Episódios de Música Falada

#120 Taurinos

27 de abril de 202626min
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Maurício Pereira apresenta uma seleção especial sobre taurinos. Você vai ouvir Gal Costa, U2, Metá Metá e muito mais!

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Participantes neste episódio1
M

Maurício Pereira

HostMúsico
Assuntos1
  • Música de taurinosBono Vox e U2 · André Abujamra e Karnak · Ana Vitória · Iggy Pop e Goran Bregovic · Ludmilla · Tony Bennett e Stevie Wonder · Pixinguinha · São Jorge · Dorival Caymmi · Gal Costa
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Boas, aqui Maurício Pereira abrindo mais um Música Falada, como toda segunda, 8 da noite aqui em Nel Dourado. E vocês, como é que vocês estão? De 20 de abril até 20 de maio, o sol passeia pelo signo de touro, elemento terra, regido por Vênus, cor violeta.

Pedra Ágata, tô parecendo a Marília Gabriela, né? Naqueles ping-pong dela. Enfim, essa galera de taurinos, às vezes eles são meio estourados. Mas eles são sempre divertidos. E principalmente, o que interessa pra nós aqui, é um povo que faz muita música boa e intensa. Hoje no Música Falada, então, a gente toca música feita por taurinos. Bora?

E a gente começa por um taurino do dia 10 de maio de 1960. Eu estou falando do Bono Vox, o vocalista da banda irlandesa U2. Pois os dublinenses do U2, eles cantam para nós uma música que está no segundo álbum deles, chama October, álbum de 81. Eles cantam uma canção super importante do repertório da banda, que se chama Glória.

Uma canção forte, tem citações bíblias, tem aquela coisa, parece que o Bono às vezes sobe numa montanha e faz o sermão. Mas também pode ser uma canção de amor profana, em que glória se refere a uma mulher, a uma pessoa. Dizem que a canção pode se referir a um outro irlandês famoso do pop, que é o Van Morrison, que nos anos 60 fez também uma canção chamada Glória, sobre a glória da iniciação nas coisas do desejo, digamos assim.

O próprio Bono falou disso em entrevista, que é uma canção dúbia. Ele tem formação cristã, a Irlanda é um país que tem um imaginário fortemente influenciado pelo catolicismo, né? Então vamos ouvir Glória com U2, depois eu conto um pouco do videoclipe dessa música, que ajudou a estourar o U2. Música Falada, com Maurício Pereira.

Mas eu não consigo encontrar a porta A porta está aberta Você está onde você não pode ser

O U2 cantou pra nós Glória. E eu falei do videoclipe, né? Eu convoco vocês pra assistirem esse videoclipe de Glória do U2. Eles filmaram em cima de uma barcaça no Grand Canal de Dublin. Dublin, né? Que é uma doca, um porto, do ladinho do prédio original do lendário Windmill Lane Studio. Que é um estúdio importante de Dublin. Onde muitos figurões do mundo todo, não só irlandeses, gravaram. Tipo Bowie, Stones, né?

E o U2 tá ali, naquela barcaça, eles bem mocinhos, cabelo new wave e tal, tocando-se e vê bem o jeito que eles tocam, é bonito de ver, no porto ali, que é o mesmo lugar da capa do disco em que tá essa música, o October. O clipe estourou, bombou eles na MTV, isso era importante na época, bombar na MTV pra música bombar, né? O clipe é simples, então dá pra sentir muito esse espírito dessa banda que sempre gostou de gravar clipe na rua.

E eles estão ali no meio da molecada de Dublin, terra natal deles. Para quem é xereta, eu falei da canção do Van Morrison. Fussem nas plataformas a versão de glória do Van Morrison. E tanto na voz dele como na voz da Pat Smith, que é outra artista interessante. Depois vocês me contam. Sons e prosa. Música falada.

Do primeiro disco do Karnak, de 1994, eu vou tocar para vocês uma canção do meu compadre André Bujanra, que foi meu colega de mulheres negras lá nos anos 80. O André Taurino, do dia 15 de maio. O primeiro Karnak, desse primeiro disco.

É cheio de citações, colagens de participações, citações de idiomas, enfim, é um disco cheio de mistura, informação. Aquela coisa do André, cidadão do mundo, do mundo mesmo, porque ele viaja muito e vai buscar coisas, mas também do mundo de dentro da cabeça dele, que também é um mundo grande. Então vamos ouvir, depois eu converso um pouco mais, vamos ouvir com o Karnak, Comendo Uva na Chuva.

É uma chuva que ainda não parou. Cada água que cai lá de cima é a lágrima de alguém que brigou. Será que um dia a gente...

Você ouviu do taurino André Abujamra, com ele mais o Karnak, você ouviu Comendo Uva na Chuva. Destaque para o querido Marco Matoli, que nos deixou há alguns anos novinho, que era o cantor e produtor guitarrista, fundador do Clube do Balanço.

que era um clube, uma confraria que louvava as artes e manhas do groove aqui em São Paulo, samba-lanço, samba, pois o Matoli fala letra em italiano aí nessa música do Karnak, ele que era de família de Milão. Destaque também nessa faixa que a gente ouviu para os vocais do Marcos Bowie, mais no agudo, super cantor, está ele lá no meio dessa onda barroca do André e tal.

Karnak que lançou dois discos no ano passado, um chama Relicário, que é o lançamento de um show ao vivo no Sesc em 1999, e outro disco é Karnak Mesozoico, que a viagem é assim, faz de conta que antes de existir esse disco do Karnak,

Em 1994, existia o Karnak, antes de Cristo, e gravou uma série de canções. Então, o André fantasiou isso e gravou um disco com essa fantasia, digamos assim. Então, é isso. O taurino André Bujan. Na Eldorado, música falada com Maurício Pereira.

Em 2014, em Araguaína, no Tocantins, a goiana Ana Caetano e a tocantinense Vitória Falcão se juntavam e criavam o duo Ana Vitória. O povo diz que é folk pop, pop rural, MPB, folk. Eu vi um monte de jeitos de classificar o estilo delas. O fato é que é uma onda de muita leveza e muita melodia.

E elas têm uma trajetória que decolou feito um foguete. Em 2016, quer dizer, dois anos de estrada, elas já estavam ganhando o Grammy Latino de melhor canção em português. Em 2017, elas rodaram o Brasil, tocaram em novela da Globo. Nando Reis chamou elas para abrir show dele pelo Brasil afora. Enfim, banda que rodou muito, né? E em 2018, elas lançaram o segundo disco delas.

chamado O Tempo É Agora, produzido pelo Thiago York e pelo Mug Canásio, que são dois caras bambas, muito premiados também com esses Grammys todos. E é desse disco, O Tempo É Agora, que a gente escuta uma canção delas chamada Ai Amor. Vamos lá?

Com alguém que não vai te sair

Ai Amor, com Ana Vitória, o duo. Dica, se você quiser saber mais sobre elas, assiste o filme Ana e Vitória, lançado junto com esse disco de 2018, de onde eu tirei a música, e esse filme conta, um documentário conta como elas surgiram, e ele está na Netflix. Ah, e eu ia esquecendo de dizer, a taurina, no caso, é a Vitória, taurina do dia 2 de maio. Música Falada, com Maurício Pereira.

Em 1993, o cineasta sérvio, aquele malucão, Emir Kosturika, ele fez um filme chamado Arizona Dream. Baita elenco, tinha Faye Dunaway, tinha o Johnny Depp, tinha inclusive o Jerry Lewis, o grande Jerry Lewis, filme que ganhou um urso de prata no Festival de Berlim daquele ano de 93. Fiquei com vontade de ver isso aí. Pois, a trilha desse filme é de um outro sérvio, que é o Goran Bregovic.

Um cara maravilhoso também, que mistura baladas lentas, mas também aquele som espevitado de música cigana e dos Balkans, sabe aquele tchunca-tchunca-tchunca-tchunca? Coisas características do trabalho dele. Sempre as bandas grandes, com a metaleira tocando a mil por hora e tal.

A gente vai ouvir aqui In The Death Car, que é uma música do Bregovich com letra do Iggy Pop. O Iggy Pop que fez várias outras letras para a trilha e cantou essa canção também. Vamos lá então, In The Death Car, Iggy Pop.

Essa foi In The Death Car, parceria do Goran Bregovich com Iggy Pop. Iggy Pop, taurino de 21 de abril. Música que está no filme Arizona Dreams, do Emir Kosturika. Vocês acham nos streamings para assistir. Kosturika, que fez, entre outros filmes, aquele documentário bárbaro sobre o Maradona.

Dois malucos, vocês podem imaginar. Fez em 2009, chama Maradona by Costurica. Fez barulho na época. Se vocês puderem ver, muito legal. Música falada. Diz a lenda que em 2019, a cantora e compositora carioca Ludmilla

Taurina, de 24 de abril, que ela prometeu que se ganhasse o prêmio de melhor cantora do prêmio Multishow daquele ano, que ela ia gravar um disco de pagode clássico, esse pagode comercial paulista dos anos 90, bem pop, sabe? Pois ela ganhou o prêmio, e por conta disso ela produziu uma série de três discos de pagode, a série se chamava Numanice.

A gente vai ouvir aqui uma canção dela, do Humberto Tavares e do Jefferson Jr. Esses dois aqui, super hitmakers, mais de 600 músicas gravadas, sucessos muito populares, tipo música para o Belo, para o Buchecha, para a Anitta, artistas de fora da bolha, né?

A canção que eles fizeram juntos chama Se Não Chorar Com Pagode, em que ela diz pra gente isso mesmo, que se você não se arrepiar com pagode clássico, meio que você tá morto por dentro. Vamos ouvir então a Ludmilla, Se Não Chorar Com Pagode. Se não chorar com pagode, não tem jeito não. Nosso amor já era, não tem solução. Se a voz do Vitinho não te diz mais nada, é que você não tá mais apaixonada. Se não chorar com pagode, não tem jeito não.

Nosso amor já era, não tem solução Se nem aos viores te emocionar É que você já morreu por dentro

Se não chorar com o pagode, Ludmilla, e duas coisas sobre essa canção. Uma, que ela emula, ela solfeja o fraseado e as estruturas clássicas desse pagode pop comercial dos anos 90. O jeito de tocar, o tipo de arranjo, de harmonia, o canto, os timbres. O pagode dos anos 90 comercial, ele tem um sotaque muito forte, né?

E ela emula isso, ela vai atrás. A outra coisa é que na letra ela está citando clássicos desse gênero. Na letra ela fala do Belo, do Sorriso Maroto, do Tiaguinho, da Alcione, do Péricles, enfim. Quase que é um documentário sobre pagode, não é não? Um minuto para você que é do signo de touro tomar uma água e voltar para assistir mais música falada. Até já.

Música falada, volta já. De volta com Música falada. Em 2006, o leonino Tony Bennett, maravilhoso cantor americano, nascido em Nova York, ele gravou um disco chamado Tony Bennett Duets an American Classic. A tradução seria Tony Bennett Dueta, um clássico americano.

em que ele realmente canta em duo clássicos americanos com um monte de artistas famosões, tipo o Sting, o Paul McCartney, o James Taylor, a Barbra Streisand. E numa dessas faixas, ele canta junto com o taurino Steve Wonder, taurino de 13 de maio de 1950. A gente vai ouvir essa música, que é um clássico, clássico do repertório tanto do Tony Bennett quanto do Steve Wonder.

o clássico For Once in My Life, música feita por Ron Miller e Orlando Murden, que eram compositores que escreviam para a gravadora Motown, a gravadora de música negra, né? Porque tinha isso, escrevia para a gravadora, a gravadora escolhia qual artista ia gravar.

O Tony Bennett gravou ela originalmente lá atrás, mais lenta, feito uma balada e tal. E anos depois o Steve gravou de novo, acelerado, é uma versão linda. E o Steve Wonder fez muito sucesso com a sua versão de For Once In My Life. Então vamos ouvir aqui essa versão que tem os dois, o Tony e o Steve, versão de 2006 que ganhou Grammy vocal.

de música vocal naquele ano, versão lenta, improvisada, e ó, atenção ali no solo da gaita, tem uma pegadinha. O Steve Wonder tá fazendo solo e ele cita um trechinho de um outro sucesso grande do Tony Bennett, que é I Left My Heart in San Francisco, e quando o Bennett escuta ele dá risada, muito legal isso. Bora lá, For Once in My Life, Tony Bennett, Steve Wonder. I'm not alone anymore

Por uma vez eu posso dizer Isso é meu, você não pode tomar As longas eu sei que eu sou amor Eu posso fazer Uma vez em minha vida Eu tenho alguém que precisa

Steve Wonder e Tony Bennett, For Once in My Life. E vocês sacaram a frasezinha do Steve ali com a gaita e a risadinha do Bennett? Bonito ver o jeito deles cantarem ali solto, improvisado. O ítalo-americano Tony Bennett e o afro-americano Steve Wonder na romântica For Once in My Life. Na El Dourado, música falada com Maurício Pereira.

E vocês sabem quem mais é taurino? O carioca genial, Alfredo da Rocha Viana Filho, o nosso Pixinguinha, compositor, arranjador, maestro, professor, flautista e saxofonista brasileiro. O Pixinguinha compôs música popular, principalmente Choro, né? Mas vou falar para vocês, o jeito que ele tocava, e do jeito que ele tocava, ele estava fazendo jazz, muito cheio de improviso. A gente vai ouvir uma música aqui que tem a ver com isso.

daquela série de duetos do Pixinguinha com seu parceiro Benedito Lacerda, flautista, compositor, maestro, uma série gravada na segunda metade dos anos 40. A gente vai ouvir dessa série uma parceria deles dois, que se chama O Gato e o Canário, sempre com o Benedito Lacerda na flauta e o Pixinguinha no sax tenor. Vamos embora?

E aí

Você ouviu O Gato e o Canário, Benedito Lacerda na flauta fazendo a melodia, Pixinguinha no sax tenor fazendo de improviso, por isso que eu falei tanto de jazz, né? Improviso maravilhoso, fazendo os contracantos no sax tenor. Dois craques. E agora que vocês ouviram, vocês sabem me dizer quem é o gato e quem é o canário nessa música? Sons e prosa. Música falada.

Agora, eu vou dar um refresco para a astrologia e a gente vai cantar o touro em si, o bicho, o bicho touro, e todo o simbolismo que ele traz, força, terra, fúria, essas coisas todas, né? Que são coisas que, afinal, são coisas do bicho touro, mas também são características do signo, penso eu, né? Deve ser, né?

Então eu toco para vocês uma canção que está no álbum Coração, que o leonino Johnny Hooker lançou em 2017. A canção se chama Touro. E ouvindo a canção, isso que é bonito, no canto, no arranjo, na pegada e na letra, ele se declara resistente, firme, forte, feito um touro. A música parece mesmo um touro vindo para cima da gente.

e fazendo uma declaração de princípios, abrindo alas e pedindo passagem para ser e estar lindo, leve e solto. Dito isso, ouçamos Touro com o Johnny Hooker. Olha eu aqui de novo Viver, morrer, renascer Firme e forte, feito um touro Você acha que é um Deus

Ninguém quer o seu tesouro. Leve seu mel, seu fel, seu sal. Começar de novo. Essa foi Toro, canção do pernambucano radicado em São Paulo, Johnny Hooker, que na época fez para essa música um videoclipe colaborativo. Foi feito a partir de fotos e vídeos que o público mandava durante a turnê desse disco Coração, que é onde está essa música, num projeto chamado Collab.

Natura musical. E, tempos modernos, eram vídeos na vertical, como manda o século XXI. Outro taurino da hora é o Santo Guerreiro São Jorge, que é comemorado no dia 23 de abril. Eu fui ver na internet qual que é. E, na verdade, o São Jorge não é que ele nasceu no 23 de abril, ele morreu.

no 23 de abril. E eu li que na tradição católica, o dia do santo não é o dia que ele nasce, é o dia que ele morre. Porque no dia que ele morre, é o dia em que ele nasce para o céu. Olha, eu achei isso meio maluco, mas achei bonito, não é bonito? Enfim, o astral de São Jorge é astral de Taurino mesmo, ainda mais que ele é guerreiro, né?

E na tradição das religiões afro-brasileiras, ele é algum santo guerreiro que enfrenta as demandas com a sua espada e coisa e tal. Um santo muito cantado na música brasileira. Jorge Bem cantou, Caetano cantou, Racionais cantaram, muita gente cantou São Jorge. A gente vai ouvir aqui uma loa, loa, eite, pro São Jorge, cantada pelo trio inquieto que tem aqui em São Paulo, que é o Meta-Meta.

formado pela Jussara Marçal, cantora, violonista Kiko Dinucci, e o saxofonista Tiago França, todos os compositores, produtores, artistas superativos nessa cena independente paulistana e brasileira. A música é do Kiko Dinucci, se chama São Jorge, uma música que a Jussara Marçal já tinha gravado no primeiro disco dela, chamado Padê, de 2008, um disco lindo, aliás, recomendo total vocês ouvirem o Padê, maravilhoso.

Aqui o Metá, o Metá gravou essa versão de São Jorge no seu segundo disco, um disco de 2012, chamado Metal Metal, numa pegada mais guerreira, mais elétrica, bem com aquela sonoridade aguerrida do Metá Metá. Então vamos lá, São Jorge, Metá Metá. Com sorriso derrubo uma tropa inteira, Mesmo que na dianteira a sombra venha me seguir.

O gole da cachaça esquicho no ar Chorando na labutou sua corrente se quebrar E o golpe do destino esse eu sinto mais não

Metá Metá cantou São Jorge, do Kiko Dinucci, numa canção em que o São Jorge guerreia no lombo do seu cavalo. São Jorge, que é o copadroeiro do Rio de Janeiro. O outro é o São Sebastião, né? A festa lá do dia 23 de abril é muito forte no Rio. É forte, sincrética, importante. Para saber mais sobre o São Jorge no Rio, eu recomendo para vocês lerem o Luiz Antônio Simas, um mestre, mestre.

nas artes das calçadas do Rio de Janeiro. Música falada. Outro taurino da hora é o Soteropolitano Dorival Caymmi. Taurino do dia 30 de abril. Para mim, um mestre da canção brasileira. Cada canção dele é um filme.

não é linear o jeito que ele tem de fazer canção. Puxa, isso foi um papo cabeça, desculpem por isso. E quando ele faz sozinho no violão, o acompanhamento que ele faz para as canções com letras não lineares dele, o violão é tão não linear quanto a letra. É mais louco ainda, parece um filme louco com uma trilha louca. Enfim.

O super simples do Orival Caymmi, para mim, é um cara muito complexo, muito refinado. Mas não é isso que interessa. Interessa que a gente vai ouvir aqui uma versão da também soteropolitana Gal Costa. Ela gravou um Caymmi em 76, quer dizer, vários, no seu disco Gal Canta Caymmi. Vocês já ouviram esse disco? Maravilhoso. Porque a Gal estava cantando muito.

E porque o som do disco é bárbaro também. O disco tem produção do Perinho Albuquerque e arranjos dele, Perinho, e do mestre João Donato. E esse disco, olha que coisa louca, um disco maravilhoso. Ele surgiu porque o Roberto Menescal, que era diretor da Philips na época, 1976, queria tornar o trabalho da Gal mais popular, hoje é.

A Gal morreu há poucos anos, ela era uma rainha popular, mas ela não era tão conhecida assim no começo dos anos 70. E o Menescal queria popularizar o trabalho dela. Então, um ano antes ele já tinha botado a Gal para cantar Gabriela, na novela da Globo. Aí, então, em 76, ele sugeriu da Gal fazer um disco inteiro cantando Caíme. E o disco foi realmente um sucesso e vendeu muito. Gal canta Caíme de 76.

E é desse disco que a gente vai ouvir Gal Costa cantando Dorival Caymmi, 2 de fevereiro. Dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar. Eu quero ser o primeiro pra salvar e emanjar.

Eu mandei um bilhete pra ela, pedindo para ela me ajudar. Ela então me respondeu que eu tivesse paciência de esperar. O presente que eu mandei pra ela é de cabo de...

Você ouviu a Gal cantando a música do taurino Dorival Caymmi, 2 de fevereiro, num disco que faz 50 anos esse ano, Gal canta Caymmi. Disco onde a Gal, dengosa e madura, ela matou a pau, recantou, recontou Caymmi, de um jeito sofisticado e sem muito luxo exagerado. Um disco para se ouvir, ouça. Música Falada, com Maurício Pereira.

E esse foi o Música Falada de hoje, viu, meus taulinos? Lembrando para vocês que os programas anteriores ficam no site da Eldorado, que é o radioeldorado.com.br. Se você quiser trocar uma ideia, manda mensagem para o meu Instagram, que é o arroba mauriciopereiramúsico, ou manda e-mail para pereira arroba mauriciopereira.com.br.

A produção é da Camille Damasceno e as montagens são do Bruno Mello. Beijo grande para vocês todos e até segunda que vem, 8 da noite, aqui em Eldorado, com mais Música Falada. Até já! Você ouviu Música Falada, com Maurício Pereira.

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