prato, o pires, o termoço da cona. No fundo, reviver, não é? Reviver velhas histórias, o saudosismo, a melancolia, a picha. E então o homem vem nos apresentar o menu.

E dizes, bem, porque isto tem pataniscas de bacalhau, não sei o quê. No fundo, a ideia é reviver um pouco os tempos das tascas antigas lisboetas e todo aquele ambiente que lá se vivia. E depois diz o seguinte, o menu está aqui neste QR Code, que podem ver com o telemóvel.

foda-se, não é bom. Esta merda parece escrita. Reviver o ambiente das tascas, o menu em menta está aqui neste QR Code que você tem que ver com o seu telemóvel e há como nas tascas. Lembrou-se? Quando eu saí a uma tascas em 1991 e tinha um QR Code.

Epá, aí é hilariante, porque de facto eu aí perdei-me logo. Aí é tipo, já não estou a ouvir. Se foda, já não consigo ouvir porque houve uma preocupação em tentar ir buscar um conceito.

que venda. Não sei se é o conceito que se cria, é o conceito que venda, que é, ok, a patanisca, o pastel de bacalhau, o prego no prato, aquelas coisas, nada daquilo é uma tasca. Nada, nada daquilo é uma tasca. É um restaurante super elaborado. Mas o QR Code matou-me. Foi assim a estocada final de foda-se, isto é brilhante.

Boy, isto é brilhante. Vais-me dar com QR Code. Pronto, depois vi lá no QR Code, que é sempre... Sinto-me sempre estúpido quando estou... Pessoas, donos de restaurantes que estão por aí, pá, imprimam nem que seja um papel. Ou escrevam a mão num papel. Está tudo bem. QR Code é ridículo.

ridículo. Ah, é o papel e o caralho é poupar. Não me fodam. Não é por aí. Não é por aí. Há emendas que estão impressas desde sempre e acrescentam só o prato do dia. E há outras que é, tipo, nunca mexem. Agora, QR Code para ver uma emenda.

Não, não quero. Ah, mas és antigo. Se calhar, se calhar. Mas gosto da ideia de que uma pessoa não tem que puxar do telemóvel para comer. Estão a ver? Faz-me confusão. Agora tem que ir buscar o meu telemóvel para olhar para o meu telemóvel para comer? Fode-se. Fures.

Pronto, e foi isto. Pronto, não tive lá muito tempo. Bom, duas recomendações culturais que eu não... Sabem, faz-me sempre assim uma comissãozinha no céu da boca, mas que se foda, eu também. Se não partilho aqui, partilho onde?

Bom, momento teatral, um momento também que puxou mais ao sentimento, é também para perceberem a paleta de emoções que eu trago dentro de mim, que eu trago, nem sei dizer trago ou caralho. Duas coisas, para já um filme que já tinha, já não é de agora, o filme já tem um bom tempo, mas que eu tinha deixado passar. O filme chama-se, foi só um acidente, it was just an accident, de um realizador iraniano.

E o filme é muito, muito bom. Eu ainda não tinha visto, ganhou o Palma de Doura em 2025, no Festival de Cannes. E é muito boa a história, a história de uma pessoa que vai pedir ajuda a meio da noite, porque o carro dele não está a funcionar bem, ele está com a filha e com a mulher que está grávida no carro, vai pedir ajuda a um sítio e a pessoa...

a quem ele pede ajuda tenta ajudá-lo, mas há outra pessoa nesse armazém que ouve a voz e ouve o som da prótese que aquela pessoa que está a pedir ajuda tem e um som, uma espécie de um chiar e mete na cabeça ir atrás daquela pessoa porque conhece aquela voz e conhece aquele som.

Não quero desvendar muito mais, para não dar spoilers, mas é muito bem escrito, é muito bem realizado, os atores são maravilhosos, a história é ótima, é um argumento muito bonito, muito bem conseguido, nada panfletário no sentido de... Fala sobretudo sobre as questões iranianas, dos direitos humanos, mas sem nunca...

ser panfletário ou ativista nesse sentido e acho que às vezes tem mais força dessa maneira. Pronto, isso eu gostei muito, aconselho. Segunda coisa que eu aconselho, que acabei de ler, é um livro que se chama O Africano na Grunlândia que é a história de um homem

que aos 16 anos, há uma biografia escrita por ele, uma espécie de um diário, de um homem que vivia numa tribo, no Togo, portanto um africano, mas que uma vez caiu de uma árvore a fugir de uma serpente.

E durante o tempo que teve a ser tratado, foi a uma biblioteca e teve acesso a um livro sobre a Grunlândia, sobre o Polo Norte. E ficou completamente obcecado com a ideia de Polo Norte, ele que vivia num país tão quente, num continente africano.

E então, ele aos 16, foge de casa e vai, empreende numa viagem de anos, isto foi em 1970 e tal, ou 80, portanto, não estamos a falar propriamente de uma facilidade em viajar, muito menos para alguém que vivia numa tribo em África e que nunca tinha saído dali, nem sequer é do país, é dali, daquela tribo, de perto daquela tribo.

E é um relato fascinante, da ida dele até ao Polo Norte, até à Grunlândia, e dos relatos daquilo que ele encontra, dos relatos de como as pessoas reagem pela primeira vez a ver alguém com uma cor de pele diferente, que vem de um sítio que eles nem sequer sabem bem onde é que é.

é muito interessante o livro pronto, e acabei há pouco tempo, gostei estou a partilhar é o que é, eu faço isto vocês gostam, gostam, não gostam não veem, não pegam, não têm que se preocupar com isso, está bem? e eu nunca vou saber, é essa a alegria da nossa relação

Ora, ouvintes desse lado, seguidores da Delta Q, para quem é fã do 10, chegou agora o 11. Ouviram bem, o 11. Para aqueles que não gostam de cafés intensos, sinto que ainda não viveram o suficiente. Para aqueles que achavam o 10 intenso o suficiente, desenganem-se, chegou o 11. Um expresso intenso, encorpado, com notas de cacau e avulões torradas. Reparem bem no nível a que estamos a chegar. Isto já é o campeonato dos especialistas. Já não basta ser um bom café, agora há notas e aromas e tudo.

Sintam o cacau, sintam a avulã, sintam a vida a melhorar depois do vosso café preferido. Se gostam de café a sério, daqueles que não pedem licença, experimentem o Delta Q Intensidade 11. E onde encontramos, perguntam vocês, nos pontos de venda habituais e em da deltahouse.com, onde, reparem, podem usar o meu código BRUNONUGARA20 com 20% de desconto em toda a loja. Porque vocês querem, vocês têm de nada.

A Abreu também está presente neste podcast. Sobre que forma... Há uma altura do ano em que o termómetro começa a subir. As esplanadas enchem-se e, de repente, toda a gente se lembra que há férias de verão para marcar. Chama-se Maio e a agência Abreu preparou uma campanha para que possam viver o verão da forma que quiserem. Seja numa praia, a fazer uma grande viagem ou até num circuito. Até 18 de maio e com descontos até 40% é a oportunidade perfeita para tratar das férias antes que o verão chegue sem avisar.

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A Côte d'Azur e os lagos italianos prometem paisagens de cinema e os circuitos das quatro capitais. E o circuito, aliás, das quatro capitais resolve o dilema de não conseguir escolher só uma cidade. Portanto, antes que o verão chegue, com tudo e as melhores oportunidades desapareçam, reservem já as vossas férias de 14 a 18 de maio, com descontos até 40% numa loja Abreu, em abreu.pt ou através da Abreu Experience. Porque o verão não espera e os melhores descontos ainda menos.

Outro assunto muito importante, talvez o mais importante de todos, é que esta é a terceira semana que eu estou aqui a falar e que o Santini mantém a Avelã com pedaços. Eu sei que há guerras. Há. E às vezes as guerras grandes começam por coisas pequenas destas.

ligaram do Santini para a minha gente, muito simpáticos, a dizerem que de facto mudaram, mudaram a Avelã, mexeram na Avelã, assumiram. Também é bonito assumir, também não há muito como não assumir, mas muito simpáticos a convidar para visitar a fábrica, onde fazem tudo, e para dizer que de facto, pronto, mudaram a Avelã, mas que também há muita gente que gosta e também têm tido muito retorno positivo. E eu, o que eu quero saber, é onde é que está esse retorno positivo.

É que dizerem só para o ar não resolve. Percebem? O que eu quero é, eu quero, por exemplo, que me mandem para aqui, podem mandar para aqui, para as minhas redes, que é mesmo assim, retorno positivo da Avlan. Quem tiver retorno positivo, que me dê retorno positivo.

Eu tenho tido retorno não muito bom. Pessoas que estão tristes, pessoas para quem o verão já está estragado e nem sequer começou. E eu continuo a lutar. Nem que seja uma bolinha... Epá, dei-me só uma bolinha da antiga Avelã. Só para eu me despedir. É que eu não tive tempo de me despedir. É como se ela tivesse sido atropelada. Percebem?

Não é daquelas coisas que uma pessoa sabe, olha, vai embora. Olha, vou comer gelado de avelã durante três semanas, porque ela vai-se embora daqui a três semanas. É tipo, foi-se embora, não deixou uma carta, não deixou um aviso, entrou outra para o lugar dela, nem sequer houve ali um período de nojo em que uma pessoa começa a pensar, é pá, ok, tenho que me habituar a esta nova avelã. Não a introduziram delicadamente, foi a pé juntos.

Disseram, olha, acabou a outra, a outra foi embora. Foi para outro sítio e agora está aqui esta. Esta, mas eu não a conheço, nunca falei com ela.

porque é que eu hei de lamber? Vou continuar nesta luta, malta, porque é também por proveito próprio, mas também do país. Eu não acredito que a margem seja mais positiva do que negativa. Não consigo acreditar. Mandem-me feedback honesto e mandem também para o Santini, para a página do Santini, feedback honesto em relação à Avelã. Nós todos precisamos de ouvir para depois tomar aqui uma... é pá, uma medida. Ter uma solução para isto, para este grande problema da humanidade.

E eu vou estar a conhecer, por acaso nunca fiz essa visita, a conhecer lá o sítio onde é confeccionado o gelado Santini. Estarei com Eduardo Santini, que é o neto do fundador.

Parece uma pessoa sensata, que é a pessoa que no fundo está à frente dos lados e eu, no fundo, sinto-me, sabem o quê? Sinto-me um bocadinho como o Sean Penn quando foi ter com o presidente da Ucrânia, o Zelensky. E, portanto, eu sinto que, falando com Eduardo Santini, que me parece um homem sensato, parece-me um homem com vida, que carrega aos ombros uma tradição e uma história muito maior do que nós todos juntos.

que já deu alegria a muita gente e tentarei negociar. Tentarei negociar sempre na paz, tentarei sempre usar o diálogo como primeira língua, mas também vos digo uma coisa, se eu sentir que é preciso ir para as trincheiras lutar pela velã, eu estarei lá, ok? Meto as minhas galochas, é pá, meto o meu camuflado e vou lutar. Nem é para a velã.

Não é para o avelã, porque o avelã, se querem que vos diga, é um fruto de seco que nem me diz grande coisa. Se me puserem uma avelã à frente, para roer, eu não sou tipo esquilo, não vou lá. Agora, metem-me aquele antigo, o antigo, até já estou triste de dizer isto assim, o falecido sabor da avelã, e aí sim, contem comigo. Eu depois dou-vos novidades, está bem?

Ora então, muito bem, hoje vou falar com o Rui Lopes. Quem é o Rui Lopes? O Rui Lopes é uma pessoa que faz parte da minha vida já há algum tempo, mas de forma intermitente. É um artista plástico, é também assistente de produção, portanto trabalha muito em teatro e em televisão, e cruzei-me com ele agora, pela primeira vez profissionalmente, diga-se, neste projeto que eu tive agora a filmar, que é a segunda temporada do Ruído.

E é uma pessoa com uma energia tão positiva e tão agradável de estar que eu achei que era bom de partilhar convosco. De resto, ele já apareceu alguns vídeos que eu fiz no Instagram e quando eu partilhar este episódio, eu vou também partilhar mais um vídeo de Rui Lopes para vocês juntarem a cara ao nome. Sabem aquelas pessoas que juntam a cara ao nome? Aquelas dizem, não estou a ligar a cara com o nome, não estou a ligar o nome à cara. Assim vocês ligam. Esta é então a minha conversa com Rui Lopes.

Ah, filha! Ai, gosto muito dessa planta, que eu também tenho uma planta dentro da minha planta. Qual? Qual é que tu tens? Ah, é aquela que é roxa e que desce. É. E que vai para ali abaixo. Acho inacreditável o desenvolvimento.

Dessa planta. Esta planta é uma planta que não obedece à gravidade, pois não? Não. É uma planta que vai para onde ela quer, pois vai. É uma roxa, é muito linda. E pega destaca, mulher. Eu sei, eu sei. A folha tanto é verde quanto é roxa. Exato. Tem uns livezinhos de coisa, é linda. É uma planta linda. Obrigado, Rui, por teres reparado. Eu já estou a gravar.

Eu acho lindamente. Porquê que estás no carro? Explica lá o que é que estás a fazer. Olha, porque tu iras ao Pingo Doce. Ai, não se pode dizer. Pode, pode. Podes à vontade. O que é que vais fazer ao Pingo Doce?

Estava aqui a pensar no que é que me apetecia almoçar. Ok. Normalmente tomo estas decisões, reflito. Tu és um repentista, não és? Não, primeiro reflito um bocadinho. Ok. Que fome é que eu tenho hoje? Sim, que tipo de fome? Que tipo de fome é que eu tenho hoje? Tenho fome de carne, apeteço-me peixe, apeteço-me mais uma selada, apeteço-me mais um grão com cispe.

É muito esse tipo de pensamento. Claro. E que conclusão é que tu chegaste? Cheguei à conclusão que hoje me apetece um bacalhau com... bacalhau a braço. Ah, ok. Mas diz-me uma coisa. És tu que vais preparar ou vais comprar aquele já feito? Não, não. Sou eu que vou comprar os ingredientes. Espera aí. Mas para. Mas isso é logo uma novidade, não é? Eu não sabia que tu eras uma pessoa prendada que num sábado à tarde de chuva...

Porque não me perdi. Não me perdi. Eu um dia apresento. E tu nem mais perceber que eu sou esse tipo de pessoa que vai ao supermercado, compra os ingredientes, escolhe, perde o seu tempo na escolha dos ingredientes e depois chega à casa e... E com que diz-a? E qual é o prato que tu dizes assim, este é o prato que representa o Rui?

Um prato que me representa é assados. Assados no forno. Coisas assadas no forno. Pois, tu passas-te com assados no forno, não é? Estou doido por coisas assadas no forno. Mas carnes ou peixe? Tanto faz. Carnes, carnes, carnes. Tipo um lombo. Pronto. Uma pá de porco assada no forno. Ah, uau, ok. Um pernil. Bem, mas isso é tudo muito pesado, Rui.

Por isso é que eu hoje estava a pensar Pera lá, se calhar também estou a exagerar aquilo Porque ainda pensei nisso Só que também isso exige um outro tipo de preparação O que é um pernil? Ou uma carne assada Porquê? Porque eu sou Pessoa para deixar aquilo a marinar Claro, claro E de preferência de um dia para o outro Pois, e isso talvez seja também Porque tens muito tempo livre ou não? Sentes que é por causa disso? Não

Não, é porque É porque a carne depois fica com outro saborzinho Ah, pois fica, não, isso fica Mas repara, uma pessoa Eu às vezes apetece-me prendi-lo, mas penso Devia ter pensado nisso ontem Pronto, mas eu sou essa pessoa que antecipa Ok, ok Eu se for preciso hoje, eu penso Por acaso amanhã não, porque amanhã não vou estar em Lisboa Vais para onde? Vou fazer uma pequena viagem A Paris Vou à Euro Disney, nunca fui Ah, pois vai Eu digo yes

Bom, então mas tens que enquadrar, tens que enquadrar isso porque eu na apresentação disse como é que eu te conheci e disse o que é que tu fazias e onde é que eu te reencontrei. Mas de repente tu tens trabalhos paralelos. Tenho muito trabalho paralelo. Tu és um paralelista.

Sou, sou. Pronto, és da corrente paralelismo. Eu sou do paralelismo, do paralelo. Sou do paralelo. E volta e meia tens assim uns eventos que tu fazes. Explica-me qual é que vai ser este evento deste fim de semana que eu adoro. Desde cá, eu já faço isto há muito tempo. Eu tenho um amigo que tem uma agência de viagens que tu conheces, que é o Ricardo. Sim, sim.

E ele, quando sempre tem, e faz viagens, muitas viagens de grupo, viagens de incentivo, que a pessoa no fundo também se sente incentivada, a pessoa que participa acaba por se sentir incentivada. E sempre que ele tem assim um grupo que vai para uns sítios, ele liga-me e diz, ah, eu não quero vir, não sei o quê, o que é que estás a fazer, o que é que não estás a fazer?

Eu como tinha aqui este buraquinho, que é mesmo assim. Temporal, em que não sabia o que é que ia fazer. Disse, está bem, eu vou nisso. Ok. E então vou com um grupo de 180 pessoas. Ok.

Vou acompanhar esse grupo por Paris. Vamos estar com uma cidade em Paris. É um grupo de uma marca, não interessa agora qual, e vocês... Não interessa. Não interessa qual. E vocês vão para Paris, mas também vão muito para a Euro Disney. Sim. Para a Disneyland. Para passar um dia inteiro na Disneylandia. Ok. E o teu papel lá no meio é o quê? Não é... Pronto, porque são adultos. Portanto, não é bem dizer... Meninas, venham para este lado. É?

Eu, por acaso, transformo tudo nisso. Ah, tu ficas um animador guia turístico. Mais ou menos. Pronto. Ou seja, eu também faço isso do... Oi, lindas, é por aqui. Claro. E elas, contentes da vida, riem muito. Felicíssimas. Felicíssimas. Elas já me conhecem, porque eu já faço estas viagens com elas há muito tempo. Claro. E ficam felicíssimas cada vez que sabem que eu que vou. Claro. Já sabem que tu és fresco também, não é? Também.

E tu vais andar nas animações todas? Vou andar, em grande parte das animações sim, porque vou estar sempre normalmente fico sempre assim com um grupo. Mas como é que de repente se mete 180 pessoas? Percebes o que eu estou a dizer? Ai, vamos ao elevador não sei o quê. Está bem, vão quantos?

Não, mas isso depois o grupo é dividido eu acompanho um grupo de 30 Oh, e as outras pessoas? As outras 150? As outras vão com outras pessoas, que não são tão fixos como eu Ah, então é um grupo de guias, no fundo? Ai, que paciência que tu tens nessa cabeça

bandeirinha, se for preciso. Por acaso na Euro Disney dizis que não vamos ter porque eles não deixam de ter qualquer tipo de referência a outro tipo de marcas. A Euro Disney também é muito fleira. Pois é, agora não podes ter uma bandeirinha. É o que o Mickey passa-se da cabeça. Começa a injetar-se o Mickey. É, as orelhinhas da Minnie deixam de fazer aqueles flex.

Porque a pessoa está com outra marca Ai, aqui não vou funcionar Não gostei nada disso por parte da Disneyland Digo-te já, pensava que eles eram mais Livrões? Não, acho muito fuleiro E depois vão para Paris, vão para museuzinhos?

Não, vamos... Esse dia vamos para... Esse dia passa-se todo no Eurodism, porque queremos ver também aquele desfile. A Parada da Noite. Claro, é a Parada da Noite. Eu vi a Parada da Noite. E visto o fogo... E há o fogo de artifício, que é muito lindo.

Exatamente, eu estou muito expectante em relação a isso Porque eu quero muito perceber o que é que é isso da Euro Disney Mas tu és uma pessoa, conta lá a tua história Tu és uma pessoa que vem das artes, Rui Pois sou Mas ninguém diz, porque tu és uma pessoa Porque uma pessoa das artes dá-se ao respeito

Mas eu dou-me muito ao respeito. Eu não sinto que dês ao respeito. Eu sinto que és uma pessoa respeitada, mas que não te dás ao respeito. Percebes a diferença? Eu dou-me muito ao respeito. Eu tenho um problema muito grave, que é de levar as coisas muito a sério. Claro. Acho-me ser que há as pessoas que levam as coisas muito a sério. Ah, não levas a sério. Também não acho que tu leves. Mas conta-me lá qual é a tua história. A minha história é... Eu nasci em Londaveira, que é um sítio ao pé de Viseu, no Conselho de Tondela.

Depois vim para Lisboa, estudei na Antónia Roio, fiz as Belas Artes, depois fiz o mestrado nas Belas Artes também. Agora estou a fazer um doutoramento. Ah, pois está, que ele agora escreve coisinhas. Ele está a fazer, sim, está a fazer. Mas essas críticas que tu escreves, que agora cada vez que vais ver uma peça, é um papiro, foda-se. 500 páginas no Instagram. Mas isso é porquê? É para um doutoramento que estás a fazer? É para um doutoramento que eu estou a fazer em História de Arte.

Ok. E o que é que dá esse doutoramento? Dá esse doutoramento que permite-te o quê? Dá um PhD, dá-te um grau. Dá-te um grau, ok. Mas o que é que tu fazes com esse grau? Podes dar aula, já podias. Posso fazer tudo. Sim. Também, na verdade, eu não estou a fazer isto para ter nenhum tipo de retorno em relação a isso. É só para o que acontece. Claro. É uma ocupação. E isso é para que faculdade? É na Nova.

Pronto. Na nova, essa grande instituição. Pois, e tu também já deste aulas? Depois deste? Dei aulas, já este ano estive a dar aulas de geometria descritiva, foi. A loucura. Onde é que foi essa loucura? Foi em Tondela. Em Tondela, porque também foi assim um lapso de tempo que eu tinha, que não tinha nada previsto.

para aquele mês. Eu, por acaso, tenho pena de não ter tido mais professores como tu. Estás a ver? Eu acho que tinha sido tudo um bocadinho mais fácil. Foi muito giro. Os miúdos adoraram. Claro. Foi o décimo e décimo primeiro ano. Foi muito louco. E queres voltar a dar. Queres voltar a dar? Quero. É muito giro. Mas lá em Tondela, que se calhar eles aceitam. Não, pode ser em outro sítio qualquer. Eu fui para Tondela porque naquele mês eu não tinha nada para fazer, realmente. E como eu tenho lá uma casa, pensei, olha, agora vou aqui fazer isto.

Claro. O Ministério da Educação tem um site onde tu te inscreves, colocas as tuas habilitações literárias e hoje em dia, como há muita falta de professores, as pessoas que só têm uma licenciatura ou que têm um mestrado ou que têm um doutoramento podem dar aulas. Não têm que ser profissionalizados porque eles depois têm uma outra...

vertente que é os profissionalizados que são as casas de pessoas que estudam mesmo para ser professoras a quem eu dou muito valor e eu fui fazer-me isso e tu se tiveres que escolher assim uma cidade para ir ver arte, tu és um amante de arte e também tu próprio és um artista plástico. Pois sou na próxima semana vou estar na LAF

Ah, vais? Onde é que é? Explica-me naquela lava. Vai que eu não sei. A lava é aqui na Cordoaria Nacional. É uma feira de arte e antiguidades que se faz todos os anos. E tu vais estar com as tuas obras muito lindas expostas? Vou estar com as minhas obras muito lindas expostas na galeria...

Ultramar. Ah, olha que lindo. Isso é que dias. Agora para as pessoas irem. É do próximo fim de semana. Não sei muito bem quais são os dias. Acho que é de 8 a 16. Ah, acho que tenho que fazer o trabalho todo. Acho que é nesses dias. Então, é dia 9 e dia 10. Não, mas depois continua. Aquilo continua até 16, acho. É uma semana. Ah, então pronto. Então é de 9 até 16. Começa no sábado, será? Deve ser por aí. Sim, inauguração é dia 8 e não sei quê e depois continua.

eu não vou estar cá, infelizmente Ah, então tu não estás a acompanhar as tuas obras? Também tens vergonha, não é? Não, não estou cá, estou em Paris, sim Ah, mas acho que era a semana toda Vou ficar até dia 11 a 10, 11 Ah, mas isto é até 16, tu ainda podes lá ir Pois é, de passar lá um dia E tu achas que vais ser aquela pessoa que chama as pessoas para irem ver Olha, não quer viver aqui este quadrinho tão lindo que vai pela corduaria lá fora Então o que é que está a fazer? Como quem dá a provar queijo no Pingo Doce?

Adorava isso Tiras uma fotografia dos teus quadros E levas no telemóvel E vais às pessoas Olha, quer ver isto em grande? E as pessoas dizem, ai, gostava E levas as pessoas até lá Porque eu acho Que a tua personalidade também vai vender muito Vai, vai Mas eu ao mesmo tempo também sou muito reservada

És muito reservado em relação a quê, filha? Em relação à sua vida Certo, mas não é para ser da tua vida Mas repara, eu acho Que a tua personalidade É muito cativante Portanto, nós ainda agora estivemos a trabalhar

Eu posso dizer, Rui, posso dizer... Tivemos a trabalhar, tivemos a fazer uma coisa muito linda, umas filmagens muito lindas, e toda a gente estava rendida ao Rui. Porque o Rui consegue levar as pessoas a fazer as coisas que elas têm que fazer sem nunca se chatear. Está sempre bem disposto e as pessoas acabam por empatia... Ah, és muito querido, Rui. É verdade, é verdade. Acabam por fazer-te e pronto. Para o Rui não levar na cabeça do realizador estar a chamar, nós vamos.

Percebes? Porque tu tens isso. E eu acho que, por exemplo, as pessoas não conhecem as tuas obras de arte. Mas se tu as apresentares... Vou começar a fazer vídeos. Olha, não sei. Estás a ver? Não sei. A fazer um vídeo. Um vlog. Fazer um vlog. A pintar. Imagina que estás a começar. Há muito isso agora, hoje em dia. Ah, eu sei. Se tu pudesses bater, Rui, num tipo de pessoas em quem é que era?

Se pudesse bater? Bater. Podias bater e ninguém sabia. Em pessoas salientes. Salientes. Aquele tipo de pessoas são muito salientes. E que vêm cheias de coisas, tipo... Olha, pessoas que dizem, ah, eu faço isto, eu faço aquilo. Pois. Começavam a dizer, olha, eu faço isto, pumba, uma tapona. Claro. Ai, eu agora também não sei... Ai, eu agora estou a fazer este projeto, não sei o quê. Eu não posso com pessoas, de fato. Tem este tipo de tipo. Mas pessoas o quê? Pessoas que se promovem muito. Muito, sim. Pois, eu percebo.

E que falam da sua vida como se fosse a coisa mais extraordinária Ou seja, só existe aquilo Não existe mais nada E que toda a gente devia parar para ouvir a vida dela Para ouvir, sim É o tipo de pessoas que me enerva muito Eu percebo E há tantas, eu acho que também Agora com esta gente E mais coisa das redes sociais, acho que também puxa muito a isso Cada pessoa acha Que a vida que tem As redes sociais estão cheias disso Mas há uns que dá prazer ver, não é? Há uns que são tão... Não dá?

Há uns que uma pessoa pensa, esta pessoa tem tão pouca noção que isto dá muita vontade de ver. Sim. E de há bocadinho estava a trocar mensagens nas redes, no WhatsApp, com um amigo meu e estávamos a falar precisamente disso, porque estávamos a trocar esse tipo de galhardetes dessas pessoas que se encontram muito hoje em dia. Tudo é um assunto, tudo é um get ready with me. E esse então é o Filipe.

É, há pessoas que acham que estarem-se a vestir e a mostrar, repara, isto nunca foi um assunto, eu sempre me vesti e a minha vida seguiu. E houve alguém que pensou, não, eu acho que há, mas repara na autoestima que é preciso para isto. Sim, eu sei, eu sei disso. Não é? Alguém pensou assim, então estou aqui a vestir-me sozinho à frente de um espelho e o mundo não está a ver. Não está a perceber, sim. Não está a perceber.

Eu ainda ontem partilhei um desses Get Radio e houve uma amiga minha que vive no Brasil e que me mandou uma mensagem a dizer assim, como é que esta pessoa conseguiu escolher só roupa feia? Mas nem tanta pessoa, tem tanta autoestima, eu não tenho esta autoestima.

Mas eu acho que também é, não sei, porque eu acho que, eu tenho dúvidas se é falta, porque trabalho ali num limbo, não é? Porque por um lado é falta de autoestima, tu sentires que as outras pessoas têm que ver o que tu estás a vestir. Sim. Para te validares. Por outro lado, tu achares que a tua escolha é tão impressionante que toda a gente devia vê-la, foda-se, parabéns.

Não, é preciso ter, sim, é preciso ter um, sei lá, lata? Não sei se é lata. Eu acho que as pessoas nem se dão conta. Eu acho que às vezes é mamas. Acho que às vezes é mamas que é preciso ter. A maior parte das vezes é mamas. A maior parte das vezes ter mamas ajuda muito, porque o que é que faz? Faz com que homens também vejam-te cá e vejam como é que esta menina se está a arranjar.

Aliás, isso nota-se principalmente num determinado tipo de pessoas que vendem roupa. Há umas miúdas que agora vendem roupa. Agora tudo se vende online, está tudo nas redes. Vendem o quê? Que fazem aqueles diretos? Sim, sim. Aquelas plantias mais mamalhudas. Nesse sentido, estão cada vez mais expostas. Cada vez, olha, não sei o quê, vai do XS ao XXL, vai não sei o quê.

Ah pois, não, mas a minha mãe vê isso A minha mãe compra coisas E diz-me como se eu soubesse, como se fosse a Zara Ou diz assim, comprei naquela do Coiso que fez um direto e eu amei Mas tu achas que eu O que é que eu sei? O que é que me interessa agora? Mas eu acho que a mama, eu acho que o que é que joga A favor a mama, que é

Quem não tem, quase que sonha que tem quando está a comprar. Sim, sim. E tu reveste naquela pessoa que está a vender. É. Eu acho isso fascinante, porque como é que tu te reveste numa pessoa que não conheces lado nenhum e que não tem nada a ver com o igual. Exato. Mas esse é o grande problema de comprar roupa online.

Ainda no outro dia comprei, já não me lembro, eram uns calções ou o que é que era, que vinha alguém que tinha corpo para aqueles calções e quando chegou este Pinóquio, tu vês de repente a roupa e é tipo, ah foda-se, ok ficava-lhe bem a ele, isto não era para toda a gente Pronto

Mas isso é um fenómeno de... Mas acho que também há... Nas lojas há um bocadinho menos. Nas lojas há um bocadinho menos. Talvez haja mais nem catálogos, não é? Eu acho que em catálogos... Antigamente havia mais, porque antigamente havia muita publicidade. Hoje em dia, essas marcas também já não fazem publicidade como faziam antigamente. E tu antigamente compravas as coisas porque estavas a ver uma revista qualquer ou não sei o quê. E vinhas, já antes das redes, antes de ver esta coisa das redes sociais.

e tu vias aquilo e pensavas ai olha que giro, vou comprar, também não te ficava bem não, porque eu acho que tens sempre que experimentar eu dou os parabéns a toda a gente e eu já fui essa pessoa que compra roupa online porque acho que é preciso uma autoestima e uma segurança para tu achares não, aquilo, para já eu tenho um corpo desforme, que é, imagina tu olhavas para mim e dizias, ah tu és um XL porque eu sou grande o que é que acontece Rui? eu não tenho carne para encher um XL percebes?

portanto eu às vezes tenho que ser modesto, tenho que ser humilde e tenho que perceber que às vezes sou um L e às vezes até dependendo do formato da peça em si, até pode ser um XS ou um S não posso, não posso, não sejas tonta o que eu posso é ser um L

Se também tens de ficar justos Mas eu não gosto de ter justos Mas o L, depois o que é que dá? Muito bem, já não fica ao badalão Porque se me serve O que é que não dá? Não dá é para ir até ao pulso A camisola Porque é L, está pensado para pessoas L Então vai-te um bocadinho aqui antes do relógio Sim, foi pensado no L Do Bangladesh É, isto não são medidas de cá Eles não são medidas europeias, não me fodam Não Tchau

E eles medem por eles próprios. Pois é, pois é. Eles medem as coisas por eles. Mas eu compro muito, tu compras muitas coisas online, tu dás por ti às vezes, estás à noite, estás em tua casinha, estás a ler um livro de história de arte muito lindo sobre Florença no século Kona. Uma biografia. Uma biografia de um escultor muito lindo de Florença que estava lá no século da Kona dele e de repente diz assim Ai, eu vou só aqui a esta aplicação.

Tenho, claro. Eu às vezes faço isso. Mas também devolvo imensa coisa. O que é? Que depois chega... Não, coisas que depois chegam e não é nada daquilo. Ai, tu fazes isso. Eu te sensas, foi, migas, não era isto. Então, estão a brincar comigo ou o quê? Estão a brincar com o meu dinheiro? Eu faço muito... E por acaso isso acontece-me muitas vezes. Acontece-me essa cena do impulso de comprar uma coisa naquele momento.

Que me veio à cabeça, ou que vi, ou que... Qual é que foi a última coisa que tu compraste e disseste Epá, era mesmo isto? Foi, a última coisa que eu comprei que disse era mesmo, foi umas coisas para a cozinha, um kit de cenas da cozinha que eu já andava para comprar algo

Tu tens tanto tempo Mas olha, o que é que te chamam as coisas de cozinha? Pode ser tanta coisa, não é? Não, aquelas coisas de cozinhar Uma colher, que é um kit Uma colher de sopa Uma pinça Uma colher de mexer Um garfo, uma espátula É um... pronto, é assim um pacotezinho, não é?

É, e eu andava há muito tempo para comprar uma coisa dessas, em Madaras, com cabo em Madaras, e depois com a ponte em silicone, que se usa imenso, tu vês imensas pessoas a cozinhar, eu vês imensas pessoas a cozinhar. Claro. Mas, por exemplo, o Salazar em silicone, acho xoxo.

Agora deixa-te ouvir. Estou a dizer, o salazar em silicone acha xuxo. Ah, sim, sim. Para raspar ali os ovos mexidos, não sei, acho que precisa do vigor de uma colher de pau. Não, isso, mas eu também tenho a colher de pau ao mesmo tempo. Eu, por acaso, o salazar eu não cozinho muito com o salazar porque eu também acho isso. O salazar é mais para raspar quando estás a fazer um bolo. É, exato, para tirar as claras. Também dá para lamber ao mesmo tempo.

Pois dá, pois dá. Não dá? Dá a ser. É glosinho, não é? Lamber-se o salazar a meio da noite.

Dá sensualismo ao Dá, dá um simbolismo ao Estado Novo Pois dá, e ao bolo também E olha E essas coisas tu compras onde? Tu vais à China e essas coisas, não é? Eu estou-te a ver É na Amazónia? É na Amazónia Vai quase tudo à base da Amazónia Comprei há tempos, há algum tempo atrás Comprei uma Lá está, comprei uma camisola Comprei uma camisola

porque achei, ah que linda que é esta camisola não sei o que eu vou comprar sentiste confiante? chegou e tive que devolver porque apesar daquilo dizer que eu visto um XL apesar de ser uma pessoa extremamente elegante

E cheguei e não estás a perceber, fica tudo em badoxa. Pois. Ficou com o ladinho. Feste mamas. Sim, fico com mamas. Pois é, homens com mamas. E não constava na foto original. Não constava, pois não, porque a pessoa da foto original não tinha mamas, Rui. E eu pensei, ah, isto veio com mamas. Devolvi. É difícil, uma pessoa trabalhar com o corpo que tem não é fácil, pois não.

E a pessoa tem que se conhecer muito bem Pois é É daí que vem o autoconhecimento Por dentro e por fora Mas há pessoas que não se conhecem bem por fora Não E depois querem ir logo para dentro Há pessoas que se desconhecem completamente E por isso é que depois as coisas correm mal Pois é, fica-lhes mal E a última coisa que eu vi e pensei assim Quero mesmo comprar isto Foi uma tenda para pôr no tejadilho do carro

Ah, eu sei. Eu sei como é que são essas tendas, sei. Mas o meu carro permite a utilização de uma tenda? Oh, Rui, o meu carro permite tudo. O meu carro permite absolutamente tudo. E eu tenho este sonho. É assim uma coisa meio utópica que é Ah pá, pegue no carro e vou. Sim.

Ah, eu faço isso imensas vezes. O que é? De ir sem destino? Sim. Ah, eu adoro. As minhas melhores viagens de sempre, eu viajo muito também, de sempre que tenho um bocadinho, porque eu sou uma pessoa extremamente... É, é uma pessoa muito ocupada e de vez em quando há um buraquinho, pois há. Sim, pois há, e eu tento logo preencher esse buraquinho. Mas as melhores viagens que eu fiz foram de carro, as melhores viagens de sempre, de carro e sem saber para onde é que ia. Ah. Assim, tipo, ai vou.

Mas arrancas e vais sozinho? Vais sozinho nessas... Sim. Ah, mas isso é preciso... Parabéns. Sem marcar nada, sem saber sequer onde é que vai. Eu já fiz isto imensas vezes. Qual é que foi a sua melhor? Tu te lembras? Tu arrancaste e foste e foi o quê? Dá-me o contexto. Estavas em casa... Estava em casa. Lembro-me de um verão. De um verão estar lá em Viseu. Sim. E de repente já estava lá uns três dias ou quatro... E já está bom. E já está bom. Sim. Não, e estava... Ai, tu está muito...

calor, não sei o que, ai que aborrecido, vou vazar. E pensei, vou a Salamanca. Pronto. Apanhei a sal da estrada. Cheguei a Salamanca, ai que calor, vou ali até um bocadinho mais de Espanha. Ok. E pensei, vou a Bilbao. E comecei nesse caminho, não é? Sim. Entretanto, vou parando.

Depois vejo uma coisa e penso, vou ver o que é aquilo. Depois vou ver o que é aquilo. E fui. A caminho de Bilbao, troquei-me lá numa determinada altura e de repente dei por mim, já estava em direção a Madrid. Foi assim uma loucura. E pensei, olha, vou. Já tinha... F***.

E já fui tripulando a Madrid. Ok. E depois fiquei ali para Madrid, que eu adoro, e depois pensei, vou a Toledo, fui a Toledo. Cheguei a Toledo e pensei, ai, olha, há lá um quadro muito famoso do, agora não lembro do pintor. Do Coisinho. Do Coisinho, que tem uma pintura genial que se chama O Enterro do Ponto de Orgás.

E eu pensei, vou embargar, ver onde é que é a terra deste homem. E fui, e vou andando assim. Olha que giro. E isso foi coisa para quanto tempo? Quase duas semanas. Ah, pá, que maravilha. Estás a ver, eu gosto disso. Mas eu era isso, mas assim a ficar dentro do carro. Em cima. Já viste o que é que é? Podes parar em cima de um vale, podes parar à frente de um lago, e depois sacas de um camping-gato, e isso já cagaste. Eu adoro essa vida. Não.

Por acaso, não. Eu sou hiper... Eu sou a pessoa que mais... Que eu conheço melhor. Que mais gosta de acampar. Eu adoro acampar. Ah, mas eu... Calma. Eu também não vou... Eu é... Adoro. Adoro. Por exemplo, vou fazer daqui a... Bem, três semanas. Vou fazer Norte de Espanha.

da autocaravana adorava, eu adorava ter uma autocaravana isso sim, isso sim é o teu sonho, pronto, eu percebo mas eu percebo, eu essa vida da autocaravana gosto, de acampar já no chão, já um bocadinho menos, mas adoro a vida de chegar a um sítio e decidir de repente onde é que quer cozinhar e de repente é em cima, foi a viagem mais incrível que eu fiz, porque Portugal foi assim da autocaravana parei em sítios tão bonito yes

E gosto de cozinhar em selvagens. Sim, eu adoro. Gosto dessa ideia de ter que resolver, de ter que desenrascar. Sim, mas com a autocaravane isso é mais possível. Acampar não é tão possível porque...

Não é fixo hoje em dia acampar assim fora dos parques. E depois calor, e depois formigas. Não, isso não. Isso eu estou super à vontade com as formigas, até ficamos amigas e falamos. Não, mas imagina, se a tenda estiver no topo do carro, já é outra coisa. Tu podes ter isto no teu. A formiga não se aventura. Aventura-se menos do que no chão. Com certeza a formiga vai menos ao enlatado se estiver num dejadilho.

Sim A formiga é surdista Ai filha, não vou subir isto Não vou subir agora isto Por causa de uma bolacha Eu vou subir ao filho, eu tenho juízo Vou subir isto tudo por causa de uma bolacha Deixa-te catar Ele manda migalhas cá para baixo Sim

Quando estás no chão, tu meio que estás no território delas. Sim, mas eu adoro. Adoro essa sensação de conforto e desconforto ao mesmo tempo. Eu também gosto. Eu gosto sobre... Aquele... Isso é o quê? É o fecho. Ah, é o fecho da tenda, claro. Olha, a última vez que eu acampei foi...

a 3 mil pés de altitude 3 mil metros, aliás na Argentina numa caminhada que eu fiz muito linda, muito grande de muitas horas e tinha que se ficar num campo de base a 3 mil metros de altitude e eu estava mal, estava com uma gastroenterite não havia...

nada, não havia rede não havia oxigênio mas mais rarefeito havia muito frio, zero graus a meio da noite, foi duro por acaso essa noite foi dura, mas a segunda noite já foi melhor porque eu já estava mais melhor bem mais melhor bem mas eu por acaso sinto que essas tendas no tejadilho são para ti porque aquilo que eu gosto, estava a dizer, desculpa não concluí há bocado eu mais do que a coisa de acampar gosto da coisa de mobilidade sim, o carro nos permite o carro permite-nos ter pelo menos essa ideia yes!

É, e eu gosto dessa coisa e tu fazeste sozinho é engraçado, porque eu gostava também de experimentar uma vez essa coisa de de repente apetece-me ficar aqui três dias e vou ficar, não tenho que convencer ninguém, e agora apetece-me sair a meio da noite, e vou, e vou viajar de madrugada. Mas a liberdade é essa.

Pois. A cena de tu viajar, de tu fazes isso sozinho, é isso, é que não tens que perguntar a ninguém do género, ai, mas espera lá, mas apetece estar aqui, porque depois as pessoas são muito chatas e dizem, ai, isto cai que desconfortável, ai que não sei o quê, ai não vamos ficar aqui. A mulher. E tu ias a restaurantes ou comias assim, tipo, havia dias que comias no carro?

Nessa viagem foi sempre um mix Foi sempre um mix entre Se vejo um sítio fixe Vais Claro, e vou, e fico, e não sei o quê Se não vejo, também sou um menino de ir ao supermercado Comprar umas coisas e seguir Pois Não tenho problema nenhum É mesmo

É mesmo uma cena livre de qualquer tipo de attachment, sem nada. Pois. Isso é muito fixe. És um pássaro que não pode estar numa gaiola, pois és Rui. Eu sou um pássaro que não pode estar numa gaiola, eu sou um coração livre. És um coração saltitão. Saltitão.

Olha Rui, sabes onde é que eu vou ter que ir? Eu já convidei-te para isto Com muita antecedência Até acho estranho que tu te estejas atrasado Porque eu convidei-te para este podcast Já há quanto tempo é que eu te tinha convidado? Há 15 minutos, não foi? Já estávaste tu a caminho do Pinho Doce

Não, estava a tentar organizar na minha cabeça uma lista virtual de o que é que eu preciso trazer do Pingo Doce. Pronto, e então, e qual é a lista, só para terminarmos? É bacalhau. Apanhaste-te mesmo. É bacalhau, vou comprar já desfiado, que é para ser mais fácil. É muito mais fácil, sim. Mas por outro lado não tem o mesmo sabor do bacalhau de uma posta e desfiá-la. Sim, mas este foi um daqueles casos de urgência que foi. Eu só pensei nisto há uma hora atrás.

Porque se eu já tivesse pensado ontem, já teria comprado esse bacalhau. Mas podes comprar uma posta congelada? Ah, também é verdade. Oh Rui, não facilites. Porque vais cá desapontado, tem mais espinhas. É um cordão. Aquilo compras e tem o bacalhau seco.

É um bacalhau que não é bacalhau E tu sabes disso Eu sei, até porque tu não vês bacalhau seco Não vês no mundo Nunca vi um bacalhau seco no mundo Nem congelado, também nunca vi nenhum congelado E às postas, mas pronto Muito menos desfiado Desfiado, com aquela consistência Nunca, imagina, aquilo é uma garopa Olha aquilo ao lado, não é um bacalhau desfiado Nunca

Nunca vi isto no mar. Mas eu acho que tu devias pedir... Devias pedir, não. Devias ir buscar uma posta de bacalhau. Se calhar vou seguir isso. Vou seguir esse teu conceito. É muito fácil de cozer. É. Juntas a batata palha, não é isso que tu queres? É. É fina ou finíssima? Há duas. Vou comprar a não tão fina. A mais grossa. Mais austéron. Sim. Uma batata com mais personalidade. Também para se sentir mais o crunch e o...

E a batata. É, tens razão. A outra finíssima, que é como eles chamam, a batata perde-se lá no meio, fica uma papa. Perde, perde, perde. Fica muito empapado. Pronto, vais comprar azeitonas. E vou comprar uma salsinha fresca. Ah, e azeitonas não. Ah, e azeitonas também. Mas olha que eu não pensei nisso há bocadinho, quando estava a fazer a minha... Eu acho que devia juntar aquelas azeitonas já descartosadas, que é para não teres problemas. Sim, para não estar com... De repente, ai...

Ai que desagradável No século XXI já não se justifica Não, ainda percebo com a quantidade De oferta que existe E com a quantidade de pessoas que morrem anualmente Com azeitonas atravessadas Com caroços Esse grande flagelo Rui, vou levar o meu cão ao veterinário O veterinário é ao meio-dia e meia São meio-dia e treze

Porque o meu cão está com uma espécie de uma... Epá, está ali com uma merda qualquer nos beiços. Ai, coitadinho. É, está ali com uma coisa que parece um vírus, uma merda qualquer. Já tomou antibiótico, depois tomou, não fez nada. Depois que não. Aquilo secou um bocadinho, mas agora eu sinto que o cão tem ali qualquer coisa. E então vou ter que fazer uma biópsia. Ai! Mas pronto, mas é o que é. A vida também é isto, Rui. Eu não queria ir puxar para baixo do tomacalhau.

Beijinhos e boas compras. Beijinhos, Bruno, gostei muito. Eu também gostei muito. Obrigado por teres participado pela tua generosidade. Foste muito generoso. Deixa-me dizer que tu és inacreditável. Não, tu é que és. E acabamos assim, que é para não nos fatiarmos. Não, desliga tu. Não, desliga tu. Beijinhos, tchau, tchau. Beijinhos, até logo. Dia, dia.

E pronto, foi isto, foi isto. Muito obrigado por estarem desse lado, obrigado por me acompanharem, obrigado por me ajudarem a pensar alto e já sabem, se desta mão grande, cheia de nada, tirarem um grãozinho de areia que seja, já não é nada mau. Adeus e até para a semana.

É maravilhoso, é maravilhoso, é maravilhoso Good luck, meu baby É maravilhoso, é maravilhoso, é maravilhoso Eu sonho de um pouco de chips