A teia de Vorcaro, os bastidores de Trancoso e o xadrez da direita
No Foro de Teresina desta semana, Ana Clara Costa, Celso Rocha de Barros e João Batista Jr. analisam os novos desdobramentos do caso Master após a retirada de parte do sigilo da investigação, que revelou detalhes sobre a atuação de Ciro Nogueira e Hugo Motta e motivou uma nova operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner. No segundo bloco, o trio discute uma apuração exclusiva sobre as festas promovidas por Daniel Vorcaro e a rede de relações políticas, empresariais e sociais que orbitava o ex-banqueiro. No terceiro bloco, os apresentadores tratam das dificuldades da direita para encontrar um nome competitivo à Presidência diante do enfraquecimento de Flávio Bolsonaro e da fragmentação do campo conservado
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft117
Leia "O amigo do crime", reportagem de Breno Pires sobre as conexões de Ciro Nogueira com personagens centrais de sucessivos escândalos políticos e empresariais e as suspeitas que hoje cercam sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master: https://piaui.uol.com.br/revista/237/o-amigo-do-crime-ciro-nogueira/
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- O caso MasterDaniel Vorcaro e sua rede de relações · Banco Master · Operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner · Ciro Nogueira e Hugo Motta · Henrique Vorcaro e a quadrilha · Investigação sobre o Banco Master · Repasses de Augusto Lima para familiares de Wagner · Empréstimo de R$22 milhões para a cunhada de Hugo Motta
- Festa de noivado de VorcaroFestas no Carnaval do Rio de Janeiro · Festa em Trancoso · Festa em Fernando de Noronha · Atum Bluefin de Barcelona em Trancoso · Proibição de celulares nas festas · Rede de garotas de programa · Financiamento de artistas e eventos culturais · Relação com ACM Neto
- Situação dos pré-candidatos da direitaEnfraquecimento de Flávio Bolsonaro · Fragmentação do campo conservador · Dificuldades da direita em encontrar nome competitivo · Renan Santos e o Partido Missão · Romeu Zema e Ronaldo Caiado · Deserto de ideias na direita · Influência do MBL e sua radicalização · Desgaste de Flávio Bolsonaro com a base evangélica
- Rejeição da delação de Daniel Vorcaro pela PFJaques Wagner · Busca e apreensão em endereço ligado a Jaques Wagner · Suspeita de pedido de apartamento de R$2,5 milhões · Repasses de Augusto Lima para empresa da nora de Wagner · Atuação parlamentar em defesa de medidas para o Master · Privatização da rede de supermercados Sexta do Povo
- Créditos de CarbonoHugo Motta · Empréstimo de R$22 milhões para a cunhada · Emenda sobre investimentos em créditos de carbono · Empresas da família Vorcaro e crédito de carbono · Inflação de patrimônio com créditos de estoque de carbono · Fazenda irregular na Amazônia
- Investigações sobre Davi AlcolumbreDavi Alcolumbre · Acusação de recebimento de US$30 milhões · Previdência do Amapá e investimentos no Master · Indicação de responsáveis pela gestão da Previdência do Amapá
- Gilmar MendesHugo Motta · Hospedagem em Lisboa com cartão de crédito do Vorcaro · Viagens em jatinho do Vorcaro · Gilmar Palhosa · Chico Mendes e a CBF · Contrato do IDP com a CBF Academy · Vice-presidência da Federação Mato Grossense de Futebol
- Posição oficial do Brasil e EspanhaRonaldo Vieira Bento · Recebimento de R$11 milhões do Master · Autorização de empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil · Queda na concessão de crédito consignado após derrota de Bolsonaro
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Rádio Piauí. Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Terezina, o podcast de política da revista Piauí.
Não vejo problema em um evento corporativo, um encontro jurídico, inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum.
Eu, Ana Clara Costa, substituo temporariamente o microfone de Fernando Barros e Silva pra conversar com os meus amigos Celso Rocha de Barros e João Batista Júnior, aqui no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Hoje todos reunidos. Oi, Celso! Oi, Ana, tudo bom?
Jamais recebi quaisquer valores em contas no Brasil ou no exterior.
Oi, João, bem-vindo! Oi, Ana, tudo bom?
Ou pior ainda, tem gente agora que tá apostando as fichas num tal de Renan Santos. Do Missão Brasil, do MBL, um cara que até pouco tempo atrás tava fazendo emoji com coraçãozinho pro Moraes.
Na próxima semana, o Fernando estará de volta das suas merecidas férias e voltaremos à configuração original. Por ora, vamos aos assuntos da semana. A gente abre o programa com a colaboração mais relevante que Daniel Vorcaro deu pra investigação sobre o Banco Master: o seu aparelho de celular. E também falamos da última operação da PF sobre o caso que teve como alvo o senador Jax Wagner, do PT da Bahia e líder do governo no Senado.
Com a retirada de parte do sigilo do processo no STF, vieram à tona mensagens, fotos, recibos, planilhas e áudios que dão ainda mais concretude ao que já se sabia, se é que isso é possível. Ciro Nogueira, personagem recorrente dessa história, reaparece agora cercado por detalhes constrangedores, como os gastos de R$500 mil em viagens bancadas por Voo Caro, para o digníssimo senador. E Hugo Mota, presidente da Câmara, também passa a figurar entre os protagonistas da cena.
Ele não só foi convidado de honra de viagens nababescas, como também pediu um empréstimo de R$22 milhões a Vôr-Caro em nome de sua cunhada. O fim do sigilo também colocou em termos mais cristalinos o funcionamento da Turma, a gangue de milicianos, hackers, bicheiros e bandidos de todo tipo que era comandada por Vôr-Caro e seu pai, Henrique. Para constranger quem ameaçasse os interesses da família. Tudo indica se tratar de uma organização criminosa que funcionava em paralelo ao círculo de relações de Daniel Vorcaro e tinha Henrique como principal mandante.
O que emerge dos relatórios da PF é uma zona de contato entre dinheiro, poder e violência. E para terminar a semana em que o master novamente dominou o noticiário, na manhã de quinta-feira, o ministro André Mendonça autorizou uma operação que teve Jax Wagner como alvo. Além de Augusto Lima, o ex-sócio de Vorkaro, que também é da Bahia. A PF encontrou repasses milionários de Augusto Lima para familiares de Wagner. Há ainda mensagens que levantam suspeitas de que um apartamento de R$2,5 milhões teria sido dado pelo ex-banqueiro ao senador.
Segundo a investigação, até ingressos para shows em Los Angeles foram patrocinados por Lima para a família de Wagner. No segundo bloco, a gente continua no universo master, contando detalhes até hoje não revelados sobre as festas promovidas por Daniel Vorcaro. Uma apuração exclusiva do João Batista Júnior. De Trancoso a Courchevel, passando por Nova York e pela costa mediterrânea, muito já foi revelado sobre os tours do ex-banqueiro mundo afora.
Mas os detalhes que o João traz pra gente envolvem políticos e artistas, além de uma rede estruturada de garotas de programa. No terceiro bloco, a gente sai do master, mas não dos seus efeitos. A direita se vê diante de um novo paradoxo: Flávio Bolsonaro está enfraquecido demais para unificar o campo, mas seus concorrentes ainda são pequenos demais para substituí-lo. O deserto de ideias é tão árido que a inércia de Ronaldo Caiado e Romeu Zema nas pesquisas nutre esperanças até mesmo em Renan Santos.
Renan quem, o ouvinte perguntará. O pré-candidato do Missão, partido do MBL, à presidência da República. Tentando traduzir, é um protótipo de Bukele criado no laboratório de uma fintech de Osasco. E como não podia deixar de ser, a Faria Lima começou a embarcar nessa ideia. É isso, vem com a gente. Essa semana houve vários desdobramentos do caso Master, né? O primeiro deles foi a retirada do sigilo de parte da investigação pelo ministro André Mendonça.
E há um timing curioso, que é ele retirar o sigilo justamente antes do julgamento do Henrique Vorcaro, pai do Daniel Vorcaro, pelo Supremo. Quem tava acompanhando esse caso relata que essa decisão do André Mendonça foi, de certa forma, para constranger os ministros que tenderiam a votar de forma favorável ao Henrique Vorcaro. E no final, a prisão dele acabou sendo mantida, sendo que o único ministro que votou para liberá-lo foi o ministro Gilmar Mendes, numa movimentação ali interna que foi vista mais como apoio ao Alexandre de Moraes do que como uma chancela ao master, porque o Gilmar e o Alexandre estão fechados em copas ali para tentar conter os danos ao Supremo dessa investigação.
Então Tudo que eles puderem fazer, em tese, eles vão fazer. E votar de forma favorável a Henrique Vaccaro foi uma dessas medidas que estão sendo tomadas, mas que acabou não levando a um desfecho favorável ao Henrique Vaccaro, né? Celso, você vai começar por onde? Também pela estratégia da família Vaccaro no Supremo? Vamos lá.
Ana, isso mesmo que você disse, o André Mendonça fez uma movimentação nesse jogo de xadrez ali entre ele e o Gilmar Mendes. Havia uma movimentação de bastidores da parte do Gilmar pra tentar soltar o primo do Volcaro e mandar o pai do Volcaro pra prisão domiciliar. O que naturalmente reduziria a pressão pro Volcaro fazer uma delação. Fazer uma delação de verdade, né? Porque essas delações aí do Volcaro até agora não entregam ninguém, né?
Elas são equivalentes àquelas pessoas que em entrevista de emprego perguntam pra ela: "Me diz um defeito seu." E o cara diz: "Perfeccionismo." Sabe? A delação do Volcaro é meio assim. Ele não confessa nada, não entrega ninguém. E aí, se você tirasse os familiares dele da cadeia, você já tenderia a manter ele nesse mesmo ritmo, sem entregar ninguém. O Mendonça percebeu o que tava vindo. Que que ele fez? Tirou o sigilo da investigação, porque naturalmente é muito mais difícil alguém votar a favor de qualquer pessoa ligada ao escândalo Master se o noticiário tá cheio de histórias sobre Ciro Nogueira ganhando um apartamento de 22 milhões.
É, o envolvimento de milicianos e bicheiros. E realmente, pelas mensagens, dá para ver que o Henrique Vorcaro era o chefe da quadrilha. Exatamente. Era inclusive o responsável pela área da violência.
Isso. E isso é uma coisa que eu acho que ainda precisa ser muito investigada, porque o tanto de dinheiro que o sicário ganhava, ainda não apareceram os crimes que ele deve ter cometido pra justificar essa grana. Essa coisa de ameaçar o Lauro Jardim, que tanto quanto sabe nunca foi implementada, eles não pagavam essa grana pro sicário pra de vez em quando ele xingar um jornalista ali no grupo de WhatsApp deles ou qualquer coisa desse tipo.
Então pra ele ganhar a grana que ele ganhava, E pra ele ter se matado na polícia ao invés de confessar, esse cara deve ter feito coisa muito barra pesada, a mão da família Vorcaro, que ainda não foi descoberta. Então assim, tem toda uma avenida de investigação que são esses crimes violentos do esquema master que a gente ainda não sequer começou a encostar. Porque a grana que o sicário ganhava é grana pra matador profissional que trabalha bastante.
Esse cara certamente devia fazer serviço violento e ainda não apareceram crimes suficientes para justificar esses pagamentos todos. E aí, quando você solta essas histórias todas, que você vê que o Master era uma quadrilha criminosa muito barra pesada, quando você vê a quantidade de grana que ele pagou para políticos, naturalmente os ministros que tenderiam a votar com Gilmar falaram: "Não, não vou fazer isso não." Então o André Mendonça ganhou esse round.
Ele conseguiu manter essa turma, gente finíssima aí da família Vorcaro, na cadeia. Agora eu queria só notar aqui uma coisa, talvez seja uma injustiça. O Gilmar Mendes, no voto dele a favor de soltar lá a família Borcato, ele se referiu a vários abusos da Lava Jato para dizer que não, não se pode fazer a mesma coisa que a Lava Jato. Mas eu acho que o Gilmar tá sendo injusto aqui porque o Moro e o Dallagnol atualmente estão na mesma luta que o Gilmar, estão tentando ajudar a gente que tá enrolado com o Máster.
O Moro e o Dallagnol são da chapa lá com Felipe Barros, o candidato ao Senado lá e atualmente deputado bolsonarista, que apresentou o projeto de lei para aumentar a cobertura do FGC e salvar o Banco Master. A história do Felipe Barros, aliás, teve um desdobramento muito importante no final da semana passada, quando a gente já tinha acabado a gravação, que foi quando a coluna da Malu Gaspar deu que ele transformou a Comissão de Relações Externas e Defesa Nacional do Congresso, que ele presidia, numa comissão para sediar a autoridade que investigava o Master.
Então a Comissão de Relações Exteriores começou a chamar o presidente do Banco Central, o cara da CVM, PM. E quando os caras iam lá, eles apanhavam de tudo que era jeito, que era para intimidar qualquer autoridade que tentasse desvendar o esquema master. E o que é mais interessante, que a coluna da Malu mostrou, é que quando Felipe Barros vira presidente dessa comissão, ele vira substituindo Eduardo Bolsonaro, indicado pelo Eduardo Bolsonaro.
E o Eduardo Bolsonaro diz: se vocês acham que a minha influência sobre a comissão acabou aqui, vocês estão muito enganados. Então o Felipe Barros parece ser o link entre O Eduardo e a história do Master. O Eduardo disse que mandava no cara, que quando era presidente da comissão, instrumentalizou a comissão para ajudar o Master. E contra o Felipe Barros ainda ninguém descobriu compensação financeira. Que o Ciro, por exemplo, se perguntar por que ele apresentou a emenda Master, obviamente porque, porra, ele ganhava mais.
A lista é longa, né?
O Felipe Barros ainda não apareceu nada. O que só reforça a suspeita que ele não fez isso por ele mesmo, ele fez isso pelo cara que mandava nele, que era o Eduardo Bolsonaro, que é uma das linhas de investigação da Polícia Federal. Que ele tenha sido sustentado nos Estados Unidos com essa grana que o Boccaro dava para o Flávio.
Através do filme Dark Horse.
Através do filme Dark Horse, exatamente. Mas essa semana teve muitas e muitas revelações novas sobre o Banco Master, né? Então assim, se você se perdeu um pouco com o noticiário, a gente entende e vamos tentar ajudar você aqui a distinguir os casos. A primeira notícia, que era um cara que ainda não tinha aparecido no PowerPoint de ninguém, ao menos com esse destaque, foi o Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados. Pelo menos no meu PowerPoint que eu divulguei no meu Instagram, se alguém tiver curiosidade de ver, algumas semanas atrás, o Hugo Motta ainda não tinha entrado.
Mas ele merece um lugar de destaque lá, porque aparentemente ele intermediou um empréstimo de R$22 milhões pra cunhada dele.
Uma cunhada de 30 e pouquinhos anos, uma grande empreendedora. Isso, é, exato, exato.
Deve ser um prodígio realmente, né? E qual é a suspeita das pessoas de mente suja que acham que talvez isso aqui seja corrupção? Porque eu jamais faria isso, entendeu? Muito pelo contrário, quem sou eu? A suspeita é que seja pagamento por uma emenda apresentada pelo Hugo Motta sobre investimentos em créditos de carbono, que obrigaria seguradoras e entidades de previdência privada a investir cerca de 0,5% de todas suas reservas financeiras em crédito de carbono.
Ou seja, qual é a mutreta aqui? O Volcaro tava tentando fazer com que a entidade de previdência privada fizesse a mesma coisa que aquelas entidades de previdência estatais fizeram por influência política do Volcaro. A Rio Previdência não botou lá não sei quantos bilhões em crédito Volcaro que sumiu? Ele queria obrigar obrigar as instituições de previdência privada a fazer a mesma coisa.
É que na verdade, no caso das previdências municipais e estaduais, era uma tratativa política. Exatamente. Esse investimento, o que ele tava querendo fazer é transformar isso em lei.
Exatamente. E forçar o setor privado. O setor de previdência privada nunca botou um centavo em dinheiro do Master, porque a gente já falou aqui várias vezes, isso é o pior investimento possível para fundo de previdência. Se você quiser arriscar numa empresa especulativa de um picareta porque você acha que no curto prazo você vai ganhar, Você pode tentar, mas ninguém vai fazer isso com o dinheiro do aposentado, que é a única grana que ele tem na vida.
Então assim, eles estão querendo forçar os caras a entrar nesse negócio de crédito de carbono.
Que eram empresas da família Vorkari. Exatamente.
Aí você vai dizer: pô, legal, crédito de carbono. Olhando esse projeto em si, você pode pensar: que legal, negócio ambiental. Não, mas é sacanagem. Uma matéria que saiu na Folha mostrou que as empresas do Vorkari chegaram a inflar seu patrimônio em 45 bilhões usando créditos de estoques de carbono, que não é a mesma coisa que o crédito de carbono. Então o Volcaro inflava os ativos dele exagerando o valor de crédito de estoque de carbono que ele obtinha a partir de uma fazenda irregular na Amazônia, que era em terras da União.
Ou seja, o negócio é errado em todos os pontos de vista. Exatamente. Então assim, terra basicamente roubada, e aqui com laço numa metodologia não autorizada pela regulamentação sobre crédito de carbono, que é um negócio muito sério e que vem crescendo e é muito importante. E então o plano dele era pegar essa terra meio roubada ali da União, inventar um método picareta para dizer que aquilo ali tinha valia em termos de crédito de estoque de carbono, dizer que isso valia bilhões e bilhões, botar na carteira dele e supostamente conseguir que o Hugo Mota passasse essa lei para obrigar todo mundo que tem aposentadoria em instituição privada, se você tem previdência privada, essas coisas, uma parte da sua grana teria que ir pra essa fazenda picareta do Vô Caro.
Então assim, se for comprovado que a grana pra família do Hugo Motta, o empréstimo, é em troca disso, é um negócio bastante grande.
É que tem um timing, novamente o timing, né? Poucos meses, 3 ou 4 meses depois que essa emenda foi aprovada, esse empréstimo saiu pra cunhada do Hugo Motta. É uma apuração da Folha de São Paulo que foi publicada em março desse ano. E a cunhada deu como garantia pra um empréstimo tão vultoso uma empresa dela. Então, como que uma empresa vai garantir um empréstimo desse tamanho?
Não, e como que um banco dá, né? Se o banco tiver funcionando estritamente por critérios comerciais, né, quando é que o cara vai te dar um empréstimo que é 50 vezes o valor do colateral?
Não se sabe se a cunhada pagou R$1 desses R$22 milhões nesse empréstimo, ou se foi, não sei, de alguma forma, se quebra do banco, acabaram esquecendo esse empréstimo ali, não se sabe. Mas o fato é que esse dinheiro foi usado para inteirar um valor que a família comprou um loteamento, e esse loteamento é o equivalente a 3 vezes a área do Parque Ibirapuera em São Paulo. Isso no caso em João Pessoa, né, que é o loteamento que foi comprado em parte com esse dinheiro emprestado pelo Mastery, que não sabemos se algum dia foi pago pela família do Hugo Motta ao Master de volta.
Bom, o segundo personagem que apareceu essa semana, ele já tava ali rondando o PowerPoint do Master, mas agora entrou com tudo, foi o presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre, que a gente já tinha falado dele aqui em relação com essa história. Mas a revista Veja publicou que o Alcolumbre teria recebido 30 milhões de dólares, cerca de R$155 milhões, do Vorkar. Segundo a revista, o dinheiro teria sido depositado numa conta secreta do Alcolumbre no exterior.
Uma notícia bem feia. O Alcolumbre nega. Agora, qual é a grande suspeita no caso do Alcolumbre? É a Previdência do Amapá. O Amapá é um dos estados que colocou dinheiro de aposentado em investimento do Master. Ou seja, queimou dinheiro de aposentado, né? Assim, deu dinheiro de aposentado pro Vorkar, porque esses aposentados nunca mais vão ver esse dinheiro. É um volume de dinheiro bem menor do que da Previdência do Rio, mas como proporção dos ativos da Previdência do Amapá, é até maior.
E a suspeita é que tenha sido Alcolumbre que indicou todos os responsáveis pela gestão da Previdência do Amapá. Então nós já temos aqui o presidente da Câmara dos Deputados, do Republicanos, partido do Tarcísio, Davi Alcolumbre. Presidente do Senado, do União Brasil, comandado pelo Rueda, que é um dos caras mais no centro do escândalo Márcia. Mais envolvido que o Rueda só o Ciro Nogueira, realmente. No centro de todos os escândalos, né?
O Ciro é o PowerPoint.
Exato, ele é a interseção de todos os PowerPoints, exatamente. Se a gente tiver curiosidade, do Breno Pires na Piauí desse mês. Cara, impressionante como o cara sobreviveu até agora, porque ele tava em todos os escândalos desde que ele teve idade para participar de um escândalo, ele já tá participando de escândalo. Bom, um personagem que já tava no PowerPoint, mas a história dele foi mais detalhada agora por uma matéria do Intercept, foi o ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro, Ronaldo Vieira Bento.
Ele ganhou, segundo o Intercept, 11 milhões do máster. Tá claramente menos valorizado aqui do que o Colombo. O Ronaldo ganhou bem menos. Ele também é afiliado ao Republicanos, mesmo partido do Hugo Motta. Segundo o Intercept, em 2022, Ronaldo Vieira Bento teria participado na autorização para que tivesse empréstimo consignado para os beneficiários do Auxílio Brasil. Para quem não se lembra, era o nome do Bolsa Família ali naquele final de governo Bolsonaro.
E esse programa inclusive era um escândalo, né? Aquele negócio, você tá dando o Auxílio Brasil para as pessoas que elas estão numa situação de pobreza muito grande, né? Vocês ainda vão favorecer o endividamento desses caras? E essa dívida evidentemente não vai ser paga nunca, né, cara? A chance disso aqui ser pago por um cara que tem tão pouco dinheiro que o governo precisa dar dinheiro pra ele, assim, é remotíssima. E pra vocês terem ideia como esse programa era picareta, se vocês pegarem os dados sobre a concessão do crédito consignado, ele desaba assim que o Bolsonaro perde a eleição.
Ele vinha crescendo, a concessão, até a eleição. No que o governo do Bolsonaro vê assim: "Ok, perdemos, não precisamos mais fazer isso." Para no dia seguinte. Porque era uma senhora picaretagem mesmo. E o último personagem, last but not least, Fala no meu inglês de juiz brasileiro na Copa do Mundo. A Polícia Federal realizou nessa quinta-feira a busca e apreensão em endereço ligado ao Jax Wagner, ex-governador da Bahia e líder do governo Lula no Senado.
Jax Wagner do PT, obviamente. O Jax Wagner, que já tava no meu PowerPoint, realmente tem muito que se explicar. Primeiro lugar, ele teria negociado com o Augusto Lima, um dos sócios lá do Vocado. O Augusto Lima é um dos rios de picaretagem que desembocaram no grande Rio Amazonas, que era a fraude do Master. Então você tem o Augusto Lima vindo de um lado, o Tanure vindo de outro, o Quadrado vindo de outro, enfim, tem a Rei Águia lá na frente.
Então tudo isso convergiu nesse esquema de picaretagem que era o Banco Master. E o Augusto Lima, a Polícia Federal conseguiu evidências muito claras de que ele era bastante próximo do Jacques Wagner. O Jacques Wagner é suspeito de ter pedido pra ele um apartamento de milhões de reais, E empresas ligadas ao Augusto Lima teriam transferido para uma empresa da nora do Jax Wagner R$11 milhões. E tudo isso obviamente é muito suspeito, porque a gente já percebeu que o método do Banco Master era sempre comprar essas autoridades dando dinheiro para familiares, para empresas de familiares e coisas desse tipo, né?
Só que eu achei curioso que na justificativa da Polícia Federal para a operação, eu achei que eles iam falar sobretudo da atuação do Jax Wagner como governador. Porque o Jacques Wagner era governador quando ele privatizou a rede de supermercados que chamava Sexta do Povo, que depois seria a base pra construção do Credo Sexta, né? A empresa que dava crédito consignado e que depois participou da história toda do Master. Então eu achei que a justificativa seria baseada nisso.
E que seria interessante, inclusive, porque isso tem toda a cara de ser um negócio suspeito, mas as autoridades ainda não explicaram exatamente onde é, em que momento vira mutreta, se é mutreta desde o começo. Enfim, tem até uma briga lá entre o pessoal da Bahia dizendo: "Não, não, isso aqui quando foi feito..." Era limpo, se depois foi usado por sacanagem, eu não sei. Tem os outros que dizem que não, que já era sacanagem desde o começo.
Eu acho ótimo que a Polícia Federal investigue para esclarecer isso tudo, mas a justificativa que a Polícia Federal deu nessa operação não foi por isso. O que a Polícia Federal tá dizendo é que o Jax Wagner teria atuado, né, em defesa daquelas medidas que o Ciro Nogueira e os outros bolsonaristas propuseram para salvar o Márcio. Então você teve a emenda do Ciro Nogueira, que segundo a Polícia Federal o Augusto Lima teria mandado a emenda por WhatsApp para o Jax Wagner.
Na época. Não ficou claro se o Jacques Wagner fez alguma coisa sobre isso. Pelo menos você teve o projeto do Bolsonaro de 2022 que autorizou o crédito consignado no Auxílio Brasil. A Polícia Federal disse que o Jacques Wagner também atuou a favor desse projeto. E finalmente tem uma mensagem do Augusto Lima para o Jacques Wagner na época que o Master tava tentando negociar a compra pelo BRB. E aí a Polícia Federal diz: olha, se ele recebeu uma mensagem sobre isso do Augusto Lima, É que ele era no mínimo interlocutor relevante para esses temas sensíveis.
E assim, você vai dizer: ah, mas isso não parece muito. Mas isso aqui é um pedido para busca e apreensão. Então, para busca e apreensão, você não precisa provar que o cara é culpado, você tem que só dizer: ó, tem uma fumaça aqui, vamos lá dar uma olhada nesse negócio. Mas eu achei curioso que nada que a Polícia Federal apontou aqui é lá sobre o crédito sexto, coisa que eu falei, é só sobre atuação parlamentar do Jax Wagner, que teria convergido com a desses caras, como o Ciro Nogueira.
É um negócio que evidentemente O Jacques Wagner vai ter que explicar. Enfim, foi uma semana de muitas adições e edições aqui no PowerPoint, e eu tenho certeza que o pessoal que gostava de dizer que o Escândalo Márcio não tem ideologia vai falar bastante do caso do Jacques Wagner, que já era conhecido, já tava no PowerPoint de todo mundo. Agora, só para deixar claro, se você de fato desenhar o PowerPoint, se você botar todos os casos que apareceram até agora, continua tendo muito mais azul que vermelho, continua tendo muito mais envolvidos de direita do que de esquerda.
Os caras de esquerda, obviamente, têm que ser presos junto com os caras de direita. Mas eu acho irresponsável você não contar pro público que essa discrepância numérica existe.
João, vamos te ouvir.
Na verdade, o que eu gostaria era de falar de um personagem citado nesse PowerPoint do Celso pra ir pra um outro personagem. Hugo Mota, como diria aquele meme do Galvão Bueno, e vai se criando um clima terrível pra ele. Ainda que ele não seja ainda investigado pela Polícia Federal, o que se tem à mesa é muito ruim pra ele. Então vamos lá, em 2024 ele foi a Lisboa hospedado no Four Seasons com um cartão de crédito do Forcaro. Daí descobriu-se que ele também foi pra lá nesse mesmo ano no jatinho do Forcaro.
Daí no ano seguinte, mais uma vez em Lisboa, meio do ano, ele vai com o jatinho da Fábio, ou seja, bancado pelo nosso dinheiro, né, pelo dinheiro do nosso imposto. Neste ano ele também foi, ele disse que foi de voo comercial. Curioso é o seguinte, O Motta foi nesses 3 anos pro Gilmar Paluza. Neste ano em que tem uma lupa um pouco maior em cima do STF, dado que a gente tem discutido aqui a respeito do Master, ele quis mostrar uma certa fidelidade ao Gilmar Mendes.
Daí tem uma outra coisa, tamo em Copa do Mundo, né? Um dos grandes responsáveis pelo Gilmar Paluza é o filho do Gilmar Mendes, o Francisco Mendes, que as pessoas chamam de Chico Mendes. O Chico Mendes, o Alain de Abreu da Piauí, conta a história dele magistralmente numa reportagem veiculada no primeiro semestre do ano passado. O IDP, que é a faculdade, a escola do Gilmar Mendes, tem um contrato com a CBF muito grande, com a CPF Academy, que é o laço de educação, digamos assim, da CBF.
Depois da reportagem do Alain, muita coisa aconteceu mostrando quão forte tem sido o Chico Mendes dentro da cartolagem. Ele não tinha até então nenhum cargo na CBF, mas agora ele tem. Em dezembro de 25, ele se tornou, pra dar um tom institucional pro entre-sai ali dentro da CBF, ele assumiu a vice-presidência da Federação Mato Grossense de Futebol. No mês seguinte, janeiro de 26, teve, digamos assim, um tour entre cartolas, né, presidentes de alguns times de futebol, mais presidentes de federações estaduais, para países como Alemanha, Espanha e Inglaterra.
Basicamente, eles foram ver como os campeonatos de lá funcionavam. Aí tava um monte de gente, como, por exemplo, Hélder Barbalho Filho, da família Barbalho e um dos dirigentes do Clube Remo, lá do Pará. Também tava Michele Ramalho, vice-presidente da CBF e presidente da Federação Paraibana, dentre muitas outras pessoas. O Gilmar Palhosa do Chico Mendes foi usado meses depois pra receber essas pessoas. Então, o Gilmar Palhosa tem sido aparelhado pra ser um instrumento de lobby também pela CBF.
E daí o que se sabe é o seguinte: O Chico Mendes, na prática, ele já é o presidente da CBF. Tanto que teve esse primeiro jogo do Brasil contra o Marrocos, um jogo que—
não foi lá uma exibição de gala, né?
No ônibus em que a seleção chegou pro estádio, tava um cara chamado Rafael Carvalho, que vinha ser um dos coordenadores do IDP, escola do Chico Mendes. O presidente em exercício da CBF, em tese, é o Samir Choudhury. Saiu a notícia de que ele teria levado a oficial e a amante pra Copa, sendo a oficial pro México e a mãe de Nova York. Aí eu achei sacanagem também. Poxa! Mas enfim, teria sido um fogo inimigo interno da CBF pra enfraquecê-lo.
Porque a verdade é que o Chico Mendes tá preparando o terreno pra ele assumir a presidência da CPF. Então é só pra misturar aqui os assuntos. Hugo Mota foi pro Gilmar Palhosa. Gilmar Palhosa, que por sua vez tem sido usado pelo Chico Mendes pra ganhar mais espaço dentro da CBF em tempos de Copa. A vida pessoal do atual presidente acabou vindo à tona pra enfraquecê-lo de alguma forma.
Tudo uma grande coincidência, né? Exatamente. Bom, vamos encerrando por aqui o primeiro bloco do programa com essa semana extremamente movimentada. E no próximo bloco a gente vai falar sobre as festas do Daniel Vorcaro com o João Batista, com seus bastidores. A gente já volta.
A foto parece saída de um álbum de família. O senador Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro abraçados na neve, de óculos escuros, sorrindo, com os Alpes franceses ao fundo. Mas essa não era uma foto qualquer. Ela foi encontrada pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master e anexada ao relatório da investigação. O que tem por trás daquele abraço em Courchevel? Férias de quase R$2 milhões, apartamento, cartão de crédito, jatinhos, mesadas e uma emenda parlamentar feita sob medida para os interesses do banco.
Para além do Caso Master, Ciro circula entre os donos de bets, faz negócios com Ricardo Magro, dono da Riffit e maior sonegador do país, e tem contas pagas por amigos.
Mantinha também um grupo de WhatsApp com suspeitos de ligação com o PCC.
Sem falar nas 15 delações premiadas que, no passado, já lhe atingiram. Oficialmente, o senador tem a ficha limpa. Mas a biografia dele diz outra coisa.
No perfil de Ciro Nogueira, intitulado "O Amigo do Crime", da edição de junho, eu, Breno Pires, falo sobre os negócios do senador que aparecem em quase todos os escândalos da República.
Ele que já foi deputado, ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e chegou a ser cotado para vice na chapa do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro. O assinante da Piauí lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador. Saiba mais em revistapiaui.com.br.
Olá, ouvintes do Foro de Terezina! Aqui quem fala é a Marie De Clercq. E depois de anos escrevendo para veículos como Vice Brasil, UOL e colaborando para a Piauí, Eu aprendi que escrever bem tem muito menos a ver com talento e inspiração e muito mais a ver com a prática. Foi pensando nisso que eu criei o curso Escreva Todo Dia, onde você vai ter um mês para transformar a escrita em hábito, com 4 aulas online e exercícios diários.
Sim, exercício todo dia para começar a escrever. O curso começa em 1º de julho e ouvintes do Foro têm 10% de desconto usando o cupom FORO10 em saveup.com.br. Aproveita que é por tempo limitado. Te espero lá! Estamos de volta no segundo bloco e agora o João Batista traz a parte mais saborosa e, digamos, ainda não oficial do caso master, que são as festas do Daniel Vorcaro em Trancoso e em Fernando de Noronha, né, João? Exatamente.
Muito luxo, muita gente importante, muitas mulheres, celulares eram proibidos e enfim, a gente quer saber o que ninguém sabe, João, conta pra gente.
Ana, você sabe que muito tem se falado dos eventos que ele patrocinava aqui no Brasil e fora, mas eu queria entender como eles aconteciam e quem frequentava, né? Então eu fui atrás de algumas pessoas pra poder ver se a gente conseguiria levantar essa apuração, até fiz uma matéria pro site da Piauí, quem tiver curiosidade, pode ler mais a respeito. Mas vamos lá. No ano passado, Daniel investiu R$40 milhões pra ter um camarote aqui no Carnaval do Rio de Janeiro.
Mas foi todo um pacotão. Teve o camarote, ele fechou um andar no camarote Alma Rio, onde ele levou vários políticos. E ele também fez uma festa fechada no Parque Lage, onde o Ciro Nogueira tava, entre outras pessoas. E alugou uma mansão em Santa Teresa pros convidados estrangeiros dele ficarem dançando ao som de Alok vendo a Baía de Guanabara. Ele muito generoso. Acaba terça-feira o Carnaval no Rio de Janeiro, quando nem venceu a ressaca com a Hipoclésia, ele começa a fazer festas em Trancoso.
Então, na quarta-feira de cinzas, Vanessa da Mata e Silva cantaram na casa dele em Trancoso para alguns dos amigos estrangeiros que chegaram. Tudo muito bonito. No dia seguinte, ele trouxe de avião um atum bluefin de Barcelona até Trancoso. Ah, ele trouxe o peixe inteiro? A peça inteira. Ele contratou um chefe de cozinha chamado Rafael Gomes, que foi vencedor do reality show MasterChef Chef Profissionais 2018. Até engraçado, porque um funcionário da casa me contou a respeito de tudo isso.
E eu liguei pro Rafael, né, pra checar a informação. E ele falou: "Não, nunca trabalhei pro Forcaro". E o cara tinha me passado a data. Daí no Instagram do chefe tava lá o peixe sendo desembrulhado com um monte de gelo. Daí eu mandei pra ele: "Vamos falar sobre isso?" Daí ele não me respondeu mais. Mas então... Por que será, né, João? Em um dia a atração foi o Silvio e a Vanessa da Mata. No outro dia foi esse peixe. Mas enfim, daí eu falei com um funcionário que me contou coisas bastante curiosas.
Aquela casa de Trancoso, que é uma casa gigantesca, ela tem uma casa principal e outros bangalôs, era uma casa que pertencia ao casal Sandra e Sérgio Habib, que ficaram muito, muito ricos com concessionárias de carros. Eles trouxeram a Citroën pro Brasil, Land Rover pro Brasil, Aston Martin. Jack Motors. Exatamente. Eventualmente eles alugavam a casa pro Vôr Caro. Teve uma festa cujo cantor foi o Arnaldo Bene, em que lotou mais do que se desejaria e quebraram algumas coisas.
O casal ficou bastante chateado. Daí o Forcaro falou: "Quero comprar a casa." A Sandra falou: "Não tá à venda." Ele falou: "Me dá um valor." Ela deu um valor super alto pra ele falar não, mas ele comprou, fechou o acordo.
Como o dinheiro não era dele, ele comprou.
É, exato. R$280 milhões. Aí quando ele compra a casa, ele passa a ter um esquema em que os funcionários ficaram proibidos de fazerem fotos, de fazerem vídeos. E ele foi bem estruturado. Eram 30 funcionários na casa. Então eles eram divididos por alguns setores. Tinha jardinagem, camareiras e escritório. Tinha um RH pra cuidar da escala das pessoas. A casa tinha RH.
Bom, é uma empresa, né?
30 pessoas é uma empresa. Maior do que muita empresa. E aí as pessoas falam que ele era muito gente boa, muito legal. As festas começaram a mudar. Tinham festas que eram pra família e pra amigos, como por exemplo com o Silvio, a Vanessa da Mata, com o Atum Espanhol. E outras festas que eram mais pra amigos, mais 18+. Aí o funcionário falou que ele tinha uma delicadeza, digamos assim, para com os convidados. Tinha um tradutor de russo para intermediar as conversas entre os amigos e as mulheres contratadas, e um tradutor de inglês.
A casa dele é de frente pro mar, tem uma saída exclusiva pro mar. Um vizinho contou o seguinte, que formava uma tenda branca ali, então tinha um paredão quase de seguranças, e era comum ver mulheres muito jovens e amigos não tão jovens ali naquela região. Mas é claro, o Vorcaro tava construindo uma cerca viva um pouco maior pra ele ter ainda mais privacidade. Ia passar de 2 metros pra 3,20 metros. Aí ele foi preso pela primeira vez quando ele tentava embarcar no aeroporto de Guarulhos.
Naquele momento, a cerca tava sendo construída. Então a obra ficou um pouco parada e depois a obra foi finalizada. No Réveillon deste ano, o pai dele, que hoje tá preso por coordenar a parte violenta da organização criminosa, passou o Réveillon lá, mas depois nunca mais ninguém voltou. Então, em abril deste ano, teve um passaralho. Dos 30 funcionários, 24 foram demitidos. Ficaram só com 6. Tinha uma pessoa, algumas pessoas responsáveis por lustrar a prata e a louça.
Ele gostava de Tânia Bulhões. Eu já não sei se era com o logo dos Limoncello lá.
Também não surpreende gostar de Tânia Bulhões.
E enfim, teve esse passaralho. E desde então, desde o Réveillon, ninguém mais voltou pra casa. A casa vai ser um dos grandes ativos, aliás, pros liquidantes, porque ela é num terreno muito grande, de frente pro mar. Talvez ele tenha pago algo inflacionado, mas o fato é que a casa vale muito. Agora a gente vai subir um pouco, vamos pra Fernando de Noronha. No Réveillon de 22 pra 23, ele tinha uma relação extraconjugal com a atriz Monique Afradique.
Agora, só pra gente colocar no tempo e espaço, essa época era a época de glória dele, né? Não tinha investigação nenhuma, o Banco Central não tava pegando tanto no pé dele, era a época, enfim, o auge, né?
Aí ele fechou uma pousada lá em Noronha e ele fechou outra pousada ao lado para ninguém pisar, porque ele não queria atrapalhar com barulho e ter privacidade. No dia 31, na noite da virada, ele não passou lá com os amigos, ele passou com a família dele e depois ele retornou. Nessa temporada, o Vôrcaro quis surpreender a atriz. Ele fechou o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, conhecido por Farol Noronha, uma fortificação construída em 1737 sob o reinado de João V, de Portugal.
Ali, pra apenas 10 convidados, entre eles o ator e humorista Marcos Magela e o dentista Thales Bretas, tocaram a banda Gypsy Kings e o DJ australiano Shet Faker. O Shet Faker tava no Brasil pra fazer uma outra, participar de uma dessas coisas de final de ano, e daí o Vercário gostou da ideia e levou pra lá. Dentro de um festival chamado Playa, que acontece numa pousada chamada Zé Maria, ia ter o show do Silva. Daí o Vôrcaro foi lá e ele quis fazer um camarote só pra ele e pra Monique.
Ele pagou R$150 mil só pra fechar aquele espaço. E ele, em tese, não queria mais ninguém. Daí o lugar tava coalhado de artista, influencer e tal. Os artistas falaram: "Ah, então a gente faz um camarote B". E ninguém foi pro camarote do Vôrcaro quando ele começou a convidar. Então ele e a Monique ficaram isolados num camarote, ele gastou uma fortuna pra passar 2 horas ali, mas saíram no meio do show. A gente chegou na apuração de que o Vôrcaro, quando fica animado, ele gosta de cantar junto com os artistas.
Nem todos os artistas gostam. Que vocês gostam. Mas ele contratava artistas assim de mundos muito variados, tipo aquela banda de pagode sambô. Não conheço. O sambô faz versões assim do Coldplay em samba. U2, né? U2 em samba. É um puta sucesso dos churrascos do Brasil afora. Em Araçatuba eu tenho certeza que faz sucesso.
Mas eu não sou mais de lá.
Então quem já foi contratado por ele para cantar em Trancoso? Nando Reis, Gilson, Marcelo Falcão. Ele era um grande financiador das artes, financiador do mundo, exatamente, do mundo cultural. Isso é bastante interessante. Daí o funcionário falou pra mim que só reconheceu um político na casa dele. Eu perguntei quem, funcionário da Bahia, reconheceu ACM Neto. ACM Neto, que por sua vez teve uma empresa que apareceu como, digamos assim, agraciada por um dinheiro vinculado ao Master, R$3,6 milhões.
Aí eu entro em contato com a equipe do ACM Neto, ACMinho, "Olha, tô fazendo uma apuração sobre as festas, gostaria de saber o outro lado." O assessor falou assim: "Ele pediu pra que você reavalie essa informação, pois está errada. Ele nunca esteve na casa. Não gosto de fazer isso, mas vou falar aqui, João. Você não deveria publicar porque está errado. Você vai publicar?" Eu falei: "Sim, eu vou publicar." Confiei na fonte, bati com outra pessoa.
Daí ele falou: "Então vou te mandar uma informação." Daí a nota do ACM Neto mudou. Em atendimento à demanda da revista Piauí, informo que frequento Trancoso há décadas. Estive uma única vez na residência de Daniel no ano de 2024, mas nunca, jamais participei de festa na casa dele. Beleza. Bom, resposta oficial tá aqui, né? Então é isso. Você tá falando, né, cara? Exatamente. O Daniel Vorkar era um cara muito generoso, ele fazia muitas festas ali em Trancoso.
Aparentemente essa propriedade comprada em junho de 2024 foi usada para diversas finalidades, tanto para receber familiares e namoradas, no caso a Martha Graeff, que teve ali inúmeras vezes. A oficial. Tanto para ele fazer essa promoção da cultura nacional, contratando artistas, tanto pra ele talvez fechar negócios assim, fazer umas festas mais picantes, 18+. Que beleza, hein?
Pessoal aí aposentado do Rio de Janeiro, vocês querem saber como foi gasto o dinheiro de vocês? Foi esse peixe aí que viajou de avião.
Cara, ele tá preso agora, ele deve ter boas memórias pelo menos. Se a realidade não ajuda, né, o presente não ajuda, pelo menos o passado É triste. Deve trazer boas lembranças pra ele. Tudo financiado com dinheiro dos outros, né?
É isso que a gente tem que meter em mente.
Que é aquele dinheiro que se gasta mais fácil.
Exato. Pra você chegar numa pessoa e falar: "Vou comprar sua casa, não quero vender, fala qualquer número que eu pago." É porque o dinheiro não é seu, né, cara?
Agora, tem uma coisa que é muito fascinante, que é o seguinte: essas festas todas, a gente tá falando aqui em tom de dando risada, porque tem o caráter de humor involuntário mesmo, mas era parte de como esse homem operava. Então assim, viagens pra Nova York, financiamento de eventos em Londres, em outros lugares do mundo, viagens pra Courchevel. Tudo isso era uma forma de fazer com que esses políticos todos devessem favor pra eles, correto?
Claro. Quando você chama um artista do quilate desse que a gente citou pra shows privês, você quer algo em troca.
Você compra acesso, compra influência, tudo é muito transacional. Compra emendas. Exato.
Já que o Fernando tá aqui, eu vou fazer uma citação aqui, né? Porque tem que ter uma. O Fernando, vocês não sabem, ele está de folga porque ele vai jogar na seleção do Uzbequistão. Mas como diz Adam Smith na Riqueza das Nações: raras vezes os membros de uma mesma profissão se reúnem, mesmo que para diversão ou entretenimento, sem que a conversa termine em uma conspiração contra o público ou em algum estrategema para aumentar os preços.
Cabeção! O que ele queria dizer: sempre que você tiver essas reunião de rico, mesmo que seja uma festa social, um negócio, é para armar alguma coisa contra os caras que não estão convidados para a festa. E no caso do Boccaro é óbvio, né? A gente não tá aqui só fazendo porque é engraçado a gente se meter na vida de um rico maluco. É porque primeiro esse dinheiro, como a gente disse, é roubado. E segundo, é assim que ele fazia o seu networking, né?
Assim, ele ia montando essa sua rede de contatos políticos. Enfim, é aquilo que a gente tava dizendo outro dia aqui. Teve gente dizendo que não podia divulgar o conteúdo inteiro dos celulares do Boccaro porque teria, enfim, vídeos íntimos das autoridades, etc. Cara, olha só, uma coisa é se fosse um vídeo que o cara fez lá com a namorada dele e isso não é problema de ninguém.
Não interessa ninguém. Exato.
Agora, veja bem, se a gente trata o cara voar no avião do Vôo Caro como sinal de proximidade, se a gente trata o cara ficar hospedado na casa do Vôo Caro como sinal de proximidade, o cara ir numa suruba com o Vôo Caro tem que se tratar como sinal de proximidade, certo?
Exatamente.
É um grau de intimidade.
Exatamente, cara, exatamente. É um negócio muito sério. Bom, ele providenciou uma tradutora para a pessoa Exatamente, que aliás até fiquei pensando nisso, tem que ser um tradutor com vocabulário muito específico, né, pra ser tradutor de suruba, né, tem que saber...
Na língua de Rasputin.
Exato, tem que ser um troço bastante... Tem que ser profissionais altamente qualificados pra fazer esse serviço. Mas enfim, mas aí vocês vão vendo como é que é, qual é que esse mundo funciona, né, quer dizer, por exemplo, quando eles dizem: "Não, fiz isso só porque o Ciro é meu amigo", ele é amigo do cara mesmo, mas é uma amizade forjada em tom de sacanagem, então todas essas fronteiras entre o público e o privado vão São Cruzadas.
Tô se dissolvendo, né, não sei o que lá. E só quem não participa da conversa é você que tinha dinheiro no Máster, ou que o seu governo estadual botou dinheiro da sua aposentadoria no Máster, ou que a sua prefeitura pegou dinheiro público pra botar em dark horse junto com os caras do Máster.
E enfim, é por aí. E ele era tão obcecado com privacidade que mesmo o staff dos artistas não entrava pela casa principal, entrava pelo acesso de serviço. Muitos não ficavam no local onde estava tendo a festa, tinham de ficar em um ambiente separado. Mas ele era generoso onde hospedava essas pessoas, todas ficavam no fazano ali de Trancoso.
Olha só, é um gentleman, né? Novamente, é o generoso com o dinheiro dos outros, né, cara?
Pois é. Bom, depois dessa apuração picante do João Batista sobre o departamento de festas.
Como é que era? Departamento de Operações Estruturadas.
Esse é o departamento de festas estruturadas. Isso é— Enfim, terminada essa apuração minuciosa do João, a gente vai para o terceiro bloco e a gente vai falar sobre o que acontece com os votos da direita caso Flávio Bolsonaro não sobreviva ao master. A gente já volta.
Olá, eu sou Rodrigo Pederneiras, coreógrafo do Grupo Corpo. O Grupo Corpo completou 50 anos e a gente não chegou aqui sozinho. Quero agradecer a todos que caminham conosco e convidar aqueles que querem fazer parte e apoiar esse nosso trabalho a participar do programa Amigos do Corpo.
Para maiores informações, visite o site amigosdocorpo.com.br. On.br. Um grande abraço e muito obrigado.
Oi, eu sou a Carolina Moraes e tô aqui para te convidar a ouvir o episódio dessa semana do Rádio Novela Apresenta. No primeiro ato, eu e o Vitor Hugo Brandalisi conversamos com a jornalista que descobriu que um colchão que devia proteger a gente de uma queda catastrófica tava na gênese de um dos maiores golpes financeiros do Brasil.
Ele me mostra o prédio, as salas, curiosamente meio vazias.
Ele disse que era hora do almoço, mas para um banco que operava tanto, você olhava as salas, não tinha ninguém, era meio estranho, né? No segundo ato, a Mariana Filgueiras conta a história de uma comunidade que está há décadas tentando se firmar.
E depois que a gente organizou, a gente viu: olha, tem rua que não tem nome.
O episódio Na Corda Bamba A novela já tá disponível em todos os tocadores.
Rádio Novela apresenta: toda semana, histórias que você não sabia que precisava ouvir.
De volta para o terceiro bloco. Na última pesquisa Quest, sobre a qual a gente já falou no episódio anterior, é possível ver, né, o Flávio Bolsonaro em queda e o Lula abrindo vantagem. Mas não necessariamente as intenções de voto das pessoas que ficaram insatisfeitas com o Flávio, com o envolvimento dele com o Márcio e tudo mais, tá migrando para o Lula ou nem mesmo para os substitutos do Flávio na direita, como o Romeu Zema, ou o Ronaldo Caiado.
Algumas razões que o Felipe Nunes da Quest nos dá para esse movimento, ou seja, esse deserto que tá acontecendo na direita, deles não conseguirem absorver os insatisfeitos com Flávio, é o fato deles não serem conhecidos. Então as pessoas falam: ah, eu vou não votar no Flávio, votar nesse cara que ninguém vai votar, né, nesse Zema, quem que é e tal. Mas o fato é que Havia uma expectativa de que se o Flávio desidratasse, haveria um herdeiro no campo da direita.
E isso não tá se confirmando nesse momento, apesar de que há um núcleo ali, sobretudo em São Paulo, Faria Lima, etc., que quer alçar o Renan Santos do MBL, que agora é um partido, né, Partido Missão, a esse posto de herdeiro da direita não bolsonarista, né. Eles querem placar ele de qualquer jeito, mas assim, até agora as pesquisas mostram que ele é tão, ou talvez mais desconhecido do que o Zema e o Caiado. Aliás, pelos números da Quest, o índice de desconhecimento do Renan é de 70%, enquanto do Zema é de 51% e do Caiado é de 48%.
Acho que até por isso um dos motes ali da publicidade, da propaganda do Renan é: quem é Renan Santos? Então vamos falar um pouquinho sobre como que tá esse deserto da direita com o Flávio titubeando. Celso, que que você nos traz?
É isso mesmo, mano. As pesquisas têm mostrado uma queda do Flávio que não tá tendo uma subida correspondente nem no Lula nem nos outros candidatos de direita. Então, para onde estão indo essas pessoas e o que que elas devem fazer no dia da eleição? É uma coisa que a gente ainda vai saber. Eu acho que vale a pena a gente separar dois grupos aqui: o pessoal que já era eleitor do Flávio, seja porque gostava do Flávio, seja porque odeia o Lula, e um pessoal que tinha migrado pro Flávio e que foi muito importante praquele momento em que o Flávio empatou tecnicamente com o Lula.
E eu suspeito seriamente que deve ter passado o Lula num certo ponto, porque tava empate técnico, ele na frente, e você sentia que a dinâmica da coisa tava apontando mais pra ele. Esse movimento começou sobretudo quando saíram as denúncias contra o Alexandre de Moraes. As denúncias contra Alexandre de Moraes reforçaram esse sentimento antissistema, pareciam dar uma certa razão ao bolsonarismo no sentido de dizer que o Alexandre de Moraes era picareta, que aliás não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Alexandre de Moraes pode ser picareta e pode ter atuado brilhantemente no processo contra o golpe. Essas duas coisas não são absolutamente excludentes. Agora, esses eleitores que chegaram no Flávio por esse mecanismo provavelmente devem ter ido embora. Quando sai um áudio do Flávio pedindo dinheiro para o mesmo cara que é acusado de dar dinheiro para o Xandão. Então assim, se você chegou na candidatura Flávio por causa do escândalo Master, tem uma boa chance de você sair quando o Flávio passa para o centro do escândalo Master.
Além disso, você tem alguns sinais evidentes de desgaste do Flávio com a base dele. O Juliano Spier, que é colunista da Folha de São Paulo e autor de um livro muito interessante sobre os evangélicos brasileiros, escreveu um artigo na Folha no dia 15 de junho que eles evangélicos abandonam Flávio Bolsonaro e migram para Lula e Renan. Por que que ele diz isso? Porque ele tem muitas fontes no meio evangélico, diz que os pastores são muito decepcionados com Flávio.
Eles nunca se empolgaram com Flávio, porque eles queriam a Michele como vice do Tarcísio. O Malafaia, por exemplo, nunca fez nenhum mistério que era esse que ele queria. Ele diz que todas as grandes lideranças evangélicas queriam isso. E pelo menos em um caso, o da Igreja Ministério Madureira da Assembleia de Deus declarou apoio ao Então assim, o Flávio nessa base, que é a base onde ele ganha ou perde eleição, porque assim, a gente, quando a gente fala desse crescimento da direita orgânica ideológica, o importante aqui é Igreja Evangélica, entendeu?
Quem faz trabalho de base, como os movimentos sociais faziam para o PT antigamente e tal, é Igreja Evangélica. Essa base popular do Flávio não é muito entusiasmada com ele. Então essa coisa dele ser ladrão, eles não estão particularmente surpresos com isso, inclusive, e eles gostariam muito de ter outra opção para votar. O Juliano nota que o Lula continua muito rejeitado pelo segmento evangélico, mas na última pesquisa o apoio dele subiu de 24% para 31% entre os evangélicos.
É bom tomar cuidado com uma coisa: a margem de erro em subgrupos é bem maior do que na amostra inteira. Então esse 24% para 31% parece no olhômetro assim grande o suficiente para estar fora da margem de erro, mas não deve estar muito fora. Então o Lula deve ter subido, mas pode não ser tudo isso. E inclusive o Juliano aí vai dizer que o Renan é o único da direita que cresce. Ele cresce 3 pontos, 40 para 43. Aí o risco é alto de esse crescimento ter sido só margem de erro.
Mas de qualquer maneira é uma possibilidade. E o porquê que está acontecendo? Primeiro, o Jair Bolsonaro foi muito eficiente neutralizar os rivais de direita dele ao longo dos últimos 4 anos. Ele exigiu submissão total daqueles governadores de direita que eram potenciais presidenciáveis. Os caras deram tudo que o Bolsonaro quis, os caras defenderam anistia, os caras disseram que não foi golpe, os caras chamaram o Xandão trumpista, apoiaram Trump, apoiaram as maiores barbaridades, ficaram bastante desmoralizados com quem não é bolsonarista.
E aí depois Bolsonaro largou eles à ver navios. Então esses caras já não são uma alternativa que entusiasma o cara que tá a fim de uma alternativa ao bolsonarismo, entendeu? Porque eles entregaram tudo que o Bolsonaro queria, com a diferença que eles não têm os votos que o Bolsonaro tem. O Zema teve um lapso momentâneo de consciência moral em que ele denunciou o Flávio, quando saiu o áudio do Boccardi. Mas aí a direita inteira, a começar pelo partido dele, o Partido Novo, inclusive incluindo Deltan Dallagnol, caíram de pau em cima do Zema dizendo que ele não devia denunciar a corrupção do Flávio Bolsonaro.
Porque essa corrupção pode, essa daí tá liberada, que a prioridade é você combater o PT. Então vocês vão vendo o peso real que o Partido Novo dá à questão da ética na política, né? Então assim, a verdade é que esses outros candidatos de direita foram neutralizados pelo Bolsonaro. Entendeu? O Bolsonaro castrou esses caras. Então agora mesmo, se o cara não quiser votar no Flávio, ele olha para esses caras e fala: isso aí é o Flávio castrado, não dá para se entusiasmar com isso.
O Renan é um caso diferente. Eu acompanho essa história do MBL desde o começo. Eu acho um caso muito interessante porque a direita brasileira sempre foi muito mais uma máquina do que um partido. Ela sempre tinha muito mais poder nas instituições do que propriamente na base da sociedade. Então os partidos brasileiros Vários deles sempre foram criados a partir do Estado, a partir de esquemas de corrupção locais, a partir de esquemas de patronagem, esquemas de clientelismo, etc.
E a direita, a partir principalmente com as ditaduras, ela basicamente extinguiu os esquemas que eram ligados ao varguismo, só sobra os esquemas dela. E é por isso que até hoje a política brasileira é dominada pela direita. Quando a direita passa uma temporada inédita na oposição, porque até o Lula ganhar a eleição a direita nunca tinha sido oposição, começam a surgir os incentivos para surgir uma direita orgânica. Uma direita da sociedade civil, e surgem.
E o MBL é o caso mais bem-sucedido disso. Assim, você pode achar o que você quiser do MBL, mas eles conseguiram botar multidões nas ruas durante a luta pelo impeachment. Bom, outro dia eu recomendei aqui o livro do Roberto Jefferson, agora eu vou recomendar um livro do MBL, entendeu?
Só clássicos aqui no programa. O Adam Smith não sei se vai ficar tão feliz com as suas recomendações.
Na última Feira do Livro teve dois autores já recomendados aqui no Momento Cabeção que protestaram pela recomendação do Roberto Jefferson, que antes eles eram felizes, estavam felizes de entrar na nossa lista. Agora o livro chama Como um Grupo de Desajustados Derrubou a Presidente: MBL, a Origem. Sim, tem duas vezes dois pontos no título do livro, escrito pelo Kim Kataguiri e pelo Renan Santos, o candidato a presidente agora, que é eles contando a história do movimento, né?
E aí, cara, é um documento interessante, foram um movimento importante ali naquele momento. Mas se vocês acompanharam a trajetória, vocês vão ver, eles começam num radicalismo bem tosco, inclusive bem juvenil, né? O Kataguiri tinha, sei lá, 18 anos, 19 anos, E muito ruim assim, se você for analisar os documentos dele tentando achar substância ali. Mas à medida que eles vão se institucionalizando, o que é muito rápido, porque é muito fácil você ser político de direita no Brasil, então eles imediatamente são incorporados pela elite política brasileira.
Eles primeiro tentam dar uma moderada, eles tentam fazer uns eventos com pessoal mais centrista, eles tentam reconhecer o papel que eles tiveram durante a polarização, durante o impeachment, dizer que a polarização pode ser um problema. O Kim Kataguiri, sobretudo, Tenta se apresentar como um político mais institucional, normal, enfim. Eu conheço parlamentares de esquerda que disseram que ele era um cara que dava pra conversar dentro do Congresso, assim, que durante o bolsonarismo ele era um cara que não comprava aquelas maluquices do Bolsonaro.
O problema é que isso não deu voto, isso não deu certo. Eles não conseguiram decolar com o movimento, assim, a base deles comprou o bolsonarismo, né? Então eles agora fizeram uma nova virada à direita que é bastante extrema. Então essas últimas ideias defendidas pelo MBL são muito radicais. Então eu recomendo para vocês duas coisas. Um é o texto da Ana Luísa Albuquerque, que é a jornalista que melhor cobre extrema-direita no momento.
No dia 23 de maio de 2023, ela escreveu um artigo na Ilustríssima chamado Partido do MBL se inspira em ultradireita do Vale do Silício para desafiar Bolsonaro, em que ela vai contando, por exemplo, como o MBL chamou para o seu congresso aquele Curtis Yavin, o Mansions Moldbug, que a gente já falou dele aqui. É um cara de Silicon Valley que defende que a democracia já deu o que tinha que dar, acabou, não serve mais para nada. Tem que ser substituída por uma espécie de monarquia meio tecnocrática, um negócio que aliás é muito tosco intelectualmente, assim, muito ruim.
Assim, se não tivesse rico pagando para essas ideias circulares, elas jamais sobreviveriam no debate de ideias normal. Eles trouxeram esse cara aqui no seu congresso, aplaudiram ele de pé, acharam ele um grande sucesso. Se vocês quiserem também, um outro texto que eu comento para vocês é o do Thiago Susekind, que escreveu no seu Substack num texto chamado "O MBL enfim abraçou a extrema-direita", que é bastante chocante. Se vocês forem ver, tem gente do MBL defendendo voto censitário, voto regulado pela renda.
Então o voto dos mais pobres valeria menos. Tem gente do MBL defendendo intervenção em estados pobres que costumam votar na esquerda, como no Maranhão. Então esses deveriam virar territórios, como antigamente era Roraima ou Rondônia. O nível do negócio é bastante radical, bastante tosco. Bom, e acho que todo mundo viu aqui o publicitário do MBL falando do Vinícius Júnior. Exatamente. Se você não viu, eu não vou repetir aqui. É absolutamente escandaloso.
Enfim, então assim, eles abraçaram isso, mas misturado num lado meio farcêsco assim. Se vocês pegaram as fotos do evento do MBL, parece mais um negócio meio carreta furacão fascista, sabe? Exatamente. Então você tem um cara vestido de onça-pintada, o Renan com uma jaqueta militar segurando uma espada, um cara com um brasão do Brasil imperial. Que, cara, sei lá, entendeu?
Acima de tudo, eles são bem cafonas.
Você sabe que é com essa estética que alguns empresários da Faria Lima estão coletando dinheiro para financiar essa candidatura, porque o Renan, ele quer uma van, um micro-ônibus, um trailer, sei lá, algo do gênero, para correr o Brasil, para as pessoas conhecerem quem ele é. E aí esses empresários da Faria Lima estão fazendo uma vaquinha para tentar bancar essa viagem.
Vocês sabem que depois do episódio que a gente discutiu aqui, o Kurt Yarvin, um tempo atrás, que a gente estava falando desses milionários fascistas do Vale do Silício e tal, um cara me mandou uma mensagem dizendo: "Oi, eu organizo palestras para empresários e tem muita gente interessada nas ideias do Kurt Yarvin. Você aceitaria falar sobre isso?" Meu Deus! Obviamente não aceitei. Pensei em ir lá e xingar todo mundo, mas não fiz isso.
Deixa eu ver minha agenda. Tô sem agenda.
Pois é. Então assim, mas também, cara, se vocês olharem um lobby de aeroporto aqui no Brasil, O que que os caras estão fazendo ali? Tem alguém lendo livros minimamente desafiantes sobre assuntos relevantes? Não tem. Então esses caras vão achar o MBL inteligente mesmo, entendeu? Então é isso aí. Agora, é bom sempre destacar, o Renan tem um desempenho até bom na pesquisa para um cara que era totalmente desconhecido e tá no partido recém-fundado.
Assim, isso lembra um pouco o desempenho do PT lá no comecinho, quando PT só perdia eleição. Então se for analisar sobre esse ponto de vista, sobre um negócio começou agora e eles querem fazer que dê certo daqui a 20 anos, O desempenho dele é bom, mas nas pesquisas nacionais ele ainda não teve nenhuma grande manifestação de sucesso. Ele ainda não entregou pontos de pesquisa que fariam mais gente aderir à candidatura dele. Ele é mais, por enquanto, um fenômeno de redes sociais, etc. e tal, do que alguma coisa que as pessoas na central do Brasil estejam lá discutindo.
João, você que também tem muita apuração sobre esse périplo do Renan Santos e essa tentativa de de alguns grupos fazerem o nome dele vingar?
Conta pra gente o que você ouviu. Tem uma coisa, Ana, que é interessante. O Celso explicou o poder de mobilização digital que eles têm, que eles fizeram com as manifestações, enfim, todos sabemos. Hoje o TSE pede para que uma vez que é homologado o pedido de criação de um partido, em até 2 anos isso seja realizado. O Renan conseguiu mais de 547 mil assinaturas, que é o equivalente a 0,5% dos votos válidos para deputados federais, para criar uma missão.
Em menos de 2 anos. Isso é grande. Aí ele colocou pessoas trabalhando de fato, recebendo dinheiro pra trabalhar, pra conquistar essas assinaturas em lugares como pontos de ônibus em São Paulo, aqui na praia no Rio de Janeiro e tal. Tiveram algumas polêmicas em relação porque muitas pessoas depois falaram que elas não estavam sabendo exatamente pra que se tratava aquela assinatura. Então era: você é a favor da educação no Brasil?
Sim, quem não é a favor da educação no Brasil? Daí quando você viu, você tava encampando a criação do partido do Renan. Eu tive com a vereadora Amanda Vitorazzo em São Paulo, no gabinete dela, para poder entender o Renan. Eles acreditam que, por terem personalidade, de fato eles são anti-Bolsonaro. Na última eleição presidencial, eles pediram para que as pessoas não fossem votar no Bolsonaro, não declararam apoio a ele. E o Renan tem batido muito na tecla de que o Flávio é corrupto, que o Flávio tá dentro do guarda-chuva do master.
Então ela disse que naturalmente quem é anticorrupção e anti-master e tá descontente com Flávio vai cair no colo dele. Mas ela Ela também assume que hoje o Renan tem um voto masculino, jovem, né, entre 25 e 35 anos, e em São Paulo. Por isso o Renan tem feito o que ela chama de um tour ali pelo Nordeste. Ele já teve no Maranhão, como você citou, Pernambuco, Bahia. A estrutura de campanha dele é pequena. Segundo ela, até 3 semanas ele tinha um segurança, mas agora ele tá com 2 e tem um cara que faz rede social do cara.
O Renan, ele é muito esperto. Ele tem ido nesses podcasts, a exemplo do que o Trump fez na última eleição dos Estados Unidos, em podcasts cristãos de Faria Lima que falam de dinheiro e essa macharada de podcast, porque são muitos minutos. Ele faz os cortes, né, as pessoas fazem os cortes, os fãs dele, e aquilo se replica quase como o Marçal fazia. Só que o Marçal fez até eleição municipal de São Paulo algo remunerado. Tinha os cortes do Marçal, então ele pegava um vídeo A pessoa tirava fragmentos daquele vídeo e os vídeos da semana que mais alcançassem visualizações eram remunerados pelo Marçal.
O Renan não remunera, mas ele estimula esse corte por parte dos fãs dele. Aí tem uma coisa interessante do MBL que é o seguinte: o Renan, ele tem feito essa campanha com dinheiro de doações, Pix mesmo. Segundo a Amanda, não tem grandes empresas por trás, mas são pessoas que são altamente engajadas e que pensam como os americanos, que a sociedade civil tem que bancar os partidos e os políticos. Mas como vem o dinheiro do MBL? Primeiro YouTube, eles são muito fortes no YouTube, é a rede social principal deles.
Depois doações por Pix e depois tem o lado, me perdoe a palavra, intelectual da coisa. Sim, sim. São dois fragmentos, tem o livro amarelo que são fascículos, esse livro eles explicam a fundação do MBL, a que que veio, porque eles dizem que o MBL é um projeto de Brasil de 30 anos, né, e que vai finalizar esse livro amarelo agora na campanha do Renan. E ainda tem uma revista que é a revista Valete. Aqui um pequeno preâmbulo, João Moura Salles, que nos desculpe, mas a Piauí ele não imaginava que chegaria tão longe. A Valete foi inspirada na Piauí. Olha só!
No tamanho. Ah, é, o formato é o mesmo.
O formato e também nos textos longos. Enfim, a Valete no Brasil ela custa muito caro, a assinatura anual é R$1.800. Caramba! E é impressa e o público dele é jovem. Segundo os dados oficiais são mais de 5 mil assinantes. Então a plataforma de governo do Renan É diminuir o número de municípios do Brasil, fazer um mutirão anti-Bolsa Família. Aí é uma questão muito complexa, mas ele basicamente quer que os municípios que tenha 30% ou mais da população que são beneficiárias do Bolsa Família passem por um mutirão de melhorias.
Então quem não quiser trabalhar, por exemplo, em saneamento básico, em iluminação, automaticamente perderia o Bolsa Família. Isso é super complexo, é muito super louco, porque parte das beneficiárias são mulheres que têm alguns filhos em casa, não tem como as pessoas construírem manilha pra—
Não, isso é uma imbecilidade. Diminuir o número de municípios até que é uma boa ideia, interessante, ninguém— é muito difícil fazer, mas essa ideia do Bolsonaro é uma imbecilidade completamente.
E daí tem coisas mais complexas, como por exemplo prender pessoas em situações de rua que tenha alguma questão de saúde mental, porque ele fala que essas pessoas são assediadores e estupradores em potencial. O MBL tem essa estética fascista, como você falou, tem o fato do Renan ser super católico, Amanda ser super católica, ali no gabinete dela tinha uma coleção de Nossa Senhora Aparecida, E isso vai ao encontro do que tem acontecido nos Estados Unidos.
A direita, Charlie Kirk, Jay Devance, esses são pessoas que têm o catolicismo como um pilar muito importante da plataforma política deles. E ele tem uma questão também importante de falar do estado mínimo, né? Então ele fala com o Faria Lima, ele já esteve em encontros do Esfera, do João Camargo, em que ele tem tentado ter um diálogo com o mercado, falando de estado mínimo, de meritocracia, aquela coisa toda. Existe já uma lista de quem serão os candidatos pelo Missão.
Então, o Kim Kataguiri, deputado federal por São Paulo, Guto Zacarias, esses dois o Missão dá como certo, eles devem vencer, e eu acredito que sim, porque são pessoas que já têm uma... Eles vão ser candidatos a deputado?
Deputado federal. Ah, então Kataguiri não vai ser candidato a governador estadual?
Não, segundo a Amanda, não, pelo menos no quadro do agora. Mas ela falou que ao todo, Celso, vão ser 10 candidatos a governadores. É muita coisa. Dentre eles tem um cara chamado Marcelo Brigadeiro, eleito primeiro por Santa Catarina, que ele é um lutador de MMA e influenciador, tem uma estética red pill bem forte. Tem o Gabriel Piauí, que já defendeu que o Bolsonaro teria de ter dado um golpe de Estado. Enfim, quando você vai no Renan, ele até tem um discurso que é mais palatável para o Faria Lima e para o público em geral.
Quando você vai no Miúdo, os candidatos a deputado estadual, federal e governadores, aí eles podem ser um pouco mais radicais. Tem um fato que é curioso, que é o seguinte: tem ocorrido, né, no campo digital, uma vaquinha para quase todos os candidatos. Você pode ser candidato à presidência da República ou deputado estadual, abre uma vaquinha que só pode ser resgatado esse dinheiro quando a campanha de fato começar. Para vir aqui hoje no foro, eu tava dando uma olhada.
Ontem o Renan tinha arrecadado R$898 mil, hoje já tá em R$1.115 milhão. É muito dinheiro para apenas um dia. Ele é disparado o cara que mais maior arrecadador. Tem um candidato a deputado federal pelo Pernambuco, o Jones Manoel, depois tem Marcelo Van Raten, etc., mas o Kim é em 5º lugar e ele já arrecadou R$167 mil. Então, missão com esse engajamento de rede social tem sido bastante eficaz em arrecadar dinheiro para as campanhas deles.
É, eu acho que agora é só questão da gente saber se a direita tá interessada em comprar um novo ciclo de radicalismo, né? Estão a fim de começar tudo isso de novo? Quer dizer, vai começar uma outra onda antissistema de direita? Será que as elites brasileiras querem isso? Talvez Mas assim, seria triste.
Bom, então a gente encerra aqui o último bloco do programa e a gente vai para um rápido intervalo e na volta tem Kinder Ovo. Tem história que termina quando você acaba de ler e tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter, uma newsletter mensal exclusiva para assinantes em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura, a pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final.
Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter, Porter, porque toda boa história tem outra por trás. Ministério da Cultura e Museu Paulista da USP apresentam Pensar o Presente, um podcast do Museu do Ipiranga com produção do Estúdio Novelo. A gente vai te mostrar como o Museu do Ipiranga tem questionado histórias que ele mesmo ajudou a criar e consolidar. Você vai entender como o museu pode ajudar a gente a pensar, a História do Brasil.
Este projeto é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, uma realização da Fundação de Apoio ao Museu Paulista e Ministério da Cultura e do Governo Federal, do lado do povo brasileiro. Estamos de volta e vamos para o momento Kinder Ovo. Pode soltar a diretora que hoje tá de home office. Mas vai soltar para gente.
Acho que a melhor companhia que o PL pode ter, ao contrário do que disse o Eduardo, a melhor companhia de gente mais decente, mais preparada, que verdadeiramente acredita nos valores que tá dizendo que acredita, é o Partido Novo.
Esse sotaque do clube paulistano não engana, né?
Você foi rápido. Sem comentários para o meu acerto. Bom, nunca ganha, né, gente? Que isso! Quem fala é o deputado federal Ricardo Sales, do Novo, de São Paulo, em entrevista à CNN Brasil. Agora a gente vai para o Correio Elegante. Eu começo com a mensagem da Michelle. Que plot twist! Além de banqueiro vigarista, mecenas de arte duvidosa, articulador de suruba, o Peleleco também é lelé? Ai, meu Deus! "Não tem como não rir da nossa própria desgraça.
Eu amo vocês, obrigada por mais um episódio." Bom, eu me recuso a comentar essas palavras.
Aqui é uma mensagem do Marlos Mendes: "O Foro é tão galáctico que até quando o âncora sai de férias, o programa continua necessário e imperdível. Vocês fazem um jornalismo de excelência. Parabéns." Obrigada, Marlos!
Valeu, Marlos! Na mesma linha, a Mariana Alvarenga faz uma proposta: petição pública para sortear um ouvinte para ir no bar com Ana Clara e João. Mariana, esse vale aí aqui no mercado da night do Rio, vale milhões. Assim, nem o Vodka tem dinheiro para comprar isso.
Vodka free. É, João, não tá mais do que convidada. E assim vamos encerrando o programa por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar 5 stars pra gente no Spotify, segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreve no YouTube. No site da Piauí você encontra a transcrição do episódio. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a Revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira, a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira.
A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado no Estúdio Rádio Astro do Dani D, no Rio de Janeiro. Eu me despeço do João Batista. Tchau, João, até a próxima aqui com a gente.
Tchau, Ana. Tchau, Celso, Mari, Maria Júlia. Obrigado por tudo. A partir da semana que vem eu tô do outro lado do fone escutando vocês junto ao Fernando. Um beijo em todo mundo.
Muito obrigada pela sua participação. E do Celso, tchau, Celso. Tchau, Ana. Tchau, todo mundo.
E um abraço especial pro João aqui, que nos brindou com sua presença espetacular nesse Thank you, Gigi.
Obrigado. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até semana que vem.
Piauí
Assinatura da revistaSeiva
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