Jesus, a esperança para o arruinado - Parte II
Mc 5.1-20 | Tiago Souza | 10.05.2026
Tiago Souza
- O Endemoniado GadarenoO homem possuído por legião de demônios · A intervenção de Jesus · A libertação do homem · A destruição da manada de porcos
- A fuga de Ló e a destruição das cidadesO medo e a rejeição a Jesus · A troca de Jesus por interesses financeiros · O contraste entre a multidão e o ex-endemoniado
- A esperança para os arruinadosA capacidade de Jesus de restaurar vidas destruídas · A importância da palavra de Deus sobre milagres · O novo nascimento e o testemunho pessoal
Som. Boa noite irmãos, boa noite para você que nos visita nessa noite, graça e paz a todos. Abram comigo por gentileza, em Marcos capítulo 5.
Marcos capítulo 5, nós vamos ler dos versículos 1 ao 20. Marcos capítulo 5, dos versículos 1 ao 20. Eu vou ler com os irmãos na Nova Almeida e atualizada. E ela diz assim.
Jesus e os discípulos chegaram a outra margem do mar, a terra dos Gerazenos. Ao desembarcar, logo um homem possuído de espírito imundo veio dos túmulos ao encontro de Jesus. Esse homem vivia nos túmulos e ninguém podia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Porque tendo sido muitas vezes preso com correntes e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele. E as correntes foram despedaçadas e ninguém conseguia dominá-lo.
Andava sempre, de noite e de dia, gritando por entre os túmulos e pelos montes, ferindo-se com pedras. Quando de longe viu Jesus, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz. O que você quer comigo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Por Deus peço-lhe que não me atormentes. Ele disse isso porque Jesus tinha dito a ele, Espírito imundo, saia desse homem.
Então Jesus lhe perguntou, qual é o seu nome? Ele respondeu, Legião é o meu nome, porque somos muitos. E pediu-lhe com insistência que não os mandasse para fora do país. Ora, uma grande manada de porcos estava pastando ali pelo monte. E os espíritos imundos pediram a Jesus, manda-nos para os porcos para que entremos neles. E Jesus o permitiu.
Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos e a manada que era cerca de dois mil precipitou-se, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. Os que tratavam dos porcos fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos. Então o povo saiu para ver o que tinha acontecido.
Aproximando-se de Jesus, viram o endemoniado, o que antes estava dominado pela legião, assentado, vestido, em perfeito juízo e temeram. Os que haviam presenciado, os fatos contaram-lhes o que tinha acontecido ao endemoniado e também falaram a respeito dos porcos. E começaram a pedir com insistência que Jesus se retirasse da terra deles.
Quando Jesus estava entrando no barco, aquele que antes estava possuído pelos demônios, pediu com insistência que Jesus o deixasse ficar com ele. Jesus, porém, não o permitiu, ao contrário, ordenou-lhe, vai para sua casa, para os seus parentes e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve compaixão de você. Então ele foi e começou a proclamar em Decapolis tudo o que Jesus lhe tinha feito e todos se admiravam.
O tema dessa noite é o mesmo de domingo passado. Jesus, a esperança para o arruinado. Antes, porém, vamos fazer mais uma oração. Senhor, obrigado por esse privilégio que o Senhor tem nos dado. De mais uma vez estarmos aqui na Tua casa, Senhor. De louvarmos ao Senhor, de adorarmos ao Senhor, de engrandecermos o Teu santo nome.
Já fizemos isso, Senhor. E agora lhe pedimos, mais uma vez, que o Senhor fale conosco nesta noite com poder e autoridade. Que mais uma vez o Senhor glorifique o Teu próprio Filho Jesus. E que a Tua igreja, Senhor, seja abençoada, edificada e fortalecida. É a nossa oração em nome de Jesus. Amém.
Hoje nós daremos continuidade à mensagem que iniciamos semana passada. Mas hoje, hoje veremos algo ainda mais assustador. Semana passada vimos um homem dominado por uma legião de demônios. Um homem completamente destruído, vivendo entre os túmulos, afastado de tudo e de todos.
sem dignidade, sem paz e sem esperança. Mas hoje veremos algo ainda pior. Uma cidade inteira. Uma cidade inteira rejeitando a Jesus. E isso nos obriga a encarar uma pergunta muito séria. Muito séria. O que é mais assustador?
Um homem dominado por demônios ou um coração que rejeita o próprio Filho de Deus? Porque foi exatamente isso o que aconteceu. Semana passada nós fomos levados a uma das cenas mais intensas e extremas do ministério de Jesus.
O texto de Marcos capítulo 5, dos versículos 1 ao 13, que vimos no último domingo, nos apresenta um dos episódios mais impressionantes do ministério de Cristo. O encontro com o endemoniado gadareno. Alguém cuja vida estava tão destruída, tão quebrada e tão devastada, que aos olhos humanos parecia não haver mais solução.
Hoje o nosso foco será a partir do versículo 14 e vamos até o versículo 20. O final do capítulo 4 termina com os discípulos perplexos, admirados ao ver Jesus acalmar uma tempestade. Tanto é que eles fazem uma pergunta, quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?
E aqui em Marcos capítulo 5, essa pergunta começa a ser respondida de uma forma ainda mais clara. Porque curiosamente, enquanto ainda os discípulos não compreendiam plenamente quem era Jesus, os demônios sabiam exatamente quem Ele era. Eles o reconhecem como filho do Deus Altíssimo. Mas essa passagem não revela apenas a identidade de Jesus.
Ela também revela o seu amor extraordinário. E a sua imensa misericórdia que o levou a atravessar o mar e ir para o outro lado. Aquela viagem não foi acidental. Aquela viagem foi intencional. Ele enfrentou uma tempestade violenta para chegar a uma região gentílica. Desprezada.
pouco valorizada, e ele fez isso com um propósito muito claro, encontrar um homem completamente arruinado, completamente perdido, que precisava de ajuda. Esse homem não estava procurando por Jesus, ele não estava clamando por Jesus, ele sequer tinha consciência de sua própria condição espiritual.
Mas mesmo assim, Jesus foi até ele. Jesus foi ao seu encontro. Isso nos mostra algo glorioso, irmãos. Algo glorioso. Nos mostra que quando todos já desistiram de alguém, quando todos já desistiram de uma pessoa, Cristo não desistiu. E Ele ainda pode ir ao encontro dela.
Ao desembarcar naquela região, Jesus é recebido por um homem possuído por espíritos imundos. Um homem que vivia nos túmulos, cavernas escavadas nas rochas, lugar de morte, lugar de abandono. E agora também era o lugar onde Ele fazia a sua morada. E como se não bastasse, o texto nos mostra que Ele havia perdido tudo.
Não tinha mais família, não tinha mais amigos e não tinha mais dignidade. Todos se foram, se afastaram dele, desistiram dele, tentaram prendê-lo, tentaram contê-lo, mas ninguém conseguia dominá-lo. Ele era violento, extremamente perigoso, incontrolável.
O retrato aqui é de um homem completamente arruinado, dominado por forças malignas, destruído física, emocional e espiritualmente. Uma cena devastadora. E humanamente falando, humanamente falando, não havia mais solução para ele. Essa situação nos ensinou algo muito importante.
que existem problemas que não podem ser resolvidos apenas com soluções humanas. Correntes não resolveram, cadeias não resolveram, força física não resolveu. Existem situações em que somente o poder de Deus pode resolver. Somente o poder de Deus pode transformar. Mas a partir do momento em que Jesus entra em cena, muda tudo.
E tudo muda. Porque quando aquele homem vê Jesus de longe, ele corre e se prostra diante dele. E aquilo que ninguém conseguiu fazer, a presença de Cristo fez. A simples presença de Jesus ali foi suficiente. Os demônios reconhecem quem ele é.
Reconhecem o seu poder e começam a suplicar. E quando Jesus lhes pergunta o nome, eles dizem, Legião é o meu nome, porque eram muitos, uma multidão. Mas mesmo sendo muitos, eles não resistem, eles não enfrentam, eles imploram. Imploram para ir aos porcos.
Então Jesus permite, e cerca de dois mil porcos são tomados por aqueles espíritos. Entram em desespero e se precipitam de espenhadeiro abaixo, caindo e morrendo no mar. Esse episódio nos revela três coisas de forma muito clara, muito clara. Primeiro, revela o poder destruidor das trevas.
A mesma força que arruinava a vida daquele homem, agora leva a completa destruição de toda a manada de porcos. Segundo, revela o poder libertador e transformador de Jesus. Enquanto dois mil porcos morrem, um homem é liberto. Um homem é salvo. É restaurado completamente por Jesus.
Em terceiro lugar revela que nunca devemos desistir das pessoas por quem temos orado. Todos haviam desistido daquele homem, mas Jesus não desistiu. Pelo contrário, Ele atravessou um mar inteiro para alcançá-lo, um mar inteiro. E talvez irmãos, se formos honestos com nós mesmos, também conhecemos histórias parecidas.
Histórias semelhantes a essa. Semana passada após o culto, um irmão me procurou. Dizendo que conhecia uma pessoa com uma história parecidíssima. Parecidíssima. Pessoas que talvez não estejam endemoniadas. Mas que chegaram a um nível tão profundo de dor. E tão profundo de vício e de confusão. Que humanamente falando parece não haver mais solução.
Mas o texto nos mostra que não existe uma vida tão destruída, que Cristo não possa restaurar. E não existe um coração tão endurecido, que Ele não possa quebrantar. Definitivamente, Jesus é a esperança para uma vida arruinada. Mas essa história não termina no milagre. Ela continua.
Porque depois que aquele homem é liberto, depois que aquela vida é restaurada, depois que o poder de Deus é manifestado de forma visível, vem a parte mais reveladora de toda a narrativa. A reação das pessoas. O milagre nos revela quem Jesus é. A forma como as pessoas reagem ao milagre, revela quem elas são. E é exatamente isso que veremos agora.
Aqui começa a mensagem dessa noite. Depois daquela manada inteira se precipitar desse penhadeiro abaixo e desaparecer nas águas, eu creio que por um momento o silêncio, o espanto e a admiração tomaram conta daquele lugar.
De um lado dois mil porcos mortos, do outro um homem completamente livre, completamente restaurado, em perfeito juízo diante de Jesus. Mas irmãos, o texto nos mostra que aquela cena não estava vazia. Porque enquanto aquele homem estava sendo transformado, havia outras pessoas por ali. Outras pessoas observando tudo.
Homens responsáveis por cuidar daquela manada de porcos. Eles viram, eles presenciaram tudo, tudo o que aconteceu. E quando eles perceberam o tamanho do acontecimento, o tamanho daquilo que acabará de acontecer diante de seus olhos, a reação deles foi imediata. Me acompanhem no versículo 14. O versículo 14 nos diz o seguinte.
Os que tratavam dos porcos fugiram e foram anunciá-lo na cidade e pelos campos. Então o povo saiu para ver o que tinha acontecido. Não foram apenas discípulos que presenciaram aquele acontecimento. O texto relata que no episódio havia mais testemunhas. Os homens que cuidavam da manada também estavam ali. Eles viram tudo o que aconteceu.
Eles viram o encontro de Jesus com o endemoniado, viram os demônios entrarem nos porcos e viram toda a manada se precipitar de espenhadeiro abaixo. Quando perceberam o tamanho do ocorrido, ficaram completamente assustados. Na mente deles não havia dúvidas sobre quem era o responsável por tudo aquilo. Aquilo tudo tinha acontecido por causa de Jesus, Jesus era o responsável.
Então eles fizeram a única coisa que eles pareciam possível naquele momento. Fugiram. Eles perderam os porcos, mas ganharam a chance de conhecer o Salvador. E mesmo assim, fugiram. Mas não fugiram apenas de medo.
Eles correram para anunciar o que tinha acontecido. O texto diz que eles foram às cidades e pelos campos, à zona urbana e rural. Ou seja, eles foram por toda aquela região. E por isso a notícia se espalhou rapidamente. Deve ter sido algo assim extraordinário. Tão fora do comum que ninguém conseguiu guardar aquilo para si. Eles tinham que espalhar a notícia. Provavelmente nesse momento da história.
Já era amanhã do dia seguinte. E em pouco tempo toda a região estava comentando a mesma coisa. Vocês estão sabendo o que aconteceu? Sabe aquele homem que vivia possesso? Aquele louco que vivia gritando e dormindo nos túmulos? Sabe ele? Foi liberto. E tem mais.
Os demônios que viviam dentro dele, saíram dele e entraram nos porcos, e os porcos morreram todos afogados. Eles devem ter ficado atônitos. Atônitos depois desse relato. Tanto que o versículo diz que o povo saiu para ver o que tinha acontecido. A curiosidade tomou conta da região. E o Evangelho de Mateus nos diz algo ainda mais impressionante.
Ele nos diz que a cidade inteira, saiu ao encontro de Jesus. Imaginem a cena. Uma multidão, uma cidade inteira, caminhando em direção àquele lugar, para ver com seus próprios olhos o que via acontecido. E quando eles se aproximam, eles veem algo surpreendente. E o versículo 15 nos mostra o que eles encontram.
Versículo 15. Aproximando-se de Jesus, viram o endemoniado, o que antes estava dominado pela legião, assentado, vestido em perfeito juízo e temeram. Como é que esse homem estava antes? Nós já vimos o quadro. Possesso por uma legião de demônios, vivendo nos túmulos, gritando e se machucando.
Mas e agora? O versículo nos diz que ele estava sentado, vestido e em perfeito juízo. E qual o resultado disso tudo? O resultado foi que o povo daquela região decidiu fazer uma festa. Vamos, vamos celebrar. Vamos celebrar, eles disseram. Vamos celebrar a libertação desse homem. Vamos convidar Jesus para entrar na cidade e ficar conosco. Foi isso que aconteceu? Não.
Não foi isso que aconteceu. Como Marcos descreve a reação deles? Eles ficaram com medo. O texto diz que eles temeram, que eles ficaram com medo. Estranho, não acha? Um pouco estranho esse relato. Antes, o povo tinha medo. Não chegava nem perto daquele lugar porque ele era tão perigoso que assustava todos.
Agora, porém, ele está vestido, não estava nu como estava anteriormente, ele está sentado, não estava vagando, sem rumo por entre os túmulos, ele é inofensivo, ele não é mais perigoso, ele está quieto, não está gritando como um louco, ele está entre os vivos, não está mais entre os mortos.
E ele está em paz, não está mais atormentado. E agora, agora eles têm medo. Eles têm medo de Jesus. Agora eles estão com medo de Jesus. Aliás, eles estão aterrorizados.
O poder e a majestade de Jesus produziu tudo isso. Assim como o poder e a majestade de Deus produziu temor no povo de Israel, nos pés do Monte Sinai. O poder e a majestade de Jesus produziu temor na mente deles. Eles estão aterrorizados. E eles deviam estar mesmo. Eles deviam temer.
E esse temor deveria crescer em seus corações e produzir neles reverência, reconhecimento e entrega. Eles deveriam fazer exatamente como os demônios fizeram. Só que com a motivação correta.
Eles deveriam correr aos pés de Jesus, se prostrar e o adorar. Esse acontecimento deveria produzir neles devoção e entrega. Mas infelizmente, não foi esse tipo de temor que foi produzido. E ao invés disso, eles o rejeitaram. O rejeitaram completamente. Sabe irmãos, às vezes nós pensamos assim. Ah!
Se as pessoas pudessem presenciar mais milagres, quem dera que elas pudessem ver algo sobrenatural, se pudessem testemunhar algo assim extraordinário vindo dos céus, elas certamente se converteriam. Será mesmo? Às vezes eu me pergunto, será mesmo?
Olha o que acabou de acontecer aqui. Eles acabaram de presenciar um milagre público e notável. Eles conheciam aquele homem. Eles sabiam quem ele era. Já tinham ouvido seus gritos pelas madrugadas. E sabiam que ninguém conseguia dominá-lo. E agora o homem estava sentado, vestido e em perfeito juízo, bem na frente deles. E como eles reagiram?
Eles pediram para Jesus ir embora, eles rejeitaram o próprio Filho de Deus. Isso nos faz lembrar de uma outra história. Lembram do povo de Israel no deserto? Eles viram coisas que nenhum outro povo da história viu.
Eles viram as pragas caírem sobre o Egito. Eles viram o mar vermelho se abrir diante deles. Eles viram o mar se fechar diante do exército de faraó. Eles viram água brotar da rocha e o maná que caía do céu todos os dias, todos os dias por 40 anos. Milagres, milagres e mais milagres. E mesmo assim o coração deles estava endurecido. Estava endurecido. Então qual é o problema?
O problema nunca foi a falta de milagres, o problema sempre foi o coração humano. É por isso que Jesus disse em Lucas 16, eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos. E quando aquele homem insistiu com ele dizendo, mas Senhor, se alguém dentre os mortos for ter com eles...
Jesus responde com uma das frases mais incríveis da Bíblia. Se não ouvem a Moisés e os profetas, também não se deixarão convencer, ainda que se ressuscite alguém dentre os mortos. Lucas capítulo 16, versículo 31. Meus irmãos, as pessoas não precisam de mais milagres, elas precisam ouvir a palavra de Deus.
A palavra de Deus, porque é a palavra de Deus que confronta o pecador, é a palavra de Deus que quebranta o nosso coração, é a palavra de Deus que produz o arrependimento e fé. E quando a palavra de Deus é ouvida, quando ela é recebida e crida, Deus faz a mesma coisa que Ele fez com aquele homem, Ele pega uma vida destruída e a transforma, e uma vida restaurada, pronta para servi-lo.
O maior problema do homem não é, e nunca foi a falta de milagres diante dos seus olhos. E sim a falta da palavra de Deus dentro do seu coração. Versículos 16 e 17. Os que haviam presenciado os fatos, contaram-lhes o que tinha acontecido ao endemoniado, e também falaram a respeito dos porcos.
E começaram a pedir com insistência que Jesus se retirasse da terra deles. Interessante, né? Eu achei muito interessante. Eles poderiam muito bem dizer, Senhor, queremos conhecer o seu poder. E queremos conhecer da mesma forma que esse homem experimentou. Queremos saber como funciona esse poder libertador e transformador, que transforma a vida de um homem.
Um milagre dessa magnitude, tão grandioso e tão maravilhoso, também queremos conhecer. E mais, queremos que o Senhor fique conosco por mais tempo. Porque temos mais enfermos e doentes na cidade. Para que eles também sejam curados, para que eles também sejam abençoados por Ti. Mas não.
Não há uma palavra de agradecimento. Não há uma expressão de alegria. Não há sequer um questionamento sobre quem Ele é. Sobre quem é Jesus. A reação deles foi completamente diferente do esperado. Jesus deveria ir embora dali o mais rápido possível. Porque esse povo estava ressentido com Ele. Ressentido porque para eles Jesus havia destruído as suas propriedades.
E por isso o texto diz que começaram a pedir com insistência que Jesus se retirasse da terra deles. Lucas vai dizer que todo o povo rogou-lhe para que se retirasse da terra deles. Chocante, extremamente chocante. Eu não sei se você percebeu aqui, mas me chama a atenção os pedidos que são feitos aqui no texto. Eu não sei se chamou a sua atenção, mas chamou a minha.
Se você olhar bem, você vai perceber que são três os pedidos que foram feitos aqui, três pedidos. Há o pedido dos demônios rogando que não fossem expulsos do país e que ao invés disso entrassem nos porcos. Há o pedido do povo e daqueles que haviam presenciado os fatos e veremos também que há o pedido do ex-endemoniado. Querendo seguir a Jesus, três pedidos.
Aqueles que haviam presenciado os fatos, diz o texto da NAA, que começaram a pedir com insistência. Não existe aqui um simples pedido. Não existe aqui um pedido educado. Por favor, Senhor, gostaríamos que o Senhor se retirasse da nossa região. Não.
A revista atualizada vai dizer que começaram a rogar-lhe. A NVI e a NVT vão dizer que começaram a suplicar a ele. E a ISV vai dizer que eles começaram a implorar. Para que Jesus os deixasse. E por que fizeram isso? O versículo 16 explica. Porque os que haviam presenciado os fatos contaram o que acontecerá ao endemoniado e acerca dos porcos.
Olha o conectivo aqui, E, acerca dos porcos. Quando Cristo libertou esse homem, houve um prejuízo enorme. Um prejuízo enorme para aqueles criadores de porcos. E consequentemente, para todo o povo daquela região. Sabemos que essa era uma região gentílica, porque os judeus certamente não estariam criando porcos nessa localidade.
E o que vocês acham que seria mais importante para esse povo? A cura e a libertação de um homem, que só dava problemas e prejuízos para eles, ou uma manada de aproximadamente dois mil porcos que não dava problema nenhum? Pelo contrário, dava somente lucro para eles. O que vocês acham que seria mais importante para esse povo? Mas irmãos...
Nós precisamos ter muito cuidado ao falar dessas pessoas. Muito cuidado mesmo. Porque é fácil olhar para esse povo e dizer, como puderam fazer isso? Como puderam pedir para Jesus ir embora? Como puderam rejeitar assim, tão descaradamente o Filho de Deus? Depois de um milagre dessa magnitude, como puderam fazer isso?
Mas antes de julgarmos esses homens, precisamos olhar com sinceridade para o tempo em que estamos vivendo. Parece que não há nada novo debaixo do sol. Nada novo. Porque a atitude deles se repete todos os dias. Todos os dias.
Hoje em dia, pela graça de Deus, Cristo é anunciado com frequência. E com frequência Ele é pregado nas igrejas, anunciado nas televisões, proclamado nas rádios, divulgado na internet, o nome de Jesus é praticamente conhecido no mundo inteiro. E ainda assim, milhões de pessoas vivem como se Ele não tivesse importância nenhuma.
Naquela cidade Jesus foi rejeitado e de certa forma trocado pelo prejuízo financeiro casal das porcos. A presença de Jesus ali estava mexendo com a economia deles, estava mexendo com os interesses deles. Foi assim em Éfeso, estão lembrados?
Em Atos capítulo 19, a partir do versículo 23, um ourives chamado Demétrio, convocou uma reunião com outros artesãos, porque os seus lucros estavam sendo ameaçados. Qual era o motivo? O motivo era a pregação de Paulo, que ensinava que deuses feitos por mãos humanas, não são verdadeiros. O que eles fizeram? Trocaram Jesus pelo lucro deles.
Foi assim também em Filipos, em Atos capítulo 16, no versículo 16, quando Paulo curou uma jovem adivinhadora, que dava muito lucro aos seus donos, e o lucro deles cessou. O caso aqui é parecido, a presença de Jesus ali estava mexendo com a economia da cidade, e o povo, o povo fez a sua escolha. Eles não rejeitaram Jesus, porque eles não entenderam.
Rejeitaram porque Jesus custava caro demais para eles. No fundo, bem no fundo, o amor ao dinheiro sempre competiu com Cristo. Sempre competiu. Não podeis servir a Deus e as riquezas. Vai dizer Jesus em Mateus capítulo 6, versículo 24.
Eles preferiram manter a situação em que eles estavam, ao invés de receber o Salvador. Mas será que isso também não acontece hoje em dia? Será que hoje em dia Jesus também não é trocado por outras coisas? Será que outras coisas também não competem com Cristo? Quantas vezes o Evangelho é apresentado a alguém e a resposta é algo parecido com isso?
Eu sei, eu sei que eu preciso de Deus, eu sei que eu preciso mudar, mas agora não. Agora eu tenho outros planos, tenho os meus projetos, os meus estudos, os meus negócios. E se eu me entregar a Cristo agora, eu vou ter que mudar de vida. Eu vou ter que me comprometer com Ele, eu vou ter que me comprometer com a igreja dEle.
Eu vou ter que rever as minhas prioridades. Então talvez, mais para frente. Agora não. E às vezes a rejeição é ainda mais direta. Irmãos, eu já ouvi pessoas dizerem. Eu já ouvi pessoas dizerem. Jesus não paga as minhas contas. Por favor, irmão Tiago, não confunda as coisas.
A minha fé é uma coisa, o meu negócio é outra. O que eu faço da minha vida profissional é problema meu. Por favor, Jesus, não se envolva com isso. Percebem? No fundo, a mensagem é a mesma que o povo deu a Jesus. Por favor, Jesus, vá embora.
Agora eu faço uma pergunta para vocês. Quando lemos essa história, qual parte parece mais assustadora? O homem possuído por uma legião de demônios ou uma cidade inteira olhando para o próprio Filho de Deus e implorando que ele vá embora?
Talvez o mais assustador dessa história não seja o poder dos demônios, como vimos semana passada. Talvez o mais assustador dessa história seja a dureza do coração humano. O homem possesso estava dominado por uma legião de demônios. Mas aquela cidade estava dominada por algo ainda mais perigoso e assustador. Um coração que prefere qualquer coisa.
Menos Jesus. Menos Jesus. Até aqui nós vimos o pedido dos demônios. Nós vimos o pedido dessas pessoas. Mas há agora um terceiro pedido que eu quero chamar a atenção dos irmãos. E ele está no versículo 18. Me acompanhem no versículo 18.
Quando Jesus estava entrando no barco, aquele que antes estava possuído pelos demônios, pediu com insistência que Jesus os deixasse ficar com ele. Vai embora daqui, disseram as pessoas daquela região. Deixe-me segui-lo, pede com insistência o ex-endemoniado. Duas reações completamente opostas surgem aqui.
A população daquela região, assustada com o poder que testemunhou, começa a pedir que Jesus se retire de suas terras. Já o homem que havia sido liberto, agora em perfeito juízo, suplica para permanecer com Cristo e segui-lo. Esses dois pedidos revelam algo profundo sobre o coração humano, profundo. De um lado estão aqueles que querem distância de Cristo.
Por quê? Porque Jesus os incomoda. Sua presença ameaça mudar o estilo de vida deles. Eles preferem que Jesus vá embora.
Do outro lado está um homem transformado, antes dominado pelos demônios, vivendo em tormento e isolamento, mas que agora experimentou libertação, paz e restauração. E a sua reação natural é estar com Cristo. Ele deseja estar perto daquele que o salvou, porque agora ele conhece quem o libertou e sabe que somente ele pode sustentá-lo.
A cena apresenta um contraste claro, uma multidão que rejeita Jesus e um homem que deseja segui-lo. O Evangelho nos mostra, o Evangelho nos mostra que no fundo, toda a humanidade se encontra em uma dessas duas posições. Ou rejeitam a Cristo, ou querem segui-lo.
Isso nos força, isso nos força a encarar uma pergunta muito séria. Qual é a sua posição diante de Cristo nessa noite? Qual é a nossa posição diante de Cristo nessa noite? Somos daqueles que pedem que Ele se afaste, talvez não com palavras, mas com atitudes.
Ou somos daqueles que querem estar com Ele, perto dEle, segui-Lo? Interessante o que acontece quando alguém é realmente salvo por Jesus. Quando alguém é realmente salvo por Jesus. Como é o caso desse ex-endemoniado. Esse é sem dúvida um dos sinais mais fortes que alguém pode produzir. Quando realmente foi salvo por Jesus.
Essa pessoa deseja estar com Ele, deseja ficar com Ele, permanecer com Ele. Esse homem não lhe pediu riquezas, esse homem não lhe pediu sua família de volta, nem os seus amigos por perto. Ele pediu para estar com Jesus. Eu quero estar com o Senhor Jesus. Eu quero ir para onde o Senhor vai, fazer o que o Senhor faz, seguir os seus passos. Eu quero o Senhor Jesus, leva-me contigo.
Leva-me contigo. Deixe-me ser um dos seus seguidores. Deixe-me entrar no barco com vocês. Estamos vendo aqui o novo nascimento desse homem. O novo nascimento de alguém é lindo. Certamente vocês já viram. Alguém recém convertido.
Essa pessoa não quer mais nada na vida, a não ser o Senhor Jesus. Ele se torna a pessoa mais importante da vida dela. A pérola de grande valor, a dracma que foi encontrada e o tesouro descoberto no campo. São textos como esse que nos fazem refletir. São textos como esse que nos levam a pensar que tipo de cristianismo estamos vivendo hoje em dia.
A única coisa que esse homem queria, era estar com Cristo. Cristo, para ele era suficiente. O verdadeiro Evangelho produz isso no coração humano. Desejo por Cristo.
Jesus atende aos pedidos dos demônios. Jesus atende ao pedido das pessoas daquela cidade. E é claro que Ele vai atender o pedido desse homem. Não há dúvidas que Ele vai atender o pedido desse homem. Vocês acham que foi isso que aconteceu? Observem comigo no versículo 19. Jesus, porém, não o permitiu.
Ao contrário, ordenou-lhe, vá para a sua casa, para os seus parentes, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você, e como teve compaixão de você. Não é maravilhoso que, quando as pessoas pedem para Jesus ir embora, Ele vai? E quando esse homem pede para estar com Ele, Ele não permite? Não é incrível isso?
Aqui eu creio que Jesus usou em suas palavras de toda a sua ternura e compaixão, para que aquele homem compreendesse. Não amigo, você não pode vir comigo. Aqui nós temos um grande exemplo dos grandes mistérios da vontade de Deus. Ele sabe de coisas que nós não sabemos.
Por isso Ele nos guia de uma forma que muitas vezes nós não entendemos. Como Israel no deserto, por exemplo. E que parece até estranho no momento em que estamos vivendo. Mas nós precisamos confiar. Confiar que esse Deus Todo-Poderoso sabe o que está fazendo. E certamente será para o nosso benefício e o de muitos outros.
Esse homem só queria o que muitos não querem hoje em dia. Estar com Cristo. E ele lhe disse, não. Você não pode vir comigo. Mas eu tenho um trabalho para você. Vai para sua casa. Para os seus parentes.
E conte-lhes tudo que o Senhor fez por você. E como teve compaixão de você. E ao fazer isso, a ordenar que esse homem voltasse para sua própria casa, Jesus está mostrando uma grande bondade e misericórdia. Não somente em relação ao ex-endemoniado, mas também em relação à família dele. E toda a comunidade que o havia rejeitado.
As pessoas dessa comunidade pediram sim, para que ele fosse embora. Mas ele, em seu grande amor e em sua grande misericórdia, deixa para eles um missionário. De fato, um missionário melhor do que eles poderiam imaginar. Alguém que poderia falar com autoridade, a partir de sua própria experiência que teve com Jesus.
Vai para a sua casa, disse Jesus. Para os seus parentes, eles estão preocupados. Eles estão morrendo de saudades. E conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você. E no versículo 20 nós vimos que Ele obedece. Que Ele faz exatamente o que Jesus havia mandado Ele fazer. E Ele foi além.
não se limitou apenas aos de sua própria casa. Observe comigo o versículo 20. Então ele foi e começou a proclamar em decápolis, tudo que Jesus lhe tinha feito e todos se admiravam. Esse homem estava tão cheio de alegria e gratidão,
Ele estava tão feliz com Jesus, que ele incluiu a região inteira e sua esfera de administração. Atividade missionária, perdão. Alguns vão dizer que ele foi o primeiro missionário enviado aos gentios. Primeiro. Que testemunho admirável deve ter sido desse homem. Vai, vai para sua casa.
Vai e conte a eles, conte aos seus parentes, conte aos seus amigos, conte em decápolis, tudo que o Senhor fez por ti. E Ele foi. Imagine a reação de sua família, quando Ele bateu naquela porta. Imagine aquela porta se abrindo e Ele encarando a sua mãe, que já tinha chorado tanto, que não tinha mais lágrimas.
Imagine que presentão dos dias das mães. Aquele pai que já estava ficando perturbado e não sabia mais o que fazer. Quando aquela porta se abriu e eles o viram vestido e em perfeito juízo. Quando ele abriu os braços e lhe disse um homem. Um homem chamado Jesus me salvou. Imagine a reação deles.
Imagina a reação de seus amigos quando receberam essa informação. Os seus vizinhos. Imagine a conversa entre aquelas pessoas que preferiram os porcos. Eles conversando entre si, tentando conciliar as ideias e pondo numa balança. O que realmente era mais importante. Uma vida liberta e restaurada. Ou uma manada de porcos.
E esse homem se foi. O gadareno se foi. E nunca mais ouvimos falar dele nas escrituras. Nunca mais. Mas o seu testemunho. O seu testemunho permaneceu e deve ter sido maravilhoso.
Porque da próxima vez que ouvimos mencionar a região de Decápolis, em Marcos capítulo 7, dos versículos 31 ao 32, especificamente no versículo 32, o texto vai dizer, então lhe trouxeram. Lhe trouxeram um homem surdo e gago, para que Jesus impusesse as mãos. E agora eu pergunto, onde que eles ouviram falar de Jesus? Esse povo ouviu o testemunho desse homem.
Sem dúvida ouviu o testemunho desse homem e puderam encontrar esperança em Jesus. Irmãos, há algo extremamente significativo no final dessa história. Aquele homem queria estar com Jesus, mas Jesus queria que ele falasse de Jesus.
Jesus estava dizendo, volte, volte para aquelas pessoas que viram a sua miséria, e conte agora a elas sobre a minha misericórdia. Conte o seu testemunho. Irmãos, há algo poderoso aqui. Porque um homem transformado, é uma evidência viva do poder de Deus.
As pessoas podem discutir teologia, elas podem questionar doutrinas, podem tentar vencer e negar argumentos, mas é muito difícil negar uma vida transformada, é muito difícil. Aquele homem era um testemunho vivo do que Deus pode fazer, de como Ele pode transformar uma pessoa arruinada em um verdadeiro servo dEle. E a Bíblia diz que Ele foi por toda a região.
Anunciando o que Jesus havia feito. E todos se admiravam. Todos se admiravam. Talvez você pense. Mas eu não sei pregar. Eu não sei explicar muitas coisas. Eu não tenho muito conhecimento bíblico. Aquele homem também não tinha. Ele só tinha uma história verdadeira para contar.
Uma história linda. Olhem o que Jesus fez comigo. Esse era o seu testemunho. E essa é ainda uma das ferramentas mais poderosas que Deus usa. O seu testemunho. O meu testemunho. E ouvimos recentemente sete mensagens sobre isso. Sete mensagens.
E talvez a pergunta que fique para nós nessa noite, seja muito simples, mas muito séria. Se as pessoas que nos conheciam antes de Cristo, nos encontrassem hoje, elas veriam diferença? Elas perceberiam que algo mudou? Será que elas diriam...
Esse não é o mesmo homem, essa não é a mesma mulher. Alguma coisa aconteceu na vida deles. É claro que aconteceu. Porque quando Jesus realmente passa por uma vida, Ele não deixa essa vida igual. E assim como aquele homem foi enviado para a sua casa, Deus também nos envia.
Para a nossa família, para os nossos amigos, para os nossos colegas de trabalho. Não para pregar longos sermões, mas para viver de uma forma que eles possam dizer, algo aconteceu com ele. Algo aconteceu com ela. E quando perguntarem, então nós poderemos dizer com autoridade, foi Jesus.
Foi a misericórdia de Jesus. Foi o poder de Jesus. Amém, irmãos? Que Deus nos abençoe. Vamos orar.