#167 - Insaciável [feat. Vick Rocha @90scringegirl] | Terror Sem Medo Podcast
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🥄🫖🍫 Recebemos nossa amiga, e participante honorária, @90scringegirl, para hablar sobre Insaciável, de DIRETORA.
Se por um lado, temos uma ótima utilização de planos fechados que traz toda a claustrofobia e uma sonoplastia que transforma o ato de comer em uma experiência visceral. Por outro, temos uma repetição de choques sem aprofundar o arco dramático da protagonista e excesso de narrativas que deixou diversas pontas soltas.
Este é um episódio bem dividido, que faz jus às críticas que vimos por aí. E aí, o que você achou? Deixe sua opinião aqui nos comentários!
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Lives do Giro do Terror: https://www.youtube.com/playlist?list=PLidOL9zft2zlYcdBeM5J291HLU_z70f7R
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Retrospectiva Sexta-Feira 13: https://open.spotify.com/playlist/5tiU5qFxD27lvlFQhBmNBu
Pauta da Podcast:
00:00 - Abertura
02:01 - Sobre "Insaciável"
23:44 - Notas
- Crítica ao filme Insaciável· EntretenimentoInsaciável·Gordofobia·Compulsão alimentar·Mitologia budista·Execução cinematográfica
- Análise da Personagem Principal· EntretenimentoJosi·Distúrbios alimentares·Perda de peso
- Problemas de Roteiro e Execução· EntretenimentoFalta de consequências·Subjetividade excessiva·Ritmo do filme
- Inspirações e Mitologias de Filme· EntretenimentoFantasmas famintos (budismo)·Compulsão alimentar familiar·Guga
Não sei se esse filme é fã ou hater e agora fodeu. Esse é o Terror Sem Medo Podcast, eu sou o Fábio.
Eu sou a Cal.
E eu sou a Vick.
Nossa convidada honorária.
Nossa convidada honorária.
Que dispensa apresentações porque faz parte do time honorário do Terror Sem Medo.
Isso aí!
Voltamos aí. Se você quiser seguir a Vick, tem TikTok, tem Instagram, como é que faz?
Meu arroba em todas as redes sociais é 90scringegirl. Então, 90scringegirl.
Inclusive tá no TikTok, né?
Sim, no TikTok eu falo sobre literatura, então sobre livros, diversos tipos de livros. E no Substack eu escrevo algumas crônicas também com esse arroba.
Legal, legal, não sabia.
Esse rolê do Substack é novo.
Legal. Pare de comer comendo é a premissa do filme de hoje. Quem me conhece sabe que eu sou um ex-fumante, parei de fumar tem mais de 10 anos. E por anos antes disso eu tentei parar de fumar e eu entrei numa de Para de Fumar Fumando.
É sério isso?
Existia um programa chamado Para de Fumar Fumando. A ideia da Nathalie Érica acabou saindo pela culatra. Uma diretora que mandou tão bem no Apartamento 7A não conseguiu repetir a dose no filme de hoje. E vamos falar de Insaciável. Temos sinopse para esse filme?
Temos. Uma estudante de medicina desesperada por amor experimenta uma estranha dieta da moda para perder peso. Após consumir cinzas humanas, ela passa a ser atormentada por uma presença sinistra que transforma sua vida em pesadelo.
E onde as pessoas podem assistir este filme, Bolides?
Dependendo de onde você mora, no cinema, e dependendo de onde você mora, no torresmo, no barzinho mais próximo. Já caiu do caminhão.
Tem ouvinte nosso que perguntou o que que é torresmo. O que que é torresmo, Bolides?
Torrent.
Teremos spoilers hoje de Insaciável. Já vou começar falando que essa sinopse aqui fala que é a dieta da moda. Que moda? Porque no filme não mostra que isso é uma moda, é uma pessoa só que fez.
É verdade, é meio clandestino ali, né?
Esse filme custou 5 milhões de dólares e arrecadou 368 mil.
Ai, gente, que merda!
Não pagou nada assim, tipo, ele é um prejuízo, cara.
Pior que eu tava fazendo a pauta e eu achei que fosse 368 milhões.
Eu falei, nossa, ia ser o novo Obsessão.
É, então, pois é, porque eu fiquei pensando, nossa, muita gente foi assistir talvez pela crítica e tal, né? Aí depois você tinha corrigido por mil e eu fiquei assim mil? Não, gente, é milhões. Aí eu fui ver, era mil mesmo.
Muita gente de conteúdo que eu acompanho fez podcast sobre esse filme. A gente tá fazendo até um pouco depois do hype do filme, entre aspas, e muita gente problematizou esse filme. Sim, eu mesmo problematizei também.
Em que sentido?
Eu achei ele gordofóbico. Olha só, primeiro pelo apelido da Berta. Eu sei que ele humaniza a protagonista, né, mas eu achei gordofóbico em vários pontos. Por exemplo, ela só consegue se se relacionar com a Alânia depois que ela emagrece. E a parada não é uma iniciativa dela porque, sei lá, emagreceu e agora tem mais autoestima, não sei, foi da própria Alânia. A outra coisa é que quando o filme mostra uma pessoa gorda, tipo assim, ó, você só é gordo se você for um gordo tipo a Berta ou tipo o pai dela.
Fora isso você não é gordo. E assim, eu tô falando isso porque eu sou gordo, clinicamente eu sou gordo, porque todo lugar que eu vou, eu sou obeso, apesar de não parecer. Eu faço uso de caneta emagrecedora também, diminuir um pouco do meu peso porque tem gordura no fígado e tudo mais. E também por estética, né? Eu não tava satisfeito com meu próprio corpo, então eu resolvi tentar. E aí eu olhei, eu falei, cara, tem vários tipos de gordos ali.
E por que só o gordo, o gordo tipo gigante, é o gordo, é o gordo monstro, sabe? Tipo, eu achei isso meio problemático no filme assim, não ver o que que vocês acham.
Olha, eu não tinha pensado por esse lado assim. Eu acho que é muito a forma como a sociedade vê. Eu acho que ela tentou retratar. Eu não sei se ela em si vê dessa maneira, sabe? Mas eu acho que foi a forma como a sociedade vê as pessoas gordas, talvez. E eu acho que a questão do pai é porque eu vi uma entrevista dela falando que o filme foi inspirado no pai dela, né? A relação ali foi inspirada no pai dela, que o pai dela tinha compulsão alimentar e tudo mais.
Eu não vejo tanto dessa maneira, mas é interessante esse ponto da moça com quem ela se relaciona, né, ter falado com ela só depois que ela emagrece. Mas eu também acho que isso também é um sintoma da sociedade gordofóbica como um todo, né, que ela só é enxergada a partir do momento que ela emagrece mesmo. Eu acho que é uma, é um retrato ali da sociedade mesmo, do que ela quis passar. Acho que isso não me incomoda tanto. Eu acho que o ritmo do filme para mim foi o que estragou a experiência.
É foda porque geralmente eu tenho mais atenção no cinema do que em casa, como acho que todo mundo, né. A gente não tem atenção para nada fazer em casa, então quando eu quero muito ver um filme, eu vou ver no cinema porque eu sei que eu vou me concentrar. A questão do ritmo me pegou tanto que eu me desconcentrei. Eu comecei a— porque começou com muita tensão, a tensão não foi sendo construída, né? Ela começou com muita tensão até que chegou num ponto que eu fiquei assim, mas pra onde você tá indo?
E aí foi se perdendo ali no meio. E aí aquele final, eu gostei do final até, só que eu acho que o que me pegou foi que a transição do começo, do ritmo do começo pro fim, foi se perdendo ali porque tinha muita tensão e não foi construindo aos poucos, sabe? Eu acho que para mim é isso que mais peca, porque tipo assim, beleza, não é um roteiro original, fora a questão das cinzas de cadáver, não é uma questão original, não é um filme original mesmo assim.
E esse ponto que o Fábio comentou de que, ah, é uma tendência, é uma moda, é uma moda, mas só tem uma menina que usa o negócio, é um ponto, né, de defasagem ali. Eu acho que a ideia, por mais que ela não fosse original, ela podia ter sido melhor executada. Acho que a execução não foi legal.
Tinha uma ideia foda esse filme, cara. Eu achei que ia ser um filme assim pique Substância, até porque ele é um filho da Substância.
Eu também achei.
Para mim não chegou nem perto.
Eu acho que ela se perdeu um pouco mesmo assim, sabe? Porque eu acho que ela queria colocar muita, muita crítica e muita informação em algo que ela deveria ou abordar só a questão do emagrecimento rápido, da falta de saúde mesmo das pessoas que não estão felizes com seu corpo, mas querem um emagrecimento muito rápido, tipo assim, querem, como é que fala, milagres, entende? Mas ao mesmo tempo tem aqui, ela também se inspirou, porque a gente vê, né, que a atriz é a personagem, né, da Hannah, ela é budista, então ela faz orações lá e tal.
Isso daí é meio que para marcar uma das inspirações dela para esse filme, que é nos fantasmas famintos, né, que é um preceito que tem no budismo, né, até no nosso budismo de Nichiren Daishonin tem isso, né, do estado de fome, né, e tal. Nesse conceito, né, dos fantasmas famintos, eles têm aqui em vários budismos, aqui em várias vertentes do budismo, que são os pretas, né, que são aquelas pessoas super corruptas, falsas, invejosas e gananciosas assim, né, que elas têm como resultado do karma e tal, elas são afligidas por uma fome insaciável por uma determinada substância ou objeto.
Inclusive come até cadáveres e coisas repugnantes assim, sabe, de forma como se você não conseguisse parar assim, sabe. De maneira compulsiva. Eu imagino que ela quis retratar isso no filme. Então assim, tanto é que a divindade, né, esses pretas aí, eles são desenhados de uma forma que eles têm uma barriga super enorme e a garganta bem fina assim, que daí eles não conseguem comer tanto, não passa tanta comida. Então o tempo todo eles precisam encher a barriga deles, que é grande e tal.
Então assim, isso lembra muito aquele monstro lá, né, que no caso é a Berta que tá lá, né, aquela pessoa que é indigente que tá lá na escola lá tudo. Eu não sei se a Berta É o nome dela, é o nome dela mesmo, né?
Não, tinha um outro nome. Ah, é outro nome, mas eu esqueci. A Christine era um nome diferente.
Quando ela fala, quando elas encontram a irmã dela, porque é engraçado, no IMDB ela não tá creditada como Christine ou como Berta, ela tá como fantasma, fantasma, como é que é? Eu nem lembro porque eu coloquei ela como Berta aqui, mas ela tinha um outro nome, né? Porque teoricamente ela não é uma mulher gorda ou ela tá de prótese? Ela é uma mulher gorda. Então assim, ela quis retratar isso, então acho que ela misturou muito, sabe?
Tipo, ai, quero fazer ser uma divindade, misturar a questão de mitos budistas com questão da magreza, com questão de tudo isso. Eu fiquei assim, moça, mas você se perdeu, sabe?
Porque tem a compulsão alimentar, tem um negócio do comer dormindo que é outra coisa, que não é compulsão alimentar, é outra condição.
É a questão da família dela, a inspiração da família dela, né? Porque a família dela, o pai tinha compulsão e a mãe era muito controladora em questão de alimento. Então a vida dela, ela dizia até nessa entrevista, a vida dela alimentar era meio que um campo minado, entende? Tipo, era a mãe dela ela controlando ali e o pai dela com compulsão do outro lado, sabe? Então ela tinha tipo dois lados, dois polos muito marcados dentro de casa, e ela tava ali naquele meio, tudo num filme só.
Tem a parada do olho que vira sozinho, que aquilo ali, da onde veio aquilo? Só um olho virando sozinho.
Eu acho que era para dizer que ela tava um pouco se tornando a Berta, né? Só que assim, isso daí foi uma coisa também que eu achei perdida, porque por exemplo, no começo ali, quando ela vê a Berta, a Berta tá com o mesmo o esmalte dela, né? Aí eu achei que fosse haver uma forma de, tipo assim, um looping temporal de espaço-tempo em que elas fossem a mesma pessoa, não sei. Eu tava imaginando que isso ia acontecer. E aí quando no final a Hannah ela olha pra si mesma lá do negócio do lixo, eu pensei, poxa, podia ter explorado tanto isso, sabe?
Foi uma coisa que não foi explorada, porque eu acho que seria legal se fosse por uma zona meio lovecraftiana, uma coisa meio assim, sabe, de espaço-tempo. Acho que seria interessante E um outro ponto que eu achei bizarro, esse ponto aí, gente, todo filme foi a única coisa que realmente eu falei, por quê? Foi o negócio dela operar em si mesma e sobreviver. Que caralho foi aquilo?
Dentro do lixo ainda, né?
Dentro do lixo, gente.
Esse filme tem muitas coisas que não tem consequência, tipo ela profana o corpo da Berta e não tem consequência nenhuma.
Sim, isso é uma coisa que me revoltou. E outra coisa, por quê? Como é que, como é que a menina lata, né, não tomava pílula né, do cadáver, cinza do cadáver. Simplesmente você mói o cadáver e bota numa negocinha e tome, já era.
Tipo, não tem ritual.
Sim, porque senão é uma coisa muito simples, qualquer um pode pegar, sei lá, tipo.
Por que ninguém pensou nisso antes? Pois é, todo mundo pode fazer isso. Não faz sentido, né?
Eu acho que ela poderia. É porque assim, quando ela começou a fazer isso com o corpo da Berta, eu pensei assim, isso não vai funcionar, porque funciona com cinza que a mulher compra, e não com qualquer cinza, sabe? Então assim, não dá para entender muito bem, porque a mulher fala também que tipo, ah, eu sentia que tinha alguém me vigiando, tá, beleza. Mas ela via alguma coisa? Não dá para saber se ela via alguma coisa ou não, porque ela não vê mais, ela parou de tomar e pronto.
Será que era o fato dela tá profanando que fez com que ela continuasse vendo e continuasse tendo que, tendo as mesmas questões da pessoa que morreu, sabe?
É porque assim, a Berta não tinha nada de especial, ela era, é, nem de paranormal, ela era uma pessoa normal, ela só tinha uma vida, tipo, ela era, como é que fala, ela cuidava das outras pessoas, beleza, assim, tipo, não tinha nada de, sei lá, ela era uma bruxa ou filha de bruxa ou passou por alguma coisa, não tinha, né?
Ela podia ter sido uma pessoa que fez algum ritual assim, né? E aí, tipo assim, quem profanar meu corpo vai se foder a vida inteira, sabe? Vai ter tudo que eu tive, sabe?
Um outro ponto que eu fiquei pensando foi que a foto que usam para mostrar, né, quem era a Berta viva não tem absolutamente nada a ver com o corpo que eles exploram ali. Tipo, dá para você ver que ela morta é muito mais gorda do que ela viva. Quer dizer, como é que ela chegou naquele estado? Aquilo ali é uma coisa que não faz muito sentido assim, eu acho. Mas eu acho que ela quis retratar— não vou defender, mas vou trazer para a reflexão— Eu acho que ela quis retratar da Berta como se a Berta representasse a compulsão alimentar.
É como se ela representasse a compulsão alimentar fosse uma entidade. Porque eu penso nisso porque, por exemplo, quando eu falo da minha ansiedade, esses dias eu fiz um vídeo para o TikTok falando sobre isso, porque eu trato a minha ansiedade um pouco como um relacionamento abusivo que eu tenho. Pensando, às vezes ela talvez tenha tentado personificar a compulsão alimentar. Só que aí foi isso, ela misturou isso, ela misturou com budismo, que ela misturou O negócio da menina ser estudante de medicina.
E aí, de repente, cai num senso comum bizarro. Porque tipo assim, eu acho que a gente tem que problematizar a questão do uso da caneta emagrecedora. Porque eu acho assim, eu acho um bagulho assustador, sinceramente. Eu acho que a gente tá vivendo uma epidemia de distúrbios alimentares de novo. Não só com caneta emagrecedora, mas também com tudo assim. Com distúrbio alimentar travestido de dieta, de comer na rua. Umas coisas bizarras, a gente tá vivendo tudo isso de novo.
Então eu acho que é importante problematizar, só que ao mesmo tempo eu acho que traz um estigma muito negativo pro que a menina, a Alana, tava tentando fazer, porque ela tava tentando de fato fazer um estudo pro mestrado dela, tipo, como nós podemos otimizar a perda de peso com exercícios, e uma série de exercícios ali que ela tava colocando. Quer dizer, a menina teoricamente não tava fazendo nada de errado, ela tava tentando implementar uma forma saudável de vida, tanto que o momento que ela chama chama a Hannah pra conversar, tipo, olha, tô preocupada com a sua perda de peso.
Porque isso tá... Primeiro, isso tá interferindo no meu estudo. Porque eu tô fazendo mestrado com base nesse estudo de campo aqui. Segundo, que eu não acho que é saudável o que você tá fazendo. Eu acho que ao mesmo tempo também traz uma problemática parecendo que essa moça era uma fútil. Sendo que às vezes ela só era uma pessoa com estilo de vida saudável vivendo a vida dela de uma maneira saudável, por assim dizer, sabe?
Quando rolou esse diálogo com ela, eu achei interessante. Porque eu tava até conversando com você, né. Né, quando a gente terminou de assistir o filme, eu fiquei pensando, eu falei, cara, o que eu achei de interessante nesse filme é que a Hannah, ela tem, né, toda a questão de compulsão alimentar e tudo, né. Então ela é um pouco, ela não é nem gordinha, ela é tipo, mano, fora do padrão, entende? Porque é aquela pessoa que com roupa parece uma pessoa magra, sem roupa é gorda, entende? Tipo, tá totalmente fora do padrão.
Horrível.
Então eu, muito ruim, sério, gente, eu não achei a maquiagem tão ruim assim. Eu achei tipo assim, tava um pouco artificial, mas eu não achei tão duplo dela no começo do filme.
Que porra é essa?
Tava muito falso, né? Não tava real.
Aí assim, eu fiquei pensando, eu falei, não, beleza, né? Ela tem distúrbio alimentar e tal, e tá fora do padrão. Aí tá, daí ela começa a emagrecer e continua com distúrbio alimentar dela. Aí que eu pensei, eu falei, cara, interessante, porque não é só porque você emagreceu que seu distúrbio alimentar alimentar sumiu. Porque quem tem distúrbio alimentar tem que cuidar a vida inteira, entende? Porque basta uma ansiedadezinha que você come pra cá.
Tem gente que é magérrima e tem distúrbio alimentar, entende? Come por ansiedade, come por— cara, eu achei interessante isso assim. Aí eu fiquei pensando, tá, beleza, mas por que que essa Aberta tá acompanhando ela, entende? Que momento que a Aberta vai fazer alguma coisa com ela, sabe? Ela ficava sufocando e tudo, mas eu pensava assim, tá, beleza, mas em que momento que a Aberta vai engolir ela? Sabe?
Eu queria um caso aí acontecer total.
E outra coisa, por que que só aparece em espelho côncavo?
Gente, posso só corrigir? É convexo. Aí sabe como é que eu aprendi isso? Côncavo é concava, então é para dentro. Convexo é reto, então é para fora. Meu pai que me ensinou isso. Meu pai é engenheiro, aí ele ficou—
eu amei, gente!
Nunca, nunca diria que é côncavo, porque cava. E aí Convexo é éxodo, isso é convexo.
Então eu achei que as coisas eram, ela aparecia nas coisas convexas porque coisas de cozinha são assim, né, para poder pegar comida e tudo mais. E também é porque era tampa de panela, era colher, era chaleira, então tudo relacionado à comida. Mas não, uma hora ela aparece no espelho, né? E aí sim, eu falei isso na maçaneta, na maçaneta, é verdade. Mas aí ouvindo outras pessoas falando sobre o filme, eu vi tipo as pessoas falando, ah, será Ah, porque as pessoas gordas não são convexas. Então é tipo um reflexo.
Pode ser, pode ser, pode não ser. É ruim, né, não ter explicação. Foi um show de horrores, foi uma salada mista. Ela teve várias ideias, ela saiu jogando e tipo assim, ela enfiou tudo no cu. Foi assim uma bosta.
E vocês lembram como é que o filme começa? Como é que o filme começa? Não, com a Alânia, mostra a Alânia andando e aí mostra a bunda, mostra a coxa, mostra não sei o quê, e depois mostra A Hannah comendo. Pode ser que seja um foreshadowing para o final, que ela vai comer, é um prelúdio para o final, que ela vai comer aquela mulher ali. Mas não sei, assim, tipo, eu não sei, o filme, ele tinha uma ideia realmente que ele foi se perdendo no meio do caminho, assim.
Como você falou, ele pintou muito a Lânia como uma vilã, né? E depois na real ela nem é, né?
Pois é, gente, pensando tipo assim, eu gosto do final dela ter ser, né, canibalizado ali a moça. Só que eu achei que para chegar naquilo foi muito bizarro, tipo assim, a jornada foi esquisitíssima, foi porque não fez sentido nenhum ali, sabe? E aí a menina parecendo aberta ali, de meio igual aquele quadro, né, da sala de autópsia deles. Outra coisa que eu acho bizarro, a amiga, ouvimos e não julgamos, Tipo assim, aí eu viro para você e falo: ai, amiga, então eu estou tomando pílulas de cadáver, me ajuda, tô sendo perseguida.
Tipo assim, desculpa, eu no lugar dessa amiga teria deitado a minha amiga no pau. Sim, eu teria deitado ela no pau e falado assim: você é uma idiota! Não rolou nada ali, não rolou uma surra, não rolou uma surra verbal. Ela só falou assim: ai, você é meio doidinha, né? Que porra, cara!
Não, e ela ainda tenta fazer a amiga ver ver a entidade. Eu falo assim, cara, você acha que tá todo mundo vendo a entidade, sabe? Você tá na sua cabeça, cacete. Nessa parte principalmente, né, das colheres, da biblioteca e tal. E assim, foda-se, tá aqui na biblioteca, né, mano? Eu iria gritar com a minha— eu iria gritar com a minha amiga na biblioteca mesmo.
Até porque, aberta, na biblioteca já para não tomar uns pulos.
Eu acho que sim, provavelmente. Esperta, esperta. Foda-se que tá na biblioteca, minha amiga tá morrendo. Sabe? Tipo, gente, eu vou ser expulsa do meu hotel. Então, pois é, sabe? E assim, do nada, os contadores começaram a voar lá porque a Berta começou a jogar tudo. Eu fico assim, mas gente, tá, beleza. Então quando é que essa amiga vai sofrer também pela amiga tá levando ela para esse caminho também, sabe? De tipo, venha comigo ver que a Berta tá aparecendo aqui. Não aconteceu nada.
Infelizmente, ele é um monte de ideia, né? Um monte de ideia jogada e que não tem consequência, nada. Inconsequente. Além de todos esses erros que ele tem, ele tem um erro que é um erro muito grande, que é a questão do pai. É, nossa, a mãe fala que o pai não se mexe, mas em um momento ele leva café para ela.
Às vezes é até a forma que a mãe vê o pai, de tipo com desgosto, sabe? Ah, ele não se mexe, ele não faz nada, sabe?
Mas é isso, isso fica assim, tudo do filme fica no campo da subjetividade. E assim, nem tudo é subjetivo, né?
É verdade que nem todo mundo vai pegar certas coisas.
Por exemplo, eu não peguei isso. Tem coisas que você, que são subjetivas, que eu, algumas pessoas vão entender porque elas vivem aquilo, outras não. Então você tem que explicar o que que tá acontecendo ali, né? Tipo o negócio do budismo, do a gente é budista, mas a gente é budista de outro budismo, não tem nada a ver com aquilo.
E assim, eu acho que até a gente sendo budista, a gente não viu a questão de estado de fome, não, porque é só menciona, né?
Então menciona aí no budismo que a gente pratica, é só um estado de vida.
É, então querendo ou não é o mesmo estado de vida daqui, entende? Aqui no caso é os pretas lá, né, que são os os fantasmas famintos, eles têm uma imagem e tal, tudo, né? Mas é tipo uma entidade mesmo, no caso, né? Aqui a gente não fala do nosso budismo, a gente não fala de uma entidade, fala mais de um estado de vida mesmo. Mas eles são meio que uma materialização mesmo dessa ganância e tudo, né? De maneira negativa, no caso, né?
Porque tem aquela coisa, né, de você usar a ganância para o bem, a ganância para o mal. Mas isso daí não vem em questão agora. Mas assim, eu acho que ela colocou muita subjetividade na questão dos mitos mesmo budistas. Porque assim, tá, beleza, a gente foi lá ler sobre o filme, tudo, mas se você for beber, no IMDb não tá falando nada sobre isso, nenhuma crítica tá falando sobre isso, nenhum lugar você vê sobre isso. Porque o lance dela ser budista, que nem fazer um filme brasileiro e ter uma procissão, entende?
Tipo, a gente entende a procissão aparecendo ali, mas quem não tem contexto nenhum, que passeata que é essa? Que parada que é essa, entende? A gente entende que as pessoas são católicas, aquela santa é tal, para você conhecer santo. Então é isso. Para a gente, cara, ela é só éboda budista, ponto, entende? Agora a gente não sabe que aquele aberta, por exemplo, o fato dela ser uma pessoa obesa era questão de fazer os fantasmas famintos que tem o corpo gordo, tipo a barriga grande, o pescoço mais fino e tal.
Tá, beleza, mas eu não conheço eles. Tipo, ela deveria ter falado alguma coisa, sabe? Tem que conversar com a mãe dela, sabe? Mãe, eu tô vendo isso, filha, aqui nesse livro. É esse que você está vendo? Esses são os animais famintos, são os fantasmas famintos do budismo, que não sei o quê, pronto, cara. Isso daí precisava no filme assim, sabe? Tipo, ah, mas fala sobre gordofobia e a magreza extrema. Sim, mas se você quer retratar algo budista, você tem que trazer algo budista, gente.
Exatamente.
Então eu acho que ficou faltando isso. Eu achei o filme interessante nesse ponto de mostrar uma outra mitologia, assim como a gente tá vendo, né? Possessão egípcia, possessão japonesa, possessão chinesa. Só que eu acho que faltou uma explicação ali. Então acho que faltou isso assim, sabe? E o filme não ia ser muito fantástico se fosse isso, ia ia ficar mais assustador, ia ficar mais interessante, tipo, sei lá, ia unir um pouco a mãe e a filha, porque a mãe só pensa na magreza.
E tanto é, quando ela tá emagrecendo, a mãe dela até fala, né, nossa filha, você está mais bonita, né? Até ela ficar muito magra e a mãe questionar, nossa filha, você está muito magra. É meio que a mãe dela faz a sociedade, né? Tipo assim, está muito gorda, ah, está bonita, nossa, magra demais, sabe?
Então tipo fica naquela de Então, depois desse papo desse filme não tão agradável, agora que eu quero ver, hein? Vamos para as notinhas. Vi que eu quero a sua nota de 0 a 5 para este filme.
De 0 a 5, eu então vou dar um 2,8 pela intenção, porque eu acho que um 3 também não, mas um 2,5 também, sabe? Acho que a intenção valeu, a intenção, mas foi ruim.
Nossa!
E você, Bolítica, qual que é a sua notinha?
A gente já conhece a Vamos lá, vai ser 2,5 porque eu achei o filme mediano.
É mesmo?
É mediano, ele não é nem bom nem ruim. Tipo assim, eu achei interessante a intenção, que nem a Vick falou. Eu acho que ela quis colocar 300 coisas, ela poderia fazer 3 filmes ali, trilogia. Isso, a notinha, Bolits.
É 1,5 só pela boa intenção, porque, mano, a maquiagem foi ruim, o tema não foi abordado de forma decente. Adequada, porra, adequado. Cara, foi péssimo assim, e o filme é arrastado maluco. Nossa, parecia que eu tava, velho, por favor, anda, anda logo aí, sabe? E a nossa média, Bits, qual que é?
2,26666666, 2,3 pela aproximação, 2,3 assim, tipo, não passou de ano, é isso.
Que tristeza, pô, que tristeza!
Eu queria que fosse legal, né?
Então Sim, eu também queria, gente, porque o trailer foi muito bom.
Tanto é que a gente inclusive chamou a Vicky, né, para gravar com a gente. Foi indicação da Vicky, por isso que a gente pensou, né, poxa, vamos chamar a Vicky para gravar também. Nossa, eu tava muito empolgada, eu também tava demais, demais.
Eu me senti meio catfished, né, porque o trailer vendeu uma coisa e a gente chegou lá, era uma bosta.
É verdade, é verdade, porque o trailer era um filme 4.5 para mim assim, sabe?
E assim, não foi a execução de uma pessoa que faz filme ruim. Porque, ó, A Relíquia— como é que é o nome do outro filme que ela fez? Relíquia Macabra é um filme muito bom sobre velhice. Ainda, se eu não me engano, ele tá no Prime Video. A gente assistiu sobre velhice, é velhice e Alzheimer e tudo mais. E O Apartamento 7A, que tá no Paramount Plus, que é muito legal também. É uma história paralela ao Bebê de Rosemary, cara. Então, tipo, é um filme legal, acontece dentro do IV.
Eu adoro O Bebê de Rosemary, Meu Deus do céu, porque assim, eu não sabia que ela era diretora de Apartamento 7A quando eu fui assistir Insaciável, mas depois eu descobri isso, eu fiquei, caramba, mas ela teve uma ideia tão genial para Apartamento 7A, e aqui ela parecia ter uma ideia tão boa, mas parece que ela teve 300 mil ideias assim, sabe? E falou, eu sou a roteirista, eu sou a diretora, eu vou fazer tudo.
Tem uma cena que eu esqueci de falar, que a hora que ela tá, ela já emagreceu, e aí tem uma mochila cheia de comida e a comida vai indo até ela. Assim, eu até falei para cá assim que a compulsão, eu não identifiquei se eu tenho compulsão alimentar ainda, até porque hoje eu como muito menos por conta da, eu vou ao médico e tudo mais, faço todo acompanhamento. Eu lembro quando eu fumava e aí eu falava assim, não, vou parar de fumar, cara, ficava um bichinho na minha cabeça falando assim, fuma uma cigarrinha aí, só uma cigarrinha, assim, ó, cigarrinha, nada, nada, mano, é bem aquilo, aquela cena é exatamente, cara, tinha tantas coisas legais ali para fazer, puta que pariu, cara.
Ai, até triste, gente. Vicky, muito obrigada pela sua participação aqui, a segunda de inúmeras outras.
Sempre um prazer, gente, muito obrigada.
Imagina, só fala para o pessoal seus arrobas, tudo que você tem aí, Substack, tudo para todo mundo conhecer seu novo trabalho também, inclusive de crônicas.
É bom, então eu tô em todas as redes sociais aí como @90scringegirl. Eu escrevo crônicas. Antes escrevia no Medium, mas o Medium basicamente ninguém usa mais, né? Então migrei para o Substack. E agora tô fazendo crônicas pro Substack. E também eu falo sobre literatura no meu canal no TikTok.
Maravilha! Então vão lá seguir a Vicky, que é muito gostoso de seguir ela. Tem várias dicas literárias lá, então vai lá. Inclusive, a Vicky me deu... Eu acho que é a segunda vez que eu falo isso, mas ela que me fez... Querer ter um Kindle.
Amo, gente! Ah, eu adoro assim o Kindle, para mudar minha vida.
E lembrando, não deixe também de seguir a gente nas nossas redes sociais, né? A gente tá em todas as redes sociais como Terror Sem Medo 13, tudo junto e 13 numeral. Para você que tá assistindo, tá bem aqui. Para você que não tá assistindo, tá só ouvindo, Terror Sem Medo 13, tudo junto e 13 numeral.
Se você tá assistindo no YouTube, não deixe de o like, se inscrever no canal se você não for inscrito. E se você estiver no Spotify, dê 5 estrelinhas e comenta aí o que você achou desse filme maravilhoso, que eu até fiz o encerramento do podcast aqui sem falar nada porque eu achei, fiquei transtornado.
Gente do céu, é que eu tô com sono. Mas é isso, gente, até semana que vem e tchau, tchau, tchau, tchau!