Episódios de Foro de Teresina

Lula na ONU, a turma do KN e o Peixe de Flávio Bolsonaro

25 de setembro de 20261h15min
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No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros comentam o discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, e a interferência dos Estados Unidos na América Latina. No segundo bloco, o trio discute as novas revelações sobre as relações entre o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal, incluindo pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques. No terceiro bloco, os apresentadores tratam das conexões de Flávio Bolsonaro, como a viagem do candidato à presidência em um jato ligado a Daniel Vorcaro e uma emenda parlamentar solicitada pelo miliciano Robson Calixto, o ‘Peixe’. O trio também analisa as últimas pesquisas eleitorais pra presidente.

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Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft131 

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Participantes neste episódio3
F

Fernando de Barros e Silva

HostJornalista
A

Ana Clara Costa

Co-hostJornalista
C

Celso Rocha de Barros

Co-hostJornalista
Assuntos6
  • Discurso de Lula na ONU e a interferência dos Estados Unidos na América Latinacrítica à ingerência externa em eleições·blindagem do Brasil contra Trump·preocupação global com multilateralismo·Trump se orgulha de roubar petróleo da Venezuela
  • Relações do Banco Master com o Supremo Tribunal Federal e a 'turma do KN'contrato de honorários de R$427 milhões·influência de Kassio Nunes Marques·uso de precatórios como lastro·ministros envolvidos em decisões suspeitas
  • Conexões de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o miliciano 'Peixe'viagem em jato de Daniel Vorcaro·emenda parlamentar para ONG de miliciano·Robson Calixto Fonseca, o 'Peixe'·desvio de recursos da emenda
  • Escudo das Américas e a estratégia de isolamento do Brasil por Trumpgrupo de 15 países de direita e extrema-direita·Brasil e México não convidados·PCC e Comando Vermelho como terroristas·estratégia militar de dissuasão
  • Impacto dos escândalos de corrupção na percepção do eleitor e nas pesquisassensação de saturação e ruído para o eleitor·confirmação de viés prévio·benefício para bandidos·Lula e Flávio empatados nas pesquisas
  • Estratégias da campanha de Lula e a divergência sobre o papel de Alexandre de Moraesuso de armas de emergência·aumento do Bolsa Família e proibição de bets·jantar com empresários para influenciar classe média·divergência no campo progressista sobre Moraes
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FDFernando de Barros e Silva

Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí.

CRCelso Rocha de Barros

Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.

FDFernando de Barros e Silva

Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!

ACAna Clara Costa

Oi, Fernando! Oi, pessoal! André Mendonça pedindo que Moraes seja investigado agora por outros crimes, como denunciação caluniosa. Traduzindo, por ter levantado suspeitas de crimes contra ele, André Mendonça.

FDFernando de Barros e Silva

Diga lá, Celso Casca de Bala!

CRCelso Rocha de Barros

Fala aí, fera! Estamos aí, mais uma sexta-feira. Eu quero garantir a todos vocês aqui, a única relação que eu tenho com bocado é sobre o filme do meu pai. Você não vai ver eu em festinha de bocado, você não vai ver eu em entrevista mista de bocado, vocês não vão me ver viajando pra Londres, sabe, indo pra Paris por culpa de um bocado, porque eu entrei no avião de bocado.

FDFernando de Barros e Silva

Mais uma sexta-feira. Antes dos assuntos da semana, eu quero fazer um convite pra vocês. A gente vai ter fórum ao vivo no domingo, 4 de outubro, pra acompanhar a apuração dos votos no primeiro turno das eleições. A partir das 17 horas, a gente vai estar ao vivo no YouTube da Piauí, no Estúdio Raço, no Rio de Janeiro. Eu volto pela manhã e viajo em seguida para matar a saudade do balneário mais bonito do planeta. Não é isso, Celso?

CRCelso Rocha de Barros

Isso aí.

FDFernando de Barros e Silva

Estaremos nós três, toda equipe, com apoio de repórteres da Piauí, trazendo informações ao vivo e mais alguns convidados muito especiais para comentar os resultados. Vai ter muito assunto. Fiquem com a gente, vocês vão encontrar os links de acesso no site das redes da Piauí no próprio domingo, dia da eleição. Comite feito, agora sim, sem mais delongas, vamos aos assuntos da semana. Abrimos o programa com o discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, há 12 dias do primeiro turno das eleições.

Sem mencionar nominalmente Donald Trump, o líder brasileiro criticou a interferência dos Estados Unidos na América Latina e o recrudescimento das tentações hegemônicas por parte do governo americano. O Brasil não cabe no quintal de ninguém, disse Lula, resumindo sua reação às investidas sobre o processo político-eleitoral brasileiro. No discurso, que foi sob vários aspectos histórico, o petista voltou a dizer que os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos, atacou a era da desinformação, que dá força e visibilidade a obscurantistas que resistem às evidências da ciência, e fazem campanha contra as vacinas.

Lula disse ainda que até pouco tempo a resposta às mudanças do clima estavam consolidadas no centro da agenda internacional, mas sumiram. Entre outras coisas, o discurso foi um antídoto ao eventual não reconhecimento dos Estados Unidos diante de uma vitória do petista. Na sua vez de falar, Trump repisou que os Estados Unidos poderão usar seu poderio militar incomparável, palavras dele, para proteger seus interesses no hemisfério ocidental.

Na mesma terça-feira em que Lula discursou, o presidente dos Estados Unidos esteve com líderes de países do continente, todos de direita e extrema-direita, na primeira reunião do Escudo das Américas, uma coalizão que foi criada em março deste ano para unificar o combate ao crime organizado sob a tutela da doutrina e do poderio militar americano. O Brasil não faz parte do grupo, mas entrará para o clube se Flávio Bolsonaro vencer em outubro.

Ana Clara vai nos explicar tudo a respeito. No segundo bloco, voltamos ao Supremo Tribunal Federal. A bola da vez é a turma do KN. É assim que Daniel Vorcaro e seus asseclas tratavam pessoas sob a influência do ministro Cássio Nunes Marques, incluindo aí o desembargador Nilton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, e a advogada Camila Ramos, que é casada com o desembargador. A PF descobriu um contrato de honorários de até R$427 milhões com o escritório da advogada, contrato relacionado a decisões judiciais que liberariam R$8,5 bilhões em precatórios de interesse do banco.

A PF também encontrou mensagens em que o desembargador solicita favores a Vorcaro. As conversas incluem pedidos atribuídos a Cássio para hospedagem no Fasano, em São Paulo, e para o aluguel de uma mansão de R$1,4 milhão durante o Carnaval no Rio, no ano passado. Isso para não falar dos honorários recebidos por Kevin Marques por serviços de consultoria contratados por uma empresa ligada a Vorcaro. Kevin, o advogado prodígio, filho de Cássio, tudo com K.

No terceiro bloco, o assunto é Flávio Bolsonaro. O repórter Breno Pires, da Piauí, revelou que o senador e sua família viajaram da Flórida para Brasília no jato de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025. Entre os passageiros estava ainda o amigo de Flávio, Willer Tomaz, advogado e empresário, que já foi preso no escândalo da JBS, depois ele acabou absolvido, e é investigado no esquema de desvios do INSS. Tomaz era dono de uma das 3 cotas do avião, o mesmo avião no qual Alexandre de Moraes e sua mulher, advogada Viviane Barsi, voaram 7 meses depois.

Além disso, A gente soube também pela Piauí que o miliciano Robson Calixto Fonseca, vulgo Peixe, pediu em 2023 uma emenda ao gabinete de Flávio Bolsonaro para financiar um projeto em uma área dominada por milícias no Rio. Peixe é acusado por Roni Lessa, o assassino confesso de Marielle Franco, de tê-lo apresentado aos irmãos Brazão, os mandantes do crime, além de ter providenciado a arma usada no atentado. Mensagens recuperadas pela PF mostram que Peixe chamava Flávio de Nosso Senador.

Depois de 5 meses de conversas com uma assessora do Nosso Senador, ele obteve a emenda de quase R$200 mil para uma ONG. Os recursos, segundo as investigações, foram desviados. A gente vai falar disso e das últimas pesquisas em que Lula e Flávio estão empatados. É isso, vem com a gente. Muito bem, Celso, vamos começar com você. Como eu disse na abertura, tivemos o discurso do Lula, foi uma das coisas importantes dessa semana e tema central dessa eleição. Passo a bola para você.

CRCelso Rocha de Barros

Então, Fernando, eu achei o discurso do Lula o melhor que ele fez como presidente até hoje, em grande parte porque a situação piorou muito. Tem esse cruzamento de política interna com política externa, então não deu para fazer só aqueles discursos que o presidente sempre faz, né, que assim, olha, as coisas boas boas, as coisas ruins são ruins, aquelas coisas. Se puder ter paz é bom, né? Se todo mundo pudesse ficar rico também era bom, né?

E esse discurso não foi assim, esse discurso foi claramente mais objetivo, mais incisivo, né? E tinha um alvo claro, que é blindar o Brasil caso o Trump não reconheça uma vitória do Lula na próxima eleição presidencial. O João Paulo Charlot disse no podcast Café da Manhã uma coisa que é interessante, que isso não é só uma preocupação que existe no Brasil e, aliás, existe em vários países da América Latina. Inclusive, eu até acrescento, tem governos de direita na América Latina que não são 100% confortáveis com essa coisa do Trump, não.

Eles ganharam a eleição sem ajuda do Trump. Por exemplo, o Kast, no Chile, ele não ganhou por causa do Trump. Então, ele não quer também ficar parecendo que tá devendo alguma coisa. E o que o Charlot chamou atenção é que essa preocupação com interferência eleitoral existe na Europa como medo de interferência russa. Também há várias denúncias de que eles usam, enfim, ataques cibernéticos e manipulação de algoritmo, etc., pra promover os candidatos pró-Rússia, né, nas eleições europeias.

Então, essa preocupação do Lula foi bem enquadrada assim, de uma maneira que tem apelo pra outros países que também estão preocupados com isso. Então, tudo que ele fez ali foi pra dizer assim, olha só, nós somos uma democracia. Aí ele falou várias coisas boas que o Brasil já fez, etc. E nós estamos chocados com a dissolução da ordem multilateral, né. Isso a gente já falou várias vezes aqui. A diplomacia brasileira defende o multilateralismo pelo menos desde o começo do período democrático.

Então assim, isso aí certamente é uma reclamação do Itamaraty, inclusive. Foi basicamente um discurso de defesa de uma volta a um sistema multilateral que inclusive não abra espaço pra interferências autoritárias na eleição de outros países.

FDFernando de Barros e Silva

A fala dele diz respeito não só ao possível não reconhecimento, mas antes da eleição também.

CRCelso Rocha de Barros

É, ele tá já avisando isso, tá falando: olha só, a gente lá no Brasil tá com medo de ter interferência do Trump aqui. Ele não citou o Trump nominalmente, mas era óbvio, né?

FDFernando de Barros e Silva

Era óbvio, claro.

CRCelso Rocha de Barros

A gente tá sob ameaça do Trump na nossa eleição, e então o mundo fique de olho aí, porque pode haver uma sacanagem americana qualquer no Brasil. Deve-se dizer, ele foi aplaudidíssimo quando ele vinha com esse discurso dele. Não é só porque as pessoas gostam dele, é porque tem muita gente ao redor do mundo preocupada com isso. Então, enfim, tem muitos outros países no sul global que gostariam de uma volta ao multilateralismo, porque eles sabem que se não for multilateralismo vai ser o que o Trump disse no discurso dele, que é: ao vencedor o espólio.

Foi a coisa mais bizarra que eu já vi num discurso da ONU. O Trump se orgulhou de ter roubado o petróleo da Venezuela. E depois de dizer: conseguimos um acordo de petróleo com a Venezuela maravilhoso, que é excelente para os Estados Unidos, ele completa: ao vencedor os espólios. Então, deixando claro que ele ganhou uma guerra da Venezuela e roubou o petróleo venezuelano. Todos os países do Sul Global têm medo disso. Então, assim, Os aplausos ao Lula foi em grande parte uma sinalização de que tem muita gente mundo afora preocupada com essas mesmas coisas.

FDFernando de Barros e Silva

Na sucessão de absurdos, de barbaridades, a gente acaba não esquecendo, mas talvez relativizando o fato de que eles entraram na Venezuela, sequestraram o presidente, que não era um democrata, tudo bem, era um ditador, a gente sabe, mas sequestraram o cara, prenderam o cara para roubar o petróleo.

CRCelso Rocha de Barros

Não, e aí roubaram o petróleo e mantiveram a ditadura do cara.

FDFernando de Barros e Silva

Mantiveram, exato.

CRCelso Rocha de Barros

Se você for pegar agora aquele pessoal todo que ganhou a eleição lá com a Maria Corina, eles estão estão putos da vida. A direita venezuelana tá xingando o Trump de tudo, porque os cara fala, pô, vocês disseram que vinham aqui derrubar a ditadura e fazer um acordo justo com a gente sobre petróleo. Vocês mantiveram a ditadura e roubaram o petróleo, cara.

ACAna Clara Costa

São menos de 2 anos de governo Trump e ele já tirou um presidente do cargo e já matou outro, que foi o Ali Khamenei, né, o líder do Irã. Em menos de 2 anos de governo.

CRCelso Rocha de Barros

E o que tem esses 2 países têm em comum é petróleo. O Steve Levitsky, que escreveu o livro que até essa altura já virou até meio clássico, o Como as Democracias Morrem, junto com Daniel Ziblatt.

FDFernando de Barros e Silva

Grande clássico.

CRCelso Rocha de Barros

É, ele deu uma entrevista ao ICL em que ele diz: há uma boa probabilidade do Trump não reconhecer uma vitória do Lula. Até porque a gente sabe, bom, é só você olhar as pesquisas, a gente vai falar isso depois, quem ganhar essa eleição vai ganhar de pouco, né? Então, se a diferença for pequena, ele pode perfeitamente inventar um argumento ser e medo qualquer, já vamos falar dele. Para dizer não, tem uma irregularidade aqui qualquer, não sei o que lá, e inventar que não vai reconhecer.

Então já é bom o Lula ter feito essa blindagem junto com os países da União Europeia, junto com o Canadá, junto com os outros países do Sul Global, para deixar claro, ó, se ele vier de sacanagem, vocês sabem que é sacanagem. Saiu uma excelente matéria da Ana Luísa Albuquerque na Ilustríssima desse último domingo, sim, sobre o risco de intervenção americana na eleição brasileira. Muito boa, que sumariza todos esses ataques recentes.

Desde o Eduardo agora tá prometendo novas sanções depois da sessão lá do Supremo, E aí eu queria ver como é que eles vão formular isso. Vão fazer o quê? Sanções contra envolvidos no caso Master? Flávio Bolsonaro vai mesmo propor um negócio desse? Isso ia ser divertido, gente. A gente vai falar isso aqui. O Flávio pegou o mesmo avião que o Xandão, né, cara? O meu amigo Igor Tan, que foi quem fez aquele meu PowerPoint para o Instagram, tava falando, podia ter uma charge do Flávio entrando no avião, encontrando o Xandão e falando, mundo pequeno, hein, cara.

Então enfim, sanções por causa disso vão ser um negócio meio bizarro. A Mônica Bergamo revelou que tem um relatório da ABIN que diz que elevou a possibilidade de intervenção americana na eleição a um nível de criticidade. E a gente agora cada vez mais tá conhecendo a rede de desinformação dos Estados Unidos na América Latina. O Fernando Sem Medo, aquele argentino picareta que tentou matar a mulher recentemente e que na época da tentativa de golpe no Brasil ele tinha uns vídeos dele que só serviam pra impressionar gente de humanas que não tem ideia de número, então vê que o cara abriu o Excel, então já acha que ele merece um Prêmio Nobel, entendeu?

Mas que todo mundo de exatas olhava aquilo e via que aquilo era uma farsa. Quando ele foi preso, descobriram com ele junto uma fazenda de bots, né? Aquelas redes de aparelhos celulares conectados que ficam disparando continuamente milhares e milhares e milhares de mensagens pra manipular os algoritmos. E a gente sabe que ele já atuou pelo menos nas eleições da Bolívia e nas eleições de Honduras. A eleição de Honduras foi a eleição em que os Estados Unidos mais interferiram até agora.

Quer dizer, tirando o fato que eles sequestraram o Maduro, mas em termos de eleição foi a que eles mais interferiram. E agora, semana passada, eu estive nos Estados Unidos pra um evento sobre isso, sobre essa interferência americana nas eleições brasileiras. E eu ouvi de um americano que em Washington tem uns caras que basicamente estão passeando pelo governo Trump dizendo, gente, vocês sabem que o Brasil é maior que Honduras, né?

Vocês já olharam o mapa e viram que o Brasil é maior que Honduras. Não é tão fácil você manipular uma eleição lá como foi em Honduras.

FDFernando de Barros e Silva

De qualquer forma, estamos felizes e aliviados que você tenha voltado, né, Ana Clara?

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente. Eu achei que os caras, o ICE ia me mandar lá pra prisão de El Salvador. Já tinha avisado aqui o pessoal do fórum, inclusive, mesmo se eu fosse pra prisão, eu ia descolar um celular pirata daqueles pra gravar o fórum, entendeu?

ACAna Clara Costa

Ao vivo, nosso correspondente.

CRCelso Rocha de Barros

E para concluir, o Estadão descobriu o documento que os Estados Unidos apresentou ano passado como parte das discussões lá sobre o tarifação, de exigências para o governo brasileiro, né? E é nível roubar petróleo venezuelano, entendeu? Se você for para resumir, o documento é: o Brasil tem que vender para os Estados Unidos mesmo se a China pagar mais, e o Brasil tem que comprar dos Estados Unidos Mesmo se a China cobrar menos. As exigências do Estado do Brasil é: vocês não podem fazer um cálculo econômico pensando no interesse de vocês, nas contas de vocês, na riqueza de vocês. Vocês têm que conduzir o seu governo pensando nas minhas contas.

ACAna Clara Costa

É, não, e comprar avião da Boeing em vez da Embraer.

CRCelso Rocha de Barros

Exato, pois é. É um negócio completamente grotesco. Pix. Exato, o Pix.

ACAna Clara Costa

Fim do Pix.

CRCelso Rocha de Barros

Fim do Pix. Sim. Pra gente vender terras raras, pra gente fazer um acordo qualquer de mineração, a gente teria que pedir autorização pros Estados Unidos. Teria que primeiro informar os Estados Unidos e perguntar: não tem uma empresa americana aí que queira fazer isso com a gente não, em vez dessa outra empresa?

ACAna Clara Costa

É chocante essa lista, né? São 21 concessões.

CRCelso Rocha de Barros

Exato. E é concessão de, cara, livro de ensino médio explicando o que que era a relação do Brasil com Portugal.

FDFernando de Barros e Silva

Esse é o verdadeiro programa de governo do Flávio Bolsonaro.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

ACAna Clara Costa

Exato. Assim, o Brasil num governo Flávio não teria por que não ceder a tudo isso.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente, entendeu?

ACAna Clara Costa

Assim, então algo que o setor produtivo que vai votar no Flávio, imagino que esteja contemplando, né?

CRCelso Rocha de Barros

Dali não sai nada, né, gente? Dali não. Esses caras aí da elite, pô, Flávio Bolsonaro não tem nenhum projeto de país. Enfim, eles basicamente encaram o Brasil como um acampamento onde eles por acaso caíram, e o objetivo deles é tirar dinheiro desses coitados acampados aqui e um dia fugir para fora.

FDFernando de Barros e Silva

Exato.

CRCelso Rocha de Barros

Então, se o Trump oferecer para eles um green card, ele deixa o cara vir aqui roubar tudo do Brasil, beleza. Ele já tava roubando antes mesmo, eles até fazem uma sociedade. Agora, o que a gente vai vendo claramente é que, meio ironicamente, nessa eleição, se o Flávio ganhar, o Brasil vai virar a Venezuela. Basicamente, quem vai colocar a gente na mesma situação que a Venezuela tá, com autoritarismo e submissão aos Estados Unidos, é a direita.

FDFernando de Barros e Silva

Perfeito. E é isso mesmo. Que coisa!

CRCelso Rocha de Barros

Que merda, hein? Mas fora isso, tudo bem.

FDFernando de Barros e Silva

Acho que a gente vai ter que fazer o Foro do Alentejo ou Foro de Montevidéu.

CRCelso Rocha de Barros

Ford Montevo deu legal, hein?

FDFernando de Barros e Silva

Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre o evento da ONU, sobre as repercussões. Você andou apurando.

ACAna Clara Costa

Bom, essa participação do Lula na ONU, ela foi um pouco diferente das anteriores por algumas razões. Primeiro, pelo contexto eleitoral, não tinha tempo hábil de fazer muita coisa ali, tinha que voltar rápido para o Brasil para compromissos. Então ele não pôde participar de muitas multilaterais, teve um evento que a Comunidade Europeia organizou em defesa dos mecanismos multilaterais que estão sendo dizimados pelo Trump e que o Lula poderia até participar em outro momento, mas não pôde participar.

Ano passado houve um encontro que o Brasil ajudou a organizar de países em defesa da democracia. Esse ano nem aconteceu esse encontro, enfim, eles nem cogitaram. Então foi, digamos, uma Assembleia Geral mais tímida por parte do Brasil e com uma intenção clara do governo, que era usar a plataforma da ONU como plataforma pras eleições, né, pra falar com o Brasil. Sempre é assim, em certa medida, mas em geral há um equilíbrio, né, entre você falar com o Brasil e falar com os atores internacionais.

Nesse caso específico, foi sobretudo falar com o Brasil. Havia uma expectativa sobre a possibilidade de um encontro do Lula com o Trump nos bastidores, como ocorreu no ano passado, né. E que teve, depois a gente descobriu, uma grande articulação por trás e tal. Esse ano, esse encontro não aconteceu. Em parte porque não houve uma articulação por trás, em parte porque a situação tá tão tensionada que não havia espaço, né, pra uma tentativa.

Se vocês se lembrarem bem, no ano passado houve Joesley, houve empresários brasileiros, houve... Escritórios de lobby, tinha toda sorte de gente tentando viabilizar esse encontro deles nos bastidores, né? A chefe de gabinete do Trump, Suzy Weill, enfim, tinha campo para isso. Hoje isso não aconteceu. O que acontecia, na verdade, nos bastidores era uma expectativa sem estratégia planejada, sobretudo do Itamaraty, que eles talvez se encontrassem pra um aperto de mãos, assim.

Pudessem se cruzar e dessem um aperto de mãos. E uma foto pudesse ser feita desse momento. Mas não aconteceu. O Lula saiu em um momento, o Trump chegou em outro. Foi direto pra salinha em que ele ficaria. Não ficou em nenhum momento disponível. Então, esse encontro acabou não acontecendo. O que, em certa medida, também... Não sei se foi tão ruim, entendeu? Porque ficaria uma coisa estranha o Lula apertando a mão do Trump. Trump interferindo na eleição do Brasil, né?

Que imagem que você passa, né? Agora, um outro ponto bem grave dessa Assembleia Geral da ONU foi esse encontro do Escudo das Américas, que é um grupo de 15 países que o Trump reuniu em março desse ano na Flórida. 15 países de governos de direita e extrema-direita. O Brasil não foi convidado, o México não foi convidado para esse encontro, a Colômbia não foi convidada porque ainda era governo Petro. E naquela ocasião formou-se ali uma certa aliança em relação ao tema da segurança pública, que é o tema que o Trump tá usando como cortina de fumaça pra justificar a interferência que ele tá fazendo nos países da América Latina.

Vocês vão se lembrar, isso já aconteceu com o México, que aconteceu com a Colômbia, que aconteceu com a Venezuela. Antes da invasão da Venezuela pra retirada do Maduro, o Trump atacou várias embarcações venezuelanas, dizendo se tratar de embarcações do tráfico.

FDFernando de Barros e Silva

É, ele explodia os barcos, né? Explodia as pessoas e não sabia quem morreu, etc. Era uma coisa...

CRCelso Rocha de Barros

Não sabia nem se os caras eram traficantes mesmo.

ACAna Clara Costa

Exato. Não, não se sabia nada. E em outro aspecto, ele enquadrou o Gustavo Petro e a família dele numa lista do Tesouro americano de pessoas que colaboravam com organizações criminosas. Não era a lista da Magnitsky, mas era um equivalente, né, que fazia com que a pessoa que tivesse nela pudesse sofrer sanções. Então esse tema tem sido o tema que ele tem usado pra justificar todo tipo de ingerência que tá acontecendo. O Brasil não tinha sido convidado pra essa reunião e o Marco Rubio é o grande articulador, claro, desse grupo.

Embora todos esses países ou são irrelevantes no sentido da política externa, né, da geopolítica, ou são totalmente alinhados aos Estados Unidos, pra eles a ONU tanto faz como tanto fez. Português, né, não é importante. Mas eles acharam que seria importante fazer uma reunião do Escudo das Américas durante a ONU, que é um paradoxo, né, porque já que eles não consideram a ONU, mas porque teria mais visibilidade. E aí o curioso é que nesse encontro do Escudo das Américas, esses outros países decidem assinar um tratado em que eles reconhecem também o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

E de novo, pra essa reunião de agora que aconteceu na ONU, o Brasil também não foi convidado. O Brasil jamais foi convidado a fazer parte desse grupo. Nessa reunião do Escudo das Américas, não só o PCC e o Comando Vermelho entraram na lista de organizações. Na verdade, o que aconteceu foi que todos os países que fazem parte desse grupo, que são 14 mais os Estados Unidos, aderiram à concepção que os Estados Unidos têm de narcoterrorismo, que é um conceito que o Brasil não aceita.

O Brasil, diplomaticamente, não aceita essa denominação. Então, ainda que o Brasil fosse convidado pra isso, dificilmente ele assinaria esse tratado por não concordar nem mesmo com a concepção do que seria narcoterrorismo. Então, é uma estratégia do Trump de isolamento do Brasil, do México, né, de Cuba. Cuba também, claro, não foi convidada pra nenhum desses eventos. E de pressão indireta ali sobre o país. Claramente, essa estratégia tem um viés mais militar do que diplomático.

FDFernando de Barros e Silva

Sim.

ACAna Clara Costa

É uma coisa anterior à estratégia da dissuasão, por exemplo, né? Você vai pressionando psicologicamente o país, né? Antes de fazer qualquer tentativa, de fato, de deslocar um porta-aviões, como ele fez na Venezuela, né? Então assim, você vai criando um clima de tensão pra aquele governo que não faz parte do seu grupo, né? E nos Estados Unidos, os cientistas políticos que estavam observando essa formação do Escudo das Américas, que eu confesso, pra mim tinha passado totalmente batido, eu nem me lembrava que essa reunião tinha acontecido em março. Assim, nem demos importância a isso no Brasil.

FDFernando de Barros e Silva

Passou fora do radar mesmo.

ACAna Clara Costa

Foi. Totalmente. Creio que o próprio governo brasileiro também não deu muita importância pra isso. Mas nos Estados Unidos, os cientistas políticos observaram esse movimento lá atrás. De você querer trazer pra junto de você aquele grupo de países, que foi o que aconteceu ali nos anos 60, numa estratégia da Guerra Fria, né, contra a União Soviética. Então, que isso seria uma espécie de espelho daquela estratégia dos anos 60, mas dessa vez contra a China.

E curiosamente, o Xi Jinping está nos Estados Unidos enquanto gravamos. Por quê? Porque ele foi fazer uma visita de Estado, a primeira visita de Estado dele pro Trump. E a primeira visita de Estado do Xi Jinping dos Estados Unidos em mais de 10 anos. Olha, e o Trump fugiu do protocolo e foi receber o Xi Jinping na descida do avião, na base aérea, com tapete vermelho. Isso não acontece, é totalmente fora do protocolo. Presidente americano não faz isso.

E ele teve essa demonstração de deferência ao Xi Jinping, que vai um pouco na linha de algo que a gente já falou aqui outras vezes, que é essa admiração que ele tem pelos autocratas, né? Ele diz que a China é o grande rival dos Estados Unidos na geopolítica e tal, mas presta à China uma deferência que ele não presta a nenhum outro país, quase que se sentindo importante por estar no mesmo patamar que o Xi, né? Por achar que está, né? Não sei.

FDFernando de Barros e Silva

É, o Xi Jinping governa mais ou menos 1 bilhão de pessoas a mais do que o Trump, não é isso? A China são 7 Brasis, mais ou menos, é isso?

?Voz D

Caralho.

ACAna Clara Costa

E o resultado dessa investida, a gente já vê algumas consequências pra gente agora. Que foi uma ação que o PT protocolou no Supremo, pedindo que o Flávio Dino que relatasse, inclusive. Denunciando a chapa do Flávio Bolsonaro por estimular a interferência americana no pleito no Brasil. E pede, inclusive, a cassação da chapa e a inelegibilidade do Flávio, né. Há questionamentos sobre esse assunto ser um assunto do Supremo ou do TSE, né?

Talvez vocês se lembrem, quando teve a Magnitsky, o Dino usou uma ação que tava correndo sobre mineração no Supremo pra falar do princípio de extraterritorialidade. Ou seja, que decisões do governo americano sobre brasileiros no território brasileiro não valiam, né? O que quer que o governo americano determinasse sobre um cidadão brasileiro fora do território que compete ao governo americano não teria valor legal no Brasil, que foi um entendimento que ele teve na época da Magnitsky sobre o Alexandre de Moraes.

E aí, por esse histórico do Dino, o PT pediu que ele relatasse essa ação. Até acho que a gente vai falar mais disso no terceiro bloco, mas já antecipando um pouco aqui, é claro que a intenção do PT não é a cassação da chapa ou a inelegibilidade do Flávio. A não ser que eles façam uma loucura total, né? Mas é trazer a discussão ali para o campo do Supremo, né? Onde hoje há uma maioria anti, digamos, intervenção americana, né? A gente pode dizer que talvez o Fux, o André Mendonça—

CRCelso Rocha de Barros

pelo menos isso, né? Pelo menos o Supremo não tem ainda uma maioria a favor.

ACAna Clara Costa

Exato, exato. Porque é duro o jogo ali, né? Então dá para a gente dizer que Fuxa, André Mendonça, talvez o Cássio, a depender da situação, talvez entrassem ali numa votação pró-Estados Unidos, né? Mas a princípio, a maioria do Supremo é contra. Então trazer essa discussão numa plataforma majoritariamente crítica, né, ao que tá acontecendo. E os bolsonaristas estão olhando para isso e falando que é golpe. Mas aí depois a gente discute esse assunto no terceiro bloco.

FDFernando de Barros e Silva

Disso eles entendem.

ACAna Clara Costa

Disso eles entendem.

CRCelso Rocha de Barros

Isso eles entendem.

FDFernando de Barros e Silva

A gente encerra então o primeiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar justamente de Supremo. Já voltamos.

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FDFernando de Barros e Silva

Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. Podemos começar pelo noticiário envolvendo a turma do KN, a turma do Cássio com K, turma do Cássio com K. Esse contrato aí de R$427 milhões, se eu não me engano, inflacionou o mercado da corrupção.

ACAna Clara Costa

A gente achava que R$139 era o teto, né?

CRCelso Rocha de Barros

Hoje falando assim, como assim, para ele você pagou Qual que é a questão central aqui?

ACAna Clara Costa

Quando o Master começa a tratar com precatórios é quando ele já tava sem nada, entendeu? Ele já não conseguia capital formal, ele já não tava conseguindo mais emitir os CDBs no ritmo que ele emitia antes, o Banco Central tava enchendo a paciência do Voo Caro, ele não tava conseguindo dinheiro de nenhuma outra forma.

FDFernando de Barros e Silva

Quando ele recorre aos precatórios, então, ele já tá em rota de fuga.

ACAna Clara Costa

Ele não precisava do dinheiro do precatório, ele queria, na verdade, dar o precatório como garantia de capital do banco. Pra ele poder emitir CDB, ele precisava de capital, ele não podia emitir o CDB sem lastro. E ele passou a usar os precatórios como lastro pra continuar emitindo CDB. E o Banco Central rapidamente, ainda na época do Roberto Campos Neto, viu isso e mudou a regra interna para que eles não conseguissem mais colocar os precatórios como garantia.

Só que o mercado de precatório é um mercado muito consolidado, que já era muito dominado pelo BTG Pactual. Então o que que o Forcaro começa a fazer? Ele começa a trabalhar com pré-precatório. O que que é precatório, né? Começa por aí. É uma dívida que governos estaduais, municipais ou governo federal têm com pessoas, empresas, etc., e que chegam ao ponto de transitar em julgado. E aí o precatório é o pagamento que a União, no caso, ou Estado ou Município tem que fazer para esse indivíduo.

FDFernando de Barros e Silva

São dívidas das quais não se pode mais recorrer, né?

ACAna Clara Costa

Exato, dívidas transitadas em julgado e dívidas assim tributárias de lá atrás, né? Enfim. São dívidas mil, assim, pode ser por qualquer razão. Quando você tem uma dívida da União, um precatório da União, é um precatório que é bem valioso, porque a União tem dinheiro pra pagar. No caso de estados e municípios, São Paulo, por exemplo, é um precatório valioso. Talvez o precatório do Rio de Janeiro, de Minas, precatório de Guarulhos, de, enfim, né, Macaé, talvez não seja tão valioso assim.

Então, depende muito do lugar, mas o precatório da União é um precatório que vale bastante. Só que é um mercado consolidado. E aí, muita gente picareta começa a tentar negociar, vender no mercado pré-precatório. Que são títulos que ainda não tiveram decisão de trânsito em julgado. Ou então, que tiveram decisão de trânsito em julgado, mas ainda existe um debate sobre qual é o percentual de juros, de multa e tal. Então ainda tem espaço pra contestação e pra briga judicial.

CRCelso Rocha de Barros

Pra periferia, né.

ACAna Clara Costa

Exato. Mesmo transitado em julgado. E aí é nessa minúcia que o Daniel Vorcaro trabalhava, nesses pré-precatórios ou precatórios ainda com debate sobre alíquota. Era ali que ele tava jogando. Então, pra ele era muito importante, no caso de um precatório que tava correndo no Supremo, que um ministro do Supremo votasse de forma favorável à empresa pra que a União pagasse, de fato, o que ele queria pros precatórios. E onde que ele sacaneava com isso?

Ele colocava no balanço do banco que um precatório X valia R$3 bilhões e na verdade valia R$300 milhões, entendeu? Então, quando o Ministro Cássio é procurado pra conversar sobre um determinado voto relacionado a um precatório, ainda mais quando os honorários são tão vultosos assim, é porque você quer que um precatório tenha uma solução jurídica favorável a você, né? E nesse momento era tudo que ele precisava. Então, o Cássio teve toda essa história da turma do KN.

E teve também o Toffoli, na reportagem que o Breno Pires publicou na Piauí. Que também tinha uma questão em relação ao voto dele, de um precatório de uma destilaria. E que o Vôrcaro tava com medo que ele mudasse o voto dele e prejudicasse a votação, né. E isso ele discute por mensagem com o Fábio Faria, com o diretor jurídico. Então, esse era um assunto... Muito importante para ele, e há precatórios que tramitam no Supremo. Então, Ocácio Nunes Marques, ministro do Supremo, foram reveladas mensagens que aludem a pagamentos feitos ao filho dele, Kevin.

Nesse caso, lembrando que é um recém-formado, um advogado recém-formado e muito bem-sucedido. Outras ramificações dessa influência no Judiciário acabaram aparecendo, né, desembargadores envolvidos, né. A filha de um desembargador que trabalhou nesse caso fez uma festa de aniversário de 15 anos com um show do Wesley Safadão, né, esse cantor muito popular que tem um cachê de milhões. Então assim, era um nível de rentabilidade ali pra quem trabalhava nesse campo que era impressionante.

É curioso, e eu quero retomar um assunto da semana passada pra falar disso, que essas coisas estejam aparecendo agora, né. Porque essas mensagens estão no celular dele desde que ele foi apreendido no ano passado. São vários celulares que foram apreendidos. E só agora, a partir do momento que o André Mendonça expôs o Alexandre de Moraes, isso desencadeou uma contra-ofensiva. Exato. Se antes a situação era vamos nos proteger todos nós, agora é cada um por si e caos total, né?

Tanto que há especulações sobre o Rodrigo Fux, filho do Fux, E o próprio André Mendonça, com o seu instituto, que nasceu graças a investimentos de empresas com interesses inclusive em precatórios, né? E aí, falando do André Mendonça, um dos empresários que viabilizou a fundação do instituto dele, do ITER, foi o Lucas Callas, segundo uma reportagem do UOL feita pelo César Feitosa, o Fábio Serapião e a Marcela Matos. Lucas Callas hoje é rompido com Daniel Vorcaro, mas em abril de 2024, quando ele fechou um contrato com o Instituto do André Mendonça, ele era talvez o principal aliado do Daniel Vorcaro.

Então você tem uma gama de empresários que orbitavam em torno do Daniel Vorcaro como laranjas dele. Você tem gestoras de investimento, esse empresário mineiro, por exemplo, fazia muito esse papel de laranja do Daniel Vorcaro pra mandar dinheiro pra fora. E o Lucas Callas era um desses empresários. É um empresário, de fato, de Minas Gerais, que tem empresas, que atua sobretudo na mineração. Mas que também era visto no mercado como alguém que operava em nome do Daniel Vorcaro.

E justamente foi o Lucas Callas que fez esse aporte que o UOL revelou, de R$5,2 milhões. No Instituto do André Mendonça. E depois também se soube que o André Mendonça voou em jatinho do Lucas Callas e tal. Então é muito difícil a gente imaginar que um ministro do Supremo possa ter um negócio em que ele precise de investimento milionário de pessoas com interesses em ações no Supremo, né? Que foi o que aconteceu aqui. Ele pode ter se inspirado pra criar esse instituto em outros ministros do Supremo que fazem a mesma coisa, né?

É possível, exato. Mas o fato é que você tá se colocando numa situação de conflito máximo de interesses, né? Com um dos principais aliados naquela época do Daniel Vorcaro, que é o centro das investigações hoje. Falando em André Mendonça, também como efeito do que aconteceu na semana passada, O caso Master e o caso do INSS estão sem relator. Então qualquer advogado que quer peticionar qualquer coisa sobre seus clientes nesses casos não sabe para quem peticionar porque não tem relator.

O Fachin também não definiu que ele é o próprio relator. A situação assim é meio de caos total, né? Continuamos sem saber se o Alexandre de Moraes vai ser investigado porque o Dino pediu vista na semana passada sobre a questão de ordem que trataria do rito, né? Se eles seriam investigados todos juntos ou cada caso separado. E como a questão de ordem ensejou esse pedido de vista, o mérito não foi julgado, né? E não sabemos quando será.

Setores da esquerda estão divergindo quanto a isso? Porque particularmente o núcleo próximo do Lula, o governo Lula, gostaria que a questão tivesse sido resolvida na semana passada pra ser uma questão ultrapassada já, né? Pra morrer. E morrer a questão, não tô falando pra ser engavetada, não é isso. Mas que eles tivessem... Morrer eleitoralmente, né?

FDFernando de Barros e Silva

Dá um encaminhamento, né?

ACAna Clara Costa

Exato, porque eles tivessem definido o rito, definido se haveria sindicância, definido quando seria a sessão pra avaliar o mérito, pra não ficar essa coisa com um sentimento na população de que isso vai ser esquecido, né? E que é esse sentimento na população que eles julgam que pode ser prejudicial pra eles.

FDFernando de Barros e Silva

É de que eles estão enrolando para proteger o Alexandre de Moraes, né? É isso, para acobertar a bandidagem. É essa a sensação.

ACAna Clara Costa

Exato. E para se defender disso, o governo destacou o Marco Aurélio de Carvalho, do Prerrogativas, que falou publicamente em entrevistas nesses últimos dias que o Alexandre de Moraes nunca foi de esquerda, sempre inclusive foi antipetista, foi indicado pelo Temer. Quando votou em relação às ações do Lula, sempre votou contra o Lula. E que ele não entende por que que a esquerda, do nada, resolveu defender o Alexandre de Moraes e conectá-lo a um viés ideológico que ele nunca teve.

Isso, palavras do Marco Aurélio, que é aliado de primeira ordem do Lula. E aí ele fala uma frase, ele fala assim: o Alexandre de Moraes fez o que ele tinha que fazer no inquérito do golpe, ele teve coragem, ele teve uma postura que era condizente com o papel dele de ministro. Mas isso não dá à esquerda a liberdade de achar que ele pode fazer qualquer coisa. Então você tem uma divergência acontecendo ali no próprio campo progressista em relação ao papel do Alexandre de Moraes.

E essa divergência foi explícita nesses últimos dias, segundo o UOL, uma reportagem da Marcela Matos, por uma briga entre o Messias e o André Rodrigues. André Rodrigues representando essa ala Alexandre de Moraes e o Jorge Messias reclamando que tava sendo monitorado pela PF só porque em dado momento ele teve uma conexão com André Mendonça. Então essa divergência do campo progressista se projetou nessas duas figuras que acabaram brigando na frente do Lula nos últimos dias, segundo a reportagem do UOL.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem, Celso, eu quero te ouvir sobre a turma do KN também.

CRCelso Rocha de Barros

Então, Fernando, agora o Cássio Nunes está no centro do caso master. Ele antes estava naquela fronteira ali do PowerPoint, sabe? Assim, o filho dele recebeu dinheiro, mas ninguém sabe bem se é, não é.

FDFernando de Barros e Silva

Esse menino era talentoso mesmo, né? Um gênio da advocacia.

CRCelso Rocha de Barros

Exato. Vai que ele era bom, né? Assim, trabalha enquanto a gente dorme, né? Exatamente. O que é possível, que eu tenho insônia, entendeu? Então Agora não. Agora ele tá mais ou menos na mesma situação do Toffoli, que tinha uma suspeita de dinheiro, que era o negócio do Itaiaia, aquelas coisas novas que a matéria da Ana, do Breno e do João mostraram. E o Toffoli tinha também atuação concreta a favor do Márcio, que foi aquela tentativa de melar o trabalho do Banco Central, que ele e o Jônatas de Jesus do TCU fizeram no começo do ano.

Agora o Cássio Nunes tá na mesma, porque a gente tem esse contrato aí que, pelo amor de Deus, hein, gente, 400 e tantos milhões É bastante milhão?

ACAna Clara Costa

Nem sei quantos dígitos.

CRCelso Rocha de Barros

É coisa é, parece muito, né?

ACAna Clara Costa

Quantos dígitos?

CRCelso Rocha de Barros

Olhando daqui a gente só consegue falar parece muito, né?

FDFernando de Barros e Silva

Isso é prêmio de loteria, né? Uma coisa... Exato.

CRCelso Rocha de Barros

Daquelas loterias de final de ano, assim, aquela Mega-Sena do Réveillon. Da virada.

FDFernando de Barros e Silva

Cassião da virada.

CRCelso Rocha de Barros

Vamos lá. É, essa Mega-Sena da virada o Cássio Nunes ia ganhar por decidir a favor do Voo Caro nesse caso dos precatórios. E ele decidiu. Então ele tá na mesma escala que o Toffoli no momento. Tem uma Uma grana suspeita e uma decisão suspeita. Obviamente, tudo isso tem que ser investigado, provado, assim, todo mundo é inocente até que se prove o contrário, etc. Mas, enfim, ficou bem ruim pro Cássio Nunes. O Cássio Nunes pulou vários degraus no organograma do Caso Master.

E o que é que são esses precatórios? Isso aí é uma sacanagem típica de mercado financeiro. Você tem umas moedas podres circulando pelo mercado que são vendidas por, sei lá, 2% do valor de face, enfim. Que é um negócio assim, por exemplo, dívida de banco que faliu. Cara, a chance de você ganhar isso um dia é remota. Então você tem lá um título dizendo: esse banco que faliu te deve R$1 bilhão. Você for vender isso aí, você vai vender por R$0,50, entendeu?

Assim, ninguém vai pagar esse negócio. Então uma operação possível é você comprar um negócio desses que não vale nada e depois comprar um juiz que diga que vale. Por exemplo, o juiz chega e fala: não, esse banco realmente faliu, mas o FGC deveria pagar você, sei lá, ou a União deveria pagar você, sei lá, o patrimônio da família do dono do banco deveria pagar você.

ACAna Clara Costa

É essencialmente público, né? O patrimônio de ninguém.

FDFernando de Barros e Silva

Estratégia Chico Raiz: tem um Corsel 75 para você, vou fazer por 75 mil, não é isso?

CRCelso Rocha de Barros

Pois é. Então, se você pega um troço que não vale nada e paga um juiz para dizer que vale. E aí vale a pena você pagar caro para o juiz? Porque esses R$400 milhões para o Cássio Nunes, caso tenha sido dinheiro para ele tomar essa decisão, a decisão gerou incomparavelmente mais dinheiro para o Cássio, porque aí ele tem uns papéis que ele comprou por zero e que agora passaram a valer uma fortuna. Então é, o procedimento é esse: você pega um negócio qualquer daqueles processos que, pô, esse processo dos anos 80, cara, entendeu?

É da época que tinha controle de preços sobre álcool. Aquelas coisas todas, o Brasil tentando investir em autonomia energética, aquela coisa de Proálcool, aquelas coisas. E aí você pega um negócio desse que essa altura do campeonato, se você chegar no mercado pra vender, ninguém vai comprar. Mas você paga um juiz pra dizer, olha, cheguei à conclusão que esse negócio aqui vale o que tá escrito nele. E pronto, você joga isso no seu balanço, você tava no vermelho e passou pro azul.

ACAna Clara Costa

É, ou então você coloca dentro de um fundo e vende esse fundo.

CRCelso Rocha de Barros

É, ou então você dilui ele no meio de um negócio lá e e para saber o que que é aquilo e o que que é dinheiro de verdade vai ficando cada vez mais difícil. E aí, enfim, você infla o seu balanço. Por isso que a Ana disse que eles começaram a correr para isso quando já estavam mal das pernas. Isso é uma operação típica do cara mal das pernas. O cara vai e tenta inflar o balanço, ou compra, sei lá, um terreno, uma coisa assim. E aí você diz que aquele troço ali não, porque tem informações que vai ter uma estrada aqui, vai ter um negócio.

Então ele na verdade não vale esses R$50 mil que eu paguei aqui, ele vale R$50 milhões. E aí você bota no seu balanço R$50 milhões, pronto, foi para o Azul. Você mostra suas contas lá para os acionistas, pântano dos precatórios. Exato. Então assim, a mutreta é clássica para quem acompanha mutreta de mercado financeiro. Isso aqui acende todos os alertas, né? E é muito ruim o Cássio Nunes tá metido nesse negócio. Então assim, mais uma vez a gente vai vendo que essa briga aí no Supremo não é entre bonzinhos e mauzinhos, né, cara?

Em tese, o Cássio Nunes, todo mundo esperava que votasse a favor do Mendonça, né, se ele votasse. E o Cássio Nunes tá nessa. Então assim, vai vendo que é um negócio bem mais complicado e bem mais feio, né, do que a gente tava esperando.

FDFernando de Barros e Silva

Bom, com a agravante de que o Cássio Nunes é o presidente do TSE.

CRCelso Rocha de Barros

É o presidente do TSE, é o cara que tá cuidando da eleição esse ano. Agora, eu queria chamar atenção pra uma coisa. Tem gente dizendo o seguinte, olha só: obviamente esse negócio do Cássio Nunes é horrível, mas os caras do Xandão tão usando isso pra desviar a atenção do desvio do Xandão. É perfeitamente possível, como aliás o pessoal do Flávio usa o escândalo do Xandão pra desviar a atenção do escândalo do Flávio. O jogo é esse.

A questão relevante aqui é se a acusação é verdadeira, tanto no caso do Xandão quanto no caso do Cássio. Então assim, se os dois estiverem se metidos numa treta mesmo, os dois têm que ser afastados e presos. O fato dessa acusação ter sido gerada pra desviar a atenção da do Xandão não quer dizer absolutamente que ela é falsa. Então ela tem que ser tratada com a mesma atenção, o mesmo espaço de mídia, a mesma indignação que o caso do Xandão.

FDFernando de Barros e Silva

Teria, né?

CRCelso Rocha de Barros

É, deveria, né? Não vai, né?

ACAna Clara Costa

Mas enfim, é que o problema para o bolsonarismo não é o Alexandre de Moraes ter fechado o contrato com o Vercaro, é ter prendido Bolsonaro. Então assim, aparentemente para eles a questão da corrupção no Judiciário não importa tanto, entendeu? Ainda mais quando o ministro é o deles, né?

FDFernando de Barros e Silva

A essa altura eu fico pensando que efeito isso tem sobre o comportamento do eleitor, né? Talvez tem uma sensação de saturação, de que tá tudo dominado por corrupção. As histórias se confundem porque até para gente é difícil acompanhar.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

FDFernando de Barros e Silva

É, a gente fica o dia inteiro tentando entender todas as coisas e descobrir coisas, etc. É um emaranhado de denúncias, como na Lava Jato, um pouco, né? O que resulta disso é um ruído para o eleitor.

CRCelso Rocha de Barros

Exato.

FDFernando de Barros e Silva

Nada disso presta tal. E daí ele tende a confirmar o viés que ele já tinha, a intenção que ele já tinha de voto, e esse voto Tá, digamos assim, influenciado ou motivado por um sentimento de repulsa pelos do poder. E vai acontecer, se acontecer a tragédia que a gente espera que não aconteça, é o que o Celso falou. Os bandidos serão beneficiados, premiados pela bandidagem.

CRCelso Rocha de Barros

Eles vão ganhar a eleição por terem quebrado um banco.

FDFernando de Barros e Silva

Por terem quebrado um banco e enchido as...

ACAna Clara Costa

Os cofrinhos.

CRCelso Rocha de Barros

Exato. Enchido os cofrinhos com dinheiro de aposentado, com dinheiro dos contribuintes de Brasília.

FDFernando de Barros e Silva

As burras de dinheiro.

CRCelso Rocha de Barros

De um monte de gente.

FDFernando de Barros e Silva

É isso. Bom, a gente encerra então o segundo bloco do programa. Na volta, a gente fala sobre as pesquisas eleitorais e sobre as denúncias mais recentes envolvendo Flávio Bolsonaro.

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FDFernando de Barros e Silva

Muito bem, estamos de volta. Celso, vou começar com você. Ficamos sabendo recentemente pela matéria da Piauí que o Robson Calixto Fonseca, o Peixe, que chama Flávio Bolsonaro de o nosso senador, negociou com assessora dele uma emenda no valor de R$200 mil para uma ONG. Flávio Bolsonaro fotografado ao lado do finado sicário, condecorou o finado Adriano da Nóbrega, que morreu em circunstâncias até hoje não esclarecidas.

CRCelso Rocha de Barros

O amigão do Vôrcaro, amigo de Fabrício Queiroz, empregava a mãe e a irmã do Adriano da Nóbrega no gabinete dele.

FDFernando de Barros e Silva

Vamos falar sobre esse personagem que o Peixe chama de o nosso senador.

CRCelso Rocha de Barros

Se ainda é surpresa para você que Flávio Bolsonaro tem ligação com milícia do Rio de Janeiro, Você precisa ouvir uns episódios anteriores aqui do Foro de Teresina, ou aliás ler qualquer jornal, né, cara? Enfim, isso é o segredo mais mal guardado da política brasileira. Quando você vê essas coisas assim, o Flávio, não, agora pedir para o Trump classificar como terrorista os caras aqui, as milícias não entraram como terrorista, né?

A Casa Branca é capaz de reconhecer como força de paz da ONU as milícias do Rio de Janeiro. Mas enfim, nessa última rodada de provas de amor do Flávio para as milícias cariocas. Ele mandou uma emenda parlamentar de R$200 mil para um projeto em área de milícia, a pedido de um dos homens presos por envolvimento no assassinato da Marielle. Então, o glorioso Robson Calixto Fonseca, o Peixe, era um cara ligado ao Brazão, que é o cara condenado pelo assassinato da Marielle.

FDFernando de Barros e Silva

O mandante.

CRCelso Rocha de Barros

É o mandante do assassinato da Marielle. E ele pediu para o senador dele, né, ele disse, nosso senador, esse dinheiro para ser gasto em uma obra social. E aí o Flávio mandou o dinheiro, e agora quando pegaram, olha só, Flávio, você mandou dinheiro aqui para o miliciano? Ele falou, não, cara, mandei para uma ONG lá, entendeu, que era negócio de futebol infantil. Então assim, mandei lá, queria ver as crianças jogar bola, entendeu?

Sou um cara legal, gosto de criança jogando bola e tal. E se os caras fizeram alguma picaretagem, aí é questão deles lá, vocês têm que perguntar para eles. Pois é, não, Primeiro lugar, porque assim, se eu sei que o peixe era do Brazão e o Brazão era ligado às milícias, não é possível que o Flávio não soubesse. Até porque ele não só tem muito mais informação sobre política como tem muito mais informação sobre milícia do que eu.

Em segundo lugar, o Tribunal de Contas, o TCU, já foi atrás dessa ONG, de como que esses recursos foram gastos, e viu que era tudo picaretagem, entendeu? Então, por exemplo, O contrato de coordenação do projeto esportivo lá, que era para as crianças jogarem futebol, era firmado com o escritório de advocacia do José Rômulo Oliveira Alves, que era o presidente da ONG. Então assim, a ONG contratou o seu presidente para cuidar do negócio.

O cara operava dos dois lados, né, como presidente da ONG e como advogado que foi contratado pela ONG. Ou seja, esse dinheiro basicamente foi desviado por esse cara, entendeu? Ao que tudo indica aqui pela conclusão do TCU. A outra coisa assim, não teve concorrência, os preços são suspeitos, e é bastante claro que isso aqui é dinheiro desviado. Nenhuma criança que ganhou uma bola que seja para jogar ali na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Isso foi um dinheiro que saiu do orçamento da União, que poderia ter sido gasto, por exemplo, um equipamento para o SUS. Sabe você que tá na fila do SUS esperando um exame e o exame demora para ser marcado porque não tem uma máquina lá para fazer o exame? Então Talvez ela pudesse ser comprada com esses R$200 mil que o Flávio Bolsonaro deu para uns milicianos embolsarem. Então, basicamente, uma transferência de renda da União para os milicianos por intermédio de Flávio Bolsonaro.

Então vai ficando cada vez mais claro que, assim, se você ainda não percebeu que Flávio Bolsonaro é um picareta, eu não vejo um Nobel no seu futuro, filho, entendeu? Assim, então a sua situação Tá difícil. E a gente vai percebendo que o Flávio Bolsonaro, no fundo, não é exatamente candidato a presidente. Ele é laranja de uma chapa cujo candidato a presidente é o Marco Rubio, e que a vice-presidência tá em disputa entre o Daniel Vorkaro do Banco Master e as milícias do Rio de Janeiro.

E se ele ganhar, são essas pessoas que vão administrar o Brasil. Isso aí é essa aliança entre Marco Rubio, milícia do Rio de Janeiro e a bancada Master.

FDFernando de Barros e Silva

Exatamente.

CRCelso Rocha de Barros

Enquanto isso, o Datafolha mostrou que a maioria das pessoas acha que a esquerda tem mais gente envolvida com máfia do que a direita. E olha só, você pode ser de esquerda, pode ser de direita, assim, todo direito, são as duas metades de uma democracia moderna, entendeu? Nada contra. Agora, objetivamente falando, se você fizer a contabilidade dos envolvidos, é muito mais gente de direita, como eu já enchi o saco de todo mundo falando ao longo desse ano inteiro.

Então Se você é dono de um jornal, de um canal de televisão, alguma coisa, e você vê que as pessoas estão com a opinião sobre um grande escândalo de corrupção que é o exato inverso dos fatos, qual deve ser o nosso julgamento sobre o seu trabalho de informar? O quanto você foi competente em entregar o produto que você diz que vende? Eu acho que é um troço que exige uma reflexão aqui, entendeu? E é claro que enquanto isso a gente tem todos os profissionais de desinformação levando água pra esse moinho de jogar a culpa na esquerda, de associar o Alexandre de Moraes à esquerda, de fazer esse troço.

Por exemplo, entre os profissionais de desinformação que se destacam nesse trabalho está o ex-jornalista Glenn Greenwald, que já foi um jornalista de muito prestígio, que fez reportagens muito boas, ganhou prêmio Pulitzer e tudo. Mas hoje ele é só a vingança americana pelo Jorge Santos. Vocês sabem aquele picareta aqui de Niterói que a gente mandou para os Estados Unidos, ele virou deputado lá, enganou todo mundo? O Glenn Greenwald é a vingança dos americanos. Eles mandaram um picareta deles para cá para, entendeu, enganar todo mundo.

ACAna Clara Costa

Felizmente ele ainda não tem cargo.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente. Mas dá um tempo, quem sabe ele não ganha um porta-voz aí, se o Flávio ganhar a presidência. Mas o Glenn Greenwald é um cara que tá dizendo, não só aqui como lá fora, que esse escândalo é basicamente sobre o principal aliado de Lula, Alexandre de Moraes. Greenwald, você mora no Brasil, você sabe que você tá mentindo, entendeu? Você tá sendo sem-vergonha. Você precisa criar vergonha na cara, Greenwald, porque você lê jornal aqui, entendeu?

Você sabe português, você sabe que isso é tudo mentira. Por outro lado, essas últimas pesquisas não variaram nada fora da margem de erro, praticamente. O Lula teve uma pequena melhora Mas se você olhar os quesitos mais desagregados, eu acho que tem algumas boas notícias pro Lula. Assim, você já tem em alguns lugares uma queda do quanto as pessoas dizem que a situação do STF vai ser decisiva pro seu voto. Já tem gente dizendo que quando a pergunta não é esquerda ou direita, quando a pergunta é Flávio ou Lula, já tem mais gente dizendo Flávio é mais enrolado que o Lula.

Em alguns grupos demográficos em que o Lula tinha perdido espaço, ele já começou a avançar de novo, de modo que assim parece ter começado um movimento de recuperação do Lula. Mas a eleição é tão apertada que os movimentos todos acontecem dentro da margem, né? Assim, e arriscadíssimo comentar eles inclusive, porque você não tem base estatística para dizer isso. Como você disse no final do último bloco, conforme a população vai ficando com a impressão de que, bom, o Supremo é um bando de sem-vergonha dos dois lados lá brigando entre eles, Uma coisa pode acontecer, o que você disse, elas podem interpretar isso segundo seu viés prévio e votar como já iam votar de qualquer jeito.

Mas uma outra coisa, as pessoas podem usar outro critério para decidir seu voto. Então esses esforços todos que o Lula tá fazendo para apresentar medidas de governo agora, como o aumento do Bolsa Família, a provável proibição de bets, né, que deve vir aí, a gente não sabe em que extensão vai ser proibido, mas parece que tá vindo aí esse pacote, e várias outras medidas nesse sentido, parece ser um pouco focada nisso também, assim, Para pegar esse eleitor que tava acompanhando isso, chegou à conclusão que, cara, isso aí é uma zona.

Eu posso estar indignado com isso, mas não tem um veículo óbvio para minha indignação entre os candidatos.

ACAna Clara Costa

O Lula tá usando as armas de emergência, né? Que bets são ruins, ele sabe faz muito tempo.

CRCelso Rocha de Barros

Sem dúvida nenhuma.

ACAna Clara Costa

O Haddad na época queria muito a tributação das bets, que queria esse dinheiro para o superávit. Então assim, não é que o Lula descobriu as bets hoje, né? Mas assim, eles claramente estão apertando o botão do, da emergência.

?Voz D

É isso mesmo.

ACAna Clara Costa

Convergência.

CRCelso Rocha de Barros

Então jogando com tudo que eles têm ali. Mas eu acho também é uma estratégia de tentar assim, olha só, esse, esse debate sobre o STF que ocupou a gente durante tanto tempo não tá com um cara que vai ter uma conclusão até a eleição. A população não tá percebendo claramente um veículo óbvio para combater isso, entendeu? Assim que eles associam o Alexandre de Moraes ao Lula e o Flávio é enrolado no mesmo escândalo. Então talvez eles decidam o voto por outro motivo, né?

FDFernando de Barros e Silva

Para abrir um parênteses aqui a respeito das bets, me parece uma medida muito positiva, porque esse negócio é uma tragédia social. E dá emprego para quem? Para o Galvão Bueno? Para o Ronaldo Fenômeno? Dá emprego para meia dúzia de gente, fica para Virgínia.

ACAna Clara Costa

Exato.

FDFernando de Barros e Silva

As pessoas ganham dinheiro com isso, vão pastar, né? Com certeza não dá emprego para ninguém.

ACAna Clara Costa

Concentra tanta renda que o assessor do Whindersson se transformou do dia para noite nos maiores empresários do Brasil a bordo de um Gulfstream pelo mundo. E 5 anos o cara— então assim, é altamente concentrador de renda.

FDFernando de Barros e Silva

As emissoras que se virem, né? E o Galvão Bueno que vá fazer propaganda de uma coisa menos indecente. Eu acho socialmente muito importante. Concordo com você, ele tá recorrendo a isso por desespero mesmo, mas ainda bem. E é claro que se o Flávio ganhar a eleição, as bets não vão acabar. É óbvio. Ana, deixa eu te ouvir sobre isso.

ACAna Clara Costa

Olha, pegando um pouco do que o Celso falou agora há pouco, a relação do Flávio com a milícia é aquela coisa dura. A gente tem que voltar a falar desse assunto depois de 4 anos, né? Puxa, falar de milícia ainda, né, a essa altura do campeonato. Mas só lembrando o ouvinte do que já era um fato consumado no passado, eles não acham um demérito, uma ofensa dizer que eles são ligados com a milícia. Eles Eles não acham que são um problema, porque a milícia não se acha errada.

Eles se acham corretos, entendeu? Então, o Flávio, você chamar ele de miliciano, de ligado à Polícia Militar de Rio das Pedras, ele considera isso quase como um ativo, não como um problema. Por isso, ele nunca fez nenhuma questão de omitir qualquer relação com a milícia, né? Com a milícia e nem com policiais que cometem crimes, né? Tanto que, como revelou o ICL em março desse ano, uma reportagem da Alice Maciel, o Flávio foi advogado de defesa do policial militar Bruno Della Rolli, que matou uma menina de 5 anos, Miyashara Ana Clara, em Niterói em 2021, durante um patrulhamento de rotina.

O crime aconteceu em 2021. Em 2024, ele entrou na defesa do policial militar apresentando um recurso no STJ pra tentar reverter uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio que queria submeter o caso à júri popular. O recurso foi negado, ou seja, ele entrou nesse caso à toa. Agora, nesse momento, não cabe mais recurso. Então tudo indica que o policial Bruno Della Rolli vai à júri popular. Então é esse nível, né, de envolvimento. É um nível de envolvimento que não tem qualquer vergonha, né?

Pelo contrário. E ele também, precisamos lembrar que ele foi um dos defensores do policial que matou a juíza Patrícia Scioli. Defensores não na corte, mas defensores públicos, né? Praticamente colocando a culpa nela pelo próprio assassinato. Então, quando você fala que ele direcionou emenda pra miliciano, pra ONG ligada a milícia, pra ele isso é quase um elogio. Pra turma que tá no entorno dele, isso não é um problema, né? Veja o tipo de tratativa que eles estão tendo com Trump em relação à segurança pública. O cara, ele pediu um navio do Trump, um porta-aviões, na Baía de Guanabara.

FDFernando de Barros e Silva

Eu falei, essa cena surreal, distópica, corre o risco de se materializar. Mas é importante você falar essas coisas porque, por mais que o sujeito se gabe disso, a gente tem que lembrar o pântano que a gente tá. O grau de barbárie em que a gente já está e tá ameaçado de entrar de maneira, em vários aspectos, irreversível, acredito eu. Eu achei que eu nunca fosse pensar isso, que existisse alguém pior do que o Bolsonaro, mas eu acho que o filho é pior que o pai, pelas circunstâncias e talvez pelas disposições subjetivas, pelas ligações que ele tem.

Não só pelas circunstâncias, porque historicamente você tem um governo Trump avançando sobre a América inteira, É muito regressivo mesmo, né?

ACAna Clara Costa

E o quadro de deterioração institucional no mundo é tamanho que a possibilidade de o Flávio se eleger no Brasil não desperta muito atenção internacional, porque o Trump deslocou, né, a discussão para um extremo tão grave que o fato de a família Bolsonaro voltar para o poder no Brasil, que era uma questão internacional em 2022, deixou de ser, né? Agora você tem um problema tão maior que isso importa muito pouco. O que nos prejudica também, porque a discussão internacional naquele momento era importante.

Tanto que a gente não pode se esquecer que o Bolsonaro foi declarado inelegível porque ele tentou passar para a comunidade internacional, para os embaixadores, o discurso de que a eleição era fraudada, de que as urnas não funcionavam, de que as urnas eram fraudadas. Então, mais um tijolinho.

FDFernando de Barros e Silva

Existe de fato essa indiferença ou anestesia, mas existe ao mesmo tempo, já que a gente tava falando de jornalista, né, Celso, e dos vendidos, a gente pode falar do lado dos jornalistas sérios e preocupados e atentos e que fazem o que tem que fazer. Tô pensando no Carlos Dada, do El Faro, site de El Salvador. Carlos Dada, que vive no exílio, esse herói, e que no Festival da Piauí ele falou isso na mesa dele, mas conversando na véspera ele falou Essa eleição de vocês, vocês sabem que não é uma eleição sobre o Brasil, uma eleição sobre o continente.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

FDFernando de Barros e Silva

Se o Brasil perder a democracia, a gente tá frito. Ele tem uma consciência muito clara do significado histórico dessa eleição.

CRCelso Rocha de Barros

Com certeza.

FDFernando de Barros e Silva

E a gente precisaria ter um pouco mais isso que o Celso falou, né? Se as pessoas acham que o escândalo do caso Master é o escândalo, mais gente acha que a esquerda está mais envolvida do que a direita, há um problema sério aí. E daí os jornalistas não podem simplesmente dizer, ah, não tenho nada a ver com isso. Há um problema sério para a gente lidar.

CRCelso Rocha de Barros

Se as pessoas entendessem que é mais o pessoal de direita e mesmo assim quiserem votar na direita, aí é autonomia delas. Aí não é questão da mídia, não é nada disso. Por exemplo, muita gente votou no PT lá em eleição logo depois do Petrolão, muito menos gente do que antes, mas tem um pessoal que falou, não, eu sei que é isso, mas eu ainda assim eu acho melhor que a alternativa. Se o cara de direita viesse agora e falasse isso, todo direito dele, entendeu? As opiniões são de cada um, mas os fatos não.

FDFernando de Barros e Silva

E eu sugiro, não sei se as mesas do Festival da Piauí estão abertas, várias mesas muito boas, mas eu sugiro especialmente essa do Carlos Dada. Foi a melhor porque ele documenta o arbítrio das forças policiais em relação à população, o terror, arbitrariedade. Você pode prender sem dar justificativa, você praticamente implode o sistema de justiça e de garantias constitucionais e legais e cria um estado de terror em nome de uma segurança, etc.

ACAna Clara Costa

Bom, uma coisa curiosa que tem acontecido entre apoiadores do Flávio e dentro do núcleo da campanha dele, tem dois movimentos acontecendo. Um deles é: eles acham que o Lula está convicto da derrota e que todos os movimentos que o Lula tá fazendo agora, inclusive o discurso na ONU, é para culpar os Estados Unidos pela própria derrota. Então que ele está, na verdade, construindo a narrativa de que caso ele perca, não será culpa dele, sim dos Estados Unidos.

E uma outra linha dessa turma é que essa ação que eu mencionei no primeiro bloco, que o PT protocolou no Supremo pedindo a cassação da chapa, e a inelegibilidade do Flávio, nos bastidores, conversando com algumas fontes, o que eles falaram é que óbvio que isso não vai ser julgado dessa forma e não vai resultar na cassação de ninguém, mas eles precisam protocolar para pautar a discussão na Suprema Corte. E fora que não é o STF o foro para se discutir a inelegibilidade de ninguém, mas eles queriam pautar e queriam pautar para um ministro que tivesse familiaridade com esse assunto, que é no caso Aldino.

Mas os bolsonaristas, o núcleo da campanha do Flávio ali, eles estão achando que, como o espelho na verdade espelha no outro que a gente é, né, de certa forma. Então eles estão achando que isso é a tese do golpe, eles acham que o Supremo vai declarar o Flávio inelegível se ele ganhar e que eles vão anular a eleição. Então você tem um núcleo da campanha do Flávio que tá tão ouriçado, enfim, que eles já estão achando que isso é o o primeiro fiapo de um golpe que o PT estaria prestes a dar.

Então ninguém lá tá falando de plano de governo, é uma dinâmica meio policialesca ali que eles vivem.

FDFernando de Barros e Silva

Plano de governo é o que você falou, é o plano Trump. É, de fato é o plano Trump, plano Bukele, né?

ACAna Clara Costa

Aí voltando agora para a campanha do Lula, tem um movimento acontecendo também que é um movimento diferente dos anteriores. Eles estão organizando um jantar com empresários que vai acontecer na noite de sexta-feira em São Paulo para tentar estreitar laços e sobretudo falar dessa questão do tarifaço dos Estados Unidos e de tudo que os Estados Unidos estão pedindo. Tanto que quem vai ser um dos anfitriões do jantar é o Márcio Elias, que é o ministro do Desenvolvimento, que tá tratando da questão do tarifaço com os Estados Unidos.

O que que o governo tá notando já tem um tempo e tá querendo usar esse jantar como uma forma de tentar mitigar isso. Eles estão notando que, embora o empresariado seja um grupo muito pequeno que não faça diferença nenhuma no voto, né, eles acabam influenciando uma população de classe média e classe média baixa que acaba evocando o discurso deles de não pode tributar rico, não pode tributar milionário. Inclusive viralizou um vídeo esses dias na internet, que a campanha do Lula acabou pegando esse vídeo, de uma mãe do Piauí explicando para o filho dela de 16 anos anos que defendia o fim da tributação dos ricos, que ele não era rico e que ela só conseguiu deixar de comer farinha com açúcar por causa do Bolsa Família.

Esse vídeo viralizou. E é um pouco isso que eles estão percebendo, que muita gente mais humilde tá evocando o discurso da elite como justificativa para votar na direita, imaginando que a vida dessas pessoas vai melhorar porque a elite disse que a vida dela vai melhorar com um governo que não queira tributar os mais ricos e tal. Então a intenção, na da campanha do Lula com esse aceno ao empresariado nesse momento tem mais uma intenção de buscar um efeito multiplicador para classe média, classe média baixa, nesse aspecto do discurso, do que de fato convencer esses caras a apertarem 13, né?

Não é isso. Mas é uma novidade, porque até então eles não estavam percebendo que esse discurso da elite tava atingindo quem não é elite. Por incrível que pareça, a gente tem no Brasil o fenômeno do pobre defendendo o rico pagar menos imposto hoje.

FDFernando de Barros e Silva

A propósito disso, da questão da segurança, eu lembro que daqui a um mês, se eu não me engano dia 28 de outubro, vai fazer um ano do massacre do Morro do Alemão, onde morreram 122 pessoas. Até hoje isso não tá esclarecido, não vai ser esclarecido, e tá claro que foi um movimento do Cláudio Castro para esconder a bandidagem dele, Cláudio Castro, e fazer um gesto populista facinoroso para esconder que ele era um ladrão, né, para tentar recuperar a popularidade.

Duvido que a situação do crime tenha melhorado um milímetro, não era esse o objetivo. O comportamento da imprensa em relação a esse episódio também é muito insuficiente. No governo Flávio, esse tipo de ação vai virar um modelo, não tem dúvida nenhuma de que esse tipo de ação vai ser incentivado. Eu não sei quantas tragédias a gente vai ter, que dimensão elas Mas esse é o horizonte que a gente tem em relação a uma questão muito concreta que diz respeito à vida das pessoas.

Bom, assim a gente encerra o terceiro bloco do programa. Vamos respirar, fazer um rápido intervalo e na volta Kinder Ovo. Já voltamos.

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Upfront payment of $45 for 3 months, $90 for 6 months, or $180 for 12-month plan required. $15 per month equivalent taxes and fees extra. New customer offer for initial Muito bem, estamos de volta.

FDFernando de Barros e Silva

Solta aí, Dani Di. Kinder Ovo. Os maiores jornalistas do país, Augusto Nunes, Alexandre Garcia, me apoiam.

ACAna Clara Costa

Cristina Grêmio.

FDFernando de Barros e Silva

Vários amigos de direita já demonstraram apoio a mim.

ACAna Clara Costa

Não caia em mentiras. Aqui é direita raiz. Caraca, eu merecia!

CRCelso Rocha de Barros

Eu lembro que ela que descobriu a Cristina Grêmio na outra eleição, lembra?

ACAna Clara Costa

É, eu merecia essa, eu merecia, que é na minha seara, né? Mas é na sua seara, você não ouviu a Jovem Pan o suficiente, céus, na época em que era raiz.

FDFernando de Barros e Silva

Bom, para os anais, candidata ao Senado Cristina Grêmio, PSD. Do Paraná em trecho de um vídeo de campanha. Bom, encerramos assim o Kinder Ovo. Vamos para o momento das cartinhas, momento de vocês correr elegante, melhor momento do programa. Vamos desanuviar um pouco aqui. Eu começo com uma mensagem do André Balaio. Diz ele: estava eu na última sexta-feira na fila de autógrafos de um lançamento na Livraria Janela do Jardim Botânico quando percebi uma pessoa com rosto familiar atrás de mim.

Qual minha surpresa ao ser marcado no Instagram da autora do livro ao lado da tal moça e descobrir que era ninguém menos do que a grande Ana Clara Costa. Aí, se tivesse certeza na hora, teria ao menos dito: estava ouvindo sua voz agora há pouco. Não falei, mas pelo menos saí numa foto com a diva.

ACAna Clara Costa

A diva, olha só, caramba! O livro é Espaço Aéreo, da Cláudia Cavalcanti, minha amiga. A Akiza Santana escreveu uma mensagem fofa: eu sempre fui a favor de ver algo repetidas vezes, e há um ano encontrei a pessoa com quem eu quero passar o resto da vida ouvindo pela segunda vez um episódio do Foro. Vida longa ao Foro, vida longa ao nosso amor, João. Akiza, uau, lindão, hein?

FDFernando de Barros e Silva

João se deu bem, João, hein?

CRCelso Rocha de Barros

João, boa sorte para você. É, João se deu bem. A Paloma apareceu preocupada com a gente nos comentários. Caso o trio do foro, não sei se foi meu humor em pleno domingo às 22 horas lavando roupa que influenciou, mas senti uma vibe muito para baixo em vocês. Sintam-se abraçados. Precisamos do abraço, Paloma. Valeu mesmo.

ACAna Clara Costa

É, não tem muitas razões para não estar para baixo.

CRCelso Rocha de Barros

Já foi melhor.

FDFernando de Barros e Silva

Domingo à noite sempre é um horário péssimo da semana, né? Um horário melancólico. Mas a culpa não é sua não, nem do horário, é nossa mesmo.

CRCelso Rocha de Barros

E o @Yucaires postou: por favor, faça um compilado com todas as vezes que o Fernando ri das piadas do Celso. Pô, legal, valeu, Yuka!

ACAna Clara Costa

Fazer uma playlist, Fernando, das suas risadas.

FDFernando de Barros e Silva

Cada um entra com seu talento no programa, o meu é a risada. Bom, o que é bom acaba logo, que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de conseguir dar 5 stars pra gente no Spotify. Você ouve o Foro toda semana no Spotify e nas demais plataformas. E é só no Spotify que o assinante Piauí e o assinante do Clube Novelo podem ouvir as reportagens da Piauí narradas por seus autores.

O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para Revista Piauí. A coordenação geral é do Paulo Vítor Ribeiro, a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky, a edição é da Mariana Leão e do Paulo Vítor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes, a finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema.

A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo e no Estúdio Rastro do Dani D. Eu me despeço então dos meus amigos, amigos. Tchau, Ana!

ACAna Clara Costa

Tchau, Fernando! Tchau, pessoal!

FDFernando de Barros e Silva

Tchau, Celso!

CRCelso Rocha de Barros

Tchau, Fernando! Até semana que vem!

FDFernando de Barros e Silva

É isso, gente, uma ótima semana a todos e até semana que vem!