A hemorragia no STF, a odisseia em Dark Horse e pesquisa nas eleições
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam as disputas dentro do Supremo Tribunal Federal e as decisões do presidente da corte Edson Fachin. No segundo bloco, o trio discute a Operação Make Up, que investiga o possível desvio de emendas parlamentares destinadas ao filme Dark Horse. No terceiro bloco, os apresentadores analisam o avanço de Flávio Bolsonaro em algumas pesquisas, um possível empate técnico com Lula num segundo turno e as estratégias das campanhas antes do primeiro turno.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft129
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- A crise no Supremo Tribunal Federal e as decisões de Edson FachinSupremo Tribunal Federal·Edson Fachin·André Mendonça·André Rodrigues·Leandro Almada·Flávio Dino·Alexandre de Moraes·Daniel Vorcaro
- A seletividade de André Mendonça na investigação do caso MasterAndré Mendonça·Alexandre de Moraes·José Antonio Dias Toffoli·Daniel Vorcaro·Banco Master·Relatório da Polícia Federal
- A Operação Make Up e o desvio de emendas parlamentares para o filme Dark HorseOperação Make Up·Dark Horse·Mário Frias·Go Up Entertainment·Karina Gama·Emendas parlamentares
- Dark Horse como caixa dois do bolsonarismo e financiamento de articulações golpistasDark Horse·Bolsonarismo·Daniel Vorcaro·Eduardo Bolsonaro·Revengate·Corrupção
- A delação de Antônio Freixo Júnior e os repasses para o fundo RevengateAntônio Carlos Freixo Júnior·Mineiro·Entre Investimentos·Daniel Vorcaro·Revengate·Eduardo Bolsonaro
- As pesquisas eleitorais e o avanço de Flávio Bolsonaro em Minas GeraisFlávio Bolsonaro·Lula·Minas Gerais·Pesquisas eleitorais·Segundo turno
- A crise do STF como vitória do bolsonarismo e descredibilização do JudiciárioSupremo Tribunal Federal·Bolsonarismo·Poder Judiciário·Golpismo
Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí. Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa. Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho alegria de conversar com a minha amiga Ana Clara Ana Costa no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!
Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Pode revirar de uma vez de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições.
E com Celso Rocha de Barros, diretamente de Princeton, no estado de Nova Jersey, onde participa de um seminário sobre a briga de Trump com o Brasil. Diga lá, Casca de Bala! Welcome.
Fala aí, Ferrando. Estamos aí mais uma sexta-feira.
Então tá aqui o empate entre Lula e Flávio Bolsonaro neste levantamento da Quest que acaba de ser divulgado.
Isso em segundo turno.
Mais uma sexta-feira. Tá tudo bem aí em Princeton?
Tudo bem aqui. O evento foi bem legal. Foi um evento sobre essa briga aí do Trump com o Brasil. Foi um debate com o Brian Winter, que é um cara muito inteligente, e o pessoal aqui do Brasil Lab, né, de Princeton, que tem o Miquel Asmud, uns caras geniais, assim, uns caras absolutamente fora do normal. Foi um debate muito bom, muito bom.
Então é isso, vamos sem mais delongas aos assuntos da semana. E que semana! Há pouco mais de 20 dias do primeiro turno da eleição, as atenções se voltam para o Supremo Tribunal Federal. A escalada vertiginosa da crise que tomou conta da corte levou o seu presidente, ministro Edson Fachin, a finalmente agir a fim de conter a hemorragia. Na quarta-feira, ele tomou um conjunto de decisões importantes: suspendeu a decisão tomada na véspera por André Mendonça, que afastava de dos cargos o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues, e o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada.
Em complemento a essa decisão, Fachin também anulou a manobra de Flávio Dino, que na manhã da própria quarta-feira havia determinado a reintegração dos policiais à corporação, desafiando a autoridade de Mendonça. Além disso, Fachin retirou das mãos de Alexandre de Moraes o famigerado inquérito das fake news, aberto em 2019 e usado de maneira abusiva pelo ministro. Por fim, o presidente do Supremo marcou para terça-feira, dia 15, uma sessão extraordinária do plenário da corte para decidir se Moraes será formalmente investigado por suas relações impróprias com Daniel Vorcaro.
A conflagração no Supremo que se dá em torno do envolvimento de ministros no escândalo do Banco Master só pode ser compreendida à luz das eleições. A condução de Mendonça na relatoria do caso e os vazamentos seletivos das últimas semanas favoreceram de forma flagrante a candidatura de Flávio Bolsonaro, que é paradoxalmente, até onde se sabe, o único presidenciável que se beneficiou diretamente da roubalheira de Vó Caro. Na própria quarta-feira, antes da decisão de Fachin, em nota divulgada nas redes sociais, Lula cobrou explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário e disse ser urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master.
A gente fala disso tudo no primeiro bloco. No segundo, a gente trata justamente do Dark Horse, a geografia de um golpista transformado em herói da pátria. A mistificação histórica, no entanto, não é o que mais importa neste monumento ao kit. O filme, e é isso que importa, talvez devesse ser batizado de Orange Horse. O pangaré laranja é usado para acobertar o destino do dinheiro ilícito de Daniel Vorcaro. Dinheiro oriundo em grande parte, como se sabe, de fundos previdenciários do funcionalismo público, a começar pelo estado do Rio, onde Castro, do PL, transferiu a Vorcaro cerca de R$3 bilhões que pertenciam aos aposentados.
Além da grana de Vorcaro, Dark Horse foi usado como fachada para mais desvio de dinheiro público. É o que indica a Polícia Federal, que deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará. No centro deste novo capítulo deste filme escândalo A PF afirma ter descoberto um circuito fechado entre emendas parlamentares do deputado Mário Frias, entre outros, e a produtora de Dark Horse chamada Go Up Entertainment, de Karina Gama.
Mário Frias, que é também o roteirista dessa papagaiada. Ainda sobre os escândalos em torno do filme, o ministro André Mendonça homologou na quarta-feira gorda de Brasília o acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, vulgo Mineiro, que vem a ser o dono da Entre Investimentos, empresa que fazia repasses para Dark Horse seguindo as ordens de Vorkaro. Os termos da delação estão sob sigilo, mas segundo a jornalista Andréa Sadi, ele disse à Procuradoria-Geral da República que era responsável por gerar dinheiro vivo para Vorkaro, dinheiro que era entregue em malas e usado para distribuir propinas.
Mineiro confirmou também ter realizado 7 repasses para o fundo Revengate nos Estados Unidos, totalizando 12,3 milhões de dólares. O revendeite é administrado por Paulo Calixto, que é advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, serviçal de luxo do clã. É tanto dinheiro que daria para financiar a série A Vida Boa de Bananinha e Paulo Figueiredo às custas do amigão. Por fim, no terceiro bloco, vamos tratar da corrida eleitoral propriamente.
As pesquisas mais recentes apontam tendência de alta de Flávio Bolsonaro num cenário de empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno. Em Minas, um estado-chave, segundo a última Quest, Flávio aparece pela primeira vez numericamente à frente do petista. A gente vai destrinchar esses números e discutir as estratégias das campanhas. Os patriotas ergueram até um bonecão de Donald Trump na Avenida Paulista no dia da comemoração da Independência do Brasil.
É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana Clara, vamos começar com você. Eu sugiro que você comece recapitulando esses últimos vertiginosos dias, horas, segundos, minutos.
Pois é, Fernando, tudo aconteceu nessa última semana, do último programa que a gente gravou até hoje, né? Um caos absoluto se instalou no Supremo Tribunal Federal. E continua acontecendo enquanto a gente tá gravando, né? A cada minuto tem um desdobramento. Mas eu queria me ater aqui a coisas que eu avalio como fundamentais pra gente entender. Bom, eu acho que ficou claro com esses acontecimentos uma informação que já circulava nos bastidores há muito tempo, de que existem grupos no Supremo.
E um desses grupos é um grupo que é o do Alexandre, do Flávio Dino, do Gilmar Mendes e do Cristiano Zanin. E próximo desse grupo está o Andrei, que tem uma relação muito próxima com Alexandre de Moraes desde a época do inquérito do golpe. E a gente também já falou isso algumas vezes aqui no fórum, né? E aí, a partir do momento que o André Mendonça toma a decisão essa semana de afastar o Andrei, alegando sobretudo que ele tava sendo monitorado pelo Andrei, É uma acusação ali complicada, porque se você olha o relatório da Polícia Federal, esse relatório preliminar, sem valor de prova, que o Alexandre de Moraes fez a loucura de anexar a um pedido de afastamento do André Mendonça na semana passada.
Se você olhar detidamente esse relatório, esse relatório em nenhum momento cita informações que fazem a gente concluir que o André Mendonça tá sendo gravado ou há escutas ou qualquer coisa do gênero. São informações em sua grande maioria é de conjecturas, né? E até o André Mendonça tem razão quando ele fala que são ilações, são conjecturas que a PF faz a partir da conduta do André Mendonça em relação aos casos que ele tá conduzindo.
Você pedir o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal por aquilo, não existe assim nenhuma mensagem do André Mendonça, não tem troca de mensagem do André Mendonça com delegados da Polícia Federal.
E importante também do diretor de inteligência, não sei se você já falou sobre isso, do Almada, que é uma pedra no sapato dos bolsonaristas no Rio, né?
É, ele é o principal nome da Polícia Federal, Almada, né? Ele foi o delegado do caso Marielle depois que o Bolsonaro saiu, né, claro, do governo. Ele foi um delegado da Polícia Federal que durante o bolsonarismo não compactuou ali com o que eles estavam querendo fazer com a Polícia Federal, né, para não investigar a Rachadinha, para não investigar Marielle, por exemplo. Então ele era de um núcleo que E hoje ele é, enfim, o homem de confiança do Andrei.
Essa decisão do André Mendonça, ela criou um cisma muito grande no Supremo, né, com impactos em todos os poderes. Então, quando Flávio Dino toma a decisão de reintegrar o Andrei Rodrigues, isso mostra a que ponto a gente tá, porque ele não tá no caso, né, ele não poderia avocar para si essa atitude, porque senão qualquer outro ministro do Supremo também poderia ter reintegrado. Então você fica aquela disputa de força, né, entre os ministros.
Mas de certa forma, ao fazer isso, o Flávio Dino forçou uma atuação do Fachin, né, porque o Fachin tava ali meio querendo que as coisas se resolvessem sozinhas, né, ele não tava querendo tomar uma atitude mais enérgica. E a atitude do Flávio Dino talvez tenha tido esse intuito indireto.
Eu ia te perguntar isso, você acha que foi por isso? Eu fiquei um pouco com essa impressão. Mas não tem nenhum bastidor, não tem?
Tem duas questões. O Flávio Dino é muito capaz, né? Ele é um ministro bem contundente, né, digamos. E ele mata muita coisa no peito. Houve outros momentos em que ele matou no peito situações controversas. Vou dar um exemplo pra vocês, que todo mundo vai lembrar. Na época do tarifação, o Flávio Dino foi lá e deu uma decisão que basicamente impedia os Estados Unidos de terem qualquer ingerência sobre as questões bancárias de qualquer pessoa no Brasil, alegando aquele princípio da extraterritorialidade.
Na decisão dele, ele deu um sinal de que isso valeria para o caso da Magnitsky também. Então assim, ele, ele não tem medo de atuar em momentos de alta tensão, entendeu? Então é bem a cara dele fazer isso. E segundo ponto, ele acaba forçando o Fachin a tomar uma atitude, e que foi o que ele fez. Acabou tirando Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Esse inquérito que é um absurdo, né? Ele existe há todos esses anos servindo a vários propósitos que nem sempre coincidem entre si.
Já vai ter outro golpe e ainda não acabou o inquérito do outro, né? Do anterior.
Exato, é bem isso. E ele reintegra o Andrei, ele marca o julgamento em plenário no dia 15 sobre o relatório que o André Mendonça encomendou sobre as relações do Alexandre de Moraes com o Daniel Vorcaro. Então, tudo que tava represado, digamos, o Fachin se viu forçado a resolver agora. Em paralelo a isso, tem uma outra situação acontecendo, que é a da AGU, a do Jorge Messias. O Messias, ele foi tragado pra essa confusão, pra revelia.
Tava quieto lá do lado dele, ninguém lembrava mais.
Pois é. Vocês vão se lembrar que em dado momento da investigação, o Andrei Rodrigues foi impedido pelo André Mendonça de ter acesso aos autos das investigações, porque o André Mendonça achava que o Andrei Rodrigues faria algum uso político dessas informações, seja passando informação pra Presidência da República, seja passando informação pro Alexandre de Moraes. E aí, quando isso aconteceu, O Andrei recorreu à AGU pedindo que a AGU entrasse contra o Supremo nisso para restabelecer as funções da Polícia Federal, para que ele não fosse impedido de ter acesso a esses dados.
E então a gente estava numa situação em que o André Mendonça estava comandando a investigação sem que o diretor-geral da PF necessariamente soubesse o que ele tava fazendo. Quando isso aconteceu, o Messias não entrou, ele achou que ele não tinha que se envolver nessa situação. E isso causou uma indisposição dele com o Andréi Rodrigues, causou uma indisposição dele com o Alexandre de Moraes, enfim. Coincidentemente, esse momento era o momento em que ele tava tentando se cacifar pra ir pro Supremo.
E foi coincidentemente o momento em que ele se aproximou do André Mendonça. Inclusive, nesse relatório que foi anexado pelo Alexandre de Moraes ao pedido de afastamento do Mendonça, tem uma parte que fala sobre o Messias, sobre como a questão da religião dos dois tinha aproximado eles dois e tudo mais. Diante dessas informações e de tudo isso que aconteceu agora, eu acho que a gente tem que olhar pra trás e olhar pra essa derrota histórica do governo em relação ao Messias.
Fica muito claro, a partir das informações que a gente tem hoje, o peso do Alexandre de Moraes e do Davi Alcolumbre em razão do Máster na decisão de não aprovar o nome do Messias no Senado. Na época que isso aconteceu, já se sabia que o Alexandre de Moraes tinha atuado, mas como a gente não tinha noção das mensagens, do nível de proximidade, de tudo que aconteceu, era uma coisa que ficava no ar.
A gente não tinha todas as informações, né? Todas a gente não tem ainda, mas agora a gente já tem suficiente.
Fica muito claro como a briga naquele momento era: a gente não pode deixar essa vaga do Supremo ser ocupada por alguém próximo do André Mendonça. Era essa a única preocupação daquele momento, tanto do Davi Alcolumbre quanto do Alexandre de Moraes, quanto do Gilmar Mendes, quanto, enfim, dessa turma que não queria que o André Mendonça se fortalecesse no Supremo porque sabia o que ele tinha em mãos. Então eu acho que a gente tem que olhar para esse acontecimento do passado com outros olhos.
Nesse momento a gente sabia que o Alcolumbre tem razão do Master, que ele queria tirar o Messias, porque a gente sabia em alguns termos que era mais ou menos isso. Mas agora fica muito deixar claro o tamanho da derrota que o Alexandre de Moraes, que os ministros do grupo dele do Supremo, por meio do Davi Alcolumbre, impuseram ao governo e ao país, deixando essa vaga vaga, né? Então assim, a gente vai ter uma próxima eleição agora, a gente não sabe quem vai ganhar, né?
A situação tá bem dividida e é uma vaga que pode ir para o Flávio Bolsonaro se ele ganhar, né? E um trabalho de articulação política do Alexandre de Moraes junto com a Columbre para tirar o Messias dessa vaga.
Ótimo que você disse. Você tem uma grande novidade também para acrescentar sobre o Supremo. Vamos lá.
Bom, falando do André Mendonça, a gente tá publicando na Piauí nessa sexta-feira uma série de reportagens que mostram que houve sim uma seletividade, uma parcialidade dele ao escolher investigar o Alexandre Alexandre de Moraes. Por quê? Vocês vão se lembrar que no início do ano, quando o Toffoli era o relator do Master no Supremo, o Andrei pediu uma reunião com o Fachin para apresentar ao Fachin indícios, informações, uma investigação prévia.
Na época não foi divulgado exatamente o que que era que ele tinha apresentado para o Fachin, mas era um relatório de 200 páginas, e que a partir desse relatório os ministros do Supremo se reuniram Apoiaram que o Toffoli se mantivesse na relatoria, apoiaram publicamente numa nota. Mas mesmo assim, o Toffoli, a partir daquele relatório, ele acabou se afastando daí mesmo por vontade própria.
Fizeram um acordo, né?
É, era um bem bolado. A gente te apoia publicamente, mas você sai, né? Era basicamente isso que ficou acertado. E aí a gente teve acesso, eu, o Breno Pires e o João Batista Júnior, a gente teve acesso a esse relatório. Que foi entregue aos ministros do Supremo no início do ano e que mostra a relação do Toffoli com o Vorcaro. Então há várias ligações entre eles, há trocas de mensagem, há vários encontros, há conversas do Vorcaro com outros interlocutores sobre encontros com Toffoli, conversas com Toffoli.
Há uma menção ao Taiaiá como a fazenda do Toffoli, é como eles se referem ao Taiaiá, a fazenda do Toffoli.
Que beleza!
E também esse relatório da polícia sugere que o Toffoli seria o beneficiário do Fundo Arlin, que é o fundo que fez as negociações do Taiaiá. E a polícia também descobre que o dinheiro do Fundo Arlin foi parar numa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, R$34 milhões. Opa, tudo isso Tá nesse relatório.
Que todos os ministros sabiam, tinham acesso.
Que todos os ministros sabiam, que todos os ministros tiveram acesso. Tem também nesse relatório assim o Toffoli sendo convidado para festas do Vorkaro. A gente conta o que era a tal festa das suíças, né, uma reportagem que o João Batista apura. E o Supremo, ao ter acesso a esse relatório no início do ano, apoiou o Toffoli, pôs o relatório para debaixo do tapete E o André Mendonça não fez nada a respeito disso. Ele não pediu diligências, ele não pediu investigação a respeito dessas informações que estavam nesse relatório.
E curiosamente, há informações que se repetem nesse relatório e no relatório que ele faz sobre o Alexandre de Moraes. Só que a interpretação dada a essas informações, ela muda conforme o relatório. Então assim, no primeiro relatório, que foi esse que os ministros engavetaram, já aparecia o Alexandre de Moraes como pessoa próxima do Vôrcaro, já apareciam mensagens do Alexandre de Moraes, já aparecia a participação do Alexandre de Moraes na organização daquele evento de Londres.
Tudo isso já tava naquele relatório, mas o foco daquele relatório era o Toffoli. E aí agora informações similares foram colocadas no relatório do Alexandre de Moraes, com o Alexandre de Moraes como foco. Inclusive são os mesmos delegados que produzem esses dois relatórios, né? O que não diz nada sobre os delegados. Você faz um relatório obedecendo a um pedido, né? E nesse caso o pedido é claro, foi um pedido feito pelo André Mendonça e esse pedido tá no processo, tá anexado ao processo.
O que diz tudo sobre o Supremo e no caso sobre o André Mendonça. Não diz nada sobre os delegados, você falou.
Exato, não diz nada.
Então os togados do Taiaia, foi o título de um texto que eu escrevi para o Piauí lá atrás, eu atirei no que vi e acertei no que a Ana descobriu. A Ana, o Breno Pires e o João Batista.
É, exato. Isso torna ainda mais curiosa a decisão do André Mendonça de levantar o sigilo na véspera do 7 de setembro, né? Então ele escolhe o ministro do Supremo que ele quer que tenha a informação vazada, né? E ele escolheu Alexandre de Moraes, não Toffoli. Então se o objetivo dele era mostrar como a instituição tá contaminada, faria sentido ele ter levantado o sigilo sobre os dois relatórios. Faria sentido ele ter pedido pra investigar, ele ter comunicado ao Fachin que talvez devessem votar em plenário a investigação dos dois ministros.
E aí nem estou falando do Cássio Nunes Marques aqui, né, cujo filho tem o Master como cliente do seu escritório de advocacia. Então é isso que a gente descobriu e vocês conseguem ler com mais detalhe no site da Piauí.
Incrível.
Sensacional.
Escancar a motivação política da decisão dele às vésperas do 7 de setembro. Vou passar do Rio de Janeiro para Princeton. Vamos lá.
Então, olha, essa descoberta da Piauí, que é um trabalho jornalístico realmente sensacional, encerra o debate sobre as motivações do André Mendonça. A gente tava aqui fazendo meio que um head aqui, dizendo assim, não, pode ser que seja motivação eleitoral, pode ser que tinha uma outra teoria que ele é um cara meio messiânico assim, não sei o quê, que tinha um lado meio Dallagnol assim, não, eu vou moralizar a coisa toda, não sei o quê, total.
Mas o André Mendonça parece ter feito o circuito Dallagnol, que é começar comerciante e terminar passando pano para picareta de direita, em tempo recorde, entendeu? Dallagnol levou anos para percorrer essa distância.
Exato.
O André Mendonça em poucas semanas já tinha, já tinha feito tudo esse negócio. Você vê como Dallagnol é ineficiente em tudo que ele faz. Então assim, eu acho que se encerra o debate, né? Porque se você tinha evidências contra o Toffoli, que é de longe o ministro mais enrolado na história do Master. Porque se você pegar o Xandão, ele tem uma grana violenta que o Volcário deu para ele, tem mensagem mostrando que eles eram próximos.
Então é totalmente legítimo supor que isso era suborno para que ele eventualmente tomasse decisões a favor do Master. Se é ou não é, isso a investigação vai provar. Agora, o Toffoli já tomou decisões a favor do Master. Ele é o único cara do Supremo que já fez isso. O Toffoli e o ministro Jonathan de Jesus do Tribunal de Contas da União tentaram melar o processo do Banco Central, que liquidou o Master. Eles botaram lá o diretor do Banco Central, deram chá de cadeira lá, 2 horas lá para ir lá depor lá para o Toffoli.
Um negócio completamente sem pé nem cabeça. Você imagina um cara tentando explicar essas coisas altamente técnicas para o Toffoli. Que sofrimento! Merecia aumento.
É, no caso do Xandão, além de eventuais decisões, pelas mensagens do Vôrcaro fica claro que ele tava pedindo ajuda para O Xandão obstrui a justiça, obstrui o andamento das investigações. Então são vários crimes, né?
Exatamente isso.
Não são só decisões como juiz, né? É uma atuação política nos bastidores.
Sim, sim, sim, concordo. É, quais as decisões que de fato foram tomadas? Porque o Volcar pode ter pedido algumas ou todas e o Xandão não ter feito. Todas é meio difícil, né? Mas enfim, sim, sim, mas algumas pode não ter tomado. Então assim, as investigações vão esclarecer ver quais foram as decisões.
É, tanto fracassou nisso porque o cara acabou sendo preso.
Pois é, pode ser que o Xandão não tenha feito as coisas que teria que fazer porque o cara foi preso antes. Não sei se foi isso, ele deu uma certa sorte aí para quando isso for para área criminal propriamente, né? Mas assim, se você fechar, ganhou dinheiro e tomou decisão a favor do Master, aí não é só impeachment, aí é cadeia. Então assim, o Xandão tá do lado do ganhou dinheiro do Master, então ainda investigando o que que ele fez.
Para ajudar o Master. Mas é tanto dinheiro que no mínimo uma promessa de fazer alguma coisa ele deve ter entregado para o Vorcaro, certo? Agora, o Toffoli já fez coisa, entendeu? Toffoli tentou melar. Se o Toffoli tivesse conseguido melar esse processo do Banco Central, morria buscando do Master. Então Toffoli tá do outro lado do esquema. Ele já tem a decisão favorável ao Vorcaro, falta descobrir se ele levou uma grana para tomar essa decisão, seja na história do Taiaia ou seja no que for.
Agora, você aliviar para o Toffoli e depois me aparecer faltando um mês para eleição, entendeu, jogando o Alexandre de Moraes no centro do debate político nacional, é uma jogada eleitoral muito vagabunda, muito transparente, né? Assim, absolutamente óbvio que ele tava fazendo isso.
É uma espécie de delinquência, né?
É uma coisa, sem dúvida, né? Pelo amor de Deus, cara, já falei, se você ganha a vida dizendo que o André Mendonça é imparcial, tá na hora de você pedir aumento, porque seu trabalho ficou mais difícil. E aliás, espero que você tenha feito um bom pé de meia dizendo que o Tarcísio era moderado, entendeu? Que em geral são as mesmas pessoas. Então assim, a motivação do André Mendonça fechou o debate para mim, não é mais uma discussão legítima sobre isso.
E se ainda tiver, gente, propondo essa tese que não, coitado, ele tá tentando lá, mas é, ele é o cara bonzinho que quer investigar e os outros são os caras maus que querem o acordão. Só para deixar claro, os outros querem o acordão, mas sem dúvida nenhuma, Xandão quer acordão para caramba, Toffoli quer muito acordão, Cássio Nunes deve querer muito acordão. Agora, o que me dá um pouco a impressão é que o André Mendonça não tá brigando contra o acordão, A gente já discutiu aqui, ele tá discutindo o sabor da pizza que vai ser o Master, entendeu?
Exato. Então ele tá entregando é a pizza que os bolsonaristas querem, que é a turma dos Bolsonaro se livra de um jeito ou de outro, e o Xandão vai de bode expiatório para opinião pública.
Me dá a impressão que o escândalo Master foi isso, foi um rico safado pagando um juiz, tá a serviço da eleição do Flávio Bolsonaro, né, para encurtar o—
mas sem sombra de dúvida. E aí, se você pegar a decisão do André Mendonça, que tirou o Andrei da PF, cara, isso aí é o pacote inteiro. Primeiro, ele joga o escândalo em cima do governo Lula, que foi o Lula que nomeou o Andrei. Então o Lula tem que tomar alguma providência. O Lula tava quieto lá, falou, isso aí é briga desses cara aí, não tenho nada a ver com isso. O André Mendonça puxou o Lula para dentro da briga quando ele tirou o Andrei do cargo.
Segundo, cara, abriu um caminho para nulidade da investigação do Márcio gigante, porque ele colocou suspeita o delegado do caso. Isso pode ou não colar na esfera jurídica, e como tava bem dizendo um amigo nosso, que é um advogado muito fera, na verdade quando eles quiserem anular eles inventam qualquer coisa, né? Mas isso vai servir também politicamente, porque o Flávio vai poder dizer: veja bem, essas acusações contra mim foram produzidas por um delegado que o André Mendonça já mandou afastar.
O que o André Mendonça tá fazendo nesse momento aqui é muito grave, gente. E sinceramente, a essa altura não me interessa se ele tá fazendo isso mais porque ele acha que ele é o escolhido do não sei, sei lá quem. Porque assim, isso aqui é, é mutreta pesada, assim. Ele tá tentando entregar a eleição para o Flávio Bolsonaro.
Eu acho que mais um tijolinho nessa percepção, Celso, tá numa reportagem que o UOL publicou contando tudo aquilo que a gente já falou aqui 15 vezes como hipótese, mas agora como consta em uma das propostas de delação do Daniel Alvorcaro, que o Antônio Rueda e o ACM Neto ajudaram o Voo Caro a colocar a mão nos fundos de previdência, nos RPPS dos estados, e ganharam uma corretagem de 10% em cima disso, em dinheiro vivo. Essa reportagem do UOL foi feita a partir do relatório na semana passada que o Alexandre de Moraes colocou no pedido de afastamento do André Mendonça, e sinalizava que o André Mendonça tava demorando para autorizar diligências a respeito do Rueda e do Acemi Neto.
Aí os repórteres lá foram ver o que que tinha na delação do Vorcário sobre a CM Neto e Rueda e descobriram que era isso. A polícia tinha pistas de quem seriam os donos desse desvio bilionário de dinheiro de aposentado para o Master, e o André Mendonça não autorizava diligências.
Pois é, gente. Aliás, eu devo dizer, essa corretagem é muito alta, gente, para o valor de mercado assim, né?
10%, né?
10% é uma corretagem muito alta. De volta. E o cara basicamente tava roubando dinheiro de aposentado, dinheiro de velhinho. E assim, é esse dinheiro de velhinho aí é que vai alimentar a Dark Horse, que a gente vai falar no próximo.
É, não é corretagem, é corrupção mesmo, né?
Exato, é a base do que o Márcio tava ganhando dinheiro, tava roubando dinheiro de aposentado.
É propina, claro, é propina.
Exato. E o Rueda, que é presidente do União Brasil, certo?
Do União Brasil. Mas ele nunca teve cargo, nunca teve mandato, na verdade. E agora, coincidentemente, ele está concorrendo a deputado Federal pelo Rio de Janeiro. Olha só, que não é o dele. Exatamente, porque ele é de Pernambuco, ele não é do Rio de Janeiro, não mora no Rio de Janeiro, não tem nada a ver com Rio de Janeiro. E aí está se lançando candidato no Rio, tá andando por aí o tempo todo com aquele Márcio Canella. Olha só, que o Celso se lembra bem quem é.
Que maravilha! Era o prefeito de Belford Roxo, né?
Era o prefeito de Belford Roxo, associado à milícia, associado às milícias, não? E que foi alvo de uma operação nessas últimas semanas por estar associado da milícia.
Que coisa maravilhosa! Bom, se o Rueda intermediou mesmo esses desvios da Previdência, ele deve ter feito excelentes amigos no Rio de Janeiro, né? Um pessoal que vai emprestar a máquina para eleger ele deputado. Porque imagina quanta gente ele não fez feliz na política do Rio de Janeiro.
Talvez ele queira de fato ter o mandato até para ter foro, né? Porque ele deve saber o que ele fez.
Sem dúvida, sem dúvida.
Bom, enfim, vamos ver se os cariocas vão dar esse presente para ele.
Eu acho que sim. Sim, minha previsão é essa.
Bom, que bloco, senhoras e senhores, e que bloco! Encerramos, vamos para um rápido intervalo. Na volta nós vamos falar de Dark Horse. Já voltamos.
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Monday Night Football plus pregame and postgame. NFL Live, NFL Primetime, everything you need to stay on top of every game every week. Unbelievable. And now NFL Network is on the ESPN app. More football, more coverage, more ways to watch. Football's on all season Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você, e talvez a gente possa começar pela operação de hoje. 49 mandados de busca e apreensão da PF, tendo como, digamos assim, centro de gravidade o extraordinário ator, roteirista Mário Frias, orgulho nosso eterno mutante.
Bom, Fernando, essa operação que aconteceu na quinta-feira de manhã, ela não tem necessariamente a ver com o filme Dark Horse, mas indiretamente com o filme Dark Horse e com a produtora que fez o filme, chamada Go Up, da produtora Karina Gama. Primeiro quero retomar aqui a decisão do Flávio Dino.
O Flávio Dino que autorizou essa operação de hoje.
Exato, tá sob relatoria dele. O Flávio Dino, quando ele autoriza a reintegração do Andrei Rodrigues à PF, um dos argumentos dele é de que havia operações em curso que poderiam ser prejudicadas pela ausência do diretor-geral. E do seu subordinado Leandro Almada. E aí, justamente no dia seguinte, a gente tem essa operação. Então assim, essa operação que tava com a relatoria do Flávio Dino e que já tinha tido as suas diligências autorizadas poderia estar em risco caso você tivesse com a PF acéfala, né?
E que diz respeito às emendas parlamentares, que são um dos principais escândalos estruturais dos últimos anos no Brasil, certo?
Exato. Então ela é sobre uma investigação que já estava correndo na Polícia Civil de São Paulo, que foi o fato de a produtora ter pego contratos de fornecimento de Wi-Fi para a Prefeitura de São Paulo. Quando você tem esses contratos, você tem que apresentar várias notas, né, comprovando o uso, comprovando destinação dos recursos e tal. E eles não conseguiam comprovar coisa nenhuma. Então é um contrato que já tava sendo investigado.
E é um contrato alto, né, Ana? Um contrato de R$108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
Exato.
E depois que o contrato foi para ela, teve um aditivo e saltou para R$157 milhões.
Isso só o contrato. Mas como o Flávio Dino entrou nisso? Isso se explica pelo fato de o Flávio Dino ser o relator do caso das emendas, né, do mau uso das emendas parlamentares, do orçamento secreto. E nessas investigações eles descobriram que houve um repasse de emendas Pix pelo deputado Mário Frias para essa produtora. E a emenda Pix é aquela emenda que vai de qualquer jeito, eles mandam para onde eles quiserem, não precisa ter comprovação do bom emprego daquele recurso.
É mais uma daquelas cafajestagens que eles fazem, dificílimo de rastrear, né? Você não rastreia, ela some no orçamento do lugar para onde você mandou e Bom, então o que a gente sabe é que além desse contrato enorme com a prefeitura, além do dinheiro que veio do Dark Horse, que veio do Daniel Forcaro, e que aparentemente não estava sendo usado na sua totalidade para financiar o filme, a produtora ainda recebeu dinheiro público.
É o dinheiro público via prefeitura e o dinheiro público via Mário Frias. Eles estão envolvidos em diversos segmentos de malversação de recursos públicos, né? Não é só em um. E no caso do Master, há um novo desdobramento, que aí é uma coisa curiosa, porque a delação do mineiro, que é o Antônio Freixo, que é dono da Entre Investimentos, que é uma das empresas acessórias do Daniel Vorcaro— esse cara é um cara que veio do mercado financeiro, veio do Garantia, do Credit Suisse e tal, e fazia muitas das operações heterodoxas para o Daniel Forcaro, né? Tô falando heterodoxa para ser gentil.
Como é que a Odebrecht chamava? Acho que não estruturada, né?
Departamento de Operações Estruturadas.
Era mais ou menos isso. O que eu achei curioso é que agora, acho que é um detalhe que vale a gente reforçar, só agora essa semana, depois do Supremo entrar em guerra, foi que o Mendonça homologou a delação do mineiro no âmbito dessa investigação, que era uma investigação que nada andava ali, né? Nada ia para frente. Você vê que essa operação que teve foi do Dino, né, não foi ligada ao Master. E aí, curiosamente, agora o André Mendonça homologa a delação do Freixo, do mineiro, sobre Dark Horse.
Em que, até onde se sabe até agora, com informações que foram divulgadas pela imprensa, né, André Assadi deu alguns bastidores, a Malu Gaspar também, de que houve de fato pagamentos pro fundo do amigo do Eduardo Bolsonaro no Texas.
Exatamente. É tanto dinheiro para esse Dark Horse que daqui a pouco eu tô achando que vai bater no orçamento da Odisseia.
Porra, fácil! Já imaginou o Mário Frias lá de Ulisses?
E o Mário Frias, além de pagar a produtora, só para lembrar, ele pagou advogado com dinheiro público, sabe? É assim, é uma— não sei, não tem palavras.
Picaretagem rastaquera assim, né?
Além do crime que parece ter sido consumado em várias frentes, esses episódios destroem um dos argumentos demagógicos, a demagogia desses caras que era, não tem dinheiro público, Lei Ronet, é só um filho pedindo dinheiro para o filme do pai, que é uma espécie de mantra desses caras, né, que a cultura financiada com dinheiro público e tal. Os caras estão roubando dinheiro público, sem dúvida, fingindo fazer cultura.
Exato. E outra, eles não pegariam dinheiro de Lei Rouanet porque Lei Rouanet é um negócio chato, entendeu? Você precisa, é sério, realmente prestar contas. Busque na imprensa matérias de fraude da Lei Rouanet, é difícil você achar porque é difícil fraudar. Pode acontecer, claro, mas é muito difícil. Sim. Então por isso que eles não pegam, porque se fosse fácil de roubar, eles teriam pego o dinheiro da Lei Rouanet.
Muito bem, Celso, você tá em Princeton, tá até vergonha de falar. Vamos falar um pouco do Dark Horse.
Ah, pô, já falei ontem aqui no evento também.
Ele tá na terra do Dark Horse, Fernando, ele é o nosso correspondente.
Exatamente, qualquer hora encontra os cara do Heaven Gate aqui. Qualquer dia encontra o Eduardo aqui passeando aí, ele e o Paulo Figueiredo de mão dada aqui, andando num Dark Horse.
Não te desejamos isso, certo?
Enfim, é, olha, eu acho que assim, o que a gente tá vendo era o que a gente suspeitava desde o início. Dark Horse não é uma história sobre um filme, filme. Não só porque o filme deve ser uma porcaria tão grande que nem deve merecer ser chamado de filme, mas o Dark Horse era a caixinha do bolsonarismo, entendeu? Aquele negócio que sempre teve. Então vários casos de corrupção do passado, tinha o partido ou candidato fazia um reservatório de grana roubada ali.
Então ele pegava grana de cara de empresa que fraudava licitação no ministério que ele comandava, ele pegava contribuição ilegal de empresas sobre as quais ele tomaria decisões e ele montava lá um fundo de mutreta, de dinheiro roubado, com o qual ele pagava sua campanha, comprava aliados, enfim, ia nessas festas do Voo Caro, sei lá. Então o Dark Horse é uma caixinha, basicamente, Dark Horse é uma mutreta. Então assim, não é história de um filme com financiamento polêmico, que é o que eu acho que muitas vezes aparece na cobertura da O filme é o de menos aqui, cara.
O Breno falou no último programa, eles começaram a fazer o filme no final do ano passado e acabou muito rápido, que aquele filme, pelo amor de Deus. Então assim, esse dinheiro obviamente não é para fazer filme nenhum. O filme todo só serve como desculpa para você mandar emenda parlamentar de dinheiro público para caixinha do bolsonarismo, para você mandar dinheiro da Prefeitura de São Paulo para caixinha do bolsonarismo. E é bom lembrar que o dinheiro que o Forcaro mandou é tudo roubado dos aposentados, então é dinheiro público também.
Então toda a caixinha do bolsonarismo sob a rubrica Dark Horse é o dinheiro roubado que os bolsonaristas desviaram em várias instâncias, vários lugares que eles governam, com emendas parlamentares dos deputados deles, que eles usam isso para fazer sacanagem. A grande questão que a gente ainda precisa descobrir sobre Dark Dark Horse, que para mim já é claríssimo isso, que o Dark Horse é uma caixinha de dinheiro sujo. O que a gente precisa provar, porque, Caetano, parece altamente provável, é que esse Heaven Gate, que a gente tava até discutindo aqui, se é Heaven aqui, é refúgio, como seria a tradução literal, ou se é Heaven escrito errado, né, cara?
Sim, que os caras fizeram isso evidentemente, nunca imaginaram que alguém ia descobrir. O Heaven Gate parece ser a torneira dessa caixinha que financiava as articulações golpistas do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Então a impressão é cada vez mais forte que teve dinheiro roubado de aposentado, teve dinheiro de emenda parlamentar que poderia ter ido para educação, poderia ter ido para o hospital, poderia ter ido para um monte de coisa útil, que foi para o Eduardo Bolsonaro conspirar para ter mais tarifas contra o Brasil.
O Dark Horse, a gente precisa parar de falar dele como um filme. O filme é só um negócio que provavelmente vai ser um a pior obra de— não vou chamar de obra de arte, mas a pior coisa filmada da história brasileira. Mas o interessante dele não é isso, isso talvez fosse até engraçado. O importante aqui é que esse dinheiro que entrou para Dark Horse não é para fazer filme nenhum, é dinheiro roubado, dinheiro público roubado, seja pelos caras que estão mandando emenda Pix, seja pela Prefeitura de São Paulo que tá dando dinheiro que podia ter sido usado para fazer alguma coisa útil para São Paulo, e seja pelo Daniel Vorkari que roubava dinheiro de aposentado.
Então, se você mora em São Paulo e, sei lá, tem um buraco na sua rua que você tem medo que o seu carro bata ali, você perca seu carro, então o dinheiro para tapar esse buraco foi para o Eduardo via fundo da HeavenGate, foi para produtora da Karina Gama. Exato.
Entendeu?
E aí entra nessas confusão toda e é desviado. Então assim, por exemplo, eu achei essa batida do Jornal Nacional quando eles falavam do Dark Horse, a impressão toda era fala assim, olha, vocês fizeram um filme do seu pai que tem dinheiro suspeito, vocês precisam prestar conta. Gente, não tem conta que prestar, isso não é um filme, isso é um caixa 2. Os bolsonaristas jogavam todo o dinheiro que eles roubavam em várias instâncias para distribuir por aí, para distribuir para o Eduardo, para distribuir para campanha.
E pelo volume de dinheiro, não é só para financiar a vida boa do Eduardo, né?
Não, não é, entendeu?
Assim, muito dinheiro, né?
É dinheiro que deve estar sendo usado como fundo eleitoral para vários esses candidatos bolsonaristas. Imagino que não para todos os do PL, por exemplo. Deve ser um negócio bem para os caras mais próximos mesmo daquele núcleo duro bolsonarista. A gente não sabe para onde esse dinheiro tá indo. O que a gente sabe é que esse dinheiro não está indo para os aposentados que o Forcaro roubou, não está indo para os moradores de São Paulo, que eram os donos desse dinheiro antes do Ricardo Nunes dar ele para esse esquema de mutreta.
E também um dinheiro que era do povo brasileiro, que teria que ser destinado para emendas parlamentares, que poderia estar comprando equipamento para um hospital e foi para esse fundo de sacanagem dos bolsonaristas.
Agora falta a gente saber, no caso a polícia, né, a contrapartida, né, para esses depósitos no Dark Horse. Porque claramente, tudo bem, Celso, você sempre fala da tentativa de poupar o Master, né, aquela emenda que prejudicava o Banco Central, enfim, todas as tentativas que a direita fez de poupar Master, mas falta a contrapartida do Flávio específica. E essa eu acho que é, com certeza, tá na lista de coisas represadas que a gente não sabe.
Mas olha só, ele é o herdeiro do movimento bolsonarista, então ele é o cara que manda.
Mas você acha que ele não faria nada para beneficiar o Daniel Boccaro?
Ele faria tudo, já fez, gente, já deve ter feito tudo. Esses caras todos que botaram dinheiro no Master, o Cláudio Castro, Bom, as mensagens dele com Daniel Vorcaro indicam um pouco o nível de relação. Olha só, se isso fosse na época do processo do Mensalão, já metia um domínio do fato em cima do Flávio Bolsonaro por ele ser o líder do bolsonarismo. E os governos bolsonaristas têm inundado o Banco Master com dinheiro de aposentado.
Então assim, a gente ainda tem que provar judicialmente, assim, obviamente, né, o ônus da prova para prender alguém é muito mais Mas assim, se a gente acha, como a gente acha, que o dinheiro do contrato da mulher do Xandão era dinheiro para o Xandão em troca de algum serviço que a gente ainda não sabe qual seria, me parece inteiramente óbvio que a gente tem que tratar o dinheiro que o Vôrcaro dava para o Flávio como recompensa pela grana que os bolsonaristas deram para o Master, entendeu?
Lembrar que no Caixa 1 mesmo, no oficial, o Vôrcaro deu em 2022 R$2 milhões para campanha do Tarcísio e R$3 milhões para o Bolsonaro por intermédio do cunhado, né, o saber no Zé.
Não, vamos lembrar inclusive porque agora teve a proposta de delação do Vô Caro, né, que foi recusada. Tem a informação de que essas contribuições de campanha foram suborno, foram dinheiro para o Kassab agitar lá o esquema do Crédito Sexta, que começou lá no PT da Bahia. E aí depois o Vô Caro pegou aquilo. Aí ele tendo um banco na mão, dá para fazer muito mais coisa com Crédito Sexta. E aí ele saiu vendendo esse esquema aí para outros estados.
Então é o que o Vô Caro tá dizendo, obviamente tem que provar É que esse dinheiro que ele deu para as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio era suborno.
A produtora também recebeu recursos, investimentos, digamos, do marqueteiro do Flávio Bolsonaro, o publicitário Marcelo Lopes. Foram investidos R$1 milhão desse marqueteiro no filme. Aí assim, por que que você acha que o publicitário do Flávio investiria dinheiro no Dark Horse, né? Dinheiro próprio.
Exato.
E é obviamente que o Dino viu suspeita nesse pagamento, né?
Eu também vi suspeita nesse pagamento.
Poderia ser algo que não necessariamente fosse dinheiro do próprio Marcelo Lopes, né? Então, como você tá dizendo, Celso, você tem uma série de pessoas que estão abastecendo o filme, né? E não necessariamente a gente tem certeza que é para fazer o filme, né? Então a gente achava que era só alvor caro, a gente descobriu que tem emenda Pix, que tem o publicitário colocando grana.
Então é uma quadrilha isso.
Na verdade, o que não se sabe até o momento é quanto dinheiro que o Dark Horse drenou, né? A gente sabe quanto ele pediu para o Vorkaro, quanto o Vorkaro até agora repassou. Agora a gente tá vendo que é maior esse buraco, né?
Tô falando que vai brigar com Odisseia ainda.
Queria só relembrar mais uma vez, hein, o Jim Caviezel, que faz o papel do Bolsonaro Monroe, quando fez papel de Jesus Cristo, ele tava lá filmando a crucificação, caiu um raio na cabeça dele. Então assim, ele já foi objeto de críticas severas do biografado.
Muito bem, terminamos então o segundo bloco do programa. Que bloco também, meus comparsas aqui estão afiados. A gente faz um rápido intervalo, na volta nós vamos de pesquisas, de eleições propriamente ditas. Já voltamos.
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Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. Talvez a gente possa começar pelas pesquisas, né, Celso? Que as últimas pesquisas estão indicando— você andou espiando os agregadores de pesquisa, etc.? Conta para gente.
Pois é, Fernando, a gente agora começou a ver pesquisas em que o Flávio continua empatado tecnicamente com o Lula no segundo turno, mas já começa a aparecer numericamente na frente. É pouca coisa. Se você for ver ao longo do tempo essas mudanças na margem de erro, se você for somando o tanto de margem de erro desse mês com do mês passado, com o mês passado, o Flávio claramente tá numa tendência ascendente. Eu vou dizer para vocês que eu tô surpreso que não esteja mais na tendência ascendente, que não esteja numa tendência ascendente mais acentuada, porque depois de um mês de Lulinha, mais 15 dias de Xandão e o noticiário político, foi só isso.
Eu acho surpreendente. A minha previsão, se você perguntasse 15 dias atrás, era o Flávio Bolsonaro à frente do Lula, fora da margem de erro já essa altura. Mas o que a gente vê na evolução dos números, se você pegar, por exemplo, o ótimo agregador de pesquisa da BBC Brasil, você vê o seguinte: que a eleição voltou para o cenário pré-Dark Horse. Então, se você pegasse ali no começo de maio, a BBC tava dando notícia que pelo agregador dele o Flávio tinha passado numericamente o Lula na simulação do segundo turno.
Então assim, a gente basicamente voltou para o cenário Dark Horse. Assim, esses deslocamentos do eleitorado parecem ter sido um pessoal que largou o Flávio porque o Flávio era ladrão, ou que enfim é acusado de ser ladrão, né? Longe de mim aqui fazer qualquer imputação a uma pessoa tão honrada. E largou o Flávio por causa disso. E aí de repente aparece um monte de escândalo de corrupção do Lulinha, e aparece o escândalo Xandão, que o pessoal associou ao Lula.
Então essa turma voltou para o Flávio, provavelmente meio de má vontade, dizendo assim: bom, o Flávio é meio ladrão, mas os outros também são, então eu sou de direita, vou botar nele, sei lá. Agora, alguma coisa que eu acho importante a gente lembrar é o seguinte: esses escândalos todos, eles explicam provavelmente esses deslocamentos que não são muito grandes dos últimos meses. Então o Lula tava ganhando meio de pouco, aí agora não tá mais ganhando.
Então não é muito ponto percentual que mudou por causa desse escândalo. E o que os escândalos podem decidir é porque já tem um cenário consolidado de equilíbrio anterior aos escândalos. Nesse cenário consolidado tem muito mais coisa além dos escândalos. Então você tem primeiro o fato de que tem dos dois lados gente que é de esquerda e de direita e vai votar no candidato de esquerda e de direita, mais ou menos independente do que o cara faça, a não ser que o cara faça uma barbaridade muito grande.
Então assim, a gente tem um eleitorado já consolidado e a gente tem fatores econômicos, né, que tem todo um debate complicado aí sobre como é que eles interferem na eleição. O que é indiscutível é o seguinte: o terceiro governo Lula não conseguiu resolver o problema que tá afetando todos os incumbentes ao redor do mundo nos últimos anos, depois da pandemia, que é esse cenário pós-pandemia de juro alto, inflação alta. Alta, que é um inferno de se resolver.
Em geral, inflação alta se resolve aumentando juros, mas o juro já tá alto, então é complicado de mexer mesmo. Tá sendo complicado para todo mundo. Trump queria bater nos cara lá do Federal Reserve, lá do Banco Central americano. Então, por exemplo, a gente tá numa situação em que você pega os dois principais problemas que aparecem para população, um deles é preços subindo e o outro é endividamento. Então como é que você resolve?
Resolve o preço subindo, que normalmente se resolveria com mais juros, sem arrebentar o cara que tá endividado? E por outro lado, se você baixar os juros para aliviar a vida do cara que tá endividado, será que você não vai causar mais inflação? É um pesadelo esse cenário. Tomara que algum economista aí consegue achar uma solução para isso. Mas não tenha a menor dúvida que isso é parte grande da história da eleição também. É porque todo o resto que a gente tá discutindo é o que acontece depois que isso tudo já aconteceu.
Tudo isso já foi filtrado pelas respectivas bolhas informacionais dos dois lados. E aí a dúvida é: tem um cara já com seus 40 e tanto, outro com seus 40 e tanto, e tem esse pessoal se movendo entre os dois lados. Mas é muito difícil não atribuir esse deslocamento ao Dark Horse, porque se você for ver a tendência das pesquisas, quando aparece o Dark Horse, o Flávio cai bastante. E quando aparece escândalos do Lulinha e os cantos do STF, esses votos são devolvidos ao Flávio.
Tem todas umas camadas geológicas mais profundas que são muito complexas, essa questão da economia, etc. Mas essas pequenas variações que estão acontecendo parece basicamente, em resumo, a campanha virou vazamento. Então assim, a gente quase não discute o que que a campanha do Lula, a campanha do Flávio falou ontem, por exemplo, que seria o que a gente faria numa eleição normal, certo?
Um aspecto periférico, como os outros candidatos sumiram do noticiário, né?
Sumiram completamente. Então, por exemplo, Augusto Cury, que tava tendo uma ascensão dele lá, com essa crise toda do STF, sumiu da discussão. Eu vou ficar surpreso se ele não cair, se os votos dele não voltarem a ser distribuídos para mais alguém. Pode ser até que ele suba depois de novo, na última hora, o pessoal muito desiludido falar: vamos votar nesse cara meu. Mas ele parecia pronto pronto para fazer uma decolagem ali.
É, mas quem imaginava, não muita gente séria imaginou, mas quem imaginava que pudesse ser um cenário que não a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, acho que isso tá praticamente cada vez mais improvável, né?
Porque primeiro o pessoal achou que o Renan podia passar, e o Renan foi alvejado na decolagem pelo Augusto Cury. E o Augusto Cury, por sua vez, foi alvejado na decolagem pelo caso Então, por que que é importante a gente lembrar que o que tá acontecendo nos últimos meses de campanha é quase tudo notícia de corrupção? É porque aí você entende que a crise do STF é em grande parte também sobre o poder de vazar. Então o André Mendonça tá controlando os vazamentos, ele afastou o Andrei, que em tese poderia vazar também coisas contrárias ao Flávio.
Então assim, grande parte dessa briga é para saber quem vai vazar o um ângulo mais favorável ao seu grupo político. Agora, nesse ponto de vista, assim, a minha impressão é que, a não ser que apareça uma coisa muito grande do Flávio, um negócio, pelo amor de Deus, algo como apareceu do ACM agora, uma porcentagem de dinheiro lá dos aposentados, uma coisa meio enojante, né? Assim, a não ser que apareça um negócio muito obviamente enojante, eu suspeito que se sair vários desses detalhes das histórias, quando passar pelo filtro informacional lá dos bolsonaristas, eles entubam isso de um jeito ou de outro, entendeu?
Já falei semana passada, enchi o saco de todo mundo com esse negócio demais. Mas assim, é bem claro que a população não sabe que se todas as acusações foram verdadeiras, o Xandão e o Flávio são cúmplices. Eles são participantes do mesmo escândalo, entendeu, que é o escândalo do Banco Master. Isso não tem, cara, eu duvido que 2% da população brasileira tenha feito essa associação. Então acho que ninguém ajudou eles. Precisa fazer.
A gente tá há poucas semanas da eleição e o noticiário ser todo em cima do Poder Judiciário, especificamente do Supremo, não deixa de ser uma grande vitória do bolsonarismo, porque os ministros evidentemente contribuíram para que as atenções se voltassem para eles. Mas isso é uma agenda, como você disse várias vezes, do bolsonarismo de descredibilizar, deslegitimar, colocar dúvidas sobre o Poder Judiciário, seja TSE, seja Supremo. É o eixo do golpismo, né?
É uma espécie de tecnologia forma moderna de golpismo é você aparelhar o STF, que o STF diz o que a Constituição é. Se você aparelhar o STF, a Constituição é o que você disser.
A gente foi capturado. Se você olhar em perspectiva como o debate foi capturado por isso, isso é uma vitória da direita, sem dúvida nenhuma.
Tem gente na campanha do Lula pensando o seguinte, que é preciso reorientar parte da campanha para não falar só sobre isso, para não entrar só no debate sobre isso. Então vai lá e bate no fato que o Bolsonaro não deu aumento real para o salário o caminho. Bate em coisa que mexe na renda de pobre, entendeu? Bota a foto dos caras brigando por osso na porta do supermercado naquela época, entendeu? Vira o discurso para um discurso mais econômico, onde o Lula se sai melhor.
Eu acho que isso seria a melhor ideia. Agora, novamente, será que isso vai chegar em alguém no meio dessa barulheira toda sobre Supremo? Não vai ser fácil não.
Ana, vamos de Princeton para o Rio de Janeiro, voltamos para o Rio de Janeiro. Tô me sentindo aqui o cara da vamos para Princeton, vamos para não sei o que lá.
Voltamos para o Rio, mas vamos agora imediatamente para Minas Gerais.
Vamos para Minas Gerais então.
Eu acho que dentro dessa vantagem numérica que o Flávio começou a apresentar agora, a gente tem que destacar o desempenho de Minas Gerais. Um mês atrás, conversando com as minhas fontes em Minas, com o Felipe Nunes da Quest, que é de Minas, inclusive o Felipe Nunes é de Contagem, enfim, com com todo mundo que entende de pesquisa mais do que eu, Minas era considerado um território em que o Lula poderia ter uma vitória de certa forma confortável naquele momento.
Todo mundo falava, não, assim, embora para o governo do estado o PT tem muitas chances de perder, o Lula tá relativamente bem no estado e a tendência é Minas ir com o Lula, mas ter um governador de direita, como já aconteceu em vários momentos, né? Vários fotos para Dilma e para Anastasia, Dilma-Écio, Lula-Écio, enfim.
O Zema com Lula, né?
Zema com Lula, exato. O que tá acontecendo em Minas, que é esse estado, né, tão enigmático, né, sempre tem essa regra, né, de que o presidente que ganha geralmente ganha em Minas. O que tá acontecendo em Minas é que agora Minas virou. Segundo a Quest, o Lula estaria com 37% das intenções em Minas e o Flávio Segundo turno, né, está falando no segundo turno. Exato. Isso é uma novidade porque não era o que tava acontecendo um mês atrás e nem um mês e meio atrás.
Por mais que haja esse histórico, né, de votos divergentes entre governo do estado e presidente, não ajuda que o candidato petista para o governo do estado de Minas não seja uma pessoa ali que tenha palanques fortes ali dentro, como parece ser o caso do Patrus nesse momento, né. Não tô dizendo que o Cleitinho tá indo muito bem ou enfim, a direita também tá numa situação meio desarticulada em Minas, mas tudo indica que quem vai ganhar vai ser um candidato de direita.
Assim, acho que as chances para um candidato de esquerda ali, ou do PT no caso, são pequenas, né? Então isso já é um problema. Tem uma outra questão que também pode ser usada, e já começou na verdade a ser usada, para tentar minar um pouco a candidatura do Patrus, que é o seguinte: o vice dele, que é o Jarbas Soares, Juarba Soares é primo do Ciro Soares, que é o advogado, lobista, enfim, que fazia as articulações pro Vorcaro e que a gente acabou vindo a conhecer agora quando houve esses vazamentos, né?
O Juarba Soares é um ex-procurador, é uma figura que é muito próxima do próprio primo, né? E que por isso também é muito próxima dessa classe política que tá no centro de toda essa situação no Master. Ele é em Minas considerado um cara muito próximo do Lucas Callas. O Lucas Callas é um dos empresários, enfim, mais próximos do Vôrcaro que já houve, assim, também considerado um empresário acessório ali em vários momentos para o Vôrcaro.
Então o grupo de Minas que tá trabalhando para o Lula em Minas, num momento como esse em que o Master voltou a ser o assunto, não é o grupo mais indicado, entendeu, para se ter, sobretudo pela presença do Jarbas Soares na coligação e é uma coligação que é mais vulnerável aos ataques sobre o caso que hoje é o caso mais rumoroso.
Jarbas Soares, que não é do PT, né? Ele é do PSB, não é isso?
Isso, do PSB. PSB do João Campos, não PSD do Kassab. E no âmbito nacional tem uma questão que é, primeiro, como o Celso bem disse, todo o noticiário tá voltado para esses vazamentos nesse momento. Mas não só todo o noticiário, Claro, mas o próprio Lula tá tendo que a todo momento intervir em tudo isso. Então, por exemplo, você teve essa questão da PF, né? É óbvio que o Lula conversou com Fachin, recebeu Fachin, conversou com Messias.
É claro que ele participou dessa articulação para tentar diminuir a temperatura dessa crise. Teve que soltar nota sobre o Master. Então assim, o tempo que ele em tese estaria para a própria campanha, ele tá tendo que usar para se desvencilhar da crise e para tentar, em última instância, ajudar a resolver a crise. Porque é uma crise entre poderes, uma crise dentro de um poder e que pode acabar resvalando para outros poderes, né, como tá indicando que tá fazendo.
Então tem isso também, ele não pode se dedicar à campanha como ele se dedicou, vamos supor, a campanha passada. Passada. No momento como esse da campanha passada, o que se falava era só como é que tava a campanha do Lula, como é que tava a campanha do Bolsonaro, ou como é que tá indo o golpe do Bolsonaro, entendeu? Era mais ou menos essa a dinâmica, né? E hoje nem ele pode falar tanto da campanha dele, porque em determinado momento, vamos supor que ele vá falar com a imprensa, o que vão perguntar para ele não é sobre entrega de governo ou sobre o que ele vai estar prometendo para um eventual próximo mandato, sim, e o Master, e o Alexandre, e o André Mendonça, e o INSS, e o Lulinha.
É isso, é isso. Eu não quero terminar sem fazer uma menção à bizarrice do 7 de setembro na Avenida Paulista, em que você teve, entre outros momentos, um boneco do Trump no dia 7 de setembro. Os supostos patriotas erguendo um boneco do Trump. É tudo tão explícito, tudo tão paradoxal à sua maneira, né, Celso? E a gente tem dito, você tem dito, insistido muito nesse aspecto que é central para eleição. O Brasil está sob ataque da maior potência internacional, sob ataque mesmo, né?
E essa candidatura tá prometendo justamente escancarar o país para os interesses de Donald Trump.
E foi bom você lembrar disso, que eu acabei me esquecendo. É bom dar parabéns ao Marco Rubio porque o candidato dele empatou com Lula aqui na pesquisa.
Muito bem, lembrando isso, a gente vai então encerrando o terceiro bloco do Fazemos um rápido intervalo e Kinder Ovo na volta. Já voltamos.
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Muito bem, estamos de volta. Mari Faria, vamos ver o que. Que você aprontou nessa semana. Solta aí, Dani.
Esquerda gosta de falar do AI-5, mas o inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes é muito pior.
Mourão é o Mourão, Celso, que falou antes, né? Eu vou querer var só por uma questão, beleza?
Beleza, só para não perder o costume, né, Fernando?
É bem na minha linha de atuação aqui.
Foi você Foi você que falou antes.
Agora, que filho de uma, né, cara? Se o cara comparar o AI-5, que matou e torturou milhões de pessoas, com inquérito de fake news, né, cara? Pessoal não tem limite, impressionante.
É foda, é foda. Então, para os anais, casca de ovo. Se fosse o contrário, se eu tivesse em Princeton e o Celso aqui, eu podia falar que era o delay e tal, que eu falei antes.
O fuso horário aqui é antes, né?
Então talvez tenha Para os anais, quem fala é o senador Hamilton Mourão, Republicanos do Rio Grande do Sul. Entrevista à Jovem Pan News. Muito bem, assim nós vamos terminando o Kinder Ovo. Vamos então para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, momento de vocês, o correio elegante. Eu vou começar aqui com a mensagem do @gtuppi, é G-T-U-P-P-I. Postou o seguinte: depois do episódio de hoje, preciso de uma informação, onde comprar passagem para Passargada. Ah, já tá. E se você souber, você fala para gente também.
Também queremos, eu te faço um Pix.
E tem outra mensagem aqui, @cristalfi. Cristalfi disse o seguinte: Ana Clara, fica tranquila, a gente não vai precisar se submeter ao sacrifício de assistir o filme Dark Horse ele se enquadra perfeitamente na seara do Celso. 100% verdade, que não só vai gabaritar todos os kinders sobre o tema, como vai fazer um PowerPoint perfilando os personagens, explicando suas relações na irmandade superlativa.
Exatamente.
Fizemos um pouco disso hoje já.
Ai, gente, eu confesso que eu não assistirei, viu? A não ser que me ameacem, aí pode ser que sim.
Eu vou ver.
O Celso e a sua Célsio, o Célsio, ele via até transmissão do Paulo Figueiredo para poder.
É, eu vou ver e vou fichar e vou trazer aqui, cara.
Tem tanta coisa que eu quero assistir, que eu quero ler, que eu não tenho tempo. E aí eu vou usar meu tempo para assistir isso. Pois é, que todo mundo vai assistir, inclusive o Célsio. Então eu vou terceirizar.
Eu não vi A Odisseia até hoje, mas vou ver essa aí.
Eu vi Odisseia, também não vi Odisseia ainda.
O @pedrioww ou Pedri escreveu: cada episódio novo que eu escuto do Foro de Teresina é como estar ouvindo as trombetas do Apocalipse, e cada semana elas estão ficando mais altas. Desesperador. Olha, meu amigo Pedriol, realmente a gente concorda com você.
É isso mesmo, você está correto. O Gabriel Bueno escreveu: imagina alguém comentando no clube de escuta da Papudinha. Vocês lembram no episódio passado a gente falou, se tiver alguém ouvindo a gente na Papudinha. Alguém respondeu, aí falou: imagina alguém comentando no clube de escuta da Papudinha. Caraca, que degradação institucional, meu irmão! Deve ser isso mesmo. Corretíssimo, Gabriel.
Ó, a gente continua esperando o nosso correspondente na Papudinha.
Isso aí, muito bem. Bom, o que é bom acaba logo, que não é tão bom também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music favorita, na Deezer, e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a Revista Piauí.
A coordenação geral é do Paulo Vítor Ribeiro, a direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A montagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Vítor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola.
O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana em São Paulo, no Estúdio Raço do no Rio de Janeiro e em Princeton, Nova Jersey. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana!
Tchau, Fernando! Tchau, pessoal!
Tchau, Celso! Boa volta!
Tchau, amigos! Semana que vem estarei aí comendo pão de queijo.
Muito bem, é isso. Uma ótima semana a todos e até a semana que vem!