Episódios de Foro de Teresina

As tarifas, a disputa do Senado e os reis do gado

28 de agosto de 20261h15min
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No Foro de Teresina desta semana, Fernando de Barros e Silva, Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros analisam a retomada do diálogo entre Lula e Donald Trump, as negociações para tentar reverter as tarifas sobre produtos brasileiros e a posição do novo indicado de Trump para a embaixada em Brasília diante da eleição brasileira. No segundo bloco, o trio discute a disputa por vagas no Senado, o avanço da extrema direita e as estratégias do bolsonarismo para ampliar sua influência na Casa. No terceiro bloco, os apresentadores recebem Consuelo Dieguez, repórter da piauí e apresentadora do podcast O Berro do Boi, para falar sobre a trajetória dos irmãos Joesley e Wesley Batista e a expansão dos negócios da JBS na indústria de defesa. 

Acesse a transcrição e os links citados nesse episódio: https://piaui.uol.com.br/web/ft127

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Participantes neste episódio4
F

Fernando de Barros e Silva

HostJornalista
A

Ana Clara Costa

Co-hostJornalista
C

Celso Rocha de Barros

Co-hostJornalista
C

Consuelo Dieguez

ConvidadoRepórter da revista piauí
Assuntos6
  • A retomada do diálogo entre Lula e Donald Trump e as tarifas sobre produtos brasileirosLula·Donald Trump·Relações Brasil-Estados Unidos·Tarifas comerciais
  • A trajetória dos irmãos Joesley e Wesley Batista e a expansão da JBSJoesley Batista·Wesley Batista·JBS·O Berro do Boi
  • A compra da Avibras pela JBS e suas implicações estratégicasAvibras·JBS·Indústria de defesa·Geopolítica
  • A disputa por vagas no Senado e o avanço da extrema-direitaSenado Federal·Extrema-direita·Bolsonarismo·Eleições 2024
  • Candidaturas polêmicas ao Senado e a degradação da políticaSenado Federal·Hélio Bolsonaro·Carlos Bolsonaro·Derrite·Marco Antônio Superman
  • A guerra comercial de Trump com o Canadá e a postura da extrema-direita europeiaDonald Trump·Canadá·Guerra comercial·Extrema-direita europeia
Transcrição176 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
FDFernando de Barros e Silva

Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista Piauí.

CRCelso Rocha de Barros

Eu falei, ô Trump, se você quer combater o crime organizado, vamos combater o crime organizado. A Polícia Federal quer combater o crime organizado, nós queremos prender Davi Ciprondino.

FDFernando de Barros e Silva

Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho alegria de conversar com os meus amigos Ana Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá, Ana, bem-vinda!

ACAna Clara Costa

Oi, Fernando! Oi, pessoal, tô de volta aí!

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem-vinda de volta!

CRCelso Rocha de Barros

A gente vai falar um pouquinho agora dos palanques estaduais. Muitos em parcerias com esses partidos, como aqui em São Paulo, Derrite, que é a do Progressistas, é do PP, e tá colocado aqui como nosso candidato ao Senado Federal pelo estado de São Paulo.

FDFernando de Barros e Silva

Diga lá, Celso Casca de Bala.

CRCelso Rocha de Barros

Fala aí, Fernando, estamos aí mais uma sexta-feira.

FDFernando de Barros e Silva

A JBS acabou de adquirir 100% da Avibras. Cara, é impressionante como que a JBS se dá bem no governo Lula, né, ô Boulos? Por quê? Me explica isso. Estamos em par de vaso e não estamos sós, porque no último bloco do programa a gente vai ter a participação luxuosa da repórter da Revista Piauí, Consuelo Diegues, nossa amiga que está no Estúdio Hertz. Em Brasília. Bem-vinda, Consuelo!

CDConsuelo Dieguez

Oi, Fernando! Oi, todo mundo! Uma alegria tá aqui com vocês.

FDFernando de Barros e Silva

Alegria é nossa. Vamos então, sem mais delongas, aos assuntos da semana. A gente começa o programa falando dos lances mais recentes da relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Na sexta passada, dia 21, Lula e Donald Trump conversaram por cerca de 1 hora e 20 minutos com o tarifação sobre produtos brasileiros no centro da pauta. Isso depois de uma sequência de atritos comerciais, diplomáticos e institucionais entre os dois países e da ameaça de interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.

Daniel Pérez, indicado por Trump para a embaixada americana em Brasília, personagem de uma crise recente entre os dois governos, afirmou nessa semana que não pretende interferir na disputa e que trabalhará com quem os brasileiros escolherem. Entre a palavra empenhada e a ação norte-americana, há um buraco negro onde quase tudo pode acontecer. De qualquer forma, na próxima segunda-feira, dia 31, representantes do Brasil e dos Estados Unidos voltam à mesa para tentar destravar a negociação sobre tarifas.

Ela ocorre em meio à guerra comercial desencadeada por Trump com o Canadá, da qual também iremos falar. No segundo bloco, a gente olha para a disputa ao Senado brasileiro. A extrema-direita está se armando para transformar aquela casa do Congresso numa espécie de central do golpismo na Praça dos Três Poderes. É no Senado que se decide a aprovação a nomes do Supremo Tribunal Federal e onde também se decide a abertura de processo de impeachment contra ministros do Supremo.

Bolsonarismo está levando isso muito a sério. Para dar um só exemplo, vindo de um estado que geralmente fica fora do nosso radar, o deputado Hélio Lopes, conhecido pelos bolsonaristas como Hélio Negão e Hélio Bolsonaro, é candidato ao Senado pelo PL de Roraima. Sim, carioca da Gema, sem nenhuma relação com o estado, ele está lá a serviço do padrinho e defende, entre outras coisas, a pauta do garimpo desenfreado em reservas indígenas, inclusive.

Em Santa Catarina, o candidato mais moderado entre os bem colocados na pesquisa é o ex-governador Espiridião Amin, que é do PP e não é nada moderado. Disputam com ele as duas vagas ao Senado Carlos Bolsonaro e Caroline de Tone, ambos do PL. Como se sabe, estão em disputa 54 de 81 vagas ao Senado. A Quest divulgou pesquisas em alguns estados e a gente vai tratar delas. E no terceiro bloco, a gente recebe a Consuelo, repórter da Piauí, responsável pelo podcast O Berro do Boi, produzido pela Trovão Mídia, que narra em 6 episódios a ascensão A queda e a retomada triunfal dos irmãos Joesley e Wesley Batista, os irmãos Joesley, como eu digo.

Cozzuello cobre a trajetória dos dois há muito tempo. Em 2015, publicou na Piauí a reportagem O Estouro da Boiada, na época sobre a transformação da Friboi na maior empresa de carnes do mundo, com a mão decisiva do BNDES. 2 anos depois, os irmãos fariam uma das delações premiadas mais bombásticas da história da República. Joesley e Wesley revelaram um vasto esquema de corrupção envolvendo centenas de políticos, entre eles o então presidente da República, Michel Temer, o Breve.

Todo mundo se lembra da gravação secreta feita por Joesley com Temer no Palácio do Jaburu, quando o vampirão dizia: tem que manter isso daí, supostamente dando aval para que o silêncio de Eduardo Cunha continuasse sendo bem pago. De lá pra cá, os irmãos passaram pela prisão e por um longo período longe dos holofotes. Voltaram mais ricos e mais poderosos, com negócios em energia, mineração, finanças e outros setores. E agora avançam sobre uma área especialmente estratégica: a indústria da defesa.

A JSF fechou um acordo para comprar a Avibras, empresa brasileira responsável pelo desenvolvimento de foguetes, sistema de artilharia e mísseis. A companhia está em recuperação judicial desde 2022 e retomou a sua produção em maio deste ano. O que está por trás disso e muito mais, a Consuelo vai nos dizer. É isso, vem com a gente. Muito bem, vamos começar com você, Ana. Como eu mencionei na abertura, o Lula e o Trump conversaram na sexta-feira.

Eles conversaram durante mais de uma hora, uma hora e 20. Você tem bastidores dessa conversa, então a gente pode talvez começar daí e trazer mais para cá, porque isso tá tendo desdobramentos. A relação do Brasil com os Estados Unidos, como a gente já vem dizendo também em outros programas, em várias frentes, e a interferência dos Estados Unidos no processo político e econômico institucional brasileiro é o tema decisivo dessa campanha, tá em jogo, né?

Vamos reconstituir essa conversa, falar um pouco do que está por vir e o que aconteceu depois dela.

ACAna Clara Costa

Fernando, você tem toda razão. Eu acho que se o tema da eleição passada era o golpe que tava sendo armado à luz do dia, né, e publicamente em vídeo, áudio e fotos, o tema dessa eleição é o risco que os Estados Unidos representam. E sobretudo porque é um risco pouco mensurável, né? Como os Estados Unidos são um governo em que não há uma centralização estratégica sobre isso, então o Marco Rubio tem uma posição e uma certa autonomia, e o Trump vai lá e atropela, atropela e depois deixa ele fazer o que ele quiser e depois atropela de novo.

Então assim, é uma coisa um pouco desorganizada. É fundamental que a gente fique em cima disso para tentar entender pelo menos o que tá acontecendo no momento, né? Eu me lembro que eu disse aqui quando houve aquele episódio inédito da suspensão do visto da embaixadora Maria Luísa Viotti, que a relação do Brasil com os Estados Unidos tava tão tensa que a orientação naquele momento era que essa relação fosse paralisada e só retomada depois da eleição.

Paralisada no sentido de não procurar, né, os Estados Unidos enquanto a situação eleitoral não fosse resolvida. E até no âmbito das tarifas, isso já estava paralisado porque as reuniões sobre as tarifas não estavam mais acontecendo. Então já tinha havido uma paralisação sem uma determinação específica por isso, né? Então essa era a orientação. O que foi acontecendo com o passar do tempo foi que o governo brasileiro foi percebendo que talvez haveria um espaço de negociação direto com a Casa Branca, como havia acontecido no ano passado.

E o governo acabou criando uma estratégia para acessar a Casa Branca pra falar de um assunto que não as tarifas. Porque isso é uma estratégia diplomática, né, que eles chamam de pré-negociação. Já que um ponto da negociação tá travado, você abre um outro flanco de diálogo sobre outros assuntos que podem ser do interesse daquele país ou daquele governo, enfim, daquele órgão. E a partir desse outro ponto de conexão que vocês têm, de diálogo, você pode entrar naquele ponto que tá paralisado.

É uma estratégia que pode ser aplicada para várias coisas e foi um pouco o que aconteceu com o governo brasileiro. Então, o que que o Lula fez? Eles armaram uma estratégia. Então, ele conversou com o Xi Jinping sobre geopolítica, sobre as questões no Irã, na Ucrânia, sobre as tarifas, sobre esses grandes assuntos, né, esses assuntos macro que dominam o noticiário hoje. E também conversou com Putin. E a partir dessas duas interlocuções, que são valiosas pros Estados Unidos, porque não são interlocuções que os Estados Unidos têm com tanta facilidade, ou pode até ter com alguma facilidade, porque se o governo americano pede pra falar com esses países, provavelmente ele vai ser atendido.

Mas talvez a natureza da conversa seja diferente com o Lula e com o governo americano. Então de posse dessas duas conversas e do ativo que essas conversas representam, o Brasil propôs para o governo americano uma nova conversa entre os dois líderes, porque de fato o Brasil tinha algo que interessaria para eles, né? É de interesse do Trump saber o que um presidente conversou com essas duas lideranças. E a partir dessa estratégia, o Trump aceitou o pedido de conversa, e essa conversa demorou poucos dias para acontecer.

Um pouco antes dela acontecer, o Lula disse num podcast que tava querendo retomar o contato com o Trump. Ele voltou atrás dessa ideia de que o contato tava paralisado, mas ninguém sabia ao certo como que se daria a retomada desse contato, porque a situação tava muito dramática, né? A gente chegou num ponto onde nunca havíamos chegado. Então, quando a conversa acontece, ela surpreende de certa forma. E aí a gente tem uma ideia da desorganização da política externa americana.

Como que num dia você caça o visto de uma embaixadora e no outro dia você atende o presidente do país como se nada tivesse acontecido. A conversa tem 1 hora e 20 de duração, mais longa do que as conversas com Putin e com o Xi Jinping. É uma conversa super amistosa, nenhum ponto de tensão é levantado. Ou seja, por mais que o Lula no fim tenha falado sobre as tarifas, e depois dessa conversa a negociação sobre as tarifas destravou, não houve um ponto de tensão ao tocar nesses assuntos, né?

Então assim, foi um sucesso essa estratégia. E foi uma estratégia que foi tocada em especial pelo Palácio do Planalto. Tanto que o Itamaraty, quando o governo americano confirma a ligação, né, no dia anterior ao dia que a ligação foi feita, o Itamaraty não tava muito sabendo exatamente qual que era a questão ali. Então foi uma coisa do Lula, entendeu?

FDFernando de Barros e Silva

Não tava sabendo quem ia falar com quem.

ACAna Clara Costa

Eles estavam sabendo, mas não foi uma estratégia tocada pelo Itamaraty, foi uma estratégia do Lula. E também foi uma forma de o Lula deslocar um pouco o diálogo do Marco Rubio, porque eles já perceberam que o Marco Rubio tem essa autonomia, né, de mexer esses pauzinhos, né, de encher o saco, né, para falar em bom português, que é: ah, vou caçar o vício do fulano, a Magnitsky no Beltrano, não sei o quê. Ele usa essas ferramentas de constrangimento, com uma certa autonomia, né?

Então foi também uma forma do Lula deslocar o domínio do diálogo do Marco Rubio pro Trump. Em paralelo, tem eleição. Até onde se sabe, o Lula quer ganhar, né?

CRCelso Rocha de Barros

As últimas informações são essas.

FDFernando de Barros e Silva

São essas, exato.

ACAna Clara Costa

A gente tá com essa percepção, né, que ele tá com talvez alguma intenção de ganhar. Às vezes tem umas coisas que acontecem que a gente fala, será que ele tá realmente querendo ganhar? Mas enfim. No geral. E o que que tá acontecendo é que alguns setores afetados por essas novas tarifas que foram retomadas recentemente estão recorrendo ao Palácio do Planalto e também ao MIDIC, né, ao Ministério do Desenvolvimento, que tá tocando na parte técnica essa negociação, para dizer que tá difícil.

Então o setor do aço, o setor da carne, por exemplo, né, falando de empresários que não Joesley Batista, né, que é a maior indústria de proteína animal do mundo e dos Estados Unidos também, né. Mas outros fornecedores que estão sofrendo com essas tarifas estão procurando o governo. Então assim, tá havendo uma pressão do setor produtivo no momento em que o Lula quer ficar bem com o setor produtivo. Sobretudo nesse governo já há uma percepção que o mercado financeiro jamais vai embarcar num apoio ao Lula, mas o setor produtivo, a indústria, é diferente.

Tem esse diálogo ali que o Alckmin com o setor industrial e tal. Então assim, eles têm uma percepção de que o setor industrial pode ser mais favorável ao projeto de reeleição do Lula do que o mercado financeiro. Então é do interesse do Lula também, que ao fim e ao cabo isso significa emprego, né? Então teve esse momento dessa pressão. O resultado é que agora, depois desse destravamento, a discussão sobre as tarifas foi reaberta com reuniões já marcadas entre os dois países e tal.

E a gente tem, conforme eu já disse aqui em outro programa, a Assembleia Geral da ONU no final de setembro, em que eles vão possivelmente se encontrar, que foi o que aconteceu no ano passado. Eles se encontraram, um saindo, outro entrando, né, porque os discursos do Brasil e dos Estados Unidos são na sequência, né, primeiro o Brasil e depois os Estados Unidos. Então, de certa forma, o Lula muito espertamente quis amansar um pouco a situação pra que, caso haja um encontro no fim do mês, não seja um encontro de maior constrangimento, e sim o contrário, seja um encontro de pactuação.

FDFernando de Barros e Silva

Encontro que vai se dar às vésperas do primeiro turno da eleição brasileira.

ACAna Clara Costa

Às vésperas do primeiro turno, e que o Lula faz questão de sair da campanha e ir pros Estados Unidos, mesmo porque o discurso na Assembleia Geral da ONU vai ser um discurso de campanha, né?

FDFernando de Barros e Silva

Sim.

ACAna Clara Costa

E existe uma disputa que é triste que exista nessa altura, mas pelo acesso à Casa Branca, de certa forma, né? O Flávio disputa com o governo brasileiro esse acesso, né? Isso aconteceu algumas vezes. Ele foi para os Estados Unidos tirar foto com Trump, depois ele foi de novo para os Estados Unidos para aquela reunião técnica sobre o Pix, né? Vocês se lembram da sessão 301?

FDFernando de Barros e Silva

Exato. A gente não sabe se Paulo Figueiredo vai sair debaixo da mesa ali do salão. Uma foto do Trump tá com aquela cara, de repente sai debaixo da mesa o Paulo Figueiredo.

ACAna Clara Costa

É uma coisa meio John Kennedy, né? É porque existe uma competição pelo acesso, né? Então o governo brasileiro tem que ficar se provando. Em um determinado momento havia percepção de que, ah, agora que recuperamos o acesso, esse acesso é perene. Mas não foi o que aconteceu, esse acesso foi obstruído. Então existe a necessidade de você ficar recuperando o acesso o tempo todo. Você não pode contar que uma conversa tenha sido suficiente para resolver as coisas.

Então, até o pleito acontecer, o governo percebeu que ele não pode deixar as coisas irem sozinhas, né? Ele tem que estar vigilante o tempo todo, porque esse acesso pode ser obstruído pela estratégia mais tosca do Paulo Figueiredo e do Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, infelizmente.

FDFernando de Barros e Silva

É diante deste risco que estamos. Celso, deixa eu te ouvir sobre essa questão. Você andou dando uma pesquisada no comportamento das direitas europeias também diante do tarifaço, né?

CRCelso Rocha de Barros

Sim, eu queria começar lembrando que não é só contra o Brasil que o Trump tá fazendo essa guerra de tarifas, que é também uma guerra política, né? Assim, a doutrina Donroi, que é uma mistura de doutrina do Trump com a doutrina Monroe lá do século 19, que dizia que a América é para os americanos, né? Eles querem conquistar uma hegemonia absoluta no continente, né? Então o Canadá Canadá, coitado, cara. Sim, sinceramente, quem tinha no seu cartão de bingo conflito entre Estados Unidos e Canadá, certo?

Que a gente ia ter que defender o Canadá de uma agressão imperialista. Ninguém tinha isso, certo? E agora o Canadá e Estados Unidos estão em guerra comercial aberta. Eles estavam numa negociação para chegar a um acordo, mas o Canadá se retirou dizendo que o Trump ficava botando novas demandas o tempo todo. Cada vez que você cedia um negócio, ele vinha com mais coisa e chegou inclusive a exigir que acabasse com as proteções produção cultural, etc., em língua francesa, porque o Canadá é um país bilíngue.

FDFernando de Barros e Silva

Exato. É uma humilhação, um negócio completamente descabido, né? Um disparate.

CRCelso Rocha de Barros

Exato. Não tinha a menor possibilidade do Canadá aceitar isso. Aí o Canadá foi lá e meteu tarifa nos Estados Unidos também. O primeiro-ministro do Canadá é um cara muito interessante. O discurso dele em Davos no começo do ano deve ficar para a história como um dos discursos mais importantes desse período histórico, que foi quando ele falou da ruptura do padrão de uma ordem internacional baseada em regras por uma ordem internacional baseado no uso aberto da força para extorsão.

Para o Canadá resistir à agressão americana, por incrível que pareça, é mais difícil que para o Brasil, porque o nível de integração econômica do Canadá— o Canadá só tem uma fronteira, que é a fronteira com os Estados Unidos.

ACAna Clara Costa

Ele não tem nem DDI, o DDI dele é o mesmo dos Estados Unidos.

CRCelso Rocha de Barros

Pois é. Então assim, eles têm uma dificuldade mesmo de segurar isso por muito tempo. Mas muita gente acha que o Canadá tá contando que agora em novembro tem a eleição de meio de mandato dos Estados Unidos, as terms, que o Trump vai tomar uma surra, o que pelas pesquisas parece ser verdade, e que daí em diante ele vai ter que baixar a bola porque vai ter gente nos Estados Unidos capaz de controlar ele um pouco melhor.

FDFernando de Barros e Silva

Inclusive porque o Canadá nessa retaliação, essa, digamos, esse troco que tá dando a arbitrariedade dos Estados Unidos, tá mirando alguns estados mais sensíveis para o Trump, né? Não é uma retaliação indiscriminada.

CRCelso Rocha de Barros

Não, não. E é feita por um cara que é economista bom o suficiente para ter sido presidente do Banco Central de dois países, certo? Então assim, o plano dos caras é fazer uma retaliação focada nos swing states, nos estados que vão ser decisivos na eleição, ou nos estados que os republicanos estão disputando muito perto com os democratas. Então eles vão lá e ferram a economia desses estados e diz, ó, foi o Trump, entendeu? Então enfim, vai, vai ser um negócio feio.

FDFernando de Barros e Silva

Eu pôria um bonezinho do Canadá, como o Tarcísio pôs um bonezinho do Trump. Eu sairia hoje na rua com bonezinho do Canadá.

CRCelso Rocha de Barros

Make Canada great again. Exatamente. Agora, a The Economist alerta para um negócio meio perigoso, né, numa matéria essa semana, que tá muita gente contando com isso que o Canadá tá contando, que vai ter a midterms, e aí o Trump vai diminuir de tamanho e vai ficar, como diz a The Economist, 2 anos botando ouro lá na parede da Casa Branca, construindo salão de festa, o Arco do Triunfo em homenagem a ele mesmo, mas sem poder para ficar fazendo essas barbaridades.

E a The Economist avisa que, baseado no perfil do Trump, é mais provável que, ao invés dele ser um lame duck, né, um pato manco, como se costuma dizer, o presidente que não tem mais poder, ele seja um gorila velho. O gorila macho alfa, quando tá velho e decadente, começa a fazer um monte de merda. Ele sai brigando com todo mundo até alguém matar ele, enfim, alguma coisa dessa. Mas ele perde completamente o controle. E eles acham que isso pode perfeitamente acontecer com Trump.

Sempre lembrando que nos Estados Unidos a política externa é o negócio que tá mais sob controle do presidente da República. Para outras coisas, ele precisa de muito mais aprovação do Congresso. Agora, é claro que uma diferença grande do Canadá para o Brasil é que a oposição ao Macarney no Canadá, os conservadores canadenses, que teriam ganho eleição se não fosse o Trump— foi quando o Trump resolveu meter tarifa no Canadá e dizer que ia anexar o Canadá, o cara do Canadá que era meio parecido com o Trump caiu de graça.

Esse cara deve odiar mais o Trump que qualquer radical de esquerda do mundo, certo? E ele sim foi contra o tarifácio, ele não apoiou o Trump, o que é uma diferença radical para o caso brasileiro, que aqui a gente tem um candidato com 40 e tantos por cento que tá apoiando a intervenção americana, ele tá contando com isso para se eleger. E isso coloca o Flávio no extremo mais submisso, se você fizer uma escala dos partidos de extrema-direita atuais.

Então, se você pegar na Europa, por exemplo, no começo de 2025, fevereiro de 2025, teve uma conferência em Madrid do partido Vox, o partido de extrema-direita espanhol, com vários partidos lá da extrema-direita europeia. E a manchete na época era mais ou menos assim: o Trump já dizia que ia fazer tarifas contra a União Europeia, ainda não tinha feito, mas eles diziam o seguinte: ah não, a gente acha que isso não vai dar em nada, o nosso problema mesmo é a burocracia de Bruxelas.

Então eles estavam felizões com a vitória do Trump, dizendo: é, o Trump é o máximo, é isso que a gente quer fazer aqui, ele fez com que a gente deixasse de ser outsider e passasse para ser o centro do debate político no mundo. Então eles estavam felizões com o Trump. Quando chega as tarifas contra os países deles, eles percebem que o Trump vai virar um problema para eles. Então começa um processo de distanciamento. Então, por exemplo, a AFD, o partido de extrema-direita com vínculos neonazistas da Alemanha, aquele que o Elon Musk foi lá aplaudir, participou no telão da conferência dos caras, e que vários membros da administração Trump são fãs declarados O EFD, por exemplo, desceu o pau no Trump, falou: não, não, não, a Alemanha é uma economia altamente exportadora, então a gente não pode tolerar isso assim.

A gente apoiava o Trump porque a gente achava que a proposta dele era nacionalista em termos gerais, né? Quer dizer, ele não ia aceitar interferência de ninguém, mas também não ia se meter na vida dos outros. Que fascista burro esse, né? Pelo amor de Deus. O Jordan Bardella, o atual líder do Reagrupamento Nacional, que é a antiga Frente Nacional, partido da Marine Le Pen, da extrema-direita francesa. Esse cara criticou o Trump muito abertamente pelas tarifas, e tem vários outros desses partidos que estão se distanciando do Trump, pelo menos parcialmente, alguns mais abertamente, outros menos.

E finalmente, o pessoal do Vox da Espanha começou puxando o saco do Trump com entusiasmo cego do primeiro amor, mas com o tempo teve que se distanciar também, porque não é só que o Trump meteu tarifa na União Europeia, Tem gente que acha que ele tá por trás daquela crise imigratória de Ceuta, né, aquela cidade espanhola que fica ali no continente africano, lá do Marrocos e tal. Ele partiu para agressão aberta com a Espanha. Então qualquer político espanhol no momento ser alinhado com o Trump é muito difícil para você ganhar eleição.

ACAna Clara Costa

Então toda extrema-direita mundial percebeu que o Trump é um boy lixo, né?

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

FDFernando de Barros e Silva

É, eu gostei da imagem da Economist, é o gorila velho.

CRCelso Rocha de Barros

Se você fizer um espectro desses fascistas todos, o Flávio Bolsonaro indiscutivelmente tá entre os caras mais submissos.

ACAna Clara Costa

Só pra dizer que enquanto a gente gravava aqui agora, o Canadá acabou de voltar atrás em 2 pontos da lista de retaliação deles aos Estados Unidos, que é peixes e frutos do mar, porque com as tarifas de 50% sobre isso eles não conseguiriam comprar, ia prejudicar a própria economia. Então assim, há esse temor de que eles também não consigam bancar.

CRCelso Rocha de Barros

É, não dá pra bancar indefinidamente um negócio desse.

FDFernando de Barros e Silva

É, sim, o que as pessoas estão dizendo é isso. Ai, ai, a única coisa ruim nessa imagem do gorila é que eu gosto muito dos primatas, dos gorilas, são muito simpáticos.

CRCelso Rocha de Barros

Ah, sim, com certeza, com certeza.

FDFernando de Barros e Silva

Diferentemente do Trump.

CRCelso Rocha de Barros

Mas é, gorila é um bicho na dele, né, fica lá, cuida dos seus próprios problemas, pô.

FDFernando de Barros e Silva

É, e tem aquele olhar profundo, né, aquele olhar da solidão humana, assim, uma coisa, é o olhar que olha pra frente e fala, ó, que merda que vocês fizeram com o que a gente entregou.

CRCelso Rocha de Barros

É, mas é verdade.

FDFernando de Barros e Silva

Bom, a gente encerra o primeiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo, vamos falar exatamente disso, que merda nós fizemos com que nos entregaram. Vamos falar da disputa ao Senado no Brasil. Já voltamos.

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FDFernando de Barros e Silva

See terms. Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. A Quest divulgou pesquisa em alguns estados para o Senado. A gente sabe que Pesquisa para Senado já é complicada porque é um voto que tende a se definir muito perto da votação e são duas vagas, o que dificulta ainda mais as previsões. Dito isso, é fato que a extrema-direita está se organizando de maneira bastante forte, bastante empenhada para melhorar sua posição no Senado.

CRCelso Rocha de Barros

É isso mesmo, Fernando. Essa eleição para o Senado é bastante excepcional, como quase tudo nas eleições desse ano. Porque a extrema-direita colocou como seu objetivo primeiro, mais importante que eleger o Flávio, é conseguir maioria no Senado para fazer impeachment de ministro do STF. Porque com impeachment de ministro do STF, eles conseguem chantagear para anistiar todo mundo, que é a principal coisa que eles gostariam com uma vitória do Flávio, e passam a chantagear todo mundo para sempre.

Você vai ter o STF na mão, se você tem uma maioria que pode tirar qualquer ministro a qualquer momento, enfim.

ACAna Clara Costa

Esse poder que eles almejam com essa quantidade de senadores de direita, o Supremo também tem as armas deles, né? Então assim, vamos supor que a estratégia seja bem-sucedida e que eles consigam fazer uma bancada fabulosa. O Supremo tem uma fichinha para cada um deles.

CRCelso Rocha de Barros

Então assim, vai ser uma briga assim, é, vai ser uma crise institucional na prática, né?

FDFernando de Barros e Silva

Sim, você tem toda razão, mas é uma situação de você aumenta o grau de instabilidade e degrada a discussão, vai para um nível de—

CRCelso Rocha de Barros

não, votar no senador voto bolsonarista esse ano é você dizer que você quer que os próximos anos sejam de crise institucional. Então você tá bancando que os próximos anos vai ser difícil, seja lá quem ganhar a eleição para presidente, passar projeto no Congresso. O Brasil vai perder nota de crédito no mercado internacional porque vai estar sempre em crise institucional. Então é isso que você tá fazendo quando você vota em qualquer um desses caras aqui.

É diferente das eleições anteriores, que você só tava votando um cara ruim. Dessa vez é um negócio com ramificações institucionais muito mais importantes. É possível que tenha uma dimensão da eleição do Senado esse ano diferente, que é talvez ela seja mais nacionalizada. O PT certamente vai puxar isso, bolsonaristas também. Eles vão tentar puxar que você tem que votar no Senado. Se você for bolsonarista, você tem que votar em alguém que queira empichar o Alexandre de Moraes, pelo menos.

E se você for eleitor do Lula, você tem que votar em um senador que ajude o Lula a impedir isso, que ajude o Lula a não cair imediatamente, porque tem uma maioria no Senado que vai criar um caos, etc., etc. As pesquisas de senação, isso mesmo que você disse, elas são muito menos confiáveis, não porque elas sejam mal feitas, mas por 3 motivos. Primeiro, as pessoas só começam a pensar na eleição do Senado muito próximo da eleição.

Então só quando vai chegando a eleição é que eles se informam sobre quem são os candidatos, etc. Segundo, a gente sabe desde a eleição de 2018 que o bolsonarismo tem um sistema de divulgação pelos seus grupos de WhatsApp, que inclui grupos de WhatsApp de igreja, de colas eleitorais que você manda os números que você tem que votar se você quiser apoiar o Bolsonaro. Muitas das pessoas que recebem isso e vão votar nessa cola só olham esse número no dia.

Se ela foi entrevistada para pesquisar antes, ela pode perfeitamente responder outro nome. E para bagunçar de vez, são duas vagas. Então você tem uma possibilidade que eu acho importantíssimo para a gente avaliar as probabilidades esse ano de acontecer o que muitos estudiosos acham que aconteceu com a Dilma quando ela foi candidata ao Senado em 2018. Ela teve uma boa votação, mas o segundo voto dos eleitores da Dilma foram para adversários dela.

E aí, somando os segundos votos dos eleitores da Dilma com os seus próprios votos, passaram a Dilma e ganharam. Então você olhar a pesquisa no final e dizer: esse cara errou quem foi eleito, é meio sacanagem com os institutos, porque assim as combinações são muito complexas, né? Mas vamos dar uma geral aqui. Bom, no Rio Grande do Sul tá bastante equilibrado. A Manuela Dávila do PSOL lidera no Rio Grande do Sul com 12 pontos. O Paulo Pimenta do PT tem 9, empatado com Marcelo Van Hattem do Partido Novo com 9, o Biratan Sanderson do PL com 8 e o Germano Rigoto com 8.

Então basicamente a Manoela um pouco na frente, o Pimenta do PT e um monte de direitista. Aqui é uma situação que ilustra bem o que eu tava falando. A Manuela a princípio seria uma favorita para se eleger aqui. E ela inclusive tem chances razoáveis porque ela tem essa dobradinha com o Pimenta, entendeu? Muito do segundo voto dela vai ser no Pimenta. Agora, esses vários direitistas aqui podem ser segundo voto um do outro de maneiras que a gente não tem como prever.

Ou um vai tirar o outro da eleição, ou se todos eles confluírem como segundo voto de um deles, esse cara pode passar.

FDFernando de Barros e Silva

Os que estão na frente da pesquisa, como a disputa tá se dando entre a Juliana Brizola, que é do PDT, que é da coligação da Manuela, e o Luciano Zucco, que é do PL, um deputado ultra bolsonarista, os dois vão disputar o segundo turno muito provavelmente. Pelo menos um senador vai ser desse grupo de direita.

CRCelso Rocha de Barros

É perfeitamente possível, é perfeitamente possível. Aliás, a gente foi em Porto Alegre, eu falei para eles, esse é um dos poucos estados que podem ser governados por um partido que não tá envolvido de nenhuma maneira no caso Master, que é o PDT. PDT, não achei ninguém até hoje, pelo menos já fiz várias versões desse PowerPoint, não achei.

FDFernando de Barros e Silva

O PT tem o vice na candidatura do governo do Rio Grande do Sul, não tem candidato.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente. Bom, no Paraná a gente tem o Alexandre Cune do Republicanos com 15, a Gleisi Hoffmann do PT com 11, o Felipe Barros, que defendeu o golpe no Congresso Nacional e apresentou a emenda para salvar o Master. Olha só, esse que é um currículo realmente espetacular. E o Dallagnol, cada um dos dois com 9.

FDFernando de Barros e Silva

A gente não sabe se o Dallagnol vai ser candidato, tá tendo uma briga judicial Mas o seu amigo Felipe Barros é partido do Moro, que é o líder das pesquisas pro governo.

CRCelso Rocha de Barros

Ele é do PL, exatamente. E o Dallagnol é do Partido Novo. Por aqui, se você olhar só os números, a Gleisi parece bem colocada pra pegar uma segunda vaga. Agora, o segundo voto do Alexandre Cury provavelmente deve ser Felipe Barros ou Dallagnol, o que tá com cara que vai acontecer com a Gleisi o que aconteceu com a Dilma na outra eleição. Ela pode até ter uma boa votação, mas se dá mal porque são duas vagas. Em Santa Catarina, o negócio das duas vagas vai dar uma briga boa dentro da direita, porque quem lidera é o Espírito de Amin com 19, que é do PP, que é do PP.

E aliás, na prática, quer dizer que o Espírito de Amin tá no mesmo partido desde que nasceu, porque o PP é o descendente mais direto da Arena, que apoiava a ditadura, o partido que formou o Espírito de Amin. Espírito de Amin, é bom dizer, é o único político mais mainstream, mais tradicional, que tava na reunião de 30 de novembro de 2022, em que os bolsonaristas pediram golpe. Inclusive o Felipe Barros. Mas por incrível que pareça, nessa disputa aqui ele é o elemento moderado dessa turma aqui, porque Santa Catarina realmente tá difícil.

O segundo lugar é o Carluxo, que foi exportado para Santa Catarina. Desde já, em nome do Rio de Janeiro, eu deixo meu pedido de desculpa para os catarinenses. Não tem nada que vocês tenham feito na vida que justifica a gente ter feito isso com vocês. E já que eu estou no embalo, pedir desculpa também para o pessoal de Roraima. Que outro que foi exportado do Rio de Janeiro é o Hélio Bolsonaro, também conhecido como Hélio Negão, que vai ser candidato ao Senado do Roraima, onde ele obviamente não saberia apontar no mapa, né, cara, como todo bolsonarista, entendeu?

Enfim, mas ele vai lá porque ele participou de vários projetos sobre garimpo, para liberar garimpo, para sacanear índio, aquelas coisas todas. Então ele acha que isso vai ser uma boa plataforma eleitoral para ele lá, e é capaz de ser mesmo, ficar entre nós.

FDFernando de Barros e Silva

Aí é uma imagem concentrada do que tá em jogo, né? É um deputado que vai pode virar senador negro bolsonarista defendendo o garimpo em terra indígena, matando população Yanomami, né? Porque é isso que tá em jogo, a população Yanomami, que teve uma redução de mortalidade infantil, saiu agora a notícia, uma redução drástica nos últimos anos, e que pode voltar a ser dizimada, como era o horizonte quando Lula assumiu. Existia uma situação de genocídio da população Yanomami. O que tá em jogo ali São Paulo.

CRCelso Rocha de Barros

São Paulo você tem um empate técnico triplo, que seria a Simone Tebet e a Marina Silva e o Derrite. Aqui há uma possibilidade real de Marina e Simone se elegerem, porque uma deve ser o segundo voto da outra. Então aqui a coalizão do Lula tá mais bem protegida da questão dos dois votos, entendeu? Agora, pra tentar melar isso, o Tarcísio lançou a Soninha, ex-VJ da MTV, que foi lançada na política pelo PT como deputada estadual, fez um mandato bastante ruim por causa de inabilidade.

Ela chegou na Assembleia Legislativa de São Paulo, brigou com o presidente da Assembleia, daí em diante passou a ser boicotada em tudo, não conseguiu aprovar nada, teve uma carreira política meio atrapalhada, acabou se aproximando do PSDB, entrou no PPS. Para os jovens não sabem o que é PPS, por incrível que pareça, é o antigo Partido Comunista. Que foi moderando, foi moderando, foi moderando. Aí a gente perdeu ele de vista, ninguém mais sabe onde ele foi parar.

FDFernando de Barros e Silva

É do Roberto Freire, é o do Roberto Freire também. É o partido que foi se descaracterizando e ficando oportunista.

CRCelso Rocha de Barros

Exato, pois é. Eles deviam fechar, gente. Fica aqui meu apelo: fechem o Cidadania. Quem que for de direita vai para um partido de direita. Se tiver alguém progressista lá ainda, vai para um PSB da vida, uma coisa assim.

FDFernando de Barros e Silva

Cidadania é o partido da Soninha. Essa história da Soninha é uma tristeza, É triste, cara, é muito triste.

CRCelso Rocha de Barros

Ela não é candidata ao Senado, ela tá aqui para tirar Marina Silva da segunda vaga a serviço do Tarcísio, que está a serviço do Bolsonaro. E aí você vai tirar Marina Silva e botar o Derrite, cara? Esse é o ponto da sua biografia: você impediu que Marina Silva fosse senadora para que o Derrite pudesse ser senador. Eu acho triste, mas enfim, cada um administra sua vida como acha melhor. E aí você tem um outro caso que também vai ter a discussão entre nacionalização versus o fato que tem duas vagas, muito candidato à direita, isso favorece a direita.

Que é Amarília Campos do PT com 15 pontos, o Carlos Viana do PSD com 8 e o Domingos Sávio do PL com 8. E aí você tem mais direitistas, tem aquele Marcelo Haro que a gente falou, o cara do Eduardo Cunha do PP, com 6. Amarília Campos tem grande chance de eleger, ela tá com uma dianteira bastante razoável, mas ela tem que ficar muito de olho no voto cruzado aqui para segunda vaga da direita. Então tá com cara que a eleição para o Senado vai ser decidida numa tensão entre esse voto cruzado das duas vagas favorecendo uma multidão de candidatos direitistas e a tentativa dos candidatos pró-Lula de nacionalizar a pesquisa, aproveitando que o Lula tem bons números na pesquisa, para tentar derrubar esse obstáculo.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem. Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre isso.

ACAna Clara Costa

Eu primeiro queria falar de uma questão pessoal, que é: eu fui repórter em Brasília no Senado, né? Então assim, eu tenho uma relação especial com o Senado, que na época em que estive por lá, era considerada a casa revisora, a casa mais sensata do Congresso. Foi no Senado que, quando houve o impeachment da Dilma, eles conseguiram fazer uma mudança para pelo menos não deixá-la inelegível. Ou seja, ao final de todo aquele processo, houve uma luz ali dentro que—

FDFernando de Barros e Silva

mas era uma luz em forma de gambiarra também, né? Era uma, era uma uma jabuticaba institucional ali.

ACAna Clara Costa

Mas havia uma percepção ali de que o processo tinha sido atropelado e de pelo menos permitir que ela se candidatasse novamente. Então assim, o Senado sempre foi considerado um farol mínimo dentro daquela coisa obscura que é o Congresso Nacional. E o que a gente tá vendo, isso já tem alguns anos, desde 2018, né, mas se aprofunda eu acho, é essa entrada de figuras completamente incompatíveis, né, com a função. O Senado, ele sempre foi uma casa em que você primeiro tem uma trajetória política pra depois se candidatar a senador, né.

O que tá acontecendo agora é que o Marco Antônio Superman, candidato ao Senado pelo Novo em Minas Gerais, era o apresentador da Jovem Pan.

CRCelso Rocha de Barros

Puta merda.

ACAna Clara Costa

Tem esse apelido Superman porque dizem que ele é parecido.

FDFernando de Barros e Silva

Esse é o que falou que não existe feminicídio, né?

ACAna Clara Costa

Ou seja, é uma pessoa que além de falar esse tipo de coisa não tem uma atividade legislativa anterior.

FDFernando de Barros e Silva

Eu acho que devia ser processado o cara que fala isso.

ACAna Clara Costa

É, como ele tem vários, né? A Cristina Grêmio lá no Paraná, que também chegou a disputar a prefeitura de Curitiba, mas nunca teve nenhum cargo, já se candidata a senadora tentando usar esse patrimônio da audiência que ela alcançou quando tava na Jovem Pan. O fato de todas essas pessoas se acharem credenciadas para uma disputa do Senado, isso é muito absurdo, né? Uma degradação total.

CRCelso Rocha de Barros

São Paulo já foi Fernando Henrique, Mário Covas e Suplicy.

FDFernando de Barros e Silva

Pois é, é só um termômetro do que a gente tá vivendo.

ACAna Clara Costa

Falando de esdrúxulos, né, temos Vanderlei Luxemburgo se candidatando para o Senado pelo Tocantins.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

ACAna Clara Costa

Curioso, né? Tirando a bizarrice, eu acho que uma coisa que ficou clara com essas candidaturas, e independentemente das pesquisas, é que em estados em que o PT tem muita dificuldade de fazer voto, ele tá entrando com outros candidatos representando a esquerda. Entre eles, eu quero destacar o Pedro Taques, ex-governador do Mato Grosso, do PSDB, sempre opositor ao PT a vida inteira, mas migrou para o PSB por obra do Geraldo Alckmin.

Pra concorrer no Mato Grosso representando ali talvez meio que ocultamente a esquerda, né? A Soraya Tronic no Mato Grosso do Sul, ainda que o PT tenha, né, uma candidatura no Mato Grosso do Sul, basicamente a Soraya tá entrando pra ser esse nome também em que pessoas que não necessariamente votariam no Lula possam votar nela. E tem o Celso Sabino, que era ministro do Turismo do governo Lula pela União Brasil e acabou mudando pro PDT, pra poder concorrer ao Senado representando, de certa forma, o governo no Pará.

A Bahia, eu acho que vai ser um Game of Thrones. Porque você tem o Jax Wagner e o Rui Costa disputando a esquerda. E você tem o Ângelo Coronel e o João Roma indo pela direita. Não sei se haverá votos e vagas suficientes pra dois petistas na Bahia nessa eleição. E o Jax Wagner e o Rui Costa, embora um seja criador e a outra criatura, Eles têm, eles têm divergências ali grandes e vai ser interessante ver isso acontecer. O Marcelo Queiroga, que foi ministro da Saúde do Bolsonaro, tentou ser prefeito de João Pessoa, não conseguiu, agora está tentando o Senado. O cara sai do nada, vira ministro da Saúde do nada e já acha que ele pode.

FDFernando de Barros e Silva

Ele pode. O problema é a pessoa ser eleita.

ACAna Clara Costa

E pode, infelizmente pode. E eu queria falar também de Rondônia, duas candidaturas em específico. Bom, Rondônia, que é um estado, embora no espectro da Amazônia, enfim, é o estado talvez mais desmatado, né, do Brasil. A floresta toda virou pasto, né. Não nos assombra o fato de que muitos bolsonaristas são candidatos ali, né. E eu queria destacar uma pessoa em específico, que é o Bruno Scheid. Que é um pecuarista, que é um grande fator de desestabilização no bolsonarismo recentemente, porque ele é muito próximo da Michele, se tornou um dos melhores amigos da Michele.

A Michele tá fazendo campanha pra ele, inclusive, pra ele se eleger em Rondônia. Mas ele é rompido com os filhos do Bolsonaro. Então, os filhos ficam querendo atacar a Michele usando o passado desse Bruno Scheid. É uma briga total, assim, um cara que veio do absoluto nada, nunca teve atividade parlamentar, legislativa, em nada, e vai agora se candidatar ao Senado com essa madrinha. E também em Rondônia a gente tem a candidatura da Neidinha pelo PSB.

Neidinha, para quem não sabe, é a historiadora Ivaneide Bandeira Cardoso, mãe da Thijs Suruí. Que é uma liderança indígena que já esteve nos principais fóruns mundiais falando da causa indígena.

FDFernando de Barros e Silva

Da causa indígena e das questões ambientais. Ela se transformou numa das principais lideranças sobre essas questões.

ACAna Clara Costa

Exato, né? Enfim, já participou de filmes e ela é colunista da Folha de São Paulo. Teve uma briga ali no PSB sobre essa candidatura da Neidinha, que é a mãe dela, né? Que não é indígena, no caso, né, o pai da Tchaik é indígena. O diretório de Rondônia não queria, mas acabaram destituindo o diretório de Rondônia pra viabilizar que ela conseguisse se candidatar. E é um estado em que a maioria dos candidatos representa as causas do garimpo, do agro, do desmatamento.

Então, assim, caso Rondônia elegesse um senado ou mesmo um deputado defensor das causas ambientais, seria já uma vitória. É impressionante.

CRCelso Rocha de Barros

A minha projeção é que a região Norte vai toda para direita, todas as vagas para Câmara, todas as vagas para o Senado, todas as vagas para o governo.

FDFernando de Barros e Silva

Eu diria que a coisa não é entre esquerda e direita no Senado, né? Entre democratas e golpistas. Se a gente for fazer uma clivagem mais geral assim, entre quem vai apostar na bagunça institucional e no golpe, quem vai estar lá para defender a trincheira da democracia. Bom, A gente encerra o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta vamos falar do berro do boi, dos irmãos Joesley, como eu digo, com Consuelo Dieggs. Já voltamos.

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FDFernando de Barros e Silva

Wayfair, every style, every home. Queen Carvânia stood haloed by the morning sun. An army hung on her every word.

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FDFernando de Barros e Silva

Muito bem, estamos de volta com a presença de Consuelo Diegues. Consu, muito bem-vinda mais uma vez. Vou pedir para você contar para os ouvintes do Foro um pouco os bastidores do podcast, como surgiu essa ideia. Foi lançado na última terça agora o 5º episódio de 6, né? Então você pode contar rapidamente um pouco para gente a origem desse trabalho.

CDConsuelo Dieguez

Rapidamente é difícil na Revista Piauí, né? Mas vou tentar, eu vou tentar. Porque é o seguinte, a gente acompanhou a história deles em 2015, a gente contou como eles estavam crescendo na época, nós ficamos muito impressionados e fizemos a matéria, O Estouro da Boiada, e a gente achou que fosse parar por aí, né? A gente já tinha contado que eles tinham virado a maior empresa de proteína animal do mundo com a ajuda do BNDES, mas também eles têm competência, não dá pra negar, porque muitas empresas que receberam recursos naquela época dos campeões nacionais quebraram.

E eles acabaram comprando alguns daqueles frigoríficos que quebraram, com dinheiro inclusive do BNDES. Aí em 2017 você tem um escândalo de corrupção e a delação. Nós acompanhamos também na Piauí, fizemos a anatomia de uma delação mostrando como aquilo tinha sido montado. E ali a impressão não só nossa como da sociedade era de que talvez eles fossem diminuir ou parar ou encolher, porque como é que era possível, né, eles continuarem crescendo depois daquele escândalo?

FDFernando de Barros e Silva

O baque ali era gigantesco, né?

CDConsuelo Dieguez

E a gente já tinha visto o que tinha acontecido com as empreiteiras. O que surpreendeu é como eles não só não encolheram, como eles cresceram, eles se multiplicaram. E isso é a grande questão agora. A gente ia fazer essa matéria na Piauí em 2023, 2023, porque a gente já tinha entendido que eles estavam voltando com toda força. Só que veio o escândalo da Americanas e a gente teve que interromper para fazer Americanas, porque não fazia muito sentido. Tinha o maior escândalo corporativo acontecendo naquele momento.

FDFernando de Barros e Silva

Sim.

CDConsuelo Dieguez

E aí, em 2024, a Trovão Mídia, Ana Bonomi e o Zé Orenstein propuseram para Piauí para fazer uma parceria para fazer esse podcast. Pra contar essa história. Porque qual que é o grande paradoxo disso daí, né? Como é que pode uma empresa que ela tava primeiro entre os maiores beneficiários de um sistema político, porque ela ganhou muito dinheiro, né, desse sistema. Depois ela é um dos maiores delatores desse sistema. E depois ela volta a ocupar um lugar privilegiado dentro desse mesmo sistema.

Que é o que tá acontecendo agora, porque eles continuam tendo influência política em todos os partidos, em governos, em estados e municípios. Eles não perderam a influência, diferente, eu acho, naquela época que era doação para campanha, porque agora eles nem precisam mais disso. Agora o poder deles é tão grande que a influência é nos ministérios, junto aos governos de estado, a órgãos públicos.

FDFernando de Barros e Silva

Eles continuam tendo influência nas conversas entre o Lula e o Trump.

CDConsuelo Dieguez

Isso é impressionante. Depois de todo esse escândalo, prisão, quando todo mundo acha que eles vão ir para o buraco, eles não só crescem como vão fazer a dupla listagem em Nova York, que é passar a vender as ações da JBS na Bolsa de Nova York e aqui no Brasil, o que não é pouca coisa. Não são tantas empresas no mundo que tem essa possibilidade. E a partir dessa dupla listagem, eles desenvolvem essa relação com o Trump. Aliás, tem uma coisa importante antes.

Eles já estavam estabelecidos nos Estados Unidos com a Swift, a Pilgrims e várias outras empresas que eles foram comprando lá. E a questão da dupla listagem estava parada nos Estados Unidos. Tinha uma suspeita porque eles tinham problemas aqui no Brasil, exatamente pela prisão, pelos escândalos de corrupção. Não se queria dar essa autorização pra eles operarem na Bolsa de Nova York. Mas na posse do Trump, eles são os maiores doadores da festa.

Eles dão 5 milhões de dólares pra festa de posse do Trump. Logo depois disso, eles ganham autorização pra operar na Bolsa de Nova York. Ou seja, eles têm essa influência de negócios lá já muito grande. Com o Trump naquele momento, que só faz crescer.

ACAna Clara Costa

Bom, gente, primeira coisa, ouçam O Berro do Boi, assim, é sensacional o trabalho de reportagem da Consuelo, que inclusive ela resgata áudios daquela época que ela fez essa reportagem pra Piauí. É muito, muito bacana.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem feito, muito legal.

ACAna Clara Costa

Mas uma coisa que eu fiquei intrigada é que das empresas que acabaram envolvidas na Lava Jato, né, principalmente as construtoras, a Odebrecht, que também fez uma grande delação e tudo mais, essas empresas não se recuperaram, né? Elas não conseguiram crescer de novo, muito pelo contrário. Inclusive, a Novo Nord, que é a empresa que a Odebrecht acabou virando, né, tem bastante dificuldade em contratar com o poder público justamente por causa desse passivo, né, da família Odebrecht.

E a JBS não só conseguiu se reerguer como nenhuma outra, envolvida naquele escândalo, como ela ficou muito maior do que ela era, né? E dentro de um contexto em que quando você tem donos de empresa envolvida em escândalo de corrupção, geralmente isso dificulta acesso a crédito, né? Os bancos têm várias regras de compliance que impedem negociar com essas pessoas em alguns momentos e tal. Então assim, tinha várias dificuldades ali para eles conseguirem transpor para virar isso que eles viraram em tão pouco tempo. Como que isso aconteceu?

CDConsuelo Dieguez

Olha, eu acho que a primeira coisa que a gente tem que diferenciar é uma empresa de alimentos com as construtoras, indústria de base, que depende basicamente do governo. Eles não dependiam do governo, eles pegaram financiamentos com o governo, mas comer, todo mundo precisa comer. Você não precisa fazer um contrato com o governo para você vender alimento. E eles passaram a vender alimento para o mundo inteiro. Eles continuaram vendendo.

No caso da questão do crédito, o que que eu acho que aconteceu? Quando teve a delação, todo mundo achava, bom, agora eles não vão poder fazer mais nada, mesmo porque o governo Temer botou as baterias todas contra eles, a Receita, todo mundo em cima deles. Eles se anteciparam e começaram a antecipar pagamentos para os bancos vendendo empresas que eles tinham. Fizeram caixa e mostraram para os bancos: olha, nós não vamos dar calote, a gente está aqui pagando vocês.

Anteciparam muitos pagamentos, porque se os bancos parassem de rolar a dívida deles naquele momento, eles quebravam. E eles fizeram essa jogada, que também foi uma jogada inteligente. Outra coisa que eu acho que é um diferencial deles para o das construtoras é que eles assumiram para eles, o Wesley e o Joesley, A delação. Enquanto nas construtoras entraram vários executivos que foram presos, então as construtoras ficaram acéfalas.

No caso deles, não, porque os executivos continuaram nos cargos onde estavam, sem eles dois, mas é claro que eles continuaram dando instruções. Aí quem assumiu também foi o irmão mais velho, o Júnior, que já tinha saído da empresa, os filhos do Wesley e do Joesley, que já tinham alguma experiência, e o próprio pai, com uma idade um pouco mais avançada, mas também assumiu a cara da empresa, entendeu? A empresa não ficou sem dono.

Os outros, tava todo mundo preso, os donos e os executivos. E ali não. Mas eu acho que o maior diferencial é a questão de ser uma indústria de alimentos. E aí saíram vendendo pro mundo todo, né? E ficaram na moita. Eles não apareceram mais. Tanto que quando eles foram soltos, o Wesley foi um dia no restaurante, isso a gente relembra no podcast, inclusive com as vaias, com os sons todos, eles não podiam mais circular. Eles foram carimbados como os maiores corruptos do Brasil.

ACAna Clara Costa

Talvez tenham sido mesmo, né? Porque no próprio podcast você fala, né, que não era só doação de campanha, era pagamento em dinheiro vivo, era pagamento via exterior.

CDConsuelo Dieguez

Sim, vantagens. Por exemplo, no CAD fica até muito claro numa negociação que ele tem com Rocha Loures para desembaraçar um problema que eles tinham com a Petrobras, que eles queriam ter acesso ao gás e a Petrobras tinha um negócio e eles não poderiam comprar. E o Cade entrou ajudando a empresa. Então eles tinham influência em vários órgãos. Eles deram muito dinheiro, né? Mesmo para quem não tava no poder, eles deram para ajudar.

FDFernando de Barros e Silva

Um parêntese, mas tem a ver com isso: o acordo de leniência deles resultou numa multa de R$10,3 R$43 bilhões, que foi anulada pelo Toffoli em 2023.

CRCelso Rocha de Barros

Inacreditável, né?

CDConsuelo Dieguez

Agora, Fernando, outra coisa que a gente tem que lembrar é que quando teve a delação, eles também se saíram muito melhor do que os outros, porque os outros foram todos presos. Eles não foram presos, eles só foram presos bastante tempo depois da delação, não pelo caso de corrupção, mas por insider information. Tanto que no começo eles tinham recebido uma multa mínima. Quando a sociedade percebeu, imprensa e todo mundo, é, por que que eles estão sendo tão beneficiados?

Os outros estão recebendo multas altíssimas e eles era uma multa de R$200 milhões com autorização para sair do país. E aparece até uma cena que virou assim um escárnio, que era ele levando aquele iate dele Why not pra fora do Brasil, né? E a família indo toda pra Nova York.

FDFernando de Barros e Silva

Que beleza!

ACAna Clara Costa

Mas eles assumiam riscos que ninguém assumia, né? Essas gravações, eles gravaram o presidente da República, etc. Nenhum outro delator assumiu.

FDFernando de Barros e Silva

Essa é a dupla caipira mais bem-sucedida da história, viu?

ACAna Clara Costa

E isso é um emblema talvez do que eles fazem nos negócios, né? Talvez eles tenham uma ousadia que beira ali qualquer coisa que os outros não têm também.

CRCelso Rocha de Barros

Eu não sei se vocês se lembram, na época teve um sketch do Porta dos Fundos sobre delação premiada em que o corrupto pedia para o investigador o pacote Joesley. Ele queria o dinheiro todo de volta, mais liberdade total, mais não sei o que lá.

CDConsuelo Dieguez

É, não. E aí a loucura é quando eles se dão bem, né, que a multa deles era muito menor, aí o Ministério Público resolve botar essa multa de R$10 bi, porque aí ficou claro, ô, peraí, como assim? E aí depois o Toffoli perdoa. Ou seja, você vê o tamanho da influência deles, né, que continua até hoje.

FDFernando de Barros e Silva

Celso, queremos te ouvir.

CRCelso Rocha de Barros

Primeiro lugar, novamente recomendar vivamente que vocês ouçam esse podcast. É um dos melhores que saíram do Brasil nos últimos anos. Trabalho excelente. E assim, documento histórico realmente obrigatório. Consultoria tá muito de parabéns. Não que ela precisa do meu parabéns, né? Ela outro dia deu o furo do Banco Master, então enfim, você já deve saber que ela sabe fazer esse trabalho dela. Mas de qualquer maneira, só reforçando aqui, parabéns também, pessoal da Trovão Milho.

Agora, eu fiquei muito curioso sobre o papel dessa participação deles nos Estados Unidos nesse processo de recuperação, porque a primeira coisa que me ocorreu foi: será que enquanto eles estavam tendo que sumir aqui por corrupção no Brasil, o Trump não tava ganhando lá, abrindo outras possibilidades de corrupção, e eles foram crescendo por lá. Mas eu não sei se isso aconteceu. Você acha que eles cresceram nos Estados Unidos porque conseguiram se reabilitar aqui primeiro, ou os Estados Unidos foi uma parte importante dessa reabilitação?

CDConsuelo Dieguez

Os Estados Unidos foram uma parte muito importante dessa reabilitação. Hoje é o maior mercado deles, né? Eles estão enormes lá.

CRCelso Rocha de Barros

Impressionante, né?

CDConsuelo Dieguez

Agora, eu não sei como se deu esse processo lá. Claro, eu não cheguei lá investigar se houve ou não corrupção, mesmo porque foram vários presidentes. Eles começam a comprar a Swift, acho que em 2007, ou seja, ainda não tinha Trump na história, né? Eu acho que as relações deles com o Trump começam porque o Trump é um homem de negócios. Ele é claramente um presidente que é um homem de negócios, diferente dos outros que podiam lá ter as influências dele.

O Trump não esconde que ele é um homem de negócios e que faz diplomacia de negócios. O Trump não tem mais diplomacia profissional, né? São todos homens de negócios ali, com algum interesse em algum lugar. Ou no Irã, ou no Afeganistão, ou no Iraque, ou seja lá onde for. Na Ucrânia, na América Latina, na Venezuela. E eles entenderam bem isso. E eles estão realmente muito próximos do Trump. Não vou dizer que são amigos, mas eles têm influência ali.

Por causa dos negócios. E aí eles passaram a ser também, junto com o Marco Rubio, principalmente porque o Marco Rubio tem essa questão com a América Latina, eles estão muito próximos do Marco Rubio, a fazer negócios na Venezuela, tendo autorização dos Estados Unidos para fazer negócios na Venezuela quando todo mundo tava impedido de fazer isso.

CRCelso Rocha de Barros

Era Maduro, né? Exatamente.

CDConsuelo Dieguez

Exato. Eles eram os únicos que tinham.

CRCelso Rocha de Barros

Isso é sensacional.

CDConsuelo Dieguez

E eles foram lá, mesmo com o espaço aéreo fechado, eles foram lá conversar com Maduro. O que se especula é que eles teriam sugerido que o Maduro renunciasse. Isso nós não sabemos, né, ninguém pode garantir. Mas o Itamaraty admite que em várias situações, por exemplo, no caso das tarifas, eles tiveram muita influência mesmo. Junto ao Trump para reduzir as tarifas. Ou seja, como é possível essas pessoas que saíram lá do interior de Goiás, que tudo bem, criaram essa empresa que era uma empresa de sucesso, mas depois delatam, passam por todo esse escândalo, estarem agora colado com o presidente dos Estados Unidos e dando pitaco na Venezuela?

E o que que tá acontecendo agora, gente? Muito mais do que a carne. Eles estão mandando em vários setores. E por que que eles estão na Venezuela? Petróleo. Eles vão virar uns grandes produtores nessa área de energia. Petróleo, gás, energia elétrica. Eles estão entrando em todos os setores. É impressionante.

ACAna Clara Costa

Eles estão numa batalha com André Esteves por energia no Brasil, né? Eles estão brigando em vários contratos. Com André Esteves.

CDConsuelo Dieguez

Sim, tão brigando com vários contratos, mas ganharam um contrato lá no Amazonas que a gente vai falar isso no episódio 6, de como é que foi essa negociação no setor elétrico. Porque eles têm aquelas distribuidoras que ninguém queria e a empresa deles passa a querer porque era muito endividada, tinha uma dívida gigantesca. Logo que eles compram o Ministério das Minas e Energia meio que perdoa a dívida, repassa a dívida para todos os consumidores brasileiros, e teve uma briga enorme com a ANEEL por causa disso, e eles ganharam a parada.

Ou seja, a influência deles é muito grande, né? Então eles estão com essa empresa Amber de energia, eles têm a Fluxus de petróleo, eles estão em gás, e eles entraram em usina nuclear. Então quando as pessoas falam assim, ah, porque o BNDES lá atrás emprestou dinheiro, tá, mas isso, gente, o Brasil já tá pequeno pra eles. Eles são os maiores produtores de frango, eles têm as empresas de presunto na Itália, eles têm empresas de produtos naturais na Holanda, eles produzem salmão na Austrália.

Hoje eles são os maiores fabricantes de latas aqui no Brasil porque eles aproveitam tudo do boi. A gente chama até de linha de desmontagem, porque cada pedaço do boi é uma fábrica para eles. Hoje, o Fernando, dificilmente alguém aqui no Brasil toma um banho que não seja com sabonete da JBS, produzido pela JBS.

FDFernando de Barros e Silva

Pelo amor de Deus, Consuelo, não fala isso para mim! Agora eu vou entrar no banho, eu vou lembrar do Joesley. Consuelo, pelo amor de Deus, Consuelo, não faça isso!

CDConsuelo Dieguez

70% da fabricação de sabonetes do Brasil vende a JBS. Eles fazem a massa para eles e para outras empresas, porque eles têm a flora, eles têm caminhões, eles transportam para Ambev, para várias empresas. Se você vai comer um salmão, você tá comendo um salmão lá na Austrália JBS.

FDFernando de Barros e Silva

Informações perturbadoras. Vamos falar um pouquinho dessa compra da Avibras, que abre uma nova frente para eles e tem razões estratégicas por trás. Vibras, né? Tem uma história aí que você tava contando um pouco pra gente antes da gente gravar.

CDConsuelo Dieguez

A Vibras é uma história muito impressionante, né? Porque ela vale muito mais pela tecnologia dela. Ela é uma empresa especializada, né, em propulsão, em foguetes, em sistema de artilharia. Por décadas ela acumulou conhecimento nesse setor, né? Mísseis. Só que uma gestão de caixa muito ruim. E ela entrou em recuperação judicial. Só que ela é uma empresa estratégica pro Brasil, né? Porque não é só pelo armamento em si, mas por tudo que envolve de tecnologia, de engenharia, né?

De contratação de engenheiros, de técnicos ultraespecializados. É um conhecimento científico muito grande. E aí a JBS, junto com um grupo, acho que foi em maio por aí, entrou com um recurso de R$300 milhões para tirar a Vibrás da recuperação judicial. Ia ser um grupo com fundos, mas que não é nem a JBS, JF, é um fundo particular deles, tá? Uma dessas gestões de família. Eles compraram, o Lula foi a Jacareí, que é onde fica a sede da fábrica, em julho, falou: olha, com tanta guerra que tá acontecendo aí pelo mundo, tanta maluquice acontecendo, a gente não pode abrir a guarda.

E aí agora em agosto eles anunciam que eles compraram 100% do capital da Vibras. Então aquelas outras pessoas que entraram junto com eles no negócio saíram fora. Tem 3 possibilidades aí, eu acho que todas fazem sentido. Uma, porque é estratégica para o governo brasileiro, mas não no sentido assim, ah, a JBS tá lá ajudando o Lula. É estratégico para o governo brasileiro e provavelmente o governo brasileiro gostou que uma empresa brasileira tivesse comprado.

Isso pra esse conhecimento ficar no Brasil. Tem uma outra coisa também, porque tinha uma pressão já no Congresso que queriam que nacionalizasse a empresa. Não se quis, e aí a opção foi os irmãos comprarem, porque não é a empresa, é esse Globo que é essa empresa deles. Você tem uma segunda hipótese, que os Estados Unidos estariam por trás disso, por causa dessa relação deles principalmente com o Marco Rubio, porque houve interesse de uma companhia chinesa comprar a Vibras e os Estados Unidos não ficaram nada interessados nisso.

Imagina a China tendo uma empresa de alta tecnologia como é a Avibras. A terceira coisa é que é realmente um grande negócio. Como me disse um general da reserva, ele falou: Consuelo, olha, você pode colocar de lado aí as especulações, mas o fato é que isso é um excelente negócio, porque os gastos militares estão se expandindo muito. O mundo tá numa corrida armamentista e os Estados Unidos perderam muito dos mísseis deles nessas guerras aí, Ucrânia com Gaza lá no Oriente Médio, Líbano, inclusive o que se fala, os especialistas em defesa, que eles tiveram que recuar no Irã por falta de armamentos.

Então a entrada da Avibras sendo comprada por um grande aliado dos Estados Unidos também é muito bom para os Estados Unidos. A Avibras tem um míssil que é assim de última geração e que é exportado, que é o grande produto deles, que se chama Astros, que eles estão modernizando ainda mais. Quer dizer, eles vão decidir para quem exportar isso, porque você só exporta para países, tá, gente? Alguém lá, um Zé Mané, querer, eu vou lá comprar esse míssil, não.

Só países podem comprar. E aí entra a questão estratégica: qual o país que vai comprar? E se um inimigo seu, por exemplo, se o Irã quiser comprar Irã, mas os Estados Unidos estiverem comprando, os Estados Unidos têm poder de dizer: olha, não, você não pode vender para o Irã porque você já tá vendendo para mim. Então tem toda uma estratégia geopolítica aí nessa compra dessa Vibrage.

FDFernando de Barros e Silva

Que loucura! Agora não só no restaurante, eu tomando banho, agora para dar tiro também. Vamos pensar, você come a carne, toma banho e dá tiro com os irmãos Joesley.

CRCelso Rocha de Barros

Exatamente.

CDConsuelo Dieguez

Posso só falar uma última coisa que eu acho que é importante, que tá no episódio 5 do podcast? JBS. Isso tudo que eu tô contando para vocês, essa linha de desmontagem, é porque eu fui para as fábricas. E ali do boi sai o couro, sai o colágeno, sai o sabonete que você tá tomando banho, a latinha de desodorante. Tem uma coisa muito impressionante também nesse episódio, que é a relação com os trabalhadores. Porque a JBS tem um monte de problemas, não só ela, o setor frigorífico é um setor muito complicado, mas é muito estranho que uma empresa como a JBS, que é uma empresa de ponta, agora aí com o boi à bala, né, como as pessoas estão falando, tratar os empregados da forma como tratam.

Teve até denúncia de trabalho escravo, e que só não foi para frente porque o ministro do Trabalho avocou para ele o processo. Inclusive, fiscais do ministério pediram demissão dos postos por causa disso. E uma outra crítica muito grande que tá nesse nosso episódio 5 é também da concentração do mercado de carne. Carne, porque eles é que estão definindo o preço do boi. Então tem muito produtor reclamando, eles botam o preço da roupa lá embaixo, mas o preço da carne não caiu no supermercado não.

Então tem várias contradições aí, tem uma coisa espetacular de uma indústria espetacular, mas com várias contradições. E é isso, é a nossa ideia do podcast, é mostrar esse paradoxo, tá?

FDFernando de Barros e Silva

Muito bem.

ACAna Clara Costa

Olha, Consuelo falou da bala e do boi, da Bíblia também, porque parte da família é super cristã e eles fazem células em São Paulo para receber as pessoas para rezar em casa e tal. Tem essa parte aí que ainda é muito privada, né? Eles não operacionalizaram, não transformaram em negócio.

FDFernando de Barros e Silva

Fala, fazem célula, eu já tava pensando fabricação de célula, né? Falei, como que é isso?

ACAna Clara Costa

A célula no sentido Vai que eles decidem criar uma igreja, hein? Já pensou?

FDFernando de Barros e Silva

Ai, ai, Consuelo, excelente! Eu, assim como meus amigos do fórum, recomendo vivamente que vocês ouçam O Berro do Boi. Consuelo, muito obrigado pela sua participação, conversa muito legal, obrigado mesmo. A gente vai encerrando o terceiro bloco do programa por aqui, fazemos um rápido intervalo e na volta Kinder Ovo. Já voltamos.

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?Voz F

Do you hear that? That sound, right? That means that summer's officially here. It means that grown adults just sprint into the street for a frozen dessert shaped like a cartoon. But this summer, Mint Mobile has a better treat. Every plan, including unlimited, is $15 a month. Muito bem, estamos de volta.

FDFernando de Barros e Silva

Mari Faria com Consuelo Diegues na bancada também para adivinhar. Vamos ver se ela desbanca o Celso. Solta aí o killer ovo.

CRCelso Rocha de Barros

Não adianta você querer dizer para mim que o PT ficou com o Ministério da Educação e o PP com o Ministério do Esporte, que você formou maioria. É um pouco vampeta, né? Você finge que paga, eu fingo que jogo.

FDFernando de Barros e Silva

É o Rodrigo Maia. Putz, caraca, Consuelo me deu sorte! Nem acredito que eu acertei. Tipo Vampeta, ele também tá parecido com Vampeta, não é isso? Que ele tá mesmo, mesmo físico de rolê. Então, para os anais, quem fala é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, atual diretor de relações institucionais do BTG Pactual, Rodrigo Maia. Entrevista ao canal Warren Investimentos. Bom, encerrado este Kinder Ovo que eu queria que a Consuelo tivesse ganhado.

CDConsuelo Dieguez

Quase que eu ganho, Fernando.

FDFernando de Barros e Silva

Vamos para as cartinhas, para o correio Calma Urgente, melhor momento do programa. Eu vou começar então com a mensagem do Roberto Colani, que postou o seguinte: pessoal, há semanas algo me aflige. A imprensa, sempre tão criativa, ainda não batizou devidamente o caso master. Por isso, lanço um desafio aos jornalistas mais criativos e aos ouvintes mais qualificados deste país: batizem esse caso com alguma palavra terminada em -ão.

Propinão? Não sei. Aproveito para mandar um abraço para meu pai Mauro, um trabalhador da agroindústria brasileira que percorre os rincões bolsonaristas acompanhado por vocês.

CRCelso Rocha de Barros

Uau, pô, excelente! Valeu, Mauro!

FDFernando de Barros e Silva

Ei, Maurão, abraço a todos!

CRCelso Rocha de Barros

Abraço a todos!

ACAna Clara Costa

Pois é, não tem um nome, né?

CRCelso Rocha de Barros

Tipo, desafia os poetas brasileiros, né? O pessoal criativo aí.

ACAna Clara Costa

CD Bom.

CRCelso Rocha de Barros

Eu pensei em CD Bom, juro para você.

FDFernando de Barros e Silva

Vorcarão, Mastelão, Flavião.

CRCelso Rocha de Barros

Dark Horse não tem como botar umão no final, né?

FDFernando de Barros e Silva

Senão era bom.

ACAna Clara Costa

Cavalão. Sobre o último bloco do programa passado, a Camila Petrovic comentou: aqui em casa quem escuta primeiro prepara o outro para o episódio. Essa semana eu dei o azar de ouvir primeiro sem avisos para esse terceiro bloco. Deu um embrulho no estômago, mas bora para luta porque não tem outra possibilidade. Camila, eu te confesso que eu ouvi também, fiquei sentindo vontade de explodir uma bomba no mundo.

CRCelso Rocha de Barros

O Érico Luiz da Silva está pedindo justiça a uma classe muito específica. Salve, terezinenses! Aproveitando que vocês citaram as tais motociatas fascistoides que marcaram essa quadra miserável da história em que estão vivendo, quero deixar registrado que nem todo movimento motociclista é alinhado com os Existem motoclubes de esquerda, um dos quais eu sou integrante, o Metal Reds Motoclube, o primeiro motoclube antifascista do Brasil. Nós existimos e resistimos.

ACAna Clara Costa

Sensacional!

CRCelso Rocha de Barros

Muito bem, parabéns aí, o Érico Luiz da Silva.

FDFernando de Barros e Silva

Muito bom. Nada contra as motocicletas, é contra quem vai em cima delas, basicamente.

CRCelso Rocha de Barros

Ó, nada a ver, motocicleta é mó barato.

FDFernando de Barros e Silva

Então tudo que é bom acaba logo que não é tão bom também acaba, como eu digo. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar 5 stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music favorita, na Deezer, e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da Piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a Revista Piauí.

A coordenação geral é do Paulo Vítor Ribeiro, a direção é da da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Vítor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabássi e do Luiz Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabássi e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brizola.

Programa de hoje foi gravado aqui na minha Campana em São Paulo, no Estúdio Reds em Brasília e no Estúdio Rastro do Dani D no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Primeiro, tchau Consuelo, bem-vinda!

CDConsuelo Dieguez

Tchau, obrigada Fernando!

FDFernando de Barros e Silva

Tchau Ana!

ACAna Clara Costa

Tchau Fernando, tchau pessoal!

FDFernando de Barros e Silva

Tchau Celso!

CRCelso Rocha de Barros

Tchau pessoal, até semana que vem!

FDFernando de Barros e Silva

É isso gente, uma ótima semana a todos e até semana que vem!

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