Episódios de Xelicast

Outra vez arroz

04 de maio de 202641min
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Era uma vez, uma mãe às direitas.
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Assuntos10
  • Desafios PessoaisDesafio de corrida 100km em maio · Abstinência de álcool em maio · Promessa à Nossa Senhora de Fátima · Renovação de espaço e destralhe · Projeto de livro 'Concerto'
  • Histórias de infânciaMemórias do Dia da Mãe · Experiência como palhaço na infância · Histórias de embriaguez e recuperação
  • Expectativas e realidades da maternidadeDilema entre ser mãe ou não · Visão do avô sobre ter filhos · Opções de concepção
  • Shows históricosConsumo de bebida alcoólica em evento · Vomitar em público e na amiga · Pedido de socorro à mãe
  • Feriados e ViagensGravação de 'dia perfeito' em Aveiro · Planejamento de viagem desafiadora
  • Conteudo Prejudicial OnlineGolpe de venda de quadro no OLX · Uso do MBWay em golpes
  • Visita ao cemitérioVisita à campa do pai com o cão · Reflexões sobre luto e memória
  • Prevenção de Lesões e Saúde do AtletaUso de smartwatch para monitorar calorias · Ajuste de rotina de corrida
  • Consumo de vinho em PortugalConsumo per capita de vinho
  • Poesia e LiteraturaAnálise do poema de Adília Lopes
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Como é? Vocês sabiam que Portugal é o país número um onde se bebe mais vinho per capita? Cada português bebe, em média, cerca de 61 litros de vinho por ano. Eu conheço malta que bebe isto a todos os pequenos almoços e depois no dia a seguir está fina. Eu, este mês, o mês de maio, não estou a beber. Pronto, é assim.

E aqui entre nós, eu vou-vos confessar aqui uma coisa, eu consigo ver quantas pessoas é que ouvem o meu podcast, eu consigo saber exatamente onde é que vocês estão, consigo saber quem vocês são, como é que se chamam, onde é que vivem. Não.

Mas eu sei, estatisticamente, o número de pessoas que ouvem o meu podcast não é o mesmo número que veem os meus stories e consomem o meu conteúdo no Instagram. Então, isto para vos dizer que eu sinto que nós somos aqui tipo...

Um grupo que está mais controlado, estão a ver? Tipo, acho que só está quem é ouvir-me, quem quer mesmo ouvir-me. E já que aqui estamos, eu vou-vos confessar uma coisa. Eu fiz um desafio para este mês, lancei este desafio, que é acumular 100 km de corrida durante o mês todo.

Estive a fazer contas e eu estava. Já o ano passado achei que não tinha sido pera doce. Também é um desafio porque o objetivo é desafiar-me, não é? Depois já aqui muitas condicionantes. Eu já tenho uma rotina de dias fixos que vou correr, dependendo do trabalho. Por exemplo, queria ir correr na quarta, mas não posso porque tenho o dia inteiro de trabalho e na quinta também.

E quando digo dia inteiro, é antes do nascer do sol, vai ser das 5 da manhã até ao sol se pôr mais um bocado. Portanto, 5 da manhã, 9 da noite, 4ª e 5ª. Portanto, poderei ter ali uma pausa no meio, mas não sei se me vai apetecer ir correr, para vos serem honestos. No entanto, a este desafio da corrida também adicionei o não beber álcool durante o mês de maio.

porque me apetece, na verdade não me apetece muito, mas sinto que tenho que cada vez mais estar completamente sóbria e eliminar qualquer tipo de substância que me adormeça a dor. Isto foi momento xalaila agora.

No entanto, isto era para ter começado no dia 1 de maio e é aqui que entra a minha pequena confidência convosco que é, no dia 1 de maio fui ter com uns amigos ali ao Jardim Odinô e uma grande amiga minha estava a beber uma Summers Bee e ela estava muito queixosa estava a dizer, pois, eu não sei porque é que abri isto eu não vou conseguir beber isto até ao fim amiga, toma, eu disse amiga, não porque eu começo hoje você

E lá, mas ninguém está a ver. E eu, ninguém está a ver, mas depois eu tenho que ir dizer a verdade lá para o Shellycast e as 15 pessoas que ouvem o meu podcast, não são 15, vão me julgar. E ela, mas ninguém está a ver. E pá, não, mas estou eu. E eu faço estes desafios porque quero construir uma base sólida de confiança comigo mesma. Então eu não vou quebrar. Pronto.

Mas ela ia meter aquela merda fora e eu peguei na garrafa e mandei aquilo de penalti. No entanto, não bebi ontem. E ontem foi dia da mãe. E aqui em casa, 61 litros por ano, não, se calhar 300 litros de vinho por ano aqui em casa. E eu não bebi. E havia muito bom vinho na mesa. E havia muita boa comida que estava a puxar um bom vinho. E a Michelina não sucumbiu.

Comecei a correr sem música, o que para mim é uma bolinha de merda, não gosto. Ai, amada, tu tens que ouvir a tua respiração. Ah, por amor de Deus, já me venço a respirar a toda hora. Eu quero ir ouvir Bad Bunny. Bad Bunny dá-me uma bolina que vocês nem sabem. Agora, vou ter que começar aqui a subir a parada.

Vou começar a fazer duas vezes 10 km por semana. O problema é os joelhos. Começo a madurar os joelhos, um dia assim não me mexo. Pronto, ando de joelhos, não há quem ande lá à volta do Santuário de Fátima. Pronto, eu ando aqui na gafanha também, faz-te conta? Que estou a cumprir uma promessa. Olha, não era para vos falar sobre isto, mas vou-vos falar sobre isto que... Eu não sei qual é o vosso estado de... Não é de graça, mas de fé.

Mas eu fiz uma promessa à Nossa Senhora de Fátima. É, gente, eu sou gay, mas tenho boca, então vou fazer promessas. E eu acredito mais ou menos. Então quando uma pessoa está com o cu apertado, então aí é que eu acredito mesmo. E eu fiz uma promessa à Nossa Senhora de Fátima e prometi. Disse, olha, se isto acontecer, e se isto, e isto, e isto, eu vou a Fátima a pé.

O que é que aconteceu? A Nossa Senhora de Fátima deve ter uma costela aqui da gafanha, que a Nossa Senhora realmente cumpriu a promessa que eu tinha pedido e vocês dizem, ah, então Michel, cala-te. Se cumpriu, cumpriu. No entanto, não cumpriu. Ou seja, aquilo que eu pedi neste momento não é viável. Estava a falar com o meu melhor amigo e o meu melhor amigo, que é da mesma raça que eu disse.

Então, mas não era suposto ser tipo, pois eu não lhe perguntei bem isso, eu só lhe disse, ah, se fizeres com que isto aconteça, pronto. Ou seja, será que há aqui entre linhas? Qual é a vossa opinião sobre isto? Não está aqui ninguém para me dizer, mas se vocês pudessem... Sobre a corrida, então mudei aqui a estratégia que é...

Eu uso um Apple Watch, um smartwatch, que me diz as calorias, os minutos de exercício, não sei o quê. E isto tem uns rings, uns círculos que vocês devem fechar. Pelo menos a mim dá-me uma satisfação do caneco quando os fecho aos três. E os três são 12 horas em pé, fácil, esse fecho todos os dias, 60 minutos de exercício e 750 calorias. O que é mesmo puxadão. Eu chego às 500 fácil, 750 já é assim a puxar. Mas não quero mudar isto, está assim, está bom. O que é que eu vou fazer? O que é que eu vou fazer?

Todos os dias, às 7 da noite, eu vou olhar para o meu relógio e vou ver quantas calorias é que me faltam até chegar às 750. E é esse volume que eu vou correr. Já sei mais ou menos. Tipo meia hora de corrida, dependendo do meu peso, eu caio ali 240 a 260 calorias. Portanto, consigo fazer aí uma boa regra de três simples. Posso-vos dizer que agora são duas da tarde.

e tenho, já treinei, tenho 330 calorias perdidas, portanto até às 7, vamos ver, vamos ver. Se eu estiver a correr 1km está tudo bem, isto é acumulável, dou um mega sprint e tranquilo.

Falar em fé. Fui ao cemitério esta semana, visitar a campa do meu pai para acender lá as velas, que é a única coisa que eu faço. Dou um beijinho sempre às fotografias, também não sei porquê, mas dou. Foi assim que me ensinaram e é este o trauma que ficou. E acendo as velinhas ou coloco velas novas. Então lá é eu cheia de velas. O que é que acontece? Eu estacionei numa porta-travessa.

Que é a porta do inferno! E então estacionei lá e estava com o Wazel no carro. E quando estou a sair do carro, vejo na porta do cemitério um proibido de entradas. Era proibido entrar em bicicletas, motas e mais não sei o quê. Mas não dizia lá nada de cães. E eu pensei, eu vou levar o Wazel. Não sei. Está-me a apetecer levar o Wazel à campa do meu pai. Vocês podem dizer, que estupidez! Estupidez é sinifar coca pelo cu! E então Wazel entra...

e fica tipo é porque as campas são baixinhas não são mesas nem são bancos então ele fica meio que confuso olhar para aquilo e eu tipo anda por aqui e tal e não é que o cão salta para cima de uma campa ele não fez perca mas não tinha nada em cima da campa por isso é que ele também saltou mas eu fiquei aflita

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Depois lá fomos à campa do meu pai, depois estavam lá umas belhotas e uns belhotas. Ai, que cãozinho tão lindo. E eu, ai, depois, você que não viu que ele saltou para cima de uma campa, se não tinha-me dado na cabeça. Entretanto, sentei lá o ex-alopé da campa do meu pai, enquanto, pronto, fazia as minhas coisas. E ele ficou a olhar para a pedra do meu pai. E eu achei tão curioso que tirei uma fotografia. Não publiquei, porque acho que...

Na verdade, eu não acho que tenha nada mais íntimo do que a campa do meu pai. E então, eu sei que há quem partilhe, aliás, eu lembro-me de ter visto aquela Anny que partilhou uma foto na campa dos avós, salvo erro, ou os pais, acho que eram os avós.

Achei uma imagem muito forte, então enviei a fotografia que tirei ao oizão, ao pé da campa do meu pai, a umas pessoas e aquilo ficou por ali. Foi mais um gesto simbólico do que propriamente, olha aqui o conteúdo tão bom que eu tenho para mostrar que eu fui ao cemitério e levei o meu alcão.

A minha renovação aqui do meu espaço está a correr bem. Eu já comprei algumas coisas com o dinheiro que fiz, com a venda. E não é que eu não tenha dinheiro para comprar o resto, mas é um compromisso comigo que é eu vou gastar nesta renovação aquilo que eu vender do destralho, sabem? Destralho, eu gosto muito desta palavra.

E então está a correr, está a correr bem. Pronto, falta-me agora comprar aqui umas lâmpadas daquelas inteligentes, que é para eu dizer, baixa, e ela baixa. Estou a bater palmas assim, e aquilo apagou. Pronto, virá mudar isso. Estou à espera que as lâmpadas cheguem para tirar os candeeiros. Isto é tipo tetra, estão a perceber? Para tirar os candeeiros, para os vender. Já tenho um quadro, um quadro no OLX.

E porquê que só tenho um? Porque assim que eu publiquei, mas estou a falar assim, 30 segundos de ter publicado um quadro no OLX, coloquei lá o meu número de telefone armado em burra, porque pronto, avó style, deixei lá o meu número de telemóvel e 30 segundos depois de eu ter publicado um anúncio, ligaram-me. E eu pensei...

O quadro é assim tão lindo? É, mas... Desconfiei, sabem que pá, desconfiei. E a pessoa que estava do outro lado, um homem, uma voz de um homem, bem português, a dizer que tinha visto o quadro, tinha gostado muito do quadro.

a perguntar mais pormenores do quadro, se eu tinha mais quadros, quais as medidas dos outros quadros e os valores. Eu disse, olha, eu ainda estou em fase de publicação, mas este é o seu número, eu mando-lhe uma mensagem e vou só fazer um levantamento de tudo aquilo que tenho e em vez de estar a publicar, envio-lhe uma mensagem para si.

E ele, ah, ok, ok, mas olha, posso já deixar pago este quadro que publicou? Epá, e eu sou muito desconfiada no que toca a dinheiro. E pareceu-me muito fácil, sabem? E eu disse-lhe, pode, mas olha, eu estou a achar isto muito fácil. E ele...

Não, é que eu sou colecionador e revendedor e tenho palavras-chave no OLX. Quando cai alguma coisa com estas palavras, eu recebo logo a notificação. Ok. E ele, então, como é que fazemos o pagamento? Eu disse, não é pela app. Aqui a avó pensava que o OLX era tipo a vintage. E ele, não, é por cartão bancário. Então é MBWay. Este é o seu número do MBWay. Eu disse, é.

E ele, então, olha, vou já enviar. Eu disse, pronto, então, olha, enquanto trata disso, eu vou então fazer o levantamento e já lhe vi uma mensagem. Pronto, até já. Ele disse, não, não, mas já é preciso desligar. E eu, não é preciso, é estar ao telefone. Para que eles cheiram uma esturro. Achei uma esturro ser muito fácil e muito rápido. E eu, então, desliguei. Bloqueei o número, porque, entretanto, ligaram-me mais três. Bloqueei-os a todos.

E fui à neta pesquisar se havia alguma burla deste género. E, surprise, surprise, claro que há.

Uma pessoa já está a passar por um processo de luto nos objetos, não é? E chega a uma conclusão e fica em paz com o facto de estar a vender aquilo e daqueles quadros que são especiais e que sei de onde é que eles vieram e que sei em que parênteses é que eles estavam na casa do meu pai. Tinha gosto em vê-los em outras casas com história, sabem? Tipo, é fácil sentir que há burlões a querer as coisas do meu pai. Eu sei que eles não sabem o que é do meu pai, para eles é igual ao litro.

mas pronto, se vocês não sabem o que acontece depois é uma espécie de dança no MBWay, que é eles enviam-vos um pedido e vocês fazem não sei o quê e eles sacam-vos dinheiro, não é nada de bom, pronto o meu espaço já está bastante mais

clean e aquilo que eu sinto genuinamente quando entro aqui todos os dias é que o barulho diminuiu. É como se todos aqueles objetos me enchessem o inconsciente com um barulho desnecessário e agora olho para uma parteleira que tinha mil coisas e agora tenho zero, para as luzinhas todas estavam espalhadas que agora não há, isto está a ficar peaceful.

E não significa que eu não vá sair daqui, não. Até porque todo o investimento que eu estou a fazer são coisas que eu posso levar comigo. A não ser o papel de parede que me chega agora esta semana. É a única coisa que vou deixar aqui. Pronto. Mas sempre que entro aqui sinto, uff, ei meu, que paz. E vocês devem dizer, pois Michel, shang foy ou feng shoy. Shang foy? Feng shoy. Feng shoy the hell out of your house. However, isto, nós estamos todos a subir uma escada, gente.

E eu estou num patamar diferente de vocês. Vocês podem estar três andares acima, ou dois andares para baixo, ou onde vocês quiserem estar, ou no corrimão, ou descer o corrimão de lá de cima cá para baixo, bué de bezes, sem cuecas. Mas eu estou nesta escadinha agora, pronto. E para mim agora isto faz sentido. Ainda há muito para destralhar, não tenho esta semana o tempo que gostaria.

E porquê que não tenho o tempo que gostaria? Eu não sei se eu já falei sobre isto, mas eu fui contratada por uma empresa norte-americana para gravar um dia perfeito numa cidade portuguesa. Em cima da mesa nunca esteve Lisboa. Não me perguntem porquê, eu disse. Mas eu acho que Lisboa já está tão turístico que não é preciso mais uma merda sobre Lisboa, não é?

Então, eu coloquei em cima da mesa ao Porto e eles gostaram do Porto, mas depois eu, que sou aveirense e sou gafanhã nazarena de gema, mandei a minha cidade à parede e disse, olhem, eu vivo numa cidade muito bonita, muito pitoresca, muito fotogénica, muito querida, muito bonitinha. Vejam aí, mandei-lhes algumas fotografias e eles adoraram Aveiro. Então vai ser o dia perfeito em Aveiro. Alguém que chega a Lisboa, alguém que chega ao Porto,

vem então conhecer Aveiro também, que nós já temos muito desse turista, eu apanho muito turista no comboio, ou andar de moliceiro, ou aqui, que vem só fazer uma day trip a Aveiro. Qual é a minha função aqui? Fazer um itinerário de manhã à noite, do dia perfeito em Aveiro, e eu acho que fui talhada para este trabalho, porque eu conheço mesmo muito bem, e quando conheço muito bem, não é, eu conheço os sítios que toda a gente conhece, eu tenho spots que são meus, que eu levo lá pessoas para ver ou nascer do sol, ou pôr do sol, que eu não partilho com ninguém,

que são os meus sítios onde eu também vou sozinha para me reencontrar, sítios onde vou passear com o Eisel. Então, tipo, eu achei mesmo que foi fixe este trabalho ter-me aparecido. É uma empresa norte-americana, eu já estou habituada a trabalhar com americanos e adoro, adoro mesmo, são muito práticos, é tudo muito rápido.

Aliás, eu tenho uma entrevista, uma entrevista, tenho uma reunião daqui a pouco com eles e sei que é uma coisa que vai demorar tipo meia hora. E depois querem afinar tudo, querem afinar onde é que eu vou comer, o que é que eu vou vestir e isso é fixe.

agora vai ser um estoiro do caraças para mim este trabalho vai ser gravado então o que é que eu tenho que fazer? eu tenho que gravar tudo, nem tenho que editar tenho que gravar tudo com o meu telemóvel e com os aparelhos que tenho à minha exposição seja o drone ou a câmera na verdade agora lembrei-me que fiquei de arranjar uma GoPro

E não arranjei. Mas também o Matel é uma vália à prova de água. Está-se bem. Isto porque, claro, que eu meti ali uma atividadezinha de paddle ou de caiaque. Ainda não decidi bem o que é que vou fazer. Porque ainda não consigo insuflar o meu caiaque sozinha. E chateia-me muito.

eu querer fazer alguma coisa sozinha com o meu cão e precisar de uma segunda pessoa para me ajudar eu não gosto disto pronto, então meti lá uma atividade aquática que vai ser ali na Ria ali na Costa Nova, se calhar atravessar então de paddle não sei se leva o Ezel porque o Ezel é toda uma outra gestão e eu tenho o dia todo de filmagens vai ser então

do nascer ao pôr do sol dois dias seguidos. É claro que o tempo na quinta-feira está uma valente bosta, está super nublado, mas a reunião agora, eles já sabem disso, porque eles já foram ver o tempo, por isso também vamos alinhar essas coisas aí. Mas é muito fixe, é uma oportunidade...

Fabulosa. Entretanto também estou aqui a organizar uma viagem. É uma viagem que vai ser uma viagem muito desafiante para mim, porque nesta linga-linga das escadas eu também já estou num patamar elevado de desafio a nível de viagem.

Viajar sozinha já não me assusta, mas eu faço um tipo de viagem sozinha que estou confortável a fazê-lo e agora estou a escolher um país que nunca ouvi falar dele até há um mês e gostei daquilo que vi, gosto muito daquilo que me anda a aparecer, já andei a pesquisar e estou encantada, encantada com esse novo país, mas vai ser um desafio.

vou aqui confessar, estou com um bocadinho de medo mas sinto que estou a precisar também estou a precisar de passar por uma etapa destas para voltar a mim no meu esplendor pronto, então estou a analisar isso e aquilo que eu estou a ver, porque ainda vai ser um investimento assim não vai ser um bruto mas vai ser algum dinheiro que vou gastar e estou a olhar para este gasto como um investimento porque eu sei que tenho aqui você você

6, 8 pessoas que querem viajar comigo para todo lado portanto basta eu ter alguma coisa mais apelativa e mostrar uma experiência por mim que estas pessoas facilmente alinham então vou tipo em exploração vai ser uma viagem de desafio vai ser uma viagem muito bonita

Vai ser uma viagem onde vou explorar para, quem sabe, depois para o ano, porque este é um país que tem uns determinados meses de viagem. O que isso também, quando isto explodir, vai condicionar um bocadinho, porque é ali de maio até agosto, vá.

o que não dá muita margem mas eu também quero aproveitar que ainda não está assim tão conhecido para lá ir estou a explorar esta viagem outra coisa que eu quero fazer também é finalmente dedicar-me ao meu livro que não estou a conseguir fazê-lo agora porque lá está

Tenho trabalho, ainda bem que tenho trabalho, mas não estou a conseguir, tipo, ok, vou fechar tudo e vou-me só dedicar a isto. Então, os meses de meados de junho, julho, agosto, estou cá. Portanto, aquilo que eu quero fazer é ali meados de junho até final de julho, vou só dedicar-me ao meu livro. Mas estou a falar, tipo, sei lá, de 5 a 8 horas por dia.

porque, epá, eu tenho tido boas ideias e tenho escrito, mas falta-me pegar no livro mesmo. Olha, tive esta ideia, vejam lá o que é que vocês acham. Na verdade, se vocês me pudessem fazer chegar algum feedback, a malta que ouve o Shelly Cass pelo Instagram era brutal, porque eu tenho a sensação, eu sei que não, mas tenho a sensação que estou sempre a falar sozinha, na verdade, aqui estou. Mas a ideia que eu tive foi. Imaginei.

O texto chama-se Concerto. E vou fazer, vou escrever, aliás já escrevi, duas versões do texto Concerto. Uma versão que existiu e que aconteceu, a versão real, e a outra versão que é só na minha cabeça. E só eu Encontro.

e se calhar mais uma ou outra pessoa, não é? Pronto, pelas circunstâncias de terem lá estado ou de saberem ou o que seja, só eu e essas pessoas é que vão saber qual versão do texto é que é realmente a verdadeira. O leitor não vai saber. O leitor vai ler, por exemplo, quando começar a ler o texto do concerto, vai acabar o texto, vai pensar, ah, ok, isto foi uma merda, não.

E depois, logo a seguir, aparece outra vez o concerto. E eu até estou a imaginar o leitor a andar para trás e dizer então ela enganou-se, ela deu o mesmo nome a dois textos. E depois começa a ler e o texto vai ter exatamente a mesma estrutura.

Por exemplo, um concerto que acontece numa capela, vamos imaginar. O concerto vai acontecer na capela, nos dois textos. Agora, há outras coisas que vão ali mudar. E o leitor vai chegar ao final desse segundo texto e vai pensar, então, quem sou eu? O que é que está a acontecer aqui, na verdade? O que é que aconteceu? Quando vocês estão a sentir saudade de alguém, alguém que já morreu, alguém que já não faz parte da vossa vida, uma amizade que terminou, vamos, o que for.

E às vezes vocês estão num sítio e estão a pensar, caramba, era tão fixe que esta pessoa aqui estivesse. Aliás, eu até consigo olhar para ali, para aquele cantinho, e meio que nos imaginar. Imaginar-nos a rir, a partilhar, a beijar, a abraçar, a chorar, a ouvir uma música, a tirar uma selfie, sei lá, o que vocês quiserem.

E então, a minha perspectiva vai ser aquilo que eu estou a imaginar e que gostava que até estivesse a acontecer, fazer disso um texto, mas na realidade eu estive ali sozinha. Ou não. Ou eu posso estar num concerto com alguém e aquilo não estar a correr muito bem, e eu estar a imaginar-me ali sozinha e ser assim que escrevo o texto. Lá está. O leitor nunca vai saber qual dos dois é que é verdadeiro ou não. Se calhar são os dois. E se calhar...

não é nenhum. Portanto, este ano vou lançar o terceiro livro e já tenho falado onde é que eu vou apresentar, vai ser aberto ao público eu normalmente faço uma coisa mais exclusiva e vai ser, vai ser aberto ao público mas com inscrição prévia ou alguma maneira de eu controlar ali os lugares, a partida está on agora falta-me só dedicar-me ao livro, portanto tenho mesmo

que reservar aqui horas e fechar, e se calhar até desaparecer um bocado do Instagram, tipo, deixar Instagram, deixar tudo aquilo que é barulho, para esta atividade, e só me dedicar a isto, porque eu estou a dizer, se calhar, fechar o meu calendário totalmente, meados de junho e julho todo, mas se eu me dedicar 5 horas ao livro todos os dias, muito possivelmente não vai demorar tanto, estão a perceber? Agora, temos aqui convosco o momento.

chaleila. Vamos buscar a faquinha da manteiga que chegou a hora de cortar os pulsos. Eu fiquei de vos ler um poema da senhora dona Adília Lopes. O texto chama-se Arte Poética.

Escrever um poema é como apanhar um peixe com as mãos. Nunca pesquei assim um peixe, mas posso falar assim. Sei que nem tudo o que vem às mãos é peixe. O peixe debate-se, tenta escapar-se, escapa-se. Eu persisto. Luto corpo a corpo com o peixe. Ou morremos os dois, ou nos salvamos os dois. Tenho de estar atenta. Tenho medo de não chegar ao fim. É uma questão de vida ou de morte. Quando chega ao fim...

Descubro que precisei de apanhar o peixe para me livrar do peixe. Livro-me do peixe com um alívio que não sei dizer. Quando vocês me mandarem uma mensagem no Instagram a dizer o que estão a achar deste podcast, digam-me o que acham destes momentos xal... Shut up! Deste momento xalaila. Porque se for para acabar com isto, eu acabo. Porque estas músicas...

Por exemplo, esta música, eu conheço esta música há muitos anos, mas na última viagem aos Estados Unidos que eu fiz pelos parques naturais, nós estávamos em Utah, não, Arizona, e tínhamos acabado de vir explorar o... Tínhamos visto o pôr do sol no Horseshoe Bend, que é aquele parque natural que parece uma ferradura de um cavalo, que fica tipo, parece um ilhéu.

rodeado assim de um rio e vocês estão tipo cá em cima, olha lá para baixo, pronto, vocês já viram esta imagem de certeza absoluta, depois disso fomos comer a um sítio, a um restaurante aberto com um patio, que é uma esplanada, onde se comia tipo smoked barbecue e pronto, é assim mesmo.

hardcore, meat a cheirar, vocês estão lá a cheirar a esturro, a cheirar a esturro aqui e estavam três homens a cantar e um deles estava a cantar esta música e eu quando, esta batida aquela batida inicial eu

Parto-me ao meio. Ora bem, que histórias é que eu tenho para vos contar hoje? Ontem foi dia da mãe e deixou-me um texto e eu tinha amanhã para fazer não sei o quê e passei amanhã a escrever porque eu estou aqui num dilema que eu sei que muita gente está de ser mãe ou não ser mãe. Eis a questão. Eu sei que quero ser mãe. Eu não me vejo com crianças.

Mas se calhar é as crianças dos outros, não é? Se calhar as minhas... Não sei, acho que vou gostar das minhas. Espero que sim, acho que sim. Agora, estou aqui com várias decisões para tomar internas, vá. Porque sinto que estar sempre no limbo me está a tirar liberdade. E hoje, curiosamente, falei com o meu avô ao almoço e disse avô.

Porque o meu avô tem sempre uma visão muito negativa daquilo que tudo está a acontecer e isto ainda vai ficar pior e nós vamos, Portugal vai passar fome, olha Cuba, blá blá blá. E eu disse, avô, se tu tivesses a minha idade agora, tu tinhas filhos.

E ele meio que hesita a responder, meio que dá a volta, meio que se ri, mas a resposta final foi, ponderava muito. E ter ouvido o meu avô a dizer isto, o meu avô passou pela Segunda Guerra Mundial, ele era cachopo quando acabou. Para ele me dizer isto é sinal de que eu não estou completamente tolinha quando penso em colocar um filho neste mundo. E porquê que há tanta dúvida em mim?

porque eu vou a uma clínica para engravidar. Eu não vou deitar-me ali com alguém random só para engravidar. Portanto, é uma escolha muito consciente. Ou não vou engravidar por acaso, a não ser que me deixa o Espírito Santo como a Nossa Senhora. Não sei se isso irá acontecer um dia, mas se acontecer, então, ok, sei que o filho é filho de Deus.

eu sou uma herége eu vou para o inferno por isso é que depois a Nossa Senhora olha para mim e diz tu queres que isto se realize então olha, toma e agora toma que vai a Fátima a pé o que eu falei com as minhas amigas todas e as minhas amigas também fizeram experiências promessas, então olhem agora em vez de irmos para o bar dançar até ficarmos sem sola no sapato vamos ficar sem sola no sapato a andar para a Fátima, é isso que vai acontecer

Então ontem foi dia da mãe e eu estive aqui a ver algumas fotografias porque quis ilustrar o texto que escrevi com uma fotografia da minha mãe comigo ao colo. Então fiz um, fiz, o chat GPT fez uma ilustração assim simplista, a preto e branco, dessa fotografia e encontrei outras. Encontrei uma que me mete medo ao susto, que era eu com 6 anos vestida e maquilhada de palhaço.

Então deixem que vos conte esta história. Estas histórias hoje são dedicadas à minha mãe porque foi o dia da mãe.

Eu disse à minha mãe, com 6 anos, que queria ir de palhaço para a escola. E ela disse, mas para isso nem precisas de fato, é só um dia normal. Então ela pediu à minha avó, que era costureira, para me fazer um fato. A minha avó foi, com todo o carinho, comprar o tecido e os pompons. A minha avó era super minuciosa e muito boa costureira. E a minha avó fez-me então um fato de palhaço. A minha mãe comprou uma peruca daquelas com aqueles fios assim coloridos, sabem? Não sei o nome disso.

e maquilhou-me de forma horrenda. O que é que acontece? Antes de ir para a creche, eu olhei-me ao espelho e pensei, não, não, eu, nesta ideia, a ideia que eu tinha de palhaço não é isto que está aqui o espelho a refletir. E então disse à minha mãe, não vou, não vou, não vou, não vou, não vou, não vou. A minha mãe a obrigar-me, não vou. E a minha mãe obrigou-me e levou-me, ela diz-me,

que me levou, sabem tipo aqui no finalzinho da vossa nuca, onde acaba o cabelo, imaginem alguém a torcer essa última pontinha do cabelo e a puxar-vos para cima, tipo, sei lá, como fazem aos cavalos. Então foi assim que a minha mãe o levou de casa à creche, que é tipo 100 metros. E eu fui assim, a chorar.

Cheguei lá, a minha educadora de infância, a dona Helena, disse à minha mãe, ó, Lisa, se ela não quer, não a obrigue, pronto, pronto, Michel vai para casa. E eu fiquei contente, porque tinha levado a minha avante e não ia assim vestida.

para a creche, a minha mãe veio furibunda, eu cheguei a casa e levei um enxerto de porrada tão grande e tipo chorei bué e a maquilhagem esborratada e tudo, eu estava com a cara branca e com tipo um losango preto no olho direito e um círculo do lado, no olho esquerdo, parecia um dálmata, um cão e então com a maquilhagem toda tipo...

e depois de ter chorado tudo virei para a minha mãe e disse eu agora quero ir

vai-se lá entender, não é? Pronto. Então a minha mãe levou-me assim. Achas que a minha mãe foi retocar a minha maquilhagem? Claro que não. E lá fui eu. Então ontem encontrei uma foto desse palhacinho. E agora, 20 anos depois, 30 anos depois, 30 anos depois, eu entendo porque é que as pessoas têm medo de palhaços. Foi porque as mães maquilharam-nos assim. Eu sou o trauma de alguém. A minha mãe era daquelas mães que tu quando chegas a casa, vais lá acima dar-me um beijo.

Lá acima está o tiro-liru-lí-ru lá, embaixo está o tiro-liru-ló. Lá em cima, e tem umas escadas interiores que dão acesso. Primeiro piso da casa, eu vivo num palacete.

Só que as escadas não são escadas normais. E quando não são escadas normais, não são degraus longos e seguidos, não. Então a minha mãe tem uma espécie de um retângulo pequeno para o pé esquerdo, um outro retângulozinho.

para o pé direito, ou seja, vocês sobem estas escadas, primeiro com o esquerdo, direito, esquerdo, direito, direito, é assim que vão subindo, vocês não sobem a direito. Então a minha mãe dizia, quando nós viéssemos para casa, para lá ir dar um beijo. O que é que acontece? Isto é na altura da universidade. Então, só eu é que andei na universidade das três, portanto, era um desafio chegar a casa toda bêbada e ter que subir estas escadas. E eu às vezes nem chegava assim muito tarde, mas já estava muito torta,

Então ia só ali ao início das casas e dizia, mam, e ela, eu já cheguei, e ela dizia, anda cá acima.

É que nem era só subir as escadas, era tipo o bafo, o bafabinho, o cheiro de cigarros. Eu não fumava, mas tipo, nós chegávamos a casa tipo a cheirar mal, cheira a vadiagem, sabem? O cabelo cheio de óleo, a roupa, cheira a grego. Uma vez cheguei com a casa, eu estava tão mal que alguém me veio trazer a casa, no meu carro, porque eu não conseguia conduzir.

Eu não sei como é que entra dentro de casa, mas deixámos o meu carro na entrada da minha casa. Ou seja, quem tivesse o carro cá dentro não conseguia sair. E então alguém me vai acordar, a minha mãe vai-me acordar e dizer Michelle, tens o carro? Dá-me a chave que eu vou tirá-lo. E onde é que está a chave? Eu digo, está no ananás.

A chave está no ananás. Minha mãe, o quê? Eu no ananás. O que é que é o ananás? O quê? Estás tola? Até descobri que o ananás era a caixa de correio. Foi ainda uma boa hora. E quando eu me levanto percebo que tenho a cama toda vomitada. Podia não estar aqui hoje a falar porque podia ter morrido no próprio grego na cama, o que é muito triste. Esta era a história menos.

Então isto foi uma altura da universidade onde isto era, isto era muitas vezes, muitas vezes que eu aparecia assim em casa. Numa outra vez, eu chego a casa, digo à minha mãe, cheguei, ela vem cá acima, e eu toda torta, eu subo as escadas toda torta, passo assim rente ao telefone de parede, epá, isto estou a ficar velha, e a minha mãe tinha um telefone de parede no quarto dela.

e eu varri com o meu ombro esquerdo o telefone, o telefone caiu ao chão, acorda-me o padrasto, e eu digo já cheguei, e dou-lhe dois beijos e deixo, mas a minha mãe percebeu que aquilo não estava bem, eu vou para o meu quarto, eu estava toda cega gente, eu vou para o meu quarto e na minha cabeça, eu estava a abrir a porta do armário para tirar o meu pijama, e eu vou para o meu quarto, eu vou para o meu quarto, eu vou para o meu quarto,

Mas não conseguia chegar ao pijama. Porque pronto. Até que eu ouço assim do meu lado direito. Tu estás linda. E eu olho para a minha mãe. Que está a olhar para mim. A tentar chegar ao armário. Mas eu estava tipo a um bom metro de distância do armário. Portanto eu estava só. A mexer no nada.

E olhei para a minha mãe, sorri, e a minha mãe disse, que a minha mãe chamou-me linda, não é? Pronto, deu-me um elogio. Sorri, e a minha mãe disse, tu amanhã vais ver, nós amanhã falamos. E eu, ah, fuck me. Isto foi quase na passagem de um ano, de um ano qualquer, onde eu tinha planos com os meus amigos e...

com uma pessoa que depois acaba por ser meu namorado ou seja, estava naquela fase de pronto, enfim, estava apaixonada ele ainda não estava apaixonado por mim não sei se alguma vez esteve no dia a seguir, minha mãe não me responde às mensagens, minha mãe não fala comigo, liga-me antes o meu pai a chamar-me para ir à casa dele, vou de ressaca, né, para a casa do meu pai você

e o meu pai diz-me é preciso internar-te? e eu, ui, Michel tu tá calado, eu para o meu pai não sorria não, não, acham, ele vai dizer-me estas merdas é preciso internar-te? é preciso levar-te para uma clínica de reabilitação de alcoólicos? tu estás a um metro do armário a tentar buscar o pijama toda cega, Michel mas que vergonha é esta, meu?

Tu chegas a esta idade e vais-me dar desgostos. E eu, foda-se, meu pai, meu. Eu dizia-lhe o meu pai. E ele, tu agora és uma bêbada? E eu, ei, cunca, olha, não estamos aqui a exagerar um bocadinho. Tu ficas a saber que estás de castigo. A tua mãe vai-te pôr de castigo. E vais passar a passagem de ano com ela. Os meus pais estavam divorciados. Olha que bela ter ligado ao meu pai. Eu só imagino o que é que ela lhe disse. Que não foi mentira.

Outra história, e para terminar este podcast, que eu acho que é a história mais hilariante que eu tenho com a minha mãe.

pelo menos da minha perspectiva, e já contei num stand-up, que é num enterro, eu fui sair com as minhas amigas, eu ia ao enterro várias vezes, aliás, uma dessas vezes fui ver Natirutz, fui com uma amiga e tínhamos uma garrafa de Coca-Cola ou Trinaranjo ou o que é que era, vazia, cheia de vinho, misturada com não sei o quê.

E o segurança virou-se para nós e disse vocês não podem entrar com isto aqui dentro. Então eu, a minha amiga, a minha amiga e eu, ok, vamos mandar isto de penalti. E mandámos. E ainda tive que estar na fila outra vez à espera. E desde que mandámos o penalti até chegar lá dentro, eu fui e fiquei toda cega. Toda. Toda cega.

E essa minha amiga vira-se e diz, vamos ver um shot. E eu disse, vamos. E eu vou ver o shot, e era tequila. E eu meto o shot à boca, engulo e vomito imediatamente para cima da minha amiga, que agora é mãe de gêmeos. E ela riu o seu rimo.

E ela, por favor, dê-me um guardanapo. E o rapazito dá-lhe um guardanapo para limpar todo o grego. E eu disse, amiga, eu não vou ver Natirut. Eu tenho que me ir imediatamente embora. Eu sou daquelas pessoas que quando vomita, morreu. Não sei como é que vocês são, mas eu a sou. Então, vomitei, morri, saí de lá.

E liga a minha mãe, porque a minha mãe sempre diz se vocês precisarem de alguma coisa, liguem. Então liga a minha mãe e diz mam, podes-me vir buscar. Eu comi alguma coisa que me fez mal. E ela, posso. E então eu saio do recinto e sento-me numa parede de mármore onde me percebo que era a paragem de autocarro para a malta que estava a chegar.

Então sabem, quando vocês saem do autocarro e veem uma alminha perdida, deitada ou sentada, com um ar acabadão, toda a gente passou por mim. Manadas e manadas de cavalos, sedentes de festa, a passarem por mim. Houve muita gente a parar a perguntar se eu estava bem. E eu estava tipo, deixa-me, bêbada, incorrigível. Até que a minha mãe me liga e diz, onde é que tu estás? E eu olho...

E vejo uma lata de Sperbock, daquelas insufláveis gigantes, lá longe e digo, ao pé da lata de Sperbock. E levanto-me, a muito custo, e começo a andar em direção à lata, que está tipo, se calhar, pá, a um quilómetro de distância.

E vou, vou, vou, minha mãe. Eu não te estou a ver. Onde é que tu estás? Lá vejo o cara da minha mãe. Quando vejo o cara da minha mãe, digo. Michel, encolhe a barriga, estica o peito, respira fundo e cala a boca. Abro a porta. E ela. Tu estás linda disso? Eu estou muito mal disposta. Eu comi alguma coisa que me caiu muito mal. Nem vi o concerto. Mentirosa nata.

A minha mãe lá vai, a minha mãe coitada de pijama, de óculos, que ela usa lentes, então tira as lentes para por óculos e ia com aqueles óculos que lêem boi letras, boi pequeninas. E lá fomos, epá, e o carro começa a andar, entramos na autostrada e eu digo, mam, eu vou ter que vomitar. Encosta e ela, Michelle, eu não posso encostar na autostrada, aguenta-te que eu vou mais rápido. E a minha mãe a 140, e eu, mam, eu vou vomitar. E ela, mete a cabeça fora, mete a cabeça fora.

e eu meto a cabeça de fora meto a cabeça de fora e começo a vomitar em andamento na autostrada paia 140 ou 150 conclusão gente, o vento era muito e o vento estava a madar no grego o grego estava a fazer ricochete no vento e a entrar para dentro do carro e eu olho para a minha mãe e a minha mãe está com os óculos cheios de grego e eu lembro de me rir mas não foi de riso tipo, ah, foi olhar para ela e pensar e eu lembro de me rir

eu estou tão fodida e ela nem ela estava tão furiosa que ela nada, zero ela só conduzia a mulher, coitada achámos a casa e ela tu vai te lavar e eu fui, não fui lavar, eu estava morta fui para a cama, eu consegui ver o ai da janela do meu quarto

E vejo a minha mãe, pá, às três da manhã, de pijama, com grego no focinho, com uma mangueirinha a lavar o carro. E eu, fecho a persiana sem fazer barulho e fui-me deitar. Era uma filha de merda, não é? Pá, também com 20 anos ou o que é que era.

E no dia a seguir acordo e tenho um bilhete debaixo da minha porta que dizia assim É favor com um garfo e tirar o arroz que ficou preso nas borrachas. E o arroz era cor-de-rosa. Com esta me despeço, beijinhos e até para a semana.

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