Terroristas, ladrões e trabalhadores
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a articulação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump para que PCC e Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas, em meio às revelações sobre suas relações com Daniel Vorcaro e aos seus efeitos sobre a corrida presidencial. No segundo bloco, o trio discute as novas revelações sobre os aportes bilionários do RioPrevidência no Banco Master e seus desdobramentos para o ex-governador Cláudio Castro. No terceiro bloco, os apresentadores tratam da aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 na Câmara dos Deputados e dos próximos passos da proposta no Senado.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio:https://piaui.uol.com.br/web/ft114/
Leia "O fiador", reportagem de João Moreira Salles sobre Adnan Demachki, o político que ajudou a construir consensos em torno da agenda ambiental em Paragominas: https://piaui.uol.com.br/revista/236/o-fiador-adnan-demachki/
Receba o Caderno do Repórter, newsletter para assinantes da piauí: https://piaui.uol.com.br/newsletter/
Assine a piauí e tenha acesso ao melhor do jornalismo da revista: https://piaui.uol.com.br/assine
Envie uma mensagem – ou um áudio de até 1 minuto – para o Correio Elegante pelo e-mail (forodeteresina@revistapiaui.com.br) ou por nossas redes sociais.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- EUA classificam PCC e CV como terroristasFlávio Bolsonaro e articulação com governo Trump · Marco Rubio e Secretaria de Estado dos EUA · Consequências econômicas e financeiras · Intervenção militar americana no Brasil · Relações com Daniel Vorcaro · Impacto no sistema financeiro brasileiro · REAG e lavagem de dinheiro · Rodrigo Bacelar e braço político do CV
- Escândalo Rio Previdência e Banco MasterCláudio Castro e Daniel Vorcaro · Investigações da Polícia Federal · Desvio de dinheiro de aposentados · Degustação de uísque em Nova Iorque · Relações com REAG e lavagem de dinheiro · Fiscalização de fundos de previdência · Planner Corretora e estruturação de fraudes
- Debate sobre fim da escala 6x1 e jornada de trabalhoAprovação na Câmara dos Deputados · Tramitação no Senado · Impacto na classe trabalhadora · Comparação com semana de 4 dias no exterior · Papel dos sindicatos · Proposta de 4x3 e reação do PL · Justiça tributária e pautas populares · Oriovisto Guimarães e empresa Positivo
- Corrupção no BrasilComparação entre corrupção na esquerda e direita · Esquemas durante a ditadura militar · Odebrecht e o governo militar · Mensalão e o PP · Livro 'Nervos de Aço' de Roberto Jefferson
Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido Plug-in com até 1.300 km de autonomia combinada, com conforto de primeira classe. E na cidade você roda no modo 100% elétrico. Com esse SUV, cada caminho leva você mais longe. Dili EX5 EMI. Sua grande jornada começa agora. Saiba mais em dilibrasil.com.br
No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.
Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí. O principal pedido do senador foi que essas organizações sejam designadas como organizações terroristas estrangeiras o quanto antes. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!
Oi, Fernando. Oi, pessoal. Vossa Excelência não sabia da aplicação do Rio Previdência, governado pelo seu partido, no seu estado, Cláudio Castro, 970 milhões.
Diga lá, Celso Casca de Bala. Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira. Se hoje nós não estamos votando um texto que fala sobre 4x3, é porque eles ocuparam os plenários, as redes, para dizer que o fim da escala 6x1 era um absurdo.
Mais uma sexta-feira e amanhã, para vocês que nos ouvem, Celso e Ana estarão comigo na Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, em São Paulo. Neste sábado, 18 horas, 6 da tarde, a gente espera vocês por lá.
Vamos agora sim aos assuntos da semana. A gente vai abrir o programa com a decisão do governo norte-americano de enquadrar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas internacionais. A notícia foi divulgada no início da noite desta quinta-feira pela Secretaria de Estado dos Estados Unidos, comandada por Marco Rubio. Ela passa a valer a partir de 5 de junho. É, obviamente, um imenso retrocesso. A medida não tem nada a ver com a segurança dos brasileiros.
Ela significa que agora as Forças Armadas dos Estados Unidos poderão participar de ações de combate ao crime organizado no Brasil, como se estivessem caçando Bin Laden. Significa também que a política intervencionista dos Estados Unidos, que atua ao arrepio da lei, escala alguns degraus e passa a incluir o Brasil entre seus alvos. No início do ano, quando o Nicolas Maduro foi capturado e arrancado da Venezuela, o Brasil se posicionou contra.
Países como México, Colômbia, Chile, Uruguai e Espanha também alertaram para o precedente extremamente perigoso para a paz e para a ordem internacional baseada em normas. A decisão ainda tem consequências econômicas, sobretudo para as instituições financeiras que operam nos Estados Unidos.
É uma vitória do senador Flávio Bolsonaro, que esteve com Donald Trump na terça-feira e com Rubio na quarta. O encontro com o presidente americano não foi incluído na agenda oficial de Trump, mas Flávio disse ter pedido a ele que classificasse o PCC e o CV como organizações terroristas. Enrolado por suas relações mais do que suspeitas com Daniel Vorcaro, o candidato à presidência da extrema-direita tenta desviar a atenção dos rolos em que está metido com seu dark horse.
Ainda é cedo para avaliar os efeitos disso, mas tudo indica que o mundo piorou nesta semana.
No segundo bloco, a gente vai falar das últimas do indizível Cláudio Castro. Quem imaginava que Sérgio Cabral seria insuperável, agora está diante de um desafio. Castro vai somando pontos no campeonato da ladruagem. Investigações da Polícia Federal identificaram encontros e conversas entre o ex-governador do Rio e Daniel Vorcaro antes de aportes do Rio Previdência no Master. O ex-banqueiro convidou Castro no dia 14 de maio de 2024 para uma degustação exclusiva de uísque em Nova Iorque.
O evento, restrito a 10 pessoas, custou a bagatela de 1 milhão de dólares. No dia seguinte, o Rio Previdência realizou um aporte de 80 milhões de reais em letras financeiras do Master. É dinheiro roubado dos aposentados do Rio. Ao todo, a Polícia Federal identifica 3,7 bilhões de reais transferidos do sistema previdenciário fluminense para Vorcaro. É um valor quase quatro vezes maior do que havia sido divulgado nos últimos meses de 1 bilhão, o que já era assombroso.
Para viabilizar a lambança, houve até troca no comando do Rio Providência antes de alguns aportes, quando já estava claro que o Márcio era um entreposto do crime. A gente vai reconstruir essas histórias e analisar seus efeitos políticos. Por fim, no terceiro bloco, vamos falar da decisão histórica da Câmara dos Deputados ao aprovar na noite da última quarta.
quarta-feira, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição, que acaba com a escala de trabalho 6x1. Foram 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno. O texto seguiu para o Senado, onde também precisa ser aprovado em dois turnos.
Caso os senadores modifiquem a PEC, o novo texto volta para a Câmara e o processo tem que ser repetido. A PEC, aprovada pelos deputados, determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial. Ficam garantidas duas folgas semanais ao trabalhador, sendo uma preferencialmente aos domingos. As mudanças entrarão em vigor 60 dias após a promulgação do texto, mas as empresas terão 14 meses para se adaptar às novas regras.
É tudo lento, é tudo difícil, mas como diz um personagem de Samuel Beckett, estamos avançando. É isso, vem com a gente!
Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. E você, ouvinte, saiba que nós regravamos esse bloco porque a decisão foi tomada na quinta-noite, voltamos para o estúdio para regravar porque a Ana Clara está cheia de notícias. Diga lá, Ana Clara. Bom, quero começar por ordem cronológica. Não é novidade que a família Bolsonaro está pleiteando essa designação já tem um tempo.
E por que eles estão fazendo isso? Porque no início do governo Trump, ele assinou um decreto que estabelecia o processo para a designação de cartéis internacionais de droga como organizações terroristas. Antes não havia esse decreto.
A partir do momento que o Trump baixou esse decreto, ao longo do ano passado, alguns cartéis foram denominados. Cartéis de El Salvador, do México, da Venezuela, do Haiti, do Equador e da Colômbia. Então, diante desse histórico...
Os irmãos Bolsonaro, do mesmo jeito que eles estavam pleiteando a Magnitsky, o Tarifácio, eles também estavam pleiteando isso porque já havia esse histórico de coisas que o Trump estava fazendo. E essa designação, ela vem como um ato executivo do Departamento de Estado, ou seja, não precisa passar pelo Congresso americano, não precisa do aval de ninguém. Em tese, não precisaria nem do aval do Trump. O Rubio tem discricionariedade para fazer isso, mas obviamente todas essas denominações passam pelo menos por uma pré-aprovação do Trump.
Enquanto eles vinham pleiteando isso, o governo brasileiro procurou não embarcar nesse assunto. Porque a avaliação deles era que se eles entrassem na onda da discussão sobre a designação, eles estariam, na verdade, dando palco para um pleito que eles consideram ilegítimo, né? A família Bolsonaro fazia esse tipo de intervenção ali, eles consideram isso ilegítimo. Então, eles não faziam um trabalho também de lobby contrário a essa medida?
para justamente não dar um tamanho de preocupação de Estado para isso. Tanto que a gente falou algumas vezes aqui no foro que a agenda do encontro entre Lula e Trump, o governo brasileiro tinha preparado muita coisa para se falar sobre acordos de cooperação no combate ao crime organizado. Justamente para tentar abrir um outro flanco de discussão sobre esse tema e não ficar na discussão vai designar ou não vai designar o PCC, Comando Vermelho e grupos terroristas.
Para você talvez pensar num projeto mais de médio prazo e com, enfim, algum tipo de efeito prático. Então essa era muito a pauta, né? E eu me lembro da gente ter falado também aqui algumas vezes que essa é uma das pautas, talvez uma das únicas pautas de intersecção entre o Trump e o Lula, né? Pois bem, um pouco antes da visita de Estado do Lula ao Trump, o Departamento de Estado estava determinado a baixar essa designação.
Quem noticiou isso foi a Mariana Sanches, colunista do UOL. E ela também apurou que o Mauro Vieira, nosso chanceler, chegou a ligar para o Marco Rubio para pedir para eles não publicarem isso antes da visita de Estado. Porque, enfim, seria um constrangimento, era um pleito da família Bolsonaro e tudo mais.
E, de fato, não foi publicada. Mas a expectativa de que isso saísse era muito grande em Washington já tem um tempo. Eu falei com fontes minhas lá que me disseram que já tem mais ou menos 20 dias que os bancos estão sabendo que isso estava para acontecer. Porque os bancos são a parte mais afetada.
onde os Estados Unidos podem atuar, digamos, mais incisivamente, é no controle das movimentações financeiras desses cartéis, dessas organizações criminosas. Então, o banco é o lugar onde eles podem pressionar e apertar e provocar danos. Então, o setor bancário brasileiro que opera nos Estados Unidos e que é profundamente integrado com os sistemas americanos...
já estava sentindo o cheiro de isso vir. E se os bancos estavam sentindo o cheiro de isso vir, a família Bolsonaro também estava. E aí, o que aconteceu? Essa visita do Flávio aos Estados Unidos agora, para além de ser uma espécie de tentativa de diversionismo da pauta master, né? Que é a pauta que prejudicou o Flávio recentemente, ela também tinha um componente desse anúncio.
O Darren Beatty, que é um dos encarregados da Casa Branca para assuntos de América Latina e que é o cara que teve o visto revogado pelo governo brasileiro recentemente, avisou a família Bolsonaro que sairia essa designação. Eles estavam sabendo que sairia essa semana. Eles estavam sabendo que sairia justamente na quinta-feira. Eles sabiam, inclusive, a data. Então, a decisão de ir para os Estados Unidos...
ela foi construída para justamente fazer parecer que eles tinham pedido para o Trump e esse pedido tinha sido acatado do dia para a noite. E não foi bem assim. É óbvio que eles tiveram um papel importante em fazer lobby por essa designação.
E eles estão fazendo esse lobby já tem mais de ano, né? Mas a decisão do Marco Rubio e da Casa Branca hoje, ela não decorre de um pedido do Flávio feito na terça-feira. Você não consegue parir uma decisão como essa em 48 horas. Foi o contrário. É óbvio que ele não vai dizer isso, né? Porque teve, obviamente, gente que procurou o Paulo Figueiredo depois disso pra, inclusive, parabenizá-los, né?
E ele tava se gabando ali de ter conseguido esse feito. Óbvio que ele não contou, que eles já sabiam que isso ia acontecer e por isso foram pra lá. Então essa chave é importante porque mostra que é uma narrativa que foi construída. Não foi um acontecimento que decorreu da visita do Flávio. Então da mesma forma que os bancos...
e a família Bolsonaro estava sentindo o cheiro dessa decisão, obviamente o governo brasileiro também estava. Então não foi, digamos, uma grande surpresa o que aconteceu para o governo, até porque houve, segundo a reportagem da Mariana Sanches, essa conversa do Marco Rubio com o Mauro Vieira, né? Agora, acho importante dizer que, embora haja essa conexão, continue havendo essa conexão do Flávio, do Eduardo, do Paulo Figueiredo, que é o tradutor deles ali nas visitas, porque o inglês deles não é...
muito compreensível, apesar de como a coisa foi construída parecer que eles influenciam alguma coisa, sobretudo o Flávio, né, que foi visitar e tudo mais, eles perderam muita relevância entre os assessores do Trump com quem eles interagiam. Isso aconteceu depois do tarifácio, depois que o Trump passou a estreitar relações com Lula.
Eles acessam hoje algumas pessoas, como esse Darren Beatty, que está especialmente irritado com o Brasil, aparentemente, né? Eles acessam o Jason Miller, que é um lobista que chegou a trabalhar na Casa Branca e hoje opera para o setor privado para trazer pessoas interessadas em negociar com a Casa Branca. Então, assim, eles têm alguns contatos, mas é importante dizer...
que o prestígio, se é que tiveram algum dia nesse entorno do Trump, desidratou bastante do ano passado para cá. E essa medida que a gente está vendo aí, ela está condizente com outras medidas tomadas pelo governo Trump ao longo desse ano e meio de mandato, está totalmente condizente com o que eles fizeram com países, inclusive governados pela direita, como é o caso do Equador, por exemplo.
Então, a gente tem que primeiro separar a posição real dessa família dentro dessa discussão e também situar a posição deles em relação ao núcleo de poder na Casa Branca, que hoje está mais distante do que já foi, sobretudo antes do tarifácio, em que eles de fato estavam funcionando, de certa forma, como porta-vozes do Brasil lá dentro. Mas não é mais assim.
Perfeito. Celso, quão preocupante é essa medida? O que a gente pode esperar no horizonte próximo? Eu acho, por exemplo, um subproduto provável é que isso vai dar gás para que a barbárie policial aqui é um incentivo indireto para que operações como a do Rio de Janeiro sejam reproduzidas.
Sabe, ah, são terroristas, você pode fazer qualquer coisa. Isso pode acontecer sim, Fernando. Totalmente na linha do que a Ana falou, eu acho que é bom a gente esperar pra ver o tamanho disso que aconteceu. Porque ele pode variar muito. Em vários desses países que tiveram organizações criminosas classificadas como terroristas, não aconteceu muita coisa. Então, no México, você tem na imprensa relatos de atuação na CIA de voos de drone, umas coisas assim. Mas, pelo menos até agora, nos outros países, não aconteceu coisa semelhante.
Então pode ser que não aconteça nada por causa da decisão do Marco Vila. Pode acontecer também um desastre completo em vários níveis. Então pode ser que o Flávio Bolsonaro pode ter aberto a porta para uma intervenção militar americana no Brasil. Isso não aconteceu em nenhum dos países que passaram pela mesma experiência até agora, mas é uma possibilidade. Se tem terrorista no Brasil que ameaça os Estados Unidos, como o Rubio acaba de declarar, em tese eles se dão o direito de intervir aqui.
Bom, e não podemos esquecer que a designação do cartel de Lois Solis da Venezuela como narcoterrorismo foi uma das desculpas para o Trump ir lá, invadir a Venezuela e sequestrar o Maduro. É bom deixar claro também que depois as próprias cortes americanas deixaram claro que não existe o cartel de Lois Solis, que isso era uma denominação meio genérica, que era usado para a corrupção de oficiais venezuelanos. O sol é um símbolo na farda.
dos oficiais venezuelanos. Então, cartela do Louis Solis é uma maneira de você se referir a grupos criminosos que envolvem oficiais. O que é um risco bem mais real é do Flávio Bolsonaro ter ferrado o sistema financeiro brasileiro. Então, para aquele pessoal todo da Faria Lima que apoia o Flávio Bolsonaro, fica aqui o meu beijo. Porque, veja bem, a REAG, por exemplo, a REAG é o Ciro Nogueira do mercado financeiro. Ele aparece aqui no programa toda semana.
A REAG lavava dinheiro para o PCC, segundo a Operação Carbono Oculto. E aí, quer dizer, se o PCC é uma organização terrorista, o governo americano pode sancionar os dons da REAG. O que por mim, tudo bem. Não vou perder o sono por causa disso. Mas veja bem, o Master tinha relações com a REAG. E a gente ainda não sabe, a investigação prossegue, se o Master também não lavava dinheiro para o PCC. No mínimo, ele tinha relações com uma empresa que lavava.
É, eles chegaram a usar fundos que eram usados para lavagem dessa organização. Ou seja… O fundo era usado para lavagem e aí o fundo acabou sendo alvo de um interesse, digamos, das autoridades. Aí eles colocaram fundo na prateleira, pegaram outro fundo. E esse fundo da prateleira foi um fundo que foi usado pelo Master. Pois é.
Então, você vai vendo que tinha uma promiscuidade grande entre o Master e a turma que lavava dinheiro para o PCC. E aí, digamos que o governo americano... Ah, então vou sancionar o Master também. Novamente, eu aqui continuo numa boa, não é problema meu. Por mim, beleza.
Agora, daí em diante, o Flávio ganhou 130 milhões de uma organização designada como auxiliar ao terrorismo. É, e você fazer vista grossa já te coloca como alguém que auxilia. E o governo do Rio de Janeiro deu bilhões de reais para os caras que auxiliam o terrorismo. O governo do Distrito Federal deu bilhões de reais para os caras que auxiliam o terrorismo. Metade da bancada de direito do Congresso lá, está todo mundo enrolado nesse negócio.
E, novamente, esses políticos todos se foram sancionados pelos Estados Unidos não é problema meu, mas, assim, isso pode ter efeito sobre instituições financeiras que não tem nada a ver com isso. Porque, por exemplo, tinha várias instituições financeiras respeitáveis que vendiam o título do Master. Não era para vender. Obviamente que aquele troço ia quebrar, os caras faziam isso contando com o FGC, eles recomendavam para os clientes só botar até 250 mil. Mas e se esses caras também são sancionados?
por terem se metido numa confusão com o ecossistema da REAG que lavava dinheiro para o PCC. Então, a partir do momento que começa esse mapeamento da rede, a gente não sabe onde ele vai parar. Então, a gente está meio que entregue.
ao bom senso das autoridades americanas sobre isso. E é claro que a designação como terrorista pode ser usada para justificar as mais variadas coisas. Por exemplo, o Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, disse para uma matéria da BBC que, por exemplo, se o governo americano de repente considerar que o PIX e o sistema bancário brasileiro têm infiltração das facções criminosas e que por isso precisa ser descartado do sistema internacional, ele pode agir.
Você imagina o tamanho do problema que Flávio Bolsonaro encomendou para o Brasil, abrindo a porta para essa confusão. Novamente, o governo americano pode não fazer nada disso. É perfeitamente possível. É, ele não tem feito, né? Exato, que ele não faça. É perfeitamente possível que o Flávio e o Pauleta lá tenham conseguido uma reunião com o Trump, tenham conseguido... Você toma essa decisão pra mim? Isso vai me ajudar na lei? Sim, e é isso só que eu vou fazer pra você. Isso também é possível.
mas o Brasil passa a correr riscos totalmente desnecessários, como se o Brasil não tivesse problemas suficientes para resolver. Agora a gente tem que lidar com o risco de uma série de intervenções americanas que, aliás, podem ser pautadas pelos mais diversos interesses. Eu lembrei aqui do Pix.
Mas isso poderia ser usado para sancionar mercado financeiro brasileiro, para sancionar empresas brasileiras que concorram com empresas americanas. Enfim, é toda uma possibilidade de pesadelos aí que foi aberta pela atuação do Flávio Bolsonaro. Exato. E você submete a um constrangimento ou a possibilidade de ação já é o problema.
Mal comparando, é que nem a bomba atômica. Mal comparando, você faz para não usar, mas você tem aquele instrumento e aquilo passa a nortear ou dar o parâmetro para a ação dos agentes políticos. Exato. Então você tem essa ameaça permanente. Sim, e novamente, a gente ainda vai saber qual é o efeito real disso. Pode ser zero. Pode ser que o Trump tenha dito para eles eu vou entregar isso aqui para vocês e vocês que se virem, eu vou cuidar do Irando e de outros problemas maiores que eu tenho.
Mas e se não for, né? E se o governo americano quisesse aproveitar disso para intervir no Brasil? Inclusive, tem uma coisa. Pode ser que governos futuros se aproveitem disso. Mesmo se o Trump agora não tiver interesse disso, se você tem a caracterização que no Brasil tem grupo terrorista atuando, outros governos podem querer usar esse argumento para intervir contra o Brasil. E é bom deixar claro que o objetivo dos Estados Unidos no tráfico de drogas brasileiro é zero.
Porque no México, eles de fato têm interesse em barrar o narcotráfico. Porque é quem faz o trânsito dos produtores de drogas para dentro dos Estados Unidos. Segundo todos os especialistas, as quadrilhas brasileiras atuam sobretudo no trânsito de drogas para a Europa e para a África. Então, o Comando Vermelho PCC não são grandes exportadores de drogas para os Estados Unidos. Ao contrário dos cartéis mexicanos, por exemplo. Então, se os Estados Unidos resolvem intervir aqui por causa disso, a gente já sabe que não é por causa do narcotráfico.
A intervenção dos Estados Unidos contra o narcotráfico não é pra resolver o problema da segurança pública nos países onde ele intervém. É pra barrar a entrada de drogas lá nos Estados Unidos. Então, se o Brasil não tem essa questão, se o Brasil não manda drogas pros Estados Unidos, caso haja uma intervenção americana com base nessa palhaçada que o Flávio Bolsonaro fez, a gente já sabe que não é por isso o que é muito mais preocupante.
Exato. E como não é por isso também que operações criminosas como a do Rio de Janeiro no Morro do Alemão não tem nada a ver com segurança, tem a ver com promoção pessoal do senhor Cláudio Castro. Campanha eleitoral desse cara aí que botou 4 bilhões no Banco Mar. De quem a gente vai falar em breve no próximo bloco.
Eu acho que a gente pode olhar também para isso com uma certa desconfiança, porque o próprio governo americano, ele, de certa forma, ele próprio desidrata essa medida. Porque, por exemplo, eu conversei com uma empresa americana, depois que a decisão foi anunciada, uma empresa muito grande americana que atua no Brasil.
E o que eles estavam me explicando é que o que eles têm que fazer a partir de agora, que vai ser um negócio oneroso para as empresas, é garantir que, por exemplo, eles não tenham fornecedores que negociem com nenhuma organização criminosa. Então, eles precisam criar todo um sistema de inteligência interno para garantir que a cadeia toda seja blindada, né, digamos.
Estou falando de uma empresa séria, tá? Uma empresa grande, listada em bolsa, empresa séria. Me questiono se na Colômbia, na Venezuela, no Haiti, enfim, El Salvador, as empresas estejam cumprindo todas essas milhares de regras de conformidade. Se você fosse uma produtora de cinema, você não poderia pegar dinheiro do Vorcaro, por exemplo.
Não poderia. Seus radares indicar, olha, não pode ali porque esse cara tá metido... Exato. Isso vai gerar um custo grande pras empresas inicialmente, agora, porque elas vão ter que construir ali estruturas, né, de fiscalização que elas não tinham.
Não vai dar pra deixar com as auditorias independentes, né? Que não conseguem nem pegar uma fraude como master, né? Que dirá, enfim. E sobretudo as empresas que operam com os Estados Unidos vão ter que construir sistemas de inteligência próprios. Então, assim, é um custo elevado.
para se operar no Brasil, assim. E é um custo flávio, né, a partir de agora. Pelo menos ele está dando essa importância. E por último, eu queria dizer que o Scott Bassett, que é o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, tentou até o último minuto fazer lobby pelo Brasil. Ele não queria...
que essa designação fosse assinada, porque justamente o alvo mais fácil e o que daria mais problema para ele seria o sistema bancário. Já houve toda a questão da Magnitsky, né? E bem ou mal, os bancos brasileiros que operam nos Estados Unidos são os grandes bancos e, enfim, são instituições respeitadas ali que têm uma boa relação com o Tesouro Americano e tal. Então, o Scott Besson entrou numa queda de braço com o Marco Rubio.
para que isso não acontecesse e perdeu. E, ademais, assim, só para deixar claro que o Flávio precisa se preocupar com a sua possível caracterização como militante terrorista, o Rodrigo Bacelar, que é o ex-presidente da Alerje, do Rio de Janeiro, ele foi designado pela Polícia Federal como o chefe do braço político do Comando Vermelho.
Convido aqui o ouvinte a procurar no Google a foto do Flávio Bolsonaro com o Barcelar conversando em Búzios animadamente, ano passado, sobre uma aliança para as eleições desse ano. Bom, se o Comando Vermelho é uma organização terrorista, podemos supor que o chefe do seu braço político também é um terrorista. Ou seja, nós temos uma foto do Flávio Bolsonaro com um líder terrorista conhecido.
Muito bem. Depois dessa intervenção do Grande Casquinha, só me resta encerrar o primeiro bloco. Vamos encerrar o primeiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar justamente de Cláudio Castro, Vorcaro, etc. e tal. Já voltamos.
Em meados dos anos 2000, o pó das serrarias em Paragominas, no Pará, era tanto que chegava a encobrir a luz do sol. O desmatamento avançava e o município entrou na lista dos que mais destruíam a floresta amazônica, o que implicava uma série de sanções. A economia local passou a sentir os efeitos da política de combate ao desmatamento.
Foi aí que o prefeito da época, Adnan Demak, o turco para os amigos, conseguiu o impensável. Reuniu pessoas que não costumavam se frequentar. Grandes pecuaristas, pequenos agricultores, entidades patronais, sindicalistas e ONGs, em torno de um compromisso comum. Respeitar a lei, respeitar a floresta.
O diálogo com a sociedade civil partia de uma premissa básica. Não negar o desmatamento e tentar compreender de onde ele vinha, qual era a sua dinâmica. Como acabariam descobrindo, a resposta não era óbvia. Graças ao resultado desse pacto, em menos de dois anos, Paragominos deixaria a lista. Foi o primeiro município a conseguir isso. Demac morreu em março desse ano.
Na reportagem O Fiador, publicada na Piauí de maio, eu, João Moreira Salles, escrevo sobre ele. Demarque era um tipo que não deveria ser raro, mas infelizmente é. Um homem público exemplar. O assinante da Piauí. Lê essa e outras reportagens no papel, no celular ou no computador.
Ministério da Cultura apresenta A Feira do Livro 2026 O Festival Literário a céu aberto já está chegando. E a gente te convida a ocupar a Praça Charles Miller no Paquembu, em São Paulo, de 30 de maio a 7 de junho. Durante nove dias, autoras e autores, editoras, livrarias e leitores ocupam a Praça Pública com o melhor da produção editorial nacional e internacional e os debates mais instigantes da atualidade.
Nesta edição, a programação oficial celebra a literatura latino-americana e seus diálogos com o Brasil. O evento é gratuito. Vem ocupar a praça com a gente. Siga a Feira do Livro no Instagram e fique por dentro das novidades.
Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. Vamos reconstruir aí os passos em falso do ex-governador do Rio. Que história, hein? Bom, porque o Cláudio Castro é ladrão, não chega a ser assim um mistério. Uma coisa que ninguém imaginava, né? O Otávio Guedes lembrou bem, numa participação dele no podcast, o assunto.
O primeiro escândalo do Cláudio Castro, aquela história dele com uma mochila, que tem um vídeo antigo, não sei o que lá, aquilo era um desvio de um superfaturamento, uma coisa dessas, numa empresa que fornecia óculos para moradores de rua. E aí, o que o Rio de Janeiro faz com esse cara que roubava óculos de moradores de rua? Ele reelegeu em primeiro turno. Meus parabéns a todos nós.
Bom, a Polícia Federal descobriu no celular do Vorcaro, que vale muito mais do que a delação, que o governador bolsonarista do Rio de Janeiro não tinha dado um bilhão dos aposentados para o Mazda, como a gente imaginava. Agora já está em quase quatro bilhões de reais dos aposentados do Rio de Janeiro, que foram doados para o Mazda.
Na decisão do André Mendonça, que autorizou a operação, entre outubro de 2023 e julho de 2024, a Rio Previdência realizou aportes de 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Esse dinheiro morreu, sumiu. Ninguém vai ouvir falar dele de novo. Está no bolso do Vorcaro, está pagando filme Dark Horse, não vai voltar para os aposentados nunca mais.
Posteriormente, em dezembro de 2024 e outubro de 2025, foram realizados novos aportes em fundos estruturados do Grupo Master num montante que teria atingido 2 bilhões. E vale dizer, em 2025 o Master já estava no bico do corvo, quando a Rio Previdência pega esses bilhões de dinheiro dos aposentados do Rio de Janeiro.
e dá para o Master, o Master já está quebrado, está mantido sob aparelhos, está só aguardando decisão ali. Sim. De uma hora a liquidade, uma hora prendeu o porcar. Tanto que em 2025, o Tribunal de Contas do Rio, o TCE, já tinha identificado algo como 2,5 bilhões de dinheiro da Rio Previdência no Master em vários fundos.
E aí, se você for ver os fundos, por exemplo, você vai ver que tem fundo ali que perdeu 90% do valor, que não valia nada. Então, esse dinheiro foi colocado lá e também sumiu. Os aposentados nunca mais vão ver. Tem vários fundos em que a Rio Previdência é o primeiro investidor do fundo. Então, assim, os caras fazem um fundo para a Rio Previdência botar dinheiro lá. Cara, uma das coisas de gestão de previdência, privada ou pública,
É você só colocar dinheiro da maneira mais conservadora possível. Então você vai comprar título de banco grande que tem risco zero. Pegar o dinheiro de aposentado e botar num fundo que acabou de abrir é crime. É loucura, entendeu? É insanidade. O cara tem que ser preso só para fazer isso. Mesmo se não tivesse quebrado. E a Rio Previdência fez algumas vezes isso. Outra coisa que ficou esquisita. A Rio Previdência botou dinheiro em fundos do Mastra que mexeu com títulos da dívida pública.
O que o Tribunal de Contas notou é que a Rio Previdência tem gente lá que sabe entrar no Tesouro Direto, enfim, comprar títulos da dívida pública por si mesmos e fazer investimentos ali se você quiser. Você não precisa pagar a comissão para o cara do Master fazer isso para você. Isso não faz o menor sentido. Então, basicamente, é mais dinheiro que é dado para o Master. A lucratividade dos fundos era horrorosa. Por exemplo...
o fundo Arena, a rentabilidade média do fundo até dia 31 de agosto de 2025, segundo o Tribunal de Contas, foi de 4,05 por ano, que ficou menor, inclusive, que da poupança, que é a aplicação mais conservadora possível, que, por isso, naturalmente paga menos.
Então, assim, era tudo golpe. Todas essas aplicações que a Rio Previdência fez no Master era transferência de dinheiro dos aposentados do Rio para o bolso do Daniel Vorcaro. É roubo, simplesmente. Basicamente, o Master, em sociedade com o Cláudio Castro, roubou 4 bilhões de reais dos aposentados do Rio de Janeiro. Isso sozinho já bota essa história entre os grandes escândalos de corrupção brasileiros. Mas não subestime o Cláudio Castro, você ainda vai achar ele em escândalos como a Refit, que é mais dinheiro ainda, enfim. Isso ainda vai longe.
E outra coisa que a polícia notou é que há uma certa coincidência nos momentos em que esses aportes são feitos e as conversas e encontros do Vorcaro com o Cláudio Castro. Exatamente. Então, vocês já devem ter visto no noticiário que o Vorcaro chamou o Cláudio Castro para tomar um uísque de um milhão. Um milhão de dólares, né? Um milhão de dólares, fazer uma degustação de uísque.
Cara, Cláudio Castro, ele tá tão inchado que ele deve ter tomado muito whisky de um whisky. É, ele deve ter tomado uns 3 milhões de whisky. 3 milhões de garrafas, né? Agora, se você pensar, pô, mas quem que dá um whisky de um milhão pro outro? Bom, se o cara tiver te dado 4 bilhões de reais, você dá um milhãozinho de reais em cachaça pra ele, até que tá barato, entendeu? Tá saindo um lucro. O melhor investimento do Master era o famoso CDB, os cupinchas do Bolsonaro.
que esses caras realmente deram um retorno financeiro pro Marcia gigantesco. Você inventou essa agora? Foi. Se alguém quiser calcular aí quanto é o retorno, peço ao pessoal que tem formação em finanças, vê aí, o cara deu 130 milhões pro Flávio, que aliás não deu, deu só 60, mas prometeu 130, pagou uma cachaça lá de um milhão pro, que tudo bem, é dólares, então é cinco. Cinco milhões de reais pro Cláudio Castro, e ganhou quatro bilhões, cara.
Só tô contando que os bolsonaristas do Rio fizeram por ele, porque os bolsonaristas do Distrito Federal ainda botaram mais grana ainda, através do Banco de Brasília. Então, essa grana que o Vorcaro dá pro Flávio Bolsonaro, pra Cláudio Castro, é troco de pinga, no caso do uísque aqui, literalmente, inclusive.
Porque, assim, o que ele ganhou desses caras pro banco dele é descomunalmente maior do que ele gastou aí pra pagar umas surubas pra meia dúzia de cara, um uísque pro outro, enfim, umas coisas dessas. Um filmezinho vagabundo. É que rolou dinheiro também porque a própria investigação fala de corretagem, né? Exato, exato. Então, assim, teve essas benesses, mas também teve um repasse. Teve repasse, claro.
financeiro, teve grana real. E já que estamos falando nisso, é bom notar que um lobista que fazia essa intermediação, que é o Ricardo Siqueira, era sócio do nosso amigo Paulo Figueiredo, de quem a gente vai falar no outro bloco, naquele projeto de fazer um hotel com o Trump no Rio de Janeiro. Então, o Paulo Figueiredo, esse mesmo aí, o Pauleta, que tá lá na Casa Branca com o Flávio...
Esse cara era sócio do Picareta que fazia a intermediação da Rio Previdência com o Banco Master. O Paulo Figueira foi preso por causa disso. Não sei por que que soltaram, mas enfim. Mas por aí vocês vão vendo. O Bolsonaro é tudo sacanagem, amigo. O Bolsonaro é um esquema de roubar dinheiro dos outros fazendo escândalos sobre banheiro unissex em escola, inventando umas cascatas dessas, não sei o que lá, e roubando dinheiro das pessoas.
Fora a cafajestada, né? Que realmente é uma nota de rodapé nessa história toda. Mas como são vulgares, cafajestes. Pois é, exatamente. Isso faz parte um pouco do conjunto da obra. Faz parte, sem dúvida. Não, ele pedia pro Vorcaro pra entrar no camarote, na Sapucaí. Pra não ficar esperando na porta, né?
Esse nível de promiscuidade é muito, né? Você é o governador, né? Mas aí a gente tem que lembrar que ele não é governador. Ele é, apesar do cargo, ele é o cantor lá. Exato, é um pecaretazinho de baixíssimo nível, que é o que você deu acesso pra ele. Arrobalheiras incomparavelmente maiores, quando ele virou governador por acaso.
E aí ele, entendeu? Não teve limite nenhum. Dessa turma não tá faltando mais nada. Só falta a gente descobrir agora que tem o leite condensado folhado a ouro, alguma merda. Mas nas próximas semanas aguarde as revelações aí da Polícia Federal. Ana Clara, você que abandonou São Paulo e foi aí pro Rio de Janeiro, tá bem informada sobre o seu governador. Ex-governador, no caso. Cara, pior é que eu transferi meu título já faz tempo. Tá vendo? Realmente. Gosta de viver fortes emoções.
Bom, falando de questões sérias, embora haja vários pontos dessa investigação que sejam folclóricos e a gente dê risada pra não chorar de tristeza, eu acho que tem uma questão bem complicada que é a seguinte, esses fundos de previdência municipais, estaduais, eles têm uma fiscalização que é muito incompatível com o volume de dinheiro que circula ali, né, esses RPPS, né, que é a sigla pra esse tipo de fundo.
Então antes do Forcaro descobrir essa forma de fraudar, de desviar recurso público, outras pessoas já tinham feito isso. Isso é uma prática até banal no mercado financeiro. Porque o que acontece? Para você desviar o dinheiro de fundo de pensão de município e de estado, você precisa...
tirar o dinheiro do fundo e colocar em algum investimento. E geralmente é o mercado financeiro que monta esses investimentos fajutos para proporcionar esse desvio. Então é o tipo de prática que, como todo crime de colarinho branco, é punida quase nunca.
Mas era uma coisa que você não tinha um esquema tão grande. Você criar um banco, porque o Master, na verdade, ele foi criado pra fazer esse tipo de fraude. Porque o Vorcaro, antes de comprar o Master, ele já fazia esse tipo de fraude com esse tipo de fundo, os RPPS. Quando ele tava em Belo Horizonte, usando a REAG, Contanúria, a mesma gangue, assim. Aí, quando ele compra o Master, ele escala essas fraudes a uma proporção que hoje a gente tá vendo qual é. Música
Mas por que isso acontece? Porque a fiscalização para esse tipo de fundo, ela acontece num gabinete de cinco pessoas no Ministério da Previdência. Não existe estrutura. Você tem a regra, mas você não tem fiscalização. A PREVI, que é a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, que é o órgão que fiscaliza os investimentos dos grandes fundos de pensão, FUNCEF, PREVI.
Não que a Previc seja uma beleza, porque a gente sabe o quanto que esses fundos já não desviaram ao longo da história, né? Mas ao menos existe um órgão específico para isso. No caso dos fundos estaduais e municipais, a fiscalização é rudimentar. Isso precisa ser revisto, precisa haver um controle desse tipo de coisa, porque não é o TCE, por exemplo, que fiscaliza. Você imagina o TCE no Rio de Janeiro, que é quase inteiro comprado, né?
Então assim, você imagina os tribunais de conta do Amapá, entendeu? Inteiramente aparelhado pelo Alcolumbre, Rondônia, das cidadezinhas pequenas. Não existe fiscalização e foi isso que o Vorcaro descobriu e nadou de braçada nessa história. Então assim, eu acho que a princípio, a primeira coisa que deveria ser feita é a criação de uma estrutura de fiscalização desse tipo de fundo. Então esse é um ponto. Agora, por que que essa operação aconteceu?
Agora, não sei se vocês tiveram essa dúvida, porque se você pegar o tamanho do rombo no BRB, de 12 bilhões, dá para a gente se questionar por que não foi aquilo que aconteceu primeiro, né? Uma operação envolvendo o Ibanez, ou a turma do BRB, ou os políticos que estavam sendo abastecidos por aquele núcleo do BRB.
Por que aquilo não foi primeiro, já que é tão maior, né? Por duas razões. Primeiro, o pessoal da Rio Previdência, ó que surpresa, foram muito menos cautelosos do que os colegas ali de Brasília, a ponto de jogarem dinheiro pela janela. Literalmente, né? Literalmente. Vocês se lembram que houve uma operação da Polícia Federal sobre esse caso há alguns meses em Balneário Camboriú e os investigados que trabalhavam na Rio Previdência e chemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
O sujeito jogou a mala pela janela de dinheiro. Exato. De dinheiro, foi isso. Jogou do alto do prédio, caiu o dinheiro do céu, literalmente. Exato. Então assim, esse é o nível da galera que tava desviando esse dinheiro todo. Eles provavelmente não estavam tomando os cuidados devidos. Talvez, né? Talvez não tivesse. Pra um valor dessa monta.
E por isso a investigação avançou bem mais rápido no Rio de Janeiro. E aparentemente o governador também não tinha muita cautela ao conversar com o Daniel Vorcaro no celular. E aí tem uma outra questão que é, no caso do BRB, de Brasília, do Ibanez e de toda aquela turma...
tem a perspectiva de delação do Paulo Henrique Costa, que é o ex-presidente do BRB. E uma vez que há uma negociação de delação, se você fizer uma operação da PF no meio da negociação, a estratégia pode sofrer um solavanco ali. E tem um terceiro ponto. Politicamente, o Cláudio Castro se enfraqueceu muito, né? Poderia até tentar se candidatar ao Senado, mesmo o TSE tendo declarado ele inelegível.
Porque daí ele tentava derrubar isso na justiça, mas o PL não quer colocá-lo nessa posição, não quer arriscar essa vaga no Senado, que eles acham que está tão garantida, colocando um cara que pode perdê-la. Então, há uma leitura também em Brasília de que esse enfraquecimento pode também ter colaborado para que essa operação acontecesse agora. O Cláudio Castro era uma situação que se fosse para Bangu 8, o pessoal ia falar, não, calma aqui, aqui tem bandido.
Não é qualquer um que pode entrar. A vizinhança tá caindo de nível. Tá caindo de nível, é. Tá virando bagunça. É. Criminalidade aqui dentro tá piorando. Tudo tem limite nessa vida. O Jair Andrade vai ficar ofendido, né?
Agora, o que eu acho irônico também dessa história toda é que o André Mendonça, há poucos meses, já no TSE, votou contra a ineligibilidade do Cláudio Castro. Sim. E eu me lembro de ter comentado aqui com vocês na época, eu falei assim, poxa, se ele está acompanhando a investigação do Master e tem acesso a tudo o que está acontecendo sobre o Master e o Cláudio Castro e a Rio Previdência e vota pela elegibilidade do cara, né? O que explica?
E agora, assim, curiosamente, essa operação que aconteceu essa semana foi autorizada pelo André Mendonça. Então, assim, não sei o que ele tá pensando. Ai, ai. E o que essa operação dessa semana mostrou também foi a participação do mercado financeiro nesse tipo de fraude. Conforme eu tinha falado pra vocês no início do bloco, pra você fraudar fundo de pensão, esses RPPs, você precisa de mercado financeiro.
E essa operação dessa semana fez busca e apreensão na Planner Corretora, que é uma corretora que esteve envolvida em todos os escândalos de corrupção, enfim, dos últimos 20 anos, assim, do mensalão para cá. Sempre que alguém desviou dinheiro via mercado, a Planner tinha estruturado algum tipo de mecanismo para permitir que esse dinheiro fosse desviado. E nunca aconteceu nada com a Planner.
Por exemplo, na Carbono Oculto, descobriu-se que esses fundos que eram estruturados a pedido do Beto Louco, na REAG, para lavagem de dinheiro, para sonegação, para tudo de ruim, quem fornecia parte desses fundos era a Planner. A Planner era a corretora que fazia essa estruturação.
E aí, quando a REAG, parceira do Master, em todos esses esquemas, é liquidada pelo Banco Central, quem assume os fundos da REAG? Porque a REAG tinha 500 fundos de investimento ali. Você tinha fundo de picaretagem, mas você também tinha fundo legítimo. Entre os fundos legítimos, aparentemente legítimos, eram os fundos dos irmãos Batista lá. Eles tinham pelo menos sete fundos na REAG. Quem herdou esses fundos e todos os fundos da REAG? A Planner.
Então a Planner hoje, ela opera o que a REAG tinha antes de ser liquidada. Eu tô pensando aqui, você citou o Mensalão, me ocorreu isso. A corrupção está associada à esquerda. Agora, com esse forcarão, é uma janela histórica muito grande pra que essa questão seja revista, né? O grau de desmoralização da direita nesse escândalo em curso...
As coisas realmente são assombrosas. A gente vai rindo, vai vendo um bife de ouro aqui, um uísque de um milhão de dólares ali, o Dark Horse. Existe uma janela histórica para que... Pelo menos haja um certo reequilíbrio dessa perspectiva, né? Porque, especialmente no Petrolão, naquela crise que levou o impeachment, etc., criou-se essa ideia de que a esquerda era mais corrupta do que a direita. Mas, gente, isso nunca foi verdade. Você pega as delações da Lava Jato...
E os caras dizem que aquele esquema que eles faziam com o PT, e faziam mesmo, isso existia. Ninguém vai dizer que não tinha. Exato. Mas aquele esquema já existia há muito tempo. Os caras do Odebrecht mesmo falam. Os empreiteiros todos falam. O esquema começou com os militares, no caso do Odebrecht, né? Qual Odebrecht foi durante os militares? Inclusive, vocês pegaram o ótimo livro da Malu Gaspar, você vai ver que os militares deram angraum. Olha que coisa simpática pra você dar pra um mutreteiro.
pra Odebrecht fazer. Foi a grande obra que lançou Odebrecht aí no circuito. Angra 2 e daí em diante eles ganharam sem licitação. Angra 1, então, que é ano 70, começou no governo Médici. Exato. No livro do Roberto Jefferson, Nervos de Aço, que saiu em 2006 e que eu recomendo muito. Coitado do Lupicino Rodrigues. Chama Nervos de Aço, o livro do Roberto.
É, a visão dele sobre corrupção. Foi um ano depois da denúncia do Mensalão. Ele escreve um livro contando a história de todo mundo, não só do PT, e todo mundo fingiu que não viu o livro. E ele conta que sempre ouviu falar que a era de ouro das empreiteiras foi a ditadura militar.
É, e no Petrolão, o PP foi um grande sócio, né? Sim, eles sempre estiveram lá. O PP foi um dos principais sócios, né? Ele dividia com o PT as principais diretorias. Tinha uma do PMDB, uma do PP e uma do PT, né? E o PP já estava no meio salão, porque no meio salão era PP, PL e PTB, que eram comprados, né? É, é interessante a gente colocar em perspectiva histórica.
É, e não é pra passar pano pra corrupção de esquerda. Só pra dizer, a história de que a esquerda fosse mais corrupta do que a direita, isso aí sempre foi cascata, né? Eu gosto do Casca que ele vai do Habermas ao Roberto Jefferson. Gente, eu recomendo muito esse livro do Roberto Jefferson. Cara, será que tem algum cêboa? Eu recomendo muito esse livro do Habermas, A Mudança Estrutural da Esfera Pública. Pra entender o Cláudio Castro, eu acho melhor você ver o Roberto Jefferson do que o Habermas.
Muito bem. A gente encerra assim o segundo bloco do programa. Vamos fazer um rápido intervalo. Na volta, vamos falar, finalmente, alguma coisa boa. Vamos falar do fim das 6x1. Já voltamos. Oi, eu sou o Paulo Vitor Ribeiro, repórter e roteirista aqui na Rádio Novelo. E eu queria avisar que a gente publicou um episódio bônus do Apresenta, exclusivo para os assinantes do Clube da Novelo.
Eu, a Flora Tonson Devoe e a Paula Escarpim sentamos para conversar sobre algumas das muitas histórias que ficaram de fora do episódio Mães e Madres. A gente fala sobre contatos sobrenaturais das mães de vítimas do terrorismo de Estado com seus filhos no Brasil e na Argentina. E sobre a situação jurídica dos crimes de maio de 2006 e a ausência de justiça por esse massacre. E a gente também conversou sobre como essa apuração mexeu com a gente.
Para fazer parte do clube e garantir episódios bônus e vários outros benefícios, incluindo uma bolsa bonitona da Novelo, acesse clube.radionovelo.com.br.
Tem história que termina quando você acaba de ler. E tem história que continua nos bastidores. A Piauí lança o Caderno do Repórter, uma newsletter mensal, exclusiva para assinantes, em que um jornalista relata em primeira pessoa os bastidores de uma reportagem ou de uma cobertura.
a pauta que mudou no meio do caminho, a entrevista que quase não aconteceu e tudo aquilo que não coube no texto final. Para receber, é só se inscrever e ser assinante Piauí. Caderno do Repórter. Porque toda boa história tem outra por trás.
Muito bem, estamos de volta. Tinha até pensado em a gente pular o bloco em homenagem ao fim da escala 6x1. A gente já diminui a nossa escala de trabalho também. A diretora não deixou. Mas eu daria argumento para as pessoas que dizem que vai atrapalhar a economia. É, a diretora não deixou a gente fazer esse happening.
Brincadeiras à parte, foi uma vitória muito importante e passou com uma margem muito grande na Câmara. Votação na Câmara realmente foi uma vitória avassaladora e agora o texto seguiu para o Senado. Comemoremos? Eu acho que sim, Fernando. Ainda vai para o Senado, né? O Senado ainda pode fazer muita besteira com esse projeto, mas não dá para subestimar a vitória, né? Eu nem sei se eu ainda sei pronunciar isso, vou tentar agora. Foi uma vitória da classe trabalhadora. Olha só.
Não me lembro da última vez que disse essa frase. Não sei se vou voltar a dizer, mas assim... Aqui a gente costuma dizer mais uma derrota da classe operária. Exato, exatamente. Mas dessa vez não, olha só. E é bom lembrar, o Financial Times é insuspeito de ser de esquerda, certo? Defendendo os interesses das grandes corporações. É um jornal da City de Londres. É o Times do Financial, justamente. Exatamente. Eles estão dizendo que são do Financial, então não é eu que estou acusando.
E eles publicaram no dia 7 de maio. Enquanto alguns países do Ocidente lutam pela semana de quatro dias na era da inteligência artificial, o Brasil só agora vai tentar trazer milhões de seus trabalhadores dos seis dias para os cinco dias de trabalho na semana.
Então, assim, no mundo desenvolvido, isso que a gente está fazendo aqui é banal. E é sempre bom lembrar, vou dizer de novo, se você tem tempo de lazer o suficiente para ir na internet xingar alguém, é por causa dos sindicatos do século XX que conseguiram reduzir a jornada de trabalho. O conceito moderno de lazer, de tempo livre, disso tudo, são conquistas dos sindicatos, tanto os brasileiros quanto os europeus, os americanos, etc.
que conseguiram reduções da jornada de trabalho, senão você estava até hoje com jornada de 16 horas por dia limpando chaminé lá na Revolução Industrial. Me fez lembrar daquele meme, o trabalho está atrapalhando o meu desempenho nas redes sociais. Exatamente. Exato.
Bom, até agora não teve nenhum estudo mostrando efeito negativo do fim da jornada 6x1. Até porque, como a gente já disse aqui, não é fácil encontrar dados sobre a distribuição das horas pela semana para a maioria dos trabalhadores. Então, quantas pessoas estão trabalhando 44 horas 6x1, 5x2, enfim. Isso não é muito fácil de achar. Então, é difícil medir qual seria o efeito positivo ou negativo da 6x1. Tudo que a gente viu até agora...
sugere que o efeito agregado sobre a economia brasileira deve ser mínimo. Em termos de se cair a produção, se tiver algum efeito, deve ser bastante pequeno. Em alguns setores, pode ser que o efeito seja maior e aí talvez, se acontecer alguma coisa, o governo pode tomar medidas para amenizar esses efeitos e tal.
mas a expectativa é que os efeitos negativos para a economia sejam bastante modestos ou nulos e os efeitos para a qualidade de vida dos trabalhadores podem ser bastante substanciais. Se você vai ter mais tempo para ficar com a sua família, se você vai ter mais tempo de lazer, se você vai perder menos tempo se deslocando para o trabalho, se você tiver um dia a menos para ir trabalhar. Como notou o pastor Isidoro, o deputado um pouco folclórico, você vai ter mais tempo para fazer sexo.
E as pessoas acharam meio engraçado o pastor falando sobre isso, mas faz todo sentido. Uma das coisas que a direita religiosa defende é mais fertilidade, que as pessoas tenham mais filhos. E isso implicaria você ter mais, não só tempo para fazer sexo, mas tempo para cuidar dos seus filhos. Então, se você só tiver um dia de folga durante a semana, o tempo que você vai poder dedicar à sua família é muito menor. Então, faz todo sentido que os parlamentares que se dizem a favor da família...
apoiem a redução de jornada, entendeu? Está certo o pastor. Exatamente, correto o pastor. Com a ressalva de que não se faz sexo pra ter filhos. Exato, mas, de qualquer maneira, é uma das possibilidades. É uma das possibilidades. Exato.
Quanto à queda da jornada de 44 horas para 40, que é uma coisa que vai ter efeito para todo mundo, praticamente, menos para um setor que eu já vou falar, isso pode ter algum efeito econômico. Pode ser que tenha alguma turbulênciazinha em alguns setores, alguma coisa desse tipo. Mas a experiência histórica, inclusive brasileira, o pessoal que estudou o efeito da redução do jornal de trabalho quando saiu a Constituição, é que em pouco tempo esse efeito é absorvido pela economia sem maiores traumas.
Não tem um surto de desemprego, não tem quebradeira de empresa, não sei o que. Tem um perigo de adaptação. Alguns lugares podem sofrer mais, outros podem sofrer menos. Depois, alguns setores podem até ser reforçados pela reforça do lazer e coisas desse tipo. Não há evidência de que isso vai causar também uma grande perda de dinheiro para a economia. E, novamente, tem um ganho de qualidade de vida bastante substantivo para as pessoas que vão ter mais tempo de lazer, mais tempo de descanso, vão ter mais tempo para cuidar da própria saúde, né? Enfim, é uma coisa bastante positiva.
Se fosse adotada a proposta de 36 horas, que estava lá no projeto inicial, isso poderia ter um impacto grande econômico, porque a absorção seria mais difícil. Mas, enfim, não é essa a proposta que está na mesa. Uma coisa que eu achei inteligente é o limite deixa de existir se você for um trabalhador muito bem remunerado. A classificação aqui é quem ganha 2,5 vezes o teto da Previdência, que hoje daria mais ou menos R$ 21.188.
Para essas pessoas, a jornada de trabalho não vai ter esse limite. Isso, para mim, faz um certo sentido. Eu acho que a nossa preocupação em regular a jornada de trabalho tem que ser com o trabalhador pobre que faz um trabalho ultra cansativo, que leva duas horas para o seu trabalho e ganha muito pouco. Então, para ele, é bom. Agora, se tem um cara, por exemplo, operador de mesa de corretora de valores, que fala, não, eu quero trabalhar mais cinco horas, porque cada hora a mais que eu trabalho eu ganho mais 20 mil reais.
Aí eu já acho que pode deixar, entendeu? Ele não tá sofrendo nada, né? Não é uma pessoa que tá submetida a condições desumanas. É um cara rico que tá fazendo uma decisão consciente de como investir seu tempo. Regulação trabalhista é pra gente evitar, enfim, sofrimento humano, né? Pra gente evitar que a desigualdade no poder de barganha dentro do mercado de trabalho gere desigualdade, gere pobreza, etc. Esses caras que ganham mais têm mais poder de barganha no mercado de trabalho. Tanto que eles ganham mais.
Então, eu acho razoável que para esses setores a coisa seja mais flexível mesmo. Na última hora da votação, o PL tentou criar uma bagunça dizendo o seguinte. Bom, era ruim votar contra 6x1. O fim da 6x1 é popular e é ano de eleição. Então, eles resolveram dar uma chutada de balde e dizer não, quer saber, a gente vai bancar o 4x3.
A proposta original lá do projeto da Erika Hilton. E aí, como disse o Nicolas Ferreira, em um vídeo nas redes sociais, a direita deveria apoiar 4x3 para que eventuais impactos econômicos negativos acontecessem antes da eleição. Abre aspas. A gente quer mostrar que, quando der merda, a culpa é deles. Fecha aspas. Veja-se o raciocínio do estadista, né? Um sujeito realmente preocupado com o interesse público.
Só que aí, cara, isso foi meio tiro no pé, porque é o seguinte, se der merda, os empresários vão perder muito dinheiro e os empresários também não estão a fim de perder dinheiro só pro Nicolas ganhar a eleição, entendeu? Então os empresários vão virar pro Nicolas e falar ô moleque, você vai buscar teu voto aí fazendo teus videozinhos babaca, mas assim, você querer que eu tenha prejuízo pro PIB cair e o bonitão aí ganhar a eleição, você vai, merda.
De qualquer maneira, é o seguinte, a aprovação do projeto foi uma vitória da esquerda, não só pela aprovação, mas pelo sucesso em mudar a pauta das discussões, que era uma coisa que a esquerda queria fazer há muito tempo. Quer dizer, ninguém está discutindo aqui, sei lá, ideologia de gênero, uma daquelas maluquices qualquer de bolsonarista, enfim, o assunto passa a ser uma coisa real, uma coisa que tem de fato impacto na vida das pessoas. É uma pauta em que a esquerda defende propostas populares.
É uma vitória do vereador Rick Azevedo, aqui do Rio, que foi quem começou o movimento contra a 6x1. É uma vitória da deputada Erika Hilton, que apresentou o projeto. É uma vitória do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, que tinha um projeto anterior para redução de jornada. Enfim, não é todo dia que a gente diz isso, mas a esquerda ganhou alguma coisa aqui. Muito bom.
Eu estava vendo aqui as movimentações no Senado, o assunto agora foi para o Senado. A CNI, Confederação Nacional da Indústria, marcou audiência com o Alcolumbre na terça-feira e defendeu que um assunto de tamanha importância não pode ser discutido de forma soldada, que eles esperam que os senadores só votem isso depois da eleição. Veja as movimentações da classe dominante. Pois é. E um senador que eu confesso não conhecia, de nome Orovisto Guimarães.
Ele é dono da Positivo. Sabe a empresa Positivo? De computador? De computador. Ele discursou contra, falando que tem um efeito devastador em escala privada. É porque ele não quer contratar mais gente pra empresa dele. Então a gente vê, se o Senado estivesse debatendo ali na véspera da Lei Áurea, esse senhor ou eu vi isso estaria falando que o fim da escravidão ia causar danos irreparáveis à economia brasileira. Deu graças, essa turma aparentemente está sendo derrotada. Ana Clara.
Bom, eu acho que para além da conquista para o trabalhador, o que a tramitação dessa PEC mostrou para a gente é um sistema que pode ser reproduzido em outras pautas de interesse da sociedade, sobretudo da classe popular.
O Rick Azevedo era um farmacêutico, né? Trabalhava numa farmácia. Estourou nas redes defendendo essa pauta. Se elegeu vereador. Conseguiu ser visto pela Erika Hilton, que é uma deputada que também é muito popular e que fez essa proposta ser apresentada na Câmara. O governo, que estava numa seca de propostas conectadas com o trabalhador, abraçou a proposta.
Essa proposta tramitou, obviamente a direita foi contra e quis desidratar e tudo mais, houve todo um debate ao longo desses últimos meses, mas você tem também o timing que ajuda muito que é a eleição, né? Que deputado que quer carregar esse peso de ter votado contra essa PEC para sua campanha?
E aí também quero pegar o detalhe de o deputado de Reginaldo Lopes também ter apresentado essa proposta no Congresso. Você vê que é muito difícil para um deputado bem intencionado, né? Estou partindo do pressuposto que ele estava bem intencionado, apresentar uma proposta no Congresso em defesa do trabalhador e isso tramitar por puro acordo político.
Você precisa ter um amparo popular. A população precisa estar engajada, precisa estar envolvida. E foi o que aconteceu nesse caso, né? Então, eu acho que fica de lição a aprovação dessa PEC como um sistema que funcionou e que pode ser replicado para outras pautas de interesse da sociedade. Ou seja, se houver uma mobilização das pessoas nas redes sociais, essa geração de deputados, ela é muito sensível a isso, né? Como ela não faz nada, ou faz muito pouco, então...
Ela é muito vulnerável ao voto, né? Como tem muito pouco pra apresentar, né? Você vê, assim, o que é aprovado em prol da sociedade. É quase nada. São sempre projetos de lei que beneficiam setores muito específicos, né? Corporações e tal, aquele corporativismo e tal. Benefício popular é difícil.
Então, o cara não tem nada pra apresentar, pra tentar uma reeleição. Aí ele fica apelando pra essas pautas dos costumes. Se você tem, né, na sociedade um engajamento pra esse tipo de assunto, eu acho que esse exemplo da PEC mostrou que é possível que isso vire realidade, entendeu? Então, eu acho que como não só a vitória dos trabalhadores com essa pauta, mas também isso mostra esse sistema possível. Com certeza.
Porque, por exemplo, uma outra pauta que não está necessariamente relacionada ao trabalhador, mas que ela é economicamente importantíssima, que é a justiça tributária, que é a questão da tributação das grandes fortunas, né? De que as pessoas que realmente ganham dinheiro paguem imposto de verdade no Brasil, né? Porque o que acontece não é bem assim. Então, se houvesse, por exemplo, um engajamento popular para essa pauta...
que foi uma pauta que o governo Lula tentou emplacar, sobretudo ao longo da gestão do Haddad. E foi muito difícil, porque também é um tema que não é tão popular, não é tão fácil de ser compreendido, mas a realidade é essa. Se você tem na população o engajamento nesse assunto específico, vamos supor, da justiça tributária, que é de interesse de todo mundo, você poderia fazer isso tramitar no Congresso de uma forma um pouco mais transparente. E nessa tentativa da direita...
de melar essa PEC, né? Eu acho que fica muito evidente, né? O que eles são, de fato, né? No caso do PL é muito óbvio, né? Assim, a gente defende uma classe que é a classe empresarial. Nada pode ser mais óbvio que isso. Quando o Nicolas fala o que ele fala, né? A gente quer que isso dê uma crise agora pra isso prejudicar o governo e nos beneficiar na eleição. É tão claro, né? Eles não escondem realmente que o interesse que os move não é o interesse público.
Quando o Sostenes fala que mudou de ideia e vai apoiar e orientou a bancada a apoiar, não é porque acredita que essa causa seja necessária, é realmente porque eles querem envenenar a PEC para que ela prejudique as pessoas. A gente às vezes lê isso no noticiário e meio que passa batido, né? Mas existe um grau de crueldade na atuação legislativa desses parlamentares.
E nesse ponto, eu acho que a Rosângela Moro, que votou contra a PEC, é até coerente, né? Ela foi lá e votou contra. Possivelmente porque o marido dela vai ganhar como governador, pelo menos é o que as pesquisas mostram hoje. E ela deve estar, enfim...
mais preocupada com outras coisas, né, do que na própria reeleição. Ou talvez porque o eleitor dela seja justamente, não à toa, o Oriovisto Guimarães é do Paraná, né? Eu tava até aqui fazendo uma pesquisinha. Ele nasceu em Batatais, em São Paulo. Ele é do Paraná, do PSDB. Onde foi parar o PSDB, hein? Nossa Senhora.
Mas é isso, ela pelo menos foi coerente com a trajetória, né? No sentido, não sou a favor, vou votar contra e é isso. Agora a gente vai ver o que o Moro vai fazer no Senado. Será que ele vai... Podemos esperar grandes coisas, né? Bom, muito bem. Vamos encerrando, então, o terceiro bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo na volta Kinder Wevo. Já voltamos.
Essa semana, no Rádio Novelo, apresenta a história de um grupo de brasileiros que saiu direto do DOPS para um grande debate. Torcer ou não torcer pela seleção na Copa de 70? Eu sou o Vitor Hugo Brandalize e conto essa história no episódio Na Arquibancada. Nesse episódio, a gente também mostra uma nova modalidade de torcida.
que envolve duas mil tampinhas de garrafas PET. Quando acabar o foro, vem ouvir a gente. Rádio Novelo apresenta. Toda quinta, histórias que você nem sabia que precisava ouvir. Muito bem, estamos de volta. Diretora, vamos ver o que você aprontou pra gente. Solta aí, Danidi.
Então é difícil você ler o que vai acontecer nos próximos dias. É óbvio que o que até agora se sabe é grave e merece explicação do senador Bolsonaro que ele está se explicando. Se ele vai sustentar sua candidatura até o mês de julho. Por enquanto eu não vejo crime no que aconteceu. Não é o Ourovisto não. É o Ourovisto?
Caramba, não ia acertar. A diretora pegou a gente. Quem fala é Rodrigo Garcia, ex-vice-governador de São Paulo para o canal Warren Investimentos no YouTube. Tá difícil, hein? Ela vai buscar no Warren Investimentos, é fogo. Não, ela vai buscar Rodrigo Garcia. Tem a Dark Horse e a Dark Inter... Ela vai nas profundezas do oceano.
Muito bem, depois dessa derrota da classe operária, Celso, aí sim. Nos pode ganhar tudo. Vamos para o melhor momento do programa, o Correio Elegante. Momento das cartinhas, momento de vocês. E eu vou começar com uma mensagem do Junquilho Marques.
Poxa, Ana Clara, iniciar o comentário sobre o Flávio com Tá tudo rachado foi maldade. Perdi a concentração. Tive que parar pra voltar a ouvir depois das risadas. Tá tudo rachado. Tá tudo dominado. Pior é que não foi de propósito. Acho que ficou muito bom. Eu achei que era de propósito. Eu queria ter essa sagacidade.
Depois do assunto Dark Horse da semana passada, o Gilvane Rodrigues postou eu processarei o Celso por me dar spoiler de tanta porcaria. Porra! Eu contrataria o Celso. Tem que saber aproveitar a arte. O nosso Celso aqui já está sendo convidado pra ser comentarista do Oscar no ano que vem.
Se fosse a Netflix, eu contrataria. Você é comentarista daquele framboesa de ouro, sabe? Que dá o prêmio para os piores.
Agora, eu queria aqui fazer um comentário, aproveitando a mensagem do Rui Donato, que escreveu. Ana, Odair José é o cantor popular. O deputado do PT de Minas, que está indo para o TCU, é o Odair Cunha. Rui, o nome do Odair Cunha é Odair José da Cunha. Eu falei só metade do nome. Eu juro que não conhecia Odair José. Vocês me perdoem pela falta de referência.
De música popular nesse momento. Não, o Daí José é um clássico, o Daí José. Clássico? Então, mas assim… É que você é jovem, né? Minha idade não justifica, é ignorância pura. O Daí José cantava o clássico Pare de Tomar a Pílula. Pare de Tomar a Pílula. Pois é, nunca ouvi ele. Olha aqui, no Wikipedia diz o seguinte, que ele é conhecido como Todd Dylan, da Central do Brasil. Ah, esse foi o melhor nome que eu já vi dar pra um cantor.
Bom, o resultado é... Eu tive que dar um Google no Odair Cunha e estava escrito Odair José da Cunha e eu li só o Odair José. Peço desculpas pela leitura incompleta. Talvez o deputado Odair José da Cunha tenha recebido esse nome em homenagem ao cantor.
Se eu tivesse, se eu fosse nomeado Bob Dylan da Central do Brasil, você não precisa mais nada na vida, né, Celso? Exato, é a glória. Obrigada, gente, por todos esses esclarecimentos. É. Prometo que eu vou ouvir no Spotify. Momento cultural, teve um momento cabeção aí. Momento cabeção, exatamente.
Esse Correio Elegante foi só de mensagens curtinhas. E acho que é essa do Manuel Carneiro, é porque ele gostou do programa passado. Tem semanas que é dolorido ouvir o foro. E tem semanas que parece coca geladinha. Ah, que bom, cara. Coca geladinha, meu... Nossa, esse é o melhor elogio que eu já recebi na minha vida. É, cara, o Fernando tá emocionado aqui, entendeu? Você tocou o coração do Fernando aqui, mano. Eu sou um cocólatra.
Muito bem, a gente vai chegando ao fim do programa. E eu devo dizer a vocês que tirarei três semanas de férias, folga, como vocês querem. Vou aproveitar o embalo do 6x1, vou tirar três semanas. A minha querida Ana Clara vai fazer as vezes do apresentador. E no final de junho eu volto. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente no Spotify.
Segue no Apple Podcast, na Amazon Music, favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista Piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira.
A checagem é da Ethel Rudnitsky, a edição é da Bárbara Rubira e da Paula Scarpin. A identidade visual é da Amanda Lopes, a finalização e mixagens são do João Jabás e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabás e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emília Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha showpana em São Paulo e no estúdio rastro do grande Dani Dino Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos, então...
Ana Clara Costa, tchau Ana. Tchau Fernando, tchau pessoal. Tchau Celso. Tchau Fernando, tchau todo mundo. No sábado estaremos juntos na Feira do Livro. Quem não estiver na Feira do Livro, vê a gente ou ouve a dupla e mais o terceiro convidado na semana que vem. É isso, gente. Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.
Dili
Dili EX5 EMIpiauí
assinatura