O Master, a eleição e a guerra no STF
No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam as novas revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueir Daniel Vorcaro, que colocaram o Supremo Tribunal Federal sob forte pressão e abriram uma nova frente de crise institucional. No segundo bloco, o trio discute as consequências políticas desse episódio para as eleições deste ano, em uma disputa presidencial cada vez mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. No terceiro bloco, os apresentadores recebem Breno Pires, repórter da piauí que revelou novos pagamentos de Daniel Vorcaro ligados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e os caminhos percorridos pelo dinheiro até chegar à produtora de Dark Horse.
Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft128
Dê ouvidos a uma boa história. Escute a revista é o novo projeto da piauí, exclusivo para assinantes da revista e do Clube da Novelo, com reportagens selecionadas narradas pelos próprios jornalistas. Acesse pelo Spotify https://tinyurl.com/radio-piaui-escute-a-revista ou baixe o nosso novo aplicativo https://onelink.to/app_revistapiaui
Quer anunciar no Foro de Teresina? Entre em contato com nossa área comercial: comercial@revistapiaui.com.br.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- As revelações do relatório da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro e Alexandre de MoraesDaniel Vorcaro·Alexandre de Moraes·Supremo Tribunal Federal·Polícia Federal·Viviane Barsi·Fábio Faria·Paulo Gonet·Andrei Rodrigues
- O envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o filme Dark HorseFlávio Bolsonaro·Daniel Vorcaro·Dark Horse·HeavenGate·Antônio Carlos Freixo Júnior·Eduardo Bolsonaro
- A crise institucional no STF e as implicações políticas para as eleiçõesSupremo Tribunal Federal·Eleições 2024·Lula·Flávio Bolsonaro·André Mendonça·Augusto Cury
- A atuação de Daniel Vorcaro e a promiscuidade com autoridadesDaniel Vorcaro·Alexandre de Moraes·Paulo Gonet·Andrei Rodrigues·Viviane Barsi·Ciro Soares
- A guerra interna no STF e a busca por apoio do governo LulaSupremo Tribunal Federal·André Mendonça·Daniel Vorcaro·Alexandre de Moraes·Luiz Inácio Lula da Silva·Gilmar Mendes
- A triangulação financeira e a caixa preta do filme Dark HorseDaniel Vorcaro·Dark Horse·Entre Investimentos e Participações·HeavenGate·Paulo Calixto·Eduardo Bolsonaro
Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí.
Um ministro do Supremo Tribunal Federal não pode se prestar à condição de assessor de banqueiro, mesmo se fosse um banqueiro honesto. Mas o ministro Alexandre tinha plena consciência que assessorava um banqueiro desonesto.
Tem o Fernando de Barros e Silva da minha casa em São Paulo, tenho a alegria conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!
Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Na avaliação do diretor-geral da PF, André Mendonça estaria extrapolando as atribuições constitucionais e estaria atuando como juiz, investigador e Ministério Público, tudo de uma única vez.
Diga lá, Celso Casca de Bala!
Fala aí, Fernando! Estamos aí, mais uma sexta-feira.
Pessoal, vão ficar insistindo nisso? Eu parei para atender vocês com o maior respeito aqui. Não adianta vocês ficarem perguntando coisa que não tem como responder. Não tem fato novo nenhum, a prestação de contas está feita, gente.
Mais uma sexta-feira e não seremos só nós três. Temos no Estúdio Hersch em Brasília a presença do Breno Pires, repórter da Piauí e autor da reportagem Em Cartaz a Caixa Preta, que trata justamente do envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro por meio deste grande empreendimento cinematográfico fotográfico, o Dark Horse. Fala, Breno, bem-vindo!
Salve, Fernando, Ana, Celso e Teresiners! Prazer tá aqui.
Prazer é nosso. A reportagem do Breno, um recado para vocês, é um dos textos disponíveis em áudio no Rádio Piauí Escute a Revista, onde os assinantes da Piauí e os assinantes do Clube da Novelo podem ouvir as reportagens narradas por seus autores no Spotify, ou no novo aplicativo da Piauí. Este mês tem reportagem do Breno e da Ana Clara. Ouçam lá! Agora, sem mais delongas, aos assuntos da semana. Estamos a um mês do primeiro turno das eleições, no dia 4 de outubro, e o escândalo do Caso Master ocupou de vez o centro do palco da campanha eleitoral.
As revelações do relatório da Polícia Federal detalhando o relacionamento promíscuo entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes são devastadoras. Elas mostram um conjunto de mensagens de WhatsApp altamente comprometedor, mensagens indicando que o ministro do Supremo atuou como conselheiro de luxo do banqueiro corrupto enquanto este tentava escapar da polícia. Moraes não apenas tinha pleno conhecimento do contrato de mais de R$130 milhões firmado no início de 2024 entre o escritório de sua mulher, Viviane Barsi, e Borscaro, como fez também as alterações no documento antes que ele adquirisse sua forma final.
Foi o ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, quem intermediou o contato entre Moraes e Vorcaro. Tudo começou no final de 2023, quando o banqueiro ofereceu um almoço à família Barsi de Moraes, com a presença do ministro, no hotel de luxo de Vorcaro, em Campos de Jordão, na Serra da Mantiqueira. Ali acertou-se a parceria, formalizada em janeiro de 2024 e só interrompida em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.
A certa altura nas mensagens, Vorcaro diz que o acerto com os Barsi de Moraes era, abre aspas, o contrato mais importante que temos, fecha aspas. Em outra ocasião, ordenou que o pagamento fosse feito, abre aspas, sempre sem nota, do jeito que for, fecha aspas. As mensagens também indicam que Volcaro pediu a Moraes que interferisse em seu favor junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonê, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
No dia 30 de outubro de 2025, pouco mais de 2 semanas antes de ser preso, Volcaro escreve: Abre aspas: É importante reforçar com o André e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco. Fecha aspas. Em 15 de novembro, 2 dias antes de sua prisão, quando tentava sair do país, o banqueiro perguntou a Moraes: Abre aspas: Acha que segunda já tenho que estar fora? Fecha aspas. A divulgação dessas conversas abriu uma crise sem precedentes no STF.
Cercado de policiais federais que lideraram as investigações da Lava Jato, o relator do caso master, André Mendonça, tomou sua decisão sabendo das implicações políticas que ela teria. Sabia e teve a intenção de contaminar o processo eleitoral. Atingido com morais, Paulo Gonê pediu anulação do material revelado e o arquivamento da investigação, alegando que Mendonça não poderia ter agido sem antes consultar o plenário da corte.
Corte que, por sua vez, silenciou sobre o escândalo em sua primeira reunião depois das últimas revelações, fingindo ignorar o elefante instalado na sala do plenário. A reputação do STF nunca esteve tão abalada, e isso muito provavelmente terá impacto eleitoral, além de jogar água no moinho da deterioração institucional que interessa sobretudo à direita. Uma pesquisa Quest divulgada na última quarta-feira mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados na simulação de segundo turno, 42 a 41.
A diferença era de 3 pontos a favor de Lula no levantamento anterior, e a pesquisa de agora foi a campo antes que as novas revelações sobre Moraes pudessem ser medidas. O que a Quest também confirmou foi o crescimento já captado em outras pesquisas, do candidato Augusto Cury, do Avante, que chegou a 10% e se isolou dos demais nanicos, Renan, Zema e Caiado. É muito improvável, muito mesmo, que o guru da autoajuda se viabilize como rival de Lula no lugar de Flávio.
Mas é sintomático que a terceira via, vamos chamar assim, por ora seja ocupada por alguém que vive de vender a sua groselha motivacional com receitas de superação individual à base de ideias feitas e fumaças de espiritualidade. Sinal dos tempos. De tudo isso a gente vai falar nos dois primeiros blocos. No terceiro bloco a gente recebe o Breno, que nessa semana revelou que Flávio recebeu mais dinheiro de Vorcar do que havia admitido, e que Flávio mentia ao sustentar que os pagamentos do banqueiro, supostamente destinados ao financiamento do Dark Horse, tinham se encerrado em maio de 2025.
A reportagem da Piauí encontrou um repasse em 16 de setembro de mais de 1,6 milhão de dólares de Vorcaro ao fundo que financiava a produtora do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. E há indícios de uma outra parcela que teria sido paga em outubro. Até agora, sabe-se que pelo menos 12,3 milhões de dólares, mais de R$65 milhões, foram transferidos de Vorcaro para a família Bolsonaro. O dinheiro fazia um caminho pouco convencional.
Em vez de sair diretamente das empresas de Vorcaro para a produtora do filme, passava por um intermediário e chegava ao HeavenGate, um fundo no Texas administrado por um amigo de Eduardo Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República acaba de fechar um acordo de colaboração premiada com este intermediário, Antônio Carlos Freixo Júnior, codinome Mineiro. Minas, como dizemos, é decisiva para o resultado da eleição. Quem sabe, no meio de tanta lama, este Mineiro em maus lençóis venha iluminar as mentiradas de Flávio Bolsonaro antes que seja tarde demais.
É isso, vem com a gente. Muito bem, Ana, vamos começar com você. Comecemos pelas mensagens, né?
Bom, Fernando, eu queria começar falando do que é fato para depois a gente escarafunchar um pouco o que está por trás dos fatos, né? E o que é fato olhando esse material que foi vazado? Porque ele primeiro foi vazado e depois foi levantado o sigilo, né? A gente já falou aqui algumas vezes, né, que o Daniel Vorcaro, ele tem aquela expressão, ficou eternizada no Supremo, traços de psicopatia, né? Ele parece de fato acreditar na ilusão de que ele é um perseguido, né?
Então o tempo todo ele repete a palavra sacanagem em muitos momentos, como se alguém quisesse sacaneá-lo, como se ele fosse uma vítima do sistema que quer tirar o banco dele, né? Isso é muito impressionante, rapaz, tão bom, né? Porque Você vê que o cara acredita na própria mentira assim com veemência, né?
Já dizia o George Costanza do Seinfeld: não é mentira se você acredita.
Exato. E para além desse comportamento psicopata, me perdoem os psiquiatras e os psicopatas, os ouvintes psicopatas.
Exato.
Vamos dizer que eu tô aqui fazendo diagnóstico sem ter formação para isso, mas Tudo isso é licença poética, gente.
Eu leio sacanagem assim: eu tô pagando tão bem pra vocês, não vão deixar as pessoas que estão subordinadas a vocês foder a gente.
Pois é.
Faz todo sentido.
Também.
Essa é a legenda da sacanagem.
Bom, o segundo ponto que eu achei esclarecedor é a posição do Galípolo nesse jogo, né? Até então, eu que acompanhei especialmente no detalhe esse caso, porque até fiz uma reportagem falando disso pra Piauí, há alguns meses, a posição do Galípolo, ela ficou em muitos momentos ambígua sobre essa questão do salvamento do Master, até que ponto eles deixaram a corda esticar pra salvar o Master e tal. Era visto com ambiguidade a atuação, que ele poderia ter sido mais incisivo antes.
E eu acho que essas mensagens deixam claro que ele não era visto pelo Daniel Vorcaro como um aliado. No aspecto de imagem do Galípolo ali, ficou muito bem pra ele, porque em todo momento ele é colocado como alguém que tava marcando em cima, né, do Master. Entre mortos e feridos, o Galípolo se saiu bem. Essas mensagens também não comprometem, apesar de parecer ser a intenção, né, elas não comprometem o Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Porque elas mostram que há uma coisa que a gente já sabia que existia, né, que é uma espécie de uma relação hierárquica do Andrei em relação ao Alexandre de Moraes. O Vôrcaro pede pro Alexandre de Moraes falar com o Andrei pra pedir pro Andrei barrar, pra pedir pro Andrei segurar. Mas em nenhum momento a gente tem qualquer indício de que isso tenha sido barrado ou segurado ou qualquer coisa, porque o cara no fim foi preso, né?
Teve a operação e ele foi preso. A gente falou em algumas ocasiões aqui no fórum que o próprio inquérito do golpe acabou estabelecendo uma relação muito próxima do Andrei com o Alexandre de Moraes, em muitos momentos de subordinação. Do Andrei ao Alexandre de Moraes. Isso fica claro nessas trocas de mensagem agora. Mas em nenhum momento há um indício de que o Andrei aceitava esses pedidos que eram feitos pelo Vorcaro. Isso até agora.
A gente tem ali o histórico da viagem do Andrei pro evento de Londres e tal, a degustação de uísque. Mas até agora, o que há de documento, né, que foi exposto, nenhum mostra que o Andrei de fato atuou pelo Master, né.
É, eu não ponho a minha mão no fogo, bom, por ninguém em princípio, né? Nenhum de nós põe. Mas eu desconfio de que o Andrei possa estar em situação pior do que apenas participar dos covescotes em Londres, participar desse negócio de uísque. Primeiro que diretor-geral da Polícia Federal não é para tomar uísque com banqueiro pago por banqueiro em Londres, né?
Não é de jeito nenhum, de jeito nenhum, nenhuma dessas autoridades.
Enfim, é, mas é que a gente tá discutindo um negócio muito além, né? Um negócio de autoridade que, porra, tentaram barrar o processo.
Mas enfim, é uma desconfiança minha de que a gente deve ir com cautela em relação ao Andrei.
Bom, eu acho que por último fica também muito claro, porque isso não tava tão claro nas outras mensagens que tinham sido vazadas há alguns meses, é quando o celular do Vuorcaro, o conteúdo de alguns aparelhos, a gente não sabe ao certo quantos, né, foram vazados. E havia essas mensagens pro Alexandre de Moraes, mas assim, a gente não sabia ao certo qual era a dinâmica. Primeiro que não eram todas, que estavam ali, né? Então a gente ficava com uma certa dúvida em relação a essas mensagens, até que ponto o Alexandre de Moraes era responsivo a isso, né?
Até que ponto ele tava disponível. Isso não tava claro naquele momento e agora tá muito claro, porque pela troca de mensagens você vê o Vôrcaro marcando, o Alexandre de Moraes tá confirmando, porque depois o Vôrcaro fala, ah, então tá, beleza, 14 horas. Ou então ele faz uma pergunta e ele tem uma resposta E fala, então tá, beleza, obrigada. Ele faz consultas jurídicas ao Alexandre de Moraes, né. Em vários momentos, ele situa o então advogado dele, que é o Pierpaolo Bottini, que tava com ele até determinado momento, propondo soluções jurídicas em que ele checava com o Alexandre de Moraes pra saber se ele concordava.
Então assim, a intimidade que essas mensagens mostram, por mais que a gente não tenha a resposta, A própria réplica do Vorcaro já expõe o nível do relacionamento ali. Sem contar, obviamente, dos absurdos, né? O segundo contrato feito com a Doutora Viviane Barsi.
Eu nem mencionei esse segundo contrato, talvez você possa falar um pouquinho.
É um contrato que foi encontrado lá nos celulares, né? Que ofereceria um pagamento adicional ao escritório Barsi de Moraes, que seria de R$50 milhões, dos quais, se não me falha a memória, R$40 milhões como participação na propriedade de um avião e um helicóptero, e R$10 milhões também relacionados a gastos com o avião e helicóptero, uma coisa assim. Contrário do outro contrato, aquele que a Magalu Gaspari cobriu, esse contrato não tava assinado. Então ele era uma minuta, então a gente não sabe ainda se isso aconteceu.
É curioso e triste. Veja os elementos que estão por trás, né, da relação do ministro do Supremo com o banqueiro. Helicópteros, aviões. Exatamente.
É, e a mensagens que mostram o quanto a Viviane elogiou a estrutura de uma das aeronaves, né, do voo de jatinho. E ainda esse fornecimento de cartões de limites exorbitantes para os filhos do Alexandre de Moraes, que embora eles tenham dito que não usaram esses limites, isso já mostra também uma, enfim, uma promiscuidade completamente imprópria nesse ponto, né, em qualquer ponto, na verdade.
Exorbitantes, mas 10% do que o escritório recebia por mês do Furcar. Sim, R$300 mil é o limite do cartão. Ele recebia mais de R$3 milhões, R$3 milhões e 600 por mês. Então é módicos R$300 mil.
Olha só, uma outra coisa que me chamou atenção nesse vazamento e depois no levantamento desse sigilo é o foco no Alexandre de Moraes. A gente sabe que outros ministros eles próprios ou seus parentes negociaram com o Daniel Vorcaro. Ministro Dias Toffoli, Ministro Cássio Nunes Marques. E esses ministros não estão contemplados nesse relatório, né? Então, se esse relatório tinha como objetivo expor a participação de membros da corte nesse esquema, houve uma seleção de qual membro da corte expor.
Sem dúvida.
Ou então esse negócio do Toffoli com o Vorcaro foi super probo, né? Foi um negócio limpíssimo, né?
Tecnicamente, né, é uma possibilidade que nem, sei lá, né, aquele— você sabe se o monstro de Loch Ness não existe mesmo?
Pois é. Então eu acho que essa ausência, né, se essa parte do inquérito é uma parte que é delicada porque trata do envolvimento da corte com esse esquema, por que escolher um ministro da corte e não tratar das mensagens envolvendo todos os ministros da corte. Tem um outro ponto que daí é a resposta da PGR, que diga-se de passagem também tá contemplada nessas trocas de mensagem, né, em que o Paulo Gonê pede para o filho dele ser levado para degustação de uísque e charuto em Londres.
E a resposta da PGR a esse caos, né, que tá acontecendo é o pedido de nulidade ali, porque eles alegam que o André Mendonça não poderia estar investigando ao mesmo tempo que debatendo ao mesmo tempo que julgando, que foi exatamente o modelo estabelecido pelo Alexandre de Moraes no inquérito do golpe. Então, na hipótese desse pedido da PGR ser acatado pelo Supremo, pelo Fachin, não sei, né, se o Fachin achar que essa argumentação ela é válida, você abre um flanco para que a defesa do Jair Bolsonaro use essa mesma argumentação para tentar anular o processo no qual ele foi condenado.
Então há um contra-ataque vindo por parte da PGR que pode ter consequências incalculáveis, né? Nesse caso não se sabe o que que vai vir desse pedido de anulação, mas é um pedido de anulação que abre um flanco para algo que é um pouco maior que isso.
Além disso, o Gonê está citado numa situação comprometedora. O que eu quero dizer? Ele precisa ser investigado. O fato dele ter se manifestado também é um problema.
É ter saudade do Vorcaro, é ruim, não é bom não.
Do dane, como diria o Nicolas Ferreira.
E pedir para pagar a estadia do filho, esse veraneio em Londres com Macallan e charuto, é de uma cafajestada isso?
É aquele assédio inicial que o corrupto faz às autoridades. Daí em diante ele vai vendo até onde dá para ir, né?
Aí ele vai te chamando um negócio, aí vai te enrolando, vai te envolvendo.
O Gonê tá reivindicando a nulidade de um processo no qual ele é um dos suspeitos. Essa que é a verdade.
Exato. E por último, veio à luz esse personagem novo que é o Ciro Soares, um advogado lobista de Brasília que fazia, na verdade, a conexão com todos esses personagens, né? Ele fazia a relação do Vôrcaro com o Gonê. Ele foi o cara que foi falar do Vôrcaro para o André Mendonça, era recebido pelo André Mendonça, testar terno com André Mendonça. Ele tem uma capilaridade impressionante, esse advogado, e eu não conhecia. Então fui procurar saber, e o que soube: ele é um advogado muito próximo do senador Otto Alencar, do PSD, tem relação com Kassab, tem relação com Jax Wagner também, bastante.
Enfim, é um cara ecumênico, né? E ele entrou no caso do Vorcaro porque ele é sócio do Podvol. Ele tem uma sociedade específica com o Roberto Podvo, criminalista, que defendeu o Vôrcaro no início do processo, entrou na defesa do Vôrcaro. E foi aí que o Ciro acabou se enfiando ali no meio do Vôrcaro e acabou fazendo essas conexões, né? Pelo que eu ouvi das fontes com quem eu conversei, ele é um cara que circula muito bem no Senado.
Então, quando tem, por exemplo, sabatina de ministro do Supremo, ele acerta a ida do candidato na casa do senador X, do senador Y. Então assim, É um, enfim, uma espécie de lobista ali do Senado e do Judiciário. E é um personagem que eu acho que a gente tem que ficar de olho. É desses personagens pouco vistos e pouco falados em Brasília, mas que fazem muito.
Celso, deixa eu te ouvir sobre isso tudo.
Bom, então, Fernanda, as revelações dessa semana, se você já tinha a suspeita de que o contrato que a Malu Gaspar descobriu do Vorkar com a mulher do Xandão era uma tentativa de suborno, era uma tentativa de comprar apoio do Alexandre de Moraes. Se você já tinha essa suspeita, suas suspeitas foram altamente reforçadas. Eu não quero me meter em complicações jurídicas, mas eu diria que essas suspeitas são razoavelmente apoiadas nas evidências disponíveis.
Meu advogado tinha que me aplaudir agora com esse começo, você não acha que eu tinha? Enfim, se você já achava que o negócio do Xandão com o Vôrcaro era sacanagem, você saiu dessa semana com essa sua impressão muito reforçada. Se você achava que não era sacanagem, eu sugiro que você reveja seus pressupostos, porque a Ana disse tudo. O nível de proximidade que tá aparecendo aqui do Xandão com o Vôrcaro não é normal, certo? É uma coisa completamente bizarra.
A frequência dos contatos de um ministro da Suprema Corte com o cara que fez a maior fraude financeira da história política brasileira é absolutamente aberrante, certo? É um negócio grotesco isso aqui. Como eu disse no caso do Lulinha, eu sugiro que você gaste sua energia defendendo coisas que podem ser defendidas mais facilmente, entendeu? O Alexandre de Moraes obviamente tem o direito de se defender. E assim, eu não sei dizer assim, por exemplo, se isso aqui fosse um processo criminal contra ele, se isso já é suficiente para prender o cara, se você teria que ter evidências mais robustas que ele fez alguma coisa num julgamento a favor do cara.
Isso eu sinceramente não sei, deixo pros advogados. Mas é óbvio que isso aqui é errado, né, gente? Não tem nenhuma discussão. É uma coisa que vai além daquela promiscuidade de Gilmar Paluza, sabe? Aquela coisa de você chamar o cara pra um evento, você chamar o cara pra uma festa, que já é errado isso, mas isso aqui vai além. Esse contrato com a Viviane Barsi não é um contrato de advocacia normal. Como disse um amigo meu, se um departamento jurídico de um banco aprovasse um contrato nesse valor, com o maior advogado que seja, o chefe do departamento jurídico seria demitido.
E um contrato verificado pelo Alexandre de Moraes.
Exatamente. Então não há a menor possibilidade disso aqui tá tudo ok. Não tem nenhuma chance disso aqui tá tudo dentro da legalidade. Evidentemente é um golpe duríssimo, não só na reputação do Alexandre de Moraes como na reputação do STF. Que a gente sabe que continua sendo alvo da extrema-direita, que tentou dar um golpe e não conseguiu por causa do STF. Nesse ano a gente tem uma eleição que há forte possibilidade de ter uma maioria golpista no Senado, que pode empichar os ministros do STF pelo motivo errado.
Porque assim, cara, se os caras apoiam Flávio Bolsonaro, eles não podem querer empichar alguém por motivo de envolvimento com o caso Master. Mas eles podem usar o caso Master agora como desculpa pra empichar o ministro que eles querem empichar pela sua atuação contra o golpe. Então isso é gravíssimo. Vamos escolher as palavras com cuidado, mas assim, a situação do Alexandre de Moraes tá dificílima. Eu não queria ser o advogado do Alexandre de Moraes e um dia descobrir que vazou isso tudo aqui sobre meu cliente.
Eu estaria aterrorizado se eu visse um negócio desse. Eu acho meio cedo para prever o que que vai acontecer com qualquer uma dessas pessoas, mas assim, não tem a menor dúvida que a semana é um absoluto desastre para o Alexandre de Moraes, para os defensores do Alexandre de Moraes, e para o Supremo como instituição. Exatamente. E aí, no caso do Supremo como instituição, não só pelo que saiu do Alexandre de Moraes, mas por todas essas suspeitas de que, por exemplo, o Mendonça, que é outro ministro do Supremo, pode estar fazendo isso para influenciar na eleição, que o Mendonça pode estar poupando outros ministros como o Toffoli e o Cássio.
Então a impressão para quem tá olhando de fora é que o Supremo é um bando de sem-vergonha, que tem um cara que é ladrão que fica tentando jogar a culpa para cima do outro. O custo institucional dessa semana vai ser alto. Porque isso vai custar para o Brasil em termos de legitimidade institucional, vai ser considerável. Além do Xandão, outros personagens apareceram nos vazamentos, em geral com um nível de gravidade incomparavelmente menor, né?
Então, por exemplo, como vocês disseram, o Gonê aparece ali querendo whisky caro e charuto. É um desempenho patético do Paulo Gonê, do PGR. É absolutamente ridículo que um sujeito com uma posição de autoridade dele se comporte dessa maneira, absolutamente palhaça. Mas a gente não tem uma decisão dele a favor do Vórcaro, por exemplo. A gente não tem indício que ele tenha feito coisa a favor do Vórcaro. Então a situação dele é bem ruim, mas pelo menos por enquanto ainda nem se compara com a situação do Alexandre de Moraes.
Ele tá alguns passos atrás em termos de envolvimento até esse momento. Eu concordo com a Ana no que se refere ao Andrei, o chefe da Polícia Federal. O que sai não me impressionou, pelo que saiu até agora, dos vazamentos até agora. Não tem nada contra ele. E o Andrei, a gente sabe que prendeu o Vorkaro. Então todas essas coisas a gente tem que ver o que o cara fez depois, né? E no dia seguinte dos vazamentos, o jornalista Paulo Motorim, que tem um Substack chamado Noites Húngaras, nos contou que houve uma reunião do próprio André Mendonça com Daniel Vorkaro.
A reunião foi feita no instituto do André Mendonça, o ITER, e o assunto da reunião teria sido uma decisão judicial sobre um conjunto de precatórios que o Master negociava. Esses precatórios são um negócio absolutamente suspeito, porque assim, o precatório é um direito de cobrar uma dívida. Então, por exemplo, o governo tá te devendo um dinheiro, ele emite um precatório. Se você quiser, você vende esse precatório para outra pessoa, ganha um dinheiro agora, e a outra pessoa fica com direito de cobrar o governo depois.
Mas esses precatórios aparentemente estavam sendo emitidos antes da decisão final da justiça de que o governo seria obrigado a pagá-los. A turma toda tava botando isso no balanço das empresas como se já tivesse valor de um precatório de verdade. Então tem toda a cara de mutreta. Inclusive, uma mutreta financeira comum é o cara comprar um troço desses que só dá certo se tiver uma decisão judicial picareta e depois ir atrás da decisão judicial picareta.
Eu não tenho a menor dúvida que era isso que o Vôrcaro queria fazer com o Mendonça, mas aparentemente o Mendonça não fez o que ele queria. Então, obviamente, muito feio para o Mendonça tá em reunião com o Vôrcaro nesse instituto dele que cá entre nós não deveria existir, certo?
Não deveria.
E já há acusações contra esse instituto. Ele já pediu vistas num processo do governador de Roraima que tinha contratado o serviço do instituto dele, mas aparentemente ele não fez nada pelo Volcar. Então novamente, feio, ruim, talvez mereça outra mais investigação, mas vários passos atrás do Alexandre de Moraes em termos de envolvimento, né, cara? É um amigo meu bem disse uma coisa: quando você tá falando de STF, alguém diz um instituto do ministro, você já faz Você já sabe que lá vem bomba, porque assim, por que que ministro do STF tem instituto?
Segundo informações que estão na imprensa, o instituto dele fechou mais de 50 contratos com entes públicos, sendo os principais de governos estaduais de estados governados pela direita, prefeituras e estados. Os principais são governo Tarcísio, Prefeitura de São Paulo Ricardo Nunes, governo do Amazonas e hoje, dia em que estamos gravando, o ministro André Mendonça anunciou a sua saída da sociedade do instituto. Eu acho que vale dizer que ele abriu esse instituto depois de se tornar ministro do Supremo.
Exato, exato. Esse instituto já é uma nota de rodapé na nova edição, que não vai existir, dos Donos do Poder, do Raimundo Fauro.
Exato.
É mais uma nota de rodapé do velho patrimonialismo, da confusão entre público e privado, ganhar dinheiro de maneira irregular, etc.
E aí, novamente, quer ver? Por exemplo, num dia sai a história do que é um escândalo. Enfim, R$130 milhões, um contrato desse do Alexandre de Moraes, um negócio escandaloso, já cobra um preço de legitimidade do Supremo. No dia seguinte você ouve essa história do André Mendonça, que não é a mesma coisa do Moraes. A gente tem que ter senso de proporção aqui. Ele não fez o que o Vó Caro queria. Mas aí você puxa dessa história, você sabe da história do Instituto, que tem essas histórias. Então isso tudo vai cobrando um preço de legitimidade, entendeu?
Você é ministro do Supremo, ainda tem tempo de coordenar o Instituto.
Pois é, porque tem uma fila grande de processo lá.
Como é que o Gilmar que faz, como é que ele faz.
Pois é, por isso que eles ganham mais que a gente, que eles têm mais capacidade de trabalho, entendeu? Enfim, uma semana bastante ruim para legitimidade das instituições brasileiras, né? Quer dizer, se você pensar no papel que o Supremo teve no combate ao golpe 4 anos atrás, que os golpistas estão em empate técnico na eleição presidencial, é péssimo que essa instituição chegue nesse ponto da história brasileira tão enfraquecido.
O que eu acho importante a gente registrar É o movimento das últimas semanas do André Mendonça. Vazaram as coisas do Lulinha, não se sabe exatamente quem vazou, e agora é produzido esse relatório sobre o Alexandre de Moraes. A gente tem que colocar as coisas em perspectiva, existe uma relação entre elas. Sobre isso e sobre as implicações políticas desse episódio, a gente vai continuar falando no segundo bloco. Fazemos um rápido intervalo e já voltamos.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Wayfair, every style, every home. Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você. Tá instalada uma guerra dentro do STF, sinais de uma crise institucional, se não é sem precedentes, é das maiores da história republicana e desde a redemocratização, com certeza. Embora nós tenhamos, como o Celso sempre repete, vivido uma tentativa de golpe de Estado e nada se compara a isso, não faz muito tempo, né? Você andou apurando, andou conversando com as pessoas, vamos tentar entender Inclusive esse silêncio do tribunal na primeira reunião em plenário depois que as mensagens vieram à tona.
Fernando, eu acho que a primeira coisa que precisa ficar claro é que a gente tá num momento de caos. Isso significa que não tem ninguém ali com uma estratégia super organizada de mover os peões e chegar num lugar específico e virar à direita e depois dar um salto. Não, não tem. Isso não tá acontecendo, entendeu? Não tem um indivíduo acima de toda essa situação que tá movendo as placas da República. O que a gente tá vivendo é caos e reação ao caos.
E aí é muito imprevisível onde isso vai dar. Quem se arvora a dizer hoje o resultado disso, que vai todo mundo passar pano, ah, o Alexandre de Moraes tá liquidado, todas as hipóteses ainda, acho que é muito prematuro dizer, né? Ninguém sabe, ninguém, ninguém, nem eles. Dito isso, eu quero voltar algumas casas porque eu acho que é aí que começa a nossa história, que é quando o Vôrcaro tenta fechar a delação dele e que o advogado dele era o Juca, né?
A gente já falou algumas vezes dele aqui. E aí teve uma confusão naquela época em que o André Mendonça tava achando que o Vôrcaro tava querendo fazer uma delação seletiva poupar a gente e ferrar outros e tal, né? Ah, meu amigo Ciro Nogueira, enfim, né? A gente sabe o que que tava acontecendo naquela época. E acabou havendo uma discussão ali entre o André Mendonça e o Juca. O Juca saiu da defesa do Vôrcaro, entrou um outro advogado, Sérgio Leonardo, e depois ele chamou um outro advogado que é Daniel Bialski.
O Daniel Bialski é um criminalista muito conhecido, ele é muito amigo do André Mendonça. Eles são especialmente próximos. E qual que é a conexão deles? É o Cezinha de Madureira, que é um deputado do PL de São Paulo. Apesar de ser de Madureira, não é Madureira, bairro do Rio de Janeiro.
A gente já falou desse personagem, está nos nossos arquivos.
E a partir daí, o que ficou decidido era que o Daniel Vorcaro não faria mais delação, ele faria a defesa dele, etc. Houve uma nova tentativa que acabou não dando certo. O próprio André Mendonça não quis. E aí essa hipótese de delação acabou indo pelo ralo, né? E o que se discutia nos bastidores do Judiciário era que haveria um acordo entre poderes, já que o Master dinamita todos os poderes, né? Senado com Davi Alcolumbre, Hugo Mota na Câmara, Ciro Nogueira.
O Ciro Nogueira talvez não tenha nem cargo mais, né, depois dessa eleição. A gente não sabe. O Supremo governadores, senador do PT, enfim, tinha muita gente ali que havia uma percepção de que passada a eleição eles iam matar isso de algum jeito para ficar tudo em paz, né? Próprio Flávio Bolsonaro, né, como a gente sabe, envolvido até o pescoço, a direita, Nicolas agora, todo mundo. Então assim, havia um interesse das forças da República para que esse caso fosse jogado para debaixo do tapete, e era com isso que o Daniel Vorcaro tava contando.
Só que o que aconteceu nesse meio tempo? Surgiu uma nova delação, que é a delação do Mansur, que é o dono da REAG. A REAG, ela funcionava de certa forma como um caixa do Master, né? Ela ajudava a estruturar esses fundos que o Master usava para fingir que tinha capital para poder emitir mais CDB, né? Então a REAG, ela era a parte importante do esquema.
A REAG era uma empresa de fraude mesmo, de fazer mutreta financeira para qualquer um que chegasse ali.
E é super curioso que o Mansur nunca foi preso, preso, sempre tá em casa tranquilão.
É a Reag que fez a transação lá no Tayayá com Toffoli.
Bom, a Reag fez tudo, tá no PCC também, tá com tudo. É Família Batista.
Quem queria fazer uma mutreta financeira já tinha o cartãozinho da Reag, ligava lá.
Família Batista é os irmãos Joesley, é isso? É, tá certo.
O Mansur começou a fazer essa delação E a delação do Mansur, ela se tornou muito interessante porque o Mansur podia dar o caminho do dinheiro do Vorcaro e de todo esse esquema do Master, ou seja, permitir que esse dinheiro fosse repatriado e sanasse o BRB, sanasse a Rio Previdência, sanasse os órgãos que foram penalizados. E o Mansur não seria o cara que iria delatar meia república, né? Então a existência da delação do Mansur começou a complicar a vida do Daniel Vorcaro.
E o que aconteceu nos últimos dias é que a delação do Mansur foi aceita pela PGR. E aí houve um movimento do Daniel Vorcaro que foi muito curioso, que foi esse depoimento que ele foi dar para o André Mendonça recentemente. É um depoimento muito maluco porque ele age como se a PF não quisesse que ele delatasse. Ele acusa a PF de, enfim, torturá-lo, de não querer que ele delate, de não querer aceitar a delação dele, sendo que é o Mendonça que lá atrás policiais falou que não ia aceitar porque ele não tava delatando todo mundo.
Então é mentira torturá-lo simbolicamente, né?
Exato, tortura psicológica, tortura provocar.
É assim, ele ficou sem iate, sem aqueles whisky caro, aquelas coisas.
E ele joga esse depoimento dele todo na conta da PF, como se a PF fosse a razão de tudo ter dado errado para ele, sendo que a verdade não é essa. A verdade é que o próprio André Mendonça não quis essa delação lá atrás. Então assim, algo a se desconfiar, esse depoimento justamente nesse timing, né? E aí eu quero abrir um parêntese para falar do Vorkar, quando ele fala que ele tava vivendo numa situação deplorável, né, na prisão, e a PF fazendo tudo com ele.
Olha, é o seguinte, eu queria que o Brasil estivesse dentro da Papudinha observando como ele é tratado lá. Porque não me parece plausível que ele esteja sendo maltratado na cadeia. Se algum ouvinte aqui do foro fizer alguma bobagem, acabar na Papudinha por alguma razão, por favor dê seu testemunho sobre a vida do Daniel Forcaro lá dentro, sobre o tipo de comida que ele come.
Não desejamos que nenhum ouvinte—
não desejamos, mas caso aconteça, se já tiver alguém lá ouvindo clandestinamente num celular Conte pra gente a comida que ele come lá, como ele se comunica com o mundo exterior, como ele passa o tempo livre dele na Papudinha, porque o cenário que nos é pintado aqui é de que a vida não é ruim para ele lá.
Espero que esse nosso desafortunado ouvinte não vá descobrir algo semelhante ao que vivia o Sérgio Cabral quando tava preso, que fazia churrasco, tinha 17 celulares à disposição, recebia lagosta.
Já houve casos, né? Já houve casos.
Espero que não seja isso.
Sua, né?
Vamos lá, quem sabe.
Bom, então, fechando parênteses, esse depoimento dele se coloca num contexto de uma tentativa desesperada de entregar para o Mendonça algo que o Mendonça quer. Existe uma guerra do Mendonça com a PF já tem um tempo, desde que o Mendonça proibiu os delegados que investigam de compartilhar informações da investigação com parte da cúpula da Polícia Federal. Federal suspeitando que havia tráfico de informação para a Presidência da República, pelo fato do Andrei ter sido chefe da segurança do Lula e não desgrudar do Lula, o que é verdade, ele não desgruda mesmo.
E aí armou-se uma guerra que tá até agora, entendeu? Aí você tem parte da PF que é lavajatista e se ressente do antilavajatismo, você tem delegados que foram escanteados pelo Andrei. Então você tem uma, uma PF de fato conflagrada. E essa conflagração acaba ajudando a situação se torna ainda mais nitroglicerina por ali. Então assim, é muito curioso que esse depoimento do Vorcaro venha junto com a delação do Mansur, né? Não tem como a gente saber o que tá na cabeça de cada um e cravar isso, mas a leitura que dá para ser feita é que ele tá oferecendo alguma coisa que ele acha que pode interessar o André, porque a PGR acabou de homologar uma delação que acaba sendo uma concorrência a dele.
E como o objetivo ali não era mais delatar, ele achava que ele ia conseguir se safar no pós-eleição, quando o sistema todo se juntasse para matar esse caso. Quando Mansur chega e oferece o dinheiro, o Daniel Vorcaro acaba perdendo o ativo que ele tinha, porque se os caras vão conseguir com Mansur resolver o problema da grana e não delatar ninguém, é ele que se dane lá para frente, entendeu? Então fica parecendo, pelo andar das coisas, que é uma tentativa desesperada dele.
É, o que é estranho é o André Mendonça aceitar esse depoimento dessa forma, como se de fato fosse verdade que o Forcaro não falou até agora por causa da PF, que o próprio André Mendonça sabe que não foi isso. E aí tem um outro ponto que é o timing desse vazamento, né? Porque primeiro foi um vazamento desses diálogos do Alexandre de Moraes para o Estadão, né, que deu furo, e logo em seguida o levantamento do sigilo. Não sabemos se o vazamento veio do gabinete dele, pode ser que não, ninguém aqui tá fazendo essa ilação, mas o fato é que ele tá no momento acuado, ele tá no momento em que o sistema não tá mais interessado em que o caso Master prossiga, e ele solta uma bomba atômica sobre o Supremo Tribunal Federal, que exigirá que o Fachin se posicione, porque Fachin que vai definir no fim se de fato Alexandre de Moraes for investigado, quem vai investigar o Alexandre de Moraes, Mas vai ser o André Mendonça?
O Fachin vai avocar para si essa investigação? O Fachin vai determinar que outro ministro do Supremo faça isso? O plenário vai concordar com uma investigação sobre o Alexandre de Moraes? Se o plenário não concordar, como vai ser uma presidência do Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal no ano que vem diante disso? Então assim, o que tá acontecendo agora são vários embates, né? Mas o que a gente vai ver é se o espírito de corpo do Supremo vai ser maior do que todas as outras instituições, porque é isso que vai ditar se o Alexandre de Moraes de fato vai ser investigado.
E por último, essa ida do Gilmar Mendes ao Gabinete Presidencial essa semana para conversar com Lula, ela é uma sinalização de vulnerabilidade. O Supremo tá querendo apoio do Lula. Foi isso que aconteceu. Gilmar foi lá para isso, para de certa forma dizer que o governo precisa estar junto com o Supremo nessa. E é um potencial de uma ajuda, digamos, do governo em relação ao Supremo, se é que é possível. O governo também tá super penalizado ali pelos acontecimentos.
Como, né, você vai fazer isso? E como o governo não vai se prejudicar, o Lula em si não vai se prejudicar ao conceder esse apoio, digamos, ao Supremo?
Depois que a gente terminou de gravar o programa, muitas coisas aconteceram. A principal delas foi a seguinte: utilizando o inquérito das fake news, aquele que foi aberto de ofício em 2019, que nunca foi encerrado, o ministro Alexandre de Moraes assinou um despacho cheio de acusações contra o ministro André Mendonça e pedia que o presidente da corte, o Luiz Edson Fachin, avalie se o Mendonça cometeu crime crimes ou extrapolou as suas funções durante as investigações tanto do Caso Master quanto do Caso Molinha.
Ou seja, o Alexandre pede para o Fachin para que o Mendonça seja investigado. O que embasou esse despacho do Alexandre foi um relatório preliminar da Polícia Federal, sem valor probatório, ainda na fase das hipóteses, que aponta que o Mendonça teria cometido irregularidades durante a condução do Acer do caso Lulinha. Esse documento relata que o Mendonça não poderia ter pedido à PF as mensagens envolvendo o Moraes sem o aval do plenário da corte, ou seja, ele estaria extrapolando a sua função de relator, coisa que o Alexandre de Moraes conhece bem.
Esse relatório também aponta a hipótese de assimetria na condução dos casos a depender do campo político dos envolvidos. Ou seja, no caso Lulinha, esse documento cita que as provas eram frágeis ou inexistentes e as diligências pedidas pelo ministro Mendonça eram duras. Enquanto no caso do senador Ciro Nogueira, em que segundo o documento as provas eram inequívocas, o Mendonça teria autorizado medidas mais brandas ou produção de provas por achar que o material que já havia sido coletado pela PF não era contundente o suficiente.
E vale reforçar aqui que essa é uma hipótese levantada pela PF nesse relatório preliminar, ou seja, é um documento inacabado. Todo o despacho do Alexandre é feito com base nesse documento, que não é assinado por nenhum delegado. Mas esse documento de fato expõe fragilidades do Mendonça que já haviam sido notadas por quem acompanha esses casos. Depois que esse despacho saiu, o Mendonça foi até o Faquinha e pediu afastamento do Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
Ou seja, uma confusão sem tamanho que ainda está acontecendo e talvez tenha outros desdobramentos nas próximas horas. O Faquinha então pediu para que todas as partes envolvidas nessa confusão, Alexandre de Moraes, o André Mendonça, a PF e a PGR, se manifestem nos próximos 5 dias nos meio que no intuito de ganhar tempo até que a temperatura baixe um pouco. Na mesma noite, o presidente Lula publicou um vídeo cobrando as investigações sobre os envolvidos no Master, mas também criticando os vazamentos seletivos. É isso, pessoal.
É, você dizia para mim ao longo da semana sobre a proximidade do 7 de setembro, que é uma data sempre instrumentalizada pelos bolsonaristas, e coincidência, não Estamos a um mês da eleição e estamos na véspera do feriado de 7 de setembro. O Alexandre de Moraes volta a ser o personagem principal do noticiário. Não me parece que isso possa ser desconsiderado.
Ele sempre foi personagem do 7 de setembro no bolsonarismo, né?
Agora não é mentira, né?
Exato. Você dá combustível para que ele apareça no papel de vilão da República, o cara que prendeu injustamente Bolsonaro, etc., etc. Tudo que a gente já sabe, justamente no 7 de setembro. É, isso se dá também no momento em que o favoritismo do Lula na eleição se desfez. Hoje a gente tem uma eleição completamente indefinida. O Felipe Nunes dizia num dos noticiários da Globo que pelos cálculos que eles estavam fazendo, a chance do Lula se reeleger é menor do que 50% hoje, segundo o Felipe Nunes.
Me parece evidente, Celso, que a gente tá numa situação, um revés para o governo, A eleição está em aberto, evidentemente, mas é um momento de extrema vulnerabilidade para o governo e que esse caso pode contribuir para piorar as coisas para o Lula, embora o Lula não tenha nada a ver com escândalo do Master nem com escândalo do Xandão.
Eu queria começar dando parabéns ao ministro André Mendonça pelo fato que o candidato dele a presidente acaba de empatar com o Lula nas pesquisas eleitorais. Eu não tenho bastidores o suficiente para discutir o que se passa dentro da alma do André Mendonça, mas o fato objetivo é que as medidas dele nas últimas semanas foram amplamente favoráveis a Flávio Bolsonaro. Se você é um brasileiro que só se informou pelos vazamentos do André Mendonça nas últimas semanas, você tem certeza que, número 1, o caso Master é basicamente um caso de banqueiro safado subornando o STF, e você tem certeza que o caso Lulinha tem a mesma gravidade que isso.
Se eu tivesse essas opiniões, eu também votaria sabe. Felizmente eu leio imprensa profissional, entendeu? Eu leio as matérias da Ana Clara, eu leio as matérias do Breno, leio matérias de outros jornalistas de alta qualidade, de maneira que eu não vou ser otário a esse ponto. Se você tem que situar isso que aconteceu durante essa semana dentro do que a gente já sabia do caso Master, então a gente tá aqui discutindo essa história de Xandão.
Isso é o momento em que deu merda para o O banco vai quebrar, ele já sabe que isso vai dar errado, aí ele vai comprar ministro do Supremo Tribunal Federal para livrar a cara dele. E aparentemente compra. Gostaria muito de estar errado, mas todos os indícios aqui sugerem que ele tinha um negócio altamente escuso com Alexandre de Moraes, e talvez também com Toffoli e Cássio Nunes Marques. Agora, ele foi comprar ministro do STF porque o negócio já tava dando errado para ele.
Dele. Então essa história de Volcaro com o STF é o final de uma história que eu aposto aqui com a produção que eu consigo explicar em menos de 5 minutos. Vamos lá. Daniel Volcaro só virou banqueiro por causa do bolsonarismo. Banco Master é uma coisa que existe entre o Banco Central do Temer e o Banco Central do Lula. O Banco Central do Temer não deixou Daniel Volcaro virar banqueiro. Ele foi lá, falou: quero ser banqueiro. O Ilan Samp, presidente do Banco Central nomeado pelo Temer, falou: não dá, você é ladrão, sai fora.
Ele voltou 6 meses depois, quando já era o Banco Central do Bolsonaro, deixaram ele virar banqueiro. Alguns anos depois entrou o Banco Central do Lula, fechou o Master.
É bom dar o nome do presidente do Banco Central, Campos Neto, que não tem indicação de crime dele, mas tudo isso aconteceu durante a gestão dele.
Então toda a história de Banco Master só existe durante o Banco Central do Bolsonaro. O Banco Central do Temer não deixou isso acontecer e o Banco Central do Lula parou esse negócio. Número 2: quando deram autorização para o Volcard virar banqueiro, ele foi fazer o que ele queria fazer desde o início, que era sacanagem. Então ele começou a comprar políticos para que eles colocassem dinheiro público no Master. 19 entes federativos, entre cidades ou municípios, colocaram dinheiro de aposentado no Master ou beneficiaram o Master de alguma outra maneira, como foi o caso do PT baiano, que privatizou para o Márcio o Crédito Sexta e deu uma série de garantias para o Márcio, que ele usou para fraudar os funcionários públicos da Bahia numa série de empréstimos fraudulentos.
Desses 19 entes federativos, 17 eram governados pela direita, dá 90%, ou se você quiser ser chato, 89, tanto por cento. O maior desvio de todos, disparado, é o do governo bolsonarista do Rio, R$4 bilhões. Tudo isso era pirâmide e eventualmente deu merda. Todos os partidos de direita de alguma expressão tentaram salvar o máximo no Congresso desesperadamente através de uma série de picaretagens. 100% desses projetos foram apresentados pela direita. 100%, não é 95%, é 100%.
Dos partidos que assinaram o requerimento que permitiria ao Congresso demitir o diretor do Banco Central que tava prestes a barrar a operação com BRB, e que é outro cara indicado pelo Campos Neto inclusive, mas que sai bem nessa 83% dos partidos que assinaram esse requerimento são de direita. O outro é o PSB, que também não sei por que que tá aí, que não apareceu nenhum envolvido grande do PSB até agora. Nem o Lula, nem o Haddad, nem o Galípolo, nem a bancada de esquerda no Congresso tomaram qualquer iniciativa para salvar o Master.
O principal esforço para salvar o Master veio pelo governo bolsonarista do Distrito Federal, do Ibanez Rocha, aquele mesmo cara que deixou o 8 de janeiro acontecer sem a polícia fazer nada. O Ibanez Rocha colocou no mínimo R$8 bilhões para tapar o rombo do Master. Esse dinheiro era o dinheiro público, dinheiro do Banco Master. Esse número só vai crescer, ele mal começou a ser estimado. Aí nesse ponto o Master vê que vai quebrar e sai comprando juiz.
E a gente chega nessa semana passada quando a gente descobre como ele fez para comprar os juízes. Então é muito importante você ter noção de que esses caras do STF que estão enrolados nisso são tudo safado mesmo, entendeu? Assim, você tem razão de ficar com raiva deles. Eles tinham que ser responsabilizados mas eles chegam no final da história. O esquema do Márcio já tá desenhado. Eu fiz um PowerPoint do Márcio alguns meses atrás, cara, e ele quase não muda.
Essa semana ele não mudou nada. O desenho básico do esquema já tá desenhado, a gente já sabe o que aconteceu.
O Celso vai passar a história do jornalismo como o homem que moralizou o PowerPoint. Pois é, finalmente um PowerPoint exatamente presta.
Então por que que isso é importante? Porque enquanto a gente tá com a impressão de que isso é basicamente um escândalo do banqueiro safado subornando os caras do STF, o que cai até nós já é um escândalo gigante sozinho. Isso já é um dos maiores escândalos da história do Brasil. Mas antes disso teve escândalos com muitos zeros a mais nos valores envolvidos, com dinheiro de gente muito pobre que foi dado para gente muito rica por um bando de direitista safado e os caras do PT da que também entraram nessa.
Porque enquanto a gente não assimilar essa informação, quando a gente não olhar para esse conjunto de dados com as proporções que eles têm— e aqui é bom lembrar, uma quantidade é um fato, a proporção entre duas coisas é um fato, tanto agravação entre um político roubando. Então você esconder essas proporções, você esconder essas quantidades, é você esconder fatos do público. Então enquanto a gente não conseguir levar isso em conta, o que que vai acontecer?
O que tá acontecendo agora. A direita montou esse esquema todo com o Vocaro, o negócio quebrou, eles subornaram o STF, e isso vai fazer eles subirem nas pesquisas. Então os caras que fizeram essa mutreta toda do Márcio estão sendo recompensados por fazer isso com o que parece que vai ser uma vitória eleitoral gigante, mesmo se o Flávio perder, o que a gente não sabe se vai perder, tá empatado. Então a perspectiva atual é que quase todos os estados do Brasil sejam governados por partidos que assinaram o requerimento para demitir diretor do Banco Central que era mais.
Pouquíssimos estados, acho que 2 ou 3, tem chance real de serem governados por gente que não participou daquilo. Então assim, o que tá acontecendo no Brasil atualmente é trágico, cara. É um negócio bizarro, porque a gente tá caminhando como sonâmbulos para uma eleição que vai ser decidida por um escândalo, o que várias eleições já foram, mas que os vitoriosos podem ser os caras que fizeram o escândalo.
Exatamente. Aqui é um novo PowerPoint, uma explicação irretocável. O ponto de fuga disso tudo que você tá falando é a figura de Flávio Bolsonaro, seu benefício direto na roubança do Rorcaro. Sobre isso a gente vai falar no terceiro bloco, depois do intervalo, com a presença do Breno Pires. Já voltamos.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
My champions, I have sold my chariot on Carvana.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Muito bem, estamos de volta. Breno, muito bem-vindo mais uma vez. Você apurou, escreveu uma matéria importante essa semana, muito importante, mostrando que o Flávio Bolsonaro mentiu ao dizer que o filme, né, tinha recebido até maio de 2025 dinheiro do Vorcaro. Vamos reconstituir um pouco isso, Breno, contar o cerne da matéria e entrar um pouco nos bastidores, no que você apurou depois da publicação do texto.
Legal, Fernando, obrigado pelo convite do fórum. Bom, é uma investigação que a gente fez ao longo de um mês inteiro assim enfiado, né, nesse assunto. Buscamos na Piauí, eu vi gente de todas as frentes, né, pedimos para conversar com até com o Dinka Wiesel lá, mas enfim, nunca tivemos resposta. Rodamos do Brasil, né, até os Estados Unidos e conseguimos muitos dados interessantes. O principal, como você mencionou, é isso, né, essa mentira de que o financiamento tinha encerrado em maio de 2025.
Nós tivemos um trecho do relatório da PF que registra um pagamento de $1.666.667, 8 dias depois daquele famoso áudio em que o Flávio Bolsonaro cobra, né, do próprio Daniel Vorcaro a continuidade dos pagamentos. Só isso já leva para R$65 milhões, o valor efetivamente pago pelo Vorcaro, que para fazer esses pagamentos utilizou uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações. Que, para resumir, era dinheiro do Vórcaro, que ele utilizava essa empresa como uma espécie de operadora cambial, né, um doleiro até, na palavra de um investigador que a gente ouviu.
A gente pode voltar a falar depois do dono dessa empresa porque ele tá firmando acordo de colaboração premiada. Esse pagamento pode não ter sido o último, porque também revelamos a mensagem de Thiago Miranda para o próprio Daniel Vórcaro no dia 22 de outubro, cobrando, né, a continuidade dos pagamentos. E Vórcaro responde: liberei mais um hoje. A possibilidade que surge daí é que o Daniel Vorcaro tenha utilizado outros meios de pagamento além daquela empresa Entre Investimentos.
E para obter esses dados vai ser necessário ter uma colaboração das autoridades americanas. Já existe um pedido da Polícia Federal para que sejam fornecidos dados. Tem duas instituições que podem ajudar, né, o próprio FBI e o equivalente ao COAF nos Estados Unidos, que se chama FinCEN. Tem. Mas além disso, há também, está sendo elaborado um pedido de cooperação formal aí com o próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a ser conduzido aqui pelo Ministério da Justiça do Brasil, no Departamento de Cooperação Internacional.
Ou seja, só para resumir essa parte, já tem autorização para cooperação, mas vai ser feito um pedido mais específico em relação ao HavenGate, que é o fundo escolhido pelos Bolsonaro para receber o dinheiro. Essa questão do caminho do dinheiro é importante, e é importante também essa colaboração premiada do Antônio Freixo Júnior, dono da Intri Investimentos, porque as investigações da Polícia Federal até agora elas se baseiam muito nos dados que foram obtidos no celular do próprio banqueiro Daniel Vorcaro.
Até para corroborar os fatos, é, por exemplo, não conseguiu-se extrair os dados do celular do Freixo, que foi apreendido, mas eles não conseguiram extrair os dados. O mesmo com o celular do Fabiano Zetel. Porque como é que funcionava, né, até de maneira geral, os esquemas do Vorcaro? Ele acionava o o projeto é fazer os pagamentos utilizando ali a rede de empresas como essa que fez o pagamento para o Revengate. O que a apuração mostra?
Essa existência de uma caixa preta nos Estados Unidos que coexiste com a caixa preta do Brasil. Quando Flávio Bolsonaro fica dizendo, né, que tem que perguntar para produtora no Brasil, ele tá apontando para uma das caixas pretas. A gente não sabe exatamente como que a produtora GoUp gastou dinheiro no Brasil, mas a principal caixa preta é a americana, é a do próprio HavenGate, que tem como dono Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro e amigo.
Até agora não se sabe quem é o dono de fato do HavenGate. Não dá para descartar a hipótese de que tenha algum Bolsonaro entre os cotistas, né, desse fundo. Pela característica dele, não existe obrigação de informar quem é o verdadeiro beneficiário.
O Breno, eu acho que vale você explicar para gente por que que para fazer esse pagamento do filme precisa de toda essa triangulação financeira. Qual que é a suspeita? Melita, posso estar fazendo uma pergunta óbvia, mas eu acho que às vezes para o ouvinte não fica claro quando a gente fala muito dessas operações financeiras, entendeu? Por que que precisa disso? Ele não poderia simplesmente fazer uma transferência, mesmo porque perto do valor que ele tava acostumado a transacionar, R$1 milhão e pouco por parcela é nada, né? Centavos, né?
Perfeito. E lembrando só que um filme como Ainda Estou Aqui custou em torno de R$50 milhões. Só o dinheiro que o Vorcaro deu para esse fundo, que a gente já descobriu, né, Breno, são R$65 milhões, né?
Sim, sobre esse valor, né, o contrato, né, o acordo que foi feito pelo Flávio Bolsonaro com o Vorcaro previa R$24 milhões de dólares de pagamento, o que chega ali na faixa equivalente ao contrato da Viviane Barsi com o Banco Master, né? Pois sim, até agora estão comprovadas 7 parcelas de um total de 14, ou seja, praticamente a metade. A pergunta da Ana é pertinente. No momento, o que eu tenho de informação é que a delação do Antônio Freixo Júnior, dono da Entra Investimentos, é importante justamente por isso, porque esse fluxo de pagamento, o que se sabe com as mensagens que foram obtidas, é que o Fabiano Zetel, advogado e cunhado do Daniel Claro, que faziam um papel de operador e advogado dele, ele teve dificuldades com o câmbio do próprio Banco Master.
Ele tentou fazer essa remessa com o próprio Banco Master, mas não conseguiu. Um doleiro pode ser utilizado quando você quer manter o repasse oculto ou quando você quer, de alguma maneira ou de outra, ter uma dedução de impostos ali, fazer um esquema que você vai pagar menos impostos. Não tá claro ainda qual é a motivação nesse caso, mas comumente são esses dois tipos de motivação.
Entendi. E o fato desse dinheiro ser enviado para o Texas, onde o Eduardo Bolsonaro vive, né, uma vida de rei ali— vale ver a reportagem que a Agência Pública fez sobre isso, sobre a vida boa que ele leva lá sem trabalhar, com as contas bloqueadas, condenado pela justiça aqui. A gente se questiona como que essa vida é financiada, né? Sem dúvida não é uma suspeita infundada a gente pensar que talvez ele tenha recebido parte desse dinheiro, né? Acho que é plausível.
Explosivo. Eu queria aproveitar que você tá aqui, pô. Obviamente pela matéria a gente já sabe tudo sobre isso. Eu tenho uns amigos que trabalham com cinema e um deles acha o seguinte: que eles não tinham tanta intenção assim de terminar esse filme não, que eles queriam usar esse filme como veículo para arrecadar dinheiro, seja para sustentar o Eduardo, seja para eles ganharem dinheiro, uns negócio desse. E que se desse para fazer, deu.
Se não der, não deu, tudo bem. E eu vi aqui que só começaram a filmar esse negócio no segundo semestre de 2025. É isso mesmo?
Sim, foi no fim de outubro de 2025, né? Naquele momento, o próprio Daniel Vorcaro ainda não tava preso, mas o Jair Bolsonaro tava muito perto da prisão. Por curiosidade, os dias da prisão do Bolsonaro e do Daniel Vorcaro, que foram dias diferentes, mas no mês de novembro, o filme estava rodando em São Paulo, né? Em que o centro da cidade virou juiz de fora. Store para encenação do episódio lamentável da facada, né? Bom, mas Celso, para dar uma atualização, o filme está em fase de pós-produção.
Não, porque aí descobriram, a tese desse meu colega que trabalha com cinema é que descobriram, aí eles fizeram assim, entendeu? Mas que eles não estavam com pressa nenhuma de tocar esse negócio e iam pedindo dinheiro, né, aliados deles.
Sim, é, o dinheiro começa a entrar em fevereiro de 2025. Essa timeline é interessante, negócio. Você que gosta de coincidências, o Eduardo Bolsonaro só se muda depois que a primeira parcela entra, aí vai para os Estados Unidos. Ele só tira a licença da Câmara no dia que ele manda uma mensagem para o Thiago Miranda, que é o publicitário e lobista de Brasília, discutindo o fluxo de pagamentos.
Ah, pode manter o pagador que tá sendo feito e tal, tipo assim, totalmente coincidência isso.
A segunda e a terceira foram pagas em março, né, e ele tira a licença em março também, questão de 2 dias de diferença. Você tinha então, só para dar esse histórico, né, 3 parcelas caíram entre fevereiro e março, outras 3 parcelas caíram entre abril e maio. Daí vem um hiato entre junho, julho, agosto, setembro. É quando o Flávio Bolsonaro se desespera e manda aquele áudio histórico, né, revelado pelo Intercept Brasil. E depois daquele áudio, a nossa matéria agora mostra, 8 dias depois surtiu efeito, o Vorkar efetuou esse pagamento.
Faltava aí um mês para o início das gravações. É muito provável que de fato eles estavam contando com esse dinheiro já para produção do filme, tá? Não quer dizer que o dinheiro não possa ter sido utilizado ali no início.
É, ele pode ter sido usado como canal para superfaturar o filme, jogar o superfaturamento para Eduardo.
É assim, a gente sabe que a criatividade do povo brasileiro, e em particular da família Bolsonaro, para poder dar destinações de recursos.
Sem dúvida, sem dúvida.
Se fosse para cometer alguma irregularidade, né, se fosse para pensar com maldade, dava para desviar dinheiro do filme, dava para desviar dinheiro de nota fria de prestador de serviço que não Mas assim, a maneira mais fácil de você desviar em bom volume é o dinheiro lá fora, né? Até porque as autoridades americanas não têm esse dever de prestar as contas para as brasileiras, né? Então por isso que eu acho que é muito importante, das duas caixas pretas, a do Brasil é menos importante, a mais importante é lá fora.
E falando um pouquinho disso, se o Eduardo possa ter tido algum tipo de benefício, ele teve uma participação ativa na estruturação do projeto, né, junto com Mário Frias. Ele é instituto executivo. Ele participou da captação de recursos, tentou. Tem essa mensagem dele com o Thiago Miranda do Brasil falando sobre a discussão da rota financeira. E também tem um dado aqui, um bastidor que eu queria trazer aqui revelando para o público do fórum, que é muito exigente também e tá mal acostumado com Ana Clara Costa.
É o seguinte, que toda semana tem furo. Não, é o seguinte, esse bastidor que terminou não entrando na matéria, mas agora a minha fonte me autorizou a contar. Uma pessoa próxima que tava acompanhando o início do projeto do Dark Dark Horse conta que ali entre dezembro de 22, quando o Jair Bolsonaro vendeu os direitos de vida dele, né, para que fizesse um filme por um preço de $1, um preço simbólico, desse período de dezembro de 22 até dezembro de 24, quando apareceu o milagre econômico do banqueiro Daniel Vorcaro, não houve nenhum financiador interessado em patrocinar o filme.
E a razão que era alegada é que os financiadores procurados por Mário Frias, por Eduardo Bolsonaro, pelo próprio Flávio Bolsonaro, Bolsonaro tinham medo do Alexandre de Moraes. Então, segundo essa pessoa, isso era relato deles, né, que os Bolsonaro e Mário Frias não encontravam financiador porque eles tinham medo de serem perseguidos pelo ministro Xandão. E aí a grande ironia, que o Celso vai poder definir melhor, né, depois de encontrar empresários com medo do Xandão, eles conseguiram exatamente um financiador que mantinha relações e um contrato de R$130 milhões de reais justamente com aquele que causava medo nos outros seguros.
Essa é a história mais inacreditável de todo esse rolo, né, cara? Que o cara que prendeu o Bolsonaro tá no escândalo de corrupção com os bolsonaristas, né, cara? Isso para você explicar para um estrangeiro não é fácil.
Caso ele consiga sair dessa, ele vai ser o presidente do Supremo a partir do ano que vem. E qual é a dúvida de vocês de que ele vai ter todo interesse em matar o caso que o investiga ou expõe E também é o mesmo caso que expõe o Flávio. É claro. Então a permanência do Alexandre de Moraes no Supremo e as coisas andarem, digamos, no cronograma normal significa o Flávio possivelmente não sendo punido por absolutamente nada em relação a esse caso, seja ele eleito ou não, entendeu?
E se isso acontecer, a explicação tá pronta: foram as preces da Michele pelo Alexandre de Moraes que fizeram ele se converter, se tornar uma pessoa boa e salvar Vamos lá, um dos pontos que precisam ser esclarecidos a respeito do Eduardo é qual é a relação exata dele com o Paulo Calixto.
Pelo que se sabe, ele é advogado do próprio Eduardo, ele é o controlador do fundo Ravengate, e além disso ele é o ghostwriter das notas de esclarecimento da produtora GoUp no Brasil. E até interessante esse bastidor, acho que para quem gosta dos bastidores do jornalismo, o produtor americano Michael Davis, que é associado Karina da Gama, na produtora Go Up, ele desafiou a Piauí a mandar perguntas detalhadas sobre o filme Dark Horse, referenciada não em ilações e não em reportagens da imprensa, mas em documentos.
E aí ele chamou a gente para dançar, né, Celso? Né, Ana? A gente dança. A gente mandou 146 perguntas para ele, e as 146 perguntas, a resposta dele foi: não vou responder, mas toma aqui essa nota de esclarecimento. E essa nota de esclarecimento tinha nos metadados, né, do do DF, o autor Paulo Calixto, que é a figura mais misteriosa para mim até agora. Porque você liga no escritório físico dele, que fica no Texas— eu fiz isso na semana passada falando lá em inglês, me apresentei, falei: gostaria de falar com o Dr.
Paulo Calixto a respeito de uma investigação que está em andamento no Brasil. Desligou na cara e não atendeu mais. E esse é um escritório de advocacia, né? A gente não tá ligando para um celular de um político que tá precisando se esconder, né?
Hello, Paulo Calixto na linha aqui. Pois é, que loucura.
É o tipo de caso que está no meio, né, essa apuração sobre o Dark Horse, tanto da imprensa, né. Eu acho que a imprensa está mais avançada até do que a própria Polícia Federal, mas tem tudo para avançar, porque quando todas as perguntas levam a outras perguntas mais complexas ainda, é porque certamente não tem uma resposta clara, né. Por isso que o Flávio Bolsonaro fica dizendo, né, como se fosse aquela propaganda do Posto Ipiranga, né. O Flávio Bolsonaro diz: pergunta lá produtora.
É, o toque sinistro disso tudo é que a gente vai ter que ver esse filme ainda por cima.
Eu já li o roteiro, rapaz.
Vocês vão ver por mim e me pouparem.
A gente te conta. Bom, a gente encerra o terceiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo e na volta Kinder Ovo. Breno também participa. Já voltamos.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Who says Halloween only lasts one day? With Wayfair, one night of Halloween becomes a whole season at home. From larger-than-life yard decor and moody lighting to festive accents for every room in the house, Wayfair has what you need to make Halloween feel like Muito bem, estamos de volta.
Mari Faria, Hora da Maldade. Solta aí, por favor.
Então o primeiro desafio é vencer esse primeiro turno, vencer essa primeira fase, porque a minha luta é de Davi contra Golias. Mas o Davi ganhou no final, né? É bíblico. Então eu tô com muita disposição, muito otimismo, e uma coisa de cada vez. É aquele veterinário que é candidato, gente, em Minas. Acho que a gente vai ficar bem puto quando sair Davi contra Golias.
Ah, esse dançamos, hein? Quem fala é o ex-governador do DF que tenta contestar a condenação na nova candidatura, José Roberto Arruda. Caramba, que está no PSD, é isso?
Eu não saberia de qualquer forma.
É, não reconheceria a voz não.
Entrevista CNN Brasil, José Roberto Arruda, pô, essa personagem, esse aí já bateu recorde de, ele foi preso umas 17 vezes já, preso, eleito, preso.
Eleito, preso enquanto tá eleito, né, cara? Governou da cadeia, né?
E o pior é que ele pode se tornar o voto útil contra a Celina em Brasília.
Já tem gente, eu acho certeza que isso vai acontecer.
Bom, depois dessa derrota gloriosa, o Breno participando, encerramos o Kinder Ovo. Vamos para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, momento de vocês, o Calma Urgente. E eu começo aqui então com o recado do @davi. Obrigado por sempre melhorarem minhas faxinas de sábado. Meu quarto estava tão bagunçado que poderiam chamá-lo de carreira política do Flávio Bolsonaro. PS: fiquei apavorado com o terceiro bloco. Agora, assim como o Fernando, lembrei dos Batista no banho.
Obrigado, foro. É até isso, sabonete dos irmãos Joesley, né? Foi. Ainda vão chegar na farmácia, vai ter sabonetes Joesley.
Isso.
Semana passada, um ouvinte propôs que o Caso Master fosse rebatizado. Essa semana, alguns ouvintes enviaram sugestões. A Cibele Kiusa escreveu: e se o nome da operação do Caso Master fosse Operação Amigão? Afinal, o que não faltou foram amigos recebendo e cobrando pagamento.
Boa, hein? Se bem que agora tem o Lindão.
Lindão.
E o Jaime Sais postou: como assim vocês querem um nome para o caso Vorcaro terminado em -ão? Flávio de própria boca já deu um belo nome há meses e preenchendo os requisitos. É o caso do Irmãozão.
Olha só!
E um amigo meu me mandou uma mensagem diretamente de Londres, que é nosso ouvinte, falando que pode ser o caso Surubão.
Ah, esse ganhou, né, gente? Não tem nem o que fazer. E ainda falando da participação da Consuelo comentando o podcast Berro do Boi, o Daniel Lira postou: tô com medo de comprar um vidrinho de loló no Carnaval e vir com a logo da JBS. Tá difícil mesmo, Daniel, tá difícil.
É o boi louco. Bom, o que é bom acaba logo, o que não é tão bom também também termina. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music favorita, na Deezer, e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para Revista Piauí.
A coordenação geral é do Paulo Vítor Ribeiro, a direção é da Mari Faria, com produção e produção da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Vítor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabassi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabassi e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola.
O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana Paulo, no Estúdio Hertz em Brasília e no Estúdio Rastro do Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Breno, obrigado pela participação.
Obrigado, Fernando, foi um prazer aqui. Obrigado pelo convite, um abraço a todos.
Alegria nossa. Tchau, Ana.
Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.
Tchau, Celso.
Tchau, Fernando. Tchau, amigos. Até semana que vem.
Para quem vai no Festival da Piauí, A gente se vê na Cinemateca neste sábado. E para quem não vai, uma ótima semana e até a semana que vem.
Revista Piauí
Clube da Novelo