A cartada de Michelle, o revés de Flávio e o avanço da direita no continente
No Foro de Teresina desta semana, Ana Clara Costa, Celso Rocha de Barros e João Batista Jr. analisam os novos desdobramentos do caso Master após a retirada de parte do sigilo da investigação, que revelou detalhes sobre a atuação de Ciro Nogueira e Hugo Motta e motivou uma nova operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner. No segundo bloco, o trio discute uma apuração exclusiva sobre as festas promovidas por Daniel Vorcaro e a rede de relações políticas, empresariais e sociais que orbitava o ex-banqueiro. No terceiro bloco, os apresentadores tratam do avanço da direita radical na América Latina após a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e da disputa apertada no Peru, país que atravessa anos de instabilidade política.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft118/
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Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí.
Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido, disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.
Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros no estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!
Oi, Fernando, bem-vindo de volta. Oi, pessoal!
Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima, então eu tô absolutamente à vontade. Diga lá, Celso Casca de Bala!
Fala aí, Fernando, bem-vindo de volta. Estamos aí mais uma sexta-feira. Foi a governar Para todos os colombianos, para quem votaram por mim e para quem escolheram outro candidato.
Mais uma sexta-feira, eu estou de volta com muita alegria, mas o foro foi muito bem representado pela Ana Clara, que conduziu o programa de forma brilhante, e pelo querido João Batista, que é o nosso Vini Jr. das apurações. O Celso, eu nem preciso falar de você, né Celso? Eu não vou chamar você de Neymar porque você é canhoto.
Porque eu não fiz nada, né?
Esse é o Messi do foro.
É ruim, hein?
Vamos lá, sem mais delongas, aos assuntos da semana. E a gente abre o programa com a crise que se aprofundou e se escancarou na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro depois das declarações de Michele, sua madrasta. A ex-primeira-dama veio a público para detonar o enteado, eu não encontro outro verbo, num longo vídeo veiculado na última quarta-feira. O estupim do depoimento, ou seu pretexto, foi a condução da campanha eleitoral no Ceará.
Michelis colocou contra a aliança entre o PL e a candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado. Sua posição foi derrotada e os filhos de Bolsonaro abriram fogo contra ela. Isso já faz alguns meses, começou no final do ano passado. Agora veio o troco. Eu vou citar os melhores momentos porque a fala dela, muito pensada, é devastadora. Abre aspas: vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais, palavras duras, tom agressivo.
Apoiando um homem que chamou a ele e seus irmãos de corruptos e ovos de serpente nas estoides. Não foi só ele, os irmãos vieram junto, de forma coordenada, com textos bem parecidos. Pareceu combinado, premeditado. Elas prosseguem: Tenho direito de achar errada uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Ciro não terá meu apoio nunca. E na minha opinião, nunca deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro.
A seguir, Michele disse que procurou Flávio depois desse episódio. E daí diz: Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu me recolhi. Mais adiante: Eu sei quem planta as notícias contra mim, sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota. Mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam. O Flávio vai à minha casa toda semana.
Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário meu apoio, já teria conversado. Eu estou na minha, continuarei recolhida. Minha prioridade agora é cuidar da minha família, do meu marido que está precisando de mim. Meu futuro político está nas mãos de Deus, ele providenciará tudo. Eu não preciso de porta-voz. E daí ela diz: "O grupo da maledicência coordenada a partir de quem está no exterior continua agindo e me atacando todos os dias." Uma alusão clara ao Eduardo Bolsonaro.
"Fazem postagens e retiram do meu nome o sobrenome Bolsonaro. Não me atingem. Sei quem eu e meu marido somos. Mas será que eles pensam que estão provocando na vida da minha filha?" E daí ela conclui: "É importante dizer que eu não mando recados. Quando tenho algo a dizer, digo olhando no olho, como estou fazendo agora." "Não gosto de mentiras. Falei quase tudo do que precisava ser dito." Essa fala no final, enfatizando "quase tudo", é um recado claro: se for desafiada, Michele tem mais coisas pra contar.
O depoimento caiu como uma bomba no PL. Flávio procurou minimizar o estrago, mas ele é muito grande. Aliados do senador criticaram a atitude de Michele e nós vamos tentar entender as motivações reais desse gesto. As suas consequências, os bastidores dessa tremenda lavação de roupa suja. Onde está Jair Bolsonaro? Será que ele estava atrás das câmeras filmando a mulher? E tudo isso na sequência do desgaste no rastro do Dark Horse.
No segundo bloco, a gente vai tratar da saída de Jax Wagner da liderança do governo. Senador baiano, depois de uma semana de pressão, disse que a decisão foi acertada com Lula na quarta-feira de como um acordo. Não foi bem assim. A situação ficou insustentável depois que vieram à tona as revelações da PF sobre o envolvimento de Wagner com o escândalo do Master. A investigação cita vantagens indevidas ligadas ao Banco de Vorkaro, menciona contatos com Augusto Lima, sócio do ex-banqueiro, e a compra suspeita de um apartamento por R$2,5 milhões.
Jax Wagner negou as irregularidades, disse que atuou contra o banco e afirma que os $50 mil apreendidos no endereço dele em Brasília tinham origem legal. É o que se costuma dizer nesses casos. O fato é que a inclusão de Jacques Wagner na teia da roubança de Vorkaro cria um problema para Lula, que perde o conforto para tratar o escândalo só como problema da direita. Por fim, no terceiro bloco, a gente olha para a América Latina, onde a direita radical avança.
O advogado Abelardo de la Espriella Ou Sprieja, pra você que não fala inglês, como diz o Chico Raiz, tanto faz. Venceu as eleições presidenciais na Colômbia por menos de 1 ponto percentual de vantagem. Ele derrotou o senador Ivan Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro. Outsider com figurino típico da nova direita radical, Sprieja fez uma campanha prometendo agir com mão de ferro contra o crime, o narcotráfico e a corrupção.
Prometeu construir mega presídios e atacou os acordos de paz da atual gestão. No Peru, Keiko Fujimori aparece à frente de Roberto Sánchez por uma vantagem mínima também, depois de semanas de revisão dos votos. Não é pouca coisa num país que teve 9 presidentes em 10 anos. E é possível que a gente acabe o programa e já tem outro presidente por lá, Celso.
Exatamente.
O fato é que a América Latina vai sendo dominada pela direita extremada alinhada a Donald Trump, ampliando o poder do neoimperialismo norte-americano sobre a região. O Brasil é a grande exceção, por enquanto. É isso, vem com a gente. Muito bem, Celso Casca de Barro, vamos conversar com você. Não pudemos nem assistir direito o jogo do— pudemos assistir, é verdade, né?
Mas a Michelle escolheu o horário do jogo, fez o show do intervalo, né, cara?
Show do intervalo. É, vamos falar um pouco do show do intervalo então. Como é que isso caiu?
É uma bomba, né, essa na campanha do Flávio. Basicamente, o vídeo da Michele é uma declaração de retirada de apoio na prática, né? Assim, o que ela tá querendo dizer é que ela não apoia o Flávio Bolsonaro para presidente. Ela não diz isso com todas as letras, mas ela deixa claro que não quer participar, que continua na dela lá, apesar dos ataques do Flávio, dos aliados do Flávio. É muito incisivo o vídeo da Michele. Como você disse aqui, ela faz uma reconstituição da trajetória dela como presidente do PL, mulher esse trabalho todo de tentar reconquistar o voto feminino pro bolsonarismo, que é uma coisa que os ouvintes habituais já notaram toda vez que a gente fala de pesquisa aqui.
A situação dos bolsonaristas é pior no eleitorado feminino do que no eleitorado masculino. Então esse trabalho que ela faz evidentemente pode ser decisivo em termos eleitorais. E o tom que ela usa é bastante agressivo, né? Ela parte muito pra cima do Flávio na briga pela escolha dos candidatos no Ceará, né? Ela tem uma aliada forte lá que é a Priscila Costa. Que trabalha contra a candidatura do Ciro Gomes, que é apoiada pelo André Fernandes e pelo Flávio.
E inclusive, cá entre nós, ela levanta uma questão que não deixa de ser relevante, que é: a Priscila Costa estaria sendo preterida durante essa formação de chapa para o Senado por causa da aliança com o Ciro Gomes. E aí a Michelle perguntou: "Ué, por que o André Fernandes não sacrifica o pai dele, que também é candidato?" Enfim, é uma briga meio bacharia mesmo, né? Enfim, meio Casos de Família, aquele programa que tinha antigamente.
Mas ao mesmo tempo o vídeo não é absolutamente estridente ou histérico, uma coisa feita impulsivamente. Ela claramente planejou, o vídeo tem uma produção.
Segundo a senadora Damares, melhor amiga dela, foi gravado há alguns dias já, não foi gravado agora. Olha só, já tava pronto.
Exatamente.
E aí a equipe da Michelle, segundo a Damares, tava esperando o melhor momento para soltar.
Olha só, pois é, assim, é um vídeo profissional, assim, até a postura dela é uma postura de candidata a presidente, né?
O Celso, profissional, você tá forçando a barra, né? Profissional, não, assim, eu achei bem feito. É meio aqueles vídeos lá do governo passado dele, sabe aquelas lives das 6 da tarde que ele fazia, que era da Al-Qaeda?
Não, mas é muito melhor produzido do que os vídeos do Bolsonaro.
Eu achei melhor do que aquilo.
Mas a estética ali não foge muito, a estética extrema-direita, para um negócio que tá feito há dias.
Tem uma Estrela de Davi ali, né, cara?
E ela é mais articulada que o Bolsonaro e que todos os filhos também.
Então assim, é um negócio planejado, não é uma reação impulsiva. E a maior prova de que não é uma reação impulsiva é porque quase todos os fatos que ela narra de atuação do Flávio e dos aliados dele contra ela São do final do ano passado, do começo desse ano, naquela briga toda da escolha dos candidatos do Ceará. Ela evidentemente tá falando especialmente do Alain dos Santos, aquele marginal lá que mora nos Estados Unidos e que com a sua classe e categoria característica postou um dia desse que a Michelle estava cagando para o Bolsonaro.
É basicamente direcionado ao Flávio, ao Eduardo esse vídeo, e ao Carlos também, com quem todo mundo sempre soube que ela tinha uma relação difícil. Mas aí a questão é o seguinte, ela sempre teve uma relação difícil com esses moleques. Que todos são os moleques de 40 e tantos anos na cara, né?
Mas enfim, os marmanjos.
A história do Ceará já faz alguns meses que aconteceu. Então a grande questão que tá todo mundo se perguntando é: por que que ela fez isso agora? Por que que ela resolveu trazer essa briga para público agora? Ela o tempo todo no vídeo faz questão de deixar claro que nenhuma das decisões dela sobre a eleição do Ceará, sobre outras brigas por indicação de candidatos ao Senado, Ela deixa claro que isso tudo foi por ordem do Bolsonaro.
Ela diz assim: o Bolsonaro falou, vai lá e compra essa briga. No caso do Ceará, ela disse que o Bolsonaro deu para ela uma missão. Ela pode estar inventando, pode ser verdade também. E o que ela insinua de maneira muito pouco sutil é que o Flávio tá tomando decisões contrárias ao que o Bolsonaro manda. Então assim, ela tá dizendo que a briga dela com Flávio é praticamente irreversível. Ela tá dizendo que ela não faz nada sem apoio do Bolsonaro.
E aí evidentemente a comentação, e acho que as pessoas assistirem o vídeo perguntando: ué, mas então vem cá, esse vídeo foi feito com autorização do Bolsonaro? Ela também deve causar um dano grande nesse eleitorado feminino evangélico, onde ela é extremamente popular, porque além de acusar o Flávio de grosseria, de mostrar posts ofensivos a ela, etc., ela também deixa bastante claro que as candidatas mulheres que ela apoia estão sendo preteridas.
Isso é importante porque o Flávio fez vídeo com a mulher, etc., falando que ele é o Bolsonaro moderado, do que a mulher dobrou ele. A mulher fala: eu civilizei ele. Ela não fala civilizei, ela usa outro verbo.
Trabalhinho ruim, hein, minha senhora? Porra.
Ele divulgou alguns vídeos exatamente com esse mote.
Exato.
Então ela vai no coração da estratégia dele.
Exatamente. E o que ela tá dizendo é o seguinte: olha, eu tô tentando empoderar as mulheres de direita, tô tentando empoderar as mulheres evangélicas. Ela diz: ó, se fosse para atender o critério de 30% das candidaturas ao Senado esse ano, eu teria direito a indicar 17. Candidatas mulheres ao redor do Brasil, né? E eu só tô insistindo em 3, e tá muito difícil manter as 3. Então assim, seria a Bia Kicis, a Carol de Tone, que é a que tem aquela briga com Carlos Bolsonaro, né, em Santa Catarina, que é justamente um lugar onde o Bolsonaro mandou o filho lá para tirar a vaga de uma mulher de direita, que era a Carol de Tone.
E é o que ela tá dizendo, em parte assim, dizendo: olha, movimento de mulheres evangélicas que me tem como uma referência. Os filhos do Bolsonaro estão trabalhando contra vocês. Então eu imagino que o Bolsonaro, se pudesse se pronunciar em público, diria: minha senhora, a senhora não notou que nosso movimento é machista oficialmente? A senhora realmente achou que tem empoderamento feminino nesse negócio? Não é possível. E ele teria uma certa razão cá entre nós.
Mas o fato é que é um negócio muito bem feito para bater onde vai doer, para bater no eleitorado menos estável que o Flávio Bolsonaro tá tentando pegar.
E aí surge a grande questão, como eu disse, Ela fez isso agora por quê?
Porque ela quer se viabilizar como candidata. É uma possibilidade. Ela tá vendo que o Flávio caiu nas pesquisas depois das revelações do áudio do Forcar, e tá querendo falar assim: não, vou dar uma última cartada aqui para tentar ser a candidata. A outra, que ela já tá antecipando algum movimento dos filhos contra ela. E a outra que me ocorre é que ela sabe que vai aparecer mais sujeira do Flávio e ela não quer nadar perto do cara que tá se afogando, entendeu?
Então ela tá vendo que a coisa vai ficar difícil, vai falar: não vou embarcar nisso aqui não, vou me preservar para a próxima eleição, eu apareço, entendeu?
E essas motivações que você elenca não são excludentes, né?
Não são, exatamente. Mas enfim, evidentemente a turma do Bolsonaro vai fazer o possível para tentar abafar essa briga, né? Tá uma tensão ali, entendeu? Então assim, a gente pode imaginar que os bastidores lá da campanha do Flávio devem estar pegando fogo, porque é uma porrada, inclusive num momento em que eles estavam tentando vender a versão de que o pior já tinha passado, né? Saiu um datafolha com a diferença, o Lula ganhando ainda, mas uma diferença menor do que nas pesquisas feitas logo depois do áudio do Borcardo.
Muito bem. Ana Clara, eu estava com saudade, estou com saudade ainda. Eu sei que você tem apuração porque você estava falando inclusive agora pouco antes da gente gravar com pessoas.
Pois é, eu e meu telefone, meu telefone e eu.
Ao contrário de mim, ela adora falar com pessoas.
É que eu não tenho alternativa. Bom, gente, primeira premissa que a gente tem que olhar ao analisar essa situação é a premissa do caos, né? O bolsonarismo, ele não vive dentro de uma lógica linear de acontecimentos e de estratégia. É a lógica do caos, né? E o governo Bolsonaro foi conduzido na lógica do caos. E sempre que o Bolsonaro é colocado numa situação de escolha de algo, né, e pode ser qualquer coisa, nunca é um processo simples, né.
Nunca o bom senso, o que é razoável, prevalece. Nunca.
Não passa pela linha racional, né. São variáveis ali muito alheias à compreensão da maior parte das pessoas, que talvez só o bolsonarismo compreenda mesmo. Vou dar um exemplo recente, né, relativamente recente. Na eleição para prefeito de São Paulo, em que ele declarou apoio, foi jantar, deu dinheiro do PL para o Ricardo Nunes, ele ao mesmo tempo começou a fustigar o Ricardo Nunes nos bastidores e levantar a bola do Pablo Marçal.
E essa atitude da Michele é um pouco isso. Ainda não se sabe se ela seguiu uma orientação do Bolsonaro ou se ela teve a ideia de fazer o que ela fez e o Bolsonaro apenas concordou ou não se opôs, né? A gente não sabe o grau de concordância do Bolsonaro com isso, mas no próprio vídeo dela ela diz que ela não faz nada sem o apoio do marido. E um outro sinal de que o Bolsonaro estaria de acordo com o que aconteceu, ou pelo menos não seria uma força opositora a isso, é uma declaração do Coronel Melo Araújo, vice-prefeito de São Paulo, que hoje é um dos principais aliados do Bolsonaro.
Ele vai visitar o Bolsonaro, vive indo para Brasília. Ele é o cara que o Bolsonaro queria como candidato ao Senado em São Paulo e os filhos não deixaram. E o Mello Araújo concordou com a Michele. Ele deu uma declaração dizendo que ela tava certa. Então a declaração dele também foi vista como uma sinalização de que o Bolsonaro concordava com aquilo. Agora, entre o Bolsonaro concordar com o que aconteceu E o Bolsonaro achar que ela tem que ser a candidata a presidente do PL é um caminho mais longo.
Candidata a presidente da República pelo PL, você disse?
Isso, candidata a presidente pelo PL. Porque— e aí agora eu vou falar uma apuração que eu tava fazendo aqui antes desse vídeo ser divulgado sobre a situação da campanha do Flávio. A campanha do Flávio, ela tá rachada entre um núcleo Bolsonaro raiz e um núcleo queremos vender o Flávio como moderado, e que é o núcleo do Rogério Marinho. E até esse momento, o núcleo do Rogério Marinho tá ganhando, ele tá comandando absolutamente tudo, inclusive essa ideia de vendê-lo como alguém mais palatável, de tentar aparar algumas arestas ali mais radicais.
E a turma bolsonarista tá reclamando que o Flávio tá escondendo o pai, sendo que ele só é o candidato porque o pai É o pai. Então a situação tá muito dramática dentro da campanha. Você tem pessoas super insatisfeitas que tão fazendo fogo amigo, falando mal do Rogério Marinho, do marqueteiro, de todo mundo, para imprensa, justamente para criar esse caldo ali de descontentamento. O que essa turma bolsonarista raiz alega é que o bolsonarismo vai morrer por causa do Rogério Marinho e do Flávio, que só ouve hoje o Rogério Marinho.
Então os aliados de longa data do Flávio, e aí vou citar um específico que é o Fernando Pessoa, não é o poeta.
Poxa, coitado do Fernando Pessoa.
Não é o poeta.
Coitado do Fernando Pessoa.
Eu preciso dar essa explicação.
Fernando Pessoa tem um heterônimo que é advogado.
Exato, exato.
Fernando Pessoa, que não é o Fernando Pessoa, Esse digníssimo senhor Pessoa tá com Flávio há muitos anos, assim, desde muitas rachadinhas atrás. Olha só, é uma relação longa, é uma pessoa que tem a confiança do Flávio, tem acesso ao Flávio, e nem esse cara tá conseguindo conversar com Flávio sobre o que tá acontecendo. Então ele é um dos descontentes ali da turma. A única coisa que o Rogério Marinho não tem dentro da campanha é o digital do Flávio, que tá com esse Fernando, mas de resto todas as decisões estão sendo tomadas por ele com aval do Valdemar, ou seja, com dinheiro do Valdemar, né?
Quando a gente fala Val, o que queremos dizer é aquele poupu do fundo partidário e fundo eleitoral que o PL tem hoje. Enfim, eu tô dando esse exemplo do Fernando, mas há várias pessoas na campanha que estão insatisfeitas. E aí o Flávio, por exemplo, ele tem circulado por aí junto com aquela Daniela Marques. Ela é uma pupila do Paulo Guedes e foi uma das assessoras do Paulo Guedes no Ministério da Fazenda no governo Bolsonaro, trabalha no mercado financeiro, e ela tá saindo aí a tiracolo com Flávio para tudo quanto é lugar.
E há especulações de que ela seria uma indicação do Flávio para Ministério da Fazenda, caso ele viesse a ganhar, né? E aí essa turma bolsonarista tá super irritada com isso, porque ela não é do meio, ela não é bolsonarista como eles, ela não é da turma raiz mesmo, né? E aí já estão achando que o Flávio quer colocar ela de vice para tentar justamente conquistar Mulheres, que ela teria dinheiro do mercado financeiro para bancar uma campanha.
Exemplo disso é o fato de ela tá andando por aí o tempo todo com uma equipe de filmagem atrás, sendo que nem candidata a nada ela é. E só porque a gente tá falando disso, vale dizer que o Paulo Guedes não está em on trabalhando na campanha do Flávio, mas está em off. Ele tá nos bastidores, agora vai auxiliando ali na pauta econômica, seja ela qual for. E aí, esse racha, ele passa inclusive pela escolha do marqueteiro, né, que agora é o Eduardo Fischer, a gente já falou aqui, né, que é um publicitário ali de São Paulo.
Até os marqueteiros brigaram, porque chegou um momento agora que entrou esse Eduardo Fischer na campanha junto com Walter Longo, que também é um publicitário com anos de mercado, o que é até meio chocante, né, porque são pessoas que tinham carreiras bem-sucedidas no mundo da publicidade. E você geralmente não vê pessoas com carreira bem-sucedida no mundo da publicidade trabalhando na comunicação do bolsonarismo, né? Mas eles toparam.
Inclusive, quem indicou o Eduardo Fischer foi o Paulo Figueiredo, pra vocês verem onde estão os papas da publicidade, por onde eles estão andando, né? Então é esse nível de desarticulação, de briga, de guerra interna, de ódio. E lembrando que esse Eduardo Fischer entrou na campanha porque o marqueteiro anterior, o Marcelão, chamado de Marcelão, tava envolvido com o Master naquele monte de campanhas de difamação do Banco Central, mas esse Marcelão continua tentando influenciar a campanha nos bastidores.
Marcelão que tem vários contratos com o governo federal, inclusive a agência de publicidade dele. Eu tô colocando todo esse cenário para vocês porque quando a Michele solta esse vídeo, ela tá representando essa parcela do bolsonarismo que tá insatisfeita com a campanha do Flávio. Então, até que ponto ela fez isso para ela derrubar a candidatura do Flávio, a gente não sabe. Mas o que é um fato incontestável é que, ao se colocar dessa forma e se distanciar dessa turma que cerca o Flávio, ela de certa forma também tá protegendo esse bolsonarismo raiz que tá tão insatisfeito com a campanha.
Então, isso é o efeito mais imediato. Agora, O que que as pessoas que estão em volta dela esperam que aconteça a partir de agora? Que ela volte a ser considerada. Não há uma expectativa que o Bolsonaro fale hoje: "Ah, ó, Flávio, tchau, entendeu? Sai daí, que agora a Michele que vai assumir e tal." Não existe essa expectativa no entorno do Bolsonaro de que algo parecido com isso aconteça. Mas os movimentos na política, eles são um pouco menos diretos, né?
Às vezes eles são mais indiretos. Então, quando ela faz esse movimento, Ela pode agora passar a ser novamente considerada pelas pesquisas eleitorais, coisa que ela já não era. E a partir do momento que ela é considerada pelas pesquisas, ela pode performar melhor que o Flávio, a depender do que aconteça no caso master. Então ela deu um primeiro passo para algo ainda imponderável, com o aval do Bolsonaro. O que eu acho que vale a gente também ter em mente a partir de tudo isso que tá acontecendo é que Independentemente da Michelle e do Flávio estarem brigando, tamanha calcificação de eleitorado, é muito difícil que alguém pegue e fale: olha, eles estão brigando, acho que eu vou votar no Lula, entendeu?
Claro que é uma nuvem de fumaça, é uma chuva de areia ali no cercadinho deles e tal. É ruim quando você tem uma divisão assim na campanha, etc. E que se a gente pensar que no ânimo geral, né, do cenário político, isso pode deixar o PT um pouco mais mais tranquilo, digamos, ao saber que o adversário tá tão desarticulado. Beleza. Mas assim, olhando um pouco no horizonte da campanha, a gente achar que essa briga vai fazer alguém deixar de votar no candidato Bolsonaro para votar no outro, é assim, não vai acontecer, entendeu?
E outra, a situação é bem dramática, porque com tudo isso que tá acontecendo, dark horse e afins, tudo isso que o Flávio representa, A situação hoje, segundo o Datafolha, é muito mais desfavorável pro Lula do que foi em 2022 nessa mesma época. Nessa mesma época em 2022, o Lula tinha 57% das intenções de voto, segundo o Datafolha, e o Bolsonaro 34%. Hoje há um empate, mesmo com master, mesmo com tudo que tem envolvendo tudo isso.
Sem dúvida.
Então é ruim pra campanha do Flávio o que tá acontecendo, mas não parece ser algo definidor. Que muda o jogo, entendeu? Não parece mudar o jogo.
Claro, por enquanto. Lembrando que legalmente as candidaturas precisam ser definidas até 15 de agosto. As convenções são antes, mas até 15 de agosto, por exemplo, a gente pode ter o Celso candidato a presidente da República. Olha só, é até 15 de agosto, então ainda tem um prazo aí. Embora a viabilidade política seja muito de fazer mudanças, quanto mais perto vai chegando, vai ficando mais difícil de fazer isso. Do ponto de vista legal, isso é possível.
Então tá bom, a gente termina então o primeiro bloco do programa por aqui, fazemos um rápido intervalo, vamos falar de Jax Wagner do PT e do governo no segundo bloco. Já voltamos. Olá, aqui é o Fernando de Barros e Silva do Foro e da Revista Piauí. Tô passando para convidar você para ler o artigo que eu escrevi para edição de junho, que se chama Em Busca do 10 Perdido. É uma mistura de reportagem com ensaio, uma espécie de esboço intelectual sobre a natureza dos nossos meia-armadores.
Raízes do camisa 10, com o perdão da ousadia. Acho que o Sérgio Buarque me perdoaria por essa. Estamos na fila 24 anos e todas as vezes em que a gente levantou o caneco, a gente tinha um grande 10 em campo. Didi em 58 e 62, junto com Pelé. Em 70, nem preciso dizer, a seleção era uma coleção de 10 magníficos. Pelé, Tostão, Gerson e Rivellino. Em 2002 a gente tinha o Rivaldo além do Ronaldinho Gaúcho. A exceção é 94, quando uma equipe defensiva se valeu da dupla dinâmica na frente e da genialidade do baixinho que resolvia tudo.
Não temos um 10 hoje, a não ser que a gente acredite neste Neymar da atualidade. Eu confio mais em Ancelotti do que no jovem senhor que ainda se vende como menino. Confio que o nosso italiano, um técnico Cosmopolita, Ponderado e Aves Fosfoguetórios pode extrair o melhor desse grupo que é bom, mas está longe de ser o favorito. A sorte está lançada! Enquanto a bola não rola, o assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br. Vem comigo em busca do 10 perdido!
Olá, ouvinte do Foro. Eu sou Luiz Brasilino, editor do Le Monde Diplomatique Brasil. Quero te convidar para ouvir a nova série especial do podcast Guilhotina: Democracia sob Cerco— Como a extrema-direita se reorganiza no Brasil. São 8 episódios com pesquisadores que ajudam a entender como atua a direita radical e por que suas ideias ganham tanta força no Brasil e no mundo. A série é uma parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo e já está disponível nos tocadores de podcast. Vai lá e aproveita para seguir o canal do Guirotina.
Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos com você. Até o vídeo da Michelle seria nosso Bloco de abertura: a saída de Jax Wagner da liderança do governo no Senado. Ficou para o segundo bloco, por razões óbvias. O que você apurou a respeito? Qual o tamanho do estrago e o que vem pela frente?
Bom, Fernando, quando o Master, enfim, começou a avançar e começaram a sair notícias sobre o envolvimento do Jax Wagner, até pelo histórico dele de amizade com Augusto Lima, O Lula chamou Jax Wagner e perguntou para ele que bolada nas costas que o governo ia tomar, né? E o Jax Wagner disse que com o Master ele não tinha nada, que ele tinha de fato uma relação com Augusto Lima, mas que ele não tinha feito nada com Master, não tinha, enfim, atuado em defesa do Master objetivamente.
Aí quero fazer uma pausa: Augusto Lima é Master. Então assim, ao ouvir isso do Jax Wagner e o presidente Lula não ter tirado o Jax Wagner da liderança do governo, Isso já foi uma coisa totalmente incompreensível, né? Mas foi o que aconteceu. Quando aconteceu essa operação, o Jax Wagner disse para aliados dele que esse dinheiro que foi encontrado na casa dele, esses dólares, são dólares de diárias do Senado de viagens, e que era perfeitamente rastreável porque muitos dos envelopes eram do próprio Senado e que daria para comprovar que ele recebeu essas diárias do Senado.
Agora, o Senado pagar diárias que podem somar cerca de $50.000 e €33.000 para um senador, ele realmente precisa viajar muito, né? Ele tem que comprovar mais viagem do que permanência no Senado, vamos concordar, né? Mas é isso que ele vai alegar na defesa dele, que esse dinheiro, essas notas foram notas das diárias do Senado. Aí, ah, por que que ele não pediu para sair da liderança logo que aconteceu tudo, né? Porque ele estava na Bahia, porque ele não estava em Brasília, porque ele teria que pegar um avião. Olha só, cara, Salvador para Brasília.
Negócio que acabou de ser inventado, né?
Pois é, né?
Tecnologia nova.
Pegar um avião para ir para Brasília e conversar com o presidente Lula e entregar o seu posto de líder do governo no Senado. Ele queria fazer isso pessoalmente e não por telefone. E aí na quarta-feira foi quando ele de fato pôde ir. Isso é a versão oficial. A grande realidade é que você determinar quarta-feira, dia do jogo do Brasil na Copa, como a data para anunciar isso é uma tática manjada de diversionismo, né? Óbvio que eu não entendo porque que a Michelle, né, porque que ela colocou o contrato.
Ela resolveu soltar o vídeo bem todo mundo discutindo assim: "Será que o Neymar vai entrar?" Exato.
Quando é que é o próximo jogo do Brasil? É segunda-feira, é isso? Segunda-feira, segunda vez.
Aguardem coisas. Mas o fato é que o governo ficou fritando em todos esses dias. O Jax Wagner pensou nele, né, na manutenção da influência dele, na manutenção da liderança dele. Ele não pensou no governo em nenhuma hipótese. E o Lula, que poderia ter terminado esse assunto muito antes é o Lula, né? Ele não gosta de se envolver em confronto nenhum, né? E parece que conforme o tempo passa isso tá piorando, né? Então, por incrível que pareça, ele pegar o telefone e demitir um cara, demitir um senador da liderança ou demitir um ministro, isso tem se tornado muito difícil para o Lula fazer ao longo desse último governo dele.
E aí foi isso que aconteceu, só que agora o desgaste já tá armado, né? O que o governo pretende fazer para tentar desmontar a narrativa de envolvimento com o Master é direcionar o foco da conversa para o fato de as instituições estarem trabalhando com autonomia e de a Polícia Federal ter feito essa operação, mesmo sendo uma operação contra o próprio líder do governo, e não ter havido nenhum tipo de manipulação do governo contra isso, ou do Ministério da Justiça, que inclusive tem um ministro que foi indicado pelo próprio Jax Wagner, que é um ex-procurador Baía.
Então é nisso que o governo vai investir. Então assim, é nisso que o governo vai apostar para tentar se livrar da pecha de envolvimento. Vai dizer que o Master caiu porque o Banco Central deste governo investigou, ao contrário do anterior, e o Jax Wagner foi alvo de uma ação porque o governo não tá interferindo.
Muito bem, Celso, deixa eu te ouvir sobre esse episódio.
Bom, Fernando, Jax Wagner tinha que sair mesmo da liderança do Senado, né? Assim, porque A explicação precisa do qual é o envolvimento dele nesse rolo a gente ainda vai esperar para ver, mas se ele tava negociando apartamento com o pessoal do ecossistema master lá, é porque alguma coisa tá mal explicada nisso aí, certo? E ele precisa sair da liderança e fazer sua defesa e tal, como todos os outros acusados. Agora, o governo não podia ficar mancando de uma perna, ainda mais num semestre de eleição, tendo seu líder no Senado alvo de acusações do escândalo Master.
Quais são as acusações contra o Wagner? A gente já sabe quais são os indícios. Esse dinheiro todo que acharam com ele. Mesmo se esse dinheiro todo não vier do esquema do Master, você tem o que eu acho particularmente mais suspeito, o dinheiro que foi pago pelo ecossistema Master pra empresa da nora dele. Isso aí eu acho bem mais suspeito porque é bem o modus operandi do Vorkário mesmo. Você vê como... Todos esses outros caras aí que foram envolvidos até hoje têm umas empresas da família, o pagamento é feito por intermédio desses mecanismos, né?
Então assim, aquele tem que se explicar de alguma coisa aqui, obviamente tem. Agora, o que que ele entregou para o Master, né, para justificar que ele ganha isso tudo? No caso dos bolsonaristas, a gente já falou aqui mil vezes, né, os governos bolsonaristas deram bilhões em dinheiro de aposentado para o Master, o governo bolsonarista de Brasília tentou salvar o Master com o BRB, praticamente quebrou o BRB tentando fazer isso. Então a curiosidade aqui é: o que o Jacques Wagner, ou o pessoal do PT da Bahia em geral, fizeram pelo Vorkar?
Na decisão do André Mendonça, que autorizou a operação contra o Jacques Wagner, ele cita sobretudo questões relacionadas à sua atuação como senador, sua atuação parlamentar. Ele não apresenta ali quais seriam as evidências de que ele teria feito isso, mas a acusação é que ele teria trabalhado pela aprovação da Emenda Master do Ciro Nogueira, por um projeto do Bolsonaro de 2022 que autorizou crédito consignado pros recipientes de Auxílio Brasil, que depois voltou a ser o Bolsa Família, né?
E ele teria também atuado a favor do Banco Master na discussão sobre o BRB poder ou não comprar o Master, né? Isso aí até agora, pelo menos, a gente não conhece evidências públicas disso. Então, se a Polícia Federal tiver, ainda não foi divulgado, né? Agora, o que tem do PT da Bahia que é forte de ligação com o Master não é isso, é o Crédito Sexta.
Certo.
O ponto de entrada dos petistas que estão envolvidos com o máster dessa história é um programa de supermercados populares, uma coisa dessas que tinha na Bahia, que foi criado, se não me engano, pelo Antônio Carlos Magalhães, e que foi privatizado no governo do Rui Costa quando o Jacques Wagner era secretário. E esse era um programa altamente deficitário que eles já estavam doidos para privatizar de qualquer jeito. E parece que o Augusto Lima teria sugerido: ó, se vocês botarem no pacote, eu compro isso aí, ganho o direito de fazer um "Um cartão de crédito pra fazer crédito consignado pros servidores." Mas na época eles também tiveram que aprovar uma lei pra permitir o aumento do endividamento via consignado por cartão de crédito.
E aí começa meio que os problemas, porque você até, você diz assim: "Privatizar o programa obviamente não é crime." E tem gente do PT da Bahia que diz assim: "Cara, olha só, a gente privatizou, se ele pegou isso depois pra fazer sacanagem, não fomos nós que fizemos." Mas não é bem assim, porque você tem, como disse a Ana, projeto de lei pra aumentar o limite pro endividamento, E um projeto do Rui Costa, que era governador na época e hoje é chefe da Casa Civil, para impedir que as pessoas que estão com dívida lá no Crédito Sexto, os servidores, pudessem migrar essa dívida para outros bancos que oferecessem juros menores.
Então assim, se você for calcular o quanto foi desviado nesse esquema, o que você tem que procurar é essa diferença de juros que o cara teve que pagar a mais por ter sido obrigado a continuar no Crédito Sexto. E qual era a sacanagem do Credicesta? Há várias denúncias que eles ligavam para os servidores, muitas vezes pessoas idosas, ofereciam um dinheiro como se fosse crédito consignado, uma dívida que você pega e desconta diretamente do seu salário.
E aí a pessoa aceitava, mas o que ela tava contratando na verdade não era isso. Ela recebia um cartão de crédito em casa e era isso que ela tava contratando. Então todo mês saía um descontinho na na folha salarial da pessoa, e ela achava que aquilo ali era como no esquema normal de crédito consignado, que era a dívida sendo abatida, né, você pagando a dívida aos poucos. Mas não era, porque na verdade você não pegou um empréstimo consignado, você entrou num sistema de crédito rotativo de cartão de crédito.
Então aquele troço que estava se descontando ali era só o mínimo necessário para manter o crédito do cartão de crédito. A sua dívida continuava igual eternamente. Até que um dia você descobria isso, você percebia que era uma dívida gigantesca, você ligava lá e os caras te ofereciam um serviço, dizia: "Ó, você quer converter isso no empréstimo consignado?" E aí você fazia. Mas assim, há muitas denúncias, processo na justiça e tal, que sugerem que o Credicex era operado com essa fraude, enganando os servidores que estavam comprando um serviço que eles faziam lá com a conta.
"Ah, eu posso marcar aqui com empréstimo consignado." Mas na verdade eles estavam pegando dinheiro pelo juro do crédito rotativo, que é um— todo mundo sabe como é que é, e a dívida não diminuir. Então eu acho que esse negócio do crédito é o que tem de grave mesmo contra os petistas da Bahia. Essa atuação parlamentar de Jacques Wagner ainda estamos para ver, porque ainda não saiu o que que ele fez, porque o PT atuou contra todas essas medidas, isso é documentado.
E o que aparece na decisão do Mendonça são mensagens que o Augusto Lima manda para ele Nessas épocas que essas medidas estão sendo discutidas. Augusto Lima claramente tentou sensibilizar ali o Jacques Wagner, dizendo: "Ó, tô tentando salvar aqui, tô tentando aprovar esse negócio e tal." Mas a gente ainda não sabe o que ele fez efetivamente nesse caso. Por enquanto, o que me parece de sério de envolvimento do PT da Bahia na história ainda é o crédito CERJ.
E inclusive, desde que eu tô falando disso aqui no foro, algumas pessoas do PT da Bahia, militantes comuns, de vez em quando mandam mensagem falando: "Cara, olha só, eu sou do PT da Bahia e eu não ganhei dinheiro nenhum do Master. Então esse negócio de ficar falando que é o PT da Bahia que roubou o negócio, meio..." É, são as principais figuras políticas do PT da Bahia. Como quando a gente diz o PP é o Ciro Nogueira, né, o presidente do partido, essas coisas.
PT que governa o estado há muito tempo.
Exato. E seria legal se a investigação da Polícia Federal nos ajudasse a botar um rosto nessa acusação, dizer exatamente quais são os CPFs envolvidos aqui. E aí é bom corrigir também um pessoal que tá dizendo assim: o Credicest é a origem do esquema marcha. Não é. O Credicest é um negócio lá do Augusto Lima, essa picaretagem que ele armou lá na Bahia. Quando ele vai operacionalizar isso, ele vai atrás de um banco. E aí, segundo a matéria da Consuelo na Piauí, primeiro ele tenta um banco que não aceita, ele vai no outro andar do prédio e o Volcar aceita.
Então, na verdade, assim, o Master é uma espécie de Rio Amazonas de sacanagem, que desde que o Volcar conseguiu autorização para ser banqueiro, o que é bom lembrar, ele tentou primeiro e o Ilan Goldfein, presidente do Banco Central, não deixou. Depois o Gabriel Galípolo tirou o direito dele ser banqueiro. Então ele só foi banqueiro basicamente sob a gestão do Roberto Campos. Então desde que ele conseguisse autorização, um monte de esquema de picaretagem confluiu para o Master.
Falou: a gente precisa de um banco para fazer essa sacanagem, tem esses picareta aqui que tem um banco para fazer sacanagem, vamos lá. Então aí você vai ter o Augusto Ameliano por um lado, Tanure por outro, Quadrado por outro, vários caras que convergem ali, né. Mas assim, essa história que a direita tentou emplacar desde o começo, não, a origem do escândalo do Master do PT, calma aí, muita calma nessa hora. E finalmente, eu queria só chamar atenção que quando apareceu o Jacques Wagner, evidentemente o pessoal que sempre dizia que o escândalo não tinha ideologia ficou animadíssimo para dizer: olha só, tem uns caras do PT aqui.
Então a minha proposta para essas pessoas é a mesma de sempre: faz aí o teu PowerPoint. O meu eu já fiz, inclusive na coluna da Folha semana passada propus uma atualização já envolvendo Jacques Wagner. Agora, a gente não pode discutir isso quando aparece um caso, você tem um caso de um lado, então obviamente tá igualmente distribuído pelos dois lados. Isso é bizonho, entendeu? Isso não é possível que a mesma direita que até outro dia queria me convencer a acreditar em modelo econométrico deles sobre ajuste fiscal, agora não consegue contar bolinha num gráfico para dizer quantas azuis e quantas vermelhas tem ali.
Então vamos ter um mínimo de vergonha na cara aqui. E se você quer propor essa tese aí de que o macho tá igualmente distribuído pelos dois lados, faz aí o teu PowerPoint, mostra um balanço geral do caso, né?
Vou esperar o PowerPoint do Joel Pinheiro. Então é isso, vamos encerrar o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta a gente vai falar da eleição na Colômbia, do avanço da extrema-direita na América Latina. Já voltamos.
Olá, ouvintes, aqui é Stephanie Roque, editora da Companhia das Letras e apresentadora da Rádio Companhia. Eu tô passando aqui para te convidar para ouvir os últimos episódios do nosso podcast. Nesse mês a gente juntou Amir e Tamara Klink para falarem sobre as respectivas invernagens que eles fizeram, um episódio que tá muito emocionante, com pai e filha contando suas aventuras. Tem também uma conversa que rolou ao vivo com a Cida Bento e a Lilia Moritz Schwartz na Feira do Livro em São Paulo, em que elas falaram sobre a vida delas enquanto leitoras e os livros que ajudaram duas a entender o Brasil.
A gente também conversou com o Vitor Bonini e Michel Laube em um bate-papo rápido sobre seus lançamentos e seus processos de escrita. Esse mês foi muito, muito legal, então quando acabar aqui, te espero lá.
Tem história que termina quando você acaba de ler. E tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter. Uma newsletter mensal exclusiva para assinantes em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura. A pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final. Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter. Porque toda boa história tem outra. Por trás.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. Acho que podemos começar pela eleição colombiana no último domingo. Ganhou o advogado Abelardo de la Espriella, Espriella, já não sei como chamar. O Abelardo, que é o personagem do Rei da Vela também, né? Personagem do Rei da Vela, do Oswald de Andrade, não é isso? Abelardo e Heloísa, se eu não me engano. Vamos lá, Celso, vamos falar da eleição na Colômbia, do avanço da extrema-direita no continente, em cima dessa pauta da segurança principalmente, né?
Pois é, Fernando, foram duas vitórias da direita em sequência, nos dois casos por diferença muito pequena. Uma foi o Esprinella na Colômbia, e um pouco antes disso teve a Keiko Fujimori, que ganhou no Peru. Quem acompanhou a apuração da eleição do Peru viu que foi um dos negócios mais malucos que eu já vi, assim, porque ia virando assim por 2 mil votos, depois troca de novo, 3 mil votos para lá, 3 mil votos para cá, assim, dependia de voto no exterior, de voto que tava sendo contestado, não sei o quê.
Foi um negócio bastante confuso, mas no fim das contas ganhou a direita nos dois lugares. Cada caso desse tem diferença, né? Que que Fujimori é uma figura política mais ou menos estabelecida no Peru, né? O Fujimorismo é uma força política no Peru desde que o Alberto Fujimori, dos anos 90, deu um deu um golpe e governou como ditador durante alguns anos. Conseguiu derrotar a guerrilha maoísta lá do Sendero Luminoso, mas também, por outro lado, enfim, reprimiu opositores e tem denúncias gravíssimas de violações de direitos humanos, aquela coisa toda.
Já o Esprinella é realmente um cara mais outsider, um cara que apareceu agora, mais nesse perfil de um cara meio Millet na economia, meio Bukele na segurança pública, que é uma coisa que o Fernando já tinha sugerido um tempo atrás, que seria o perfil dessa nova direita latino-americana, né? Mas algumas semelhanças evidentes entre os dois candidatos. A primeira, que parece mais óbvia, é essa, justamente a inspiração no Bukele, inspiração na política de segurança, que já não é nem mais linha dura, né?
Já é um negócio de repressão violentíssima contra o crime organizado, de prisões em massa, né? Tem alguns cálculos que dizem que o Bukele prendeu 1% da população de El Salvador.
E de atropelo total de garantias legais e direitos humanos.
Total, não tem nenhuma garantia legal. E aí tem gente que vai dizer assim: ah, mas bandido não quer que tenha garantia legal. Cara, uma das questões é o seguinte: você não sabe se todo mundo ser bandido, cara. Você topa isso? Porque é isso que tá em jogo. Essas garantias legais servem para você evitar prender inocente, mesmo que eventualmente elas acabem tendo como efeito não pretendido deixar que algum criminoso escape. Bom, e aí é bastante óbvio, se a gente vê aqui a campanha eleitoral no Brasil, que a direita brasileira vai tentar fazer a mesma coisa que a direita peruana fez e que a direita colombiana fez: puxar o caso Bukele para falar de violência urbana no Brasil.
O Flávio Bolsonaro já lançou a proposta de fazer não sei quantos mega presídios, como aqueles presídios gigantescos de El Salvador. Para o Renan Santos, do MBL, o Bukele é evidentemente uma inspiração. Agora, será que isso tem chance de funcionar? Eu já recomendei aqui para vocês que o Journal of Democracy, que é uma publicação acadêmica com estudos sobre democracia, que é muito bom, ele é traduzido para o português pela Fundação Fernando Henrique Cardoso e disponibilizado de graça no site da Fundação Fernando Henrique Cardoso.
Eu recomendo muito quem tiver interesse nessas questões todas que acompanhe o Journal of Democracy. E se vocês pegarem a edição de outubro de 2024, que é o volume 13, número 2, Tem um artigo do Manuel Meléndez Sánchez e do Alberto Vergara que chama O Modelo Bukele Vai Se Espalhar, e eles apontam algumas dificuldades para isso acontecer. A primeira, que é evidente, é que só deu para fazer isso aí que o Bukele fez matando a democracia, porque não tem esse negócio, não, não, eu vou suspender as garantias legais para combater o crime organizado, mas o resto vai funcionar normalmente.
Isso não existe. Então, evidentemente, o Bukele já começou a usar esses poderes ditatoriais que ele ganhou para combater o crime organizado, para combater oposição. Então já tem jornal de El Salvador que, por ter uma perspectiva mais crítica, já é editado de fora de El Salvador. Então assim, a democracia de El Salvador morreu para o Bukele fazer o que ele fez. Então essa é a primeira questão: você tá disposto a matar a democracia para combater o crime organizado?
E aqui é bom dizer, matar a democracia aqui não é só uma questão abstrata, assim, pô, eu acho que os direitos, a cidadania, tá? Se você matar a democracia, esse mesmo governo que acabou com o crime organizado pode amanhã reduzir seu salário e você não pode reclamar também. Você não vota mais ninguém, não. Eles podem cortar as políticas sociais que você preferir, eles podem aumentar seus impostos, eles podem fazer o que eles quiserem, você já se ferrou, você entregou o poder absoluto para eles.
O que mais tem é ditadura que consegue apoio popular para se instaurar por propor alguma coisa que todo mundo quer e depois passa 30 anos fazendo coisas que ninguém queria que fossem feitas. E o segundo ponto, e que aí é que é uma história interessante, é que a história do Bukele contra o crime organizado é bem mais complexa do que a gente pensa, que quando ele chega ao poder Ele primeiro faz um acordo com as quadrilhas, ele oferece diversos privilégios para os líderes que estão presos, para os caras continuarem comandando o crime de dentro da cadeia.
Ele oferece redução da repressão desde que os caras entreguem para ele menos matança. Então assim, ó, vocês vão maneirar aí na violência e eu vou deixar vocês operarem o tráfico. Começo do governo dele foi nessa linha. Isso gerou uma série de tensões nas quadrilhas porque pro cara que tá lá no presídio, o chefão que tá lá, faz muito sentido o cara fazer esse acordo. Mas pro cara que tá aqui do lado de fora, não é fácil tocar um negócio de tráfico de drogas sem violência, entendeu?
Porque, por exemplo, evidentemente você não pode levar uma disputa comercial pros tribunais, certo?
Leva na OMC.
Exato, leva na OMC, não vai dar. Então assim, a violência é parte do modelo do que eles fazem.
Sim.
Então isso foi gerando problemas e levou inclusive que os líderes que estavam presos centralizassem poder na mão deles. Em um dado momento, uma parte dessas maras, dessas quadrilhas, se revoltaram contra o acordo, e foi aí que o Bukele entrou prendendo todo mundo. E a resistência que elas puderam oferecer foi muito menor, porque foi muito fácil cortar o contato com o comando que tava preso. Então, um dos fenômenos que acontecia sempre que alguém tentava fazer uma política mano dura, como dizem os autores aqui na América do Sul, é que você começava dando uma porrada forte no crime organizado Mas aí o crime organizado revidava.
Os caras que sobrevivessem passavam a usar armamento ainda mais pesado, passavam a fazer alianças com grupos mais violentos, enfim, passavam a ser mais violentos ainda para se defender e para manter o seu negócio. E isso não aconteceu quando Bukele foi para cima dos caras. A resistência foi muito menor do que nos outros casos porque ele já tinha meio que desmobilizado esse negócio com esse acordo dele. E aí o que os autores dizem é: se algum outro país tentar fazer a mesma coisa, isso não vai funcionar, porque todo mundo já viu o que aconteceu em El Salvador.
E aí eles dão justamente exemplo de outros lugares, que foi o Equador e Honduras, em que tentaram fazer o negócio mais ou menos do Bukele e também não funcionou. Então assim, para o cara que tá muito entusiasmado com esse negócio, talvez seja bom ter uma certa cautela, mesmo se você for um fascista que aceita entregar a democracia, que sejamos honestos, você já não gostava muito dela mesmo, né?
Você falou fascista, e esse mega presídio dele que abriga 40 mil pessoas, se eu não me engano, Ah, é gigantesco, parece campo de concentração, né? E o Trump manda presos dos Estados Unidos para lá.
O que é uma outra obscenidade. Nos Estados Unidos também eles estão expulsando o cara com base em qualquer coisa. A tatuagem dele talvez seja relacionada das Maras, que as Maras tatuavam mesmo os seus membros.
E você é jogado lá num lugar que tem 40 mil pessoas. Você imagina o inferno que seja isso?
E que 40 mil pessoas, né, cara? Assim, porque justamente você tá junto com criminosos violentistas.
Gente muito diferente, é óbvio. É realmente uma regressão, é uma barbárie difícil de dimensionar. E achar que isso pode se transformar numa tendência no continente é uma loucura.
Eu garanto para você uma coisa: vai dar voto isso, vai ter gente ganhando eleição com base nisso.
Sim, vai dar voto, com certeza. Ana, deixa eu te ouvir a respeito desse assunto.
Bom, continuando um pouco o perfil do De La Espriella, né, esse nosso Abelardo, ele segue uma linha estética muito peculiar, né? Ele é um cara de família com recursos, embora ele tenha ficado muito rico em circunstâncias que eu vou falar logo mais. Carro importado, vestido de marcas italianas da cabeça aos pés, ostentando relógios caríssimos e enfim. Ele tem esse perfil ali mais ostentação, digamos. Embora, como eu falei, ele seja de uma família abastada, ele potencializou muito o dinheiro dele e ninguém sabe muito bem como.
Porque as empresas que ele tem, e ele tem empresas na Colômbia e também nos Estados Unidos, fica circulando por Miami o tempo todo, é aquela típica direita latino-americana com conexões com Miami, né? Que a Venezuela tem muito isso também, né? Mas aquela empresa que você não sabe bem o que vende, consultoria, importação de vinho, mas importação de vinho te deixa tão rico assim como ele aparenta ser, né? É tudo meio confuso e os veículos colombianos não conseguiram ainda esquadrinhar bem a origem desse dinheiro porque foram analisar os dados das empresas dele.
E essas empresas não são extremamente lucrativas, né, para poder justificar uma aparente riqueza, né? Jatinho, helicóptero, iate, é esse estilo ali. Bom, a faceta mais aparente da riqueza dele é o trabalho dele como advogado justamente de grupos paramilitares colombianos. E aí eu acho que já dá para ver um pouco o perfil dele, né? Há um grupo paramilitar na Colômbia que é o Autodefesas Unidas da Colômbia, AUC, que é um grupo de extrema direita criado no fim dos anos 90 para combater as guerrilhas mais associadas à esquerda e proteger ali os empresários que eram atingidos por essas guerrilhas, né.
O Espriella participou das defesas de alguns dos líderes desse ramo, desse grupo. Ou seja, que ou eles estavam já presos, né, acusados de crimes, ou estavam foragidos e dispostos a pagar, enfim, quantias astronômicas para escapar da prisão, né. Isso é um ponto, digamos, incoerente, né, do discurso dele, né. Se ele defende a segurança, ele justamente era defensor de criminosos, né. A Venezuela, um segundo ponto, né. Ele é obviamente um grande crítico do regime do Maduro, do Chávez, antes mesmo dele ganhar, nas entrevistas que ele deu falando sobre a Venezuela, ele disse que ele só se comunicaria com a Venezuela via Departamento de Estado dos Estados Unidos.
E aí, enfim, sempre foi um crítico tal, mas curiosamente, como advogado, ele foi representante de um empresário venezuelano que também tem origem colombiana chamado Alex Saab, que era inclusive apontado como testa de ferro do Maduro.
Oh, que bonito!
Então assim, você critica a Venezuela, o regime, nananã, mas você defende o cara que era testa de ferro do Maduro.
Pragmático, disposto a conversar com outro lado, desde que o outro lado pague, né?
Exato.
Então esse é o perfil do cidadão. Bom, o Donald Trump comemorou a vitória dele, inclusive antes mesmo da vitória dele trabalhou ativamente para que ele ganhasse. A gente não pode esquecer que tanta coisa acontece, a gente vai perdendo o fio da meada das coisas, mas assim, no início desse ano o Trump tava ameaçando invadir a Colômbia.
Sim.
E o Trump enquadrou o Gustavo Petro e familiares dele numa lista de sanções parecida com a Magnitsky, que no caso era uma lista de sanções da OFAC pra pessoas que financiavam narcotráfico. Essa foi a participação do Trump, o Marco Rubio Até mais, né, do que isso. E por pouco o Spriella não foi comemorar a vitória dele em Miami. Agora, falando um pouco de Brasil e de como isso impacta a relação do Brasil com a região, ainda não dá para entender muito bem o caminho que o Spriella vai seguir, né.
Ele não fez declarações específicas contra o Lula, embora ele tenha feito declarações favoráveis ao mundo Bolsonaro. E aí eu queria citar alguns caminhos um pouco diferentes que têm acontecido aqui. Um exemplo é o Kast no Chile, né, o presidente de extrema-direita que ganhou no Chile e que foi comemorar a vitória dele junto com o Millet. O Kast, contra todas as expectativas, se comportou muito pragmaticamente com o governo brasileiro desde então.
Em todas as reuniões que houve, foi o Kast que pediu para se encontrar com o Lula. E o Kast está super investido em parcerias com o Brasil no âmbito da diplomacia, dos contatos comerciais via canais diplomáticos. Existe um campo de interesse específico do Chile e também da Bolívia, que agora tem um presidente de direita, que é o Rodrigo Paz. Há um campo de interesse desses dois países, Chile e Bolívia, no corredor bioceânico, que é o que o Brasil está querendo fazer com a Bolívia, ou seja, esse escoamento de produção tanto pelo Pacífico quanto pelo Atlântico.
Isso para o Chile é muito interessante porque eles só estão no Pacífico. Então o Kast, ele tem uma posição muito pragmática, diferente do Millet, por exemplo, que tem feito tudo que faz, não quer se encontrar com Lula, não quer conversar com Lula, fechou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos que prejudica o acordo com o Mercosul. Então ainda não se sabe por onde que o Esprinella vai caminhar, se é mais Kast, se é mais Yes, me lei.
E falando em Bolívia, no caso do Rodrigo Paz, por exemplo, que também se elegeu com esse discurso ultradireita, é um cara que foi alvo de protestos recentemente na Bolívia. O país está vivendo uma crise de abastecimento muito perigosa. E aí ele pegou e pediu para o Lula fazer um discurso para os bolivianos, meio que pedindo ajuda para o Lula para acalmar a população boliviana. O Lula fez uma declaração E o Brasil ainda, a pedido do Rodrigo Paz, enviou mantimentos para Bolívia por causa da crise de desabastecimento.
Então assim, tô falando essas situações muito pontuais porque, por mais que esses países estejam caminhando por onde eles estão caminhando, a gente pode dividir esses líderes entre pragmáticos e não pragmáticos. Não sabemos ainda em qual campo esse colombiano vai se colocar.
A Colômbia tem um peso maior que o Chile. A Colômbia, se eu não me engano, é o segundo país maior da América do Sul, depois do Brasil. A Colômbia tem mais de 53 milhões de habitantes, o Chile tem menos de 20. A Colômbia tem um peso maior, não só demográfico, mas político e pela questão do narcotráfico também, coisa estratégica, né, enfim.
Agora tem acho que dois pontos que eu queria concluir aqui. O primeiro é o seguinte: a atitude do governo Trump em relação à Colômbia e também a atitude do governo Trump nas últimas semanas, seja recebendo Flávio, seja enquadrando o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas, né, indiretamente colocando o Brasil como nação que hospeda organizações terroristas, as declarações que o Trump deu no G7 sobre o Bolsonaro, criticando a decisão do Supremo sobre o Eduardo Bolsonaro e dizendo que no Brasil as coisas estão muito perigosas e tal, e agora essa interferência na eleição da Colômbia, A gente vem detalhando bem esses movimentos dos Estados Unidos aqui no foro e eu acho que vale a gente dizer que houve uma mudança de cenário.
O que o Lula construiu com Trump desde o encontro deles no final do ano passado até pouco tempo atrás meio que foi por terra. E isso se mostrou claro nessa reunião do G7 em que o Trump deu declarações que o Lula teve que responder quase que imediatamente no próprio G7. Então, a expectativa hoje dentro do governo, que era diferente há alguns meses, é de que a interferência dos Estados Unidos na nossa eleição volte para aquele patamar—
pior, né?
Pior. De que talvez eles não respeitem tanto o processo interno quanto eles imaginavam que os Estados Unidos fossem respeitar no retrato do início desse ano. Então, acho que isso é uma coisa que a gente tem que ter em mente. A segunda coisa é o fator Venezuela. A Venezuela teve um peso relevante na eleição do Kast no Chile, a imigração venezuelana no Chile, os grupos criminosos que se formaram lá. No caso da Colômbia, as trocas com a Venezuela são muito mais antigas, acontecem, enfim, desde que cada um é um país.
São países muito mais integrados, sempre foram, tanto que a Colômbia sempre foi o país que mais recebeu a imigração venezuelana. Mas o que eu acho que a gente precisa começar a analisar é o impacto do fator Venezuela para entrada no poder dessas figuras. E aí eu não tô falando necessariamente que é pela questão da imigração, o próprio símbolo do que a Venezuela representa, né? Ela defende um modelo supostamente socialista e que deu no que deu.
E aí você tem um impacto ali de certa forma cultural pro que significaria a esquerda na América Latina, que foi bastante desgastado com a existência desse regime na Venezuela. No Chile, aparentemente, houve um impacto direto. Na Colômbia, tudo indica que não, tudo indica que as questões com a Venezuela, enfim, são diferentes. Parte da análise do que tá acontecendo na região não tem como não passar pela Venezuela, pelo que a Venezuela representa nesse momento, Ainda que agora, o que tá acontecendo na Venezuela, inclusive esse terremoto horroroso, tristíssimo, né, com mais de 160 mortos até a hora que a gente tava gravando o programa.
Enfim, mais um problema pra Venezuela. O fato deles terem tirado Maduro não melhora muito a situação da Venezuela, porque continua sendo uma zona de conflito, né, e agora totalmente sob interferência do governo Trump. Então é... Vai ficando cada vez mais difícil a gente fingir que a Venezuela não está aqui, entendeu?
Bom, a gente vai encerrar então o terceiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo e na volta Kinder Ovo. Já voltamos.
Oi, eu sou Vinícius Luiz da Rádio Novelo. No episódio desta semana do Rádio Novela Apresenta, a gente trouxe duas histórias que vêm com um asterisco junto. Quer dizer, você precisa ler o rodapé para entender se aquilo é bem assim ou se vai muito além do que está sendo falado. A primeira delas começa com uma mentira contada pelo escritor Ricardo Terto.
Para ganhar respeito dos moleques, eu resolvi dizer que meu pai tinha ganhado na Telecena, que aquela grande sorte de domingo tinha nos visitado. Que eles podiam falar o que eles quisessem sobre mim, que eu não me importava mais, porque eu já tava de saída daquela escola e que eu ia até mudar de bairro.
E na segunda eu fui até o cemitério para tentar resolver um mistério, um epitáfio que não tinha como ser verdadeiro.
Tá bem difícil de ler, mas eu vou tentar ler junto aqui com vocês, ó. Herculine Barbini, hermafrodita do final do século 19. Só que tem uma coisa interessante que não tá dúvida aqui, que é o seguinte: quando você pesquisa o nome dela, você encontra um livro e também um Wikipedia, e aqui fala que ela morreu em Paris. E em lugar nenhum eu encontrei como que esses restos mortais vieram parar aqui em Belo Horizonte.
Depois de ouvir o foro, vem escutar a gente. Rádio Novelo apresenta toda quinta histórias que você nem sabia que precisava ouvir.
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Muito bem, estamos de volta. Momento Kinder Ovo. Mari Faria não está, está no departamento médico, mas vai voltar para o próximo jogo, não é isso, Celso?
Exatamente.
Então hoje quem solta é Maria Júlia. Pode soltar. Vamos lá, Maria Júlia, vamos ver o que você nos reservou, você e a Mari, e melhoras para Mari.
Você dizer que eu deixei o partido é uma avaliação unilateral. Eu poderia dizer que foi o partido que me deixou.
Aldo Rebelo, é, acertou!
Puta merda, acertou! Ela nem deu chance de eu brilhar na minha volta. Muito bem, Ana Clara! Para os anais, ex-ministro, ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo, entrevista ao canal Brasil Paralelo no YouTube. Bom, depois desse momento glorioso da Ana Clara, vamos para o melhor momento do programa. Eu estava com saudade, momento das cartinhas, momento de vocês correr elegante. Eu começo aqui com recado da Manuela: as piadas do casca de bala Não são as mesmas sem as gargalhadas do Fernando.
Apesar de conseguir ouvi-las na minha cabeça todas as vezes, senti falta delas no estúdio nesse período, assim como vou sentir falta do João Batista e dos bastidores mais babadeiros da política. Merecia um quadro fixo no foro pra gente ter o prazer de desfrutar dessa presença tão carismática. Vocês são incríveis. Aí, ah, Manoela, muito obrigado. Eu entro com a risada.
A Bruna Figueiredo mandou uma mensagem fofa: Compartilho do meu primeiro filho previsto para amanhã. Estou aqui lembrando que descobri a gravidez em uma cesta em que ouvi o foro, e um dia antes da grande mudança de vida, estou aqui numa cesta também escutando o foro. Bom ou ruim, não sei, mas sigo me distraindo com os babados fortíssimos da política brasileira tão trágica quanto cômica. E continuarei escutando com Caetano no colo os próximos capítulos do Banco Master. Obrigada a vocês pela companhia. Bruna, boa hora para você e para o Caetano.
Valeu, Bruna. Valeu, Caetano. Bem-vindo, Caetano.
Bem-vindo ao mundo.
Bem-vindo ao mundo e desculpa qualquer coisa.
Desculpa por tudo.
A gente queria ter trabalhado melhor aqui para o Caetano, mas não deu.
É isso. Bem-vindo, Caetano!
Depois da inesquecível passagem do João Batista Júnior pelo foro, a Valdânia Oliveira escreveu: o Casca de Bala me deu uma motivação para estudar inglês, virar tradutora de suruba de político. Pelo menos deve ser mais animado que ser contadora, minha profissão. Ô Valdânia, bora lá, hein? É uma profissão do futuro, cara.
Você imagina ouvir esses políticos falando sacanagem? Eu ia preferir ser contadora.
Esse lado eu acho menos arriscado. Bom, e assim, grande estilo, então a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar 5 stars pra gente no Spotify, segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foros Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a Revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira, a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira.
A checagem é da Ethel Rudnitsky, a edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes, a finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado na minha Showpan aqui em São Paulo e no Estúdio Rastro do Danidinho no Rio de Janeiro. Hoje com o Lelo, querido Lelo. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.
Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.
Tchau, Celso.
Tchau, Fernando. Tchau, todo mundo. Até semana que vem.
É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
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